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Controle do acesso pág. 5 JOÃO PESSOA - PARAÍBA 24 DE ABRIL A 1O DE MAIO DE 2013 Jornal do Laboratório do Curso de Jornalismo da UFPB

EDUCAÇÃO

Jovens líderes pág. 6

SAÚDE

Passarinhos do bem pág. 11

Foto: Juliana Miranda

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Foto: Carlos Antonio

CAMPUS

ENTREVISTA Geneton Moraes pág. 16

QuestãodeOrdem

Crime e castigo Questão de Ordem traz para a comunidade acadêmica da UFPB o debate sobre a redução da maioridade penal: você é a favor ou contra? pág. 9

Foto: Carlos Antonio

ALUNOS ADAPTAM OSWALD DE ANDRADE pág. 14

COORDENADORES DEBATEM GRADUAÇÃO pág. 7

Campus

Política

Trabalhadores desarmam acampamento e abandonam canteiro de obras no Centro de Comunicação, Turismo e Artes (CCTA) - pág. 3 Saúde

Cultura

Esportes

UFPB capacita Verbas para FJA Cadáveres velhos HQs em análise Entidade reúne seus servidores são bloqueadas prejudicam aulas na universidade alunos atletas Plano de capacitação na UFPB tem a finalidade de instruir os funcionários para utilizar as novas tecnologias implantadas comumente em todos os setores. Professores destacam a importância dessa ação de qualificação para a comunidade acadêmica. pág. 4

A UFPB foi aconselhada pelo TCU a não transferir recursos no valor de R$ 2 mi para a Fundação José Américo (FJA), conveniada à universidade. Segundo investigação, dinheiro era incorretamente depositado na conta de uma empresa alimentícia pág. 10

Exemplares usados para estudos na disciplina de anatomia apresentam alto grau de degradação. O tempo longo de utilização e a pequena quantidade de cadáveres disponíveis para estudo são alguns dos principais impasses para os alunos da área de saúde. pág. 11

Universo das histórias em quadrinhos (HQs) amplia a percepção do cotidiano no grupo de pesquisa Humor, Quadrinhos e Games, vinculado ao Mestrado em Comunicação do CCHLA. Mestrado em histórias em quadrinhos aguarda aprovação da PRPG. pág. 13

Criação do Grêmio Esportivo Universitário foi motivado pela necessidade que os estudante tinham de uma entidade que os representasse. Nova edição da Copa Universitária será realizada de maio a junho, com participação de alunos de várias instituições. pág. 15


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opinião

JOÃO PESSOA - PARAÍBA 24 DE ABRIL A 1O DE MAIO DE 2013 Jornal do Laboratório do Curso de Jornalismo da UFPB

editorial

Missão

quase cumprida

A volta cíclica de um debate Juliana Miranda

Ao concluirmos esta terceira edição do Questão de Ordem, jornal da disciplina Laboratório de Jornalismo Impresso, sabemos que exercitamos o intuito de levar ao leitor a melhor informação possível, com o máximo de veracidade. No entanto, humanos que somos, em algumas vezes falhamos no nosso propósito e acabamos por cometer temíveis erros. Quando optamos por seguir esta carreira, a qual depende diretamente da credibilidade e do compromisso com a verdade, assumimos a responsabilidade de arcar com as consequências dos nossos feitos. E apesar dos erros terem um efeito muito forte na nossa forma de encarar o jornalismo, isso não é suficiente para diminuir o encantamento da importância social dessa profissão. Com o jornal, aprendemos a organizar o tempo de maneira proveitosa, cumprindo prazos e tentando fazer o melhor num tempo hábil. Nem sempre obtivemos sucesso, e com isso desenvolvemos a nossa autocrítica a fim de aperfeiçoar, a cada passo dessa empreitada, o produto que chegaria às mãos do leitor. A experiência desafiadora, com a qual nunca antes havíamos nos deparado, serviu para compreendermos o sentido da responsabilidade do trabalho em equipe e da confiança que dele deriva. Como não poderia deixar de ser, cometemos erros e descobrimos o preço de trabalharmos com a verdade. Enfrentamos as

consequências de errar e vimos o quanto de responsabilidade detemos nas mãos ao escrever. Percebemos, a duras penas, que apesar de apontarmos falhas alheias, não nos é dado o direito de cometê-las, mas que quando isso acontece, é preciso agir com discernimento. Por outro lado, quando terminamos o trabalho com a sensação de termos dado o nosso melhor, apostamos que o leitor irá reconhecer a dedicação. Assim, nesta edição, trouxemos à tona a discussão da maioridade penal, com seus vários aspectos. Denunciamos a paralização das obras na UFPB e como elas prejudicam o andamento das aulas, além de apresentarmos o Fórum dos Coordenadores dos Cursos de Graduação, que busca soluções para os problemas que os estudantes enfrentam. Com elas e todas as matérias aqui publicadas, passamos a ver não com a nossa perspectiva, mas com a de quem nos lê. Saímos dessa experiência com a certeza de termos feito o melhor que pudemos. Mesmo com as limitações que nos foram impostas, conseguimos implementar mudanças no universo acadêmico que nos cerca, além de fazer com que as pessoas refletissem sobre problemas antes negligenciados. A partir de agora, entendemos não só como profissionais, mas também como cidadãos, que é necessário se impor diante dos problemas e nunca nos deixar intimidar.

Charge

Todas as vezes que um delito é praticado por um adolescente a redução da maioridade penal volta às pautas dos jornais e do Congresso Nacional. O caso mais recente foi a morte do estudante Victor Hugo Deppman, de 19 anos, que teve o celular roubado e foi morto na frente do prédio onde morava, em São Paulo. O latrocínio aconteceu três dias antes do assassino completar 18 anos. Será, entretanto, que esse pequeno espaço de tempo é suficiente para mudar os conceitos morais construídos ao longo de uma vida inteira? É no mínimo contraditório considerar que, por exemplo, jovens na altura dos seus 16 anos ainda não sejam capazes de discernir entre o que é certo e o que é errado. Tendo em vista que eles votam, chegam em casa de madrugada, fazem sexo, mas na hora de serem responsabilizados por seus atos são considerados seres indefesos. A impunidade leva muitos jovens a confiar que podem fazer o que bem entendem e, mesmo que sejam condenados a passar um tempo em casas para menores infratores, saem de lá com suas fichas limpas. Um bom exemplo disso é o caso do rapaz que, aos 16 anos, ajudou a matar no Rio de Janeiro, em 2007, o menino João Hélio. O jovem arrastou João, que estava preso na porta do carro que havia sido roubado de sua mãe. Depois de três anos numa instituição para menores infratores, o assassino foi libertado. Passados cinco anos desde o crime, que chocou o país,

foi preso por posse ilegal de armas, tráfico e corrupção ativa. No entanto, nada constava em seus antecedentes criminais, mesmo tendo matado covardemente um menino de 6 anos. A legislação brasileira impede que jovens com menos de 18 anos sejam julgados como adultos, sendo considerada uma das mais brandas do mundo. Na Inglaterra, menores de idade que cometem crimes violentos podem ser condenados até à prisão perpétua. O mesmo ocorre em alguns estados dos Estados Unidos da América. O fato de termos um sistema carcerário falho, muitas vezes desumano e pouco adequado à reabilitação dos infratores não deve ser o motivo de, simplesmente, destituirmos as penitenciárias de suas funções primárias, como detenção e reeducação social. Também não devemos considerar que longas penas para assassinos de qualquer idade acabem com o crime bárbaro. Todavia, a sensação de que a justiça foi feita e que se reduziu o índice de impunidade é impagável para as famílias das vítimas. Outro argumento comum contra a redução da maioridade penal defende que só com boa educação e menos desigualdade social poderemos reduzir a criminalidade juvenil. Essa é uma verdade parcial. Melhorar a educação e reduzir a pobreza são obrigações do Estado. Isso não elimina o compromisso que a sociedade tem que ter em valorizar a vida e a honestidade para acabar de vez com a sensação de que o crime compensa, tanto para menores quanto para maiores de 18 anos.

A impunidade leva muitos jovens a confiar que podem fazer o que bem entendem

Quando o poder define a vítima Daniel Sousa A foto do garoto norte americano Martin, de 8 anos, segurando em suas mãos um cartaz que dizia: “chega de machucar as pessoas”, sensibilizou o mundo inteiro. O menino foi uma das três vítimas fatais da explosão de duas bombas em Boston (EUA), durante o final de uma maratona, no último dia 15 de abril. A repercussão da tragédia ainda ecoa na imprensa mundial, e sabe Deus até quando continuará a fazê-lo. Americanos de todo país estão indo às ruas pedir justiça, paz e protestar contra o terrorismo. Na caçada aos suspeitos do atentado, foram mobilizadas todas as forças policiais americanas, cerca de nove mil oficiais se engajaram na busca. As mídias nos fizeram acompanhar, detalhadamente, cada passo da ação policial. Por fim, testemunhamos o desfecho dos dois jovens irmãos acusados do crime. O mais velho, de 26 anos, morto e o caçula, de 19 anos, ferido e preso, depois de ter se escondido em um barco no quintal de uma casa. É engraçado parar e pensar que, enquanto isso, do outro lado do mundo, sem nenhuma cerimônia, crianças como Martin morrem vítimas de uma guerra absurda e desenfreada. Inocentes com as vidas ceifadas, gritos abafados e clamores ignorados. O país que hoje chora a perda de três pessoas que assistiam

à corrida é o mesmo que matou, no dia 6 de abril deste ano, onze crianças afegãs. A diferença é que você não sabia disso. Do lado mais fraco da corda já arrebentada, existem tantas morrem que a imprensa ocidental não procura mais saber por que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) bombardeou crianças indefesas. Não estou insinuando que não devemos nos entristecer com a morte de uma criança, mas nossa sensibilidade não deve se restringir às tragédias enfrentadas pelos Estados Unidos. Precisamos chorar também pelo terrorismo ocidental que mancha de sangue os civis árabes. Nosso choro precisa ser constante, para que mais pessoas não percam suas vidas em nome de um sistema opressor e cruel que ajudamos a construir. É preciso olhar além do que nos é apresentado pela mídia americana. Todos os dias na África milhares de pessoas morrem de fome ou vitimados pela AIDS. Vivemos hoje também sob a tensão de possíveis guerras entre países que já estão montando seus arsenais e fazendo testes de bombas nucleares. Tudo isso nos atinge e interessa. São todas nossas misérias, e agora falo como um só povo, uma só nação, a raça humana. Que o cartaz do menino morto possa servir de lição para essa moeda que possui muito mais que dois lados, e que seu próprio país pare de machucar as pessoas. Martin agradece.

Nossa sensibilidade não deve se restringir apenas às tragédias dos EUA

Reitora: Margareth Diniz Juliana Miranda EDITOR ADJUNTO Natã de Sena

Érica Rodrigues

Thaís Vital

Laryssa Guimarães

Guilhardo Martins

Andréa Meireles

Bárbara Santos

Kelly de Souza

Daniel Sousa

Érica Rodrigues

Amanda Gabriel, Carlos Antonio, Dalana Lima, Daniel Lustosa, Dayse Costa, Isabela Prado, Jude Alves, Keicy Victor, Manoela Raulino, Nathalia Correia, Peter Shelton, Poliana Lemos


campus

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Paralisação das obras no prédio de Teatro prejudica estudantes Problemas na estrutura das edificações e falta de instalações hidrosanitárias e elétricas são as principais deficiências da construção Juliana Miranda e Kelly de Souza Iniciada há mais de ano, a reforma e ampliação do prédio que abrigará os cursos de Teatro e Dança da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), as quais tinham previsão de entrega num período de seis meses, diminuíram seu ritmo gradativamente. No lugar dos 30 operários iniciais, restaram somente oito, que deixaram o canteiro de obras na sexta-feira, 12 de abril, paralisando os trabalhos. O projeto preliminar, orçado em R$ 700 mil, só contemplava a parte arquitetônica da obra, deixando de lado complementações indispensáveis a quaisquer edificações, como instalações hidrosanitárias e elétricas. Segundo o mestre de obras, Luís Carlos, da Construtora CCA Ltda., empresa responsável pelo trabalho, no decorrer da construção outros problemas foram surgindo. A estrutura da edificação não suporta a concepção de uma laje, que serviria para a sala de expressão corporal. “Um engenheiro fez uma vistoria e decidiu por colocar uma viga metálica para suportar o peso, mas essa viga é muito cara e fugia do primeiro orçamento”, explica. Além dessa, outra questão identificada diz respeito a um déficit em relação à acessibilidade, sendo necessária

a instalação de um elevador. De acordo com o presidente do centro acadêmico de Teatro, Jamil Richene, essa reivindicação só será feita após a entrega final do bloco. “Se houver uma reivindicação agora, só atrasará mais os trabalhos. No momento, o que queremos é receber o prédio”. CONSEQUÊNCIAS Para que tais mudanças fossem feitas seria necessário um novo investimento, pois o primeiro foi ultrapassado. De acordo com o prefeito universitário, Sergio Alonso, por não ter recursos na velocidade que se propunha, só existiam duas possibilidades: parar a obra ou aditá-la, ou seja, adicionar o que é permitido pela legislação, um valor de no máximo 25% do seu total, neste caso até R$175 mil. Essa fato causou preocupação no corpo discente, pois o atraso na entrega do prédio só estenderia o antigo problema da falta de espaço fixo destinado ao curso. O aluno de Teatro, Natan Pedoni Lacerda, explica que este é um grande contratempo enfrentado por ele desde o início do curso. “Todo período é isso, tem que sair procurando sala de aula que esteja vaga. Assistimos aulas em salas de diversos departamentos”, observa. MODIFICAÇÕES O espaço que dá lugar ao novo

Foto: Juliana Miranda

inicio no período 2013.2. Essa nova estrutura será uma área de constante aprendizado que favorece a criatividade, além de contribuir no processo de construção de conhecimento.

Obras no Centro de Comunicação, Turismo e Artes estão suspensas desde 12 de abril bloco que está se erguendo, é o antigo Abacatão, assim chamado pela comunidade acadêmica devido à cor verde abacate utilizado em sua pintura. Era nesta instalação que os alunos de Teatro aprendiam e colocavam em prática a sua arte, no famoso laboratório conhecido como Sala Preta. Cenário este de criações e produções que enriqueceram a cultura paraibana com apresentações teatrais.

Com uma estrutura mais planejada, o novo ambiente estava previsto para comportar oito salas para aulas práticas, três salas para aulas teóricas, um teatro com capacidade para 104 espectadores, dois camarins, uma bilheteria e um almoxarifado. A sala de expressão corporal seria construída no piso acima do teatro e serviria tanto para os alunos do curso de Teatro quanto para os de Dança, que terá

INICIATIVA

Thais Vital A predominância de disciplinas teóricas no curso de radialismo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) foi o pontapé inicial para a criação do ‘De Cara’, um grupo formado por estudantes de comunicação que possuem um desejo em comum: o de colocar em prática toda a teoria vista e aprendida nas salas de aula. Sob a orientação da professora do curso de Comunicação Social Margarete Almeida, o objetivo do grupo é se consolidar como um canal direto da universidade com o aluno e vice-versa, além de ser um órgão fiscalizador da administração da instituição averiguando irregularidades e afins. A equipe é composta por nove acadêmicos, alguns habilitandos em jornalismo, outros em radialismo. Conforme afirma a produtora Pollyana Gomes, o ‘De Cara’ irá transparecer a realidade dos alunos da UFPB para a comunidade acadêmica. Durante a produção dos vídeos, cada aluno possui uma função diferente, a ideia, segundo o criador do projeto, Luiz Candoia, é fazer com que cada integrante passe por um rodízio de funções para então descobrir o que realmente gosta de fazer. “O programa também irá auxiliar na descoberta das vocações de cada um”,

completa Candoia. Além disso, conforme explica outra integrante do grupo, Débora Cardoso, o principal benefício de estar no programa é a experiência, tendo em vista que muitos universitários saem da academia sem um mínimo contato com o mercado de trabalho. “O maior ganho é a experiência e o contato com aquilo que chega mais próximo da realidade do mercado de trabalho, pois a falta de um estágio obrigatório e supervisionado é a maior deficiência do nosso curso”, conclui.

ESTREIA A primeira exibição do ‘De Cara’ terá como tema principal as deficiências da Residência Universitária e está prevista para maio. Em sua rede social, fotos com legendas sobre os bastidores do programa de estreia, instigam a curiosidade dos internautas. Segundo a editora Andrezza Carla, cerca de duas semanas foram necessárias para que os residentes e outras fontes envolvidas com a temática dessem seu depoimento e apontassem suas reivindicações sobre o local e as condições as quais são submetidos.

Foto: Carlos Antonio

Assopra que apaga Foto: Carlos Antonio

Alunos criam projeto para fiscalizar a UFPB

PROVIDÊNCIAS Para que alguma medida fosse tomada e a obra voltasse a funcionar, o chefe de departamento do curso de Teatro, Paulo Vieira, pediu uma inspeção com o diretor do Centro de Comunicação Turismo e Artes (CCTA), Davi Fernandes, do qual a graduação faz parte. Verificaram que a edificação estava parada há mais tempo do que pensavam, pois os operários estavam apenas fazendo o acabamento com os materiais que ainda restavam. O diretor solicitou à Reitora uma visita ao canteiro de obras. Margareth Diniz compareceu ao local na terça-feira, 16 de abril, e prometeu agilizar a liberação da verba que falta para conclusão da reforma. Tal empreendimento é de suma importância para o curso de Teatro que vem tentando fomentar e democratizar suas produções, e para que isso ocorra é necessária uma estrutura física adequada. A exemplo do curso de Música que com sua nova estrutura, a sala de concertos Radegundes Feitosa, vem disseminando a primeira arte.

A falta de extintores de incêndio nas dependências do Centro de Comunicação, Turismo e Artes (CCTA), denunciada na matéria “Novas dependências são liberadas sem equipamentos de segurança”, da segunda edição deste jornal, impediu que o servidor do Departamento de Comunicação (Decom) Adailton da Fonseca tivesse seu carro salvo do incêndio que o destruiu por

completo. O fato ocorreu na terça-feira, 16 de abril, por volta das 21h, e foi necessário recorrer ao Corpo de Bombeiros, que só chegou ao local meia hora depois da chamada. Tanto a irregularidade apontada no Questão de Ordem, quanto a demora dos bombeiros em atender o caso demonstram a fragilidade da UFPB na política de contenção de incêndios no campus I.

erramos Diferentemente do que foi publicado na reportagem “Governo Federal poderá trazer dois novos campi para a UFPB”, na 2ª edição do Caderno de Campus do jornal laboratório Questão de Ordem, o município de Gua-

Produtora e editor geral do De Cara explicam que é uma iniciativa dos próprios alunos

rabira não está localizado no Litoral Norte da Paraíba, mas sim, na Mesorregião do Agreste Paraibano. Já o município de Pedras de Fogo está localizado no Litoral Sul do estado e não no Brejo, como informado naquela edição.


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campus

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Plano de capacitação para servidores é aprovado Projeto foi criado para sanar as deficiências dos servidores quanto aos sistemas da universidade Foto: Jude Alves

Daniel Lustosa e Jude Alves Mesmo aprovados em concursos, os novos servidores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) nem sempre estão totalmente capacitados a exercerem de maneira completa suas novas funções. Dificuldades em lidar com o sistema da universidade e as novas tecnologias são alguns problemas enfrentados não só para os mais recentes, como também para os mais antigos servidores. Visando orientá-los, foi aprovado no dia 27 de março em votação no Conselho Universitário (Consuni), por unanimidade, o Plano de Capacitação e Qualificação dos Servidores 2013 da UFPB. Com o desafio de capacitar 2.700 servidores, além de qualificar cerca de 200, o plano 2013, que conta com um investimento superior a um milhão de reais, oferecerá vários cursos de capacitação. Segundo o diretor da Divisão de Educação e Capacitação Profissional (DECP), Thiago Cavalcante, o plano atual foi uma leitura das ações realizadas anteriormente. “O plano de 2013 é um reforço dos anteriores, sobretudo daquelas ações que nós não conseguimos materializar. Mas também vamos investir em algumas áreas que não foram abordadas ain-

desenvolvimento de pessoal, foi um grande marco para o investimento em capacitação. Outro fator colaborador foi o plano de carreiras, que despertou interesse para muitos servidores, e tudo isso já resulta em profissionais muito mais exigentes e informados, que buscam se preocupar em atender melhor as pessoas”, conclui.

Diretor da DECP explicou que o plano desse ano é uma reformulação dos anos anteriores da”, afirmou. Esse projeto foi elaborado pela Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progep) e pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PRPG), que trabalharam em parceria para contemplar os servidores com capacitação e qualificação. “A parceria com a PRPG foi no sentido de ajudar na criação de estratégias de desenvolvimento de ações para qualificação. Então juntamos a proposta da Progep (capacitação) com a da PRPG (qualificação) e foi elaborado o plano de capacitação e qualificação entregue à magnífica reitora e aprovado pelo Consuni”, esclarece Thiago Cavalcante.

IMPORTÂNCIA O diretor da DECP destacou ainda que os planos de capacitação e qualificação ganharam mais receptividades dos servidores nos últimos anos. “Eu entrei aqui na universidade em 1999, e naquela época praticamente não existia estímulos para que os servidores se qualificassem. Naquela época o orçamento para capacitação era de R$ 24.000 para quase quatro mil servidores”, contou. “O olhar da instituição foi se modificando desde que cheguei aqui. O decreto 5.707, publicado em 2006, que instituiu a política nacional de

SERVIDORES Para o professor do Centro de Comunicação, Turismo e Artes (CCTA), João de Lima, o plano é de grande importância para o desenvolvimento dos servidores. “Eu já participei de cinco cursos, através dessas ações, que foram muito importantes para o desenvolvimento da minha carreira. O progresso do servidor na universidade depende muito da capacitação, por isso é importante”, declara. Já a servidora técnico-administrativa do mesmo centro, Mônica Pires, ainda não fez nenhum curso ofertado pelos planos. “Até agora não ofereceram nenhum de meu interesse. Acho que cursos de arquivologia e também de gestão pública seriam interessantes para minha área. Espero que esse novo plano contemple aos meus interesses para o desenvolvimento da minha carreira”, declara.

TRANSPORTE

Alunos reclamam falta de ciclovias Isabela Prado Trocar o carro por transporte público ou meios de transportes alternativos ajuda a melhorar o trânsito e a preservar o meio ambiente, mas essa não é uma tarefa tão fácil. Os ônibus da capital, por exemplo, estão sempre lotados nos horários de pico, a passagem é relativamente cara e não há ciclovias o suficiente na cidade. Alunos que moram em bairros vizinhos à universidade e que têm a opção de ir à pé acabam fazendo essa escolha. É o caso do estudante do Curso de Engenharia Ambiental, Pablo Ramos, que mora há 2 km da universidade e faz esse trajeto em cerca de 15 minutos. "É muito difícil pegar ônibus, pois eles estão sempre lotados e ir a pé foi a forma mais cômoda e mais segura que encontrei, mais segura, até, do que ir de bicicleta”, conta. Segundo a Superintendência de Mobilidade Urbana de João Pessoa (Semob), existe um plano que visa melhorar o transporte público da cidade que acabou de ser contemplado pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os investimentos para mudar o sistema do transporte público são de R$ 200 milhões e já estão garantidos pelo Governo Federal. O modelo de operação que será colocado em prática é o chamado Bus Rapid Transit (Trânsito rápido de ônibus), que constitui-se de veículos articulados ou biarticulados que trafegam em canaletas específicas ou em vias elevadas, inspirado no modelo de Curitiba. O superintendente da Semob, Nilton Farias, conta que à medida que

Foto: Carlos Antonio

B R E V E S Troca

A reitora Margareth Diniz fez mudanças na gestão da Prefeitura Universitária, substituindo o engenheiro Francisco Pereira pelo professor Sérgio Alonso. O ex-prefeito foi remanejado para assumir a Coordenação de Infraestrutura. O motivo da alteração foi a necessidade de um engenheiro para ficar na supervisão in loco das obras inacabadas do Reuni.

Identidade A UFPB está produzindo, em parceira com uma instituição bancária, cartões com chip para a identificação de todos que fazem parte da universidade. Inicialmente, a ideia da reitoria é criar um banco de dados apenas dos servidores e alunos da residência universitária, mas o projeto pretende, no futuro, cadastrar todos os alunos e funcionários.

Assembleia A assembleia da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes), marcada para 17 de abril, foi cancelada por falta de quorum. Entre os assuntos pautados estava a marcha de Brasília, prevista para quarta-feira, dia 24, em protesto à política de governo para a carreira dos servidores. Para que ocorra a assembleia é necessário um número de 120 pessoas, mas apenas 60 estavam presentes. Contudo, a marcha contou com representantes da Andes, pois estes foram escolhidos em outra reunião.

Música A Orquestra Sinfônica da Universidade Federal da Paraíba (OSUFPB) apresenta seu concerto de encerramento do semestre letivo em 26 de abril, sob a regência de Carlos Anísio. Na Sala Radegundis Feitosa, às 20h. Falta de ciclovias nas proximidades do campus é uma das principais reclamações de quem utilizam bicicletas para ir à universidade houver melhoria na qualidade e no serviço do transporte público haverá um crescimento natural no uso dos ônibus. “Essa migração de carro para transporte público é um processo cultural que precisa de investimento a médio e longo prazo”, diz. FALTA DE CICLOVIAS Pedalar até o campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) poderia ser uma atividade mais comum, especialmente para os estudantes que moram em bairros próximos, não fossem os inúmeros problemas que dificultam a integração do veículo com os outros meios de transporte, como falta de ciclovias, de sinalização e a falta de respeito dos motoristas em

relação aos ciclistas. Júnior Farias, aluno do curso de Letras- Português, gasta cinco minutos pedalando até a universidade todos os dias, apesar disso, diz não se sentir seguro em disputar o mesmo espaço com ônibus e carros. “Meu sonho é que tivesse uma ciclovia ligando o bairro onde moro à universidade”, comenta. Atualmente, existe um projeto de rotas cicloviárias por parte da Semob que pretende abranger um total de 129.847km na capital pessoense, dos quais 45 km estão concluídos, entretanto não contempla de imediato vias cicloviárias nas proximidades da UFPB. O aluno do curso de Pedago-

gia, Caio Fernandes, mora no Castelo Branco e vai pedalando para a universidade todos os dias. Ele conta que escolheu a bicicleta, pois além de ser um meio de transporte não poluente, é também mais econômico quando comparada ao ônibus, por exemplo. Caio conta que os motoristas não costumam respeitar os ciclistas, a menos que eles estejam usando acessórios próprios para pedalar como capacetes, luvas e joelheiras. Para solucionar esse problema, a equipe de educação da Semob vem realizando atividades educativas, inclusive com a participação de grupos de pedais como voluntários, para orientar ciclistas e motoristas quanto à utilização das ciclovias.

Desvio

A pró-reitora de graduação, Ariane Norma Menezes de Sá, é uma das responsabilizadas pelo esquema de desvio de dinheiro público que envolve a Desk, empresa fornecedora de assentos para estádios da Copa. O plano, composto por 13 pessoas, causou prejuízos milionários à finança municipal. A pró-reitora teve seu sigilo bancário quebrado e, além disso, o Ministério Público pediu o bloqueio dos bens de todos os acusados.


campus

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Redução dos cartões viários pode prejudicar a segurança na UFPB Atualmente a universidade possui apenas 2 mil cartões para, em média, 10 mil veículos que circulam diariamente pelo campus Bárbara Santos e Juliana Miranda Os cartões viários, utilizados para o controle da entrada e saída de veículos dentro da universidade, tiveram sua circulação reduzida há dois meses. Isso ocorreu devido ao deterioramento que sofreram e pela pequena quantidade disponível que não suporta a demanda dos mais de 10 mil carros que circulam diariamente nas dependências da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Segundo o chefe de segurança da UFPB, João de Deus Neves, esse sistema de controle, criado em 2002, tem ainda o intuito de inibir o furto de veículos dentro da universidade e obtêm sucesso. “Antes da implantação dos cartões, chegou-se a ter dentro da nossa universidade uma média de 4 a 6 furtos de carros mensalmente. Agora, reduziu para quase zero”, diz. Esse monitoramento, que funciona com a entrega de um cartão em cada guarita de acesso ao campus e respectiva devolução na saída, é feito entre outras coisas, para causar uma sensação de segurança para os motoristas. O aluno do curso de Ad-

ministração, Paulo Valadares, corrobora com essa ideia, pois se sente mais protegido, uma vez que seu carro só sairá das dependências da universidade com a sua devida restituição. Há usuários que não concordam com a eficiência desse sistema. Como o professor de física do Centro de Ciências Exatas e Naturas (CCEN), Paulo Cézar de Oliveira, que acha um desperdício do dinheiro público. Acredita que tal orçamento poderia ser melhor aproveitado na compra de equipamentos de segurança como câmeras, do que no uso de cartões de plástico. SITUAÇÃO ATUAL Durante a primeira semana de abril, a distribuição dos cartões foi suspensa nas quatro guaritas do campus I, por ineficiência momentânea do sistema. João de Deus percebeu, por exemplo, uma displicência por parte dos porteiros e ordenou que continuassem a entrega sempre que possuíssem algum cartão, mesmo que a quantidade não fosse suficiente para todos os veículos. A UFPB conta atualmente com apenas dois mil cartões para serem distribuídos nas entradas da cidade universi-

Foto: Juliana Miranda

acreditar lidar com pessoas de bem, sempre vai haver alguém mal intencionado que poderá guardar um dos cartões e usá-lo para sair das dependências da universidade com um carro resultado de um furto. O planejamento viário em relação a motos na UFPB ainda é muito precário e têm causado uma série de transtornos, já que os motociclistas estacionam e se deslocam em corredores onde as pessoas andam. É facilmente verificável a inexistência de vagas específicas.

Distribuição dos cartões viários foi suspensa por completo na primeira semana de abril tária. Devido a essa situação, as notificações, em caso de perda do papel que controla a entrada, cessaram. O trabalho consistia em anotar o nome completo do motorista, número da identidade, placa do veículo e horário de saída. Efetivamente, por causa dessa suspensão, o carro do funcionário do Centro de Tecnologia (CT), Nilson Ferreira, foi furtado, no dia cinco de

abril, próximo ao bloco onde trabalha. MOTOS As motos que se deslocam no campus não passam pelo controle viário de circulação, pois, por serem veículos pequenos acabam saindo, muitas vezes, por locais inapropriados, como os portões que dão acesso as paradas de ônibus. O Chefe de Segurança explica que apesar de

SOLUÇÃO Devido a troca no comando da Prefeitura Universitária, assumida pelo professor Sergio Fernandes Alonso, o pedido de cartões foi adiado, levando a uma espera de 15 dias desde a solicitação. Sergio afirmou ter despachado o requerimento, no último dia 15, de 20 mil cartões feitos de PVC (um tipo de plástico), modelo mais resistente, seguro e durável. De acordo com João de Deus, os novos cartões manterão o sistema de cores diferentes, uma para cada guarita do campus. Com isso, será possível verificar os locais de maior fluxo de carros para intensificar a segurança.

FEIRA

MONOPÓLIO

Comércio agroecológico é incentivado na instituição

Internet gratuita depende dos diretores de Centro

Carlos Antonio A Paraíba é um dos estados brasileiros que faz parte da rede de agricultura sustentável. Além do Brasil, outros países como Argentina e Uruguai também fazem parte da rede. O campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), é parceira de uma feira que a princípio, comercializava apenas produtos orgânicos, agroflorestais e agroecológico. Frutas, raízes, cereais, hortaliças, mel de abelha, artesanato, dentre muitas outras produções podem ser encontradas no local. A rede de agricultura sustentável no campus I da UFPB funciona desde maio de 2002. Nesse meio tempo, a feira agregou parceiros, abrindo o espaço comercial para outras produções, podendo ser encontrados trabalhos artesanais. A UFPB assumiu um papel relevante com a produção de conhecimento e ações significativas para a transformação da sociedade. As extensões passaram a receber mais atenção diante do seu potencial de colaboração com as políticas públicas nas mais diversas áreas, entre outras, da capacitação continuada para a educação básica, saúde preventiva e geração de renda. Foi assim que o artesanato começou a fazer parte da feira agroecológica. EXTENSÃO A artesã, Geusa Toscano, recebeu o incentivo da universidade e passou

Foto: Carlos Antonio

Há mais de uma década a feira existe no campus I e atrai pessoas de fora do meio acadêmico a comercializar seus produtos junto aos outros feirantes. Ela explica que não faz parte da rede de agricultura sustentável, mas é parceira do projeto que vem apoiando o trabalho dela há cinco meses, resultado do trabalho do Grupo de Mulheres Economia Solidária, chefiada por Rosilene Gomes, que estimula a produção e comercialização dos produtos de produção independente no interior da universidade. O feirante José Eduardo falou sobre o artesanato comercializado junto aos produtos agroecológicos. “Sendo produção nossa, não exis-

tem regras que impeçam a comercialização de outros produtos”, afirma o agricultor. Severiano Ramos da Silva é feirante há oito anos, tornando-se o mais antigo, e está feliz com a permanência do vínculo com a universidade. “A comunidade já sabe nossos horários. Até no feriado montamos as bancas, mas quando acontece de abrir dias antes ou depois, avisamos com antecedência aos clientes, que comparecem para fazer suas compras”, afirmou Severino depois de confirmar o seu apoio ao trabalho da artesã.

Manoela Raulino Internet grátis e disponível a toda comunidade acadêmica é o mínimo que se pode esperar de uma instituição de grande porte como a Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Não é segredo que a rede virtual hoje é o jeito mais rápido e eficaz quando o assunto é procura de informações. Esse meio é o mais procurado por estudantes na hora de elaborar trabalhos e estudar para provas, tendo em vista que se tem acesso a livros, artigos, entre outros. Apesar desse fato, estudantes dos mais variados cursos da UFPB sofrem prejuízo no que diz respeito à falta de internet nas dependências do Campus I. São poucos os lugares com redes wi-fi (ou seja, redes de internet sem fio) que não possuem senhas que restringem a utilização pelos discentes. É possível encontrar, em diversos centros da UFPB, sinais de internet sem fio, mas a maioria tem chaves de segurança e conexão instável o que impossibilitam o uso da ferramenta virtual. Esses bloqueios quase sempre são colocados por professores e funcionários, o que acaba por monopolizar algo que deveria ser público. EXEMPLO Já na praça do Centro de Educação (CE), alunos tem acesso livre à internet por meio do sinal wi-fi “Ambiente 16”, que é disponibilizado gratuitamente pelo próprio diretório do centro. Segundo o assessor de informática do CE, Vandível Filho, cada centro é independente nesse sentido. Mensalmente é disponibilizada uma verba

pela reitoria a fim de manter os prédios e proporcionar o bem estar e a qualidade para os alunos. “Aqui no CE, nós optamos por disponibilizar internet grátis para todos os alunos. Para tanto, temos ambientes com roteadores, que possibilitam a existência do sinal wi-fi”, relata Vandível. Ainda há uma proposta para a compra de mais roteadores no intuito de aumentar o alcance da rede wi-fi, que até então se limita apenas as dependências do CE. “Pretendemos reservar um pouco da verba para a compra de mais roteadores, queremos que o sinal vá até o estacionamento”, pontua. PROPOSTA A nova gestão do Diretório Central dos Estudantes (DCE) tem, como uma de suas propostas de plataforma, a disponibilização grátis de internet em todo o Campus I. O representante da entidade, Gabriel Porto, declarou que foi necessário fazer uma licitação junto à prefeitura para a resolução do problema, já que seria algo que atingiria todo o Campus I. “Solicitamos ao prefeito um sinal wi-fi para todo o campus, porém a empresa brasiliense que ganhou a licitação não fez nem entregou os cabos de fibra ótica necessários para o funcionamento do projeto”, declara Gabriel Porto. Ainda segundo ele, essa questão já foi conversada com os diretores de centro, porém estes demonstraram resistência, tendo em vista que não são obrigados a disponibilizar internet para os alunos dentro do centro.


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educação

JOÃO PESSOA - PARAÍBA 24 DE ABRIL A 1O DE MAIO DE 2013 Jornal do Laboratório do Curso de Jornalismo da UFPB

Plataforma internacional deseja desenvolver atividades na UFPB Presente em 113 países, organização de jovens universitários quer criar sede e realizar suas atividades na universidade érica rodrigues Fundada na Bélgica em 1946, a Association Internationale des Estudiants em Sciences Economiques et Commerciales (Associação Internacional de Estudantes em Ciências Econômicas e Comerciais - AIESEC) é reconhecida pela UNESCO como a maior organização de jovens universitários do mundo, estando presente em 113 países. A organização visa explorar e desenvolver o potencial de liderança de seus jovens por meio do trabalho voluntário, além de vender intercâmbios profissionais. A AIESEC, que chegou a João Pessoa em abril de 2012 e agora conta com 50 membros locais, busca apoio da Universidade Federal da Paraíba para criar uma sede na instituição. A presidente do comitê local AIESEC JP e estudante de relações internacionais na UFPB, Stephany Bezerra, conta que a ideia da organização é gerar impacto social. Para isso, eles facilitam que as pessoas tenham uma experiência no exterior, por meio dos intercâmbios e criem uma consciência social, de modo que possam continuar atuando nisso quando voltarem para as suas cidades. “O maior foco da AIESEC é promover a liderança nos jovens da cidade de João Pessoa, e o intercâmbio é uma forma de se conseguir isso também. Nesse caso, você sai da sua zona de conforto, vai para outro país completamente diferente e lá você ainda pode trabalhar em uma ONG e ajudar pessoas”, explica. VOLUNTARIADO A AIESEC possui o programa de voluntariado para membros, no qual alunos de graduação, pós graduação ou formados há até dois anos, que tenham entre 18 e 30 anos, podem se vincular à organização e trabalhar em

Foto:: Divulgação

Em reunião, jovens discutem a respeito do espírito de liderança pela AIESEC; organização posssui um programa de voluntariado voltado para causar impacto positivo na sociedade alguma de suas áreas, como vendas, seleção e gestão. A ONG é completamente formada por esses estudantes trabalham a fim de complementar experiências, causar impacto positivo na sociedade, além de desenvolverem o seu próprio potencial de liderança. A estudante Larissa Rodrigues, membro área de Relações Públicas do comitê de João Pessoa, explica que os alunos têm a ganhar, como membros da AIESEC, a facilidade de entrar em uma organização que aceita os aceita do jeito que eles são. Ela observa que para ser membro não é preciso ter experiência, nem falar outros idiomas, o estudante chega como um quadro em branco e cresce junto com a organização. “O mais importante é que

eles dão oportunidade profissional a quem não tem experiência nenhuma. Assim, você consegue desenvolver habilidades profissionais como, por exemplo, cumprir os horários e metas estabelecidas pela organização e desenvolver responsabilidades profissionais”, conclui. INTERCÂMBIOS Uma vez que a organização visa promover impacto social, os intercâmbios promovidos pela AIESEC são voltados para países em desenvolvimento. Os membros da organização promovem tanto a ida de estudantes interessados em viver em outros países, como a vinda para o Brasil de estrangeiros que querem trabalhar aqui. “Nós da AIESEC

não vamos trabalhar nas ONGs, a gente traz pessoas de outros países pra trabalhar nelas aqui, e mandamos pessoas daqui para trabalhar em ONGs no exterior. É um impacto indireto”, esclarece Stephany. Os intercâmbios duram de seis a doze semanas e são bem mais baratos do que os de outras empresas. PARCERIA A AIESEC JP agora tenta conseguir apoio da universidade para criar uma sede na instituição. Este é um dos requisitos necessários, dentre outras metas, para que o comitê daqui possa se tornar um comitê local oficial, deixando, assim, de depender juridicamente da AIESEC de Recife. A presidente do comitê de João

Pessoa explica que é muito claro o ganho da universidade com essa parceria, uma vez que ela facilitaria o contato dos alunos da instituição com universidades de fora do país, sendo uma forma de internacionalizar a UFPB. Ela observa ainda que a parceria vai elevar a universidade a patamares como a USP e a UFMG, que também são parceiras da AIESEC. “A organização também é uma oportunidade dos estudantes colocarem em prática o que eles aprendem em sala de aula. Apesar de ser um trabalho voluntário, você ganha muita experiência. Eu sou estudante de RI e eu estou aprendendo muita coisa sobre gestão. Então, é muito legal essa oportunidade de você aprender na prática, sem ficar só na teoria”, conclui.

MANIFESTO

Alunos protestam contra professores no CCJ Foto: Kelly de Souza

Faixa exposta no Centro de Ciências Jurídicas, ironiza docentes que faltam ao trabalho

Nathália correia Alunos do curso de Direito lançaram reivindicação por melhorias no corpo docente do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ/ UFPB). A campanha, intitulada “Por um docente decente”, foi criada pelos estudantes do Coletivo Desentoca para levantar, através de faixas espalhadas pelo prédio do CCJ, questionamentos como: “De quem você não teve aula hoje?” e “O período terminou e as ementas foram cumpridas?”. O movimento será realizado em dois momentos, inicialmente através da mobilização discente para que eles opinem sobre as lacunas existentes na docência e, após isso, será elaborado um dossiê com um levantamento de todas as informações colhidas. “Planejamos realizar algumas intervenções a fim de coletar dados junto aos estudantes sobre a situação estrutural do curso. Depois disso, elaboraremos o dossiê com a descrição

das demandas a ser entregue aos departamentos, à coordenação e à direção de centro, para que sejam tomadas as medidas cabíveis”, afirma o integrante do Coletivo, Tancredo Gomes. “Por um docente decente” é uma adaptação de outra manifestação já realizada pelo Diretório Acadêmico de Direito da UFPB em 2006. É resultado da indignação dos estudantes diante da realidade vivenciada por eles, em que muitos problemas são enfrentados diariamente, como a grande quantidade de professores faltosos, que não cumprem a ementa proposta para as disciplinas e corrigem arbitrariamenteas avaliações ou que colocam monitores para dar aula em seu lugar. Outra reinvindicação é o aumento da pesquisa no campo da educação jurídica. “Poucos professores do CCJ montam projetos de pesquisa, deixando a desejar na prática. Então, acreditamos que é importante as interações entre teoria e prática, já que é a partir da

extensão ou monitoria que aluno pode sair do campo teórico, para aprofundar o conhecimento através da práxis”, afirma Tancredo. Apesar de um dos objetivos da campanha ser elaborar um dossiê com os dados coletados, os estudantes não pretendem exigir penalização de nenhum docente. Segundo o manifesto lançado pelo Coletivo Desentoca, eles têm a consciência de que muitos dos professores são desvalorizados e recebem pouco, por isso, buscam outras jornadas de trabalho, impossibilitando uma dedicação maior à docência. A campanha é voltada à obtenção de mais compromisso dos professores, o aumento do quadro docente, a revisão dos que estão em estágio probatório e proteção aos estudantes que fazem suas reclamações. Desta forma, a manifestação continua buscando chamar a atenção dos professores e alunos por um ensino jurídico mais qualificado e levar aos estudantes um incentivo para que lutem pelos seus direitos.


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JOÃO PESSOA - PARAÍBA 24 DE ABRIL A 1O DE MAIO DE 2013 Jornal do Laboratório do Curso de Jornalismo da UFPB

Fórum relata problemas e visa melhorar graduação Coordenadores de cursos se reúnem e debatem avanços na administração do ensino universitário Natã de Sena Participação, reflexão e confluência são as perspectivas para a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) no decorrer do ano de 2013.Fomentar discussões que analisem os problemas da instituição no que diz respeito à graduação está entre algumas das principais ações do calendário da instituição no ano de 2013. Impasses como as taxas de evasão e retenção de alunos necessitam ser solucionados, e para pensar medidas que alcancem esse objetivo foi realizado o Fórum dos Coordenadores de Cursos de Graduação no dia 09 de abril, no auditório da reitoria. Criado em 2010 pelo Conselho Superior de Pesquisa, Ensino e Extensão (CONSEPE) e pelo Conselho Universitário (CONSUNI), o Fórum tem como função reunir os coordenadores de curso para discutir, deliberar e planejar ações para a melhoria da graduação. O objetivo é implantar metas que melhorem a qualidade do ensino da graduação na UFPB, mobilizando a comunidade acadêmica para esses fins. Participam das reuniões os coordenadores dos cursos, pró-reitores e as coordenações do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) e da Comissão Própria de Avaliação (CPA). As ações discutidas são encaminhadas pelas próprias coordenações, mas a Pró-Reitoria de Graduação (PRG), que me-

Foto: Kelly de Souza

Participantes do Fórum, Igor de Araújo, Ariane Menezes de Sá e Glória Escarião dia o Fórum, também trata de alguns assuntos que são de interesse geral. Na reunião, em 09 de abril, o pró-reitor de planejamento, Marcelo Sobral, apresentou, por exemplo, um panorama da situação da evasão e da retenção dentro da universidade, em comparação com outras instituições federais, principalmente da região Nordeste. A comissão do Reuni deu informações de como se encontram os cursos que foram recém-criados e as intenções que esses cursos devem ter para elaborar políticas que garantam seu desenvolvimento e o seu estabelecimento. A equipe da CPA também participou do encontro, informando as questões necessárias para que os cursos mantenham seu reconhecimento para o MEC, além de anun-

ciar a avaliação institucional, que acontecerá em junho. REALIDADE O principal ponto enfocado foi a quantidade de alunos que se formam. Numa análise comparativa, a UFPB fica abaixo de algumas instituições federais localizadas no Nordeste. A cada 100 alunos que entraram no ano de 2011, uma média de 34 saíram formados; na UFPE, 74 concluíram a graduação; e na UFRN, 60 se formaram. A estatística de 2012 para a UFPB, que ainda não foi fechada, aponta algo em torno de 50 alunos. Isto significa que apenas 50% dos alunos que são ingressos conseguem o diploma. De acordo com a pró-reitora de graduação, Ariane Menezes de Sá, o propósito do Fórum como espaço de

discussão é exatamente de procurar alternativas para resolver esses contratempos. “A gente sabe que têm alternativas e a questão é só pontuá-las e se empenhar no sentido de trabalhar em cima de soluções”, observa. As reuniões do Fórum acontecerão a cada dois meses, sendo uma série de cinco ao longo do ano. Um dos próximos assuntos a serem tratados é o investimento da UFPB no Programa de Melhoria da Educação Básica, do Governo do Estado, no qual alunos bolsistas atuarão diretamente em salas de aula do ensino médio. Este debate sobre o tipo de profissional que está se formando na universidade será pauta de praticamente todas as reuniões realizadas durante o ano, tendo em vista que a experiência prática contribui consideravelmente para a formação acadêmica. Além disso, o Fórum também visa valorizar a dinâmica democrática que a universidade possui, exatamente por ser um espaço de ampliar o diálogo, buscando melhorar o aprendizado. A finalidade é também de discutir assuntos que façam as pessoas refletirem mais sobre a profissão que estão escolhendo seguir, que os professores pensem sobre suas práticas pedagógicas e metodológicas, passando a se analisar e a se colocar na situação do aluno. Segundo Ariane, “o Fórum, de certa forma, vai criar uma inquietude, pois vamos tratar de termos bastante importantes para que a comunidade comece a refletir sobre suas próprias práticas, tanto os estudantes como os profissionais”, diz.

EDUCAÇÃO FÍSICA

Curso sofre com falta de docentes dalana lima kelly de souza Os alunos do curso de Educação Física da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) começam a enfrentar um grande problema em relação à falta de docentes. Essa problemática poderá deixar cerca de 15 disciplinas sem professores. Durante a greve das universidades federais, que durou de maio a setembro de 2012 na Paraíba, vários contratos de professores temporários foram cancelados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). Depois que as universidades voltaram da greve, alguns docentes tiveram seus contratos renovados até junho deste ano. O departamento de Educação Física conta com 37 professores, sendo oito temporários e três destes optaram pela não renovação dos contratos, antecipando sua saída para 5 de maio, deixando um déficit no período letivo 2013.1, que terá início no mesmo mês. Essa problemática vem sendo debatida entre os docentes através de uma Comissão que foi criada pelo Departamento. Segundo o professor e coordenador do curso de educação física, Cláudio Meireles, a reitoria ainda não apresentou nenhuma previsão de quando essa situação será regularizada.

PREJUÍZOS Devido a não reposição do quadro de professores, algumas disciplinas não serão ofertadas no próximo período. Ainda segundo Meireles, esse é apenas o começo de um grande problema, visto que outros cinco professores temporários terão seus contratos terminados em junho, antes mesmo do período acabar. A respeito disso, a Comissão formada pela coordenação do curso decidiu que não abreviarão as aulas como geralmente é feito. “Não vamos pedir para os professores que acelerem suas disciplinas até o prazo final de seus contratos, porque isso irá prejudicar o aprendizado dos alunos”, conta Cláudio. Segundo relatos do estudante de educação física, Vítor Assis, que está no 6º período, essa situação no Departamento é recorrente, pois já enfrentou essa dificuldade em 2010 quando entrou no curso, e no semestre passado. “Acho extremamente prejudicial o aceleramento das disciplinas, pois os professores dão o assunto resumidamente deixando de mostrar alguns conteúdos, e nós saímos das disciplinas sem o conhecimento necessário e/ ou suficiente”, analisa Vítor. Quando ocorre essa falta extrema de professores as aulas que ficam vagas são preenchidas por outros docentes que aumentam suas discipli-

Foto: Carlos Antônio

Coordenador Cláudio Meireles explica que contratos terminam antes do fim do semestres nas para não deixar os alunos totalmente sem aulas. Além do término do contrato dos professores provisórios, ainda existe uma determinação de que o Departamento só poderá contratar docentes substitutos através de processo seletivo. Meireles afirma ter solicitado a reitoria quatro professores substitutos desde dezembro de 2012. Após quatro meses essa solicitação está começando a ser atendida.

Segundo o coordenador de processos de gestão de pessoas (PROGEP-UFPB), Deivysson Correia, foi liberado para sair em edital o processo seletivo com duas vagas para professores substitutos destinados ao Departamento. Essas vagas não serão preenchidas antes do início do próximo semestre e, de imediato não resolve o problema enfrentado pela coordenação, embora a longo prazo amenize a situação.

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BIOTECNOLOGIA

Hipertensão é tema de pesquisas Laryssa guimarães O Centro de Biotecnologia (CBiotec), localizado no campus I da UFPB, é berço de diversas pesquisas que contribuem para o desenvolvimento de biotecnologias voltadas para a saúde, indústria e agropecuária. O núcleo possui como diretor o professor do Centro de Ciências Agrárias (CCA) Valdir de Andrade, que realiza estudo voltado ao combate da hipertensão, o qual abrirá novos caminhos para o tratamento da doença que acomete grande parte da população mundial. A patologia lidera o índice de causas de mortes. Segundo Valdir, a pesquisa está concentrada no acúmulo de radicais livres, responsáveis por provocar alterações no funcionamento das células nervosas, dessa forma há um aumento da atividade de nervos que controlam o grau de constrição dos vasos sanguíneos, o que acarreta na hipertensão. “Existem vários relatos na literatura sobre como o acúmulo de radicais livres em determinadas partes do corpo leva à hipertensão, por isso achamos relevante desenvolver pesquisas com esse foco”, diz. Segundo o pesquisador, o trabalho realizado em laboratório é translacional, ou seja, possui a perspectiva de utilização em humanos. “O centro tem desenvolvido várias drogas voltadas à realização de testes e melhoramento da pressão e para que haja o entendimento sobre a maneira como o sistema nervoso atua sobre a hipertensão arterial”, afirma Valdir. CBIOTEC Para realização das pesquisas, o laboratório utiliza animais com diferentes tipos de hipertensão arterial: existem aqueles que são espontaneamente hipertensos, devido a uma tendência genética, e os que recebem drogas e procedimentos cirúrgicos para se tornarem hipertensos. No primeiro caso, a doença é chamada de hipertensão essencial, já no segundo, ela é considerada hipertensão secundária. Além desta, o centro também abrange outras áreas de pesquisa, como relacionadas ao vírus da gripe, o H1N1, às larvas do mosquito da dengue, e ao isolamento de substâncias da flora nativa, por exemplo. Todas com o intuito de contribuição para a sociedade. “Todo mundo trabalha com um viés biotecnológico, pensando em desenvolver algo que possa ser aplicado para a sociedade”, conclui o professor.


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educação

JOÃO PESSOA - PARAÍBA 24 DE ABRIL A 1O DE MAIO DE 2013 Jornal do Laboratório do Curso de Jornalismo da UFPB

Projeto Redor busca fortalecer atuação feminina na academia Programa reúne grupos de pesquisa que contribuem com estudos que objetivam difundir trabalhos acadêmicos sobre gênero Keicy Victor A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) possui um núcleo de pesquisa integrado a Rede Feminista Norte e Nordeste de Estudos e Pesquisa sobre a Mulher e Relações de Gênero (Redor). Uma iniciativa de grande relevância para a sociedade, por que tem o objetivo de viabilizar as contribuições das mulheres ao conhecimento acadêmico e o trabalho sobre gênero que vem sendo desenvolvido na educação superior. O foco desta rede é criar esses grupos de pesquisa, que contribuem com estudos na área de gênero, mulheres, feminismo e as trajetórias das suas fundadoras. O Redor surgiu em 1992, com a finalidade de estimular as produções acadêmicas sobre as condições da mulher e as relações de gênero. Hoje, passados 21 anos da sua fundação, a rede já reúne núcleos de pesquisa em praticamente todas as universidades do norte e nordeste do país. No que diz respeito às contribuições científicas, são destacadas quatro temáticas, educação, relações etnicorraciais, relações de trabalho e meio ambiente, e violência. Participam do projeto 11 pesquisadoras, duas alunas recém-formadas, e uma aluna graduanda. A professora doutora, Maria Eulina Pessoa de Carvalho, é a coordena-

Foto: Jude Alves

UFPB. “Esses congressos são importantes para dar visibilidade aos trabalhos que são desenvolvidos na região Norte e Nordeste, e parar que os pesquisadores possam dialogar”, explica. Atualmente está sendo iniciado um novo projeto elaborado pela professora Maria Eulina, que pretende fazer um resgate histórico do Redor, mapeando o desenvolvimento da produção científica nos 17 encontros realizados, de 1992 a 1012.

Professora doutora Glória de Lourdes Freire Rabay fala a respeito do Redor dora geral da pesquisa, e a professora doutora, Glória de Lourdes Freire Rabay, é a vice-coordenadora. Segundo Glória Rabay, a cada dois anos é realizado o Encontro

Nacional da Rede Feminista Norte e Nordeste de Estudos e Pesquisa sobre a Mulher e Relações de Gênero. O último encontro aconteceu no ano passado, 2012, aqui na

EDUCAÇÃO SUPERIOR A área de atuação e de interesse específico deste projeto é a educação superior. A Declaração Mundial sobre Educação Superior no Século XXI: Visão e Ação, gerada pela Organização das Nações Unidas para a educação, ciência e cultura (UNESCO), prioriza a promoção de acesso e o fortalecimento da participação das mulheres mediante cinco grandes eixos de ação, sensibilização, o desenho curricular, a pesquisa e extensão, a cultura institucional e a coordenação interinstitucional. As ações realizadas pelos Núcleos de Estudo de Gênero das instituições de ensino superior, são muito importantes para que ocorram melhorias nessa área. Embora esteja havendo um crescimento, as mulheres ainda são minoria entre os docentes de educação

superior no Brasil, já entre os estudantes e graduados, elas são maioria. Glória relatou ainda, que nos últimos 40 anos as mulheres triplicaram a sua presença nas universidades. Se na década de 70 as mulheres eram minoria dentro das instituições, atualmente o número de estudantes do sexo feminino já ultrapassou o número de estudantes do sexo masculino. Outro fator importante é a baixa participação das mulheres em algumas áreas do conhecimento, principalmente no todo da carreira acadêmica. Mesmo com a grande presença das mulheres nas universidades, ainda há uma separação dos cursos por gênero. Essa separação é algo que está cristalizado na cultura e na educação brasileira, estimulando as meninas a fazerem cursos tidos como de mulher, como se essa área estivesse reservada. Não há uma proibição, mas há um mal estar, quando alguém foge desses padrões. A coordenadora Maria Eulina fez uma pesquisa identificando esses guetos na UFPB, visando refletir sobre isso e levantar questionamentos. É preciso analisar por que ainda é desse jeito, e o que o estado pode fazer para reverter isso. Essa mentalidade não deve permanecer, as mulheres precisam acreditar que podem estudar o que quiserem.

COMUNICAÇÃO

Alunos de Rádio e TV lançam site de notícias Foto: Kelly de Souza

poliana lemos, guilhardo martins Alunos do primeiro semestre de Rádio e TV da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) produziram um site de notícias com iniciativa própria e tentam conquistar espaço e reconhecimento dentro e fora da comunidade acadêmica. Intitulado Check-in PB, o site esta funcionando há um mês e meio e por enquanto não segue uma linha editorial fixa, abordando os mais variados temas desde moda até saúde e pode ser acessado pelo endereço www.checkinpb.com.br. Além de espaço no meio jornalístico, os alunos também esperam conseguir apoio da instituição e patrocínio para a produção de matérias com maior qualidade. A proposta surgiu a partir de uma conversa informal durante o intervalo das aulas. A ideia inicial era criar um canal no youtube, que serviria como forma de exercício para os alunos que estão no primeiro período do curso. Desde então, o projeto foi amadurecendo, originando um site de notícias. A equipe é composta por aproximadamente 15 alunos, todos da mesma turma, em que cada um tem sua função específica, como repórteres, cinegrafistas, produtores, editores, etc. Apesar de não possuírem espaço físico próprio, nada impede que realizem seus trabalhos. Eles se reúnem em

Estudantes do primeiro semestre de rádio e TV lançam portal de notícias na WEB sala de aula e executam suas tarefas em casa. Tudo é feito democraticamente com reuniões e debates sobre as pautas. “Todos os custos com o site e produção são mantidos a partir de contribuições financeiras e com equipamentos dos próprios alunos, tudo bastante improvisado”, relata o estudante de Rádio e TV, Renato Britto. O estudante que também é um dos idealizadores do site, conta que apesar de alguns professores terem conhecimento sobre o Check-in, o grupo nunca foi procurado pela universidade para fazer parceria. A única ajuda que tiveram até o momento é com sugestões de alguns de seus professores e correções de texto. “Os professores dão dicas pra gente, mas um apoio, um suporte maior da

instituição, não existe”, afirma Renato. Visando ampliar o site, o grupo busca parceiros não só na universidade, mas patrocínios para comprar material próprio para o Check-in PB. O grupo pretende abrir o projeto para alunos de outros cursos e períodos, que possuam mais experiência que eles. “Fomos ousados ao fazer isso no primeiro período, mas que bom que está caminhando, está dando certo”, conta Renato. O sucesso do site é revelado nas palavras da estudante de ciências sociais Paula Soares. “O site é bem interessante, com reportagens que mostram a realidade de comunidades carentes, nos aproximando bastante da realidade”, afirma.

GRATUITO

CCJ oferece curso de Direito Diplomático nathalia correia O Departamento de Direito Público do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ– UFPB) abriu uma nova turma para o curso de Direito Diplomático Consular. O curso é gratuito e acontecerá durante 15 quartas-feiras com carga horária de 30 horas, no Campus de João Pessoa. As aulas estão sendo ministradas pela professora Luiza Rosa Barbosa de Lima, no horário das 15h às 17h. O curso trata de todo universo de Direito Internacional, onde os alunos aprendem desde a diferença entre uma Embaixada e um Consulado até o estabelecimento de tratados internacionais que os criaram, montando um panorama histórico que parte do Egito Antigo até os dias atuais. Os estudantes também devem seguir uma rígida disciplina, na qual são cobradas a vestimenta adequada e a frequência. O objetivo do curso é a exploração do Direito Diplomático e Consular, área inexplorada no ensino do Direito Internacional Público, já que nos cursos de Direito e de Relações Internacionais não possuí

Direito Diplomático e Consular na grade curricular. “A iniciativa da Prof. Luísa Rosa foi muito boa, visto que o interesse por matérias diretamente ligadas à diplomacia e às Relações Internacionais vem crescendo exponencialmente no Brasil e, especialmente, em João Pessoa ” afirma Rodolfo Marques, estudante de Direito e Relações Internacionais. O conteúdo terá a seguinte metodologia: abordagem teórica e prática, com aulas expositivas e estudo de caso; análise de jurisprudência a nível internacional. O programa do curso será dividido em três pontos: temário I com introdução; o II que versa sobre O Direito Diplomático enfocará os subtemas - a diplomacia clássica; a diplomacia ad-hoc; a diplomacia multilateral e a diplomacia direta e o temário III que trata do Direito Consular enfocará os temas: a instituição consular - breve histórico, noção e fontes; a ligação entre relações diplomáticas e consulares; os funcionários e as funções consulares; início e termo da função consular; e facilidades, privilégios e imunidades dos postos e funcionários consulares.


política

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Maioridade penal volta a ser tema entre a comunidade acadêmica Morte de Vitor Hugo por um menor de idade, às vésperas de completar 18 anos, reacendeu as discussões sobre a redução Manoela Raulino Na noite do dia 9 deste mês, a população brasileira se deparou com um caso de violência que trouxe á tona, mais uma vez, uma discussão que há muito já vinha se arrastando nas câmaras, plenários e parlamentos do nosso país. O estudante Victor Hugo Deppman, de 19 anos, foi alvejado com um tiro à queima roupa na cabeça, durante um assalto, ocorrido em frente à portaria do prédio em que morava, em São Paulo. A vítima ainda recebeu cuidados de uma equipe do SAMU, mas não resistiu ao ferimento. O assaltante, já que era menor de idade, foi apreendido, sua imagem e seu nome ocultados, tudo isso devido a uma decisão da Vara da Infância e da Juventude, baseada no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). No Brasil a maioridade penal se dá a partir dos 18 anos, que é quando o indivíduo se torna legalmente responsável por seus atos e infrações. Porém, para os que estão abaixo desta faixa etária mínima de responsabilidade criminal, a forma de penalização é distinta. De acordo com a Constituição Federal eles estão penalmente resguardados e sujeitos a leis especiais, já que diante da legislação não cometem crimes, e sim, infrações. De acordo com o ECA, ainda são consideradas crianças, diante da lei, pessoas entre 12 e 18 anos de idade. Às vezes esse direito pode estender-se, em certos casos, a até 21 anos de idade. Por causa disso, as penas aplicadas são medidas sócio-educativas e internação em casas de detenção, sempre visando a reabilitação do menor para que o mesmo possa voltar ao convívio em sociedade. No entanto, existem projetos de

lei que visam a redução da maioridade penal para 16 anos, o que tem gerado polêmica no âmbito político, social e legislativo. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 33/2010, de autoria do senador Aloysio Nunes (PSDB/SP), é um dos exemplos das ações que já foram movidas em relação a isto. A proposta sugere o julgamento, como adultos, de adolescentes a partir dos 16 anos, mas isso só em casos de reincidência em condutas violentas e em crimes graves. Todavia, o governo federal já se posicionou contra a redução da maioridade penal. O presidente nacional da Organização dos Advogados do Brasil (OAB), Marcos Vinícius Furtado, também discorda da idéia, afirmando que isso não resolveria o problema da violência e apenas agravaria a situação. ALCANCE Essa problemática e as discussões acerca dela atraíram o interesse de toda sociedade brasileira, inclusive o da população paraibana e o da comunidade acadêmica da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), principalmente depois do assassinato do estudante de Rádio e TV da Faculdade Cásper Líbero, Victor Hugo Deppman. Seria certo reduzir a maioridade penal para 16 anos? Seria certo colocar os menores infratores em presídios comuns? As medidas sócio-educativas e as casas de detenção seriam suficientes para reabilitá-los? Essas são questão que assombram os cidadãos nessa época de decisão, porém há sempre aqueles que são à favor e os que são contra. Por isso, já existe a iniciativa, feita pelo deputado federal André Moura (PSC/SE), de que aconteça, em 2014, um plebiscito no qual a população brasileira poderá opinar sobre a questão.

A medida é alimentada pela sede de justiça da sociedade, que deseja a punição dos menores

Foto: Carlos Antônio

Menores infratores, protegidos pela lei, têm liberdade de cometer crimes sem que seus nomes e rostos sejam conhecidos pela sociedade Segundo o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos, Cidadania e Políticas Públicas da UFPB, o professor Giuseppe Tosi, a medida de redução é alimentada pela sede de justiça da sociedade, que deseja a punição dos menores com a cadeia. “Na verdade, a medida visa punir o jovem infrator, mesmo sabendo a condição desumana em que se encontra o sistema penal brasileiro” pontua. Além disso, para ele, não há garantias de que a diminuição da maioridade penal traga solução para a violência crescente. “Não há nenhuma evidencia de que esta medida diminuiria os índices de criminalidade dos jovens e adolescentes” ressalta. Isso coloca a população em conflito. De um lado, a precariedade do sistema penal e carcerário que apenas pioraria a situação dos menores, aumentado a exposição ao crime.

Do outro, a condição emocional de uma nação marcada pela guerra urbana diária e pela falta de justiça. EQUILÍBRIO De acordo com o professor de legislação e ética do Departamento de Comunicação (DECOM) da UFPB, Hildeberto Barbosa Filho, a redução da maioridade penal é algo válido, tendo em vista que o indivíduo de 16 anos já pode escolher representantes políticos para o país. “É perfeitamente lógico que alguém, que já possui a capacidade de escolher dirigentes públicos, possa responder legalmente pelos seus atos criminais” relata. Porém, a solução não seria tão simples e rápida assim. O Estado também precisa se responsabilizar e se comprometer com a reabilitação desses jovens. Colocá-los em presídios comuns, não é a res-

posta e não satisfaz as necessidades de um problema que provem não só do meio jurídico e político, mas também do social, econômico, educacional. Políticas públicas efetivas se fazem necessárias frente ao tema. Atrelado a isso, ainda há agravante do preconceito e da revolta da população cansada da violência e da impunidade. “É necessário que hajam penas pedagógicas e de ressocialização, afinal esses menores ainda podem ser trabalhados. Tudo isso deve passar por um processo, uma mudança, inclusive na sociedade também que alimenta preconceitos contra os que transgrediram a lei” arremata Barbosa. Integrantes da comunidade universitária expressaram suas opiniões frente à discussão. Apesar de não ser uma solução satisfatória, a grande maioria defendeu a redução.

Fotos: Manoela Raulino

Você concorda com a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos de idade?

“Reduzir a maioridade penal é mais uma medida paleativa que está sendo discutida pela sociedade brasileira. O problema começa de cima, na educação que está ficando de lado.“ Ali Cagliani, 23 anos, estudante de licenciatura em teatro

“Sim. Uma pessoa com 16 anos tem sanidade mental para arcar com seus atos. Eles podem votar, por que não cumpririam com seus deveres diante da lei?”

Rinaldo Mendes, 18 anos, estudante de Engenharia Química

“Concordo. Se eles são grandes o suficiente para cometer crimes, também são grandes o suficiente para pagar diante da lei o que fizeram”. Rayane Martins, 19 anos, estudante de pedagogia

“Não. Porque vai reduzindo cada vez mais, daqui a pouco crianças no berçário estarão sendo presas. O julgamento desses menores deveria acontecer de acordo com o crime que cometeram e não com a idade.” Carlos Anísio, 54 anos, professor de música

“Concordo. Os menores infratores que tiram a vida de outras pessoas precisam receber as mesmas punições aplicadas aos adultos criminosos.“ Manoel Pereira, 50 anos, funcionário da UFPB


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política

JOÃO PESSOA - PARAÍBA 24 DE ABRIL A 1O DE MAIO DE 2013 Jornal do Laboratório do Curso de Jornalismo da UFPB

União bloqueia recursos da Fundação José Américo Relatório acusa ex-diretor Eugênio Pacceli por desviar R$ 2 milhões para empresas de alimentação Foto: Jude Alves

Thaís Vital e Guilhardo Martins Em dezembro do ano passado, o Tribunal de Contas da União (TCU) proibiu a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) de repassar recursos federais para a Fundação José Américo (FJA), que prestava serviços de assistência como auxílio-saúde aos estudantes da universidade. O TCU constatou a existência de irregularidades nas contas, em que os recursos que estavam sendo recebidos de convênios, na ordem de R$ 2.172 milhões, durante a gestão do ex-diretor Eugenio Pacceli, eram depositados em contas de empresas que forneciam produtos do gênero alimentício para o restaurante universitário. Conforme conta o atual diretor da fundação, Boanerges Félix, Pacceli solicitava a emissão das notas fiscais em torno de R$ 60 mil, em nome da fundação dizendo que eram destinadas à universidade, e pedia para Victor Vieira, atual diretor adjunto, que realizasse os trâmites do processo. “A empresa emitia a nota, a qual já vinha atestada com o carimbo do restaurante universitário, como se a mercadoria tivesse sido entregue lá”, completa o diretor. Segundo o relatório do TCU, as três empresas que participavam do esquema de desvio de dinheiro emitiam notas supostamente falsas, tendo em vista que elas nunca forneceram esse tipo de produto à UFPB. A própria fundação não trabalha com serviços de gênero alimentício. Para a auditoria do TCU, conforme consta no relatório, “esses desem-

CARTEIRAS

‘Estudante 10’ é acusado de preço abusivo Daniel Lustosa

Fundação José Américo garantia, há 10 anos, assistência para 4 mil alunos ao mês; hoje não atende mais do que 90 estudantes bolsos em favor dos fornecedores de produtos do gênero alimentício possuem todos os indícios de serem fictícios, haja vista que não se sabe o destino dos produtos”. A FJA entrou com uma ação contra Eugenio Pacceli e contra as empresas N.Paes de Melo, Clovis Araújo da Silva, Premier Produtos Alimentícios LTDA, as quais emitiram as notas fiscais. Além disso, há um processo administrativo em andamento contra o ex-diretor na UFPB. CONSEQUÊNCIAS Os serviços de assistência es-

tudantil prestados aos alunos da universidade cessaram, tendo em vista que não há mais nenhum recurso que possibilite esse trabalho. Atualmente, a fundação só recebe verba para executar o pagamento dos funcionários terceirizados que trabalham no restaurante e hospital universitários. Há oito anos, a Fundação José Américo atendia quatro mil alunos por mês. Nos últimos quatro anos, a assistência estudantil registrou uma média de apenas 90 atendimentos mensais. A brusca diminuição nos atendimentos se

deu a partir do instante em que a universidade diminuiu os repasses para a FJA. “Hoje a fundação tem serviços terceirizados, ou seja, trabalha com a mão de obra para o Hospital Universitário, contudo, não possui vínculo com o gênero alimentício, isso aí diz respeito à universidade”, afirma Boanerges Felix. Segundo o levantamento feito pela Controladoria Geral da União (CGU), das 42 entidades filantrópicas da Paraíba impedidas de receber recursos da União, a Fundação José Américo lidera o ranking.

JORNALISMO E POLÍTICA

Estela Bezerra participa de bate-papo Amanda Gabriel e Daniel Sousa Jornalismo, movimentos sociais e vida política. Estes foram os temas debatidos pela secretária de Comunicação do estado da Paraíba, Estela Bezerra, durante o “Bate-papo Universitário”, realizado na segunda-feira, 15 de abril, no auditório 411 do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da UFPB. O evento, que foi promovido pelo Centro Acadêmico de Rádio e TV, teve como principal objetivo mostrar aos estudantes como funciona a Secom-PB, além de relatar o cotidiano de comunicólogos profissionais. Formada em Comunicação Social, Estela Bezerra surpreendeu os presentes ao revelar que seu contato com o curso de Jornalismo foi frustrante. “Achei a formação acadêmica muito rasa. Ela não nos ajuda a fazer leituras críticas e históricas da realidade, o que deve ser feito por todo bom jornalista”, declarou. Além disso, Estela criticou afirmações de que os profissionais de imprensa exercem a função de fiscais da sociedade. De acordo com ela, para que a comunicação seja

responsável por regular o poder pú- Comunicação do Estado concedeu blico, deve haver um reposiciona- uma entrevista ao Questão de Ormento da mídia acerca do que é in- dem, esclarecendo o seu posicionateresse público. “Precisamos formu- mento político acerca de outros telar uma nova política de comunica- mas atuais. Confira abaixo. ção. A que vem sendo aplicada hoje em dia não é mais eficiente e os FEMINISMO jornalistas não demonstram compeEstela iniciou sua carreira política tência para fiscalizar o poder públi- no movimento feminista, do qual fez co”, completou. parte, até que foi A ex-candidachamada pelo ta à prefeitura de então prefeito de João Pessoa tamJoão Pessoa, Ribém falou da recardo Coutinho, alidade política para coordenar não só no estaa Secretaria de do, mas em todo Políticas Públio Brasil. Seguncas para as Mudo ela, o cenário lheres. Segunpolítico nacional do ela, o moviprecisa urgentemento feminisEstela Bezerra, mente ser transta nunca foi de secretária de Comunicação formado, de famassa, mas de to, em um espareflexão crítica. ço democrático. “Os grupos so“É preciso que se ciais precisam estabeleça uma reconstruir uma igualdade de oportunidades entre nova leitura sobre a realidade social. todos. Dizer que o Brasil não é um Estamos vendo o reforço da violênpaís machista e racista é desconhe- cia que acontece basicamente contra cer os indicativos sociais de seu pa- as mulheres, como o caso de Fernanís”, pontuou Estela. da Ellen. Essa questão precisa chaApós o bate-papo, a secretária de mar a atenção da sociedade para que

Os meios de comunicação não estão contra o governo, mas contra a sociedade

se modifique a cultura e que não trate isso como natural. São fenômenos culturais que podem ser modificados”, contou. MOVIMENTO ESTUDANTIL A secretária de Comunicação ressaltou a importância da universidade para a construção da consciência política. “Esse ambiente acadêmico é bastante transformador para quem está dentro dele e pra quem queira contribuir com esse período de experiência. Por ter maior capacidade para a produção da crítica e da reflexão, o universitário pode ser mais efetivo na interferência pela mudança do social”, enfatizou. SENSACIONALISMO Como jornalista de carreira, a secretária de comunicação comentou que o jornalismo precisa se reposicionar e decidir de que lado está. “Os meios de comunicação não estão contra o governo, mas contra a sociedade. Ele constrói um sentimento de insegurança, banaliza as situações de violência e passa a impressão de que estamos vivendo em uma terra sem lei, o que não é verdade”, finalizou a atual secretária de Comunicação.

Estudantes da Paraíba podem não saber, mas, de acordo com o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Procon-PB e entidades representativas, as carteiras de estudante não podem ser vendidas em valor superior a R$ 14. O TAC, firmado em 14 de março, concede a cinco entidades estudantis (UEEP, UEE e os DCEs da UFPB, UFCG e IFPB) a permissão para confeccionarem as carteiras. Segundo o órgão de proteção e defesa do consumidor, a UEE (União Estadual dos Estudantes), responsável pelo site ‘Estudante 10’, vem descumprindo as regras estabelecidas pelo documento, cobrando o equivalente a R$ 20. O secretário executivo do Procon-PB, Marcos Santos, esclarece que o valor de 14 reais foi definido com base nas planilhas de custos apresentadas pelas entidades responsáveis pela emissão das carteiras. “O maior custo encontrado em todas as planilhas apresentadas foi o valor de R$ 4,60. Para ser vendida por 14 reais, já representa um lucro superior a R$ 9 por carteira, que é o valor que eles pedem para usar com movimento estudantil e atividades artísticas”, declara. O Procon Estadual, através de uma liminar concedida pelo juiz Algacyr Rodrigues Negromonte, da 3ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de João Pessoa, conseguiu suspender judicialmente a cobrança abusiva. De acordo com a decisão, o ‘Estudante10’ não poderá continuar cobrando valor acima do estabelecido pelo termo firmado com o Procon. Ainda de acordo com Marcos Santos, o órgão deve ingressar com outra ação para garantir que os estudantes que pagaram mais de R$ 14 pela confecção da carteira recebam o valor excedente de volta. “Queremos garantir a todos que foram lesados a restituição do valor cobrado a mais, corrigido monetariamente”, ressalta. Procurados pela nossa reportagem, os funcionários do site “Estudante 10” afirmaram que o diretor responsável estava viajando e não poderia falar com o Questão de Ordem. INDIGNAÇÃO O coordenador geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Gabriel Chaves, denunciou que o ‘Estudante 10’ já estava aceitando solicitações de carteiras estudantis antes mesmo do fechamento do Termo de Ajustamento de Conduta. “Esse site já começou a liberar as solicitações em janeiro, e nós começamos no final de março, o que já nos prejudicou. Foi uma atitude importante, mas o Procon já deveria ter tomado providências há muito tempo”, observa. Para os estudantes que adquiriram suas carteiras por mais de 14 reais, o Procon Estadual orienta que compareçam ao órgão para denunciar.


saúde

JOÃO PESSOA - PARAÍBA 24 DE ABRIL A 1O DE MAIO DE 2013 Jornal do Laboratório do Curso de Jornalismo da UFPB

Cadáveres inapropriados e velhos dificultam ensino O desgaste nas peças prejudica aulas de anatomia, disciplina básica nos cursos de ciências da saúde Foto: Jude alves

Keicy Victor e Jude Alves A disciplina de anatomia, que é essencial para todos os cursos da área de saúde, permite que os alunos reconheçam as estruturas que compõem os diversos sistemas do corpo humano. Para que possam ter uma noção geral das relações que constituem esses sistemas orgânicos. Além das aulas teóricas, são necessárias aulas práticas, onde geralmente são usados corpos conservados em formol. O cadáver que não é reclamado junto às autoridades públicas, no prazo de 30 dias, poderá de ser destinado às escolas de medicina, para fins de ensino e pesquisa de caráter científico. Só são destinados para estudos os indivíduos sem qualquer documentação, ou informações relativas ao contato de parentes. Já na universidade, os corpos passam por um processo de dissecação em que são divididos em partes, chamadas de peças, de acordo com a necessidade de cada professor. As peças que estão sendo utilizadas na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) são alvo constante de reclamações entre os alunos, por serem antigas e estarem muito danificadas. DEGRADAÇÃO O excesso de manuseio é um dos fatores que as comprometem, o que é inevitável quando se tem uma grande rotatividade de estudantes em contraposição a pouca reposição dos cadáveres. A graduanda de fisioterapia, Mayane Férrer, ressalta que as estruturas estão muito deterioradas. “Tem poucos corpos, e as estruturas são bem delicadas, se alguém puxar ela vai se desgastando e ficando cada vez

Técnico em anatomia, Romero Calmon mostra a degradação das peças existentes no laboratório de Anatomia da Centro de Ciências da Saúde pior de visualizar”, conclui. Segundo o técnico em anatomia e necropsia do departamento de morfologia da UFPB, Romero Calmon, o formol é um dos fatores que também causam a degradação das peças. “Nós utilizamos a formolização, por que é uma técnica de fixação eficaz e barata, mas com o tempo o formol provoca o amolecimento dos corpos, levando a deterioração”, relata. Esses fatores prejudicam o aprendizado dos estudantes. Para melhorar esse quadro, além de estudar com cadáveres em bom estado, eles precisam ter uma variedade de corpos disponível, pois cada pessoa tem a sua particularidade, e é importante que o profissional de saúde conheça essa variabilidade.

DOAÇÕES O professor de anatomia e responsável pela captação dos corpos, Eulâmpio José da Silva, contou que a universidade recebe cerca de três cadáveres por ano, mas não é suficiente, pois a demanda é muito grande. “Nós temos a circulação de mais de três mil alunos por semestre. Essa carência de cadáveres é um problema que atinge instituições por todo o país, por isso estamos tentando começar um projeto de doação voluntária, buscando a doação de corpos a partir de parentes, por que só o cadáver indigente realmente não é suficiente”, diz. Eulâmpio afirma ainda, que em alguns países da Europa e nos EUA, é comum as pessoas doarem seus pa-

rentes, na perspectiva de ter profissionais da área de saúde mais qualificados. Como aqui não existe essa prática, teria que ser feita uma campanha informando a população sobre essa opção. Nos últimos anos a Sociedade Brasileira de Anatomia, e algumas instituições de ensino superior, começaram a difundir no país a cultura de doação em vida. Para participar as pessoas devem se cadastrar, afirmando que seu corpo deve ser doado para uma universidade. Uma das primeiras universidades a se mobilizar foi Universidade Federal de Ciências de Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), que criou em 2008 um programa para incentivar essa iniciativa, multiplicando a média de cadastros por ano de seis para 30.

SOCIAL

Projeto leva alegria a crianças doentes Andréa Meireles e Dayse Costa O projeto Passarinho visa melhorar a auto-estima de jovens hospedados na Casa da Criança com Câncer, em João Pessoa, através de ações realizadas por estudantes da área de saúde da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A instituição, mantida por doações, oferece hospedagem completa para crianças, que geralmente moram no interior, em tratamento de quimioterapia e radioterapia em João Pessoa, além de assistência odontológica e psicológica. Idealizado pela professora de Enfermagem aposentada Teresa Neumann, o projeto teve início em 2004. Seu nome foi escolhido em homenagem a uma criança que morreu com um câncer denominado carinhosamente de “passarinho”. As atividades recreativas são desenvolvidas por voluntários através de oficinas e brincadeiras feitas tanto para os pacientes, como para seus acompanhantes. ATIVIDADES Os futuros profissionais de saúde usam estratégias para buscar uma recuperação melhor e mais rápida, por

Foto: Divulgação

Crianças e ‘passarinhos’ comemoram os 15 anos da Casa da Criança com Câncer meio de estímulos ao desenvolvimento das crianças com atividades lúdicas, trabalhos manuais, seções de leitura e dinâmicas de grupo. O enfoque do projeto é a humanização com os pacientes portadores de câncer, de forma a ajudá-los não apenas com os cuidados técnicos, mas com o cuidado humano e solidário, a fim de proporcionar uma recuperação mais rápida e menos triste. “A doença em si já impõe um tratamento doloroso, então eles fi-

cam, muitas vezes, ociosos e tristes. E nós levamos um pouco de alegria”, conta a atual coordenadora do projeto Anna Rosa Occhiuzzo. PARTICIPAÇÃO Para participar do projeto são selecionados, anualmente, cerca de 16 alunos da UFPB, matriculados a partir do terceiro período e ligados ao Centro de Ciências da Saúde ou ao Centro de Ciências Médicas da Universidade.

O trabalho é voluntário, porém, dentre os 16 alunos, um deles é escolhido como bolsista do Probex. Mas, no final, todos recebem certificado e desenvolvem as mesmas atividades. De acordo com Anna Rosa Occhiuzzo, tanto os alunos que estão deixando o projeto, como os que estão entrando, passam por oficinas de sensibilização com uma psicóloga. Depois disso, os próprios integrantes do projeto que continuam, criam oficinas para serem realizadas entre eles, em que eles mostram aos novos membros como é a vivência no projeto, fazem dinâmicas, trabalhos manuais e montam os cronogramas das atividades que vão realizar na Casa. Para o estudante do quarto período do curso de medicina e “passasinho” há um ano, Matheus Viana, o projeto vai além de uma extensão e dos certificados. Ele conta que as crianças o conquistaram e ganharam um espaço desvinculado de qualquer atividade acadêmica. “Ser passarinho é uma dádiva em minha vida, faço tudo para ver aqueles sorrisos, mas as crianças fazem muito mais por mim”, diz. Para o estudante não há nada mais gratificante do que chegar na casa e ouvir as boas vindas das crianças que o esperam ansiosos para brincar.

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ASSISTÊNCIA

SAS expande atendimento Peter Shelton A Universidade Federal da Paraíba (UFPB), através do Centro de Ciências da Saúde (CCS) vem oferecendo, desde 2010, atendimento gratuito através do Serviço de Atenção à Saúde (SAS) para alunos, servidores e professores. A unidade de saúde conta com várias especialidades médicas como clínica geral, dermatologia, ginecologia, odontologia e pneumologia, atualmente oferecidas no prédio principal do CCS. Um dos usuários da clínica é Alexsandro Freitas, estudante do curso de música. Ele utiliza o atendimento médico oferecido há cerca de dois meses e conheceu o serviço através de amigos. “Fiquei sabendo através de colegas da residência médica e considero um bom serviço, tenho acesso a algo de qualidade”. A professora do curso de Farmácia Silvana Lacerda, apesar de não utilizar o SAS, considera a proposta interessante. “Considero esse tipo de projeto importante, por disponibilizar o serviço gratuito de saúde à comunidade acadêmica”, completa. EXPANSÃO Segundo a coordenadora de Odontologia, Ângela Klüppel, está prevista a implantação do serviço bucomaxilofacial, que trará cirurgias de pequena complexidade e aimplantação de próteses dentárias. “Serão oferecidas operações bucais como a retirada de cistos e até biópsias”, disse. Além disso, as especialidades médicas do SAS terão a oferta ampliada e a clínica ainda vai disponibilizar alguns exames, como os de eletrocardiograma e de radiologia. Segundo Socorro Caldeira, psicóloga e responsável pela área de saúde mental do SAS, o serviço está sendo expandido e haverá a implantação do tratamento de dependência química. “Nós temos um projeto em vista para a abertura de um centro de referência na universidade para tratamento da dependência química, tendo como referência um tratamento canadense para ser implantado aqui”, informou. O tratamento terá serviço social, psicólogo, psiquiatra e equipamento específico. INSTALAÇÕES Ainda segundo a psicóloga, o SAS está se mudando para outro prédio, devido ao aumento da demanda, uma vez que as atuais instalações já estão no limite da capacidade. As futuras instalações, localizadas ao lado da residência universitária, estão passando por uma reforma, para se adaptarem às exigências da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa).


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saúde

JOÃO PESSOA - PARAÍBA 24 DE ABRIL A 1O DE MAIO DE 2013 Jornal do Laboratório do Curso de Jornalismo da UFPB

Telessaúde pretende melhorar atenção básica com tecnologia Entretanto, problemas políticos e burocráticos impedem que o programa funcione da maneira que foi planejado Andréa Meireles e Dayse Costa Novas tecnologias que podem ser utilizadas a favor da qualidade de vida do homem estão ganhando investimentos e espaço na sociedade. É nessa perspectiva que foi criado o programa Telessaúde Brasil, que visa fortalecer a qualidade do atendimento da atenção básica nas Unidades de Saúde da Família (USFs), por meio das tecnologias de informação, como tele-educação e teleassistência. Na Paraíba, a implementação do programa é resultado de uma parceria entre a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e as secretarias municipais de saúde. O método da teleassistência beneficia municípios de difícil acesso, e dá, por exemplo, a possibilidade de se fazer um eletrocardiograma à distância e posteriormente o cardiologista enviar o laudo via email. Porém, no estado, há apenas equipamentos para o eixo pedagógico do projeto, que consiste na realização de cursos à distância ou semipresenciais, criação de ambientes de interação virtual, salas de bate-papo e fóruns. ATENDIMENTO O foco do programa Telessaúde é a atenção básica, que tem a finalidade de resolver 80% dos casos mais

simples de doenças que existem nas comunidades, para não sobrecarregar os hospitais. Enquanto isso, 20% das doenças de média e alta complexidade que não podem ser resolvidas, devem ser encaminhadas para especialistas. Em João Pessoa existem 180 equipes do Programa de Saúde da Família (PSF), que tem a função de acompanhar os problemas das famílias de uma determinada comunidade. Até então, o único setor que está funcionando nelas é a realização do pedido de uma segunda opinião. Para isso, o médico, dentista, enfermeiro ou agente comunitário que tiver dúvidas sobre algum aspecto, como do melhor tratamento para determinada doença, envia as questões para um especialista, que responde por email em até 72h. DEFICIÊNCIAS De acordo com o coordenador do Telessaúde, Alexandre Magalhães, foi proposto um projeto que abrangia os municípios de João Pessoa, Alhandra e Santa Rita e, apesar de a verba ter sido encaminhada em dezembro de 2011, houve dificuldade para conseguir a licitação das máquinas. “Nós só temos cinco máquinas de teleconferência para cinco unidades de 17 equipes. O ideal seria que tivesse um equipamento em cada sala”, explica Alexandre.

Foto: Divulgação

Agente de saúde em atendimento no programa Telessaúde que tira dúdvidas de diagnósticos Os recursos financeiros no valor de R$ 1,2 milhão para o programa, que viriam do governo federal, não podem ser recebidos, pois a universidade está com pendências no Tribunal de Contas. “Esse dinheiro seria para pagar a equipe, não sairia

do orçamento da universidade, seria uma verba adicional”, conta o coordenador. Ainda segundo ele, a ideia é que quando o núcleo do Telessaúde estiver completamente estruturado, com o financiamento dentro da

universidade, seja possível ter estagiários da área de saúde, da parte de mídias digitais e de jornalismo, já que o programa pode ser uma boa ferramenta de comunicação na área de saúde. Conforme o coordenador do programa, outro grande problema é a falta de uso do recurso existente. “Por mais que a gente invista muito, todas as iniciativas do projeto que existem no Brasil têm uma taxa de uso baixa”, afirma. Segundo o coordenador, o uso da consultoria de segunda opinião é essencial, pois as equipes são pouco qualificadas e essa qualificação seria importante tanto para a equipe, quanto para a população. A equipe do Questão de Ordem entrevistou alguns profissionais dos Programa de Saúde da Família (PSF) que preferiram não se identificar. Dentre eles, há um que vivencia a realidade do PSF há 10 anos e disse que existem profissionais sem capacitação sim, mas existem também muitos que são capacitados e que não são remunerados nem valorizados pelo curso ou especialização que têm. Além disso, ele conta que tais profissionais não podem exercer seus trabalhos de forma plena, devido à falta de estrutura, falta de medicamentos, de equipamentos básicos, e, principalmente, falta de apoio da gestão atual e das anteriores.

INFRAESTRUTURA

Clínica Escola de Psicologia terá novo prédio na UFPB Isabela Prado O Centro de Atendimento Psicopedagógico Clínica Escola, que hoje atende cerca de 60 pacientes numa única sala no Centro de Educação, está prestes a ganhar um novo espaço, que consiga comportar a demanda e se adequar às necessidades dos pacientes. O projeto da construção de um novo prédio já teve o orçamento garantido pela Reitoria. Criada no final de 2012, a clínica trabalha na identificação, prevenção e tratamento de crianças, jovens e adultos com deficiência intelectual, transtorno de déficit de atenção/imperatividade, microcefalia, autismo, dislexia e dificuldades de aprendizagem ainda não diagnosticadas de todo o estado da Paraíba. De acordo com a chefe do setor de psicopedagogia, Mônica Palitot, quando o Centro tiver estrutura adequada para atender a lista de espera, as dificuldades da educação no estado serão minimizadas, e o Centro de Educação será transformado em um Centro de Excelência. “O novo prédio terá sala específicas para atendimento infantil e adulto, auditório, sala de artes, copa e recepção, tudo isso para dar mais conforto aos pacientes. Só estamos esperando os últimos detalhes para mandar o projeto

Foto: Carlos Antonio

A chefe do setor de psicopedagogia, Monica Palitot mostra as atuais instalações da clínica para a prefeitura aprovar”, comenta. ATENDIMENTO Os estagiários da clínica, que são alunos do curso de Psicologia, recebem suporte para fazer o atendimento durante todo o curso. Para a estagiária da clínica, Thaismá Nóbrega, é importante estar em contato direto com os pacientes. Para ela, a experiência tem sido muito válida, mesmo que o curso prepare bem os estagiários para que eles não cheguem na clínica alheios à realidade. Thaismá atende um paciente com autismo que

teve uma melhora de 80%, e a sensação de ver a contribuição do seu trabalho no desenvolvimento do paciente é a sua maior recompensa. Os pacientes são encaminhados por médicos, psiquiatras e neurologistas de hospitais públicos e particulares. Para Adriana Gaião, coordenadora da clínica, isso é resultado do trabalho positivo que eles vêm desenvolvendo. “O que tem nos surpreendido é que até clinicas particulares estão mandado pacientes pra gente cuidar. Estamos nos sentindo honrados”, comenta.

ECONOMIA

Programa reduz em 30% valor de livros e materiais Andréa Meireles e Dayse Costa Em 1968 foi criado o Programa Ampliado de Livros de Texto e Materiais de Instrução (Paltex), que visa fornecer livros e materiais para estudantes e professores da área de saúde por preços mais acessíveis do que no mercado. O programa, sem fins lucrativos e com sede nos Estados Unidos, tem no Brasil mais de quarenta universidades federais vinculadas, e conta com uma parceria entre a Organização Mundial de Saúde (OMS) e Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Com o intuito de apoiar a melhoria da qualidade dos processos educativos, o Paltex fortalece o ensino em ciências da saúde na região das Américas, garantindo um maior acesso de estudantes a materiais com descontos de, em média, 30% em relação aos preços convencionais. De acordo com a responsável administrativa do Paltex na UFPB, Sibele Braga, o programa prioriza alunos e professores de universidades públicas, mas eventualmente atende alunos de faculdades particulares.

DIVULGAÇÃO O posto de atendimento da UFPB funciona há mais de dez anos, entretanto, apenas nos últimos dois anos está sendo divulgado intensivamente para a comunidade acadêmica. Mesmo assim, em dezembro do ano passado, ficou entre os cinco melhores do país em termos de vendas e atendimento. A estudante do quarto período de Medicina, Luísa Vieira, conta que não sofreu quanto à falta de divulgação, pois na primeira semana de aula visitaram a sua turma em sala e explicaram o que era o programa. Além disso, a divulgação também é feita através de cartazes nos corredores e panfletos que são distribuídos pelo campus. Para Luísa, o motivo de ela não comprar mais materiais é porque o programa aceita apenas pagamento à vista. “Já comprei uma lanterna e um tensiometro pelo Paltex, mas livros sempre acabo comprando pela internet, pois, apesar de custar mais caro, eu posso parcelar”, relata. Os alunos que precisarem dos serviços fornecidos pelo Paltex devem se dirigir ao Centro de Ciências Médicas no campus I.


cultura

JOÃO PESSOA - PARAÍBA 24 DE ABRIL A 1O DE MAIO DE 2013 Jornal do Laboratório do Curso de Jornalismo da UFPB

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Quadrinhos e games ganham espaço e visibilidade na UFPB Relacionando arte a cotidiano, elementos das histórias em quadrinhos impulsionaram criação de mestrado na área

Amanda Gabriel Érica Rodrigues e Natã de Sena Toda criança alimenta sonhos, fantasias e acaba criando para si um mundo imaginário, no qual as histórias em quadrinhos (HQs) e games são uma parte importante. Ela vê nos personagens uma inspiração, uma figura da qual ela absorve valores, ideais e visões de mundo. Com a chegada da vida adulta, jogar vídeo game ou ler quadrinhos acaba sendo uma forma de reencontrar aquela realidade imaginária da infância. Há quatro anos, esse universo vem sendo discutido na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) através do grupo de pesquisa em Humor, Quadrinhos e Games (GP-HQG). A equipe propõe realizar pesquisas e produções referentes às historias em quadrinhos. Nele, são estudados aspectos históricos das HQs, as tirinhas, os fanzines - revistas editadas por fãs - e as HQtrônicas – histórias em quadrinhos divulgadas apenas no meio virtual, assim como as linguagens e estruturas dos games no contexto da cibercultura. O

coordenador do GP-HQG, Henrique Magalhães, conta que os quadrinhos sempre foram muito populares e ainda continuam sendo bastante queridos pelo grande público. “Atualmente, existe uma mudança no perfil dos quadrinhos que acaba atraindo um novo público. Antes, eles eram feitos para a infância e a juventude e hoje há uma produção voltada para os adultos”, explica. A desenhista e pesquisadora do grupo Paloma Diniz esclarece que existe uma demanda muito grande de pesquisadores no Brasil interessados no estudo dessa área. Por outro lado, existe uma carência de grupos que pesquisem esses assuntos. Ela ressalta que há muita gente que escreve sobre os quadrinhos, mas isso está muito fragmentado em outras áreas do conhecimento. Até então, não existia na UFPB um grupo de pesquisa organizado para publicar e escrever sobre o mercado, a produção e a linguagem de quadrinhos. “O nosso grupo é fantástico e muito bem quisto no país, por existirem poucos nesse ramo. Atualmente, cada aluno está pesquisando a história dos quadrinhos na Paraíba. Queremos criar um memorial dos quadrinhos paraibanos e disponibilizar todo esse acervo na internet”, conta.

HISTÓRIA No entanto, com o contexto históAs HQs constituem uma mídia de rico pós-guerra, a figura dos heróis inmassa que agrega dois códigos dife- destrutíveis ficou obsoleta e as vendas rentes para transmitir uma mensa- do mercado editorial dos quadrinhos gem: o linguístico (texto) e o pictóri- caíram. Com isso, as editoras decidico (imagem). A primeira publicação ram humanizar seus personagens padesse tipo aconteceu em 1895, quan- ra que o público voltasse a se identido os jornais sensacionalistas de No- ficar com as histórias de super heróis. va Iorque comeAssim, conflitos çaram a publicar familiares e amoa história Hogan’s rosos, problemas Alley. Criada por financeiros, bem Richard Outcault, como preconceia tirinha era protos foram inseritagonizada pela dos no universo personagem Midos quadrinhos. ckey Dugan (o Com a gregaroto amarelo) ve dos roteiristas e fazia críticas à de Hollywood, conjuntura social em 1988, a ine política da sodústria cinemaPaloma Diniz, ciedade nova-iortográfica apostou professora e pesquisadora quina da época. em adaptações Na Segunde obras literárias da Guerra Mune de quadrinhos dial, a tensão socomo forma de cial instaurada amenizar a crise. provocou a necessidade de criar his- Batman, Robin, Mulher Gato e o catórias que despertassem o sentimento ça-vampiros Blade foram alguns dos de esperança nas pessoas. Surgiram as- personagens adaptados para o cinema, sim personagens como o Superman e abrindo caminho para que os X-Men, o Capitão América, que possuíam um Homem Aranha e Quarteto Fantástico estereótipo de invencibilidade, deixan- chegassem às telonas. do implícita a ideia de que os cidadãos estadunidenses estavam protegidos e MESTRADO podiam confiar na nação. Todos estes elementos das HQs

Queremos criar um memorial dos quadrinhos paraibanos e disponibizar na internet

que relacionam a arte com o cotidiano, acompanhando as principais questões sociais (recentemente abordou-se a homossexualidade), impulsionam uma análise mais profunda dessa linguagem. A partir disso compreende-se a criação não apenas deste grupo de pesquisa, mas, também, de um mestrado específico sobre quadrinhos. Responsável pela elaboração do projeto que dá encaminhamento ao mestrado em histórias em quadrinhos, o professor Henrique Magalhães explica que a sua proposta já foi aprovada pelo Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) e que, atualmente, está sendo avaliada pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PRPG) da UFPB. Caso receba uma análise positiva, o projeto será enviado ao Conselho Universitário (Consuni) e, posteriormente, ao Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe). Depois disso, caberá à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) verificar as condições estruturais do CCHLA, bem como avaliar se todos os professores envolvidos no projeto apresentam a aptidão necessária para ministrar a temática em questão. Com a finalização dessas etapas, a Capes decidirá se a criação do novo mestrado deve ou não ser autorizada.

Projeto retoma produção de HQs Amanda Gabriel e Érica Rodrigues O projeto Calango surgiu com o intuito de viabilizar o acesso de crianças carentes da cidade de João Pessoa ao ensino de técnicas de desenho e arte final para quadrinhos e fanzines. Além disso, a ideia era também implantar na UFPB um projeto de extensão direcionado à produção de HQs, uma vez que até então só existiam grupos voltados para a pesquisa nesse tipo de arte. Atualmente, o ateliê está passando por uma reestruturação com perspectivas de retornar às atividades em 2014. O ex-coordenador do projeto, Raoni Xavier, alega que a escolha do público-alvo foi uma forma de fomentar a produção desse tipo de

publicação em ambientes onde não há incentivo cultural. “Escolhemos a periferia da cidade porque é nesses lugares que as pessoas são mais carentes desse tipo de ação cultural. As crianças e adolescentes não têm condições financeiras de pagar um curso e nem de se deslocar de um bairro para outro, quando muitas vezes lhes falta o básico”, justifica. FUNDAÇÃO Criado em 2009, o ateliê teve suas atividades paralisadas há três anos por falta de patrocínio. Em seu tempo de funcionamento, o projeto Calango foi financiado pela Petrobras. Raoni Xavier explica que a parceria com a refinaria se deu através de um edital do Programa de Extensão em Cultura Nacional, do qual a equipe da UFPB participou e

venceu por dois anos consecutivos. “Era uma verba de R$ 30 mil, o que é bem pouco, mas para um projeto de extensão, principalmente de quadrinhos, dava pra fazer muita coisa”, comenta o ex-coordenador. Agora o projeto terá como foco a comunidade acadêmica. Ligado ao Núcleo de Artes Midiáticas (Namid) da UFPB, o novo Calango está sob a coordenação da desenhista Paloma Diniz. Ela conta que, nessa nova etapa, será realizada a análise da narrativa e linguagem dos quadrinhos, além a produção de roteiros e desenhos de novas histórias. “Inicialmente vamos trabalhar apenas com alunos da Universidade Federal da Paraíba, mas temos a pretensão de, no futuro, contar com a participação de alunos de outras universidades”, completa.


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cultura

JOÃO PESSOA - PARAÍBA 24 DE ABRIL A 1O DE MAIO DE 2013 Jornal do Laboratório do Curso de Jornalismo da UFPB

Alunos de teatro encenam adaptação da peça A Morta Releitura do clássico homônimo de Oswald de Andrade encerra temporada neste final de semana Bárbara Santos e Isabela Prado A peça ‘O Ensaio sobre a Morta, encenada pelos alunos do curso de Teatro da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), será apresentada pela última vez neste final de semana. Durante todo o mês, a produção, que é uma adaptação da obra A morta, do escritor e dramaturgo Oswald de Andrade, foi exibida na Fundação Casa de Cultura, no centro histórico de João Pessoa. Para o aluno e ator Joseph Rodrigues, que interpreta duas personagens na peça – uma enfermeira e uma ministra – a experiência tem sido muito válida, pois a partir da montagem do espetáculo os estudantes podem entender como se dá o processo criativo além da academia. “É importante que ganhemos visibilidade fora da universidade, pois, geralmente, tudo o que fazemos fica restrito ao nosso curso”, diz. A peça é resultado da disciplina Estágio Supervisionado e faz parte da programação da Semana de Artes Cênicas da UFPB. Segundo a sua diretora, Paula Coelho, experimentos cênicos como esse são essenciais para formação do ator, porque o projeto tem como proposta a montagem de um espetáculo completo, com figurino, cenário, temporada em cartaz e contato com o público, o que serve de estágio para os alunos. ORIGINAL Escrevendo no momento mais efervescente da vanguarda modernista, nas décadas de 1920 e 1930, Oswald de Andrade representa, tan-

Foto: Carlos Antônio

to do autor não é didático”, observa. A diretora ressalta ainda que obra de Oswald foi escolhida por ser um texto ainda atual e que trata de questões merecedoras de discussões principalmente por atores. Além disso, ela conta que a peça é muito instigante para o público e que por ser um texto não realista permite aos atores o espaço de se experimentarem em cena. Para Aneíse Nóbrega, que representa na peça a Dama das Carmélias, uma sátira a um dos personagens mais famosos do autor Alexandre Dumas Filho, conta que todos os membros do elenco estão muito envolvidos na responsabilidade acadêmica da montagem teatral, e se encontram realizados por com da ótima recepção do público.

Atores encenam o espetáculo O ensaio sobre a Morta, na Fundação Casa de Cultura to na poesia quanto no romance, um momento de ruptura profunda na literatura brasileira. A peça “A morta” é um retrato disso, a qual, por meio dos tormentos do personagem Poeta em busca por sua amada, Beatriz, representa uma alegoria sobre a modernidade, o modernismo, e todos os conflitos intelectuais e políticos que surgiram no início do século XX. Seu texto é considerado esteticamente um marco na dramaturgia brasileira e latino-americana porque rompe radicalmente com a forma realista de narrativa linear, ou seja, com um início, meio e fim. A obra é divida em três partes: país do indivíduo, da gramática e da anestesia. Essa primeira parte é quando o personagem principal da peça, o Poeta, narra suas angústias em relação a seu trabalho. Em o país da gramáti-

ca, Oswald faz uma dura crítica à língua bem escrita, a gramática e as correções, pois para ele a linguagem verbal é que é a língua de verdade. E no país da anestesia, que é também o da morte, é quando o Poeta quer queimar sua alma para trazer de volta sua amada musa Beatriz. ADAPTAÇÃO Paula Coelho, que adaptou o roteiro original de Oswald junto com Márcio Marciano, explica que fez uma inversão na ordem dos acontecimentos. O Ensaio sobre a Morta começa no país da anestesia e termina no país do indivíduo. “Achamos que a discussão ficava mais clara e que concentrávamos o sentido facilitando a compreensão do público. Essa é uma peça que não tem um entendimento muito fácil, pois é modernista e o tex-

DIFICULDADES Os problemas encontrados pelos alunos de Teatro na realização do espetáculo estão na problemática da falta de espaço, uma vez que a UFPB ainda não possui um ambiente adequado, como trata a matéria “Paralisação da obras no prédio de teatro prejudica estudante” do caderno Campus, na página 3. Por isso espetáculos maiores como o Ensaio sobre a Morta, que possuem um cenário fixo tem que se apresentarem fora das dependências da universidade. Segundo o aluno Weverton Diniz, que representa um atleta e um cremador na peça, as maiores dificuldades encontram-se na estrutura precária da Fundação Casa de Cultura. “O espaço do teatro é muito pequeno, cabe ao máximo 80 pessoas por dia para assistir a apresentação, além não ter camarim e banheiros,” lamenta.

MÚSICA

Alunos incrementam cena alternativa Foto: Divulgação

Bárbara Santos e Isabela Prado O cenário musical alternativo de João Pessoa vem se ampliando nos últimos anos e alunos da Universidade Federal da Paraíba têm contribuído de forma direta e ativa para essa expansão. São estudantes que estão compondo, gravando, se apresentando, produzindo festas e escrevendo sobre música. O aluno do curso de Rádio e TV, Felipe Matheus, que é idealizador do blog Atividade FM e produtor de festas, conta que apesar de ainda não estar consolidada, a cena alternativa está em forte crescimento. Ele acredita que as festas organizadas e divulgadas no seu blog contribuem para esse desenvolvimento pois, as bandas têm a oportunidade de estar em contato direto com seu público. Essas bandas autorais, que antes tinham um espaço restrito para tocar em João Pessoa, têm visto cada vez mais lugares abrirem suas portas para recebê-las, seu trabalho ser divulgado através de blogs e redes sociais e o seu público crescer. O vocalista da banda Sem Horas, Igor Tadeu, cita como exemplo dessa expansão o público que prestigiou o Grito Rock 2013 no Centro Histórico. “A praça estava lotada. Tinham shows em quatro palcos diferentes e todos sempre tinham bastante gente”, comenta.

PRODUÇÃO

Banda Johnny, em apresentação no Coletivo Mundo, no centro histórico de João Pessoa OBSTÁCULOS Apesar disso, a maioria desses lugares não está totalmente preparada para receber shows. O baterista da banda Retroline, Elmon Palmeira, aluno do curso de Rádio e TV, diz que a estrutura é precária, uma vez que o equipamento de som não favorece e os espaços são limitados. Para o aluno do curso de Música e baixista da banda Evoé, Emanuel Badú, o cenário alternativo de João Pessoa vem vivendo um bom momento, pois tem

muita gente boa fazendo musica autoral, mas diz que sente falta de espaço na mídia local para que esse material seja veiculado de forma mais abrangente. A desvalorização por parte da maioria é um problema citado também pelo aluno do curso de Relações Públicas e vocalista da banda Johnny, Leon Guimarães, que diz “A maioria das pessoas ainda não valoriza o nosso trabalho, na verdade nem veem isso como um trabalho”.

A banda Evoé, que surgiu em 2010, desenvolve sua música tendo como referência movimentos da cultura nacional como a tropicália e o udigrudi. Formada por Ítalo Marinho, Nina Ferreira, Emanuel Badú e Carlos Araújo, está prestes a lançar um EP. Já com sete singles, a banda Johnny divulga seu primeiro EP. Intitulado “Nu e cru”, tem a intenção de resgatar as sonoridades mais viscerais do rock’n’roll. A Johnny surgiu em 2011, como um projeto paralelo de Gabriel Romio e Leon Guimarães. Mídia Caos é o nome do primeiro CD gravado pela Retroline, que surgiu em 2012, com o intuito de reunir amigos que já se conheciam de outras bandas. A Sem Horas, montada em 2004 quando amigos se reuniram para tocar rock dos anos 50, já está no terceiro CD com previsão para outubro. A banda é formada por Igor Tadeu, Guilherme Delgado, André Falcão, Diego Carvalho e Paulo Branco.

MÚSICA

Orquestra homenageia Compomus Dayse Costa A Orquestra de Cordas da Universidade Federal da Paraíba (OSUFPB Cordas) realizou, na última sexta-feira, um concerto em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Composição Musical (Compomus) da Universidade, na sala de concertos Radegundis Feitosa, em João Pessoa. A OSUFPB Cordas é um segmento da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal da Paraíba formado por 11 instrumentistas que fazem parte do quadro permanente dela. O concerto, regido pelo maestro Eli-Eri Moura, teve também a participação de músicos convidados, como o pianista José Henrique Martins, a harpista Monica Cury e o percussionista Pedro Henrique Freire. Atualmente, o laboratório é formado por cerca de 30 músicos, premiados no Brasil e no exterior. Nessa apresentação, foram tocadas músicas compostas por membros do laboratório para grupos de câmara e orquestra de cordas. CRIAÇÃO Idealizado pelo músico doutor em composição Eli-Eri Moura, o Compomus foi criado no ano de 2003, com o intuito de reunir compositores para desenvolver projetos e pesquisas referentes ao trabalho composicional e à análise musical. O laboratório foi uma forma de oficializar a composição na universidade, pois havia uma grande demanda de músicos interessados, o que impulsionou, inclusive, a criação da graduação em Composição na UFPB em 2005. De acordo com Eli-Eri, uma das principais facetas do Compomus é promover a produção composicional através da produção de CDs, realização de concertos, de parcerias com orquestras e participação em festivais. “Gostamos muito de fazer concertos com músicas clássicas de Beethoven, Mozart, mas por que não fomentar a música que é feita no nosso tempo e, principalmente, na Paraíba?”, indaga. “As pessoas, muitas vezes, dizem que não gostam de música de concerto, mas é porque elas só conhecem a música massificada que é apresentada nos canais abertos de comunicação”, observa Eli-Eri. COMPOSITORES Membro do Compomus desde 2006, o pianista José Orlando Alves foi premiado em cinco concursos nacionais de composição e teve sua peça “Dispersões” tocada pela OSUFPB Cordas. “Minhas influências músicais mudam com o tempo, mas ultimamente tenho tentado desenvolver uma linguagem mais autônoma”, conta. O professor de Composição da UFPB, Valério Fiel, começou a se interessar por composição musical desde a adolescência, e conta que se tornou membro do Compomus em 2010, quando veio lecionar na Universidade. Sua peça, tocada no concerto e denominada “Tríptico Terrestre”, fez referência à alternância entre dois ânimos: a precipitação de uma pessoa na beira do abismo e a contenção estática.


esportes

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Grêmio Esportivo Universitário realiza atividades para estudantes Copa Universitária de Futsal elabora competições unificadas entre alunos de cursos, turnos e salas diferentes

Natã de Sena

Foto: Divulgação

Uma entidade que representasse os estudantes universitários no segmento de esportes sempre foi desejo dos mais interessados pela área. Inspirado por essa necessidade surgiu em 2012 o Grêmio Esportivo Universitário, com a finalidade de realizar eventos esportivos envolvendo alunos de instituições de ensino superior. Idealizado pelo estudante do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), Felipe Iglesias, o Grêmio é uma associação independente de outras instituições – apesar da relação com as universidades, ele possui diretrizes próprias. NOVAS IDEIAS Felipe não quis seguir os padrões utilizados em todas as universidades para torneios esportivos, conhecidos como “interclasses”, onde as turmas se enfrentam, e “intercursos”, que são os confrontos entre os cursos. A ideia era de elaborar uma competição unificada onde as equipes seriam formadas por alunos de cursos, turnos e salas diferentes. O primeiro torneio realizado, ainda sem o Grêmio ter se estabelecido, aconteceu no Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), em 2009, com 33 equipes e quase 500 alunos disputando futsal. Após mais uma edição do evento, a demanda e os pedidos para um campeonato maior e mais abrangente cresceram, o que enraizou a criação de um grêmio universitário.

Atletas do time L5, da Faculdade Maurício de Nassau, recebem medalhas na primeira competição oficial realizada pelo Grêmio Esportivo COPA UNIVERSITÁRIA A partir disso, Felipe se juntou a alguns amigos e elaborou um regulamento para a competição que aconteceria. No ano de 2012 foi realizada a primeira competição oficial do GEU, a Copa Universitária de Futsal, na qual 15 equipes surgidas da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Faculdade Maurício de Nassau e Unipê competiram. A copa aconteceu entre os meses de novembro e dezembro de 2012, com os jogos sediados no

IFPB e no Ginásio Ronaldão, cedido pelo Governo do Estado da Paraíba, além de ser amplamente divulgada em canais de tevê paraibanos. O evento chamou a atenção de todos por sua organização, dando o suporte que o grupo precisava para formalizar os seus projetos. “Para estabelecer uma entidade como esta, precisávamos realizar algo que nos desse crédito. Por meio da copa alcançamos uma visibilidade muito boa”, conta o presidente. Felipe reuniu um grupo que está

concluindo o estatuto, para registrar em cartório e tornar o Grêmio Esportivo Universitário uma entidade oficializada, além de montar uma comissão representativa. As inscrições para a segunda edição da copa já foram realizadas. Para essa edição foram disponibilizadas 32 vagas, distribuídas proporcionalmente pelo quantitativo de cursos e de corpo docente das universidades. A segunda fase vai até o dia 30 de abril, e corresponde às vagas que não forem preenchi-

das na primeira etapa. Estas ficarão livremente disponíveis para qualquer universidade. O prêmio oferecido para a equipe ganhadora é de R$ 2 mil, além de troféus e medalhas. Uma das novidades para a segunda edição da copa é a confecção de credenciais, que irão identificar os jogadores participantes. O torneio tem início em 18 de maio e vai até o dia 9 de junho. Estas datas foram escolhidas com o intuito de abranger todas as universidades, tendo em vista que as públicas estão com o calendário atrasado devido à última greve. Além da copa de futsal, o Grêmio também realizou outra atividade no ano passado, uma ação aberta ao público e totalmente gratuita intitulada de “Circuito Verão”. Em todas as noites de quarta-feira, de novembro de 2012 até fevereiro de 2013, os participantes tinham acesso à diversas atividades físicas, monitoradas por professores de educação física, na praia do Cabo Branco. O grêmio pretende estabelecer um calendário onde possam ser encaixados eventos de outras modalidades esportivas como o MMA e vôlei universitário. Além dos universitários, o grêmio recebe constantemente solicitações de equipes do ensino médio que desejam participar das atividades. Pensando nisso, já existe também um projeto que visa abranger esse público com a realização de uma copa estudantil de futsal que seja diferente dos jogos escolares. “Temos a pretensão de fazer muitas coisas, tudo mediante a procura dos alunos”, conclui Felipe.

OBRAS PENDENTES

Quadra de tênis aguarda por revitalização Carlos Antônio e Dalana Lima Alunos de Licenciatura, Graduação e Pós-Graduação do curso de Educação Física continuam na espera de mais uma reforma. Desta vez, a quadra de tênis é a nova integrante da lista de obras pendentes no departamento que, inclusive, já foram relatados nas edições anteriores do Questão de Ordem. Tendo em vista que essa é a única quadra da modalidade esportiva no campus I da universidade, estudantes e docentes têm se mobilizado para minorar a situação precária na qual o local se encontra, até que a instituição providencie soluções para os atuais problemas do espaço. Ao visitar a quadra, seu estado de abandono é notório. Em volta, as cercas de ferro estão enferrujadas, sustentadas por remendos com material plástico que só consegue isolar parcialmente o local nos pontos mais altos. Mesmo assim ainda há muitos buracos que permitem a constante passagem da bola de tênis. Tyago Pereira, aluno da graduação do curso de Educação Física, relata que a quadra fica bem ao lado da mata fechada e constantemen-

te as bolas usadas na modalidade esportiva são perdidas devido aos buracos na cerca que permitem sua passagem. BAIXO RENDIMENTO Fica evidente que os problemas estruturais da quadra vêm atrapalhando o desempenho prático de alunos e professores. Entre outros problemas, está a exposição ao sol em horários inadequados. O fato da quadra não ter cobertura atrapalha tanto alunos de licenciatura, que utilizam a quadra no período da manhã, quanto os alunos do bacharelado que tem as suas aulas ministradas no período da tarde. “Tenho aula das 7h às 10h da manhã, mas depois das 9h ninguém aguenta mais o sol. O problema é ainda pior para a turma do Bacharelado que tem aula às 14h”, aponta o estudante. Devido à mudança na gestão da prefeitura da universidade, a coordenação do curso de Educação Física ainda não conseguiu agendar com a atual gestão para tratar desse e dos demais problemas estruturais. Com isso, os alunos seguem prejudicados juntamente com os professores que não conseguem ministrar suas aulas com o mínimo de estrutura física que deveria ter.

Foto: Carlos Antônio

Cercas deterioradas sustentadas com pedaços de plásticos permitem a passagem da bola para fora da quadra durante os jogos


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entrevista

JOÃO PESSOA - PARAÍBA 24 DE ABRIL A 1O DE MAIO DE 2013 Jornal do Laboratório do Curso de Jornalismo da UFPB

Fotos: Juliana Miranda

Dossiê Geneton:

“Fazer jornalismo é produzir memória” Juliana Miranda e Dayse Costa Convidado pela coordenação do mestrado profissional em Jornalismo do Centro de Comunicação, Turismo e Artes da UFPB, o jornalista da Globo News, Geneton Moraes Neto, veio a João Pessoa proferir a palestra de abertura da pós-graduação. Questão de Ordem - Como o senhor vê o jornalismo hoje, com toda sua potencialidade de formar opiniões, na era das novas tecnologias digitais? Geneton Moraes Neto - Nós estamos no meio de um tsunami no jornalismo, de proporções bíblicas, provocado pela internet. Acho que essa revolução será super bem vinda. Não tenho resistência nenhuma, pelo contrário, eu até digo brincando que a gente devia erguer uma estátua para Bill Gates ou Steve Jobs, porque eu acho que eles prestaram um grande favor à humanidade, que foi dessacralizar a figura do jornalista. Até recentemente, o jornalismo era feito com um bando de jornalistas reunidos na redação decidindo na reunião de pauta o que é que o público deveria saber. Em última instância era assim. Ainda é, mas essa cena vai ficar cada vez mais incomum. E hoje eu acho que com a internet nós estamos vivendo uma circulação de informações inéditas na história da humanidade, e, obviamente, o papel do jornalista vai ser totalmente revisto aí. Eu não sei o que vai acontecer. Ninguém sabe. QO - Que contribuição o senhor acha que o jornalismo pode dar ao país? GMN - Acho que em qualquer profissão, seja ela qual for, é importante que se tenha uma bandeira que sirva de motivação. Eu escolhi uma no jornalismo que é: fazer jornalismo é produzir memória. Sem nenhuma pretensão, acredito que essa pode ser uma contribuição que o jornalismo pode dar ao país. Produzir memória e fazer com que o leitor, o telespectador, o internauta, formem uma consciência crítica sobre o país. QO - O que o senhor acha ser um erro imperdoável do jornalismo? GMN - Se a gente for fazer uma lista dos erros imperdoáveis do jornalismo, vai sair uma bíblia. Acho que, primeiro, o jornalista ter compromisso ideológico. Eu sempre digo: você pode exercer a chamada “patrulhagem ideológica” na mesa do bar, na cabine de votação, numa roda de amigos. Agora no exercício do jornalismo, eu acho um absurdo você exercer a “patrulhagem ideológica”, ou seja, discriminar os entrevistados de acordo com as preferências políticas. Por exemplo, eu conheço jornalistas que não entrevistariam George W. Bush, porque ele mandou invadir o Iraque, e outros que não entrevistariam Fidel Castro, porque ele é um ditador comunista. Eu daria 1 milhão de dólares para entrevistar um ou outro. Porque eu acho que o papel do jornalista é levar a informação ao público, e ao levar essa informação você não pode de jeito nenhum exercer a patrulhagem ideológica.

O Núcleo de Documentação Cinematográfica (NUDOC), da universidade, aproveitou a oportunidade para exibir e debater, com a presença do jornalista, o documentário Canções do Exílio. Nascido no Recife, em 1956, o repórter é conhecido por realizar entrevistas com personagens marcantes da História. É autor de 11 livros, dentre os quais os best-sellers Dossiê Drummond (a última entrevista do ponão existe assunto desinteressante, o que existe é jornalista desinteressado.

QO - O que lhe motiva a seguir a carreira de repórter, mesmo tendo oportunidades de ascensão? GMN - Acho que é uma questão de vocação mesmo. Eu não tenho o menor interesse em ser chefe, de mandar em ninguém, não tenho vocação pra isso. O que me motiva a ser repórter é aquela curiosidade infantil de ver o que se esconde, o que é que existe ali, a curiosidade de conhecer as pessoas, de ouvir as histórias. Com o tempo, a minha grande luta no jornalismo é fazer o maior esforço do mundo para não perder a inocência. Aquela inocência de uma criança descobrindo o mundo. Eu acho que o jornalista tem que manter essa inocência. Se ele a perde, ele começa a ficar nocivo para a profissão. QO - O senhor fez um documentário sobre a vida do repórter Joel Silveira. Que lições o senhor tirou da convivência durante 20 anos com ele? GMN - A paixão pela reportagem, pois ele, já com quase 80 anos, era capaz de dar dez pautas pra a gente fazer, e o cuidado com o texto, que eu acho que hoje você vê a qualidade do texto de Joel é excepcional. É claro que não vai aparecer um Joel Silveira a cada 15 dias, mas o cuidado com a qualidade do texto é uma lição que vale pra qualquer jornalista. E de achar que não existe assunto desinteressante. O Joel, por exemplo, descreve o encontro com Getúlio Vargas, que durou somente alguns minutos, e Getúlio se levantou irritado e não deu entrevista. Um jornalista burocrata iria dizer que não tem matéria porque não teve entrevista. Joel, nesse texto em que ele descreve o encontro com Getúlio Vargas, descreve a mão lisa, a fumaça azulada, a cor da gravata dele. Então está aí o exemplo de como

QO - Como o senhor situa o gênero entrevista dentro do jornalismo? GMN - A entrevista é a matéria-prima do jornalismo. Qualquer que seja a entrevista, seja a mais banal do mundo, pra saber se o trânsito vai ser desviado, você está fazendo uma entrevista com alguém. Você também pode estar entrevistando o maior gênio da humanidade e está extraindo a matéria-prima do jornalismo, que é a informação. Só pra não deixar de fazer uma crítica, eu acho que, na imprensa brasileira, o gênero entrevista padece de um mal que são as entrevistas congratulatórias, especialmente com celebridades. Eu acho que entrevista não pode ser instrumento de congratulação. É obrigatório que a entrevista seja um instrumento de investigação ou de prospecção. Aqui no Brasil, especialmente em entrevistas com celebridades, você vê que é uma constrangedora troca de gentilezas. Não é questão de você bancar o menino mal educado, que faz perguntas indiscretas. Eu acho que a função do jornalista é “peitar” o entrevistado, tentar extrair o assunto que ele não gostaria de falar. QO - O senhor já afirmou em entrevista que o jornalista também tem a função de contar hoje o que não pôde ser contado na época. De onde vem seu interesse em entrevistar personalidades que fizeram parte da História? GMN - É aquela história de você ter uma bandeira. Dentro da bandeira que eu escolhi de que fazer jornalismo é produzir memória, terminei caindo um pouco nessa coisa da reconstituição histórica. Porque eu acho que o jornalismo é, na prática, contar da maneira mais fiel e mais atraente possível o que você viu e ouviu, e passar adiante. Então quando você vê alguém que testemunhou um fato que teve importância histórica, você pode ter uma função importante se passar adiante aquela informação que o leitor não sabia. QO - Quem o senhor mais gostou de entrevistar? GMN - É difícil dizer, mas Nelson Rodrigues, talvez. Ele é um gênio e eu

eta) e Nitroglicerina Pura ,em parceria com o repórter Joel Silveira. Como cineasta, dirigiu, além do documentário já citado, Garrafas ao mar: a víbora manda lembranças. O Questão de Ordem conversou exclusivamente com o jornalista sobre temas referentes à sua profissão e ao seu envolvimento com o cinema. Confira, abaixo, trechos dessa sua conversa com o QO.

tive uma chance raríssima de ter visto um jogo da seleção brasileira na casa dele, acompanhado ele vibrando com os gols, e me dando entrevista ao mesmo tempo. Foi uma cena completamente surrealista. A entrevista com ele foi marcante. Outro foi o assassino de Martin Luther King, que vivia numa penitenciária de segurança máxima nos Estados Unidos, condenado à prisão perpétua, e eu consegui fazer uma entrevista com ele e tive a chance de entrevistar uma pessoa que cometeu um crime inafiançável. Jornalisticamente foi interessante. Gostei também de entrevistar astronautas que pisaram na lua e uma passageira do Titanic. QO - Quem o senhor ainda quer entrevistar? GMN - Hoje, eu diria que, das personalidades que estão aí, eu gostaria de entrevistar George W. Bush e Fidel Castro, os dois extremos. George W. Bush pra saber, por exemplo, como foi feita a decisão da invasão do Iraque, se ele se arrepende ou não, se é mentira a história de armas químicas. Fidel Castro pela importância histórica que ele teve, e gostaria de perguntar sobre os podres de Cuba também. Eu acho que eles são dois grandes personagens. QO - Que dicas que o senhor daria para os estudantes de jornalismo? GMN - Existe um escritor americano chamado Kurt Vonnegut, que não era jornalista, mas criou um personagem que eu acho que deveria ser entronizada como padroeira dos jornalistas, que é Nossa Senhora do Perpétuo Espanto. Ou seja, eu acho que o jornalista não pode perder a capacidade de se espantar nunca diante dos fatos. Quando ele começa a perder essa capacidade, ele começa a morrer com a profissão. Não interessa se está começando agora ou terminando, em qualquer momento é obrigatório ter essa atitude de espanto e de curiosidade, porque senão acaba sendo contaminado por um mal terrível que é o tédio. E se transforma naquele jornalista entediado que acha que tudo já foi dito, que todo mundo já foi entrevistado, que não há novidade sobre nada. Eu até aconse-

lharia os jornalistas que tem essa atitude a mudarem de profissão. É muito melhor seguir uma profissão que seja mais útil ao Brasil, do que ficar embarreirando o jornalismo. Jornalistas são terríveis quando se transformam em derrubadores de matérias. QO - Como foi essa mudança pra fazer cinema em Paris? GMN - Eu sempre fui ligado nessa coisa de imagem. No Recife eu fazia documentários, mas nunca pensei em fazer televisão. Caí por puro acidente em televisão. Mas fazer documentários eu gostaria. Hoje eu tento misturar as duas coisas. Fazer jornalismo em documentários. Talvez eu tenha sido um cineasta frustrado porque não segui a carreira. Então fazer documentários pode ser uma maneira de fazer cinema e jornalismo. QO - O que lhe motivou a fazer o documentário Canções do Exílio? GMN - Eu queria pegar o depoimento sobre o trauma que a ditadura provocou em artistas. Todo mundo já sabia o trauma que provocou em políticos e militantes, que havia censura, mas como aquilo afetou a vida de grandes artistas como Gilberto Gil e Caetano Veloso? Num certo momento Caetano diz que Gilberto Gil estava com uma viagem programada pra a Europa, e ia fazer a primeira apresentação fora do Brasil. E ele até disse que se eles não tivessem sido presos e Gil tivesse feito esse show, talvez a carreira dele tivesse tomado outro rumo. Então acho que foi nesse sentido, foi por causa dessa curiosidade de ver esse lado menos conhecido do efeito nocivo que a ditadura teve sobre nosso país. E também para mostrar a nós, jornalistas, que não existe assunto encerrado, há sempre alguma coisa que ainda pode ser contada.

Questão de Ordem - 2012.2 (3ª edição)