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IMPRESSO ESPECIAL CONTRATO No 9912233178 ECT/DR/RS FUNDAÇÃO PRODEO DE COMUNICAÇÃO CORREIOS

www.jornalsolidario.com.br

Porto Alegre, março de 2012 - 2a quinzena

Solidário

Ano XVII - Edição N o 606 - R$ 2,00

Fé com obra

Durante a Quaresma, o Evangelho insiste, oportuna e apropriadamente, para a necessidade de coerência na vivência cristã. Fé e oração sem ação é hipocrisia religiosa. É intimismo religioso, mais uma das diversas patologias religiosas. Cristianismo coerente é desacomodação, é descruzar os braços e agir. É estar num verdadeiro círculo virtuoso em que nossas palavras e ações sejam sempre fecundadas pela oração. Exemplos de coerência existem aos milhares. Um deles é a obra da Vila Mato Sampaio, Bairro Bom Jesus, zona leste de Porto Alegre. Páginas centrais

Quaresma: Tempo de oração, penitência e caridade O alerta é de Bento XVI: "O tempo da Quaresma é o momento propício para renovar e tornar mais firme a nossa relação com Deus, através da oração quotidiana, os gestos de penitência, as obras de caridade fraterna", assinalou. O Papa comentou ainda a passagem do Evangelho que relata as tentações a que Jesus foi submetido no deserto, um lugar que pode servir como refúgio, lembrando que a cultura atual também está tentando construir um mundo sem Deus. “Muitos procuram construir a sua vida fora de Deus ou como se Ele não existisse, contando apenas com as suas próprias capacidades para colocar ordem em si próprios e no mundo", disse o Pontífice.

Divulgação

Página 4

Em 2011, duzentos e vinte e um voluntários atuaram em projetos sociais coordenados pelo Centro de Pastoral e Solidariedade da PUCRS e gerenciados por um comitê interno da Universidade, em parceria com a Associação do Voluntariado e da Solidariedade. As inscrições para o Programa em 2012 estão abertas até 23 de março corrente. Podem participar estudantes, diplomados e funcionários da Instituição. A atividade visa atender organizações sociais de Porto Alegre e Região Metropolitana, nas áreas de saúde, educação, assistência social e meio ambiente, atingindo crianças, adolescentes, adultos, famílias, idosos e portadores de necessidades especiais em vulnerabilidade social. Mais informações: www.pucrs.br/voluntariado; ou Núcleo de Voluntariado PUCRS, sala 101 do prédio 17, tel. (51) 3353-4959.

Os telefones do Jornal Solidário:

Bento XVI

Palotinos preparam Jubileu de Ouro da canonização de seu fundador

Voluntariado na PUCRS

Saiba como fazer jejum e abstinência nesta Quaresma Contracapa

(51) 3211.2314 e (51) 3093.3029. e-mail: solidario@portoweb. com.br


A

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RTIGOS

Voz do Pastor Dom Dadeus Grings

Editorial

Arcebispo Metropolitano de P. Alegre

Intimismo religioso

N

ão conquistamos o céu se não melhorarmos a terra, se não diminuirmos o sofrimento alheio e promovermos mais justiça nas relações. A frase de Jorge La Rosa (veja entrevista nas páginas centrais) é paradigmática. No círculo virtuoso proposto por Jesus a seus discípulos e a todos que nele creem, a oração alavanca e fermenta o anúncio da Boa Nova que é testemunhado por ações concretas, as quais promovem um mundo justo e solidário. Se faltar uma dessas três dimensões – oração, anúncio, ação – a fé será sem sentido, morta e, definitivamente, não será cristã. Estamos assistindo a um fenômeno na Igreja, que não é novo, pois já teve seus momentos na história e foi considerado herético. É o fenômeno do intimismo religioso, o fenômeno de muitos cristãos, especialmente católicos-romanos, voltarem a separar fé e justiça, fé e anúncio da Boa Nova, fé e obras a favor dos demais. Há os que acreditam que rezando bastante, repetindo “Senhor, Senhor”... “amém, amém”, aplaudindo a Eucaristia, fazendo/pagando promessas, às vezes as mais estapafúrdias e quase sempre apenas em benefício próprio, ou, ainda, assistindo a alguma missa, “torcendo” para que não seja muito demorada, podem considerar-se bons cristãos-católicos. Não foi isso que Jesus ensinou e viveu. Vários textos da Bíblia nos trazem um Jesus que, depois de cada pregação/ anúncio e de “curar a muitos” de suas enfermidades na alma e no corpo (ação), se retirava para orar, para “estar com o Pai”. Ele viveu, diuturnamente, o círculo virtuoso: fé/oração, anúncio, ação. Jesus sempre fez a vontade do “Pai que está nos Céus”, oferecendo paz, saúde, justiça e amor aos filhos que estavam na Terra. Será que basta rezar, pregar, fazer todas as desobrigas? Não! Ficar nisso não passaria de intimismo religioso, mais uma das diversas patologias religiosas que andam por aí. O intimismo religioso é exatamente a fé sem obras, religião sem amor fraterno, oração sem ação. É o culto só com os lábios, a separação entre fé e vida, fé e justiça, fé sem profecia, sem promoção humana (Dom Orlando Brandes, arcebispo de Londrina/PR). É preciso dizer mais!? No dia da verdade, dia do Juízo Final, não seremos julgados por nossa muita oração, sempre um meio, nunca um fim, nem pela muita pregação/ anúncio, sempre importante, mas seremos julgados por nossas ações em favor de nossos irmãos e irmãs, especialmente os mais pequeninos, com os quais Jesus se identifica: tive fome, sede, estava nu, doente, na prisão, era migrante... e tu me reconheceste, me acolheste. Porque tu me reconheceste nos menores de meus irmãos, eu te reconheço e convido: vem para a Casa do Pai, a casa da alegria, da paz, da felicidade eterna. (attilio@livrariareus.com.br)

Fundação Pro Deo de Comunicação CNPJ: 74871807/0001-36

Conselho Deliberativo

Presidente: Agenor Casaril Vice-presidente: Jorge La Rosa Secretário: Marcos Antônio Miola

Março de 2012 - 2a quinzena

Voluntários Diretoria Executiva

Diretor Executivo: Adriano Eli Vice-Diretor: Martha d’Azevedo Diretores Adjuntos: Carmelita Marroni Abruzzi, Elisabeth Orofino e Ir. Erinida Gheller Secretário: Elói Luiz Claro Tesoureiro: Décio Abruzzi Assistente Eclesiástico: Pe.Attílio Hartmann sj

O tríplice exercício quaresmal

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Igreja procura preparar seus fiéis para a celebração da Páscoa com três exercícios, ao longo dos 40 dias da Quaresma. Representam os 40 anos de travessia do deserto, quando o povo de Deus foi formado pela palavra e pelo pão vindos do céu. A Igreja quer moldar o ser humano em sua totalidade: espírito, corpo e convivência. Para fortalecer o espírito, durante a Quaresma, a Igreja insiste na oração, que envolve os atos de piedade e devoção. Eleva o pensamento, a vontade e os sentimentos para Deus, origem e meta de nossa caminhada terrestre. Aprendemos a amá-lo acima e em todas as coisas. Nele encontramos a razão de nosso ser. A cruz simboliza muito bem esta dimensão: pela haste vertical aponta para o céu. Atesta a transcendência da vida humana sobre as dimensões da Terra. Buscamos na Bíblia e na natureza a inspiração para a oração e para nossos atos de piedade. Nelas lemos os pensamentos e os projetos de Deus. Por elas nos colocamos à escuta de sua palavra, respondendo-lhe com nossa oração. O segundo exercício quaresmal diz respeito ao corpo, talvez hoje mais necessário do que nunca: o jejum. Com a vida sedentária e com a generalização da obesidade, consequência de uma alimentação descontrolada e muitas vezes mórbida, com os vícios do álcool e das

drogas que escravizam o ser humano, o apelo para o jejum se torna veemente para a promoção da saúde e o controle das tendências que levam aos excessos. Percebemos, mais do que nunca, a necessidade de controlar os instintos do prazer. Jejuar significa afirmar a supremacia do espírito sobre o corpo, de modo a proporcionar-lhe saúde pela plena harmonia de todas as dimensões humanas: física, biológica, social e religiosa. Assim como a paz promana da harmonia de todas as forças sociais, a saúde resulta do perfeito funcionamento e sincronia de todas as dimensões da vida humana. O terceiro exercício quaresmal nos situa na sociedade. Nenhum homem é uma ilha. Ninguém vive para si. Viver é, pois, conviver. A esmola simboliza a caridade fraterna e a solidariedade. Não se reduz a valores materiais. Acima de tudo, envolve acolhida: dar tempo às pessoas, carinho, aprofundar relações de amizade. A riqueza de uma pessoa se mede pelas relações sociais que conseguiu estabelecer durante sua vida. O mandamento do amor a Deus se estende ao próximo. Constitui a haste horizontal de nosso símbolo religioso: a cruz. Sem amor ao próximo não há cristianismo, assim como não se pode qualificar de cristão quem não ama a Deus. Por isso, queremos, nesta Quaresma, que tem como marca da Campanha da Fraternidade a saúde pública, destacar este tríplice exercício da vida cristã: a oração, o jejum e a esmola, vistos na perspectiva da relação com Deus, consigo mesmo e com os outros, respectivamente, no espírito de fé, de cuidado com a saúde e de convivência fraterna.

Quaresma: tempo de conversão Padre Luizinho Diretor espiritual e formador do pré-discipulado em Lavrinhas (SP)

A

Quaresma foi inspirada na grande catequese que a Igreja primitiva fazia durante quarenta dias, quando os pagãos (catecúmenos) se preparavam para receber o Batismo no Sábado Santo, dentro da Solenidade da Vigília Pascal. Acompanhavam também os irmãos que tinham cometido pecados graves para retornarem à fé. Esse tempo era marcado pela penitência, oração, jejum e escuta da Palavra de Deus, eles eram os “penitentes”, que recebiam o Batismo ou eram reintegrados à comunidade no Sábado Santo. Esse Tempo rico e profundo da Liturgia, que a Igreja inicia na Quarta-feira de Cinzas e vai até o Pentecostes, é um grande momento de retiro, centro do Mistério de Cristo e da nossa fé e salvação. É um tempo privilegiado de conversão e combate espiritual, de jejum medicinal e caritativo. A Quaresma ainda é, sobretudo, tempo de escuta da Palavra de Deus, de uma catequese mais profunda que recorda aos cristãos os grandes temas batismais, em preparação para a Páscoa.

Conselho Editorial

Presidente: Carlos Adamatti Membros: Paulo Vellinho, Luiz Osvaldo Leite, Renita Allgayer, Beatriz Adamatti e Ângelo Orofino

Diretor-Editor Attílio Hartmann - Reg. 8608 DRT/RS Editora Adjunta Martha d’Azevedo

A Quaresma é um caminho bíblico, pastoral, litúrgico e existencial para cada crente pessoalmente e para a comunidade cristã em geral, que começa com as cinzas e conclui com a noite da luz, a noite do fogo e da luz: a noite santa da Páscoa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Liturgia da Quarta-feira de Cinzas, que abre o Tempo da Quaresma, manda proclamar o Evangelho em que Nosso Senhor fala da esmola, da oração e do jejum, conforme Mateus 6, 1-8. 16-18. Para tanto, a Igreja ensina que os Exercícios Quaresmais de conversão são: Oração: A Oração é a expressão máxima de nossa fé, não posso pensar na oração como algo que partisse somente de mim, mas quando o homem se põe em oração a iniciativa é de Deus que atingiu com a sua graça o coração do homem que responde à Sua graça. Toda a nossa vida deveria ser uma oração, ou seja, uma comunicação com o divino em nós. Jejum: Jejuar é abster-se de um pouco de comida ou bebida. É estabelecer o correto relacionamento do homem com a natureza criada. A atitude de liberdade e de respeito diante do alimento torna-se símbolo de sua liberdade e respeito para com tudo quanto o envolve e o pode escravizar: bens materiais, qualidades, opiniões, ideias, pessoas apegos e assim por diante. Temos mais. Jejuar significa fazer espaço em si. Esmola ou caridade: O que significa a esmola? Dar esmola significa dar de graça, dar sem interesse de receber de volta, dar sem egoísmo, sem pedir recompensa, em atitude de compaixão. Nisto ele imita o próprio Deus no mistério da criação e a Jesus Cristo, no mistério da Redenção. (Twitter: @padreluizinho)

Redação Jorn. Luiz Carlos Vaz - Reg. 2255 DRT/RS Jorn. Adriano Eli - Reg. 3355 DRT/RS

Revisão Ronald Forster e Pedro M. Schneider (voluntários) Administração Elisabete Lopes de Souza e Norma Regina Franco Lopes Impressão Gazeta do Sul

Rua Duque de Caxias, 805 Centro – CEP 90010-282 Porto Alegre/RS Fone: (51) 3093.3029 – E-mail: solidario@portoweb.com.br Conceitos emitidos por nossos colaboradores são de sua inteira responsabilidade, não expressando necessariamente a opinião deste jornal.


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AMÍLIA &

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OCIEDADE

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Por uma verdadeira cultura da tolerância Deonira L. Viganó La Rosa Terapeuta de Casal e Família. Mestre em Psicologia

“N

inguém mais tolera nada. A intolerância é a principal razão dos divórcios, das brigas de casais e famílias, dos desentendimentos entre profissionais, políticos, igrejas e nações”, – afirmam, sem pestanejar, jovens e velhos. Esta crença popular não deixa de ter sua razão, já que a tolerância é a virtude necessária para elevar o ser humano à condição de civilidade. A tolerância é indispensável para o exercício das coisas pequenas do cotidiano e expressa mais que respeito, polidez ou piedade. Ela sinaliza a presença de grande sabedoria. Faakhir Rizvi/sxc.hu

Um exemplo de intolerância

As recentes e repetidas publicações de tiroteios em escolas, de assassinatos passionais e no trânsito, de prisões e condenações à morte ou a multas estratosféricas pelo único motivo de pessoas haverem escolhido seu credo religioso, ou expressado sua opinião desagradando o governo de seu país, são o sinal de quanto ainda estamos longe do respeito à liberdade de cada pessoa - naturalmente, quando exercida dentro do que é universalmente considerado ético. Você se deu conta de quanto o dogmatismo, a rigidez, a imaturidade emocional e a intolerância estão por trás destes fatos?

Características de uma pessoa intolerante A pessoa intolerante tem a tendência a perceber as questões humanas como sendo simples e, por isso, costuma recorrer a soluções do tipo branco ou preto, bom ou mau, certo ou errado, ganhar ou perder. Com isso, deixa escapar um rico leque de nuances, de sons e tons que se encontram entre os extremos. É como se ela perdesse o espetáculo do movimento da vida O intolerante se nega a deixar abertas algumas questões complicadas, difíceis de entender, ou sobre as quais nem os cientistas têm suficientes informações, e exige-lhes o fechamento imediato ou sua “correta” conclusão. Aquele que é intolerante mantém uma agressividade com relação a indivíduos e grupos específicos, à sua maneira de ser, a seu estilo de vida e às suas crenças e convicções. Pesquisadores encontraram que pessoas intolerantes também são dogmáticas, rígidas, de mente fechada, preconceituosas, ansiosas, punitivas, não criativas e agressivas.

E ser tolerante, em que consiste?

Ser tolerante é estar disposto a admitir nos outros uma maneira de ser e de proceder diferente da nossa, é ter uma atitude de aceitação do legítimo pluralismo. Estimular, neste sentido, a tolerância pode contribuir para resolver muitos conflitos e para erradicar muitas violências, na família, na Igreja e na sociedade. E como os conflitos e as violências proliferam hoje, devemos pensar que a tolerância é um valor que – necessária e urgentemente – se deve promover. Uma pessoa que pratica a tolerância está se imunizando contra o fanatismo (na dimensão pessoal), contra o fundamentalismo (na dimensão religiosa) e contra o totalitarismo (na dimensão de Estado ou de Governo).

A tolerância deve ter limites ou não?

A tolerância tem a sua justa medida. Ninguém pensa de verdade que impor a lei justa e a legítima autoridade teria de considerar-se como uma manifestação de intolerância. "A tolerância pára no limiar do crime”. Nesse sentido, não se pode ser tolerante para com a tortura, o estupro, a pedofilia, a escravidão, o narcotráfico, o terrorismo, a guerra. Parece claro que, se nos deixássemos levar por esses erros, acabaríamos sob a lei do mais forte. Seria impossível estabelecer um sistema de Direito. Seria como a lei da selva. Não haveria forma de viver pacificamente em sociedade. Entretanto, muitas vezes é difícil estabelecer o que é “não tolerável”. Uma pessoa sábia duvida de que seja ela a primeira a saber onde está a

verdade, o limite, o bem. Ela está ciente de que a busca da verdade é um processo perene, por isso, respeita as opiniões e práticas dos outros, ainda que sejam diferentes das suas, ainda que não as aprove expressamente. E sabe que o bem e o mal não se apresentam assim tão claros nos dias de hoje. Para nós, cristãos, a verdade é uma PESSOA – é Jesus –, portanto, ninguém fora dele a possui plenamente – nem a Igreja. Aqueles que pretendem ser “donos da verdade", que não admitem dúvidas, terminam sendo intolerantes em aceitar outros posicionamentos e vão se fechando a tudo o que se apresente diferente ou incompreensível ao seu esquema conceitual. A verdade é Deus, Deus é amor, portanto, a verdade é o amor, é a caridade. E é processual, pois Deus é infinito e sempre tem o novo para nos mostrar. (deonira@terra.com.br)


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4 Por um prato

Quaresma, tempo de penitência

de lentilhas Carmelita Marroni Abruzzi Professora universitária e jornalista

A

Bíblia nos narra passagem da vida dos gêmeos Jacó e Isaú, em que este, chegando fatigado do campo, encontra Jacó preparando uma sopa vermelha e lhe pede um prato, mas Jacó responde-lhe: "Vende-me primeiro o teu direito de primogenitura". E Isaú: -"Eu morro de fome, que me importa meu direito de primogenitura?" –“Jurame”, tornou Jacó. E Isaú jurou, vendendo seu direito por um prato de lentilhas. Na época, o primogênito herdava todos os bens do pai, com direitos e vantagens. Transportando este fato para nossos dias, constatamos que ele é mais comum do que pensamos e pode ocorrer com muita frequência: quantas vezes as pessoas, obcecadas por uma “fome” do momento, desistem de um futuro melhor, de uma vida mais rica, apenas para viver momentos intensos e, por vezes, fugazes. Essas pessoas se precipitam e queimam etapas, na ânsia de conquistar logo o que desejam. Isto se pode constatar em situações diversas, como: - a do jovem que desiste de seus estudos superiores, para trabalhar e ganhar logo dinheiro, a fim de comprar um carro ou uma moto; - a daquelas meninas que desejam ser moças antes do tempo; usam maquilagens sofisticadas que, além de lhes dar aspecto de bonecas, sacrificam sua pele, ou usam roupas de adulto; não brincam mais, adotam posturas artificiais, sacrificam um belo período de suas vidas; - a dos jovens que começam muito cedo a manter relações sexuais, trocam facilmente de parceiros e comprometem, por vezes, uma relação mais duradoura, que permitiria à pessoa realizar-se plenamente nessa dimensão tão importante na vida; - a dos adultos que, para comprar as últimas invenções tecnológicas ou trocar de carro sem necessidade, sacrificam sua qualidade de vida e a da família, no presente e no futuro, cortando, por exemplo, gastos com uma alimentação balanceada e sadia ou investimentos na área cultural... - Será que vale a pena desistir de “nosso direito de primogenitura”, isto é, da possibilidade de construir uma vida melhor, apenas para “saciar uma fome do momento”? “Uma fome” que certamente passará logo e nos deixará com uma sensação de vazio? - Será que compensa desistir de nossos objetivos e ideais, por objetivos menores e imediatos? A construção de uma vida exige um plano, com etapas que se sucedem naturalmente e que não podem ser ignoradas; do contrário, talvez, lamentando por ter perdido tempo, a gente tenta retomar o rumo inicial; então, será um caminho mais longo e difícil, que exigirá um esforço bem maior. (litamar@ig.com.br)

PINIÃO

Março de 2012 - 2a quinzena

Antônio Mesquita Galvão Filósofo, escritor e doutor em Teologia Moral

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a liturgia cristã, a palavra Quaresma se refere ao período de quarenta dias que vai desde a Quarta-feira de Cinzas até o Domingo de Páscoa. É um tempo destinado pelos cristãos e ortodoxos à reflexão e à penitência. Oriundo da lascívia dos costumes pagãos, o carnevale, a festa da liberação da carne, consistia num conjunto de festas onde a censura e a ética iam para o beleléu, e cada um fazia o que tivesse vontade. Assim como ocorre ainda hoje. Por conta de tanta orgia, foi instituída pela Igreja, ainda no período medieval, uma época de penitência pelos excessos praticados no carnaval. Excessos nossos e dos outros. Como a fase seguinte seria a da Páscoa, a ninguém era lícito nela entrar sem uma purificação. As “cinzas” que os católicos recebem nesta quarta-feira, representam o fim do incêndio das paixões, que se rende ao desejo de conversão e temor a Deus. Tem origem nas cinzas que os antigos povos da Bíblia colocavam sobre a cabeça em sinal de penitência e arrependimento. Pois a Quaresma, como tempo de contrição e de temor, nos dá muito que pensar. Nós costumamos nos queixar da desordem do mundo, de tanta coisa

errada, violência, injustiça, opressão. E nós, o que fizemos para evitar isso? Lutamos, denunciamos, ou apenas cruzamos os braços, limitando-nos às queixas? Deus é pai, criador e construtor. Se quisermos modificar o mundo para melhor, é só imitá-lo. As flores, por exemplo, ajudam as abelhas a fazer mel e a tornar as pessoas mais alegres. Será que nós não podemos ser flores na vida dos outros? Quem tem rejeitado a Jesus nesses dois mil anos de cristianismo? Os agarrados ao poder da autoridade, do prazer, da riqueza ou da posição social. Por causa desse comportamento, as pessoas sofrem, as famílias se desestruturam e o convívio se torna cada vez mais difícil. Todos têm “ideias próprias”; ninguém quer ceder um milímetro. As imagens da tevê mostraram que o carnaval, em todos os quadrantes do Brasil, atingiu níveis incontroláveis de uma imoral liberalidade. A pouca roupa de algumas sambistas, a violência, os acidentes de trânsito, as intoxicações por conta das bebidas, as mortes e agressões, tudo retrata como que um desespero existencial de muitas pessoas, onde o álcool, a droga e a exacerbação dos sentidos para querer levar a limites nunca atingidos, como se a vida se resumisse àqueles momentos, em que o império da carne, o carnevale, fosse o tudo e o sempre. Por isso, cabe a penitência...

Jubileu de ouro de canonização de São Vicente Pallotti repetidor na Universidade Sapienza. Nessa função, manteve-se por dez anos, quando saiu para dedicar-se a outras formas de apostolado. s Palotinos estão em festa pelo 50o Em 9 de janeiro de 1835, recebeu a inspiraano de Canonização de São Vicenção de uma fundação: a União do Apostolado te Pallotti, e no dia 20 de janeiro de 2013 celebrarão o Jubileu de Ouro de Católico (UAC). Nela, reúnem-se padres, canonização do fundador da congregação. religiosos e leigos na tarefa de “reavivar a fé Vicente Pallotti nasceu em Roma no dia 21 e reacender a caridade em todo mundo” para de abril de 1795 e morreu na mesma cidade que haja “um só rebanho, um só pastor” (Jo em 22 de janeiro de 1850. Em seu funeral, a 10,16). população exclamava: “morreu um santo”. Pe. Pallotti envolveu-se em inúmeras obras apostólicas: atendimento espiritual dos carO casal Pedro Paulo Pallotti e Maria Mada- reteiros, catequese às crianças e aos jovens, lena Rossi teve dez filhos, entre eles Vicente. escolas noturnas, pregações de retiros, direção Aos doze anos de idade, Vicente procurou um espiritual, confissões. diretor espiritual, o Pe. Bernardino Fazzini, Em sua espiritualidade, é visível a expepara obter orientações espirituais. Tornaram- riência com o amor e a misericórdia infinita se grandes amigos. Aos quinze anos, Pallotti de Deus e profunda devoção mariana, com ingressou no seminário, pois queria ser mis- destaque aos títulos Mãe do Divino Amor e sionário. Mas foi aconselhado pelo seu ami- Rainha dos Apóstolos. go a ser padre na cidade de Roma devido à O Pe. Pallotti morreu aos 54 anos, temdebilidade de sua saúde. Aceitou o conselho, po suficiente para dar andamento à UAC, porém, não conseguiu estudar num seminário em que “trabalham juntos” padres, irmãos, devido às perseguições da Revolução Francesa irmãs e leigos, espalhados pelos cinco conem Roma, pois tropas do exército napoleônico tinentes. controlavam a cidade. Vicente Pallotti foi beatificado pela Igreja Pallotti transformou sua casa em seminá- em 22 de janeiro de 1950, e no dia 20 de jario pessoal instruído pelo Pe. Fazzini. Após a neiro de 1963 foi canonizado pelo Papa João libertação francesa, estudou na universidade, XXIII, em pleno Concílio Ecumênico Vatiobtendo doutorado em Filosofia e Teologia. cano II. Portanto, em 20 de janeiro de 2013 O jovem Vicente Pallotti foi ordenado acontecerá a celebração do Jubileu de Ouro presbítero no dia 16 de maio de 1818. Seu de canonização de São Vicente Pallotti. (Para primeiro trabalho apostólico foi o de professor saber mais: www.pallotti.com.br/rainha) Pe. Judinei José Vanzeto, SAC

Pároco da Paróquia São Vicente Pallotti - Porto Alegre

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DUCAÇÃO &

SICOLOGIA

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Acender o fósforo Jorge La Rosa Professor universitário, doutor em Psicologia

É fato inegável que existem muitos problemas no mundo de hoje, sempre existiram, e existirão, em maior ou menor proporção. Podemos elencar alguns. A droga tem sido devastadora, tanto no nível pessoal quanto familiar. Indivíduos se autodestroem, tanto física quanto emocionalmente, projetos de vida se anulam e futuros auspiciosos se metamorfoseiam em tragédias colossais. As famílias experimentam o inferno real além da imaginação dantesca. Todos sofrem. Só a reabilitação pode suscitar esperança. Reabilitação que precisa ser acompanhada, para evitar recaída.

Há também o sofrimento daqueles que vivem em condições subumanas, sem moradias dignas, sem alimentação adequada, sem educação básica, sem saneamento. Em vila de Porto Alegre encontramos 4 famílias que viviam cada uma em choça de 16m2, com 7 ou 8 pessoas, e pasmem!, não tinham não somente chuveiro mas sequer WC. Há miséria econômica, degradação humana, gente vivendo sem perspectiva de vida e futuro. Poderíamos, ainda, acrescentar o drama das meninas-adolescentes que engravidam; mal deixaram de brincar com bonecas e têm agora filho nos braços para cuidar e amamentar. Abandonam a escola, não se qualificam profissionalmente, precocemente assumem responsabilidades maternais e comprometem seu futuro. Os pais dessas meninas comumente têm de arcar com os encargos financeiros decorrentes. Evidentemente esboçamos apenas alguns problemas, não falamos das guerras, dos crimes, da pedofilia, dos crimes de colarinho branco, das falcatruas dos poderosos, da corrupção dos políticos e das pessoas investidas de autoridade, da exploração de trabalhadores, de mulheres, etc.

A importância do denunciar

É preciso um trabalho permanente de denúncia de qualquer forma de injustiça, exploração, degradação do ser humano e, também, de conscientização do sofrimento de milhares de pessoas pelos mais diversos motivos. É isso que os profetas, na Bíblia, faziam. São maneiras de tornar públicas as mazelas que assolam pessoas e grupos, condição preliminar para eliminá-las, e convite para o mutirão da solidariedade. Todos têm contribuição a dar. A denúncia, contudo, não pode ser reduzida a lamento, já que este está prenhe de conformismo e desesperança, precisa ser algo mais: conter no seu bojo dinamismo que impeça a paralisia e impulsione à ação.

Acender o fósforo

Aqui a questão crucial que separa aqueles que ficam no plano das intenções e sentimentos (coitados dos sem-teto, dos drogados, das meninas grávidas...) e os que se lançam à ação, executam trabalho em prol de uma causa, mesmo sem a perspectiva de que o problema seja resolvido totalmente – alguns problemas, parece, acompanharão o ser humano ao longo de sua trajetória, mas nem por isso devem ser esquecidos ou negados. Por que será que Jesus disse (Mateus, 25, 31-46)

O Solidário é como um fósforo aceso a iluminar o seu redor

que seremos julgados pelas nossas ações e não pelas nossas intenções ou sentimentos? O indivíduo faz o que pode, empreende a ação libertadora que ajuda a minorar o sofrimento do próximo, ou a criar-lhe um futuro possível. Se procedermos assim, o mundo será melhor. Não podemos iluminar um estádio, mas podemos acender um fósforo e iluminar ao redor. É nesta perspectiva que podemos entender o

trabalho de formiguinha do Solidário – O Jornal da Família. Não é um poderoso jornal, com fartos recursos humanos, tecnológicos e materiais, mas acende seu fósforo, dá testemunho do Senhor e anuncia uma Boa Nova. Apoiemos a causa. Com ações. E tantas outras que nos desafiam no dia a dia.

(A propósito, o dito que inspirou este artigo foi “É melhor acender um fósforo do que lamentar a escuridão”.)


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EMA EM FOCO

s versículos 14 a 26 da segunda carta de S. Tiago consolidam o que já está em Mateus nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?”. Ao que lhes responderá: “Em verdad fazer a mim. E irão eles para o castig São duras, muito duras, essas afirmações! Mas, Jesus não deixa por menos: esses são os pri passagens resumem a mensagem central de Jesus Cristo que não veio à terra para fundar u há salvação. O período da Quaresma é oportuno par

Fé sem obr Cristão pela metade?

Então basta rezar, pregar, fazer todas as desobrigas? Não! Ficar nisso não passaria de intimismo religioso, mais uma das diversas patologias religiosas, como muito bem define Dom Orlando Brandes, arcebispo de Londrina/PR. Para ele, o intimismo religioso é exatamente a fé sem obras, religião sem amor fraterno, oração sem ação. “É o culto só com os lábios, a separação entre fé e vida, fé e justiça, fé sem profecia, sem promoção humana”. ‘Jejuar, orar muito, mas sem ação é pura enganação’, diria o jovem. O intimista religioso não passa de cristão ‘meia-boca’. Fé e oração sem ação é hipocrisia religiosa chegou a afirmar um padre. O verdadeiro amor que Cristo propõe leva, infalivelmente, aos outros. “Eu vos dou um novo mandamento: que vos ameis um aos outros assim como Eu vos amei“(Jo 13, 34). Ou se incorpora isso no cotidiano e se pratica ou não é possível alguém declarar-se cristão de verdade porque ainda não atingiu a essência do cristianismo. Mas isso exige desacomodar-se, sair da vidinha tranquila e acomodada do dia a dia, descruzar os braços, agir.

Círculo virtuoso

Sempre e em todo o lugar, Jesus é o modelo de vida cristã. Era um homem de seu tempo, que pregava, agia e orava. Isto é, ”um homem que se abria para o outro em espiral de círculo virtuoso”, como define Pe. Attílio Hartmann. E se retroalimentava pela oração! Jesus fazia isso: depois de suas falas, agia. E, no fim, se retirava para rezar. Mas jamais quis a publicidade e a proibia terminantemente. “Diga sempre a palavra que aponta uma estrela, jamais aquela que aumenta a escuridão. Há círculos viciosos que só aumentam a escuridão; mas há, também, um círculo virtuoso, que sempre aponta uma estrela, o lado iluminado da vida e da gente. Mais que ninguém na historia humana, Jesus sempre viveu e propagou este círculo virtuoso, do bem, do perdão, da alegria, da paz, do amor. Ser cristão é viver esta dinâmica do círculo virtuoso na vida diária: oração, pregação, ação. Para ser uma fé autêntica em Jesus, como seus discípulos missionários, faz-se necessário que nossas palavras e ações sejam sempre fecundadas pela oração”, resume o jesuíta.

Paradigmas brasileiros

Sensibilidade, coragem, solidariedade, bondade, respeito, serenidade, alegria, humildade, fé, felicidade, tato, confiança, esperança, agradecimento, sabedoria, sonhos, arrependimento, amor para com os demais e consigo próprio. A adjetivação define um pouco dos milhares e milhares – com certeza milhões – de verdadeiros, coerentes, anônimos e silenciosos cristãos da história da Igreja no mundo e no Brasil. Citando apenas dois quer-se incluir a todos: Dom Helder Câmara e Dom Luciano Mendes, esse em processo inicial de beatificação por indicação unânime do bispado brasileiro. Eram gente de verdade. Sabiam ganhar pois sabiam perder, sabiam andar pois sabiam cair, sabiam acertar pois sabiam errar. E sabiam que todo amor verdadeiro tem seu preço. E o souberam pagar com resignação e oração quando não foram compreendidos em suas posturas de anúncio e denúncia. “Quando dava pão aos pobres me chamavam de santo. Quanto apontei as causas me chamaram de comunista”, disse Dom Hélder certa ocasião.

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A S ÇÃO

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s 25, versículo 44 a 46: “...Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou forasteiro, ou de vos digo que, sempre que o deixaste de fazer a um destes mais pequeninos, deixastes de o go eterno, mas os justos para a vida eterna”. imeiros critérios de formação de juízo divino no dia do julgamento. Associadas, essas duas uma nova igreja, mas para reafirmar que, sem amor ao que está próximo, sem caridade, não ra refletir e renovar convicções e posturas religiosas.

ras é morta

a a dia

Fé com obra - I É a instituição que fica na rua Treze, nº 64, Vila Mato Sampaio, Bairro Bom Jesus, zona leste de Porto Alegre. Ali, numa casa de alvenaria, com 214 m2, com três salas de atendimento às crianças, incluindo sala de informática, cozinha, despensa, refeitório, sanitários, secretaria, tudo construído através de mutirão de doações, 72 crianças e adolescentes, entre sete e 15 anos, estão tendo sua oportunidade de ver um lado melhor da vida. A Casa, dirigida desde o início, 2006, por Deonira Viganó La Rosa, é viabilizada pela Associação Educacional Nossa Senhora de Fátima, entidade jurídica fundada pelo Movimento Familiar Cristão de P. Alegre, e atende crianças no turno inverso ao período escolar, oferecendo, além de formação complementar, lanches em cada turno e almoço.

Pobreza extrema

O contexto sócio-econômico em que está inserida é quase surrealista. “A Vila Mato Sampaio abriga famílias não somente pobres, mas de extrema miserabilidade. Para se ter uma ideia, visitamos quatro famílias com numerosos filhos, morando em pequeníssimas casas no mesmo terreno, sem WC e pia. Chuveiro, nem pensar! Ainda hoje plásticos com resíduos fecais são depositados no lixo junto à Casa das Crianças, por falta de banheiros nas casas. A maioria das famílias vive dos parcos recursos recebidos do Bolsa-Família. O contraste está em que a Vila fica a 15 minutos do bairro Bela Vista, o mais rico da Capital”, detalha Jorge La Rosa, incentivador e presidente da Associação.

Ultimato

Solidário - Como e por que o MFC decidiu agir em favor da obra na Vila? Jorge - Foi graças a um ultimato do Pe. Bonifácio Barbosa, assistente do Movimento na época – 1999 – ao nos dizer: “Ou vocês vão trabalhar com os pobres ou eu deixo de ser assistente, pois, segundo o Evangelho, não há outro caminho”. Depois de algumas hesitações, Deonira, minha esposa, e eu nos embrenhamos na Vila Mato Sampaio, também conhecida como Divinéia ou Vila Fátima, e fizemos contato com o Pe. Ruben Santos, que aí trabalha e com a Ir. Amélia, franciscana e catequista que nos indicou casais para formar uma possível equipe do MFC. A equipe foi formada a partir de um encontro, em outubro de 1999, e existe até hoje. Pe. Ruben atendia em lugar precário a crianças muito pobres e lhes proporcionava alimento, almoço e roupas. Ele estava tentando reformar e ampliar instalações de alvenaria onde teria melhores condições de atendimento às crianças, mas lutava com dificuldades financeiras e de mão de obra qualificada. Em 2001, o Movimento Familiar Cristão assumiu a obra, responsabilizando-se pelos custos e pela administração e gerenciamento de todas as ações necessárias para sua consecução. Esta parte executiva e de gerenciamento o Movimento delegou para nós – Deonira e eu. Decorreram quatro anos, quando integrantes do MFC contribuíram generosamente com cerca de R$ 60 mil para que a obra fosse finalmente concluída. S - Que atividades realiza a Instituição? Jorge - O programa se chama Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos e visa a dar às crianças/adolescentes acolhida e afeto, ocasionar experiências de espaço, higiene, organização e beleza, promover os valores humano-cristãos e oportunizar o fortalecimento da autoestima, o sentimento de pertença à família e à comunidade, o despertar de expectativas em relação a uma vida de inclusão social, através do estudo e da interiorização da ideia de que uma profissão exercida com competência, na vida adulta, será condição para adquirirem os bens necessários a uma vida digna, e esta preparação inicia agora. Temos oficina de flauta e canto, de informática, tapeçaria, artesanato, recreação, rodas de conversa, atividades de leitura, fala e escrita e passeios, entre outros. S - Quem e como são pagos os compromissos financeiros? Jorge - Um grupo de pessoas do MFC, ao qual pertencemos, colabora mensalmente com dinheiro. O convênio que conseguimos junto à FASC, depois de dois anos de presença/luta nas reuniões do Orçamento Participativo, nos dá uma parcela do gasto mensal da casa. Temos alguma contribuição esporádica de não-mefecistas. A empresa Petiskeira nos ajuda com alimentos não perecíveis e carne.

Fé com obra - II Além de liderar e mobilizar forças para assumir e levar adiante a obra social na Vila Mato Sampaio, Jorge La Rosa abraçou também a causa de um projeto editorial católico, iniciado em 1995 e em vias de inviabilização em 2001. Trata-se do atual jornal Solidário. “Em dezembro de 2001 o diretor do jornal Versão Semanal, Camilo Simon, me convidou para ser o diretor da Fundação Pro Deo de Comunicação, função que aceitei sem saber muito os encargos e atividades que deveria exercer. Na função permaneci até novembro de 2010. Em junho/2003 o jornal mudou o nome para “Solidário – O Jornal da Família”, já com novo diretor, o jornalista e jesuíta Attílio Hartmann”. Solidário - O que o move a jamais desistir, mesmo quando há poucos (ou nenhum) sinais para o contrário? Jorge - Ao cristão não é permitido perder a esperança, e na construção do reino de Deus não há aposentadoria. Podemos exercer diferentes funções e atividades, de acordo com a formação recebida e o período evolutivo em que nos encontramos. Mas não podemos abandonar a militância nem tirar o time de campo. S – O que é ser cristão hoje? Jorge - Ser cristão hoje e sempre é ser discípulo de Jesus, e para que isso ocorra precisamos conviver com Ele pela oração e contemplação e encontrá-lo de modo privilegiado no próximo. Não há cristão “acabado”, mas em contínua construção, e a salvação conseguimos através dos modos como nos relacionamos com os outros (Mateus 25,31-46). Não conquistamos o céu, se não melhorarmos a terra, diminuirmos o sofrimento alheio, e promovermos mais justiça nas relações. (“A fé sem as obras é morta” - Tiago 2,17).


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ABER VIVER

Quer mais felicidade no trabalho? Manual para ser feliz Decida-se por ela Sarah Alvorada Nichols/sxc.hu

Ricardo Piovan Autor do “O livro do líder completo” e diretor da Portal Fox

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m grupo de psicólogos estudou a re l a ç ã o e n t re atitude e felicidade em crianças. Os pesquisadores levaram duas crianças ao laboratório para serem observadas. Um delas foi descrita como contente, solta, positiva. O outro garoto foi descrito como negativo, mal adaptado e infeliz. Os cientistas começaram o experimento colocando a criança de atitude negativa num quarto repleto de brinquedos conhecidos. O garoto brincou um pouquinho com cada brinquedo e depois de quinze minutos estava entediado e disse: “Esses brinquedos são chatos. Não dá para arrumar uns brinquedos melhores para mim?”. Então, os pesquisadores colocaram o menino positivo numa sala onde havia um balde de esterco. Do outro lado do espelho monofásico, os cientistas observaram a reação daquela criança: “Ei, cara! Deve ter um pônei aqui perto”. Felicidade é uma questão de como você vê a realidade à sua volta. Algumas pessoas

aprenderam a ver o mundo de forma positiva, acreditando em escolhas que geram mudanças. Outras já aprenderam a ver o mundo sem solução e não entram em ação para resolver aquilo que precisa ser resolvido. Algumas sugestões de ver a empresa de forma diferente: * Está infeliz com o seu salário? Ao invés de reclamar pelos cantos da empresa, que tal você ter uma conversa adulta com o seu líder e perguntar o que você precisa fazer, ou mudar, para receber um aumento daqui a seis meses. * Está infeliz com o volume de trabalho sem tempo para sua vida pessoal? Simples, leia três livros sobre administração do tempo e Visa e Mastercard

produtividade e coloque as orientações em prática. Saiba que você terá que fazer coisas diferentes para ter resultados diferentes. * Está infeliz com os resultados das suas vendas? Enquanto você reclama que o mercado não está comprando, tenho certeza que tem vendedores vendendo muito. Observe o que estas pessoas fazem diferente daquilo que você faz no dia a dia, talvez a solução esteja por aí. * Está infeliz com a sua equipe, pois ela não é tão produtiva o quanto você esperava? Estude sobre liderança e influência. Provavelmente, você precisa aprimorar-se nestes quesitos. Talvez você esteja agindo como um chefe e não como um líder. Veja os seus problemas e dificuldades de forma diferente, pois as pressões e adversidades da vida se dissipam à medida que entramos em ação para resolvê-las. A infelicidade acontece quando entramos num processo de letargia, isto é, não agindo para resolver o que tem que ser resolvido. Portanto, se quer mais felicidade na sua vida profissional: decida-se e entre em ação. (ricardo.piovan@ portalfox.com.br)

Saúde 1. Beba muita água, menos açúcar e menos sal; 2. Durma 8 horas por dia; 3. Coma o que nasce em árvores e plantas, e menos comida produzida em fábricas; 4. Viva com os 3 E's: Energia, Entusiasmo e Empatia; 5. Ande de bicicleta; 6. Brinque com seus irmãos, filhos e netos; 7. Leia mais livros do que leu em 2011; 8. Sente-se em silêncio pelo menos 10 minutos por dia; 9. Arranje tempo para orar; 10. Faça caminhadas de 30 minutos por dia, e enquanto caminhar, sorria. Personalidade 11. Não compare a sua vida a dos outros. Ninguém faz ideia de como é a caminhada dos outros; 12. Não tenha pensamentos negativos ou coisas de que não tem controle; 13. Não exceda. Mantenha-se nos seus limites; 14. Não se torne demasiadamente sério; 15. Não desperdice a sua energia preciosa em fofocas; 16. Sonhe mais e faça planos; 17. Inveja é uma perda de tempo; 18. Esqueça questões do passado. Não lembre seu parceiro dos seus erros do passado. Isso destruirá a sua felicidade presente; 19. Não odeie; 20. Faça as pazes com o seu passado para não estragar o seu presente; 21. Ninguém comanda a sua felicidade, a não ser você; 22. Tenha consciência de que a vida é uma escola e que está nela para aprender. Problemas são apenas parte do currículum, que aparecem e se desvanecem como uma aula de álgebra, mas as lições que aprende perduram uma vida inteira; 23. Sorria e gargalhe mais; 24. Não necessite ganhar todas as discussões. Aceite também a discordância. Sociedade 25. Entre mais em contato com sua família e amigos; 26. Dê algo de bom aos outros diariamente; 27. Perdoe a todos por tudo; 28. Passe tempo com pessoas acima de 70 anos e abaixo de 6; 29. Tente fazer sorrir pelo menos três pessoas por dia; até os seus colegas de trabalho; 30. Não lhe diz respeito o que os outros pensam de você; 31. O seu trabalho é uma parte da sua vida. A Vida 32. Faça o que é correto; 33. Desfaça-se do que não é útil, bonito ou alegre; 34. Agradeça sempre; 35. Por muito boa ou má que a situação seja.... Ela mudará 36. Olhe-se no espelho e diga: - Eu posso !!!! 37. O melhor ainda está para vir; 38. Assim que acordar, espreguice, estique o corpo e tenha um pensamento positivo; 39. Mantenha seu coração sempre feliz. (Da internet)

Albano L. Werlang CRP - 07/00660

TERAPIA DIRETA DO INCONSCIENTE Cura alcoolismo, liberta antepassados, valoriza a dimensão espiritual Vig. José Inácio, 263 - conj. 113 - Centro - POA 32245441 - 99899393

ASSINANTE Ao receber o DOC, renove a assinatura. É presente para a Família e apoio ao Evangelho.


Humor

Vigorosa manifestação de fé e fidelidade Hugo Hammes

VÁRIAS O credor entra em casa de seu devedor justamente na hora em que ele está almoçando. - Então, vai ou não pagar o que me deve? - Ah, meu caro, estou na miséria... - Na miséria?! E comendo peru?! - Sim, infelizmente... não podia mais sustentá-lo! xxx tro:

Disse um amigo ao ou-

- Suponhamos que você visse, aproximando-se, dois trens,um contra o outro, pela mesma linha, o que faria? - Faria sinal, a um e a outro, para que parassem... - Mas, e se fosse noite? - Correria à guarita e apanharia a lanterna. - Mas suponhamos que não houvesse tempo... - Bem, neste caso...eu gritaria... - Mas com o ruído das máquinas não o ouviriam! - Então chamaria minha mulher. - Sua mulher? Para quê? - Para dizer: "Corre! Vem cá depressa...Vem ver um baita desastre!!! xxx O autor: - O senhor acha que eu devo pôr mais calor nas minhas poesias? O editor: - Não! Acho que o senhor deve pôr as poesias no calor...do fogo!

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SPAÇO LIVRE

Sem Fronteiras Martha Alves D´Azevedo

Comissão Comunicação Sem Fronteiras ard on Le

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Jornalista

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igorosa manifestação de fé e fidelidade aos ideais dos antepassados. Sob este signo se realizaram, em Nova Petrópolis, no dia 26 de fevereiro último, as comemorações do centenário da Sociedade União Popular do Rio Grande do Sul, também conhecida como Volksverein – hoje Associação Theodor Amstad - e do “Sankt Paulusblatt”, a única revista em alemão no Brasil. Já em Linha Imperial, na missa em Ação de Graças de caráter festivo, Dom Zeno Hastenteufel, bispo de N. Hamburgo, enalteceu o espírito associativo, a ação pioneira e a fé cristã dos imigrantes alemães e seus descendentes sob a inspiração do jesuíta suíço Pe. Theodor Amstad. Logo após, na praça fronteira, por ocasião do descerramento de uma placa comemorativa, falaram o Pe. Hugo Mentges sj e o pastor Honório Frömming. Em Pinhal Alto, houve o lançamento da pedra fundamental da futura sede da Associação Theodor Amstad e foi mostrado um vídeo sobre a história do Voklsverein com a participação de pessoas vinculadas à Associação. Seguiu-se evocação de vultos do passado e homenagem a personalidades que se dedicaram com idealismo ao desenvolvimento da entidade. Também se colocou à disposição a edição comemorativa do “Sankt Paulusplatt”, contendo a primeira edição da revista, de 26 de fevereiro de 1912, em letras do alfabeto gótico. Finalizando, houve uma representação teatral, com atores locais, mostrando a vida dos colonos, revelando as diversas etapas da vida dos mesmos, nestes cem anos. Mereceu destaque especial e muitos aplausos a presença de Artur Finkler, de Venâncio Aire, que, com seus 98 anos, em plena lucidez, é o mais antigo associado do Volksverein. Sob a liderança de João Luiz Mallmann, presidente da Associação Theodor Amstad, com a colaboração de integrantes da diretoria e de amigos, os festejos alcançaram plenamente os resultados desejados, reverenciado o Volksverein, que realizou um importante trabalho de promoção humana dos pequenos e médios proprietários rurais do Sul do Brasil.

Pegou geral

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língua portuguesa no Brasil é bastante criativa e a cada dia surgem novas palavras que rapidamente são incorporadas à língua falada, passando a fazer parte do dia a dia da população. Uma das mais recentes é “pegador”, que passou a ser usada para definir um tipo de “galã”, como era chamado no século passado um homem que atraísse as mulheres. O que significa hoje um “pegador”? Um conhecido ator da Globo, ao ser entrevistado pela televisão, declarou: “Dizem que eu sou um pegador, mas, na verdade, não sou. Preciso aceitar esta denominação porque é importante para a minha carreira artística”. A palavra passou a ser mais usada depois que um cantor sertanejo lançou a música: “Ai, se eu te pego”, que caiu no gosto popular e, passou a ser cantada com a mímica que a identifica, por ídolos do futebol nacional, como Neymar, e internacional, como Cristiano Ronaldo, do Real Madri, que comemorou um gol fazendo a coreografia que caracteriza a música. Até o tenista Rafael Nadal, na festa de premiação da Copa Davis, vencida por ele na Espanha, ensaiou os gestos que identificam a música. Michel Teló, o cantor que se tornou famoso da noite para o dia, explica o significado da música: “Começa com um sujeito numa festa. Ao encontrar uma garota bonita, “a mais linda”, ele chega e faz o seu melhor: diz que está morrendo porque ela é uma delícia e, ameaça:”Ai, se eu te pego”... A abordagem de gosto e intenção duvidosos, criou asas e atingiu o mundo inteiro, “pegou geral”, e as pessoas a usam sem se dar conta do que na realidade significa.

EduardoV. Pinto - 24/03 João M.C. Pompeu - 28/03 Pe. Pedro Alberto Kunrath - 28/03 Edmundo C. Marques - 29/03 Vanir Perin - 30/03 Celebração religiosa comemorou centenário da Sociedade União Popular

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vrariareus.com.br


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GREJA &

COMUNIDADE

Solidário Litúrgico 18 de março - 4o Domingo da Quaresma Cor: roxa

1a leitura: 2o Livro das Crônicas (2Cr) 36,14-16.19-23 Salmo: 136(137), 1-2.3.4-5.6 (R/.6 ) 2a leitura: Carta de S. Paulo aos Efésios (Ef) 2,4-10 Evangelho: João (Jo) 3,14-21 Para uma melhor compreensão dos comentários litúrgicos leia, antes, os respectivos textos bíblicos. Comentário: Deus enviou seu Filho ao mundo não para condenar o mundo mas para que o mundo seja salvo por Ele (3,17). Em João, o termo “mundo” tem diferentes sentidos em diferentes contextos; por isso, não pode ser interpretado fora do contexto para não levar a conclusões equivocadas, contraditórias, falsas ou mesmo heréticas. Nesta parte do evangelho de João, o mundo a ser salvo por Jesus se refere a toda a criação, à humanidade, em primeiro lugar, ao seu habitat, o planeta Terra, e às condições de vida de homens e mulheres em cada momento histórico. Jesus veio salvar pessoas e situações concretas, reais, vivas... um mundo passível e possível de ser salvo. Ao fazer-se um de nós na história, Jesus viveu a grande aposta de sua vida: a criação do Pai precisa do meu anúncio,

da minha presença, da minha vida e da minha morte para ser salva. E da minha ressurreição, para crer que eu vim do Pai e sempre faço a sua vontade. Crer em Jesus, como o Filho de Deus, traz consequências para a vida do cristão. Para ser coerente com sua fé, o cristão precisa fazer escolhas concretas e viver essas escolhas. E qual é o referencial para estas escolhas? A própria vida de Jesus, não há outro referencial. Daí surgem perguntas: como Jesus agiria diante das flagrantes e escandalosas injustiças que assolam a humanidade, hoje? O que diria diante da acumulação de bens materiais nas mãos de alguns privilegiados? Participaria ou não de uma Romaria da Terra para protestar contra a destruição do meio-ambiente, a construção de usinas que beneficiam o agro-negócio, a falta de saúde e condições dignas de vida de milhões? Crer em Jesus é tomar posição ao lado da vida e dos que lutam pela vida num imenso mutirão de mulheres e homens do bem. Somente pode dizer-se “do bem” quem sempre e em tudo quer o bem dos demais. Isso é crer em Jesus que quer que todos tenham vida e vida em sempre maior abundância.

25 de março - 5o Domingo da Quaresma Cor: roxa

1a leitura: Livro do Profeta Jeremias (Jr) 31,31-34 Salmo: 50(51), 3-4.12-13.14-15 (R/. 12 ) 2a leitura: Carta de S. Paulo aos Hebreus (Hb) 5.7-9 Evangelho: João (Jo) 12,20-23 Comentário: Sempre existe a tentação de criar um Jesus à nossa imagem e semelhança e, principalmente, um Jesus que atenda nossos interesses, geralmente mesquinhos e individualistas. Muitos cristãos migram de religião em religião, buscando este Jesus. Mas há um problema: um Jesus que não desafia, que não desinstala, que não leva a compromissos sérios e reais com o mundo que Ele sonhou e quer, existe apenas na imaginação destes cristãos. Nominais e folclóricos, a fé destes cristãos não vê nem quer ver a realidade do mundo e das pessoas. Nem as injustiças, nem as explorações, nem as mentiras, nem a corrupção, nem a violência (da qual se protegem como podem), nem as filas do SUS e a falta de saúde de milhões. Tudo isso, para eles, nada tem a ver com religião, com fé, com Deus. Só que, se falamos

do Deus, Pai de Jesus, se falamos da fé em Jesus e do seu Projeto de um mundo justo e solidário, que exige dos que nele crêem que lutem para que seu Projeto se realize, tem tudo a ver. Jesus não pode ser letra morta de uma Bíblia, tristemente abandonada em algum canto da casa... Ser cristão é ser como o grão de trigo que produz fruto na medida e proporção que aceita morrer muitas vezes para si mesmo para que outros tenham mais vida ou, simplesmente, possam viver. Grão de trigo como foi Jesus. A teologia de Jesus não é da prosperidade material, de um prazeroso bem-estar individual, de um sentimento onde “eu me sinto bem, mesmo que todos à minha volta se sintam mal”. A opção concreta pelo Jesus da Bíblia, o único verdadeiro, é sempre uma opção difícil, exigente, desinstaladora, que se une a outros e outras que, igualmente, crêem no Jesus, Filho do Pai, que quer um mundo de mulheres e homens irmãos, que produzem frutos de justiça, de perdão, de amor solidário, de vida e saúde para todos. (attilio@livrariareus.com.br)

Março de 2012 - 2a quinzena

Catequese Desejos dos franceses em relação à Catequese Pesquisa feita com pais Quanto aos caminhos da catequese, desejam:

* Uma catequese que se apóie essencialmente sobre a história de Jesus, seus atos e seu diálogo com seus contemporâneos. * Uma catequese que utilize a Bíblia e os Salmos. * Uma catequese que penetre em nossa humanidade e nossa história, para curar nossas feridas e nossas indiferenças e assegurar a vitória pascal de Cristo sobre o pecado e sobre a morte. * Uma catequese que se apóie sobre a beleza da criação, com a condição de não esquecer que Deus está no presente e no futuro. * Uma catequese que busque a orientação de teólogos atualizados, quaisquer que sejam os caminhos ou pedagogia adotados. * Uma catequese com todo interesse em recolocar o sentido profundo dos símbolos, sobretudo do pão compartilhado, da água e do óleo do Batismo. * Uma catequese que encontre proveito, não somente frequentando o áudio-visual e a internet, mas, melhor ainda, oferecendo a linguagem artística.

Dar um lugar aos pais

* A importância do entorno familiar, pais mais próximos, é muitas vezes sublinhada pelos que respondem à pesquisa. É preciso comprometê-los com a catequese, solicitando suas competências, as quais eles não têm coragem de oferecer por sua iniciativa. * Sugestões para envolver os pais: Encontro entre eles, boletins de ligação, partilha do Evangelho, missa das famílias, celebrações para os catequizandos durante a Eucaristia dominical, estandes de acolhida para apresentar a catequese nos fóruns locais de movimentos e de associações.

Catequistas bem escolhidas(os) e bem formadas(os)

* Na falta de catequistas, “pega-se quem se apresenta”, pessoas sem dúvida cheias de boa vontade, mas que não têm a formação. * Notadamente, nos preocupa a formação espiritual, com propostas de tempo de oração, pois o catequista deve viver o que propõe. Propor a fé é reconhecer a si mesmo como caminhante, mostrar que está feliz com o que vive, catequizar-se a si mesmo.

O desejo de ver os padres presentes

* Um apelo é feito aos padres para que zelem por sua homilia, nas celebrações do domingo, mas também nas celebrações dos batizados, dos casamentos, ou quando das exéquias. Um apelo lhes é dirigido para que supram a falta de contatos que certas equipes de catequistas tanto deploram.


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SPAÇO DA

Pe. Léo Hastenteufel é o novo vigário episcopal do Vicariato de Guaíba O Vicariato de Guaíba tem um novo vigário episcopal. O Pe. Léo Hastenteufel foi nomeado pelo arcebispo de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings, para guiar os trabalhos pastorais naquela região. O presbítero assume o posto em substituição a Dom Remídio José Bohn, que foi nomeado pelo Papa Bento XVI para a Diocese de Cachoeira do Sul. Nascido em Linha Francesa Alta, em Salvador do Sul no ano de 1959, Pe. Léo Hastenteufel é formado em filosofia e teologia pela PUCRS e foi ordenado por Dom Claúdio Colling no dia 11 de janeiro de 1986, em sua cidade natal. Pe. Léo é irmão do bispo de Novo Hamburgo, Dom

Zeno Hastenteufel. Dentre suas atividades, registram-se as passagens pelas Paróquias Nossa Senhora de Fátima (Gravataí) e Imaculado Coração de Maria (Esteio); também como coordenador da Pastoral do Vicariato de Canoas sendo que, desde 2010, desenvolvia trabalho como pároco na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em São Jerônimo. O novo vigário episcopal irá desenvolver atividades no Vicariato criado em 2001 que abrange 19 municípios, com 21 paróquias e 270 comunidades. O Vicariato Episcopal de Guaíba também está presente na Internet com o site www. vicariatodeguaiba.org.br

Pe. Léo

Seminaristas da Arquidiocese participaram de retiro Entre os dias 24 e 26 de fevereiro, os seminaristas da Arquidiocese de Porto Alegre, estudantes da filosofia e teologia, participaram de retiro espiritual orientado por Dom Agenor Girardi, bispo para a região de Canoas. O encontro teve o objetivo de promover um aprofundamento da vocação escolhida, e de prepará-los para o início do ano acadêmico. Acolhidos com carinho na Casa de Retiros da Vila Betânia, em Porto Alegre, o grupo ocupou-se

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RQUIDIOCESE

com uma programação intensa: tempo para estudo, nas questões da fé e, sobretudo, na vivência do Evangelho. Também aconteceram momentos de espiritualidade, baseada na oração da Igreja, a liturgia das horas; celebrações eucarísticas, reflexões, cantos e leituras bíblicas. Dom Agenor partilhou sua experiência pessoal, vocacional e os desafios decorrentes que a escolha que os futuros sacerdotes fizeram.

Coordenação: Pe. César Leandro Padilha

Jornalista responsável: Magnus Régis - (magnusregis@hotmail.com) Solicita-se enviar sugestões de matérias e informações das paróquias. Contatos pelo fone (51)32286199 e pascom@arquidiocesepoa.org.br Acompanhe o noticiário da Pascom pelo twitter.com/arquidiocesepoa Facebook: Arquidiocese de Porto Alegre

Pe. Maurício Jardim assume a Paróquia S.Vicente Pai dos Pobres No domingo, dia 4 de março, o Pe. Maurício Silva Jardim foi empossado como pároco da Paróquia São Vicente Pai dos Pobres, de Gravataí. A Celebração Eucarística foi presidida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre, Dom Jaime Spengler. A Paróquia São Vicente Pai dos Pobres possui oito comunidades ou locais de Celebração. No início da Celebração, foi lido pelo coordenador de Pastoral do Vicariato de Gravataí, Pe. Gelson Ferreira, o Decreto de Nomeação do Pe. Mauricio, sendo o comunicado dirigido à comunidade de São Vicente. Segundo Dom Jaime, “o padre deve ser exemplo de espiritualidade, onde deve estar sempre a serviço dos fiéis e da Igreja, buscando ensiná-los e santificá-los em sua caminhada de fé”, disse. O bispo destacou a importante missão que o Pe. Mauricio cumpriu em Moçambique, na África, junto aos irmãos que necessitam do auxílio da Igreja e também o grande empenho que o padre teve à frente do Setor Juventude da Arquidiocese de Porto Alegre, antes de seu envio ao país africano. Dom Jaime Spengler dirigiu ainda uma mensagem direta ao Pe. Mauricio, dizendo-lhe: “Cuide bem desta comunidade. Ela agora está sob a sua responsabilidade. Que possa auxiliar a cada cristão em sua caminhada, de acordo com a Vontade do Pai”. O mesmo pedido foi dirigido à comunidade. Durante a Celebração, Pe. Mauricio realizou o juramento de fidelidade ao arcebispo e seus auxiliares. Em seguida, recebeu das mãos de Dom Jaime, as chaves da Igreja e do Sacrário. Simbolicamente, recebeu também a Pia Batismal, sinal do Sacramento do Batismo e o Confessionário, sinal do sacramento da Reconciliação. Após a celebração, um almoço confraternizou toda a comunidade.

Dom Jaime Spengler presidiu a celebração da posse do Pe. Maurício

Imagens: Pascom

Catedral completa 240 anos No mês de março, a Catedral Metropolitana de Porto Alegre completará 240 anos de existência. Em artigo publicado no site da Arquidiocese de Porto Alegre, os padres da Catedral, Pe. Gustavo Haas e o Monsenhor João Ermillo Weinzenmann, destacam o papel deste espaço para a Igreja e para Porto Alegre: “Passaram-se 240 anos. Inspiramo-nos nas palavras de Dom Edmundo Kunz, pronunciadas em 1956, para nossa mensagem nesta data tão especial: O portão da cidade se transportou para longe: o velho Porto dos Casais se transformou na grandiosa Porto Alegre. E, mais uma vez, a exemplo de nossos antepassados, os fiéis se unirão para celebrar a criação de nossa paróquia. Ela é realmente a matriz do Rio Grande. Matriz, Igreja Mãe, porque aqui rezaram e encontraram paz todas as gerações que fizeram a nossa história”. Leia a íntegra do artigo no site da Arquidiocese de Porto Alegre: www.arquidiocesepoa.org.br.

Retiro dos seminaristas ocorreu na Vila Betânia

Notas Retiro de Catequistas do Vicariato de Gravataí – As Diretrizes Gerais da Ação Evangelização da Igreja, no Brasil, documento da CNBB, foi o tema do Retiro de Catequistas do Vicariato de Gravataí, que ocorreu no dia 3 de março, no Auditório Dom Feliciano e na Igreja Nossa Senhora dos Anjos, em Gravataí. O encontro contou com a participação de 500 catequistas, seminaristas, diáconos, religiosos(as) e padres do Vicariato. O Retiro foi

organizado pela Coordenação da Catequese do Vicariato de Gravataí e contou com a presença do Pe. Erni Antônio Recktenwald, referencial da Catequese do Vicariato, Pe. Lívio Masuero e Dom Jaime Spengler que, durante o período da manhã, desenvolveram o tema do encontro. Dia Mundial da Oração – Com o tema “Que a Justiça prevaleça”, a Catedral Anglicana de Porto Alegre acolheu no dia 2 de março, o Dia Mundial

da Oração. O arcebispo metropolitano de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings, representou a Igreja Católica no evento que é ecumênico e acontece em todo o mundo e motiva a leitura de passagens bíblicas no contexto da vida que acontece em outros países e culturas. Nova edição do Missal Romano – No final do mês de fevereiro, o arcebispo Dom Dadeus Gring participou de mais uma reunião da Comissão Episcopal para os Textos Litúrgicos

(Cetel), realizada em Brasília. Esta foi a primeira reunião do ano para estudar, analisar e aprovar as emendas para o Missal Romano Tempo Comum. A Comissão tem o objetivo de traduzir para o português os textos originais de Roma, escritos em latim. Os membros Cetel fazem emendas na tradução, e na reunião discutem aquelas que farão parte do documento, que irá para aprovação na 50a Assembleia Geral dos Bispos da Conferência Nacional dos

Bispos do Brasil (CNBB). Jornada Arquidiocesana da Juventude – O Setor de Juventude da Arquidiocese de Porto Alegre mobiliza-se para a Jornada Arquidiocesana da Juventude. O evento acontecerá no Domingo de Ramos, dia 1o de abril começando com a Santa Missa na Catedral Metropolitana, seguido por programação no Colégio La Salle Dores, na Rua Riachuelo n o 800. Mais informações no blog: http://jovenstriconectados.blogspot.com


Porto Alegre, março de 2012 - 2a quinzena

Gesto solidário:

Empresa de informática equipa instituição para carentes

Associação Educacional N. Sra. de Fátima conta com sala de informática

Você quer fazer jejum e abstinência nesta Quaresma? * Abstenha-se de julgar os outros e descubra o Jesus que mora neles. * Abstenha-se de palavras ofensivas e encha-se de frases elogiosas. * Abstenha-se do descontentamento e encha-se de sentimentos de gratidão. * Abstenha-se de sentimentos de raiva e encha-se de mansidão e paciência. * Abstenha-se do pessimismo e encha-se de confiança no Senhor. * Abstenha-se de preocupações demasiadas e encha-se da lembrança da ternura de Deus. * Abstenha-se de queixar-se de tudo e encha-se das belezas da criação. * Abstenha-se de trabalhar sob pressão e encha-se de tempos de oração. * Abstenha-se da amargura e da tristeza e encha de alegria o seu coração. * Abstenha-se do sentimento de rancor e encha-se de atitudes de reconciliação. * Abstenha-se das muitas palavras vazias, para encher-se de silêncio e escuta. Pois este é o jejum e a abstinência que Jesus espera de cada um! Que tenhamos a graça de aproveitar bem este tempo da Quaresma, para uma boa preparação à Festa da Páscoa do Senhor. Amém!

Por uma verdadeira cultura da tolerância

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Especializada em softwares de gestão para diferentes segmentos de mercado e portes empresariais, a Cybersul (http:// www.cybersul.net) doou e mantém a Sala de Informática da Associação Educacional Nossa Senhora de Fátima, no Bairro Bom Jesus, em P. Alegre. A empresa é dirigida por Domingos Waller e seu filho Michael. Solidário - O que levou a empresa a fazer esse belo gesto solidário? Michael - O projeto Talento Digital nasceu de uma pesquisa realizada durante o MBA cursado por um diretor da Cybersul, que, identificando profundas necessidades de formação profissional de pessoas de baixa renda em contraponto ao grande número de vagas ociosas na área de tecnologia, decidiu colocar no papel um plano de ação. O plano buscava a criação de uma organização sem fins lucrativos dedicada a ensinar informática para crianças e adolescentes menos favorecidos economicamente. Conseguimos viabilizar um projeto- piloto e o mesmo está em funcionamento desde 2010, com 10 estações/computadores e um servidor, dentro da Vila Mato Sampaio. S - Qual a importância de familiarização com a informática de jovens e crianças pobres para potencializar seu futuro? Michael - O mercado de trabalho tem se tornado mais restritivo a profissionais sem conhecimento de informática e à medida que esse cenário se intensifica, torna-se mais difícil para as populações de baixa renda buscarem vagas de emprego em áreas com

número maior de oportunidades de ascensão social e profissional. S - Com que iniciativa privada e ONGs poderiam contribuir para oferecer oportunidades a quem não tem acesso a elas? Michael - Acreditamos que as duas grandes áreas de atuação estão acerca de: oferta de capacitação profissional X geração de vagas de trabalho. Atualmente, o mercado de trabalho oferece vagas de trabalho em áreas promissoras, mas geralmente as oferece a profissionais com experiência ou estudantes em graduação. Por esse motivo, uma grande parcela de jovens de baixa renda acaba ficando fora dos processos de seleção. Por esse motivo, acreditamos que a iniciativa privada tem uma grande parcela de responsabilidade na mudança desse cenário e, consequentemente, na diminuição do abismo social existente hoje no Brasil, já que as empresas têm totais condições de oferecer formação técnica e ainda aproveitar essa mão de obra dentro das próprias corporações”. “Nossa família sempre foi baseada em princípios religiosos e isso influenciou para a iniciativa. Para nós, as religiões são fundamentas para o bem estar dos mais necessitados”, complementa Domingos.

PUCRS perde Irmão Adelino Martins Nascido em 3 de agosto de 1923 na Freguesia de Aguiar, cidade de Barcelos, norte de Portugal, Adelino da Costa Martins (foto ao lado) atuou 48 anos na Universidade e faleceu dia 1o de março. Ingressou na PUCRS em 1963 com a incumbência de organizar o laboratório de audiovisuais. Responsável pela criação da disciplina de Cinema, foi um dos seus professores. Atuou também como professor na Faculdade de Jornalismo.

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Ed_606_Jornal Solidario_2a_quinz_mar_2012