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.: VIVER

.: “SE LIGA AÍ”

Saiba como é o trabalho

Aplicativos para tablets e

da fisioterapia oncológica,

smartphones possibilitam

que oferece sobrevida aos

acompanhar o trajeto da

pacientes que passam

Cruz e do Ícone da Jornada

pelo tratamento de câncer

Mundial da Juventude

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.: DIALOGANDO E ESCLARECENDO “Onde está escrito na Bíblia que a verdadeira religião é a Católica Apostólica Romana?”. Padre Cido responde

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J O R N A L

ANO 111 • Nº 5.576 • 22 DE JANEIRO DE 2012

D E

A PA R E C I D A

CATÓLICOS NO

BRASIL Os números do Anuário Católico do Brasil 2012 Rafael Felix

revelam: a face da Igreja no país está sorridente como há tempos não se via. O número de paróquias, padres, diáconos e circunscrições religiosas só aumenta, em comparação com os anos 1990. Isso significa a possibilidade de um atendimento pastoral mais adequado às imensas exigências do país. Mas, então, por que o percentual da população que se considera católica diminuiu nesse mesmo período? Uma possibilidade é que os católicos só de “título” tenham abandonado seu posto, mas isso não deve ocupar a preocupação central da Igreja. O que importa é ter fiéis comprometidos e levar o Evangelho de modo convincente e testemunhado com a vida. Confira os resultados do Anuário e saiba o que eles retratam sobre a vida da Igreja no Brasil.

ATUALIDADES A formação dos futuros presbíteros foi o tema central da Assembleia Nacional da Osib

O Seminário Nacional de Liturgia terá como foco central a Constituição Sacrosanctum Concilium. Saiba mais

Divulgação

mundialistas.com.br

Brasil torna-se a 6ª maior economia mundial, passando a Inglaterra, mas ainda enfrenta problema da má distribuição de renda

“OPINIÃO / DEBATE”

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Divulgação

POTÊNCIA

6e7

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DA REDAÇÃO

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 22 DE JANEIRO DE 2012

.: Editorial Católicos de verdade Números não têm coração, mas possuem o poder de expressar a força (ou fraqueza) de determinado grupo ou realidade social. A julgar pelos dados revelados pelo Anuário Católico do Brasil 2012, o coração da Igreja no país pulsa com força invejável. Essa afirmação parece estar totalmente deslocada da avalanche de informações que apregoam aos quatro ventos o fim da religião e da Igreja, ou que o homem contemporâneo não tem mais interesse por aquilo que é do alto. Vã ilusão. O transcendente nunca sairá de dentro do homem, porque é somente ali que ele encontra o terreno vital para tecer as tramas da existência e viver a incrível aventura de ser gente. Na reportagem especial das páginas centrais, você confere os resultados do Censo Anual da Igreja Católica (CaicBr) e sabe o porquê de as comunidades eclesiais no país estarem construindo um futuro de esperança. Nesta edição, você também sabe mais detalhes sobre o Seminário Nacional de Liturgia, que terá como foco a Constituição Sacrosanctum Concilium (página 3). O repórter Eduardo Gois apresenta a Fisioterapia Oncológica, que cuida e dá sobrevida aos pacientes que passam pelo tratamento de câncer (página 4). A 17ª Assembleia Nacional da Organização dos Seminários e Institutos Filosófico-Teológicos do Brasil (Osib) também ganha destaque (página 5). Enfim, entenda mais sobre o crescimento econômico do nosso país (página 9) e interaja com aplicativos que torna a Jornada Mundial da Juventude 2013 uma realidade desde agora (página 10). Boa leitura!

.: ESPAÇO DO LEITOR NOTA DE FALECIMENTO

Bodas de ouro

Comunicamos o falecimento da Irmã Ana Maria Silva – Mensageira do Amor Divino. Ela tinha 55 anos e fazia parte da Congregação desde 1984. Dedicou sua vida consagrada nas comunidades da congregação com muito empenho e responsabilidade. Trabalhou nos últimos anos nas Missões Populares Redentoristas.

O casal Hilda Tonholi Fogaça e José Fogaça de Paula, de Sorocaba (SP), completa no próximo dia 25 de janeiro 50 anos de união matrimonial. Dona Hilda é assinante do Jornal Santuário há mais de 50 anos. A equipe do JS deseja ao casal muitas felicidades pelas “Bodas de ouro”.

* 17/03/1956 + 11/01/2012

.: Expediente O Jornal Santuário de Aparecida é uma publicação semanal dos Missionários Redentoristas ISSN - 1980-3192

facebook.com/jornalsantuario twitter.com/santuariojornal Jornal SANTUÁRIO DE APARECIDA Rua Pe. Claro Monteiro, 342 – Centro Aparecida (SP) – Cx. Postal 4 – 12.570-000

DIRETOR-GERAL: Pe. Marcelo Conceição Araújo, C.Ss.R. CONSELHO EDITORIAL: Pe. Jorge P. S. Sampaio, C.Ss.R. Pe. José Uilson Inácio Soares Júnior, C.Ss.R. JORNALISTA RESPONSÁVEL: Leonardo Meira - MTB 14261/RS

www.jornalsantuario.wordpress.com jornalsantuario@ editorasantuario.com.br

Redação (12) 3104.2019 Assinaturas (12) 3104.2040 0800 16 00 04

REDAÇÃO: Deniele Simões - MTB 26435/SP Paulo Eduardo Gois - MTB 57928/SP REVISÃO: Equipe de Revisão Editora Santuário DIAGRAMAÇÃO: Junior Santos Rafael Felix Simone Godoy Assinatura anual: R$ 81,00 (parcelados em até 3x) Semestral: R$ 50,00 (parcelados em até 2x) Nº avulso: R$ 2,00


OPINIÃO / DEBATE

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 22 DE JANEIRO DE 2012

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LITURGIA | CONSTITUIÇÃO DO CONCÍLIO VATICANO II COMPLETARÁ 50 ANOS

Seminário Nacional reflete sobre Sacrosanctum Concilium

Leonardo Meira leonardo.jornal@editorasantuario.com.br

A Constituição Sacrosanctum Concilium é o foco central do Seminário Nacional de Liturgia. O evento acontece de 31 de janeiro a 4 de fevereiro em Indaiatuba (SP) e é promovido pela Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e pela Associação dos Liturgistas do Brasil (Asli). O documento do Concílio Vaticano II aborda a liturgia na vida da Igreja. O Seminário propõe uma releitura da Constituição no contexto do Concílio e nos Documentos latino-americanos – frutos das Conferências Gerais do Episcopado da região. “A reforma litúrgica determinada pela Carta Magna da Liturgia como nova etapa do Movimento Litúrgico somente poderá ser executada se compreendida, estudada e assumida por todos. Queremos reforçar a opção feita pelo Concílio Vaticano II por uma liturgia – caminho espiritual que alimenta a vida cristã – para que as nossas celebrações sejam, cada vez mais, ação da Igreja”, indica a justificativa do Seminário. A dinâmica do encontro será constituída por uma conferência geral e minisseminários com temas pré-escolhidos pelo participante no ato da inscrição. Cada participante também poderá contribuir com um texto referente a um dos temas dos minisseminários de que escolher participar. O conferencista principal será o professor de teologia sacramental na Pontifícia Faculdade Teológica da Universidade de Santo Anselmo, em Roma, Andrea Grillo. Em entrevista exclusiva ao JS, o assessor da Comissão para a Liturgia da CNBB, padre Hernaldo Pinto Farias, fala sobre o Seminário, o documento e o trabalho da comissão. Jornal Santuário de Aparecida – A Sacrosanctum Concilium, primeiro documento promulgado pelo Concílio Vaticano II, está prestes a completar 50 anos. Qual é o papel que ocupa esse documento no contexto de renovação proposto pelo Vaticano II? Padre Hernaldo Pinto Farias – Esse documento é muito importante no campo da liturgia da Igreja, mas, ao mesmo tempo, ajuda a Igreja a compreender a si mesma a partir da liturgia. Tanto que o próprio documento é uma referência para todos os outros do Concílio Vaticano II e teve uma boa repercussão na América Latina.

JS – Qual é a principal contribuição que os documentos latino-americanos trazem para a construção de uma liturgia que esteja em sintonia com a realidade da região? E de que forma podem colaborar para a melhor compreensão da própria Sacrosanctum Concilium? Padre Hernaldo – Sobretudo os de Medellín e Puebla [duas cidades-sede de Conferências Gerais do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, em 1968 e 1979, respectivamente] são dois dos documentos do episcopado latino-americano que beberam muito da Sacrosanctum Concilium e que nos ajudaram a compreender uma liturgia para o povo e a partir do povo. Uma liturgia que fosse, de fato, o rosto do nosso povo; ou seja, uma liturgia mais inculturada. Mas, sobretudo, uma liturgia que pudesse falar a linguagem do povo, para que este pudesse participar de fato da liturgia. Portanto, o princípio maior da Sacrosanctum Concilium – “participação ativa, consciente e frutuosa de todo o povo de Deus na ação ritual” – é absorvido por esses documentos latino-americanos, que conseguem traduzi-lo em normas para a vida litúrgica na América Latina. JS – Quando se fala em “inculturação”, “linguagem do povo” e outros termos correlatos, há alguns setores na Igreja que entendem que houve uma simplificação muito acentuada da própria liturgia. Quais são as pistas que a Sacrosanctum Concilium oferece para encontrar um equilíbrio? Padre Hernaldo – Além desse princípio maior de participação ativa, há a questão da ação da Igreja, de todo o povo de Deus e de Deus na Igreja, e da Igreja em Deus. Assim, devolve-se ao povo a sua condição maior de celebrante da liturgia. O povo é entendido, pela Sacrosanctum Concilium e demais documentos latino-americanos, não como mero espectador mudo, mas sim como um conjunto de pessoas que participam da ação ritual; por isso, celebrante. Daí, então, o aspecto do povo como sujeito da liturgia. JS – A Sacrosanctum Concilium convocou uma reforma litúrgica em nível de Igreja universal. Ainda há muito a se caminhar para concretizar de fato essa reforma? O que falta? Padre Hernaldo – O Concílio, como um todo, ainda não foi posto em prática totalmente. Por isso nos falta muito: uma maior consciência do que é a liturgia, por parte de toda a Igreja; uma melhor distribuição ministerial dentro da Igreja, para que, de fato, cada um assuma aquilo e somente aquilo que lhe compete e, assim, desenvolva na liturgia o ministério que lhe é próprio.

Padre Hernaldo acredita que os documentos latino-americanos, em sintonia com a Sacrosanctum Concilium, ajudaram a construir liturgia que fosse “o rosto do nosso povo”

Ou seja, a liturgia que possa ser vivida pela Igreja em sua totalidade, integralidade, o seu todo. Ainda nos falta muito. Às vezes, ainda está arraigada na cabeça das pessoas uma liturgia muito “do padre”, faltando ainda a consciência de que a liturgia é da Igreja e não pertence ao padre como tal. Da mesma forma, faltam celebrações mais bem preparadas por equipes treinadas para isso, bem como uma pastoral litúrgica – em nível paroquial, diocesano, regional e até mesmo nacional – mais bem estruturada, para que a liturgia atinja a todos. Enfim, ainda nos falta muito. JS – A finalidade da reforma é a “participação ativa, consciente e frutuosa de todo o povo de Deus na ação ritual”. De que forma a Comissão para a Liturgia da CNBB busca colaborar com as comunidades de todo o Brasil para efetivar essa reforma litúrgica? Padre Hernaldo – A finalidade da Comissão é subsidiar os regionais e as dioceses no que diz respeito à liturgia, seja na disponibilização da tradução dos documentos provindos da Santa Sé, seja na tradução e adaptação dos rituais para o Brasil, seja também na produção de documentos com material de reflexão para toda a Igreja no país. Nesse sentido, temos vários trabalhos que ajudam a Igreja. Podemos citar os roteiros homiléticos, que têm boa aceitação; o Documento 43 da CNBB – Animação da Vida Litúrgica no Brasil –, que ajuda muito a caminhar nesse sentido; há também outros documentos da CNBB, como Orientações para a Celebração da Palavra de Deus (n. 52) e os sobre diversos sacramentos e sacramentais, que são materiais para a reflexão da Igreja no Brasil. Até mesmo publicamos outros documentos com uma linguagem popular para ajudar as comunidades e os agentes a melhor preparar e viver a liturgia.

JS – Como se espera que esse conteúdo a ser debatido no Seminário possa chegar às bases e tenha reflexo na vida das comunidades eclesiais de todo o país? Padre Hernaldo – Em 2011, investimos na preparação de material para publicação. A partir deste ano, esse material já deve começar a ser divulgado. O próprio Seminário produzirá toda uma gama de material de reflexão, de artigos – tanto do assessor principal quanto dos demais, bem como dos participantes, que levarão material de produção própria. Tudo isso será publicado, e, com a publicação desse material e daquele que preparamos, de traduções e outros, vamos elaborar um roteiro de encontros e debates com os regionais da CNBB. Serão esses que, depois, farão com que isso seja repassado a todas as dioceses do Brasil. Assim, as dioceses também terão o seu papel, que será o de repassar o material para cada um dos seus agentes de pastoral litúrgica. JS – Quais são os temas desse material? Padre Hernaldo – Um exemplo é o texto da Sacrosanctum Concilium em versão popular, que foi publicado na celebração dos 40 anos do documento e será agora reeditado, após uma revisão. O objetivo é que essa Constituição possa atingir a todos, até mesmo àquelas pessoas mais simples. Por isso, a linguagem é bem popular, para que todos possam conhecer esse importante documento do Concílio Vaticano II. Há também outras obras que são frutos de tradução, focando especialmente a reforma litúrgica da Igreja.

Leia os documentos citados na matéria no blog do JS. Acesse:

http://bit.ly/entrevista_seminarioliturgia2012


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VIVER

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 22 DE JANEIRO DE 2012

ESPECIALIDADE | GARANTIA DE SOBREVIDA E CUIDADO A PACIENTES QUE TRATAM CÂNCER

Eduardo Gois eduardo.jornal@editorasantuario.com.br De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a Fisioterapia em Oncologia se transformou, nos últimos anos, uma especialidade em crescimento constante em virtude de sua importância para os mais variados tratamentos de câncer, diminuindo sequelas provenientes do tratamento clínico e cirúrgico. O propósito é manter, desenvolver e restaurar a integridade funcional dos órgãos e sistemas dos pacientes, diminuindo as morbidades induzidas pelo tratamento. Segundo a doutora em ciências médicas Mirella Dias, a Fisioterapia Oncológica busca manter a integridade e capacidade do indivíduo frente a todo o seu

processo saúde-doença relacionado à Oncologia. “Atualmente os tratamentos para o câncer vêm tornando-se cada vez mais promissores e oferecem uma maior sobrevida aos pacientes; no entanto, algumas sequelas podem surgir e necessitam de atenção especial no que diz respeito aos aspectos físico-funcionais, e o profissional deve ter sempre como maior objetivo oferecer qualidade de vida a seu paciente.” De acordo com Mirella, o paciente oncológico poderá beneficiar-se da Fisioterapia em todas as fases do seu tratamento, desde antes de uma intervenção cirúrgica até o pós-operatório. Sobre as sequelas, ela explica que são esperadas, apesar da evolução dos tratamentos propostos; no entanto, com uma assistência fisioterápica

precoce estas podem ser amenizadas, prevenidas e tratadas, e desta forma o paciente mantém sua funcionalidade, suas interações sociais e indepêndencia, tem o controle da dor, se houver, e em consequência uma boa qualidade de vida. “Todos os pacientes oncológicos podem realizar a Fisioterapia, mesmo aqueles que se encontram em cuidados paliativos, pois mesmo nesta fase o fisioterapeuta poderá auxiliar no controle da dor oncológica e na paliação de outros sintomas.” Para ter atendimento fisioterápico oncológico é necessário que o paciente seja atendido por um profissional especializado em Fisioterapia Oncológica, este pode ser encontrado em hospitais públicos ou particulares direcionados à Oncologia e em clínicas/ consultórios especializados.

Arquivo Pessoal

Fisioterapia Oncológica

Dra. Mirella Dias é professora da Faculdade Inspirar

Roteiro: Equipe JS – Desenhos: Junior Santos


SACERDÓCIO

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 22 DE JANEIRO DE 2012

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OSIB | ASSEMBLEIA NACIONAL DA ENTIDADE ABORDA ITINERÁRIO FORMATIVO

Leonardo Meira leonardo.jornal@editorasantuario.com.br

Presidente da Osib, padre Paulo Dal’Bó, e secretário-geral da CNBB, Novas tecnologias Dom Leonardo Steiner, falam sobre formação presbiteral com participantes da Assembleia O uso das novas tecnologias emerge como um critérios sobre o que é positivo para o ponto fundamental de trabalho na formapara o mundo e estar em sintonia com processo formativo e sobre o que ele deve ção nos seminários. Ao mesmo tempo em grandes ideais, parece cada vez mais saber descartar. que são parceiras e auxiliares, também difícil aos jovens olhar para a vocapodem representar grande entrave para ção de consagrado como algo factível, Trabalho vocacional o processo formativo, caso não sejam possível de se realizar na própria vida, A Igreja no Brasil já realizou três bem utilizadas. especialmente devido ao âmbito da congressos vocacionais, trabalhando com “Os jovens são frutos de uma sociesexualidade. “Os jovens têm sensibilia dimensão de que toda a pastoral é dade sexualizada e, quando chegam ao dade para a grandeza, a solidariedade, vocacional e com o acompanhamento seminário, trazem consigo essa marca. a generosidade. Talvez o que nos falta especial das vocações específicas, de A questão é: como trabalhar para que é sermos mais testemunhas desse Evanmodo especial as sacerdotais e religiosas. eles vivam a experiência de Jesus como gelho, da ação benéfica e amorosa de Nessa perspectiva, incentiva-se a criação opção livre, sem se criar na sua vida um Deus, para que os jovens se encantem. da Pastoral Vocacional nas paróquias, de trauma por essa opção? Isso porque ele Quando alguém é encantado, não tem tal modo que seja despertado no coração terá de abrir mão daquilo que a sociemedo de se dar. Quando alguém é tocado jovem o desejo do seguimento a Jesus dade oferece nesse campo, mas sempre do pelo amor, não tem medo de amar. não apenas como leigo atuante na comuse destacando que é por uma demanda Quem é tocado pelo amor, ama. Aqui nidade, mas também com a possibilidade maior, pelo seguimento a Jesus Cristo”, está a grande possibilidade de sermos da vida consagrada. acrescenta padre Paulo. novamente, como Igreja, o anúncio que Uma grande investida é na criativiO presidente da Osib salienta que a foi o próprio Jesus, que encantou os dade, com a criação de concursos de maioria dos seminários no Brasil possui discípulos, os apóstolos e tanta gente”, músicas, cartazes e maior presença oninternet. O uso da rede é pautado pelo aponta Dom Leonardo. -line, por exemplo. “O mundo oferece discernimento, sempre com o direciotantas dinâmicas e possibilidades que a namento de algum acompanhador, no Igreja ficou um pouco para trás. Precisentido de criar na cabeça do jovem os samos aproveitar o avanço da sociedade Confira as Diretrizes e as entrevistas na íntegra para implementar e enriquecer o nosso trabalho vocacional de base”, acredita padre Paulo. Acesse Além disso, apesar de a vida consahttp://bit.ly/17AssembleiaOsib grada representar um divisor de águas Divulgação

A 17ª Assembleia Nacional da Organização dos Seminários e Institutos Filosófico-Teológicos do Brasil (Osib) aconteceu no Seminário Santo Afonso, em Aparecida (SP), entre os dias 16 e 21 de janeiro. O tema central foi “Luzes e Esperanças no processo formativo da Igreja no Brasil”. O evento contou com uma apresentação oficial das novas Diretrizes para a Formação Presbiteral da Igreja no Brasil e também com a eleição da nova presidência da Organização. “O foco central do texto é o de oferecer um acompanhamento que atenda às cinco dimensões do processo formativo – humano-afetiva, comunitária, espiritual, pastoral-missionária e intelectual – e dê a possibilidade de os formandos, futuros presbíteros, tornarem-se homens de fé, de oração, seguindo o exemplo do Cristo Bom Pastor”, salienta o até então presidente da Osib, padre Paulo Bosi Dal’Bó. Nesse sentido, o surgimento de correntes de secularização – a dimensão transcendente é apagada da sociedade – e relativismo – cada um decide o que é o correto, sem verdades absolutas – apresenta-se como desafio para a formação. As mudanças sociais ocorrem em vários campos, desde o âmbito familiar até o político, por exemplo. Como a identidade do “ser presbítero” não está desvinculada dessas realidades, corre também o risco de ficar um pouco à deriva em meio a tantas mudanças. O Cristo Bom Pastor será sempre o ideal para o padre do século XXI e de todos os tempos, principalmente aqueles mais decisivos, de conflitos e maior ausência de Deus. “Aquele que está próximo às pessoas é acolhedor, serviçal, conhece as ovelhas pelo nome, tem os olhos e o coração abertos para todos os

pequenos. À medida que forem imitadores, seguidores, discípulos-missionários de Jesus Bom Pastor, nossos padres saberão ouvir o coração do povo, acolher as pessoas, perceber nelas a presença das sementes do Verbo, por onde passa a ação do Espírito, e ser razão de esperança para o povo, porque são revestidos e transfigurados em Jesus, um verdadeiro sinal da presença amorosa de Deus”, destaca o secretário-geral da CNBB e Bispo Auxiliar de Brasília, Dom Leonardo Steiner, também presente na Assembleia.

Leonardo Meira / JS

Formação de padres do Brasil é debatida

A Osib “busca prestar serviços às instituições de formação presbiteral, mediante a cooperação mútua e o intercâmbio no respeito à autonomia de cada uma delas, sob a orientação da CNBB, para melhor desempenho de suas tarefas, segundo as diretrizes do Concílio Vaticano II, da Santa Sé e do Episcopado, e segundo as exigências específicas da realidade brasileira”, indica o Estatuto da Organização. A Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB é quem acompanha a Osib, que tem sede em Brasília. A nova equipe diretora da Osib é a seguinte: Presidente – padre Paulo Batista Borges Vice-presidente – padre Domingos Barbosa Filho Secretário – padre Juarês Martins Tesoureiro – padre Mario Agustin Pedrozo Olzar Publicações – padre Leandro de Souza Câmara


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CENSO

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 22 DE JANEIRO DE 2012

ANUÁRIO CATÓLICO | PUBLICAÇÃO TRAÇA PERFIL DA COMUNIDADE ECLESIAL NO PAÍS

O rosto da Igreja no Brasil do Vaticano. A resposta ao CaicBr automaticamente carregará, também, as informações solicitadas pelo Vaticano. Depois, bastará baixar o módulo específico e completar os dados faltantes para a pesquisa de Roma, evitando o retrabalho”, destaca.

A última edição do Anuário havia sido publicada em 2009 e, entre 2004 e 2008, o Ceris não realizou o censo, devido a processos de reestruturação interna. O Anuário é de grande importância para as ações pastorais, evangelizadoras e administrativas no âmbito nacional. Sem ele, a Igreja não consegue articular-se nacionalmente.

“No período em que ocorreu um hiato em sua realização, os prejuízos causados pela paralisação se tornaram irrecuperáveis no curto prazo. Décadas de história e experiências acumuladas foram simplesmente perdidas. Será preciso muito esforço de toda a Igreja para recompor o CaicBr. Mas, hoje, recuperamos as rédeas dos processos e, junto com a CNBB e com a CRB, vislumbramos um futuro promissor para as pesquisas na Igreja do Brasil”, salienta Fábio. O Anuário impresso voltou a trazer as Circunscrições ordenadas pelo alfabeto, além de elencar o clero, as irmãs e os irmãos em um único caderno. Quando um padre é procurado, por exemplo, identifica-se em seu nome em qual Circunscrição Eclesiástica ele reside, bem como se encontra sua casa ou sua paróquia com facilidade. O sistema antigo utilizado pelo Ceris era pouco dotado de inteligência artificial, abrindo grande margem ao erro humano. Agora, há dezenas de

implantações feitas em processos de TI com inteligência artificial que permitirão que os métodos de pesquisa nos próximos censos minimizem significativamente os erros e ampliem as bases de dados. Um dos principais benefícios dessa melhoria é um portal de buscas na internet chamado guiacatolico.com. Ele proporciona ao usuário encontrar uma célula da Igreja em qualquer região do Brasil e, com a ajuda da inteligência artificial, comparar os dados encontrados com várias possibilidades de interpretação para que se encontre, de fato, o que se procura. “Esse portal permitirá, ainda, uma atualização constante dos dados e, também, a interatividade entre os cadastrados e os usuários. Uma paróquia, por exemplo, poderá interagir com todas as demais de sua circunscrição, assim como o clero local. Na prática, podemos afirmar que toda a Igreja Católica estará na web, pois mesmo que um padre

O Censo O Anuário é resultado do CaicBr, promovido pelo Ceris. O processo de pesquisas na Igreja do Brasil data de 1955, antes mesmo da criação do Ceris, que ocorreu em 1962. O método até então utilizado no CaicBr é o mesmo desde 1985, quando o Censo passou pela última reforma. Agora, a fase é de profunda reestruturação, tanto em aspectos metodológicos de pesquisa quanto na base de dados. A mudança principal é que as Circunscrições Eclesiásticas e os Institutos Religiosos têm a obrigação de atualizar, confirmar e validar os dados apresentados pelo Ceris, e não mais serem os responsáveis por catalogar e enviar as informações. A mudança ainda não foi implantada no último Censo, mas testes já foram realizados para garantir sua eficácia quando for implantada em grande escala. “O novo método do Censo permitirá, ainda, que cada célula da Igreja possa interagir com o Ceris e propor atualização de seus próprios dados,

cabendo aos responsáveis a validação dos dados. O novo método passará a ser implantado já em março deste ano, quando se inicia o próximo Censo. Seu principal benefício será a atualização constante e permanente de toda a presença da Igreja no Brasil e, também, a ampliação da base de dados. Ainda há muitos setores da Igreja que não são contemplados pelo Censo, como as novas comunidades e as CEB’s, além das mais de 200 mil capelas distribuídas em quase 11 mil paróquias. O novo método também proporcionará que, em um futuro próximo, os leigos engajados em pastorais possam ser monitorados e acompanhados pelo Censo”, esclarece Fábio. Alguns dos principais desafios para o novo método são as questões culturais e também estruturais. O diretor-geral do CaicBr destaca que a colaboração das (Arqui-) dioceses é mais fluente do que a das sedes de governos dos institutos religiosos. Apesar disso, todos colaboraram de maneira satisfatória para garantir a mudança para o novo processo. “Será preciso dez anos para reconstruir todo o processo, porque as estruturas da Igreja são mais complexas e emblemáticas do que as de qualquer outro setor da sociedade. O sucesso dessa empreitada depende de três atitudes básicas de todos os envolvidos: constância, envolvimento e determinação”, aponta Fábio.

ou uma paróquia não se utilize da ferramenta, quem procurar por eles os encontrará com base nos dados oficiais do Censo”, aponta Fábio.

Rafael Felix

Todas as peças que formam o complexo mosaico católico brasileiro podem ser encontradas no mesmo lugar. Dados, estatísticas, números, contatos, listas e análises estão reunidos no Anuário Católico do Brasil 2012. A obra é fruto de uma parceria entre o Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB). O perfil da Igreja Católica no século XXI é marcado por um salto na quantidade de padres e diáconos e também pelo aumento no número de paróquias e circunscrições eclesiásticas. A relação mais equilibrada do número de habitantes por presbítero faz acreditar em um atendimento pastoral mais adequado nas comunidades eclesiais (confira os dados na íntegra na página 7). “Almejamos devolver à Igreja a capacidade de realizar suas pesquisas, principalmente o CaicBr, que será a base de um grande projeto de informatização dos dados da Igreja. Essa informatização, estruturada no Censo Anual da Igreja Católica no Brasil (CaicBr), proporcionará uma grande rede de comunicação entre todas as células da Igreja, favorecendo e potencializando as ações pastorais e evangelizadoras. E tudo isso sem custos exorbitantes ou megaestruturas”, explica o diretor-geral do CaicBr, Fábio Castro.

O Anuário apresenta-se como o principal instrumento de identificação, registro e estatística da Igreja Católica no país, bem como referência no exterior. Apesar de as Circunscrições Eclesiásticas e as sedes dos institutos religiosos manterem seus próprios cadastros, nenhum é tão abrangente e com dimensões nacionais como o CaicBr. O trabalho que vem pela frente é árduo. Há muitas células católicas a serem cadastradas ou mais bem enquadradas dentro da hierarquia canônica. Também é preciso definir e melhor segmentar a Igreja no Brasil, como a educação católica, por exemplo. Além disso, as relações com órgãos internacionais de fomento e ajuda à Igreja Católica no Brasil são diretamente afetadas pelo Censo, já que muitas dessas organizações se valem desse para identificar se, de fato, quem pede ajuda é católico romano. Enfim, o CaicBr também é fonte de dados para governos e entidades em geral, como o IBGE. E qual é o “diferencial” de o Brasil contar com um estudo como esse? Segundo o diretor-geral do Censo, só na América Latina o modelo do Ceris serviu de base para quase todos os países. “O que o novo processo e, principalmente, as novas ferramentas trarão para a Igreja no Brasil ainda não foi visto em nenhum outro país. Para se ter um ideia, o novo Censo será integrado com a pesquisa realizada anualmente pelo Vaticano para o Anuário Pontifício, mas com um tempo real muito superior ao Censo

Leonardo Meira leonardo.jornal@editorasantuario.com.br


JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 22 DE JANEIRO DE 2012

processo de evangelização e muito mais pessoas são atingidas. Assim, a proposta de uma Igreja missionária, que já vem sendo colocada em prática nas paróquias, é a concretização de um futuro de esperança”, acredita padre José Carlos. Isso tudo demonstra o maior empenho missionário da Igreja em diversas frentes, dentre elas o investimento na evangelização, com novo ardor missionário, através dos meios de comunicação, das visitas missionárias e da formação de agentes de pastoral leigos, que assumem o propósito de serem discípulos-missionários. A questão da evolução do número de paróquias em todos os regionais da CNBB, principalmente os de regiões mais populosas, é o indicativo mais claro da presença atuante da religião católica, indica o doutor em Ciências Sociais. “O quadro geral mostra uma vitalidade da religião católica, através de um borbulhar de novas modalidades ou formas de viver a fé católica. Isso indica um retorno ao catolicismo dos afastados, mas também uma identificação maior daqueles que já praticavam a religião, mas não se sentiam muito firmes. Sendo assim, por mais que se diga que houve aumento no número dos que se dizem sem religião, ou que cresceram o interesse e as adesões a novos grupos religiosos e igrejas, a Igreja Católica revelase ainda mais estruturada e em franca expansão, com seus empreendimentos missionários. O quadro da evolução do número de paróquias mostra que o catolicismo está aí, vivo e vicejante.” Por sua vez, o aumento no número de sacerdotes pode ser explicado

por várias circunstâncias, dentre elas a abertura da Igreja e sua expansão missionária; o trabalho vocacional mais incisivo; e, por fim, uma hipótese estritamente social: a crise econômica, uma vez que as regiões mais pobres do Brasil são as que têm um maior número de pessoas que buscam os seminários. Um dos principais problemas é a má distribuição do contingente de padre, que está concentrado em duas regiões: sudeste (45%) e sul (25%). A presença nas regiões nordeste (16%) e centro-oeste (9%) é relativamente pequena. Já a região norte é a que mais sente a ausência do clero, com apenas 3% do seu total. “Diante desse quadro, urge reestruturar a ação missionária, com campanhas de redistribuição do clero. Esse é um dos desafios da atualidade da Igreja na demanda com outras denominações religiosas pelo território de evangelização. Não são muitos os que querem deixar a comodidade das regiões desenvolvidas para se arriscar na incerteza da Amazônia”, explica padre José Carlos. Apesar da evolução significativa, ainda há certa defasagem em relação ao quadro da evolução do número de presbíteros por habitantes. O percentual seria bom se não fosse à má distribuição geográfica e o baixo índice de evolução no número de paróquias das regiões de maior extensão geográfica, como o Norte. Isso indica a urgência em se trabalhar ainda mais a formação do clero no aspecto missionário, bem como a formação dos leigos, para que sejam colaboradores ativos no processo de evangelização.

Católicos de verdade Ao mesmo tempo, pesquisas como o Novo Mapa das Religiões – divulgada em agosto do ano passado pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (CPS/FGV) – apontam que o número total da população que se considera católica diminuiu. Em 1991, esse percentual era de 83,64%; em 2009, reduziu-se para 68,43%. “Se diminui o número, não necessariamente diminuem o entusiasmo e o espírito missionários. Além disso, ser católico significa ser participante da comunidade – os dados apresentados pelo Anuário mostram um crescimento da participação na vida concreta da comunidade. A diminuição numérica do título de católico não deveria nos espantar, mas sim preocupar sobre como estamos levando o Evangelho, sendo testemunhas. Essa deveria ser a grande preocupação, e não por que as pessoas saem ou não se dizem mais católicas nem crentes”, indica o secretário-geral da CNBB e Bispo Auxiliar de Brasília, Dom Leonardo Steiner. Ele acredita que o aumento no número de pessoas que não se dizem crentes deveria ser um foco de maior preocupação. “O Evangelho apresenta uma proposta existencial grandiosa, mostrando que a finitude humana tem um horizonte encantador. Nisso deveríamos crescer, sendo capazes de mostrar esse horizonte de vida nova a todas as pessoas, especialmente nas periferias e no mundo acadêmico, onde estamos tendo mais dificuldade de anunciar a presença de Deus”, relata.

Junior Santos

Os dados do CaicBr apontam que a vida eclesial brasileira solidifica-se cada vez mais, apesar de fatores como a secularização e os casos de escândalos, abordados à exaustão pela mídia. É isso que aponta o doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP, padre José Carlos Pereira, que elaborou, a pedido do Ceris, uma análise sociológica aprofundada sobre os resultados do Censo. “Isso mostra que a Igreja tem um poder que vai além do poder humano e que foge às explicações sociológicas”, destaca. Mas a sociologia pode ajudar sim a traçar um perfil mais preciso da Igreja no país. No âmbito do aumento da quantidade de paróquias, há dois elementos em destaque: o crescente número de padres e a expansão das áreas de atendimento. Além disso, a criação de uma paróquia leva em conta diversos fatores, como o número de participantes, a extensão territorial e a estrutura patrimonial e financeira que lhe dará sustentação. Logo, indica-se um crescimento na própria quantidade de fiéis. Os números são promissores, mas é preciso que propostas de profundo valor na dimensão missionária – como o Documento de Aparecida, a Missão Continental e as Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja – sejam colocadas em prática. É isso que garantirá respostas eficazes aos desafios pastorais. “À medida que as paróquias se multiplicam em células vivas e se setorizam em unidades menores (comunidades), multiplica-se o

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ARTIGOS

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 22 DE JANEIRO DE 2012

VIDA EM FAMÍLIA

DIALOGANDO E ESCLARECENDO

(ROBERTO GIROLA – PSICANALISTA)

(PADRE CIDO PEREIRA)

O Estranho que nos habita

“Onde está escrito na Bíblia que a verdadeira religião é a Católica Apostólica Romana?” (Sônia de Melo, São Paulo-SP)

Quando Freud deixou claro que havia na nossa mente uma dimensão submersa, totalmente inacessível à nossa consciência, que dominava de forma maciça o nosso pensar e o nosso agir, as reações da opinião pública foram de indignação. Durante um seminário no Departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (SP), com a participação de psiquiatras, psicofarmacólogos e psicanalistas, percebi que esse estranhamento diante da existência do inconsciente continua afetando mentes brilhantes. Um dos palestrantes, um famoso psiquiatra, perguntou aos presentes, com certo tom de deboche e uma pitada de arrogância, se algum de nós já havia visto o inconsciente. Embora me admirando que um profissional que lida diariamente com a mente humana pudesse fazer uma pergunta desse tipo, tive que reconhecer mais uma vez que o caráter paradoxal do inconsciente nos afeta de maneira desconcertante. Não é de se estranhar que a humanidade tenha vivido por muito tempo sem se interrogar explicitamente sobre a existência do inconsciente, assim como não é de se admirar que vivamos a maior parte do tempo supondo que ele não existe. Mais ainda, é sabido que há abordagens terapêuticas de caráter psicológico e até cursos de formação de psicólogos que não se focam nos processos inconscientes da mente. Em entrevista concedida à Folha de São Paulo, publicada em 02/11/2011, o neurobiólogo Eric Kandel, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina de 2000, fala sobre a importância das descobertas de Freud. O cientista da Universidade Columbia, de Nova York, premiado por seus estudos sobre a memória, afirma que “a ideia geral de Freud sobre processos mentais inconscientes é muito importante para nossas vidas”.

Para Kandel “boa parte de nossa atividade mental é inconsciente: isso acabou se mostrando uma verdade universal”. Somente uma pequena parte do nosso cérebro lida e processa as percepções conscientes, enquanto a maior parte não é acessada, ficando oculta para o sujeito. Kandel, em sua entrevista, apesar de manifestar reservas sobre a precariedade das pesquisas científicas envolvendo a psicanálise, reafirma a sua validade terapêutica, que pode cobrir lacunas da psiquiatria, e a atualidade de sua abordagem do inconsciente. Entrar em contato com esse Estranho que nos habita não é tarefa fácil. À medida que nos aproximamos dele, o estranhamento é inevitável, pois percebemos algo paradoxal por trás dos nossos processos mentais. Como acessá-lo? Para Freud, o “caminho de ouro”, talvez o mais explícito, são os nossos sonhos. É através do sonhar que uma janela se abre sobre o nosso inconsciente, mostrando a riqueza desse nosso mundo interno. Freud chegou a considerar o inconsciente como um cavalo selvagem que precisa ser domado. Já Jung, embora não deixasse de alertar sobre seus perigos e seu lado sombrio, via-o de forma mais positiva, apontando sua relação com o inconsciente coletivo, a alma da humanidade, em que se encontram as formas primitivas do nosso psiquismo (arquétipos), e até como uma via de acesso ao “divino”. Devido ao seu aspecto instintivo primitivo, o inconsciente encerra em si uma visão mais ampla e imediata das coisas, não deixando, portanto, de ser um bom conselheiro, desde que saibamos como lidar com ele.

Sônia, eu acho que a formulação da sua pergunta não está correta. Você não quer saber se a verdadeira religião é a Católica. Você quer saber, isso sim, se a Igreja Católica é a verdadeira Igreja fundada por Jesus. É ou não é? Então aqui vai a resposta. Sabe, minha querida irmã, eu acho que todos os cristãos que não pertencem à comunidade católica gostariam de apagar uma frase que Jesus disse a Pedro. Eu vou reler essa frase para você. Está lá no Evangelho de Mateus, 16,17-19. O apóstolo ainda não se chamava Pedro. Seu nome era Simão, e ele tinha acabado de confessar que Jesus era o filho do Deus vivo, aquele que devia vir a este mundo. Jesus então lhe disse: “Simão, filho de João, você é feliz porque esta verdade não foi revelada a você por nenhum ser humano, mas veio diretamente do meu Pai, que está no céu. Portanto, eu lhe digo: você é Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e nem a morte poderá vencê-la. Eu lhe darei as chaves do Reino do céu; o que você proibir na terra será proibido no céu, e o que permitir na terra será permitido no céu”.

Sônia, reparou? Jesus não disse a Pedro que sobre ele iria construir as suas Igrejas. Ele disse “a minha Igreja”. Precisa mais, Sônia? Diga-me: qual é a Igreja que mantém uma sequência de sucessores de Pedro até hoje? Não se assuste com o nome de nossa Igreja, não, viu? Eu vou explicar para você: Ela é católica. Esta palavra vem do grego, que quer dizer “universal”. Sim, porque os filhos de nossa Igreja estão dispersos por todo o mundo. Sim, porque a salvação de Jesus é para toda a humanidade. Ela é “apostólica”, e isso significa que ela segue os ensinamentos dos apóstolos e seus pastores; o Papa e os bispos são sucessores de Pedro e dos Apóstolos. E ela é “romana”, porque Jesus nasceu no Império Romano, porque Pedro, entendendo que Roma no seu tempo era o centro do mundo, fixou-se em Roma, onde deu sua vida por Cristo. Ele está sepultado na Igreja de São Pedro. Está aí, Sônia, a resposta que você queria. Eis a razão porque cremos que a Igreja Católica tem todos os sinais evidentes da verdadeira Igreja de Jesus.


ECONOMIA

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 22 DE JANEIRO DE 2012

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6ª POSIÇÃO | O QUE HÁ POR TRÁS DO CRESCIMENTO DO BRASIL E OUTROS EMERGENTES

Deniele Simões deniele.jornal@editorasantuario.com.br

Arquivo Pessoal

O início de ano é de otimismo para o Brasil. Com o mercado aquecido e a produção industrial em franco crescimento, o país já ocupa a sexta colocação entre as economias mundiais. A economia brasileira fechou o ano de 2011 com o PIB (Produto Interno Bruto) de US$ 2,4 trilhões, superando o da Grã-Bretanha em cerca de US$ 37 bilhões. Segundo o coordenador do Nupes (Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais da Universidade de Taubaté), Luiz Carlos Laureano da Rosa, a ascensão do Brasil deve-se a vários fatores. Além do aumento nas reservas internacionais, hoje em torno de US$ 350 bilhões, a dívida líquida/PIB caiu de 63%, em setembro de 2002, para 38%. O aquecimento do consumo, reforçado pela queda nos juros, a geração

Para Laureano, futuro da economia pode estar na mão dos emergentes

de empregos, o aumento real do salário mínimo, a facilidade de crédito e a isenção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) da “linha branca” (fogões, geladeiras e máquinas de lavar) completam a lista. Além disso, ele ressalta condicionantes externos, como os efeitos das crises de 2008 e da atual que afetam a Europa. Segundo Laureano, a Grã-Bretanha tem uma situação econômica melhor que a de outros países da Europa, por não integrar a “zona do Euro”, hoje uma moeda fragilizada, mas depende das relações comerciais com esses países e com o próprio Estados Unidos, cuja economia também não vai bem. De acordo com o economista, isso acaba fazendo com que o país europeu tenha seus níveis de crescimento diminuídos, devendo registrar crescimento de 1,6% no PIB em 2012, enquanto no Brasil a previsão é de 4,5%. Papel dos emergentes Tanto na crise europeia de hoje como na dos Estados Unidos, há quatro anos, os desencadeadores foram os excessos financeiros e a paralisia política, o que, para o economista, ainda deve provocar efeitos negativos. “O endividamento desses países muito provavelmente resultará em recuperação lenta, com ampliação da desigualdade e possíveis conflitos sociais”, alerta. Por outro lado, os países considerados “emergentes”, como é o caso do Brasil, têm demonstrado preocupação com o crescimento excessivo e não se interessam em crescer pouco. “Talvez, pela primeira vez na história moderna, o futuro da economia mundial esteja nas mãos dos países menos desenvolvidos.”

José Cruz / Agência Brasil

Franca ascensão

Geração de empregos é um dos fatores que contribuíram com aumento do PIB Para Laureano, as nações emergentes ganharam destaque no contexto mundial não só pelo desenvolvimento econômico e estabilidade política, mas pela recuperação após a crise de 2008. Diante disso, a expectativa é de um crescimento acima da média mundial em 2012. Dessa maneira, espera-se ainda mais crescimento para os emergentes e também que esses novos protagonistas da economia mundial apoiem os países desenvolvidos, através de sua produção. Economia chinesa Dentre os emergentes, o maior destaque é a China, que ocupa a segunda colocação no ranking das principais economias, atrás apenas dos Estados Unidos. Na avaliação de Laureano, a posição da China pode trazer grandes consequências para a economia mundial, pelo fato

de o país ter características políticas e sociais muito distintas do padrão euroamericano. “Do ponto de vista produtivo, a China tem apresentado o desenvolvimento de marcas competitivas no mercado mundial e bem distintas das antigas ‘cópias de baixa qualidade’ de anos anteriores.” Além disso, o programa espacial chinês, antes auxiliado pelo Brasil, hoje está bastante avançado. Outro fator positivo é que hoje o país coloca-se na posição de maior credor da dívida estadunidense. “Isso representa um grande poder de barganha na política internacional”, alerta. Mas, de qualquer maneira, a China ainda é um país bastante pobre, e segundo o economista existem evidências de que a distribuição de renda tem influência significativa sobre a taxa de crescimento de um país.

Se, por um lado, o Brasil está mais bem posicionado no quadro econômico mundial, por outro ocupa um lugar de pouco destaque no IDH (Índice de Desenvolvimento Econômico). Para o pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Educação da Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos) e autor do livro Educação e Economia Popular Solidária (Idéias & Letras, 2009), Telmo Adams, a relação entre os dois rankings forma um “quadro esquizofrênico”. Para entender a discrepância desses números, basta levar em consideração o contexto histórico brasileiro, que traz o ônus de uma herança de longos anos, consolidada por um “modelo perverso”. Segundo Telmo, esse modelo nada mais é do que um “capitalismo excludente e concentrador”, caracterizado

pela ênfase no capital financeiro, na indústria de ponta e nos grandes conglomerados comerciais. “A indústria dominante é centralmente produtora de bens sofisticados para um consumo elitizante, paralelamente a outra indústria menos elitista, voltada para o consumo de massa”, explica. Mesmo com todas essas disparidades, o economista Luiz Carlos Laureano da Rosa afirma perceber alguma mudança no Brasil, a partir da ascensão das classes D e E para a classe C e da classe C para a B. “Medidas que estão acontecendo, como controle da inflação, geração de emprego, extensão da aposentadoria para os trabalhadores rurais, elevação do poder de compra do salário mínimo real e programa Bolsa Família, contribuíram para diminuir a pobreza no Brasil.” Adams acredita que, para haver uma justa distribuição da renda, é preciso planejar o crescimento. “A questão é saber crescer em torno de quê, de que

modo e para quem”, aponta. Para crescer e dividir o bolo, o pesquisador indica a viabilização de programas assistenciais por meio de repasses de recursos, como o Bolsa Família. Outro ponto necessário são programas de infraestrutura que funcionem como fontes geradoras de trabalho e renda, como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Porém, é preciso tomar cuidado para que as maiores fatias do orçamento não sejam destinadas aos setores econômicos mais fortes, mas às políticas sociais. Apesar do incremento nas políticas sociais promovido pelos últimos governos, 55,8% da população economicamente ativa do país ainda vivem na informalidade. “Então, em função do alto déficit historicamente acumulado, o processo de recuperação é muito lento”, avalia Telmo Adams. Para o pesquisador da Unisinos, o salto qualitativo no social não se dará

Arquivo Pessoal

Ainda é preciso repartir a renda

Telmo Adams defende que investimentos sejam mais voltados ao setor social com o Bolsa Família – “um programa paliativo, emergencial”. A saída é investir de maneira diversificada, priorizando os setores de produção que resultem em maior número de beneficiados, primeiramente para o mercado interno e direcionado pelo mercado exportador, possibilitando que a grande maioria da população saia do mercado informal.


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“SE LIGA AÍ”

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 22 DE JANEIRO DE 2012

TECNOLOGIA| APLICATIVOS AJUDAM A DISSEMINAR INFORMAÇÕES SOBRE A JMJ

Na palma da mão

Deniele Simões deniele.jornal@editorasantuario.com.br

Reprodução

Um projeto de evangelização jovem exige ousadia e investimento em tecnologia de ponta. Afinal, é preciso falar a linguagem do jovem para levar a Boa-Nova às novas gerações. É com esse propósito que a Igreja do Brasil vem preparando-se para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ – Rio), encontro entre jovens de todo o mundo e o Papa Bento XVI, que acontecerá no ano que vem, no Rio de Janeiro (RJ). Como a tecnologia e juventude são duas palavras que se completam, não poderiam faltar investimentos em aplicativos voltados aos jovens que irão participar desse grande encontro em 2013. Já estão disponíveis, desde o final do ano passado, os aplicativos iJuventude e Siga a Cruz, que oferecem informações detalhadas sobre a Jornada, assim como dados baseados em georreferenciamento, com acesso direto via celulares, smartphones e tablets. O iJuventude foi lançado em outubro do ano passado, por iniciativa da Arquidiocese de Campinas (SP), que recebeu a Cruz e o Ícone da JMJ naquele período. “A proposta do padre Rodrigo, assessor de comunicação da Arquidiocese, era a criação de um aplicativo para smartphones sobre a JMJ e conteúdo para os jovens católicos”, explica o publicitário Sérgio Fernandes de Oliveira, da agência Minha Paróquia. Segundo Oliveira, a ideia se desenvolveu tanto que hoje o aplicativo possui um acervo grande de textos sobre a JMJ, orações para jovens, informações sobre o Papa, além de conteúdo multimídia, que inclui um playlist com mais de 70 músicas e até uma rádio FM. O sucesso foi tanto que, em menos de dois meses, o iJuventude conquistou quase três mil usuários, com média de idade entre 14 e 28 anos. “Originalmente,

iJuventude: da Arquidiocese de Campinas para o resto do Brasil

tecnologias para poder contribuir com essa causa”, reforça. Para utilizar o Siga a Cruz, é preciso ter um aparelho com conexão à internet e GPS. Segundo Kruschewsky, hoje 100% dos aparelhos com iOS (iPhone e iPad) contam com esses recursos, assim como 85% dos smartphones. E, caso o aparelho não tenha GPS, a geolocaCada vez mais a Igreja utiliza a tecnologia em favor da lização é feita pela rede evangelização da operadora. O Siga a Cruz foi o aplicativo é voltado para os jovens, mas lançado no final de novembro e, até a variedade de conteúdo acaba o tornando agora, já superou a marca de 2,5 mil atrativo para todos”, explica Oliveira. downloads, incluindo as versões para Para instalar, basta acessar o site da Android (lançada recentemente) e iOS. JMJ da Arquidiocese de Campinas ou fazer o download pelo próprio aparelho, A Igreja e os meios virtuais na loja de aplicativos, usando a palavraPara o representante da agência -chave “ijuventude”. Minha Paróquia, a Igreja tem cumprido A atualização do aplicativo é diária e o papel de estar nas redes sociais, mas acontece automaticamente, sempre que ainda há certa desconfiança com relação os sites publicam notícias. Já os textos ao uso da tecnologia. “A Arquidiocese sobre as JMJ’s, orações e outros conteúde Campinas foi ousada em ‘adiantar o dos são fixos ou atualizados com as novas passo’ sendo pioneira com o iJuventude”, versões do aplicativo. A versão atual é a relata Oliveira, lembrando que a presença 2.0 e pode ser baixada gratuitamente. no ambiente virtual é fundamental para Todo o conteúdo disponível foi produlevar a mensagem e a transformação do zido pela equipe que atua na área de juventude da Arquidiocese de Campinas, com suporte do projeto Minha Paróquia. Siga a Cruz Fruto de uma parceria entre a rede Canção Nova e a Comissão de Organização da JMJ Rio 2013, o aplicativo Siga a Cruz alia os recursos mais avançados de localização por georreferenciamento à praticidade de ter, na palma da mão, informações atualizadas sobre os símbolos da Jornada. Isso quer dizer que quem tiver o Siga a Cruz instalado no celular ou tablet poderá saber, em tempo real, a localização exata da Cruz da Jornada, assim como os locais visitados, com acesso a fotos e informações, e os próximos pontos de visitação. Segundo o gerente de Tecnologia da Informação / desenvolvimento Mobile da Canção Nova, João Paulo Ferraz Kruschewsky, o foco principal do aplicativo é levar o recurso a todos os peregrinos que se interessam pela JMJ, de modo muito mais preciso do que se o acesso ocorresse por um site ou pelo papel. Além disso, o Siga a Cruz vai ao encontro do propósito da organização da JMJ Rio 2013 de realizar um evento focado na sustentabilidade. Dessa forma, existem esforços dos organizadores no sentido de investir muito em tecnologia, para que esse e outros aplicativos substituam livretos e outros materiais impressos, migrando para plataformas móveis, como tablets e celulares. “Então a intenção é utilizar-se dessas

Evangelho, mostrando também que há uma Igreja viva, de portas abertas para os jovens e as relações interpessoais. Na opinião dele, o principal benefício do iJuventude é a integração, com a quebra de barreiras via internet, amplificando a evangelização e fazendo a Boa-Nova chegar a mais pessoas, em lugares diferentes. Na avaliação do gerente de TI da Canção Nova, o Siga a Cruz vai incidir diretamente nos milhares de peregrinos interessados em participar da JMJ. “Pensando nos brasileiros e nos que vêm de fora, ter esse tipo de aplicação na mão, que ajuda a localizar um evento ou ter mais informação de onde comer, ou onde pegar um transporte público, é essencial.” No caso dos dois aplicativos, o que conta é a facilidade e a praticidade. Tudo isso é um grande benefício em favor da evangelização. Reprodução

w3ins.com

Siga a Cruz utiliza recursos de geolocalização para informar sobre itinerário dos ícones da JMJ

Recursos disponíveis: – Informações sobre a história das JMJ´s, a trajetória da Cruz Peregrina e do ícone de Nossa Senhora. – Acesso a mensagens do Papa. – Acervo de conteúdo especial sobre espiritualidade para o jovem, com orações, Santa Missa, Confissão e o Santo Rosário. – Área de notícias dos principais sites sobre a JMJ e temas relacionados à juventude no Brasil e no mundo. – Canal multimídia com rádio FM ao vivo, galeria de fotos e vídeos. – Cristoteca, com mais de 70 músicas dos principais artistas católicos. – Uso integrado com redes sociais. – Disponível para Android e iOS. – Para instalar, acesse o site http://jmjcampinas.org.br/app.

Aplicativo criado através de parceria entre a Canção Nova e a Comissão de Organização da JMJ – Rio 2013. Veja o que ele oferece: – Informações em tempo real sobre a localização da Cruz da JMJ, com determinação de horário. – Dados sobre os locais por onde a Cruz já passou, com acesso a fotos, e os próximos pontos de visitação, incluindo datas e horários. – Georeferenciamento para traçar rotas de como chegar aos locais de visitação da Cruz. – Uso integrado com Facebook e Twitter. – Disponível para Android e iOS. – Para instalar, acesse http://m.cancaonova.com/mobile.


Jornal Santuário de Aparecida [Ed. 5576 - 22 jan 2012]