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Sábado, 1º de março de 2014

Ensino Estadual

Dois anos de muitas promessas Escola Estadual General Bento Gonçalves e Vicente Pedro da Rosa enfrentam dificuldades estruturais e a burocracia FOTOS JOSIANE RIBEIRO

Josiane Ribeiro geral4@jornalsemanario.com.br

A

s paredes molhadas, inúmeras goteiras e o piso escorregadio e danificado em escadas e corredores são alguns dos sinais da precária situação da rede estrutural da Escola Estadual de Ensino Fundamental General Bento Gonçalves da Silva. O reflexo desses problemas ficou evidente na manhã de quinta-feira, 27, quando um curto-circuito na chave-geral danificou o sistema elétrico da escola. O curto-circuito, ocorrido no terceiro andar, deixou mais de 700 alunos, dos turnos da manhã, tarde e noite, sem aula. A rede elétrica de toda escola foi desligada como forma de segurança. De acordo com a vice-diretora da instituição, Márcia Iunes, o incidente foi ocasionado pela infiltração – uma questão recorrente que a escola enfrenta. “Passamos por um problema grave de infiltração a pelo menos dois anos. Estamos nos virando como podemos, até que acidentes como esse acontecem. Quase não temos verba e vamos ter que arcar com mais esse gasto”, avalia. O incidente também preocupa pela proximidade da chave-geral com algumas salas de aula. “Felizmente ninguém ficou ferido. Mesmo assim isolamos o espaço e aguardamos a finalização do trabalho do eletricista”, comenta. Conforme Márcia, o pedido para reforma do sistema elétrico, que tem mais de 80 anos, já vem sendo feito há pelo menos dois anos. “A escola passou por uma avaliação da coordenadoria de educação no ano passado, mas não temos nenhuma previsão de que algum projeto seja colocado em prática. Nossa situação é emergencial e precisamos de atenção do governo”, destaca. As aulas na Escola Bento devem retornar na quinta-feira, 6, após feriado de Carnaval. Em nota de esclarecimento, a 16ª Coordenadoria Regional de Educação (16ªCRE) informa que um eletricista já está realizando os reparos na rede. Segundo o técnico, o que aconteceu é um problema comum que ocorre em prédios e casas.

Curto-circuito ocorreu na chave-geral localizada no terceiro andar

Márcia Iunes, vice-diretora da Escola Bento, questiona atraso de obras

Sinais de infiltrações e rachaduras estão espalhados em todo o prédio

Pedro da Rosa espera por caixa d’água

A demolição da caixa d’água, na Escola Estadual de Ensino Fundamental Pedro Vicente da Rosa, aconteceu em 2012. No entanto, a estrutura, que corria risco de desabar, ainda não foi reposta. Em dois anos, a falta de água é recorrente. A solução quase desesperada da direção e corpo docente é buscar água em um poço próximo. Os baldes de água são usados nas descargas dos banheiros e limpeza em geral. Com poucos recursos a escola também investe na compra de bombonas para atender os alunos quando falta água. “O que temos são apenas promessas. Sabemos que o processo é muito burocrático, mas estamos cansados de esperar”, afirma o vice-presidente da Comissão de Pais e Mestres (CPM) Jair Lagunas. Segundo Lagunas, o problema é muito maior do que

Sem reservatório de água, escola enfrenta também problemas elétricos apenas falta de água - os danos podem ocasionar problemas até de saúde. “Sem água as cozinheiras não conseguem preparar a merenda e fazer a limpeza

necessária na cozinha. Como os canos estão velhos, os alunos acabam sofrendo também com o gosto da água, que geralmente é de ferrugem”, conta.

Para contornar a situação, Lagunas pede agilidade na aprovação do projeto de recolocação da caixa d’água. “Pedimos mais uma vez para que a demanda seja atendida, não podemos mais esperar. Meu desejo é de não precisar mais ver nenhum professor carregando baldes de água para atender a escola”, destaca. De acordo com o vice-presidente da CPM a escola enfrenta problemas também com a parte da fiação elétrica que não é reparada há 32 anos. Como a forração da escola é toda de madeira, o medo está em que algum problema maior aconteça em caso de curto-circuito, por exemplo. “Será que teremos que esperar que alguma coisa terrível aconteça para que o governo tome alguma medida? Não precisamos de computadores, mas de estrutura e qualidade”, afirma.

01/03/2014 - Jornal Semanário - Edição 3006  

Bento Gonçalves/RS

01/03/2014 - Jornal Semanário - Edição 3006  

Bento Gonçalves/RS

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