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J O R N A L

ANO 111 • Nº 5.609 • 9 DE SETEMBRO DE 2012 • WWW.JORNALSANTUARIO.COM.BR

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SE LIGA AÍ Cartão de crédito pré-pago é boa opção de consumo

Confira detalhes sobre o Hotel Rainha do Brasil Pág. 5

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ÁGUA: PLANEJAR PARA NÃO

FALTAR O desperdício e a falta de planejamento contribuem para que haja menos alimentos e menos água no planeta. Em meio à possibilidade de crise, soluções que promovam a distribuição igualitária da água e despertem a consciência sobre o uso racional desse precioso bem são cada vez mais necessárias.

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Comunicação digital e juventude são desafios para a Igreja

ATUALIDADES

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CNBB emite nota em defesa dos direitos dos povos indígenas

IGREJA

Reprodução

Eduardo Gois / JS

ENTREVISTA

sxc.hu

Págs. 6 e 7

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Oblatos ajudam a propagar missão redentorista


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DA REDAÇÃO

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 9 DE SETEMBRO DE 2012

.: Editorial

.: Espaço do leitor ENQUETE

Aniversariantes Alardes ressoam aos quatro cantos, propagando que é uma questão de tempo até não haver mais água suficiente para atender a toda a demanda global. A repórter Deniele Simões preparou uma reportagem que aborda o assunto a partir de variadas óticas, tanto no que diz respeito aos principais agentes causadores de desperdício quanto no que tange a iniciativas que buscam conscientizar a população sobre suas responsabilidades. A investigação do JS deixa claro que o maior problema para se ter a garantia de que a água seja um bem protegido reside na falta de comprometimento das mais diversas esferas no que diz respeito aos aspectos de governança e gerenciamento de alternativas que promovam esse cenário (confira nas páginas 6 e 7). Você também conhece um pouco melhor as ações dos oblatos redentoristas, um grupo de fiéis, leigos ou religiosos, que partilha do carisma da congregação fundada por Santo Afonso Maria de Ligório (página 9). O repórter Eduardo Gois conversou com o empresário e professor Carlos Alberto Di Franco, que é doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra (Pamplona, Espanha). Di Franco fala sobre a comunicação na Igreja católica e seus principais desafios, além de destacar o papel dos jovens na comunicação e abordar o cansaço da fé no continente europeu (página 3). Sabia que é possível usar o cartão de crédito sem se endividar? No Se liga aí, conheça uma grande novidade no setor bancário que promete ajudar: os cartões de crédito pré-pagos (página 10). A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu uma nota em defesa dos povos indígenas. O documento foi apresentado durante a coletiva de imprensa que marcou o encerramento da reunião do Conselho Episcopal de Pastoral da entidade, no final de agosto (página 4). Boa leitura!

.: Expediente O Jornal Santuário de Aparecida é uma publicação semanal dos Missionários Redentoristas ISSN - 1980-3192

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reuniu mais de 200 leigos e religiosos no Santuário Nacional. O evento, promovido pela Academia Marial, teve como foco a intercessão mariana.

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EDITOR: Leonardo Meira (MTB 14261/RS) REVISÃO: Ana Lúcia de C. Leite Lessandra Muniz de Carvalho Camila de Castro Sanches dos Santos

REDAÇÃO: Deniele Simões (MTB 26435/SP) Eduardo Gois (MTB 57928/SP)

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MISSIONÁRIO ÁRIO

O JS comunica com pesar o falecimento da assinante Vitória Ferreira. Ela nasceu em 15/10/1914 e faleceu no último dia 24. Dona Vitória tinha 97 anos e morava em Alfenas (MG).

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Confira o resultado:

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CONSELHO EDITORIAL: Pe. Jorge P. S. Sampaio, C.Ss.R. Pe. José Uilson Inácio Soares Júnior, C.Ss.R.

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A água é um bem precioso, mas é desperdiçada mundo afora de diversas maneiras. Como esse problema pode ser resolvido?

Confira a programação da Semana Santa

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ANO

O JS perguntou aos curtidores de nossa página no Facebook:

Confira a lista completa dos aniversariantes em nosso blog. Acesse http://bit.ly/aniversario_setembro2012

DIRETOR-GERAL: Pe. Marcelo Conceição Araújo, C.Ss.R.

A I D E C C I D A A R A P E A PA R E D D E

AL RN JO

O JS parabeniza os aniversariantes de setembro, pedindo que Nossa Senhora Aparecida estenda seu manto sobre todos. Uma vez por mês, nosso jornal conta com este espaço, que escolhe um aniversariante para receber um brinde da Editora Santuário na sua casa. Entre em contato conosco e atualize seu cadastro! Neste mês, o leitor Thiago Brasileiro de Carvalho é o agraciado com um exemplar da Bíblia de Aparecida. Parabéns!

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OPINIÃO / DEBATE

Jornal Santuário de Aparecida • 9 DE SETEMBRO DE 2012

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ENTREVISTA | PROFISSIONALIZAÇÃO É CAMINHO MAIS INDICADO, INDICA ESPECIALISTA

Eduardo Gois/ JS

Comunicação digital e juventude são desafios para a Igreja Eduardo Gois eduardo.jornal@editorasantuario.com.br

O empresário e professor Carlos Alberto Di Franco é doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra (Pamplona, Espanha), diretor da Faculdade de Comunicação da mesma universidade e diretor do Master em Jornalismo do Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS). Também é professor convidado da Facoltà di Comunicazione Sociale Istituzionale (Roma), além de ser escritor e colunista em mais de 40 jornais no Brasil. Di Franco conversa com o JS sobre a comunicação na Igreja Católica e seus principais desafios. Ele também destaca o importante papel dos jovens na comunicação e aborda o cansaço da fé no continente europeu. Jornal Santuário de Aparecida – A partir da grande experiência em comunicação que o senhor possui, como analisa esse aspecto dentro da Igreja Católica, principalmente no Brasil? Carlos Alberto Di Franco – Primeiro, peço licença para falar de Cristo numa linguagem mais comercial, marqueteira ou técnica. Vou me referir a Ele como se fosse um produto: a Igreja tem um grande produto, que é espetacular e único, e que se chama Jesus Cristo. É um produto que carrega uma mensagem que, impressionantemente, é um fenômeno há mais de dois mil anos. Podemos citar a Bíblia, pois ela é o maior best-seller da história. O nosso calendário é contado pelo nascimento de Cristo. Enfim, toda a civilização ocidental gira em torno de Jesus Cristo, muitas vezes sem nem se dar conta. Como um produto, Cristo é extraordinário, mas é preciso comunicar bem esse produto. Na minha visão, a Igreja precisa melhorar muito. A sociedade vive hoje em um mundo que é multiplataforma e digital. A cultura das pessoas e, sobretudo, a dos jovens, modificou-se profundamente. Hoje, o jovem está no Facebook e também no Twitter, por exemplo. As informações são obtidas muito mais de modo digital do que nos meios convencionais. Tudo isso é um extraordinário desafio para a Igreja, que deve comunicar a mensagem de maneira ágil, contemporânea e adequada. Especificamente no Brasil, a Pastoral da Comunicação promete ser algo que pode inovar muito na Igreja. O conselho que dou por aqui também não é

Os jovens sabem o que é verdadeiro e o que é falso, o que é autêntico e o que é artificial. O norte fundamental é que a verdade cristã foi capaz de mudar sociedades inteiras. Cristo escolheu para nascer no pior lugar do mundo. Um lugar desconhecido, sem nenhuma influência geopolítica, nem militar, nem econômica. A Palestina era um lugar perdido no meio do nada, numa aldeia diminuta e sem um centavo. Cristo não tinha nada, e escolhe entre seus principais seguidores uns pescadores, sem nenhuma influência e sem nenhum prestígio, e esses homens mudam o mundo com a força, a coerência, a autenticidade. Assim que tem de ser. JS – Como o senhor avalia a crise de fé que há na Europa?

Carlos Alberto Di Franco durante palestra no Encontro Nacional da Pascom, em julho deste ano, em Aparecida (SP)

“A saída é transmitir a mensagem de uma forma contemporânea. Você não pode falar hoje como falava há 30 anos. A cabeça é outra e a percepção também”. diferente: comunicar com ferramentas e mentalidade profissionais será um primeiro passo, um passo gigantesco. Temos de dialogar rapidamente e urgentemente com uma sociedade cada vez mais plural. É um desafio extraordinário e fascinante, não é mesmo? JS – E como enfrentar esse desafio de se comunicar nessas novas plataformas e acompanhar um mundo em tão constante mudança? Di Franco – Em primeiro lugar, transmitindo a verdade de Cristo de maneira absolutamente clara e direta, sem adocicar nada, principalmente para os mais novos. O jovem tem de se entusiasmar com um ideal comprometedor. Jovem não precisa de uma mensagem suavizada. Para nós, que temos fé, Cristo morreu na cruz. Então, a mensagem de Cristo é uma mensagem comprometedora e revolucionária. A saída é transmitir a mensagem de uma forma contemporânea. Você não pode falar hoje como falava há 30 anos. A cabeça é outra e a percepção também. O depósito da verdade cristã precisa ser transmitido por todas as plataformas e, sobretudo, de forma profissional. Acredito que seja muito importante profissionalizar as estruturas e os canais de comunicação da Igreja.

JS – Como aproximar o jovem? Di Franco – Mais uma vez, a força fundamental é transmitir a verdade cristã de modo absolutamente claro. Por exemplo, o que mais me impressionou nas minhas idas para Roma foi o Papa João Paulo II. Eu cobri pelo jornal O Estado de S. Paulo os 25 anos do pontificado dele. Ele estava com 83 anos de idade e estava péssimo. Então, via-se um Papa que já não falava, um Papa trêmulo, e que arrebatava a juventude. Por quê? As pessoas viam no Papa uma grande autenticidade. Ele se fazia falar no silêncio, existia uma coerência muito forte. Se não existe isso, não adiantaria usar técnicas moderníssimas de comunicação que, nem assim, atrairiam as pessoas.

Di Franco – Sim, a Europa passa por uma crise de fé muito grande, tanto religiosa quanto existencial. Mas, em outras partes do mundo, a gente observa o aumento do número de católicos. Nos Estados Unidos, há o ingresso de 300 mil pessoas por ano na Igreja Católica. Acredito que esse ainda será um país muito católico. Na Coreia do Sul acontece algo fantástico: é estrondoso o aumento dos católicos. Até no Reino unido há também uma grande quantidade de anglicanos entrando para a Igreja. Ou seja, há um movimento intenso de crescimento da religião católica no mundo e um contraponto no continente europeu. A Europa é um lugar que perdeu não só a identidade religiosa, mas de si própria, pois historicamente ela só se explica com o cristianismo. Basta percorrer as ruas da Europa e ver o cristianismo estampado nos edifícios, nos monumentos, em todas as referências históricas. É um continente envelhecido, com grande dificuldade de transformar-se, porque quem vira o jogo no mundo são os jovens. O velho é bom para dirigir, mas não é bom para inovar. No momento em que a Europa precisa de seus jovens, onde eles estão?


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JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 9 DE SETEMBRO DE 2012

ATUALIDADES

CONSEP| REUNIÃO DO CONSELHO EPISCOPAL PASTORAL ABORDOU DIVERSOS ASSUNTOS

Leonardo Meira leonardo.jornal@editorasantuario.com.br

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou uma nota em defesa dos direitos dos povos indígenas. O texto pede a revogação da portaria 303, da Advocacia Geral da União (AGU), prevista para entrar em vigor no próximo dia 24 de setembro. Na prática, a medida retira do judiciário os processos demarcatórios de terra e dá poder ao governo para tomar as decisões e resolver os conflitos. “Esta portaria reflete uma política que beneficia diretamente os interesses de terceiros sobre as terras dos indígenas e das comunidades tradicionais e camponesas. É, portanto, uma violência contra esses povos e uma ameaça à sua vida!”, indica a nota dos bispos brasileiros. A portaria dificultaria os processos de reconhecimento e demarcação dos territórios tradicionais, facilitando a exploração, especialmente dos recursos hídricos e minerais das terras já demarcadas e desrespeitando o direito de consulta aos povos. “Favorece, além disso, a desconstrução da legalidade dos direitos dos povos indígenas e a legitimação da ilegalidade do esbulho

Divulgação / CNBB

CNBB emite nota em defesa dos direitos dos povos indígenas das suas terras. Por meio deste instrumento, a AGU ignora o artigo 231 da Constituição Federal e a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).” A CNBB acredita que a portaria pode ampliar ainda mais a violência contra os povos indígenas no país, os quais já tiveram 30 lideranças assassinadas somente neste ano. “Sua manutenção fará aumentar a vergonhosa dívida social que o Brasil acumulou com os indígenas ao longo de sua história. A hora é de reparar erros e evitar mortes!”, encerra o texto.

Consep

O Conselho Episcopal Pastoral (Consep) esteve reunido entre os dias 28 e 30 de agosto na sede da CNBB, em Brasília (DF). O Consep é um dos colegiados mais importantes da CNBB e, juntamente com o Conselho Permanente e a Assembleia Geral, é uma das instâncias de consulta e deliberação da CNBB. A reunião é realizada mensalmente para avaliar, aprofundar e orientar a aplicação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. A reunião abordou diversos assuntos. Um deles foi a Campanha da Fraternidade, incluindo uma avaliação da história dessa iniciativa e também providências com relação à campanha do próximo

Secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner; presidente da entidade, cardeal dom Raymundo Damasceno; e vice-presidente da conferência, dom José Belizário, durante coletiva de imprensa ao final da reunião do Consep

ano, que tem como tema Fraternidade e Juventude. Outro tema abordado foi a 5ª Semana Social Brasileira, que acontece entre os dias 22 e 25 de maio de 2013. Além disso, foi discutido o último censo do IBGE, que apresentou uma queda no número de católicos no Brasil. A campanha pelo voto limpo também foi pauta da reunião. A reforma do Código Penal foi tratada como tema de preocupação, pois a sugestão da comissão de juristas do Senado está mais baseada em sanções.

“O Código Penal tem que ser baseado em princípios. Não pode ser apenas um código condenatório”, disse o secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, durante coletiva de imprensa.

Confira a nota na íntegra no blog do JS. Acesse http://bit.ly/js_notaindigenascnbb2012

Curtas

• CNBB pede ampliação do prazo de contribuições da sociedade civil para a elaboração do novo Código Penal. O presidente da entidade, cardeal dom Raymundo Damasceno Assis, fez a entrega oficial de um pedido de extensão do prazo ao presidente do Senado, José Sarney. O encontro aconteceu no dia 30 de agosto. • Seminário Juventude e Missão prorroga inscrições até dia 15. O evento acontece de 28 a 30 de setembro, em Brasília (DF), e serve de preparação à Jornada Mundial da Juventude (JMJ). O tema será A alegria de ser jovem, discípulo missionário de Cristo. Mais informações em www. jovensconectados.org.br/seminariojuventude-e-missao • 18ª edição do Grito dos Excluídos acontece em todo o país. O tema desta edição foi Queremos um Estado a serviço da nação, que garanta direitos a toda população. As ações aconteceram de 1° a 7 de setembro, incluindo seminários e manifestações. • Equipe Executiva do Conselho Missionário Nacional reúne-se em Brasília (DF). O encontro aconteceu na sede das Pontifícias Obras Missionárias (POM), no final de agosto. A pauta contemplou a

avaliação das principais atividades coordenadas pelos organismos envolvidos na animação e reflexão missionária. • Comissão para o Laicato cria comissão especial para celebração dos 50 anos do Concílio Vaticano II. A decisão foi tomada durante encontro que aconteceu na sede da CNBB, em Brasília (DF), no final de agosto. A comissão especial é composta por teólogos, leigos e padres para pensar um projeto de como os leigos irão celebrar os 50 anos do Concílio.

• Projetos de pastorais universitárias latino-americanas serão tema de oficina internacional no 2º Ebruc. O tema será A Missão Continental vivida na atualidade universitária: experiências de sucesso na Argentina e no Chile. O 2º Encontro Brasileiro de Universitários Cristãos (Ebruc) acontece de 12 a 14 de outubro em Curitiba (PR). Mais informações em www.ebruc. setoruniversidades.org.br

• Catedral Basílica de Curitiba (PR) é reinaugurada. A cerimônia aconteceu no dia 6 de setembro, durante a quarta edição da Festa da Luz, que celebra a padroeira da cidade e da arquidiocese, Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. As comemorações foram até o dia 9, com intensa programação religiosa e cultural. Mais informações em www. festadaluz.org.br

• Encontro do Papa com ex-alunos é dedicado ao ecumenismo. A reunião aconteceu entre 30 de agosto e 3 de setembro, com o tema Resultados ecumênicos e questões de diálogo com o Luteranismo e o Anglicanismo. O encontro ocorreu na residência pontifícia de Castel Gandolfo (Itália). O grupo é formado por religiosos e leigos que discutiram teses nos anos em que Bento XVI foi professor. Foi a 36ª edição do encontro, que começou em 1977, logo após sua eleição como arcebispo de Munique e Frisinga (Alemanha).

• Missionária é enviada para o Haiti. A CNBB e a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) fizeram o envio da religiosa Maria Goreth Ribeiro dos Santos, que vai fortalecer a missão que já existe naquele país. O envio aconteceu no final de agosto. Irmã Maria é membro da Companhia de Santa Teresa de Jesus.

• Arquidiocese de Salvador receberá jovens da Suíça. Cerca de 150 participantes suíços da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) estarão entre os integrantes da pós-jornada, que acontece na capital baiana em agosto do ano que vem. O intercâmbio está sendo viabilizado pela Comunidade Católica Shalom.

• Solidariedade e oração dos bispos árabes a todos os cristãos da Síria. A Conferência dos Bispos Latinos da Região Árabe (Celra), em um comunicado oficial, expressou ao vigário latino de Aleppo, na Síria, dom Giuseppe Nazzaro, solidariedade e oração, estendida a todos os cristãos do país. Os bispos latinos se dizem preocupados com as notícias diárias relatadas pelas agências de notícias, definidas como “um boletim de guerra cada vez mais pesado e preocupante”. • Cardeal Carlo Maria Martini morre aos 85 anos. O arcebispo emérito de Milão faleceu no dia 31 de agosto. Ele sofria de mal de parkinson. Foi reitor do Pontifício Instituto Bíblico e, depois, da Pontifícia Universidade Gregoriana, antes de se tornar arcebispo de Milão, em 1980, guiando a arquidiocese até 2002. • Bento XVI receberá de presente automóvel elétrico. O veículo, de produção francesa, foi apresentado à imprensa no dia 6. Ele é construído inteiramente de acordo com as exigências da preservação ambiental, sem ruído, sem emissão de carbono e sem consumo de energias fósseis. O carro está adaptado às necessidades de Bento XVI e será de seu uso exclusivo, tanto internamente no Vaticano quanto nas Vilas Pontifícias de Castel Gandolfo.


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MEIO AMBIENTE

Jornal Santuário de Aparecida • 9 DE setembro DE 2012

ESCASSEZ| CRISE EXIGE DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA E AÇÕES CONTRA DESPERDÍCIO

Água: uso bem planejado pode sanar Deniele Simões deniele.jornal@editorasantuario.com.br

Mais de um quarto de toda a água usada no planeta para o cultivo de alimentos não é consumida. A informação é do diretor-executivo do Instituto Internacional da Água de Estocolmo (Siwi), Torgny Holmgren, e foi veiculada na conferência internacional da Semana Mundial da Água, encerrada no dia 31 de agosto, na Suécia. A água a que Holmgren se refere é utilizada na produção de mais de 1 bilhão de toneladas de gêneros alimentícios que ninguém consome. Além disso, o dinheiro investido no cultivo, embarque, embalagem e compra desses alimentos também acaba se perdendo. Para o membro da Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Bahia e da Articulação Popular São Francisco Vivo, Ruben Siqueira, o problema não é a quantidade, mas como o alimento é produzido, distribuído e não acessado. “Diante desse quadro, o desperdício é criminoso e mais criminoso ainda é produzir alimentos como mercadorias inacessíveis aos famintos.” O problema vem se agravando porque, cada vez mais, as tecnologias e o empreendimento da produção e comercialização de alimentos tendem a ser controlados por grandes conglomerados econômicos transnacionais. Para Siqueira, uma alternativa para a solução do problema seria a disseminação da agricultura familiar.

Ruben Siqueira, da CPT, lamenta falta de consciência sobre uso da água Segundo Barreto, legislação brasileira sobre água é uma das mais avançadas

Desperdício latente

Arquivo Pessoal

Como todos os alimentos consumidos pelo homem exigem água para a sua produção, o agronegócio é apontado como o grande “vilão” da gastança. “O maior usuário é o setor agrícola,

no Brasil e no mundo, com média em torno de 70%”, indica o coordenador do programa Água Brasil da ONG WWF-Brasil, Samuel Barreto. A WWF-Brasil integra a rede mundial WWF, uma das mais respeitadas na área de conservação da natureza. Segundo o organismo, a lista do desperdício no mundo é seguida pelo setor industrial (20%) e pelo doméstico (10%). Recentemente, a ONG elaborou uma pesquisa aqui no país sobre desperdício de água. O levantamento abrangeu 26 estados e mais de 80% dos entrevistados reconhecem que terão problemas de abastecimento de água no futuro. Desse total, 68% acreditam que os problemas de abastecimento serão causados pelo desperdício. O analista de conservação da ONG, Angelo Lima, analisa os dados da pesquisa sobre o desperdício com cautela e aponta que a solução está relacionada à conscientização sobre o uso da água. “É preciso que cada vez mais tenhamos campanhas de esclarecimento sobre a utilização dos nossos recursos naturais, para que a sociedade possa ter mais cuidado com relação ao uso da água”, justifica. É preciso que a sociedade faça a sua parte como um todo, seja no uso da água pelo agronegócio, pela população das cidades, governos ou indústria. Lima cita que, no setor agrícola, o desperdício é muito grande na forma de irrigar as plantações. “As técnicas ainda carecem de melhores equipamentos, maior instrução, um apoio maior das agências e das instituições responsáveis por esse processo.”

Uso responsável

Angelo Lima, da WWF-Brasil, prevê problemas com potabilidade da água no futuro

Arquivo Pessoal

Gadelha Neto / WWF-Brasil

fome e sede mundiais

Quanto mais o ser humano poluir as águas, menos água potável estará disponível no futuro, provocando a necessidade de buscá-la em fontes cada vez mais distantes. Isso acontece porque a distribuição de água no Brasil é bastante desigual. De acordo com Lima, em regiões como a Amazônia, onde há praticamente 70% da água do Brasil, a população represen-

ta de 5% a 6%. Em contrapartida, no Sul e Sudeste, a concentração populacional é de 50%, enquanto se tem em torno de apenas 5% do total de água do país. No Nordeste, onde o problema da falta de água é urgente, a falta de consciência às vezes é ainda maior. Segundo Ruben Siqueira, é comum ver pessoas “varrendo” a calçada com mangueira, até mesmo no semiárido. Além da pouca conscientização, o principal rio da região, o São Francisco, enfrenta problemas estruturais. Um levantamento do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica dos Estados Unidos (NCAR) aponta que houve perda de 35% da vazão das águas no rio, entre 1948 e 2004. “Isso é resultado dos múltiplos, indiscriminados e superpostos usos de suas águas como meros ‘recursos hídricos’”, explica Siqueira. Ele também adverte que a obra de transposição das águas do rio segue a mesma lógica e modelo, já que visa exportar para os vales dos rios temporários do Nordeste semiárido o mesmo modelo que o depredou. Na avaliação de Angelo Lima, é fundamental ter planejamento para não faltar água tanto nas regiões onde a distribuição é desigual como naquelas onde há abundância.

No que diz respeito ao planejamento, Samuel Barreto avalia a necessidade de uma ordenação – o que já começa a ser colocado em prática através de leis específicas sobre o assunto. Ele considera a legislação nacional uma das mais avançadas no assunto. “Mas, do arcabouço legal à implementação, há uma distância muito grande”, pondera. Existem mais de 180 comitês de bacias hidrográficas (previstos por lei) que tratam da atividade no país, e o representante da WWF cita exemplos bem-sucedidos como o do lago São João, no Rio de Janeiro (RJ), onde houve a recuperação da lagoa de Araruama, com a melhoria da qualidade da água.

Água não vai faltar

A quantidade de água que hoje existe no mundo é a mesma que havia quando o planeta surgiu, há bilhões de anos. Isso acontece porque a água se recicla devido ao próprio ciclo hidrológico, que compreende chuvas, evaporação e condições do solo. Seguindo essa lógica, a água não irá acabar, mas terá sua potabilidade comprometida. Segundo Lima, há todo um funcionamento na manutenção da regularidade e da quantidade de água no leito dos rios que depende, por exemplo, da manutenção das florestas e da preservação das matas ciliares que ficam às margens dos rios. Diante disso, a boa relação entre o homem e o uso do solo é fundamental para que se tenha essa regularidade da quantidade de água nos rios. “A partir de um determinado limite, se você tem pouca água nos rios, onde está sendo captada a água para abastecimento, há uma dificuldade de tornar essa água potável”, esclarece, lembrando que há limites para o uso de substâncias químicas para tratamento.

Falta de água e de comida A WWF estima que 60% da água doce disponível em nosso planeta é usada para a produção de alimentos. Conheça a quantidade de água necessária para a produção de 1 kg de alguns deles: - Carne – 15 mil litros - Frango – 6.000 litros - Cereais – 1.500 litros - Frutas cítricas – 1.000 litros - Raízes e tubérculos – 1.000 litros Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Alimentar e Nutricional, a população mundial cresceu 36% desde 1980, enquanto a produção de cereais aumentou 45%, a de frutas 120% e a de carnes 91%. Esse incremento na produção daria para alimentar mais de 10 bilhões de pessoas.


Jornal Santuário de Aparecida • 9 DE setembro DE 2012

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Igreja defende água como bem universal

O Vaticano enviou mensagem à 22ª Semana Mundial da Água, encerrada no dia 31 de agosto, em Estocolmo, na Suécia, onde afirma que a água é um bem “público”. No texto, a Igreja menciona a necessidade de uma ação “urgente” da comunidade

internacional para assegurar o acesso de todas as populações à água, que não é “um bem meramente mercantil”. A mensagem destaca ainda a necessidade urgente de mais do que “declarações de intenções” acerca do tema. Afinal, o mundo atravessa um momento em que “milhões de pessoas estão sem água em quantidade ou qualidade suficientes para uma vida digna, segura e confortável”. “Fazemos votos de que os técnicos e peritos – que, de vários modos, influenciam as políticas e as decisões estatais – possam trabalhar sem desânimo e fazer progredir ao máximo a questão da água em um contexto global de mudanças, em um mundo que precisa de uma boa governança para a água”, destaca. Por ocasião do sexto Fórum Mundial da Água, realizado em março deste ano,

em Marselha (França), a Santa Sé emitiu um documento oficial propondo soluções eficazes para o uso da água. Água, um elemento essencial para a vida é o título do texto-contribuição da Igreja católica para o debate que envolve a comunidade internacional sobre a necessidade do uso racional da água. Nas edições anteriores do fórum, em 2003, 2006 e 2009, o Vaticano também se manifestou, sempre colocando a água como bem fundamental à sobrevivência humana. A preocupação com o tema, aliás, vem de longa data e alinha-se com a Doutrina Social da Igreja, que leva em consideração as Sagradas Escrituras, onde a água aparece como símbolo de purificação e de vida.

Por esse motivo, a água é instrumento vital, imprescindível para a sobrevivência e, portanto, um direito de todos. E, diante dos problemas sociais, a utilização desse bem, assim como dos serviços conexos, deve ser orientada à satisfação das necessidades e, sobretudo, das pessoas que vivem em pobreza. Em seu pontificado, o beato João Paulo II refletiu sobre os direitos humanos básicos, com destaque para o direito à água potável, que ainda não é satisfeito com eficiência, principalmente nos países mais pobres. Na visão da Igreja, direitos básicos como a água pertencem a um “bem coletivo”, cuja proteção não pode ser garantida por simples mecanismos de mercado, mas com a colaboração de todos.

informações visando a promoção de práticas de conservação e reúso da água. Dentre os projetos implementados, destacam-se ações em indústrias, universidades e centros de pesquisa, empresas públicas e privadas, construtoras, condomínios e shopping centers de várias regiões do país. Um estudo recente do órgão avaliou 2.311 indústrias paulistas, concluindo que, através de 60% de reúso interno, os custos de cobrança pelo uso da água podem sofrer redução média de 75%. No caso do emprego de sistemas avançados, os custos podem cair mais de 80%.

Ainda assim, muitos empresários usam como justificativa para a gastança de água o crescimento e a geração de empregos, o que, para o representante da WWF-Brasil, é fundamental. “É preciso se adequar a uma lógica de disponibilidade de recurso, de uso sustentável desse recurso, porque, senão, a própria atividade está comprometida no médio e longo prazos”, conclui Barreto. O entendimento dessa lógica passa pela segurança hídrica, energética e alimentar, que devem ser ações estratégicas para o país e tratadas de forma integrada.

Reúso da água A falta de água tem levado muitas indústrias e empresas que atuam no setor agropecuário a repensar o uso desse bem. Para Samuel Barreto, a conscientização de empresários, governo e sociedade ainda passa por um processo de amadurecimento. “Algumas empresas já perceberam, principalmente as maiores, multinacionais, enquanto há outras com mais dificuldade e resistência”, afirma. Alguns empreendimentos já usam tecnologias que permitem a reutilização

da água, bem como o uso de outras formas de água, como a da chuva. Essas ações permitem diminuir a pressão sobre a água superficial, que são os rios, lagos e outras fontes naturais. Um exemplo de vanguarda nessa área é o Centro Internacional de Referência em Reúso de Água (Cirra), organismo sem fins lucrativos vinculado à Universidade de São Paulo, que fornece tecnologia para várias empresas e instituições brasileiras. O Cirra desenvolve pesquisas e tecnologias avançadas, oferece suporte técnico, treinamento, além de divulgar

A água é um bem público, mas possui valor econômico, justamente em função da escassez em várias partes do planeta. Já nas regiões onde há abundância de água ou ela chega às torneiras com facilidade, esse bem precioso é pouco valorizado. A ONG Universidade da Água defende a tese de que é através do conhecimento que se valoriza a água. Nesse sentido, a instituição promove uma série de programas educacionais, buscando a preservação. A ONG foi fundada em 1998 com a missão de proteger, preservar e recuperar a água por meio da educação ambiental. Atua na capacitação de alunos e professores da rede pública, além de manter programas em parceria com outros organismos para a proteção de nascentes e a divulgação de campanhas de conscientização sobre o uso racional da água.

Os principais projetos da Universidade da Água estão concentrados no Estado de São Paulo, com ênfase na grande São Paulo, onde o problema da distribuição de água é considerado preocupante. Um dos trabalhos de destaque é o Centro de Defesa das Águas do Rio Capivari, em Parelheiros, na região Sul de São Paulo (SP). “É uma área que recuperamos dentro de uma estação elevatória da Sabesp, onde nós levamos crianças para verificar essa bacia limpa”, explica o especialista em Meio Ambiente e Sociedade e também fundador e atual diretor-presidente da Universidade da Água, Gilmar Altamirano. O projeto, cujo tomador dos recursos é a Universidade da Água, tem como parceiros a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o Centro Tecnológico de Hidráulica e Recursos Hídricos (CTH), Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) e a subprefeitura de Parelheiros.

Fotos: Divulgação / Uniagua

Educar para preservar

A ideia da ONG é a de que, se a criança e o adolescente forem sensibilizados,irão passar as informações para a frente e contribuirão para o equilíbrio ambiental e a preservação dos recursos naturais.

ONG trabalha educação ambiental com foco em crianças e adolescentes

Outro projeto da ONG que está prestes a sair do papel é o Escola Flutuante Billings, que levará alunos de barco até um dos principais reservatórios de água da grande São Paulo, mas que enfrenta graves problemas de poluição. O objetivo será mostrar o impacto das agressões ao meio ambiente sobre a água. Segundo Altamirano, a maior parte do trabalho é focado nas crianças e adolescentes. “O ser humano precisa mudar comportamentos. Então, se a criança aprendeu que não deve jogar papel na rua, isso passa a ser o seu código de conduta moral”, ensina.

Altamirano no Centro de Defesa das Águas do Rio Capivari, onde bacia foi recuperada e é mostrada ao público

Saiba mais sobre a ONG Universidade da Água. Acesse www.uniagua.org.br


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ARTIGOS

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 9 DE SETEMBRO DE 2012

DIALOGANDO E ESCLARECENDO (PADRE CIDO PEREIRA)

Eu sei que não estou em condições de comungar, mas um padre me deu autorização. O que fazer? (Maria Verônica, São Paulo – SP)

Maria Verônica, se você conversou com um padre e ele lhe deu autorização para comungar, dê graças a Deus e comungue. Eu não posso nem quero acreditar que o meu irmão padre iria permitir que você fizesse alguma coisa contra a sua consciência só para mostrar que é bonzinho. Agora, veja bem, você não me disse o porquê não está em condições de comungar. Vou então imaginar aqui algumas situações. Será que você vive apenas maritalmente com seu marido? Nesse caso, minha querida irmã, você tem de legalizar a sua situação. Volte a falar com o padre. Se os dois são desimpedidos, são solteiros e apenas foram viver juntos sem se casar, é só casar e tudo bem. Poderá voltar a comungar.

Outra situação. Um dos dois ou os dois estão numa segunda união após separação e o fim de um casamento feito na Igreja. Aí não podem comungar Jesus na Eucaristia. Mas podem comungar Jesus na Palavra, no pobre, na oração em comum na comunidade e na família. Outra situação. Nada impede você de comungar, mas você acha que é muito pecadora. Aí é bobagem sua, porque a comunhão é o alimento e o remédio para curar as feridas do pecado em nossa alma. Está vendo, Maria Verônica? São algumas situações que eu coloquei imaginando que você poderia se enquadrar em alguma delas. Em todo caso, coloco-me a sua disposição para conversarmos e esclarecer as coisas pessoalmente. Fique com Deus. Que você não se esqueça jamais que a misericórdia dele é sem limites.

VIDA EM FAMÍLIA

(ROBERTO GIROLA – PSICANALISTA)

Vale a pena insistir na amizade quando o outro não se importa? (Anônimo) Espontaneidade: sem ela, não há amizade Tanto na amizade quanto no amor, para que possa existir uma relação, são necessárias duas pessoas. Se uma delas não está interessada, não há relação. Parece simples. No entanto, assistimos constantemente a situações em que uma das partes não se conforma com o fato de a relação não existir. Frequentemente, há uma insistência inexplicável para tentar reverter uma situação que não pode ser revertida. Naturalmente, isso envolve um desgaste muito grande de ambos os envolvidos. Tanto a amizade quanto a relação amorosa supõem, para poderem existir, a espontaneidade. Não é possível fingir que se ama alguém nem que se é amigo de alguém. A relação sempre soará falsa e causará desentendimentos e decepção à parte que se acha empenhada em manter um vínculo que não existe, ou que se deteriorou, bem como raiva em quem se sente “obrigado” a fingir uma relação que não curte. É frequente nas relações desse tipo que uma parte “cobre” atitudes ou manifestações de afeto que o outro não está em condições de sustentar. Se a outra parte tiver dificuldade em dizer não, a coisa se complica e se cria uma falsa relação que pode durar por muito tempo, com um notável desgaste emocional de ambos os lados. Chama a atenção, nesse tipo de situações, a necessidade de negar algo que parece ser claro para todos, menos para o interessado. De onde vem essa insistência? Por que existe uma capacidade interna de a pessoa enganar a si mesma, se iludindo que uma amizade ou uma relação amorosa são possíveis, apesar dos sinais claros de que isso

não está acontecendo? Há, nesses casos, uma clara impossibilidade de aceitar os limites impostos pela realidade. Nesses casos, assistimos a um tipo de fechamento narcísico que impede a pessoa de enxergar o outro, que se vê capturado em uma rede de fantasias internas que o elegem como o amigo ou como a pessoa amada, sem que ele tenha dado reais motivos para essa escolha. Não há dúvidas: é sempre mais fácil amar nossas fantasias do que pessoas reais, ou melhor, como diria a psicanálise, pessoas inteiras. As fantasias, frutos do processo interno de idealização, criam de fato um objeto parcial (nesse caso, uma pessoa), feito “sob medida” para atender às necessidades do mundo interno do seu criador. Por se tratar de um objeto interno, ele precisa encontrar no mundo externo um correspondente adequado. Alguns elementos inconscientes ajudam nesse sentido. A pessoa em quem são depositadas as fantasias inconscientes para que se torne o amigo ou o amante ideal é escolhida tendo como pontos de partida elementos inconscientes. A voz, a maneira de andar, de gesticular, as feições do rosto, o biótipo, correspondentes a memórias ou representações inconscientes, são elementos que permitem que o processo de projeção entre em ação. Dessa forma, sem saber o motivo, alguém acaba sendo escolhido como o objeto das projeções alheias envolvendo tanto a amizade quanto o amor. Isso evidentemente não garante que ele seja de fato o amigo ou o amante que a mente criou e, muitas vezes, gera até a reação contrária, motivando o surgir da raiva e da agressividade, que levam a uma rejeição ainda mais explícita de quem o aprisionou em suas fantasias.


IGREJA

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 9 DE SETEMBRO DE 2012

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DOAÇÃO | DETENTORES DO TÍTULO AJUDAM A PROPAGAR MISSÃO DA CONGREGAÇÃO

Oblatos são exemplo de dedicação

carisma redentorista

Deniele Simões deniele.jornal@editorasantuario.com.br

Identificar-se com o carisma da Congregação do Santíssimo Redentor e estar disponível para participar ativamente do espírito e da atividade missionária redentorista. Esses são os requisitos básicos a ser preenchidos por quem tem o desejo de atuar como oblato redentorista. De acordo com o membro do Secretariado Interprovincial de Espiritualidade Redentorista (Sier), padre Vinícius Ponciano, C.Ss.R., os oblatos são colaboradores permanentes ou temporários do apostolado redentorista e podem ou não ser religiosos. “Participando da Igreja, assumem a sua natureza missionária, sendo convocados para atender às mais diversas urgências pastorais”, explica. A grande maioria dos oblatos redentoristas é de leigos, reconhecidos pela Congregação por terem uma apurada sensibilidade. As características que marcam essas pessoas são a participação ativa em suas comunidades por meio de ações evangelizadoras, a disponibilidade para partilhar o que têm com os mais necessitados e o auxílio às comunidades formativas, com donativos ou orações em favor das vocações redentoristas. Mineira natural de Sacramento, Sandra Maria de Almeida é oblata desde março de 1990, quando recebeu o título por indicação do atual bispo de Jataí (GO), dom José Luiz Majella Delgado. Em 65 anos de vida, dona Sandra dedicou pelo menos 23 aos serviços voluntários no Seminário do Santíssimo Redentor, em sua cidade. Nesse período, conquistou muitos amigos e, apesar de a paróquia local não ser mais administrada pela Congregação, continua dedicando suas orações aos redentoristas. Sandra destaca a simplicidade do carisma redentorista, que aproxima o povo dos ensinamentos de Cristo por

Irmão Bento – Redentorista artista A vida, os esforços e os talentos para a missão

meio do trabalho acolhedor dos missionários. “Sou redentorista para sempre e, assim, acompanho os trabalhos da Congregação com orações e ajudo em algumas obras”, justifica. Já o oblato Antonio Bicarato recebeu o título em novembro de 1995, quando era funcionário do setor administrativo da Editora Santuário, em Aparecida (SP). Bicarato vive em Brasília (DF), mas continua nutrindo imenso amor por tudo o que diz respeito à Congregação fundada por Santo Afonso Maria de Ligório. “Desde que bebi das águas das fontes afonsianas, encantei-me com os ideaIs de vida desse homem, a meu ver, um dos maiores na história recente da Igreja.” O primeiro contato com a obra redentorista aconteceu em 1952, durante uma missão redentorista no distrito de Ermelino Matarazzo, em São Paulo (SP). O trabalho dos missionários atraiu-o para participar do seminário de formação religiosa, onde ficou por 10 anos. Hoje, Bicarato sente falta dos encontros de oblatos que eram promovidos no passado. “Penso que se poderia ressuscitá-los para reflexão, melhor conhecimento do que significa ser oblato, troca de experiências, aprofundamento da espiritualidade e carisma redentoristas, além de convivência”, ressalta.

Santo Afonso

do a justiça de hoje falha, lembro-me de Santo Afonso e recomeço a luta”, afirma. A participação do advogado na Congregação acontece mais em nível jurídico, ou seja, presta assessoria pro bono, principalmente aos redentoristas de Aparecida (SP), em problemas concretos junto ao Judiciário e ao Legislativo. Padre Vinícius Ponciano alerta que quem é oblato sempre faz por merecer.

CADA UM DOS OBLATOS ENTREVISTADOS FALOU AO JS SOBRE O SIGNIFICADO DO CARISMA REDENTORISTA EM SUAS VIDAS

“De maneira geral, o que vem revestido da aura afonsiana traz a marca do Deus misericordioso em substituição ao Deus justiceiro que dominava a Igreja dos séculos XVII e XVIII, em que Afonso viveu” (Antônio Bicarato, Brasília – DF)

O renomado jurista Ives Gandra da Silva Martins, de São Paulo (SP), é oblato redentorista desde 2002 e tem profunda admiração por Santo Afonso, que também exerceu a profissão de advogado. O jurista tornou-se oblato por admiração ao trabalho dos seguidores de Santo Afonso e pelos trabalhos comuns de membros e pessoas ligadas à Congregação. A devoção a Santo Afonso vem da época da juventude e, embora o fundador da Congregação tenha se desiludido com o direito, Ives Gandra não desanima. “Quan-

Irmão Bento (1837-1912) foi missionário artista além das fronteiras de suas terras. Os missionários redentoristas bávaros costumavam passar na cidade de Antuérpia, na Bélgica. Naquela cidade, havia um Convento Redentorista com uma belíssima igreja, onde a devoção ao bem-aventurado Geraldo Majela, C.Ss.R. (1726-1755) era bastante

“Não é uma premiação, não é um troféu e muito menos uma medalha de honra ao mérito.” Ao contrário de tudo isso, é o reconhecimento da Congregação do Santíssimo Redentor da vida oblativa dessas pessoas e, acima de tudo, a valorização do modus vivendi et operandi do laicato, a partir da opção preferencial pelos homens mais abandonados, principalmente os pobres.

Fotos: Arquivo Pessoal

ao

“O carisma redentorista é inigualável! Deus se faz mais próximo de seus filhos através dos missionários que acolhem em seus corações o povo sofrido e desesperançado. Com seu jeito simples, acolhem os fiéis e, num trabalho calmo, consciente e a longo prazo, vão fazendo crescer a espiritualidade através de uma catequese dinâmica, real e inovadora” (Sandra Maria de Almeida, Sacramento – MG)

“Tenho profunda admiração por Santo Afonso de Ligório, sendo um dos meus quatro intercessores ‘advogados’ (São Josemaria Escrivá, São Thomas More, Santo Ives e Santo Afonso). E foi exatamente na defesa dos redentoristas em questões tributárias que tive, certamente com a intercessão da Virgem Maria e de Santo Afonso, resultados favoráveis para a comunidade” (Dr. Ives Gandra Martins, São Paulo - SP)

reconhecida. Já em 1897, nesta igreja, havia a imagem de Geraldo Majela com o Menino Deus oferecendo o pão. Em 1901, irmão Bento fez uma réplica da imagem, que foi benta e exposta na igreja de Aparecida (SP) para a veneração pública. A Comunidade Redentorista de Campinas (GO) encomendou ao irmão artista uma pintura de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. E a 11 de agosto de 1901, o Quadro de Nossa Senhora que traz o Socorro de Deus, Jesus Cristo, em seus braços foi abençoado e exposto à veneração dos devotos e fiéis. Atualmente, nesse local, encontra-se um grande Santuário de Nossa Senho-

ra do Perpétuo Socorro. O cultivo de devoções sadias fomenta a fé e nos desperta para as práticas cristãs! Irmão Bento tinha consciência disso!

Confira a série completa de artigos. Acesse http://bit.ly/js_irmaobento * Os textos sobre a vida e a obra de Irmão Bento são de responsabilidade da Comissão de Patrimônio Histórico da Província Redentorista de São Paulo.


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SE LIGA AÍ

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 9 DE SETEMBRO DE 2012

NOVA MODALIDADE | CARGA PROGRAMADA AUXILIA NO CONTROLE FINANCEIRO

Cartão de crédito pré-pago é boa opção de consumo Eduardo Gois eduardo.jornal@editorasantuario.com.br

Os cartões de crédito pré-pagos são uma nova modalidade de consumo que garante segurança, praticidade e autoprogramação das finanças pessoais. Essa também é uma boa alternativa para jovens que ainda não têm renda fixa, pois garante liberdade e, ao mesmo tempo, estabelece certos limites. Já faz um bom tempo que são usados para viagens ao exterior e, agora, tornam-se uma forma cada vez mais procurada para controlar os gastos também aqui dentro do país. No Brasil, muita gente já usa esse tipo de cartão para carregar a mesada dos filhos ou ao solicitar a terceiros que façam compras no supermercado, por exemplo. É uma opção simples, sem burocracia ou riscos de endividamento. A maioria

das instituições bancárias permite que os cartões também possuam uma senha de segurança. Se você ficou interessado, a boa notícia é que a maior parte da rede bancária já emite o cartão. Não é preciso ser correntista e o limite de recarga costuma ser por volta de R$ 3 mil, que podem ser gastos como e quando a pessoa quiser. De acordo com o consultor financeiro da MasterCard, Ricardo Pereira, são muitos os benefícios do cartão de crédito pré-pago: “Traz possibilidades como o controle da vida financeira e uma melhor organização do orçamento”, afirma. Uma das principais vantagens em relação aos cartões de crédito convencionais é o benefício de não se precisar passar pelo fantasma dos juros altos. Outro ponto importante é a proteção e a extinção da possibilidade de cair no crédito rotativo. Afinal de contas, tudo que for comprado já estará pago.

Ótima opção para viagens ao exterior O cartão pré-pago possui uma cópia idêntica, que pode ser deixada no hotel por medida de segurança, em caso de perda ou roubo. Segundo informações do consultor financeiro Luiz Felizardo Barroso, para uso exclusivo em viagem ao exterior, o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) é de 0,38%, enquanto que no cartão de crédito tradicional é de 6,38%.

“Quando quiser comprar alguma coisa, o consumidor vai saber exatamente até quanto pode gastar”, opina Pereira. No caso dos jovens, essa modalidade é ainda melhor e mais positiva, pois alia elementos muito importantes, como a segurança e a possibilidade de os pais realizarem um acompanhamento dos gastos de forma mais efetiva. Essa modalidade de cartões oferece ainda a oportunidade de se transformar para melhor a educação financeira da nova geração. “É fundamental a preocupação no sentido de fazer o jovem entender sobre finanças e planejamento. Os jovens precisam saber o quanto o dinheiro que está sendo disponibilizado pelos pais é importante dentro do orçamento familiar. É fundamental que haja conversas sobre o assunto”, explica. Um estudo divulgado pelo Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC)

no final de 2011 apontou a taxa de 17% dos jovens entre 17 e 25 anos como pessoas altamente endividadas. Esse é mais um bom motivo para o uso dos cartões pré-pagos se tornar mais constante, pois pode ser construído um novo perfil de consumidor, menos endividado, mais consciente e que poderá usufruir de maneira mais inteligente e feliz de seu orçamento. Inclusive de forma mais eficaz do que os seus próprios pais: um estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) revela que, em julho de 2012, 43,9% das famílias estavam endividadas, um quadro alarmante e que mostra o descaso das pessoas sobre a importância de uma boa educação financeira. Trocar os cartões de crédito pelos pré-pagos pode ser o primeiro passo para a libertação e emancipação de excessos.

Onde faço meu cartão? Veja as três principais instituições financeiras que podem confeccionar um cartão pré-pago. Separamos para você uma interessante relação dos bancos que mais emitem esse tipo de cartão. Agora é só verificar qual é a melhor opção para seu perfil. Banco do Brasil – O BB colocou dois modelos do produto à disposição: o Cartão Mesada, para aqueles que querem dar a seus filhos um meio de pagamento seguro para gastos em escolas, cinemas, shoppings, entre outros, e o Cartão Conveniência, solução que chega para trazer mais praticidade no pagamento das despesas do dia a dia. A expectativa do BB é emitir um milhão de unidades. Para adquirir o Ourocard pré-pago recarregável basta acessar o portal bb.com.br/ourocard ou dirigir-se a uma agência do banco. Está disponível na bandeira Visa.

Mais benefícios

- Sem incidência de 6% de IOF; - Entrega imediata do cartão; - Possui chip e senha; - Pode ser emitido em diversas moedas; - Recarregável, inclusive à distância; - Aceito em mais de 2 milhões de caixas automáticos e mais de 34 milhões de estabelecimentos em 200 países; - Central de atendimento 24 horas em caso de perda ou roubo; - Consulta on-line de saldo ou extrato.

Bradesco – O Bradesco Prime disponibiliza os cartões pré-pagos somente em moeda estrangeira. A bandeira oferecida é a American Express. Basta acessar www.bradescoprime.com.br e, em seguida, acessar a opção cartões.

Banco PanAmericano – É inteiramente grátis, livre de anuidade, assinatura mensal e tarifa de uso no Brasil. Está disponível com a bandeira Mastercard. Acesse www.prepagopanamericano.com.br


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JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 9 DE setembro de 2012

MARIA

LITURGIA

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ano 111 • nº 5.609 • 9 de setembro DE 2012

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 1º DE MAIO de 2011

Nossa Senhora das Dores, Rogai por nós! (PADRE ANTONIO CLAYTON SANT’ANNA, C.Ss.R. *)

invocar Nossa Senhora das Dores não expressa apenas os sentimentos da compaixão humana com o sofrimento alheio. A fé em Cristo nos leva a descobrir no histórico-bíblico das “Sete dores de Maria” a sua com-paixão com o Salvador. As dores de Nossa Senhora têm caráter cristológico e teológico-salvífico. No momento supremo da Cruz e do abandono, a Mãe das dores foi inseparável do Filho torturado, crucificado e agonizante. Estava lá, em pé! Em meio a tudo o que acontecia, Maria era a fortaleza viva do discipulado. Ela participou na Paixão do Filho conforme a radicalidade do amor: “Tendo amado mais que todos, sofreu também com Ele mais que todos”. Entregou-se com o máximo amor ao querer de Deus e disse-lhe o “sim final”, o mais doloroso. Jesus, que entregava tudo ao Pai, entregou sua mãe aos discípulos (à Igreja) e vice-versa: “Mulher, eis aí teu filho! Filho, eis aí tua mãe!” * Diretor da Academia Marial de Aparecida

sUPLEMENTO LITÚRGICO-PASTORAL

14.10.2012 – Ano B

28º DOMINGO DO TEMPO COMUM “A causa de Cristo e do Evangelho!” PRIMEIRA LEITURA (Sb 7,7-11) Leitura do Livro da Sabedoria: 7 “Orei, e foi-me dada a prudência; supliquei, e veio a mim o espírito da sabedoria. 8 Preferi a Sabedoria aos cetros e tronos e, em comparação com ela, julguei sem valor a riqueza; 9a ela não igualei nenhuma pedra preciosa, pois, a seu lado, todo o ouro do mundo é um punhado de areia e, diante dela, a prata será como a lama. 10Amei-a mais que a saúde e a beleza, e quis possuí-la mais que a luz, pois o esplendor que dela irradia não se apaga. 11Todos os bens me vieram com ela, pois uma riqueza incalculável está em suas mãos”. — Palavra do Senhor. — Graças a Deus!

— Saciai-nos, ó Senhor, com vosso amor,/ e exultaremos de alegria! — Saciai-nos, ó Senhor, com vosso amor,/ e exultaremos de alegria! — Ensinai-nos a contar os nossos dias,/ e dai ao nosso coração sabedoria!/ Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis?/ Tende piedade e compaixão de vossos servos! — Saciai-nos de manhã com vosso amor,/ e exultaremos de alegria todo o dia!/ Alegrai-nos pelos dias que sofremos,/ pelos anos que passamos na desgraça! — Manifestai a vossa obra a vossos servos,/ e a seus filhos revelai a vossa glória!/ Que a bondade do Senhor e nosso Deus/ repouse sobre nós e nos conduza!/ Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho.

Marco Funchal

SALMO RESPONSORIAL (Sl 89)

Reprodução

Nossa Senhora das Dores! É um título ou invocação muito antiga e comum da devoção mariana no mundo inteiro. Possui diferentes variações: Nossa Senhora da Piedade; da Soledade; do Calvário entre outras. É a padroeira de numerosos municípios brasileiros em vários Estados, de Norte a Sul. Em Minas Gerais, é a padroeira do Estado, invocada como Nossa Senhora da Piedade. Essa forma de devoção centralizada nos sofrimentos de Maria encontra-se no mundo cristão por meio de paróquias, matrizes, capelas, logradouros e estátuas públicas. Pelos séculos afora, tem motivado obras de arte em pinturas, painéis, literatura etc. É expressiva na história e no culto dos povos latino-americanos. Talvez porque a maioria sofrida do povo se sente mais identificada com a Mãe dolorosa, transpassada de dores. A Semana Santa realça essa identidade no sofrer. Na verdade, a história da América Latina está marcada desde a colonização por muitas feridas: a invasão, a ocupação a ferro e fogo, os saques, a ambição pelo ouro, prata etc. Tudo isso deu ares de legalidade à escravatura dos negros e dos índios. Um rápido olhar histórico posterior constata que, ao longo dos séculos, a política social vem sendo uma das mais injustas do mundo na distribuição dos bens comuns, serviços de saúde, salários, direitos de cidadania. No máximo, as situações civis de pobreza recebem algum alívio estatal, nunca sem fins eleitoreiros! O Brasil, mesmo supostamente indicado como a sexta economia do mundo, é o quarto país mais pobre da América Latina. Sangram as veias da vida! Ferida, mutilada, negada, desrespeitada de mil formas por interesses materiais. Principalmente, a do nascituro no seio materno e a dos idosos. Portanto, contemplar Maria com a espada de dor transpassando seu coração (Lucas 2,35), ou em pé no Calvário junto à cruz do Filho (João 19,25), produz um grande conforto espiritual. Reaviva a solidariedade tão desprezada pela sociedade de consumo e prazer imediatistas. Mas


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JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 9 de setembro de 2012

SEGUNDA LEITURA (Hb 4,12-13) Leitura da Carta aos Hebreus: 12 A Palavra de Deus é viva, eficaz e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes. Penetra até dividir alma e espírito, articulações e medulas. Ela julga os pensamentos e intenções do coração. 13E não há criatura que possa ocultar-se diante dela. Tudo está nu e descoberto aos seus olhos, e é a ela que devemos prestar contas. — Palavra do Senhor. — Graças a Deus! EVANGELHO (Mc 10,17-30) — O Senhor esteja convosco. — Ele está no meio de nós. — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, † segundo Marcos. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 17quando Jesus saiu a caminhar, veio alguém correndo, ajoelhou-se diante dele e perguntou: “Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?” 18 Jesus disse: “Por que me chamas de bom? Só Deus é bom, e mais ninguém. 19Tu conheces os mandamentos: não matarás; não cometerás adultério; não roubarás; não levantarás falso testemunho; não prejudicarás ninguém; honra teu pai e tua mãe”. 20 Ele respondeu: “Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude”. 21 Jesus olhou para ele com amor, e disse: “Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!” 22 Mas quando ele ouviu isso, ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico. 23 Jesus então olhou ao redor e disse aos discípulos: “Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus!” 24 Os discípulos se admiravam com estas palavras, mas ele disse de novo: “Meus filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus! 25É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!” 26 Eles ficaram muito espantados ao ouvirem isso, e perguntavam uns aos outros: “Então, quem pode ser salvo?”

LITURGIA

Jesus olhou para eles e disse: “Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é possível”. 28 Pedro então começou a dizer-lhe: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”. 29 Respondeu Jesus: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, 30receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor! 27

ORAÇÃO DA COMUNIDADE — Elevemos nossas preces a Deus Pai, que sempre nos escuta, nos acolhe e nos envia em missão. Dirijamo-lhe nossas súplicas. 1. PARA QUE, buscando o espírito de sabedoria, saibamos discernir em nossa vida aquilo que realmente nos realiza como seres humanos e assim possamos ser felizes conforme a vontade de Deus, rezemos ao Senhor. — Senhor, atendei-nos. 2. PARA QUE os cristãos pratiquem mais o espírito de solidariedade e de partilha a fim de que o exemplo de vida seja realmente uma boa nova anunciada, rezemos ao Senhor. 3. PARA QUE o Evangelho seja anunciado em todas as nações e que para isso todos os cristãos cooperem espiritual e materialmente, rezemos ao Senhor. 4. PARA QUE as atrações do mundo não nos impeçam de dar a Jesus uma resposta positiva ao seu chamado, rezemos ao Senhor. (Intenções próprias da comunidade.) — Senhor Deus, dignai-vos acolher hoje nossas sinceras e humildes preces. Isso vos pedimos por Jesus Cristo, nosso Senhor. — Amém. LEITURAS DA SEMANA: SEGUNDA: Gl 4,22-24.26-27.31–5,1 / Sl 112 / Lc 11,2932. TERÇA: Gl 5,1-6 / Sl 118 / Lc 11,37-41. QUARTA: Gl 5,18-25 / Sl 1 / Lc 11,42-46. QUINTA: 2Tm 4,10-17b / Sl 144 / Lc 10,1-9. SEXTA: Ef 1,11-14 / Sl 32 / Lc 12,1-7. SÁBADO: Ef 1,15-23 / Sl 8 / Lc 12,8-12. DOMINGO: Is 53,10-11 / Sl 32 / Hb 4,14-16 / Mc 10,35-45.

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 9 de setembro de 2012

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REFLETINDO A PALAVRA (PADRE JOSÉ LUIZ GONZAGA DO PRADO)

Jesus começa a anunciar a boa notícia do reinado de Deus e a convidar todos para a mudança de cabeça (metanoia). À beira do mar chama os primeiros discípulos, entra na Sinagoga, mas encontra resistência e dificuldade; sai para a casa dos discípulos. Os dirigentes religiosos e políticos dos judeus já pensam em eliminá-lo. Ele sobe a montanha e chama aqueles que quer, desses escolhe doze para ficarem com Ele e serem enviados (3,13-15). Como ficar, se serão enviados? Como ser enviados, se devem ficar? Sairão em missão e continuarão com Ele? Comunidade apostólica A comunidade que nos deixou o Evangelho segundo Marcos sabia da importância dos Doze, sabia que os dirigentes da Igreja devem ser os pais das doze tribos do Novo Israel. Sentia, porém, que eles não podem afastar-se de Jesus. Os Doze já morreram, outros estão no lugar deles. Mas devem ficar com Jesus que, para os mestres judeus tem parte com Satanás e, segundo seus próprios parentes, está louco (3,20-35). Com Jesus devem aprender a falar com as multidões, usando parábolas, comparações (4,1-34). Com

Jesus devem arriscar-se a ir para o outro lado (4,4541). Com Jesus devem ser capazes de livrar das Legiões do outro Império os que convivem com a morte (5,1-20). Com Jesus devem aprender a ser discriminados na própria pátria (6,1-6). Mas devem sair em missão, ir libertar do sofrimento e anunciar a Boa Notícia da chegada do império de Deus (6,7-13). Comunidade hoje O grande perigo hoje é a rotina. As práticas religiosas são sabidas e conhecidas. Basta executá-las e está tudo feito, a missão está cumprida. As devoções (promessas, novenas, orações e coisas semelhantes) e os gestos sacramentais têm força por si mesmos, basta fazer tudo como está estabelecido e o resultado está garantido. Quem pensa assim perde o contato com Jesus, afasta-se dele, não fica com Ele, já não sabe ou não se interessa pelo que Ele quer. Só pensa em si, no próprio interesse, ou pensa na própria função e sente-se tranquilo e merecedor de uma recompensa, porque cumpriu tudo corretamente. Jesus não diz nada, não tem nada a dizer... Quem não fica com Ele já não pode ser enviado.

GENTE SANTA (PADRE EUGÊNIO ANTÔNIO BISINOTO)

São João Crisóstomo São João Crisóstomo foi bispo e doutor da Igreja. Por sua diligência e competência na arte de falar e escrever, para expor a doutrina católica e formar os fiéis na vida cristã, mereceu o apelativo de “Crisóstomo”, que significa em grego “boca de ouro”. João nasceu em 349, em Antioquia da Síria. Teve esmerada educação de sua mãe Antusa, que enviuvou aos 20 anos. João recebeu sua formação retórica e humanista do helenista pagão Libânio. Estudou teologia com o célebre mestre Deodoro de Tarso. Aos 18 anos, João foi batizado. Quando tinha 22 anos, experimentou a vida monástica, mas teve de abandoná-la por problemas de saúde.

João foi ordenado diácono em 381 e sacerdote, em 386. Dedicou-se ao ministério pastoral como pregador e escritor em Antioquia. João foi eleito patriarca de Constantinopla em 397. Exerceu seu cargo com grande envergadura e zelo pastoral, promovendo a reforma da vida e dos costumes, tanto do clero como do povo. A pregação de João no campo moral e social acarretou-lhe duras oposições e, por duas vezes, o exílio entre os anos 403 e 407. Perseguido por tantas tribulações, faleceu em Comana, Ponto, na Ásia Menor, aos 14 de setembro de 207. São João Crisóstomo legou-nos muitos e valiosos escritos e mais de 700 cartas. No Ocidente,

sua festa é comemorada no dia 13 de setembro. No Oriente, é comemorada no dia 13 de novembro. Reprodução

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Jornal Santuário de Aparecida [Ed. 5609 - 09 set 2012]  

Edição 5609 - 09 de setembro de 2012. Saiba mais em http://www.jornalsantuario.com.br

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