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IMPRESSO ESPECIAL CONTRATO No 9912233178 ECT/DR/RS FUNDAÇÃO PRODEO DE COMUNICAÇÃO CORREIOS

Ano XVI - Edição No 577 - R$ 1,50

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Menosprezo ao contribuinte

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Porto Alegre, 1o a 15 de janeiro de 2011

Imagem (modificada eletronicamente): Tribuna do MT

Aniquilamento do tecido social no século 21 Fuga ou abrandamento da angústia diante do vazio existencial? Os números já são assustadores. E tendem a aumentar. No Rio Grande do Sul já são mais de um milhão de usuários e dependentes de maconha, cocaína, ecstasy, crack e outras drogas. O crack pode levar à cegueira em pouco tempo e à morte em menos de cinco anos.

Página 7

Férias com Deus Os horários de missas nas paróquias do Litoral Norte do Rio Grande do Sul.

É o que os deputados e senadores brasileiros estão demonstrando ao planejarem um reajuste de 61,83 por cento nos próprios salários em sua última semana de trabalho de 2010, poucos dias antes do Natal. A notícia estava publicada na grande mídia, mas sem destaque. E, até o fechamento desta edição (14.12.10), não havia sido confirmada. Os deputados e senadores recebem R$ 16,5 mil – mas embolsam 15 salários por ano – fora todas as demais generosas mordomias custeadas pelo erário público que, somadas ao seu fixo, já agora atingem a mais de R$ 114 mil por mês. Com a proposta, receberão R$ 26,7 mil só de salário, o mesmo do teto do Supremo Federal, dos ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) e do procurador-geral da República. Quo usque tandem! Enquanto isso, na Suécia, cada um dos 349 deputados ganha 12 mil reais por mês (2009), vive em apartamentos de 40 metros quadrados, com um único cômodo que serve de sala e quarto de dormir. Tem direito a cozinha comunitária e usa lavanderia igualmente comunitária para lavar sua própria roupa, desde que agende para isso e siga regras rígidas de não deixar nada sujo. E mais: seu gabinete tem de 18 a 22 metros quadrados, sem direito a secretária ou assessor particular, pois esses são disponibilizados pela respectiva legenda partidária que pode empregar até 30 pessoas. Também não têm direito a carro com motorista. O eleitor de lá aprova e nenhum parlamentar reclama.

Contracapa

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Voz do Pastor Dom Dadeus Grings

Editorial

Arcebispo Metropolitano de P. Alegre

Nova época humana

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termo surgiu recentemente, mas, de tão repetido, se tornou até um “chavão”: o mundo vive uma nova época humana. Há muitos estudos sobre o que significa e como viver ou sobreviver nesta nova época da humanidade. Esta nova época trouxe consigo um “homem novo”, pessoas novas, essencialmente outras ou diferentes das que viviam em épocas anteriores? Uma pergunta que ainda não tem respostas suficientes. Como todas as coisas, o novo homem... a nova mulher serão o resultado de um processo que, certamente, já iniciou, lançou raizes e vem se afirmando, rapidamente. Ao abordar o tema, o Solidário quer contribuir para este importante debate, que abarca globalmente a humanidade toda, as relações entre as pessoas, as relações sociais, as relações com a natureza e, não por último, a dimensão religiosa da vida da gente. E isso dentro do contexto de uma verdadeira revolução tecnológica. Pe. Edézio Borges, SSSR, desenvolve este tema e fala dos novos sujeitos que a nova época humana exige (página 6). Textualmente: Todo o cenário macro-econômico, científico e tecnológico engloba um novo modelo de pessoa. A existência humana experimenta uma progressiva perda de sentido, de valores e a consequente fragmentação das relações interpessoais. Sem uma perspectiva de sentido global e unificador da vida, a pessoa perde-se no emaranhado de sempre novas opções e decisões, o que gera ansiedade, frustração e angústia. Cresce a ideologia individualista e utilitarista, colocando-se cada pessoa como critério de verdade e de justiça. O perfil dos novos sujeitos desta nova época humana será o de pessoas conscientes do que são e do que querem, livres e disponíveis para contribuir para a autonomia das comunidades, afetivamente maduras e que redescobrem a satisfação e realização pessoal em servir ao bem comum. Embora não se possa afirmar a existência de uma relação de causa e efeito entre a nova época humana e o crescente drama da drogadicção ou dependência química, há elementos suficientes para confirmar que pessoas que perdem o sentido da vida, sem opções reais que as realizem, afetivamente fragmentadas, estão mais sujeitas a entrar neste mundo, destruindo indivíduos, desestruturando famílias e agredindo a sociedade. Para o Pe. Vítor Hugo Gerhard, a dependência química é uma doença hereditária, transmissível, crônica, progressiva e fatal. Na página 7 desta edição, Pe. Vítor Hugo faz uma consciente análise da realidade das drogas em geral, fala dos usuários no Rio Grande do Sul e das iniciativas que buscam a recuperação de dependentes químicos e sua reintegração na vida familiar e social. Se a nova época humana traz problemas sérios nas várias áreas da atividade humana, traz, igualmente, inúmeras possibilidades para que o homem e a mulher deste novo tempo possam realizar-se como pessoas e encontrar caminhos para uma verdadeira felicidade. Que também neste campo, 2011 possa ser um feliz ano novo de realizações, de encontro e reencontro entre as pessoas. (attilio@livrariareus.com.br)

Fundação Pro Deo de Comunicação CNPJ: 74871807/0001-36

Conselho Deliberativo

Presidente: José Ernesto Flesch Chaves Vice-presidente: Agenor Casaril

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RTIGOS

Voluntários Diretoria Executiva

Diretor Executivo: Adriano Eli Vice-Diretor: Martha d’Azevedo Diretores Adjuntos: Carmelita Marroni Abruzzi, Elisabeth Orofino e Ir. Erinida Gheller Secretário: Elói Luiz Claro Tesoureiro: Décio Abruzzi Assistente Eclesiástico: Pe.Attílio Hartmann sj

A Convivência Familiar

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mandamento do amor envolve dois polos: Deus e o próximo. Na formulação, o amor a Deus tem precedência. Vem caracterizado por um caráter absoluto: de todo coração e com todas as forças. S. João, porém, dá primazia ao amor fraterno. Chama até de mentiroso quem diz amar a Deus, mas odeia seu irmão. E argumenta: “aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus a quem não vê”(1 Jo.4,20). O amor ao próximo não é aleatório. O escriba tinha razão histórica em perguntar acerca de quem é o próximo. Na verdade, o amor humano é orgânico. Obedece a uma hierarquia. Nenhum homem é uma ilha. Nosso primeiro amor, ou seja, o amor fundamental está na família. O ser humano não é indivíduo, que eventualmente se possa relacionar, mas nasce numa família e é família. Portanto, seu amor é familiar. Começa com o amor paterno e materno. Os pais são instados a receber, com amor, os filhos. O amor paterno e materno decorre do sacramento do matrimônio, que infundiu no casal o amor conjugal e lhe dá condições de gerar filhos com amor. Vem, depois, o amor filial e, por fim, o amor fraterno, que se vai estendendo aos parentes. A Igreja anuncia a Boa Nova da família. Resume-a no amor entre seus membros. Por isso, as pessoas são convidadas a passar os melhores momentos da vida no próprio lar. Amar a própria família é colocá-la acima de qualquer outra solicitude. Brota da própria natureza da vida humana, que se plasma em família. Mas este amor - conjugal, parental, filial, fraterno – obtém não só um incentivo da fé, mas, acima de tudo, uma dimensão nova, pelo sacramento. O próprio amor de Deus é infundido

nos seus corações e se difunde entre os seus membros. Ali se faz a primeira experiência do amor: de amar e de ser amado. Consequentemente, ali se encontra verdadeiramente Deus: quem ama, conhece Deus. A experiência da vida em família é, na verdade, uma experiência de Deus.

A Igreja, apresentando a Boa Nova da família, quer firmar o lar sobre uma rocha firme, que é a fé em Jesus Cristo, que transforma a água das relações humanas no vinho do amor de Deus. A indissolubilidade matrimonial, propriedade essencial do sacramento, não constitui uma lei que possa ser contrastada pelo divórcio, mas representa uma graça, que enche de alegria e realização os cônjuges. É o próprio Deus que, pelo sacramento do matrimônio, os une por um vínculo de amor indefectível. Derrama neles seu próprio amor, que frutifica em boas obras de paz, de solidariedade, de carinho, de dedicação recíproca e, sobretudo, em nova vida de filhos. Cristo quis tornar o matrimônio um sinal do amor de Deus no mundo. Mostra que ainda existe amor entre os homens, que são capazes de deixar tudo para se unirem em matrimônio, tornando-se dois numa só carne. Para ressaltar esta característica, Deus começou a chamar, ao longo dos tempos da Igreja, pessoas que deixassem tudo para o seguir, na pobreza, castidade e obediência. Para uma mentalidade mundana isto é impossível. Está totalmente fora dos critérios e das perspectivas humanas. Mas não está fora da visão da fé. Nem se trata de algo puramente teórico. Nestes dois mil anos de Igreja, milhões de pessoas seguiram este caminho. Mostram que é possível e compensador. Vale a pena. Demonstra o poder de persuasão de Cristo, que atrai, chama e acolhe.

Onde está Deus? João Carlos Nedel

a Deus a responsabilidade por esses acontecimentos e acusando-o de omissão, por permitir que aconteçam. A análise das circunstâncias em que s números não dão margem a dúvidas e essas coisas acontecem me fez lemretratam o verdadeiro estado de guerra brar a visita do Papa Bento XVI ao civil em que o Brasil vive. campo de concentração nazista de Auschwitz. Entre outras coisas disse Duzentos e cinquenta e quatro mil pessoas morreo Papa: “Onde estava Deus nesses dias?”. É a pergunta ram em acidentes nos últimos oito anos, média de 32 mil que repito agora: onde está Deus nestes dias? A resposta ao ano. No mesmo período, cerca de 190 mil pessoas me vem lúcida e clara. Certamente não está nos corações morreram no Brasil resultado de disparos de algum tipo dos autores dessas ações criminosas. É porque abandonade arma de fogo, média de 24 mil ao ano. Num cálculo ram a Deus ou porque dele sequer tomam conhecimento rápido, isso significa que a cada dez minutos alguma que tais pessoas são capazes de tamanho desamor. Deus pessoa morre aqui, em sua expressiva maioria jovens, não se impõe a nós. Ou o amamos e o temos conosco, ou vitimada por causa violenta, não natural. O quanto não o teremos jamais. E, sem Deus, o homem se torna a vida é importante para você? Muito, responderão fera de seus irmãos, egoista e insensível. Como ensinou alguns. Mais do que tudo, dirão outros. É o maior dom Bento XVI, na mesma oportunidade, em Auschwitz, recebido de Deus, acrescentarão outros. Tudo isso, claro, “nosso grito dirigido a Deus tem que ser, ao mesmo referindo-se às próprias vidas. Mas e quanto à vida dos tempo, um grito que penetra em nosso próprio coração, outros? Aí o bicho pega. Porque, à medida que o grau para que desperte em nós a presença escondida de Deus, de parentesco ou conhecimento se distancia, a vida dos para que o poder que depositou em nossos corações não outros passa a ter cada vez menos importância. Essa é a fique coberto ou sufocado em nós pelo egoismo, pelo triste verdade. É então que, “esquecendo” nossa própria medo dos homens, pela indiferença e pelo oportunismo.” responsabilidade, costumamos racionalizar, transferindo Essa é a resposta. Vereador

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Conselho Editorial

Presidente: Carlos Adamatti Membros: Paulo Vellinho, Luiz Osvaldo Leite, Renita Allgayer e Beatriz Adamatti

Diretor-Editor Attílio Hartmann - Reg. 8608 DRT/RS Editora Adjunta Martha d’Azevedo

Redação Jorn. Luiz Carlos Vaz - Reg. 2255 DRT/RS Jorn. Adriano Eli - Reg. 3355 DRT/RS Cristiano Varisco - Estagiário de Jornalismo

Revisão Nicolau Waquil, Ronald Forster e Pedro M. Schneider (voluntários) Administração Elisabete Lopes de Souza e Norma Regina Franco Lopes Impressão Gazeta do Sul

Rua Duque de Caxias, 805 Centro – CEP 90010-282 Porto Alegre/RS Fone: (51) 3221.5041 – E-mail: solidario@portoweb.com.br Conceitos emitidos por nossos colaboradores são de sua inteira responsabilidade, não expressando necessariamente a opinião deste jornal.


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AMÍLIA &

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OCIEDADE

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Os hábitos familiares e a transmissão dos valores Esther García Schmah Pedagoga

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ustiça, igualdade, tolerância… são palavras que cada dia mais se escutam nas escolas. Entretanto, ficar no nível teórico não serve de nada. E, na prática, esquecemos frequentemente que palavras tão grandiosas como “empatia” ou “respeito” se traduzem em premissas tão singelas como “não atirar papéis no chão”, “ceder o assento a quem mais o necessite” ou “abrir a porta a quem vai carregado”. Saber ser pessoa é mais importante do que saber resolver equações ou saber em que ano começou a Revolução Francesa. Entretanto, se à escola cabe dar a informação, a educação dos valores é principalmente reservada à família.

 O lar é o autêntico formador de pessoas

As crianças aprendem continuamente através dos seus pais, não só o que estes lhes contam, mas também, e sobretudo, pelo que veem neles, como atuam, como respondem perante os problemas. Em definitivo, as crianças observam e copiam o proceder dos seus pais perante a vida. A autêntica educação nos valores transmite-se, passa dos pais para os seus filhos desde o dia do nascimento até ao final da vida. Não obstante, têm uma importância relevante os primeiros anos. Até os seis ou sete anos de idade as crianças possuem uma moral denominada “heterônima”, ou seja, a sua motivação para fazer as coisas de uma maneira ou de outra é corresponder ao que o papai e a mamãe desejariam: o que dizem os pais são “verdades absolutas”. Conforme crescem, vão compreendendo melhor por que é importante atuar de certa forma e não de outra, mas seguem sempre guiando-se pelo que vêem em casa, especialmente até os doze anos. Daí a tremenda importância de educar as crianças através do exemplo, para desenvolver uma educação cívica.

 Faze o que eu faço

Todos temos na mente uma ideia de como gostaríamos que fosse a sociedade, em que mundo queremos que vivam os nossos filhos: um lugar limpo, em que as pessoas se ajudem e respeitem, onde todos tenhamos os mesmos direitos. Depois saimos à rua pensando no trabalho, nas compras, e nos esquecemos de todos esses bons propósitos. De repente, queremos ser os primeiros a sair do ônibus, incomoda-nos o carro que torna lenta a circulação, esquecemonos de dar bom dia ao porteiro… e assim, dia após dia, diante do olhar sempre atento das crianças, que, já se sabe, absorvem tudo como esponjas. Já comentamos que, até os doze anos aproximadamente, o lar é a principal fonte de valores, direitos e deveres da criança. Agora também terá que se dizer que há coisas que dificilmente se aprendem mais tarde. Se em pequenos não nos acostumamos a guardar o papel no bolso quando não há um cesto de papéis à mão, a não por a música muito alta para não incomodar o vizinho, a dizer obrigado quando nos fazem um

favor ou a não insultar os que são diferentes, será mais complicado aprendê-lo mais tarde. Porque o civismo, o respeito, a honestidade e todos os valores humanos são em grande medida hábitos, rotinas que aprendemos em família, de forma inconsciente, e que mais adiante chegamos a valorizar com a reflexão que permite a maturidade. Por isso, a melhor forma de transmitir valores, de aprender a viver em sociedade é não aplicar jamais a tão popular frase de “faça o que eu digo e não o que eu faço”. Se quisermos que nossos filhos alcancem essa sociedade tão sonhada devemos começar por criá-la nós mesmos e “fazer o que dizemos”.

 Que hábitosvalores fomentar?

Vocês só têm que pensar que tipo de pessoas gostariam que fossem os seus filhos e atuar em coerência. Como vimos, a coerência entre as ideias que querem transmitir e a forma como se atua em casa é a chave principal. O respeito onde primeiro se observa é entre os pais. As decisões do casal devem ser sempre compartilhadas. Se discutem, façamno de forma tranquila, sem recriminar. Saber viver em sociedade é saber aceitar as opiniões distintas. Onde mais se fomentam os estereótipos é no lar. Vocês têm uma arma a seu alcance: os seus comentários. Falem com o seu filho sobre a importância que merece tal ou tal comportamento. Sobretudo, façamno refletir sobre a influência da televisão.

 Compreender ajuda a aprender

Como podemos ajudar uma criança pequena a perceber quais valores são importantes? Uma boa maneira é aplicar a fórmula de “faze pelos outros o que gostarias que fizessem por ti, e não lhes faças o que não gostarias que te fizessem”. E fazê-los entender quando estão agindo contra o bem dos outros, isto à medida em que os fatos vão acontecendo. (www.solohijos.com)

Sarah Brucker/sxc.hu


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Teologia da vida

Crianças Antônio Allgayer Advogado

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festa de Natal dilui a distância que nos separa da criança nascida num estábulo da periferia de Belém. Neste ano, pareceu-me oportuno ficar atento ao Natal das crianças identificadas, na pobreza e no desamparo, com a criança de Belém. Crianças acompanharam pais desarraigados na invasão de um terreno ocioso na Grande Porto Alegre. Talvez esperassem ter ali encontrado o pedaço de chão em que poderiam morar e viver. Mero engano. Surpreendeu-as mandado judicial de reintegração de posse. Pequena demora na execução da sentença direcionada à desocupação do terreno invadido fez com que a chegada de homens estranhos ao local levasse as crianças a suporem tratar-se de algo bom para elas. Na sábia intuição destas criaturinhas havia lugar para crer na capacidade humana de fazer o bem. Curtiam vaga suposição daquilo que no idioma dos adultos se traduz por dilema. Em termos gerais é o seguinte: A propriedade fundiária ou tem função social ou configura abominável roubo acobertado por vetustas leis de cunho acentuadamente patrimonialista.. Um ordenamento jurídico iníquo ou mal interpretado não se sustenta por si só. No mínimo cabe invocar, na análise do ocorrido, declaração do insigne jurista Orozimbo Nonato de que textos legais em vigor contêm “regras latentes encapsuladas em regras expressas”. É fato constatado que o olhar, o sorriso, a manifestação do sentimento de uma criança contêm algo não claramente definível, mas que deveria ser levado em consideração nas decisões que geram efeitos de graves consequências para famílias marginalizadas pelo sistema. O surpreendente desta situação foi a mudança de comportamento do dono do imóvel protagonizada pelas crianças. Vou retransmitir sem retoques a essência do que aquele senhor contou a minha mulher. Ei-lo: “Possuía eu um sítio aí por perto da cidade de Gravataí. Da noite para o dia tive uma surpresa: Quais cogumelos nascidos do sereno da noite, dezenas de casebres ali amanheceram, literalmente cobrindo a área de minha propriedade. Fiz o que a lei aprova. Requeri e obtive a reintegração de posse. Para efetivar a decisão do juiz, dirigi-me pessoalmente ao local, acompanhado por oficial de justiça e um contingente da Brigada Militar. Foi então que tive a segunda surpresa: Crianças e mais crianças cercaram-me. Rostinhos afáveis em corpos esquálidos me encaravam sorridentes. O que estariam “pensando” aquelas crianças? Percebi que elas me consideravam um tio que vinha trazer-lhes presentes. Quem sabe, uma boneca, ou um autinho, ou uns bombons? O sorriso e as roupas andrajosas desses anjos de cara suja, incapazes de suspeitar a que grau de crueldade pode chegar a “execrável fome do ouro” e do poder, literalmente me derrotaram. Gritei aos policiais e ao oficial de justiça: Última ordem minha! O terreno é meu e por lei sou eu quem nele manda. Saiam todos daqui. Isto tudo já não me pertence. .É das crianças...!” Nota ao pé da página: O gesto final do dono do sítio nos lembra o que Jesus disse referindo-se às crianças: “...o Reino de Deus é para os que são como elas” (Mc lO, l4).

PINIÃO

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ria hoje com maior vigor, tendo em conta os novos desafios que enfrentamos como a indiferença religiosa e a crença de que tudo pode ser rem 30 de novembro, a Igreja comemorou o dia do solvido por meio do racionalismo. teólogo. Se formos pensar de forma mais abranO conhecimento aprofundado da fé gente, de certa forma, todos somos teólogos, chaé, em primeiro lugar, indispensável mados a conhecer a Deus, a emitir um discurso sobre para uma verdadeira evangelização. Ele. O povo de Deus faz a experiência de uma teologia Por isso, no contexto cultural em que do cotidiano, da escuta da vontade de Deus em suas vivemos, uma adequada formação tevidas, do encontro com Ele. Qualquer pessoa que se ológica é, de maneira incontestável, o melhor meio de enfrentar o grave propõe a experimentar uma vida de comunhão com perigo da indiferença religiosa, da Deus é, de certa forma, um conhecedor dessa realidade, subjetividade e do relativismo ético um teólogo do dia-a-dia. e cultural. Porém, um teólogo que se preze jaHá também a teologia da pesquisa, dos conceitos, do método, da investigação, da sistematização. São os mais pode cair na tentação de medir o mistério de teólogos que interpretam a experiência do cotidiano, Deus com a própria inteligência, mas ser consciente que não desprezam, muito pelo contrário, aprofundam das suas próprias limitações. Presunção nunca, huesta experiência tão genuina e tão necessária que bro- mildade sempre. Uma teologia sem espiritualidade ta da simplicidade do povo. São os acadêmicos. E é corre o risco de se tornar uma teologia vazia, assim essa teologia pastoral, orientada pelo estudo, que deve como uma espiritualidade desprovida de teologia corre o risco de se tornar cega. O teólogo está a orientar de forma prática o Povo de Deus. Como uma teóloga com formação acadêmica, serviço de Deus, a serviço da Igreja. É chamado a posso dizer que nós, teólogos, somos impelidos a nos compreender os mistérios de Deus. Nesse sentido, comprometer com coragem e generosidade com a re- compreender e reconhecer esses mistérios no coração novação da nossa Igreja, das nossas comunidades, da dos mais simples, dos mais pequeninos, dos mais nossa sociedade. Somos impelidos a levar vida àqueles empobrecidos. Os teólogos são chamados a serem pessoas ousaque encontramos no nosso caminho. Nesse sentido, somos chamados a acordar as consciências adormecidas das, abertas às novidades do Espírito. Mas, para isso pela ausência de sentido, pela superficialidade no agir acontecer, é necessário que sejam profundos no conhecimento da fé, uma fé vivida, uma fé participada, uma e no julgar, pela falta de instrução. Uma formação teológica sólida se faz necessá- fé celebrada. (twitter.com/tarcianacn) Tarciana Matos Barreto Teóloga e advogada

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Direito penal simbólico ou demagogia pura? José Nabuco Filho

Apesar do seu rigor, não houve a diminuição desse crime. Ao contrário, a extorsão mediante sequestro, durante a vigência da redação original da lei dos crime desempenha um papel emocional – quacrimes hediondos, atingiu índices basse catártico – na população. Desperta o medo, tante altos. A lei, portanto, não atingiu a ira e o desejo de vingança. Daí o Direito Pea finalidade para a qual foi instituida, nal ser um campo fértil para as propostas esdrúxulas, mas deu à sociedade uma sensação mais calcadas no emocional da população que na de que uma resposta rigorosa estava busca efetiva de solução dos problemas criminais. sendo dada. Outro exemplo curioso é o asO Direito Penal desempenha o papel de proteção de sédio sexual. Houve um momento no país em que bens jurídicos, como a vida, o patrimônio, a honra ou a a inexistência de uma lei criminalizando o asséliberdade sexual. Contudo, uma função desvirtuada do dio sexual parecia ser a fonte de todos os nossos Direito Penal é a chamada função simbólica, que em males. Diversas reportagens foram feitas, com linguagem política nada mais seria que pura demagogia. maior ou menor dramatização, sempre sugerindo O Direito Penal simbólico, geralmente, se mani- a banalidade da prática e a urgência de uma lei festa mediante propostas que visam explorar o medo criminalizando-a. e a sensação de insegurança. A intenção do legislador A maioria dos especialistas afirmava que o Direito não é a real proteção dos bens jurídicos violados com Penal não era a melhor forma de coibir o assédio, já que, o crime, mas uma forma de adular o povo, dizendo o pela dificuldade de sua comprovação e pela vagueza que ele quer ouvir, fazendo o que ele deseja que se de sua definição, eram mais adequados outros ramos faça, mesmo que isso não tenha qualquer reflexo na do Direito, como o trabalhista ou o civil. Apesar disso, diminuição da criminalidade. em 2000, foi aprovada lei criminalizando essa conduta. Assim, quando um fato ganha repercussão, surgem Muitos festejaram, a autora do projeto deu inúmeras propostas de aumento de pena, de supressão de direitos, entrevistas, mas nada mudou... de criação de novos crimes, mesmo que essa não seja Após dez anos da lei, raras são as decisões cona melhor alternativa para a real solução do problema. denatórias. A lei do assédio teria tido o mágico efeito Em tais casos, o importante para o legislador é dar uma - que nenhuma outra lei penal jamais teve - de acabar resposta que satisfaça o sentimento emocional de uma com uma prática comum? Claro que não. Os casos de população atemorizada. assédio continuaram ocorrendo do mesmo modo, mas Um exemplo sempre apontado pela doutrina como o tema saiu da “pauta” e a sensação no povo parece ser uma manifestação do Direito Penal simbólico é a lei a de que não temos mais esse problema. dos crimes hediondos. O crime de extorsão mediante O Direito Penal é um campo fértil para a exploração sequestro, que era considerado por penalistas antigos da comoção pública, fazendo com que o legislador, mecomo raro no Brasil, teve sua incidência aumentada, nos preocupado com a solução dos problemas criminais principalmente, por crimes contra pessoas notórias, que em obter dividendos políticos, aprove leis penais ocorridos em 1989 e 1990. Com isso, uma sensação que nada contribuem para a diminuição da criminalidade insegurança foi criada, levando o legislador a de, apesar de proporcionarem uma enganosa sensação editar uma lei repleta de imperfeições e inconstitu- de conforto na população. (e-mail: j.nabucofilho@ cionalidades. gmail.com - twitter: @Nabucofilho) Mestre em Direito Penal e professor de Direito Penal e Processo Penal

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DUCAÇÃO &

SICOLOGIA

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Saúde Mental: Equilíbrio, Autocontrole e Alegria Juracy C. Marques

Professora universitária, doutora em Psicologia

“O poeta é um fingidor/ Finge tão completamente/ Que chega a fingir que é dor/ A dor que deveras sente”. (Fernando Pessoa)

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er equilíbrio é ser saudável. É sentir-se bem consigo mesmo e com seu ambiente de convivência. Numa pesquisa entre quarenta mil internautas brasileiros, obteve-se uma resposta ilustrativa:“o que mais se aproxima da normalidade é: ter pouco medo e pouca raiva, baixa sensibilidade e alta energia, disposição, além de um grau de controle elevado”, como disse o psi-

quiatra Diogo Lara (Caderno VIDA, Zero Hora, 2 Out. 2010). Perguntei à Magda, estudante de Psicologia, em seus últimos estágios para completar sua formação, qual era seu entendimento sobre o conceito de normalidade. Ela me olhou sorrindo e disse: “Lê o que está escrito em minha camiseta:“De perto, ninguém é normal”. Convencionou-se em nossa cultura que devemos sem-

pre demonstrar em nossas inter-relações pessoais que estamos bem, que não temos problemas e que nossa vida transcorre no melhor dos mundos que a vida nos ensejou. Mas se por razões de ofício (terapeutas em situação de consultório, por exemplo) ou por ter com outra pessoa uma amizade mais íntima, a conversa se adentra um pouco mais, desvelam-se raiva, medo e

ressentimentos. Entretanto, se a pessoa, em decorrência de manifestações sinceras, aprender a perdoar, dandose conta da verdade contida no PAI NOSSO, “perdoai as nossas ofensas , assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”, poderá, quase de imediato, readquirir, deste modo aparentemente tão simples, seu equilíbrio e seu autocontrole, melhorando seu nível de saude mental. Shaun Attard/sxc.hu

O DSM (Diagnóstico de Problemas Mentais) da APA (Associação Americana de Psicologia), publicado pela primeira vez em 1952 e em sua quarta edição em 1994, revisada em 2000, aumentou em muito o número de distúrbios mentais, passando de 106 para 365. Ao que parece, em 1952, ainda não tínhamos condições de olhar a pessoa em sua complexidade, não estávamos preparados para olhar mais perto, ou para escutar com mais argúcia, para compreender os meandros de seus fingimentos, fingindo até para si mesmo, a fim de poder manter suas ilusões e ingenuidades.

 Cordialidade e Cavalheirismo

A decantada cordialidade do brasileiro (ou do “jeitinho”), assinalada como contribuição do brasileiro aos processos civilizatórios que aparece no livro Raizes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) é, na verdade, uma longa aprendizagem que se confunde com elegância e boas maneiras. Mas, ao mesmo tempo, encobre outras verdades. Um povo acostumado às relações pessoais, mas também à inimizade, que decorrem da vida rural e patriarcal, na realidade não é afeito à polidez e à civilidade. Antes, pauta-se pelo autoritarismo, ainda que com fortes conotações afetivas. Constituise numa espécie de máscara para abrandar os interesses próprios e conquistar a amizade dos protegidos. Libertando-se do medo de viver isolado, sem os aplausos e as adulações que reforcem sua autoridade, assume atitudes de cordialidade e cavalheirismo.

 Contentamento e Alegria

Encontrei Magda, depois de dois anos, exercendo suas funções de Psicóloga, perguntei-lhe, de novo, qual era seu conceito de normalidade. Respondeu-me: “É ter a sensação de bem-estar, equilíbrio e controle, não só meu, mas também de meus pacientes”, e acrescentou: “É para isso que trabalho, através das muitas e contraditórias confidências, estabelecendo com eles um vínculo pleno de aceitação e cumplicidade”. É a busca do equilíbrio, do autocontrole, bem como da diminuição das raivas, ressentimentos e medos, exercitando a enorme força do perdão e da gratidão. Abracei-a, não só pela alegria de reencontrá-la, mas também por me sentir profundamente comovida por suas convicções e evidente sucesso. Frei Ivo Bortoluz (Paróquia Santíssimo Sacramento e Igreja Santa Terezinha, Porto Alegre) escreveu um brilhante e inspirador artigo (Solidário, No. 571, 1º.a 15, Out. 2010): Rosto bonito e religião. Em síntese, ele nos diz que Cara fecha-

da, melancolia, rosto trancado, semblante triste, nada tem a ver com religiosidade. O Evangelho é anúncio de Boa-Nova, portanto, não é por aí que se pode seguir o caminho de Jesus. A minha não é uma doutrina do medo de ser flagrado em pecado e me deparar com um Deus punitivo. É, sobretudo, o contentamento por conhecer Jesus Cristo e fazêLo conhecido, por minhas ações. Cultivemos, pois, uma atitude de respeito e reverência, mas que ela espelhe o que está em nosso íntimo que é a alegria de ter encontrado Jesus.


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EMA EM FOCO

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Novos sujeitos para novos cenários Pe. Vitor Edezio Tittoni Borges, CSsR Padre redentorista, teólogo e biblista

Pe. Vitor Edezio Borges

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ornou-se comum a expressão novos cenários para caracterizar as realidades em constante mudança do tempo presente. Alguns elementos significativos ponteiam as grandes transformações do mundo atual. Em primeiro lugar, a ciência desenvolvida pelo espírito humano inquiridor que penetra os segredos da matéria nos seus mais singulares elementos e estende-se cada vez mais pela amplidão do universo. Parece não existirem mais limites intransponíveis para a capacidade do pensamento humano que desvenda e deixa cada vez mais transparentes os segredos da complexidade da vida de todos os seres, na sua origem, no seu desenvolvimento e no seu ocaso.

Na esteira da ciência desenvolve-se a técnica capaz, hoje, de produzir máquinas e equipamentos para solucionar problemas e desenvolver as habilidades humanas em suas dimensões mais simples e também mais complexas. Assim, vem-se destacando a biotecnologia, que coloca sofisticados recursos a serviço da vida, nos hospitais, clínicas, laboratórios e mesmo para o uso pessoal e caseiro. Entretanto, toda esta tecnologia exige uma atenção permanente para que seu uso se mantenha dentro dos limites da ética e do bem comum.

 Tecnologias de informação e o destino do mundo A técnica também conhece grande avanço na dimensão da eletrônica, cujas possibilidades de uso são cada dia mais amplas. Porém, é na área das comunicações e da informação que se verifica o mais esplêndido avanço tecnológico, transformando o planeta numa aldeia global e colocando as pessoas a par dos fatos mundiais em tempo real. O advento da comunicação virtual, através da internet, representa a mais expressiva novidade no campo das comunicações, rompendo definitivamente a barreira do tempo, do espaço, da matéria, das línguas, das culturas e aproxima as pessoas mais distantes sem afastá-las de seu próprio lar.

Ciência e tecnologia abrem caminho para a globalização, especialmente da economia, comandada pelas empresas multinacionais e pelo capital especulativo que migra instantaneamente de um país para outro, em busca de segurança e de lucros maiores. O poder do dinheiro, aliado ao poder científico e tecnológico, decide o destino das nações, das culturas e das pessoas através do mercado. Quem tem capacidade para produzir e consumir participa das benesses do progresso e os demais são excluídos, não contam para a economia de mercado. Persiste a tendência da concentração da renda e da riqueza, que gera sempre mais diferença e distância entre ricos e pobres, incluídos e excluídos. Logotipia utilizada no Mutirão da Comunicação/2009

 Fragmentação das relações

Constata-se, com surpresa, que o custo de todo o avanço tecnológico atual é a natureza depredada, com seus recursos cada vez mais escassos, uma poluição extremamente danosa para o meio ambiente e para as pessoas e profundas alterações no equilíbrio ecológico do planeta. Todo este cenário macro-econômico, científico e tecnológico engloba também um novo modelo de pessoa. A existência humana, neste contexto, experimenta uma progressiva perda de sentido, de valores e a consequente fragmentação das relações interpessoais. Sem uma perspectiva de sentido global e unificador da vida, a pessoa perde-se no emaranhado de sempre novas opções e decisões, o que gera ansiedade, frustração e angústia. Cresce a ideologia individualista e utilitarista, colocando-se cada pessoa como critério de verdade e de justiça.

 Novos sujeitos

O que implica ser novos sujeitos para estes novos cenários? Podemos elencar algumas perspectivas, a título de sugestões: Na dimensão humana, o sujeito religioso ou religiosa é convidado, em primeiro lugar, a ter consciência de si mesmo, das suas opções, do seu grupo e da realidade circundante. Ser pessoa consciente implica conhecer, estar informado, estar capacitado para a missão, ser disponível. O religioso consciente não se deixa absorver pelo projeto de massificação e subordinação do sistema globalizado. Em segundo lugar, a liberdade caracteriza o sujeito ativo e eficiente na missão. Liberdade tem a ver com a capacidade de renunciar a si mesmo, a seus projetos pessoais e a assumir um projeto maior da Congregação ou da Igreja. Sem medo, sem parcialidade, sem resistência. Pessoa livre e engajada contribuição para a libertação e autonomia das comunidades. Em terceiro lugar, a responsabilidade contribui para o perfil da pessoa sujeito. A pessoa se realiza na fidelidade à missão, ao compromisso assumido. É a felicidade de poder servir e contribuir para o bem de todos. Acrescente-se, ainda, a dimensão da abertura para relações interpessoais afetivas, maduras e duradouras. As pessoas amadurecem à medida que se relacionam, interagem e partilham suas experiências. (edeziob@hotmail.com) (N. da R.: Texto reduzido para adequação técnica. Fonte: Revista Anunciar, ano 35, no 125).


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A S ÇÃO

OLIDÁRIA

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DEPENDÊNCIA QUÍMICA Uma doença hereditária, transmissível, crônica, progressiva e fatal

A

definição é do Pe. Vítor Hugo Gerhard, da diocese de Novo Hamburgo, encardinado na Diocese de Cachoeira do Sul e conhecedor do grave problema social que aflige e destrói tantas famílias brasileiras. “Percorri, praticamente, todo o território do Estado do Rio Grande do Sul e mantenho ainda hoje contato permanente com muitas das instituições que atuam nesta área”, diz o religioso. E destaca: “Quando falo em dependência química – DQ – não estou incluindo as drogas chamadas “lícitas” – álcool e tabaco – nem as farmaco dependências - uso indevido de medicamentos. Restrinjo-me ao uso abusivo das substâncias psicoativas (SPA), tais como a maconha, a cocaina e a pedra do crack, entre outras”.

Solidário - Quantos são os usuários no Estado? Pe. Vítor Hugo - Não existem estatísticas confiáveis. Fala-se em epidemia e até em pandemia. Alguns asseguram que cinco por cento dos gauchos são usuários, o que seria um total de 550 mil usuários. Outros apontam que são dez por cento, acima de 12 anos, resultando em mais de um milhão de pessoas. S - Com que idade começa o uso? V.H - O que é certo que o uso começa cedo: nove anos de idade. Por ocasião da Campanha da Fraternidade de 2001 Vida Sim, Drogas Não, a Secretaria Estadual da Educação divulgou uma pesquisa onde afirmava que, na rede estadual de educação, dos alunos homens de 12 a 18 anos, 80 por cento já fizeram uso, em algum grau, de substâncias psicoativas. Em recente entrevista, o atual secretário estadual da Saude afirmou que 50 mil gauchos estão usando crack. Isso significaria que a cada dia um milhão de reais está irrigando o mercado clandestino da droga, corrompendo pessoas particulares, instituições e mesmo órgãos de Estado, apenas com o uso da pedra, que é a 6ª droga mais consumida no RS. Segundo levantamentos recentes, há um milhão de brasileiros dependentes do crack, dos quais 30 por cento morrem em, no máximo, cinco anos. S- As campanhas ajudam? V.H - Penso que certas campanhas fazem mais mal do que bem e não devemos nos engajar nisso. As campanhas, no máximo, chegam a ser paliativos. O problema é mais profundo e isso a grande mídia não vê ou não quer ver ou até piora as coisas cooptando com a cultura da pressa e do consumismo. O que realmente se sabe é que a droga entra na vida quando a vida se torna uma

droga. Para inverter essa lógica – e nisso a mídia 23 grupos. Total, 660 grupos deveria colaborar de forma consciente – devemos S - E como recuperar quem está no vício? (deveríamos) poder contar com esquemas de preV. H – Penso que há três formas de recupevenção que funcionam. ração: redução de danos, aplicado pelo MinisS – Como prevenir? tério da Saude através do programa V.H - A prevenção começa na ‘Saude Mental’ e das CAPs AD dos família, na medida em que se consiga municípios; internação hospitalar desenvolver um modelo de vida famie tratamento medicamentoso; e a liar com limites – vida sem limites é residência voluntária em Fazenda de uma droga. A prevenção continua na Recuperação, também chamadas de escola na medida em que se consiga Comunidades Terapêuticas (CTs). educar para os valores – vida sem conEste último é o método mais produteudo é uma droga. Se consolida na tivo e eficaz. Espiritualidade, vivida e experimenS - Por que é mais eficaz? tada numa comunidade de fé. Longe V.H - Porque adotam métodos de Deus não há qualidade de vida. A não clínicos, medicamentosos ou prevenção se expressa numa moral Pe. Vitor Hugo Gerhard psiquiátricos. Usam um programa de atitudes no contexto da sociedade em tempo determinado de residência organizada e na participação em seus conselhos e trabalho simultâneo com as famílias. paritários e grupos de voluntariado. Sem isso, S- Quantas são as Fazendas Terapêuticas no RS? teremos que chamar o policial, o delegado e o proV.H. – Segundo levantamentos que fiz, hoje motor e confiar-lhes a tarefa de reprimir, como se temos cinco mil vagas em Fazendas Terapêuticas essa doença fosse um caso de polícia, assim como no Estado, 40 por cento disponibilizadas por inspensam alguns (instituições e pessoas). tituições ligadas à Igreja Católica; 30 por cento a S - E a etapa da intervenção. igrejas Evangélicas, com orientação pela espirituaV.H - Por intervenção se entendem as ações lidade cristã e bíblica; 20 por cento são Ongs, sem que visem a identificar usuários de droga e famílias definição confessional; e 10 por cento, entidades feridas pela drogadição e dar-lhes o apoio devido privadas, em geral com fins lucrativos. na busca de superação. Isso deveria ser feito pelo S- Onde se concentram essas fazendas? setor de saúde dos municípios (Postos de Saude, V.H. - Estão assim distribuídas por região/ Saude Mental, CAPs AD, etc...) e pelos grupos diocese: Novo Hamburgo, 35; P. Alegre, 58; Bagé, de apoio. duas; Montenegro, 11; Cruz Alta, cinco; S. Cruz do S – Quais são os grupos de apoio no Estado? Sul, oito; R. Grande, seis; Pelotas, cinco; S. Maria, V.H - No Rio Grande do Sul temos os seguintes nov; Caxias do Sul, 14; Uruguaiana, quatro; Osório grupos de apoio: Grupos de Amor Exigente, 127; 11; S. Ângelo, dez; Erexim, seis; P. Fundo, sete; Alcoólicos Anônimos, 471; Narcóticos Anônimos, Vacaria, uma; F. Westphalen, quatro; e Cachoeira 32 grupos; Pastoral da Sobriedade; Outros grupos, do Sul, quatro. Total 200.


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Saúde: privatização em marcha! marcha acelerada para a privatização. De um ponto de vista geral, a Médico sanitarista redução de leitos hospitalares, em um determinado território, não sigm novembro, realizou-se na Universidade do nifica, necessariamente, uma piora Estado do Rio de Janeiro um seminário intido sistema de atenção à saude. Pode, tulado “20 anos de SUS: lutas sociais contra a ao contrário, ser a expressão de uma privatização e em defesa da saude pública estatal”. melhora na qualidade e na cobertura da rede de atenção primária (no caso Para a sobrevivência do SUS, com o caráter e a do Brasil, o modelo utilizado é a Estratégia Saude natureza previstos na Constituição Federal, é uma no- da Família). Diferentes estudos mostram que a tícia de elevada importância. Contribuirá, certamente, expansão da cobertura na rede primária determina para a retomada da ofensiva da luta por uma saude uma redução da necessidade de leitos hospitalares. Infelizmente, a situação descrita pela pesquisa pública estatal. É um objetivo nobre e urgentíssimo. Os dados levantados pela pesquisa realizada do IBGE, e destacada pela imprensa, indica uma pelo IBGE, em parceria com o Ministério da Saude, situação inversa. Isto é, ocorreu uma redução de sobre a disponibilidade de leitos hospitalares no país, leitos no período 2005/2009, sem que houvesse uma ampliação da rede básica de atenção à saude. demonstram isso, de forma cabal. Primeiro, porque, como já tínhamos antecipa- No RS, a cobertura da atenção primária (modelo do, está em curso um processo de redução de leitos PSF) não ultrapassa os sofríveis 39% da populapúblicos e de aumento de leitos privados. No Rio ção. Em Porto Alegre, a situação é mais crítica Grande do Sul, de acordo com o Cadastro Nacio- ainda. São apenas 21% de cobertura populacional nal de Estabelecimentos de Saúde (CNES), 84% pelo modelo saude da família. São 101 equipes dos leitos hospitalares são privados. É importante que atendem 290 mil habitantes para uma popuque se esclareça que esse movimento não está lação total de 1 milhão e 400 mil habitante. Assim, são dois movimentos perversos interrestrito aos leitos hospitalares. Todas as atividades relevantes do sistema – meios diagnósticos e cambiáveis: uma redução de leitos “públicos”, terapêuticos, pesquisa, produção de medicamentos e um aumento de leitos privados. E, concomiequipamentos – estão, em sua imensa maioria, tantemente, uma ausência incompreensível de nas mãos do setor privado. A mesma pesquisa investimentos na rede básica de saude. Que é demonstra esse fato. O número de tomógrafos e tida, por todos os que pretendem entender um de ressonâncias magnéticas é, respectivamente, 7 pouco de saude pública, como o sub-sistema que e 10 vezes maior no setor privado, comparado com orienta e coordena todo o sistema. Garantir os a oferta aos pacientes do SUS. Para um sistema pressupostos constitucionais, investindo em um que se pretendia que fosse público estatal e “com- modelo de saude pública estatal, faria, como diz plementado” pelo setor privado, o que se vê é uma o SIMERS, bem à saude da população. Lucio Barcelos

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Novas possibilidades de vida para drogados No Brasil, o que constatamos atualmente é que tal uso tomou proporção de grave enfrentamento da probleproblema de saude mática de novas estratégias pública, atingindo dide atenção às pessoas que versos segmentos da consomem álcool e outras drogas sociedade, pela relação constitui uma demanda mundial. comprovada entre o consumo e agravos De acordo com a Organização sociais que dele decorrem ou que Mundial de Saúde, cerca de 10% o reforçam. das populações dos centros urbanos A boa notícia é que nossa sociede todo o mundo consomem abu- dade tem nos disponibilizado uma sivamente substâncias psicoativas, ampliação das políticas potenciais, independentemente da idade, sexo, na intenção de promover novas nível de instrução e poder aquisitivo. possibilidades de vida para aqueles Maria Marta Orofino Terapeuta Ocupacional*

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ABER VIVER

que sofrem devido ao consumo de álcool e outras drogas. Ao instituir a Lei 8080/90, o Sistema Único de Saúde (SUS) reforça este conjunto de ações e serviços que têm por finalidade a promoção de qualidade de vida para a população, garantindo o acesso de todos a uma assistência integral, que funcione de forma regionalizada. Isto é, para cada região da cidade, determinados serviços de atendimento mais próximos do convívio social de seus usuários. Tais ações, baseadas em dispositivos extra-hospitalares de atenção psicossocial especializada com equipe multiprofissional – envolvendo consultas clínicas, grupos terapêuticos, oficinas e atenção aos familiares - devem estar articulados à rede assistencial em saude mental e ao restante da rede de saude. A partir da lógica ampliada de redução de danos, de forma integrada ao meio cultural e à comunidade, torna-se mais possível um trabalho de atenção e tratamento. Dicas para buscar atendimento:  CAPSad – Centro de Atenção Psicossocial álcool e outras drogas: Para marcar a consulta, a pessoa deve procurar um posto de saude de sua área de abrangência e pedir encaminhamento para o CAPS de sua região. *Equipe de Linha de Cuidado em Saúde Mental Grupo Hospitalar Conceição

Dicas de Nutrição Dr. Varo Duarte

Médico nutrólogo e endocrinologista

Alimentação escolar 2

M

édico escolar concursado, assumindo em 1966, passei a acompanhar a merenda distribuida nas escolas, tendo como minha primeira escola a Prof. Otávio de Souza, no Jardim Botânico. Meu primeiro curso de Nutrição foi realizado em 1968, na UFRGS, sob a coordenação de Rubem Mena Barreto Costa. Fui aluno da inesquecível médica pediatra Hebe Tourinho, posteriormente minha amiga e colega como professora, na Faculdade de Medicina da PUCRS. Convidado por Mena Barreto, passei a exercer minha atividade na Secretaria de Educação, no Programa de Nutrição Escolar em 1970, por ele chefiado. Quando de sua aposentadoria, fui nomeado pelo governador do Estado gerente do Programa de Nutrição Escolar do Estado. Passei a frequentar semanalmente reuniões dos Círculos de Pais e Mestres, proferindo palestras sobre Educação Alimentar. Notou-se a necessidade de distribuir um resumo destes ensinamentos e começamos a editar na SEC a explicação da nossa Roda dos Alimentos. Estes escritos foram a origem de nossos livros e a inspiração, hoje título de meu mais divulgado livro Coma de tudo sem comer tudo.

Solidário co

Hoje, mais de 12 livros tiveram inspiração no trabalho de Mena Barreto, na divulgação da Educação Alimentar, posteriormente incentivados pelos versinhos do prof. Eugênio Carvalho Junior, inicialmente publicados em 1966, com o titulo Educação Alimentar. Inicia o mestre : Meninos, vou lhes contar Uma história diferente, Que serve pra divertir, Mas também ensina a gente. Permito-me aqui reproduzir alguns de seus versinhos: Por certo já lhes falaram Nas famosas vitaminas, Que dão saúde e vigor A meninos e meninas. São muitas e se conhecem Pelas letras do alfabeto, Dão pra fazer uma pilha Quase da altura do teto. Cada uma tem seu nome E todas são importantes O que podemos mostrar Dentro de poucos instantes. Mas não pensem, meus amigos, Que elas são medicamentos; São produtos naturais que existem nos alimentos. Mas os homens que são tolos Desconhecendo a verdade, Procuram sempre encontrá-las Nas farmácias da cidade! Pra que vocês não repitam Um erro assim tão vulgar, É que nós nos decidimos A esta história lhes contar. Assim temos as vitaminas A, B, C, D, K, E, e outras mais.


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Catequese

Humor

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SPAÇO LIVRE

Sem Fronteiras Leo nar d

Martha Alves D´Azevedo

Comissão Comunicação Sem Fronteiras

Em visita ao Presidente da Suiça: – Este é o ministro da Saude, este é o ministro da Fazenda, este é o ministro da Justiça, este é o ministro da Educação, este é o ministro da Marinha… Nesta altura, nosso presidente começa a rir e logo interpela: – Desculpe sr. presidente, mas para que o senhor tem um ministro da Marinha, se o seu país não tem mar? E o presidente da Suíça responde: – Quando Vossa Excelência apresentou os ministros da Justiça, da Educação e da Saúde... eu não ri!

o Litúrgi-

PERGUNTA E RESPOSTA Que mar é maldoso? – O Marginal. Porque a água foi presa? – Porque ela matou a sede... – O que a areia disse pro mar? – Deixa de onda.

Baseado na Parábola da Ovelha Perdida, Lucas 15,3-7 (Leve uma ovelha de pelúcia e um galho seco onde a ovelha possa ficar presa.) (Faça o balido de uma ovelha: bé, bé, bé...). (Mostrando a ovelha) Seu nome era Floco de Neve. Vou contar a estória de uma pequena ovelhinha. Ela morava junto com sua família: a mamãe ovelha e talvez seus irmãos e muitos outros amigos e parentes. Mas, onde Floco de Neve morava, era uma região deserta. Não tinha água, nem grama, só areia. Por isso, logo que o sol aparecia lá no horizonte , o pastor abria a porteira e chamava suas ovelhas. Elas iam saindo uma a uma e faziam uma fila atrás do pastor. Então eles caminhavam por muito tempo. Subiam e desciam morros, atravessavam estradas e caminhos e, finalmente, quando Floco de Neve não aguentava mais de fome, chegavam numa campina verdinha. O pastor parava e se assentava na grama, enquanto suas ovelhinhas comiam muita grama até a barriga ficar cheia. Então, elas deitavam na relva macia e dormiam felizes ao sol. Mais tarde, quando acordavam, Floco de Neve e outras ovelhinhas ficavam brincando perto da sombra de uma enorme árvore. Depois comiam bastante outra vez e, no final da tarde, o pastor as chamava de novo (pode ir chamando as ovelhas pelo nome das crianças). Ele as levava até um riachinho onde todas bebiam muita água fresquinha e de lá, voltavam para casa. Quase sempre chegavam quando já estava escurecendo, para dormir no curral. Um dia, enquanto as ovelhinhas bebiam água para voltar para casa, Floco de Neve quis conhecer melhor aquele lugar. Ela se afastou só um pouquinho do rebanho e viu um monte. Subiu correndo e de lá de cima viu o céu azul, viu as montanhas do outro lado, viu algumas campinas e uma estrada. Ficou só um pouquinho ali e, quando ia descendo, não se lembrava mais qual o caminho. Começou a balir (bé, bé, bé) Mas ninguém a escutava. Rapidamente escureceu e um vento forte e gelado começou a soprar. Floco de Neve estava com medo e procurou um lugar para se abrigar; foi quando escorregou e caiu. Caiu até ficar presa num galho que a machucava. Tinha medo de se mexer e cair mais ... mas seu corpo doía! Pobre Floco de Neve! Estava perdida, com frio, com medo e não sabia mais voltar para casa. Começou a balir, balir até ficar rouca. Porém, havia ninguém para escutá-la. Ou havia? De repente, no meio do escuro da noite ela viu a fraca luz de um lampião que se aproximava. Sentiu duas mãos puxando-a para cima e alisando seu pelo, abraçando-a e apertando-a contra o peito, enquanto falava-lhe mansamente. Sabem quem era? Isso mesmo! O pastor. Ao guardar as ovelhas naquela tardinha, ele sentiu a falta de Floco de Neve. Fechara muito bem a porta do curral e correra de volta procurando sua pequenina ovelha. Jesus contou esta história e disse que Ele é o Bom Pastor. Por isso, quando você se sentir perdida, quando desobedecer, lembrese que Jesus, o bom Pastor, ainda a ama e a quer de volta bem pertinho dEle! Vamos agradecer-Lhe por seu interesse por nós.

c.hu /sx

ENTRE PRESIDENTES

A ovelhinha amada

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Sábado pela manhã, um baita sol, o sujeito põe a família no carro e decide ir para a praia. Na estrada, porém, ele é parado por um guarda: - O senhor está multado, está acima da velocidade permitida! - Pô, seu guarda! Não faz isso comigo! O senhor vai estragar o meu fim de semana! - Não seja por isso... Eu vou fazer a multa com data de segunda-feira!

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MULTA PRÉ-DATADA

Declínio de guerrilheiros

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oticia divulgada em outubro último informa que quase 2 mil guerrilheiros desertaram na Colômbia. Forças Revolucionárias da Colômbia (FARC), Exército de Libertação Nacional (ELN), e um outro grupo inexpressivo, que monitoravam a guerrilha na Colômbia, sofreram baixas consideráveis registradas neste ano em que 1924 guerrilheiros desertaram, 220 deles em setembro. O governo colombiano distribuiu uma cartilha, elaborada pela Marinha, com a qual orienta eventuais desertores e promete reintegração à vida civil com a ajuda governamental. A ideia de que militantes da guerrilha estariam buscando auxilio do governo para poder voltar à sua integração à sociedade colombiana, é acompanhada pelo depoimento de muitos deles que acusam as péssimas condições em que viviam na selva. Percebe-se que a maioria deles ingressou na guerrilha muito jovem, 16 anos alguns, quando os ideais libertários empolgavam toda a juventude. Com o passar do tempo, a situação em que viviam foi se tornando um pesadelo, alimentado pela corrupção, que tomou conta das lideranças. O mundo mudou, a tecnologia chegou até os acampamentos onde viviam em situação bastante precária, e os jovens idealistas do inicio começaram a perceber que os ideais dos pioneiros haviam sido esquecidos e os atuais dirigentes encontravam-se envolvidos com o narcotráfico, onde o dinheiro cresce cada vez mais e alimenta a corrupção sem limites. E os jovens de ontem, adultos hoje, percebem a distorção acontecida e não veem sentido em continuar colaborando para que o problema continue. Michel, que ficou oito anos e tinha cargo de chefia, faz uma declaração sentida: “A luta deles não é pelo povo colombiano, como chegamos a acreditar. Há corrupção e roubos. Todos lá vivem como animais”. Dos 20 mil guerrilheiros que militavam nas fileiras da guerrilha há 10 anos atrás, calcula-se que hoje ainda existam 8 mil, que ainda não encontraram uma maneira de sair aceitando as condições oferecidas. (geralda.alves@ ufrgs.br)

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GREJA &

Solidário Litúrgico

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COMUNIDADE

9 de janeiro - Batismo do Senhor Cor: branca

26 de dezembro - Sagrada Família Cor: branca

1a leitura: Livro do Eclesiástico (Eclo) 3,3-7.14-17a Salmo 127 (128), 1-2.3.4-5 (R/. cf 1) 2a leitura: Carta de S. Paulo aos Colossenses (Cl) 3,12-21 Evangelho: Mateus (Mt) 2,1315.19-23 NB.: Para a compreensão dos comentários litúrgicos é fundamental que se leia, antes, os respectivos textos bíblicos. Comentário: Falemos da família. Da família que chamamos “sagrada”, das famílias deste nosso tempo. No livro do Eclesiástico, encontramos estas verdadeiras joias para o relacionamento familiar querido por Deus e que a família chamada moderna ou pós-moderna parece ter esquecido ou não sabe apreciar. Isso possivelmente explique o porquê do esfacelamento de grande parte das famílias. Diz o texto: Quem honra seu pai, alcança o perdão dos pecados, será ouvido na oração, terá uma vida longa e a alegria com seus próprios filhos. Quem respeita sua mãe ajunta tesouros e quem

obedece ao pai é o consolo da sua mãe (3,4-7). O texto fala por si, viver seu espírito e sua prática, eis o desafio para uma vida familiar feliz. O relato evangélico deste último domingo do ano e ainda dentro das celebrações do nascimento de Jesus nos leva a contemplar a sagrada família: Maria, José, Jesus. E o episódio narra como, diante da ameaça à vida de Jesus, os pais não hesitam em buscar refúgio em país estrangeiro, aceitando os sofrimentos e os riscos que aquela viagem significou. O viver em família, as relações entre pais e filhos, sofrem todo o tipo de ameaças, sem dúvida. Então, num mundo onde a vida familiar é desprezada e até atacada e tendo como referência a sagrada família, possam as famílias cristãs de hoje fortalecer a sua vivência da fé, criando laços de amor e doação, baseando-se nos valores evangélicos de solidariedade, justiça e partilha. Num mundo que idolatra o “Ter” e o ‘Poder”, seja nosso lar um oásis onde encontramos o pão e o vinho da alegria, do perdão, do amor.

2 de janeiro - Epifania do Senhor Cor: branca

1a leitura: Livro do Profeta Isaias (Is) 60,1-6 Salmo 71 (72), 2.7-8.10-11.1213 (R/. cf 11) 2a leitura: Carta de S. Paulo aos Efésios (Ef) 2,2-3a.5-6 Evangelho: Mateus (Mt) 2,1-12 Comentário: O episódio bíblico dos reis magos, sábios ou reis que vêm de outras terras, de outra cultura, de outra fé, de um mundo diferente da realidade cultural e religiosa do mundo judeu revela que esta criança que nasce na pobreza extrema de um curral de animais vem, não para um povo, uma região, uma determinada religião; esta criança vem com um projeto salvador para toda a humanidade. E quer impregnar com seu espírito todos os povos, nações, raças e línguas para que a humanidade volte ao projeto primeiro da criação: todos, homens e mulheres, pais e filhos, irmãos e irmãs, parentes ou não parentes, gente, pessoas... todos possam ser e viver felizes como uma única e grande família universal. Esta é a utopia do projeto de Jesus, a criança

que os magos buscavam e não encontraram no palácio do rei, mas na singeleza de uma gruta, na periferia da pequena e insignificante cidade de Belém. Historicamente, instituições religiosas quiseram apropriar-se de Jesus, afirmando serem as únicas “autorizadas” a falar em seu nome. Na sua vida pública, Jesus sempre rejeitou ser aclamado rei e, inclusive, ser tido como o Messias. Retirava-se, sozinho, para rezar. Possivelmente, pedindo ao Pai que as pessoas compreendessem que seu Reino não era deste mundo nem do modelo de reino que os judeus queriam. Um dia, quando os discípulos queriam proibir que algumas pessoas falassem de Jesus por não serem do grupo de discípulos, Jesus foi enfático: “Deixem que falem; quem não é contra nós, é a nosso favor”. Jesus é de todos, seu Projeto de vida em abundância é para toda a humanidade. Esta é a mensagem central desta festa da Epifania ou da manifestação de Jesus a todos os povos e nações.

1 a leitura: Livro do Profeta Isaias (Is) 42,1-4.6-7 Salmo 28 (29), 1a.2.3ac4.3b.9b-10 (R/.11b) 2a leitura: Atos dos Apóstolos (At) 10,34-38 Evangelho: Mateus (Mt) 3,1317 Comentário: O batismo é o primeiro sacramento de todo cristão e abre as portas para receber todas as graças que o Pai promete a seus filhos e filhas. A sacramentalidade do batismo vem do fato bíblico de que o próprio Jesus buscou a João para ser batizado, apesar dos protestos do Batista: Eu preciso ser batizado por ti e tu vens a mim (3,14). Através do rito batismal, o cristão participa da natureza divina, é lançado no coração da obra de salvação e sua vocação passa a ser a busca da santidade. Como para Jesus, vale para todo o cristão a palavra que vem do céu: Este é meu filho amado no qual eu pus o meu agrado (13,17). Como filhos bem amados, os cristãos são chamados a irradiar por toda parte o amor que beatifica, purifica e salva.

A que dignidade somos elevados, nós que somos batizados e cremos em Jesus como único Salvador e vivemos segundo esta fé! Antes de Jesus, a vida dos homens era dominada pelo pecado; agora, nossa vida é animada pelo Espírito Santo, Espírito do Senhor Jesus. Foi este sentimento de pertencer à família de Deus que levou Paulo a exclamar: Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim. Enquanto vivo a vida mortal, vivo na fé do Filho de Deus que me amou e entregou-se a si mesmo por mim (Gl 2,20). Ser batizado, ser cristão é viver no mundo, testemunhando sua fé em obras de bondade, de justiça, de entrega aos demais, oferecendo sua vida ao Pai e configurando o mundo histórico segundo as exigências do Reino de Deus. Ser discípulo missionário é projetar para a humanidade as energias renovadoras do Evangelho. O mundo só será melhor no dia em que todos os batizados viverem o seu batismo, testemunhando, pelo anúncio e pela ação, que Deus, em Jesus, por Jesus e com Jesus, continua presente na história e caminhando com a humanidade.

16 de janeiro - 2o Domingo Comum Cor: verde

1 a leitura: Livro do Profeta Isaias (Is) 49,3.5-6 Salmo 39 (40), 2.4ab.7-8b-9.10 (R/. 8a.9a. 2a leitura: 1a Carta de S. Paulo aos Coríntios (1Cor) 1,1-3 Evangelho: João (Jo) 1,29-34 Comentário: Nas leituras destes primeiros domingos do ano, a figura de João Batista ganha uma particular importância. João, o filho “na velhice” de Izabel e do desconfiado sacerdote Zacarias, participa, intensamente, da história humana do próprio Jesus. Ele exulta no ventre de Izabel quando Maria vai visitar a prima, grávida de Jesus. Depois, o reencontramos, pregando no deserto um batismo de penitência e de conversão. O batismo de João era necessário e preparava para o batismo no Espírito Santo, batismo do tempo novo de Jesus. João é o último dos grandes profetas do Antigo Testamento, ele é a ponte que une o Antigo com o Novo Testamento. Inspirado por Deus,

ele dá testemunho de que Jesus é o Messias, o enviado, o salvador ansiosamente esperado pelo povo da aliança, o povo de Israel: Aquele que me enviou, me disse: sobre quem vires o Espírito Santo descer e permanecer, este é quem batiza no Espírito Santo. Eu vi e dou testemunho: este é o Filho de Deus (1,34). Parecem palavras, nada mais que palavras. Mas, a vida e o testemunho de João são a base de nossa fé e o fundamento para a vida de todo cristão, sem o que o batismo é apenas um rito que se “sofreu” em criança, mas que não tem incidência na vida. Agora, se acreditamos no que João diz, se acreditamos que Jesus é, de fato, o Filho de Deus, o Messias, o Salvador, nossa fé tem sentido e somos, de todos os homens, os mais felizes. Sempre e quando vivemos esta fé em nosso dia-a-dia. (attilio@livrariareus. com.br)


1o a 15 de janeiro de 2011

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SPAÇO DA

Pe. José Luiz Schaedler comemora 25 anos de vida sacerdotal

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RQUIDIOCESE Coordenação: Pe. César Leandro Padilha Solicita-se enviar sugestões de matérias e informações das paróquias. Contatos com a jornalista Cynara Baum pelo e-mail cynarabaum@gmail.com ou fone (51)32286199. Acompanhe o noticiário da Pascom pelo twitter.com/arquidiocesepoa

Imagem Peregrina de N. Sra. dos Navegantes circulará entre paróquias e comunidades Pe. José Luiz (esq.) e Dom Remídio Bohn

Muitas pessoas assistiram à celebração

O dia 12 de dezembro na Capital gaúcha não foi comum como todos os domingos. Isto porque o Pe. José Luiz Schaedler, diretor geral da Rede de Escolas São Francisco e Santuário de Fátima completou 25 anos de vida sacerdotal com o lema: “Buscai em primeiro o Reino de Deus e a sua justiça.” Ele presidiu a celebração campal que contou com a presença do bispo auxiliar de Porto Alegre, Dom Remídio Bohn, o diácono permanente, Leo Eberhardt, que também completou 25 anos de diaconato, e o recém ordenado diácono Luciano da Silva, além de diversos padres da Capital e Região Metropolitana. Dom Remídio lembrou em seu sermão a importância do serviço pelo Reino de Deus e destacou o compromisso do Pe. José Luiz nestes 25 anos, sendo um exemplo para todos nós. Ele administra com solidez a Rede de Escolas São Francisco, desde a morte do monsenhor Roncato

e o Santuário de Fátima” elogiou. Com muita animação e fé, a cerimônia foi finalizada com inúmeras homenagens de paroquianos do Santuário Nossa Senhora de Fátima, dos professores da Rede, e da Sociedade Beneficente e Educacional São Cristovão, do Seminário de Viamão e Gravataí e dos seus colegas padres jubilandos que estavam presentes. Após a cerimônia festiva, todos os convidados foram recepcionados no Salão de Eventos da Escola para o almoço festivo. No período da tarde, os convidados foram agraciados pela apresentação musical de Dante Ramon Ledesma que fez uma singela homenagem ao padre. Ele veio do Uruguai até Porto Alegre para homenageá-lo. “Eu fiz questão de prestar esse reconhecimento ao amigo pe. José Luiz”, afirmou. A festa continuou até o entardecer com muita alegria e homenagens. (Por Rubens Melo; fotos: professor Jones Nunes)

2.000 anos de turbulências - XVII

Novo livro do Vicariato da Cultura

Nova polêmica sobre Cristo

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apoio de 600 bispos, realizou o Concílio de Calcedônia (o 4º Concílio Ecumênico). Este definiu que em Jesus Cristo existe uma só pessoa, mas duas naturezas: a humana e a divina, “sem confusão e sem separação”. Dióscoro também compareceu, levando consigo 17 bispos monofisistas, dispostos a depor o Papa. Mas, no fim, Dióscoro é que foi deposto e, após o brilhante discurso do Papa, os bispos presentes aplaudiram e disseram as famosas palavras: “Esta é a fé dos Apóstolos! Assim cremos todos. Pedro falou pela boca de Leão”. Este Papa recebeu o nome de Leão, o Grande (Magno), pela sua coragem, inteligência e virtudes morais, bem como pelo espírito que o animou sempre em defender Roma das invasões dos bárbaros. Em 452, os bárbaros invadiram a Itália e estavam a caminho de Roma, sob o comando do terrível Áttila, rei dos Hunos. Atemorizado, o imperador Valentiniano enviou uma embaixada para negociar com o bárbaro, tendo à frente o Papa Leão Magno. O encontro aconteceu junto à confluência dos rios Pó e Míncio. Áttila desistiu da invasão. O pintor Rafael imortalizou num quadro esse encontro. Ao regressar a Roma, Leão Magno mandou derreter a estátua de Júpiter, a maior divindade do paganismo, e com seu bronze fez a bela estátua de São Pedro, que se encontra até hoje na Basílica de São Pedro, no Vaticano. (CA/Pesquisa)

m meados do século V, a Igreja foi envolvida numa nova polêmica sobre Jesus Cristo. Desta vez, ela surgiu no Oriente, através do monge Êutiques, Constantinopla. Sob o Papado de Leão I (440-461), o referido monge começou a pregar que a natureza divina de Cristo “absorvia” a natureza humana. Era como se Jesus tivesse apenas uma natureza, a divina. Esta heresia ficou conhecida como Monofisismo, que quer dizer “uma só natureza”. Assim, negava-se que Jesus fosse verdadeiramente homem. Em 448, foi realizado um sínodo em Constantinopla, e o Patriarca Flaviano mostrou que Êutiques estava errado. Este não se conformou e continuou pregando o monofisismo. O Patriarca, então, expôs o problema ao Papa Leão I, pedindo uma definição oficial. Este escreveu a famosa “Carta Dogmática”, na qual afirmava que Jesus era verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. Êutiques rejeitou a Carta e convocou um sínodo em Éfeso, no ano de 449, com o apoio do Imperador Teodósio II, e do Patriarca de Alexandria, Dióscoro, que presidiu o sínodo. Os representantes do Papa foram impedidos de falar e, assim, a Carta de Leão I não pode ser lida. Dióscoro chegou até a “excomungar” o Papa, e o imperador mandou para o exílio os bispos fiéis a Roma. Esse sínodo foi chamado também de “Latrocínio de Éfeso”. No ano de 450, o imperador caiu do cavalo e morreu. Sua irmã, a imperatriz Pulquéria, mandou regressar do exílio todos os bispos que defendiam a doutrina da Igreja. Então, o Papa Leão I, com o

Em preparação à 136ª Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, em Porto Alegre, o maior acontecimento religioso do sul do país, a Imagem Peregrina de Nossa Senhora será acolhida nas paróquias e comunidades da Capital e Região Metropolitana. Também será disponibilizado um banner no tamanho 100X50cm , com a imagem da Santa. No dia 2 de janeiro, após a missa das 18h na paróquia, a imagem seguirá para a Igreja São João Batista, a primeira do roteiro. A imagem está na cidade há 140 anos (março de 1871) e a festa está em sua 136ª edição. A comoção à santa tornou-se feriado municipal graças a interseção do cardeal Alfredo Vicente Scherer, arcebispo metropolitano de 1947 a 1981, que enviou o pedido a Câmara Municipal de Porto Alegre. Segundo o Pe. Luiz Remi Maldamer, pároco da paróquia Nossa Senhora dos Navegantes, “essa inovação tem a finalidade de despertar a consciência das pessoas a Nossa Senhora, que floresceu essa piedade popular e expressões amáveis de louvor e devoção a Santa”. A Festa de Navegantes é comemorada no dia 2 de fevereiro com uma grande procissão pelas ruas de Porto Alegre, que parte da Igreja de Nossa Senhora do Rosário em direção a paróquia de Nossa Senhora dos Navegantes. A paróquia de Nossa Senhora dos Navegantes fica na Pça. dos Navegantes nº 12, Bairro Navegantes em Porto Alegre. Mais informações e agendamento pelo fone (51) 3342.1120.

O Vicariato Episcopal da Cultura da Arquidiocese de Porto Alegre apresenta seu novo livro intitulado Pastorais Ambientais na Arquidiocese de Porto Alegre. A publicação pretende mostrar ao povo da Arquidiocese aquilo que as muitas formas de Pastorais Ambientais realizam pela Igreja fora do ambiente paroquial. Segundo o arcebispo metropolitano, Dom Dadeus Grings, “o Vicariato da Cultura nos enriquece com esta resenha de pastorais que não se confinam ao território de alguma paróquia, mas se atêm aos ambientes específicos das diversas atividades dos leigos. Abre assim um amplo leque para o enriquecimento da visão da Igreja, presente no mundo, bem como lança um convite para que cada leigo encontre seu lugar e caminho nesta maravilhosa construção de um mundo cristão, por isso mais justo, fraterno e próspero”. As Pastorais Ambientais cujo o histórico consta no livro são: Ação Católica dos Profissionais do Direito, Associação dos Dirigentes Cristãos – ADCE, Associação dos Médicos Católicos – AMEC, Cáritas, Casa Fonte

Colombo, Centro de Orientação ao Migrante – COMIG, Comissão Arquidiocesana de Arte Sacra – CAAS, Comunidade Terapêutica Acolher, Deus pela Arte, Diálogo Inter-religioso, Ecumenismo, Escola do Bem Comum, Paróquia Universitária, Pastoral da Comunicação – PASCOM, Pastoral da Criança, Pastoral da Educação, Pastoral da Pessoa Idosa, Pastoral da Saúde, Pastoral Familiar – PF, Pastoral dos Políticos Católicos, Pastoral Universitária – PUCRS, Serviço interconfessional de Aconselhamento – SICA. No início de 2010, o Vicariato também editou o livro Movimentos Leigos na Arquidiocese de Porto Alegre, que conta um pouco da história de 31 movimentos, comunidades, comissões e serviços que servem na Arquidiocese, levando a todos conhecer um pouco mais a espiritualidade de todos os movimentos. Os dois livros estão à venda na Livraria do Centro Arquidiocesano de Pastoral de Porto Alegre, que fica na Pça. Emílio Lottermann nº 96, Bairro Floresta. Mais informações pelo fone (51) 3222-3988 ou pelo e-mail centrodepastoral@terra.com.br


Porto Alegre, 1o a 15 de janeiro de 2011

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Veraneio com oração

érias! Bela oportunidade para o reencontro consigo mesmo, com a família, com a natureza e com Deus. E, por que não: uma retomada e retorno a atividades comunitárias e frequência às celebrações litúrgicas. Abaixo, os horários de missas nas seis paróquias do Litoral Norte, em janeiro e fevereiro. Os dias e horários de missas nas comunidades balneárias estão à disposição na página oficial da Diocese de Osório (http://www.diocesedeosorio.org/) ou nas respectivas paróquias, cujos telefones também constam abaixo.

TORRES

PÁRÓQUIA SÃO DOMINGOS

Fone: (51) 3664.11.66 Pároco: Ceverino Crago Vigário: Paulo Ricardo Schmidt A Igreja Matriz está em reforma. As funções paróquias estão sendo temporariamente desenvolvidas junto ao Hospital e Capela Santa Luzia Segunda a sexta-feira – 19h Sábados –18h e 20h Domingos - 7h30min, 9h, 18h e 20h Capela São Francisco Sábados – 20h A paróquia atende ainda as seguintes comunidades balneárias: São Jorge, São Francisco, Faxinal, Stan, Curtume, Igra, Getúlio Vargas, Itapeva Norte, Guarita, Salinas

CAPÃO DA CANOA PARÓQUIA NOSSA SENHORA DE LOURDES

Fone: (51) 3665.2356 Pároco: Edson Luiz Bataglin Vigário: Luiz Carlos Rosa da Silva Matriz Terças a Sextas – 20h Sábados – 19h e 21h Domingos – 8h30min, 19h e 22h A paróquia atende as seguintes comunidades balneárias: Capão Novo, Santuário – Zona Nova, Arroio Teixeira, Curumim, Praia do Barco, Santa Luzia, Zona Norte, Hospital S. Luzia e Santa Rita de Cássia

ARROIO DO SAL

PARÓQUIA NOSSA SENHORA DE LOURDES

Fone: (51) 3687.2177 Pároco: Pe. Celito Manganelli TORRES - VILA S. JOÃO Matriz: PARÓQUIA S. JOSÉ OPERÁRIO Quartas a sábados - 21h Pároco: Pe. Leonir Alves Domingos – 8h e 21h Fone (51) 3605 2592 A paróquia atende as seguintes comunidades balneárias:Figueirinha, Areias Brancas, QuaA sede paroquial fica fora da área balneária. Mas tro Lagos, Rondinha atende as seguintes comunidades balneárias: Ita- Nova, Jardim Olívia peva Sul, Praia Weber, Paraíso e Estrela do Mar. (H. Apressul), Arroio Seco, Marambaia, Balneário Atlântico, Rondinha Velha, Estância do Meio e Bom PARÓQUIA SÃO PEDRO Jesus Fone: (51) 3689 2051 Pároco: Gibrail Walendorf Matriz: PARÓQUIA SANTO Terças-feiras ANTÔNIO DE PÁDUA a sábados: Fone: 3682.34.00 19h30min Pároco: Pe. Marco Antônio Antunes Domingos: Matriz: 8h e 20h Terças a sextas-feiras A paróquia - 19 h atende as seSábados – 19h30min guintes coDomingos - 9h e 19h munidades A paróquia atende as balneárias: seguintes comunidaAtlântida, des balneárias: MagisAtlântida tério, Quintão, Túnel Sul, Rainha Verde, Aparecida e S. do Mar, ReRita. manso, Figueririnha e Guará,

XANGRI-LÁ

PINHAL

TRAMANDAÍ

PARÓQUIA NOSSA SENHORA DOS NAVEGANTES

Fone: 3661.1509 Pároco: Frei Miguel Debiasi Vigários: Frei Romualdo Breda e Frei Rogério Miotto Matriz Segundas a sextas – 19h Sábados – 19h e 20h30min 1o sábado – 14h30min com batizados Domingos e Cinzas - 8h, 19h e 20h30min Navegantes - 8h, 11h, 19h Proc. Fluvial 20h Missa Campal 21h Procissão até Matriz -22h30min A paróquia atende as seguintes comunidades balneárias: Mariluz, Oásis do Sul, Santa Terezinha, Albatroz, Santa Rita, Menino Jesus de Praga. Medianeira, N. S.ª Fátima, São José, São Francisco, Tramandaí Sul, São Sebastião, Presidente, Agual, Imara/Imbé, Indianópolis, Estância, Cruzeiro, Santa Clara, Santa Luzia, Nova Tramandaí e Capela Litoral,

CIDREIRA

PARÓQUIA NOSSA SENHORA DA SAÚDE

Fone: (51) 3681.11.18 Pároco: Pe. Jorge Soares Menezes Matriz Segunda a sexta-feira – 19h30min Sábados – 18h, 19h30min Domingos – 8h30min, 10h, 18h e 19h30min A paróquia atende as seguintes comunidades balneárias: Salão Paroquial, Nossa Senhora Aparecida (Chico Mendes), Senhor Bom Jesus (Fortaleza), Costa do Sol e Salinas


Jornal Solidario - Edicao 577