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campus

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JOÃO PESSOA - PARAÍBA 1o A 7 DE ABRIL DE 2013 Jornal do Laboratório do Curso de Jornalismo da UFPB

Foto: Carlos Antônio

Foto: Carlos Antônio

Foto: Juliana Miranda

Foto: Kelly de Souza

entrevista Miguel Nicolelis

saúde

Energia renovável pág. 4 Hidro e Equoterapia

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esporte Prática adaptada pág. 15

QuestãodeOrdem

Política midiática ganha as novas gerações de alunos Foto: Carlos Antônio

Atualmente a internet é usada como um instrumento de mobilização social e política. Tudo que cai na rede se propaga com muita rapidez, e ultrapassa muitas fronteiras. As redes sociais são muito utilizadas para a organização de manifestos e protestos, por serem a forma mais eficaz de chegar até as novas gerações.

Sistema de manutenção na UFPB é precário Alunos da UFPB enfrentam dificuldades devido a deficiência na manutenção dos equipamentos e conservação do patrimônio. Atualmente não há manutenção preventiva, sobrecarregando a corretiva e tornan-

do tardia a resolução destes problemas que vão desde as edificações, passando por equipamentos, instalação elétrica, automóveis, laboratórios, até os domínios do Hospital Universitário Lauro Wanderley. pág. 3

Campus

Educação

Foto: Jude Alves

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Saúde

Política

Cultura

Reuni na mira da Renúncia papal é Estudo compara Crimes políticos Documentário crítica dos alunos avaliada na UFPB curas da celulite em análise na PB enfoca “Faísca”

O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) investiu R$ 120 milhões na UFPB, porém é possível verificar falhas e atrasos nos projetos. Alunos apresentam queixas e fazem um balanço dos problemas. pág. 4

Renúncia do Papa Bento XVI rende discussões entre alunos do grupo Videlicet, do curso de Ciências das Religiões. Os alunos debatem a respeito dos desafios que novo Pontífice irá enfrentar e das possíveis mudanças que ocorrerão na Igreja Católica. pág. 6

Projeto de extensão Fisioterapia Dermatofuncional na Saúde da Mulher compara a eficácia do tratamento de celulite através da terapia por ultrassom, drenagem linfática manual e fonoforese. O projeto é voltado para o atendimento de mulheres de baixa renda. pág. 11

Comissão Nacional da Verdade irá apurar violações aos direitos humanos cometidos no Brasil, entre os anos de 1946 e 1988. Os membros poderão convocar vítimas ou acusados para depoimentos, além de acessar os arquivos do poder público do período. pág. 10

Famoso entre os usuários de transportes coletivos da capital, o “cantador” Faísca tem sua vida retratada em documentário feito por estudantes do curso de Mídias Digitais. O grupo tem o objetivo de realizar sessões de estreia nos cinemas da cidade. pág. 14


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opinião

JOÃO PESSOA - PARAÍBA 1o A 7 DE ABRIL DE 2013 Jornal do Laboratório do Curso de Jornalismo da UFPB

editorial

Os

desafios do jornalismo

O jornalismo, na mente de um estudante que adentra a universidade, é cercado de muitas ideais e expectativas. Acreditamos que podemos mudar o mundo, melhorar a sociedade, vencer o sistema. Com o tempo e a instrução, começamos a perceber que essa tarefa é bem mais difícil do que parecia a princípio. Porém, quando podemos enfim colocar em prática tudo que aprendemos ao longo dos semestres e vemos o produto físico do nosso esforço e trabalho, fica muito claro que talvez não consigamos nunca mudar o mundo, mas somos perfeitamente capazes de mudar a pequena parcela da realidade que nos cerca. Usamos deste espaço para denunciar tudo que estava fora do lugar. Aqui cobramos mudanças sem medo. Não permitimos que ninguém fosse capaz nos calar, e, seria oportuno dizer, bem que tentaram. Mas afinal, estamos desempenhando a função que certa vez um professor chamou de “fiscais da comunidade”, não é mesmo? O trajeto percorrido para completar essa missão com sucesso foi tempestuoso. As polêmicas geradas na exploração de temas como as deficiências do Reuni, falta de manutenção em diferentes setores da universidade, assim como o papel da internet na intensificação dos efeitos na sociedade, exemplificada pelos casos da doutora Lúcia e do harllem shake, nos renderam, não só

as principais matérias, como também, muitas engolidas de sapo, noites em claro, isso pra não falar nas lágrimas derramadas. Situações que, sem sombra de dúvidas, contribuíram positivamente para o nosso aprendizado. Não pudemos deixar de prezar, por tudo aquilo que a universidade oferece. Descobrimos inúmeros projetos magníficos que estão em pleno funcionamento, e tivemos muito prazer em poder conhecer e divulgar o trabalho dos nossos acadêmicos. Além disso, não podemos esquecer da produção cultural realizada pela própria turma, que se mostrou surpreendentemente criativa e admirável. Esta edição é resultado de muita aplicação e esforço, tanto individual quanto em grupo. De alguma forma, entre as noites mal dormidas (ou não dormidas), o Questão de Ordem serviu como uma conexão entre cada membro da equipe. Com ele tivemos não apenas uma experiência real com a prática do jornalismo, mas aprendemos que este não é possível sem que haja colaboração e união por parte de seus integrantes. Saímos dessa experiência com a certeza de termos compartilhado com o leitor temas extremamente valorosos, que vão desde a alegria dos deficientes físicos em praticar esportes ao papel político do estudante. Com assuntos de relevância não apenas para a vida acadêmica do leitor, mas para o seu convívio social.

Charge

Eu nunca fui um cara pintada Nathalia Correia O movimento estudantil historicamente sempre foi sinônimo de grandes lutas que se desenrolaram no país. Na ditadura militar, os estudantes foram a linha de frente das organizações de resistência ao regime e no impeachment de Collor, saíram às ruas para exigir a destituição do presidente, exercendo um papel fundamental no processo de redemocratização nacional. Sei que as demandas atuais são outras e que o contexto político não chega aos pés das décadas de 60 e 70. Não precisamos lutar contra a repressão explicitamente violenta. Hoje somos reprimidos veladamente, quando falta um professor para dar aula, quando não temos laboratórios bem equipados ou não são oferecidas condições mínimas para nosso aprendizado. Nunca fui cara pintada, nem tampouco depus um presidente. Tudo que sei do movimento estudantil vem de uma curta experiência dentro da academia e dos livros de história. Admito não ter tanta propriedade para apontar o dedo. Porém, ouso dizer que poucos se dão ao trabalho de sair às ruas para reivindicar demandas coletivas e, seja dentro da universidade ou em qualquer instancia social, a apatia política vem se tornando alarmante. Reflexo de uma sociedade que parece desconhecer que o alimento da corrupção é, exatamente, nossa indiferença, na universidade vota-se por folia e ganha o X aquele que oferecer as melhores festas. Todo político é

ladrão, honesto é você que somente se preocupa em beneficiar a si mesmo. Ficamos sentados reclamando da sociedade como se não fizéssemos parte dela e não tivéssemos culpa da sua decadência. No contexto dos movimentos políticos estudantis, o voto virou mercadoria e um meio cômodo de deixar que o outro faça aquilo que temos preguiça de fazer, mas disposição de sobra para criticar. Obviamente, o formato de democracia representativa institui a nomeação de representantes de classes. Entretanto, isso não indica que nossa participação na vida pública se resuma a votar e esperar tudo de mão beijada. Na UFPB, os poucos e utópicos que resistem, tentam fazer trabalho de formiga em uma empreitada que é dever de todos os estudantes. Nas gestões dos diretórios e nos coletivos ainda há aqueles que cumprem seu papel social, mas pouco é reconhecido. Quem está de fora sabe cobrar e acusar como ninguém, mas quando se trata de ajudar... O grilo canta! O que se vê é uma juventude iludida, na qual o importante mesmo é reclamar do feijão macassar, do Restaurante Universitário. Capaz de reunir mil pessoas para dançar coreografias ridículas, mas incapaz de mobilizar um protesto pelo fim da violência contra a mulher. Mal sabemos nós que quem entende como funciona o sistema controla os que não sabem e nem querem saber. Pintamos a cara de palhaço diariamente e não adianta reclamar da fantasia, nós a escolhemos.

Tudo que sei do movimento estudantil vem de uma curta experiência dentro da academia e dos livros de história.

Até quando sem direitos humanos? Andréa Meireles No Brasil, a ditadura militar é o período mais lembrado quando se fala em violação dos direitos humano. Nessa época, o próprio Governo usou de métodos como censura, tortura e exílio para calar e perseguir opositores ao regime. O que não podemos esquecer, contudo, é que a redemocratização não acabou com o descaso do Estado e das forças de segurança em relação aos direitos humanos. A questão é: quando o ser humano irá cumprir o seu papel de cidadão e parar de se preocupar apenas com o seu mundo particular, começando a olhar o caos que está instaurado ao seu redor? A situação dos nossos presídios, por exemplo, é calamitosa. A realidade enfrentada pelos presos é de um sistema marcado pelo abuso de autoridade, repressão, superlotação e descaso com saúde, alimentação e higiene. Mas a feiura não está só atrás das grades, nas favelas, a população livre vive cercada de pobreza, falta de saneamento básico, além de uma completa marginalização por parte da sociedade. A miséria dessa parcela do Brasil, no entanto, parece ser invisível àqueles que têm voz. Além disso, também ilustram o cenário atual, crimes de ódio contra homoafetivos, bem como intole-

rância religiosa, racismo, violência contra a mulher. Ironicamente, temos como representante, para lutar por essas causas, o deputado federal e pastor da Assembleia de Deus, Marco Feliciano (PSC-SP). O presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados é acusado de homofobia e estelionato em dois processos em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF). O pastor, que possui discursos assumidamente machistas e racistas, foi rejeitado pela população que se manifestou através das redes sociais e por atos públicos. Apesar disso, o Estado finge não ouvir os gritos da sociedade e ignora as manifestações. Todavia, vale lembrar que os atos presenciais foram realizados por uma minoria comprometida em ir às ruas e, além disso, que Feliciano foi eleito como deputado pelo povo. Sei que em breve a população irá, como na maioria das vezes, deixar pra lá. Considero que o conformismo e, por que não dizer, egoísmo dos nossos cidadãos chega a ser ultrajante. O que me parece é que quando as pessoas vão à luta, é sempre por motivos particulares ou próximos ao seu convívio, mesmo quando há uma universalização na causa. Quando o problema se apresenta distante, apesar de causar indignação, não se dá tanta atenção por não se acreditar na possibilidade de mudança.

Considero que o conformismo e, por que não dizer, egoísmo dos nossos cidadãos chegam a ser ultrajante.

Reitora: Margareth Diniz Juliana Miranda Laryssa Guimarães

Érica Rodrigues

Thaís Vital

Natã de Sena

Guilhardo Martins

Andréa Meireles

Bárbara Santos

Kelly de Souza

Daniel Sousa

Érica Rodrigues

Amanda Gabriel, Alex Alexandre Rocha, Dalana Lima, Daniel Lustosa, Dayse Costa, Isabela Santos, Keicy Victor, Manoela Raulino, Nathalia Correia, Peter Shelton, Poliana Lemos

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Setor de manutenção prejudica professores e alunos da UFPB Comunidade acadêmica reclama da demora no processo burocrático para realização de reparos no Campus I Foto: Keicy Victor

Keicy Victor E Jude Alves Os alunos do Campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) enfrentam problemas como falta de equipamentos, ausência de professores, insegurança, e salas desconfortáveis. Umas das reclamações mais recorrentes, entre professores e alunos, é a deficiência na manutenção e conservação do patrimônio da universidade, que vai desde as edificações, passando por equipamentos, instalação elétrica, automóveis, laboratórios, até os domínios do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW). A manutenção e conservação desses bens é de responsabilidade da Prefeitura Universitária, juntamente com as Diretorias dos Centros. Atualmente, não é feito um serviço de manutenção preventiva desse patrimônio, o que acaba sobrecarregando o serviço de manutenção corretiva. Neste sentido, quando o departamento precisa solicitar algum reparo, deve ser feito um requerimento pelo site da prefeitura, por telefone, ou via processo, enviando um memorando. Quando as solicitações chegam até o prefeito Francisco Pereira, elas são encaminhas para os setores responsáveis, a Divisão de Manutenção e Conservação e a Divisão de Equipamentos e Eletricidade, para que só depois seja enviada uma equipe para avaliar o problema, e se preciso levar o equipamento para a oficina. Segundo o coordenador do laboratório de tratamento

go Teotonio. Também há problemas com torneiras quebradas e materiais de má qualidade. Ao ser questionado sobre a falta de manutenção no Centro de Tecnologia, o diretor de centro Antônio de Mello Villar, diz que vem pouca verba do governo, e que fica a mercê da prefeitura para realizar os consertos. Com relação aos transportes da universidade, apenas os veículos novos passam por revisões, os outros não recebem manutenção periódica. A oficina da UFPB foi fechada, por falta de mão de obra.

Falta material e equipamento para a realização dos ensaios, os que temos estão deteriorados Aparelhos de ar condicionados quebrados e depositados pelos corredores do CCHLA térmico do Centro de Tecnologia, Eridon Pereira, a burocracia é tanta, que para não atrasar o seu trabalho, ele tenta resolver a situação por conta própria. equipamentos Nas edificações, por exemplo, os casos mais comuns são de vazamentos, infiltrações, cobertas e banheiros quebrados, ou sem portas, e elevadores parados. A Divisão de Manutenção e Conservação é responsável por essas ocorrências, quando o prédio tem até cinco anos de ocupação, a responsabilidade é da construtora que executou a obra. “Quando chove aparecem as infiltrações e goteiras, ano passado isso aconteceu na Biblioteca Central e deteriorou vários livros”, explica o estudante de engenharia civil, Tiago Teotonio. Antônio Junior é chefe da Divisão de Manutenção e Conservação, e relatou que as co-

bertas quebram com frequência devido à vegetação no entorno, enfatizando que no período de chuvas todas as goteiras e infiltrações aparecem, e não há mão de obra suficiente para solucionar essas urgências em tempo hábil. A Divisão de Equipamentos e Eletricidade trata de falhas em equipamentos de uso regular, problemas de climatização e instalações elétricas. Priscila Aquino, estudante de engenharia civil, disse que as instalações elétricas do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA), estão sobrecarregadas. Francisco Pereira diz que já foi feita a readequação de alguns blocos, dando como exemplo a Central de Aulas, mas que quando o prédio tem aulas durante todos os dias e noites, é preciso esperar um recesso para dar início a esse tipo de reforma. Outra importante reclamação dos alunos são os condicionadores de ar

danificados. O chefe de departamento do Centro de Comunicação, Turismo e Artes, CCTA, João de Lima, falou sobre a climatização do novo prédio do centro, ocupado em março de 2012. Dos 16 ar condicionados do prédio, cinco já apresentaram problemas e estão sem funcionar por falta de compressor. A vida útil desses aparelhos é curta, por que não é realizada a manutenção preventiva, a Prefeitura Universitária justifica que não tem mão-de-obra suficiente, e que só agora estão realizando um pregão para contratar uma empresa terceirizada, para realizar os serviços de manutenção preventiva dos condicionadores de ar. Laboratórios No caso dos laboratórios, existe uma escassez de equipamentos, “Falta material e equipamento para a realização dos ensaios, os que temos estão deteriorados”, diz Tia-

Hu O Hospital Universitário Lauro Wanderley, HULW, também passa por problemas com a manutenção, os funcionários do setor estão sobrecarregados e faltam materiais para que os problemas sejam solucionados. Hélio Ugolino, chefe de manutenção do HU, explica que alguns consertos que deveriam ser feitos com urgência, se tornam demorados por falta de material. Existem também aparelhos de radiografia que nunca foram usados, e estão em caixas no corredor do ambulatório há um ano, e um aparelho de ressonância magnética, que está guardado em uma sala com refrigeração 24 horas, há dois anos. Para que esses equipamentos sejam instalados, é preciso reestruturar a rede elétrica do setor e fortalecer a estrutura do prédio, por que a rede está sobrecarregada e a cápsula de ressonância pesa cinco toneladas. Já existe um projeto para essa reforma, mas ainda está em fase de licitação.

extrAVIO

Roubo no Lavid atrasa projetos de pesquisa thais vital e kelly de souza O Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital (Lavid), que está integrado ao Departamento de Informática (DI) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), desenvolve projetos de pesquisa em hardware e software voltado às áreas de vídeo digital, redes de computadores, TV digital e interativa e middleware (programa que faz a mediação entre software e demais aplicações). O laboratório é referência nacional e internacional em desenvolvimento tecnológico para TV digital e conta com a colaboração de mais de 40 pesquisadores, entre doutores, mestres e graduandos. Em 08 de fevereiro, o Lavid recebeu uma encomenda contendo madeira, pedra e isopor, no lugar de equipamentos que serviriam de base para o desenvolvimento de pesquisas na área audiovisual, além da montagem de uma cinema 3D, fruto de um projeto de visualização avançada. As consequências desse fato para as pesquisas e projetos do laboratório estão longe de acabar, segundo as informações do coordenador do Lavid, Guido Lemos.

Foto: Jude Alves

da sala de audiovisual, entretanto, conforme explica o diretor do CCTA, David Fernandes, o maior prejuízo foi no campo do conhecimento, devido ao atraso nas pesquisas. “Perdemos quatro meses de pesquisa para a formação de novos técnicos”, afirma. Para o gerente do GTAaas, Tiago Maritan, que visa implementar e testar um serviço que torne possível o acesso ao conteúdo digital para deficientes auditivos, adaptando as apresentações dos conteúdos digitais para as necessidades desses usuários, criando um boneco virtual que transforme os conteúdos para libras, o roubo dos equipamentos afetou nas pesquisas, porque com os projetores 4K, a simulação dos testes com usuários surdos possibilitariam um cenário mais próximo da realidade.

Coordenador do Lavid, Guido Lemos, tenta explicar os prejuízos causados aos estudos O atraso nos projetos é a consequência que mais preocupa os pesquisadores do laboratório. Serão aproximadamente quatro meses de espera por novos equipamentos, o que prejudica a qualidade dos testes de projetos como o da transmissão ao vivo da cirurgia cardíaca em

ultra alta definição, o Grupo de Trabalho – Acessibilidade como um Serviço (GTAaaS), e a composição da sala do curso de Cinema, localizada no Centro de Comunicação, Turismo e Artes (CCTA). Dois projetos e uma câmera 4K seriam destinados à montagem

Pioneirismo A tecnologia Fogo Player do Lavid, resultado do projeto de visualização avançada, permite a captura, processamento e transmissão das imagens ao vivo, além da interação com os receptores. Esse sistema viabilizou a realização da primeira transmissão brasileira ao vivo de uma cirurgia cardíaca em ultra alta

definição, que consiste na interação dos médicos cirurgiões com os estudantes, pesquisadores e convidados que estavam na sala do Laboratório de Realidade Virtual (VRL) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Guido Lemos explica que o sistema Fogo Player possibilita, no campo da saúde, uma melhor qualidade de avaliação do quadro do paciente, ou seja, um diagnóstico mais preciso, e acrescenta que os médicos deveriam ter, a seu favor, essas tecnologias de ponta para um melhor tratamento de seus pacientes. O professor e diretor do Centro de Ciências Médicas (CCM) da UFPB, Marco Antônio de Vivo Barros, explicou que os médicos do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW/UFPB) ainda não possuem essa tecnologia, mas acredita que será uma ferramenta fundamental para a formação dos estudantes de medicina. O déficit dos equipamentos também causou prejuízos à universidade, pois o fato de o lavid não ter a infraestrutura adequada para a transmissão, implicou na ausência do nome da UFPB em um fato importante da história tecnológica do laboratório.


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campus

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Alunos são prejudicados por deficiências do Reuni

Programa apresenta problemas estruturais e carência de professores em alguns cursos criados

Juliana Miranda, Laryssa Guimarães e Peter Shelton O Governo Federal criou, em 2007, o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). Na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), houve um investimento de R$ 120 milhões para contratação de novos professores e servidores, aquisição de equipamentos, construções de novos blocos, expansão e melhorias dos antigos, ampliação do acervo bibliográfico e criação de dez novos cursos de graduação. Entretanto, a quantia investida parece não ter sido suficiente, pois é possível verificar problemas em diversos âmbitos. Como exemplo, existem falhas estruturais e de contratação de professores nos cursos de Engenharia Elétrica, EngenhariaAmbiental e Direito. O estudante de Engenharia Elétrica e membro do Centro Acadêmico (CA), Reginaldo Patriota, conta que o bloco J do Centro de Tecnologia (CT), prédio de três andares, foi entregue há mais de dois anos e não possui bebedouros nem lixeiras, o que dificulta a vida dos alunos e compromete a limpeza do local. Além disso, ele fala que com seis meses de entrega já havia no bloco goteiras e portas com defeitos. Para tentar

Foto: Juliana Miranda

ta, pois, segundo ele, o novo prédio se localiza num local isolado e perigoso. “São dois blocos de sala de aula, dois ambientes de professores e um auditório construído no meio do nada. É afastado de tudo e muito escuro”, diz. Outra questão que afeta o campus é o barulho do local, devido a passagem dos aviões.

Coordenador do programa, Gustavo Tavares explica falhas e reconhece as dificuldades resolver o problema, o CA enviou um ofício com queixas para a coordenação do curso, em 2010. As portas e as goteiras foram consertadas, mas não obtiveram retorno em relação às lixeiras e aos bebedouros. Santa Rita O curso de Direito no campus da cidade de Santa Rita também possui problemas estruturais. Segundo o coordenador geral do Reuni, Gustavo Tavares, as obras que deveriam ter sido entregues em outubro de 2012 foram embargadas pelo Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac), devido a sua localização a poucos metros da cabeceira da pista do Aero-

porto Castro Pinto. Além disso, não possuem o alvará da Prefeitura para a construção. As aulas do campus começaram em 2009 e, em virtude da não conclusão das obras, elas acontecem nas antigas instalações da Faculdade de Direito, no centro de João Pessoa. O prédio é antigo e sofre sérios problemas de manutenção, que atingem principalmente os alunos. O estudante do curso e representante do CA, José Humberto Filho, exemplifica citando a estrutura precária das salas de aula, a falta de climatização e acessibilidade do prédio. Tavares reconhece as dificuldades enfrentadas no Campus de Santa Ri-

Falta de Professores Ainda segundo o coordenador do Reuni, alguns cursos não foram contemplados de acordo com a sua necessidade, havendo uma distribuição indevida dos códigos de vagas, que servem para a contratação de novos professores. O aluno do curso de Engenharia Ambiental, Leonardo Vinícius, conta que a falta de docentes para determinadas disciplinas faz com que eles tenham que assistir aulas com alunos dos cursos de Geografia e Biologia, por exemplo. “Faltam professores especializados em Engenharia Ambiental, o que há é um aproveitamento dos de outros cursos, gerando superlotação das salas”, relata. Considerando o que foi exposto, Tavares declara que a coordenação do programa solicitou a vinda do Ministério da Educação (MEC) para a realização de uma vistoria nos locais onde há problemas, e que a partir daí começarão a investir para regularizar a situação dos cursos prejudicados pelas deficiências do Reuni.

HOspital universitário

Captador de energia solar em descaso Bárbara Santos e Juliana Miranda O Hospital Universitário Lauro Wanderley (HU) obteve, em 2007, um sistema que aquece a água por meio da energia solar. Porém, conforme o engenheiro de manutenção do HU, José Valdério Meireles, o equipamento nunca foi efetivamente utilizado, pois faltaram obras hidrosanitárias complementares, ou seja, implantação de novas torneiras, tubulações, registros e reservatórios. Esse sistema serviria para alimentar a caldeira da área de nutrição e algumas enfermarias, principalmente pediatria e geriatria, para proporcionar mais conforto aos pacientes, pois hoje no hospital praticamente não se tem banho morno. Fora as vantagens ambientais, há importantes atrativos econômicos, pois segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), um aquecedor doméstico permite reduzir a conta de energia elétrica em mais de 25% nas residências de alta renda, enquanto pode chegar até 50%, no segmento de baixa renda. Considerando isso, a UFPB adquiriu, em 2005, o material para o aquecimento pela energia solar e implantou no seu restaurante universitário. Esse sistema pré-aquece a água que será utilizada no preparo das refeições a uma temperatura de até 60 graus Celsius, poupando assim, o óleo diesel que seria queimado nas caldeiras para a ebulição da água. Ao longo do primeiro ano de uso foram economizados cinco caminhões de óleo diesel, o que equivale ao custo pago pelo equi-

Foto: Juliana Miranda

B R E V E S Congresso O ministro Gilmar Mendes, famoso por associar a profissão de jornalista às atividades de culinária e corte e costura, virá a João Pessoa para participar do Congresso Novas Perspectivas do Direito. O evento será realizado em 5 e 6 de abril, no Auditório da Reitoria da UFPB.

Carteirinhas As carteiras de estudantes confeccionadas pelo Diretório Central dos Estudantes da UFPB, já podem ser feitas pelo site www. dceufpb.com. Os interessados devem imprimir o boleto e pagar no guichê do DCE, no Centro de Vivências. O valor da carteira é R$ 10. Postos de pagamentos estão montados nos campi de Areia, Bananeiras, Litoral Norte e Santa Rita. Os moradores da residência universitária podem fazer as carteiras gratuitamente.

Protestos O Sindicato dos Trabalhadores em Ensino Superior do Estado da Paraíba (SINTESPB) realizou em 19 de março, um protesto na rampa do prédio da Reitoria da UFPB. A ação reivindicava o cumprimento integral do acordo de greve assinado pela presidente Dilma Rousseff no ano passado. Segundo o vice-presidente do órgão, Rômulo Xavier, o acordo foi cumprido apenas para os professores ativos e os que estão a poucos anos da aposentadoria temem não ser contemplados pela lei.

Debate

O LES da UFPB é pioneiro em estudos sobre aproveitamento da energia solar embora tenha produção científica subaproveitada pamento, ou seja, R$ 64 mil. O Laboratório de Energia Solar da Universidade Federal da Paraíba (LES/UFPB) é o pioneiro em estudos científicos sobre o aproveitamento da energia solar no Brasil. As pesquisas universitárias na área iniciaram-se em 1973, entretanto as suas vantagens estão sendo percebidas e fomentadas há apenas 20 anos. Segundo o Departamento Nacional de Aquecimento Solar (Dasol) da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), os equipamentos que captam a energia proveniente do sol ocupam uma área equivalente a 900 campos de futebol, são ao todo 2,5 milhões de coletores espalhados pelo país. De acordo com os estudos re-

alizados no setor, num país como o Brasil onde 6% da energia elétrica produzida é destinada ao chuveiro, um sistema que faz uso da energia solar para aquecimento de água é imprescindível. Cada metro quadrado de coletor solar instalado num telhado libera 56 m² de área de represas para gerar eletricidade para outros usos. Já se falarmos de aquecimento a gás, cada metro quadrado de placa coletora permite a economia anual de 55 kg de gás. Em meio a disputas e concorrências, quem pode patentear suas descobertas leva vantagens, pois o Estado, garante ao titular do invento a exclusividade ao explorar comercialmente a sua criação. O professor do LES, Rogério Klüppel, explica que na década de 80 o laboratório de ener-

gia solar pediu junto com a UFPB as patentes de alguns inventos na área, porém elas caíram em domínio público, pois a universidade não pagou a taxa necessária junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Ele afirma ter somente uma patente internacional sobre estufas para secagem de produtos agrícolas usando energia solar. A diretora administrativa do HU, Rovênia Ximenes, que está na gestão há um ano e meio, só teve conhecimento do sistema ao ser questionada pela equipe do Questão de Ordem, e afirmou que o projeto será analisado. “Vamos conversar com as pessoas envolvidas para avaliarmos os benefícios para o hospital. Se o investimento valer a pena, retomaremos o projeto”, conclui.

Inscrições abertas para o 10o Conhecimento em Debate até 30 de abril. O evento será promovido pelo Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) de 03 a 05 de junho de 2013, com o tema Ensino, pesquisa e extensão: Desafios e Perspectivas. Um espaço aberto para que os componentes do CCHLA divulguem seus trabalhos acadêmicos. As inscrições serão realizadas on line, pelo site www. cchla.ufpb.br. A programação oficial será divulgada em 27 de maio.

Autismo

Os cursos de Fisioterapia, Terapia Ocupacional e Medicina da UFPB promovem o 1º Encontro Falando Sobre Autismo. O evento será no Auditório do Complexo de Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional, das 8 às 12h.

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Programa de extensão visa ressocializar prisão feminina Objetivo principal do projeto é fortalecer a política de direitos humanos na ressocialização de mulheres apenadas Foto: Nathalia Correia

Andréa Meireles O Programa de Extensão “Ressocialização Feminina, Direitos Humanos e Cidadania” da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), idealizado e coordenado pelo professor do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ), Gustavo Batista, objetiva transformar a prisão em um ambiente de ressocialização. Dada à condição histórica de exclusão e submissão social e moral da mulher, somadas à oportunidade de se trabalhar com o feminino preso, o projeto atuará no Centro de Reeducação Feminina Maria Júlia Maranhão (CRFMJM), em João Pessoa. Com início em 03 de Janeiro de 2013 e duração prevista de um ano, o programa, cujo orçamento é de R$ 150 mil e a carga horária é de 960 horas anuais, objetiva promover ações integradas, visando fortalecer a política de direitos humanos e ressocialização de mulheres submetidas ao cárcere. Para tanto, foi dividido em três projetos, o primeiro é relativo a ações preventivas em saúde pública e atendimento, o segundo à implementação das diretrizes nacionais para o ensino no sistema prisional, qualificação para o trabalho e edu-

cação em direitos humanos e o terceiro ao monitoramento jurídico e acompanhamento da execução da pena. Situação O Centro de Reeducação Feminina Maria Júlia Maranhão tem a capacidade prevista para abrigar 60 pessoas, mas, atualmente, é responsável pelo confinamento de 405 presas, dentre as quais 225 são provisórias. No último relatório divulgado pelo Conselho Estadual de Direitos Humanos da Paraíba (CEDH/PB), em agosto de 2012, além da constatação de superlotação, foram relatadas, também, as péssimas condições de higiene, alimentação e saúde das detentas. No relatório, consta ainda que celas com capacidade para seis pessoas alojam entre 18 e 22 mulheres, bem como, foram registradas a presença de ratos, baratas, vasos entupidos e chuveiros quebrados. Expõe, também, denúncias das prisioneiras acerca da má qualidade da comida, que chega a ser servida crua, estragada e, por vezes, com a presença de “tapurus”. Além disso, foi observado que não há espaço de lazer para elas, e como a área reservada para o banho de sol não é arborizada, resulta na aglomeração Das mulhe-

Fui estagiária de Serviço Social no período de 2010.2 e 2011.1 e vi um dos maiores dramas vividos por elas

Reuniões avaliam atuação do projeto, que tem duração de um ano e carga horária de 960 horas e vai ser implantado em breve res junto aos muros do pavilhão, na tentativa de usufruir da pouca sombra existente. Quanto à saúde, houve relatos da ausência de tratamento médico para prisioneiras que necessitam de acompanhamento. De acordo com as regras mínimas para o tratamento de presos no Brasil, estabelecidas pela resolução nº 14, de 11 de novembro de 1994, os presidiários têm direito a assistência à saúde de caráter preventivo curativo, que compreende atendimento médico, odontológico, farmacêutico e psicológico, além de auxílio educacional, relativo à alfabetização, instrução escolar e capacitação profissional. Erros Ainda segundo o professor, a falha na gestão do sistema penitenci-

ário consiste em ter um perfil atrelado à ideia de segurança pública e afastado da ideia pedagógica, de mudança, oferta e possibilidades de convívio no espaço social. Dessa forma, é papel da universidade assumir um compromisso de cooperação com a administração da penitenciária, no sentido de produzir experiências que garantam esses direitos às presas, e que a gestão possa dar continuidade independente do projeto. “Fui estagiária de Serviço Social no CRFMJM no período de 2010.2 e 2011.1, na época em que estive lá vi um dos maiores dramas vividos por elas e por nós era a falta de assistência jurídica. Imagine 190 presas para dois defensores públicos”, relata a assistente social e mestranda em Direitos

Humanos, Cidadania e Políticas Públicas, Virgínia Alves. Para ela, hoje a situação deve continuar caótica, visto que, o número de presas praticamente triplicou. Parcerias Para o coordenador de educação da Secretaria da Cidadania e Administração Penitenciária (Seap), Mazukyevicv Silva, parcerias como essa, sendo públicas ou privadas, são fundamentais para a efetivação da ressocialização no estado, visto que, na Paraíba existem ao todo cerca de 8500 presos, e a secretaria por si só é insuficiente tanto no número de funcionários, quanto no orçamento. Além disso, é importante para as detentas essa ponte com a sociedade para reinserção delas no ciclo da normalidade.

Empreendedorismo

Empresas Juniores reclamam apoio da UFPB Bárbara Santos e Laryssa Guimarães As empresas juniores são associações civis, sem fins lucrativos, desenvolvidas por alunos dos cursos de graduação, com o intuito de formar profissionalmente seus integrantes e aperfeiçoar suas habilidades por meio da aproximação com o mercado de trabalho. Para a universidade, a presença desses empreendimentos federados aumenta as notas dos cursos no Ministério da Educação (MEC). Além disso, elas influenciam no sistema empresarial da sociedade, estimulando seu desenvolvimento, por meio de uma relação de ganho mútuo, ou seja, o custo investido nas empresas juniores é baixo, e o contato com os administradores é importante para o currículo e a vida profissional desses estudantes. Na Paraíba existem sete empresas juniores federadas, as quais são coordenadas pela federação paraibana de empresas juniores, a PB Júnior. Dentre as sete, quatro pertencem à Universidade Federal da Paraíba (UFPB). São elas: Consultoria e As-

sessoria Junior de Economia (Caje), formada por alunos do curso de Ciências Econômicas; EJRCONTÁBILIS, formada por alunos do curso de Contabilidade; Empresa Júnior de Administração (Eja), formada por alunos do curso de Administração, e EXECUTIVE Consultoria Júnior, formada por alunos do curso de Administração, do Campus III, da cidade de Bananeiras. O analista de marketing da Eja, Rui Torres, conta que o auxílio que eles recebem da UFPB é apenas o espaço físico de trabalho e o fato de não possuírem despesas com energia elétrica. Tito Amorim, presidente da Eja, completa afirmando que os recursos utilizados para a realização e representação da UFPB nos eventos são deles. Novas Empresas Mesmo com os problemas financeiros e estruturais enfrentados pelos alunos para a manutenção de uma empresa júnior, a UFPB possui acadêmicos engajados na criação de novas associações. A Líderi JR, formada por estudantes do curso de Relações

Foto: Juliana Miranda

presa júnior do curso de Comunicação Social, está inoperante desde o ano de 2012. A antiga presidente, Narjara Xavier, alega que, com o tempo, a parte de gestão da empresa foi sendo deixada de lado, devido aos problemas burocráticos e financeiros que eles enfrentavam, e que houve uma dispersão por parte dos alunos integrantes. Uma das características comuns das empresas juniores, que conseguem sobreviver e se expandir, é o engajamento dos professores bem feitores.

A falta de apoio da universidade é um dos piores problemas enfretados pelas empresas Internacionais, é uma delas. O processo de abertura de uma empresa júnior é burocrático, como afirma o presidente da Líderi Soluções, Igor Xavier. “É necessário passar pela junta comercial, corpo de bombeiros, prefeitura, receita federal e ver se a razão social já existe”, explica. A falta de apoio da universidade

é o primeiro obstáculo encontrado no processo de criação de uma empresa júnior. “Há quatro meses lutamos por uma sala e até agora não conseguimos, por isso estamos estagnados no processo de criação”, afirma Igor Xavier. Inoperantes A Innova Comunicações, em-

universidade O coordenador do curso de Economia da UFPB, Alexandre Lira, afirma que não há um programa de incentivo por parte da universidade para a criação de empresas juniores e fala que a prática deveria ser estimulada. Além disso, o coordenador cita que o perfil da maioria dos professores da instituição é de pesquisador e não de empreendedor. “A prática se complica porque os professores se preocupam mais com a produção acadêmica, devido à orientação que recebem do MEC”, diz Alexandre.


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educação

JOÃO PESSOA - PARAÍBA 1o A 7 DE ABRIL DE 2013 Jornal do Laboratório do Curso de Jornalismo da UFPB

Combate a discriminação racial gera série de tv e grupo de estudo Debates sobre discriminação étnicorracial realizadas pelo Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas (Neabi), gera série de Tv Andrea Meirelles e Thaís Vital O Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas (Neabi) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) abriu processo seletivo para estudantes atuarem como estagiários, em fevereiro deste ano, no Programa de Promoção da Igualdade Racial e Valorização da Matriz Cultural Africana no Estado da Paraíba/Nordeste/Brasil (Proafro) para tratarem da temática das relações étnicorraciais na sociedade. A discussão sobre o combate à discriminação racial e a importância social e política da população negra na sociedade brasileira tem sido constante à medida que esses temas vem à tona em ambientes de cunho sócio-educativos, como nas salas de aulas, ou até mesmo na mídia. Com o intuito de esclarecer a visão da população sobre as relações étnicorraciais, o Sistema Correio de Televisão produziu a série Paraíba Afro, dividida em quatro capítulos, que foi ao

...por que as pessoas insistem em discriminar alguém por causa da cor da pele? ar na primeira semana de março. O jornalista e editor da série, Wendell Rodrigues, contou, à equipe do Questão do Ordem, que sentiu a necessidade de instigar a população paraibana ao debate sobre o tema, além de promover o combate à discriminação. “A série, em especial, surgiu de uma particular inquietação: por que as pessoas insistem em discriminar alguém por causa da cor da pele?”, explicou. A professora de história e coor-

denadora do Proafro, projeto desenvolvido pelo Neabi, Solange Rocha, participou da série dando o seu depoimento e conta que a série deu visibilidade as questões étnicorraciais. “O Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas está realizando inúmeras atividades focalizando as relações raciais no Brasil e na Paraíba. A série evidencia a questão do debate sobre essas relações”, explica a coordenadora. Debate O Proafro 2013, que está em execução há dois anos, possui uma equipe de aproximadamente vinte estagiários e quatro docentes orientadores, e consiste em três projetos, todos no intuito de resgatar e tornar público a memória da cultura afrobrasileira. O primeiro é a construção de um programa de Banco de Dados para contribuir na implementação da Lei 10.639/03, que estabelece o ensino da História da África e da Cultura Afro-brasileira nos sistemas de ensino. O segundo projeto é a ela-

Foto: Divulgação

Logotipo do Paraíba Afro boração de materiais didáticos, que vem sendo produzidos desde 2012. Já o terceiro, é um curso de 120 horas de formação inicial e continuada de professores, outros profissionais da educação e ativistas de movimentos sociais nas áreas temáticas definidas nas diretrizes curriculares nacionais para a educação para as relações étnico-raciais, história e cultura afrobrasileira e africana.

Os estudantes envolvidos pesquisam e debatem, rotineiramente, sobre o tema da discriminação étnicorracial, além de conhecer a história da cultura afrobrasileira no decorrer do programa. “A intenção é formar profissionais sensibilizados com as relações raciais e nós esperamos que eles saiam da universidade com essa visão de uma sociedade plural”, explica a coordenadora geral do Proafro, Solange Rocha. Para a estudante do curso de Letras e bolsista do programa, Maysa Morais, é imprescindível que haja na UFPB um grupo de estudos dedicado às relações de políticas e ações afirmativas, como também de discussão da temática racial, tendo em vista que eles contribuem para o conhecimento acerca da formação da identidade e cultura do povo brasileiro. “As pesquisas que iremos realizar acrescentará de forma significativa na minha formação acadêmica, pois essa é a área na qual irei desenvolver minha pesquisa”, afirma a estudante.

religião

Grupo Videlicet debate novo papado Érica Rodrigues Após ter enfrentado seguidos escândalos envolvendo pedofilia e denúncias de corrupção, a Igreja Católica encarou a primeira renúncia papal em mais de 500 anos. Temos agora, como sucessor de Bento XVI, o jesuíta argentino Jorge Mario Bergoglio, ou Papa Francisco, como escolheu ser chamado. Alguns integrantes do grupo de estudo Videlicet Religiões - Estudos em Intolerância, Diversidade e Imaginário, vinculado aos departamentos de História e Ciências das Religiões da UFPB, conversaram sobre o tema com o Questão de Ordem. O professor Carlos André Cavalcanti, líder do Videlicet, explica que o fato de Francisco ser jesuíta significa que a Igreja mudou o seu comportamento. Após um século XIX marcado por perseguição aos pensadores jesuítas, hoje eles estão não só reabilitados, mas no próprio papado. O estudante Cassiano Oliveira afirma que espera do novo Pontífice uma junção: mudança, no que se refere à atuação pastoral e à lisura da própria igreja, mas não no que se refere a questões doutrinárias. “Para mim ele vai ser uma referência, como tantos outros que passaram pela igreja e a agitaram, mas no que se refere à doutrina ele será uma continuação de Bento XVI”, complementa. Um dos primeiros desafios do novo Pontífice será abrir o lacre do dossiê de 300 páginas que Bento XVI deixou guardado para o seu sucessor. Dividido em dois capítulos, o documento supostamente traz sérias revelações sobre a Cúria da Igreja, incluindo uma rede de agenciamento de encontros homossexuais, a existência de grupos de pressão especializados em montar e des-

montar carreiras dentro da instituição e desviar recursos multimilionários do Banco do Vaticano para uso pessoal. O professor de Filosofia Robertino Lopes acredita que o que fez alguns cardeais não entrarem na lista de papáveis foram informações contidas nesse dossiê. O teólogo evangélico Temístocles Mendes afirma que esse momento não lhe parece apenas uma mudança de pessoa, que não se trata de “sai um Papa e entra outro”. Ele lembra que existem muitas coisas para serem feitas, desafios grandes da igreja, denúncias de corrupção, pedofilia, mas existem também mudanças de estrutura que precisam ser revistas. Temístocles diz que a Igreja Católica ainda traz estruturas medievais que impedem que ela se comunique com a sociedade e isso acarreta sérios problemas, mas lhe parece que Francisco já começa a fazer alguns apontamentos nesse sentido. “Quando ele coloca vestes mais simples, eu não acredito que seja meramente uma escolha e sim uma expressão da sua pessoa, de como ele é e das suas concepções”, explicita. “Ele é conservador na doutrina, hiper conservador nas questões morais, mas profundamente marcado pela misericórdia, pela paternidade para com os pobres”, complementa Carlos André. O Pastor Elton Roney afirma estar esperando para ver como Francisco, fundamentalista que é, vai se colocar em relação às questões como sexualidade, homossexualidade, aborto e o exercício das mulheres dentro da igreja. Por fim, Roney conclui que lhe chamou atenção também a postura do Papa como sacerdote e ministro, uma vez que não consegue ver em Francisco o poder papal. “Ele se apresenta como bispo de Roma e pede que

Foto: Érica Rodrigues

educação

JOÃO PESSOA - PARAÍBA 1o A 7 DE ABRIL DE 2013 Jornal do Laboratório do Curso de Jornalismo da UFPB

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Cursinho Pré-Vestibular UFPB encerra atividades após 8 anos Possível jogo político faz Curso Pré-Vesibular da Universidade Federal da Paraiba (UFPB) fechar as portas, após oito anos Guilhardo Martins O fim do cursinho se deu na medida em que a última eleição para reitor da UFPB, ocorrida em 2012, foi se consolidando a vitória da candidata Margareth Diniz, professora do Centro de Ciências da Saúde (CCS). O problema está no fato de que a coordenação do cursinho apoiava a candidatura da professora do Departamento de História, Lúcia Guerra, e só em caso de vitória seguiria funcionando. A oposição à atual reitora Margareth Diniz se deu a partir do momento em que alguns fatos se sucederam, o primeiro deles foi a relação existente entre a candidata Margareth e a Secretária de Educação da Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), Ariane Sá, na gestão do Ricardo Coutinho, que após a vitória da professora Margareth foi convidada para a Pró-Reitoria de Graduação, fortalecendo a ideia de que havia de fato uma ligação entre as duas. Em segundo lugar, um episódio inusitado aconteceu em plena campanha dos reitoráveis. Como era de costume, a coordenação do cursinho enviou para a PMJP o processo que viabilizaria o pagamento das bolsas aos professores.

Às vésperas de iniciar o processo seletivo do corpo discente, os responsáveis pelo curso pré-vestibular descobriram que toda documentação enviada foi engavetada e o município estaria ali encerrando a parceira com o Curso Pré-Vestibular da UFPB. Imediatamente os responsáveis pelo cursinho entenderam a ação como uma retaliação à gestão de Rômulo Polari e à candidatura da professora Lúcia Guerra, uma vez que o curso era um dos símbolos desse reitorado. Dessa forma, o suposto jogo político pôs fim nas atividades de um projeto de sucesso, uma vez que a idealizadora e coordenadora do projeto, Geruíza Nóbrega, não deixou sucessores. Oito anos O curso foi criado no ano de 2005 através da pedagoga do Centro de Educação da UFPB, Geruíza Nóbrega. O curso em toda sua história foi voltado para estudantes de baixa renda e de escolas públicas. Apenas em seu primeiro ano de funcionamento o cursinho ofereceu 30% de suas vagas para funcionários da UFPB e seus dependentes. Após processo seletivo que analisava histórico escolar e a

Foto: Jude Alves

renda familiar, eram formadas quatro turmas no turno da tarde, e para o turno da noite mais duas, totalizando um número de 200 alunos. Os estudantes selecionados doavam resmas de papel A4 para a confecção das apostilas e também kits de higiene pessoal, que ao final da seleção eram doados para o Hospital Padre Zé, a Casa Pequeno Davi e a Casa de Apoio ao Câncer Napoleão Laureano. Os dados fornecidos pela coordenação do cursinho revelam que em oito anos o número de aprovados atingiu 650 alunos. Com isso, a pedagoga reafirma o seu próprio conceito de democracia dizendo que “democracia é oportunizar a todos um caminho a seguir, feito isso, depende de cada um atingir ou não o objetivo traçado”, diz. Diferencial Segundo o professor de história, Daniel Bezerra, que esteve presente em todas as edições do cursinho, o alunado da escola pública possui uma formação deficitária, é carente de conteúdo, mas possui expectativas de um futuro promissor como qualquer jovem. “Sempre encarei a experiência do cursinho como uma missão, onde o cumprimento das

minhas obrigações como professor e orientador traria como fruto o sucesso daqueles meninos e meninas”, afirma o educador. O estudante de física, Walison Arruda, diz que durante as aulas do cursinho pode aprender mais do que aprendeu em três anos de escola pública, além disso, pode conhecer e fazer amigos que levará para toda vida. O mesmo sentimento é demonstrado pela estudante de farmácia, Geovânia Freitas, “foi uma grande oportunidade em minha vida, o cursinho me fez ver que eu era capaz de realizar meu sonho de ingressar na universidade, hoje tenho o maior orgulho de ter feito o Cursinho Pré-Vestibular da UFPB”, conta. Durante a preparação para o vestibular, Tinha-se também a preocupação com o lado humano do aprendente, era preciso enxergar que muitos dos estudantes chegavam até aquele momento com problemas de autoconfiança, lares desestruturados, dentre outras dificuldades que atrapalhavam a luta por seus objetivos. “Fui como coordenadora, mas à medida que fui me envolvendo com os alunos, acabei indo além, passei a acompanhá-los de perto, trabalhando muitas vezes a questão da autoestima”, diz Geruíza Nóbrega.

Pedagoga Geruíza Nóbrega fala sobre fim do Curso Pré-Vestibular

“Fui como coordenadora, mas à medida que fui me envolvendo com os alunos, acabei indo além

FRONTEIRAS

Intercâmbio não contempla ciências humanas Isabela Prado

Grupo de estudos Videlicet debateu as grandes expectativas a respeito das mudanças que novo papado trará à Igreja Católica o povo reze por ele. É como Dom Helder Câmara falava: se ele der um pão a um pobre ele é um santo, mas se ele perguntar o porquê, ele é um comunista. Isso é a voz profética, é quando você pergunta o porquê e tem o impulso de transformar as coisas, independente do que você vai sofrer, da retaliação”, observa. O Videlicet promoveu no dia 22 de março o debate, aberto ao público, intitulado “O Novo Papa e a Crise na Igreja”, que aconteceu na sala 320 do Centro de Educação. Compareceram ao evento alguns membros do grupo, além de outros interessados no assunto. Foram apresentados vídeos da repercussão dos últimos acontecimentos ligados à Igreja na mídia, além de imagens da renúncia de Bento XVI e do anúncio da eleição de Francisco. A partir disso, os presentes debateram sobre suas observações e inferências relacionadas ao tema.

HISTÓRICO O grupo de estudo Videlicet Religiões - Estudos em Intolerância, Diversidade e Imaginário foi fundado em 8 de dezembro de 2006 e tem como histórico básico ter ajudado na fundação da área de Ciências das Regiões na UFPB. O grupo hoje está dedicado basicamente à intolerância religiosa na história do cristianismo, ao debate teórico e a uma relação entre espiritualidade e saúde. No entanto, ao longo desses seis anos, o Videlicet cresceu tanto que será divido em duas áreas: ciências da religião e história da religião. Ao todo, após a divisão, o grupo de pesquisa contará com oito pesquisadores e um máximo de 30 alunos.

O Videlicet possui uma ação cidadã, estudando e atuando pela diversidade de religiões e contra a intolerância religiosa, formando também alunos para pesquisa e estudo das religiões. Um dos seus grandes objetivos é divulgar a laicidade, princípio que garante a separação entre o Estado e a religião. O grupo criou, em 2011, o Fórum Paraibano da Diversidade Religiosa, contando com militantes de direitos humanos das religiões da Paraíba, com o intuito de buscar a cultura de paz entre as religiões. O Fórum, que funciona como promotor da diversidade religiosa para a vida acadêmica está em processo de oficialização, contando com o apoio da Pró Reitoria de Extensão da UFPB.

O Governo Federal criou em 2011 o Ciências sem Fronteiras, programa que facilita o intercâmbio de estudantes brasileiros no exterior e tem como objetivo incentivar o crescimento econômico e o progresso tecnológico do país. Por não estarem intimamente ligadas com esta concepção tecnicista do progresso, proposta pelo governo, as ciências humanas foram excluídas do edital do programa, pois são consideradas imprecisas e teóricas. Porém, até novembro do ano passado, alunos de 20 cursos da área de humanas podiam se inscrever através de uma das categorias ofertadas - A Indústria Criativa, que apesar de ser direcionada para a Arquitetura e Desenho Industrial, deixava brechas para que alunos de áreas similares pudessem fazer a inscrição. Esse foi o caso do aluno do curso de Jornalismo da UFPB, Marco Antônio de Oliveira, que está cursando Estudos da Comunicação desde janeiro na University of East London, no Reino Unido. Apesar de entender as prioridades do Governo em relação às ciências exatas, Marco critica tal decisão: “O Brasil possui uma carência muito maior de engenheiros e técnicos do que de profissionais da área de humanas, mas um país não pode apenas sobreviver da sua produção industrial e crescimento econômico, ele precisa também de ri-

queza de cultura e intelecto”, diz. Para reivindicar mudanças no edital, um grupo de alunos de vários cantos do País criou numa rede social, uma página intitulada “Ciências com Fronteiras”, que hoje conta com mais de 5 mil seguidores. Uma das idealizadoras da página, a aluna de Publicidade e Propaganda da Universidade de Fortaleza (Unifor), Thaís Esmeraldo, conta que o movimento não foi criado pensando na inclusão dos cursos de humanas, mas sim, para que os cursos que foram comtemplados no primeiro edital voltem a ser beneficiados. Ela conta que desde que a liminar que suspendia a retificação do edital foi derrubada, os alunos têm entrado com processos individuais e os que ganharam estão conseguindo o direito de participar do programa de igual para igual com os outros cursos no processo, mas diz que, particularmente, não acredita que o resultado seja favorável. “Já estou nessa briga desde novembro. Estou cansada e sem muitas esperanças”, lamenta. Natan Cavalcante, estudante de Comunicação Social da UFPB, tinha planos de viajar para a França no segundo semestre de 2013. Ele critica especialmente o fato de haver vagas, mas não haver alunos o suficiente para preenchê-las. “Essas vagas serviriam para que alunos de outras áreas pudessem se inscrever, dessa forma não precisariam recorrer a uma brecha no edital”. O vice-diretor do Centro de Ci-

ências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) da UFPB, Rodrigo Freire, conta que entende a carência na área tecnológica, porém não consegue imaginar um programa que não seja interdisciplinar. “Se o programa quer contribuir para o desenvolvimento do país não pode excluir a reflexão que é própria das ciências humanas e sociais”, explica. As ciências humanas possuem um papel central e pertinente no desenvolvimento do país, embora não estejam intimamente ligadas ao desenvolvimen to tecnológico e econômico, elas contribuem para o desenvolvimento humanístico quando pensam e levantam questões acerca de minorias e grupos específicos como negros, homossexuais, pobres, imigrantes etc. Inglês Prevendo a distribuição de mais de 100 mil bolsas até 2014 em mais de 20 países, o programa enfrenta dois problemas que dificultarão este processo. Um deles é o nível baixo de inglês dos estudantes brasileiros. Dos 20 países que estão na lista do Ciências sem Fronteiras, a maioria cobra exames de proficiência de uma segunda língua, mas segundo um índice feito pela empresa EF English Proficiency Index, o Brasil tem um nível de inglês considerado abaixo da média, se situando em 46º lugar numa lista de 54 países. Para tentar resolver esse problema, o MEC criou o curso online Inglês sem Fronteiras, que visa aten-

Foto: Jude Alves

Vice-diretor do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da UFPB, Rodrigo Freire der às demandas do programa. Outro problema citado pelos estudantes que tentaram a inscrição no Ciências sem Fronteiras é a falta de informação. Marco Antônio conta que as informações são insuficientes e os candidatos precisam recorrer ao boca a boca pra conseguir avançar nas suas candidaturas. “É difícil obter informações coerentes e em tempo hábil para realizar a inscrição”, diz. Já Thaís Esmeraldo, complementa dizendo que o programa é bastante burocrático e os atendentes não estão preparados para tirar todas

as dúvidas dos estudantes. Esses aspectos levantam uma discussão sobre o número de vagas oferecidas pelo Ciências sem Fronteiras, sustentada sob o argumento de que se o número de bolsas é maior que o número de alunos aptos para participar do programa, não haveria motivos para excluir as ciências humanas e sociais. O vice-diretor do CCHLA, Rodrigo Freire, diz que seria ideal se houvesse uma cota no número de bolsas para que alunos das áreas excluídas pudessem participar do programa.


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educação

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política

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Estudantes de Engenharia Elétrica Midiatização das ações políticas buscam instituição internacional vira febre entre os universitários Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE) pode vir a motivar os alunos com seus programas de estudos

Manoela Raulino

Dayse Costa Os alunos do curso de Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com o intuito de tornar o curso mais atrativo para novos estudantes e motivar os atuais alunos, tornaram-se membros do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE), maior sociedade profissional e técnica em eletro-tecnologia do mundo. O objetivo é trazer para a Universidade um ramo estudantil do instituto, que será um setor gerenciado pelos estudantes membros do IEEE, com a missão de potencializar a participação dos alunos das áreas de tecnologia, através de atividades extracurriculares. O IEEE é uma instituição de incremento da Engenharia, que tem sede nos Estados Unidos e possui ramificações em todo o mundo, e é considerada, em relação ao número de sócios, a maior organização técnico-profissional. Setenta por cento das grandes novidades tecnológicas e científicas das áreas de engenharia elétrica, eletrônica e computação são publicadas lá antes de se tornarem produtos. Além de estabelecer padrões técnicos, o instituto promove processos de criação, compartilhamento e aplicação do conhecimento tecnológico e científico por meio de congressos, publicações na mídia eletrônica, acesso às informações técnicas industriais essenciais, oportunidades de trabalho e muitas outras vantagens exclusivas. Para que o ramo seja implantado na Universidade, os alunos estão criando uma petição que deve ter, no mínimo, 12 assinaturas de estudantes da UFPB que sejam membros do instituto – cadastrados no site deles e que pagam a taxa anual. Segundo a futura presidente do ramo estudantil IEEE-UFPB, Sharon Simões, na petição, que até agora tem 13 assinaturas, será necessário anexar ainda o estatuto do ramo estudantil e a autorização do chefe do departamento de engenharia elétrica, Alexandre Castro. Ela explica que o instituto é fragmentado em regiões, que são estabelecidas por países. “Aqui fazemos parte da região 9, que tem cinco seções, entre elas a Seção Bahia, que é a nossa e que coordena toda a região nordeste. Nossa petição será entregue à região 9 e à Seção Bahia”. Na Paraíba, já existem dois ra-

Futuros engenheiros em formação na UFPB estão em processo de parceria com o IEEE e debatem a possibilidade de integrarem os quadros da renomada instituição internacional mos estudantis do IEEE. Um, na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), e outro, no Instituto Federal da Paraíba (IFPB). O da UFPB será fundado provavelmente no próximo mês, de acordo com Elson Pedrosa, estudante de Engenharia Elétrica e membro do instituto. O interesse de Sharon para estar à frente do processo de formação do Ramo começou através de uma palestra que aconteceu na UFPB, promovida por estudantes de Engenharia da Computação do IFPB. “Eles fizeram uma palestra explicando o Ramo deles. Eu me interessei bastante, e após a palestra conversei com o Presidente do Ramo, com a Coordenadora e com outros membros que estavam lá. Eles tiraram algumas dúvidas que eu tinha, e, até hoje, estão nos ajudando muito em relação aos procedimentos a serem feitos para abertura do ramo”, conta. DIFICULDADES O interesse para tornar essa parceria IEEE-UFPB real veio de um

grupo de alunos do curso de engenharia elétrica da UFPB e de alguns de engenharia mecânica, que observaram o grande número de evasão no curso, devido à quantidade de disciplinas de cálculo nos primeiros períodos e à falta de atividades práticas, que desmotivam os estudantes. “Nós ficamos muito jogados e não temos um laboratório que nos estimule a continuar no curso. A saída que encontramos foi criar esses grupos, que fazem com que passemos a gostar mais do curso, e estar o tempo todo desenvolvendo projetos”, explica o estudante Elson Pedrosa. Para a aluna de Engenharia Elétrica, Mariana Teixeira, muitos alunos que entram no curso perdem o encantamento durante os primeiros períodos. “Muitos chegam e pensam que vão chegar aqui e ter experiências práticas, mas, na verdade, a gente estuda muito cálculo, física, e fica em dúvida se o curso é engenharia ou matemática”, lamenta. Em todo o mundo, existem mais de 1.500 ramos estudantis, que têm o propósito de contribuir para a

melhoria do nível acadêmico e profissional dos estudantes e de promover uma maior integração entre eles e suas futuras profissões. São oferecidas inúmeras vantagens educacionais, técnicas e profissionais através de projetos especiais, viagens de campo, palestras, visitas técnicas, congressos, entre outras atividades de interesse dos alunos das áreas de tecnologia. Os membros do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos podem desenvolver propostas de projetos e receber financiamento para realizá-los. “Graças ao IEEE, receberemos investimentos que, inicialmente, a universidade não nos dá e ainda complica com toda a burocracia. Se fossemos esperar pela UFPB, iria demorar muito”, afirma Elson. “E poderemos publicar, mundialmente, projetos que teriam uma burocracia muito maior caso fossemos só um grupo de robótica da UFPB”, complementa. fUTURO Como a Copa do Mundo de Robótica será sediada em João Pes-

soa em 2014, a aluna Mariana Teixeira, está tendo a iniciativa de formar um grupo de estudo em robótica, como parte do ramo estudantil que será aberto na Universidade. “Pretendemos criar o grupo de robótica pra ser um capítulo técnico – que é o grupo de pesquisa vinculado à sociedade do IEEE de robótica – para ser mais fácil receber investimentos para pesquisas na área. Queremos ter condições de competir, e não apenas chegar lá e nos exibir. Queremos realmente fazer parte da competição”, diz. De acordo com Mariana, a intenção do grupo é de fazer robôs funcionais, como, por exemplo, um robô que regue plantas ou limpe o sistema de ar de um shopping. “Caso a gente consiga estar no mesmo patamar dos outros competidores, vamos conseguir visualização para o nosso grupo e mostrar que somos qualificados. Vamos poder começar a ir às escolas para fazer palestras que apresentem essa parte da Engenharia que envolve o aluno e faz ele se interessar pelo nosso curso”, conclui.

nova turma

Parceria entre a Escola Técnica de Saúde e CE renova supletivo Peter Shelton O curso de ensino médio dentro do Programa de Educação de Jovens e Adultos (Proeja) da UFPB será iniciado em oito de abril e é fruto de uma parceria entre o Centro de Educação e a Escola Técnica de Saúde. O curso supletivo está com duas turmas, sendo uma à tarde com 100

Casos como o da professora de Letras Maria Lúcia e o Harlem Shake na UFPB repercutem no mundo virtual e no real

vagas e outra à noite com 80 vagas. As inscrições se realizaram de 11 a 15 de março e as vagas já foram preenchidas. Segundo a coordenadora da Escola Técnica de Saúde, Márcia Florêncio, o programa é um projeto do Governo Federal para jovens e adultos que procuram retomar os estudos e se profissionalizar. O Núcleo de Educação de Jo-

vens e Adultos (Neajen) é um supletivo do ensino médio, oferecido pela UFPB, para quem está acima dos 18 anos e não teve a oportunidade de cursar o ensino médio na faixa etária correta. De acordo a coordenadora, além de cursarem o ensino médio na Proeja, os alunos matriculados concorrerão a uma das 40 vagas ofertadas para o Curso Técnico

em Enfermagem, que tem a duração de dois anos e meio e pode ser cursado durante o supletivo. Por enquanto apenas o Curso Técnico em Enfermagem está sendo ofertado dentro da modalidade de ensino profissionalizante. Ainda segundo a coordenadora, o Neajen pretende firmar ainda esse ano um convênio com a Secretaria de Edu-

cação para a entrada de outros alunos em cursos realizados pelo núcleo em escolas estaduais circunvizinhas. O projeto é visto como uma oportunidade única para a estudante inscrita na seleção, Jaqueline Pereira. “É uma porta que se abre para você no futuro, eu pretendo prestar a prova do Enem para ingressar em um curso superior”, afirma.

Caiu na rede, é notícia. Esta frase é própria de uma geração que tem como guia maior a internet, que deixou de ser há muito tempo apenas uma fonte de informação, entretenimento ou socialização. A grande rede mundial, desconhecedora de fronteiras, passou a ser uma ferramenta social e política bastante eficaz nas mãos dos seus usuários. Alguns dos últimos movimentos políticos internacionais mostram claramente a força que o mundo virtual ganhou sobre o mundo real. A Primavera Árabe, movimento organizado principalmente através de redes sociais como Facebook e Twitter, fez com que poderosos chefes de estado fossem depostos ou renunciassem aos seus cargos, por meio de manifestos e passeatas. O “bum” da blogueira cubana Yoani Sanchez que, apesar de viver sob um regime comunista, encontrou na internet a liberdade de expressar suas opiniões e criticar as ações do governo de Cuba. Não se pode esquecer também da página virtual WikiLeaks, que trouxe à luz informações confidenciais dos mais secretos serviços de inteligência do mundo. Estes acontecimentos são grandes exemplos de como a virtualidade tem sido utilizada para o fortalecimento da midiatização das ações políticas e sociais das mais diversas culturas. Segundo o professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e pesquisador da área de mídias digitais Cláudio Paiva, o processo de midiatização se estende pelas mais diferentes áreas do cotidiano social, moldando, assim, o comportamento do indivíduo às mídias. “Há dispositivos midiáticos cujas estruturas permitem apropriações mais favoráveis aos desejos e expectativas sociais. E estes instrumentos podem ser utilizados em favor das empresas ou dos consumidores, das organizações ou das comunidades, dos donos do poder ou dos trabalhadores”, esclarece. Os internautas, aliando aparelhos tecnológicos e internet, ganharam o poder de usufruir abertamente da voz disponibilizada pelo mundo virtual, o que pode gerar muitas mudanças nos âmbitos sociais e políticos. Uma questão, entretanto, se faz necessária: até que ponto esse poder é considerado algo benéfico? Ou qual seria o limite, dentro dos padrões éticos, da liberdade que o espaço cibernético delega aos seus usuários? Repercussão O caso recente da professora Maria Lúcia de Oliveira, que foi flagrada em um vídeo agredindo verbalmente uma aluna do curso de jornalismo diante de seus colegas, ilustra bem a relação estabelecida entre a mídia e as ações sociais e políticas. Como se não bastasse, um segundo vídeo foi feito, desta vez por uma turma de outro período, no qual a educadora é visivelmente instigada pelos próprios alunos à prática do delito novamente. Como era esperado, a produ-

Foto: Carlos Antônio

Produção do Harlem Shake na UFPB foi organizado e divulgado no Facebook pela página de humor UFPB Depressão e o vídeo obteve aproximadamente 30 mil visualizações Foto: Juliana Miranda

Foto: Juliana Miranda

Centenas de alunos em frente à Biblioteca Central para a produção do Harlem Shake

Protesto feminista aconteceu no Centro de Vivências: poucas pessoas compareceram

ção foi postada na internet, desencadeando uma nova onda de protestos e até de insultos à professora nas páginas virtuais por onde o viral passou. O material filmado ganhou grande repercussão na internet, tendo aproximadamente 43 mil visualizações no Youtube e foi assunto nos principais jornais locais. Alunos compartilharam, comentaram e protestaram nas redes sociais contra a permanência da professora à frente da disciplina. Coincidência ou não, poucos dias depois a professora deixou as salas de aula. Segundo o chefe do Departamento de Línguas Clássicas e Vernáculas (DLCV), José Ferrari, Maria Lúcia foi distanciada da disciplina do curso de comunicação, no qual ocorreu o primeiro fato, e substituída nas demais através de um atestado dado pela Junta Médica da UFPB, no período de 30 dias. Disparidade O Levante UFPB, um dos movimentos estudantis da universidade,

organizou no dia 08 de março um protesto contra o machismo em homenagem ao dia internacional da mulher, representando a comunidade feminina da Instituição. Contudo, o evento enfrentou grandes dificuldades na hora de dar visibilidade ao movimento. O manifesto tinha como objetivo o combate à violência contra a mulher, problemática que, para Vanina Castro, estudante de Direito e participante da Frente Feminista do Levante, ainda está longe de ser resolvida. “Lamentavelmente, em muitos espaços, a temática feminista é tida como uma questão superada, e isso aparece em detrimento a diversos dados da violência doméstica e sexual e das, ainda existentes, diferenças salariais entre homens e mulheres”, declara. No exato momento em que o protesto feminista acontecia, centenas de alunos da UFPB se reuniam, em frente à Biblioteca Central, para a produção de um vídeo nos moldes da nova sensação da internet: o

Harlem Shake. Essa dança, que virou o mais novo meme do mundo virtual, consiste em momentos de calmaria, tendo como cenário os mais diversos ambientes, que de repente são transformados em frenesis de euforia extrema. O resultado da produção, organizada e divulgada pelo “UFPB depressão”, página do Facebook que satiriza a universidade, obteve mais de 30 mil visualizações no Youtube. Enquanto isso, o evento contra o machismo, que era um processo direto de ação política, foi ofuscado pelas danças exóticas e fantasias exageradas do Harlem Shake. Esses fenômenos têm um alcance que vai além das esferas políticas e sociais. Toda a cultura de uma geração pode ser atingida diretamente por suas conseqüências. De acordo com o professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Culturas Midiáticas da UFPB, Marcos Nicolau, o processo de vulgarização midiática da cultura vem acontecendo pelo menos desde a

década de 60. “A banalização da cultura tornou-se evidente com o fim do período de opressão da ditadura, permitindo que as novas gerações pudessem expressar suas inquietações e puerilidades”, comenta. A relação entre os elementos que compõem o processo de midiatização encontra-se desgastada. Este sistema de produção de informações demonstra uma necessidade por filtros éticos e morais. É lícito que cada um use o poder delegado pelas mídias da forma que quiser. Todavia, é válido lembrar que a informação publicada não atingirá apenas quem a produz, e sim a toda comunidade presente no mundo virtual. Os processos comunicativos devem passar por um crivo ético. “A sociedade deve cuidar para que suas instituições legítimas, bem como o próprio Estado, discutam e deliberem sobre liberdade e responsabilidade. Isso é um aprendizado social que deve ser negociado e vivenciado a partir de valores culturais”, finaliza Marcos Nicolau.


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política

JOÃO PESSOA - PARAÍBA 1o A 7 DE ABRIL DE 2013 Jornal do Laboratório do Curso de Jornalismo da UFPB

Estudantes reassumem DCE

política

JOÃO PESSOA - PARAÍBA 1o A 7 DE ABRIL DE 2013 Jornal do Laboratório do Curso de Jornalismo da UFPB

Foto: Carlos Antônio

Programa combate o tabagismo

Após dois anos abandonado, nova gestão do Diretório Central dos Estudantes marca a volta do movimento estudantil Daniel Sousa Depois de um ano sem representatividade, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) recebeu seus novos gestores no começo de março. No mês passado, aconteceram as eleições para escolher a chapa que representará, até 2014, os mais de 40 mil alunos da instituição. Com 4.559 votos, os vencedores foram os membros da chapa 1 “A hora é agora”., formada por coordernadores de centros acadêmcicos O maior órgão de representação da comunidade estudantil estava sem gestão desde 2012, quando a chapa vencedora daquela eleição foi impugnada sob a acusação de violar uma urna. Na hora da apuração, a segunda mais votada foi declarada como vitoriosa, mas a justiça anulou o processo eleitoral, deixando o DCE sem representantes durante um ano. Flagrantes de fraude, casos de corrupção e a midiatização da ação política tiraram o movimento estudantil de suas principais funções. Outrora, entidades estudantis, como a União Nacional dos Estudantes (UNE), já foram os maiores representantes na luta contra a ditadura militar e até forçaram políticos a deixarem seus cargos acusados de irregularidades. Os parlamentares de hoje, honestos ou não, foram, em sua maioria, participantes de cen-

Foto: Kelly Patrícia

da última gestão do DCE, em 2011, culpa a falta de unificação como o maior problema da crise dos movimentos estudantis. “O movimento foi pulverizado. Graves problemas na organização política e a descentralização dos grupos fragmentaram as entidades. Só de ver que temos um restaurante universitário seleto, que não atende a todos, já é motivo para encontrarmos aí uma fragilidade em nossas lutas”, contou o ativista. Prometendo reestruturar a imagem da entidade e arrumar a casa, os alunos que compõem o DCE de hoje estão trabalhando com a sede vazia. O novo prédio já está concluído, mas ainda não funciona porque faltam equipamentos necessários para o trabalho como computadores e cadeiras.

Coordenadores de organização e de política do DCE assumiram, mas faltam equipamentos de trabalho na sede do Diretório tros acadêmicos fortes e atuantes. Segundo o coordenador de organização do novo DCE e aluno de Enfermagem, Gabriel Chaves, os ativistas deixaram de priorizar a luta estudantil. “Depois de ganhar as eleições, os gestores não se preocupavam mais com o movimento e cada membro voltava a focar apenas no seu curso. Com isso, o diretório

começou a enfraquecer e os escândalos apareceram”, afirma. REALIDADE Renan Palmeira, ex-candidato à prefeitura de João Pessoa pelo Partido Socialista e Liberdade (PSOL), foi membro do DCE em 2005. Para ele, o movimento estudantil está sucateado em todo o Brasil. “Lembro-me

que em 2005 éramos fortes e tínhamos mais representatividade. Agora, as entidades de defesa dos estudantes estão abandonadas e vivendo uma crise sem tamanho. Isso se deve às novas direções nacionais desorganizadas e corrompidas com o poder”, comenta Renan. O militante Hector Ferreira, estudante de Ciências Sociais e membro

REESTRUTURAÇÃO A nova gestão do DCE decidiu criar a coordenação de política para reativar a ação estudantil e limpar a imagem da entidade perante os alunos da UFPB. Segundo o coordenador e aluno de Estatística, Zezito Marcelino, o maior desafio é mostrar que ainda existe uma instituição que represente e proteja os direitos do aluno. “Não estamos aqui apenas para fazer as carteiras de estudante. Queremos lutar também por uma educação de qualidade que garanta uma assistência melhor a todos”, garante.

crimes políticos

Comissão da Verdade é instaurada na Paraíba Nathalia Correia Com o objetivo de apurar violações aos direitos humanos cometidos por agentes do Estado no Brasil entre os anos de 1946 e 1988, principalmente no período referente à ditadura militar, foi criada em 2012 a Comissão Nacional da Verdade (CNV). Na Paraíba, o Governo do Estado fundou a Comissão Estadual da Verdade e da Preservação da Memória, que auxiliará o trabalho da CNV e pretende resgatar e preservar a história desse período para dar visibilidade a episódios de tortura e perseguição que aconteceram no estado. A comissão nacional, com apenas os seus sete membros, teria dificuldade para cobrir o país todo, então foi instituído que fossem criadas as estaduais e, em alguns casos, as municipais. O critério que o governador Ricardo Coutinho adotou para escolha dos integrantes foi a realização de uma consulta por ofício a 23 entidades, solicitando sugestões de nomes para sua composição. Após esse processo, sete membros foram escolhidos e entre eles estão os professores da UFPB Paulo Giovani, da Pós-Graduação em História, Lúcia Guerra, da Pós-Graduação em Direitos Humanos e Políticas Públicas, e Fábio Fernando Barbosa de Freitas, do Curso de Especialização em Direitos Humanos da UFPB. Ainda que não tenha caráter obrigatório, a comissão terá o di-

A comissão não tem um papel punidor, apenas quer esclarecer às famílias o que aconteceu

reito de convocar vítimas ou acusados das violações para depoimentos, além de ter total acesso a todos os arquivos do poder público durante o período, mesmo que sigilosos. Fora isso, deve colaborar com a apuração de violações dos direitos humanos e enviar dados aos órgãos competentes para que possam auxiliar na identificação de restos mortais dos desaparecidos durante a ditadura. Os membros escolhidos também identificarão os locais, instituições e circunstâncias relacionadas à prática de violações de direitos humanos. Usando a metodologia da Comissão Nacional, serão criados grupos de trabalho em que cada membro oficial ficará responsável e poderá agregar outros professores, pesquisadores e até alunos que tenham experiência nas temáticas. A Comissão Estadual da Verdade terá um período de apenas dois anos para a

apuração dos fatos e a construção de um relatório com todas as informações obtidas. Após esse período, não existe nenhuma ação programada. Apesar de não ter um caráter punitivo, seu intuito consiste em remontar a história dos movimentos de repressão para criação de um acervo e buscar mecanismos educativos, a fim de evitar outra ditadura. “A comissão não tem esse papel punidor, já que a Lei da Anistia de 79 não permite isso. Então seu papel é esclarecer às famílias o que aconteceu com seus entes na época da perseguição política”, afirma o professor Paulo Antonino, presidente da Comissão Estadual. Arquivo A história paraibana foi marcada por grande resistência à repressão, obtendo destaque nacional através de movimentos agrários. A perseguição política ao movimento das ligas camponesas resultou em mortes, perseguições e prisões. Fatos foram silenciados e vestígios eliminados, como no caso da documentação que identificava os mandantes do assassinato de João Pedro Teixeira, líder das Ligas Camponesas de Sapé e o desaparecimento dos corpos de João Alfredo Dias, conhecido como “Nego Fubá” e Pedro Inácio de Araújo, o “Pedro Fazendeiro”, integrantes do Partido Comunista do Brasil (PCB) e principais ideólogos das Ligas Camponesas da região da Várzea.

mudanças

CCTA ganha novo núcleo que comporta TV UFPB Daniel Lustosa O Centro de Comunicação, Turismo e Artes (CCTA) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) tem agora, sob o seu comando, o Núcleo de Produção em Comunicação e Artes (NPCA), criado no final da gestão do ex-reitor Rômulo Polari. O novo núcleo é formado pela TV UFPB e pela Agência de Notícias, que antes pertenciam ao Polo Multimídia, ligado à reitoria da universidade. A mudança de comando nos veículos de comunicação, ocorrida em novembro do ano passado, foi aprovada pelo Conselho Universitário (Consuni), instância maior da universidade composta por membros da reitoria, diretores de centros, representantes do corpo docente e discente, técnico-administrativos e de um representante da sociedade comum. De acordo com o regimento do núcleo, o NPCA tem como objetivo principal viabilizar, por meio de seus órgãos, as atividades de ensino, pesquisa e extensão voltadas à comunicação social, turismo e artes no âmbito da UFPB. A aluna de Jornalismo Luciana Nobre espera que a nova gestão da TV UFPB seja um espaço para pôr em prática o conhecimento adquirido na sala de aula. “A TV universitária deve servir como uma escola para os alunos de comunicação da mesma forma que o Hospital Universitário serve aos alunos da área de saúde”, comenta. Segundo o diretor do CCTA, David Fernandes, o NPCA colabora

com a formação dos alunos de diversos cursos. “O Núcleo comporta a TV UFPB, que é um instrumento importante para o ensino. É um laboratório que possui todas as ferramentas para o exercício de profissões que estão relacionadas principalmente ao nosso centro”, afirma. Não satisfeito com a criação do NPCA, o Departamento de Mídias Digitais (Demid), pertencente ao Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA), entrou com uma ação na Secretaria dos Órgãos Deliberativos da Administração Superior (SODS) para reverter no Consuni a criação do novo núcleo. Segundo o chefe do Demid, Saint-Clair Fernandes, o departamento sentiu-se prejudicado com a decisão. “É inaceitável passar a TV UFPB, com um alto custo de manutenção, para um centro que ainda não tem estrutura suficiente para sustentar a emissora”, declara. O aluno de Mídias Digitais Guilherme Pontes reclama da falta de oportunidades dentro da TV UFPB. “Os alunos de comunicação em mídias digitais sempre foram prejudicados por não terem direito a estágios e até mesmo acesso às dependências da TV”, desabafa. O coordenador do NPCA e diretor da TV UFPB, Wilfredo Maldonado, nega que o veículo esteja fechado a qualquer departamento da universidade. “Não existe qualquer tipo de restrição, estamos abertos a qualquer departamento. Inclusive temos um aluno do curso de mídias digitais trabalhando conosco”, finaliza.

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Poliana Lemos

Reunião da equipe do projeto “Fisioterapia Dermatofuncional na Saúde da Mulher”, realizada no Laboratório de Eletro Termo e Fototerapia do Centro de Ciências da Saúde (CCS)

Tratamento de celulite traz benefícios às mulheres Projeto que visa analisar e comparar os resultados de três diferentes metódos recebe voluntárias Érica Rodrigues Quem nunca ouviu uma mulher reclamar que tem celulite, ou já fez essa mesma reclamação, que atire a primeira pedra. O projeto de extensão Fisioterapia Dermatofuncional na Saúde da Mulher, coordenado pela professora do Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Palloma Andrade, tem o intuito de comparar a eficácia do tratamento de celulite através da terapia por ultrassom, drenagem linfática manual e fonoforese. Celulite é o nome vulgar de Fibro Edema Gelóide (FEG) ou Hidrolipodistrofia, que consiste em um conjunto de transtornos do tecido conectivo subcutâneo. Ela pode ter uma série de causas: fator genético, hormonal, além de sedentarismo e má alimentação. Esse transtorno tão comum no universo feminino, que acomete de 85 a 98% das mulheres após a puberdade, pode causar insatisfação com a imagem corporal e contribuir para o surgimento de distúrbios emocionais, não deixando de ser tratado como patologia ligada à saúde da mulher. Palloma explica que o FEG clinicamente é conhecido como uma disfunção inestética da topografia da pele, que envolve uma série de disfunções metabólicas do nosso tecido subcutâneo. Envolve também algumas alterações venosas que vão fazer com que se extravase o líquido dos vasos sanguíneos formando edemas. “São esses edemas que estão associados ao aumento de tamanho e da quantidade de tecido adiposo subcutâneo. Esses dois fenômenos associados vão gerar o aspecto da celulite, que é aquela aparência feia da pele”, esclarece. EXTENSÃO O projeto de extensão a princípio tinha como propósito ser um treinamento para os extensionistas, tendo como voluntárias nove alunas do curso de Fisioterapia da UFPB portadoras FEG. Cada voluntária foi submetida a uma avaliação ini-

TIPOS DE TRATAMENTO Ultrassom terapêutico - utilização das ondas sonoras como um recurso para obter alterações fisiológicas e assim atingir fins terapêuticos, aumentar a permeabilidade capilar e acelerar a lipólise. É utilizado um ultrassom de três mega-hertz de frequência. Fonoforese - utilização desse mesmo processo de ultrassom, só que associado a cosméticos, que vão melhorar a irrigação sanguínea aumentando o metabolismo promovendo a lipólise, ou queima de gordura, popularmente falando. Drenagem linfática- É a massagem, utilizada para que o organismo possa reabsorver aquele líquido que ele perdeu, que foi extravasado para o tecido. cial e final, além de seis sessões de Fisioterapia Dermatofuncional. Foram usadas fonoforese, seguida de drenagem linfática manual. O atendimento a esse primeiro grupo de voluntárias serviu como aperfeiçoamento das técnicas, familiarização com os aparelhos, produtos utilizados e os métodos semiológicos. Além disso, foi também uma experiência válida para as voluntárias, que aprenderam com o conteúdo ministrado. A extensão, na realidade, foi oriunda de um Trabalho de Conclusão de Curso nessa área, no qual foram avaliadas e caracterizadas 50 mulheres com FEG. A partir daí, foi constatado que existia demanda para uma extensão. “Os estudantes queriam atender nessa área e não era disponibilizado estágio pela universidade, acabamos juntamos a demanda da população que precisava de tratamento e dos alunos que queriam aprender”, conta a professora. Para a pesquisa agora estão sendo usadas como voluntárias 30 mulheres da comunidade em geral, com idade entre 20 e 40 anos, possuindo ciclo menstrual regular, não-praticantes de atividades físicas e com celulite. Elas são divididas em três grupos: o primeiro recebe terapia por ultrassom, o segundo terapia por fonoforese, o terceiro grupo é submetido à drenagem linfáti-

ca manual. Os grupos são submetidos a 15 sessões das respectivas terapias, que acontecem no Laboratório de Eletro Termo e Fototerapia – no Cento de Ciências da Saúde, três vezes por semana. “O projeto de extensão é voltado para o atendimento de mulheres de baixa renda, que não podem pagar pelo tratamento dermatofuncional nas clínicas particulares. A gente abre um espaço para o tratamento clínico e para a educação em saúde das mulheres que tem queixa com relação ao aspecto estético do seu corpo”, conta Palloma. O programa Fisioterapia Dermatofuncional na Saúde da Mulher tratará também de estrias, gordura localizada, pessoas com sequelas de queimaduras e úlceras de pressão (escaras), à medida que for adquirida tecnologia para tal. No entanto, atualmente, graças à restrição de tecnologia e cosméticos, eles estão atendendo apenas pacientes com celulite. ATENDIMENTO Não é preciso ser estudante da universidade para participar, basta procurar a Clínica Escola de Fisioterapia e informar seus dados. Porém, para a projeto de celulite as vagas já estão preenchidas e existe uma lista de espera. Além disso, as voluntárias pagam uma inscrição no valor de R$ 15,00 para a com-

pra dos produtos usados no tratamento. “O projeto de extensão não vai parar agora, mas a pesquisa sobre tratamento de FEG será concluída em breve. Nós concluímos o atendimento de quinze voluntárias e agora estamos atendendo outras quinze”, conta a bolsista do projeto, Sayonara Costa. “Todos os alunos que participam do projeto são treinados. A professora Palloma, junto com os estudantes antigos, passam a prática e a técnica para os mais novos. Além disso, acontecem reuniões semanais para discutir se os extensionistas estão encontrando problemas, tirar dúvidas e receber explicações sobre a pesquisa”, explica o estudante, integrante do projeto, Miguel Angel Menezes. A estudante Ingrid Pérez, que recebeu o tratamento de fonoforese, conta que não é algo milagroso, mas que é possível se perceber a diferença, principalmente quando se alia à atividade física e uma dieta balanceada. “O tratamento melhorou na hidratação e firmeza da pele. O atendimento por parte dos extensionistas foi muito bom. Além do tratamento, nós recebemos dicas sobre hidratação, limpeza e esfoliação da pele, alimentação, prática de exercícios e instruções sobre cosméticos caseiros”, ressalta a estudante Larissa Rodrigues, que também se submeteu ao tratamento.

Responsável por cinco milhões de óbitos por ano, o cigarro é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a principal causa de mortes por câncer que poderiam ter sido evitadas. Atualmente, campanhas antitabagismo são desenvolvidas para solucionar o problema que assola parte da população. Na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), desde 2007, funciona o Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor (SIASS), criado para resolver antigas questões relacionadas à saúde e segurança no trabalho no serviço público. Dentre os serviços oferecidos pelo sistema, atualmente existe o “Programa de Antitabagismo - Respirando Saúde”, que funciona no núcleo de Divisão de Qualidade de Vida e Saúde, e tem como objetivo promover prevenção e intervenção junto aos usuários do tabaco. Seus públicos alvos são os docentes e técnico-administrativos. Sua primeira realização, em outubro de 2012, contou com apenas seis pessoas, sem nenhuma participação de professores. COMBATE A servidora da UFPB, Maria Auxiliadora, conta que o programa teve grande importância na sua luta contra o vício, pois antes ela se sentia escrava do cigarro. “Muitas vezes cheguei a me sentir constrangida por ter que me afastar das pessoas para fumar”, relata. A servidora, que fumava há mais de 40 anos, largou o vício com a ajuda do Respirando Saúde e diz que os médicos pediram que ela determinasse uma data para largar a dependência. A psicóloga do SIASS, Isabelly Marques, afirma que, apesar do programa de antitabagismo não se estender aos alunos da universidade por falta de espaço e profissionais que atendam a demanda, sempre que possível serão realizadas ações que atendam a todas as categorias, assim como as que ocorreram nos dias 14 e 15 de março em comemoração ao dia estadual de combate ao tabagismo. A programação do evento foi resultado de uma parceria estabelecida entre o SIASS e as Secretarias Estadual e Municipal de Saúde. No primeiro dia foi realizada uma palestra sobre o controle dos produtos derivados do tabaco, com o representante da Gerência de Produtos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária/DF, André Luiz Oliveira. O segundo dia contou com ações voltadas a fumantes e ex-fumantes, com a concretização de vários testes, entre eles o Teste de Fagerstron, que indica o nível de dependência da nicotina. Os presentes também receberam orientações médicas, psicossociais, nutricionais e relativas a atividades físicas, além da aferição da pressão arterial. As realizações de seus respectivos tratamentos se deram nos Centros de Referência do Município.


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saúde

JOÃO PESSOA - PARAÍBA 1o A 7 DE ABRIL DE 2013 Jornal do Laboratório do Curso de Jornalismo da UFPB

Hidro e equoterapia auxiliam a reabilitar pacientes especiais Professores e alunos do curso de Fisioterapia ajudam crianças e adolescentes com deficiência intelectual e alterações fisicas Amanda gabriel Há 24 anos o projeto de extensão “Assistência Fisioterapêutica a Crianças e Adolescentes Portadores de Alterações Físicas”, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), vem realizando um trabalho de reabilitação de crianças com deficiência intelectual e alterações físicas. O grupo é coordenado pela professora do Departamento de Fisioterapia, Moema Teixeira, e as atividades são dividas em dois núcleos principais: hidroterapia e equoterapia. O projeto surgiu a partir da necessidade de proporcionar aos estudantes de fisioterapia a oportunidade do aprendizado prático. Além disso, busca atender a demanda de incidências de patologias neurológicas, ósteomioarticulares e respiratórias em todo o estado da Paraíba. HIDROTERAPIA A hidroterapia é um dos recursos mais antigos utilizados na fisioterapia e é caracterizado pelo uso da água como meio físico capaz de tratar deficiências motoras. A coordenadora do projeto, Moema Teixeira, explica que a hidroterapia proporciona diversos benefícios aos pacientes, uma vez que amplia a flexibilidade da criança. “Na água a criança se sente mais livre, controlando seu próprio corpo, então a realização dos exercícios se torna mais fácil”, esclarece. A estudante de Fisioterapia Eugivana de Farias Leite, estagiária do projeto de hidroterapia, explica que o uso da piscina térmica possibilita melhores condições de trabalho e amplia o leque de manobras utilizadas pelos fisioterapeutas. Apesar de ter a água como o principal recurso para a realização do tratamento terapêutico, as atividades não são realizadas apenas na piscina. Uma vez por semana a terapia é realizada em solo. A professora Moema Teixeira alerta para a importância de tratar

Fotos: Carlos Antônio

Tratamento de hidroterapia com crianças e adolescentes portadores de necessidades especiais, realizado na Clínica Escola de Fisioterapia as crianças fora do ambiente aquático. “Algumas crianças tem medo da água, então elas precisam conhecer os fisioterapeutas em um ambiente que elas sintam-se seguras, para que seja estabelecida uma relação de confiança entre terapeuta e paciente”, justifica. As atividades em solo são realizadas na Clínica Infantil da UFPB, enquanto o tratamento de hidroterapia é feito na Clínica Escola de Fisioterapia da instituição. Cerca de trinta crianças são atendidas semanalmente. EQUOTERAPIA A equoterapia consiste na utilização do cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar nas áreas de saúde e equitação, buscando o desenvolvimento da comunicação efetiva de pessoas com necessidades especiais. Este núcleo de atuação do projeto “Assistência Fisioterapêutica a Crianças e Adolescentes Portadores de Alterações Físicas” conta também com o auxílio de terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, pedagogos e educadores físicos.

Segundo a vice coordenadora do projeto, a professora Cristina Germano, o tratamento auxilia na estabilidade do tronco, coordenação, fortalecimento dos músculos, postura e equilíbrio. Conforme ela explica, o cavalo tem um ritmo de trote muito semelhante ao andar humano, o que possibilita uma série de benefícios à criança. “À medida com que o cavalo se movimenta, o praticante da equoterapia tende a se adaptar ao movimento do animal e certos impulsos e informações sensoriais são acionadas”, esclarece. Além disso, esse tratamento exerce papel essencial no desenvolvimento interpessoal do paciente. A interação inicial com o cavalo, os cuidados preliminares com o manuseio de cada animal, assim como a adaptação a novos ritmos de trotes estimulam o raciocínio, a autoconfiança e a autoestima da criança, bem como apresenta uma nova forma de socialização ao paciente. As atividades são realizadas na Associação Paraibana de Equoterapia

(Aspeq). Cerca de 10 crianças são atendidas semanalmente. ESCOLA Por se tratar de um projeto de extensão, o programa de assistência fisioterapêutica a crianças e adolescentes portadores de alterações físicas tem como finalidade contribuir no processo de formação acadêmica dos estudantes de Fisioterapia. A intenção é fazer com que os iniciantes ponham em prática todos os conhecimentos teóricos que aprenderam em sala de aula. A coordenadora Moema Teixeira acredita que o trabalho desenvolvido pelos alunos na Clínica Escola é imprescindível para a formação profissional deles. “O estágio possibilita aos estudantes uma maturidade acadêmica e técnica que é muito importante. Aqui os estudantes exercem um comportamento mais ético, porque passam a ter contato com a comunidade”, declara. A estudante de Fisioterapia Germana de Medeiros Barbosa, uma das estagiárias do projeto, revela que não esperava se identificar com o programa e

ampliar seus conhecimentos em tamanha proporção. Entretanto, com o passar do tempo, Germana conta que já se via completamente envolvida com o trabalho realizado. “É impressionante como aprendemos coisas novas todo dia, a cada quadro clínico. Temos uma vivência muito boa da prática, existe sempre uma surpresa”, conta. Estudantes que estejam cursando a partir do 5º período de Fisioterapia podem se inscrever no processo seletivo do estágio. O aluno que obtiver o melhor desempenho nas provas passa a integrar a equipe na função de estagiário bolsista. Outros sete estudantes são aceitos no programa na condição de voluntários. O estágio dura, em média, de seis a oito meses. Também participam do projeto estagiários de observação inseridos no grupo através do programa de tutoria. “Damos a chance a estes estudantes de conhecer o nosso projeto para que, no futuro, eles passem a estagiar na prática”, diz Moema. A professora informa ainda que esses estudantes também têm a oportunidade de colaborar e executar algumas atividades experimentais. RESULTADOS A evolução nos quadros clínicos variam de paciente para paciente. Entretanto, no geral, melhoras já podem ser observadas após os seis primeiros meses. É o caso da paciente L.C.P.A., de 5 anos de idade, que é atendida na Clínica Escola. Luzia Margarida da Conceição, mãe da criança, conta que a filha teve grandes avanços em seu quadro clínico desde que iniciou o tratamento, há três anos. “Ela era muito limitada, não conseguia sequer se sentar sem ajuda. Hoje em dia já anda e é super independente”, relata. A coordenadora do projeto, Moema Teixeira, esclarece que os avanços buscados não se restringem apenas a locomoção do paciente. “O nosso objetivo é fazer com que as crianças alcancem a independência”, conclui.

Pesquisa

Estudo ajuda em diagnóstico para autismo Daniel Sousa O projeto de pesquisa liderado pela professora do Departamento de Letras da UFPB, Marianne Cavalcante, que analisa, desde 1994, as mães e seus bebês para entender as formas de aquisição da linguagem em recém-nascidos, consegue prever a existência de transtornos globais do desenvolvimento, como o autismo. Com a detecção precoce, tratamentos envolvendo psicólogos e fonoaudiólogos conseguem reduzir ou até evitar que a criança entre em graus mais severos do distúrbio que atinge mais de 70 milhões de pessoas no mundo. A pesquisa, intitulada “Contínuo gesto-vocal: aprofundando a matriz multimodal da linguagem”, é a única que estuda a multimodalidade linguística no Brasil. A equipe é composta por estudantes de letras, mestrandos e doutorandos, que se reúnem no Laboratório de Aquisição da Fala e Escri-

ta (Lafe). Os estudantes bolsistas visitam quinzenalmente as residências de nove mães e gravam, durante 30 minutos, todo o processo de comunicação entre as chamadas díades (dupla mãe-bebê). A mesma dupla é analisada, através de filmagens, até que a criança complete três anos de idade. “Depois de coletar o material, comparamos os vídeos com a teoria, que defende que a aquisição da linguagem se dá a partir de processos interativos. Ou seja, a língua não está pronta no sujeito, ela é construída via interação”, explica Mariane. O ponto alto do projeto é o estudo das patologias de linguagem em crianças. “Todas as crianças passam por processos de aquisição da linguagem, como por exemplo, a etapa do face-a-face e das primeiras reproduções. Se houver aí algum desarranjo, isso pode acarretar, ou não, em transtornos como o autismo e a dificuldade de atenção”, relata.

Foto: Jude Alves

Coordenadora do grupo de pesquisa, Marianne Cavalcante, e dotourando José Temístocles DIAGNÓSTICO Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o autismo é um transtorno global do desenvolvimento, marcado por características fundamentais como a inabilidade para interagir socialmente, dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-

-se ou lidar com jogos simbólicos e o padrão de comportamento restritivo e repetitivo. A síndrome atinge mais meninos do que meninas. O doutorando em linguística, José Temístocles, estuda, dentro do projeto, o processo de linguagem de uma criança já autista. “Se algo falha no

transtorno autístico, é preciso considerar as implicações que essa falha pode trazer para a própria linguagem. Logo, torna-se fundamental partir de uma perspectiva que comporte o irregular e tome a falha como um elemento constitutivo da linguagem”, garante. A demora no diagnóstico é um grande problema para os portadores do distúrbio, pois quanto mais cedo o problema for observado, mais fácil será de tratar e serão maiores as chances de diminuição ou reversão do transtorno. De acordo com o pediatra George Sampaio, os médicos já trabalham com um protocolo para detectar mudanças na aquisição da linguagem dos bebês. “Analisamos alguns pré-requisitos como o atraso e distúrbio da comunicação, a interação social atípica e a restrição da variedade de interesses. Com esses sintomas é que encaixamos o paciente como possível portador de distúrbio de comportamento”, explica o pediatra.

saúde

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Neurocientista Miguel Nicolelis vem à UFPB e conversa com o QO Foto: Kelly de Souza

Keicy Victor e Juliana miranda

Das avenidas de São Paulo para o mundo, o cientista brasileiro Miguel Nicolelis, de 52 anos, percorre uma trajetória de sucesso. O aluno-prodígio de graduação e doutorado da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), dos anos 1980, chefia hoje o laboratório da Universidade de Duke, na Carolina do Norte (EUA) e o Instituto de Neurociências de Natal (RN), o IINN-ELS. Nicolelis coordena, em seu laboratório, as pesquisas que mapeiam a comunicação cérebro-máquina. Esse experimento está reunindo dados para o desafio que o próprio cientista estipulou para, na Copa Em uma de suas palestras o senhor comentou sobre o privilégio e a responsabilidade que é estudar em uma universidade publica. Quem posturas os universitários devem adotar para retribuir a sociedade? Essa pergunta é muito importante, eu fico muito feliz por você ter feito ela, por que a gente às vezes esquece, quando entramos em uma universidade pública, que esse bem é um bem público, ele não pertence a nós, ele pertence a toda a sociedade brasileira, que o mantem com seus impostos. Então o aluno que está em uma universidade pública, ele tem o dever de manter a coletividade, de conservar os equipamentos públicos, os prédios, ele tem que preservar toda essa estrutura. Por que quando ele sai da universidade, vai vim alguém atrás dele, que pode precisar usufruir dos mesmos instrumentos. Também é importante lembrar, que as universidades ainda oferecem um número de vagas muito pequeno, o que significa que existem muitas pessoas que poderiam estar no seu lugar, e que existem muitas outras que se sacrificam

pra você possa ter acesso a essa educação de alto nível gratuita. Então você tem uma responsabilidade acadêmica perante o indivíduo da sociedade, se você falhar, se você não for um bom profissional, se você não se graduar, se você não respeitar as normas da instituição, não se comportar como o cidadão honesto, não está falhando só com você. Está traindo a confiança de milhões de pessoas que ficam lá fora todo dia, trabalhando para que existam recursos, para que essa universidade seja mantida. Então, você está aqui realizando indiretamente o sonho de milhares de pessoas, que jamais vão poder entrar nessa universidade, essas pessoas depositaram em vocês a esperança de criar um país melhor. É importante que ao se graduar, você não se esqueça de onde veio, e contribua pro o bem estar público. Eu sempre defendi que ao se formar em uma universidade publica, o profissional deveria ter que dedicar alguns anos do seu trabalho à comunidades carentes.

de 2014 no Brasil, fazer um adolescente paraplégico levantar-se de uma cadeira de rodas, caminhar até o centro do campo e dar o primeiro chute da competição. O jovem receberá uma vestimenta batizada de exoesqueleto, o qual reproduzirá as ondas elétricas do cérebro do paciente levando-o até o centro do campo. O neurocientista esteve em João Pessoa no último dia 25 para participar do Fórum Universitário 2013 da UFPB e conversou especialmente com o Questão de Ordem, na qual falou sobre qual o papel do universitário na sociedade, os problemas do ensino superior no Brasil, além de explicar como é possível democratizar a ciência no país. O resultado desse bate-papo você confere nas linhas abaixo.

O universitário tem uma responsabilidade acadêmica perante o indivíduo da sociedade

De acordo com a sua experiência, o que pode melhorar no en-

sino de pós-graduação no Brasil? Vou te contar uma história, eu estudei na Universidade de São Paulo (USP), e em dezembro, eu decidi dar palestras em várias unidades de lá. Eu me reuni separadamente com os alunos da pós-graduação, de medicina, coloquei todos numa sala como essa aqui, e eu não falei nada, só pedi pra cada um me dizer o que eles queriam fazer no doutorado. Fiquei duas horas escutando todo mundo dizer, eu quero fazer doutorado, pós-doutorado, fazer concurso público e entrar em uma universidade federal. Ninguém me falou o que queria pesquisar, ninguém falou qual era a sua paixão, ninguém falou que queria descobrir a cura da “moléstia x”, ou eu quero entender como o fígado funciona, por exemplo. Por que as pessoas estão achando que o doutorado é um processo de promoção, como se ele fosse simplesmente um passo para subir na carreira publica. Tudo que eu fiz no meu doutorado, e o meu pós-doutorado, é a infraestrutura do que eu estou fazendo hoje, tudo isso eu pensei há 30 anos. No doutorado a pessoa tem que entender o que ela vai fazer, os nossos jovens não tem ideia, eles entram em qualquer lugar, fazem qualquer projeto, só pra ter o título. O doutorado não é um título, o doutora-

do é a sua explosão intelectual, é onde você aprende a ser pesquisar, onde você cultiva a sua paixão. Se você não tiver paixão por uma coisa, se não estiver disposto a passar sua vida estudando aquilo, nem pense em fazer, por que não vai funcionar. O doutorado é o momento da explosão da sua vocação, e é isso que nós temos que incentivar no Brasil. Em uma entrevista, o senhor falou que achava que o mestrado aqui no Brasil era feito de uma forma erronia. Na área de ciências biométricas e ciências exatas, o mestrado perdeu totalmente a razão, só serve pra suprir as deficiências da graduação. Na universidade de Duke, nos Estados Unidos, onde eu trabalho, não tem mestrado, acontece só quando a pessoa falha no doutorado, pra ele não sair sem nada, ganha um mestrado no final. Mas na minha área, ciência biométrica, só tem doutorado, por que é a única coisa que conta. O que há de errado na estruturação do CNPq? Se eu for começar aqui, não termino mais, tem muita coisa que precisa mudar. O que deve ser feito pra democratizar a ciência?

Acho que permitindo aumentar os mecanismos para que todo mundo possa conhecer ciência, praticar ciência, e não só os profissionais, mas toda a sociedade brasileira ter acesso ao conhecimento de ponta. Mecanismos pra difundir o conhecimento de ponta pela sociedade, o conhecimento científico como um todo. Que benefícios à implantação do Instituto Internacional de Neurociência trouxe para a população de Natal? Vários, nós temos duas escolas pra mil crianças, temos um centro de saúde que atende 12 mil mulheres por ano, nós conseguimos criar uma comunidade voltada para ciência. Que não é só um centro de pesquisa, mas que influi na vida da comunidade do entorno, isso é um exemplo único no Brasil. O senhor sempre fala em libertar o nosso cérebro do corpo... Isso é uma metáfora, quer dizer que a ação motora do cérebro pode se dar à distancia agora. Nós podemos imaginar um movimento, e esse movimento ser refletido por um computador, um robô, um objeto virtual, num outro país, num outro planeta. Essa possibilidade foi criada, as interfaces cérebro-máquina viabilizaram essa libertação.


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cultura

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Projetos utilizam cinema como meio de inclusão

Cine Senhor e ViAção incentivam a difusão da cultura paraibana através de produções cinematográficas Kelly de Souza e Poliana Lemos O ViAção Paraíba e Paraíba Cine Senhor são projetos que tem como finalidade a democratização da produção cinematográfica paraibana. Os projetos capacitam para a produção audiovisual os estudantes que o integram e jovens das cidades por onde passam. Assim, expandem as produções a novos olhares e criam oportunidades de construir o novo, de acordo com a realidade local. A partir desses projetos que disseminam o cinema paraibano, surgiram cineastas como Kennel Rógis, ex-aluno do ViAção, premiado com o filme Travessia, lançado em 2011 no I Curta Coremas, festival de cinema e arte da cidade paraibana de Coremas, a 384 km de João Pessoa. Paraíba Cine Senhor O Paraíba Cine Senhor nasceu em 2007 com o objetivo principal de espalhar, por meio de oficinas cinematográficas, noções da sétima arte a lugares do estado que não têm acesso a esse tipo de conhecimento. O projeto também é uma forma de valorização e divulgação da cultura local, pois, ao final das oficinas, são produzidos documentários com temas relativos à cidade. Segundo a coordenadora pedagógica do Cine Senhor, Mercicleide Ramos, que ingressou no projeto como aluna em 2008, no primeiro momento o intuito de entrar no projeto foi pela bagagem que iria adquirir. “Além de um ganho téc-

Natã de Sena

A Oficina Direção de Arte do projeto Paraíba Cine Senhor é ministrado pela estudante Silmara Braz na cidade de Alagoa Grande nico, eu tive também um ganho social. Na minha primeira participação, além da convivência com 30 integrantes, convivi com as pessoas das cidades que o projeto visitou, que eu nunca conheceria se não fosse essa experiência”, comenta. O assessor de imprensa do Paraíba Cine Senhor, Marcelo Soares, foi aluno do projeto em 2008 e ressalta a importância deste para a formação de novos cineastas. O assessor revela também o caso dos alunos de Alagoa Grande, que após participarem da oficina de Mini Mídias Digitais, criaram um Cine Club e um festival com filmes produzidos por eles, que foi realizado em janeiro de 2011, com o auxílio do Paraíba Cine Senhor. “Esse foi um momento de suma importância porque mostrou a continuação após a nossa saída. Eu me senti realizado como organi-

zador e participante”, disse Marcelo. A edição deste ano do projeto acontecerá nas cidades de Itabaiana e Aparecida, com realização da Empresa de Serviços Culturais (EMSEC) e do Grupo Castelo Audiovisual e patrocínio do Banco do Nordeste do Brasil (BNB). ViAção Paraíba O ViAção Paraíba é um projeto de extensão realizado pela UFPB, com o objetivo de proporcionar a formação de um olhar crítico na população do interior do estado, sobretudo em sua parcela jovem. O coordenador Torquato Joel explica que devido à dificuldade de se constituir uma formação em três dias, o Viação procura incentivar os alunos para que a ideia não cesse após a saída das cidades. Ao passar pelas localidades, o

Foto: Rennam Virginio

Fumaça (à direita) e Faísca se preparam para a gravação da cinebiografia do embolador seguir sozinho porque é com a embolada que eu ganho a vida”, conta Faísca. Mas a saudade e a baixa renda não são as únicas dificuldades vividas pelo artista de rua. “Tem vezes que as pessoas se irritam com o meu trabalho, pedem pra que eu desça do ônibus. Me sinto muito triste, humilhado”, desabafa. O filme começou a ser rodado no dia 19 de fevereiro deste ano e atualmente está em processo de edição e montagem. Sete estudantes do curso de Mídias Digitais da

Atletas paradesportivos ganham espaço na UFPB

projeto leva minicursos durante o dia e mostras de filmes à noite, abertos a toda população. Através desse incentivo, já surgiram cine clubes em vários municípios e festivais de cinema. O ViAção conta com auxílio de estagiários do curso de Comunicação Social e também recruta alunos que se destacaram nas cidades por onde passam. “A experiência adquirida é incalculável, pois serve como encaminhamento para a vida profissional do aluno. A minha atuação, por exemplo, de oficineiro de cinema no interior começou a partir dos contatos que fiz durante o meu estágio no projeto, em 2009”, relata o estudante de Rádio e TV, Marcelo Quixaba. A edição desse ano percorrerá entre os meses de março a maio os municípios de Pocinhos, Sapé, e Itaporanga.

Universidade Federal da Paraíba assinam o projeto. De Mundo Afora Apesar de ter uma finalidade acadêmica, os produtores do filme revelam que desde a ideia inicial de transformar a vida de Faísca em um filme, o grupo desejava que o projeto fosse lançado no mercado cinematográfico. “Faísca é um personagem curioso, que desperta a curiosidade das pessoas. Queríamos atrair o máximo de atenção

possível”, afirma Rennam. Como meio difusor da popularidade do documentário, os estudantes escolheram a internet, em especial, as redes sociais. A ideia foi do diretor de fotografia e editor de imagens, Swami Marques. A página oficial do documentário na rede social Facebook já conta com 1.738 “curtidas” e o canal do YouTube, “Faísca DOC”, registrava 10.137 visualizações, além de ter 63 inscritos, até o fechamento desta matéria. Todavia, não são só os produtores que estão felizes com a popularidade do filme. Faísca também comemora o fato de ter seu trabalho reconhecido. “Tô muito emocionado que as pessoas do Brasil todo vão conhecer minha história”, declara. Visionários, os estudantes tem o objetivo de realizar sessões de estreia nos cinemas de João Pessoa, como também inscrevê-lo em concursos regionais. Segundo um dos diretores do documentário, o grupo sonha, inclusive, com a possibilidade de exibir o filme em festivais internacionais. “Algumas pessoas já se dispuseram a escrever legendas em inglês, espanhol, alemão e francês para o filme. Fazer com que esse projeto transcenda a UFPB é o nosso grande sonho”, diz Rennam Virginio.

Os bestiários são livros medievais onde se encontram descrições de figuras e criaturas imaginárias, quimeras, monstros medonhos e outros elementos fantásticos. Baseado nisso, o nome “Bestiário” foi dado ao projeto de filme em longa-metragem escrito e dirigido pelo paraibano Carlos Dowling, professor do curso de graduação em cinema da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Desenvolvido por Dowling desde 2004, o projeto fala sobre como duas crianças, Nino e Rosa, confeccionam o livro bestiário para contar causos e descrever personagens do bairro onde vivem, transformando-os em elementos fantásticos e até mesmo mágicos. “Quero trabalhar a tensão entre a construção lúdica de uma narração infantil, que lida com elementos de crueldade, num misto de beleza diáfana e crueza de uma crueldade primordial”, conta o diretor. Atualmente, o projeto está em fase de pré-produção, com previsão de filmagens para o início do ano que vem e de ser lançado no segundo semestre de 2014. Passando pela etapa de definição da equipe, um dos principais alvos é formar e contratar a maior quantidade de técnicos e artistas locais, fortalecendo a estrutura dos espaços de produção da terra. A relação entre a produção independente e a comunidade acadêmica da Paraíba, outra contribuição do projeto, serve como um movimento inaugural de novos exemplos para a criação audiovisual local. Na época de desenvolvimento dos dois primeiros tratamentos do seu roteiro, suas oficinas preparatórias foram conduzidas dentro de um convênio entre a Associação Brasileira de Documentaristas – Seção Paraíba (ABD-PB), o Ponto de Cultura Urbe Audiovisual e a Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (PRAC/UFPB). Os envolvidos estudam renovar essa parceria para as fases de produção e pós-produção do longa-metragem, algo que casa com a implantação do curso de cinema e audiovisual na UFPB. O animatic foi publicado no site www.basiliscoproducoes. com, ilustrado por Shiko e com trilha sonora assinada por Daniel Monguilhott.

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Foto: Carlos Antonio

Deficientes físicos são agraciados com qualidade de vida e lazer por meio da prática de esportes

Dayse Furtado e Natã de Sena

Faísca sofre, conta, canta, corre e vai O relato da história de um batalhador. É assim que RennamVirginio, um dos diretores do documentário “Faísca – De Mundo Afora” define o roteiro do filme. A película traça o perfil biográfico do embolador José Ricardo Borges da Silva Brito, de 25 anos, conhecido popularmente como Faísca. Famoso entre os usuários de transportes coletivos de João Pessoa, o “cantador”, como gosta de ser chamado, começou a levar sua arte às ruas quando ainda tinha 10 anos de idade. No começo de sua carreira, Faísca era acompanhado pelo irmão, Reginaldo de Brito Filho, com quem formava a dupla de embolada Faísca e Fumaça. A parceria, no entanto, não se estendeu por muito tempo. Após oito anos cantando juntos, a dupla Faísca e Fumaça chegou ao fim. Em 2011, Fumaça foi atropelado e, como sequela do acidente, perdeu o domínio das cordas vocais, o que o forçou a uma aposentadoria precoce. Filho de repentista, Faísca comenta a falta que sente do irmão ao seu lado enquanto trabalha e revela que continua cantando nos ônibus como forma de homenagear seu primeiro companheiro. “Não é fácil continuar sem ele, mas preciso

Foto: Ilustração/Shiko

Foto: Orlando Junior

biografia

Amanda Gabriel

Imaginário infantil é tema de filme

esportes

JOÃO PESSOA - PARAÍBA 1o A 7 DE ABRIL DE 2013 Jornal do Laboratório do Curso de Jornalismo da UFPB

Um dos principais benefícios que o esporte oferece e que reflete em toda a comunidade é a inclusão social. Qualquer indivíduo pode exercer a prática esportiva, ainda que possua alguma deficiência física ou mental. É esse o propósito do projeto de extensão elaborado pela professora do curso de educação física da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Elaine Capellazo. Em funcionamento desde maio de 2010, a primeira modalidade a ser aplicada foi natação, que é até hoje o esporte com mais alunos no projeto e que insere tanto crianças, como adultos. De 2012 até este ano, foram inclusas as modalidades de voleibol sentado, basquete, parabadminton e rúgbi. Mas somente no ano passado o projeto recebeu recursos do Ministério do Esporte, o que possibilitou a remuneração para alunos estagiários, a ampliação das atividades e a compra de cadeiras de rodas específicas para cada esporte. No total são 45 cadeiras, dentre elas, 28 são para o basquete, feitas sobre medida, que evitam lesões e garantem um desempenho melhor. Os treinos de basquete em cadeira de rodas contam com a participação de atletas da Associação de Atletas Paradesportivos, numa parceria informal que dá a oportunidade de espaço para treino desses esportistas e para o desenvolvimento da modalidade. “Estão vindo os atletas que fazem parte da equipe paraibana, mas aqui é o momento pra esse pessoal mais experiente inserir os novos”, ressalta a professora Elaine. O objetivo dessa parceria é adaptar todos os interessados em praticar o basquete, sejam do sexo masculino ou feminino. A distinção de gênero, inclusive,

Fotos: Elaine Capellazzo

Voleibol sentado começou em 2011 e já monta equipe para disputar torneios nacionais é um fator que não interfere em nenhuma das atividades físicas oferecidas pelo projeto. Mesmo com a intenção de formar uma equipe masculina, o vôlei sentado abrange ambos os sexos, assim como a bocha e a natação. “Queremos formar um time masculino, mas queremos mulheres também. Dentro do movimento paralímpico elas são minoria. Queremos treinar pra inserir, e não por treinar”, diz Elaine. Mudança José Valério Costa, de 50 anos, sofreu três acidentes de moto e, por isso, teve que ter uma perna amputada e o braço esquerdo recebeu uma placa e cinco pinos. Ele começou a fazer fisioterapia na UFPB, em outro projeto de extensão de Educação Física e, certo dia, encontrou a professora Elaine, que o convidou para ter aulas de natação na Universidade. A princípio, ele achou a ideia impraticável, pois além de nunca ter praticado o esporte, só tinha uma perna, era hipertenso e diabético. A professora o encorajou, marcou com

ele no horário da aula e desde então Valério frequenta as aulas duas vezes por semana. Hoje ele nota os efeitos positivos que a atividade esportiva tem trazido à sua saúde. “Minha pressão era sempre alta, eu tomava medicação e nada dela baixar. Comecei a nadar e ela baixou. Se eu parar a natação, ela sobe. E ainda perdi 9 kg”, conta. Quanto ao vôlei adaptado, modalidade que teve início na UFPB neste ano, ele comenta que ainda está se acostumando, pois nunca praticou antes. “Pra mim é novo, e é um novo que eu estou gostando”, completa. Camille Vieira usa cadeira de rodas desde que perdeu a coordenação motora e o equilíbrio, há oito anos. Ela começou a praticar natação em agosto do ano passado e bocha neste ano, e já percebe os benefícios. “O treino é maravilhoso, porque o projeto faz eu me sentir normal. Estou saindo de casa para uma atividade física, antes eu saía para a fisioterapia. O que eu preciso é de movimentação e alongamento, e praticando esportes eu não preciso mais ir à fisioterapia”, diz.

Particularidades Na prática do vôlei sentado e do basquete de cadeira de rodas, podem participar pessoas que têm amputamento de membro inferior, má formação de membro superior ou inferior, e que tiveram poliomielite. Até mesmo pessoas com mínima deficiência já podem participar, como ex-atletas que jogavam vôlei profissional e pararam de jogar por causa de lesão. Pessoas com grande comprometimento físico, com distrofia muscular ou deficiências que causem comprometimento motor, podem jogar a bocha paraolímpica, jogo simples de estratégia que utiliza bolas coloridas e é feito para quem tem paralisia cerebral. Já o rúgbi em cadeira de rodas, esporte também jogado com as mãos, é mais praticado por pessoas que tiveram lesão medular em nível de tetraplegia. Cadeirantes, anões e pessoas que usam próteses ou muletas, podem praticar o parabadminton, jogado com raquete em que vence quem repassar a peteca e a fizer cair do outro lado da quadra. PARA PARTICIPAR DOS TREINOS

Basquete – segundas, das 18h às 20h Natação – terças e quintas, das 17h às 18h Vôlei – terças e quintas, das 18h às 20h Bocha – terças e quintas, das 18h às 20h Parabadminton – quartas, das 18h às 20h Rúgbi – horário indefinido Contatos: Prof.ª Elaine: (83) 8772-3251 http://www.facebook.com/adaptada.ufpb

ginásios

Atraso nas obras prejudica aulas Dalana Lima Diferentemente do complexo de atletismo, o ginásio de ginástica e o ginásio didático comprometem as atividades do cotidiano. O ginásio de ginástica encontra-se inativo por causa da sua reforma inacabada e o didático apresenta uma situação estrutural de precariedade. Os problemas das duas localidades são visíveis há muito tempo, causando transtornos tanto aos docentes, que são obrigados a dividir espaço com outros professores, como também aos próprios alunos, prejudicados pela má estrutura dos ginásios. As atividades de ginástica artística, ginástica rítmica, aulas de projetos de extensão e algumas disciplinas do curso de Educação Física, antes realizadas no ginásio de ginástica, precisaram ser transferidas para outra instalação. O ginásio que recebeu essas atividades está superlotado, é reduzido em relação ao do que está em reforma e não possui equipamentos necessários para as aulas. Parada desde junho de 2012, a obra de restauração do ginásio de ginástica

Foto: Carlos Antonio

Ginásio didático, conhecido como GD, apresenta estrutura precária e precisa de reforma recebeu novos recursos da reitoria de R$ 100 mil para seu término, mas parte desses recursos voltou para a União porque tal obra não recebeu continuidade. O atual professor e chefe do departamento de Educação Física, Cláudio Meireles, disse que as justificativas dadas pela gestão anterior para a paralização da reforma é que as três empresas contratadas para concluir a obra faliram e não foi feita uma nova lici-

tação. A nova construtora responsável elaborou outro projeto e constatou que, para concluir a obra, serão necessários mais R$ 160 mil. No ginásio didático, a reforma ainda não foi iniciada. Já foram liberados R$ 130 mil desde o mês de fevereiro e a empresa que fará a obra foi licitada, contudo, houve um problema no projeto, pois ele não atendia às obrigatoriedades de acessibilidade O aluno de

educação física Thiago Melo conta que “uma parte do teto, que é de alumínio, caiu e ficou o buraco, e o piso está muito ruim para as aulas de futsal”. A previsão, segundo o professor Cláudio, é que o ginásio didático seja interditado até a primeira semana de abril para que as obras comecem. Até lá, as aulas que ainda podem ser ministradas no local continuarão sendo realizadas, mesmo em circunstâncias desfavoráveis. Apesar da superlotação e da debilidade física dos ginásios, o departamento do curso de Educação Física tem tentado lidar da melhor forma com os transtornos, que são diários. “O jeito que damos é apelando para o bom-senso, os professores que ministram suas aulas utilizando música, por exemplo, precisam compreender a situação na qual nos encontramos e que não está sendo confortável pra ninguém, então precisamos nos adequar, nós professores e os alunos também, e entrar em um consenso de modo que ninguém seja ainda mais prejudicado, sabendo-se que essa situação será resolvida”, conclui Cláudio Meireles.

Atletas utilizam nova pista em treinos

Complexo desportivo possui novas regras Carlos Antonio Concluída em setembro de 2012, a reforma do complexo desportivo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que custou R$ 6 milhões aos cofres públicos, foi um investimento que transformou a realidade de atletas estudantes da UFPB. Hoje existe um espaço restaurado para as provas de atletismo (saltos e lançamentos) e uma excelente pista de corrida com piso sintético de oito raias. Até agora, apenas a área de atletismo foi entregue. No projeto dessas reformas estão as piscinas, quadras poliesportivas e o campo de futebol. À medida que as obras são entregues, o departamento institui normas para manter o espaço conservado, já que antes da melhora não existiam medidas de preservação. Perguntado sobre o que mudou depois da reforma, Cláudio Meireles, professor e chefe do departamento de educação física, explicou que todos podem usar o complexo, contanto que estejam alocadas dentro de algum projeto do setor de educação física. As regras estão sendo pensadas e ajustadas de acordo com as necessidades do departamento e estão previstas para ficarem prontas em definitivo no próximo mês de abril. O aluno do segundo período de educação física, Soloniel Costa, contou que tem pouco contato com a pista de atletismo e que o uso ainda é exclusivo para horários de aula, mas não vê problemas em seguir as regras impostas pelo departamento. “Não vejo a hora de que tudo esteja concluído”, comentou. O ex-aluno de educação física da UFPB Alberto Sarly, hoje preparador físico e personal trainer, diz que o espaço reformado é um bem comum e dentro dele atletas ligados à universidade estarão desempenhando suas atividades, permitindo-os preparação em um espaço apropriado. “É preciso encarar esse tipo de espaço como um local capaz de agregar valores a sociedade, e não somente um lugar para a prática de esportes”, explica Alberto.


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literatura

JOÃO PESSOA - PARAÍBA 1o A 7 DE ABRIL DE 2013 Jornal do Laboratório do Curso de Jornalismo da UFPB

Pequeno ensaio sobre o Homem Forte Érica Rodrigues

O Sertão é sempre protagonista de qualquer enredo que o envolva. Em sua secura e crueza, aparecerá quem queira classificá-lo como anti-herói ou vilão, no entanto, quem tem essa pretensão jamais sentiu no coração o que é ser sertanejo. É o homem do sertão quem sofre diariamente com a falta de água, o solo infértil, o atraso e a pobreza desse lugar esquecido pelo país e pela chuva. E, mesmo sofrendo, não é capaz de deixar de amar a sua terra, severa e inflexível como ela é. Ele traz no semblante a herança do seu lugar, que é parte indissociável de si mesmo. As rugas que carrega na pele, ressecada pelo sol forte, e o solo pedregoso do qual tenta incansavelmente arrancar o seu sustento são as únicas fiéis testemunhas da sua luta diária para sobreviver. Ainda assim, não se sente capaz de se revoltar contra o seu chão. É o Sertão quem ensina a cada um o sentido de ser homem e viver. É com ele que o Homem, no mais honroso sentido da palavra, aprende a ser forte e a encarar as dificuldades e a feiura da vida. Por vezes, como agora, a provação aumenta e o sertanejo tem que mostrar que pode lutar contra a natureza e vencer. Quando a seca vem, impiedosa como ela só, não perdoa ninguém... E o homem, já treinado, precisa tomar providências para enfrentar a calamidade. Tristes são as providências. É preciso deixar os rebanhos morrerem de fome e sede, pois não há comida, água, nem dinheiro para lhes suprir as necessidades. E nessa luta, talvez inútil em sua gênese, ele vê morrer ou ser vendido a preços baixíssimos tudo o que construiu a custa de muito sol e suor. Mas ele é valente e não se deixa abater. “Um forte”, como na literatura. Derrama algumas lágrimas que não é capaz de conter, pois a tristeza de tudo o que lhe cerca já não cabe mais no coração maltratado por tantas perdas. Ver sertanejo chorando é cena para nunca mais se esquecer. Há em sua figura qualquer coisa de quem pode enfrentar tudo, de quem nunca deve chorar. A negação dessa máxima de alguma forma dilacera a ordem das coisas. Mas, como a chuva, as lágrimas servem para lavar as lembranças ruins, trazem de volta a força para enfrentar o que for preciso. Como aliados, ele tem apenas sua fé e a es-

Érica Rodrigues

perança, que se completam, confundem-se em seu papel, ou tornam-se uma só. A esperança de alguma maneira está ligada à vida em sua completude. Ela se renova quando, em meio a uma seca forte, um simples sereno traz de volta o verde, numa rapidez que surpreenderia a quem não conhece a força e poder de renovação da Caatinga. E a fé já é parte de sua pessoa, sem ela não sobra nada e tudo perde o seu sentido. Não é preciso muito para se perceber a grandeza de espírito desse povo pobre de água e visibilidade. Basta andar pelos sítios, sob a poeira vermelha que cobre a estrada, e vez por outra dar com uma porta aberta e um cristão sentado na calçada, com um sorriso no rosto. Apesar de tudo, é sorridente o sertanejo. É bravo e feliz em sua rudeza. Enfrenta a natureza, uma inimiga forte e destinada. Enfrenta a morte, que bate todos os dias à sua porta. Enfrenta Deus e lhe faz pedidos humildes e simples: “- Que chova, Senhor! Que eu tenha o que dar de comer aos meus filhos... Que meu rebanho sobreviva à essa seca”. E quando, por fim, a chuva vem, to sertanejo esquece tudo o que passou, olha pro céu e agradece a Deus pelo milagre de estar vivo e ser forte.

Poema de Minha Terra Oh! Como o sertão é lindo Numa noite enluarada Quando o violeiro canta Assentado na calçada Na voz do bardo matuto Há tanta brasilidade, Que eu penso que’alma da terra Encarnou-se na Saudade, Para cantar na garganta Desse caboclo viril, Cuja face embraseada Parece que foi pintada Com tinta de Pau-Brasil!

Rogaciano Leite

Humor


Questão de Ordem - 2012.2 (1ª edição)  
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