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J O R N A L

Horários de celebrações na Casa da Mãe

TRILOGIA

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A PA R E C I D A

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Reprodução

Livro do Papa sobre infância de Jesus é lançado em português

Deniele Simões / JS

DIÁLOGOS

D E

Reprodução

ANO 112 • Nº 5.620 • 25 DE NOVEMBRO DE 2012 • WWW.JORNALSANTUARIO.COM.BR

Deus é fonte de entusiasmo, afirma professor Marins

Pág.10 Reprodução

SOCIEDADE

Censo revela novo perfil da família brasileira

Pág. 6 sxc.hu

SE LIGA AÍ

Festas raves: conheça riscos, comportamentos e consequências

A Campanha para a Evangelização (CE) começa neste domingo de Cristo Rei (25 de novembro) e segue até o 3° Domingo do Advento (16 de dezembro). O período busca despertar nos fiéis a consciência de que todos são chamados a ter uma participação cada vez maior na obra evangelizadora da Igreja.

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DA REDAÇÃO

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 25 DE NOVEMBRO DE 2012

.: Editorial

.: Espaço do leitor

Deus e o dinheiro Uma ação da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do Estado de São Paulo pede que as novas cédulas de Real sejam produzidas sem a expressão “Deus seja louvado”. A ação indica, em caráter liminar, que a União tem o prazo de 120 dias para que as cédulas comecem a ser impressas sem a frase, evitando gastos aos cofres públicos. “O Estado, por não ser ateu, anticlerical ou antirreligioso, pode legitimamente fazer referência à existência de uma entidade superior, de uma divindade, desde que, assim agindo, não faça alusão a uma específica doutrina religiosa”, esclarece parecer jurídico do Banco Central, consultado pela Procuradoria. O BC considera ainda “perfeitamente lícito” que a nota mantenha a expressão, uma vez que, na cédula, não há referência a uma “religião específica”. O que antes era feito de modo tácito e velado está cada vez mais escancarado: há uma verdadeira corrente ideológica que busca sistematicamente articular mecanismos que retirem Deus da cena pública em nosso país. Obcecado por seguir os modismos europeus e de países ditos mais “desenvolvidos”, a “culturália” brasileira abraça mais essa estratégia. O tema Deus e espaço público vira e mexe vem à tona. Na Itália, a questão dos crucifixos em salas de aula foi parar no Tribunal Europeu de Direitos Humanos e, aqui no Brasil, decisão da Justiça gaúcha exigiu a retirada do “acessório” das salas de julgamento e audiência. Ateu, anticlerical, antirreligioso. É com pretensas atitudes ditas positivas e esclarecidas – perpetradas por uma minoria frente à grande parcela da população que crê em uma força superior – que se constrói um Estado que não se torna mais humano por estar excluindo o fator divino da cena pública, mas empobrece cada vez mais seus cidadãos e nega suas próprias raízes e tradições. Laicidade é a convivência pacífica entre religiões e Estado, com suas devidas diferenças. Laicismo é a militância clara em prol de uma exclusão plena do dado religioso da cena pública. É nas decisões do dia a dia que escolhemos em que tipo de sociedade queremos viver. Que Deus seja louvado. Sempre!

ENQUETE

Na sala de aula O JS também está na sala de aula. Alunos de uma das turmas da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental José Ribeiro da Silva, de Cruzeiro (SP), utilizaram o jornal para a atividade de carta do leitor. A professora Andréia Maria Silva de Barros conta que fez uma dinâmica de leitura com os estudantes. Cada aluno recebeu um exemplar do jornal e fez marcação dos trechos mais importantes em cada parágrafo. Confira a carta que eles escreveram: “Olá, pessoal do JS. Somos alunos do 5° ano A da EMEIEF José Ribeiro da Silva. Gostaríamos de parabenizá-los pela excelente reportagem sobre a obesidade infantil, da edição 5617. Aprendemos a ter uma alimentação saudável, evitando, assim, uma futura obesidade. Até a próxima!”

O JS perguntou aos curtidores de nossa página no Facebook:

Qual é a principal atitude que cada pessoa deve cultivar para ter uma vida entusiasmada e feliz? Confira o resultado: 57% 29%

29% – Ter esperança, mesmo em meio ao sofrimento 57% – Não focar nas dificuldades, mas aprender lições e dar a volta por cima 14% – Alegrar-se com as vitórias dos outros e deixar a inveja de lado

* Curta você também a nossa página no Facebook e participe das enquetes. Confira fotos da atividade em sala de aula. Acesse http://bit.ly/js_crz2012

.: Contatos

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O Jornal Santuário de Aparecida é uma publicação semanal dos Missionários Redentoristas ISSN - 1980-3192

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Boa leitura!

.: Expediente

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CONSELHO EDITORIAL: Pe. Jorge P. S. Sampaio, C.Ss.R. Pe. José Uilson Inácio Soares Júnior, C.Ss.R.

REVISÃO: Ana Lúcia de C. Leite Leila Cristina Dinis Fernandes Benedita Cristina G. N. da Silva

REDAÇÃO: Deniele Simões (MTB 26435/SP) Eduardo Gois (MTB 57928/SP) ESTAGIÁRIO: Raphael Capeleto

Nº avulso: R$ 2,00


DIÁLOGOS

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SUCESSO | MOTIVAÇÃO E PAIXÃO AJUDAM A VENCER DESAFIOS DA VIDA CONTEMPORÂNEA

Deniele Simões deniele.jornal@editorasantuario.com.br

O professor Luiz Marins não gosta muito de ser chamado de palestrante. No entanto, ele é um dos consultores mais requisitados para ministrar encontros sobre motivação e sucesso. Em recente passagem por Cachoeira Paulista (SP), Luiz Marins atendeu o JS para esclarecer sobre o poder do entusiasmo, a força da paixão e a influência desses temas na vida pessoal e profissional. Marins também fala sobre motivação, mercado de trabalho e deixa claro que o segredo do sucesso, seja na vida pessoal ou profissional, é termos consciência de que somos filhos de Deus e estamos fortemente ligados a Ele. Jornal Santuário de Aparecida – Sem entusiasmo e paixão é possível vencer os desafios e as mudanças desse século? Professor Luiz Marins – A primeira coisa que temos de entender é o significado da palavra entusiasmo, que tem uma origem muito bonita. Entusiasmo vem de theos, em grego, que quer dizer Deus. A palavra grega entusiasmo significa ter um deus dentro de si, ser arrebatado pelos deuses. Por isso, os gregos diziam que iam a Theofos para que, entusiasmados pela vidente, fossem capazes de fazer a colheita, apesar das adversidades do tempo. Trazendo isso para a nossa realidade de cristãos monoteístas: temos um deus dentro de nós. Somos filhos de Deus. Sem entusiasmo, que é diferente do otimismo, não é possível vencer os desafios. Já o otimismo é reativo, porque as condições externas é que tornam a pessoa otimista ou pessimista. O entusiasmo acontece internamente. Por isso, para vencer no mundo competitivo, é preciso acreditar na

nossa capacidade de fazer as coisas acontecerem. E isso passa muito pelo poder do entusiasmo e pela força da paixão, ou seja, aquela vontade de acertar, o cuidado para não errar. Não podemos acordar de manhã e perder a paixão de ir para a empresa, de servir o cliente, de servir a sociedade. Essa paixão tem muito a ver com amor, e amor é ato de vontade, não de sentimento. Amor é querer fazer.

fortemente a Deus. Quando perdemos a motivação, perdemos também o entusiasmo. Aí, devemos novamente buscar os motivos de nossa vida. E isso acontece quando estamos colocando nossas “fichas”, vamos dizer assim, em motivos errados, em razões erradas. Quando isso acontece, é preciso corrigir os rumos da vida com entusiasmo, ou seja, lembrando que somos filhos de Deus.

JS – Em linhas gerais, o que uma pessoa desmotivada pode provocar dentro de um ambiente corporativo?

JS – Que parâmetros as empresas e seus colaboradores devem seguir para se destacar e motivar suas equipes?

Prof. Marins – A motivação não é autoajuda, não é emoção. A motivação são os motivos, são as razões. Portanto, uma pessoa desmotivada é uma pessoa sem motivos. Ninguém pode ser feliz ou ter sucesso vivendo por motivos que não sejam os seus. Logo, a pessoa desmotivada não vai a lugar algum, porque não tem motivos. Ela vive pelos motivos dos outros. Por isso há gente que confunde motivação com emoção. Motivação é o que sobra depois de passada a emoção. Uma pessoa motivada é uma pessoa que sabe fortemente quais são os seus motivos. É por isso que só pessoas motivadas vencem. JS – Esse tipo de comportamento pode “contaminar” os outros? Prof. Marins – A pessoa desmotivada pode ser ativamente desengajada, ou seja, além de ser desengajada, desengaja os outros. Se ela for só desengajada, tudo bem. Mas quando ela é ativamente desengajada... JS – O que fazer quando se perde o entusiasmo e a paixão no trabalho ou vida pessoal? Prof. Marins – Conseguimos entusiasmo à medida que nos ligamos

Prof. Marins – Para um indivíduo vencer, é preciso motivação, entusiasmo e também um forte comprometimento com aquilo que se faz, com o sucesso do cliente e com o próprio sucesso. Esse comprometimento tem dois desdobramentos: primeiro, fazer tudo com atenção aos detalhes, sem se perder nesses detalhes; e também o follow up, ou seja, as pessoas comprometidas terminam aquilo que começam. A empresa tem de ter um conjunto de crenças e valores que ofereçam motivos às pessoas para que façam tudo isso, para que se comprometam. Uma pessoa jurídica é uma marca, um papel. As pessoas é que têm de agir. Quem faz a empresa são as pessoas. JS – Atualmente, o senhor é um dos palestrantes mais solicitados do Brasil. A que motivos atribui tamanha solicitação? Prof. Marins – Nunca me considerei um palestrante. Sou professor a vida inteira, filho, neto e bisneto de professores. Sou formado como professor primário, em Magistério, fiz Contabilidade, depois História e Direito. Se tiver algum sucesso, é porque o meu desejo não é que eu apareça, mas que as pessoas aprendam. É realmente

Deniele Simões / JS

Deus é fonte de entusiasmo, afirma professor Marins

Marins: “Para vencer, é preciso motivação, entusiasmo e comprometimento com o que se faz”

coisa de professor. Eu me esforço, preparo cada palestra individualmente, com todo o carinho, porque penso muito nas pessoas que estão assistindo, para que elas sejam felizes. É um sentimento de missão muito grande. JS – E o que é mais gratificante nesse trabalho? Prof. Marins – É ver que as pessoas conseguem mudar as suas vidas, fazer alguma coisa usando o conhecimento que você está passando. A alegria do professor é ver seus alunos tendo sucesso. Eu, como sou professor há mais de 40 anos, tenho muitas pessoas que passaram por mim e agradecem as coisas que ensinei. E as coisas que um professor ensina não são dele. O professor não é o gerador dos conhecimentos, mas o transmissor.


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ATUALIDADES

TRILOGIA | PRIMEIRO VOLUME DOS ESTUDOS FOI PUBLICADO EM 2007 E SEGUNDO EM 2011

Leonardo Meira leonardo.jornal@editorasantuario.com.br

O livro em que o Papa faz um ensaio teológico sobre o período da infância de Jesus foi lançado oficialmente em português no dia 21. A obra foi publicada em Portugal e ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. Desde o primeiro volume, Bento XVI deixou claro que as publicações se tratam de sua visão pessoal como teólogo e não são pronunciamentos oficiais de seu Magistério. Joseph Ratzinger – nome de batismo do Santo Padre – começou a escrever a obra no verão de 2003, antes de ser eleito para a cátedra de Pedro. A obra que conclui a trilogia sobre Jesus de Nazaré aborda os primeiros anos da vida de Cristo nos assim chamados “Evangelhos da infância”. O primeiro volume foi publicado em 2007 e era dedicado ao início da vida pública de Cristo (desde o batismo até a transfiguração). A segunda parte da obra foi apresentada em março de 2011 e abordou os momentos que precederam a morte de Jesus e a sua ressurreição.

Infância O livro foi apresentado oficialmente ao público, pela primeira vez, durante a tradicional Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, entre os dias 10 e 14 de outubro, na edição em italiano. No prefácio da obra, Ratzinger explica que o volume serve como uma espécie de introdução para os dois precedentes. Dessa vez, ele buscou interpretar, em diálogo com exegetas (estudiosos da Bíblia) do passado e do presente, aquilo que Mateus e Lucas narram no início de seus Evangelhos sobre a infância de Jesus. “Uma justa interpretação requer dois passos. Primeiro, é preciso se perguntar o que pretendiam com os seus textos os respectivos autores, no seu contexto histórico. Mas não basta deixar o texto no passado. A segunda pergunta deve ser: é verdadeiro o que é dito? Diz respeito a mim? E se diz, de que modo o diz? Frente a um texto bíblico, cujo último e profundo autor, segundo a nossa fé, é Deus mesmo, a pergunta sobre a relação do passado com o presente é parte irrevogável da nossa interpretação. Assim, a seriedade da pesquisa histórica não é diminuída, mas aumentada”, escreve. O Papa frisa ainda que “esse colóquio

“Frente a um texto bíblico, cujo último e profundo autor é Deus mesmo, a pergunta sobre a relação do passado com o presente é parte irrevogável da nossa interpretação”, destaca Joseph Ratzinger

na encruzilhada entre passado, presente e futuro nunca poderá ser completo e que nenhuma interpretação alcança a grandeza do texto bíblico”. Trechos “Jesus não nasceu e apareceu em público no ‘era uma vez’ do mito. Ele pertence a um tempo exatamente datável e a um ambiente geográfico exatamente indicado: o universal e o concreto se tocam. Nele, o Logos, a Razão criadora de todas as coisas entrou no mundo. O Logos eterno fez-se homem, e disso faz parte o contexto de lugar e de tempo. A fé está ligada a essa realidade concreta,

Curtas • Papa nomeia bispo auxiliar para a arquidiocese de Aparecida. O escolhido foi o reitor do Santuário Nacional de Aparecida, padre Darci José Nicioli, C.Ss.R. Ele é natural de Jacutinga (MG) e tem 53 anos. Possui mestrado em Teologia pelo Pontifício Ateneo Santo Anselmo, de Roma. Atualmente, padre Darci também é vigário da Província Redentorista de São Paulo (2010-2014), entre outras funções. • Bispos reúnem-se em busca de estratégias para ação nas grandes cidades. Os responsáveis pelas arquidioceses das principais metrópoles do Brasil reuniram-se no Rio de Janeiro para a partilha e troca de experiências, em busca de estratégias comuns para ação nas grandes cidades. Participaram os arcebispos do Rio, de São Paulo, Salvador e Florianópolis. • Comissão para a Doutrina da Fé se reúne e debate subsídio doutrinal. O primeiro capítulo do texto As razões da fé na ação evangelizadora foi estudado pelos bispos que compõem a comissão. • CNBB apresenta versão oficial da tradução do Hino do Ano da Fé. A iniciativa é das Comissões Episcopais Pastorais para a Liturgia e para a Doutrina da Fé. Confira em http:// bit.ly/js_hanofe2012 • Comissão para Vida e Família da CNBB promove Encontro Nacional para Estudos sobre Matrimônio

e Família. O evento aconteceu entre os dias 12 e 14 e reuniu bispos referenciais e assessores eclesiásticos da Pastoral Familiar. O enfoque foi o estudo da família no magistério de João Paulo II, com ênfase na Teologia do Corpo. • Arquidiocese de São Paulo terá edição do Seminário de Jovens Comunicadores. O evento acontece entre os dias 31 de novembro e 2 de dezembro e tem como tema Nova Evangelização em tempos de rede. A assessoria será do assessor do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais do Vaticano, padre Antonio Spadaro. Saiba mais em http://bit.ly/js_sjcsp • Encontro de Fé e Política para profissionais da Justiça. O encontro foi promovido pelo Ministério Fé e Política da Renovação Carismática Católica (RCC), entre os dias 16 e 17. • 17º Congresso das Irmandades de São Benedito. O evento aconteceu em Piquete (SP), entre os dias 10 e 11 de novembro. A promoção foi do Conselho Nacional das Irmandades de São Benedito do Brasil (Conisb). O tema foi Enviados a anunciar o Evangelho do Reino da vida. • Marco Regulatório. Um documento com várias sugestões para a proposta de Marco Regulatório que o Governo Federal deve enviar em breve ao Congresso Nacional, regulando a atuação das entidades e organizações da sociedade civil e seu relacionamento com o Estado Brasileiro, foi apresentado ao final do Seminário Relações Estado e Socie-

dade. Confira na íntegra em http:// bit.ly/js_cmr2012 • Bento XVI institui Pontifícia Academia da Latinidade. O organismo está vinculado ao Pontifício Conselho da Cultura e tem como objetivo promover maior conhecimento e uso mais competente da língua latina, seja no ambiente eclesial, seja no vasto mundo da cultura. • Enviado do Papa ao Oriente Médio fica impressionado com situação dos refugiados. O cardeal Robert Sarah esteve no Líbano para coordenar a ação humanitária da Igreja Católica na Síria, país vizinho que sofre com uma guerra civil de amplas proporções. Ele manifestou-se impressionado com os “sofrimentos inauditos” dos refugiados. • Divisão entre cristãos é obstáculo para evangelização. É o que indicou o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, cardeal Kurt Koch, durante a assembleia plenária do organismo vaticano. “A credibilidade da mensagem do Evangelho depende da unidade dos cristãos”, afirmou. • Pontifício Conselho para a Pastoral da Saúde realiza assembleia plenária. O tema do encontro foi O hospital como lugar de evangelização, missão humana e espiritual. A assembleia aconteceu de 15 a 17 de novembro, no Vaticano, e foi concluída em uma audiência com Bento XVI.

Arquivo / Divulgação

Livro do Papa sobre infância de Jesus é lançado em português

Capa da edição em italiano da obra do Papa

ainda que, em virtude da Ressurreição, o espaço temporal e geográfico seja superado” (Da página 36 do manuscrito). “Maria envolve o menino em faixas. [...] A tradição do ícone, com base na teologia dos padres, interpretou a manjedoura e as faixas também teologicamente. O menino envolto em faixas é uma espécie de antecipação da sua morte: Ele, desde o início, é o Imolado. Assim, a manjedoura é figurada como uma espécie de altar” (Da página 38 do manuscrito).

O 23º Congresso Mundial do Apostolado do Mar aconteceu entre os dias 19 e 23 de novembro, no Vaticano. O evento foi organizado pelo Pontifício Conselho para os Migrantes e Itinerantes. O tema foi Nova evangelização no mundo marítimo. O objetivo do encontro foi examinar, de maneira atenta e crítica, o impacto sobre a população que vive com base na economia marítima as mudanças ocasionadas pelo panorama internacional. Participaram 410 pessoas de 71 países dos cinco continentes. Entre os problemas enfrentados por essa população de marítimos está o uso das tecnologias de ponta que, ao mesmo tempo em que tornam mais rápido o trabalho no mar, nem sempre resultam em benefício para as pessoas. “O Apostolado do Mar, por meio de seus voluntários e capelães, sempre se preocupou com os pescadores e suas famílias. Não há estatísticas precisas sobre os incidentes que afetam os trabalhadores desse setor, mas muitas organizações internacionais sustentam que a pesca é uma das profissões mais perigosas do mundo. Não se deve esquecer que, além da regulamentada, há também a pesca ilegal, não declarada e não disciplinada, que muitas vezes está associada ao tráfico de pessoas e ao trabalho forçado”, ressalta o presidente do Pontifício Conselho, cardeal Antonio Maria Vegliò. Saiba mais sobre o Pontifício Conselho. Acesse www.pcmigrants.org


REDENTORISTAS

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SOCIAL | CENTRO DE ASSISTÊNCIA FICA EM MIRACATU

ATITUDE DE VIDA

O Centro de Assistência Social (CAS) Pedro Donders, de Miracatu (SP), promoveu uma confraternização para celebrar o primeiro ano de atividades. A festividade aconteceu no dia 11 de outubro, na sede do CAS. Todas as famílias cadastradas e atendidas no Centro participaram do evento, bem como outros moradores do bairro. Houve apresentação: das participantes do Projeto SOS Família; dos alunos da Oficina de Violão; de fotos das atividades dos anos de 2011 e 2012; bem como degustação de pratos confeccionados pelos integrantes da Oficina de Culinária e entrega das Declarações de Participação do Curso de Culinária. O CAS abriu as portas em 17 de julho do ano passado e já atendeu mais de 1.800 pessoas. As famílias encontram-se em situação de alta vulnerabilidade, afetadas pelo desemprego, com baixa ou nenhuma escolaridade, moradia precária e doenças. São famílias com muitos filhos, sem orientação quanto ao controle de natalidade e desinformadas quanto aos seus Culinária é uma das oficinas promovidas pelo CAS

Arquivo / Divulgação

direitos em relação aos benefícios socioassistenciais oferecidos pelo governo. Miracatu é a terceira cidade da região no sentido São Paulo-Curitiba e um dos maiores municípios em extensão territorial do Estado. Fica a 137 quilômetros da capital pela Rodovia Régis Bittencourt (BR-116). A cidade foi diagnosticada como uma das mais pobres do Estado. Cerca de 10 mil pessoas residem em área rural e de difícil acesso. Esse público é prioridade para os atendimentos do CAS, uma vez que são as famílias mais distantes que tem maior dificuldade de acesso à informação e direitos. O CAS Pedro Donders fica no seguinte endereço: Rua Orlando Silva, 336. Bairro Jardim Yolanda. Telefone: (13) 3847-3698. E-mail: sosfamiliamiracatu@live.com

O que estão procurando? “Jesus virou-se para trás, e vendo que o seguiam, perguntou: ‘O que estão procurando?’” ( Jo 1,38). Essa pergunta foi feita a membros da Juventude Missionária Redentorista ( Jumire) da Província de São Paulo, para a confecção de um vídeo que divulgasse os propósitos do grupo. A experiência deu bons frutos e vamos dividi-la com vocês. Zenilda Cunha, integrante do grupo de Aparecida, foi procurar a experiência de sentir-se amada por Deus, e de viver esse amor de um jeito jovem. Ela encontrou o que procurava e o Jumire Aparecida já representa uma família que cresce firme na espiritualidade redentorista. A aparecidense Gabriela Ramalho buscava também novas amizades, e encontrou verdadeiros companheiros de missão, que procuram espalhar a Boa-Nova de uma forma bem dinâmica. Alais Neves frequenta as reuniões em São Paulo. “Eu busco e quero levar muito amor, caridade e carinho às pessoas que mais necessitam”, afirma a paulistana. Thais Goes também participa do grupo da capital e diz que a pergunta “o que estão procurando?” é difícil de ser respondida ainda na juventude. Para ela, “a resposta requer um compromisso maior com o anúncio da Boa-Nova, com a comunhão com

Deus e com os cristãos, para não deixar morrer a esperança de um mundo novo, que é possível”. E você, o que está procurando? Cristo nos convida para sermos missionários! Acesse a seção destinada ao conteúdo multimídia no site do Secretariado Vocacional e confira outros depoimentos de jovens integrantes do Jumire.

Reprodução

CAS Pedro Donders completa um ano Leonardo Meira leonardo.jornal@editorasantuario.com.br

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Acesse o site

www.a12.com/vocacional


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SE LIGA AÍ

JUVENTUDE | TRABALHO CIENTÍFICO IDENTIFICA COMPORTAMENTOS, RISCOS E CONSEQUÊNCIAS

Festas raves no Brasil: saiba mais sobre o assunto

Eduardo Gois eduardo.jornal@editorasantuario.com.br

Peculiaridades Também houve a intenção e a curiosidade de refletir sobre as consequências e os riscos que as raves trazem aos jovens. A autora da tese relata que há grandes peculiaridades nesse tipo de festa. Entre elas, a comunicação nas danças, o que não necessita de palavras. “As pessoas dançavam juntas e sentiam-se parte de algo sem precisar falar. Bastava a troca de olhares e sorrisos”, explica. Ela também reflete sobre como encontrou nesses ambientes novas formas de as pessoas se relacionarem com o mundo, com o lugar onde estão e com as outras pessoas, principalmente. Entretanto, as diferentes formas de relacionamento tendem a se estabelecer de acordo com grupos e das formas que tais grupos se apropriam da festa. “Encontrei pessoas que acreditam ter aprendido a amar na festa rave, bem como outras que consideraram a festa apenas um exagero”, conta. Psicoativos Falando em exageros, é sabido que espaços dessa natureza propiciam a quebra de tabus, novas experimenta-

ções e excessos de vários tipos. Carolina afirma que, apesar da importância de quebrar normas para depois se ter a certeza de que elas são importantes, é preciso não pensar na festa como uma válvula de escape, pois os riscos com o consumo de psicoativos são evidentes. Logo, faz-se necessária uma participação equilibrada nesses ambientes. Como qualquer droga, os psicoativos utilizados nas raves apresentam perigos. Uma das pessoas ouvidas na pesquisa diz: “Amadureci nas raves, mas corri muitos riscos”. Para Carolina, o principal risco do qual falam os frequentadores não é a morte, mas a submissão a um tratamento psiquiátrico. A pesquisadora também conta que, mesmo sendo delicada, a questão não podia passar despercebida em uma tese de doutorado em Antropologia, pois é certo que não existem raves sem psicoativos. “Mesmo não sendo todos os presentes que fazem uso de drogas, a maioria usa”, explica. O assunto foi de extremo desafio, pois, em condição de pesquisadora, Carolina não poderia nem condenar as raves, nem fazer apologia, mesmo diante de uma realidade existente: o alto uso de drogas ilícitas, bebidas alcoólicas e outros componentes que contribuem com alterações de comportamento e da própria saúde dos envolvidos. “Meu maior desafio é lidar com o tema sem criar estereótipos e um estigma sobre os frequentadores e a festa”, relata.

raves são frequentadas por pessoas das grandes cidades, que buscam uma espécie de autoconhecimento, o que acontece por meio da experimentação de interações com a música, com as pessoas presentes e com o ambiente. “O momento mais esperado é deitar na grama e ficar de papo para o ar. É o prazer do contato com a natureza”, afirma Carolina. Segundo a doutora, na festa não há uma competição entre os participantes, e sim uma cooperação e partilha do ambiente. Por isso, os eventos sempre acontecem longe dos centros urbanos, muitas vezes em locais paradisíacos, como praias e cachoeiras. Nos festivais, as pessoas têm o costume de dividir suas posses e interagir com as outras como se fossem conhecidos de muito tempo. “Apesar da experiência comunitária das raves normalmente não se desdobrar imediatamente na estrutura da vida cotidiana, é algo potencialmente transformador”, relata a antropóloga.

Ritual As tribos procuram, mais do que apenas uma diversão, transcender a realidade cotidiana da vida urbana. Feitas “no meio do mato”, as festas

A doutora em antropologia Carolina de Camargo Abreu

sxc.hu

Reprodução / UnivespTV

As festas raves trazem experiências particulares para a juventude. O assunto é tão instigante que rendeu uma pesquisa na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP). A doutora em antropologia Carolina de Camargo Abreu desenvolveu uma tese que descreveu um pouco desse universo. O estudo recolheu depoimentos de jovens, principalmente entre 20 e 30 anos, que participam desse tipo de festa. Intitulado Experiência Rave: entre o espetáculo e o ritual, o trabalho é resultado de mais de dez anos de pesquisa em festivais de música eletrônica no Brasil e no exterior e joga luz sobre a experiência do festejar rave e sobre a chamada tribo global – agrupamento cultural que se dá através de intensa troca pela internet e em encontros realizados em territórios distantes das atividades urbanas. Carolina foi motivada por uma curiosidade e um interesse teórico sobre a interação social das pessoas: “Era algo que eu nunca havia visto em nenhum outro ambiente social”, conta a pesquisadora, que também frequentou festas raves nos anos 1990. No trabalho, ela procurou pesquisar sobre quais tipos de relações os participantes das raves estabelecem e que experiências estão construindo juntos. Também a forma com que eles articulam diversos tipos de tecnologias: sejam eletrônicas, químicas, psicoativas, cinemáticas ou cinematográficas, pois, nessas festas e festivais, há aproximações da rave com rituais indígenas. Entretanto, mesmo imitando

as celebrações de tribos, as raves utilizam particularmente tecnologias industriais disponíveis a partir da década de 1980. A música eletrônica tem sua base na batida feita pelo computador, enquanto as canções indígenas utilizavam a percussão. A pintura corporal também está presente nas raves, mas é feita com tinta fluorescente, fruto de tecnologia química recente. Muitas pessoas, nesses locais, utilizam máscaras e adereços que remetem a culturas indígenas. Totens são construídos, também sendo geralmente luminosos.


VIVER

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.: DE OLHO

PALAVRAS CRUZADAS DIRETAS

Acompanhar os eleitos Para tudo na vida há um tempo

Por conta da pressa e das características próprias da pós-modernidade, a velocidade, a rapidez, a quantidade, a variedade, a multiplicidade, o mundo pode levar as pessoas a terem apenas um leve contato, pode conduzi-las a ver tudo muito rapidamente, a sentir apenas superficialmente. Isso impede que se possa aprofundar, degustar, sentir de verdade. Quando se tem informações em demasia, corre-se o risco de pouco se reter. Nunca tivemos tanta informação e nunca guardamos tão pouco da informação que temos. Em meio a tantas possibilidades, é preciso separar cada coisa e atribuir a cada uma delas o tempo necessário, para que possa ser experimentada, sentida, conectada. Não basta ver, ouvir, perceber. É preciso tomar consciência. Não se pode passar pela vida. É preciso vivê-la.

Reprodução

Padre Pedro Cunha é sacerdote da diocese de Lorena (SP), fundador das Aldeias de Vida e professor universitário. Apresenta o programa Em Frente, na TV Aparecida. Idealizou o projeto Cabedalis. Contato: www.cabedalis.com.br

.: RECEITA

Ingredientes:

(?) do povo: a religião, para Marx

Classificação de filmes como "Uma Linda Mulher" Feitio do Interjeição de quem ancinho ganha presentes

O colesterol HDL Aptidão; habilidade

Carlos Zéfiro, cartunista brasileiro

Postura esperada do animal doméstico Idem (abrev.) Os tempos passados Inflamação que pode levar à cirrose

Orifício como o da saída da urina

A empresa capaz de enfrentar a concorrência

Capital Nacional do Rodeio (SP)

Pedido do cliente nos pagamentos à vista Ambiente do curupira (Folcl.) Variedade de abacaxi

Passarinho negro Artigo de contrato

Parte comestível de flores

Virtuose como Arthur Moreira Lima

Divisão didática da Literatura brasileira

Significa "Real", em RAF

"Tieta do Continente (?)", obra que abriga de Jorge mais da Amado metade da população terrestre Pontaria, em inglês Nome da letra “H” Corrida "off road"

Nelson Rodrigues, dramaturgo (?) os pés no chão: ser realista

Satélite de Júpiter (Astr.)

Tonelada, em inglês Pronome indefinido Costa (?), país da América Central A maior ave da fauna brasileira

Mascote do Internacional-RS (fut.) Varre-(?), município fluminense Depósito de cereais 800, em romanos

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Solução

1 colher de azeite extra virgem Acrescente a pimenta, o orégano e o azeite para dar consistência.

Sirva torradas integrais na sopa de legumes.

C O S O B O M A D E I D P I I V A A R N T O I M S I A T O N A T S A I C C C P I A

1 pitada de pimenta branca

D U S P E I T E C Z C I L I D A T I T E V S M P E TI T E E E R A T I M E T A Z O L A A A G A R R I C A E M A L I S D I O TE R A

1 pitada de orégano

C R E E D O H E P N I C O I A B M A P E R N R T E R O T O F I S

4 colheres de sopa de cottage

arenque já triturado.

Como deve ser o tratamento para com os mais velhos

BANCO

1 lata de arenque defumado

Amasse o cottage e misture ao

Autorização do MEC para que uma faculdade funcione

(?) dos Espumantes, roteiro turístico (RS) Típico tratamento do atleta lesionado

Patê de arenque

Modo de fazer:

© Revistas COQUETEL 2012

Trecho de estradas em que motoristas andam "na banguela" Combatê-la é o Página objetivo do DNOCS (abrev.)

3/aim — ton. 4/rota — silo. 5/meato — tiziu.

“Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus” (Eclesiastes 3,1). O segredo de bem viver é saber viver cada tempo que Deus nos concede. Viver intensamente, viver sem pressa, viver bem, viver por inteiro, degustar cada segundo. Tudo se modernizou, para que se possa fazer sempre mais rapidamente a maioria das coisas. Para aquecer uma refeição, era necessário arrumar a lenha, acender o fogo, e bem devagar aquecer a comida. Isso podia levar uns 30 minutos ao menos. Hoje, em 30 segundos, aquecemos uma refeição no micro-ondas. Mas, o que se faz com os 29 minutos e 30 segundos que restaram? Quem sabe se possa usar esse tempo para se viver mais intensamente, conversar mais, demonstrar mais afeto, escrever uma poesia, telefonar mais demoradamente a alguém, admirar uma nova flor que brotou no quintal. Contudo, não parece ser isso o que acontece com a maioria das pessoas. Apenas se vive correndo. A pressa está sempre determinando cada segundo da vida. Há de se perguntar: pressa pra quê? Seria bom sempre lembrar: “há um tempo para cada coisa”.

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IGREJA

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 25 DE NOVEMBRO DE 2012

CE 2012 | OBJETIVO DA CAMPANHA É TORNAR COMUNIDADES CORRESPONSÁVEIS PELA VIDA ECLESIAL

A Campanha para a Evangelização (CE) começa no domingo de Cristo Rei (25 de novembro) e segue até o 3° Domingo do Advento (16 de dezembro). A ideia é despertar nos fiéis a consciência de que todos são chamados a ter uma participação cada vez maior na obra evangelizadora da Igreja. Essa é uma exigência do Batismo e a CE busca viabilizar esta participação, seja nas atividades da comunidade eclesial, seja pela oração e pela oferta material, que garante os recursos necessários para que a Igreja no Brasil possa realizar projetos evangelizadores. O lema deste ano é “Eu vi e dou testemunho: Ele é o Filho de Deus” ( Jo 1,34). Dessa forma, a CE quer acentuar a missão de anunciar a todos que Jesus Cristo é a razão da vida, do trabalho e da própria existência da Igreja. “Quem acolhe esse anúncio encontra não uma resposta qualquer, mas a resposta para suas dúvidas, inquietações e buscas. Por isso, como João Batista, somos chamados a experimentar, anunciar e testemunhar que Jesus é o Filho de Deus, o grande presente do Pai, e, por isso, só temos uma coisa a fazer: seguilo”, afirma o presidente da Comissão Episcopal para a CE da CNBB e arcebispo de São Salvador da Bahia, Dom Murilo Krieger. Neste ano, a CE tem como objetivo despertar em cada batizado sua responsabilidade com a evangelização, justamente por ser batizado. Dom Murilo aponta como modelo o apóstolo Paulo: as pessoas precisam considerar a suprema alegria de conhecer Jesus Cristo e, por isso, fazer tudo o que estiver ao alcance para que Ele seja também fonte de alegria para todos os seres humanos.

Outro ponto que precisa ser mais bem avaliado é o de que o trabalho evangelizador exige recursos; nesse sentido, colaborar financeiramente para que o Evangelho chegue a todos é uma graça e privilégio, e não um fardo. “Nem todos podem partir em missão ou têm condições de utilizar os meios de comunicação para evangelizar. Não são todos que podem escrever, falar ou organizar equipes de evangelizadores. Todos têm condições, contudo, de ajudar os evangelizadores. E é essa ajuda que a Campanha para a Evangelização pede a cada batizado”, explica o arcebispo.

Leonardo Meira/ JS

Eduardo Gois eduardo.jornal@editorasantuario.com.br

Eduardo Gois/ JS

Campanha para a Evangelização busca discípulos missionários

Evangelização hoje

Segundo o texto-base da campanha, sabe-se que a realidade atual está repleta de problemas, e que cada vez mais se tem a impressão de que são insuperáveis. As pessoas colocaram a solução dos problemas nas ciências e no progresso e agora estão desiludidas. O motivo principal é que a ciência e a tecnologia podem avançar na solução de muitas questões, mas não podem responder à principal pergunta do ser humano: “Qual o sentido da vida?”. A resposta a essa questão fundamental está na pessoa de Jesus e no conhecimento da sua mensagem. As pessoas muitas vezes não percebem isso e, logo, não vivem bem. Procuram a felicidade em coisas e não no sentido da vida, explica dom Murilo. De acordo com o arcebispo, evangelizar hoje é fazer o mesmo que os apóstolos fizeram há 2.000 anos: anunciar que Jesus Cristo foi enviado do Pai para a salvação e padeceu, morreu, ressuscitou e subiu ao céu – portanto, está vivo.

Dom Murilo Krieger: “Todos têm condições de ajudar os evangelizadores”

“Ele prometeu que estaria conosco todos os dias, até o fim dos tempos. Somos chamados, pois, a escutá-lo, a conviver com Ele e a descobri-lo em cada irmão. Por Ele, aceitamos perdoar, nos doar, servir, lembrados sempre de que o que fizermos ao menor de nossos irmãos é feito a Ele. Seguindo-o, seremos reconhecidos por Ele como seus discípulos e seremos convidados a participar da vida eterna, com a Santíssima Trindade, a Virgem Maria e todos os santos”, comenta. O presidente da Comissão para a CE avalia que a campanha é importante para incentivar o cristão leigo a assumir sua responsabilidade. Ele ressalta ainda que, em um mundo individualista, há a necessidade de insistir e dizer que Jesus veio para formar uma família. “Ninguém se salva sozinho. Ao contrário da consciência de Caim, precisamos nos convencer que somos, sim, responsáveis por nossos irmãos e irmãs. Portanto, se a CE despertar o entusiasmo no coração dos fiéis e transformá-los em evangelizadores, terá cumprido sua finalidade”, explana. O assessor da CNBB para a CE, padre Luiz Carlos Dias, destaca: “A campanha é um projeto de toda a Igreja, com o objetivo de levar as pessoas a perceber sua corresponsabilidade em relação à evangelização. A solidariedade se realiza no apoio coletivo aos trabalhos que mantêm viva e renovada a comunidade eclesial. Cuida-se para que as comunidades cristãs sejam testemunhos vivos de Jesus e do Evangelho”.

Padre Luiz Carlos Dias: “Ao despertar a corresponsabilidade de todos para a obra evangelizadora, a Igreja também conscientiza os cristãos sobre a necessidade e a responsabilidade na sustentação das atividades pastorais”

Para onde vai o dinheiro da CE?

Os recursos arrecadados pela campanha são repartidos segundo critérios específicos, priorizando regiões carentes e as necessidades de cada localidade no campo da evangelização. A CE destina 45% do resultado para a evangelização na própria Diocese da coleta, para projetos que a mesma determinar. Já 20% é canalizado para o respectivo Regional da CNBB (a CNBB tem 17 Regionais), que também tem seus projetos próprios de evangelização, e 35% é canalizado para a sede da CNBB, em Brasília, que investe na consecução das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil – portanto, em projetos que vão beneficiar todas as Dioceses.

Evangeli.Já

Evangeli.Já é o slogan utilizado nos subsídios preparados para a CE deste ano. Dom Murilo explica que a expressão quer destacar a urgência da evangelização. Diante de multidões que não conhecem Jesus, não o amam e não o seguem, é preciso fazer como os apóstolos: o trabalho evangelizador foi a razão de ser de suas vidas, pois sentiam a necessidade interna de ir adiante, nunca se contentando com os resultados já obtidos. “A Igreja, hoje, precisa de evangelizadores assim”, opina.


JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 25 DE NOVEMBRO DE 2012

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Encontre os subsídios da CE

Da mesma forma que as Campanhas da Fraternidade

(CF) e Missionária, a Campanha para a Evangelização exige organização, empenho e criatividade. Anualmente, a CNBB prepara e envia a todas as dioceses e paróquias subsídios para animação da CE. Em grande parte, os textos são articulados com a mensagem do Advento, sobretudo nas atividades

do Natal em Família. Além disso, são confeccionados panfletos com mensagens específicas, folhetos informativos para as missas dominicais e envelope para coleta. No site da CNBB é possível encontrar um rico material para a divulgação da CE. Todo o conteúdo – que inclui cartazes e outros impressos – está disponível

Como nasceu a CE? A Campanha para a Evangelização foi criada pela CNBB em 1998. A coleta nacional para a evangelização acontece no 3° domingo do Advento. O valor angariado pela coleta constitui o Fundo para a Evangelização, que é administrado pela Comis-

são para Assuntos Financeiros da CNBB e é destinado a apoiar ações evangelizadoras em caráter nacional, regional e diocesano. O objetivo é despertar os leigos para o compromisso evangelizador e para a responsabilidade pela sustentação das atividades pastorais da Igreja.

para quem quiser imprimir e compartilhar. Faça seu papel de evangelizador e divulgue. Acesse http://bit.ly/js_ce

Aprenda a oração da CE

Ó Deus, quisestes que a vossa Igreja fosse no mundo o sacramento da salvação para todas as nações, a fim de que a obra do Cristo que vem continuasse até o fim dos tempos.

Derramai o Espírito prometido, para que aumente em nós o ardor da evangelização e faça brotar nos corações a resposta da fé. Por Cristo, nosso Senhor. Amém!

Participação ativa na obra evangelizadora da Igreja

De acordo com o texto-base da CE, toda a discussão não

pode ser apenas teórica. Deve, na verdade, criar nova mentalidade e novo comportamento nos cristãos, e esse é o principal objetivo da Campanha para a Evangelização que a CNBB realiza todos os anos. Assim, toda a Igreja deve animar a CE, no sentido de despertar a corresponsabilidade de todos para a obra evangelizadora, de modo que

as necessidades sejam assumidas solidariamente por todos os que pertencem à Igreja Católica. A Campanha para a Evangelização procura despertar em todos os cristãos a consciência de que, unidos a Cristo pela graça batismal, participam da missão evangelizadora da Igreja. Esse trabalho de conscientização procura motivar

todos os fiéis para a participação ativa na missão evangelizadora da Igreja por meio de três caminhos: o testemunho, as ações pastorais específicas e a garantia de recursos materiais para o trabalho evangelizador.

O porquê da escolha do tempo do Advento para a Campanha

O Advento é tempo rico e significativo na vida e na espiritualidade das comunidades cristãs, como celebração do Verbo que se encar-

nou e se fez solidário com as alegrias, sofrimentos, pecados e esperanças da humanidade. As comunidades e as famílias se preparam para a festa do Natal por meio de novenas, orações em grupo, meditação da Palavra de Deus e gestos de solidariedade e caridade para com os mais pobres, para acolher e vivenciar a Boa-Nova da presença e manifestação do Filho de Deus, que veio trazer vida em abundância para todos. Advento é tempo de espera.

Espera de dias melhores e de mais justiça e paz, de mais liberdade e igualdade. Essa espera foi o sonho do povo do Antigo Testamento. A chegada do Messias deveria trazer a realização desse sonho. Os profetas denunciaram as injustiças e a escravidão e colocavam na vinda do Messias a esperança da libertação e da salvação para todos. O tempo do Advento é oportuno, pois carrega a prática da evangelização nas comunidades. Cultiva-se a chegada do Messias,

Filho de Deus, em seu projeto de vida nova, liberdade, partilha e fraternidade. É um período em que o projeto de Jesus exige conversão e implica penitência e oração. A coleta promovida pelas dioceses e pela CNBB é de fato colheita dos frutos amadurecidos no Advento para serem colocados em comum e a serviço da evangelização, da Boa Notícia da chegada do reino no hoje da vida do povo brasileiro.


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Jornal Santuário de Aparecida • 25 DE Novembro DE 2012

Sociedade

ESTATÍSTICA | PARA CNBB, MUDANÇAS ACOMPANHAM 1º MUNDO E REFLETEM INDIVIDUALISMO

Dados do Censo revelam novo perfil da família brasileira

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou uma nova análise dos dados do Censo 2010 que aponta para a mudança no perfil da família brasileira. Os principais indicadores apontam para o crescimento das uniões informais, o aumento da participação feminina no mercado de trabalho e a ampliação no número de separações e divórcios. De acordo com o pesquisador do organismo, Marden Barbosa, os resultados confirmam alterações na estrutura familiar que vêm sendo registradas nas últimas décadas. “Nesses volumes, foram feitas análises mais detalhadas dos quesitos, incluindo o cruzamento desses temas com outras variáveis investigadas no censo, como rendimento, escolaridade, sexo e idade da população, cor e raça”, aponta. O presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e Família da CNBB e bispo de Camaçari (BA), dom João Carlos Petrini, considera que essa nova configuração acompanha o que já acontece em países desenvolvidos, refletindo também uma tendência ao individualismo da sociedade moderna. “Algumas dessas mudanças são positivas e irrenunciáveis, como uma paridade de dignidade e de direitos entre homens e mulheres, uma maior participação do homem e da mulher nas tarefas domésticas, uma postura menos autoritária na educação dos filhos”, destaca. Menos casamentos e mais separações Pouco mais de um terço dos brasileiros que vivem algum tipo de união conjugal não formalizou o casamento, seja no civil, seja no religioso. Já a porcentagem de casamentos caiu de 37% para 34,8%. Será que os dados podem refletir receio do brasileiro em relação

Casais com menos filhos Os dados também revelam que as mulheres têm cada vez menos filhos e retardam a gravidez o máximo possível. “Além do número de filhos por mulher vir se reduzindo significativamente, esse censo indica um envelhecimento da estrutura da fecundidade”, aponta Barbosa. Além disso, o número de casais sem filhos aumentou de 15% para 20,2%. Se o objetivo do casamento é a formação de uma família com filhos, seria possível dizer que os brasileiros estão se distanciando desse propósito? Para dom Petrini, os resultados refletem o que já ocorreu na Europa, apontando a origem de uma grande crise. “É a crise humana, na qual a maior parte das pessoas perdeu o gosto de viver, a alegria de lutar e enfrentar desafios.” Outro aspecto é que o aumento da participação feminina no mercado de trabalho e a priorização da carreira adiam a maternidade. Por isso, é

de fundamental importância ao casal conciliar da melhor maneira possível a vida de família e o trabalho. Segundo o bispo, isso exige também políticas públicas que levem a sério as exigências da vida familiar, da educação dos filhos e da importância da maternidade e da paternidade. Uniões homoafetivas Pela primeira vez, o censo trouxe uma pergunta sobre uniões entre pessoas do mesmo sexo. Do total de pessoas que disseram ter uniões homoafetivas, 47,4% declarou-se católica e outros 20,4% sem religião. Dom Petrini destaca que a Igreja apresenta a todos os cristãos um Deus compassivo e misericordioso, que ama e perdoa. “Jesus Cristo é o Redentor de todo ser humano, inclusive de quem carrega o ‘fardo’ da homossexualidade”, explica. Nesse sentido, há grande preocupação com a cultura dominante, que pretende dar respostas ao drama dessas pessoas através de medidas políticas e ideológicas. “O tempo de duas ou três gerações dirá quanto os caminhos atualmente incentivados respondem às exigências de felicidade e de bem de cada pessoa”, revela. Trabalho pró-família No Brasil, a Igreja tem promovido iniciativas visando o fortalecimento da família. As ações acontecem através da Pastoral Familiar, visando a liberdade dos casais diante das modas culturais e dos “modelos” de família apresentados pela cultura contemporânea. O trabalho é difundido pelas chamadas “Escolas de Família”, que incentivam a formação de grupos de vida fraterna, para que cada casal possa contar com a amizade de outros casais no enfrentamento dos desafios. A ideia é buscar um aprofundamento do significado do sacramento do matrimônio como presença de Jesus na vida da família e uma melhor compreensão da extraordinária riqueza que a família constitui para toda a sociedade.

Divulgação / IBGE

ao casamento? Para dom Petrini, o medo pode determinar muitas decisões, como não conseguir dar conta da responsabilidade assumida, de perder o emprego, de não conseguir sustentar a família ou até mesmo de não ser feliz no casamento. Mas o que mais pode determinar esse receio é justamente a ausência de fé. “Creio que, juntamente com esses problemas, falte atualmente a fé como fortaleza que robustece a pessoa e lhe permite enfrentar desafios mesmo grandes, com a confiança de ser acompanhado pelo Pai amoroso e misericordioso”, ressalta. Por outro lado, dom Petrini menciona uma crise na cooperação entre os sexos e entre gerações, que pode também colaborar para os resultados. De um lado, o contexto social não favorece a família, pois o trabalho absorve a maior parte do tempo do casal, acarretando negativamente no convívio com os filhos. “Por outro lado, diminui a disponibilidade a assumir algum sacrifício para o bem do outro ou do grupo familiar”, completa.

Para Barbosa, resultados confirmam alterações iniciadas nas últimas décadas

Arquivo JS

Deniele Simões deniele.jornal@editorasantuario.com.br

Dom Petrini destaca falta de fé como impulsionadora de parte das mudanças


Fique Ligado Missas Segunda a sexta: 7h – 9h (TV) – 10h30 – 12h - 16h Sábado: 6h30 – 9h (TV) – 10h30 – 12h – 16h – 18h (TV) Domingo: 5h30 – 8h (TV) – 10h – 12h – 14h – 16h – 18h (TV) Bênçãos (ao final de todas as missas) Confissões Segunda a sexta: 7h30 às 11h – 14h às 16h Sábado: 6h30 às 11h15 – 13h30 às 16h45 Domingo: 6h30 às 11h15 – 13h30 às 16h Batismo Segunda a sexta: 10h e 15h Sábado: 9h – 10h – 11h – 14h – 15h Domingo: 8h – 9h – 10h – 11h – 14h – 15h Piedade popular Consagração a Nossa Senhora Segunda a sexta: 11h45 (TV e Rádio) e 15h – Sábado: 15h Hora Mariana (Terço) – Segunda a sábado: 14h Novena Perpétua – Quarta: 15h15 e 19h30 Novena de Aparecida Segunda a sábado: 10h – Domingo: 9h Procissão Eucarística – Quinta: 10h Procissão Luminosa do Terço – Sábado: 19h Procissão Mariana – Domingo: 6h30 Encontros especiais Coordenadores de Romarias: Sábado: após missa das 9h Domingo: após missa das 8h Local: Sala dos Coordenadores de Romarias (ao lado da Sala de Confissões) Plantão religioso Segunda a sexta: das 17h às 18h Telefone para informações: (12) 3104 1000 Horários de missa - Matriz Basílica Segunda, quarta e quinta: 7h – 18h (TV) Terça: 7h – 16h (missa dos doentes) – 18h (TV) Sexta: 7h – 18h (TV) – 19h30 Sábado: 15h – 19h Domingo: 19h30 Bênçãos (ao final de todas as missas) Telefone para informações: (12) 3105 1517

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ARTIGOS

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 25 DE NOVEMBRO DE 2012

FÉ EM QUESTÃO (PADRE CIDO PEREIRA)

“Quem foi Timóteo?” ( Josefa Rodrigues, Campinas – SP) Primeiramente, deixe-me dizer a você que o nome Timóteo tem um significado muito bonito. Quer dizer “Aquele que honra a Deus”. Depois, é preciso que você saiba que o Timóteo da Bíblia foi um discípulo e companheiro de Paulo em suas andanças missionárias. Timóteo nasceu na cidade de Listra, na Licônia. Seu pai era grego e sua mãe, uma judia convertida ao cristianismo. Por causa de sua mãe hebreia, São Paulo aconselhou Timóteo a ser circuncidado (At 16,1-3). Na segunda Carta de Paulo a Timóteo, lemos que sua mãe se chamava Eunice e sua avó Loide. Quando Paulo passou por Listra, em sua segunda viagem missionária, convidou Timóteo para viajar com ele e Timóteo aceitou. Timóteo ficou numa cidade chamada Bereia com Silas, quando Paulo teve de fugir às pressas (At 17,4), e os dois foram se encontrar mais tarde em Corinto. Ali Timóteo ficou enquanto durou o período de pregação de Paulo. Depois foi mandado para Macedô-

nia com Erasto, antes da terceira viagem missionária de Paulo. O nome de Timóteo aparece muitas vezes nas Cartas de Paulo, principalmente naquelas saudações que iniciam as cartas (2Cor 1, 1; Fl 1, 1; Cl 1, 1; 2Ts 1, 1). E ele era frequentemente enviado por Paulo às comunidades, sinal que o Apóstolo lhe queria bem e lhe tinha um carinho especial. Timóteo era do povo de Israel, por parte de mãe, e por isso aprendeu com ela a viver a fé judaica e, depois, a amar e a servir Jesus Cristo. De Paulo ele recebeu a formação para se tornar missionário. Agora, minha irmã, você já conhece um pouquinho desse homem de Deus, desse grande missionário que foi Timóteo. Deus a abençoe, Josefa.

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PERGUNTAS A UM PSICANALISTA (ROBERTO GIROLA)

“Sei que fui uma criança amada, mas tenho poucas lembranças de meu passado. Há algum problema?”

Memórias infantis: são importantes? Embora a psicanálise frise a importância do período infantil para a formação do psiquismo, nem sempre é possível resgatar memórias desse período. Algumas pessoas têm quase nenhuma lembrança da infância. Isso não quer dizer, necessariamente, que aquele período foi difícil e traumático. O nosso inconsciente é um imenso repositório de memórias que não são acessadas pela nossa consciência. Determinada memória, contudo, pode ser ativada de maneira inconsciente – e, portanto, não é percebida conscientemente – quando a pessoa vive uma situação no presente que a remete a conteúdos emocionais correlatos. A nossa mente pode, de fato, separar uma memória de seu conteúdo emocional, cuja energia psíquica fica assim livre para poder ser “ligada” a um conteúdo emocional atual que, portanto, é revestido de uma energia muito maior do que seria esperado pelo próprio evento. É dessa forma que o psiquismo produz sintomas (somatizações e todo tipo de neurose ou até psicose) e sonhos.

A ausência de memória pode ser devida ao fato de que a energia emocional contida na memória foi naturalmente dissolvida, pois não precisou ficar dissociada dela. No entanto, em situações que o psiquismo considera traumáticas, a memória da situação vivida precisa ser recalcada (empurrada no inconsciente) para perder o seu efeito aflitivo sobre o psiquismo. Nesse caso, a energia emocional ligada à memória recalcada reaparece em situações aparentemente sem sentido. É quando reagimos a situações da vida real de forma neurótica, com uma intensidade emocional que vai além do esperado pelo bom senso. Como foi dito no início do artigo, o fato de não existirem memórias da infância não quer dizer que a infância foi ruim, mas não se pode descartar a possibilidade de que o inconsciente tenha “desligado” da consciência tais memórias porque, de fato, não foram boas. Frequentemente o processo terapêutico confirma essa hipótese, antes veementemente negada pelo paciente.


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JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 25 DE Novembro de 2012

Maria

J O R N A L LITURGIA

ano 112 • nº 5.620 • 25 de novembro DE 2012

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 1º DE MAIO de 2011

Mediação de Maria na redenção de Jesus (PADRE ANTONIO CLAYTON SANT’ANNA, C.Ss.R. *)

* Diretor da Academia Marial de Aparecida

sUPLEMENTO LITÚRGICO-PASTORAL

D E

A PA R E C I D A 30.12.2012 – Ano B

SAGRADA FAMÍLIA, JESUS, MARIA E JOSÉ “Amai-vos uns aos outros!” PRIMEIRA LEITURA (Eclo 3,3-7.14-17a) Leitura do Livro do Eclesiástico: 3 Deus honra o pai nos filhos e confirma, sobre eles, a autoridade da mãe. 4 Quem honra o seu pai, alcança o perdão dos pecados; evita cometê-los e será ouvido na oração cotidiana. 5 Quem respeita a sua mãe é como alguém que ajunta tesouros. 6 Quem honra o seu pai, terá alegria com seus próprios filhos; e, no dia em que orar, será atendido. 7 Quem respeita o seu pai, terá vida longa, e quem obedece ao pai é o consolo da sua mãe. 14 Meu filho, ampara o teu pai na velhice e não lhe causes desgosto enquanto ele vive. 15Mesmo que ele esteja perdendo a lucidez, procura ser compreensivo para com ele; não o humilhes, em nenhum dos dias de sua vida: a caridade feita ao teu pai não será esquecida, 16mas servirá para reparar os teus pecados 17a e, na justiça, será para tua edificação. — Palavra do Senhor. — Graças a Deus! SALMO RESPONSORIAL (Sl 127) — Felizes os que temem o Senhor/ e trilham seus caminhos! — Felizes os que temem o Senhor/ e trilham seus caminhos! Feliz és tu, se temes o Senhor/ e trilhas seus caminhos!/ Do trabalho de tuas mãos hás de viver,/ serás feliz, tudo irá bem! — A tua esposa é uma videira bem fecunda/ no coração da tua casa;/ Os teus filhos são rebentos de oliveira/ ao redor de tua mesa. — Será assim abençoado todo homem/ que teme o Senhor./ O Senhor te abençoe de Sião,/ cada dia de tua vida! SEGUNDA LEITURA (Cl 3,12-21) Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses: Irmãos: 12Vós sois amados por Deus, sois os seus

santos eleitos. Por isso, revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, 13 suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se um tiver queixa contra o outro. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai vós também. 14 Mas, sobretudo, amai-vos uns aos outros, pois o amor é o vínculo da perfeição. 15 Que a paz reine em vossos corações, à qual fostes chamados como membros de um só corpo. E sede agradecidos. 16 Que a palavra de Cristo, com toda a sua riqueza, habite em vós. Ensinai e admoestai-vos uns aos outros com toda a sabedoria. Do fundo dos vossos corações, cantai a Deus salmos, hinos e cânticos espirituais, em ação de graças. 17 Tudo o que fizerdes, em palavras ou obras, seja feito em nome do Senhor Jesus Cristo. Por meio dele dai graças a Deus, o Pai. 18 Esposas, sede solícitas para com vossos maridos, como convém, no Senhor. 19 Maridos, amai vossas esposas e não sejais grosseiros com elas. 20 Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isso é bom e correto no Senhor. 21 Pais, não intimideis os vossos filhos, para que eles não desanimem. — Palavra do Senhor. — Graças a Deus!

Marco Funchal

Ela é apenas instrumento, mas um instrumento ímpar e único, a serviço do projeto salvador do Pai. Os fatos da infância de Jesus: Anunciação; Visitação; Nascimento em Belém; Bodas em Caná e as palavras no Calvário comprovam a mediação de Maria. O sopro do Criador nos quis a todos nós como mediadores do seu Espírito para o término da sua obra. Para tanto, abençoou o homem e a mulher: “Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a dominai sobre os peixes, as aves e sobre todo ser vivo no chão”. Somos seus mediadores porque somos sua imagem e semelhança (cf. Gênesis 1,27). A mediação passiva de Maria quanto à graça da salvação em Cristo e só por Ele é anterior à aceitação da maternidade biológica única, produzida pelo sopro do Espírito nela. Como contemplar Jesus sem Maria?

Reprodução

Há 50 anos, o Concílio Vaticano II avalizava e fomentava um denso processo de revisão sobre como entender a mediação de Maria. Qual é o sentido e o alcance de sua cooperação materna na missão redentora de Jesus? Foi a questão mariana mais debatida quando o Concílio estudava a origem, natureza, identidade e constituição da Igreja. O capítulo 8º do documento chamado Lumen Gentium (Luz dos Povos), o primeiro do Concílio, arrematou o consenso doutrinal sobre o sentido e a função de Maria no mistério de Cristo e da Igreja. Evitaram-se os títulos mediadora ou corredentora, bem como os termos mediação e corredenção. Salientou-se: a função materna universal de Nossa Senhora; a maternidade na ordem da graça; a subordinação de sua função salvífica. Conceito e função de “mediador” são apenas de Cristo. Ele é o único mediador entre Deus e o homem (cf. 1ª Timóteo 2,5-6). Criatura humana nenhuma pode ser comparada ao Redentor, o verbo que se encarnou (cf. Lumen Gentium, 62). Maria, porém, foi chamada a estar no vértice da única mediação. Logo, o entendimento da sua cooperação eminente vai além da expressão “medianeira de todas as graças”. Não se limita às nossas emoções e sentimentos. Nem basta focar a solicitude maternal tão só em nossos rogos e aflições. Falar em mediação de Maria é ver sua vida na terra e sua glorificação divina com influência salvífica no mistério da Igreja. E daí ela ser referência como exemplo e ajuda a todo tipo de promoção, libertação e realização da pessoa humana, em qualquer cultura opressiva e humilhante. Se todos nós cooperamos com o ato redentor de Cristo, ninguém o faz igual à Maria. Ela colaborou com o Filho de um modo ímpar e inimaginável. Quando dizemos que Maria é a medianeira da graça da nossa salvação em Cristo, não estamos acrescentando nem diminuindo em nada a eficácia e a dignidade absoluta e única da redenção dele. Ao contrário, proclamamos isso de um modo mais afirmativo, pois foi o próprio Deus quem solicitou a colaboração de Maria no anúncio da encarnação. Ela aceitou. Manteve o sim resoluto sob a cruz e continua sendo intercessora, advogada, auxiliadora do povo a caminho.


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JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 25 de Novembro de 2012

EVANGELHO (Lc 2,41-52) — O Senhor esteja convosco. — Ele está no meio de nós. — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, † segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Pres.: 41Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. 42 Quando ele completou doze anos, subiram para a festa, como de costume. 43Passados os dias da Páscoa, começaram a viagem de volta, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem. 44Pensando que ele estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro. Depois começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. 45Não o tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura. 46Três dias depois, o encontraram no Templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas. 47Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas. 48Ao vê-lo, seus pais ficaram muito admirados e sua mãe lhe disse: — Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura. 49 Jesus respondeu: — Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai? 50 Eles, porém, não compreenderam as palavras que lhes dissera. 51 Jesus desceu então com seus pais para Nazaré e era-lhes obediente. Sua mãe, porém, conservava no coração todas essas coisas. 52 E Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e diante dos homens. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor! ORAÇÃO DA COMUNIDADE (*) — Deus é nosso Pai e escuta com amor as

LITURGIA

preces feitas por seus filhos e filhas. Rezemos confiantes nesta festa da Sagrada Família. — Para que o Senhor conceda sua luz aos casais e que essa luz brilhe sobre todas as famílias, nós vos pedimos. — (Cantando) Abençoa, Senhor, as famílias. Amém. Abençoa, Senhor, a minha também! Pai: Para que as famílias de nossa comunidade sejam escolas de oração e de santidade onde se aprende a imitar a casa de Nazaré, nós vos pedimos. Filho: Para que o Senhor abençoe o trabalho com crianças, adolescentes e jovens, sobretudo os mais abandonados, nós vos pedimos. Filha: Para que o Senhor dê coragem aos casais em dificuldade, para que não desanimem e orientem-se com a luz de sua Palavra, nós vos pedimos. Avô: Para que o Senhor abençoe e ilumine os que se doam em favor das famílias, especialmente as equipes de preparação dos noivos e a Pastoral Familiar, nós vos pedimos. Criança: Por todos os pais idosos e abandonados pelos filhos; por todos os filhos desprezados e não amados na própria família; pelos lares onde não há mais diálogo e comunhão, nós vos pedimos. (Intenções próprias da Comunidade.) — Senhor Deus, ouvi nossas preces e concedei-nos vossa alegria, que vossa graça transforme nossas famílias. Por Cristo, nosso Senhor. — Amém. LEITURAS DA SEMANA: SEGUNDA: 1Jo 2,18-21 / Sl 95 / Jo 1,1-18. TERÇA: Santa Mãe de Deus – Nm 6,22-27 / Sl 66 / Gl 4,4-7 / Lc 2,16-21. QUARTA: 1Jo 2,22-28 / Sl 97 / Jo 1,19-28. QUINTA: 1Jo 2,29–3,6 / Sl 97 / Jo 1,29-34. SEXTA: 1Jo 3,7-10 / Sl 97 / Jo 1,3542. SÁBADO: 1Jo 3,11-21 / Sl 99 / Jo 1,43-51. DOMINGO: Epifania do Senhor – Is 60,1-6 / Sl 71 / Ef 3,2-3a.5-6 / Mt 2,1-12.

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 25 de novembro de 2012

REFLETINDO A PALAVRA

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(PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA, C.Ss.R.)

A Igreja celebra a Sagrada Família de Nazaré como modelo e estímulo para todas as famílias, para todo o povo de Deus, que é uma família. Comunidade Apostólica Os evangelhos são um catecismo e nos ensinam o conhecimento de Cristo e a vivência de seu mistério. A Jesus, tudo o que era humano lhe era familiar e bom para anunciar o Reino de Deus. Jesus entra nos problemas das pessoas e infunde nelas a esperança, como vemos no mandamento novo, razão da vida de todos os seus seguidores. Esse amor é o serviço humilde. Assim dá o fundamento para a vida de seus discípulos. “Nisto conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” ( Jo 13,35). Quando os evangelistas se referem à realidade da família de Jesus, tem-se a impressão de que não querem tanto descrever um álbum de família, mas dar ao povo de Deus a medida de todo homem e mulher, e de sua união de família. Este é o caminho de salvação. É na família que o discípulo cresce. Em primeiro lugar, Deus escolheu a família para vir ao mundo. Por isso, a maravilha da encarnação difere de nossas vidas, mas tem a ver conosco, é caminho para nós: nós também devemos dar o Sim ao projeto de Deus. Suas dificuldades não são mais do que o retrato de nosso cotidiano que deve olhar mais longe: “pensar também nas coisas que são do

Pai”. José e Maria devem discernir os caminhos de Deus quando fogem com o Menino para o Egito e de lá voltam. Deus não lhes contou. Tiveram que viver na fé o grave problema. Nós também devemos enfrentar os problemas com fé. Comunidade hoje A realidade da família hoje difere muito da de outras épocas. Cada época tem seu modo de ser. Não é nem melhor nem pior. Não podemos buscar o passado como se ele fosse o melhor. Temos nossa contribuição a dar. Se as realidades atuais são difíceis, mais generosa deve ser a resposta dada a Deus. Os princípios do amor, do respeito à vida, do respeito à pessoa, do amor serviçal, da fidelidade ao compromisso são os mesmos seguidos por José, Maria e o Menino. José é chamado de homem justo, ou seja: vivia bem todas as realidades. O Menino, mesmo sendo obediente aos pais, não deixava de mostrar sua fidelidade ao Pai. Maria sabia estar junto aos seus, como fez com Isabel. Estava sempre buscando compreender o Filho. Silenciosamente esteve junto. Percebem-se na família de Nazaré mais olhares de confiança do que palavras. Quem sabe esteja aqui o caminho para hoje: mais abertura ao ser humano do que discursos. Mais presença junto de Deus e das pessoas do que acúmulo de rezas e sermões. Jogamos com a diferença das pessoas na igualdade do amor.

GENTE SANTA (PADRE EUGÊNIO ANTÔNIO BISINOTO, C.Ss.R.)

Santo André foi apóstolo de Jesus. Foi exímio evangelizador da Igreja no mundo antigo. André nasceu em Betsaida, situada na Galileia, ao norte da Palestina. Foi primeiramente discípulo de João Batista, precursor do Messias. Posteriormente, André passou a seguir a Jesus Cristo ( Jo 1,35-40). O próprio João Batista apontou Jesus como Salvador ( Jo 1,39-34). André era irmão de Pedro. Filhos de Jonas, eram pescadores (Mc 1,16). João Evangelista conta que André tinha comunicado a Pedro a descoberta do Messias ( Jo 1,40-42). De acordo com os evangelistas Mateus e Marcos, André e Pedro foram chamados pelo Mestre Jesus à beira do lago da Galileia para serem

Santo André seus discípulos e evangelizadores (Mt 4,18-20; Mc 1,16-18). André foi chamado por Jesus para fazer parte do grupo dos apóstolos, que formam o núcleo da comunidade cristã. Os 12 apóstolos foram enviados por Cristo para continuar sua missão evangelizadora (Mt 10,1-42; Mc 3,19-19; 6,7-13; Lc 6,12-16; 9,1-6). Na cena da multiplicação dos pães, André indicou a Jesus um menino que tinha cinco pães e dois peixes ( Jo 6,8-9). Junto com Felipe, ele apresentou a Cristo alguns pagãos que desejavam vê-lo ( Jo 12,20-21). De acordo com a tradição cristã, André, depois de Pentecostes em Jerusalém (At 1,13), pregou em diversas regiões, tais como: Cícia,

Trácia, Epiro e Acaia. No ano 60 d.C., foi crucificado em Petras, Acaia, numa cruz em forma de X, também chamada cruz de Santo André. Sua festa é comemorada no dia 30 de novembro.

Diocese de Santo André

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Jornal Santuário de Aparecida [Ed. 5620 - 25 nov 2012]  

Edição 5620 - 25 de novembro de 2012. Saiba mais em http://www.jornalsantuario.com.br