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JORNAL

Consagração

SANTUÁRIO

Padre Evaldo explica a essência dessa oração mariana Diálogos - Pág. 3

Missa da Juventude Pensando cada vez mais no jovem, o Santuário Nacional tem se dedicado a ele para propiciar uma experiência mariana profunda. Todo quarto sábado do mês, a juventude tem encontro marcado na Casa da Mãe Juventude - Pág. 12

Confissão comunitária Na coluna Porque sim não é resposta!, Padre Evaldo aborda o sacramento da reconciliação, explicando em que casos a confissão comunitária é recomendada pela Igreja

Thiago Leon / Santuário Nacional

Formação Cristã - Pág. 15

Thiago Queiroz/Arquidiocese de Londrina (PR)

Ano 116 • nº 5.797

Janeiro de 2017

www.jornalsantuario.com.br

Dom Orlando compartilha as expectativas como novo arcebispo de Aparecida No dia 21 de janeiro, dom Orlando Brandes assume o governo da Cúria Arquidiocesana de Aparecida, em celebração que será realizada no Santuário Nacional. Ele fala como recebeu de Francisco a notícia da nomeação para a nova missão. Com o desejo de ser do povo, o bispo compartilha a devoção particular a Nossa Senhora Aparecida e os projetos junto ao povo de Deus.

Destaques - Pág. 8 e 9

Memorial homenageia os construtores do Santuário

Santuário anuncia novidades do Tricentenário No ano em que a Imagem de Aparecida completa 300 anos do seu encontro, o Santuário Nacional se prepara com muitas novidades. A Novena da Padroeira deste ano começará mais cedo, sucedida de tríduo, que conduzirá a grande celebração do dia 12 de outubro. Entre as notícias anunciadas pelo reitor, padre João Batista de Almeida, está a inauguração da Cúpula, o projeto JUMI e as Santas Missões. Acontece em Aparecida - Pág. 7

Bispos, padres e leigos estão entre os mais de 2 mil nomes que formam o Memorial dos Construtores, que recorda todos aqueles que, de alguma forma, contribuíram para a grande obra do Santuário Nacional. Localizado à frente da Basílica, no Jardim Norte, o monumento se constitui em um dos marcos do Ano Jubilar em comemoração aos 300 anos do encontro da Imagem de Aparecida. Santuário em notícia - Pág. 6

Acidente doméstico

Bolso do brasileiro

Janeiro é tempo de férias, e com as crianças em casa é preciso evitar acidentes. Uma lista detalha as principais causas de ocorrências domésticas para cada faixa etária

Com a chegada de 2017, nasce a esperança de um ano melhor. Para projetar como será a economia este ano, um especialista dá previsões e apresenta alternativas para o bolso do brasileiro

Bem-estar - Pág. 10

Sociedade em foco - Pág. 5


Fatos e opiniões

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Jornal Santuário • Janeiro de 2017

EDITORIAL

Ano novo, velhas lutas P inúmeras pendências para serem resolvidas, e todos devemos tomar parte nas mudanças que tanto carecemos. Nossa esperança é que toda essa devastação nos transforme, finalmente, em um país maduro, forte e ético. Mas para isso será necessário que seja superada esta epidemia de corrupção em que nos encontramos. Em um país como o nosso, sem terremotos, tsunamis, guerras ou desastres ambientais de grande magnitude, deveria ser mais fácil nosso caminho de reconstrução. Nestes primeiros dias do ano, nossas cidades passam a ser governadas por aqueles que foram eleitos nas últimas eleições municipais. Muitos esperam ver as necessárias mudanças, prometidas pelos candidatos. Educação, saúde, economia, segurança: os novos prefeitos e vereadores poderão ter dificuldades para eleger uma prio-

ara muitos, 2016 ficará marcado como o ano das crises e das instabilidades institucionais. Outros talvez, quem sabe, um dia se lembrarão do último ano como o início de uma nova era para uma nação que tanto padeceu da corrupção e das injustiças sociais. Oxalá tudo o que temos visto acontecer, nestes últimos tempos, realmente sirva de lição para nos ajudar a mudar os rumos do Brasil. Porém, o ano novo já se inicia revelando-nos os velhos problemas que não conseguimos resolver nos anos (ou séculos) anteriores, que já há muito tempo estão sendo escondidos embaixo do tapete. Tal como foi possível observarmos, a cruel crise econômica, em que vivemos, nada mais é do que a ponta do iceberg de uma crise mais grave ainda, que envolve as entranhas de nossas instituições político-sociais. O Brasil começa este novo ano com

ridade. Não é fácil descobrir por onde começar quando tudo está em ruínas. Tomara que entre os propósitos, que fizemos para 2017, esteja também o de contribuir mais intensamente para as transformações sociais. Aliás, nós não poderemos ter o feliz ano novo que queremos se nos fizermos alheios aos grandes problemas que nos cercam. Não é possível ser feliz em uma sociedade acometida por chagas tão desprezíveis como a corrupção. Nestes tempos sombrios, mais do que nunca, faz-se necessário reafirmarmos a cada dia os valores da integridade e da honestidade. Neste sentido, todos podem colaborar, desde os mais jovens até os mais velhos, dos mais pobres até os mais ricos. O que não pode jamais acontecer é deixarmos de lutar.

Padre Fábio Evaristo, C.Ss.R. Diretor Editorial

IGREJA E SOCIEDADE

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meio, não de discussões doutrinárias, mas de gestos missionários comuns em favor dos descartados do mundo atual. É urgente que todos os que se reconhecem como cristãos, das mais diversas denominações, assumam juntos serem os bons samaritanos dentro

“É urgente que todos os que se reconhecem como cristãos, das mais diversas denominações, assumam juntos serem os bons samaritanos dentro da sociedade atual” da sociedade atual. Desse modo, estaremos certamente construindo a unidade mais desejada por Jesus, aquela que brota da caridade e produz solidariedade. Além da busca da unidade entre os cristãos, por meio de uma missão comum, o Papa Francisco insiste no caminho do diálogo entre os povos para

Quando estava grávida, eu entreguei meu filho a ela. Ela está sempre na minha vida. Ela é minha Mãe. Eu agradeço a Nossa Senhora todos os milagres na minha vida. Maria Adelzina, São Paulo (SP) Nota de Falecimento O Jornal Santuário comunica com pesar o falecimento, em 30 de novembro de 2016, na cidade de Campinas (SP), da senhora Yvone Coelho Silveira, devota de Nossa Senhora Aparecida e assinante, há mais de 40 anos, do Jornal Santuário. Oremos por ela e por seu eterno descanso nos braços do Santíssimo Redentor. Mande seu comentário para:

Um caminho para a Paz omeçamos 2017! Deus nos oferece mais uma vez a chance de recomeçar, olhando para frente, em busca de novas esperanças. Se Deus jamais se cansa de ter esperança em nós, não temos o direito de entrar no ano novo sem esperanças. Vale a pena buscar em nosso Papa Francisco, cujo coração abrange o mundo todo, os motivos para esperarmos e caminharmos juntos com ele. De 31/11 a 01/11, o Papa foi até a Suécia dialogar com a Igreja luterana e estimular o caminho ecumênico da união dos cristãos. A esperança de superar as divisões entre nós, cristãos, depende de iniciativas semelhantes à do Papa, que sai ao encontro para dialogar com respeito e com honestidade. Ele incentiva a união e a colaboração nos terrenos que são comuns a todos os cristãos, como a promoção à dignidade humana, à justiça social e à defesa da nossa casa comum. Quando os olhares de todos os cristãos convergirem para a pessoa de Jesus, será possível deixar o passado de discórdias e caminhar em direção a um ponto de encontro, por

Espaço do Leitor

jornalsantuario@editorasantuario.com.br

solucionar os conflitos dolorosos do mundo atual. Estamos em um momento delicado da história atual. Os países estão elegendo líderes, cuja mentalidade é de exclusão e de conflito. O Papa nos convida a ter a coragem de apostar no caminho do diálogo, da reconciliação e da misericórdia. Seus esforços levaram Estados Unidos e Cuba a iniciarem uma nova política de relações. Insiste para que Venezuela assuma também o caminho do diálogo para superar tantas carências impostas ao povo. Que este novo ano nos faça rejeitar as ideologias de noticiário escrito e televisivo, que privilegiam apenas as classes dominantes, sempre inescrupulosas na defesa de seus privilégios. Vamos assumir com o Papa sua opção pelos descartados do mundo e sua insistência no valor do diálogo, da reconciliação e da justiça social, como único meio viável para conquistar a paz, que tanto almejamos. Padre José Ulysses da Silva, C.Ss.R. Missionário Redentorista e Reitor do Santuário Nossa Senhora da Conceição, em Recife (PE)

JORNAL

SANTUÁRIO Publicação Mensal dos Missionários Redentoristas R.: Pe. Claro Monteiro, 342 – Centro – Aparecida (SP) Cx. Postal 4 – 12.570-000 www.jornalsantuario.com.br

EXPEDIENTE Diretor editorial: Pe. Fábio Evaristo, C.Ss.R. Conselho editorial: Pe. Ferdinando Mancilio, C.Ss.R. Pe. Mauro Vilela, C.Ss.R. Editor: Allan Ribeiro (MtB 80539/SP) Revisão Ana Lúcia de C. Leite Cristina Nunes Luana Galvão Projeto Gráfico: Rafael Domiciano Diagramação: Bruno Olivoto Comercial: 0800 16 0004 Tiragem: 12.000 Exemplares

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DIÁLOGOS

Jornal Santuário • Janeiro de 2017

DEVOÇÃO MARIANA

Publicação reflete Consagração a Nossa Senhora Aparecida méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo”; “Vós que o Cristo Crucificado deu-nos por mãe” e “Celestial cooperadora”. Para aprofundarmos nessa oração tão querida do nosso povo brasileiro, padre Evaldo César de Souza nos explica sua origem e seu significado, no livro Consagração a Nossa Senhora Aparecida, da Editora Santuário. Trazendo reflexões sobre cada uma das frases dessa oração mariana, o redentorista convida-nos a meditarmos sobre a nossa própria vida dentro desse contexto. O autor conta como cada leitor poderá se sentir tocado pelo carinho da Mãe, nos trechos da “Consagração”: Como nasceu o desejo de escrever o livro e aprofundar-se no texto da Consagração a Nossa Senhora Aparecida? Padre Evaldo César de Souza – “Consagração a Nossa Senhora Aparecida” nasceu do desejo de refletir sobre a mais tradicional oração que rezamos todos os dias aqui no Santuário Nacional. Vimos que não havia ainda um livro que ajudasse o devoto a entender o sentido das palavras e das frases dessa linda prece mariana. Então, com algum esforço e dedicação, nasceu esta obra, que já é sucesso de vendas da Editora Santuário. A Consagração atravessou gerações e se tornou momento de intimidade dos devotos com Nossa Senhora. Ela expressa a reafirmação da fé dos devotos e a sua entrega à Mãe Aparecida como intercessora?

Deixe o eaemscorerver de Deus hristória!  a sua

morta”. Assim, ao consagrarmos nossa vida a Nossa Senhora, dispomo-nos a realizar obras de amor para com nossos irmãos mais necessitados.

Reprodução

N

as águas do rio que formam o vale, Maria se fez singela em uma pequena Imagem de terracota. Dos três pescadores que a encontraram, nasce o início da devoção que atravessa quase três séculos. Hoje, são inúmeros os filhos que oram aos pés de Aparecida, no Santuário Nacional, pedindo a intercessão junto ao Cristo. A forma mais comum dessa demonstração de fé é a “Consagração a Nossa Senhora Aparecida”. Sempre que rezam, a partir dessa oração mariana, os devotos são tomados de grande comoção. As palavras da “Consagração”, quando pronunciadas, além de honrarem e reconhecerem Nossa Senhora como protetora nossa, são dirigidas ao coração de Jesus. Quem primeiro decidiu realizar um momento de consagração a Nossa Senhora Aparecida foi o missionário redentorista padre Laurindo Rauber, diretor da Rádio Aparecida, em 1954. Entretanto, foi na voz do grande missionário redentorista Padre Vítor Coelho de Almeida que a “Consagração” tornou-se o programa da Rádio Aparecida mais ouvido. Por mais de 30 anos, o saudoso missionário do povo fez-se ouvir pelas ondas da rádio e, com seu timbre singular, proferiu, diariamente, a oração da “Consagração”. Até hoje no ar, o programa, exibido sempre às 15 horas, é o mais antigo e tradicional da Rádio. Em 2013, a pedido do Papa Francisco, grande devoto de Nossa Senhora, foram incluídas três frases, na tradicional oração, para reforçar o eixo cristocêntrico de toda a devoção mariana. São elas: “Pelos

O senhor destaca, logo no início do livro, que o único que recebe nossa total consagração é Jesus, Filho de Deus. Então, qual a simbologia da consagração a Maria?

Padre Evaldo – Com certeza a “Consagração” é o modo mais simples e profundo que o devoto de Nossa Senhora Aparecida encontrou para dialogar com a mãe de Jesus. As palavras da oração levam ao sentimento de pertença e fortalecem nosso amor à Virgem Maria como intercessora de todas as horas, sobretudo, nas mais difíceis. Ao refletir cada parte da Consagração, o senhor apresenta ao leitor uma oração e o convida para a realização de um gesto concreto. Como esses dois atos se alinham no livro? Padre Evaldo – Como tudo na vida do cristão, a oração e a ação precisam caminhar juntas. Jesus bem sabia que rezar sem praticar, a força da oração poderia cair no vazio espiritual. Também São Tiago afirmava: “a fé sem obras é

Padre Evaldo – Consagrar é oferecer tudo o que somos e temos ao Senhor Deus; é oferecer o nosso melhor, como Abel fez em sua oferta, descrita no livro do Gênesis. O próprio Jesus se ofereceu plenamente na Cruz, consagrou-se definitivamente ao Pai. Quando nos apresentamos aos pés de Maria, na verdade, desejamos que ela receba nosso melhor e, conosco, apresente-nos a Jesus. Tudo em Maria nos leva ao Cristo! Estamos inseridos no ano Jubilar dos 300 anos do encontro da Imagem de Aparecida. Qual o significado do livro neste momento tão importante de celebração? Padre Evaldo – O livro “Consagração a Nossa Senhora Aparecida” é um presente que pude oferecer a Nossa Senhora Aparecida, e também um modo simples de ajudar os devotos a viver com mais intensidade este ano jubilar, com oração e ações concretas dentro da Igreja. Allan Ribeiro

No decorrer da vida, passamos por momentos diiceis que deixam marcas profundas em nosso coração. Para curar estes conflitos interiores, a autora Eliete Gomes convida-nos a deixar que o amor misericordioso de Deus reescreva a história da nossa vida.

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IGREJA

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Jornal Santuário • Janeiro de 2017

DIGNIDADE HUMANA

CREMAÇÃO

Reprodução

Reprodução

Comissão da CNBB atuará no Vaticano estabelece regras combate ao tráfico humano para conservação das cinzas

A Campanha da Fraternidade 2014, Fraternidade e Tráfico Humano, trouxe subsídios para a criação de uma comissão que refletirá sobre o tema

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onferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) contará com uma Comissão Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano. Após apresentação de proposta pelo Grupo de Trabalho (GT), que, desde 2012, atua na questão, o Conselho Permanente aprovou a continuidade do trabalho de promoção à conscientização, denúncia e incidência política diante de crimes que violem a dignidade humana. Entre outras atribuições, a Comissão será responsável por definir um plano de ação da CNBB para fortalecer o combate ao tráfico humano, promovendo a articulação e o diálogo permanente entre as distintas iniciativas existentes no seio da Igreja no Brasil e em parceria com outros segmentos sociais. Também irá mapear as iniciativas pastorais e eclesiais relacionadas a essa temática e manter sua atualização. A nova estrutura será ainda incumbida de elaborar e implementar, de forma participativa, uma estratégia para ampliar a visibilidade do tráfico humano na Igreja e na sociedade. A articulação e o apoio de processos formativos nos regionais da CNBB, para multiplicar a capacidade de levar adiante o combate ao tráfico humano, são atribuições da nova Comissão, que vai definir estratégias de incidência nas políticas públicas, na sociedade, e

na Igreja para provocar mudanças nas estruturas e práticas que alimentam a existência do tráfico humano. Diante dos desafios de ampliar a visibilidade da problemática do tráfico humano na Igreja e na sociedade, além da necessidade de capacitar agentes de pastorais e lideranças sociais para o enfrentamento, de incidir ações nos espaços públicos e de identificar informações e dados a respeito da temática, o GT alcançou resultados expressivos em sua caminhada. A Campanha da Fraternidade 2014, cujo tema foi Fraternidade e Tráfico Humano, trouxe subsídios para se alcançarem resultados. Na ocasião, foram intensificados os esforços na realização da CF, o que inseriu a temática em várias iniciativas da Igreja e, ambientes de debate da sociedade. O GT também conseguiu incidência da questão nas políticas públicas, por meio de ações das organizações-membro, consolidando uma articulação em rede. Na proposta apresentada aos bispos do Conselho Permanente, o GT recorda o Papa Francisco, o qual disse, recentemente, no Vaticano, que “a Igreja é chamada a empenhar-se para ser fiel às pessoas, ainda mais se consideradas as situações em que se tocam as chagas e os sofrimentos mais dramáticos”. Da Redação

A Igreja recomenda que se conserve o piedoso costume de sepultar os corpos dos defuntos, mas não proíbe a cremação

A

Santa Sé, por meio da Congregação para a Doutrina da Fé, publicou um novo documento, no qual recorda as normas sobre o sepultamento dos mortos e, sobretudo, a conservação das cinzas. A Igreja recomenda que se conserve o piedoso costume de sepultar os corpos dos defuntos, mas não proíbe a cremação, a não ser que tenha sido preferida por razões contrárias à doutrina cristã. A prática da cremação se difundiu muito no âmbito da Igreja Católica. Em relação à prática de conservação das cinzas, não existia, até então, uma específica norma canônica. Por isso, algumas Conferências Episcopais se dirigiram à Congregação para a Doutrina da Fé levantando questões sobre prática de conservar a urna cinerária em casa ou em lugares diferentes do cemitério e, sobretudo, de espalhar as cinzas na natureza. A conservação das cinzas em casa não é consentida pela Igreja. Somente em casos de circunstâncias graves e excepcionais, o Ordinário, de acordo com a Conferência Episcopal ou o Sínodo dos Bispos das Igrejas Orientais, poderá autorizar a conservação das cinzas em casa. As cinzas, no entanto, não podem ser divididas entre os vários núcleos familiares e devem ser sempre assegurados o respeito e as adequadas condições de conservação. Para evitar qualquer tipo de equívoco panteísta, naturalista ou niilista, não será

permitida a dispersão das cinzas no ar, na terra ou na água ou, ainda, em qualquer outro lugar. Exclui-se, ainda, a conservação das cinzas cremadas sob a forma de recordação comemorativa em peças de joalharia ou em outros objetos. Espera-se que essa nova instrução possa fazer com que os fiéis cristãos tenham mais consciência de sua dignidade de filhos de Deus. Quaisquer que sejam as motivações legítimas que levaram à escolha da cremação do cadáver, as cinzas do defunto devem ser conservadas, por norma, num lugar sagrado, isto é, no cemitério ou, se for o caso, numa igreja ou num lugar especialmente dedicado a esse fim e determinado pela autoridade eclesiástica. “A conservação das cinzas num lugar sagrado pode contribuir para que não se corra o risco de afastar os defuntos da oração e da recordação dos parentes e da comunidade cristã. Deste modo, evita-se a possibilidade de esquecimento ou falta de respeito que podem acontecer, sobretudo depois de passar a primeira geração, ou então cair em práticas inconvenientes ou supersticiosas”, exprimi o documento. Assim, os cristãos desejaram que os seus defuntos fossem objeto de orações e de memória por parte da comunidade cristã. Os seus túmulos tornaram-se lugares de oração, de memória e de reflexão. Da Redação


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SOCIEDADE EM FOCO

Jornal Santuário • Janeiro de 2017

CRISE

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desemprego, a alta nos preços e a falta de confiança dos investidores, entre outros aspectos econômicos, bateram à porta dos brasileiros nos últimos dois anos. Mas a perspectiva é de que o pior da crise já tenha passado, e o país já começa a dar sinais de melhora. Um leve crescimento, ao longo deste ano, irá começar a colocar a economia brasileira novamente nos trilhos. Para 2017, está prevista uma recuperação, ainda tímida, de aproximadamente 1%. O que se viu no decorrer de 2016, especialmente a partir do segundo semestre, foram sinais mais claros que sugerem uma perspectiva mais animadora para os próximos doze meses. Ainda que tais avanços não representem muito em termos numéricos, nota-se que as projeções de alguns indicadores relevantes já apresentam sinais de retomada positiva. A inflação medida pelo IPCA, índice oficial do governo, que verifica a variação dos preços, vem tomando uma trajetória de queda sistemática desde janeiro do ano anterior, em grande parte por uma série de medidas restritivas por parte do governo e da equipe econô-

Shutterstock

Cenário mais positivo dará alívio ao bolso do brasileiro

Para 2017 está prevista uma recuperação, ainda tímida, de aproximadamente 1%

mica. As previsões para 2017 giram em torno de 5,0% a 6,0%, já bem mais próximas do centro da meta que é de 4,5%. Outro bicho-papão dos brasileiros é a volatilidade do câmbio, que interfere diretamente em produtos essenciais na mesa do brasileiro, como o pão francês, que tem como seu principal ingrediente a farinha exportada. Há um ano a moeda estava bastante desvalorizada, em face do clima de forte incerteza. Mas dados apresentados pelo Banco Central já apontam valorizações constantes do real diante do dólar ao longo dos meses, indi-

cando uma volta lenta e gradativa do investidor internacional ao mercado brasileiro. “Para a população em geral, esta queda da taxa de câmbio significará, de forma mais direta, a redução do preço de vários produtos, desde o setor alimentício até o tecnológico, que usualmente são importados e tendem a ficar paulatinamente mais baratos, assim como serviços de turismo, compra de passagens aéreas e estadias no exterior”, afirma o economista Thiago França, dizendo que esse movimento deve continuar nos próximos meses.

O Governo Federal prevê um cenário mais otimista, com crescimento econômico e, consequentemente, aumento no número de empregos. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, defendeu recentemente que há necessidade de reformas econômicas para a retomada do crescimento. Para ele, o Brasil precisa reformar a economia para que cresça e seja capaz de abrir novas vagas de empregos, gerar renda para a população e baixar a inflação. Da Redação

BÍBLIA DA DEVOTA Inteiramente voltada para as mulheres, a Bíblia da Mulher Devota possui encarte sobre as principais mulheres presentes nas Sagradas Escrituras, artigos e orações exclusivas. São três versões a sua escolha, o presente ideal para as mulheres de fé que você ama.

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SANTUÁRIO EM NOTÍCIA

Jornal Santuário • Janeiro de 2017

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TRICENTENÁRIO

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ão só de tijolos é constituído o Santuário Nacional, mas de vidas doadas em prol da evangelização. Nos mais de 60 anos do início das obras, cardeais, bispos, padres e leigos ofereceram seus dons a serviço da Casa da Mãe Aparecida. Para homenagear esses homens e essas mulheres que ajudaram e ainda ajudam a edificar a Basílica, o Santuário inaugurou o Memorial dos Construtores, no último dia 30 de novembro. Os 2.356 nomes homenageados estão dispostos em 96 placas de bronze em torno do memorial. Estão registradas também, nesse espaço, as capitais dos estados brasileiros, simbolizando que neste lugar santo está a Padroeira do Brasil inteiro e alguns santuários mariano de todo o mundo, reforçando que Nossa Senhora é a Mãe da Igreja. Além dos colaboradores do Santuário com mais de 20 anos de casa, o memorial homenageia os primeiros colaboradores da Família Campanha dos Devotos, que fazem parte dessa ação evangelizadora, desde 1999. Foram escolhidos aqueles que iniciaram, nos primeiros dois meses da Campanha, e até

hoje colaboram fielmente, mês a mês, na construção do Santuário Nacional. São destaques no monumento o Arquiteto Benedito Calixto de Jesus Neto (†21.07.1972), responsável pela arquitetura e início da construção do Santuário, em 1955, e o Artista Sacro Cláudio Pastro (†19.10.2016), que assina a concepção artística de vários projetos da Basílica. Anteriormente, o local abrigava o obelisco, onde estava exposta Nossa Senhora da Assunção, que foi a primeira imagem a vir para o terreno do Santuário no início de sua construção, em 1955. Com a reestruturação, a imagem ganhou um novo obelisco de 12 metros de altura, revestido com granito preto. A imagem também foi restaurada, devolvendo à obra o resplendor perdido ao longo dos anos. Dos 74 anos vividos, seu Lázaro Ribeiro da Costa dedicou quase 50 anos em serviços à Basílica. Ele é um dos homenageados no Memorial e afirma que se sente feliz e realizado. “Para mim é uma grande alegria, uma grande bênção. Que Deus nos conserve aqui, com saúde”, diz o colaborador.

Allan Ribeiro/JS

Monumento homenageia construtores da Basílica de Aparecida

Os 2.356 nomes homenageados estão dispostos em 96 placas de bronze em torno do memorial

O reitor do Santuário, padre João Batista de Almeida, expressa que, mais que uma construção de pedra, o Santuário constrói gente. Ele acrescenta que o objetivo desse monumento é lembrar a construção de todas as pessoas que passam pela Casa da Mãe e, ao voltarem para casa, sentem-se revigoradas. “Esse monumento aos construtores quer simbolizar a presença de cada devoto, de cada colaborador, de cada missionário, de cada pastor que passa por

este Santuário. Que bom seria se pudéssemos colocar o nome de todos, são milhões, mas sintam-se [representados] aqui, com o nome de alguns, que fizeram, até aqui, a história deste Santuário”, afirma. O monumento se constitui em um dos marcos do Ano Jubilar em comemoração aos 300 anos do encontro da Imagem de Aparecida. Allan Ribeiro


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ACONTECE EM APARECIDA

Jornal Santuário • Janeiro de 2017

ANO MARIANO

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uitas serão as atividades no ano em que se celebra o Tricentenário do encontro da Imagem de Aparecida. O reitor do Santuário Nacional, padre João Batista de Almeida, compartilha as expectativas para este ano, que se inicia, e adianta as atividades que deverão ocorrer ao longo de 2017. No cronograma de projetos, estão diversas ações pastorais, estruturais e sociais, que trilharão os caminhos até o dia 12 de outubro. A grande novidade será a Novena da Padroeira, que este ano começará mais cedo, no dia 1o de outubro, sendo finalizada no dia 9. O reitor afirma que a ideia é, a partir do dia 10 de outubro, realizar um tríduo celebrativo. No dia 10, serão recordados os pescadores, fazendo referência a todos os trabalhadores que, ao longo dos três séculos, contribuíram para propagar a devoção a Nossa Senhora. Já no dia 11, acontecerá a inauguração da Cúpula Central, obra do artista sacro Cláudio Pastro, além da tradicional procissão Memória, que partirá do Santuário

Nacional até o local onde a Imagem foi encontrada. No dia 12, a procissão percorrerá o caminho inverso, partindo do Porto Itaguaçu, passando pela Matriz Basílica, encerrando-se no Santuário. Padre João Batista adianta também que, entre 27 e 30 de julho, acontecerá o encerramento do projeto Juventude em Missão (JUMI), que desde o ano passado tem envolvido a juventude na celebração dos 300 anos. Em paralelo, ocorrerá também o último evento do Rota 300, projeto da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que envolve os jovens de todo o país em ações inspiradas na temática mariana. A ideia é reunir, na Casa da Mãe Aparecida, todas as dioceses que margeiam o Rio Paraíba do Sul. A arquidiocese de Aparecida também se prepara para a celebração do Tricentenário. As 18 paróquias da região receberão as Santas Missões Redentoristas, com o intuito de organizar e catequizar todo o povo de Deus. As atividades missionárias serão aplicadas no primeiro semestre deste ano.

Allan Ribeiro/JS

Reitor conta as novidades para o ano de 2017 no Santuário

A novena começará mais cedo, dia 1º de outubro, e será sucedida de um tríduo celebrativo

Já neste mês, o redentorista reforça que acontecerá a inauguração da nova sede do Projeto de Educação Musical do Santuário de Aparecida (PEMSA), próximo à Matriz Basílica, no dia 30 de janeiro. O novo prédio terá estrutura para acolher um maior número de alunos, contribuindo para o desenvolvimento dos dons musicais de diversos jovens.

Diante das novidades, o reitor destaca que essas atividades, ao longo do ano, reforçarão ainda mais as celebrações dos 300 anos. “Tudo isso está dentro do espírito mariano. É a mãe que vai acolhendo seus filhos das mais diversas maneiras, seja na basílica, seja nas obras sociais”, conclui. Da Redação

Horários do Santuário Nacional de Aparecida Missas

Segunda a sexta: 7h / 9h (TV) / 10h30 / 12h / 16h / 18h Sábado: 6h30 / 9h (TV) / 10h30 / 12h / 16h / 18h (TV) / 20h Domingo: 5h30 / 8h (TV) / 10h / 12h / 14h / 16h / 18h (TV)

Bênçãos para imagens e outros objetos

Ao final de todas as missas

Confissões

Segunda a sexta: das 8h às 11h / das 14h às 16h Sábado: das 6h30 às 16h45 Domingo: das 6h30 às 16h

BatiZADOS

Segunda a sexta: 10h30 e 15h Sábado: 9h / 10h / 11h / 14h / 15h Domingo: 8h / 9h / 10h / 11h / 14h / 15h

Piedade Popular

Consagração: Segunda a sexta, às 11h45 (TV) Segunda a sábado, às 15h (RA) Hora Mariana (Terço): Segunda a sábado, às 14h Novena Perpétua: Quarta, às 15h15 e às 19h30 Procissão Eucarística: Quinta, às 10h Procissão Mariana: Sábado, às 19h, e domingo, às 6h30

MissaS NA MATRIZ - Basílica Velha

Segunda, quarta e quinta: 7h e 18h15 (TV) Terça: 7h / 16h (missa dos doentes) / 18h15 Sexta: 7h / 18h15 / 19h30 Sábado: 15h e 19h Domingo: 19h Bênçãos: Sábado, das 8h às 12h e das 13h às 14h30 Domingo: das 8h às 12h e das 13h às 15h Também ao final de todas as missas Encontros Especiais Coordenadores de Romarias: Sábado, às 10h / Domingo, às 8h Local: Salão Três Pescadores, no subsolo do Santuário

MEMorial Redentorista Visite o Memorial e o túmulo do Servo de Deus, Pe. Vítor Coelho, ao lado da Matriz Basílica. Aberto todos os dias, das 08h às 17h.


DESTAQUES

Jornal Santuário • Janeiro de 2017

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NOVO PASTOR

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om o espírito missionário, dom Orlando Brandes se prepara para a missão que o aguarda em Aparecida (SP). Com referências a Papa Francisco, o novo arcebispo traz no coração o desejo de ser um pastor com o cheiro das ovelhas, de estar em meio aos devotos e ao povo de Deus, que edifica a arquidiocese. Em um ano tão significativo para a Igreja em todo o Brasil, com a celebração dos 300 anos do encontro da Imagem nas águas do Paraíba do Sul, o pastor chega ao maior Santuário mariano do mundo com o ardor de semear e colher muitos frutos. Dom Orlando foi nomeado em 16 de agosto pelo Santo Padre e toma posse no próximo dia 21 de janeiro, no Santuário Nacional. Com um discurso simples e pastoral, o bispo sublinha que quer estar no meio do povo, tomando como norteador as recomendações do Santo Padre, o qual coloca que os bispos não podem ter tipologia de príncipe, nem mentalidade de privilégio, mas serem pastores do povo. Sobre a notícia da nomeação, o religioso afirma que recebeu como um sinal da vontade de Deus, ao mesmo tempo, como um chamado do Santo Padre e uma convocação da nunciatura apostólica. Para ele, o fato de a nomeação ter acontecido no Ano Extraordinário da Misericórdia apresenta-se como um gesto misericordioso de Deus a ele, e, assim como a Mãe do Salvador, ele se coloca a serviço, afirmando que o Senhor olhou a sua pobreza e pequenez diante dessa nomeação. “Com consciência da responsabilidade pessoal, das minhas limitações e de que é Deus quem conduz nossa vida e coloca pastores à frente do rebanho, como melhor lhe convém, estou convencido de que não estou indo para Aparecida nem por mérito, nem por acaso, nem por coincidência, mas por misericordiosa providência de Deus. Ele é o Senhor da história e é quem concede à Igreja o que melhor convém. E assim me entrego nas suas mãos, pedindo a Nossa Senhora Aparecida a graça de peregrinar pelos seus itinerários.” A expectativa do novo pastor de Aparecida é aprender com a história da arquidiocese, desde a fundação em 1958, até os dias atuais. Ele ressalta que os primeiros passos serão respeitar esta caminhada de quase 60 anos, ouvindo as pessoas e conhecendo bem os sacerdotes, aproximando-se deles, bem como dos missionários redentoristas e do povo de Deus. Dom Orlando ainda ressalta a riqueza muito grande da presença da vida consagrada em Aparecida, composta por aproximadamente 168 religiosos e religiosas.

O bispo diz que um pastor em Aparecida deve olhar para os pequeninos, para as 18 paróquias e para o clero arquidiocesano, além das dioceses da Província, que contemplam as cidades de Taubaté (SP), São José dos Campos (SP), Caraguatatuba (SP) e Lorena (SP). “Quero estar no meio do povo peregrino e aprender com esse povo. Quero ser, no meio dos missionários, um bispo missionário”, acrescenta. O episcopado se sente agraciado por Deus tê-lo designado para essa jornada, no ano em que Aparecida celebra seu Tricentenário. Ele contextualiza o momento, fazendo analogia com as palavras de Paulo, “uns plantaram e outros colherão”, referindo-se ao trabalho que vem sendo realizado pelo cardeal dom Raymundo Damasceno Assis e pelos missionários redentoristas. O bispo estende os agradecimentos também aos colaboradores do Santuário e ao povo de Deus da arquidiocese, que também caminham juntos para concretizar essa grande festa. “De certa maneira, cabe-me colher tudo isso que foi plantado, mas fazer também frutificar. A partir dos 300 anos, tiraremos algumas linhas de pastoral, confirmando aquilo que é bom e clareando novos horizontes. Olho também para depois da festa dos 300 anos. É um sentimento que esse Tricentenário nos dará linhas pastorais e espirituais para o futuro”, acredita. Desde pequeno, dom Orlando já se demostrava um fiel devoto à Mãe Aparecida. Já esteve por várias vezes na Basílica e afirma ter uma espiritualidade e um carinho muito especial para com o carisma que denomina como “Aparecida”. Como arcebispo da diocese de Joinville (SC), realizou uma peregrinação com toda a arquidiocese ao Santuário Nacional. Já em Londrina (PR), trouxe o clero para vivenciar a espiritualidade mariana na Basílica. Participou da 5ª Conferência do Episcopado Latino-americano (Celam), em Aparecida, no ano de 2007, como delegado, ao lado do então cardeal Bergoglio. Por duas vezes, já esteve como pregador durante a Novena da Padroeira e já foi diretor espiritual de um retiro direcionado ao clero, na arquidiocese de Aparecida. Allan Ribeiro

Arquidiocese de Londrina (PR)

“Quero estar no meio do povo”, afirma dom Orlando Brandes Dom Orlando Brandes: “Cabe-me colher tudo isso que foi plantado, mas fazer também frutificar, e, a partir dos 300 anos, tiraremos algumas linhas de pastoral, confirmando aquilo que é bom e clareando novos horizontes”. Desde pequeno, dom Orlando já se demostrava um fiel devoto à Mãe Aparecida. Já esteve por várias vezes na Basílica e afirma ter uma espiritualidade e um carinho muito especial para com o carisma que denomina como “Aparecida”


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DESTAQUES

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BIOGRAFIA

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om Orlando Brandes nasceu em 13 de abril de 1946, em Urubici, SC. É filho de Gregório Brandt e Hilda Morais Brandt (falecidos), e tem seis irmãos. A vocação religiosa estava desde cedo muito próxima ao bispo, cuja mãe era catequista e cujo irmão, seminarista. Por isso entrou no seminário de Lajes (SC), ainda no ano de 1958, com 12 anos, terminando todos os estudos em 1964. Em seguida, em 1965, iniciou o curso de Filosofia, até 1968, em Curitiba (PR). Fez seus estudos teológicos na Universidade Gregoriana e na Academia Alfonsiana, em Roma. Recebeu a ordenação sacerdotal em Francisco Beltrão (PR), em 6 de julho de 1974. Foi professor de Teologia Moral e Dogmática no Instituto Teológico de Santa Catarina (Itesc), de 1974 a 1994. Vice-diretor do Itesc, entre 1974 e 1982, e diretor de 1982 a 1984. Diretor do Seminário Teológico (1987), orientador do Seminário Dom Honorato Piazera (1990-1994), presidente, vice-presidente e juiz do Tribunal Eclesiástico Regional de Florianópolis. Assistente espiritual do

Arquidiocese de Joinville (SC)

Novo arcebispo de Aparecida se revela um comunicador

Dom Orlando Brandes, quando era bispo de Joinville (SC), em visita ao Papa João Paulo II

Seminário Nossa Senhora de Guadalupe da Diocese de Joinville (SC). Além disso, foi pregador de retiros espirituais, auxiliar na Catedral Metropolitana e animador de diversos cursos de teologia.

Foi eleito pelo Papa João Paulo II, no dia 9 de março de 1994, terceiro bispo diocesano de Joinville. Escolheu como lema: Somos operários de Deus (1Cor 3,9). A ordenação episcopal e posse ocorreu no dia 5 de junho de

1994, na Catedral São Francisco Xavier, dia de São Bonifácio. Lá ficou bastante marcado pelo trabalho com os Grupos Bíblicos de Reflexão (GBR), que ajudam as comunidades a serem mais unidas em torno da Palavra de Deus. No dia 10 de maio de 2006, o Papa Bento XVI nomeou dom Orlando arcebispo de Londrina (PR), para substituir dom Albano Cavallin, que pediu renúncia ao cargo, por ter completado 75 anos, em conformidade com o Código de Direito Canônico. A tomada de posse como quarto arcebispo daquela arquidiocese aconteceu no dia 23 de julho de 2006. Além de grande comunicador, dom Orlando tem especialização em Teologia Moral, estudos de Psicologia e grande experiência em pregação de retiros. O arcebispo já realizou missões na Bahia, Acre, Mato Grosso, Piauí e Paraná. Foi presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), entre 2007 e 2011. Atualmente, o bispo trata de assuntos pertinentes à Igreja em um programa da TV Rede Vida. Da Redação

Cúria

“P

equena arquidiocese, porém, insigne, e, principalmente, muito querida pelo povo brasileiro”, assim definiu Papa Paulo VI ao primeiro arcebispo de Aparecida (SP), dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta. Apesar de pequena, com 1,3 mil metros quadrados, abrangendo cinco municípios, com uma população de quase 200 mil habitantes, a arquidiocese possui um forte simbolismo na fé do povo brasileiro. Como pastor, dom Orlando Brandes chega a Aparecida com uma significativa missão. O arcebispado que irá assumir é composto por 18 paróquias e uma capelania militar. O clero secular é formado por 24 presbíteros e 2 diáconos permanentes. Segundo o Ceris (Centro de Estatísticas Religiosas e Investigações Sociais), estão na arquidiocese 118 religiosos e 169 mulheres consagradas, dedicados ao cumprimento das missões próprias de seus respectivos carismas. Além disso, centenas de leigos e leigas dedicam-se às pastorais, ministérios, serviços e obras sociais. Sobre a missão do sucessor, dom Raymundo Damasceno Assis faz votos de que o ministério episcopal seja fru-

Arquidiocese de Aparecida (SP)

Dom Orlando tem grande missão na Arquidiocese de Aparecida

Sede da Cúria Metropolitana de Aparecida

tuoso. “O arcebispo de Aparecida tem uma dupla missão: cuidar da arquidiocese, sem se esquecer de cuidar dos devotos e de querer bem a eles, que vêm aqui de passagem para reforçar sua fé, sua pertença à Igreja, e que voltam sempre animados para assumir as responsabilidades nas suas paróquias e nos seus movimentos”, destaca.

No Santuário Nacional, ao lado dos missionários redentoristas, o bispo ajudará a propagar a devoção mariana aos 12 milhões de devotos que visitam a Basílica, anualmente, e aos muitos outros que acompanham pelos meios de comunicação. Mais do que isso, dom Orlando conduzirá as atividades jubilares e a celebração do Tricentená-

rio do encontro da Imagem de Aparecida nas águas do Rio Paraíba do Sul, em outubro próximo. Também inserido no contexto dos 300 anos do encontro de Aparecida, o pastor à frente da arquidiocese vivenciará as Santas Missões Redentoristas, que levarão um novo ardor e prepararão o povo de Deus para esse grande momento mariano, no primeiro semestre deste ano. Já em Guaratinguetá (SP), dom Orlando atuará na ampliação do Santuário de Frei Galvão. Depois da conquista do terreno, em 2015, dá-se início à campanha para as obras de ampliação. O Santuário está hoje construído em uma área de 11mil m² e, com a doação, terá uma área total de 107 mil m². O projeto, que visa criar um espaço mais amplo, com as estruturas adequadas e necessárias para acolher o crescente número de devotos, também receberá o Bosque Laudato Si, um espaço de contemplação, reflexão e introspecção, cujo objetivo maior será preparar o visitante para que ele possa participar do momento de oração. Da Redação


BEM-ESTAR

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FÉRIAS

• Idade: quanto menor a idade, maior deve ser a vigilância sobre as crianças. A educação para prevenção deve aumentar à medida que ela cresce mostrando os riscos e suas consequências. O papel dos pais é fundamental, ao servirem de exemplo e darem as orientações. • Escolaridade: as pessoas mais instruídas terão possibilidades maiores de prevenir os acidentes, assim como de cuidar da primeira assistência. • Ambiente físico: casas em mau estado de conservação, pequenas, mal situadas, com cômodos pequenos, cozinhas apertadas, também pequenas, com mau estado da fiação, da tubulação, do gás podem facilitar os acidentes.

Reprodução/Ministério da Saúde

Aplicativo ajuda a controlar doenças no Brasil

E

• 0 a 1 ano: quedas (trocador, cama, colo), asfixia, sufocação, aspiração de corpos estranhos, intoxicações, queimaduras (água quente, cigarro). • 2 a 4 anos: quedas, asfixia, sufocação, afogamentos, intoxicações, choques elétricos, traumas. • 5 a 9 anos: quedas, atropelamentos, queimaduras, afogamentos, choques elétricos, intoxicações, traumas. • 10 a 19 anos: quedas, atropelamentos, afogamentos, choques elétricos, intoxicações, traumas.

Para cada um dos cômodos do ambiente doméstico, dadas as suas peculiaridades, ocorrem alguns acidentes com maior frequência. São considerados os locais de acidentes mais frequentes, por ordem decrescente: cozinha, banheiro, corredor, escada, quarto e sala. Acidentes mais frequentes de acordo com as idades são:

SAÚDE

ntre os legados dos Jogos Olímpicos para o país, o Ministério da Saúde decidiu manter em funcionamento o aplicativo Guardiões da Saúde, lançado em julho para monitorar as condições de saúde de moradores e turistas durante a competição. Agora, o acesso aos dados captados na plataforma será estendido às secretarias municipais e estaduais. O objetivo do aplicativo é disponibilizar uma ferramenta participativa para que a população possa registrar suas condições de saúde diárias, como sintomas, e acompanhar a situação sanitária de várias regiões em tempo real. O Guardiões de Saúde pode ser baixado gratuitamente em smartphones com sistema operacional iOS e Android.

A cozinha é considerada o local de maior frequência de acidentes

A única condição é de que o usuário tenha mais de 13 anos de idade. O governo também disponibilizou o aplicativo com código de programação aberto, que pode ser alterado por outros usuários. A plataforma opera a partir de um mapa interativo que processa como está a situação em determinada localidade. Quem acessa o aplicativo também recebe informações sobre como se prevenir das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti e informa a localização de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e farmácias, em um raio de 20 quilômetros do local onde está o usuário. Da Redação

O tema dos acidentes é um problema de saúde pública, nem sempre bem cuidado como outros, e a prevenção de suas ocorrências deveria ser de conhecimento de todos os profissionais, assim como de todas as famílias, para que mais tarde os familiares possam transmitir seus conhecimentos, com exemplos dados pelos pais/responsáveis, à criança sob sua tutela. Sociedade Brasileira de Pediatria - SBC

Reprodução

O

acidente doméstico é aquele que ocorre no local onde habitamos ou em seu entorno. Tipos de habitação: apartamento, casa térrea, sobrado de alvenaria ou mesmo de madeira, entre outros. O ambiente doméstico, geralmente, é constituído por: cozinha, lavanderia, despensa, banheiro, sala de refeições, sala de visitas, quartos, quintal, jardim, garagem e escadas. Ao se considerar apartamento, acrescentam-se escadas e elevadores. Os locais de maior risco são: cozinha, banheiro, escada, quintal, sala e quarto. Vários fatores podem estar relacionados a uma frequência maior de traumas dentro de casa: pequenas dimensões, iluminação deficiente, móveis ou objetos pontiagudos, piso escorregadio, tomadas elétricas sem proteção (ou mal protegidas), ausência de proteção para a criança, como corrimão na escada, passadeira deslizante, objetos que podem causar danos: martelo, serrote, alicate, furadeira, faca, espeto de churrasco etc. Fatores relacionados à ocorrência de acidentes:

Reprodução

Pais devem redobrar a atenção com acidentes domésticos

Sanduíche de verão Ingredientes

Modo de preparo

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Em uma tigela coloque o atum, a cebola, salsinha e o tomate. Tempere a gosto. Adicione o creme de leite e reserve. À parte, misture a cenoura, 200 g de maionese e reserve. Na forma, passe o papel filme e faça camadas de pão e recheio de atum, de cenoura e de alface fatiada. A última camada deve ser de pão. Coloque para gelar por 2h. Desenforme, passe maionese e jogue batata palha por cima. Enfeite com alface e sirva.

1 pão de forma 500 g de maionese 1/2 caixa de creme de leite 2 latas de atum 1 cenoura grande ralada 1 cebola ralada 1 tomate picado Salsinha picada 1 pé de alface cortado fino Tempero a gosto 1 forma com furo no meio ou de bolo inglês • Papel filme • Batata palha para decorar


Reze à Padroeira do Brasil com a Rádio e TV Aparecida. Todos os dias sintonizadas com o Santuário Nacional.

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JUVENTUDE

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ESPIRITUALIDADE MARIANA

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m outubro, o Santuário Nacional deu início a um projeto pastoral para integrar ainda mais a juventude às atividades do Santuário, aproximando os jovens da espiritualidade mariana. Agora, todo quarto sábado do mês, às 20h, o público juvenil tem um encontro marcado no altar central, para celebrar a Missa da Juventude. Ao lado do sacerdote, os próprios participantes preparam a liturgia e fazem com que ela aconteça. A ideia é trazer a linguagem e o espírito juvenil, conduzindo os jovens para um caminho de missão e anúncio de Cristo. O intuito é envolver os jovens das cidades vizinhas, assim como aqueles que passam pela Casa da Mãe Aparecida, apenas como romeiros. As primeiras experiências já somam frutos. Só no primeiro encontro, cerca de 300 pessoas participaram da missa. Responsável pelo trabalho com a juventude no Santuário, padre Marcelo Magalhães, C.Ss.R., explica que, antes, o jovem vinha a Aparecida, mas não havia uma programação fixa, dedicada a ele, assim como não havia uma referência para participar de atividades na Basílica para aqueles que eram

Thiago Leon / Santuário Nacional

Missas conduzem jovens à reflexão na Casa da Mãe Aparecida

Celebração eucarística da juventude no altar central do Santuário Nacional

das proximidades. “Os primeiros contatos que tivemos foi um pouco tímido, mas foi uma surpresa. Percebemos a grande necessidade de fazer esse projeto acontecer e de, também, buscar novas coisas. O aspecto positivo é que tem gente [jovem], e precisamos nos organizar para acolhê-los e nos comunicar com eles”, exprime padre Marcelo.

A cada mês, uma temática é trabalhada. Próximo aos exames de fim de ano e de vestibulares, por exemplo, a missa foi dedicada aos estudantes. Para janeiro, a celebração deve refletir, possivelmente, sobre a oração como caminho para a juventude, ou outro tema, ainda a ser definido. Padre Magalhães coloca que o Santuário, assim como toda a Igreja

no Brasil e no mundo, tem se atentado ao pastoreio de Francisco, que faz um apelo muito grande em relação aos jovens. A forma como o Santo Papa se dirige à juventude mostra uma linguagem simplificada que, ao mesmo tempo, mantém a essência cristã. “Acredito que toda essa experiência de Igreja tem feito também com que o Santuário se mobilize e vá buscar isso. Sempre existiram [atividades para a juventude] no Santuário, mas não eram muito expostas, pensadas. Estamos tentando organizar as ideias sobre isso”, complementa. Além das celebrações eucarísticas, o padre adianta que diversas atividades estão sendo preparadas, como retiros e encontros. Para animar a juventude local, o Santuário também tem visitado as paróquias e convidado os jovens a terem essa experiência na Casa da Mãe Aparecida. Outras informações sobre as atividades direcionadas à juventude podem ser acessadas no Portal A12.com. Allan Ribeiro

VOCAÇÕES

Discernir para decidir Parar, pensar, ouvir, refletir e agir. Esses são os caminhos para uma decisão segura e também são as ações propostas durante o acompanhamento vocacional. A percepção da vocação acontece geralmente durante a juventude, e tanto homens quanto mulheres buscam orientação e apoio dos mais experientes, principalmente porque a maioria não tem ainda os elementos básicos para discernir e optar. A partir de um direcionamento espiritual, rapazes e moças compreendem melhor aquela “voz”, aquele “ardor”, aquela “paixão” por Deus e pela Igreja, que precisa ser clarificada. É preciso ter consciência do que tudo isso representa. Fazer opção acertada não é fácil nos dias de hoje, porque acertar na vocação significa optar por algo duradouro, fundamental para a existência. Toda escolha exige conhecimento e

experiência. O processo de acompanhamento vocacional é esse tempo de “escuta”. Uma coisa podemos garantir: o jovem que inicia e mantém um acompanhamento vocacional não é mais o mesmo ao final do processo. Os encontros, conversas e leituras direcionadas fornecem informações importantes para que ele entenda o que está acontecendo nesse tempo especial que está vivendo. No final do acompanhamento, veem-se livres e maduros para decidir que caminho tomar: vida religiosa, sacerdotal ou vida matrimonial. Nesse processo, o amadurecimento é o foco principal para que haja uma opção consciente. O jovem que não desenvolve a capacidade de escuta e de espera tende a decepcionar-se no futuro. Para participar do acompanhamento vocacional redentorista neste ano de 2017, entre em contato conosco: vocacional@a12.com.

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Deixe o amor de Deus Quando você descobre rescrever a sua o significado da história sua oração, No decorrer da vida, passamos por muito momentos diiceis que deixaram ela passa a ter marcas profundas em nosso coração. Para curar estes conflitos interiores, a autora Eliete Gomes, nos convida a deixar que o amor mais valor misericordioso de Deus rescreva a história da nossa vida. O Pai-Nosso Misericordioso Autor: Antonio Clayton Sant'Anna, C.Ss.R.

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DEUS CONOSCO

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01/01/2017/ SANTA MÃE DE DEUS (Nm 6,22-27, Sl 66, Gl 4,4-7, Lc 2,16-21) Era a noite de 23 de junho de 431, na antiga cidade de Éfeso. Durante todo o dia, uma assembleia de bispos estivera reunida para, afinal, chegar a reafirmar que, em Jesus, numa única pessoa, havia a natureza divina e humana. O povo da cidade, que sabia do que tratavam os bispos, festejou alegremente quando eles proclamaram, mais uma vez, o que os fiéis sempre diziam: Maria era mãe de Deus, mãe do Filho de Deus encarnado. É o que repetimos e festejamos alegremente neste primeiro dia do

ano: Maria é a santa mãe de Deus. Ou, como dizia o próprio Lutero, Maria é a bendita, doce mãe de Deus. Isso é o que faz de Maria uma mulher especial entre todas as mulheres. É o que nos diz Lucas (Lc 1,41-42) ao narrar o encontro com Isabel: “Logo que Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou em seu seio, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo, e exclamou em alta voz: −Tu és bendita entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre!” Maria, pobre, pequena e simples, foi amada por Deus de modo especial.

Por graça, ela recebeu dons espirituais, que a faziam única, acima de todas, livre sempre de toda a maldade. Por graça e favor, foi escolhida para ser mãe do Filho de Deus encarnado. O que nenhuma mulher, nem ela, jamais poderia imaginar. Mãe de Deus. E, no entanto, continua pobre, pequena e simples. Colocou-se a serviço de Isabel; era a jovem mãe que os pastores encontraram; a retirante que fugiu para o Egito; a esposa do carpinteiro de Nazaré; a mãe junto do crucificado; uma entre as mu-

lheres da comunidade cristã. Os discípulos de seu filho foram descobrindo sua grandeza especial. Ela, porém, continuou sempre a pequena serva do Senhor, atenta sempre a fazer sua vontade, a serviço dos discípulos. Alegremo-nos com Maria, nossa irmã escolhida para ser a mãe do Filho de Deus, sua primeira e mais amada discípula. Alegremo-nos com Maria, mãe de Deus, a mais unida a ele, que pode orar por nós, que nos ama com todo o amor, que só Deus poderia colocar em seu coração de mulher.

08/01/2017/ EPIFANIA DO SENHOR (Is 60,1-6, Sl 71, Ef 3,2-3a.5-6, Mt 2,1-12) Mateus conta desses homens misteriosos, vindos do oriente muito longe para se ajoelhar diante do Menino Salvador, que nascera. A narrativa mostra-nos que em Jesus manifesta-se a salvação para toda a humanidade. Não apenas aos pobres pastores e às pessoas piedosas do povo de Israel (como nos diz Lucas), mas também aos de outros povos e de outras culturas. Isso é muito importante para nós. Nossos antepassados, pelo menos da maioria de nós, não pertenciam ao

povo de Israel, e, por isso, nós todos estamos entre os que seriam os “gentios”. “Gentios” que não conheciam o Deus verdadeiro, mas corriam aos ídolos, entregues às superstições. Ao ler esse episódio dos estrangeiros que vieram procurar o Salvador, temos de nos alegrar. Jesus veio para salvar a todos, também a nós, e isso por pura bondade. Jesus veio para salvar a todos, não só os católicos, não só os cristãos. Seu poder agia e age no coração de todos os homens e de todas as mulheres, de

todos os povos, de todas as culturas; mesmo no coração daqueles que ainda não o conhecem, mas têm o coração sincero e procuram servir a Deus da melhor maneira que podem. Como diz o Concílio Vaticano II: “Isso vale não só dos cristãos, mas de todos os homens de boa vontade, em cujos corações a graça opera ocultamente. Com efeito, já que por todos morreu Cristo e a vocação última de todos os homens é realmente uma só, a saber, a divina, devemos manter que o Espírito Santo a todos dá

a possibilidade de se associarem a este mistério pascal por um modo só de Deus conhecido”. (Gaudium et spes, 22) O episódio narrado por Mateus ensina-nos que, tendo sido privilegiados, temos uma responsabilidade muito grande. Temos de ajudar todos que procuram conhecer Jesus, principalmente os mais afastados, e os que menos sentem necessidade dele. A festa de hoje, chamada Epifania, isto é, manifestação, lembra-nos de que temos de manifestar diante de todos o poder do amor de Deus.

15/01/2017/ 2º DOMINGO DO TEMPO COMUM (Is 49,3.5-6, Sl 39, 1Cor 1,1-3, Jo 1,29-34) Aos enviados pelas autoridades de Jerusalém João Batista tinha declarado que não era o Messias. No dia seguinte, “ao ver Jesus, que vinha em sua direção, ele disse: – Aí está o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” Para entender essas palavras, vamos lembrar que, no Antigo Testamento, o cordeiro era uma das vítimas oferecidas nos sacrifícios. Era também sacrificado na festa da Páscoa para comemorar a saída da escravidão no Egito. O profeta Isaías compara a um cordeiro

um personagem misterioso, o “Servo de Javé”, que morre pelo povo. João, pois, aponta Jesus como aquele que há de morrer pelo povo, por todos nós, para nos libertar do pecado. Não só para nos libertar de nossos pecados, mas para nos libertar do pecado, do poder do mal, do mal fundamental, que nos escraviza. Essa é uma das maneiras possíveis de falar sobre a nossa libertação do pecado: somos salvos pelo sacrifício de Jesus. Há, porém, outras maneiras

de pensar e de falar sobre nossa libertação. Podemos dizer que somos libertados e salvos do pecado pelo poder divino do Filho de Deus encarnado. O mesmo João Batista fala de Jesus como o “Filho de Deus” (v. 34), sobre quem desceu o “Espírito”, o poder divino, o sopro de vida divino. Ele é o que pode batizar-nos (mergulhar-nos) no Espírito Santo, na vida divina da Trindade. O Filho de Deus, por quem todas as coisas existem (Jo 1,3), fez-se participante de nossa humanidade, veio ficar conosco

(v. 14) e, por seu poder, fazer-nos participantes da vida divina, filhos de Deus (v.12). Transforma-nos interiormente, como que nos cria novamente para um modo mais alto de existir. Torna possível para nós o amor, o cuidado pelos outros, a vida em fraternidade e concórdia. Ele mesmo é nossa vida, e faz que nela cresçamos, e ajuda-nos a nos manter como criaturas novas, filhos e filhas de Deus. Ele é o “Cordeiro” que “tira o pecado do mundo”, para que seja o mundo da verdade e do amor.

22/01/2017/ 3º DOMINGO DO TEMPO COMUM (Is 8,23b-9,3, Sl 26, 1Cor 10-13.17, Mt 4,12-23) “Jesus ia andando pela Galileia inteira, ensinando nas sinagogas, pregando a Boa Nova do Reino e curando toda doença e toda enfermidade entre o povo” (Mt 2,23). Mateus fez questão de dizer que Jesus começou o anúncio do Reino pela Galileia, no meio de um povo desprezado pelos que se consideravam legítimos herdeiros das promessas de Deus. Via que assim se cumpria o anúncio de Isaías, da grande luz que haveria de brilhar para os que viviam nas trevas.

A salvação é sempre uma oferta de vida, não para os que de nada precisam, mas, sim, para quem se sente fraco, perdido e desprotegido. Como Jesus mesmo o diz: “Não são os que estão bem que precisam de médico, mas sim os doentes” (Mt 9,12). Ele veio para o publicano e a samaritana, para os pecadores e as pecadoras. Só podemos ouvir a oferta de salvação se reconhecemos nossa pobre miséria, nossa fraqueza e nosso abandono. Caso contrário, é incompreensível para

nós o convite à conversão, à mudança de nossa maneira de pensar e de agir. Mudança de maneira de pensar e de agir que só podemos fazer com a graça e ajuda de Deus. Só ele nos pode dar a vontade de mudar e a força para o fazer. Quando ouvimos o convite à conversão “Convertei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus”, é sempre urgente nossa decisão, porque esse é nosso momento, nossa hora, o tempo do Senhor, tempo que não é marcado por nós.

Temos de estar atentos, pois o convite de Deus chega a nós de muitas formas, às vezes de maneira muito sutil. Pode ser um acontecimento qualquer, uma palavra de alguém, um sentimento fugaz, uma ligeira vontade de orar, de procurar a Deus. E não podemos esquecer que, às vezes, nós somos os encarregados por Deus de levar a alguém o convite para a conversão e a salvação. Nossa responsabilidade é grande; não podemos faltar à tarefa.

29/01/2017/ 4º DOMINGO DO TEMPO COMUM (Sf 2,3;3,12-13, Sl 145, 1Cor 1,26-31, Mt 5,1-12a) A busca da felicidade é que motiva e orienta toda a vida humana. O que não é de se estranhar, porque fomos criados para a felicidade. Importante, pois, é saber onde está a felicidade e chegar a ela. Simplificando muito, percebemos uma evolução das ideias no Antigo Testamento. Felicidade é servir a Deus e seguir seus caminhos. Quem o faz, é feliz: tem muitos filhos, longa vida, celeiros repletos, grandes rebanhos... Aos poucos, foi ficando claro que nem sempre era essa a recompensa dos

amigos de Deus. Mas eles podiam ser felizes mesmo sem filhos, riquezas, saúde. A felicidade podia estar na fecundidade espiritual, na vida de bondade e de justiça, na paz da consciência, na fraternidade e em tantos bens que não nos podem ser roubados. Jesus anuncia a chegada do Reino de Deus, a ação poderosa do Senhor para nos trazer salvação e felicidade, a realização das promessas. O início do capítulo quinto do Evangelho de Mateus traz a proclamação

da lei definitiva da felicidade. “Vendo a multidão, Jesus subiu à montanha. Sentou-se, e seus discípulos aproximaram-se dele. Começou então a falar e os ensinava assim”: Feliz é quem tem um coração de pobre, e não põe sua felicidade nas riquezas. Feliz é quem tem sua consolação em Deus. Feliz é quem não se deixa levar pela violência. Feliz é quem procura em tudo seguir a vontade de Deus. Feliz é quem se compadece e socorre a todos. Feliz é quem tem o coração livre do pecado. Feliz é quem

promove a paz. Feliz é quem, mesmo sendo perseguido, faz o que é certo. Todos queremos a felicidade, a verdadeira. Esse tem de ser nosso objetivo na vida: a felicidade possível agora, a felicidade completa para sempre. Jesus aponta-nos um caminho, ou melhor, o caminho, o único possível. Não só nessa passagem de Mateus, mas em todo o seu anúncio de salvação. *Textos: Padre Flávio Cavalca de Castro, C.Ss.R.


ESPIRITUALIDADE

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SERVA DO SENHOR

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omeçamos o ano contemplando a participação de Maria no mistério da vinda de Jesus e invocando-a como: Mãe de Deus! Pedimos a sua companhia, ao iniciar mais um ano, pois queremos seu amparo e proteção todos os dias. Filha predileta do Pai, ela é mãe e primeira discípula de Jesus. É a glória e honra da Igreja peregrina como “povo de Deus”. No seu seio virginal, recebemos a maior graça: Jesus. Ele é a bênção! Presente divino inaudito. Naquela humilde virgenzinha de Nazaré, revelou-se a passagem de Deus para nossa experiência histórica. A novidade absoluta consolidou a esperança feliz do homem e da mulher em todas as épocas futuras. Diz o Papa São João Paulo II: “Há dois mil anos que a nossa Igreja é o berço onde Maria depõe Jesus e o confia à adoração e à contemplação de todos os povos”. Quando Maria vivenciou a gravidez, o nascimento de Jesus na gruta de Belém, a visita dos pastores, os presentes dos magos, a fuga apressada para o Egito e tudo o mais, ela continuou sendo a mesma frágil donzela humilde, desprovida de recursos materiais e de posição

Reprodução

Santa Maria, mãe de Deus!

A Virgem e o Menino, do pintor renascentista, Giovanni Bellini

social. Não foi endeusada, admirada e louvada. Teve simplesmente uma vida normal, ignorada no dia a dia pelas pessoas. Mas o evangelista Lucas nos informa sobre a sua fé e entrega confiante em Deus: “Maria guardava e meditava todos os fatos em seu coração” (Lc 2,19). “Mãe de Deus”, o primeiro título que a veneração cristã deu a Nossa Senhora traduz sua participação singular e única nos mistérios de Cristo. Os evangelhos, a Tradição da fé, o ensino oficial, o culto popular prestado a ela atestam que, onde Deus age de modo extraordinário, faz surgir pessoas privilegiadas, a serviço da salvação em Jesus. “Mãe de Deus” foi o

título-alicerce do culto mariano, que se estruturou como fonte de espiritualidade cristã. A piedade marial, vivida de modo legítimo, tornou-se caminho para a reflexão teológica (Mariologia), orientou a catequese e, aos poucos, a prática pastoral na Igreja missionária. Se a fonte da Graça é infinita (o Verbo que se fez carne), o agir da graça em nós pelo Espírito também será infinito. Em Maria, a graça se derramou em plenitude: Ave, cheia de graça! Podemos dizer, em certo sentido, que não há limites para cultuar Nossa Senhora. Ela pode levar-nos sempre mais à frente na peregrinação da fé, na espiritualização da vida. Se ninguém viveu a união de amor a Cristo, mais e melhor que a Santa Maria mãe de Deus e da Igreja, nossa devoção e nosso carinho para com ela e louvor a ela garantem fidelidade no discipulado. Nela Jesus acendeu um facho de luz divino para guiar a História em todos os anos e séculos, rumo ao “novo céu e à nova terra” (Ap 21). Padre Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R.

ACADEMIA MARIAL

A maternidade divina de Nossa Senhora

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m seu mistério profundo, Maria é Mãe de Deus. Como vocacionada do Pai, Maria aceitou livremente ser a mãe de Jesus Cristo, o Filho de Deus, que assumiu nossa natureza humana. “Mãe de Deus” aparece na oração da Ave-Maria, na Salve-Rainha e na Ladainha de Nossa Senhora. A maternidade divina de Maria constitui o seu título mais importante. Esse privilégio não só interessa a ela, mas a toda a humanidade. “Deus quer ser homem, isto é, deseja autocomunicar-se a um diferente de si mesmo. Maria é o meio escolhido por Deus para a encarnação de seu Filho. Os caminhos de Deus e da humanidade cruzam-se com ela. O que valoriza a participação de Maria é sua liberdade: livremente dá a Deus o seu ‘sim’. Não se pode aceitar um Deus encarnado sem aceitar Maria, que lhe deu a carne humana” (Dom Murilo Krieger). A maternidade divina de Maria é o mais antigo dogma mariano, que foi proclamado oficialmente pela Igreja. Surgiu

como reação às pregações de Nestório (380-451), patriarca de Constantinopla. De início, pastor zeloso, o patriarca incorreu na heresia que desviava a verdadeira concepção do mistério da encarnação. Nestório afirmava duas naturezas de Cristo muito unidas, mas constituindo duas pessoas. Por isso, manifestava que Maria era a Mãe do homem Jesus, mas não a Mãe de Deus. Consequentemente, Deus tinha habitado em um homem, mas não se tinha feito homem. Não existiu verdadeira encarnação. Com isso, a própria redenção do homem caiu por terra. Essa heresia nestoriana causou grave escândalo no meio do povo e do clero, provocando divisões e paixões dentro da Igreja. O nestorianismo foi combatido por São Cirilo, patriarca da Alexandria, que buscou recuperar a fé ortodoxa. Em 430, o Sínodo de Roma condenou as ideias de Nestório. Desqualificando o nestorianismo, o Concílio de Éfeso definiu explicitamente que Maria é Mãe de Deus (“Theoto-

kos”), aos 22 de junho de 431. Classificou o nestorianismo como heresia e depôs Nestório de sua sede patriarcal. O povo acolheu com alegria e grande festa os resultados do Concílio. O objetivo do Concílio de Éfeso era afirmar a unidade da pessoa de Cristo. Maria é Mãe de Jesus Cristo, o Filho de Deus, que se encarnou. Toda Mãe é Mãe de uma pessoa. Qual a pessoa que nasceu de Maria? A pessoa que nasceu de Maria é a segunda pessoa da Santíssima Trindade, que dela assumiu a carne humana. Maria não é, porém, a mãe apenas de carne humana, mas de toda a realidade do seu Filho, que tinha uma só Pessoa. Daí dizer que Maria é Mãe de Deus, não enquanto Deus, mas enquanto Deus feito homem. Portanto, “Theotókos” significa, teologicamente, não genitora da divindade, mas geradora do Verbo encarnado. Padre Eugênio Antônio Bisinoto, C.Ss.R.


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FORMAÇÃO CRISTÃ

Jornal Santuário • Janeiro de 2017

PORQUE SIM NÃO É RESPOSTA!

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lá Eulália Batista Marques (Queimados – RJ), tudo bem? Vejo que essa pergunta é muito pertinente, e sempre aparece nas dúvidas que temos sobre nossa religião. Já tratei do assunto no livro Porque Sim Não é Resposta, publicado pela Editora Santuário, e que deu origem a esta coluna. Retomo o que disse por lá, completando um pouco as informações. A confissão é o nome popular do sacramento da Penitência e Reconciliação. O nome confissão entrou no nosso dia a dia porque, durante muito tempo, as pessoas foram orientadas a chegar diante do padre e acusar seus erros e pecados. Confessionário era quase um tribunal de culpas e, talvez por isso, muitas pessoas ainda hoje têm medo de participar deste sacramento. Mas é bom saber que a reconciliação é um momento de profunda graça de Deus. No confessionário, o padre é muito mais um médico de almas do que um juiz acusador de pecados. Infelizmente, na maioria das vezes, os grandes

Santuário Nacional

A confissão comunitária vale como a individual?

Capela das Confissões no Santuário Nacional

vilões do sacramento da reconciliação são os próprios padres, que não têm tempo ou paciência para atender seus fiéis ou, muitas vezes, são até rudes! Infelicidades a parte, a Igreja hoje ensina que existem dois modos de confissão: aquela feita em particular, chamada auricular, porque é feita ao pé do ouvido, e a confissão comunitária, feita sempre num rito próprio,

sempre em comunidade. Ambas têm validade e são corretas. O que não podemos é, por medo e vergonha de aproximar do padre, fazer somente confissões comunitárias. A confissão comunitária precisa ser feita diante de algumas regras e sempre com a autorização do bispo local. Geralmente, a razão para as confissões comunitárias é a dificuldade do padre

em atender todos os paroquianos. A Igreja também pede que ao menos uma vez ao ano façamos uma confissão particular com o padre. É dever cristão, pois colabora com nosso crescimento espiritual e comunitário. Outra coisa: sempre que fazemos algo errado, fazemos algo que prejudica alguém. Por isso a Igreja pede a confissão para com o líder da comunidade. Não adianta dizer: “eu me confesso diretamente com Deus”. O valor do sacramento é restaurar os laços humanos da comunidade. Por isso, é para alguém da comunidade que a gente recorre. Deus perdoa, mas quer que sejamos honestos com as pessoas que estão ao nosso lado. Um abraço e fique com Deus.

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EDIÇÃO 5797 - JANEIRO/2017