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Sábado, 8 de fevereiro de 2014

Indústria moveleira

Falta de energia preocupa o setor Com o apagão da terça-feira, 4, empresas deixaram de produzir R$ 7 milhões. Prejuízo é calculado em R$ 1 milhão JOSIANE RIBEIRO

Josiane Ribeiro geral4@jornalsemanario.com.br

O

apagão da terça-feira, 4, que deixou a região Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil sem energia elétrica, causou transtornos e afetou cerca de seis milhões de pessoas. O fluxo de energia foi interrompido a partir 14h e reestabelecido por volta das 16h. O corte de energia foi determinado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) devido a problemas de abastecimento na Região Norte. A estimativa da NOS é de que pelo menos 11 estados tiveram o fornecimento de eletricidade comprometido. A medida cautelosa foi tomada para evitar que outras regiões também fossem afetadas. De acordo com Ivo Cansan, presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Estado (Movergs), a medida do governo causou inúmeros transtornos às indústrias de Bento Gonçalves e região. A estimativa é de que R$ 7 milhões foram deixados de produzir na terça. O prejuízo,

A maioria das empresas dispensou seus funcionários na terça-feira

calculado por Cansan, gira em torno de R$ 1 milhão. “O que aconteceu foi lastimável. Fica mais evidente de que o Brasil não consegue se preparar para fornecer um serviço de forma eficiente”, explica. Segundo Cansan, as indústrias precisaram liberar seus funcionários devido à falta de luz. Sem produção, automaticamente as empresas não geram lucro. “O processo produtivo vou rompido inviabilizando o trabalho. A produção parada não é lucro pra ninguém. O governo investe em setores demais e em outros menos e quem acaba pagando essa conta é o setor produtivo”, destaca. Para calcular os prejuízos, Cansan avaliou a média de lucro do setor moveleiro durante o ano, levando em conta os dias trabalhados, inflação e impostos. Apesar do segmento não estar em ritmo acelerado, o déficit deverá ser recuperado ao longo do ano. “Não temos como avaliar de que forma esse dia perdido irá influenciar futuramente, mas temos certeza de que isso aumenta

ainda mais a insegurança do setor”, afirma. De acordo com o presidente, o ponto que mais causou revolta foi o fato de que, após o corte de luz, não foi ninguém sabia esclarecer o motivo do apagão e nem estimar o horário do retorno. “Ninguém sabia que essa medida extrema iria acontecer, não fomos informados em nenhum momento. Quando existe previsão de falta de água e as pessoas são informadas, por exemplo, elas conseguem armazenar quantidades de água, conseguem se precaver. Nesse caso todos foram pegos de surpresa. É um descaso”, avalia. Conforme Cansan, problemas como esse fazem com que o setor moveleiro se torne menos competitivo, perdendo espaço no mercado interno quanto externo. “Na verdade vemos que o governo está no seu limite. A indústria já está ciente de possíveis transtornos que essas falhas podem trazer. Além das dificuldades de logística e transporte precisamos enfrentar a falta de recursos do país”.

Empresas já sentem o impacto Juarez Piva, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Bento (Simmme), diz que a situação preocupa bastante o setor. A falta de informação e posicionamento trouxe insegurança para as indústrias. “A maioria das empresas perdeu a tarde inteira de produção. O calor foi o fator que mais prejudicou também. O impacto é grande na região principalmente para micro e pequenas empresas que já sentem a perda de faturamento”, avalia. De acordo com Piva, é preciso que o governo ajude as empresas a se tornarem mais competitivas, aumentando a oferta de matéria-prima. “Manter uma estrutura forte de fornecimento de energia elétrica, por exemplo, é uma questão que a indústria necessita há muito tempo. É preciso uma maior mobili-

zação e apoio do governo nesse sentido”, complementa.

Prejuízo também material Para Eurico Benedetti, diretor da Bentec, a falta de energia atrapalhou o setor produtivo, comprometendo toda tarde de trabalho. Benedetti também destaca que os prejuízos materiais após o apagão foram inevitáveis. “Uma parte do maquinário precisa ser desligada e ligada sempre de uma forma correta. Como não recebemos nenhum aviso, acabamos sofrendo algumas perdas materiais. Produtos em fase de fabricação foram interrompidos e também não puderam ser recuperados”, afirma. Conforme Benedetti, os funcionários foram liberados dos postos de trabalho devido ao calor, retornando apenas quando a situação foi regularizada. “Nosso sistema de ven-

tilação também parou com o apagão, mas optamos por não dispensar completamente a equipe. A falta de energia não atrapalhou apenas o desenvolvimento do trabalho, mas o retorno dos colaboradores”, destaca. O diretor aproveita a oportunidade também para avaliar a situação do país. “Temos um limite de carga apertado de segurança no país relacionado à infraestrutura quando existe um aumento de carga como o que aconteceu”, explica. A situação preocupa, para Benedetti, assim como todos os gargalos da infraestrutura. “Corremos um risco muito grande, tanto local quanto ao país. Pouco podemos fazer em relação a isso. É preciso uma política energética diferenciada, que priorize a produção. Não podemos estar a mercê de toda essa burocracia”, finaliza.

08/02/2014 - Jornal Semanário - Edição 3000  
08/02/2014 - Jornal Semanário - Edição 3000  

08/02/2014 - Jornal Semanário - Edição 3000 - Bento Gonçalves/RS

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