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Leonardo Meira / JS

.: SACERDÓCIO

Santuário Nacional e REDE APARECIDA na Expocatólica

Formação de seminaristas é desafio, afirma padre Dalton Barros 3

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J O R N A L

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A PA R E C I D A

Pastoral dos surdos promove unidade e inclusão

A Pastoral dos surdos é formada por agentes de evangelização espalhados Igreja metas pós-Rio+20 por todo oindica Brasil. O trabalho possibilita aos surdos um espaço dentro da Igreja Católica nos mais diversos serviços e ministérios. O fim do preconceito e da discriminação e a disseminação do estudo de Libras são objetivos importantes. Na reportagem das páginas centrais, conheça também a história de uma comunidade em Cachoeira Paulista que se destaca no trabalho pastoral.

SOLIDARIEDADE

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Cirurgia plástica é cada vez mais procurada pelos jovens

Ano da Fé: objetivos e programação são detalhados no Vaticano

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ATUALIDADES

Animais abandonados recebem auxílio de ONGs pelo Brasil

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ANO 111 • Nº 5.599 • 1º DE JULHO DE 2012 • WWW.JORNALSANTUARIO.COM.BR

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DA REDAÇÃO

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 1º DE JULHO DE 2012

.: Editorial

.: Espaço do leitor Aniversariantes

Descaso com a educação Docentes de mais de 50 universidades federais estão em greve há mais de um mês. Movimentos grevistas que pipocaram em vários estados brasileiros trazem prejuízos a milhares de alunos da rede pública. Essas são as nuances que preenchem o atual quadro do sistema educacional no Brasil. Como se não bastassem as greves, o cenário também é composto por números assustadores, que comprovam a ineficiência do ensino no país e dão pistas de que a situação é reflexo de uma estrutura ultrapassada. Dados do relatório de monitoramento do Educação para Todos (2010), da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), apontam sérios problemas estruturais no setor educacional brasileiro. O índice de repetência no ensino fundamental é o mais elevado da América Latina, chegando aos 18,7%. Vale ressaltar que a média mundial é de 2,9%. Outro problema é a evasão escolar nos primeiros anos da educação básica (13,8%), à frente apenas da Nicarágua, que tem 26,2%. A estrutura física precária das escolas e o número baixo de horas em sala de aula também são fatores negativos, que colocam a educação brasileira em posição de desvantagem em relação a países menos importantes economicamente. A estrutura também faz refletir que o crescimento da economia de um país deve vir acompanhado de justiça social, fazendo com que a renda eleve também os índices de desenvolvimento intimamente ligados à qualidade educacional. Por isso, enquanto não se investir na melhoria do sistema educacional, não será possível falar em crescimento pleno.

O JS parabeniza os aniversariantes de julho, pedindo que Nossa Senhora Aparecida estenda seu manto sobre todos. Uma vez por mês, nosso jornal conta com este espaço, que escolhe um aniversariante para receber um brinde da Editora Santuário em sua casa. Entre em contato conosco e atualize seu cadastro! Neste mês, a leitora Andreia Aparecida Ferreira da Cunha é a agraciada com um exemplar da “Bíblia Sagrada de Aparecida”. Parabéns!

O Jornal Santuário de Aparecida é uma publicação semanal dos Missionários Redentoristas ISSN - 1980-3192

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Acesse http://bit.ly/aniversario_julho2012 Entre você também em contato com a Redação do JS! Conte sua história, fale sobre sua devoção a Nossa Senhora e comente as matérias que você lê todas as semanas aqui no jornal. Escreva sua carta, mande seu e-mail, entre em contato por telefone ou por meio de nossas redes sociais. Estamos esperando sua participação!

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reuniu mais de 200 leigos e religiosos no Santuário Nacional. O evento, promovido pela Academia Marial, teve como foco a intercessão mariana.

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DIAGRAMAÇÃO: Rafael Felix Simone Godoy

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REDAÇÃO: Deniele Simões - MTB 26435/SP Eduardo Gois - MTB 57928/SP

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EDITOR: Leonardo Meira - MTB 14261/RS REVISÃO: Ana Lúcia de C. Leite Lessandra Muniz de Carvalho Camila de Castro Sanches dos Santos

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* A opção “Promover a ampla inclusão nos ambientes de trabalho” não obteve nenhum voto. Curta você também a nossa página no Facebook e participe das enquetes.

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77,75% – Compreender a condição do outro e respeitar suas características

.: Contatos

CONSELHO EDITORIAL: Pe. Jorge P. S. Sampaio, C.Ss.R. Pe. José Uilson Inácio Soares Júnior, C.Ss.R.

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Confira o resultado:

Confira a programação da Semana Santa

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O preconceito contra pessoas com deficiência, como a surdez, permanece em alta no Brasil. O que é preciso fazer para acabar com esse cenário?

Confira a lista completa dos aniversariantes em nosso blog.

DIRETOR-GERAL: Pe. Marcelo Conceição Araújo, C.Ss.R.

A I D E C C I D A A R A P E A PA R E D D E

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O JS perguntou aos curtidores de nossa página no Facebook:

22,25% – Investir em conscientização nas escolas

Boa leitura!

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OPINIÃO / DEBATE

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 1º DE JULHO DE 2012

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VOCAÇÃO | QUALIDADE DOS RELACIONAMENTOS E REALIZAÇÃO PESSOAL SÃO CRUCIAIS

Formação de seminaristas é desafio para a Igreja

Leonardo Meira leonardo.jornal@editorasantuario.com.br

O processo de formação de seminaristas é um dos grandes desafios para a vida da Igreja no mundo todo. O assessor da área de formação sacerdotal e religiosa da Província Redentorista do Rio de Janeiro, padre Dalton Barros de Almeida, C.Ss.R., defende que as casas de formação devem ser regidas por um processo de convivialidade que se mede, em primeiro lugar, não pela disciplina, mas pela qualidade do relacionamento que se cria. O sacerdote argumenta ainda que o presbítero é chamado a se realizar como pessoa, e é preciso se aprofundar no conhecimento de si e de seu lugar na realidade para se colocar a serviço do Reino de Deus. Nesta entrevista exclusiva ao JS, padre Dalton fala também sobre o dom do celibato e sobre as equipes multidisciplinares que devem integrar o processo de formação nos seminários do Brasil. Jornal Santuário de Aparecida – Quais seriam os principais desafios para a formação dos seminaristas hoje, no Brasil? Padre Dalton Barros – Os desafios são os mesmos que a Igreja como um todo tem diante da “mudança de época”. São desafios de se ter outra linguagem, outra postura, uma nova compreensão da maneira humana de ser. E o seminário cuida de preparar os sacerdotes para o povo de Deus. Por isso, é preciso uma leitura clarividente dessa época de mudança, uma percepção aprofundada de um saber de si como um sabor de ser, para que os jovens que aspiram à experiência sacerdotal e à vivência do ministério possam sentir-se integrados no serviço que eles têm a realizar. JS – Segundo a percepção dessa escolha vocacional como a vida entregue enquanto dom, serviço à Igreja, o senhor acredita que é hoje muito complicado para o jovem conseguir ter essa visão? Padre Dalton – Não acredito que a noção seja só o problema do serviço

JS – Então poderíamos dizer que os desafios são reflexos da própria sociedade, da dificuldade de as pessoas conhecerem-se a si mesmas? Padre Dalton – A grande dificuldade é exatamente essa. O conhecimento de si, da realidade e meu lugar nesta realidade em nome de Deus pelo Reino. JS – O celibato é um dos aspectos em que a compreensão é mais delicada. O senhor acredita que a postura da Igreja deveria ser mais clara nesse sentido? E como o dom do celibato é contemplado hoje no processo de discernimento? Padre Dalton – A questão toda diz respeito à identidade sexual do presbítero. Em primeiro lugar, todo o seu universo afetivo-relacional e sua identidade sexual. Que caminhos ela pode tomar? Observa-se no Brasil que, hoje, há uma tendência à vida de solteiro. A solteirice prevalece sobre o projeto do casamento, mas é uma solteirice com a prática da relação sexual como elemento integrador que a pessoa, a seu modo de entender, vive. O desafio é educar a identidade sexual de alguém dentro de um projeto em que a sexualidade como prática fica fora da jogada, mas alarga o horizonte pela capacidade de suscitação de vidas e do despertar da transcendência que a vocação tem. Como toda vocação, o celibato é um dom cultivado, não é uma imposição. Como nem todo médico aguenta viver trabalhando nas emergências ou é operador, da mesma forma nem toda experiência humana relacional é necessariamente prática da genitalidade, da sexualidade. Porque a sexualidade está em tudo na relação e não se confunde com o ordenamento procriativo ou o prazer sexual. Como criar consciência disso sem uma identidade profunda de si mesmo? Eis o desafio.

Arquivo Pessoal

e da entrega. O problema diz respeito ao conhecimento de si e sobre como me disponho a um projeto existencial de vida como forma também de expressão de meu próprio ser. A vocação não é simplesmente sacrifício, mas a maneira pela qual me realizo pelo Reino de Deus. O presbítero também é chamado a se realizar como pessoa, o que se traduz na liderança de um serviço.

“Enquanto não se entender a vocação como projeto de qualificação da existência do vocacionado, vamos criar funcionários de um processo religioso”, afirma padre Dalton

JS – Especialmente nas últimas décadas, a Igreja destaca a necessidade de haver psicólogos e psicopedagogos na equipe de formação. Qual é a importância dessa equipe multidisciplinar? Padre Dalton – O documento 93 da CNBB – Diretrizes para a Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil – coloca a questão de forma muito clara: criase uma equipe de formação. Não mais simplesmente se terceiriza para a psicologia alguns momentos. Essa equipe, formada pelo reitor do seminário, pelo orientador espiritual, pelo psicopedagogo e por um psicólogo, acompanha todo o processo. Na eventualidade de alguém necessitar de um atendimento devido a um quadro terapêutico específico, aí é outra determinação. A grande questão é a criação de uma equipe formativa que tem saberes diferentes e que partilha o mesmo cuidado com a vocação.

JS – Olhando para o futuro da Igreja no Brasil, o senhor acredita que hoje nossos seminários possibilitam que haja um espaço em que o futuro presbítero possa desenvolver-se como pessoa, com realização? Padre Dalton – Acredito que, enquanto não se entender a vocação como projeto de qualificação da existência do vocacionado, vamos criar funcionários de um processo religioso. O grande desafio da casa de formação é ser casa, lugar de frequentação, de familiaridade, de todo um processo de convivialidade aberto, que não se rege pelo processo disciplinar em primeiro lugar, mas pela qualidade do relacionamento que se cria. O desafio está colocado. E é o mesmo de ser família, de deixar de ser patrão e empregado e ter um conjunto operativo dentro de uma empresa, por exemplo.


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ATUALIDADES

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 1º DE JULHO DE 2012

CELEBRAÇÃO | INICIATIVA PROCLAMADA PELO PAPA BUSCA SACIAR “SAUDADE DE DEUS” NO HOMEM CONTEMPORÂNEO

Leonardo Meira leonardo.jornal@editorasantuario.com.br

O Ano da Fé já possui site e logotipo oficiais e também contará com grandes eventos em Roma e ao redor do mundo. O presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, dom Rino Fisichella, fez o anúncio durante a coletiva de imprensa que apresentou oficialmente a iniciativa. O Ano da Fé iniciará em 11 de outubro de 2012, no 50º aniversário de abertura do Concílio Vaticano II e 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, e terminará em 24 de novembro de 2013, Solenidade de Cristo Rei do Universo. “Este Ano insere-se em um contexto mais amplo de uma crise generalizada que envolve também a fé, expressão dramática de uma crise antropológica que deixou o homem abandonado a si mesmo. O Ano da Fé pretende ser um percurso que a comunidade cristã oferece a tantos que vivem com saudade de Deus e com o desejo de encontrá-lo novamente”, destacou dom Rino.

O programa envolve a pastoral ordinária da comunidade cristã, buscando-se reencontrar o genuíno espírito missionário necessário para se dar vida à nova evangelização. A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos também aprovou o formulário de uma Missa especial para a nova evangelização. Materiais O logotipo representa uma barca, imagem da Igreja, navegando sobre as ondas. O mastro é uma cruz que iça as velas, que formam o trigrama di Cristo (IHS). No fundo das velas está representado o sol, que, associado ao trigrama, representa a Eucaristia. O hino oficial também já foi escolhido e chama-se Credo, Domine, adauge nobis fidem. Nos primeiros dias de setembro, será publicado em diversas línguas o subsídio pastoral Viver o Ano da Fé. Em 1967, o Servo de Deus Papa Paulo VI proclamou um ano semelhante, para celebrar o 19º centenário do martírio dos apóstolos Pedro e Paulo. Eventos e calendário O calendário dos atos que devem acontecer ao redor do mundo é muito vasto. A seguir, confira as celebrações que contarão com a presença do Papa, em Roma (salvo indicações de local específicas):

– 11/10/2012 – Abertura Solene, na Praça de São Pedro. – 21/10/2012 – Canonização de seis mártires e confessores da fé. – 25/01/2013 – Celebração ecumênica na Basílica de São Paulo Fora dos Muros. – 2/2/2013 – Celebração por todas as pessoas que consagraram a vida a Deus com a profissão religiosa, na Basílica de São Pedro. – 24/3/2013 – Domingo de Ramos, dedicado aos jovens que se preparam para a Jornada Mundial da Juventude. – 28/4/2013 – Dedicado aos jovens que receberam o Sacramento da Crisma. – 05/5/2013 – Dedicado às Confrarias e à piedade popular. – 18/5/2013 – Vigília de Pentecostes, dedicada a todos os movimentos. –2/6/2013 – Festa de Corpus Christi,

com adoração simultânea do Santíssimo Sacramento em todo o mundo. – 16/6/2013 – Dedicado à defesa da vida. –7/7/2013 – Na Basílica de São Pedro, acontece a conclusão da peregrinação de seminaristas, noviços e outros que estão em caminho vocacional. – 23 a 28/7/2013 – Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro. – 29/9/2013 – Dedicado em particular aos catequistas. – 13/10/2013 – Presença de todas as realidades marianas, indicando a Virgem como ícone da fé. – 24/11/2013 – Conclusão do Ano da Fé. O Ano também será enriquecido de momentos culturais, como uma mostra sobre São Pedro no Castel Sant’Angelo, em Roma (7 de fevereiro a 1º de maio de 2013), e um concerto na Praça de São Pedro (22 de junho de 2013).

Acompanhe todas as notícias sobre o Ano da Fé. Acesse www.annusfidei.va

Curtas • A CNBB lançou uma nota a respeito da ética pública na sexta-feira, 22 de junho. A presidência da entidade manifesta a indignação e perplexidade da sociedade brasileira diante de fatos políticos e administrativos que contrariam a ética pública e o bem comum. Veja a íntegra em http:// bit.ly/js_notacnbbetica2012 • O Seminário de Juventude e Bioética acontece de 13 a 15 de julho, em Brasília (DF). A organização é da CNBB, por intermédio das Comissões para a Vida e Família e para a Juventude. Mais informações sobre o evento em www.jovensconectados.org.br • A diocese de Frederico Westphalen (RS) comemorou 50 anos de criação no dia 24 de junho. A celebração do Jubileu de Ouro foi marcada pelo encerramento do 1º Sínodo Diocesano, na Praça da Matriz, em frente à catedral. • O subsídio com as linhas gerais da ação evangelizadora nas instituições de ensino superior foi tema de reunião entre integrantes do Setor Universidades da CNBB. O encontro aconteceu em Belo Horizonte (MG), de 20 a 22 de junho. • O curso Espiritualidade Missionária para Seminaristas acontece no Centro Cultural Missionário (CCM),

Coletiva de Imprensa de apresentação do Ano da Fé

em Brasília, de 1º a 7 de julho. A promoção é do CCM em parceria com as Pontifícias Obras Missionárias (POM). Mais informações em www.ccm.org.br • O 27º Encontro da Sociedade Brasileira de Canonistas e o 29º Encontro dos Servidores dos Tribunais Eclesiásticos do Brasil acontece na arquidiocese de Juiz de Fora (MG), entre os dias 9 e 14 de julho. Mais informações em www.infosbc.org.br • A Coordenadoria Ecumênica de Serviços (Cese) está com nova diretoria. Está assim composta: presidente, presbítera Eleni Rodrigues Mender (Igreja presbiteriana Independente); vice-presidente, pastora Cibele Kuss (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil); 1º tesoureiro, pastor Guilherme Lieven (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil); 2º tesoureiro, dom Gilson Andrade da Silva (Igreja Católica); 1ª secretária, Sandra Maria Correia (Igreja Episcopal Anglicana do Brasil), e 2ª secretária, presbítera Girlaine Gomes Santos (Igreja Presbiteriana Unida). Criada em 1973, a Cese tem cinco Igrejas membro e uma aliança de Igrejas Batistas. • A arquidiocese de Ribeirão Preto já possui administrador apostólico. Com a morte de dom Joviano de Lima Júnior, em 21 de junho, o Colégio de Consultores da arquidiocese reuniu-se no dia 25 e elegeu para a função o padre Nasser Kehdy Netto.

Ele administrará a arquidiocese até que o Papa nomeie o novo arcebispo. • Os novos arcebispos nomeados no último ano (sete dos quais brasileiros) receberam o pálio das mãos do Papa Bento XVI. A cerimônia aconteceu no dia 29 de junho, solenidade de São Pedro e São Paulo, na Basílica de São Pedro, no Vaticano. O pálio é uma espécie de colarinho de lã branca, com cerca de cinco centímetros de largura e dois apêndices, e contém seis cruzes bordadas. Representa a fé em Jesus Cristo, Filho de Deus Salvador, o compromisso de imitar o Bom Pastor, que dá a vida por suas ovelhas, e a comunhão com a Sé Apostólica. • A Arquidiocese de SalvadorBA lançou uma nota sobre as eleições municipais. O documento traz reflexões sobre a importância do voto para a construção de uma realidade mais justa. O texto é assinado pelo arcebispo, dom Murilo Krieger, em nome do conselho presbiteral. Acessa na íntegra em http:// bit.ly/js_eleicoes2012salvador • A Cáritas está em processo de criação de um sub-regional no Tocantins. Para isso, já foi criada uma equipe de articulação no sub-regional. • A Confederação Latino-americana e Caribenha de Religiosos e Religiosas (Clar) possui nova presidência. A presidente é a irmã mexicana Mercedes

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Ano da Fé é apresentado em coletiva no Vaticano

Casas Sánchez e o 1º vice-presidente é o irmão Inácio Nestor Etges. • O novo presidente do Pontifício Conselho para a Família é dom Vicenzo Paglia. Ele tem 67 anos e era presidente da Federação Bíblica Católica Internacional. Dom Paglia sucede ao cardeal Ennio Antonelli, cuja renúncia foi aceita pelo Papa por limite de idade (75 anos). • Bento XVI fez nomeações importantes para organismos do Vaticano na terça-feira, 26. Como secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, nomeou o até então bispo de Leeds (Inglaterra), dom Arthur Roche. Para as funções de presidente das Pontifícias Obras Missionárias (POM) e secretário-adjunto da Congregação para a Evangelização dos Povos, nomeou o até então bispo de Kigoma (África), dom Protase Rugambwa. Como regente da Penitenciaria Apostólica, nomeou o até agora oficial da Congregação para a Doutrina da Fé, padre Krzysztof Józef Nykiel. • A próxima edição do Encontro Mundial das Famílias acontece na Filadélfia, nos Estados Unidos, em 2015. A arquidiocese é um dos epicentros da crise dos padres pedófilos no país, e o encontro pretende ser um testemunho da disposição da Igreja em solucionar o problema.


Santuário Nacional e REDE APARECIDA na Expocatólica A 9ª Expocatólica receberá um stand com exposições do Santuário Nacional e da Rede Aparecida de Comunicação. A feira acontece de 5 a 8 de julho, em São Paulo (SP). O Santuário Nacional levará aos visitantes informações sobre a Campanha dos Devotos e as revistas Aparecida e Devotos Mirins. Apresentará também o Hotel Rainha do Brasil e seu novo conceito de hospedagem, bem como o recém-inaugurado Centro

de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida. Durante o evento, o telespectador da TV Aparecida vai conferir reportagens com informações direto da Expocatólica. A feira acontece no Pavilhão Azul da ExpoCenter Norte, a partir das 11h, e estará aberta para visitação de profissionais e religiosos nos dias 5 e 6 e, para o público em geral, nos dias 7 e 8. O ingresso é 1kg de alimento não perecível ou R$ 5,00, que serão revertidos às obras sociais da Igreja. É necessário um cadastro no site para imprimir o convite. Mais informações em www.expocatolica.com.br

FIQUE LIGADO Missas Segunda a sexta: 7h – 9h (TV) – 10h30 – 12h - 16h Sábado: 6h30 – 9h (TV) – 10h30 – 12h – 16h – 18h (TV) Domingo: 5h30 – 8h (TV) – 10h – 12h – 14h – 16h – 18h (TV) Bênçãos (ao final de todas as missas) Confissões Segunda a sexta: 7h30 às 11h – 14h às 16h Sábado: 6h30 às 11h15 – 13h30 às 16h45 Domingo: 6h30 às 11h15 – 13h30 às 16h Batismo Segunda a sexta: 10h e 15h Sábado: 9h – 10h – 11h – 14h – 15h Domingo: 8h – 9h – 10h – 11h – 14h – 15h Piedade Popular Consagração a Nossa Senhora Segunda a sexta: 11h (TV) e 15h – Sábado: 15h Hora Mariana (Terço) – Segunda a sábado: 14h Novena Perpétua – Quarta: 15h15 e 19h30 Procissão Eucarística – Quinta: 10h Procissão Luminosa do Terço – Sábado: 19h Procissão Mariana – Domingo: 6h30 Encontros Especiais Coordenadores de Romarias: Sábado: após missa das 9h Domingo: após missa das 8h Local: Sala dos Coordenadores de Romarias (ao lado da Sala de Confissões) Plantão Religioso Segunda a sexta: das 17h às 18h Telefone para informações: (12) 3104 1000 Horários de Missa - Matriz Basílica Segunda, Quarta e Quinta: 7h – 18h (TV) Terça: 7h – 16h (missa dos doentes) – 18h (TV) Sexta: 7h – 18h (TV) – 19h30 Sábado: 15h – 19h Domingo: 19h30 Bênçãos (ao final de todas as missas) Telefone para informações: (12) 3105 1517

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COMUNHÃO

Jornal Santuário de aparecida • 1º de Julho de 2012

EXEMPLO | EM CACHOEIRA PAULISTA, COMUNIDADE MOSTRA DEDICAÇÃO E ENGAJAMENTO

Eduardo Gois eduardo.jornal@editorasantuario.com.br

A Pastoral dos Surdos reflete uma longa jornada de luta e força de vontade. Em linhas gerais, desde a década de 1950, dois sacerdotes foram os pioneiros na estruturação e no desenvolvimento do serviço: monsenhor Vicente de Paulo Penido Burnier, primeiro sacerdote surdo brasileiro, de Juiz de Fora (MG), e falecido em julho de 2009, e padre Eugenio Oates, missionário redentorista, nascido nos Estados Unidos. A partir dos anos 1990, foram escolhidos um coordenador nacional e representantes dos surdos nos Estados. Dessa forma, as portas das igrejas foram abertas, sacerdotes começaram a aprender a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e houve um verdadeiro boom para o mundo dos surdos. De lá para cá, a pastoral buscou espaço na caminhada da Igreja num trabalho que, embora silencioso, nunca deixou de crescer. Em 2006, a Igreja no Brasil propôs como tema da Campanha da Fraternidade (CF) Fraternidade e as pessoas com deficiência, o que muito contribuiu para que o acesso da pessoa surda fosse cada vez mais incorporado às dioceses e paró-

quias de todo o país. Segundo o referencial da pastoral e bispo de Apucarana (PR), dom Celso Antônio Marchiori, estar a serviço dos surdos para que eles tenham a oportunidade de conhecer, celebrar e testemunhar Jesus Cristo no mundo onde vivem, estudam e trabalham é uma missão que promove a oportunidade de ajudar a se sentir Igreja e protagonistas de sua própria formação cristã. Ele relata que é muito gratificante o trabalho que realiza acompanhando esses irmãos em seu processo de inclusão na ação evangelizadora da Igreja, onde são chamados a ser discípulos-missionários de Jesus Cristo. “Aos poucos, eles vão tomando consciência de que são também corresponsáveis pela evangelização e pela salvação da humanidade”, explica dom Celso. Exemplo concreto Na cidade de Cachoeira Paulista (SP), a comunidade da Paróquia de São Sebastião chama a atenção da região. Há um trabalho pastoral que acontece há pouco mais de seis meses e serve de exemplo como fonte de dedicação e união dos envolvidos. Apesar de ser o primeiro trabalho sistemático desse tipo organizado na diocese de Lorena (SP), a Pastoral dos surdos Bom Pastor começou bem tímida e sem muita pretensão. O jovem estudante Ailton Martins Evangelista, 19 anos, aprendeu Libras em 2009 e começou uma relação de amizade com

Ailton Evangelista (de azul, ao fundo) ministra o curso de Libras para os alunos da paróquia

os surdos na paróquia. Aos domingos, durante as missas, iniciou espontaneamente um processo de interpretação das celebrações. Ele realizava o trabalho discretamente aos fundos da assembleia. Ao perceber uma constante movimentação, o pároco ofereceu a proposta de transformar o trabalho com os surdos em uma pastoral. Ailton topou o desafio. “Pedi a Deus para que ele trouxesse operários para ajudar”, relata. Não deu outra. As pessoas começaram a chegar e, no dia 18 de novembro do ano passado, o projeto da pastoral foi apresentado para o bispo diocesano, dom Benedito Beni dos Santos, que, além de aprovar o projeto, propôs uma ampliação para toda a diocese. Como fruto dessa dedicação, no dia 20 de janeiro deste ano, a pastoral foi instituída oficialmente com a celebração de uma missa em ação de graças.

Em poucos meses, já são aproximadamente cem pessoas envolvidas. Elas atuam voluntariamente na formação do curso de Libras, em trabalhos de estreitamento de laços com familiares de surdos, na catequese com as crianças, em curso de noivos e batismo, no trabalho de interpretação das missas e como acólitos nas celebrações. “Costumamos dizer que esse é um tempo que a igreja começou a ter vez e voz para com os nossos irmãos surdos”, diz Ailton, agora coordenador da pastoral. Outra proposta é despertar vocações entre os surdos: “Se todos são chamados a uma vocação, com o surdo não é diferente”, conta Ailton. Para ele, o grande desafio é o de buscar os surdos, cativar e conquistar. Além disso, também levar para a Igreja as pessoas que ele denomina de “surdas de coração”.

Fotos: Eduardo Gois / JS

Testemunhos

Selma Soares, 40 anos, tem 30% da audição comprometida e sente-se acolhida pela comunidade. Atualmente, é professora de Libras da pastoral em uma turma que já conta com 80 alunos. “Ensinar Libras não é só usar as mãos, pois se não tiver amor, a mensagem não é transmitida”, reflete. Para ela não bastam as técnicas, porque primeiro tem de existir um encontro pessoal com Deus. “As Libras vão muito além dos sinais”, afirma. Na foto, ela faz a simbologia correspondente a “Jesus”.

A dona de casa Gilce Helena, 49 anos, trabalha com a catequese. Para ela, é muito gratificante poder conviver com os surdos. “A pastoral trouxe a vida em comunidade para eles. É a vontade de Deus se realizando na vida de cada um que participa”, afirma. Na foto, ela faz a simbologia correspondente a “Deus”.

Arquivo Pessoal

Pastoral dos Surdos promove unidade e inclusão

Graziele da Conceição trabalha como secretária da pastoral e iniciou há mais de um ano um curso de Libras. O sonho dela é, em breve, tornar-se intérprete da pastoral. “É muito bom ter o contato com os surdos, perceber que eles estão abertos para nos receber. Eles nos ensinam, é uma troca”, explica. Na foto, ela faz a simbologia correspondente a “Senhor”.


Jornal Santuário de Aparecida • 1º DE julho DE 2012

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Desafios da Pastoral dos Surdos no Brasil que sejam tomadas decisões justas nas coordenações, tanto nacionais quanto regionais. Dom Celso também observa que os surdos são bem engajados, pois reúnem-se para estudar, rezar, planejar e festejar. “Ser surdo significa congregar, reunir-se. O surdo sempre está com outro surdo”, diz. No Brasil, há três sacerdotes surdos, bem como centenas de ministros extraordinários da eucaristia, catequistas e dirigentes de comunidades. Esses exemplos mostram a capacidade de vivenciar a fé e o seguimento a Jesus Cristo. Com planejamento, organização, envolvimento e projetos bem preparados, o trabalho é real, verdadeiro, vivido com simplicidade e alegria. Dom Celso também acredita que as políticas públicas, apesar de terem avançado bastante no campo da surdez, ainda precisam ser aperfeiçoadas. “A luta por melhor qualidade dos serviços públicos, como atendimento hospitalar, meios de transportes,

educação, trabalho, deveria estar presente na consciência dos surdos, a fim de garantir a eficiência e a qualidade de vida. Ser cidadão é participar da vida social, em vista da qualidade, do bem-estar.” CNBB

A magnitude do Brasil em suas múltiplas realidades socioeconômicas e culturais exige um olhar cuidadoso. Esse olhar deve ser sempre como o do pastor, que zela e quer conhecer cada uma de suas ovelhas pelo nome. Dom Celso conta que a missão de conhecer as realidades dos surdos nas diversas regiões é facilitada pela estrutura da Pastoral dos Surdos no país, uma vez que está dividida territorialmente em regionais. Em cada regional há uma coordenação, a qual aglutina os desafios e as potencialidades das comunidades. A missão da pastoral é cuidar e isso exige atitudes de observação, respeito e humildade. De acordo com o bispo referencial, cada surdo, em sua existência e em sua comunidade, experimenta Deus e o coloca em sua vida de maneira distinta. Os desafios encontram-se no processo de orientação, reflexão, ampliação dos horizontes, para

Dom Celso: “Todos, sem exceção e sem exclusão, devem ser bem acolhidos em nossas comunidades eclesiais. Não apenas os surdos, mas os cegos, os cadeirantes, os com deficiência intelectual. Todos têm seu lugar na Igreja”

Conhecendo melhor as novas diretrizes – Para a pastoral dos surdos: as diretrizes são propostas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Elas têm caráter de ação evangelizadora da Igreja no Brasil e são revistas a cada quatro anos. – Para as catequeses: a modalidade e a metodologia são os principais instrumentos da catequese com os surdos. Atualmente, as técnicas, principalmente na internet (blogs, sites e redes sociais), muito cola-

boram com os surdos e na inter-relação pessoal. Nesse sentido, espera-se uma catequese viva, atual, bonita, em que o surdo seja valorizado como pessoa, como cidadão e como cristão. A fé e o testemunho necessitam de aprofundamento, atualização e revitalização. Precisam também do trabalho de catequistas surdos ou ouvintes bem preparados para os dias atuais. – Para os intérpretes: a Pastoral dos surdos não existiria sem a presença efetiva desses homens e mulheres dedicados e queridos pelos surdos. Eles são instrumentos de Deus. Sua ação é dom e serviço, pois

é um trabalho abnegado e competente, atendendo exatamente os quesitos e os critérios para que um trabalho eclesial seja bem feito. Para que realizem eficazmente sua missão, os intérpretes devem ser motivados a viver uma verdadeira espiritualidade pautada por uma vida de oração profunda e diária, que exige afinco pela Palavra de Deus e que seja alimentada pela Eucaristia. Também são chamados a uma permanente conversão. Suas atitudes principais diante da pessoa surda são de acolhida e respeito.

Conheça a Pastoral dos surdos na internet Acolhendo com alegria a missão de ajudar os surdos das comunidades espalhadas pelo Brasil a conhecer e amar Jesus Cristo, que é caminho verdade e vida, conhecendo mais de perto sua cultura e identidade, a Pastoral dos surdos está presente também na internet e conta com o apoio

de sacerdotes, diáconos, religiosas e leigos que desempenham diversos cargos e serviços. Dom Celso Marchiori recomenda que, com alegria e entusiasmo, o povo de Deus assuma a vocação de anunciadores da Palavra também pela internet. O ato de encorajar-se e empreender iniciando novos caminhos, novas realidades, e quem sabe até trilhas mais difíceis e desafiantes em diferentes situações, é sinal de que todos podem ser instrumentos visíveis do amor. A Igreja é Mãe e a todos acolhe.

Seja ativo, participe! Participe de grupos, sem exceção e sem exclusão. Não apenas os surdos, mas os cegos, os cadeirantes, os com deficiência intelectual, todos têm seu lugar na Igreja e você pode ajudar. A acessibilidade precisa de sua ajuda para ser ampliada nos espaços eclesiais. A Igreja quer que todas as pessoas sintam-se acolhidas como uma família unida, onde todos são convidados a escutar a Palavra, a alimentar-se da Eucaristia e a viver como irmãos, a fim de que se tenha uma sociedade mais justa e solidária. Acesse www.effata.org.br e saiba como participar de uma Pastoral em sua cidade.


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ARTIGOS

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 1º de juLho de 2012

DIALOGANDO E ESCLARECENDO (PADRE CIDO PEREIRA)

VIDA EM FAMÍLIA (ROBERTO GIROLA – PSICANALISTA)

Saudade melancólica “Tenho vários amigos, mas, mesmo assim, meu coração vive com saudade de algo que não sei explicar o que é.” (Anônimo)

“Existe Santa Norma? Qual seria a história dela?” (Norma da Silva Cintra, Itapecerica da Serra-SP)

Norma, minha querida. A palavra “norma” quer dizer “regulamento”, “regra”. Saiba você que procurei com carinho no calendário dos santos para ver se achava alguma santa com o nome de “Norma” e não achei. Oficialmente, portanto, não existe uma santa com esse nome. Mas, com toda a certeza, deve existir alguma pessoa chamada “Norma” e que viveu uma vida de santidade. Num convento ou mosteiro religioso há regras de vida para os monges que vivem nele. Essas regras são chamadas de “santas regras” ou “santas normas”, mas tratam de determinações que regulam a vida do convento e não de pessoas que vivem uma vida de santidade.

Agora vem o melhor de sua pergunta, viu Norma. Você tem uma vocação à santidade. Todos nós temos. Se vivermos essa vocação à santidade, seremos santos. Se viver sua vocação à santidade, você pode integrar o calendário dos santos sendo a primeira Santa Norma. Viu que bonito? O importante, minha querida, é que tomemos consciência do conselho que Jesus nos dá: “Sede santos como o vosso Pai celeste é santo”. Esse convite Jesus o fez de outra forma quando disse: “Brilhe a luz diante dos homens, para que, vendo vossas boas obras, deem glória ao Pai que está no céu”. Fique com Deus, Norma.

Usando uma metáfora, poderíamos definir a melancolia como uma nuvem que impede que o sol brilhe em nossa alma. Nosso leitor descreve com propriedade de que se trata. Não faltam amigos ao melancólico, mas esses amigos não conseguem aplacar a sensação de falta que reina soberana em seu mundo interno. Grandes poetas, músicos, romancistas, pintores tornaram-se famosos justamente por representar em sua arte esse sentimento sorrateiro. Trata-se de uma saudade que remete a uma falta que o sujeito não sabe bem o que é. Não é especificamente a falta de algo ou de alguém, trata-se de um sentimento mais profundo: uma falta abismal, que toma conta da alma. Geralmente, o antídoto psíquico da melancolia é a voracidade: um desejo irrefreável de preencher a sensação de falta com algo prazeroso ou excitante que possa aliviar, por um momento, a sensação de estar mergulhando em um buraco negro, do qual não se sabe se será possível voltar. Um dos desdobramentos da melancolia pode vir a ser a vontade irrefreável de comer (seguida por problemas de obesidade), de beber, de tomar estimulantes e drogas, de viver experiências sexuais que transmitam ao corpo uma sensação momentânea de estar vivo. O próprio recurso a remédios (hipocondria) pode ter essa função, na esperança que algo possa magicamente aplacar a dor. Trata-se na realidade de paliativos que trazem um alívio fugaz, pois nada pode aplacar a terrível sensação de falta que domina o psiquismo do melancólico. O contexto social em que vivemos proporciona a quem sofre desse mal

uma série infinita de possibilidades para diminuir fugazmente sua voracidade. Basta sair às compras. Um celular, uma roupa, um sapato, uma bolsa podem, por um breve instante, transmitir a sensação de estar vivo, de se sentir incluído, fazendo parte de algo. Aliás, a voracidade é hoje legitimada pelas leis do consumo e pelos apelos da publicidade. Consumir confere status. As redes sociais também podem suprir a necessidade de aplacar a melancolia. Descobrir que temos 200 amigos no Facebook ou no Twitter pode aliviar a sensação de falta. Logo porém o melancólico percebe que tais amigos não interagem como ele idealizou, pois não “curtem” o que ele posta, não “comentam” suas fotos, seu “status”. Volta, então, a sensação de falta, misturada a outra sensação não menos feroz que atormenta o psiquismo do melancólico, a inveja. Sim, porque, aquela colega que não tem nada de especial, já tem 300 amigos e todas as bobagens que ela posta são comentadas e curtidas pelo cortejo de amigos dela. Na fantasia do melancólico as experiências reais não são apropriadas, logo volta a se instalar a saudade de algo que ele não sabe o que é e tudo volta ao ponto inicial: a falta. Do ponto de vista médico, o problema é a confusão que é possível fazer entre esse tipo de sintomas e a depressão. O melancólico não é um depressivo de carteirinha. Ele sempre expõe seu lado “eufórico”, ou, como prefere a psicanálise, “maníaco”. O problema é que hoje ser maníaco é considerado normal, pois todos o são um pouco. Daí que muitas vezes o sintoma é considerado nada mais do que uma expressão “normal” dos nossos tempos e pode passar despercebido.


MUNDO ANIMAL

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 1º DE JULHO DE 2012

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SOLIDARIEDADE | ATO REPRESENTA GRANDE SOFRIMENTO PARA OS BICHOS. SAIBA COMO AJUDAR

Animais abandonados recebem auxílio de ONGs pelo Brasil

Da caça à idolatria, do amor ao abandono. A relação entre seres humanos e animais historicamente apresenta contrapontos e desníveis. O cão até pode ser o melhor amigo do homem, mas os seres humanos nunca foram os melhores amigos dos cães. O rodeio, o comércio ilegal, as touradas, as brigas de galo, as jaulas, a pesca predatória. Os animais costumam servir ao bicho homem ora como se não fossem peças importantes para o equilíbrio da natureza, ora como se não passassem de meros objetos reféns da vontade de seus portadores. Há inúmeras iniciativas espalhadas pelo país que contribuem para a diminuição do sofrimento dos animais, principalmente cachorros e gatos. Em Lorena (SP), cidade distante 182 km da capital do Estado, a União Protetora dos Animais (UPA) dedica-se há cerca de 15 anos para dar uma vida menos sofrida a aproximadamente 160 animais, dos quais 95% são cães de diversas raças, idades e tamanhos. A ONG não possui vínculo com nenhum órgão público e sobrevive somente de doações de dinheiro, ração e remédios. “Temos em nosso quadro de associados pessoas que nos ajudam mensalmente, mas estamos sempre no vermelho, porque precisamos gastar

com os animais mais do que o que recebemos de doações”, explica uma das idealizadoras e voluntárias do projeto, Patrícia Reis. Para ela, uma das maiores dificuldades na hora da adoção é o preconceito contra os animais de rua, abandonados e sem raça definida. “É a grande parte de nossos animais”, salienta. Segundo Patrícia, há uma campanha por madrinhas e padrinhos para ajudar financeiramente a tratar dos bichos que chegam doentes à UPA. “Nossas dívidas com os veterinários estão muito grandes. Precisamos de ajuda para continuar dando um tratamento digno aos animais que chegam diariamente.” De acordo com a voluntária, animais bonitos e de raça conseguem um lar mais facilmente, pois a adoção ocorre rapidamente. Mas a maioria dos cães sem raça definida não são adotados e acabam ficando permanentemente na sede da UPA. Patrícia acredita que as pessoas abandonam seus animais porque não os tratam como seres vivos que necessitam de cuidados permanentes e atenção. “No início, há o fator ‘novidade’, o que agrada as pessoas. Com o tempo, elas simplesmente enjoam de seus brinquedinhos de estimação. Pessoas conscientes sabem que o animal pode durar cerca de 15 ou 20 anos, vai precisar alimentar-se diariamente, ser vacinado, tratado e receber carinho. Mas algumas não têm esta consciência e aí querem se livrar do peso.” Conseguir recursos financeiros é o

maior desafio, pois a sede necessita de melhorias constantes, há altos gastos com veterinários, ração, medicamentos e ainda caseiros, que são funcionários da ONG. Mas essas barreiras são pequenas quando a vontade de ajudar é grande. “O mais gratificante é encontrar um animal carente, doente, machucado física e psicologicamente e, depois de tratá-lo dignamente, encontrá-lo sadio, bem fisicamente e feliz.” Legislação O Brasil possui uma dezena de leis que garantem a proteção dos animais. Entre essas está a Lei Federal 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais), que prevê pena de três meses a um ano de detenção para quem cometer maus-tratos a animais. Por maus-tratos, entende-se: abandono; manter o animal preso por muito tempo sem comida e contato com humanos; deixar o animal em lugar impróprio e anti-higiênico; envenenamento; agressão física, covarde e exagerada; mutilação; utilizar animal em shows, apresentações ou trabalho que possam lhe causar pânico e sofrimento; não procurar um veterinário se o animal estiver doente. O abandono de cães e gatos ainda é muito comum aqui no Brasil. Por esse motivo, há em algumas regiões quantidades de animais de rua em descontrole. Nessa mesma proporção a matança assusta muita gente. Em novembro do

ano passado, por exemplo, pelo menos 200 gatos mortos foram encontrados em um parque no Rio de Janeiro (RJ). Em São Bento do Inhatá (SP), 47 cães e um gato foram assassinados de uma só vez. Em Ribeirão Preto (SP), mais de 50 gatos foram mortos com chumbinho e largados na rua. Já em Sales de Oliveira (SP), 20 cães morreram no primeiro semestre do ano passado, e 50 em 2010. Os casos continuam cheios de mistério para a polícia e com evidentes sinais de crueldade. Saiba mais sobre o trabalho da UPA e divulgue a página da associação no Facebook. Acesse www.facebook.com/ upalorena. Entre em contato também pelo e-mail upa-lorena@hotmail.com ou pelo telefone (12) 8846-4369 Fotos: Eduardo Gois / JS

Eduardo Gois eduardo.jornal@editorasantuario.com.br

Conheça outras iniciativas O site do Adote um Gatinho está no ar desde janeiro de 2003. Surgiu da iniciativa de Susan Yamamoto e Juliana Bussab, que durante três anos tocaram sozinhas todo o projeto e conseguiram doar mais de 1.400 gatinhos na cidade de São Paulo (SP). Em 2006, novos gateiros uniram-se a elas! Em 2007, o projeto virou ONG e hoje conta com cerca de 40 voluntários. Saiba mais em www.adoteumgatinho.uol.com.br

Irmão Bento Redentorista Artista A vida, os esforços e os talentos para a missão José Hiebl, o futuro irmão Bento (1837-1912), sentia necessidade de

buscar outro tipo de vida. Passava-lhe a sensação de estar entre a cruz e a espada. Bento vivia um momento de paz inquieta. Um desconcerto contente. Então, a resistência familiar já não mais lhe fazia sentido. E ele estava realmente decidido: ser um irmão redentorista! Continuaria sendo artista em outras dimensões. De um lado, estava a família; de

A ONG Animal & Natureza é uma entidade de direito privado, de caráter social, educativo e ambiental, sem fins lucrativos, com sede e foro no município de Juiz de Fora (MG). Fundada em março de 2005, a ONG atua na defesa e conscientização ecológica, por meio de ações educativas e preventivas junto à comunidade e aos órgãos públicos. Veja mais em www.animalenatureza.org.br

A Cão Sem Dono é uma ONG sem fins lucrativos de Itapecerica da Serra (SP). Nasceu por iniciativa de um grupo de amigos com a vontade de dar tratamento adequado e integrar animais abandonados a famílias. Confira em www.caosemdono.com.br

outro, sentia-se atraído pela vida consagrada como irmão redentorista. Os três anos do bom combate pessoal haviam passado. Por isso, em 1858, vai a Gars, naquela enorme casa que havia ajudado a reformar, agora Convento Redentorista. Pediu e conseguiu a admissão na Congregação do Santíssimo Redentor. Ele viveu uma experiência de quatro anos junto aos redentoristas, em Gars. Foi um tempo em que o jovem artista teve a oportunidade de estudar, conhecer e trabalhar na e pela Congregação.

Bento tomou o hábito de religioso irmão no dia 1º de novembro de 1862 e passou a ser chamado de Irmão Bento.

Confira a série completa de artigos. Acesse http://bit.ly/js_irmaobento * Os textos sobre a vida e a obra de Irmão Bento são de responsabilidade da Comissão de Patrimônio Histórico da Província Redentorista de São Paulo.


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SE LIGA AÍ

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 1º DE JULHO DE 2012

ESTÉTICA | PACIENTE DEVE PESQUISAR MUITO E ESTAR CONVICTO ANTES DE OPTAR PELO PROCEDIMENTO

Deniele Simões deniele.jornal@editorasantuario.com.br

O número de jovens que procuram por cirurgias plásticas tem aumentado dia após dia. De acordo com estatísticas da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), pelo menos 13% das pessoas que procuram esse tipo de procedimento são crianças, adolescentes e jovens com menos de 18 anos. “Esses dados variam um pouco de região para região e também quanto ao sexo e idade dos pacientes”, explica o cirurgião plástico e membro da SBCP Pablo Rassi Florêncio. Pela experiência dentro do consultório, o médico avalia que o percentual de jovens que aderem à cirurgia plástica tem aumentando em relação à pesquisa da SBCP, realizada em 2008. O administrador do Centro Nacional – Cirurgias Plástica, Arnaldo Korn, também indica que o número de jovens que optam pelo serviço é cada vez maior e atribui o fato a dois motivos: a facilidade de acesso à cirurgia plástica e a maturidade dos jovens. Dentre os procedimentos mais procurados pelos jovens, Korn destaca a rinoplastia (nariz), otoplastia (orelhas), implante de prótese mamária e lipoaspiração. Geralmente, o que leva a optar pela cirurgia é a necessidade de se sentir bem e com uma aparência melhor.

Muitas vezes, modelos e celebridades do mundo artístico servem como inspiração, conforme aponta Pablo Florêncio. “Não é tão incomum os pacientes pedirem para que eu faça o nariz de tal pessoa, mas lembramos que cada pessoa tem o seu corpo e padrões ósseos de estrutura, que às vezes não são condizentes com o desejo”, explica. O que deve estar em jogo, na verdade, é o bem-estar do paciente. Por isso, o médico sempre recomenda aos adolescentes interessados no procedimento que avaliem suas queixas e reais necessidades antes de tomar a decisão. Segundo Florêncio, é importante fazer a escolha com base na correção de algo que limite ou incomode a vida do paciente, e não apenas para atender sugestões de amigos, colegas ou imitar personalidades que estão na mídia. Já em relação aos pais, é importante que eles ouçam as queixas dos filhos sobre o que os incomoda na aparência, ajudando na decisão pela cirurgia ou não, a fim de evitar traumas ou mesmo cirurgias em excesso. Arnaldo Korn complementa lembrando que, antes de fazer a cirurgia, o jovem deve pesquisar bastante, conhecer pessoas que já passaram pelo procedimento, além de ter em mente que a cirurgia não é para os outros, muito menos a solução para problemas afetivos.

Bullying Em muitos casos, a cirurgia plástica pode ajudar a solucionar problemas de bullying no ambiente escolar. Um dos casos mais clássicos de preconceito ocorre com a criança ou adolescente que tem as chamadas orelhas de abano. Quando era criança, a médica ortopedista Michelle Flöter, de 26 anos, enfrentou bullying na escola por ter essas famosas orelhas. “Sempre tinha alguém que fazia um tipo de brincadeira diferente, mas eu tinha uma cabeça relativamente boa, então, não ligava tanto para isso”, recorda. Mesmo sendo bem-resolvida, Michelle decidiu fazer a otoplastia aos 21 anos de idade. Apesar de recomendar o procedimento a pessoas que têm orelhas de abano, a médica diz que o importan-

Pablo Florêncio, da SBCP, aponta aumento de cirurgias plásticas em jovens e adolescentes

As cirurgias plásticas nos jovens e adolescentes variam de acordo com a faixa etária do paciente. Nos préadolescentes, entre 10 e 12 anos,

te é estar de bem consigo mesmo. É preciso ter em mente que a cirurgia ajuda a acabar com a discriminação, mas não resolverá todos os problemas do paciente. “A pessoa tem que ter uma cabeça boa, conversar bem com o médico para ter esse tipo de esclarecimento”, completa. Michelle diz que a otoplastia é uma cirurgia relativamente simples, com anestesia local e pós-operatório um pouco dolorido no início. O uso de faixas e certas restrições na hora do sono não são nada perto das vantagens. “Você muda completamente a visão do seu rosto, o que você faz em relação ao cabelo e até colocar um brinco diferente ou não”, conclui. Restrições

Demanda por faixa etária o procedimento mais comum é a otoplastia, que permite a correção das chamadas “orelhas de abano” e pode ser feito em crianças a partir de cinco anos de idade. Já nos pacientes com mais de 12 anos, a procura fica dividida entre a otoplastia, a redução ou colocação de próteses mamárias e a lipoaspiração.

Michelle Flöter fez otoplastia aos 21 anos

Não há muitas restrições para a cirurgia plástica em jovens e adolescentes. “Acaba sendo como no adulto, a depender de qual cirurgia seja”, salienta o cirurgião Florêncio. Como em todo procedimento cirúrgico, o paciente assina um termo de consentimento, assumin-

do os riscos, que são mínimos. No caso dos pacientes menores de 18 anos, esse documento deve ser assinado pelos pais ou responsáveis.

Saiba mais sobre cirurgia plástica em jovens. Acesse http://bit.ly/js_plasticajovem

Fotos: Arquivo Pessoal

Cirurgia plástica é cada vez mais procurada pelos jovens


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JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 1º DE juLho de 2012

NOSSA SENHORA

LITURGIA

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ano 111 • nº 5.599 • 1º de juLho DE 2012

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 1º DE MAIO de 2011

O culto a Maria deve ser cristocêntrico (PADRE ANTONIO CLAYTON SANT’ANNA, C.Ss.R. *)

da época. Principalmente na hora da cruz! Mas ela entrou no mais íntimo de seu mistério redentor. Com ele sofreu o martírio e com ele foi vencedora. Se Maria foi “indispensável’ para Deus realizar seu eterno amor salvador em Jesus, ela continua sendo indispensável hoje na vivência desse amor entre nós. E para sermos no mundo os discípulos e missionários da hora presente, Paulo VI pregou: “Cristo veio a nós por Maria. Nós o encontramos qual flor da humanidade aberta na haste virginal e imaculada que é Maria. É em Maria que temos Cristo em seu primeiro relacionamento conosco. Ele é homem como nós, é nosso irmão pelo ministério humano de Maria. Portanto, se queremos ser cristãos, temos de ser marianos”.

sUPLEMENTO LITÚRGICO-PASTORAL

29.7.2012 – Ano B

* Diretor da Academia Marial de Aparecida

PRIMEIRA LEITURA (Êx 16,2-4.12-15) Leitura do Livro do Êxodo: Naqueles dias, 2a comunidade dos filhos de Israel pôs-se a murmurar contra Moisés e Aarão, no deserto, dizendo: 3“Quem dera que tivéssemos morrido pela mão do Senhor no Egito, quando nos sentávamos junto às panelas de carne e comíamos pão com fartura! Por que nos trouxestes a este deserto para matar de fome a toda esta gente?” 4 O Senhor disse a Moisés: “Eis que farei chover para vós o pão do céu. O povo sairá diariamente e só recolherá a porção de cada dia, a fim de que eu o ponha à prova, para ver se anda ou não na minha lei. 12 Eu ouvi as murmurações dos filhos de Israel. Dize-lhes, pois: ‘Ao anoitecer, comereis carne, e pela manhã vos fartareis de pão. Assim sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus’”. 13 Com efeito, à tarde, veio um bando de codornizes e cobriu o acampamento; e, pela manhã, formou-se uma camada de orvalho ao redor do acampamento. 14 Quando se evaporou o orvalho que caíra, apareceu na superfície do deserto uma coisa miúda, em forma de grãos, fina como a geada sobre a terra. 15 Vendo aquilo, os filhos de Israel disseram entre si: “Que é isto?” porque não sabiam o que era. Moisés respondeu-lhes: “Isto é o pão que o Senhor vos deu como alimento”. — Palavra do Senhor. — Graças a Deus!

Marco Funchal

18º DOMINGO DO TEMPO COMUM “O pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo!”

Reprodução

“Cristocêntrico” significa “teologicamente centralizado em Cristo”. Maria, como mãe biológica de Jesus, não é referente a ele apenas por parentesco natural de sangue. Não se trata apenas de uma relação de ordem humana. Trata-se daquilo que os teólogos chamam de “a ordem da graça divina”, “ordem sobrenatural” ou “economia da salvação”. É nesse sentido que o culto mariano existe desde os primeiríssimos tempos da Igreja. Santo Inácio de Antioquia, que viveu no segundo século da era cristã e morreu mais ou menos no ano 117, escreveu: “Chamar Maria de mãe de Deus é exatamente falar de Cristo”. Dando um pulo de 20 séculos na história, encontramos a palavra do Papa Paulo VI no seguinte teor: “Na Virgem Maria, de fato, tudo é relativo a Cristo e dependente dele”. Com essa magistral expressão na Carta Apostólica Marialis Cultus (1974), Paulo VI resumia o pensamento cristão mariano da Igreja. E recomendava dar especial relevo ao aspecto cristológico do culto a Nossa Senhora como apropriado à espiritualidade pós-conciliar do Vaticano II. Jesus é o anúncio vivo da bondade de Deus. Os fatos da Bíblia mostram no ser e no agir de Jesus o desejo salvador de Deus. E com ele está presente Maria. Entre a mãe e o Filho houve uma profunda relação de alma, coração e intenções, o que fica claro nas narrativas dos Evangelhos. Quem foi ela, afinal, segundo a vontade e os desígnios de Deus? Essa pergunta marca o estudo e a reflexão dos santos e teólogos até hoje. Deus poderia ter-nos dado o Redentor por mil caminhos. Mas quis dá-lo mediante a Virgem Maria. Por isso, a Bíblia ensina que ela concebeu por obra do Espírito Santo e o carregou em seu seio. Se uma devoção mariana não nos colocar em contato vivo com Jesus ela não é verdadeira. A palavra Cristo significa “ungido”, “consagrado”, “Messias”, “santo de Deus”. Ao gerar em seu seio virginal a carne do Verbo de Deus, Maria foi consagrada por ele. Eleita de Deus ela soube aceitar, soube entregar-se com total liberdade à vontade divina servindo à missão de Jesus. Não compreendia tudo o que passava por causa dele ou quando via o fracasso aparente de Jesus junto aos líderes e ao povo hebreu


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JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 1º de juLho de 2012

SALMO RESPONSORIAL (Sl 77) — O Senhor deu a comer o pão do céu. — O Senhor deu a comer o pão do céu. — Tudo aquilo que ouvimos e aprendemos,/ e transmitiram para nós os nossos pais,/ não haveremos de ocultar a nossos filhos,/ mas à nova geração nós contaremos:/ as grandezas do Senhor e seu poder. — Ordenou, então, às nuvens lá dos céus,/ e as comportas das alturas fez abrir;/ fez chover-lhes o maná e alimentou-os,/ e lhes deu para comer o pão do céu. — O homem se nutriu do pão dos anjos,/ e mandou-lhes alimento em abundância;/ conduziuos para a Terra Prometida, para o Monte que seu braço conquistou. SEGUNDA LEITURA (Ef 4,17.20-24) Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios: Irmãos: 17Eis, pois, o que eu digo e atesto no Senhor: não continueis a viver como vivem os pagãos, cuja inteligência os leva para o nada. 20 Quanto a vós, não é assim que aprendestes de Cristo, 21se ao menos foi bem ele que ouvistes falar, e se é ele que vos foi ensinado, em conformidade com a verdade que está em Jesus. 22 Renunciando à vossa existência passada, despojai-vos do homem velho, que se corrompe sob o efeito das paixões enganadoras, 23e renovai o vosso espírito e a vossa mentalidade. 24 Revesti o homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade. — Palavra do Senhor. — Graças a Deus! EVANGELHO (Jo 6,24-35) — O Senhor esteja convosco. — Ele está no meio de nós. — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, † segundo João. — Glória a vós, Senhor! — Naquele tempo, 24quando a multidão viu que Jesus não estava ali, nem os seus discípulos, subiram às barcas e foram à procura de Jesus, em Cafarnaum. 25 Quando o encontraram no outro lado do mar, perguntaram-lhe: “Rabi, quando chegaste aqui?” 26 Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos. 27Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com seu selo”.

LITURGIA

Então perguntaram: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?” 29 Jesus respondeu: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou”. 30 Eles perguntaram: “Que sinal realizas, para que possamos ver e crer em ti? Que obra fazes? 31 Nossos pais comeram o maná no deserto, como está na Escritura: ‘Pão do céu deu-lhes a comer’”. 32 Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo, não foi Moisés quem vos deu o pão que veio do céu. É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu. 33Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo”. 34 Então pediram: “Senhor, dá-nos sempre desse pão”. 35 Jesus lhes disse: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor!

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 1º de juLho de 2012

REFLETINDO A PALAVRA

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ORAÇÃO DA COMUNIDADE (*) — Agradeçamos a Deus que em Cristo continua nos alimentando com o dom da Eucaristia, e nos chama a participar de seu Reino de vida e liberdade. 1. Louvemos a Deus que, por sua Igreja, continua nos alimentando e inspirando com o pão da Palavra e os sacramentos. — Bendito seja o Senhor, que em Cristo sacia nossa sede de vida. 2. Bendigamos a Cristo pelo ministério sacerdotal que, na Igreja, continua sua ação redentora pelo sacramento eucarístico. 3. Louvemos a Deus pelos movimentos sociais que lutam pela justiça, na busca de uma sociedade solidária. 4. Bendigamos ao Senhor por todos os jovens, que dispõem suas vidas na vivência dos valores do Reino. (Intenções próprias da comunidade.) — Louvado sois, Senhor Deus, por todas as vocações, que na Igreja e no mundo manifestam a grandeza de vossa graça. Que a vivência de nosso batismo seja a expressão de nosso verdadeiro amor para convosco e os irmãos. Por Cristo, nosso Senhor. — Amém. LEITURAS DA SEMANA: SEGUNDA: Transfiguração Dn 7,9-10.13-14 ou 2Pd 1,16-19 / Sl 96 / Mc 9,2-10. TERÇA: Jr 30,1-2.12-15.18-22 / Sl 101 / Mt 14,22-36. QUARTA: Jr 31,1-7 / Cânt. Jr 31 / Mt 15, 21-28. QUINTA: Jr 31,31-34 / Sl 50 / Mt 16,13-23. SEXTA: 2Cor 9,6-10 / Sl 111 / Jo 12,24-26. SÁBADO: Hab 1,12–2,4 / Sl 9 / Mt 17,14-20. DOMINGO: 1Rs 19,4-8 / Sl 33 / Ef 4,30–5,2 / Jo 6,41-51.

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(PADRE PAULO BOTAS, mts)

Os textos de hoje nos fazem refletir sobre as necessidades imediatas que, quando satisfeitas, nos acomodam e nos reduzem a uma passividade de vida. Tantas vezes nossa oração foi reduzida a uma sucessão interminável de pedidos sem que, ao menos, nos colocássemos disponíveis ao Senhor: “Seja feita a vossa vontade...”. A multidão corre atrás de Jesus não pelo que Ele era, mas pelo que fazia. Aos olhos dela parecia apenas um milagreiro que distribuía pão de graça para todos. Ainda hoje nos contentamos com o mínimo que, sem nenhum esforço de nossa parte, satisfaz nossa fome de comida ou de amor. Jesus censura o ato que fazemos de limitar Seu horizonte para que não nos comprometamos e esqueçamos de que não há amor sem o dom de si mesmo e não há dom de si mesmo sem a real comunicação e partilha dos bens. Pedimos, insistentemente, sinais para acreditar porque nossa fé não atingiu nem o tamanho do grão de mostarda, que é o menor de todos os grãos.

Jesus afirma que seu discipulado deve praticar o amor por causa da fé e não por acreditar em algo milagreiro que venha satisfazer suas necessidades imediatas. A fé em Jesus Cristo é uma entrega plena ao Deus que atua nos homens e mulheres e não uma prestação humana de contas. Depois de 20 séculos de cristianismo, necessitamos novamente descobrir que a força e a originalidade da Igreja estão em acreditar em Jesus Cristo e em seu seguimento. E nesse seguimento escutamos o chamado de nossa vocação. A identidade cristã está em aprender a viver um estilo de vida que nasce da relação viva e confiante com Jesus, o Cristo. Produzimo-nos cristãos na medida em que aprendemos a pensar, a sentir, a amar, a trabalhar e a viver como Jesus. O amor cristão só pode ser reconhecido quando há uma vontade de amar, pois o amar nos inunda de luz e nos faz descobrir que “o caminho através da floresta só é longo se não amamos a pessoa que vamos visitar” (Provérbio da República do Congo).

GENTE SANTA (DA REDAÇÃO)

Tomé, apóstolo (*) Tomé é o apóstolo que aparece nos evangelhos sinópticos de Mt 10,3; Mc 3,16-19; Lc 6,13-16; At 1,13. Em três momentos distintos aparece na vida do Senhor como homem impulsivo e ao mesmo tempo cheio de dúvidas. Mais conhecida é a cena em que Tomé negou-se a crer na ressurreição de Jesus se não visse e tocasse suas chagas. “Se não vir nas mãos os sinais dos cravos e não puser o dedo no lugar dos cravos e minha mão no lado, não acreditarei” (Jo 20,25). Jesus lhe diz: “Põe aqui o dedo e olha as minhas mãos, estende a mão e põe no meu lado e não sejas incrédulo mas homem de fé”. O ceticismo de Tomé e sua fé posterior tiraram do Senhor o melhor elogio para os crentes. Nada se sabe ao certo sobre os fatos e a vida de Tomé depois

de Pentecostes. Uma tradição o a palavra de Jesus: “Felizes os situa entre os partos, outra mais que acreditam sem ter visto”. Sua festa é celebrada no dia persistente o faz pregador e após3 de julho. tolo da Índia. A várias cidades da Ásia atri (*) Texto adaptado do bui-se o lugar de suas relíquias. O que permanece da tradição é “Dicionário dos Santos”, publicação da Editora Santuário que foi mártir, fazendo verdade Reprodução

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Jornal Santuário de Aparecida [Ed. 5599 - 1 jul 2012]  

Edição 5614 - 1 de julho de 2012. Saiba mais em http://www.jornalsantuario.com.br

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