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IMPRESSO ESPECIAL CONTRATO No 9912233178 ECT/DR/RS FUNDAÇÃO PRODEO DE COMUNICAÇÃO CORREIOS

Porto Alegre, 16 a 30 de abril de 2009

Uma outra comunicação possível

Sob o tema central Processos de Comunicação e Cultura Solidaria, o Mutirão de Comunicação Latino-ameriano e do Caribe objetiva propor uma outra lógica na repercussão da notícia e na formação da opinião pública. Onde o anônimo e silencioso gesto de solidariedade, o heroismo diário de milhões de homens e mulheres de boa vontade pelo mundo afora também sirvam de manchete. Onde a justiça e a paz possam construir um mundo de relações mais solidárias. Página 7

Ano XIV - Edição No 536 - R$ 1,50

Referência solidária

Livros e impressos não são a única finalidade da Livraria Padre Reus, na Rua Duque de Caxias, 805, centro de Porto Alegre, que também é referência de acolhida solidária. Pois, em espaços de seu prédio acolhe, sem cobrança de aluguel, três entidades cujas atividades também são solidárias. Desde setembro de 2002, o jornal Solidário tem ali o endereço de sua redação e secretaria. E, a partir de março último, ali também estão instaladas as sedes do Projeto de Assentamento Solidário do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados – ACNUR – e do Fórum Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Formalização nesse sentido ocorreu dia 31 de março último,com a presença do Padre João Geraldo Kolling, superior da Província Meridional da Companhia de Jesus; do vice-prefeito de Porto Alegre, José Fortunatti; e do arcebispo metropolitano de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings, além de amigos, convidados e funcionários das três entidades, representadas na ocasião por seus responsáveis, Jorge La Rosa, pelo jornal Solidário, Karin Wapechoski, pelo ACNUR e Nelcinda Aguirre, pelo FMDCA.

Óscar Romero vive Reunião na PUC serviu para preparar Mutirão da Comunicação

A Segurança Pública e o papel do Estado na construção da paz

Dom Mário Stroher

“O discurso sobre violência é feito a partir do lugar social de quem fala. Para as altas camadas, o problema do crime decorre da falta de repressão. Já a classe pobre argumenta que a violência é uma consequência da fome e da miséria. Tudo isso é verdade, mas não resolve”, alertou Dom José Mario Stroher, bispo de Rio Grande e presidente do Regional Sul 3 da CNBB no debate de audiência pública promovido pela Assembléia Legislativa do Estado, dia três de abril último. Dom Mário considera fundamental que as organizações e as pessoas trabalhem por uma cultura de paz e que o país invista mais na educação, nas reformas política e tributária. “A Campanha da Fraternidade está empenhada em mudar o modelo de enfrentamento da violência e em ajudar a humanidade a acreditar no amanhã”, disse o prelado em sua intervenção durante o debate em que também participaram o ministro da Justiça e o presidente da AL gaúcha e que teve a presença de dezenas de entidades e organizações governamentais e não governamentais do RS.

Por que casais se separam Página 3

CianMagentaAmareloPreto

Jovem tem vez

Deus manda homens e mulheres providenciais aonde são necessários. Mons. Romero encarnou a bondade e foi pastor de um país que sofria. Era homem tímido e temeroso e, por obra da graça, tornou-se um gigante. Era homem com profundo conhecimento da doutrina da Igreja, com um impressionante dom da palavra. Um homem próximo de seu povo.

Nesta edição destacamos Anderson Stefanski, 16 anos, 2o ano da Escola Média, que aparece na foto ao lado com seus colegas do CLJ da Paróquia N. Sra. das Dores. Página 2

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Cidadania

Jovem

Editorial

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UMA CULTURA DE PAZ

alta de repressão ou consequência da fome e da miséria... o que gera a presente e crescente insegurança pública? Em sessão na Assembléia Legislativa do Estado, com a presença do ministro da Justiça, Tarso Genro, parlamentares e entidades publicas e da sociedade civil, o presidente do Regional Sul 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e bispo de Rio Grande, Dom Mário Ströher, disse que a Campanha da Fraternidade da CNBB considera fundamental a mudança de atitude que leve a uma cultura de paz em lugar do atual modelo de enfrentamento. Entre outras iniciativas, é preciso investir mais em educação e realizar uma reforma política e tributária, disse Dom Mário (capa). Dom Oscar Romero, que nunca foi unanimidade em vida, é agora venerado até por não católicos por reconhecerem seu calvário e ressurreição nas manhãs de todas as páscoas do mundo. Mons. Gregório Rosa Chávez, bispo em El Salvador e postulador da causa de beatificação de seu antigo superior, conselheiro e amigo, afirma: “Quando uma Igreja vive um momento dramático, em que a vida está em jogo, é mais fácil ser testemunho vivo de Cristo. Quando tudo parece normal a gente vai se aburguesando, sem dar-se conta. Necessitamos que os mártires nos despertem”. O processo de beatificação de Dom Romero está concluído junto à Congregação Vaticana para a Causa dos Santos. Fato marcante na definição de sua trajetória cristã foi a morte, em 12 de março de 1977, do padre jesuíta Rutilio Grande, seu amigo íntimo, assassinado na cidade de Aguilares, junto com dois camponeses (página 6). Porto Alegre está se preparando para sediar um dos maiores eventos de comunicação já realizados na América Latina. Tratase do Mutirão de Comunicação América Latina e Caribe, que vai acontecer no campus da PUCRS, de 12 a 17 de julho próximo. O tema que vai orientar e iluminar os trabalhos não poderia SER mais atual e desafiador: processos de comunicação e cultura solidária. Há um crescente sentimento de que, ou a humanidade constrói, com as “armas” da justiça, um mundo de relações mais solidárias, ou este nosso mundo não tem futuro. Numa espécie de pré-Mutirão (PUCRS, 27 de março), este sentimento e necessidade de se construir uma cultura solidária ficou muito clara. Washington Uranga, da Universidade de Buenos Aires, foi enfático: A cultura do êxito foi deixando de lado a cultura solidária (página 7). Para Pedro Gilberto Gomes, da Unisinos, é preciso... “trabalhar a consciência das diferenças e o respeito aos outros através do diálogo, da solidariedade e da comunicação solidária”. Participaram do painel na PUC, além de Uranga e Gomes, os professores Juremir Machado da Silva, Celso Schröder, Neka Machado e Vanessa Purper (página 7). Em sessão especial no Senado Federal, Pedro Simon destacou a realização do Mutirão dizendo que... será uma bela oportunidade para discutirmos os pilares da formação de nossos melhores valores (contracapa). Ainda na contracapa desta edição do Solidário, a verdadeira corrente de solidariedade que acontece no Instituto do Câncer Infantil, corrente esta criada e dinamizada por um jovem casal que quer praticar um dito bíblico: não saiba tua mão esquerda o que faz a direita. Por isso, prefere o anonimato. attílio@livrariareus.com.br

Fundação Pro Deo de Comunicação CNPJ: 74871807/0001-36

Conselho Deliberativo

Presidente: José Ernesto Flesch Chaves Vice-presidente: Agenor Casaril

Voluntários Diretoria Executiva

Diretor Executivo: Jorge La Rosa Vice-Diretor: Martha d’Azevedo Diretores Adjuntos: Carmelita Marroni Abruzzi, José Edson Knob e Ir. Erinida Gheller Secretário: Elói Luiz Claro Tesoureiro: Décio Abruzzi Assistente Eclesiástico: Pe.Attílio Hartmann sj

Ano XIV – Nº 536 – 16 a 30/04/09 Diretor-Editor Attílio Hartmann - Reg. 8608 DRT/RS Editora Adjunta Martha d’Azevedo Revisão Nicolau Waquil, Ronald Forster e Pedro M. Schneider (voluntários) Administração Paulo Oliveira da Rosa (voluntário), Elisabete Lopes de Souza e Davi Eli Redação Jorn. Luiz Carlos Vaz - Reg. 2255 DRT/RS Jorn. Adriano Eli - Reg. 3355 DRT/RS Jorn.Thais Palharini (voluntária) Impressão: Gazeta do Sul

Rua Duque de Caxias, 805 – Centro – CEP 90010-282 – Porto Alegre/RS Fone: (51) 3221.5041 – E-mail: solidario@portoweb.com.br Conceitos emitidos por nossos colaboradores são de sua inteira responsabilidade, não expressando necessariamente a opinião deste jornal.

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tem vez

entrevistado desta edição é Anderson Stefanski, 16 anos, 2º ano da Escola Média, que também faz curso de Informática e participa do CLJ na Paróquia Nossa Senhora das Dores, em Porto Alegre.

* Fala de ti Sou um jovem católico, que prioriza sobre tudo a vida. Gosto de ajudar e estar com meus amigos e com meu líder, Jesus Cristo. * O que pensas fazer no futuro? Penso me formar em jornalismo. Também quero manter e principalmente aumentar a minha fé e defender minha religião (católica), que é atualmente muito atacada pela mídia. * Fala de tua família. A família é a base de tudo. Eu sempre gosto de ajudar meus familiares. Pelo que vejo, minha família me vê como sendo um jovem com muito futuro pela frente. * Fala de teus amigos. Meus amigos representam muito para mim. Eles me ajudam nas horas difíceis, assim como gosto de ajudá-los. *O que consideras positivo em tua vida? Sou muito persistente, a ponto de não desistir daquilo que quero, lutando até o fim. * Um livro que te marcou. Religião e Cristianismo. * Um filme inesquecível. Paixão de Cristo. * Um medo As pessoas desistirem do dom maior, a vida. * Um defeito do qual gostarias de te livrar. Manias. * Qual o maior problema dos jovens, hoje? Um dos maiores problemas dos jovens é a falta de oportunidades no mercado de trabalho, levando-os ao mundo do crime e às drogas. O governo deveria criar mais oportunidades e promover uma melhor qualificação dos jovens. * Qual o maior problema no Brasil de hoje? Do meu ponto de vista são dois: 1º Violência. 2º A estimulação do governo à promiscuidade. * O que pensas da política? Eu gosto muito de política e acompanho os fatos que acontecem no meio dela. Acho que os jovens, quando adquirem 16 anos, idade mínima para votar, devem votar e utilizar seus direitos. * O que pensas sobre a felicidade?

Muitas pessoas acham que o dinheiro leva à felicidade, ou outro bem material. Errado, os bens materiais levam apenas ao prazer. A felicidade é algo muito maior e espiritual. A felicidade é o amor de Deus. * Já fizeste algum trabalho voluntário? Qual? Sim. Ir à uma comunidade carente, levar roupas, comidas, produtos de higiene... *Fala de tua religião. Acho que devemos dizer o que está errado ou certo, e procurar entender e estudar o que a Igreja nos diz sobre as coisas. Por exemplo, muitas pessoas, que se dizem católicas, são a favor da camisinha, e julgam Sua Santidade o Papa Bento XVI, quando ele condena o uso da camisinha. Se formos ver, essas pessoas que julgam, nunca procuraram saber o porquê da condenação do uso da camisinha, que serve apenas para expandir a promiscuidade. Apenas para lembrar, Jesus Cristo diz no evangelho que o homem e a mulher, depois de casados podem e devem ter relações. Mas se for antes do casamento ou depois do casamento, numa situação de separação ou com outro homem ou mulher é um pecado grave. Por isso a Igreja prima pela vida. * O que pensas de Deus? Deus é amor. Ele representa tudo na minha vida. Eu O amo sobre todas as coisas. *Envia uma mensagem aos jovens. Quero dizer aos jovens que pensam que tudo está perdido, que acreditem, por que podem ainda participar do Reino de Deus, basta acreditar e ter fé!


Família e sociedade

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Por que casais se separam Jorge La Rosa

Terapeuta de Casal e Família. Doutor em Psicologia

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m homem e uma mulher quando se casam o fazem para a vida toda. Jamais ouvi dizer que alguém vai se casar por cinco anos, ou vai fazer um contrato temporário de casamento. Os desejos e os projetos de dois jovens enamorados são para a vida toda. O quê, então, concorre, atualmente, para um número tão grande de separações? Circunstâncias da vida induzem homens e mulheres que tinham projeto de vida comum a se separarem e continuarem por caminhos distintos, desfazendo planos e destruindo sonhos que um dia foram cultivados. Nos dias de hoje, os casais já não aceitam um relacionamento frustrante, e, com a independência financeira da mulher, fica mais fácil para ela sair de uma relação onde há agressão física, bigamia ou alcoolismo do marido: os tempos são outros, e a própria Igreja reconhece que há casos em que é melhor a separação do que a união.

Joe Zlomek/sxc.hu (modificada eletronicamente)

Casamento e individualismo Mas há também o outro lado. Separações que invocam a incompatibilidade de gênios não reconhecem o casamento como o lugar que alberga a convivência dos diferentes, muitas vezes em idéias, sensibilidades e gostos. Casamento é o lugar onde se administram as diferenças e se aprende a negociar os programas conjuntos, as atividades individuais, a realização pessoal, do casal e da família. Neste sentido, vivemos um exacerbado individualismo nos tempos pós-modernos incapacitantes para a convivência, onde impera a vontade pessoal com o desconhecimento do outro, o interesse próprio sem consideração pelo interesse do outro, o bem-estar individual às custas ou indiferente ao bemestar do parceiro, o prazer pessoal alheio ao prazer do companheiro. Enfim, individualismo extremado é sinônimo de egocentrismo agudo. É evidente que, quando em um casal um deles ou ambos são profundamente individualistas, a união não tem futuro: o sujeito pode fazer uma, duas, três tentativas: o resultado será o fracasso em termos de convivência. Nesse caso, uma reeducação será o único caminho possível para um relacionamento exitoso. Assim, é preciso reconhecer certa patologia que acomete uma porção não desprezível da geração dos jovens que se encaminha para o casamento, sob a forma de um agudo individualismo que os inabilita para a convivência. O individualista, é claro, forja uma caminhada solitária, o sentimento de solidão é seu companheiro, e o acompanha um sentimento de incompetência para os relacionamentos, o que o torna bastante infeliz, ainda que tenha uma realização profissional.

Cultura do descartável Outra característica de nosso tempo é a descartabilidade das coisas: as garrafas são descartáveis, as embalagens se descartam, os celulares se trocam por outros tecnologicamente mais sofisticados, os automóveis são substituídos por outros que apelam para revoluções na forma, na mecânica e no desempenho; a moda anualmente nas diversas estações torna obsoleta a vestimenta do último inverno ou verão, seja na cor, na forma ou no material, e apela para uma nova indumentária, à qual homens e mulheres prestam vassalagem. O consumismo capitalista e sua engrenagem encontram sustentabilidade na substituição infinita de bens por outros que são proclamados como mais atualizados, sofisticados e modernos, ou pós-modernos, embora, nem sempre o sejam. Mas, nós acabamos caindo no “conto”! Esse traço de nossa cultura, relacionado com coisas e mercadorias, acaba penetrando o âmago das pessoas que, inconscientemente o transferem para o mundo dos relacionamentos: nesta perspectiva, os relacionamentos são também transitórios – e o “ficar”, entre jovens, ilustra bem a respeito do que estamos falando: não é raro ouvirmos alguém dizer: “Se o casamento não der certo, me separo”. È possível que pessoas pensem dessa forma, e na medida em que isto ocorre, as chances de que o casamento não dê certo são imensas. O pensamento deveria ser: “Vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que o casamento dê certo”: a probabilidade de um casamento feliz, com seus desafios, será grande.

Fantasias e expectativas Outro inimigo de um relacionamento exitoso é a fantasia a respeito do casamento, ou expectativas que nenhum casamento poderá satisfazer, já que da união de dois seres imperfeitos não poderá vir uma união perfeita. Casamento é o lugar em que há encontros e desencontros, entendimentos e desentendimentos, alegrias e dissabores, é claro, espera-se que o benefício seja sempre maior do que o custo, para sua sustentabilidade. O casamento, então, não é um mar de rosas, no sentido comum em que muitas vezes é imaginado: até podemos aceitar a metáfora, desde que lembremos que as rosas têm espinhos. O casamento não é paraíso, paraíso não existe na face da terra. Casamento é o lugar em que duas pessoas têm projeto de vida comum, amam-se, mas sabem que o amor é mais do que paixão, amor é também tarefa para cada dia, tarefa às vezes fácil, às vezes difícil, em que a convivência traz alegrias mas eventualmente dissabores, exige negociação, em que ambos precisam aprender a ceder, para que os objetivos comuns sejam alcançados. Casamento é, ainda, o lugar em que se fazem sacrifícios pela educação dos filhos, às vezes se experimentam privações, enfim, aprende-se a amar, lembrando que o amor é desejar e promover a felicidade do outro por todos os meios possíveis, - o que lembra Cristo, que deu a vida pelos amados. No casamento, o cristão é chamado a refazer a vida do Mestre, no convívio com o companheiro, e, assim, identificar-se com Ele: espiritualidade é preciso, e aqueles que têm em Jesus sua inspiração e força vencerão as dificuldades e serão capazes de construir um relacionamento prazeroso, de cumplicidade, de companheirismo. E, na maioria dos casos, esse amor se torna alguém, ganha um rosto, esboça um sorriso, sua voz tem um timbre, ele é a síntese dos dois, do amor dos dois, ele é o filho.

(Obs. Há outras variáveis aqui não analisadas)


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Opinião

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A PROPÓSITO DE UMA EXCOMUNHÃO “Para que o mal triunfe basta que os bons não façam nada”. Edmund Burke

NECESSITA-SE DE ARTÍFICES DA PAZ Homero Ferrugem Martins

A

Advogado

palavra shalom em hebreu é de conteúdo tão rico, que dificilmente pode traduzir-se para outra língua. Os setenta discípulos sentiram bastante essa dificuldade. Traduziram a palavra de 25 modos diferentes, mas o termo hebreu é fundamental e significa a prosperidade, o passar bem material e espiritualmente, tanto do indivíduo como da comunidade. Significa também as boas relações entre as pessoas, famílias e povos; no matrimônio, entre marido e mulher, afinal, entre o homem e Deus. O mandamento divino prescreve a prática da justiça e da caridade na administração dos bens terrenos e dos frutos do trabalho humano, tanto que os bens da criação são destinados a todo o gênero humano, e toda a forma de apropriação e uso injusto dos bens de outrem é usurpação ilícita. A lei moral proíbe os atos que, visando a fins mercantis ou totalitários impedem que cheguem, de fato, aos seus legítimos destinatários, conforme a justiça e com a ajuda da caridade - a pratica do amor fraterno, paz e justiça. - A paz, enfim, é o que está bem, por oposição ao que está mal. A paz é a soma dos bens proporcionados mediante a justiça: ter uma terra fecunda, comer à saciedade, habitar em segurança, dormir sem temor, triunfar sobre inimigos, multiplicar-se. A paz é plenitude da felicidade e aparece como um bem sempre mais espiritual, em razao de sua fonte divina. Esse dom celeste o homem obtém pela fé, mas também por uma atividade de justiça, segundo o desígnio do próprio Deus: deve o homem cooperar para a implantação da paz na terra.O fruto da justiça semeia-se na paz pelos que praticam a paz. Sinale-se que grandes apelos pela paz na terra vêm ocorrendo sem solução de continuidade no universo, traduzindo-se até em amistosa saudação “A paz esteja contigo”, postulando que ela seja enriquecida pela herança “que generosamente nos deixou sua divina doação o seu autor, Jesus Cristo (Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz). Ademais, são notáveis as ações de paz por parte de institutos, entidades, através de grupos e associações pró paz, capacitando até as crianças que se mobilizem altruisticamente em proveito da felicidade do ser humano e exemplar amor ao próximo - mandamento régio, demonstrando a bendita procedência da formação de artífices da paz. Destarte, é evidente o nosso indeclinável dever de, solidariamente, nos engajarmos, de corpo e alma e de imediato, em prol de uma paz, ampla e duradoura no universo, norteada pela justiça e amor ao próximo, constatando-se, gaudiosamemte, que é possível o entendimento pacífico entre homens e nações para debelar a vigente crise global econômico-financeira e, até, pôr termo às guerras. Bem-aventurados os artífices da paz! Glória a Deus nas alturas e na terra paz aos homens de boa vontade.

Ives Gandra da Silva Martins Filho Ministro do TST

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esde que se tornou conhecida, pela divulgação na mídia, a declaração do arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, de que incorreram na pena de excomunhão os que executaram e consentiram no aborto dos gêmeos que esperava a menina de 9 anos de Alagoinha (PE), estuprada pelo padrasto, têm faltado pedras para atirar no referido prelado e na Igreja Católica. Chocou o Brasil a notícia da gestação da menina pernambucana. Mas, em relação ao aborto praticado, o que mais choca é a distorção de fatos, de modo a se justificar a morte dos gêmeos, aproveitando-se também o episódio para se condenar a Igreja Católica por sua intransigência. Interessante notar que os mesmos que defendem ferrenhamente a separação da Igreja e do Estado, em nome do laicismo, não admitindo que a Igreja se manifeste em defesa da vida por ocasião da discussão judicial sobre o aborto, são aqueles que, no presente episódio, vêm prescrever o que a Igreja deve dizer ou pensar sobre seus dogmas e doutrina, lembrando muito a incoerência voltariana do Tratado da Tolerância: devemos tolerar todos, menos “a infame” (a Igreja Católica). Eis os fatos, segundo os testemunhos do Conselho Tutelar de Alagoinha e do pároco da cidade: em que pese o parecer unânime do referido conselho, contrário ao aborto, e da vontade inicialmente manifestada pelo pai e pela mãe da menina pela preservação da vida dos netos, a pressão de uma assistente social, com a transferência da menina para outro hospital, o aborto foi realizado, com a maior rapidez, para evitar discussões, sempre sob o argumento, altamente discutível, de que a gestação levaria fatalmente à morte da mãe e das crianças. E qual foi a declaração do tão criticado arcebispo? Que o crime do aborto é mais grave do que o crime do

estupro, estando os que o praticaram, e consentiram na sua realização, excomungados “ipso facto”. Eis o direito aplicável à hipótese: a) Código Penal Brasileiro — ainda que seja crime, o aborto não se pune quando a gestação resulta de estupro (art. 128, II); b) Código de Direito Canônico da Igreja Católica — a excomunhão “latae sententiae” é aquela na qual incorre o fiel católico pelo simples fato de praticar o aborto, independentemente de processo e sentença expressa, em face da extrema gravidade do delito (cc. 1314, 1318 e 1398); para o fiel católico, a excomunhão significa ficar privado de receber os sacramentos (c. 1331, § 2º); pode ser levantada se estiver arrependido e houver se confessado (cc. 1355, § 2º, 1357, § 1º, e 1358, § 1º). Ou seja, o que dom Fernando Cardoso Sobrinho fez foi apenas esclarecer que, pelo ato que praticaram, os que provocaram o aborto da menina de Alagoinha deixaram de participar da comunhão da Igreja Católica. Podem voltar a ela? Claro, desde que arrependidos do gravíssimo pecado que cometeram e devidamente perdoados pelo sacramento da confissão. É questão de coerência. Ninguém é obrigado a pertencer à Igreja. Mas se o faz, deve estar de acordo com sua doutrina, defendida em sua integralidade pela Igreja Católica por mais de dois milênios. Diante de tantas contemporizações, sempre se buscando atenuar as exigências do Evangelho, não é demais lembrar, como dizia um santo de nosso tempo, que não é a doutrina de Cristo que deve se adaptar às épocas históricas, mas os tempos é que se devem abrir à luz do Evangelho. Diante de tão triste episódio, só podemos nos solidarizar com a dor imensa da menina estuprada e obrigada a abortar, lamentar o sacrifício de duas vidas humanas, e nos colocar ao lado de dom José Cardoso Sobrinho, para, junto com ele, receber as pedras que ainda continuarão a ser atiradas nele e na Igreja Católica pela intransigente defesa da vida humana. (Fonte: Correio Braziliense)

A MORTE DE LYA E SOLLERO Antônio E. Allgayer

M

Advogado

ais de dois anos faz que Lya e Sollero ingressaram na vida que começa com a morte. A fé na comunhão dos santos evita de nos sentirmos empobrecidos com estas duas mortes. De alguma forma, eles continuam presentes entre nós. O casal Lya e Sollero integrou, a partir de l955, a equipe fundadora do Movimento Familiar Cristão no Brasil. Exerceu a vice-presidência nacional do Movimento. O seu testemunho de fé e dedicação ao apostolado familiar deu impulso a essa nova forma de ser Igreja. Sollero e Lya não discriminavam ninguém. Envolviam de amor humano a quantos encontravam em seu caminho. Todos, absolutamente todos, eram Jesus Cristo para eles. Sollero, ao que parece, percebera com incomum clarividência, o núcleo de eternidade que mora em todo ser humano. À semelhança de São Francisco de Assis, cultivou a democracia cósmica, sabendo-se irmão das criaturas animadas e inanimadas. A entrega ao amor sem limites foi por ele e Lya transmitido, não sem luta e alguma incompreensão, aos numerosos filhos deles nascidos e aos estranhos que acolhiam em seu lar. O carisma da hospitalidade, uma das características do viver cristão que o MFC sempre teve em alta estima e a gratuidade do seu amor à humanidade levou Sollero por duas vezes à prisão. Quando o prenderam pela primeira vez, o capitão encarregado de interrogálo teve surpresa semelhante à de Pilatos perante Jesus:

“De onde és tu?” Perguntado em nome de quem recebera em sua casa um jovem considerado subversivo da ordem política e social, Sollero respondeu: “Em nome do Evangelho”. E citou textos bíblicos pertinentes, como o capítulo 25, versículo 43, segundo Mateus. Advogado que era, exigiu fossem consignados por escrito os capítulos e versículos da Bíblia citados em seu depoimento. Dessa vez, o seu encarceramento foi relaxado presumivelmente por temor dos detentores do poder ditatorial de que a imprensa mundial tomasse conhecmento de no Brasil ter sido preso alto dignitário da Cúria Romana, o Cardeal Rossi, em visita ao cárcere. Efetivamente, tal visita ocorreu. E, ao ser o visitante convidado a sair, declarou que dali não sairia a não ser em companhia de Sollero. No segundo encarceramento, ocorrido em situação imprevisível, Sollero viu-se confinado em cela solitária e se afligiu terrivelmente imaginando a angústia de Lya por desconhecer o seu paradouro e as causas de seu desaparecimento. A fortaleza interior desse casal, a sua compaixão para com os doentes e sofredores, para os quais mantinham continuamente abertas as portas do seu lar, a sua dedicação à missão de leigos fiéis ao Evangelho, mereceriam a honra dos altares. Seria altamente significativo o solene reconhecimento da Igreja dos atributos de santidade de um casal. Embora ou enquanto não ocorrer a sua formal inclusão no cânon dos santos da Igreja, será válido, lícito e oportuno dirigirmos a eles a nossa prece: Lya e Sollero, intercedei por nós!

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Educação e psicologia

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Ajude os seus filhos a enfrentar a pressão dos companheiros Jaime Ferreira*

C

omo todas as pessoas, os jovens querem pertencer a um grupo. Esta necessidade é muito importante para eles. Está provado que neste contexto grupal muitos jovens se sentem pressionados pelos seus companheiros a consumir álcool e outras drogas. Como pai ou mãe, você pode procurar se a resposta a estes primeiros convites dos amigos seja positiva para a saúde dos seus filhos. Muitos aspectos, como a autoestima, os princípios sólidos e as atitudes familiares consequentes, podem dar aos filhos um apoio muito válido. As habilidades que seguem pretendem ser úteis aos seus filhos, para lidarem de forma adequada com a pressão dos companheiros. Melodi T/sxc.hu

Habilidade 1: Ensine os seus filhos a valorizar a individualidade

Em momentos oportunos, fale com o seu filho sobre o tema da individualidade. Diga-lhe o que faz que uma pessoa seja única e especial. Fale-lhe acerca de outras pessoas queridas, a avó/avô, o seu melhor amigo, a professora favorita, etc. Pergunte-lhe o que faz destas pessoas, únicas. Pergunte-lhe também o que é que seu filho gosta em si próprio e mencione outras qualidades que ele possui. Por exemplo, “És um bom amigo e tens um grande sentido de humor. Tens passatempos interessantes e é muito agradável falar contigo”.

Habilidade 2: Explore com os seus filhos o significado da palavra amizade

Peça-lhe que faça uma lista das qualidades que deve ter um amigo e o que é ser um amigo. Faça a sua própria lista. Como se fosse um jogo, tente identificar com ele as características que são comuns à sua lista e a do seu filho. A seguir, indicamos um conjunto de características que, em nosso entender, podem aparecer na sua lista, de pai ou mãe: Quem é, verdadeiramente, amigo? •Aquele que entende quando o outro tem um problema e quer ajudar; •Aquele que gosta de nós tal como somos; •Aquele que está contigo quando todos os outros se riem de ti ou te criam problemas. Quem não é amigo? •Aquele que te julga pela tua forma de vestir ou porque não alinhas com os outros; •Aquele que contribui para que tu faças coisas que vão te prejudicar ou criar problemas; •Aquele que desaparece quando tens problemas.

Habilidade 3: Proporcione aos seus filhos apoio para dizer NÃO

Quando os pais tentam educar bem os seus filhos, ensinam-lhes a serem amáveis, respeitadores dos outros e a serem agradáveis. Ainda que estas características sejam importantes, na maioria das situações, não preparam, necessariamente, os jovens para a defesa de princípios e convicções. Aquelas crianças a quem se ensinou a serem amáveis, podem precisar de um reforço dos pais para poder dizer NÃO à pressão dos outros. Faça saber ao seu filho que existem situações perante as quais deve exigir que respeitem as suas opiniões, como por exemplo, aquelas em que os companheiros tentam forçá-lo a provar álcool ou outras drogas.

Habilidade 4: Obtenha informações sobre a relação entre os jovens e o álcool

Existem situações que favorecem a pressão sobre as crianças e adolescentes, para induzi-los ao consumo de álcool ou outras drogas. Por exemplo, uma razão pela qual os jovens começam a beber em idades cada vez mais precoces é o fato de passarem cada vez mais o seu tempo livre na rua, ambiente onde o consumo de álcool predomina. Poderia ajudar, estabelecer como norma a não frequência destes ambientes e dedicar o tempo livre na realização de atividades gratificantes.

Habilidade 5: Utilize em favor dos seus filhos a pressão dos companheiros

A pressão do grupo pode também funcionar como algo positivo. Algumas escolas ou associações de jovens promovem atividades a partir das quais as crianças aprendem valores e qualidades positivas dos outros. Uma maneira adequada, para ajudar o seu filho a evitar a pressão negativa por parte do grupo, é fomentar este tipo de atividades.

Habilidade 6: Incremente a prática de dizer NÃO

Toda família pode discutir algo relacionado com a dificuldade que, tanto os adultos como as crianças, têm em dizer NÃO à pressão do grupo e pôr em prática esta habilidade. Podem ensaiar diversas situações. Uma irmã ou irmão podem mostrar à criança como os jovens dizem NÃO. Faça com que o seu filho represente o papel de alguém que pressiona os outros para beber álcool ou consumir outras drogas, e mostre-lhe como ser firme na recusa. Depois podem inverter os papéis. Podem falar sobre o que leva uma pessoa ou o grupo a pressionar os outros sobre a necessidade de pertencer e fazer com que outros se juntem a um grupo, o medo de ser recusado, discriminado, etc. Este jogo pode ser um bom treino para quando o seu filho tiver de enfrentar, realmente, as situações descritas. *Coordenador do Projeto Caminho da Associação Humanidades Adaptado da Web master


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tema em foco

Óscar Romero vive “I

magens como essa me fazem continuar lutando, apesar da idade. E um de meus fracassos é que nenhum estadunidense saiba o que significa esse quadro”. (Naom Chomsky, durante recente entrevista, indicando um quadro pendurado em seu escritório, no qual se vê o anjo exterminador junto ao arcebispo Romero e aos seis intelectuais jesuítas assassinados em El Salvador nos anos 80 pelos esquadrões da morte). “Não creio na morte sem ressurreição”, disse Dom Romero em um de seus últimos sermões ao lhe informarem sobre as ameaças de morte iminente. “Que meu sangue seja semente de liberdade e sinal de que a esperança logo será uma realidade”, pondo sua morte em relação à salvação de seu povo de El Salvador.

Assassinado há 29 anos por radicais do exército de seu país, no instante da consagração na celebração de uma missa, Dom Óscar Arnulfo Romero y Galdámez acompanhou, até as últimas consequências, o calvário da cruz de tantos. Em vida, soube ser um sinal de ressurreição, de esperança, de justiça e de paz para seu povo. E agora é para o mundo exemplo de seguimento radical de Jesus Cristo, comprometido com a fé e a justiça para todos os homens e mulheres de seu tempo, que necessitam de alimento, de um lar, de amor, de relações fraternas, de promessa de futuro e de um amanhã melhor. Longe de ser unanimidade em vida, conta agora com devotos até de não católicos. E é venerado por seus inimigos mais ferrenhos de então - inclusive no seio da Igreja que vibraram com sua morte e soltaram foguetes nas zonas ricas da cidade e que agora visitam seu túmulo para pedir perdão por reconhecerem seu calvário e ressurreição nas manhãs de todas as páscoas do mundo.

Os mártires nos sigam marcando o caminho “Precisamos que os mártires nos despertem”, convoca Mons. Gergório Rosa Chávez, atual arcebispo da capital de El Salvador e postulador da causa de beatificação de seu antigo superior, conselheiro e amigo. “Toda essa lembrança me faz pensar que, quando uma Igreja vive um momento dramático, em que a vida está em jogo, é mais fácil ser testemunho vivo de Cristo. E que, quando tudo parece normal a gente vai se aburguesando, sem dar-se conta. Necessitamos que os mártires nos despertem e Aparecida (5º Celam) tem um um elogio belíssimo aos mártires do Continente, que são os que nos vão marcando o caminho, são o melhor que a Igreja tem. O número 37 de Tertio Milenio Adveniente (Encíclica) diz que temos que reabilitar de novo os mártires. E levamos isso

muito a sério aqui em El Salvador e, felizmente, também agora em toda a Igreja latino-americana. Depois de Aparecida, estamos hoje nessa nova etapa: que os mártires nos sigam marcando o caminho”, reflete Rosa Chávez .

Divulgação

Beatificação O processo de beatificação de Dom Romero está concluído junto à Congregação Vaticana para a Causa dos Santos. “Depois de muita investigação e muito diálogo com Roma, concluíram que Mons. Romero é um mártir da Igreja e que sua doutrina era da Igreja, porém aplicada à realidade local. Agora estamos preparando uma festa maravilhosa em El Salvador”, explica Rosa Chávez. Segundo o prelado, agora depende de Roma a marcação da data da solenidade de beatificação que será na mesma catedral, sede da arquidiocese que presidiu entre 1977 e 24 de março de 1980. “Pode ser durante o pontificado de Bento XVI”, complementa o prelado.

Conversão Os católicos identificados com as questões sociais torceram o nariz quando Mons. Romero foi nomeado arcebispo de El Salvador em 1977. Era filho de família aristocrata e tenderia a afinar com o poder econômico e político reinante. A oligarquia quis atraí-lo para seu lado e lhe ofereceu um palácio episcopal com as habituais comodidades mundanas. Porém, Mons. Romero não aceitou e foi viver em uma modesta casa junto ao Hospital ‘La Divina Providencia’, em cuja capela acabou assassinado. No Hospitalito, em tempos de graves riscos, vivia sozinho e sem segurança. “Nenhum homem se conhece enquanto não se encontrou com Deus’, referia numa homilia de 10 de fevereiro de 1989. Fato relevante e marcante na definição de sua trajetória cristã foi a morte, em 12 de março de 1977, do Padre jesuíta Rutilio Grande, seu amigo íntimo, assassinado na cidade de Aguilares junto com dois camponeses. Grande estava há quatro anos frente à paróquia de Aguilares, onde havia promovido a criação de comunidades cristãs de base e a “organización dos camponeses.” Teve promessa de apuração dos fatos o que nunca aconteceu. E já completamente comprometido com as causas sociais, entre 1978 e 1979, Romero começou a mudar o estilo de seus sermões e passou a defender o direito dos desprotegidos e perseguidos pelo estado e pelo poder econômico. Em suas homilias, após a morte de Rutílio Grande, recorre, sem temor aos textos da Conferência de Medellín e pede maior justiça na sociedade. Durante os três anos seguintes, seus sermões, retransmitidos pela rádio diocesana, denunciam a violência tanto do governo militar como dos grupos armados de esquerda.

Dom Óscar Romero após ser baleado durante a missa que celebrava

Mons. Gergório Rosa Chávez


ação solidária

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Mutirão Latino-americano de Comunicação

Por outra mídia possível

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ão e circo queria a cultura do Império Romano em derrocada. Consumo e espetáculo pede a cultura do mundo atual. Nessa lógica, pouco interessa a notícia do bem. Porque, ‘não vende’! Importa repercutir a exceção, o escândalo, o desvalor, o azar e a desgraça dos outros, para deleite do latente sado-masoquismo do leitor, do telespectador, do ouvinte. Afinal, um cão morder o homem já não é notícia. O contrário, sim. Alega-se que apenas se está repercutindo o comportamento social. Mas se esquece que esse ‘comportamento’ de exceção, exposto à exaustão, acaba por assumir o papel de modelo e paradigma de comportamento social: é a mentira tornada verdade.

Por uma outra lógica de pauta Nessa lógica, o anônimo e silencioso gesto de solidariedade, o heroísmo diário de milhões de homens e mulheres de boa vontade pelo mundo afora infelizmente não são tema de pauta. Não dão manchete. Propor interromper esse círculo vicioso é o objetivo do Mutirão de Comunicação Latino-americano e do Caribe, que reunirá especialistas e estudiosos de 37 países em Porto Alegre entre 12 e 17 de julho próximo. É uma iniciativa de universidades e dioceses gaúchas, organismos episcopais brasileiros e latino-americanos e organizações de comunicação social da América Latina e Caribe. Seu tema central é Processos de Comunicação e Cultura Solidária.

Pré-mutirão Uma prévia do Mutirão de julho aconteceu dia 27 de março último na PUC, prestigiado por qualificado público Jovens comunicadores

Para Washington Uranga (foto à esquerda), professor da Universidade de Buenos Aires, que abordou o tema ‘A sociedade esfacelada na América Latina e Caribe’ a cultura do êxito foi deixando de lado a cultura da solidariedade. “A democracia não nasce naturalmente nas sociedades. É um projeto que se cria a partir de eixos de construção como a cidadania, por exemplo. Para Uranga, a comunicação é essencial na democracia. “Não há sociedade democrática se não ocorrer uma comunicação igualmente democrática”.

Pe. Pedro Gomes (foto à direita), da Unisinos, falou sobre “A universidade como centro de pesquisa” e defendeu a relação da comunicação com a cultura solidária e a paz. “A pessoa humana é comunicação também quando se solidariza num ambiente de paz”. Segundo Gomes isto implica trabalhar com as diferenças. “A cultura solidária implica um modo de viver e aí aparece o papel das universidades na arquitetura desta cultura. Trabalhar a consciência das diferenças e no respeito aos outros através do diálogo, da solidariedade e respeito faz a comunicação solidária”.

Sob a abordagem ‘Os centros de formação dos profissionais da comunicação’, as professoras Vanessa Purper e Neka Machado (foto acima), da Faculdade de Comunicação da PUCRS, revelaram que recebem jovens sedentos de muitas coisas. “Mas longe de uma cultura solidária”. Para Neka, , é necessário sensibilizar cada aluno para o que seja a comunicação além da mídia. “A comunicação vai muito mais além disto. É o despertar para uma outra relação que está em jogo”. Vanessa Purper lembrou que “a formação dos profissionais começa em casa. São muito importantes nossos códigos de ética e valores, pois com eles nos comunicamos com o resto do mundo. A origem da consciência solidária começa no micro e pode acontecer no macro, formando os grandes indivíduos e sua consciência profissional”.

Um encontro de jovens comunicadores e estudantes, de 9 a 11 de julho, precederá o Mutirão. Será na Unisinos, tendo como tema Educomunicação e Cultura Solidária, a ser exposto, dia 9 de julho, por Ismar de Oliveira Soares, professor da Universidade de São Paulo, presidente da União Católica Internacional de Imprensa (UCIP) e um dos pioneiros da educomunicação no Brasil. Dia 10 de julho, painel a cargo de Carlos Cortés, José Braga e Patrícia Tancredi. Dia 11 de julho, sábado, Cultura Solidária, com Maria Cristina Mata, Tanius Karam e Elson Faxina. Mais informações sobre o Mutirão pelo www. muticom.org.


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Saber viver

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Ivan Vicencio/sxc.hu

linguagem

dos aromas Thais Palharini Jornalista

“O olfato é o sentido da imaginação” (Rousseau)

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PÓS-GRADUAÇÃO PUCRS Cursos de Especialização

Conhecimento para você chegar mais alto. www.pucrs.br/pos

JOSY

ator Al Pacino, no filme Perfume de Mulher, interpreta um solitário herói de guerra aposentado por deficiência visual. O personagem, apesar de cego, consegue identificar lugares e pessoas sem errar uma única vez, definindo perfis femininos – personalidade, estilo, beleza – pela identificação da marca do perfume usado pela mulher que passa ao lado. É apenas ficção? Não, não é! É a linguagem não oral que os odores oferecem. Os cheiros podem ser usados como códigos de acessos e contribuem para elevação de estados de consciência, fazendo com que a mente das pessoas associe suas lembranças a determinadas fragrâncias. A sensação faz a diferença. O olfato é despertado a cada instante. As informações olfativas entram pelo nariz – único órgão externo ligado diretamente com o cérebro límbico, responsável pelas emoções inconscientes – sentimentos e libido, numa conexão com o eu que conduz ao caminho das sensações. Dentre todos os sentidos básicos (audição, visão, paladar, tato e olfato), o que mais se destaca é o sentido ligado ao cheiro. A maior parte das pessoas não imagina o poder que o odor exerce em suas decisões. É incrível, mas seu poder é responsável pela atração ou afastamento, proteção ou abandono. Inconscientemente, dele dependem escolhas. “O olfato tem uma capacidade incomum de transportar as pessoas no tempo e no espaço”, afirma a perfumista Márcia Estrázulas. Notas ozônicas, com seus odores marinhos, lembram mar e férias. Há também a teoria de que o cheiro de baunilha e chocolate retorna à infância, ingredientes chave de doces e talco Johnson. Para adultos, esta forma de comunicação olfativa equivale a um renascimento, com uma saborosa recordação nostálgica, do tipo cheiro de “comidinha da mamãe”. Não é por acaso que a nota de fundo de 25% das fragrâncias femininas é a baunilha, pois traz consigo a mensagem de aconchegantes relações familiares, de flores, de bolos, enfim, exerce grande influência olfativa sobre a natureza emocional das mulheres. Muitas pesquisas envolvendo milhões de dólares estão sendo realizadas em torno do olfato, principalmente por indústrias de cosméticos e perfumaria, que são as que mais faturam neste mercado. No Japão, o nível de estresse e de acidentes diminuiu consideravelmente depois de ter sido colocado o cheiro de menta na tubulação de uma fábrica (sem o conhecimento dos funcionários). Nos Estados Unidos, a indústria cinematográfica também pesquisa o olfato, planejando que os odores invadam as salas dos cinemas, logicamente com cheiros agradáveis como os gastronômicos e os da natureza-mata, relva, flores, frutos e muitos outros. Enfim, com outros cheiros não se sabe como vai rolar a cena, mas a premissa dos norte-americanos é que filmes sem odores estarão para os nossos netos, assim como o cinema mudo está para M. WERLANG ZANETTE o atual público. Quem duvida? Os anúncios publicitários estão aí para não desmentir, colocando fragrâncias nas páginas Técnicas variadas de revistas – vinho, perfume Atendemos convênios e pizza. As últimas pesquisas apontam que até via internet nos comunicaremos através do olfato.


Espaço aberto

Que pena! Renato Ferreira Machado

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Pedagogo e mestre em Teologia*

inda vivemos a volta às aulas e, com ela, a volta à rotina para mais um ano de trabalho em nossa cidade e no nosso Estado. Eis que nos deparamos, nesse contexto, com uma campanha publicitária promovida por uma importante loja de roupas e acessórios para jovens, versando exatamente sobre a situação de finalização do período de férias e reinício de ano letivo. Nessa campanha, veem-se jovens (provavelmente com idade para frequentar o Ensino Médio) em fotografias de frente e perfil, como se estivessem sendo fichados na polícia. Observando-se com mais atenção, percebe-se que eles realmente estão sendo “fichados”. Porém, ao invés de segurarem uma placa com números de identificação, trazem à frente um pequeno quadro-verde com seu crime e sua pena escritos. Os crimes são variações do mesmo tema: as diversões vividas no período de férias com os amigos. As penas também são variações do mesmo tema: eles foram condenados a passar mais um ano na escola. A campanha finaliza com o mote “Porque voltar às aulas é uma pena!” Não! Voltar às aulas não é uma pena! Voltar às aulas não é uma condenação para os jovens, muito antes pelo contrário. O lamentável, a “pena”, é a confusão recorrente entre ousadia e mau gosto, entre livre expressão e falta de ética que a sociedade mais uma vez parece estar engolindo. Por esta razão, proponho uma leitura atenta do que esta campanha publicitária está transmitindo como mensagem. Primeiramente, o fato de os jovens terem aproveitado seu período de férias da forma como tenham achado melhor não é problema e muito menos um delito: as férias servem exatamente para isso. Obviamente, nós, os adultos, esperamos que eles tenham cuidado e não se excedam. Na falta de bom senso deles, o nosso precisa se fazer presente e desencadear a reflexão e a ação sobre as situações em que eles se envolvem. O problema é insinuar que se deva viver em permanente estado de férias e que qualquer tipo de sacrifício tenha que ser evitado. Por essa via, se contribui para a fomentação de uma cultura hedonista de pessoas “mimadas”, que fazem apenas o que querem sem se importar com ninguém, nem com elas mesmas. Um segundo ponto importante é a imagem de escola vendida na propaganda: o título da campanha, “volta ao sistema”, e as imagens já comentadas comparam a escola ao presídio e o sistema escolar ao sistema prisional. Aqui se encontra o mais grave: apesar de Foucault, a natureza da escola difere imensamente da natureza da prisão. A primeira existe para educar e a segunda para punir e corrigir (pelos menos, assim deveria ser): a princípio, ninguém precisa passar pelo cárcere, a não ser que apresente periculosidade de convivência com os demais entes sociais. E pela escola? Alguém pode prescindir de passar por ela? Passa-se por ela por castigo? Certamente, faltou escola a muitos que hoje cumprem penas nos presídios. Certamente, a maioria dos apenados desejaria estar na escola nesse momento e não na prisão. É nisso que esta campanha publicitária comete seu maior deslize: por mais diferentes que sejam as concepções de educação existentes, a ninguém é dado o direito de questionar se a escola deveria existir e se as crianças e jovens deveriam passar por ela. Uma coisa é criticar essa ou aquela linha pedagógica por ser conservadora ou liberal demais e outra, bem diferente, é dizer aos jovens (público majoritário da loja) que o ano letivo será uma absoluta perda de tempo. Pior ainda é reforçar a mentira de que a vida encontra sentido apenas no que é prazeroso e agradável. Portanto, que voltem às escolas os estudantes com suas histórias divertidas para contar sobre o período de férias e que, ao longo do ano letivo, possam, com a ajuda da escola, tornar todas as suas experiências, prazerosas ou não, em sabedoria e em esperança para a humanidade. *O autor também coordena o Serviço de Pastoral Escolar do Colégio Mãe de Deus e leciona Ensino Religioso da Escola Fundamental Menino Deus

ASSINANTE

Ao receber o DOC renove a assinatura. Dê este presente para a sua família.

Inauguração e dedicação de igreja O Conselho Pastoral da Paróquia Nossa Senhora da Salette e o pároco Pe. José Antonio Sauthier estão convidando para a inauguração e dedicação da nova Igreja Matriz de Nossa Senhora da Salette, no Bairro Sarandi. A cerimônia será presidida pelo arcebispo metropolitano Dom Dadeus Grings, no dia 19 de abril, Domingo da Divina Misericórdia, às 15 horas. A paróquia Nossa Senhora da Salette está localizada na rua Profª Cecy Cordeiro Thofehrn, 844, Jardim Barão do Cahy, Porto Alegre.

Corrida pelo Idoso O Instituto de Geriatria e Gerontologia da PUCRS (IGG) realiza, no dia 26 de abril, a “Corrida pelo Idoso”. A atividade pretende alertar para a relevância da realização de atividades físicas regulares para a prevenção e tratamento de doenças, mobilizar a comunidade e os governantes para os problemas enfrentados pelas pessoas com mais de 60 anos. Os integrantes podem caminhar, passear e correr, se desejarem. Estudantes do curso de Educação Física da PUCRS também participarão, dando dicas de resistência e condicionamento físico para os inscritos durante o trajeto. A saída do grupo está prevista para as 10 horas, partindo da Usina do Gasômetro, indo até as imediações do Asilo Padre Cacique. O evento tem o apoio do Programa Geron e PróReitoria de Assuntos Comunitários da Universidade (Prac), Federação dos Aposentados e Pensionistas do Estado, Secretaria Municipal da Saúde e Conselho Municipal do Idoso, Programa RS Amigo do Idoso da Fundação de Esporte e Lazer do Rio Grande do Sul (Fundergs), e Associação Gaúcha de Atletismo (AGA). As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo fone (51) 3336-8153 e pelo igg@pucrs.br até o dia 22 de abril.

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Sem fronteiras

Comércio no Mercosul

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Martha Alves D´Azevedo Comissão Comunicação Sem Fronteiras

m Brasília, o ministro de Relações Exteriores argentino, Jorge Taiana, declarou que a Argentina não vai suspender as medidas restritivas em relação a produtos brasileiros. As barreiras impostas pelo país vizinho atingem cerca de 2,4 mil produtos brasileiros. Jorge Taiana afirmou: “Não consideramos que tenhamos tomado medidas restritivas”. Para os argentinos, estão sendo cumpridas as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), as quais concedem até 60 dias para a liberação das licenças prévias, e não há motivos para mudar a decisão. Taiana disse que nas relações comerciais entre Brasil e Argentina há problemas estruturais, que exigirão mais tempo para serem resolvidos, problemas estruturais, que pedem ações imediatas, e questões em relações a outros mercados. Celso Amorim, chanceler brasileiro, declarou que a atual crise internacional colocou o bloco sob tensão e que, depois de superados os atuais desafios, haverá um novo rumo no andamento do bloco. “Já é tempo do Mercosul ter mecanismos de defesa comerciais comuns”, disse Amorim. No encontro em Brasília, do qual participaram também os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Industria e Comércio, Miguel Jorge, foi acertada a criação de um grupo de trabalho conjunto para elaborar medidas “criativas” contra a crise, e estimular o comércio regional. Um plano em estudo no Ministério da Fazenda prevê a criação de uma linha de crédito em reais para financiar as empresas de países vizinhos para estimular a exportação ao Brasil. Amorim citou a possibilidade de uso de linhas do BNDES integrar as cadeias produtivas dos dois países. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já declarara que não há divergência entre Brasil e Argentina que não possa ser solucionada, e, nada melhor do que os dois países encontrarem um denominador comum. Os financiamentos brasileiros podem ser estendidos aos demais países parceiros do Mercosul e ao restante da América do Sul.

Visa e Mastercard

Chegou

LIVRO DA FAMÍLIA 2009 Livraria Padre Reus está oferecendo a edição do Livro da Família/2009. Adquira seu exemplar ou faça seu pedido no endereço abaixo, que teremos a maior alegria em atendê-lo. Também o Familien-Kalendar/2009 está disponível. Lembrando: a Livraria Padre Reus é representante das Edições Loyola para o sul do Brasil.

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Catequese solidária

Igreja e comunidade Voz do Pastor

TUA CRUZ, SENHOR

O USO DA BÍBLIA NA

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CATEQUESE

s nossos catequistas, normalmente, têm a consciência de que são escolhidos para continuar a missão iniciada por Jesus Cristo, conhecem o valor e a importância da Bíblia, porém se veem desafiados quando se trata de propagar o Evangelho. Sabem que é preciso muita fé, dedicação, compromisso e perseverança para que a Boa Nova seja divulgada não só com palavras, mas através do testemunho de fé e vida cristã, a ponto de todos sentirem o amor de Deus. Apesar disso, falta um conhecimento mais profundo da Sagrada Escritura. “O catequista precisa se formar bem para evangelizar bem”. Ter Jesus Cristo como centro da catequese e a Bíblia como instrumento de trabalho.

Que todos os catequistas leiam assiduamente a Bíblia

Que não preguem a Palavra sem antes a terem escutado interiormente. Pela leitura e estudo da Palavra de Deus, bem como pela vivência na comunidade, devemos fazer o encontro pessoal com Jesus Cristo, a fim de que não fiquemos apenas ensinando doutrinas, mas vivenciando a mensagem cristã antes mesmo de passá-la aos catequizandos. Na apresentação da mensagem, podemos destacar como importantes as seguintes questões: a inculturação, o respeito às culturas e costumes diferentes, anunciando o Evangelho e celebrando a liturgia dentro de cada realidade, respeitando a linguagem local, sem deformar a mensagem nem distanciar-se dela; preparar as crianças para a vida e não apenas para os sacramentos; organizar melhor conteúdo, priorizando as verdades fundamentais, as que levam ao seguimento de Jesus Cristo. Destacamos também a apresentação da pessoa de Jesus Cristo, anunciando uma mensagem libertadora e sua preferência pelos pobres e oprimidos, tornando o processo catequético mais humano e fraterno, despertando para uma catequese permanente, como formação para a vida e não apenas para os sacramentos. Dentre os tipos incorretos de leitura da Bíblia, entre os catequistas, o mais comum é a leitura fundamentalista e até excessivamente espiritualista, desencarnada da realidade, fanática e mágica. Muitos também a leem para reforçar suas próprias opiniões. Alguns destes erros são cometidos porque o catequista busca o caminho mais fácil de entendimento e transmissão da mensagem.

Para se fazer uma leitura madura da Bíblia

É preciso buscar uma sólida formação que supõe um estudo mais profundo da Bíblia como um todo, sem se apegar a trechos isolados. É preciso também frequentar os grupos de reflexão propostos pela arquidiocese, incentivar a leitura popular, comunitária e litúrgica da Bíblia, investir em cursos bíblicos especiais para catequistas (tipo CEBI e Escola Catequética), valorizar a leitura orante da Bíblia. O catequista deveria buscar leituras complementares e recorrer a alguém que tenha maior esclarecimento sobre a Bíblia. Pelo fato de ser a Bíblia o manual por excelência da catequese, ela precisa ser mais valorizada nos encontros. Para maior compreensão e aplicação da Bíblia na vida dos catequizandos, independentemente da idade, é necessário, nos encontros catequéticos, muita criatividade da parte dos catequistas: o uso de símbolos, gravuras, músicas, filmes, jograis, encenações, dramatizações, que cada catequizando traga a sua Bíblia para o encontro, utilizar métodos diferentes de acordo com a ocasião, tipo de encontro, idade dos catequizandos, ou em função do que se deseja com a leitura do texto. Resumido de CNBB II Caderno – Regiões Oeste, Centro e Sul

Suzana Valle de Curtis - 23/04 Edy Adegas - 24/04

Dom Dadeus Grings

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Arcebispo Metropolitano de P. Alegre

cruz tornou-se, ao longo dos tempos, o distintivo do cristianismo. A Igreja Católica a apresenta com o Crucificado. Inspira-se no texto de S. Paulo: ‘Nós proclamamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos. Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus’ (1Cor 1,23). Os artistas tentaram expressar esse mistério. Bernini fez doze crucifixos para os altares laterais da Basílica de S. Pedro, em Roma: cinco com a representação de Cristo vivo na cruz e sete com Cristo morto. A diferença é notável. Johann Sebastian Bach traduziu este mistério nas grandes composições musicais da Paixão. Os acontecimentos da Sexta-Feira Santa aparecem transfigurados numa beleza emocionante. Encontram-se impregnadas da certeza da esperança que nem a noite da morte consegue apagar. Kristof Penderecki, em contraposição, compôs uma Paixão que sobrepõe o grito dos perseguidos de Auschwitz e o cinismo das vozes de comando dos senhores deste inferno. A voz da Sexta-Feira Santa do século XX surge do clamor de Auschwitz. O século XXI registra, para esse dia, novas vozes desesperadoras de sofrimento e de desespero. Clamam como Cristo na cruz ‘Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?’ O desaparecimento de Deus torna-se como que a conclusão dos expectadores do horror e dos males no mundo. O ateu dirá que são sinais de que Deus não existe. Os que creem nele, porém, nutrem a certeza de que isso acontece exatamente porque a humanidade esqueceu Deus. No Convento dos Antonitas de Grünewald, existe uma imagem de Cristo crucificado que retrata o homem martirizado pelo tormento mais pavoroso da Idade Média, as úlceras da peste. Contemplando-a, os homens, atingidos pela epidemia, experimentavam a presença concreta do

Crucificado e, ao mesmo tempo, sentiam a infinita misericórdia de Deus. Não pense, porém, que os Monges Antonitas procurassem, nesta cruz, uma desculpa para uma passividade frente ao sofrimento humano e fizessem deste símbolo uma espécie de ópio do povo. Pelo contrário, era sinal de uma intensa atividade em prol dos sofridos e atingidos pela epidemia. Mantinham, na Europa, não menos de 369 hospitais em que esta cruz era sinal de um apelo dramático de socorro. A V Conferência de Aparecida, de âmbito continental, nos desenha a cruz de Cristo do século XXI. Aponta os rostos sofridos que mais nos afligem: os moradores de rua, os migrantes, os enfermos, os dependentes de drogas, os detidos nas prisões. Os sinais dos tempos modernos apontam para um novo paradigma frente aos problemas do sofrimento humano. No século XX viveu-se sob o pesadelo das ideias totalitárias. Mas em l989 implodiram as ideologias materialistas. Parecia uma vitória de outra ideologia, que tomou o nome de neoliberal. O século XXI, porém, também lhe deu um golpe fatal com o estouro das bolsas de valores. Não é a economia nem as ideias que governam o mundo. O paradigma que sai reforçado com esta dupla derrogada, é, sem dúvida, a vida. Cristo veio para que todos tenham vida e a tenham em abundância. A V Conferência de Aparecida nos leva a sermos discípulos missionários de Jesus Cristo para que nele nossos povos tenham vida. A salvação do mundo não provém de uma mudança de ideias, nem de uma mudança econômica ou política. Requer algo mais, que se traduz como solidariedade, realismo, paciência, humanidade, ousadia de inovar... Olhando para a cruz de Cristo, vemos nela refulgir sinais de esperança e de vida, quando tudo parece sucumbir. Só Cristo crucificado é capaz de tocar o coração dolorido do homem. Mostra o verdadeiro amor de Deus. Dele brota a consolação que não ilude. Já foi experimentada ao longo de dois mil anos, por milhões de fiéis. A salvação está na cruz. Nela brilha redenção e vida nova.

40 ANOS DE TEOLOGIA NA PUC Dom Sinésio Bohn Bispo de Santa Cruz do Sul

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á ouvi muitas pessoas se queixarem de que nossos padres têm insuficiente formação doutrinal para o diálogo com o mundo pluralista atual. Também já ouvi elogios. Mas não me lembro de alguém que perguntasse onde e em qual escola nossos padres são formados. Pois os padres da Diocese de Santa Cruz do Sul recebem a formação teológica na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Especificamente na Faculdade de Teologia (FATEO) reconhecida pelo MEC (Ministério da Educação). Isto nem sempre foi assim. Até 1968 toda a formação intelectual, espiritual, humana e pastoral era ministrada dentro do seminário. Por influência do Concílio Ecumênico Vaticano II, que abriu a Igreja para o diálogo com o mundo moderno, inclusive com as outras Igrejas e grandes religiões, sentiuse a necessidade de oferecer aos seminaristas um ambiente cultural mais amplo. Este é o espaço da Universidade. O Papa João Paulo II chamou a atenção sobre a influência do ambiente na formação: “O ambiente

cultural em que vive o homem exerce uma grande influência no seu modo de pensar e, consequentemente, na sua maneira de agir”. Por isso, em 1968, o episcopado gaúcho solicitou à PUCRS a criação de um Instituto de Teologia e Ciências Religiosas. A Direção da PUC aceitou o pedido. Dia 25 de março de 2009 celebramos o jubileu de 40 anos daquele Instituto, que hoje é uma Faculdade de Teologia, reconhecida por Roma e pelo Ministério da Educação. Forma nossos padres e a nova geração de bispos. É uma verdadeira bênção para a Igreja gaúcha. Para quem duvida da conveniência do ambiente universitário, respondo com o Cardeal Henry Newman: A Igreja tem “a convicção de que a verdade é a sua verdadeira aliada e de que o conhecimento e a razão são ministros fiéis da fé” (The Idea of a University). Resta agradecer a Deus a inspiração da Faculdade de Teologia. Agradecer à Direção da PUC e aos mestres da Faculdade o bom nível de nossa escola de teologia. E aos alunos augurar dedicação, a fim de serem capazes de impregnar a cultura atual com os modos de pensar, os critérios de julgar e as normas de agir segundo o Evangelho.


Comunidade e Igreja

Morte e Vida Pe. Maurício da Silva Jardim Missionário em Moçambique

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ete meses se passaram desde que atravessei o Atlântico para me lançar na missão “ad gentes” e ancorar no mundo e na cultura africana até então por mim desconhecidos. Desta vez, escrevo como aluno do curso de língua e cultura Mackua, oferecido pela arquidiocese de Nampula aos missionários estrangeiros. Aqui é tempo de fortes chuvas e fome. No último final de semana, uma comunidade teve que cancelar batismos de crianças por falta de condições, noutra fiz 26 batizados sem clima de festa, pois não havia alimentos. No término da missa todos voltaram às suas casas. O normal era ficarem na comunidade para preparar o almoço. Escutei de muitas lideranças que neste tempo o povo alimenta-se somente de folhas de mandioca, esperando a colheita do milho que produz uma vez ao ano. Como carril (carne ou molho) encontram-se rãs, gafanhotos

ou outros insetos. Ouvi também que uma mãe desesperada se matou por ver que acabara o alimento para seus filhos. Como falar de morte, cruz, sofrimento, perdas, dor... sem perder a esperança na vida? Na Páscoa de Jesus encontramos a resposta definitiva para este binômio morte e vida. Ele nos garantiu que a morte não tem a última palavra. Aqui predomina no povo cristão a motivação de continuar caminhando e lutando para que haja vida para todos. Alguns aqui me dizem que depois da dor da paixão vem a alegria da ressurreição. Esta dinâmica pascal realmente está misturada paradoxalmente na vida do povo Mackua. A luz do círio acesa em cada vigília pascal rompe definitivamente as forças da morte e da tristeza. Agem e vivem como vitoriosos, mesmo mergulhados na dor de crucificados pelo contexto social de pobreza absoluta. Uma imagem do cotidiano, do norte de Moçambique, que expressa esta realidade de esperança escondida nas situações

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1o a 15 de abril de 2009

Solidário Litúrgico

de morte, é o capim seco e queimado que guarda silenciosamente, durante meses, a vida que se manifesta depois das primeiras chuvas do mês de dezembro. Neste quinto domingo da quaresma, o Evangelho nos recordou as palavras de Jesus: “Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto”(Jo12,24). Quem não apreendeu a morrer passa sua vida girando em torno de si mesmo; ilude-se que a felicidade mora ao redor do seu umbigo. Nesta lógica pascal a sabedoria de viver bem se esconde na sabedoria de saber morrer. Também tenho refletido sobre esta experiência pascal de Jesus acontecendo em minha caminhada de padre missionário “fidei donum”. Quando retomo meu projeto pessoal de vida, tenho descoberto que sou convidado pelo mestre a renunciar planos pessoais em vista de um projeto maior. Este processo de morte e perdas se transformam em vida nova na perspectiva do seguimento de Jesus. O caminho do discípulo é, na verdade, o caminho da semelhança com o mestre e Ele nos ensinou que não veio fazer a sua vontade, mas a vontade Daquele que o enviou. Esta é a medida do amor. Uma boa notícia deste tempo pascal é que não estou mais sozinho em Moma. Voltou para arquidiocese de Nampula o Pe.Luiz Cardalga, padre diocesano da Espanha que atuou mais trinta anos na missão do Brasil. Tem 73 anos e já foi missionário aqui em Moçambique. Também estamos felizes com a chegada do leigo Antônio Daniel da cidade de Esteio, arquidiocese de Porto Alegre. Irá morar conosco em Moma e atuará na pastoral das duas paróquias que atendemos. Continuamos na certeza que o Espírito irá suscitar mais vocações missionárias do RS. A todos e a todas saudações e desejo de que a Páscoa de Jesus, morto e ressuscitado, aconteça em nossas vidas e comunidades.

19 de abril– 2o Domingo da Páscoa (B

ranca)

1a leitura: Livro dos Atos dos Apóstolos (At) 4,32-35 Salmo 117 (118), 2-4.16ab-18.22-24 (R/.1) 2a leitura: Primeira Carta de João (1Jo) 5,1-6 Evangelho: João (Jo) 20,19-31 Comentário: Quem não deve, não teme, diz a sabedoria popular. O Evangelho nos fala do medo que tinham os discípulos de Jesus nos dias que se seguiram à sua condenação e morte na cruz. Eles, os discípulos, sentiam um duplo medo: sentiam medo e culpa religiosa por terem seguido a Jesus, contrariando seus sacerdotes e líderes religiosos; sentiam medo e culpa cultural, porque, como amigos de um condenado à morte de cruz, poderiam ser atingidos pela maldição “de quem pende do madeiro”, de quem morre numa cruz. O medo e a culpa são inimigos da paz. Não a paz dos cemitérios, nem a paz das armas. A paz que se tem ou não se tem na mente e no coração. É esta paz que Jesus deseja e quer para seus discípulos. Primeiro, ele quer tirar de suas mentes e de seus corações o medo que vinha daquele duplo sentimento de culpa: culpa religiosa e culpa cultural. Jesus sabia: não pode haver paz num coração atormentado por algum sentimento de culpa... de “pecado”, seja este sentimento objetivo ou subjetivo. Livres do sentimento de culpa/pecado, os discípulos poderiam sentir novamente aquela segurança de estar com Jesus, sem medos nem traumas. Quando voltasse às suas mentes a convicção de estarem certos na sua opção por “deixar tudo e seguir a Jesus”, a paz voltaria aos seus corações. Daí a reiterada insistência de Jesus em desejar a paz para seus amedrontados amigos: “A paz esteja convosco”. Sabendo que em seus corações ainda imperava o jugo do sentimento de culpa, de “pecado”, Jesus transforma seus discípulos em sacramentos vivos do perdão do Pai: Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles serão perdoados (cf 20,21-23). É pelo caminho do perdão que nos livramos de todo o sentimento de culpa/pecado e expulsamos o medo de nossas mentes; livres deste sentimento, a paz desejada por Jesus aos seus discípulos na manhã da ressurreição volta a fazer morada em nossos corações.

26 de abril – 3o Domingo de Páscoa (B

ranca)

1a leitura: Atos dos Apóstolos (At) 3,13-15.17-19 Salmo 4 (5), 2.4.7.9 (R/. 7a) 2a leitura: Primeira Carta de João (1Jo) 2,1-5a Evangelho: Lucas (Lc) 24,35-48 Comentário:.As leituras bíblicas destes domingos pós-Páscoa insistem em trazer-nos o vivido e experimentado pelos discípulos de Jesus há dois mil anos: medo, sentimento de culpa, de fracasso, de terem sido enganados pelo “Nazareno” e que toda aquela experiência não passava de um fogo fátuo, de um sonho, de uma quimera, de um desejo subjetivo que encontrara seu triste e violento final naquela tarde de sexta-feira. Mas, ao mesmo tempo, perplexidade e uma tênue esperança de que ele estivesse, mesmo, vivo. As diferentes e repetidas “aparições” de Jesus não os convencia, totalmente. No relato deste domingo, Jesus apela para algo muito concreto, para não deixar nenhuma dúvida na mente e nos corações daqueles seus amigos e amigas: Por que este medo, esta preocupação, esta dúvida nos corações de vocês!? Vejam meus pés, minhas mãos: sou eu mesmo! Toquem em mim: um fantasma não tem carne, nem ossos como vocês vêem e podem sentir que eu tenho. Quem sabe, vocês tem algo para comer... (cf 24,38-41). Foi difícil para Jesus “provar” que estava vivo e que era ele mesmo que estava aí, no meio deles. Aquilo, para os discípulos, era incrível e maravilhoso demais! O fato de comer com eles, primeiro com os discípulos de Emaús e, agora, com todo o grupo, abriu as mentes dos discípulos e eles começaram a “ligar as coisas” e compreender que em Jesus, se cumpria o que as Escrituras e os Profetas tinham falado do Messias: que deveria sofrer e ressuscitar dos mortos e que, em, seu nome, aconteceria a conversão e o perdão dos pecados (cf 24,46-47). Há dois mil anos, o legado desta verdade essencial à fé cristã foi confiado aos discípulos; hoje, a missão de testemunhar Jesus e seu projeto solidário de um mundo melhor, livre e feliz, é confiada a cada cristão, a cada cristã... a cada um de nós no cotidiano de sua vida. attilio@livrariareus.com.br


Porto Alegre, 16 a 30 de abril de 2009

Corrente de Solidariedade no Instituto do Câncer Infantil Proporcionar um pouco de alegria às crianças durante sua permanência no Instituto do Câncer Infantil, do Hospital das Clínicas de Porto Alegre. Esse foi o impulso que moveu um jovem casal para a formação de uma verdadeira corrente de solidariedade com vistas a reformar o parquinho de diversão da Casa do Apoio do ICI. “Tudo começou em 2008, com uma menina chamada Débora”, revela o casal. Débora fazia tratamento e aguardava um transplante. “Ela queria brincar, mas a área de lazer só possuía brinquedos enferrujados e uma casinha de madeira que estava apodrecendo. E mais: não havia proteção contra o sol, pois as crianças porta-

doras de neoplasia maligna não podem tomar sol”. A mobilização para reforma da área começou junto aos vizinhos do casal, no Bairro Menino Deus, zona sul de Porto Alegre, e rapidamente se alastrou, comprovando que basta alguém canalizar o potencial de solidariedade latente para as coisas acontecerem. A reforma está praticamente concluída e o parquinho será reinaugurado dia 30 de abril próximo.

Gesto de solidariedade O casal prefere o anonimato, mas gostaria de revelar quem colaborou:

Salão de beleza Studio Hair (Menino Deus) dou uma nova casinha de brinquedo; Art Cópias – Gráfica Expressa (Menino Deus) comprou uma segunda casinha; rifa de um fim de semana em Gramado, bancado pelo casal, com números vendidos especialmente entre colegas dos servidores da Justiça Federal do RS, cuja arrecadação viabilizou a compra de tintas para pintar as casinhas e outros brinquedos; Cor do Sul (Menino Deus) imprimiu fotos de apresentação do espaço junto aos potenciais patrocinadores; Empresa de eventos AMC (Canoas) doou um deck de madeira para as casinhas e um toldo de 200 m2; Reichembach

- Madeiras Indústria e Comércio LTDA (Cavalhada) doou e instalou um playground ergonomicamente adaptado para as necessidades da casa. Livrin - Livros e Papelaria (Bonfim) e Fruteira e Churrasquinho do Alemão, do bairro Menino Deus viabilizarão a confraternização de inauguração que terá a presença das crianças do ICI e da menina Débora, hoje em franca recuperação após o transplante de medula. Ainda há vagas para doador ou voluntário para essa corrente de solidariedade. Contatos com Carolina, no Instituto do Câncer Infantil, através do telefone 33.31.87.07 ou do e-mail icirs@ici-rs.org.br.

Senador Simon divulga Mutirão de Comunicação em Brasília

Foi em discurso em sessão especial do Senado Federal em comemoração aos 45 anos da Campanha da Fraternidade, na última quarta-feira 25 de março último. Depois de refletir sobre a importância da CF e o seu lema de 2009 “A Paz é fruto da Justiça”, o senador gaúcho Pedro Simon (foto abaixo) destacou a realização do Mutirão de Comunicação América Latina e Caribe. “Será uma bela oportunidade para discutirmos os pilares da formação dos nossos melhores valores. De voltarmos a olhar os nossos semelhantes como verdadeiros irmãos, solidários e fraternos”, destacou o parlamentar. Lembrou que o objetivo do evento é “promover espaços de diálogo sobre os processos de comunicação à luz da cultura solidária, na construção de uma sociedade comprometida com a justiça, a liberdade e a paz”. E destacou que “os países da América Latina e do Caribe vivem, atualmente, uma profunda mudança de época. Passam por transformações políticas e econômicas que, por um lado, geram oportunidades e desafios, mas, por outro, não se mostram eficazes na diminuição das profundas diferenças sociais destas regiões e na inclusão daqueles que, hoje, não têm mais o sentimento de pertencer à sociedade”.

Casamento duradouro

Em 21 de março último Milton Lopes da Silva e Eva Silva da Silva (foto) festejaram suas bodas de ouro. O casamento foi na Igreja Nossa Senhora da Conceição, de Viamão, sendo celebrante Pe. Cuniberto Puhl. Pais de Alexandre Lopes da Silva, 37 anos, de Malvina Rosa Gonçalves, que lhe deram sete netos, sendo quatro, filhos de Alexandre, e três, filhos de Malvina. “Para os que casaram há pouco e estão em vésperas de casar, uma sugestão: o casamento é como uma plantinha: deve ser regado diariamente com muito diálogo e muita compreensão e capacidade mútua de ceder em momentos dos inevitáveis conflitos de convívio e coabitação. Com diálogo se constrói ambiente de paz e é somente nesse ambiente que prospera o amor”.

CianMagentaAmareloPreto


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