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.: CELEBRAÇÃO

.: DIALOGANDO E ESCLARECENDO

.: VIVER

“Por que rezamos

1ª Romaria Nacional Pe. Vítor

Deniele Simões / JS

Coelho de Almeida. Confira

Conheça algumas

tanto pelas almas e

técnicas para melhorar

fazemos mal a quem

a sua memória

está vivo?” Padre Cido responde

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J O R N A L

ANO 111 • Nº 5.579 • 12 DE FEVEREIRO DE 2012

D E

A PA R E C I D A

Identidade e espiritualidade sacerdotal

O 14º Encontro Nacional de Presbíteros (ENP) reuniu mais de 450 sacerdotes no Santuário Nacional de Aparecida (SP), entre os dia 1º e 7 de fevereiro. O tema desta edição foi “A identidade e a espiritualidade do presbítero no processo de mudança de época”. Além de debater aspectos sobre o sacerdócio e o processo de secularização, os participantes elegeram a nova presidência da Comissão Nacional dos Presbíteros (CNP).

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VIDA PASTORAL

“SE LIGA AI” Divulgação

JMJ Rio 2013 já tem logomarca oficial.

8ª Romaria da Pastoral da Saúde reúne

Confira entrevista com o criador

EduardoGois/JS

Divulgação

milhares de pessoas no Santuário Nacional, em Aparecida (SP)

OPINIÃO / DEBATE Confira o primeiro de uma série de artigos sobre o tema da Campanha da Fraternidade 2012

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Da Redação

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 12 DE Fevereiro de 2012

.: Editorial

.: Espaço do leitor

Padres para hoje 80 anos

A Igreja Católica no Brasil possui um verdadeiro exército em missão de paz. Segundo dados da última edição do Anuário Católico, o país possui mais de 22 mil padres espalhados por todo o território. Ícones da salvação, da fé e da resolução dos problemas, esses sacerdotes também possuem as suas próprias fragilidades humanas e precisam saber que a Igreja está, sim, preocupada com eles enquanto pessoas. No início de fevereiro, o Santuário Nacional de Aparecida sediou a 14ª edição do Encontro Nacional de Presbíteros (ENP). Durante sete dias, mais de 460 padres, de 275 dioceses brasileiras, reuniram-se para trocar experiências e refletir sobre a identidade e a espiritualidade dos sacerdotes no contexto de mudança de época. O encontro teve o grande mérito de permitir momentos de fraternidade entre os irmãos no ministério ordenado e, também, de tocar em temas delicados, como suicídio, extermínio, violência e morte por doenças infectocontagiosas. No “Se liga aí”, conheça a logomarca oficial da Jornada Mundial da Juventude. O designer Gustavo Huguenin, 25 anos, é o autor da imagem que vai marcar o encontro com o Papa no Rio de Janeiro, em julho de 2013. Ele concede uma entrevista exclusiva ao JS, que você pode conferir na íntegra em nosso blog na internet. Saiba como foi a 1ª Romaria Nacional Pe. Vítor Coelho de Almeida e a 8ª Romaria da Pastoral da Saúde. Além disso, aprenda também algumas técnicas para melhorar a qualidade da sua memória – elas ajudarão a combater desde aqueles pequenos esquecimentos de cada dia até casos mais sérios, em que o acesso às lembranças tornase uma tarefa cada vez mais complicada.

A leitora Romilda Escalante, de Porto Alegre (RS), completa, no próximo dia 14 de março, 80 anos de vida. Em contato por telefone com a Redação, ela agradeceu a Nossa Senhora Aparecida as graças alcançadas. Dona Romilda é assinante do JS há 30 anos. A aniversariante ressaltou que vem visitar a Casa da Mãe cerca de três vezes por ano.

Arquivo Pessoal

Dona Romilda, a equipe do JS parabeniza-a pelos seus 80 anos e pede as bênçãos de Nossa Senhora Aparecida nessa data que será tão especial. Muitas felicidades, saúde e realizações.

75 anos

O missionário redentorista padre Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R., enviou para a Redação uma foto em comemoração às Bodas de Diamante do casamento de seus pais, José e Alda. São 75 anos de união matrimonial. Padre Luiz Carlos também agradece as orações pelo tempo em que esteve internado, recentemente, informando que já está bem. José e Alda, a equipe do JS parabeniza-os pelos 75 anos de casamento. E, padre Luiz Carlos, obrigado pela bela notícia.

.: Contatos

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Redação (12) 3104.2019 Assinaturas (12) 3104.2040 0800 16 00 04

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Boa leitura!

.: Expediente O Jornal Santuário de Aparecida é uma publicação semanal dos Missionários Redentoristas ISSN - 1980-3192

Diretor-Geral: Pe. Marcelo Conceição Araújo, C.Ss.R.

JORNALISTA responsÁvel: Leonardo Meira - MTB 14261/RS

CONSELHO EDITORIAL: Pe. Jorge P. S. Sampaio, C.Ss.R. Pe. José Uilson Inácio Soares Júnior, C.Ss.R.

REDAÇÃO: Deniele Simões - MTB 26435/SP Paulo Eduardo Gois - MTB 57928/SP

DIAGRAMAÇÃO: Rafael Felix Simone Godoy REVISão: Ana Lucia de C. Leite Leila Cristina Dinis Fernandes Lessandra Muniz de Carvalho

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OPINIÃO / DEBATE

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA •12 DE FEVEREIRO DE 2012

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SÉRIE CF 2012 | DIMENSÕES DO TRABALHO BUSCAM INSPIRAÇÃO NO PASTOREIO DE JESUS CRISTO

A missão profética da Pastoral da Saúde

A concepção do que seja realmente a Pastoral da Saúde e o seu objetivo vêm do pastoreio de Jesus Cristo, que sempre esteve ao lado dos mais necessitados, de modo especial dos pobres e doentes. O documento Discípulos e Missionários no Mundo da Saúde: Guia para a Pastoral da Saúde na América Latina e no Caribe, do Conselho Episcopal Latino-Americano e do Caribe (Celam), apresenta-nos elementos para a prática pastoral e seus fundamentos bíblico-teológicos e bioéticos, sempre iluminados pelo Evangelho de Cristo. Nesse texto, encontramos uma bela definição do que seja Pastoral da Saúde e a sua missão: “por Pastoral da Saúde entendemos a ação evangelizadora de todo Povo de Deus, comprometido em promover, cuidar, defender e celebrar a vida, tornando presente a missão libertadora e salvífica de Jesus no mundo da saúde. O Documento de Aparecida complementa: ‘a Pastoral da Saúde é a resposta às grandes interrogações da vida, como o sofrimento e a morte, à luz da morte e ressurreição de Jesus’ (n. 89)”. Essa concepção mostra que a ação da Pastoral da Saúde vai do promover a saúde, passa pelo defender e celebrar a vida, até chegar ao morrer com dignidade. Dessa forma, o objetivo geral da Pastoral passa pela justiça e pela solidariedade na opção preferencial pelos

Dimensões da Pastoral da Saúde Para exercer a sua missão no mundo da saúde, a Pastoral da Saúde foi estruturada em três dimensões. Durante muito tempo a ação pastoral da Igreja no Brasil, no mundo da saúde, era totalmente voltada para os enfermos e sua doença, isto é, apenas visitava enfermos de forma solidária e ministrava sacramentos. Não existia uma preocupação no aspecto de ter uma ação para promover a saúde, nem de lutar publicamente para se ter medidas políticas e sociais para melhorar o atendimento aos doentes, ou seja, não existia, por parte da Igreja, uma preocupação com a saúde pública em termos político-sociais, mas apenas no aspecto solidário, como falamos, ou por ações caritativas por meio de instituições de saúde que atendiam os pobres. Acentuava-se o aspecto solidário de visitar o doente e nada mais. Essa pastoral ficou conhecida como pastoral dos enfermos. Também é verdade que, por parte das ciências da saúde, não existia uma preocupação com a prevenção como existe hoje; o foco era quase que unicamente voltado para o aspecto curativo. Os tempos passaram e a Igreja foi percebendo que a ação pastoral no mundo da saúde não poderia ficar apenas restrita ao aspecto solidário da visita aos enfermos, mas deveria expandir-se para os aspectos de prevenção e de lutas por políticas públicas, capazes de construir um sistema público de saúde que atenda o povo brasileiro com dignidade, equidade, integridade e de forma universal. Dentro dessa configuração de Pastoral da Saúde, começou-se a discutir como sua ação poderia ser estruturada. O resultado foi a elaboração de três dimensões – Dimensão Solitária; Dimensão Comunitária e Dimensão Político-Institucional, conforme vemos a seguir: Dimensão Solidária – Objetivo: “ser presença de Jesus, Bom Samarita-

Divulgação / Comunicação São Camilo

Pe. Alexandre Andrade Martins imprensa@saocamilo.br

pobres e enfermos. “Evangelizar com renovado espírito missionário o mundo da saúde, numa opção preferencial pelos pobres e enfermos, participando da construção de uma sociedade justa e solidária a serviço da vida (n. 90)”. Estar a serviço de Jesus Cristo como seu discípulo-missionário, no carisma do amor aos doentes e sofredores, é estar a serviço da justiça e da solidariedade, a fim de promover, cuidar, defender e celebrar a vida, especialmente a dos mais pobres e abandonados.

Pe. Alexandre é diretor do Instituto Camiliano de Pastoral da Saúde (ICAPS) e vice-coordenador nacional da Pastoral da Saúde (CNBB)

no, ao lado dos doentes e dos que sofrem no ambiente familiar, nas comunidades e nas instituições da saúde”. Nessa dimensão, a Pastoral da Saúde coloca-se ao lado dos necessitados, a exemplo do Bom Samaritano (cf. Lc 10,25-37), a fim de promover mais dignidade no viver, mesmo na dor e no sofrimento. Com isso, defende os diretos dos enfermos a um tratamento mais humano e responsável. Na solidariedade, a Igreja faz-se presente por meio do agente de pastoral, que vai ao encontro do outro ferido e faz o possível para confortá-lo no seu sofrimento e socorrê-lo na sua dor. Nas visitas aos enfermos, o agente mostra com seu testemunho que é possível uma relação além da técnica com o doente, pois o ser humano enfermo no leito é visto como um ser integral, com dimensões físicas, psíquicas, sociais e espirituais. Dimensão Comunitária – Objetivo: “favorecer a promoção e a educação em saúde com ênfase na saúde pública e no saneamento básico, agindo de maneira preferencial no campo da prevenção das enfermidades e da promoção de estilos de vida saudáveis”. Nessa dimensão, organizam-se encontros com profissionais da saúde para esclarecer dúvidas. Promovem-se campanhas preventivas (como contra a dengue durante todo o ano, e não apenas no verão) e mutirões de saúde. Investe-se profundamente na prevenção, começando pelos membros da comunidade cristã e abrindo-se a toda comunidade social local, para que todos adotem hábitos de vida saudáveis para viver com mais qualidade de vida, mostrando que o primeiro a se comprometer com a saúde é a própria pessoa, para viver de forma saudável. Promove formação de líderes comunitários para atuarem nos Conselhos de

Saúde em defesa dos interesses coletivos e na divulgação de informações e conhecimentos importantes para toda a comunidade. Nessa dimensão comunitária, também se valorizam o conhecimento, a religiosidade e a sabedoria popular em relação à saúde. Dimensão Político-institucional – Objetivo: “zelar para que os organismos e as instituições públicas e privadas que prestam serviços de saúde e formam profissionais nessa área tenham presente sua missão social, política, ética, bioética e comunitária”. Essa dimensão tem uma atuação mais política e social, a fim de lutar para que todos tenham acesso a um atendimento de saúde com qualidade e respeito à sua devida dignidade. Exige que os programas do governo aconteçam e cheguem aos mais pobres e necessitados, atuando, sobretudo, no controle social. Zela para que haja entre os profissionais de saúde uma reflexão bioética e que a humanização esteja na base do atendimento compromissado com o bem do outro. Em todas essas dimensões, a Pastoral da Saúde age a partir do encontro com Cristo, onde está o seu alicerce e fundamento. Dessa forma, a Pastoral é marcada por um agir evangélico sob a assistência do Espírito na promoção da saúde e em defesa da vida digna. A divisão em dimensões é apenas organizacional, pois elas se entrelaçam na cultura de vida e na promoção da saúde. * O JS começa nesta edição uma série com sete artigos relacionados ao tema da Campanha da Fraternidade 2012 – Fraternidade e Saúde Pública. Os textos são de autoria de padres camilianos, que têm como carisma a dedicação ao serviço dos doentes.


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Viver

Jornal Santuário de Aparecida • 12 de fevereiro DE 2012

MENTE SAUDÁVEL I CONHEÇA ALGUMAS ESTRATÉGIAS NA LUTA CONTRA O ESQUECIMENTO DO DIA A DIA

Melhore sua memória com algumas técnicas e exercícios

A memória é a capacidade de adquirir (aquisição), armazenar (consolidação) e recuperar (evocar) informações disponíveis, internamente, no cérebro (memória biológica), e externamente, em dispositivos artificiais (memória artificial). Isso significa que a memória focaliza elementos específicos, requer grande quantidade de energia mental e deteriora-se com a idade. É um processo que conecta pedaços de lembranças e conhecimentos a fim de gerar novas ideias, ajudando a tomar decisões diárias. Apesar de ser inevitável a perda da capacidade de memória, ela pode ser amenizada. Para isso, basta utilizar-se de estratégias, driblando, assim, as eventuais falhas. Psicóloga, escritora, mestre em gerontologia e especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, Valeria Bellini Lasca explica que existem três estratégias para aprimorar a memória. Internas – Com a leitura de livros, jornais e revistas e a prática de palavras cruzadas, pode-se estimular a nossa capacidade interna de memória. Codificação – Fortalece o momento em que o indivíduo entra em contato com a informação. Ela pode acontecer por método de associação, como por exemplo quando se memoriza uma senha. Ex: pa2989, patricia2989, ou seja, a senha contém dia do aniversário (29) e número da casa (89).

Externas – Ocorre quando há o uso organizado do ambiente; como exemplo, pode-se guardar as chaves sempre no mesmo lugar. Qualidade da memória A especialista afirma que o processo de envelhecimento é singular, em função do estilo de vida e os fatores genéticos de cada um. As alterações de memória consideradas normais são mais evidentes na vida adulta em função da sobrecarga de informações. No que diz respeito à mudança da memória em função do processo de envelhecimento, perdas podem ocorrer pelos seguintes fatores: diminuição da velocidade do processamento das informações, tarefas concorrentes e falha da seletividade. Nesses casos, o melhor mesmo é prevenir-se. Essa decisão abrange diretamente os cuidados com todo o corpo, ou seja, é importante estar com boa saúde. Para isso, é bom ficar atento à alimentação, às atividades físicas e à prática de exercícios da mente. Assim, é possível até mesmo compensar as perdas. Outro fator decisivo na qualidade da memória é determinantemente o aspecto afetivo, ou seja, depressão e transtornos ansiosos prejudicam a memória em grandes proporções. Um pouco de história Acreditava-se até a primeira metade do século passado que as funções da memória seriam localizadas em regiões cerebrais específicas; alguns estudiosos chegaram a duvidar de que a memória seria uma função distinta da atenção, da

sxc.hu

Eduardo Gois eduardo.jornal@editorasantuario.com.br

Exercício 1 Passo a passo 1 - Estude esta lista de palavras por dois minutos.

Preto

Física

Bromélia

Cravo

Itália Azul

Amarelo

Matemática França Violeta

Holanda Roxo

Química

2 - Depois de estudar a lista de palavras, escreva num papel o maior número de itens que se lembrar durante dois minutos. 3 - Vamos checar?

linguagem e da percepção. Acreditava-se que o armazenamento das informações espalhava-se por todo o cérebro. Um grande cientista de nome Wilder Penfield foi o primeiro a conseguir demonstrar que a memória tem localizações específicas no cérebro humano. Na década de 1940, Penfield começou a usar métodos de estimulação elétrica, em macacos, para mapear as funções motoras, sensoriais e da linguagem no córtex humano de pacientes submetidos à neurocirurgia, para tratamento de epilepsia. O estudioso explorou o assunto também em mais de mil pacientes humanos e verificou que a estimulação elétrica produzia o que chamou de resposta experiencial, na qual o paciente descrevia uma lembrança correspondente a uma experiência vivida. Confira, a seguir, alguns exercícios para melhorar a sua memória.

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4 - Veja! Se você utiliza a técnica de organização ficará mais fácil memorizar Preto – amarelo – roxo – azul Holanda – Itália – França Química – Física – Matemática Cravo – Violeta – Bromélia Exercício II 1 - Tente memorizar as tarefas a seguir. Comprar pães Ligar para a Tia Diva Ligar para a manicure Lavar o carro 2 - Como você memorizou? 3 - A técnica da imagem visual é bastante interessante e apresenta ótimos resultados. Veja: 4 - Imagine a Tia Diva na manicure com alguns pães ao lado e com o carro na porta.


ATUALIDADES

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 12 DE FEVEREIRO DE 2012

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SANTUÁRIO NACIONAL | ESPAÇO MULTIUSO POSSUI CAPACIDADE PARA MAIS DE 8 MIL PESSOAS

Deniele Simões deniele.jornal@editorasantuario.com.br

Uma agenda intensa marcou a inauguração do Centro de Eventos Pe. Vítor Coelho de Almeida, estrutura que fica na área do complexo do Santuário Nacional de Aparecida (SP). A programação teve início na quarta-feira, 8 de fevereiro, com o Tríduo Preparatório, na Matriz Basílica, estendendo-se até o sábado, dia 11, com a inauguração oficial do espaço. A cerimônia de inauguração foi marcada pela primeira edição da Romaria Nacional Pe. Vítor Coelho de Almeida, com público que superou os 30 mil romeiros. Na avaliação do administrador e ecônomo do Santuário Nacional, Padre Luiz Cláudio de Macedo, C.Ss.R., a romaria cumpriu o papel de oferecer conhecimento sobre a vida de padre Vítor Coelho. “Foi uma oportunidade de as pessoas virem ao Santuário e celebrarem a sua vida, a sua fé, a partir da sua devoção a Nossa Senhora Aparecida”, afirmou. Outro destaque da cerimônia foi a apresentação do cantor Daniel. Espaço multiuso Iniciada em 2002, a obra foi executada com recursos angariados pela Campanha dos Devotos e oferece uma grande estrutura aos romeiros, com a possibilidade de acolher até 8.545 pessoas, sendo 6.209 lugares nas arquibancadas e 2.316 nos assentos móveis. De acordo com padre Luiz Cláudio de Macedo, trata-se de um centro multiuso, que poderá acolher tanto eventos religiosos, como congressos e feiras. O espaço

está totalmente adaptado para o acesso de portadores de necessidades especiais. “Temos um grande conjunto de salas que podem ser utilizadas em momentos simultâneos ou até mesmo separadamente, bem como estrutura para jogos, vestiários, subsolo climatizado e camarins”, reforça o missionário redentorista. Memorial Redentorista Logo após a abertura do Tríduo, na Matriz Basílica, no dia 8, houve a inauguração das obras de revitalização do Memorial dos Missionários Redentoristas, no Convento Velho. O espaço é a primeira casa dos missionários redentoristas no Brasil e tem como um dos atrativos o túmulo de Pe. Vítor Coelho de Almeida, bastante visitado por devotos. Antônio José Gava, de Rio Bananal (ES), participou da cerimônia e se emocionou. O romeiro visitou o túmulo do missionário redentorista e afirmou esperar que a canonização ocorra logo. “Ele merece, pelo bem que fez ao povo”, afirmou. O reitor do Santuário Nacional, Padre Darci Nicioli, explicou que as obras reforçam o trabalho dos missionários redentoristas. “Quisemos trazer a história de cada um, porque todos eles construíram essa obra imensa, que são as missões populares, a Rádio Aparecida, a Editora Santuário, e agora a TV Aparecida, o portal A12. com, a Revista de Aparecida, as paróquias, enfim, um imenso trabalho evangelizador realizado por homens santos.” A cada dia, um tema sobre a vida de Padre Vítor foi refletido entre os fiéis. Na sexta-feira, 10, último dia do Tríduo, a programação incluiu uma procissão

Autoridades descerram fita de inauguração do Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida; abaixo, abertura do Tríduo na Matriz Basílica

até o Centro de Eventos, com a inauguração de uma estátua em homenagem ao missionário redentorista, apresentação da orquestra do projeto PEMSA e do documentário Padre Vítor Coelho de Almeida. O coordenador de produção da produtora do Santuário, Romulo Barros, disse que o documentário foi baseado em um minucioso trabalho de pesquisa. “Buscamos muito material, entrevistas de pessoas que conviveram com ele, de historiadores”, conta. O filme, com 30 minutos de duração, foi exibido pela TV Aparecida e conta a história da vida do religioso, que, mesmo vítima da tuberculose, não deixou de trabalhar pela evangelização. “Padre Vítor ensinou as pessoas a serem felizes, seguindo a Boa-Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo, do jeito de Santo Afonso, com palavras simples e com bondade”, recorda Padre Darci.

Para o reitor do Santuário, Pe. Vítor ensinou os devotos de Nossa Senhora Aparecida e as pessoas que o acompanhavam pelas ondas do rádio a “serem gente”, ou seja, a cuidar da saúde, a se educar, a serem irmãos e cidadãos.

Confira mais fotos da programação. Acesse http://bit.ly/ padre_vitor1 http://bit.ly/ padre_vitor2

EVENTO | MISSIONÁRIOS DE SEIS UNIDADES DO PAÍS PARTICIPARAM DE CICLO DE ESTUDO

Redentoristas debatem espiritualidade e atuação nas igrejas e paróquias ritualidade redentorista nas paróquias e igrejas missionárias, tendo como referência a atuação de São João Nepomuceno Neumann, santo redentorista de origem alemã que promoveu um forte trabalho de evangelização nos Estados Unidos. Além do ardor missionário e apostólico de Neumann, foram debatidos outros assuntos relacionados ao tema do

Ciclo de Estudos aconteceu no Seminário Santo Afonso, entre 6 e 10 de fevereiro; evento será retomado em março, com novos participantes

“A Espiritualidade Redentorista e nossas paróquias e igrejas missionárias.” Esse foi o tema do terceiro ciclo de estudos interprovinciais, encerrado no dia 10 de fevereiro, no Seminário Redentorista Santo Afonso, em Aparecida (SP). O encontro teve início no dia 6 de fevereiro e reuniu 96 missionários redentoristas, das unidades de São Paulo, Bahia, Goiás, Manaus, Campo Grande e Rio de Janeiro.

Segundo o coordenador, Padre Vinícius Ponciano, o objetivo da programação foi dar continuidade às propostas sugeridas pelo XXIV Capítulo Geral da Congregação do Santíssimo Redentor, realizado em Roma, em 2010. “A proposta é avaliar as nossas atividades apostólicas com esperança, corações e estruturas renovados para a missão”, explicou. Dentro da proposta do encontro, os participantes refletiram sobre a espi-

encontro, entre eles os aspectos históricos, econômicos, administrativos e institucionais das paróquias, bem como a valorização do espaço sagrado. O ciclo de estudos é uma realização do Secretariado Interprovincial de Espiritualidade Redentorista (SIER) e terá uma segunda etapa entre os dias 5 e 9 de março, com a participação de outro grupo de missionários.

Fotos: Deniele Simões / JS

Centro de Eventos Pe. Vítor Coelho é inaugurado em Aparecida


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14º enp

Jornal Santuário de Aparecida • 12 DE fevereiro DE 2012

VIDA SACERDOTAL | ENCONTRO EM APARECIDA DEBATE ESPIRITUALIDADE E IDENTIDADE

Deniele Simões deniele.jornal@editorasantuario.com.br

Manuel de Jesus Monte da Costa é um sacerdote que atua na Diocese de Rio Branco (AC). A região, situada no extremo norte do Brasil, enfrenta problemas sociais distintos, desde a luta por emprego e geração de renda, passando por questões ligadas à exploração da terra. Manuel é um dos 460 padres das 275 dioceses brasileiras que estiveram no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida para o 14º Encontro Nacional dos Presbíteros (ENP). O evento, realizado entre 1º e 7 de fevereiro, possibilitou a troca de experiências, a partilha e a discussão de temas atuais, com foco nos desafios impostos pela mudança de época à identidade e à espiritualidade dos sacerdotes. Na opinião de padre Manuel, que participou do ENP pela segunda vez consecutiva, o encontro teve grande relevância, tanto para o debate do tema central quanto sob o ponto de vista do congraçamento entre os presbíteros. “Temos a possibilidade de partilhar as experiências de vida de Norte a Sul e de conhecer realidades semelhantes e diferentes da nossa”, afirma. Este foi o primeiro ano em que o ENP aconteceu em Aparecida. De acordo com o até então presidente da Comissão Nacional dos Presbíteros (CNP), padre Francisco dos Santos, a intenção é fazer com que a cidade seja a sede permanente do evento. Processo de mudança A partir do tema desta edição – “A identidade e a espiritualidade do presbítero no processo de mudança de época” –, os participantes debateram aspectos envolvendo o sacerdócio e o processo de secularização em curso no mundo. “Se estamos discutindo, conversan-

Dom Pedro Brito Guimarães fala na abertura do 14º ENP, em Aparecida

do, colocando esse tema é porque há algo nos incomodando”, frisou padre Francisco, lembrando que a dinâmica do encontro proporcionou debates e atualizações constantes sobre o assunto. Durante os sete dias, aconteceram apresentações e conferências, além de momentos de partilha, espiritualidade, oração e eucaristia, com a celebração de Missas na Basílica Nacional e a participação de Bispos referenciais da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada dos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O presidente da Comissão e Arcebispo de Palmas (TO), Dom Pedro Brito Guimarães, mencionou uma mudança na configuração do clero, que considera bastante positiva. Hoje, haveria um número maior de padres jovens e de origem brasileira. “Não é mais um clero religioso, mas diocesano e regional.” Há 25 anos, quando aconteceu o 1º ENP, o número de padres não chegava a 12 mil e a maior parte era de idosos, refletindo a crise vocacional pós Concílio Vaticano II. Dados publicados na última edição do Anuário Católico Brasileiro, referentes ao ano de 2010, apontam que hoje existem 22.119 padres no país.

Segundo o arcebispo, o clero funciona como uma “caixa de ressonância” dentro da Igreja e, por isso, há a necessidade de tocar nos problemas fundamentais da vida dos presbíteros, que são muitos. Diante dessa realidade, Dom Pedro Brito lembra que os sacerdotes trazem, em sua atuação, as marcas do bem, a beleza da vida, o entusiasmo, as motivações, mais a dinâmica da dificuldade de ser religioso no Brasil. Na abertura do encontro, Dom Pedro divulgou uma preocupação que ronda a comissão e está relacionada ao suicídio, extermínio, violência e morte por doenças infectocontagiosas envolvendo sacerdotes brasileiros. “Há registros de mais de 10 padres que se suicidaram. Muitos morreram pela banalização da violência, muitos se confrontaram, foram assaltados, violentados, sequestrados ou roubados. Alguns deixaram o sacerdócio ou pediram para deixar. Então, nós temos uma ferida muito forte.” Apesar de esses números representarem menos de 2% do clero brasileiro, o problema preocupa e foi abordado durante o ENP, devido ao papel que o presbítero desempenha na Igreja e na sociedade. “Assim como a família se preocupa com o filho, a Igreja se preocupa com os seus filhos

quando percebe que alguns estão fragilizados e precisando de ajuda”, ressalta. Jesus como identidade Quando se fala de identidade, é preciso fazer referência às origens. No caso dos presbíteros, a identidade está intimamente relacionada a Jesus Cristo: modelo, mestre, Senhor, luz e caminho para todos. “Então, nós queremos que isso fique bem claro, que Jesus é quem nos identifica como presbítero, como sacerdote.” Nesse sentido, tudo o que o presbítero faz deve estar ligado a Jesus, e, dessa forma, os organizadores esperam que os participantes saiam do encontro mais convencidos de que a sua identidade é Jesus, corpórea e sanguineamente. Após os sete dias de ENP, padre Manuel de Jesus acredita que retornará para Rio Branco mais fortalecido. “Foi um momento de crescimento espiritual e também de amizade, fraternidade entre os padres.” Na avaliação do sacerdote, o encontro teve uma importância singular por refletir sobre a identidade numa época em que essa é uma realidade muito diluída. “Portanto nos levou à questão de que a identidade do padre deve estar sempre vinculada a Jesus Cristo”, finaliza.

Evento reuniu mais de 450 presbíteros católicos no Santuário Nacional

Padre Manuel Costa, de Rio Branco (AC), destacou a partilha de experiências entre os presbíteros

Fotos: Deniele Simões/JS

Mudança de época impõe novos desafios a presbíteros


Jornal Santuário de aparecida • 12 de fevereiro de 2012

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Um dos destaques na programação do 14º ENP foi a eleição e posse da nova presidência da Comissão Nacional dos Presbíteros (CNP) e dos assessores em todos os Regionais da CNBB para os próximos quatro anos. O novo presidente eleito é padre Anselmo Matias, sacerdote da Diocese de Santo Amaro (SP). Ele é doutor em psicologia clínica e professor do Centro Universitário Assunção, na capital paulista. “É com alegria que assumo essa missão, em comunhão com toda a Comissão Nacional. Isso representa que estarei em conjunto com o presidente de cada Regional para coordenar esse trabalho”, indica o novo presidente. Padre Anselmo acompanha o trabalho da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagra-

da desde o início. Até este ano, presidia a Comissão no Regional Sul 1, que engloba os municípios do Estado de São Paulo. Juntamente com os demais membros eleitos, o novo presidente pretende dar continuidade ao trabalho que vem sendo realizado, sempre em comunhão com os bispos e com a Igreja. Dentre as ações propostas, um dos destaques é a reunião que acontecerá em maio sobre a retomada dos 50 anos da convocação do Concílio Vaticano II, com a participação de toda a Comissão, a fim de estabelecer metas de trabalho. O novo presidente da CNP considerou o encontro em Aparecida bastante positivo e destacou a importância das reflexões e dos estudos sobre o tema. Cnp A Comissão Nacional dos Presbíte-

ros é um organismo ligado à Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada e trata de assuntos efetivamente ligados à vida do sacerdote. Na opinião de padre Francisco dos Santos, que até o início do dia 7 de fevereiro ocupou a presidência da CNP, o organismo funciona como uma pastoral presbiteral. “Nosso objetivo é levar essa esperança, levar a coragem para todos os padres, para as dioceses, para que todos possam organizar-se, comunicar-se e formar uma verdadeira família, um verdadeiro presbitério.” O sacerdote explicou que já são 27 anos de caminhada e que as eleições convergem para a continuidade do trabalho realizado, assim como o avanço naquilo que é possível, atendendo sempre os anseios dos presbíteros católicos.

Fotos: Deniele Simões_JS

posse da nova presidência da Cnp

O presidente eleito, padre Anselmo Matias

na Casa da Mãe A Casa da Mãe Aparecida foi sede do Encontro Nacional dos Presbíteros pela primeira vez e deixou a marca registrada da acolhida nos organizadores. “Houve uma abertura muito grande aqui do Santuário, dos redentoristas e de toda a equipe. Nós nos sentimos em casa realmente”, disse padre Francisco. A programação aconteceu no subsolo, onde os presbíteros ficaram reunidos, e na Basílica – local em que aconteceram algumas celebrações.

Para Dom Pedro Brito, a realização do encontro no Santuário remete ao aconchego do útero materno, deixando os presbíteros muito à vontade para participar efetivamente da programação. “Nós estamos em um bom lugar para abrir o coração, para nos animarmos na missão.” A vontade dos organizadores é que o 15º ENP, programado para acontecer em 2014, também seja realizado em Aparecida.

Novos membros eleitos para a Comissão Nacional dos Presbíteros, em nível regional

Confira fotos do 14º ENP Acesse http://bit.ly/ fotos_14ENP

O que é o enp? O Encontro Nacional dos Presbíteros é um evento que acontece a cada dois anos com o objetivo de discutir questões ligadas ao sacerdócio. Até 2010, na 13ª edição, o ENP acontecia em Itaici, distrito da cidade de Indaiatuba, no interior de São Paulo. Naquele mesmo ano houve a celebração dos 25 anos de realização desses encontros, com um evento especial no Santuário Nacional. A primeira edição do ENP aconteceu em 1985, com o tema “O presbítero na Igreja, povo de Deus, servidora do mundo”. Desde então, foram realizados outros 13 encontros e muita coisa mudou para melhor, segundo o padre Francisco dos Santos. Para o sacerdote, o mais importante nesses encontros tem sido a organização e a comunhão dos presbíteros. “É levar os padres a se encontrarem, a se sentirem irmãos;

é levar a evangelização não como uma obra pessoal, mas como uma obra comunitária”, completou. Ainda na avaliação de padre Francisco, os padres que participam do ENP voltam bastante entusiasmados para passarem os conhecimentos adquiridos aos demais colegas nas dioceses de origem. Segundo ele, um dos bons frutos colhidos nesses últimos anos foi a criação da ANP (Associação Nacional dos Presbíteros), possibilitando decisões que pudessem influenciar diretamente na qualidade de vida e no cuidado com os padres, como, por exemplo, a contratação de planos de saúde na maior parte das dioceses brasileiras.

Programação aconteceu nas dependências do Santuário Nacional, entre os dias 1º e 7 de fevereiro

Dom Pedro Brito destaca que, nos primeiros encontros, as dificuldades eram enormes e os participantes quase não se conheciam. A cada edição um

novo tema foi discutido e, hoje, o ENP já tem uma característica própria, que “dinamiza muito” o clero do Brasil.


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ARTIGOS

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 12 de fevereiro de 2012

DIALOGANDO E ESCLARECENDO (PADRE CIDO PEREIRA)

“Dizem que os mortos não voltam e que após a morte eles dormem. Por que então rezamos tanto pelas almas e fazemos mal a quem está vivo?” (Maria Miranda, São Paulo-SP) Maria Miranda, a quem você se refere quando afirma “dizem”? É verdade, os mortos não voltam. Agora, quem afirma que eles dormem são os evangélicos, não é mesmo? E eles afirmam isso para dizer que de nada adianta orar pelos mortos, rezar pelas almas. Eu lembro a você uma parábola de Jesus em que um morto dialoga com Abraão e intercede pelos seus irmãos, pedindo que Lazaro volte para avisá-los. Abraão responde que voltar é impossível. No diálogo, porém, o rico morto não está dormindo. Como Jesus contaria uma parábola colocando um morto acordado se os mortos dormem? Outra coisa: Jesus diz que na casa de seu Pai há muitas moradas. Se os mortos dormem não teria sido melhor Jesus dizer que na casa do Pai todos dormem?

Jesus disse ao bom ladrão: Hoje estarás comigo no paraíso. Se os mortos dormem, por que Jesus não disse que naquela noite o bom ladrão estaria dormindo no paraíso? Maria, minha irmã. É preciso sim orar pelos mortos suplicando para eles a misericórdia divina. Quanto a afirmar que rezamos tanto pelos mortos e fazemos mal a quem está vivo, eu penso que não é justo para tanta gente boa que existe no mundo. Os bons ainda são maioria neste mundo, viu minha irmã? E graças a Deus que são. Se os bons não fossem maioria, esse mundo já teria acabado pela ação dos maus. Não seja pessimista, Maria. Oremos pelos mortos. É o nosso jeito de amá-los agora que eles não estão mais conosco. E façamos bem aos outros, amemo-nos uns aos outros, como Deus pede nos mandamentos e como Jesus nos ensinou. Fique com Deus. Que Ele abençoe você e sua família.

VIDA EM FAMÍLIA (ROBERTO GIROLA – PSICANALISTA)

A gratidão Já experimentou momentos de paz profunda, em que você se sente “de bem” com a vida, grato por tudo o que ela lhe oferece, apesar de ser consciente das perdas e dos sofrimentos enfrentados para chegar até onde chegou? Se a resposta for positiva, você terá um sinal de sua saúde psíquica. No entanto, devemos evitar enganos, pois o sentimento de gratidão pode ser confundido com os mecanismos de defesa da negação, da racionalização, ou até com os estados eufóricos da defesa maníaca. Os mecanismos de defesa têm a função de “aliviar” a mente quando ela se vê próxima de estados de tensão intensos que prejudicam seu equilíbrio, trazendo sentimentos de angústia e a ameaça do colapso psíquico. Freud dedicou amplos estudos aos mecanismos de defesa que lhe permitiram identificar vários tipos de neuropsicose como resultantes desses funcionamentos da mente. A Psicanálise e a Psiquiatria identificam essas formas doentias do funcionamento mental de maneira diferente, com classificações muito mais sofisticadas na Psiquiatria (DSM). A Psicanálise distingue essencialmente a neurose em sua forma histérica, obsessiva, fóbica, a perversão e a psicose. No que diz respeito ao tema abordado neste artigo, mencionei três defesas, que se inserem no quadro mais complexo das neuropsicoses de defesa. A racionalização visa estabelecer um “controle” sobre a realidade, quando esta se apresenta de forma problemática, trazendo confusão, frustração e angústia. Ela se insere nos mecanismos da neurose obsessiva que visa substituir a tensão interna por rituais ou comportamentos que proporcionem a sensação de alívio e de controle. A razão de fato é um

dos instrumentos que podem nos dar a sensação de “controle”. Quem racionaliza tem uma explicação para tudo. Claro, trata-se de uma explicação que não satisfaz e não aplaca totalmente a angústia, mas que dá uma sensação provisória de controle sobre as emoções. A fala de quem racionaliza tende a desvalorizar o sentimento de decepção e de dor com raciocínios do tipo: “Fui demitido. Hoje em dia, muita gente perde o emprego, vou acabar achando um emprego melhor”. A negação é um processo que está mais próximo dos núcleos psicóticos da mente, pois tende a negar a realidade, criando uma realidade imaginária. É o estilo Poliana de ser. A vida é uma maravilha, nada é realmente tão grave assim. “Fui demitido, mas que bom, pois já estava cansado do emprego, vou poder ficar mais tempo com minha família.” A defesa maníaca visa substituir o processo depressivo que se instala diante das frustrações que são impostas pela vida, proporcionando uma saída por meio do recurso compensatório da euforia onipotente. “Fui demitido, mas quer saber?, Vou pegar o fundo de garantia e viajar para o exterior.” O estado eufórico nesse caso é proporcionado por um senso de onipotência que pode levar ao consumo descontrolado (compras), ao jogo compulsivo, à bebida ou até ao uso de drogas. Enquanto os mecanismos de defesa provocam reações que não são saudáveis, o sentimento de gratidão traz equilíbrio e serenidade, pois permite perceber com bastante clareza o que está acontecendo em nossa vida e nos transmitir um sentimento saudável de aceitação da realidade, como ela pode ser, tirando dela tudo o que de fato há de positivo.


IGREJA

Jornal Santuário de Aparecida • 12 DE fevereiro DE 2012

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SAÚDE PÚBLICA | MAIS DE 5 MIL PARTICIPANTES MARCARAM PRESENÇA NO SANTUÁRIO

Eduardo Gois eduardo.jornal@editorasantuario.com.br

Mais de cinco mil pessoas participaram da Romaria da Pastoral da Saúde, no sábado, 11, no Santuário Nacional. O encontro em Aparecida foi oportunidade de contato entre os agentes e coordenadores das pastorais da saúde de diversas localidades, para troca de experiências sobre o trabalho promovido. Nessa mesma data, a Igreja celebra, no mundo todo, o Dia Mundial do Doente. No Brasil, são cerca de 100 mil agentes de Pastoral da Saúde que fazem um verdadeiro trabalho de amor ao próximo, atendendo mais de 400 mil pessoas. De acordo com o coordenador nacional da Pastoral, o médico Sebastião Venâncio, a Romaria deste ano teve um grande foco: “Queremos dizer não à privatização da saúde”. Além disso, a ideia é que o sistema de saúde no Brasil seja baseado na prevenção. Feira de Santana é a segunda maior cidade do Estado da Bahia, na região Nordeste do país, com pouco mais de 670 mil habitantes. É lá que moram as professoras Maria do Carmo de Oliveira Bastos e Ana Maria Carvalho de Oliveira, donas de uma grande simpatia e aquele sotaque gostoso dos baianos. Atualmente, as duas são as responsáveis pela implantação da Pastoral da Saúde na Paróquia Senhor do Bonfim, onde participam ativamente das atividades pastorais. Pela segunda vez em Aparecida, elas afirmam que o maior desafio do processo de construção da Pastoral da Saúde é encontrar pessoas solidárias. Ana Maria relata que há necessidade de um trabalho efetivo nas comunidades rurais, na região de Feira de Santana. Entre os principais problemas estão a hipertensão, diabetes e a questão das drogas.

Ana Maria e Maria do Carmo são as responsáveis pela implementação da Pastoral da Saúde na comunidade em que participam, em Feira de Santana

“Estamos vivendo um momento muito crítico e agora, com a Igreja à frente disso, é uma forma de pressionar os governantes a tomar providências. Não tem mais cabimento pessoas morrerem até de gripe”, indigna-se Ana Maria. Elenir Aparecida de Castro Freitas veio de mais perto. Ela atua na Pastoral da Saúde da Paróquia de São Roque, em Aparecida (SP), e vê com bons olhos o trabalho baseado na Campanha da Fraternidade, que vem para “dar uma sacudida nas autoridades”, afirma. Trabalho pastoral com raízes na CF 2012 Com agentes qualificados e priorizando a promoção e a prevenção, tem sido feito um trabalho de incentivo às comunidades, para que possam mudar seus hábitos de vida. A Pastoral da Saúde também quer estimular a participação do povo nas conferências e nos conselhos de saúde. Para Sebastião Venâncio, fortalecer o controle social apoiando e acompanhando os conselheiros de saúde é uma maneira de garantir o que já está na lei: “Saúde é direito de todos e dever do Estado”. “Este ano, todas as nossas ações estão fundamentadas na Campanha da Fraternidade. Junto com outras pastorais sociais, queremos fazer um grande movimento, para que este ano seja um grande divisor de águas no que diz respeito à saúde. Vamos nos debruçar sobre o texto da Campanha da Fraternidade, não só durante a Quaresma, mas o ano todo.” Questão de prioridade Segundo o coordenador nacional, onde as autoridades desejaram, se interessaram e quiseram, a saúde melhorou sim. Mas existem muitas localidades que se encontram em grandes dificuldades, e é nesses lugares que deve haver mais cobrança. Apesar de o Programa de Saúde da Família ter alcançado, no último

Fotos: Eduardo Gois / JS

Romaria da Pastoral da Saúde evidencia tema da CF 2012 A missa das 9h no Santuário Nacional foi marcada por momentos de grande devoção

ano, 100 milhões de pessoas, ainda há muitos brasileiros que não têm qualquer tipo de acesso à saúde. “Outra dificuldade que avaliamos é a questão da gestão. Precisamos de pessoas de melhor qualificação para essa função. Há municípios que colocam 20% do orçamento na saúde e há Estado que não libera nem 2%. Outro problema é que ainda existem cidades que são obrigadas a deslocar seus doentes para outras localidades, por falta de estrutura”, explica. Mesmo com tantas dificuldades, Sebastião enxerga melhorias após a CF de 2012: “Acreditamos que haverá melhorias após a Campanha da Fraternidade, porque é algo que nasceu das bases. Foram as famílias e as pastorais sociais que fizeram isso”. Sebastião ainda avalia que se tem conseguido transformar realidades em municípios onde a Pastoral atua com a participação popular. “No dia em que toda a sociedade brasileira tiver consciência do seu papel de cidadã, haverá grandes mudanças, porque serão os conselhos, juntamente com os profissionais de saúde e o povo, que vão dizer o que

Romaria da Saúde contou com mais de 5 mil pessoas neste ano

precisa ser feito, e não os secretários de saúde.” Provavelmente, a força desse trabalho tenha sido fator primordial na escolha do tema da CF 2012 – Fraternidade e Saúde Pública. Na opinião do coordenador nacional, os agentes de pastoral terão um papel ainda mais decisivo na campanha: o estímulo à participação de toda a comunidade. Dimensões do trabalho pastoral Sebastião Venâncio faz questão de explicar as três dimensões do trabalho da Pastoral. A dimensão missionária (visitação) é a primeira: “Visitamos semanalmente uma média de 400 mil pessoas”, detalha. A outra dimensão é a comunitária, uma vez que, nas visitações, procura-se ensinar às pessoas um pouco sobre saúde. “Damos uma assistência na área da educação, para que as pessoas evitem doenças.” A outra força é a dimensão político-institucional, pois os agentes participam das conferências de saúde, nos âmbitos municipais, estaduais e nacionais, assim como dos conselhos que definem onde os recursos serão investidos.

Sebastião Venâncio: “Romaria da Saúde tem o sentido de vir à Casa da Mãe para receber as bênçãos e também reunir os agentes de pastoral do Brasil inteiro para um momento de partilha e unidade”


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JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 12 DE FEVEREIRO DE 2012

“SE LIGA AÍ”

JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE | IMAGEM VAI INSPIRAR ENCONTRO COM O PAPA NO RIO

JMJ Rio 2013 lança logomarca oficial do evento A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2013 já possui logomarca oficial. O autor da arte que deve inspirar o encontro entre jovens de todo o mundo e o Papa é um brasileiro de Cantagalo, município da região serrana do Rio de Janeiro. O designer gráfico Gustavo Huguenin, 25 anos, participa da Renovação Carismática Católica (RCC) e também atua em outras pastorais da Igreja. Ele explica que o processo de criação foi regado à oração. “Refleti sobre o tema do evento e pedi ao Senhor a inspiração para criar uma imagem que tivesse o conceito da Jornada, que transmitisse os nossos valores como católicos, fosse cristocêntrica, e que os jovens pudessem utilizar para mostrar e motivar outros jovens a estar no Rio”, conta. Ao todo, mais de 200 trabalhos foram enviados de diversas partes do mundo. Desse total, duas peças foram apresentadas ao Pontifício Conselho para os Leigos, no Vaticano, que chegou à escolha em comum acordo com o Comitê Organizador do evento no Rio. Essa será a primeira vez que Gustavo

Gustavo explica que a logomarca precisava expressar uma referência direta à imagem de Jesus e ao sentido do discípulo. No

participa de uma JMJ. “Espero que a logomarca passe à frente dessa comunicação e seja convidativa aos jovens, para que estejam no Rio, e, juntos, celebremos esse momento entre diversas culturas, nacionalidades. Estar perto do Papa, com milhões de jovens, será uma alegria imensa. Somente nesse momento é que entenderei a dimensão disso tudo”, declara. O jovem designer acredita ainda que todos os dons e talentos devem ser colocados a serviço da evangelização. “Isso tem acontecido comigo e o Senhor coloca-me em lugares que jamais poderia imaginar. Coloco o pouco que tenho para que sua obra aconteça”, finaliza. A próxima JMJ acontece no Rio de Janeiro entre 23 e 28 de julho de 2013. O tema é “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28,19). A última edição aconteceu em agosto de 2011 em Madri, capital espanhola, e reuniu mais de dois milhões de jovens de 190 países. O lançamento Autoridades políticas e religiosas lotaram o auditório do Edifício João Paulo II (sede administrativa da Arquidiocese do Rio de Janeiro) na noite de quintafeira, 7, na capital fluminense. Estiveram

capítulo 28 do Evangelho de Mateus, que serviu de inspiração ao tema da JMJ, Jesus encontra-se com seus discípulos em uma montanha, após sua ressurreição. “Como símbolo da cidade do Rio de Janeiro, o Cristo Redentor também se encontra em uma montanha e é um monumento reconhecido no mundo inteiro”, salienta. Os elementos do símbolo formam a imagem de um coração. “O discípulo

presentes: o presidente do Comitê Organizador Local (COL) e Arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta; os vice-presidentes do COL; o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Arcebispo de Aparecida, Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis; o recém-nomeado secretário da Congregação para os Bispos e até então Núncio Apostólico no Brasil, Dom Lorenzo Baldisseri; e mais cem bispos de todo o país. “Os jovens levarão daqui valores novos para o mundo. EstaO Arcebispo do Rio, Dom Orani, ao lado remos influenciando o do jovem autor da logomarca, Gustavo Huguenin presente e o futuro”, afirmou Dom Orani. O cristãos”, afirmou. Por sua vez, o goverprefeito do Rio, Eduardo Paes, disse nador do Estado, Sérgio Cabral, disse que a cidade se mobilizará para realique será feito todo o possível para que essa seja “a JMJ mais extraordinária de zar a maior JMJ da história. “Será um todas”. encontro de amor, de paz, fé e valores

Fotos: Divulgação / JMJ Rio 2013

Leonardo Meira leonardo.jornal@editorasantuario.com.br

é aquele que carrega Jesus no coração, que acolhe essa experiência de amor com Deus”, explica. Além disso, os braços do Cristo Redentor ultrapassam a figura do coração, como o abraço acolhedor de Deus nos povos e jovens que estarão no Brasil. A parte superior (em verde) foi inspirada nos traços do Pão de Açúcar, símbolo universal da cidade do Rio de Janeiro, e a cruz ali presente reforça o sentido do território brasileiro, conhecido por Terra de

Santa Cruz. “As formas que finalizam a imagem do coração possuem a cor azul, representando o litoral, somada ao verde e amarelo que transmitem a brasilidade das cores da bandeira nacional”, conclui Gustavo.

Confira a entrevista com Gustavo na íntegra. Acesse http://bit.ly/logojmj2013

Jornal Santuário de Aparecida [Ed. 5579 - 12 fev 2012]  

Edição 5579 - 12 de fevereiro de 2012. Saiba mais em http://www.jornalsantuario.com.br

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