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Reproduçaõ

.: AROMATERAPIA Terapia alternativa ajuda na busca do equilíbrio

TV APARECIDA está com programação especial na Quaresma 5

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J O R N A L

ANO 111 • Nº 5.584 • 18 DE MARÇO DE 2012 • WWW.JORNALSANTUARIO.COM.BR

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A PA R E C I D A

Kica de Castro

INCLUSÃO

Conheça histórias de vida e ações inovadoras que garantem a inclusão social de pessoas com deficiência. Estratégias simples ajudam a combater o preconceito e promover a igualdade na diversidade 6e7 CIBERESPAÇO

DIALOGANDO E ESCLARECENDO

IGREJA NO MUNDO

“É necessário rezar o Credo em todas as Missas?” Padre Cido responde

Reprodução

Anuário Pontifício revela face da Igreja no planeta

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Reprodução

Uso da internet fortalece os vínculos de amizade

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DA REDAÇÃO

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 18 DE MARÇO DE 2012

.: Editorial

.: Espaço do leitor

Inclusão e diversidade

7,2% – Concordo em parte

Mulher Os leitores do JS fizeram questão de opinar sobre o Dia Internacional da Mulher, inspirados em nossa reportagem de capa da edição n. 5582. Saiu até declaração de amor. “Além de todas as disposições profissionais, [as mulheres] ainda têm de chegar em casa e cuidar de afazeres domésticos, dando à sua família todo zelo necessário. Minha maior felicidade é ter ao meu lado uma grande mulher. Parabéns às mulheres”, escreveu o leitor Deivid Luz, de Potim (SP), pelo facebook.

92,8% – Não concordo

* A opção “De acordo” não obteve nenhum voto. Após uma onda de revolta na internet, o Ecad voltou atrás em sua decisão e suspendeu a cobrança.

Saiba mais em http://bit.ly/mosaicofeminino

.: Contatos

twitter.com/ santuariojornal

Boa leitura!

ISSN - 1980-3192

O Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) passou a exigir na manhã de quarta-feira, 7 de março, um valor mensal de R$ 352,00 a quem faz “retransmissão musical” em sites. A decisão provocou protestos na internet. Qual a sua opinião sobre essa cobrança? Confira o resultado:

facebook.com/ jornalsantuario

O Jornal Santuário de Aparecida é uma publicação semanal dos Missionários Redentoristas

O JS perguntou aos curtidores de nossa página no Facebook:

Deniele Simões

Durante as entrevistas e todo o processo de apuração jornalística para a reportagem de capa desta edição, sobre a inclusão de pessoas com deficiência, nossa equipe percebeu que um ponto fundamental deveria estar como que fincado na cabeça das pessoas. A indicação é feita sabiamente por uma de nossas personagens, Luciane Molina: “A inclusão deve partir justamente do princípio da diversidade, pois, se partirmos da igualdade, não estaríamos considerando as particularidades e individualidades”. A intensidade dessa frase – dita por alguém com deficiência visual – remete à questão de que, embora todos tenham dificuldades ou necessidades, aquelas enfrentadas pela pessoa com deficiência ficam muito mais evidentes. Por não serem comuns à maioria, tais particularidades criam o ambiente favorável a um juízo de valor que induz a sociedade a um pensamento coletivo terrível: o de que esses cidadãos possuiriam menor capacidade de se relacionar com o mundo de forma absolutamente normal, de que possam trabalhar e se destacar perante os outros. Sabe-se que deficiência não é desculpa e que braços cruzados não levam a nada; por isso, tanto as pessoas com deficiência quanto os acadêmicos e pessoas comuns lutam incessantemente pela transformação da realidade, ainda que em número pequeno, como diz Luciane. “O pouco pode ser muito”, quando cada um busca fazer algo. É somente assim que, num futuro próximo, o mundo se tornará mais justo, fraterno, tolerante e, principalmente, mais preocupado com o próximo.

.: Expediente

ENQUETE

Encontro A irmã Roseli do Prado, das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor, enviou à Redação do JS uma foto do II Encontro Nacional dos Institutos “Afiliados” à Espiritualidade Redentorista. O evento aconteceu de 28 de fevereiro a 1º de março, na Casa de Retiros das Irmãs Mensageiras do Amor Divino, em Aparecida (SP).

DIRETOR-GERAL: Pe. Marcelo Conceição Araújo, C.Ss.R. CONSELHO EDITORIAL: Pe. Jorge P. S. Sampaio, C.Ss.R. Pe. José Uilson Inácio Soares Júnior, C.Ss.R.

EDITOR: Leonardo Meira - MTB 14261/RS REVISÃO: Ana Lúcia de C. Leite Leila Cristina Dinis Fernandes Lessandra Muniz de Carvalho Camila de Castro Sanches dos Santos

Redação (12) 3104.2019 Assinaturas (12) 3104.2040 0800 16 00 04

Jornal www.jornalsantuario.com.br Santuário de Aparecida jornalsantuario@ Rua Pe. Claro Monteiro, 342 editorasantuario.com.br

REDAÇÃO: Deniele Simões - MTB 26435/SP Eduardo Gois - MTB 57928/SP DIAGRAMAÇÃO: Rafael Felix Simone Godoy

Centro – Aparecida (SP) Cx. Postal 4 – 12.570-000

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OPINIÃO / DEBATE

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA •18 DE MARÇO DE 2012

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SÉRIE CF 2012 | SANTO É INSPIRAÇÃO PARA A RESPONSABILIDADE DE CUIDAR DA VIDA HUMANA

Divulgação / Comunicação São Camilo

São Camilo: o profeta na arte de cuidar Pe. Leo Pessini imprensa@saocamilo.br

CNBB

Vivemos em tempos de incertezas, marcados por um desencanto pavoroso, um descaso terrível e uma indiferença mortal em relação à vida e saúde humanas. No contexto da Campanha da Fraternidade 2012 temos uma chance preciosa de poder novamente retomar o que é essencial no cuidado da vida fragilizada pela doença, sofrimento e morte. Urge recuperarmos o encanto e a responsabilidade de cuidar da vida humana samaritanamente. São Camilo de Lellis (1550-1614) é um grande ícone humano e divino que há quatro séculos serve de inspiração na arte de cuidar, para todos os profissionais que trabalham no mundo da saúde. Algumas características desta nova “arte de cuidar”: – Amor ao doente – Camilo dizia que o pobre e o doente são o coração de Deus, a pupila dos olhos de Deus; neles, servimos Jesus Cristo. Em sua carta testamento, Camilo exorta seus seguidores a continuarem fiéis na permanente disposição de optar pelos mais pobres e doentes, com todas as exigências que esse compromisso comporta. Aos trabalhadores de saúde de então, muitos dos quais mercenários, sem preparação alguma, ficou célebre o grito de Camilo de “colocar mais coração nas mãos”. O Bom Samaritano é a medida do cuidado. Para Camilo, não deveria existir lei que atrapalhasse o cuidado dos doentes. Por isso, convidou seus seguidores a dar a

Pe. Leo é presidente das Entidades Camilianas e Doutor em Teologia Moral – Bioética

vida pelos doentes, com a disposição de cuidar deles, mesmo com o risco da própria saúde e vida. – Cuidar com sensibilidade feminina – Aos que trabalhavam com ele, dizia Camilo: “Primeiramente cada um peça a graça ao Senhor de que lhe dê um afeto materno para com seu próximo, para que possamos servi-lo com toda caridade, tanto da alma como do corpo, porque desejamos, com a graça de Deus, servir a todos os enfermos com aquele amor que uma mãe amorosa cuida de seu único filho enfermo”. – Cuidado holístico e acolhida incondicional – Camilo seguia mais a hierarquia das necessidades humanas do que a das exigências da Igreja. A Igreja exigia por norma que os doentes, ao entrarem nos hospitais, deveriam primeiramente se confessar. Camilo lutou contra essa regra, dizendo que precisávamos, primeiramente, atender às suas necessidades de cuidados de saúde e depois então, respeitando sua liberdade, levá-los ao Sacramento da Reconciliação. Camilo desejava que os camilianos provessem cuidados globais aos doentes. A hospitalidade era uma virtude muito presente no seu coração. Durante as epidemias, quando os hospitais estavam abarrotados, Camilo abria as igrejas e casas para os doentes sem teto. – Liturgia ao pé do leito – Para Camilo, a maior liturgia acontecia ao pé do leito do doente. Tudo o que acontecia com o doente tinha uma dimensão sacramental. Poderíamos dizer

que era a liturgia do banho de leito, a liturgia da alimentação, a liturgia de estar junto de alguém que está prestes a se despedir da vida. Tudo isso são atos de amor que se transformam em ações sacramentais do ato de cuidar. Os ritos eram cortar cabelo, pentear, cortar as unhas, aquecer os pés, secar camisas ensopadas de suor, aplicar cautérios, umedecer os lábios, pôr vinagre sob as narinas, lavar e enxugar as mãos, dar comida na boca, entre tantos outros. Um de seus célebres ditos é que “não seria boa aquela piedade que cortasse os braços da caridade”. – Educar para cuidar com ternura – Camilo via, sentia e sofria com a presença dos mercenários trabalhando nos hospitais sem cuidar bem dos doentes. Ele ensinou aos seus seguidores a mostrar, pelo exemplo, a forma correta de cuidar. Assim, as instituições camilianas são vistas como “escolas de caridade”, motivando os outros também ao cuidado amoroso para com os doentes. Esse é um grande desafio para nossas entidades em tempos de crescente economicismo sem coração, a fim de que não percam essa sensibilidade e intuição original de Camilo. Lemos na Carta de Princípios que nossas entidades “empenhar-se-ão em promovê-las e cuidá-las [a vida e saúde], até o limite de suas possibilidades, segundo os valores éticos, cristãos e eclesiais, dentro de uma visão holística e ecumênica, repudiando tudo quanto possa agredir ou diminuir sua plena expressão”. – Unir ética e estética – Camilo tinha um apreço todo especial por músicas e frequentava igrejas para ouvi-las. Compara o cuidado aos doentes com uma sinfonia musical. Dizia: “Agradame a música dos doentes no hospital, quando muitos chamam ao mesmo tempo: ‘Padre, traga-me água para refrescar a boca; arrume minha cama, esquente meus pés’”. Essa deveria ser a música agradável também para os ministros dos enfermos. Ele também afirma aos seus seguidores que é preciso ter certo talento artístico ao aproximarse suavemente das camas, sem barulho, caminhando em meio às galerias de leitos, sem arrastar os pés, com passo de dança. Uma das mais brilhantes criações desse artista e gênio da caridade é a de ter introduzido no cuidado aos doentes a ideia da beleza. Sem dúvidas, São Camilo soube interpretar e realizar profeticamente os sonhos presentes no coração humano, fazendo diferença frente a tanta indiferença! E nós, onde ficamos frente a esse desafio, como cristãos, comunidades, equipes de pastoral da saúde, congregações e comunidade eclesial?

Oração a São Camilo Senhor, tu nos ensinaste que ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelo seu irmão. Tu suscitaste em São Camilo um verdadeiro samaritano que nos ensina como cuidar das pessoas no que elas têm de mais precioso: a vida e a saúde. Ajuda-nos a descobrir que servindo o outro mais vulnerável e doente, como o fez São Camilo, vivendo o amor samaritano, estamos construindo a tão sonhada “civilização do amor” e não da indiferença. Abri nossos olhos para que reconheçam no olhar de cada doente teu rosto e tua presença a nos desafiar em sermos solidários. Abri nossas mentes para que valorizem e cuidem com carinho da originalidade de cada pessoa em sua história, valores, buscas e esperanças. Abri nossos ouvidos para que acolham com sensibilidade e ternura a todos os que em meio aos sofrimentos da vida clamam pelo bálsamo da saúde, escuta, solidariedade e cuidado. Abri nossos corações para que testemunhem a esperança de um amanhã melhor para toda a humanidade, principalmente onde existem medo e pessimismo, cuidado onde impera a indiferença e alegria onde existe tristeza. Ajuda-nos, Senhor, a sermos testemunhas vivas do teu Evangelho Samaritano, com um sorriso, uma palavra de conforto e um gesto de ternura. Ensina-nos a sermos humildes e sábios em reconhecer que não somos a Luz, mas instrumentos de tua Luz Divina; não somos o Amor, mas expressões humanas vivas de teu Amor Eterno; não somos a Sabedoria mas reflexões de tua Sabedoria infinita. Inspire-nos, Senhor, para que a exemplo de São Camilo possamos sempre em nossa vida colocar o “coração nas mãos”, aliando competência profissional com a competência humano e ética. Amém!

Desde o dia 12 de fevereiro, o JS publica uma série de artigos exclusivos de autoria de padres camilianos, que têm como carisma o cuidado dos doentes. Você pode conferir todos os textos na internet. Acesse http://bit.ly/artigosjs_cf2012


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ATUALIDADES

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 18 DE MARÇO DE 2012

VIDA PASTORAL | EUROPA CONTINUA A SER CONTINENTE COM QUEDAS QUE MAIS PREOCUPAM

Leonardo Meira leonardo.jornal@editorasantuario.com.br

As principais estatísticas sobre a vida da Igreja Católica no mundo estão reunidas no Anuário Pontifício 2012. A publicação do Departamento Central de Estatística da Igreja refere-se ao ano de 2010 e fornece uma análise sintética da dinâmica pastoral nas 2.966 circunscrições eclesiásticas do planeta. Em 2010, havia cerca de 1 bilhão e 196 milhões de católicos no mundo, frente aos 1 bilhão e 181 milhões registrados em 2009. Isso significa um aumento absoluto de 15 milhões de fiéis, equivalente a 1,3%. Ao longo dos últimos dois anos, a presença dos fiéis católicos batizados no mundo permaneceu estável, em torno de 17,5%. A presença percentual territorial dos católicos diminuiu na América Meridional (de 28,54% a 28,34%) e sobretudo na Europa (de 24,05% a 23,83%). No entanto, subiu na África (de 15,15% a 15,55%) e na Ásia Sul Oriental (de 10,41% a 10,87%). O número de bispos passou de 5.065 a 5.104, um aumento relativo de 0,77%. O incremento aconteceu sobretudo na

África (mais 16), América (mais 15) e Ásia (mais 12). Já a tendência de crescimento do número de sacerdotes, que iniciou em 2000, prosseguiu em 2010. Nesse ano, contavam-se 412.236 sacerdotes, dos quais 277.009 membros do clero diocesano e 135.227 do clero religioso. Em 2009, eram 410.593, subdivididos em 275.542 diocesanos e 135.051 religiosos. Isso representa um aumento de 1.643 padres. Os acréscimos registraram-se sobretudo na Ásia (mais 1.695), na África (mais 761), na Oceania (mais 52) e na América (mais 40), enquanto a Europa sofre uma queda significativa (menos 905). O número de diáconos permanentes passou de 38.155 a 39.564, um crescimento de 3,7% em relação a 2009. Eles estão presentes sobretudo na América do Norte (64,3%) e na Europa (33,2%). Os religiosos professos (irmãos) passaram de 54.229 em 2009 para 54.665 em 2010. As quedas mais nítidas estão na América do Sul (3,5%) e na América do Norte (0,9%). Já o crescimento acontece na Ásia (4,1%) e na África (3,1%). Por sua vez, as religiosas professas (irmãs) passam por uma transformação

17,5% da população mundial é católica, revela Anuário

caracterizada por uma forte queda. Em nível global, passaram de 729.371 em 2009 para 721.935 em 2010, com queda em três continentes – Europa (2,9%), América (2,6%) e Oceania (1,6%). Na África e na Ásia, ao contrário, o incremento foi significativo, em torno de 2% em cada continente. O número dos estudantes de filosofia ou de teologia nos seminários diocesanos ou religiosos aumentou no último quinquênio pesquisado pelo estudo, passando de 114.439 em 2005 para 118.990 em 2010, um

aumento de 4%. Enquanto Europa (10,4%) e América (1,1%) registram quedas, o número de seminaristas maiores aumenta na África (14,2%), Ásia (13%) e Oceania (12,3%). Enfim, nesse período, o Papa Bento XVI erigiu oito novas Sedes Bispais; um Ordinariato Pessoal e um Ordinariato Militar. Elevou uma Arquidiocese e oito Dioceses à condição de Sedes Metropolitanas; uma Prelatura, um Vicariato Apostólico e uma Prefeitura Apostólica ao nível de Dioceses; uma missão sui iuris a Prefeitura Apostólica.

sidade Gordon-Conwell. Entre 2000 e 2010, o número de missionários brasileiros de diversas igrejas sofreu um aumento de 70%. • Entre os dias 23 e 25 de março, acontece o 5º Encontro com os Jornalistas das Dioceses, Regionais e Orga-

nismos da CNBB, em Brasília (DF). O encontro deste ano vai debater a construção de uma rede de correspondentes, tendo como tema Jornalismo em Rede: um desafio para a Igreja. As inscrições podem ser feitas por meio do e-mail imprensa5@cnbb.org.br.

Curtas • B e n t o XVI pode visitar o Panamá em 2013. Segundo informações da Conferência Episcopal Panamenha, o Pontífice está sendo convidado a participar das celebrações dos 500 anos da primeira diocese fundada na América, localizada no Panamá. • A Igreja no Paquistão publicará o Catecismo da Igreja Católica na língua nacional, o urdu. A iniciativa acontece em vistas do Ano da Fé. “Isso dará evidentes benefícios aos fiéis cristãos, mas também aos não cristãos, que poderão entrar em contato com nossa fé de maneira muito rica e profunda”, assinalam os organizadores. • O convite quaresmal dirigido aos fiéis de Hong Kong por parte do Comitê Organizador da Campanha para a Quaresma da Igreja Católica no país é “realizar as obras de caridade e dar a máxima atenção aos membros mais fracos”. • O culto cristão na língua nacional do Irã, o “farsi”, não é aceito pelas autoridades. As duas últimas igrejas cristãs que oferecem rituais e celebrações nessa língua na capital Teerã foram “convidadas” a cessar imediatamente tal atividade. As autoridades iranianas tentam limitar

a presença e a influência dos cristãos no país, por meio de uma campanha de prisões de cristãos que frequentam as “igrejas domésticas”. • A CNBB promove em maio um Seminário de Jovens Comunicadores. O objetivo é contribuir com a formação de jovens profissionais de comunicação, a partir de valores cristãos. O encontro acontece entre os dias 18 e 20, em Brasília (DF), no auditório do Colégio Maria Auxiliadora. As inscrições podem ser feitas até 15 de abril, no site www.jovensconectados.org.br. As vagas são limitadas. • Bento XVI é o sexto Papa mais longevo da história, superando João Paulo II. Em 16 de abril, o Pontífice completa 85 anos, três dias antes do oitavo aniversário de sua eleição como Papa. Seus predecessores mais longevos são Leão XII, que alcançou os 93 anos; Clemente XII, que chegou aos 87; Clemente X, que atingiu os 86; e Pio XI e Inocêncio XII, que faleceram aos 85 anos. • O Brasil tornou-se um significativo “exportador” de missionários cristãos para o mundo. É o que revelam estimativas de um recém-publicado estudo norteamericano do Centro de Estudos do Cristianismo Global da Univer-

bosnewslife.com

Anuário Pontifício 2012 revela crescimento da Igreja

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Beatificações

Dois processos de beatificação de religiosas brasileiras passaram por etapas importantes no início deste mês. No dia 4, foi aberta oficialmente a fase diocesana do processo de Madre Tereza Margarida do Coração de Maria; seus restos mortais foram depositados em

uma capela dentro do Carmelo São José, em Três Pontas (MG). Já no dia 8, os restos mortais de Irmã Benigna, da Congregação das Irmãs Auxiliares de Nossa Senhora da Piedade, foram trasladados para o Noviciado Nossa Senhora da Piedade, em Belo Horizonte (MG).


TV APARECIDA está com programação especial no período da Quaresma A TV APARECIDA preparou uma programação especial por ocasião do período da Quaresma. A grade conta com transmissão das celebrações direto do Santuário Nacional, além de filmes e musicais. Uma das novidades é a Via-Sacra produzida pela emissora, narrada pelo cantor e compositor

Alcançamos a conversão acolhendo a Palavra de Deus Padre Darci Nicioli, Reitor do Santuário Nacional

Filhas de Nossa Senhora da Misericórdia e Peregrinos de São Roque (SP) visitam o Santuário

O Santuário Nacional acolhe no sábado, 17, a Romaria do Instituto das Filhas de Nossa Senhora da Misericórdia – Família Madre Rosselo. As religiosas participam da Missa das 9h, em ação de graças pelo bicentenário de nascimento de sua fundadora. Quem também visita o Santuário são os peregrinos da Paróquia São Roque, da cidade de São Roque (SP). O grupo participa da missa das 10h30, também no sábado. Agende sua Romaria na Secretaria de Pastoral!

Enes Gomes. A produção vai ao ar todas as sextas-feiras, às 7h e às 20h15. Confira a programação completa. Acesse www.a12.com/tv

3º Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação O 3º Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação (Pascom) acontece entre os dias 19 e 22 de julho no Santuário Nacional. O tema do evento é “Identidade e Missão”. Segundo a assessora da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação Social, irmã Élide Maria Fogolari, o encontro é um momento importante de reflexão, estudo e trocas de experiências para os que desejam comunicar Jesus Cristo. “O Papa João Paulo II recomendava e insistia em suas homilias que ‘não basta utilizar a mídia para difundir a mensagem cristã e o Magistério da Igreja, mas é preciso integrar a própria mensagem nesta nova cultura criada a partir da comunicação moderna’ (Redemptoris missio, 37). Esta é a motivação que dá sentido para realizarmos mais um encontro da Pascom, em Aparecida, onde juntos vamos planejar a comunicação a partir do contexto cultural em que nos situamos”, explica. Para participar, é necessário fazer inscrição prévia. Informações através do telefone (61) 2103-8366.

Informações através do telefone (12) 3104-1694

Faça sua inscrição. Acesse www.cnbb.org.br/3enc

FIQUE LIGADO

Missas Sábado: 6h30 - 9h (TV) - 10h30 - 12h - 16h - 18h (TV) Segunda à sexta: 7h - 9h (TV) - 10h30 - 12h - 16h Domingo: 5h30 - 8h (TV) - 10h - 12h - 14h - 16h - 18h (TV) Bênçãos (ao final de todas as missas) Confissões Segunda à sexta: 7h30 às 11h - 14h às 16h Sábado: 6h30 às 11h15 - 13h30 às 16h45 Domingo: 6h30 às 11h15 - 13h30 às 16h Batismo Segunda à sexta: 10h e 15h Sábado: 9h - 10h - 11h - 14h - 15h Domingo: 8h - 9h - 10h - 11h - 14h - 15h Piedade Popular Consagração a Nossa Senhora Segunda à sexta: 11h (TV) e 15h - Sábado: 15h Hora Mariana (Terço) - Segunda a sábado: 14h Novena Perpétua - Quarta: 15h15 e 19h30 Procissão Eucarística - Quinta: 10h Procissão Luminosa do Terço - Sábado: 19h Procissão Mariana - Domingo: 6h30 Encontros Especiais Coordenadores de Romarias: Sábado: após missa das 9h Domingo: após missa das 8h Local: Sala dos Coordenadores de Romarias (ao lado da Sala de Confissões) Plantão Religioso Segunda à sexta: das 17h às 18h Telefone para informações: (12)3104 1000 Horários de Missa - Matriz Basílica Horário das Missas Segunda, Quarta e Quinta: 7h e 18h (TV) Terça: 7h, 16h (missa dos doentes) e 18h (TV) Sexta: 7h, 18h (TV) e 19h30 Sábado: 15h e 19h Domingo: 19h30 Bênçãos (ao final de todas as missas) Telefone para informações: (12) 3105 1517

Orientações para Batismos no Santuário Nacional Confira as orientações e documentos necessários para celebrar o Sacramento do Batismo no Santuário Nacional. • Batismo de crianças - Autorização (transferência) por escrito do pároco responsável pela paróquia dos pais da criança para que ela seja batizada no Santuário Nacional. Deve conter o nome dos pais, assinatura do pároco e carimbo da paróquia. - Atestado do curso de preparação para o batismo dos pais e padrinhos, que deve ser feito em suas respectivas cidades. - Certidão de nascimento da criança.

• Batismo de adultos (É considerado adulto quem já possui idade superior a 7 anos de idade) - A própria pessoa que será batizada deverá apresentar comprovante de participação na Catequese para o Batismo, a 1ª Comunhão e o Crisma. Essa preparação deve ser realizada em sua cidade, com o catequista responsável. - Autorização (transferência) por escrito do pároco, contendo a assinatura e o carimbo da paróquia a que pertence, constando que o interessado está devidamente preparado. - Certidão de nascimento ou o documento de identidade (RG).

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- Atestado dos padrinhos do curso de preparação para o batismo, que deve ser feito em suas respectivas cidades. No Santuário Nacional não é realizado curso de batismo. • Orientações Gerais Não é necessário marcar o batismo. Basta chegar uma hora antes do horário escolhido, trazendo os documentos necessários, e se dirigir ao Setor de Batismo, localizado no subsolo do Santuário. Informações através do telefone (12) 3104-1560


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Jornal Santuário de Aparecida • 18 DE março DE 2012

Sociedade

TRANSFORMAÇÃO | INICIATIVAS DERRUBAM BARREIRAS DE EXCLUSÃO E PRECONCEITOS

Eduardo Gois Deniele Simões jornalsantuario@editorasantuario.com.br

Você conhece agora histórias que se entrecruzam no que diz respeito à força de vontade. A professora Luciane Maria Molina Barbosa tem 29 anos, mora em Guaratinguetá (SP) e é pedagoga com ênfase em atendimento educacional especializado. Ela ministra cursos de capacitação presencial ou em Educação a Distância (EaD), é palestrante e autora de vários artigos publicados em diferentes mídias educacionais. Vencedora do IV Prêmio Sentidos/2011, com ações realizadas na área da inclusão da pessoa com deficiência, também mantém um blog na internet. Soraia Alvarenga tem 49 anos, um filho de 26, mora em São Paulo (SP) e é presidente de uma associação que promove a inclusão de pessoas com deficiência. Ela participa de projetos nessa área na Universidade de São Paulo (USP) e ainda trabalha com monitoramento de equipes de call center. Além da extensa lista de atividades, as duas têm em comum o fato de serem pessoas com deficiência, desde a infância. Luciane possui deficiência visual, e Soraia usa uma cadeira de rodas para se locomover. Elas são um exemplo de que é sim possível ter uma vida normal e fazer sua parte perante a sociedade, independentemente da condição. “Não é meu marido que tem três empregos, sou eu mesma!”, brinca Soraia, com uma bela gargalhada. Ambas são cidadãs economicamente ativas, que produzem muito com seu trabalho. Mas será que a sociedade partilha dessa troca na mesma proporção? Talvez. Algumas pessoas fazem um trabalho de formiguinha nessa longa caminhada pela inclusão de uma parcela da população mundial que chega a 10%, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). A presidente da Comissão de Acessibilidade e coordenadora do Núcleo de Apoio a Pessoa com Deficiência e Altas Habilidades/Superdotação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, Nara Joyce Vieira, acredita que a principal dificuldade encontrada em relação à inclusão educacional refere-se às barreiras e às atitudes impostas pela sociedade. Porém, mesmo diante das dificuldades, há tentativas para promover uma mudança nesse quadro, como os Núcleos de Acessibilidade que estão sendo implantados nas universidades federais. As mudanças, porém, ainda se mostram pouco percebidas, porque as ações de inclusão são muito recentes e as pesquisas ainda incipientes. A

Para Soraia, superar os próprios limites físicos a fez entender que pode realizar muito mais

responsável pelo núcleo também cita dificuldades para a inclusão em função da falta de costume da própria comunidade acadêmica à realidade. O professor e pesquisador Carlos Bandeira de Mello Monteiro é outra pessoa cujo trabalho tem contribuído com a inclusão. O docente realizou uma pesquisa na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da Universidade de São Paulo (USP) durante o ano de 2011 que analisou o desempenho de pessoas com deficiência em jogos eletrônicos, principalmente do console Nintendo Wii, que exige movimentação física dos jogadores. Pessoas com paralisia cerebral, Síndrome de Down e atletas paraolímpicos praticaram o jogo de boliche e tênis de mesa do console. Mesmo com dificuldades no início, a pesquisa fez com que essas pessoas aprendessem muito, tanto em aprimoramento de coordenação motora quanto, principalmente, no que diz respeito à consciência de que podem fazer mais coisas. “Descobri que não sou tão limitada quanto pensava. Sou capaz de realizar mais”, relata Soraia, que participou da pesquisa idealizada pelo professor Carlos. “Bom seria se no futuro esses jogos servissem para reabilitação na casa das pessoas, que pudessem avaliar o deficiente e propor algo baseado na dificuldade que ele tem”, ressalta o professor. A pesquisa resultou no livro gratuito Realidade virtual na paralisia cerebral, que está disponível para download na internet. A edição foi lançada por Monteiro com a colaboração de diversos pesquisadores que participaram dos estudos. Outro que atualmente se preocupa com a questão é o professor e escritor padre Pedro Cunha. Recentemente,

ele republicou uma de suas obras – Escritos de um andarilho – em formato áudiobook. Embora não seja um formato exclusivamente para deficientes visuais, já é uma opção para aqueles que procuram ter acesso a conteúdos literários em diferentes formatos. Padre Pedro conta que teve a ideia de publicar o áudiobook para preencher uma lacuna na realização dos trabalhos que já desenvolveu. Ele explica que a percepção da importância de se atender a esse público seleto e expressivo é fundamental. A professora Luciane explica que é preciso criar condições e levar ao conhecimento das pessoas a existência desses trabalhos, apesar de o mercado editorial ainda não enxergar a pessoa com deficiência visual como consumidora de informação, serviços e produtos. Ela acredita que iniciativas como essa, mesmo que isoladas, são valiosas no sentido de divulgar, cobrar e até mesmo mostrar que há sim uma demanda. “Precisa-se ter a sensibilidade de que o ‘pouco’ representa ‘muito’. Temos de lutar por poder entrar numa livraria e ter a autonomia de escolher uma obra, sem estar refém do restrito mercado existente para quem lê por outros meios. Quando comprei meu primeiro livro em braille já era professora e o fiz para atender minhas necessidades profissionais. Foi uma das maiores conquistas como consumidora”, relata. Atender à diversidade construindo uma sociedade mais justa A professora com deficiência reforça que a inclusão deve partir justamente do princípio da diversidade, pois, se partirmos da igualdade, não estaríamos considerando as particularidades e individualidades. “Necessidades todos temos, inde-

Fotos: Arquivo Pessoal

Pessoas com deficiência: desafios para a inclusão

Luciane: “A superação é inerente ao ser humano e não apenas à pessoa com alguma deficiência”

pendentemente de uma deficiência aparente. Talvez todos nós tenhamos dificuldades, mas as pessoas com deficiência possuem sinais com muito mais evidência, por não serem comuns à maioria das pessoas, o que não reduz a capacidade de relacionar-se com o mundo, com o conhecimento, com as pessoas.” Segundo Luciane, a sociedade já começa a dar seus primeiros passos, mesmo que pequenos. Mas, como se trata de um processo, precisa-se subir um degrau por vez para atingir o topo da escada: a excelência. Quanto mais as pessoas com deficiência saírem da zona de conforto para construir sua identidade, mais serão reconhecidas e compreendidas quanto às necessidades. Muito se avançou em educação, em tecnologia, em acessibilidade, mas a luta é constante e permanente.

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Olhar-se no espelho, acertar os últimos detalhes, verificar a maquiagem, assentar os fios de cabelo “rebeldes”. Esses gestos são bastante comuns quando modelos se preparam para adentrar a passarela, para um desfile de modas ou para entrar em um estúdio e encarar uma sessão de fotos. É assim também que os modelos da agência Kica de Castro costumam portar-se antes de iniciar um trabalho. A primeira agência de modelos com deficiência do Brasil possui 80 profissionais, homens e mulheres, com idades entre quatro e sessenta anos, que atuam tanto em editoriais de moda quanto ilustrando peças publicitárias. Tudo começou em 2007, quando a fotógrafa e publicitária Kica de Castro fotografava pessoas com deficiência em um centro de reabilitação. Ela já fazia um trabalho de humanização das fotos no centro e decidiu transformar isso em oportunidade para as pessoas com deficiência. “Mesmo sem apoio, montei a agência e investi no meu projeto. Afinal, só tentando iria saber se daria certo ou não.” No casting, destaque para pessoas com paraplegia, paralisia cerebral, tetraplegia, vítimas de pólio e mielomeningocele, deficientes visuais e auditivos, portadores de Síndrome de Down e também amputados. Caroline Marques, de 30 anos, é uma das contratadas da agên-

cia. O sonho de ser modelo vinha sendo acalentado desde criança, mas foi interrompido por um acidente de carro, que a fez perder os movimentos das pernas. “Achei que a cadeira de rodas não daria essa oportunidade”, conta. Há cinco anos, a jovem recebeu o convite de uma amiga para participar de um desfile e acabou aceitando. Quando o desfile terminou, chegou a pensar se o mercado lhe daria novas oportunidades. As tentativas foram muitas, mas ela sempre ouvia a resposta de que não havia vaga para seu perfil, apesar da beleza de Caroline. Pouco tempo depois, ela teve acesso ao trabalho de Kica, por meio de uma amiga em comum. “Entrei em contato, fiz o teste e passei.” Desde então, Caroline nunca mais parou e hoje encara o trabalho de modelo com profissionalismo. Segundo ela, é preciso ter muita dedicação, estudo e disposição para enfrentar o preconceito. Além das regras impostas pelo mundo fashion, os profissionais com deficiên-

Fotos: Kica de Castro

Beleza e deficiência cia precisam ter paciência para conquistar espaço no mercado. “O maior desafio é quebrar o tabu do preconceito, pois a cadeira de rodas é apenas um detalhe”, assegura. A modelo vivenciou uma situação de preconceito por meio da atitude de um empresário que gostou de um desfile, mas não quis associar sua marca a pessoas com deficiência. “Ele acabou generalizando tudo e falou que a empresa dele não fazia campanhas sociais”, conta. Para Caroline, quem perdeu foi o próprio empresário, que deixou de atingir os 45 milhões de consumidores que têm alguma deficiência no Brasil. autoestima lá em cima Quando Kica de Castro começou a trabalhar com deficientes, as pessoas que eram fotografadas não tinham a visão de que podiam ser modelos. “Elas tinham vaidade, mas ainda faltavam as oportunidades reais.” Muitas dessas pessoas sequer se olhavam no espelho e andavam com

Kica de Castro, idealizadora da primeira agência para modelos com deficiência do Brasil

Caroline: “Maior desafio é quebrar tabu do preconceito”

a cabeça baixa. Quando a fotógrafa anunciou que estava abrindo a agência, muita gente não acreditou na viabilidade do projeto. Após cinco anos de atividades, hoje Kica vê uma melhora muito grande na autoestima das pessoas com deficiência fotografadas. Hoje, os modelos da agência seguem uma rotina que em nada difere dos profissionais convencionais: preocupações com cabelo, depilação, unhas, corpo e atividade física. No estúdio ou em uma externa, antes da sessão fotográfica, os modelos fazem questão de se olhar no espelho e ficam mais confiantes em si mesmos. “Vendo o resultado das fotos, a questão de se olhar no espelho e falar ‘sim sou uma pessoa bonita’ aumentou”, conta a fotógrafa, que não faz qualquer tipo de manipulação por computação gráfica nas imagens.

“incluir” ainda busca resultados no ensino superior

Desde 2005, o Ministério da Educação mantém o Programa de Acessibilidade na Educação Superior (Incluir), que visa garantir o acesso pleno de pessoas com deficiência às instituições federais de ensino superior. Um dos objetivos principais é fomentar a criação e a consolidação de núcleos de acessibilidade nas instituições federais.

Na opinião da professora Nara Vieira, a inclusão tem sido uma das principais funções dos Núcleos de Acessibilidade nas universidades, principalmente quando se considera que ainda é muito comum professores universitários que não sabem o que, como e quando ensinar ao estudante com deficiência. A docente acredita que todo esse trabalho está focado no apoio, que é de suma importância tanto para os professores e funcionários das universidades como para os alunos. No caso da UFSM, o Núcleo de Acessibilidade existe desde 2007 e atende 163 alunos, no período compreendido entre 2008 e 2012. Ao todo são

73 deficientes físicos, 22 surdos, 34 deficientes auditivos, 31 cegos / baixa visão, um com deficiência múltipla, dois com transtornos globais do desenvolvimento e outros 10 com transtornos psiquiátricos. O Núcleo oferece ações para a garantia do acompanhamento dos alunos nos diferentes cursos, o que inclui o mapeamento da situação dos estudantes, orientação aos professores, oferta de apoio acadêmico aos alunos, mediante palestras, seminários, cursos de extensão, capacitação e empréstimos de materiais. As ações também contemplam discussões sobre como romper as barreiras de comportamento diante dos

alunos com necessidades educacionais especiais e a disponibilização de um profissional intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras) para quem necessita do serviço, assim como campanhas de conscientização da comunidade acadêmica sobre a pessoa com deficiência. Como a iniciativa do Núcleo é muito recente, não há informações sobre o ingresso desses alunos no mercado de trabalho, por exemplo. “Ainda não temos essas estatísticas, pois temos o registro dos alunos que entraram nos cursos em 2008 e que estão prestes a concluir sua formação, agora em 2012”, conclui Nara.


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ARTIGOS

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 18 de março de 2012

DIALOGANDO E ESCLARECENDO

VIDA EM FAMÍLIA

(Pe. CIDO PEREIRA)

(ROBERTO GIROLA – PSICANALISTA)

“Tenho percebido que, nas missas da semana, os padres não têm rezado o Credo, apenas nas missas de sábado e de domingo. Nas missas transmitidas pela televisão, nem em final de semana, às vezes, é rezado. Não seria necessário rezar o Credo em todas as missas?” (Carlos R. Ticiano, Marília-SP)

Como dar uma sacudida em uma pessoa “sem-noção” sem magoá-la? (Anônimo)

A Igreja estabelece algumas normas sobre quando rezar o símbolo dos apóstolos ou o Credo, que é uma palavra latina que significa “creio”. O Credo é a nossa grande profissão de fé. Cantado ou recitado, logo após a Liturgia da Palavra, ele é uma resposta à palavra de Deus que foi anunciada na leitura da Bíblia e explicada para o povo no sermão ou na homilia. É assim que acontece: Deus nos fala pelos profetas, pelos apóstolos e pelo próprio Jesus. A nossa resposta é: “Eu aceito essa palavra a mim dirigida. Eu creio e quero fazer dela norma de fé para a minha vida”. Mas tem mais, viu? Ao recitar o Credo, recordamos e professamos os grandes mistérios de nossa fé, antes de celebrar esta fé na Eucaristia. Quando se reza o Credo? A Igreja prescreve que ele deve ser cantado ou recitado pelo sacerdote com o povo primeiramente aos domingos. É claro, o domingo é o Dia do Senhor por excelência. É o dia de celebrarmos como Povo de Deus, como Igreja, a nossa fé. Nas grandes solenidades se recita o Credo. Por exemplo: na solenidade da festa de Corpus Christi, de Cristo Rei, do Natal, da Festa da Imaculada Conceição, de Nossa Senhora Aparecida e em celebrações especiais de caráter mais

solene. Por exemplo, num dia de semana em que celebramos a festa do padroeiro de nossa comunidade. Outro exemplo, numa ordenação sacerdotal. O Credo pode ser recitado ou cantado. Mas, veja bem, cantado ou recitado, o sacerdote e o povo rezam juntos. Acho que você já entendeu, Carlos, que a missa com Credo ou sem Credo é sempre completa. Se você dissesse que ela com o Credo é mais solene, até dava para aceitar. Mas dizer que sem Credo ela não é completa não é verdade. Termino fazendo mais uma observação. É muito importante que rezemos o Credo sempre, para que tenhamos sempre muito claras na memória e no coração as verdades de nossa fé. Quando eu preparava esta resposta para você, lembrei-me de minha infância. A criança que fazia catecismo comigo sabia de cor e cantava a plenos pulmões: “Creio em Deus Padre... Todo--poderoso... Criador... do céu e da terra”. Puxa, que saudades daqueles tempos. Para terminar, Carlos, lembro a você que nas missas transmitidas pela televisão o celebrante tem um tempo a cumprir. Por isso mesmo, às vezes, omite-se o Credo, o que não significa, repito, que ela não foi completa. Fique com Deus e que ele abençoe você e sua família.

Como lidar com os “sem-noção”

O mundo está cheio de pessoas “sem-noção” e, pelo visto, o futuro nos obrigará a lidar cada vez mais com esse tipo de personalidade. É o que desconfio ao observar como muitas crianças são educadas hoje. A noção de limite é cada vez mais fraca, a ponto de parecer démodé (fora de moda). Se em casa os pais têm dificuldade de estabelecer limites, seja porque eles mesmos não têm noção do que é isso, seja porque se sentem culpados por não estar presentes ao lado dos filhos como deveriam, a escola está longe de oferecer um contraponto que exija um comportamento adequado no processo de socialização. No máximo a direção intervém quando determinado aluno está criando situações insustentáveis. No segundo grau, então, a escola está inteiramente preocupada com o desempenho escolar e as avaliações do MEC, deixando completamente de lado os processos educativos que não “caem” no ENEM e no vestibular. Diante desse quadro, como lidar com o crescente número dos “sem-noção”? Não há uma fórmula pronta para isso, pois tudo depende de o quanto o outro é “sem-noção”. A expressão se refere a um comportamento psíquico que pode variar envolvendo desde personalidades narcísicas, e portanto invasivas, até psiquismos próximos do que a psicanálise classificaria como perversão, um desvio que pode assumir formas e graus diferentes de expressão, até beirar a psicopatia. Evidentemente, a pergunta em pauta se refere a algum “sem-noção” doméstico ou pertencente ao círculo próximo, pois a preocupação do nosso leitor é a de não magoá-lo.

Infelizmente, o “sem-noção” é um carro desgovernado que só para quando bate. Evidentemente, se o obstáculo for um guard-rail, pode recolocá-lo de volta na estrada sem grandes danos, mas, se for um muro, os danos podem ser maiores, tornando o embate mais agressivo. O que quero dizer é que esse tipo de personalidade precisa de “contenção”, pois sua dificuldade é poder lidar com o mundo “não eu”, com a realidade do Outro. No caso de personalidades narcísicas, isso ocorre porque o “foco” de atenção é o mundo interno da pessoa; no caso do perverso, o problema está no uso que faz do mundo externo, inteiramente subjugado ao seu desejo. Um narcísico pode falar horas a fio dele mesmo, e interromper bruscamente quando alguém toma a palavra, dizendo que está com pressa. Um perverso pode fechar todo mundo no trânsito e mostrar o dedo do meio quando alguém buzina, mas achar absurdo que alguém o feche, pois para ele não há norma a ser seguida; ele faz a norma de acordo com o interesse do momento. Se você tiver que ser um guard-rail ou um muro, isso dependerá da gravidade da invasão praticada pelo “sem-noção” e do grau de periculosidade que ele representa. Reagir com violência pode ser fatal se quem está na sua frente é um psicopata, mas ser um capacho nas mãos de uma personalidade narcísica ou de um perverso é igualmente perigoso e estressante. A contenção é necessária. Cabe a cada um avaliar a situação e perceber a forma e a intensidade com a qual aplicá-la.


SAÚDE

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ALTERNATIVO | MÉTODO NATURAL AJUDA A ENCONTRAR EQUILÍBRIO FÍSICO, MENTAL E EMOCIONAL

“Renascimento.” Esta é a palavra que a produtora de comerciais de televisão Rita de Cássia Setta Lemos, de 46 anos, utiliza para definir a transformação que a aromaterapia promoveu em sua vida. Ela é adepta da prática há cerca de 16 anos, desde quando teve complicações em função da retirada de um rim e buscou terapias alternativas para conter as dores. “Eu usava desde lavanda até óleos essenciais diuréticos, como o gerânio, e, depois disso, fiquei bem”, conta. A aromaterapia pode ajudar a tratar desequilíbrios físicos, emocionais ou mentais, assim como complementar outros tratamentos, proporcionando uma recuperação mais rápida do paciente. “Pode ser 100% eficaz, dependendo do tipo de desequilíbrio ou do grau, e, em alguns casos, algo complementar, mas sempre eficaz”, salienta a terapeuta holística Aline

O que é preciso saber?

A aromaterapia é uma atividade séria e, por isso, a pessoa que procura pelo tratamento deve estar atenta quanto ao prestador de serviços. Segundo a Abraroma, é importante se informar sobre a capacitação e a idoneidade do profissional. Para prestar esse tipo de serviço, é necessário ter no mínimo 360 horas de estudos, incluindo conhecimento sobre a estrutura química e botânica dos óleos essenciais para uso terapêutico. “Também é necessário o estudo da personalidade humana para então ter os conhecimentos para a aplicabilidade correta e segura com os óleos essenciais”, reforça Sandra Spíri. Segundo a terapeuta, qualquer pessoa pode se tornar um aromaterapeuta, desde que se capacite. A instituição oferece treinamento profissional e vários cursos para especialização ou reciclagem. Ainda não há um órgão que regule a atividade de aromaterapeuta no Brasil, mas a Abraroma mantém uma listagem de profissionais e empresas idôneas que atuam no mercado.

Insônia, frigidez, desequilíbrios emocionais e tensão pré-menstrual são alguns dos problemas que podem ser tratados pela aromaterapia

aromaterapia, como massagem terapêutica, reflexologia, escalda-pés, banhos de imersão e também o uso dos óleos no dia a dia. Na aromaterapia, assim como em outras técnicas alternativas, o ser humano deve ser visto como um todo e a melhora vai depender de um olhar global do paciente. Isso inclui comportamentos emocionais e mentais, hábitos, práticas e relacionamentos. “A aromaterapia nos permite enxergar tudo isso”, conclui a especialista. Rita de Cássia curou problemas renais com auxílio da aromaterapia

Pastori. O método tem sido usado como tratamento auxiliar nas dores no corpo por excesso de trabalho e em distúrbios como insônia, frigidez, desequilíbrios emocionais, tensão pré-menstrual, dores de cabeça, insegurança, ansiedade e outros problemas. Segundo Aline, os óleos essenciais não são aplicados diretamente na pele, porque são muito concentrados. “Por serem naturais, cada um possui um conjunto de componentes químicos que vai gerar sua ação terapêutica, sua cor, seu cheiro, abrangendo diversas funções.” Devido à concentração desses óleos, os profissionais sempre utilizam os óleos com “carregadores” durante as terapias, ou seja, algum tipo de creme neutro orgânico ou óleos vegetais, como os de amêndoas, avelãs, gergelim, girassol, entre outros. Visão holística O número de pacientes que procuram pela aromaterapia aumentou visivelmente. A informação é da Associação Brasileira de Aromaterapia e Aromatologia (Abraroma), entidade que congrega profissionais da área desde 1997. De acordo com a presidente da Abraroma, Sandra Spíri, tanto o número de pessoas como o de empresas que atuam com aromaterapia registraram crescimento. Porém, ainda não há estatísticas concretas sobre o assunto. “Estamos realizando o I Censo Nacional de Aromaterapia com esse objetivo e esperamos concluir esse projeto neste ano”, explica. O perfil de quem procura pela aromaterapia é o de pessoas que buscam tratamentos naturais e possuem uma visão mais holística, isto é, entendem

que os sintomas nunca são gerados por um único motivo. A produtora Rita concorda com isso e, depois que optou pela aromaterapia, acredita ter obtido o equilíbrio emocional necessário para garantir a saúde como um todo. Aline Pastori diz que o tratamento começa sempre com uma avaliação, para que o terapeuta possa entender o que está acontecendo com o paciente e estudar os óleos que serão utilizados. Geralmente, o terapeuta associa algum outro tipo de tratamento à

Óleos essenciais

Há uma diferença entre essências e óleos essenciais – componente usado na aromaterapia. Os óleos essenciais provêm das plantas e possuem compostos naturais que atuam diretamente no organismo. O uso desses óleos deve ser orientado por profissionais da área, e, caso você for adquirir o produto, procure lojas e farmácias especializadas. Já as essências ou fragrâncias são consideradas apenas perfumes e não têm propriedades terapêuticas. Por isso, custam bem mais barato.

Confira as propriedades de alguns óleos essenciais Limão: adstringente, antisséptico, depurativo, diurético, ajuda em estados gripais etc. Lavanda: analgésico, age contra queimaduras, insônia, irritabilidade, dores de cabeça, má circulação, medo, insatisfação pessoal e afins. Laranja doce: antidepressivo, digestivo, ajuda na prisão de ventre, gastrite emocional, drenagem linfática, dentre outros problemas.

Saiba mais sobre aromaterapia. Acesse http://bit.ly/js_aromaterapia

Arquivo Pessoal

Deniele Simões deniele.jornal@editorasantuario.com.br

www.prideangel.com

Aromaterapia trata vários tipos de distúrbios


SE LIGA AÍ

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Reprodução

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COMPORTAMENTO | INTERNET PROPORCIONA NOVAS MANEIRAS DE SE ESTAR JUNTO

Novas tecnologias mudam a cara da amizade

A jornalista Letícia Brito, de 23 anos, passa a maior parte do tempo na internet, seja em situações relacionadas ao trabalho, ou mesmo nos momentos de lazer. Como está sempre conectada, Letícia possui muitos amigos cujo contato é muito mais virtual do que físico. A jovem atribui a nova forma de amizade ao aumento dos fóruns de discussão e à consolidação das redes sociais. “Acabamos por conhecer pessoas por aqui [internet], seja por gostos em comum, seja por ser amigo de um amigo”, destaca. Assim como acontece com Letícia, outras pessoas também mantêm mais contato com os amigos por meio da internet. Essa mudança na cara da amizade revela uma nova forma de se estar junto, e já virou até tese de doutorado. As amizades possuem um caráter cada vez mais virtual. É isso que defende a psicóloga Lívia Godinho Nery Gomes Azevedo, autora do estudo Implicações políticas das relações de amizades mediadas pela internet, apresentado ao Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). Segundo a profissional, hoje docente na Universidade Federal do Sergipe (UFS), a autenticidade dos afetos nas relações via internet faz com que todos os envolvidos sejam afetados pelas “trocas simbólicas”, a partir das conversas on line. “Essas relações têm como especificidade uma intensa troca de opiniões, que mobilizam os amigos a refletir”, explica. A pesquisa envolveu 14 pessoas com mais de 24 anos que manti-

nham relações de amizade via internet. O estudo demonstrou que os vínculos de amizade construídos pela web são relações de enriquecedoras trocas de opiniões e aprendizagens – inclusive de caráter transcultural, que propiciam a reflexão e a abertura a novos pensamentos. E a grande novidade dessa modalidade de amizade é a ausência de barreiras físicas entre os sujeitos. Pensamento compartilhado A internet, além de encurtar muitas distâncias, também ajuda a unir pessoas que pensam da mesma maneira. A jornalista Letícia, por exemplo, mantém amizades virtuais em vários níveis. Há pessoas com quem conversou apenas algumas vezes, mas sem grande contato. Há também os amigos com quem conversa, já se encontrou pessoalmente, mas com os quais ainda não tem muita intimidade. E, finalmente, há aqueles mais próximos, com quem a jovem conversa com frequência. “Com Lívia Godinho é a autora do estudo

eles, falo pelo menos três vezes por semana. Alguns, por morarem próximos a mim, acabaram saindo do âmbito ‘virtual’ e vieram para o ‘real’, mas ainda nos falamos mais por internet, por ser mais prático”, aponta. A psicóloga Lívia reforça que os vínculos de amizades mediados pelo ciberespaço sugerem uma relação de abertura e acolhimento, em que o amigo se disponibiliza a ouvir os problemas, faz críticas, sugestões e mesmo aconselhamentos que contribuem para o aumento da capacidade de pensar sobre seus próprios comportamentos, valores, conflitos e opiniões. “O amigo ajuda a refletir, a esclarecer dúvidas e colabora na tomada de decisão.” Letícia concorda com essa definição e exemplifica lembrando que a relação de amizade no mundo virtual é quase igual à do mundo real. “Tenho amigos na rede em quem confio plenamente e com quem criei laços de cumplicidade – mais do que com pessoas fora da rede –, e muitas vezes nunca vi essas pessoas.” Porém, o que vai determinar essa cumplicidade, na opinião da jovem, é a afinidade. E, quando se está na internet, Letícia acredita que a possibilidade de selecionar amigos com quem compartilhe pensamentos é muito maior. “No mundo real, os seus círculos sociais nem sempre são definidos por você.” Isso porque, geralmente, são grupos em que a pessoa insere-se arbitrariamente, sem necessariamente poder escolher quem estará com ela. “Na rede, isso não ocorre, você define com quem conviver”, completa.

Anonimato Segundo a autora do estudo, a “condição” invisível do interlocutor nas relações via internet favorece tanto conversas caracterizadas pelo uso de nicks (apelidos) e pela invenção de personagens – buscando a preservação do anonimato – quanto diálogos voltados para uma apresentação mais aberta e sincera das próprias opiniões, ideias e valores. No caso de Letícia, a virtualidade ou o fato de não estar vendo e não conhecer pessoalmente o amigo virtual nem sempre são prerrogativas para se expor por completo. “No meu caso, demoro muito, porque primeiro tenho que me sentir segura com a pessoa e confiar nela. Afinal, eu não a estou vendo.” Mesmo assim, o estudo concluiu que se, por um lado, a invisibilidade do interlocutor pode promover certa dúvida sobre a veracidade do discurso de cada um na rede, também favorece mais abertura para conversas desinibidas e íntimas, o que, segundo a psicóloga, permite a experimentação de novas faces da própria personalidade. Fotos: Arquivo Pessoal

Deniele Simões deniele.jornal@editorasantuario.com.br

Letícia Brito mantém relações de amizade em vários níveis pela internet


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JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 18 DE março de 2012

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ano 111 • nº 5.584 • 18 de março DE 2012

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 1º DE MAIO de 2011

Refletindo a Palavra (Pe. Francisco Albertin)

hoje... Na primeira leitura, temos um grande apelo: “arrependei-vos, portanto, e convertei-vos para que vossos pecados sejam perdoados” (At 3,19). A conversão ocorre na cabeça e no coração, ou seja, com o nosso modo de pensar, decidir e agir. E, num mundo marcado por tantos pecados, como a corrupção, as injustiças, a miséria, a fome, a violência, as drogas, o capitalismo

selvagem, onde tudo gira em torno do dinheiro, como se converter? Como testemunhar que a vida vence a morte? Os discípulos e as discípulas de Jesus que rompem com a cadeia de violência e procuram ser instrumentos de paz, que rompem com o ódio e vivem no amor, que ao invés de reterem só para si são capazes de partilhar, tornam-se testemunhas de tudo isso e apontam para um novo caminho, onde verdadeiramente a vida vence a morte. Que Jesus abra nossa mente para que possamos entender as Escrituras, vencer nossos medos e fantasmas, eliminar as dúvidas de nossos corações, cumprir nossa missão e mostrar ao mundo que Ele está vivo no meio de nós. e sempre São João mostra que aquele que diz que conhece a Deus, “mas não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele” (1Jo 2,4). No Evangelho e nesta Carta de João, o mandamento maior é o amor. Ele é o sinal sagrado que une a comunidade e gera uma fé viva. Não tem como conhecer a Deus, testemunhar Jesus e construir seu Reino no meio de nós se não vivenciarmos o mandamento do amor.

GENTE SANTA (Da redação)

São Benno de Meissen Foi canonizado em 1523 Costumava visitar as paróquias, pregava e conduzia pelo Papa Adriano VI e sua festa missas, além de imprimir maior é celebrada no dia 16 de junho. disciplina entre o clero, lutando ainda contra a “Simonia” – prática de vender indulgências e bênçãos. São Benno faleceu de causas naturais em 16 de junho de 1106, e hoje suas relíquias estão em Munique, cidade da qual é padroeiro, assim como de seus pescadores. Na arte litúrgica da Igreja, é representado como um bispo segurando um peixe com chaves em sua boca ou com um livro onde estão duas chaves e um peixe; também como um bispo com um peixe ou, ainda, com uma chave.

Reprodução

São Benno de Meissen é um santo da Igreja Católica de origem alemã. Nasceu em 1010, em Hildesheim, e tornou-se notável pelo trabalho como músico e também com seus escritos sobre os Evangelhos. Era nobre por nascimento, tendo sido educado na Abadia de São Miguel. Foi padre e cânon da Capela Imperial em Cgozlar Hanover, capelão do Imperador Henrique II, bispo de Meissen e participou do Sínodo de Forcheim, em 1078. Foi preso por ficar ao lado do Papa Gregório VII e contra o Imperador Henrique IV sobre o controle da Igreja pelo Estado e, mesmo diante do envolvimento político e problemas da época, nunca abandonou sua diocese e bispado.

sUPLEMENTO LITÚRGICO-PASTORAL Arquivo Editora Santuário

Jesus Cristo: ontem... Enquanto para Marcos (16,7) e Mateus (28,7.16) Jesus ressuscitado envia seus discípulos em missão à Galileia, Lucas (24,47) diz que o anúncio, a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações devem começar por Jerusalém que, para ele, é o centro e o ponto de partida de toda a evangelização. A missão consiste em testemunhar a vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus. Mas testemunho aqui não está no sentido de meramente confirmar o que viu e conheceu. Na Bíblia, vai muito além, pois significa martyria, no sentido de martírio, e morrer se preciso for. E é nesse sentido que Jesus afirma: “Vós sereis testemunhas de tudo isso”. Será que ainda queremos ser testemunhas de Jesus?


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JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 18 de março de 2012

LITURGIA

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 18 de março de 2012

22.04.2012 – Ano B

3º DOMINGO DA PÁSCOA

Jesus mostrou-lhes as mãos e os pés!

SALMO RESPONSORIAL (Sl 4) — Sobre nós fazei brilhar o esplendor de vossa face! — Sobre nós fazei brilhar o esplendor de vossa face! — Quando eu chamo, respondei-me, ó meu Deus, minha justiça!/ Vós, que soubestes aliviar-me nos momentos de aflição,/ atendei-me por piedade e escutai minha oração! — Compreendei que nosso Deus faz maravilhas por seu servo,/ e que o Senhor me ouvirá quando lhe faço a minha prece! — Muitos há que se perguntam: “Quem nos dá felicidade?”/ Sobre nós fazei brilhar o esplendor de vossa face! — Eu tranquilo vou deitar-me e na paz logo adormeço,/ pois só vós, ó Senhor Deus, dais segurança à minha vida! SEGUNDA LEITURA

(1Jo 2,1-5a) Leitura da Primeira Carta de São João: 1 Meus filhinhos, escrevo isto para que não pequeis. No entanto, se alguém pecar, temos junto do Pai um Defensor: Jesus Cristo, o Justo. 2 Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados, e não só pelos nossos, mas também pelos pecados do mundo inteiro. 3 Para saber que o conhecemos, vejamos se

Arquivo Editora Santuário

PRIMEIRA LEITURA (At 3,13-15.17-19) Leitura dos Atos dos Apóstolos: Naqueles dias, Pedro se dirigiu ao povo, dizendo: 13“O Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó, o Deus de nossos antepassados glorificou o seu servo Jesus. Vós o entregastes e o rejeitastes diante de Pilatos, que estava decidido a soltá-lo. 14 Vós rejeitastes o Santo e o Justo, e pedistes a libertação para um assassino. 15Vós matastes o autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos, e disso nós somos testemunhas. 17 E agora, meus irmãos, eu sei que agistes por ignorância, assim como vossos chefes. 18 Deus, porém, cumpriu desse modo o que havia anunciado pela boca de todos os profetas: que o seu Cristo haveria de sofrer. 19 Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos, para que vossos pecados sejam perdoados”. — Palavra do Senhor. — Graças a Deus!

guardamos os seus mandamentos. 4Quem diz: “Eu conheço a Deus”, mas não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele. 5aNaquele, porém, que guarda a sua palavra, o amor de Deus é plenamente realizado. — Palavra do Senhor. — Graças a Deus! EVANGELHO (Lc 24,35-48) — O Senhor esteja convosco. — Ele está no meio de nós. — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor! Naquele tempo, 35os dois discípulos contaram o que tinha acontecido no caminho e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão. 36 Ainda estavam falando, quando o próprio Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: “A paz esteja convosco!” 37 Eles ficaram assustados e cheios de medo, pensando que estavam vendo um fantasma. 38 Mas Jesus disse: “Por que estais preocupados e por que tendes dúvidas no coração? 39 Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Tocai em mim e vede! Um fantasma não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho”. 40 E, dizendo isso, Jesus mostrou-lhes as mãos e os pés. 41 Mas eles ainda não podiam acreditar, porque estavam muito alegres e surpresos. Então Jesus disse: “Tendes aqui alguma coisa para comer?” 42Deram-lhe um pedaço de peixe assado. 43Ele o tomou e comeu diante deles. 44 Depois disse-lhes: “São estas as coisas que vos falei quando ainda estava convosco: era preciso que se cumprisse tudo o que está escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”. 45 Então Jesus abriu a inteligência dos discípulos para entenderem as Escrituras, 46e lhes disse: “Assim está escrito: ‘O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia, 47e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos

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pecados a todas as nações, começando por Jerusalém’. 48Vós sereis testemunhas de tudo isso”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor! ORAÇÃO DA COMUNIDADE — Peçamos confiantes que sejamos discípulos e missionários de Jesus, capazes de anunciar com alegria a sua Morte e Ressurreição por nosso amor, dizendo: — Pai santo, fazei-nos ser testemunhas de Jesus. 1. É PELAS mãos de Jesus ressuscitado que a Igreja realiza sua Liturgia. Para que as celebrações, em todas as comunidades, sejam sempre um grande agradecimento pelo dom da vida, rezemos juntos. 2. É SOBRE os passos de Jesus que a Igreja cumpre a sua missão. Para que sejamos anunciadores de esperança e de vida a todos os que sofrem, rezemos juntos. 3. PELO PAPA, por nosso bispo, por nossos sacerdotes, diáconos e ministros, para que testemunhem, por suas palavras e gestos, a fé na Ressurreição do Senhor, rezemos juntos. 4. POR TODOS aqueles cristãos que vivem afastados da Páscoa do Senhor, para que voltem a participar da Comunidade e da Eucaristia, rezemos juntos. (Intenções próprias da Comunidade.) — Senhor nosso Deus e nosso Pai, fazei que vivamos nossa fé na alegria da presença do vosso Filho no meio de nós, como nosso Caminho, nossa Verdade e nossa Vida. Por Cristo, Senhor nosso. — Amém.

LEITURAS DA SEMANA: SEGUNDA: At 6,8-15 / Sl 118 / Jo 6,22-29. TERÇA: At 7,51-8,1a / Sl 30 / Jo 6,30-35. QUARTA: 1Pd 5,5b-14 / Sl 88 / Mc 16,15-20. QUINTA: At 8,26-40 / Sl 65 / Jo 6,44-51. SEXTA: At 9,1-20 / / Sl 116 / Jo 6,52-59. SÁBADO: At 9,31-42 / Sl 115 / Jo 6,60-69. DOMINGO: At 4,8-12 / Sl 117 / 1Jo 3,1-2 / Jo 10,11-18.


Jornal Santuário de Aparecida [Ed. 5584 - 18 mar 2012]  

Edição 5584 - 18 de março de 2012. Saiba mais em http://www.jornalsantuario.com.br

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