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J O R N A L

ANO 111 • Nº 5.600 • 8 DE JULHO DE 2012 • WWW.JORNALSANTUARIO.COM.BR

D E

A PA R E C I D A

SE LIGA AÍ Bote fé na vida marca contagem regressiva para a JMJ

Campanha dos Devotos: 13 anos construindo a Casa da Mãe Aparecida! Pág. 12

Reprodução

Pág. 6

ELEIÇÕES LEIÇÕES 2012 No dia 7 de outubro, o destino de sua cidade será decidido na ponta de seus dedos. O prefeito e os vereadores que guiarão os destinos do Brasil serão escolhidos nas eleições municipais. Saiba mais sobre como dar um voto consciente e exerça com responsabilidade a sua cidadania.

ATUALIDADES

Garrafas pet dão vida a computador ecológico

Pág. 4

NOVIDADE

Nhá Chica será proclamada beata Reprodução

Pág. 10

Associação Beneficente Nhá Chica

Arquivo Pessoal

ECO PC

Reprodução

Págs. 8 e 9

Pág.7

Viver traz receita, cruzadinha e artigo sobre qualidade de vida


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Da Redação

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 8 DE juLho de 2012

.: Expediente

.: Editorial Traços retos

O Jornal Santuário de Aparecida é uma publicação semanal dos Missionários Redentoristas

O compromisso cidadão de escolher algum candidato para ocupar cargos públicos é uma das principais conquistas dos regimes democráticos. Quando o que está em jogo são as cadeiras de prefeito e vereador, essa tarefa torna-se ainda mais exigente. O jogo político contemporâneo pode ser comparado a um artista que insiste em colocar traços retos sobre uma tela enquanto pinta uma paisagem em dia de ventania. Para conseguir cumprir bem sua tarefa, só a boa intenção não basta. Ele vai precisar de uma série de equipamentos e artifícios que isolem o espaço em que grava suas linhas, a fim de que as intempéries não prejudiquem o resultado final. Da mesma forma, a missão de votar bem se vê cercada de obstáculos. Não faltam artimanhas de favorecimento político, compra de votos, garantia de futuros cargos e toda a sorte de malfeitos. Tudo isso pode ser comparado a um vendaval que assola a escolha do eleitor no momento em que seus dedos decidem os rumos de sua cidade. E não é nada fácil “blindar” a seção eleitoral e fazer com que os brasileiros tomem a consciência de que, diante da urna eletrônica, o que vale mesmo é sua decisão. Ali não devem entrar a troca de favores ou qualquer outro tipo de influência que não seja pautada pelas propostas daqueles que tomarão as decisões na arena pública. Quando será que todos iremos acordar e perceber que um candidato que se atreve a querer moldar as nossas escolhas jamais estará em condições de nos representar verdadeiramente? Somente merece o nosso voto quem nos deixa livres e nos convence não pelo poder do ter, mas sim por propostas bem consolidadas, nas quais não temos medo de depositar nossas fichas. Aí, sim, teremos o Brasil que queremos. Um Brasil de traços retos, não de linhas feitas em meio a vendavais.

Boa leitura!

ENQUETE

ISSN - 1980-3192

O JS perguntou aos curtidores de nossa página no Facebook:

Diretor-Geral: Pe. Marcelo Conceição Araújo, C.Ss.R.

De quem é o papel de orientar os eleitores para um bom uso do voto?

CONSELHO EDITORIAL: Pe. Jorge P. S. Sampaio, C.Ss.R. Pe. José Uilson Inácio Soares Júnior, C.Ss.R.

Confira o resultado: 26% – De ninguém, cada um deve tomar a decisão sozinho

EDITOR: Leonardo Meira - MTB 14261/RS REVISão: Ana Lúcia de C. Leite Lessandra Muniz de Carvalho Camila de Castro Sanches dos Santos REDAÇÃO: Deniele Simões - MTB 26435/SP Eduardo Gois - MTB 57928/SP DIAGRAMAÇÃO: Rafael Felix Simone Godoy

74% – Instituições sociais (Igreja, família,

colegas de trabalho etc.)

Assinatura anual: R$ 81,00 (parcelados em até 3x) Semestral: R$ 50,00 (parcelados em até 2x) Nº avulso: R$ 2,00

* A opção “políticos” não obteve nenhum voto. Curta você também a nossa página no Facebook e participe das enquetes.

.: Contatos

facebook.com/ jornalsantuario

twitter.com/ santuariojornal

Redação (12) 3104.2019 Assinaturas (12) 3104.2040 0800 16 00 04

Jornal www.jornalsantuario.com.br Santuário de Aparecida jornalsantuario@ Rua Pe. Claro Monteiro, 342 editorasantuario.com.br Centro – Aparecida (SP) Cx. Postal 4 – 12.570-000


OPINIÃO / DEBATE

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 8 DE JULHO DE 2012

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DESAFIO | IGREJA DEVE APROFUNDAR ESSA CONSCIÊNCIA, DEFENDE ESPECIALISTA

Mundo digital é lugar de evangelização, não instrumento

Leonardo Meira leonardo.jornal@editorasantuario.com.br

O sacerdote jesuíta italiano Antonio Spadaro cunhou o termo cyberteologia, que é o estudo dos modos como a fé pode ajudar a compreender melhor o significado do mundo digital (rede) e da forma como esse novo contexto desafia a maneira de os homens viverem suas crenças. Diretor da revista La Civiltà Cattolica, fundada na Itália há mais de 160 anos, e consultor dos Pontifícios Conselhos para a Comunicação e para a Cultura, padre Spadaro esteve no Brasil em maio deste ano, durante o Seminário Nacional Jovens Comunicadores. Em entrevista exclusiva ao JS, ele fala sobre os principais pontos desse novo modo de perceber a rede como um lugar de experiências e de comunhão.

Padre Antonio Spadaro – A Igreja tem grande familiaridade com a comunicação, desde o tempo da rádio. E também grande capacidade de inovação, de compreender os significados da comunicação. Na mensagem para o Dia Mundial das Comunicações do ano passado, o Papa Bento XVI afirmou que a rede não é mais instrumento, mas um ambiente de vida, e convidou as pessoas não a usar bem a rede, mas a viver bem no tempo da rede. A Igreja está muito sensível. Claramente, pois, quando falamos de Igreja, falamos de uma realidade feita de pessoas, que são algumas vezes sensíveis e proféticas, e outras mais resistentes. Portanto, esse é um caminho que a Igreja, como corpo, é chamada a fazer.

do broadcasting (transmissão), mas a do sharing (compartilhamento). Daí a importância da relação entre as pessoas. Eu diria que não se passam conteúdos a não ser em relações, e as redes sociais compreenderam isso. E esse é um elemento muito importante para se compreender como se pode fazer uma nova evangelização.

JS – Vivemos no tempo da nova evangelização. De que forma compreender a rede como ambiência, lugar, deve ser uma temática presente nesse contexto?

JS – Antes, as tecnologias eram “frias” e, hoje, são “quentes”. O que isso quer dizer?

Padre Spadaro – Em nível comunicativo, o grande desafio é esquecer o modelo segundo o qual a comunicação de conteúdos possa acontecer através de simples transmissão. Hoje, não basta falar para ser escutado. O mundo requer uma atitude diferente, que não é mais a Leonardo Meira / JS

Jornal Santuário de Aparecida – O senhor defende a ideia de que não podemos ver a rede como meio ou instrumento de evangelização, mas como ambiente, lugar. Ainda há um longo caminho pela frente para a Igreja perceber isso ou já há consciência bem formada?

Por isso, apraz-me falar de desafio. Todos os documentos recentes do Magistério e o grande trabalho feito pelo Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais vão nessa direção. A Igreja está na vanguarda e, claramente, é necessário que haja um aprofundamento no interior do corpo da Igreja dessa visão de rede como contexto existencial.

Padre Spadaro – Alguns anos atrás, para se usar o computador, era preciso competência técnica e conhecer códigos complicados. Tinha-se a impressão de que a tecnologia tinha algo de complexo. Hoje, vemos que não é assim: a tecnologia cria objetos sempre mais transparentes, legíveis. Basta ver os celulares com grande potencialidade e os tablets. Isso faz com que a tecnologia não seja mais complexa. O ambiente digital está se tornando lugar de partilha humana, e é “quente” porque há pessoas com sentimentos, pensamentos, desejos profundos. JS – O senhor defende que o homem não mais busca os sinais, mas está aberto a recebê-los, e nós devemos ajudar as pessoas a colocarem a si mesmas as questões que são importantes para suas vidas. Como os crentes devem agir nesse sentido?

“Viver em relação de comunhão significa conhecer a pessoa com quem estou conectado”, afirma padre Spadaro

Padre Spadaro – Essa é uma bela questão. Não é fácil, porque somos bombardeados e cada mensagem parece ser uma resposta a algo. Há a necessidade de se recolher, de fazer silêncio, e buscar compreender o que é autêntico. Quando recebemos respostas e temos essa sobrecarga de informação, é importante parar e ouvir no interior o que é mais verdadeiro, o que nos corresponde, atrai, qual é a nossa relação afetiva com a mensagem. Isso é muito importante e faz parte da vida espiritual.

JS – O senhor também aborda a necessidade de a rede passar de um lugar de conexão para um lugar de comunhão, bem como o desafio de compreender a comunicação como forma de dar testemunho às outras pessoas. Padre Spadaro – Sim, são desafios difíceis porque, hoje, estamos presos à pressa da conexão: se estamos conectados, estamos contentes. Quanto mais conexões temos, melhor. Mas isso não é suficiente, porque viver em relação de comunhão significa conhecer a pessoa com quem estou conectado. E isso requer atenção específica ao verdadeiro sentido da relação, chegar a partilhar não de maneira anônima, de massa, mas um tu a tu que sabe valorizar o relacionamento pessoal. JS – A experiência da fé é algo muito procurado no tempo da rede, do fazer a experiência. Isso pode ser a grande fonte de vida nesse cenário? Padre Spadaro – Sim. A experiência é fundamental. A nossa vida é feita de experiência. O problema é que, muitas vezes, essa experiência é vista como limitada no tempo, ou seja, como “degustações”. Por exemplo, quando você está namorando, geralmente se diz: “se está bem, tudo bem; se está mal, paciência, procure outro”. É assim com o trabalho, com tudo. Mas é preciso compreender que a vida é séria e é preciso viver intensamente aquilo que se vive. Não se pode fazer coleção de experiências diversas. Devemos ser verdadeiramente nós mesmos e viver com todo o nosso ser nossas experiências. Quanto ao risco de se fazer coleções, “degustações”, experimentos, a lógica da rede, às vezes, pode incentivar e promover essas abordagens. Por isso, é preciso viver a rede mesma como experiência, e não como experimento.


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atualidades

Jornal Santuário de Aparecida • 8 de julho DE 2012

SANTIDADE | RECONHECIMENTO DE MILAGRE ABRE AS PORTAS PARA A CELEBRAÇÃO

Nhá Chica será proclamada beata A mineira Francisca de Paula de Jesus, conhecida como Nhá Chica, será a próxima brasileira a chegar à honra dos altares. Na quinta-feira, 28 de junho, o Papa Bento XVI assinou o decreto que reconheceu um milagre atribuído à intercessão da Serva de Deus. A data da beatificação não foi marcada, mas a cerimônia deve acontecer ainda no segundo semestre. O processo de beatificação começou sua fase final no Vaticano em 14 de janeiro de 2011, quando o Papa assinou o decreto que reconheceu as virtudes heroicas de Nhá Chica. Em outubro do mesmo ano, os sete médicos da comissão médica responsável por analisar um suposto milagre deram voto favorável. Após, a comissão de bispos e cardeais responsáveis deu o aval teológico e concordou com o relatório dos médicos. Agora, o reconhecimento do milagre pelo Papa era o passo que faltava para a cerimônia de beatificação. “Nhá Chica foi uma mulher simples, filha de escrava. Na igreja da Conceição, em Baependi, onde repousam seus restos mortais, muitos romeiros agradecem suas graças. Suas principais

virtudes são a fé profunda, a grande sabedoria, o amor ao próximo e a devoção à Imaculada Conceição”, declara o bispo de Campanha (MG), diocese-mãe de Nhá Chica, dom Diamantino Prata de Carvalho. O milagre A grande graça atribuída a Nhá Chica foi alcançada pela professora Ana Lúcia Meirelles Leite, de Caxambu (MG). Ela foi curada de um problema congênito muito grave no coração sem precisar passar por cirurgia, graças às orações em que pedia a intercessão de Nhá Chica. A cura aconteceu em 1995 e, desde então, nunca mais se manifestou nenhum sinal da doença. “Eu estava péssima, com hipertensão pulmonar. Tive uma isquemia nos olhos, o que me impossibilitou de enxergar por alguns momentos. Era um defeito congênito no coração que eu teria de operar, por causa da hipertensão pulmonar e do sangue que passava errado pelo coração. A cirurgia foi marcada, mas três dias antes eu tive febre e acabei não fazendo. Isso tudo sob a proteção de Nhá Chica. Passados sete dias, notei que só melhorava. Seis meses depois, por pressão dos médicos, voltei a fazer os exames

Associação beneficente Nhá Chica

Leonardo Meira leonardo.jornal@editorasantuario.com.br

Monumento a Nhá Chica na cidade mineira de Baependi

pré-operatórios. E qual não foi minha alegria ao constatarem, por um exame transesofágico, que eu estava curada. Estou aqui há 17 anos, completamente curada, sem problema nenhum. Tudo isso sob a bênção da minha Nhá Chica”, testemunha Ana Lúcia. Nhá Chica Nasceu em São João del Rei (MG) em 1810 e faleceu em Baependi (MG) em 14 de junho de 1895. Descendente de escrava, analfabeta e leiga, poderá ser a primeira santa nascida no Brasil (Madre Paulina nasceu na Itália).

Como não há registro civil de sua data de nascimento, seu batistério, preservado no Memorial em Baependi (MG), sob a tutela das Irmãs Franciscanas do Senhor há mais de meio século, tornou-se um documento fundamental. O bicentenário de seu batismo aconteceu em 2010.

Saiba mais sobre Nhá Chica. Acesse www.nhachica.org.br

Curtas • O 10º Encontro da Igreja na Amazônia aconteceu entre os dias 2 e 6, em Santarém (PA). O tema foi Cristo Aponta para a Amazônia. As reflexões tiveram como base o Documento de Santarém, que completa 40 anos em 2012. Também foram apresentadas sugestões para a evangelização durante os próximos cinco anos. • O Papa nomeou dois novos bispos para o Brasil. A diocese de Leopoldina (MG) receberá o atual vigário episcopal na arquidiocese de Mariana (MG), padre José Eudes Campos do Nascimento. Já a arquidiocese de São Paulo (SP) ganha um novo bispo auxiliar, o atual presidente do Tribunal Eclesiástico de Londrina (PR), padre Sérgio de Deus Borges. • Foi publicada a mensagem final do Encontro Nacional da Vida Religiosa Monástica e Contemplativa, que aconteceu em Aparecida entre os dias 16 e 19 de junho. A íntegra do texto pode ser conferida em http://bit.ly/js_msgcontemplativos2012 • A música do Hino da Campanha da Fraternidade (CF) 2013 já foi escolhida. A CF terá como tema Fraternidade e Juventude, com o lema Eis-me aqui, envia-me! (Is 6,8). A música escolhida foi a dos compositores Gil Ferreira e

Daniel Victor Santos. Confira a partitura em http://bit.ly/js_hinocf2013 • A animação bíblico-catequética e a iniciação à vida cristã foram os temas do encontro que reuniu os bispos referenciais e demais grupos ligados à Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética da CNBB. O evento aconteceu em Brasília (DF), de 27 a 30 de junho. • A Rede Católica de Educação (RCE) realizou seu 5º Congresso Internacional em Brasília, de 29 de junho a 1º de julho. O tema foi Metodologia e Aprendizagem e teve a participação de cerca de 2 mil educadores de todo o Brasil. • A CNBB é uma das signatárias da Carta das Religiões sobre cuidado da Terra. O documento foi elaborado e aprovado no espaço da Coalizão Ecumênica Inter-religiosa Religiões por Direitos, durante a Cúpula dos Povos, na Rio+20. Confira a íntegra em http:// bit.ly/js_msgreligioesrio20. • O 3º Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação acontece em Aparecida, de 19 a 22 de julho. O tema do evento é Identidade e Missão, e reunirá comunicadores dos diversos estados brasileiros para discutir, refletir e trocar experiências. Mais informações e inscrições em www.cnbb.org.br/3enc

• O bispo de Jales (SP), dom Demétrio Valentini, foi convocado para mais um mandato de dois anos como conselheiro do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social (CDES). O órgão tem o papel de estabelecer o diálogo entre as diversas representações da sociedade civil, a fim de discutir as políticas públicas e propor as medidas necessárias para alavancar o crescimento do país. • O Rio de Janeiro foi declarado patrimônio mundial pela Unesco, na categoria paisagem cultural urbana. É a primeira cidade do planeta a ser incluída na lista. • Bento XVI vai a Loreto rezar pelo Sínodo dos Bispos e pelo Ano da Fé. A peregrinação do Papa acontece em 4 de outubro, na cidade italiana que abriga um famoso santuário mariano. O objetivo é invocar a intercessão da Virgem para a assembleia do Sínodo dos Bispos sobre a nova evangelização e o Ano da Fé, que iniciarão uma semana depois. • A Congregação para a Doutrina da Fé está com novo prefeito. O Papa aceitou a renúncia do cardeal William Joseph Levada, que apresentou seu pedido em 2011, quando completou 75 anos. Assume o posto o até então bispo de Ratisbona (Regensburg), dom Gerhard Ludwig Müller, de 64 anos. Ele

também ocupará a função de presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, da Pontifícia Comissão Bíblica e da Comissão Teológica Internacional. • O Papa começou suas férias no dia 3. Ele transferiu-se em helicóptero para a residência de verão de Castel Gandolfo, pequena cidade próxima a Roma. É lá que os Pontífices passam, tradicionalmente, os meses de julho e agosto, marcados pela intensidade do calor na capital italiana. As audiências privadas são suspensas, bem como as audiências gerais das quartas-feiras, que serão retomadas em 1º de agosto. • A Comissão Teológica Internacional renovou sua página na internet. A Comissão foi criada em 1969 e tem como objetivo auxiliar a Santa Sé no exame de questões doutrinais de grande importância e atualidade. Confira em http://bit.ly/js_ctivaticano • O Pontifício Conselho para a Cultura completa 30 anos de fundação em 2012. O organismo foi criado em 1982, pelo Papa João Paulo II. Uma das novidades é o lançamento de sua página na internet, no endereço www.cultura.va. Também foi criado o departamento Cultura e Esporte, que trabalhará em sintonia com o Pontifício Conselho para os Leigos e com a Fundação João Paulo II para o Esporte.


REDENTORISTAS

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 8 DE JULHO DE 2012

PREPARATIVOS | ENCONTRO EM GOIÁS DEBATEU ATIVIDADES

Jornada Afonsiana 2013

Divulgação / Juventude Redentorista

A Juventude Redentorista já começa a se preparar para a Jornada Afonsiana 2013. O evento, programado para acontecer em Aparecida (SP), foi o tema principal do último encontro da Comissão Nacional da Juventude Redentorista. A reunião aconteceu entre os dias 19 e 21 de junho, na cidade de Trindade (GO), com a participação de representantes das nove províncias redentoristas do Brasil. A Jornada Afonsiana 2013 deverá reunir jovens brasileiros e de outros países para uma peregrinação a Aparecida, representando uma oportunidade para leigos e missionários redentoristas fazerem uma experiência mais profunda e íntima de espiritualidade.

Encontro da Comissão Nacional da Juventude Redentorista aconteceu em Trindade (GO) e debateu eventos direcionados aos jovens

O tema da Jornada Afonsiana será Jovens, ide anunciar o Redentor, tendo como lema Discípulos de Jesus Cristo, missionários com Santo Afonso. O encontro, de abrangência mundial, vai contar com atividades culturais, momentos de oração e convivência, além de uma missa no Santuário Nacional de Aparecida. O site da Jornada será divulgado em breve. Reprodução

Da Redação jornalsantuario@editorasantuario.com.br

Jovens redentoristas preparam-se para a JMJ e Jornada Afonsiana

Além da Jornada Afonsiana, o encontro debateu o projeto Juventude Redentorista e a participação na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), também em 2013. O trabalho da Comissão Nacional da Juventude Redentorista tem como objetivo principal criar um perfil do jovem missionário redentorista no Brasil. O próximo encontro da Comissão acontecerá em Recife (PE), entre os dias 29 e 31 de outubro.

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IRMÃO BENTO

VOCACIONAL

Irmão Bento (18371912), missionário redentorista, artista de imagens e pinturas sacras. Durante seus primeiros anos na Congregação do Santíssimo Redentor, pôde trabalhar e cultivar seus talentos artísticos. Sobretudo a partir de 1865, quando teve como mestre o famoso escultor irmão Júlio Zumbusch, com quem pôde aperfeiçoar a arte de modelar e esculpir. Posteriormente, o superior provincial, padre Schmöger, contratou o senhor Beham para ensinar ao irmão Bento a arte da peritagem de dourar, técnica de requinte e embelezamento artístico. Desta forma, irmão Bento foi recebendo apoio dos superiores e confrades. E, apostando em seus próprios talentos, começou a esculpir imagens em madeira. Esse irmão buscava inspirações para suas obras de arte nas meditações e na natureza. Deus faz e refaz sua Obra de Arte a cada dia. A Obra da Criação é uma arte viva, colorida e em movimento!

Computador, televisão, videogame. Essas são algumas palavras que vêm a nossa cabeça quando pensamos em juventude. Olhando assim, parece que os jovens de hoje vivem em um mundo particular, uma realidade virtual. Só que, para a Comissão Nacional da Juventude Redentorista, essa turma não se limita apenas a isso. Como lembra um dos representantes da Província do Rio, padre Vicente Ferreira, “vivemos na era da internet, do mundo virtual, mas os jovens também querem e precisam de uma participação mais afetiva e efetiva em comunidade”. É isso que podemos perceber com a movimentação em torno de grandes eventos, como as Jornadas Afonsiana e Mundial da Juventude. O representante da Província de Goiás, padre Fábio Pascoal, destaca que “a juventude hoje é o presente da Igreja Católica, e não mais só o futuro. Essa juventude pode ser expressão do Cristo jovem que continua entre nós, por meio da alegria, da entrega e da participação”.

Confira a série completa de artigos. Acesse http://bit.ly/js_irmaobento * Os textos sobre a vida e a obra de Irmão Bento são de responsabilidade da Comissão de Patrimônio Histórico da Província Redentorista de São Paulo.

Quer ser missionário redentorista? Entre em contato pelo e-mail vocacional@a12.com


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SE LIGA AÍ

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 8 DE JULHO DE 2012

PREPARATIVOS | CORRIDA DE RUA DEVE ACONTECER EM TODAS AS DIOCESES DO BRASIL

Bote fé na vida marca

contagem regressiva para a JMJ

Eduardo Gois eduardo.jornal@editorasantuario.com.br

Campeonatos, copa do mundo, olimpíadas. O Brasil é um país voltado para o esporte, e a bola da vez é que a Igreja não fica fora dessa onda. Quando estiverem faltando exatos 365 dias para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em 22 de julho próximo, um evento irá literalmente dar largada ao grande dia. É o Bote fé na vida, uma corrida de rua que marcará a contagem regressiva para a JMJ. O objetivo é integrar os esportes e a evangelização, e todas as dioceses do Brasil poderão participar. Um dos organizadores do evento é o triatleta Diego Ciarrocchi. Ele explica que será apenas o primeiro evento dessa natureza e outros esportes também serão contemplados posteriormente. Ciarrocchi destaca que a essência do Bote fé na vida é ser um projeto para evangelizar por meio do esporte. “Faremos primeiro uma corrida de rua, por ser o segundo esporte mais praticado no Brasil”, explica. Segundo o organizador, a corrida proporciona unidade entra as diversas expressões da juventude, promove a qualidade de vida e a inclusão social,

desperta o esporte como um canal de prevenção às drogas, é uma forma de evangelização e também de divulgação da JMJ. Ele ressalta que a corrida de rua foi escolhida por ser um esporte altamente democrático, bastando o participante ter um par de tênis para poder praticar. Entre outros aspectos, foi pensado de maneira forte também sobre como atingir o maior número possível de inscritos. Saiba como funciona As inscrições estão a cargo do setor Juventude de cada diocese. Os interessados devem procurar os setores locais para se inscreverem. Para ajudar, também há um guia de referência que auxilia na organização, disponível no site do Jovens Conectados. A corrida ocorrerá simultaneamente em todas as dioceses no dia 22 de julho, com início às 8h. Apesar de não se conseguir mensurar números, a estimativa de público é alta, uma vez que ocorrerá em todo o Brasil. Um dado importante é que algumas capitais terão mais de mil jovens inscritos ou, como se costuma dizer entre os participantes, mil pessoas correndo pela vida. De acordo com o triatleta, é muito

interessante ver a corrida de rua chegar em todos os cantos do Brasil. Ciarrocchi detalha que o projeto passa por adequações de acordo com cada localidade e as condições das diversas dioceses. Ele faz questão de destacar que existe uma grande adesão justamente por ser algo novo, inovador e muito diferente do que a Igreja está acostumada a fazer. O jovem também comenta que existem muitos esportistas na Igreja, que o projeto contribui com a revelação de novos talentos e, de quebra, ainda evangeliza. O esporte é pouco explorado como instrumento de evangelização e aproximação das pessoas com Deus, acredita o triatleta. “Cada vez mais precisamos de novos meios e novas maneiras de evangelizar.”

A equipe organizadora do Bote fé na vida percebe o evento como uma grande oportunidade de fortalecimento de laços. “Correr libera mais do que suor: libera também os pensamentos, a mente e a alma. O esporte é também uma forma de dizer sim a vida”, destaca Ciarrocchi. Na avaliação do esportista, o ato de cuidar do corpo e da saúde é também uma forma de amor a si mesmo. Ele afirma que todo aquele que não arruma tempo para cuidar da saúde terá, no futuro, que arranjar tempo para as doenças.

– Buscar autorização com os órgãos competentes para o fechamento do percurso (prefeitura, trânsito, polícia, federação de atletismo). – Notificar e estabelecer convênio com hospitais ou clínicas locais para atendimento aos participantes, em caso de urgência. – Verificar a existência de outras corridas de rua no mesmo dia. – Possibilidade de realizar uma caminhada juntamente com a corrida para incentivar os não corredores. – Largada ou chegada na igreja matriz. Pensar no percurso com a participação das comunidades.

– Dependendo do local, dioceses próximas podem juntar-se para uma única corrida. – Batedores, motociclistas para acompanharem os primeiros e os últimos atletas. – O controle dos números de inscrições deve ser feito e controlado por cada diocese, de acordo com sua realidade. – É importante que cada atleta inscrito aceite o termo de responsabilidade, que indique que ele está de acordo com o regulamento da prova e que está apto a realizar atividades físicas, isentando a organização de quaisquer

danos ou prejuízos (termo disponível no site). – Definir local para recebimento de inscrições presenciais. – Como ação social, pedir a doação de 1kg de alimento não perecível a cada inscrito. – Copos de água para todos os corredores. Calcular 5 copos em média por participante. – Ponto de hidratação a cada 3km para corridas até 10km e a cada 2,5km para corridas de 5km. – Deve haver água na largada e, principalmente, na chegada.

Saiba mais sobre a corrida. Acesse

www.jovensconectados.org.br/bote-fe-vida

SAIBA MAIS É muito importante que as dioceses fiquem atentas quanto a algumas orientações para que o evento seja um sucesso. Abaixo estão algumas dicas fornecidas pelos organizadores do Bote fé na vida. Não deixe de ver outras orientações no site. – É obrigatório um profissional de educação física com CREF. – Deve ser realizado em local de fácil acesso. – Percursos de 5km a 10km, para ser acessível ao maior número de participantes.


VIVER

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 8 DE JULHO DE 2012

.: De Olho Você tem fome de quê? Todo sintoma que se manifesta no corpo simboliza algo que a alma reclama. Ou seja, não há mal físico que não tenha sido originado na psique. Quando se observa algum distúrbio alimentar, essa relação fica ainda mais evidente: a silhueta se transforma para apontar algo que está em desacordo. Na compulsão alimentar, costuma-se fazer associações simbólicas com o “apetite” desmedido que ali se apresenta. Os versos dos Titãs podem nos ajudar nessa hora. Você tem sede de quê? Você tem fome de quê? Quais são as carências que esse corpo manifesta? Ou seria uma busca por sabores que gratifiquem a vida? A gente não quer só comer, a gente quer prazer pra aliviar a dor. Qual vazio está sendo compensado durante o comer? De qual problema se quer escapar? A gente não quer só comida, a gente quer saída para qualquer parte. Em geral, comedores compulsivos preferem alimentos de baixo valor nutricional, ricos em sabor, calorias e gorduras. Substâncias essas que deleitam o paladar e desencadeiam uma sensação de

entorpecimento, mas que, como consequência, atraem para si o sobrepeso. O acúmulo de gordura, escudo natural contra as adversidades em eras primitivas, ganha na contemporaneidade uma nova configuração: é causa de menosprezo e rechaço. “Quem se ama não faz isso consigo mesmo”, diz o julgamento de muitos, impiedoso e indiferenciado. Já vi pessoas que comiam compulsivamente pela falta ou excesso de vaidade; para se sentir forte ou na fantasia de se fortalecer contra um problema que acusa sua impotência. Em todos, percebi um traço comum: a dificuldade de enfrentar adversidades. O grande desafio no tratamento é o de ir além da patologia. Como ensina Jung, temos de enxergar o doente que está por trás da doença: um ser único, individualizado, com uma história que desembocou naquele momento, em que ele admite o problema e decide buscar ajuda. João Rafael Torres é psicanalista junguiano e especialista em Dependências, Abusos e Compulsões (DACs). Contato: www.selfterapias.com.br

.: RECEITA

SALADA DE PEPINO ENRIQUECIDA Ingredientes Pepinos médios cortados em fatias finas Queijo minas fresco cortado em cubo Tomate sem semente cortado em cubos Cebolinha verde picada Azeite Vinagre branco, sal, orégano e pimenta

Quantidade 3 unidades 150 gramas 1 unidade 1 colher (sopa) 1 colher (sopa) a gosto

Modo de preparo Junte o pepino, o queijo, a cebolinha e o tomate numa tigela. Em seguida, misture numa xícara o azeite, o vinagre, o sal, a pimenta e o orégano e distribua sobre as hortaliças. Rende 6 porções e leva 20 minutos para ficar pronta. Sugestão: Este prato acompanha qualquer tipo de carne.

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DEMOCRACIA

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 8 DE JULHO DE 2012

PLEITO | ESCOLHA CONSCIENTE É FUNDAMENTAL PARA EXERCÍCIO DA CIDADANIA

Eleições 2012: seu voto

constrói a sua cidade

Confira as entrevistas na íntegra e saiba mais sobre o assunto. Acesse http://bit.ly/js_eleicoes2012 Leonardo Meira / JS

Cristãos Participar do processo político reveste-se de ação missionária para os cristãos. “O Reino de Deus constrói-se também pela mediação política, entendida como a construção do bem comum e a prática da solidariedade e da fraternidade”, acredita dom Werlang. Já o Concílio Vaticano II, no decreto Apostolicam Actuositatem – sobre o apostolado dos leigos –, afirmava que “o cristão na política abre caminho para o Evangelho” (n. 14). “Este é o significado do cristão participar do processo político: abrir caminho para que a Boa-Nova da vida em abundância, a educação, a saúde, a moradia digna, o trabalho e o salário justo, o lazer, a segurança, a cidadania sejam assegurados para todos”, explica Azevedo.

O cristianismo não pode ser reduzido a um conjunto de rituais ou de normas éticas que regulam a vida. “Ele é também uma proposta de sociedade conforme o projeto divino, uma sociedade justa e pacífica que Jesus chamou de Reino de Deus. A pessoa que limita sua vida cristã à esfera privada reduz o cristianismo a uma forma de autoajuda, porque descarta sua dimensão profética e transformadora do mundo”, destaca o sociólogo Oliveira.

Raquel Ribeiro / Arquivo Pessoal

De cima para baixo em sentido horário: Dom Guilherme Werlang, Pedro Ribeiro de Oliveira, Laudelino Augusto dos Santos Azevedo e Robson Sávio Reis Souza

atividades mais engajadas, como associar-se em grupos e movimentos para reivindicar direitos e demandas populares. “As reuniões das pastorais, das comunidades eclesiais de base, dos movimentos cristãos, também podem ser entendidas como uma forma de participação política, pois são espaços nos quais a fé e a política entrelaçam-se”, explica o coordenador do grupo gestor do Núcleo de Estudos Sociopolíticos da Arquidiocese de Belo Horizonte e da PUC-Minas, Robson Sávio Reis Souza.

Arquivo Pessoal

Sabe aquele buraco que já fez aniversário na rua de sua casa? Ou a merenda escolar que não chega até a boca das crianças de sua cidade na quantidade que deveria? Saiba que a solução para todos esses problemas está na palma de sua mão. Ou melhor, na ponta de seus dedos. No dia 7 de outubro, acontecerá mais uma eleição municipal. É nesse momento que o eleitor teclará na urna eletrônica os números dos candidatos a prefeito e vereador que conduzirão os rumos do município pelos próximos quatro anos. Mas o desempenho desses representantes costuma ter consequências que duram bem mais do que isso. As eleições municipais têm a característica de trazerem os temas para mais perto do dia a dia da população. Exatamente por isso é tão importante saber usar bem o voto. Vale a pena ficar ligado na propaganda eleitoral, que está liberada desde o último dia 6, e também consultar subsídios, como o que uma série de entidades vinculadas à CNBB organizou: a cartilha Eleições municipais 2012: cidadania para a democracia. “O município é onde a gente mora, trabalha, estuda, educa os filhos, diverte-se, busca atendimento de saúde e outros serviços necessários à vida cotidiana. É na política municipal que começa a participação cidadã: a escolha de quem vai aplicar as políticas públicas”, esclarece o doutor em Sociologia pela Université Catholique de Louvain, na Bélgica, e professor do mestrado em Ciências da Religião da PUC-Minas Pedro Ribeiro de Oliveira. Já não é novidade que a atual estrutura do Estado e da própria democracia encontra-se em crise, ou seja, já não consegue responder aos questionamentos, demandas e ânsias da popu-

lação. É aí que a Doutrina Social da Igreja pode iluminar o agir cristão para que aconteça um reencantamento com a política. “Há algo que distingue o cristão: a esperança. É compreensível que o círculo vicioso de corrupção e desmando no trato com a coisa pública gere desencanto, desalento nas pessoas, especialmente nos jovens, em relação à política. Como vencer isso? Renovando estruturas e pessoas. De que forma? Participando e militando politicamente. O ensino social da Igreja é para nós, cristãos, iluminador, porque nos permite enxergar o agir de Cristo como uma condenação às estruturas de morte e indicação de caminhos de vida”, afirma o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, Justiça e Paz da CNBB, dom Guilherme Werlang. Já o presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), Laudelino Augusto dos Santos Azevedo, admite que, “neste campo, é preciso reconhecer que os cristãos estão devendo e muito à nação brasileira. O campo político está apodrecido devido à ausência do ‘sal, luz e fermento’ que nós cristãos deveríamos ser. A Doutrina Social da Igreja nos ensina, prepara e incentiva para, em comunidade, atuarmos concretamente”. A participação política acontece desde os círculos de conversas com os amigos sobre temas diversos até Arquivo Pessoal

Leonardo Meira leonardo.jornal@editorasantuario.com.br

FUNÇÕES O Poder Executivo diz respeito às instâncias de poder que tomam decisões, mas também executam e aplicam as decisões do parlamento. São elas: presidente da República, governador de Estado, prefeito. O prefeito é o chefe do governo municipal. A ele compete, dentre outras funções: • Exercer a direção da administração municipal com as secretarias municipais e outros órgãos auxiliares.

• Sancionar e vetar projetos de lei municipal. • Expandir decretos e regulamentos municipais. • Nomear e exonerar secretários. • Encaminhar ao Tribunal de Contas sua prestação de contas. • Apresentar relatório sobre o andamento das obras. O Poder Legislativo é a instância de representação do povo, trabalhando na fiscalização do Poder

Executivo e na apresentação e votação de leis e projetos. É formado pelos senadores, deputados federais e estaduais e vereadores. O vereador é o membro da Câmara Municipal. Ele elabora e vota as leis municipais. Compete também ao vereador: • Legislar sobre assuntos de interesse local. • Suplementar a legislação federal e estadual. • Legislar sobre tributos municipais. • Apresentar projetos de lei, decretos legislativos, resoluções e emendas.

• Formular requerimentos, moções, indicações; • Emitir pareceres. • Participar de debates e votações. • Eleger a mesa diretora da Câmara de Vereadores e das comissões. • Elaborar o Regimento Interno da Câmara Municipal. • Comparecer às sessões plenárias. • Comparecer às reuniões das comissões. • Votar as proposições submetidas à deliberação da Câmara Municipal.


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DEMOCRACIA E REFORMA

O envolvimento consciente no pleito pode auxiliar na construção de uma democracia que não seja apenas representativa, mas também participativa. Nas regras atuais do jogo democrático, as eleições servem para que o cidadão escolha candidatos comprometidos com os interesses públicos para serem seus representantes. Ou seja, os políticos devem exercer o poder em nome do povo – e não como um poder próprio, como o do rei em regimes monárquicos. “Isso é bom quando favorece a escolha de verdadeiros representantes do povo, mas frequentemente erra ao dar o poder a pessoas que enganam o eleitorado com palavras falsas ou compram votos. A educação política deve levar a escolher

quem seja realmente representativo da vontade geral”, ensina o sociólogo Oliveira. Já a democracia participativa foi respaldada pela Constituição de 1988, que estabeleceu instrumentos de participação da sociedade nas políticas do governo e sua fiscalização, como os Conselhos de Cidadania, que tratam de diversos assuntos de interesse público. Assim, a sociedade pode fiscalizar e apresentar demandas e diretrizes de ação para o governo. “Na democracia participativa, o exercício do poder político é pautado no debate público entre os cidadãos, com condições iguais de participação. Portanto, a legitimidade das decisões políticas advém de processos de discussão e deliberação direta, sem a mediação de representantes eleitos”, explica o coordenador do Nesp, Robson Souza. Reforma O documento 91 da CNBB – Por uma reforma do Estado com participação

democrática – aprofunda o questionamento Estado, para que e para quem, que também oferece a linha-mestra de reflexão da 5ª Semana Social Brasileira, já em andamento. No fundo, questiona-se a pesada estrutura que se tornou o Estado brasileiro. Nesse contexto, a reforma política é fundamental, embora isoladamente não possa resolver todos os problemas da nação. Mas já seria um grande passo nesse sentido. “A começar da concepção de ‘poder’, das estruturas tão onerosas e pouco eficientes da ‘máquina’ pública, dos chamados Três Poderes, e da representatividade, incluindo o processo eleitoral”, cita o presidente do CNLB, Laudelino Azevedo. “A reforma política de que o país necessita com urgência não pode se limitar a regras eleitorais, e dentro delas ao funcionamento dos partidos. Ela precisa atingir o âmago da estrutura do poder e a forma de exercê-lo, tendo como critério básico inspirador a parti-

cipação popular. Trata-se de reaproximar o poder e colocá-lo ao alcance da influência viável e eficaz da cidadania” (Documento 91, n. 101). A Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político trabalha cinco eixos que dão a dimensão da reforma política que se deseja: fortalecimento da democracia direta, fortalecimento da democracia participativa/deliberativa, aperfeiçoamento da democracia representativa, democratização da informação e da comunicação, democratização e transparência do Poder Judiciario. O financiamento público de campanha como caminho para a transparência e o estancamento da corrupção é outro ponto importante. Também fala-se na votação em lista preordenada, e não mais num candidato específico. “Isso reforçaria os partidos, uma necessidade em nosso país acostumado às legendas de aluguel”, acredita o bispo Werlang.

IGREJA NO BRASIL A CNBB escreveu uma mensagem sobre as eleições municipais. O texto foi aprovado durante a 50ª Assembleia Geral da entidade, em abril deste ano, em Aparecida. Para os bispos, o voto livre e consciente é “um dos mais expressivos deveres de cidadão”. “Para o cristão, participar do processo político-eleitoral, impulsionado pela fé, é tornar presente a ação do Espírito, que aponta o caminho a partir dos sinais dos tempos e inspira os que se comprometem com a construção da justiça e da paz, continua a nota. O eleitor deve ter presente que o seu voto, embora seja gesto pessoal e intransferível, “tem consequências para a vida do povo e para o futu-

ro do país. As eleições são momento propício para que se invista, coletivamente, na construção da cidadania, solidificando a cultura da participação e os valores que definem o perfil ideal dos candidatos”. A CNBB adverte também que os candidatos devem ter um histórico de coerência de vida e discurso político referendados pela honestidade, competência, transparência e vontade de servir ao bem comum. “O exercício da cidadania, no entanto, não se esgota no voto. A educação para a cidadania é processo permanente”, explicita. Já no dia 22 de junho, a entidade divulgou uma nota sobre a ética pública. A CNBB aponta que os fatos políticos e administrativos que contrariam a

ética pública e o bem comum chegam a “colocar em xeque a credibilidade das instituições, que têm o dever constitucional de combater a corrupção e estancar a impunidade, que alimenta tal prática”. Os bispos denunciam que o senso de justiça presente na consciência da nação brasileira “é incompatível com as afrontas ao bem comum que logram escapar às penas previstas, contribuindo para a generalizada sensação de que a justiça não é a mesma para todos. A sociedade brasileira espera e exige a investigação de toda suspeita de corrupção bem como a consequente punição dos culpados e o ressarcimento dos danos”. “O agente político se recorde de que é seu dever ultrapassar as frontei-

ras político-partidárias, as condicionantes de oposição-situação, para colocar-se a serviço do Estado e da sociedade, sem confundir jamais o público com o privado, o que constituiria grave ofensa à legislação e desrespeito à sociedade”, conclui a nota.

VOTAR BEM

Para garantir a qualidade do voto, é preciso conhecer a história dos candidatos, o programa que apresentam, a maneira como fazem a propaganda eleitoral, se gastam muito dinheiro, quem os financia, votar com liberdade, sem pressões. “Toda essa análise deve ser feita em comunidade, nunca isoladamente”, ressalta Azevedo. Não se pode perder de vista o verdadeiro sentido da política: a

busca do bem comum. “A partir desse horizonte, é preciso considerar o partido e também o perfil do candidato. Se não tiverem o bem comum como meta de sua ação, devem ser descartados”, recorda dom Werlang. Para isso, é preciso avaliar a história e a prática tanto do partido quanto do candidato, que precisa ser ficha limpa. Além disso, é preciso conhecer a função para a qual se elege o candidato, avaliando se ele tem competência para o cargo. Também é importante dominar o processo eleitoral, sabendo como funcionam as alianças, coligações e o coeficiente eleitoral, que explica por que um candidato com menos votos foi eleito e um com mais votos não, por exemplo.

“Votar bem é votar em quem vai destinar os recursos públicos em favor do povo, especialmente dos setores mais necessitados”, complementa o sociólogo Oliveira. Dicas – votar sempre, pois não votar é omissão, e, quando não votamos, um candidato ruim ocupa o lugar de um bom candidato; – votar com liberdade, pois na democracia somos livres para decidir; – o voto é um direito e um dever do cidadão; – não vender o voto; – conhecer o candidato, sua história, as alianças políticas;

– conhecer os programas dos candidatos e estar atento às falsas promessas; – votar com consciência, exigindo dos candidatos projetos consistentes e que visem ao presente e ao futuro da cidade; – examinar quanto o candidato está gastando na campanha e não se deixar enganar pelas propagandas; – acompanhar os eleitos. As eleições são o começo de um processo, e não o fim. Portanto, é dever dos cidadãos monitorar as ações políticas daqueles que foram eleitos. Fonte: Nesp


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SUSTENTABILIDADE EDIÇÃO ESPECIAL

ECO PC | ALÉM DE USAR MATERIAL RECICLADO, EQUIPAMENTO TEM BAIXO CONSUMO DE ENERGIA

Deniele Simões deniele.jornal@editorasantuario.com.br

Mais de 100 anos. Esse é o tempo que uma garrafa pet demora para se decompor na natureza. E, se a demora é grande, os prejuízos para o meio ambiente também são. A não ser que esse tipo de material seja reciclado. Foi pensando nessa equação que o mineiro Adriano Reis Pereira de Carvalho, que vive na cidade turística de São Lourenço (MG), decidiu dar um destino muito útil às garrafas plásticas. Carvalho é o idealizador do Eco PC, um computador de uso sustentável, com gabinete construído a partir de garrafas pet e componentes de baixo consumo energético. Segundo o inventor, o conceito do Eco PC surgiu buscando o reaproveitamento do lixo. “Veio a ideia de transformar garrafas pet, que poluem o meio ambiente e prejudicam o nosso planeta, em gabinetes de computador, que todo mundo usa, seja em casa ou nas empresas”, explica.

computador ecológico

O processo de fabricação do computador ecológico envolve uma cadeia formada por catadores de lixo reciclável em São Lourenço, que recebem pelas garrafas um valor maior do que as cooperativas pagam. Depois, as pets são trituradas, derretidas, transformadas em chapas, cortadas e dobradas para adquirirem a forma de gabinetes de computador. Componentes recicláveis Além de ser fabricado com material reciclado, o computador ecológico possui componentes eletrônicos de baixo consumo, que gastam um terço a menos do que um computador comum. Essa é uma das características que mais agradam as pessoas que usam o Eco PC. O empresário Edson Faria Rodrigues, atuante no setor de comunicação visual, adquiriu duas unidades do computador ecológico, que são usadas no setor administrativo de sua firma. “Eu acho que o conceito é superinovador, porque os recursos naturais estão tornando-se escassos e temos que ver a reciclagem como uma

Arquivo Pessoal

Garrafas pet dão vida a

Eco PC tem gabinete de garrafas pet e componentes eletrônicos que gastam um terço a menos de energia

maneira de suprir os recursos que, por ventura, possam vir a faltar”, avalia Rodrigues. Outra vantagem é o tamanho do gabinete, que ocupa 10 vezes menos espaço do que um convencional e pesa 200 gramas. Os tradicionais

têm peso médio de quatro a cinco quilos. O Eco PC usa processador Intel Dual Core com HD de 500 GB e 4Ghz de memória RAM, mas nada impede que outras configurações sejam utilizadas. Para Rodrigues, o equipamento atende bem às necessidades da empresa e não deixa nada a desejar em relação a configurações similares. A intenção de Adriano Carvalho é comprar de volta os computadores pelo valor de reciclagem, daqui a três anos, a fim de repetir o ciclo de renovação. “Vamos aproveitar todos os componentes que formam as peças para depois mandar isso para o fabricante do processador e da placa mãe”, explica o criador do Eco PC, lembrando que o gabinete de garrafa pet é totalmente reciclável. O objetivo de Carvalho com essa invenção é criar uma cultura para que todos os computadores e tablets do mundo sejam feitos de materiais recicláveis, em nome da sustentabilidade. “Inclusive, estamos trabalhando em um projeto para um tablet feito de garrafa pet”, revela.

OUTRAS INICIATIVAS

Monitores de computador sem uso agora têm uma destinação útil na prefeitura da cidade de Americana (SP). Ao invés de ir para

dos e estão em uso. O coordenador do setor, Fernando Vicente Ferreira, disse que a reciclagem do material consiste na retirada da parte interna eletrônica do aparelho e na pintura decorativa da carcaça. O processo também inclui a forração da parte interna do monitor com almofadas, garantido conforto aos gatos. Ferreira destacou que a iniciativa reforça os cuidados com o meio ambiente, favorecendo a sociedade e os animais e diminuindo a quantidade de lixo eletrônico, que

pode ser prejudicial à saúde da população. Prefeitura de Americana

o lixo, os monitores são reciclados e transformados em camas para os gatos abrigados no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). De tão criativa, a iniciativa foi premiada pela Sociedade Americana para a Prevenção da Crueldade contra Animais (ASPCA). Segundo a entidade, a iniciativa supre um dos cinco quesitos preconizados para o bem-estar animal, deixando os gatos livres do desconforto. De acordo com o CCZ de Americana, 40 monitores já foram recicla-

Iniciativa é reconhecida pela Sociedade Americana para Prevenção da Crueldade contra Animais (ASPCA)


MR

E MUITO MAIS.

O seu shopping


SE LIGA AÍ

Campanha dos Devotos: 13 anos construindo a Casa da Mãe Aparecida! Em junho, completaram-se 13 anos do movimento responsável pelas profundas mudanças na estrutura e na história do maior santuário mariano do mundo: a Campanha dos Devotos. Foi por meio desta que foi gerada uma grande mobilização de pessoas dispostas a colaborar com as obras de acabamento da Basílica de Aparecida. A primeira grande obra aconteceu no ano de 2000: a colocação dos pisos. O segundo fruto dessa mobilização foi em 2002, com a construção do novo altar da Igreja.

De 1999 pra cá, várias foram as mudanças possíveis graças à mobilização de devotos de todo o Brasil. Os projetos de construção da Basílica expandiram-se para obras de acolhimento que propiciam a especialização e o investimento na recepção dos devotos, obras sociais que beneficiam famílias inteiras de Aparecida e região, obras de evangelização que tornam possível a propagação da devoção na Padroeira do Brasil – e, consequentemente, do turismo religioso – e obras de comunicação, como a Rede Aparecida (Rádio e Tv) e portal A12.com. Veja abaixo algumas das obras recém-inauguradas no Santuário Nacional!

Salas do subsolo do Centro de eventos

Detalhe do vitral da nave oeste

Foyer – Centro de eventos Padre Vítor Coelho

Novo espaço sendo preparado para receber a equipe do A12.com

Missas Segunda a sexta: 7h - 9h (TV) - 10h30 - 12h - 16h Sábado: 6h30 - 9h (TV) - 10h30 - 12h - 16h - 18h (TV) Domingo: 5h30 - 8h (TV) - 10h - 12h - 14h - 16h - 18h (TV) Bênçãos (ao final de todas as missas) Confissões Segunda a sexta: 7h30 às 11h - 14h às 16h Sábado: 6h30 às 11h15 - 13h30 às 16h45 Domingo: 6h30 às 11h15 - 13h30 às 16h Batismo Segunda a sexta: 10h e 15h Sábado: 9h - 10h - 11h - 14h - 15h Domingo: 8h - 9h - 10h - 11h - 14h - 15h Piedade Popular Consagração a Nossa Senhora Segunda a sexta: 11h (TV) e 15h - Sábado: 15h Hora Mariana (Terço) - Segunda a sábado: 14h Novena Perpétua - Quarta: 15h15 e 19h30

Assembleia dos Bispos do Brasil no Centro de eventos Padre Vítor Coelho

Centro de eventos Padre Vítor Coelho

FIQUE LIGADO

Procissão Eucarística - Quinta: 10h Procissão Luminosa do Terço - Sábado: 19h Procissão Mariana - Domingo: 6h30 Revestimento em tijolinho da capela de passagem

Encontros Especiais Coordenadores de Romarias: Sábado: após missa das 9h Domingo: após missa das 8h Local: Sala dos Coordenadores de Romarias (ao lado da Sala de Confissões) Plantão Religioso Segunda a sexta: das 17h às 18h Telefone para informações: (12) 3104 1000 Horários de Missa - Matriz Basílica Segunda, Quarta e Quinta: 7h – 18h (TV) Terça: 7h – 16h (missa dos doentes) – 18h (TV) Sexta: 7h – 18h (TV) – 19h30 Sábado: 15h – 19h Domingo: 19h30 Bênçãos (ao final de todas as missas) Telefone para informações: (12) 3105 1517


ARTIGOS

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 8 DE JULHO DE 2012

DIALOGANDO E ESCLARECENDO (PADRE CIDO PEREIRA)

Onde se encontra o primeiro retrato de Nossa Senhora, pintado por São Lucas, o Evangelista? Em algum museu? ( Julieta P. Martinelli, Santo Antonio do Pinhal –SP) Julieta, embora se diga que São Lucas foi o primeiro a pintar o rosto de Nossa Senhora, é melhor a gente ficar com aquilo que ele diz dela no seu Evangelho, ou seja: que ela era jovem, cheia de graça, que o Senhor estava com ela, que ela foi dócil ao apelo de Deus, que deu o seu sim generoso a Deus, aceitando ser a mãe do Senhor, que foi visitar sua prima Isabel, cantou as maravilhas que o Senhor realizou nela, que ela sabia e acompanhava a história do seu povo e que, pela graça de Deus e pelo merecimento de seu

Filho Jesus, as nações a chamariam de bem-aventurada. Sabemos também que Maria conseguiu que Jesus realizasse o primeiro milagre, ao dar ordem aos empregados numa festa de casamento que “fizesse tudo que seu Filho mandasse”. Sabemos ainda que ela esteve aos pés da cruz, e o próprio São Lucas nos garante que ela estava junto aos discípulos no Dia de Pentecostes. Pode não haver o tal falado quadro de Maria pintado por Lucas, Julieta. Mas ele é o que mais fala de Maria, sinal que se encantou com a pessoa dela, a esposa do Espírito Santo. Que Lucas fosse pintor é tradição na Igreja, e que ele foi médico isso todos sabemos, porque São Paulo o chama de “médico muito querido”, e, inclusive, chegou a ser cuidado por ele na prisão. Existem alguns quadros cuja origem está marcada por verdadeiros mistérios, viu Julieta, como é o caso de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Fiquemos, porém, com as informações seguras que o próprio Lucas nos deixou sobre Maria, lembrando que ele não fala de suas qualidades de pintor.

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VIDA EM FAMÍLIA

(ROBERTO GIROLA – PSICANALISTA) Solidão e capacidade de estar só

O filme O náufrago relata a história de Chuck Noland (Tom Hanks), um executivo da FedEx que sobrevive à queda do avião da empresa, nadando até uma ilha deserta. O filme mostra a terrível angústia que ele experimenta ao perder no mar uma bola de vôlei, que ele tinha caracterizado como a cabeça de um ser humano e com a qual “conversava” ao longo dos quatro anos em que ficou sem contato com a civilização, na mais absoluta solidão. Infelizmente, no mundo que habitamos, não é preciso ser um náufrago para experimentar a solidão. Mesmo quem tem à sua disposição centenas de “amigos” no Facebook pode experimentar esse sentimento. Todos conversamos com seres humanos que são tão interativos quanto a “bola de vôlei”, com uma única diferença, a bola pelo menos dava a impressão de que sabia escutar. Atropelados pelo barulho da civilização, capturados pelos diálogos da novela ou do Big Brother, mergulhados

no bate-estaca da balada da hora, ou nas letras sem sentido de algum Pagode, ficamos cada vez mais à mercê de uma solidão profunda que sequer a rotina maçante do trabalho e as conversas formais do dia a dia conseguem calar. Assim como Noland ficou à mercê do seu isolamento até perder o medo de encarar os perigos do oceano, nós precisamos nos livrar dos medos para poder “voltar”. Mas voltar para onde? Qual não foi a surpresa do Chuck ao voltar para o seu mundo e perceber que a vida tinha continuado o seu curso sem a sua presença. O náufrago é uma metáfora da vida, pois todos somos náufragos em busca de voltar para nós mesmos, para a enriquecedora experiência de estarmos sós. Estar só é a experiência de sermos nós mesmos, sem ficar à mercê das expectativas do outro, podendo criar nossa própria maneira de estar no mundo de forma criativa.



Jornal Santuário de Aparecida [Ed. 5600 - 08 jul 2012]