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4ª Peregrinação Nacional das Famílias acontece em Aparecida

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Leonardo Meira / JS

Jovens vivem clima de expectativa 13

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ANO 111 • Nº 5.590 • 29 DE ABRIL DE 2012 • WWW.JORNALSANTUARIO.COM.BR

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A PA R E C I D A

Rafael Felix / Leonardo Meira / JS

A 50ª Assembleia Geral da CNBB aconteceu entre os dias 18 e 26 de abril no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, em Aparecida (SP). Os bispos do Brasil refletiram como tema central A Palavra de Deus na vida e missão da Igreja. Confira os principais assuntos em debate.

8 DECISÃO

ORIENTAÇÃO

POSICIONAMENTO

Documento final oferece linhas de ação para animação bíblica da pastoral

CNBB divulga duas notas e duas mensagens

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Leonardo Meira / JS

Reprodução

Leonardo Meira / JS

Fundo solidário para a formação de seminaristas é criado

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Da Redação

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 29 DE abril de 2012

.: Editorial

.: Espaço do leitor

Agradecimentos A vida fica muito mais saborosa e vale mais a pena quando é regada por uma boa dose de reconhecimento, não é mesmo?! Em jornalismo isso não é diferente. O JS desta semana é uma prova viva disso. Para que esta edição especial pudesse chegar até você, muitas foram as colaborações. Tudo começou com a reunião de pauta de nossa equipe de redação, que definiu quais assuntos deveriam ganhar prioridade em nossa cobertura da Assembleia Geral da CNBB. Com o início do evento, o esboço de nossa edição “caiu por terra” e foi modificado uma porção de vezes, tudo isso para que pudéssemos reunir as informações mais importantes sobre as decisões e o dia a dia dos mais de 300 bispos do país reunidos em Aparecida. A dedicação dos repórteres de nossa equipe durante os nove dias de assembleia foi simplesmente notável. Horas a fio para conseguir entrevistas, ficar antenado nas coletivas de imprensa e enfrentar o cansaço durante o fechamento da edição foram apenas alguns de nossos desafios. Da mesma forma, todo o apoio da assessoria de imprensa da CNBB e dos bispos que nos atenderam em entrevistas merece ser lembrado. Não podemos deixar de mencionar ainda os grupos da Editora Santuário que costumeiramente trabalham em cooperação conosco, mas que tiveram uma carga a mais de serviço nos últimos dias e cuja colaboração foi crucial para que pudéssemos chegar a este resultado final. Agradecemos particularmente à direção-geral, que permitiu o acréscimo de mais um conjunto de quatro páginas nesta edição, dada a importância da assembleia. Só assim foi possível reunir em uma única edição ao menos o principal do que aconteceu na casa da Mãe Aparecida durante estes últimos dias de abril. Esperamos que esta edição especial do Jornal Santuário possa ser uma fonte fiel de consulta sobre os rumos da Igreja no país. Até a assembleia de 2013!

O JS perguntou aos curtidores de nossa página no facebook: Arquivo Pessoal

A Palavra de Deus foi o tema central da 50ª Assembleia Geral da CNBB. Você acredita que os católicos no Brasil já conhecem suficientemente a Bíblia? Confira o resultado: Desejo que estejam gozando de boa saúde, felicidade e sob a proteção de Nossa Senhora Aparecida. Gostaria de parabenizar meu filho Cláudio Donizete, assinante do Jornal Santuário há 50 anos, pelos seus 34 anos de casamento, completados no mês de abril. Maria Aparecida Godói Souza, Monte Alegre do Sul (SP)

Sou assinante do JS há 40 anos e digo que o jornal está ótimo. Leio todas as páginas. Atualmente tenho 83 anos e agradeço a Deus por isso. Adolfo Wiemes, Santa Rosa de Lima (SC)

O Jornal Santuário de Aparecida é uma publicação semanal dos Missionários Redentoristas

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CONSELHO EDITORIAL: Pe. Jorge P. S. Sampaio, C.Ss.R. Pe. José Uilson Inácio Soares Júnior, C.Ss.R.

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EDITOR: Leonardo Meira - MTB 14261/RS REVISão: Ana Lúcia de C. Leite Leila Cristina Dinis Fernandes Lessandra Muniz de Carvalho Camila de Castro Sanches dos Santos

Redação (12) 3104.2019 Assinaturas (12) 3104.2040 0800 16 00 04

Jornal www.jornalsantuario.com.br Santuário de Aparecida jornalsantuario@ Rua Pe. Claro Monteiro, 342 editorasantuario.com.br

REDAÇÃO: Deniele Simões - MTB 26435/SP Eduardo Gois - MTB 57928/SP DIAGRAMAÇÃO: Rafael Felix Simone Godoy

Centro – Aparecida (SP) Cx. Postal 4 – 12.570-000

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mais de Nacional. O evento, promovido pela Academia Marial, teve como foco a intercessão mariana.

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Diretor-Geral: Pe. Marcelo Conceição Araújo, C.Ss.R.

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O casal Geraldo e Jesumina Fabri Casagrande completarão bodas de ouro de seu casamento no próximo dia 19 de maio. Eles moram em Rolândia (PR) e são assinantes do JS. O casal agradece a Deus e a Nossa Senhora Aparecida as graças alcançadas.

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*Valor total da assinatura semestral: R$ 50,00. Assinatura anual R$ 81,00 nas mesmas condições. Preços válidos até dezembro de 2012.


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EPISCOPADO | “IMPORTANTE É FIDELIDADE À VOCAÇÃO PROFÉTICA”, DIZ CARDEAL

CNBB completa 60 anos de história

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) completa 60 anos de existência em 2012, bem como o marco de 50 Assembleias Gerais. Uma história marcada pela defesa dos mais altos valores humanos e pela coragem de se fazer voz dos excluídos e marginalizados. Por ocasião do jubileu de diamante da entidade, o presidente da Conferência e Arcebispo de Aparecida, Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis, concede entrevista exclusiva ao JS. Ele fala sobre os objetivos da CNBB, sua atuação eclesial e social e sobre quais são temas que mais ocupam a atenção do episcopado no Brasil. Jornal Santuário de Aparecida – O que é a CNBB? Qual é a sua missão? Ela possui alguma forma de controle ou autoridade sobre os bispos do país? Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis – A CNBB é a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Trata-se de um organismo permanente, que congrega os bispos que exercem funções pastorais em todo o território brasileiro. Sua missão, como vem apresentada no segundo artigo de seu Estatuto Canônico, está na linha da vivência do afeto colegial entre os bispos e, também, na promoção da comunhão na ação evangelizadora entre as dioceses do Brasil. Ela representa ainda o episcopado em outras instâncias, inclusive civilmente. A autoridade da CNBB vem do fato de ela ser uma expressão especial da comunhão entre os bispos. Não se pode falar propriamente de uma autoridade sobre os bispos. Em alguns casos, a lei universal da Igreja prevê que os bispos possam exercer conjuntamente, nas Conferências Episcopais, sua autoridade jurídica e de magistério. Pela autoridade jurídica se estabelecem leis ou normas. Pelo magistério, se exerce o ensino oficial da fé católica. Mas isso só ocorre extraordinariamente. E, mesmo assim, não se trata propriamente de autoridade sobre os bispos, mas de um exercício colegial da autoridade dos bispos, que se torna vinculante e obrigatória para eles mesmos. JS – A entidade completa 60 anos em 2012. Sua criação representou um divisor de águas, no sentido de ser um marco na história da preocupação da Igreja em nosso país com as questões sociais e dos excluídos, rompendo com o poder temporal instituído. Hoje, como o senhor avalia a atuação social da Conferência e seus reflexos efetivos na vida das pessoas? Dom Raymundo – É verdade que a preocupação da CNBB com os pobres e excluídos é uma constante em sua história. Por exemplo, na 1ª Assembleia

Geral, que se deu em Belém (PA), em 1953, esteve em pauta a questão da reforma agrária. Eu não diria, porém, que sua fundação foi um divisor de águas se, com isso, se entende que antes não havia essa preocupação. Havia sim. Diversas reuniões dos bispos, em diferentes regiões do Brasil, antes mesmo da fundação da CNBB, já tratavam de importantes temas sociais da vida nacional. Eu não falaria também em ruptura com o poder temporal instituído. Houve um crescimento da consciência da autonomia entre Igreja e Estado. A postura crítica da Igreja no Brasil diante do Estado em determinadas fases da história recente, e também diante de algumas políticas públicas, ganhou força, evidentemente, com a criação da CNBB. Atualmente, a atuação da Conferência no que se refere à sociedade e ao Estado brasileiros pode ser acompanhada principalmente pelas Notas e Declarações que são emitidas pelos diversos órgãos: Assembleia Geral, Conselho Permanente, o Conselho Pastoral e a Presidência. Atenção preferencial é prestada a questões que afetam os mais pobres e desprotegidos e às grandes questões éticas, como se pode facilmente constatar pela divulgação que a própria Conferência faz de suas atividades no site e no boletim de notícias. JS – O período em que o Brasil viveu sob a ditadura militar forjou uma Conferência cada vez mais alinhada com os valores democráticos e de liberdade. O que fazer para que a CNBB não perca a autoridade moral e a relevância que adquiriu em nosso país? Dom Raymundo – Os valores humanos são um referencial perma-

O anúncio da fé

é o fundamento

de tudo para nós.

Toda a nossa atuação

social brota de nosso compromisso

pessoal e comunitário com Jesus Cristo.

nente da Doutrina Social da Igreja. Cardeal Dom Raymundo Damasceno Sobre esses a Igreja Assis indica que tem se manifestado meta é fidelidade nas grandes Encíà missão da Igreja clicas Sociais desde o Papa Leão XIII, ainda no século XIX. Mas também os Papas, as conferências episcopais por todo o mundo e os bispos em suas sedes têm se manifestado através de discursos, cartas pastorais e outros meios, sempre na promoção e defesa desses direitos. O período da Ditadura Militar em nosso país, pela flagrante violação dos direitos humanos de muitos que foram considerados subversivos, perigosos para a segurança nacional, ofereceu a ocasião para manifestações mais claras e diretas da Igreja na defesa desses direitos. JS – E como fazer para que essa As circunstâncias no Brasil mudaram, postura de defesa dos valores humamas isso não significa que não haja nos não soe como algo enfadonho ou graves problemas com relação a esses “coisa de Igreja” apenas. Ou seja, como direitos. Eles existem. E a Igreja no anunciar e defender os pilares da fé no Brasil nunca deixou de estar atenta, contexto atual de modo convincente? de denunciar e de fazer propostas concretas. Dom Raymundo – São duas questões Não se trata de nos preocupar em conexas, mas não idênticas. A defesa dos não perder autoridade moral e a relevalores humanos é feita pela Igreja de vância. Trata-se de fidelidade ao Evanmodo claro, sem retórica e sem complicagelho, ao ensinamento social da Igreja ção de argumentos. Nossos fundamentos e à vocação profética de cada cristão e para isso são os valores revelados que dos bispos em especial. Não nos preose encontram na Sagrada Escritura em cupa manter posições conquistadas. estreita ligação com os valores ligados O que é premente para nossa consà própria natureza humana. A acusação ciência de pastores é o cumprimento de que isto seja “coisa de Igreja”, com de nossa missão na fidelidade a Jesus conotação pejorativa, é feita pelos que, Cristo, à missão da Igreja e ao homem por razões ideológicas ou por interesses à luz do Evangelho. pessoais, se sentem incomodados com a nossa atuação eclesial. O anúncio da fé é o fundamento de tudo JS – Quais são os temas contempara nós. Toda a nossa atuação social brota porâneos em debate no Brasil que de nosso compromisso pessoal e comumais preocupam a CNBB? nitário com Jesus Cristo, brota de nossa fé. Mesmo quando a Igreja colabora com Dom Raymundo – Entre os temas outras instituições em questões sociais, ou que a CNBB tem dado atenção prefeaté quando ela mesma realiza ações que rencial está o tema da pobreza e da poderiam ser realizadas por outros, ela é miséria, a saúde pública, a educação, consciente de que o faz por fidelidade ao a reforma agrária, a questão indígeDeus da Vida. Mas a fé continua sendo o na, a questão do trabalho escravo, os centro e o fundamento de tudo na Igreja. desafios pelos quais passa a juventude, os valores da vida e da família. JS – Quais são os principais Mas esses temas não esgotam nossa desafios de ser bispo no Brasil de atenção. Qualquer violação aos direihoje? tos humanos nos sensibiliza e nos move a ações concretas, de acordo Dom Raymundo – Creio que o com as exigências da justiça e da principal desafio de ser bispo hoje, dignidade humana.

Divulgação / Arquidiocese de Aparecida

Leonardo Meira leonardo.jornal@editorasantuario.com.br


EDIÇÃO ESPECIAL

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Não nos preocupa manter posições conquistadas, mas o cumprimento de nossa missão à luz do Evangelho.

no Brasil ou em qualquer parte do mundo, é o de evangelizar. Transmitir a fé e ajudar a cultivá-la em comunidades vivas, missionárias, participativas, alegres e entusiasmadas é o centro da missão de um bispo. Ser o promotor da comunhão na diocese, animando, principalmente, os sacerdotes, seus colaboradores imediatos no cumprimento dedicado de sua missão. Isso é o que melhor caracteriza o ministério episcopal. E isso, como eu disse, não só no Brasil, e não só hoje. JS – É difícil promover a integração de um dos maiores e mais diversificados episcopados do mundo?

Dom Raymundo – Não somos o maior episcopado do mundo. Somos maiores em número de dioceses. Maiores que o nosso são o episcopado norte-americano e o italiano. Mas somos, sim, um grande episcopado. Meu ministério de presidente da CNBB coloca sobre meus ombros a tarefa de colaborar com meus irmãos bispos e de servir à comunhão entre eles. Não a cumpro sozinho. A CNBB tem uma presidência, composta pelo vice-presidente e pelo secretário-geral. Temos também um secretariado eficiente e competente. Além disso, há doze comissões episcopais permanentes e duas comissões especiais. Cada uma delas conta com vários bispos e com assessores. Além disso, o secretariado-geral conta

com a colaboração de dedicados e competentes religiosos e funcionários leigos. O serviço da comunhão no episcopado e na ação evangelizadora da Igreja no Brasil é bem servido por todas essas pessoas. Eu, humildemente, presido os trabalhos de nossa Conferência, e me sinto o primeiro beneficiado por toda essa riqueza. JS – Com relação à contribuição que a Igreja Católica oferece à sociedade brasileira, a CNBB acredita que já se alcançou um nível de maturidade adequado nesse diálogo? O que ainda deve ser aprimorado ou modificado? O Acordo Brasil-Santa Sé auxilia nesse sentido? Dom Raymundo – Desfrutamos, hoje, de um nível muito bom no diálogo com a sociedade. Em dois sentidos: com o povo em geral e com as organizações da sociedade civil. As grandes campanhas que promovemos – como a Campanha da Fraternidade – são prova de que nossa capacidade de comunicação com o povo é bastante satisfatória. A sociedade, em geral, respeita e ouve a opinião da CNBB sobre as mais diversas questões da vida pública nacional. O Acordo Brasil-Santa Sé está em outro nível. Ele se situa nas relações oficiais entre o Estado Brasileiro e a Santa Sé, que é também um Estado reconhecido internacionalmente. Nesse acordo se encontram previstos os procedimentos para diversas questões de interesse da Igreja, para garantir sua atuação com maior liberdade no Brasil. A CNBB encontra sempre acolhimento cordial por parte das autoridades nacionais. Isso não significa que todas as reivindicações que ela apresenta sejam atendidas. Mas ela sempre é ouvida e muito respeitada. JS – Em 2013, acontecerá a 50ª edição da Campanha da Fraternidade, que tem como tema “Fraternidade e Juventude”. Frente às pesquisas que mostram o relativo distanciamento dos jovens da prática religiosa, de que modo a CNBB pode auxiliar no processo de reversão desse quadro? Dom Raymundo – A atenção que a Igreja tem

pela juventude faz parte de sua missão evangelizadora. Transmitir a fé às gerações jovens e auxiliar em seu processo de amadurecimento na fé é uma tarefa essencial. Estar atenta aos problemas e desafios que a juventude enfrenta é o modo sincero de mostrarmos aos jovens que eles são importantes para nós, que estamos perto deles, a seu lado, e que eles podem contar conosco. A prática religiosa da juventude é uma consequência de sua adequada evangelização. Jovens evangelizados são jovens praticantes e evangelizadores dos próprios jovens. Mas é um pouco natural que na fase juvenil haja certos questionamentos. E eles se dirigem também à Igreja. É preciso ter paciência, muita proximidade e ouvi-los para responder a esses questionamentos e ajudar os jovens a aderir profundamente à fé e aos valores do Evangelho. Por meio do Setor Juventude, da Pastoral da Juventude e dos movimentos e serviços voltados para a juventude, bem como pela Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude, a Igreja quer ser cada vez mais eficaz na evangelização de nossos jovens. JS – O ano de 2012 marca também os 50 anos da convocação do Concílio Vaticano II. O que ele representou e representa para a atividade pastoral da Igreja, especialmente no Brasil? As disposições conciliares já foram plenamente implementadas? Se não, o que ainda falta? Dom Raymundo – Em 11 de outubro de 2012, será comemorada a aber-

Fotos: Leonardo Meira / JS

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tura da primeira Sessão do Concílio Vaticano II. O Papa Bento XVI proclamou um Ano da Fé – que irá dessa data até o dia de Cristo Rei de 2013 – como início das comemorações do cinquentenário do Concílio. A presidência da CNBB constituiu um Grupo de Trabalho para refletir e apresentar propostas em vista das comemorações no Brasil. Durante a 50ª Assembleia Geral da CNBB dedicamos uma sessão especial, comemorativa, para apresentar propostas do Grupo de Trabalho e para ouvir a opinião dos bispos a esse respeito. Essas comemorações querem ser realizadas em espírito de abertura, para, hoje, “ouvir o que o Espírito diz à Igreja” (Ap 2,7). O Concílio Vaticano II representou o momento de um grande entusiasmo na Igreja. O Beato Papa João XXIII se referia a ele como uma “flor de primavera inesperada”, como renovação da graça de Pentecostes. E foi exatamente isso que o Concílio representou e representa ainda para a Igreja no Brasil. A partir das grandes opções do Concílio, a CNBB se organizou. A Igreja no Brasil vivenciou o crescimento dos ministérios ordenados e leigos, o surgimento e a expansão das pastorais, dos movimentos e das comunidades. Enfim, o Concílio foi ocasião de grande e profunda renovação da Igreja no Brasil. Esperamos que as comemorações cinquentenárias do Concílio Vaticano II levem a um conhecimento e a um aprofundamento ainda maior do Concílio à luz das experiências e desafios atuais e a uma renovação da fé, do amor a Jesus Cristo e à Igreja e do ardor missionário de todo o povo de Deus.


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Leonardo Meira leonardo.jornal@editorasantuario.com.br

O dia 11 de outubro de 2012 marca o início oficial de uma série de recordações na Igreja Católica em todo o mundo. A mais emblemática são as comemorações do cinquentenário do início do Concílio Vaticano II, que durou de 1962 a 1965. A CNBB criou uma Comissão para organizar as celebrações dos 50 anos do Concílio. Os trabalhos são presididos pelo Arcebispo de São Paulo, Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer. “O Concílio teve um reflexo na vida global da Igreja, trouxe uma nova postura da Igreja, da eclesiologia, através da Constituição Dogmática Lumen Gentium. A Igreja se compreende e se propõe de forma nova diante do mundo. O grande resultado do Concílio foi a renovação litúrgica –

talvez o aspecto mais perceptível –, mas houve enorme avanço no campo do ecumenismo, um enorme crescimento da Igreja em relação à melhor acolhida e mais atenção à Palavra de Deus, por exemplo”, afirma. De acordo com o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Amazônia e prefeito emérito da Congregação para o Clero, Cardeal Dom Cláudio Hummes, o Vaticano II foi de fato uma primavera. “A Igreja cresceu tremendamente com e a partir desse marco histórico. Quem é anterior ao Concílio pode fazer comparações de como de fato a Igreja se renovou amplamente. A grande busca foi tornar a Igreja compreensível para esse mundo. E isso o Concílio conseguiu de forma admirável: foi uma boa notícia, até para o mundo que não era cristão. Claro que houve tensões, como acontece nesses momentos de transição,

mas não de ruptura. Na Igreja há tradição, mas ela é enriquecida com novas formas de a Igreja se apresentar e viver na sociedade. Não se criou uma nova Igreja, é a mesma. Aqui no Brasil, por exemplo, houve um número fantástico de encontros, congressos, para que a Igreja, os padres, bispos e leigos compreendessem o que esse Concílio tinha proposto. Naquela época se dizia que o Brasil era o que mais tinha se aprofundado nessa questão”, testemunha. Dom Odilo salienta que o Concílio também marca uma nova atitude da Igreja diante das situações do mundo, dos problemas, do diálogo com a cultura. “Acredito que o Concílio trouxe enormes reflexos, que podem ser medidos quer em questões pastorais concretas, quer muito mais amplamente, de uma nova forma de a Igreja estar no mundo e se relacionar com o mundo”, reforça.

Basílica de São Pedro foi transformada em grande Sala Conciliar durante os trabalhos

Arquivo

Concílio Vaticano II deu vigor à presença da Igreja no mundo

Confira entrevistas na íntegra e saiba mais. Acesse http://bit.ly/50agcnbb_cvii

O Ano da Fé é outra grande comemoração que começa em 11 de outubro deste ano. O período foi proclamado pelo Santo Padre e segue até a Festa de Cristo Rei de 2013, que será celebrada em 24 de novembro. O Papa Paulo VI, em 1967, já havia proclamado um Ano da Fé. Agora, Bento XVI convoca novamente esse período, tendo muito presente a cultura secularizada da Europa e de outros países do hemisfério Norte, mas que também chega ao Brasil. “Entre nós, essa mentalidade também vai acontecendo. As pessoas perdem o referencial religioso, o sentido da vida. Se o Ano da Fé deve dar resposta à tendência secularizante, temos a necessidade de considerar que temos no Brasil um quadro diferente: é o pluralismo religioso. E também a privatização da religião: cada um faz suas escolhas,

vive a fé e a religião a seu modo. Por isso o Papa proclamou o Ano da Fé, para responder à crise de fé em meio à secularização, mas também à crise baseada no pluralismo radical no campo ético e religioso”, explica o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé e Arcebispo de Brasília, Dom Sérgio da Rocha. O arcebispo de São Paulo, Cardeal Dom Odilo Scherer, indica que o fruto esperado e desejado é um reencontro com a fé, uma tomada de consciência dos católicos sobre a fé que, muitas vezes, eles mesmos desconhecem. “A tentação seria a de os católicos esconderem, deixarem na sombra a força do testemunho da fé, para estarem na mentalidade do mundo. Precisamos fazer resplandecer a luz da fé, quer por palavras, quer, ao mesmo tempo, através da vivência.”

Renovar a fé nos cristãos é objetivo central desse período

Reprodução

Ano da Fé deve levar à renovada e autêntica conversão

Já o Cardeal Claudio Hummes ressalta a importância de conjugar o Ano da Fé com a Palavra de Deus. “Uma coisa leva à outra. O Ano da Fé não se entende sem a Palavra de Deus, porque a fé é exatamente a nossa atitude ao escutar a Palavra. Na medida em que ouvimos Deus falar, surge a fé em nós”, destaca. Dom Hummes adverte também que não se pode mais

pressupor a existência da fé. “Muitas vezes falamos das consequências da fé, mas o mundo que nos escuta não tem fé. Como será consequente com uma fé que não existe? O Papa diz que é preciso renovar a fé, pois só então nossa voz pode ser ouvida. É preciso renova-lá nos cristãos, nos católicos, pois só assim podem ser dadas as razões da nossa fé e da nossa ética.” Os conteúdos do Catecismo da Igreja Católica serão particularmente valorizados nesse período, como deseja o próprio Papa.

Confira entrevistas na íntegra e saiba mais. Acesse http://bit.ly/50agcnbb_anodafe

Arquivo

Dioceses criam fundo solidário para formação de seminaristas

Será destinado ao fundo 1% da renda de cada diocese, pelo periodo de cinco anos

Os bispos do Brasil aprovaram por unanimidade a criação de um fundo para auxiliar na formação dos seminaristas

das dioceses mais carentes. O objetivo é destinar, durante cinco anos, 1% da renda ordinária de cada diocese do país para esse objetivo. Hoje, há 31 dioceses com receita de até R$20 mil por mês e 13 com renda de até R$10 mil mensais. “Para se manter um seminarista é gasto, por mês, cerca de dois a três salários mínimos. O importante é que todas as dioceses trabalhem irmanadas na formação dos futuros sacerdotes”, destaca o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, Justiça e Paz, Dom Guilherme Werlang. Durante a apresentação da proposta ao plenário da 50ª Assembleia Geral, alguns bispos sugeriram que a proposta seja ampliada, incluindo

outras vias de arrecadação de fundos que já existem na Igreja no Brasil e que poderiam contribuir com o objetivo. Houve ainda sugestões de que as redes católicas de comunicação que realizam campanhas de arrecadação financeira junto aos fiéis tivessem algum tipo de iniciativa para fortalecer o esforço dos bispos e das dioceses, com o objetivo de amparar as mais pobres e necessitadas. Além disso, também se mencionou a criação e divulgação de uma conta em que qualquer pessoa poderia depositar o valor que desejasse, colaborando com o fundo. Os bispos também aprovaram a proposta da formação de um grupo de trabalho que irá acompanhar a execução

do projeto de solidariedade para ajudar na formação dos seminários. As dioceses mais carentes são as que seguem: Dioceses com renda mensal de até R$10 mil – Marajó (PA), São Felix do Araguaia (MT), Corumbá (MS), Borba (AM), Rui Barbosa (BA), Ponta de Pedras (PA), Paranatinga (MT), São Raimundo Nonato (PI), Zé Doca (MA), Brejo (MA), Carolina (MA), Bom Jesus do Gurgueia (PI), Bagé (RS). Dioceses com renda mensal de até R$20 mil – Abaetetuba (PA), Barra (BA), Oeiras (PI), Jardim (MS), Lábrea (AM), Cametá (PA), Coroatá (MA), Floriano (PI), Salgueiro (PE), Itabuna (BA), Tefé (AM), Três Lagoas (MS), Irecê (BA), Coari (AM), Cristalândia (TO), Cruzeiro do Sul (AC), Crateús (CE), Coxim (MS).


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EDIÇÃO EDIÇÃO ESPECIAL ESPECIAL

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 29 DE ABRIL DE 2012

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) é uma publicação oficial do Vaticano que reúne os principais pontos da fé e da doutrina da Igreja. O texto foi lançado em outubro de 1992 e completa 20 anos em 2012. A obra deve ser um dos temas centrais do Ano da Fé, proclamado pelo Papa Bento XVI para acontecer entre outubro deste ano e outubro de 2013. Redescobrir os conteúdos do CIC é uma espécie de ponto-chave para a pastoral da Igreja, especialmente nesse período. O presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé da CNBB e Arcebispo de Brasília, Dom Sérgio da Rocha, explica que já são preparadas várias iniciativas aqui no Brasil. Uma das mais simbólicas é o Congresso sobre o CIC, que deve acontecer em setembro, em Curitiba (PR), e contar com a presença do secretário da Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano, Dom Luis Francisco Ladaria Ferrer. Também está-se fazendo uma revisão da linguagem tanto do CIC quan-

to do Compêndio do CIC, lançado em 2005 e que traz o conteúdo de forma mais sucinta, no formato de perguntas e respostas. “Precisamos melhorar a redação e a linguagem dos textos”, adverte Dom Sérgio. Além disso, a Comissão trabalha na formulação de textos e outros subsídios, sempre com o intuito de repropor o Catecismo e incentivar a leitura da obra. Mas não basta que tudo isso aconteça em nível de Conferência Episcopal. É preciso que haja iniciativas pastorais nas dioceses, incentivando-se a utilização do Catecismo na pastoral, e também nas paróquias, para que o povo em geral possa conhecer os conteúdos fundamentais do Catecismo. “Sabemos que o Catecismo tem um esquema que pode servir de grande orientação para o próprio Ano da Fé. Ele se organiza em A fé professada – que apresenta os conteúdos fundamentais da fé, através da oração do Credo, pois há muita gente que não entende certos artigos do Credo. Temos também A fé celebrada – precisamos crescer, a fé não pode ficar apenas na cabeça,

Eduardo Gois/JS

Missão Continental deve ser espírito da atividade da Igreja

Dom Geraldo ressalta que a Missão Continental é projeto de animação missionária Eduardo Gois eduardo.jornal@editorasantuario.com.br

A Missão Continental é uma das principais heranças da V Conferência Geral do Episcopado Latinoamericano e do Caribe (Celam), que aconteceu em maio de 2007 em Aparecida. É o que afirma o delegado da CNBB junto ao Celam e Arcebispo de Mariana (MG), Dom Geraldo Lyrio Rocha. Durante a preparação para Conferência, Dom Geraldo recorda que foram levantados alguns questionamentos: “Qual é o grande problema que atinge a Igreja do continente latino-americano? Afinal de contas, o que é mesmo ser católico?”, exemplifica. Após uma grande reflexão, os bispos reunidos ressaltaram que se chegou à conclusão de que o problema do continente é que, mesmo tendo maioria católica, a questão mais problemática

é a da identidade religiosa, e não da identidade cultural e social. A resposta do que é ser católico aparece na formulação do objetivo e do tema da V Conferência – ser católico é ser discípulo e missionário de Jesus Cristo. “O católico tem de ser discípulo de Jesus, e quem se torna discípulo é missionário dele e de seu evangelho”, reflete Dom Geraldo. O delegado da CNBB junto ao Celam ressalta ainda que a Missão Continental não é feita somente por alguns eventos, mas de forma muito mais profunda. “É a Igreja no continente latino-americano colocada em estado permanente de missão. Nós temos de investir para que os católicos tomem consciência dessa realidade tão bela, bonita, profunda e desafiadora de sermos discípulos-missionários de Jesus, fazendo disso uma atividade presente no próprio dia a dia das comunidades.” Ele destaca ainda que a ação missionária deve ser levada adiante pela catequese, liturgia, movimentos eclesiais e pastorais. “A Missão Continental não é propriamente uma atividade, e sim um espírito que deve perpassar todas as atividades da Igreja”, afirma. Dessa forma, a Missão não é um projeto missionário propriamente dito, mas se trata de um projeto de animação missionária. Um dos compromissos centrais da Conferência de Aparecida foi exatamente o de despertar a consciência de discípulos dos cristãos, resgatar a dimensão missionária da Igreja e convocar para uma missão em todo o continente.

Dom Sérgio destaca a necessidade de se conhecer o Catecismo

mas deve chegar ao coração. E a fé deve virar vida, e aí está A fé vivida – o Catecismo tem muitas respostas sobre assuntos atuais, e isso é geralmente desconhecido”, relata o

presidente da Comissão. Os textos do Catecismo e do Compêndio podem ser encontrados no site oficial do Vaticano, nos mais diversos idiomas.

Confira a entrevista na íntegra. Acesse http://bit.ly/50agcnbb_catecismo

Tradução do Missal exige trabalho minucioso Eduardo Gois eduardo.jornal@editorasantuario.com.br

O processo de tradução da terceira edição do Missal Romano para o português também esteve em pauta durante a Assembleia Geral. A Comissão Episcopal para a Tradução dos Textos Litúrgicos (Cetel) é que comanda o trabalho. De acordo com o presidente da Cetel e da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB e também bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA), Dom Armando Bucciol, a liturgia é sempre um tema de grande peso nas assembleias. “A liturgia é sempre tema de destaque, pois é algo que envolve a totalidade do povo, com uma linguagem simbólica, e que envolve não somente a totalidade da pessoa em momentos específicos e especiais no seu relacionamento pessoal com Deus, mas também como experiência eclesial”, ressalta. Dom Armando enfatiza que o trabalho requer tempo, além de exigir minuciosa dedicação da comissão. “O trabalho é demorado: fizemos até agora a revisão de todas as orações do missal do Tempo Comum e dos assim chamados tempos fortes da liturgia.” Ainda falta fazer a revisão dos prefácios – de 64 ao todo, foram revisados apenas 29, total atingido na última reunião da Comissão, que durou dois dias e meio. Além disso, também é preciso trabalhar com o santoral – a revisão dos santos do ano – e com as missas para ocasiões espe-

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Catecismo da Igreja Católica completa 20 anos

Dom Armando Bucciol afirma que liturgia é sempre tema prioritário

ciais. Espera-se que todo o trabalho seja concluído dentro de três ou quatro anos. O Arcebispo de Mariana (MG), Dom Geraldo Lyrio Rocha, também é membro da Comissão e destaca a importância da fidelidade aos textos originais. Ele explica o minucioso trabalho realizado, que exige a revisão da tradução feita pelos especialistas, verificando-se frase por frase. “Deve-se checar para ver se está dito em português aquilo que está escrito no original latino. Portanto, é um trabalho muito demorado, penoso e exigente, pois não é só fazer uma leitura e ver se o português está bom, ou verificar se as expressões estão corretas. É mais do que isso. É verificar se estamos conseguindo transmitir uma boa linguagem, que seja acessível, fácil de ser proclamada, sonora e fácil para ser cantada.” Segundo Dom Geraldo, não há necessidade de pressa na tradução dos textos litúrgicos, uma vez que já existe uma tradução vigorando. “Não existe vazio. Portanto, não há motivos para pressa”, destaca.


4ª Peregrinação Nacional das Famílias

Também no domingo, o Santuário Nacional acolhe a romaria da Diocese de Ourinhos para a missa das 5h30, celebração que será presidida pelo bispo diocesano Dom Salvador Paruzzo. Na missa das 10h, estará presente a Romaria da Paróquia Jesus Divino Mestre, da cidade de Itaquaquecetuba (SP). Na celebração eucarística das 18h, estarão presentes os bispos redentoristas do Brasil e da América Latina, bem como os romeiros da cidade de Mata Verde (MG). Para agendar sua romaria entre em contato com a Secretaria de Pastoral do Santuário Nacional, através do e-mail pastoral@santuarionacional.com ou pelo telefone (12) 31041694.

FIQUE LIGADO

Missas Segunda a sexta: 7h – 9h (TV) – 10h30 – 12h – 16h Sábado: 6h30 – 9h (TV) – 10h30 – 12h – 16h – 18h (TV) Domingo: 5h30 – 8h (TV) – 10h – 12h – 14h – 16h – 18h (TV) Bênçãos (ao final de todas as missas)

tercodeaparecida.org

Famílias de todo o Brasil se reúnem no Santuário Nacional no final de semana para a 4ª Peregrinação Nacional das Famílias. O encontro tem como tema A Família: o Trabalho e a Festa e prevê atividades durante todo o sábado e domingo. No sábado, 28, acontecem atividades voltadas para a juventude, das 7h às 17h, no auditório padre Noé Sotillo, subsolo da Basílica. No mesmo horário, no Centro de Eventos padre Vítor Coelho de Almeida, será realizado o 2º Simpósio sobre a Família. A programação do dia termina com a missa das 18h e, em seguida, procissão luminosa ao redor da Basílica. A Peregrinação encerra-se no domingo, 29, com a missa das 10h, presidida pelo Bispo de Camaçari (BA) e presidente da Comissão Vida e Família da CNBB, Dom João Carlos Petrini.

Confissões Segunda a sexta: 7h30 às 11h – 14h às 16h Sábado: 6h30 às 11h15 – 13h30 às 16h45 Domingo: 6h30 às 11h15 – 13h30 às 16h Batismo Segunda a sexta: 10h e 15h Sábado: 9h – 10h – 11h – 14h – 15h Domingo: 8h – 9h – 10h – 11h – 14h – 15h Piedade Popular Consagração a Nossa Senhora Segunda a sexta: 11h (TV) e 15h – Sábado: 15h Hora Mariana (Terço) – Segunda a sábado: 14h Novena Perpétua – Quarta: 15h15 e 19h30

Nós bispos precisamos saber como conduzir e ir em busca dos que mais necessitam de nós

Procissão Eucarística - Quinta: 10h Procissão Luminosa do Terço - Sábado: 19h Procissão Mariana - Domingo: 6h30

Cardeal Dom Cláudio Hummes, Arcebispo Emérito de São Paulo

“Louvores a Maria” ao vivo todos os sábados na TV Aparecida

Encontros Especiais Coordenadores de Romarias: Sábado: após missa das 9h Domingo: após missa das 8h Local: Sala dos Coordenadores de Romarias (ao lado da Sala de Confissões)

A Rede Aparecida apresenta nas manhãs de sábado o “Louvores a Maria”. O terço dedicado a Nossa Senhora Aparecida é meditado junto com os devotos, ao vivo, e transmitido pela televisão. Conduzido pelo reitor do Santuário Nacional, Padre Darci Nicioli, C.Ss.R., o programa vai ao ar todos os sábados, às 8h. Tem como proposta valorizar e incentivar a espiritualidade mariana e unir os devotos pela oração. O terço é interativo e os telespectadores podem rezar pelo telefone 0300 2 10 12 10 ao vivo. As intenções também podem ser enviadas pelo e-mail rezando@tvaparecida.com.br.

Plantão Religioso Segunda a sexta: das 17h às 18h Telefone para informações: (12) 3104 1000 Horários de Missa - Matriz Basílica Segunda, Quarta e Quinta: 7h 18h (TV) Terça: 7h – 16h (missa dos doentes) – 18h (TV) Sexta: 7h – 18h (TV) – 19h30 Sábado: 15h – 19h Domingo: 19h30 Bênçãos (ao final de todas as missas) Telefone para informações: (12) 3105 1517

Orientações para Batismos no Santuário Nacional Confira as orientações e documentos necessários para celebrar o Sacramento do Batismo no Santuário Nacional. • Batismo de crianças – Autorização (transferência) por escrito do pároco responsável pela paróquia dos pais da criança para que ela seja batizada no Santuário Nacional. Deve conter o nome dos pais, assinatura do pároco e carimbo da paróquia. – Atestado do curso de preparação para o batismo dos pais e padrinhos, que deve ser feito em suas respectivas cidades. – Certidão de nascimento da criança.

• Batismo de adultos (É considerado adulto quem já possui idade superior a 7 anos de idade) – A própria pessoa que será batizada deverá apresentar comprovante de participação na Catequese para o Batismo, a 1ª Comunhão e o Crisma. Essa preparação deve ser realizada em sua cidade, com o catequista responsável. – Autorização (transferência) por escrito do pároco, contendo a assinatura e o carimbo da paróquia a que pertence, constando que o interessado está devidamente preparado. – Certidão de nascimento ou documento de identidade (RG).

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– Atestado dos padrinhos do curso de preparação para o batismo, que deve ser feito em suas respectivas cidades. No Santuário Nacional não é realizado curso de batismo. • Orientações Gerais Não é necessário marcar o batismo. Basta chegar uma hora antes do horário escolhido, trazendo os documentos necessários, e se dirigir ao Setor de Batismo, localizado no subsolo do Santuário. Informações através do telefone (12) 3104-1560


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EDIÇÃO ESPECIAL

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 29 DE ABRIL DE 2012

AG | PALAVRA DE DEUS NA VIDA E MISSÃO DA IGREJA FOI TEMA CENTRAL DO ENCONTRO

Bispos reúnem-se em Aparecida para 50ª Assembleia Geral A 50ª Assembleia Geral (AG) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aconteceu no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, próximo ao Santuário Nacional, em Aparecida (SP), entre os dias 18 e 26 de abril. O tema central do encontro foi A Palavra de Deus na vida e missão da Igreja, que também foi o eixo fundamental dos trabalhos do Concílio Vaticano II, que completa em 2012 os 50 anos de seu início. O encontro que promove a partilha fraterna, oração, estudo e reflexão, na busca do fortalecimento da comunhão entre os bispos, completa bodas de ouro. Já a CNBB festeja seu jubileu de diamante – desde sua criação, em 1952, até hoje, o episcopado brasileiro percorreu um longo caminho, assinalado por importantes decisões e expressivas contribuições tanto para a Igreja quanto para a sociedade brasileira. Em seu discurso de abertura da Assembleia, o presidente da CNBB e Arcebispo de Aparecida, Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis, destacou essas datas importantes para o encontro desse ano. “Comemorar não é apenas festejar um acontecimento. É também honrar a memória, reverenciar o caminho feito, dignificar a participação dos pioneiros e de todos os que sustentaram a iniciativa”, indicou. Dom Damasceno explicou que o evento é um marco que remete a belas recordações, um momento de agradecimento pelo bem que as Assembleias anteriores fizeram à Igreja no Brasil e também uma ocasião de reconhecimento de o quanto os encontros ajudam os bispos a exercer a missão apostólica. As assembleias tornaram-se uma importante referência no debate nacional, de tal forma que declarações, posicionamentos, documentos e orientações que emanaram dos cinquenta encontros realizados no período estão clara e fortemente marcados nas páginas da história recente do Brasil. O secretário-geral da CNBB e bispo auxiliar de Brasília, Dom Leonardo Steiner, explica os motivos que levam a entidade a debater as questões do cotidiano nacional, e não apenas assuntos eclesiais.

“A Igreja é feita de pessoas que vivem na sociedade e participam da vida de uma nação. O Evangelho tem uma proposta, também ética, moral e de convivência, uma proposta de respeito e de justiça, que não pode se desvincular da vida eclesial e dos elementos decisivos para o agir e o conviver humanos”, afirma. Dom Leonardo relata que sempre há discussões em relação à política, à justiça e aos pobres, da mesma forma que sobre outras questões da vida social, porque a Igreja não está desvinculada da sociedade. O cardeal Damasceno recorda ainda que os bispos jamais se intimidaram diante das diversas situações da realidade nacional, por mais complexas e delicadas que fossem. Por meio das Assembleias, ofereceram sempre a contribuição de que o país precisava para progredir em suas lutas pelo amadurecimento democrático, pela superação da injustiça social e dos conflitos. “Largamente divulgados pelos meios de comunicação social, os trabalhos dos bispos em assembleia sempre repercutiram de modo a expandir o testemunho da Igreja em favor da defesa da vida digna e plena para todos”, afirma. Uma das principais marcas das AGs é a colegialidade. A Igreja é representada em suas particularidades através dos bispos, que trazem os anseios, as esperanças das comunidades, bem como a diversidade e a vivência cultural do país. Dom Leonardo dá o exemplo de bispos que pastoreiam em regiões mais remotas, que chegam a ter 94% de suas comunidades formadas por indígenas. A grande diversidade que existe na Igreja passa a se entrelaçar por meio da comunhão que se transforma em partilha, reflexão, oração, silêncio e se transmite em debate, mas também se revela em notas e documentos. Por fim, Dom Dasmasceno destaca que as AGs são momentos fortes de

Montagem sobre fotos/ Leonardo Meira / JS

Eduardo Gois Leonardo Meira jornalsantuario@editorasantuario.com.br

vivência do afeto colegial e de manifestação da comunhão existente entre os bispos do Brasil. Vale lembrar que, desde o ano passado, a casa da Padroeira do Brasil tornou-se a sede definitiva do encontro, após 33 anos de AGs realizadas em Itaici, distrito de Indaiatuba (SP). Aparecida já havia recebido Assembleias Gerais do episcopado em 1954 e 1967. Tema central O tema central da 50ª AG concentrou-se no trabalho de conclusão do documento que começou a ser debatido na 48ª AG, em 2010. O texto oferece à Igreja no Brasil um válido instrumento de renovação e crescimento. O motivador da Assembleia deste ano – a Palavra de Deus – sempre foi muito importante para a Igreja do Brasil, que possui um histórico de esforço para fazê-la chegar às comunidades, famílias e grupos. O secretário-geral sublinha que o documento insiste no chamamento de as pessoas viverem mais da Palavra, lendo, ouvindo, vivendo e testemunhando. Por sua vez, Dom Damasceno reforça que é papel de cada cristão acolher esse dom do imenso amor dado por Deus, e também é dever do povo trabalhar na missão de anunciá-lo ao mundo, com ousadia e entusiasmo. O testemunho do modo de viver é necessário para que esse anúncio seja credível, acolhido e produza frutos. Principais temas Houve diversos assuntos em pauta durante a Assembleia deste ano. Podese destacar:

– a recordação dos jubileus do Concílio Vaticano II, da CNBB e das Assembleias Gerais (pág. 9); – a aprovação do fundo de solidariedade entre as dioceses (pág. 5); – os 20 anos do Catecismo da Igreja Católica, a Missão Continental e o processo de tradução do Missal Romano (pág. 6); – o Mapa das Religiões, o lançamento do Diretório do Diaconato e a entrega dos prêmios de comunicação (pág. 10); – as Campanhas da Fraternidade e para a Evangelização, o Acordo BrasilSanta Sé e a questão agrária (pág. 11); ��� a animação bíblica da pastoral, a eleição de delegados para o Sínodo dos Bispos e a publicação de duas notas e duas mensagens. As notas intitulam-se “Em defesa dos territórios e dos direitos dos povos indígenas, quilombolas, pescadores artesanais e demais populações tradicionais” e “Sobre a reforma do Código Penal”. Já as mensagens abordam a temática das eleições municipais deste ano e as comemorações do cinquentenário do Concílio Vaticano II (pág. 12); – o andamento dos preparativos para a Jornada Mundial da Juventude (pág. 13).

Saiba mais sobre o assunto e confira fotos da AG. Acesse http://bit.ly/js_50agcnbb


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A Assembleia Geral contou com uma sessão solene em homenagem à sua 50ª edição e também aos 60 anos de criação da CNBB. O evento aconteceu na noite de quinta-feira, 19. O palco reuniu a atual presidência da entidade e diversos bispos integrantes de presidências anteriores. Em seu pronunciamento, o presidente da Conferência e arcebispo de Aparecida, Cardeal Dom Raymundo Damasceno, ressaltou que a Igreja no país vive tempos de jubileu. Ele também recordou que o Concílio Vaticano II iluminou os fundamentos da caminhada da Conferência. Ao celebrar 60 anos, a CNBB recebe forte apelo de reavivamento da missão. Logo após, Dom Damasceno citou as competências da entidade, conforme o Estatuto aprovado em 2002, ressaltando que a Conferência busca uma colaboração construtiva para a promoção integral do povo e o bem maior do país. O presidente da CNBB lembrou ainda que, no período de criação da Conferência, a Igreja Católica no país experimentava forte dinâmica evangelizadora, levando ao Concílio experiências significativas em diversos campos. “Durante o período conciliar e nos anos subsequentes, tínhamos um duplo desafio missionário: ser fiel aos ditames da Igreja em Concílio, marcando a renovação eclesial, e ser fiel à missão profética ao denunciar abusos contra os direitos humanos”, sublinhou.

Por fim, o cardeal explicou que a evangélica opção preferencial pelos pobres já aparecia no objetivo geral da Igreja no Brasil desde os primeiros planos pastorais. As Assembleias da CNBB julgaram que um Plano Nacional de Pastoral no país seria de difícil concretização, e foi daí que surgiu a decisão de se adotar diretrizes para a ação evangelizadora, revisadas a cada quatro anos, como orientação de unidade para elaboração de planos específicos. “É o que vem acontecendo ultimamente como dinâmica da evangelização, explicitou. O bispo emérito de Catanduva (SP), Dom Antônio Celso de Queirós, ofereceu um depoimento emocionante sobre a Conferência. Ele atuou na entidade antes mesmo de ser bispo, como assessor e subsecretário. “A Igreja no Brasil deve erguer as mãos para o céu, pois nos caminhos e dificuldades que nosso país conheceu nestes últimos 60 anos a CNBB ajudou os bispos a manter-se em diálogo e em comunhão”, destacou. Representantes dos presbíteros e dos leigos também se pronunciaram durante a solenidade, bem como o bispo-auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte (MG), Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, que falou em nome dos bispos jovens. A orquestra do Projeto de Educação Musical do Santuário Nacional (Pemsa) marcou presença, executando obras musicais entre um discurso e outro, enquanto dois telões exibiram fotografias referentes aos 60 anos da entidade.

Documento final Discípulos e servidores da Palavra de Deus na missão da Igreja, esse é o título do documento final da Assembleia Geral, que começou a ser debatido ainda em 2010 e chega, agora, a sua conclusão. O texto busca ser uma resposta tanto ao Sínodo dos Bispos de 2008, que discutiu o tema, quanto à Exortação Apostólica Verbum Domini, texto de Bento XVI que compila as indicações desse Sínodo. O documento da CNBB está dividido em três partes: “A Palavra de Deus”, “Nossa resposta à Palavra” e “A Palavra e os caminhos da missão”. Os bispos expressam o desejo de que o documento leve a redescobrir na Palavra a fonte de constante renovação e o coração de toda a ação evangelizadora. Na primeira parte, a obra destaca que a revelação de Deus em Jesus é um evento comunicativo, dialógico e performativo (torna-se realidade transformadora). Também lembra que não há diferença entre crer no que Jesus anuncia e no que Ele é. Na segunda, o texto indica que a abertura e a adesão do homem são o passo fundamental para que aconteça a comunhão com Deus. A fé é a ponte que permite esse encontro. É daí que surge o desejo de uma animação bíblica da pastoral, ou seja, a busca consciente e contínua de ter a Sagrada Escritura como alma tanto da missão evangelizadora da Igreja quanto da teologia.

Fotos: Leonardo Meira / JS

Sessões solenes comemoram jubileus

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Comissão apresenta linhas gerais para as comemorações do Concílio, que acontecem até 2015

Concílio Os 50 anos do início do Concílio Vaticano II também foram o centro de uma sessão solene durante a Assembleia. A atividade aconteceu na noite de segunda-feira, 23. A Conferência criou uma comissão para a celebração dos 50 anos do Concílio, que é presidida pelo arcebispo de São Paulo, Cardeal Dom Odilo Scherer. O grupo apresentou aos bispos o que já está sendo planejado para as atividades, que vão de 2012 a 2015. “Nossos objetivos são: motivar as comemorações, propor atividades, colaborar na divulgação das ações e organizar eventos especiais”, explicou Dom Odilo. O cardeal fez um retrospecto histórico, lembrando que os Papas Pio XI e Pio XII chegaram a solicitar estudos para verificar a viabilidade de um novo

Concílio, mas foi João XXIII quem concretizou a iniciativa, em 1962, finalizada sob o pontificado de Paulo VI, em 1965. O arcebispo de São Paulo disse que as comemorações devem ser ocasião para reviver o Concílio e progredir no caminho de aplicação de seus direcionamentos. “Tudo isso em profunda sintonia com o Papa, que convida a Igreja a renovar a fé e acolher o Concílio como dom e graça.” O doutor em História Social e estudioso da história da Igreja Católica na América Latina, padre Oscar Beozzo, também interveio durante a sessão. Além de fazer um apanhado histórico sobre as quatro sessões do Concílio, ele destacou que a iniciativa realçou dois pontos em especial: que o exercício pastoral é colegiado e que o centro da vida da Igreja são as decisões pastorais.

Núncio preside missa de encerramento Essa animação ocorre a partir dos eixos da formação, da oração e do anúncio. O primeiro deve proporcionar que a leitura, a escuta e a interpretação da Escritura alcancem seu devido lugar. O segundo destaca a oração como lugar de contato íntimo e de comunhão com o Senhor, destacando a importância do silêncio e da escuta. É dada especial ênfase à celebração litúrgica, que não deve ser marcada pelo excesso de vozes, mas conduzir ao silêncio. Por fim o terceiro, que ressalta que a própria vida transformada se converte em mensagem e impele ao compromisso social e à promoção dos valores autenticamente humanos. A última parte oferece uma série de linhas de ação para cada um desses eixos de concretização da animação bíblica da pastoral. É dado destaque à criação de espaços, tanto comunitários quanto nas famílias, que propiciem o encontro com a Palavra. Também cita-se iniciativas durante as celebrações litúrgicas que podem auxiliar nesse processo, como o uso do Lecionário, do Evangeliário, o local da mesa da Palavra, a preparação dos leitores e a valorização da homilia. O documento conclui com o desejo de que as linhas de ação influam de maneira eficaz na vida e missão da Igreja, especialmente na catequese, liturgia e testemunho da caridade, contribuindo para a própria vivência da fé.

A missa de encerramento da 50ª Assembleia Geral foi presidida pelo novo núncio apostólico no Brasil, Dom Giovanni D’Aniello. A celebração aconteceu no Altar Central do Santuário Nacional, às7h30 do dia 26. Em sua homilia, Dom Giovanni expressou seu agradecimento pelo convite feito pela CNBB para que sua recepção oficial como núncio acontecesse durante a ocasião. “É uma alegria para mim estar de volta e trabalhar para e com a Igreja no brasil. Queremos testemunhar a forte ligação que nos une a Cristo e ao seu Vigário na terra, o Papa Bento XVI. Fico ainda mais feliz porque o Senhor me concede a graça de começar minha missão com a celebração eucarística nesse santuário mariano e poder confiar a minha e a vossa missão a Nossa Senhora Aparecida.” O núncio contou que foi recebido dias atrás pelo Santo Padre, que enviou suas saudações a todo o povo brasileiro e garantiu que se recorda do país em sua oração cotidiana. “O bem-vindo que me reservastes é sinal claro de vosso afeto e devoção ao Papa, que me envidou a vós. O afeto manifestado já faz com que eu me sinta membro desta família.”

Dom Giovanni durante celebração no Santuário

Dom Giovanni destacou seu desejo de unir-se aos bispos como irmãos. “Juntos percorreremos a estrada da fé, sob a assistência do Espírito Santo, que é o protagonista da ação evangelizadora”, disse. Ao final, o núncio destacou sua entrega a Nossa Senhora Aparecida, “a quem confio a minha missão, para que obtenha de Jesus as graças necessárias para que eu seja capaz de trabalhar com solicitude, demonstrando o carinho do Santo Padre. Coloco nos braços amorosos de Nossa Senhora Aparecida essas minhas intenções e minha vontade”, finalizou.

Ouça a homilia na íntegra. Acesse http://bit.ly/50agcnbb_homilianuncio


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EDIÇÃO ESPECIAL

JORNAL SANTUÁRIO DE APARECIDA • 29 DE ABRIL DE 2012

A pesquisa Novo Mapa das Religiões – realizada por meio de uma parceria entre a Fundação Getúlio Vargas e o IBGE – esteve na pauta de discussões dos bispos do Brasil durante a 50ª Assembleia Geral. O estudo confirma que o país é o que possui o maior contingente de católicos no mundo, mas em situação de mudança. A pesquisa refere-se a dados de 2009, indicando que há cerca de 130 milhões de católicos em território nacional, o equivalente a 68,43% da população. Em 1991, a proporção de católicos alcançava 83,34%. De acordo com o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato e bispo de Caçador (SC), Dom Severino Clasen, é preciso ter cuidado ao se fazer análises que indiquem quedas como essa. “Como há crescimento da população, o número de católicos não acompanha esse crescimento.

Percebemos que hoje há muito mais pessoas nas igrejas do que a tempos atrás. O que precisamos é comprometer mais os católicos naquilo que é o perfil da Igreja, sem seguir a tendência de se construir uma Igreja light”, comenta. A formação dos leigos e o despertar missionário, do sentido de pertença à Igreja, são dois fatores positivos citados pelo presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e bispo de Ponta Grossa (PR), Dom Sérgio Braschi. “Os números mostram que as pessoas que já não tinham uma participação real preferem, hoje, dizer que não frequentam a Igreja e, assim, deixam de estar na estatística. Mas isso não é o mais importante, e sim continuar como Igreja discípula-missionária, profética em meio à sociedade brasileira.” Um dos grandes desafios está na área da juventude, pois a Igreja perdeu espaço cultural e também na educação. Hoje é preciso convencer que o perfil católico têm muito a contribuir. “É preciso novamente incutir a riqueza da presença

O novo Diretório do Diaconato, que cuida das diretrizes que regem o trabalho dos diáconos permanentes no Brasil, foi lançado durante a 50ª Assembleia Geral da CNBB. O texto foi atualizado durante os trabalhos da Assembleia do ano passado e, após, recebeu a aprovação da Congregação para a Educação Católica, do Vaticano. Segundo o bispo referencial da Comissão Nacional dos Diáconos e Arcebispo de Porto Velho (RO), Dom Esmeraldo Barreto de Farias, o ponto de destaque do documento é a caridade, ou seja, o texto propõe que essa dimensão seja ressaltada e seja sempre o norte e sentido maior do diaconato. “Vemos em Atos, capítulo 6, a referência clara à assistência às viúvas, aos órfãos, aos pobres, a quem não fazia parte da comunidade. Esses ganham a presença da Igreja de forma muito reconhecida através daqueles que foram constituídos como diáconos”, explica. Para Dom Esmeraldo, é preciso viver em primeiro lugar a dimensão da caridade, em segundo a da Palavra e, depois, a pastoral, embora essas três dimensões não estejam separadas. Diaconato no Brasil Atualmente, existem cerca de dois mil diáconos permanentes no Brasil. Para Dom Esmeraldo, essa é uma experiência importante em várias dioceses, não só porque o

Leigos têm vocação de ser testemunhas no meio do mundo

o laicato. “Cada vez mais percebemos que isso é necessário, para termos uma linguagem mais forte em defesa do leigo, para que ele possa expressar o que é próprio de sua vocação de ser testemunha no mundo em que vive”, destaca Dom Severino.

Confira as entrevistas na íntegra e saiba mais. Acesse http://bit.ly/50agcnbb_mapareligioes

CNBB premia profissionais de comunicação cnd.org.br

Novo Diretório do Diaconato é lançado Deniele Simões deniele.jornal@editorasantuario.com.br

da Igreja nas novas gerações, para que percebam que esse é o jeito de ser feliz, e não as facilidades, que qualquer vento leva”, cita Dom Severino. Além disso, a Igreja tem a obrigação de manifestar sua opinião sobre argumentos éticos e morais. “Tenho a esperança de que chegaremos a essa maturidade de termos uma expressão leiga católica muito forte, que consiga dar uma entonação na vida pública. É preciso que o sentimento religioso seja testemunhado em todo o lugar. Cabe a nós contribuir para que o leigo de fato assuma sua vocação na Igreja, no mundo, na sociedade”, continua. Nesse sentido, a própria Comissão para o Laicato tem um grande passo a dar. Já se pensa em provocar, durante essa gestão, que vai até 2015, um Ano do Leigo, ou ao menos uma temática central da Assembleia da CNBB sobre

Diáconos permanentes exercem ministério importante

diácono auxilia em algumas funções, como o casamento, batismos e celebrações da palavra, mas principalmente porque são testemunhas da Igreja, estando presentes nas pastorais sociais. Ainda de acordo com o bispo referencial, o novo Diretório do Diaconato procura fazer com que o diácono compreenda a sua função, que é mais do que desempenhar algumas atividades, mas ser o sinal da Igreja em todo e qualquer lugar. As diretrizes para o diaconato existem no Brasil desde 1970. O diaconato permanente foi restaurado pelo Concílio Vaticano II, após cerca de quinze séculos de intervalo.

Confira a entrevista na íntegra e saiba mais. Acesse http://bit.ly/50agcnbb_diaconato

Reprodução/TV Aparecida

Leonardo Meira leonardo.jornal@editorasantuario.com.br

Leonardo Meira / JS

Mapa das Religiões: leigos católicos têm muito a contribuir

Eduardo Gois eduardo.jornal@editorasantuario.com.br

A cerimônia de entrega dos prêmios de comunicação da CNBB deste ano aconteceu dentro da programação da 50ª Assembleia Geral da Conferência. O presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação e Arcebispo de Campo Grande (MS), Dom Dimas Lara Barbosa, ressalta a relevância de reconhecer que a imprensa publica conteúdos de grande utilidade, valor e significado, também sob o ponto de vista cristão, humano e democrático. Ele também revela a possibilidade de no futuro a CNBB premiar profissionais na categoria de internet. “Vamos fazer o possível para que, em breve, possamos premiar esses profissionais. Quem sabe no ano que vem!”, almeja. Como de costume, primeiro foram entregues os prêmios “Clara de Assis”, para trabalhos em televisão. Foram premiados os trabalhos: da TV Nazaré, com o documentário Marujada, sobre os negros em uma festa popular do Pará; da TV Senado, com uma reportagem a respeito do consumo de drogas e álcool; da TV PUC-Rio, com a reportagem Filhos do abandono; da TV Aparecida, com uma reportagem especial sobre o lixo. Os prêmios “Dom Hélder Câmara”, direcionados à imprensa escrita, foram entregues a: Meninos condenados, uma série de reportagens do Jornal Zero Hora que tratou da entidade que substituiu a Febem no Rio Grande do Sul; Extermínio silencioso, matéria da revista Família Cristã, de São Paulo (SP) a respeito do extermínio dos índios Guarani Kaiwoá, no Mato Grosso do Sul;

Premiação entregue pelos bispos foi transmitida pelas TVs de inspiração católica

e recebeu menção honrosa uma matéria do Portal Terra a respeito da situação da saúde pública em Alagoas. Na categoria rádio, foram entregues os prêmios “Microfone de Prata”. Os contemplados foram: Por dentro do assunto, da Rádio Mensagem 1470 AM, de Jacareí (SP); Novo Código do processo Civil – uma justiça mais rápida, da Rádio Senado, de Brasília (DF); e o programa Nossas igrejas, uma expressão de fé, arte e cultura, da Rádio 9 de Julho, da Arquidiocese de São Paulo. Por último foram concedidos os prêmios “Margarida de Prata” às produções de cinema. Os ganhadores foram: As Canções, de Eduardo Coutinho; Diário de uma busca, de Flávia Castro; o longa-metragem A sombra de um delírio verde, de Cristiano Navarro Peres; e outro longa, o filme de Nelson Pereira dos Santos, A música segundo Tom Jobim.

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Fotos: Leonardo Meira / JS

Campanhas da Igreja são fundamentais para a evangelização

Padre Luiz Carlos Dias é assessor para as Campanhas da Fraternidade e para a Evangelização Eduardo Gois eduardo.jornal@editorasantuario.com.br

Após 20 anos, a juventude novamente vai ser tema da Campanha

da Fraternidade (CF). Em 2013, o tema Fraternidade e Juventude será refletido durante o período quaresmal, também em alusão à Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que acontece em julho do próximo ano. Políticas públicas voltadas para o jovem e sua participação na vida da Igreja também serão debatidas. As Campanhas da Fraternidade e para a Evangelização foram um dos temas abordados durante a 50ª Assembleia Geral da CNBB. De acordo com o assessor para Campanhas da entidade, padre Luiz Carlos Dias, a juventude é uma camada da sociedade que vive em um amplo contexto de transformação: “Estamos em um cotidiano sempre em mutação, e a juventude é a que mais se adapta a esse processo”. O sacerdote reflete também sobre os perigos no que diz respeito a não se

olhar a vida numa perspectiva de futuro, o que leva os jovens a viver intensamente o hoje. Outro aspecto destacado é o afetivo, pois se vive em um contexto em que as famílias estão cada vez mais fragmentadas, com deturpações na formação dos jovens. “É preciso ter os olhos voltados para a Palavra de Deus, em meio a tantas mudanças que atingem o ser humano em sua profundidade”, afirma padre Luiz Carlos. Ele ressalta que os jovens se deparam com um mundo altamente desafiador e, como se trata de pessoas com alta versatilidade e potencialidade, é preciso o encontro pessoal com Jesus para ultrapassar as barreiras. A Campanha para a Evangelização (CE) é outro projeto de toda a Igreja que acontece durante o Tempo

do Advento. O objetivo é levar as pessoas a perceber sua corresponsabilidade na evangelização. Segundo o presidente da Comissão Episcopal Pastoral da CE e Arcebispo de Salvador (BA), Dom Murilo Krieger, a Campanha é um trabalho que demanda uma grande estrutura para sua realização. “O grande desafio é fazer com que as pessoas se convençam de que toda a Igreja deve ser missionária”, aponta.

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Acordo Brasil-Santa Sé é foco de Comissão Deniele Simões deniele.jornal@editorasantuario.com.br

O Acordo Brasil-Santa Sé foi promulgado em fevereiro de 2010. O tratado internacional reafirma e consolida as relações entre os dois países (a Santa Sé é o “rosto” estatal do Vaticano). A CNBB criou a Comissão para a Implementação do Acordo BrasilSanta Sé para oferecer subsídios que auxiliem na efetivação das determinações existentes nos vinte artigos do Acordo. Durante a 50ª Assembleia Geral da CNBB, o membro da Comissão e bispoauxiliar do Ordinariato Militar do Brasil, Dom José Francisco Falcão de Barros, falou sobre o que já foi adotado e o que ainda carece de implementação.

Segundo Dom Falcão, há alguns temas que ainda precisam de melhores esclarecimentos, especialmente a questão imunidade tributária para os imóveis de propriedade da Igreja, a assistência religiosa a unidades de internação coletiva (como hospitais, presídios e instituições de assistência social) e às Forças Armadas, bem como o reconhecimento das sentenças de declaração da nulidade matrimonial pelo ordenamento jurídico brasileiro e dos títulos de graduação e pós-graduação conferidos pela Igreja. Por outro lado, o membro da comissão explica que muitos dos pontos estabelecidos pelo acordo já estão efetivados e legitimados. Frente às argumentações de que o acordo traria privilégios para a Igreja

Dom José Francisco Falcão de Barros, membro da Comissão para a Implementação do Acordo Brasil-Santa Sé

no país, Dom Falcão recorda que o documento está alicerçado em dois pilares conferidos pela laicidade do Estado: a liberdade religiosa e o direito à assistência religiosa. “O Estado é laico, mas não ateu. E laicidade não significa anticlericalismo”, alerta. O bispo sublinha que a Igreja tem historicamente contribuído de maneira imprescindível com a sociedade brasileira, sem ferir o princípio da laicidade. “Tudo o que diz respeito à pessoa humana, à sua conduta, ao seu ser, ao seu agir, é de competência da Igreja”, destaca. Nesse sentido, é direito e dever da instituição orientar os fiéis e estabelecer parâmetros nos quais a sociedade possa se pautar para sua conduta.

Documento sobre questão agrária deve ser elaborado A Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade, Justiça e Paz da CNBB deve formular um documento oficial sobre a questão agrária no Brasil. A proposta foi apresentada durante a 50ª Assembleia Geral da Conferência. De acordo com o presidente da Comissão e Bispo de Ipameri (GO), Dom Guilherme Werlang, o esboço do projeto foi apresentado em 2010 durante a 48ª Assembleia Geral da CNBB, em Brasília (DF), como integrante da série Estudos da CNBB (n. 99). “Agora, nós voltamos a apresentar à Assembleia o pedido para que ele pudesse se tornar um documento azul”, destaca Dom Guilherme, em referência à cor adotada na capa da série de textos que indicam posições oficiais bem consolidadas da entidade.

O último documento oficial da CNBB sobre o tema data de 1980. O presidente da Comissão justifica a necessidade de um novo pronunciamento do episcopado brasileiro sobre a questão em função das mudanças ocorridas nesses últimos 32 anos. Dom Guilherme adianta que o novo documento terá alguns eixos principais, partindo da real situação do povo brasileiro em relação à questão agrária. “Vamos colocar um nome comum, Via Campesina, porque temos diversos segmentos diferenciados de acordo com as regiões brasileiras de pequenos agricultores que trabalham, vivem da terra e produzem o alimento no Brasil.” O documento deverá contemplar questões específicas ligadas aos povos indígenas, quilombolas, pescadores

artesanais e pequenos produtores, além de trazer uma análise sobre o novo Código Florestal. Depois, todo o material será compilado e analisado à luz da Palavra de Deus e dos documentos oficiais da Igreja, nos níveis universal, continental e local. A proposta para a criação do documento será elaborada por um grupo de trabalho formado por Dom Guilherme e os seguintes bispos: de Balsas (MA), Dom Enemézio de Lazaris; de Feira de Santana (BA), Dom Itamar Vian; e de Roraima (RR), Dom Roque Paloschi. Dom Guilherme Werlang preside a Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, Justiça e Paz


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Animação Bíblica da Pastoral é urgência da evangelização O tema central da 50ª Assembleia Geral da CNBB é A Palavra de Deus na vida e missão da Igreja. Um dos objetivos é exatamente finalizar a redação do documento que começou a ser escrito durante o encontro de 2010. O presidente da Comissão para o Tema Central desta Assembleia também é presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética e arcebispo de Pelotas (RS), Dom Jacinto Bergmann. Sobre a importância de a Conferência dedicar uma assembleia para refletir sobre o tema da Palavra de Deus, ele recorda que é essa Palavra que dá rumo a toda a vida e ação da Igreja. “Isso ficou muito evidente a partir do Sínodo sobre a Palavra [que aconteceu em 2008] e especialmente a partir da Exortação

Apóstólica Pós-sinodal Verbum Domini [documento de Bento XVI, publicado em 2010]”, explica. A Assembleia pretendeu indicar caminhos para aplicar tudo o que foi indicado por esses dois marcos recentes. “Precisamos sempre mais colocar a Palavra de Deus como o centro de tudo o que nós somos e fazemos.” Tanto é verdade que uma das urgências indicadas pelas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja para o quadriênio 2011-2015 é Igreja, lugar de animação bíblica da vida e da pastoral. Nesse sentido, Dom Jacinto ressalta que pautar a vida e a ação na Palavra é garantia segura para caminhar na vontade de Deus. “A Palavra expressa a vontade de Deus para nós, não só como Igreja, enquanto batizados, mas também como Igreja enquanto missão, que cabe a nós realizar neste mundo”, indica.

A animação bíblica da Pastoral foi precedida pelo movimento bíblico e também pela pastoral bíblica. No entanto, não é apenas uma mudança de nomenclatura, mas da própria natureza de como se compreende a relação da Palavra com a vida da Igreja. “Trata-se de um salto qualitativo, no sentido de que não estamos preocupados em ter uma pastoral justaposta às outras, quer dizer, uma pastoral bíblica junto com as demais, mas trata-se de, com a animação bíblica da pastoral, fazer com que toda a nossa vida e toda a nossa pastoral sejam realmente animadas pela Palavra de Deus.”

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Eduardo Gois/JS

Leonardo Meira leonardo.jornal@editorasantuario.com.br

“Toda a nossa vida e pastoral devem ser animadas pela Palavra de Deus”, destaca Dom Jacinto

Deniele Simões deniele.jornal@editorasantuario.com.br

A 50ª Assembleia Geral da CNBB também contou com a eleição dos delegados que representarão a Conferência durante a 13ª Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos. O encontro tem como tema Nova evangelizatio ad christianam fidem tradendam (A nova evangelização para a transmissão da fé cristã) e acontece entre os dias 7 e 28 de outubro, em Roma. O presidente da Comissão responsável pelas eleições e escrutínios dos delegados para o sínodo durante a Assembleia e bispo de Guarabira (PB), Dom Francisco de Assis Dantas de Lucena, explica que foram eleitos quatro delegados e dois suplentes. Os nomes ainda precisam ser confirmados pelo Vaticano e, por isso, não foram divulgados. Dom Lucena explica que Bento XVI, desde que começou seu pontifi-

Reprodução / guanelliani.org

CNBB elege delegados para o Sínodo dos Bispos Encontro no Vaticano acontece de 7 a 28 de outubro

cado, tem se preocupado bastante com a temática da Nova Evangelização. “Primeiro, ele criou um Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, em 2010. E agora ele convoca um Sínodo exatamente voltado para isso, que tem como centro o anúncio da fé. Todos nós, impelidos na evangelização, por Cristo, devemos levar a todos

uma redescoberta da nossa fé. Que o nosso coração, a nossa vida, todos os métodos, todas as nossas dioceses, as paróquias e comunidades eclesiais possam assumir essa evangelização, como o Documento de Aparecida nos convoca”, salienta. O processo de secularização e relativismo que assola os países europeus

se faz notar de modo muito mais forte do que na realidade brasileira. Dessa forma, os delegados da CNBB poderão partilhar sobre esses e outros desafios para a evangelização nos tempos atuais também com realidades diversas, como a da África, por exemplo. “Isso irá convergir com a experiência, com os desafios que todos estão vivendo. Mas há também desafios comuns, e isso deve motivar a chegar a um denominador comum para que a fé seja anunciada com renovado entusiasmo. O mundo de hoje requer, diante desses desafios todos, o testemunho vivo, uma convicção da vivência da fé.”

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Notas e mensagens A 50ª Assembleia Geral também contou com pronunciamentos particulares da CNBB. A mensagem Eleições Municipais de 2012 faz referência ao pleito que se aproxima, em outubro. A CNBB ressalta que o voto livre e consciente é um dos mais expressivos deveres de cidadão. “Para o cristão, participar do processo político-eleitoral, impulsionado pela fé, é tornar presente a ação do Espírito”, indica. O episcopado lembra que nas eleições municipais é ainda mais importante a missão de votar bem, buscando a construção coletiva da cidadania. Deve-se ter especial atenção com o histórico de coerência de vida e discurso político do candidato. “Os

eleitores devem ficar de olhos abertos para a ficha dos candidatos”, pede a mensagem. Os prelados reafirmam que o exercício da cidadania não se esgota no voto, pois o eleitor é corresponsável na construção de uma nova civilização. “A educação para a cidadania é processo permanente”, afirma o texto, recordando que a CNBB possui subsídios que podem auxiliar nesse sentido. Os bispos também apoiam e incentivam campanhas como a que estimula os jovens a votar já a partir dos 16 anos. “Para o cristão, participar da vida política do município e do país é viver o mandamento da caridade como real serviço aos irmãos”, concluem os bispos.

Por sua vez, a mensagem sobre os 50 anos de abertura do Concílio Vaticano II destaca que a ocasião é convite para voltar o olhar para o imenso dom do Concílio, mas também para “uma avaliação a respeito da aplicação das decisões conciliares e do caminho que resta ainda a ser percorrido nessa direção”. Já a primeira nota intitula-se “Em defesa dos territórios e dos direitos dos povos indígenas, quilombolas, pescadores artesanais e demais populações tradicionais”. O texto ressalta que é preciso garantir o acesso à terra, “elemento base da cultura e da economia dessas populações”, para que essas não continuem a sofrer opressão, marginalização, exclusão e expulsão.

A segunda nota fala sobre a reforma do Código Penal. A Conferência indica seu interesse em acompanhar o processo, pois está preocupada com algumas propostas da Comissão de Juristas formada pelo Senado para esse fim, especialmente com relação aos capítulos que tratam sobre os crimes contra a vida e contra o patrimônio. “A revisão do Código requer amplo diálogo com a sociedade. Tal prática reforça a democracia e ajuda a população a assimilar melhor as normas jurídicas”, diz o texto. A nota aponta também a necessidade de se reconhecer e preservar os princípios éticos e morais e os valores culturais que integram a vida do povo brasileiro.


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IGREJA E JUVENTUDE | PROXIMIDADE DA VISITA DO PAPA É UM DOS MOTIVOS QUE PROMOVE A UNIDADE

Jovens católicos vivem clima de muita expectativa

Chegada dos símbolos em São Paulo, em setembro de 2011, deu início ao Bote Fé

Momento de unidade Na avaliação de um dos assessores nacionais da Comissão para a Juventude, padre Carlos Sávio da Costa Ribeiro, o clima que toma conta dos jovens responde ao convite da Igreja lançado há muito tempo, quando o Papa João Paulo II criou a JMJ, na década de 1980. “Por ser um país extremamente católico, o Brasil não poderia ficar de fora e tem demonstrado, com a peregrinação da Cruz e do Ícone, que realmente acredita nesses símbolos que norteiam a nossa fé”, destaca padre Sávio. O religioso percorreu cerca de 50 dioceses acompanhando a peregrinação dos símbolos

da Jornada pelo Brasil. Nessa caminhada, ele percebe uma “adesão incondicional” por parte dos jovens, bispos, sacerdotes e de todo o clero. “Acreditamos que está sendo um momento muito bonito e de unidade entre todos os apaixonados pela evangelização da juventude, que acreditam que os jovens podem dar uma resposta clara e contundente ante os desafios sofridos e vividos na sociedade de hoje.” Além da movimentação promovida pelo Bote Fé, pela peregrinação dos símbolos da JMJ e pelo portal Jovens Conectados, a Campanha da Fraternidade 2013 será toda voltada aos jovens, retomando a temática após 20 anos. Com o tema “Fraternidade e juventude” e o lema “Eis-me aqui, envia-me!” (cf. Eclo 38,8), a campanha terá como pano de fundo a comunicação. O texto-base está sendo preparado por vários estudiosos e conta também com a participação de jovens. “Nós queremos atingir o jovem na sua missionariedade, mas a partir da óptica da comunicação, ou seja, como comunicar a Boa Notícia, como ser portador da verdade, do equilíbrio,

de uma forma responsável e madura”, explica padre Sávio. Outra novidade é que, no Brasil, a pré-Jornada – realizada uma semana antes da JMJ nas dioceses – ganhou o nome de Semana Missionária. De acordo com Dom Eduardo, a ideia provém da espiritualidade que o Documento de Aparecida trouxe ao continente latino-americano. A criação da Semana Missionária foi autorizada pelo Pontifício Conselho para os Leigos, e o legado que se pretende deixar, a partir de todo o trabalho de pré e pós-Jornada, é o da pastoral de evangelização da juventude. A Comissão não deseja que a Jornada se resuma a uma semana, ou mesmo à peregrinação dos símbolos. “Queremos que a JMJ traga uma marca no coração dos pastores de jovens, dos evangelizadores, um amor maior pela juventude”, conclui o bispo. Confira as entrevistas desta matéria na íntegra no blog do JS. Acesse http://bit.ly/50agcnbb_jovens Leonardo Meira / JS

“O jovem católico do Brasil está antenado e sempre disposto a participar dos eventos em preparação à Jornada Mundial da Juventude.” A afirmação é do jovem publicitário Caio Lima, assessor de redes sociais do Jovens Conectados, um portal na internet com dados precisos e atualizados sobre a Igreja no Brasil com relação ao trabalho voltado à juventude. Assim como o Jovens Conectados, que tem média de 30 mil acessos mensais e alcança mais de 500 mil internautas, a juventude católica brasileira vive o seu melhor momento. Afinal, está chegando a hora do encontro com o Papa Bento XVI. A Jornada Mundial da Juventude (JMJ), programada para acontecer entre os dias 23 e 28 de julho de 2013, reunirá jovens de todo o país e do mundo inteiro com o pontífice na cidade do Rio de Janeiro. A proximidade do encontro cria um clima todo especial, conforme atesta o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB, Dom Eduardo Pinheiro da Silva. Ele destaca a participação maciça dos jovens na peregrinação dos símbolos da JMJ – a Cruz e o Ícone de Nossa Senhora –, que já percorreram quase 120 dioceses brasileiras. “Os números impressionam porque há uma motivação natural que vem do alto, mais do que das nossas organizações, do nosso projeto”, destaca Dom Eduardo. Ele também avalia que isso deixa a certeza de que Jesus Cristo e Nossa Senhora já estão fazendo a Jornada pelo Brasil afora. A meta é que os símbolos percorram todas as dioceses brasileiras antes da Jornada. Em algumas delas também acontece o

Bote Fé, um conjunto de ações criado para celebrar a mensagem que os símbolos da JMJ trazem em três grandes dimensões: a celebração, a formação e a ação social. Para Caio Lima, cada Bote Fé tem sido uma experiência única nas redes sociais, por demonstrar na internet uma força que até então a Igreja não havia mostrado. “Sempre que se aproxima o evento, a tag Bote Fé entra nos trending topics do Twitter, causando repercussão e ansiedade. É um resultado surpreendente.”

Leonardo Meira / JS

Deniele Simões deniele.jornal@editorasantuario.com.br

Dom Eduardo Pinheiro, da Comissão para a Juventude da CNBB

Episcopado tem acesso a detalhes da JMJ Rio 2013

Jovens Conectados é referência tados conta com quase 13 mil seguidores no Twitter e mais de 30 mil no Facebook. Na avaliação da Comissão da CNBB para a Juventude, a qualidade e a credibilidade do trabalho da equipe que cuida do site alcança reconhecimento no Brasil inteiro. “São os jovens voluntários de todas as regiões do Brasil que se comunicam com a juventude de um modo diferente, sério, equilibrado, responsável, mas sem deixar de falar a linguagem dos jovens”, destaca padre Sávio. Reprodução

O portal Jovens Conectados é hoje uma referência da atuação da Igreja no Brasil entre a juventude católica no país. Segundo Dom Eduardo, o projeto surgiu como fruto da conscientização de uma equipe montada em 2009 para comunicar os trabalhos juvenis ligados à CNBB. A ideia começou a ser trabalhada em 2009, quando cerca de 20 voluntários ligados às áreas de comunicação e tecnologia da informação reuniram-se com esse fim. “Identificamos que a internet seria o melhor meio para começar esse trabalho e que era preciso criar uma identidade jovem para esse espaço”, explica Caio Lima. Ao longo daquele ano, foi formada uma equipe de comunicação, definiu-se o nome e o site foi lançado no mês de dezembro. Além dos 30 mil acessos por mês, com picos nas coberturas da peregrinação dos símbolos da JMJ, o Jovens Conec-

Portal Jovens Conectados surgiu no final de 2009 e hoje é referência entre a juventude

O Brasil prepara-se para receber a visita do Papa Bento XVI em 2013. A organização do encontro está a todo vapor, e, durante a 50ª Assembleia Geral da CNBB, os bispos receberam informações detalhadas sobre todo o andamento dos trabalhos. O Rio de Janeiro está preparando-se para acolher, seja nas casas de família, seja em escolas e centros paroquiais, hotéis e pousadas, milhões de jovens do mundo inteiro. O arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) e presidente do Comitê Organizador Local (COL), Dom Orani João Tempesta, citou que cerca de 60 mil voluntários, tanto brasileiros como estrangeiros, são necessários para a Jornada. Até o momento, há cerca de 20 mil. Também existem parcerias com setores governamentais para a viabilização da estrutura de transporte, trânsito, deslocamentos e estacionamento para todos os peregrinos. “Há toda uma preparação tanto da cidade, como do estado, como da arquidiocese”, salientou. Segundo o presidente da Comissão para a Juventude da CNBB, Dom Eduardo Pinheiro, toda essa preparação, que inclui a peregrinação dos símbolos

da Jornada pelas dioceses, objetiva resgatar no coração de todos a paixão pela juventude. Isso deve acontecer, também, com ações que promovam uma pastoral juvenil cada vez mais consistente. Nesse sentido, é fundamental que as dioceses, principalmente os párocos, divulguem a carta mensal encaminhada pela Comissão com vistas à Jornada, aproveitando ao máximo esse momento. Ainda com relação à JMJ, houve a apresentação de um vídeo mostrando todo o clima de expectativa dos jovens para o encontro com o Santo Padre. Os membros da Comissão também falaram sobre os subsídios voltados aos jovens que participarão da Jornada e a importância do credenciamento de todos os peregrinos. Opção afetiva pelos jovens Na apresentação, a Comissão apresentou o balanço de um ano de atividades, lembrando a opção afetiva e efetiva da Igreja pelos jovens. Dom Eduardo apresentou toda a estrutura organizacional da comissão, que engloba a pastoral juvenil em várias dimensões, equipe de comunicação e bispos referenciais nos regionais da CNBB.


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Jornal Santuรกrio de Aparecida โ€ข 29 DE abril DE 2012


Jornal Santuário de Aparecida [Ed. 5590 - 29 abr 2012]