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EDIÇÃO Nº1 | DISTRIBUIÇÃO GRATUITA | DIRETORES: ANABELA MENDES, ANDREIA BORGES, MARIANA CARVALHO, PEDRO MORAIS, SÍLVIA SILVA

primeiroplano.pt.to

> “O ÚNICO LUGAR ONDE O SUCESSO VEM ANTES DO TRABALHO É NO DICIONÁRIO” ALBERT EINSTEIN (1879-1955)

TWITTER ENTROU NA BOLSA COM AÇÕES A 26 DÓLARES E AO FIM DO DIA JÁ VALIAM O DOBRO // PÁG. 27

PITCH BOOTCAMP AJUDA A ENTRAR NO MERCADO DE TRABALHO PORTUGAL EXIBE A QUARTA TAXA DE EMPREGO MAIS ELEVADA DA UE MAS SÃO CADA VEZ MAIS OS PROGRAMAS QUE PRETENDEM INVERTER ESTA TENDÊNCIA DE DESEMPREGO JOVEM // PÁGINA 10

HÉLTON

“AQUELE QUE ESTÁ SATISFEITO COM A VIDA QUE TEM NÃO É UMA PESSOA TOTALMENTE FELIZ” // PÁGINA 28

PRIMEIRO-MINISTRO ACREDITA QUE PORTUGAL NÃO PRECISA DE UM NOVO RESGATE // PÁG. 4

CÂMARA DO PORTO QUER COBRAR 40€ PELO LICENCIAMENTO DE GRAFFITIS // PÁG. 18

PORTUGAL VOLTA A DESCOBRIR O CAMINHO PARA O BRASIL // PÁG. 32

EXISTEM CERCA DE 4500 MIL NOVOS CASOS DE CANCRO POR ANO EM PORTUGAL // PÁG. 14

PEIXE FALA SOBRE O NOVO ÁLBUM E SOBRE O PASSADO E PRESENTE DOS ORNATOS VIOLETA // PÁG. 20

20|25 É UMA DAS MARCAS DE ROUPA NACIONAL MAIS PROMISSORAS // PÁG. 23


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// Primeiro Plano

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18 de Outubro de 2013

Ps no On-Line

Destaque

Numa era em que a internet é cada vez mais um meio para atingir um fim, o PS realizou no dia 1 de dezembro o pré – lançamento do site “Novo Rumo”. Anabela Mendes

Segundo fonte socialista neste espaço podemos encontrar o depoimento de uma jovem licenciada em Biologia que anseia por um futuro profissional em Portugal, não querendo de alguma forma abandonar o país, seguindo-se nos próximos dias outros depoimento, desta vez de uma reformada que vem sofrendo cortes nas suas pensões, de um comerciante afetado pela carga fiscal, de um desempregado e de um trabalhador que vive do salário mínimo – temas que vão de encontro aquilo que o partido socialista tem vindo a defender e por consequência, críticas que tem feito à política praticada pelo PSD. De acordo com fonte oficial do PS, no sábado, o site abre um espaço para inscrições no movimento “Novo Rumo para Portugal”, cuja convenção se realizará a 17 de maio, data que vai coincidir com as eleições europeias e a numa altura em que o PS apresentará as principais linhas de orientação.

Estratégicas de um governo socialista O PS vai ainda promover entre 05

Faltam 19 dias para o lançamento do site “Novo Rumo” oelo PS | Foto: DR

de janeiro e 17 de maio, quatro grandes conferências, cuja principal será sobre o desemprego em Portugal. As restantes, serão dedicadas aos temas sobre as economias verdes, as energias renováveis e a inovação, a um novo compromisso sobre o Estado social e a uma nova Europa. Segundo a mesma fonte socialista, o movimento “Novo Rumo para Portugal” tem já como coordenadores o ex-reitor da Universidade de Lisboa Sampaio da Nóvoa, a ex-ministra Maria João Rodrigues, o embaixador e ex-secretário de Estado Seixas da Costa e a exdiretora do Porto de Sines Lídia Cerqueira - equipa que trabalha em direta articulação com António José Seguro e na qual tem também um papel de primeira linha o coordenador do Laboratório de Ideias e Propostas para Portugal (LIPP), Carlos Zorrinho. Para a direção do PS, o ‘Novo Rumo’ deverá assumir-se como um “movimento dinâmico” e não apenas um conjunto de momentos, esperando-se neste contexto a adesão de muitos cidadãos independentes que nunca tiveram até agora qualquer intervenção

política e, por outro lado, que o próprio espaço do “site” na Internet permita a realização não centralmente organizada de muitos encontros temáticos. O “Novo Rumo” cujo lema é “Eu quero”, tem como objetivo tornar-se num movimento dinâmico, onde muitos cidadãos poderão intervir de alguma forma nas questões políticas e que até então nunca tiveram essa oportunidade, e também um espaço aberto de vários encontros temáticos. O partido socialista acredita que neste espaço e em jeito de brainstorming saiam muitas das possíveis propostas do próximo programa eleitoral e até quem sabe daqui não possam surgir futuros protagonistas e representantes do partido. “Queremos que o ‘Novo Rumo’ seja o espaço de excelência para a participação dos cidadãos em geral. Será o eixo fundamental da estratégia política do PS em 2014”, disse fonte oficial socialista. Disponível através do endereço www.novorumoparaportugal.pt o “Novo Rumo” será oficialmente lançado no dia 05 de Janeiro.

// No interior Hélton: “A gente trabalha sempre para conseguir algo mais, aquele que está satisfeito com a vida que tem, eu acho que não é uma pessoa totalmente feliz” página 28

Primeiro-ministro acredita que Portugal não precisa de um novo programa cautelar

página 4

Taxa de desemprego desce há nove meses consecutivos

página 9

Portugal com menor poder de compra e maior diferença salarial entre sexos

página 7

Pitch Bootcamp ajuda a entrar no mercado de trabalho

página 10


18 de Outubro de 2013

// Primeiro Plano

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Rui Rio: “o regime democrático está ameaçado”

Rui Rio esteve presente num debate integrado nos 40 anos da revolução de 25 de Abril | Foto: Público

Rui Rio alertou esta quarta-feira para as “debilidades do regime” político em Portugal e proclamou a introdução de “reformas que lhe dêem vitalidade” num debate sobre o 25 de Abril em Lisboa.

Sílvia Silva O antigo Presidente da Câmara do Porto criticou os vários partidos e a desigualdade na justiça, e defende que o sistema político deve sofrer uma enorme modificação. O ex-presidente da Câmara do Porto ainda frisou depois que é preciso “dar um abanão” no sistema, salientando que é necessário “encontrar um conjunto de medidas” que permitam “iniciar uma

nova etapa, abrindo novos horizontes”. Afirmando que “temos de ser capazes de prestigiar a actividade política”, Rio disse que a “crise que vivemos não é económica, mas política”, e que a “dívida pública foi crescendo por incapacidade do poder político em nome da popularidade”. O antigo Presidente da Câmara do Porto foi desafiado a actuar “já” e

a juntar-se a todos os que pretendem recuperar para a sociedade portuguesa os “valores de Abril”. O desafiado foi deixado ainda antes de Rio usar da palavra pelo exassessor do PS, António Colaço, o organizador o almoço.

Depois de pagar as contas mensais, cerca de 40% dos portugueses fica sem dinheiro Depois do pagamento de todas as obrigações mensais, 39% dos portugueses fica sem dinheiro para o resto do mês. O consumer Payment Report, realizado pela Intrum Justitia em 21 países europeus, refere ainda que 38% das pessoas têm “grande dificuldade” em conseguir saldar todas as dívidas. 29% dos 506 inquiridos afirmam não ter dinheiro suficiente para uma vida digna. Andreia Borges Apesar das dificuldades económicas, a maior parte dos portugueses consegue pagar as contas dentro do prazo e 83% sabe exatamente as contas que tem de liquidar em cada mês. Os inquiridos pagam em primeiro lugar a

renda da casa, os impostos, empréstimos e seguros ou cartões de Crédito. Para segundo plano, ficam as multas de trânsito, facturas de telemóveis, Internet e despesas com educação. Em períodos de crise económica, 91% dos inquiridos afirma cortar nas refeições fora de casa, 89%

nos gastos com vestuário e 47% em comida. Mais de metade dos inquiridos consegue guardar algum diheiro para despesas inesperadas e 30% poupam uma quantia fixa todos os meses. A maior parte dos portugueses não pede dinheiro emprestado para pagar as despesas

mas, quando precisam, recorrem ao banco e ao cartão de crédito ou a familiares. Porém, um terço pondera emigrar devido à situação financeira que se vive em Portugal.


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18 de Outubro de 2013

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Primeiro-ministro acredita que Portugal não precisa de um novo programa cautelar

Política

Pedro Passos Coelho disse ontem, em entrevista à TVI e à TSF, que acredita que Portugal não precisa de um novo resgate económico mas que o PS pode ficar fora das negociações caso este resgate avance.

Mariana Carvalho

Em entrevista à TVI e à TSF, Pedro Passos Coelho afirmou a crença que o país não precisa de um novo programa cautelar. O primeiro-ministro conta que as negociações sobre este novo programa comecem nos próximos meses. Com uma postura optimista garantiu que está convencido de que os resultados criados pelo governo dispensam um segundo programa de resgate. Esta ideia foi repetida ao longo da entrevista em que o primeiro-ministro reclamou a sua ajuda nesta situação. “Estou em condições de dizer aos portugueses que ao longo dos últimos dois anos e meio conseguimos um resultado que dispensa um segundo programa”, disse Passos Coelho. Em relação ao trabalho feito até agora pelo governo o social-democrata

acredita que as medidas tornaram a economia portuguesa “mais aberta, exportadora e capaz de conquistar quotas de mercado no exterior”. Pedro Passos Coelho admitiu também a possibilidade do Partido Socialista, o principal partido da oposição, ficar fora das negociações com a troika. O argumento apresentado foi que este acordo teria uma vigência limitada no tempo. Para o primeiro-ministro “um programa cautelar, se vier a ser adotado, tem a duração de um ano, o que cabe perfeitamente naquilo que é o mandato deste governo e da maioria que o suporta, que vigorará até às próximas eleições legislativas, que ocorrerão, dentro das circunstâncias normais, que eu espero que se verifiquem, em Setembro de 2015. Ora, não há nenhuma razão, nessa medida, para que um programa que

cabe dentro da execução do mandato do Governo tenha de ter como exigência o apoio do principal partido da oposição”.O PS tem vindo a defender – sobretudo depois da Irlanda ter tornado conhecida a saída do programa de assistência financeira sem qualquer ajuda suplementar – que, se o governo português tiver de negocar um programa cautelar, não tem condições políticas para o fazer em nome do país. A intenção do partido da oposição é a demissão do atual governo. No entanto, Passos Coelho disse ontem na entrevista à TVI e à TSF que esta decisão não tem de passar pelo Partido Socialista, mas que “é importante que possa existir sobre o futuro, sobre o médio e o longo prazo, um entendimento o mais alargado possível entre as principais forças políticas que têm

Pedro Passos Coelho defende que Portugal não precisa de um novo resgate.Foto: DR

vocação de Governo” e acrescenta que nunca vai deixar de procurar o envolvimento do PS “de moda a garantir que qualquer programa que vier a ser realizado, se vier a ser realizado, resulte de um entendimento tão alargado quanto possível”. Sobre as próximas eleições, o primeiro-ministro não deixou de lado a possibilidade do PSD e CDS concorrerem às eleições legislativas com listas conjuntas. O assunto ainda não foi discutido, mas Pedro Passos Coelho aponta essa possibilidade como “natural”.


18 de Outubro de 2013

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Seguro sobre Passos: “Prestou PSD e CDS preocupados com fecho um mau serviço ao país” de repartições de Finanças

António José Seguro fez questão de comentar as declarações do primeiro-ministro e esclarecer que estas vão ser guardadas para “memória futura” |Foto: DR

150 repartições das Finanças estão em risco de fechar | Foto: Público

O líder do PS reagiu às declarações de Pedro Passos Coelho e acusa o primeiro-ministro de agir por “interesses partidários” e de prestar “um mau serviço ao país” ao prescindir do acordo com o principal partido da oposição caso o país avance para um programa cautelar.

Vários deputados da maioria estão a questionar o Governo sobre o possível fecho de 150 repartições das Finanças, muitas das quais localizadas no interior do país.

Mariana Carvalho

Andreia Borges

António José Seguro, líder do Partido Socialista, respondeu ontem às declarações feitas pelo primeiro-ministro na entrevista à TVI e à TSF na passada quinta-feira. O líder socialista acusou Passos Coelho de prestar “um mau serviço” ao abdicar do acordo com o PS no caso de Portugal necessitar de um novo programa cautelar. Seguro diz que as declarações do primeiro-ministro vão ficar guardadas para “memória futura”. O socialista diz mesmo que “o primeiro-ministro não estava a pensar no interesse nacional. Agiu a pensar nos seus interesses partidários e nas próximas eleições. Acho que prestou um mau serviço ao país”. O Partido Socialista tem vindo a defender que, se Portugal avançar para um novo programa cautelar após o fim do programa de assistência financeira, o governo não vai ter condições políticas para o negociar. Este argumento é rejeitado por Passos Coelho que deixou claro que considera que o

governo tem toda a legitimidade para a negociação. As reações às declarações do primeiro-ministro não se ficaram só pela do líder do PS. Nuno Melo, eurodeputado e vice-presidente do CDS classificou como “prudente” a afirmação de Passos Coelho sobre a possibilidade da coligação PSD e CDS se manter nas próximas eleições. “Tendo em conta a distância a que hoje estamos das eleições legislativas – tendo pelo caminho eleições europeias em Maio de 2014 – a de claração do primeiro-ministro é prudente e não antecipa em concreto cenários que, neste tempo, não faria sentido decidir”, sublinhou Nuno Melo. Na entrevista dada na passada quinta-feira, o primeiro-ministro defendeu que não há nenhuma razão, nessa medida, para que um programa que cabe dentro da execução do mandato do Governo tenha de ter como exigência o apoio do principal partido da oposição”.

Os deputados argumentam que em muitas localidades abrangidas a população é, maioritariamente idosa e tem de se deslocar vários quilómetros para tratar de assuntos nas finanças. Artur Rego, eleito por Faro, questiona sobre a situação no conselho de Montachique e Aljezur, tal como sobre quantos postos de trabalho se podem perder com este encerramento. “É uma grande preocupação. São concelhos mais periféricos, com população envelhecida e com pouca acessibilidade e comunicações em termos de transportes públicos”, afirma o deputado. Artur Rego refere ainda as consequências de um encerramento desta dimensão: “Isto obriga a que as popula-

ções tenham de se deslocar 20, 30 quilómetros ou mais, gastar dinheiro e perder um dia inteiro para tratar de um simples prob lema”. Além disso, “são pessoas que não têm conhecimentos informáticos para tratar dos problemas através da Internet”. Vários deputados dos partidos da oposição e autarcas de todas as forças políticas têm vindo a mostrar a sua oposição à medida. O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, tem repetido que nada está decidido sobre o assunto. Apesar disso, os deputados querem saber quais os concelhos afetados, quais os critérios que suportam a reestruturação e como é que funcionará a solução alternativa de um posto de “apoio ao contribuinte”, já que ainda não obtiveram qualquer explicação.


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E Economia

Mariana Carvalho

O relatório da Visa sobre a economia paralela deu conta que o trabalho não declarado deve representar 20,8 mil milhões de euros em 2013. Os restantes 10,4 mil milhões que não são declarado tem origem em seis setores: reparação de carros e motas, retalho out-of-store, refeitórios e serviços de catering, táxis, autocarros e transporte comercial, retalho não especializado e alojamento económico. O trabalho não declarado e estes seis setores são responsáveis por 19% do produto interno bruto (PIB). Estes 19% representam 31,1 mil milhões de euros, o peso da economia paralela no PIB português. Este valor está na média do que é comum na Europa, onde a economia paralela tem um peso de 18,5%. No mesmo relatório, a Visa defende que o combate à evasão fiscal e à segurança social devia começar pela vigia das vendas subdeclaradas, que beneficiam quem recebe, e também do trabalho informal, que tem vantagens tanto para quem paga, que tem menos custos, como para quem recebe, que tem um

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18 de Outubro de 2013

Fuga ao fisco: 20,8 mil milhões de euros de trabalho não declarado A fuga ao fisco continua a ser uma das preocupações dos governos, não só em Portugal, mas também na Europa. O relatório da Visa deu conta de uma redução da economia paralela em Portugal para 19%, o que está de acordo com a média europeia de 18,5%. maior rendimento líquido. Apesar do trabalho não declarado se traduzir numa perda de rendimentos para a segurança social e para o fisco, o dinheiro que é ganho na economia paralela volta, regra geral, a ser investido em consumo e tem um efeito positivo sobre a economia real e em sede de IVA. Esta é uma das formas mais eficazes de combate às crises económicas. Em Portugal, o trabalho não declarado faz-se sobretudo no trabalho doméstico, na agricultura, nas limpezas e outras profissões como eletricistas e canalizadores. Existem também milhares de empresas que continuam a pagar aos colaboradores em dinheiro, o que dificulta a fiscalização. Sérgio Botelho, diretor-geral da Visa Portugal, disse em declarações ao jornal i que “no próprio Estado, ainda há muitas repartições que só aceitam pagamentos em dinheiro por causa dos encargos com cartões, como as que emitem passaportes”. Economia paralela a diminuir. Os dados do estudo da Visa apontam para uma redução do peso da economia paralela em Portugal no ano de 2013. São apontadas três causas para esta redução: arrefecimento da economia,

maior eficácia no combate à fraude fiscal e aumento da consciencialização dos portugueses em relação ao impacto que a fuga ao fisco tem nos impostos que pagam. Entre 2008 e 2013 o peso da informalidade no PIB contraiu 1,9%, passou de 19,5% em 2009 para 19% este ano, a que corresponde 31,1 mil milhões de euros, segundo os dados avançados pela empresa emissora de cartões. Esta diminuição é explicada pelo estagnamento das indústrias que tinham maior histórico de economia paralela, como a construção, e também pela aplicação mais rigorosa da lei. Uma das formas mais eficaz de combate à economia paralela é o uso de pagamentos eletrónicos. Os portugueses utilizam cartões em 44% das transações, mas 53% dos bens e serviços ainda são pagos com dinheiro. Portugal tem cerca de 170 transações eletrónicas per capita e 3 milhões de cartões em circulação, o que está em linha com a média da União Europeia. No entanto, este valor fica muito aquém das cerca de 400 transações eletrónicas per capita da Finlândia, onde a economia paralela representa 13% do PIB. O diretor-geral da Visa acrescenta

O valor da economia paralela tem tido cada vez menos peso no PIB | Foto: DR

que “o catalisador principal da economia paralela é o dinheiro vivo. Se conseguirmos consciencializar as pessoas de que, cada vez que estão a pagar com dinheiro, estão a alimentar a economia paralela, o que as prejudica, haverá certamente uma redução desta nos póximos anos”. Medidas tomadas por toda a Europa. Tomar medidas contra a economia paralela tem sido uma das preocupação dos países da Europa. Este ano, em Portugal, as empresas passaram a ser obrigadas a declarar o rendimento mensal pago aos funcionários, houve uma reforma na faturação que implica a emissão obrigatória em todas as atividades e foi implementada a transmissão eletrónica mensal de todas as faturas e guias de transporte e a dedução de impostos para consumidores que pedem fatura. Já no ano passado as empresas que faturam acima dos 100 mil euros foram obrigadas a terem um programa de faturação certificado e houve um alargamento do regime de transparência para rendimentos com origem em paraísos fiscais. Já os bancos foram obrigados a declarar à administração fiscal todas as transações comerciais realizadas via POS. Na Suécia muitos retalhistas deixaram de aceitar pagamentos em dinheiro e fizeram do seu iPhone um

terminal POS. Os bancos criaram restrições à circulação de dinheiro e 530 dos 780 balcões das três instituições bancárias mais importantes deixaram de processar ou pagar em dinheiro. Os comerciantes foram instruídos para reduzir a circulação de dinheiro. Como consequência, a circulação de dinheiro no país representa menos de 3% do PIB, abaixo dos 7% dos Estados Unidos, dos 10% da zona euro e 18,8% do Japão. Em Itália foram adotados pagamentos eletrónicos obrigatórios para transações acima dos mil euros e o cruzamento de rendimentos declarados com o estilo de vida, o que já levou ao encaixe de 9,1 mil milhões de euros de impostos adicionais. O encerramento de cerca de mil lojas que não emitiam recebidos traduziu-se em 8 mil milhões de euros.


18 de Outubro de 2013

Portugal com menos poder de compra e maior diferença salarial entre sexos

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O Passarinho Azul está na Bolsa

O Twitter estreou-se no dia 7 de Novembro na bolsa com um valor de 26 dólares por ação. No final do primeiro dia as mesmas ações valiam cerca de 45 O poder de compra de Portugal é o terceiro dólares.

mais baixo da zona euro e nos últimos dois anos a queda foi de 6%. Junta-se a isto a constantação de que Portugal foi também o país da União Europeia onde a diferença salarial entre homens e mulheres mais aumentou. Mariana Carvalho

As notícias são dadas pelo INE e pelo Eurostat. A riqueza per capita dos portugueses é de apenas 76% da média europeia em 2012. Nos últimos 2 anos a queda foi de 6% e deixou Portugal no terceiro lugar dos países com menor poder de compra da zona euro. Estes dados mostram o real empobrecimento do país. Estes dados dão conta que no espaço de um ano Portugal registou uma queda de 1,4% da riqueza per capita. O INE avança que o PIB per capita português em 2012 pouco ultrapassiu os 15 600 euros. À frente de Portugal só está a Grécia e a Estónia, enquanto o país mais rico da União Europeia continua a ser o Luxemburgo. O FMI já garantiu através do seu representante Lall Subir que os salários não vão continuar a baixar, mas os dados avançados mostram que os cortes feitos já foram significativos. Os salários cada vez mais baixos aliados ao desemprego e ao aumento da carga fiscal levaram à diminuição da riqueza da população portuguesa.

Para 2014 já estão anunciados novos cortes nos pensionistas do Estado e nos salários da função pública que se juntam à manutenção da carga fiscal e que já deixam à espera que este empobrecimento seja ainda mais acentuado no próximo ano. Mas não foram só estas as novidades dadas pela Eurostat. Portugal foi o país da União Europeia onde a diferença salarial entre homens e mulheres mais aumentou de 2006 a 2011. Esta divergência era de 8,4% em 2006 e, em 2011, aumentou até aos 12,5%, o que representa a maior subida da EU. Esta acentuação da diferença de salários entre sexos contraria a tendência comunitária: o estudo revelou que a diferença de remuneração segundo o género caiu, no total dos 27 países, 1,5%. Apesar disto, as mulheres continuavam a ter um salário que estava 16,2% abaixo do dos homens. O relatório dá também conta que Eslovénia e Polónia são os países com maior proximidade salarial ente homens e mulher, enquanto no Reino Unido, Eslováquia, Repúblcia Checa, Alemanha, Áustria e Estónia esta desigualdade ultrapassa os 20%.

Mariana Carvalho

A rede social Twitter já tinha demonstrado interesse em entrar no mundo de Wall Street. Numa mensagem publicada na página oficial do Twitter podia ler-se “Nós preenchemos um formulário confidencial junto da autoridade bolsista norte-americana (SEC), com vista à nossa entrada na Bolsa”. Este interesse surgiu depois da rede social Facebook ter entrado na bolsa. O Twitter preparou-se durante vários meses para esta entrada com uma campanha publicitária relacionada com os telemóveis e internet que tinha como objetivo esta rede social ter uma entrada melhor do que o rival Facebook, que foi marcado por problemas tecnológicos. E foi no dia 7 de Novembro que as aspirações de Jack Dorsey, patrão do Twiiter, foram realizadas e as

portas de Wall Street se abriram para o passarinho azul. A rede social começou com um valor de 26 dólares, um valor que se situa acima do último intervalo de valorização que tinha sido previsto no início dessa semana, entre os 24 e os 25 dólares. No final do primeiro dia as ações do Twitter acabaram o dia a valer 45,10, um valor 73% superior ao inicial. A forte procura dos investidores deve-se em grande parte às expectativas de crescimento da empresa nos próximos anos, embora em 7 de anos de existência o Twitter nunca ter dado lucro. Só no primeiro dia na bolsa o Twitter arrecadou na Oferta Pública Inicial (IPO) 1,82 milhões, o IPO mais elevado de uma empresa de tecnologia. Isto fez com que o seu valor bolsista aumentasse para os 18 mil milhões de dólares. O Twitter nasceu em 2006 e conta com 230 milhões de seguidores.

Eletricidade vai subir em 2014 A entidade reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) anunciou o aumento de 2,8% em Janeiro de 2014. A proposta foi apresentada a 15 de Outubro pelo regulador e foi aprovada pelo conselho tarifário, assim, numa conta média mensal de 46,5 euros irá acrescer 1.21 euros por mês (já com IVA a 23%). Anabela Mendes

A austeridade já mostrou os seus efeitos no bolso dos portugueses| Foto: DR

Este aumento destina-se apenas aos consumidores que ainda permanecem no mercado regulado - atualmente cerca de quatro milhões que são clientes da EDP Serviço Universal, já têm as tarifas transitórias temporárias uma vez que até 2016 irão acabar, altura em que todos os consumidores deverão estar no mercado liberalizado. As tarifas transitórias estão sujeitas a uma revisão trimestral. Nestas revisões o preço da eletrici-

ade pode manter, descer ouaumentar ao logo do ano. O único aumento no preço da eletricidade aconteceu em Janeiro, aumento esse que se manteve ao longo de todo o ano após revisões. Para os consumidores domésticos com menos rendimentos, a ERSE confirmou também o aumento mas apenas de 1%, que corresponde a 23 cêntimos por mês numa fatura mensal de 23,5 euros (já IVA a 23% incluído), mantemse o ano inteiro por não se tratar de uma tarifa transitória.


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// Primeiro Plano

18 de Outubro de 2013

Num ano Função Pública perde mais de 28 mil trabalhadores No final de Junho, a Função Pública empregava menos 4,7% de trabalhadores do que no mesmo mês do ano anterior. A chegada à idade da reforma e o fim dos contratos foram os principais motivos de saída dos trabalhadores. Mariana Carvalho

No fim do mês de Junho o conjunto das administrações públicas empregavam um total de 574.946 trabalhadores, menos 28 mil do que em Junho de 2012. Esta diminuição representou uma queda de 4,7% dos funcionários na Função Pública. Estas informações constam no Boletim Estatístico do Emprego Público no passado dia 30 de Novembro. Para além da comparação com o ano anterior, estes dados também dão conta de um decréscimo de 6% em comparação com o ano de 2011 e de 1,6% em relação ao final do ano de 2012. As principais razões para a saída de um número tão elevado de funcionários públicos foram a aposentação (58,5%) e o fim dos contratos a termo (38%). No memorando assinado com

a troika, o Governo comprometeu-se a reduzir o número de funcionários públicos 2% ao ano. O vice-primeiro ministro, Paulo Portas, pretende manter esse movimento de redução de trabalhadores no futuro. A estratégia do Governo para a redução do número de funcionários públicos passa por combinar vários instrumentos, mas a principal preocupação é procurar “um consenso sobre o melhor procedimento legislativo que permita, em circunstâncias objetivas, flexibilizar o vínculo do trabalhador em funções públicas com o Estado”, como é referido no guião de reforma apresentado por Paulo Portas. O Governo quer ter “menos funcionários e mais bem pagos”. No final de Junho, em cada 100 trabalhadores que fazem

parte da população ativa portuguesa, incluindo empregados e desempregados, 10,07 são funcionários públicos. O Governo quer continuara reduzir este número com reformas antecipadas, requalificação e rescisões amigáveis. Na função pública, mais de metade dos trabalhadores são mulheres (56,4%). Esta taxa de participação feminina é mais acentuada nas administrações regionais dos Açores, com 65,1% e da Madeira, com 70,5%. Em relação à idade, a média estimada é de 45 anos, o que demonstra um aumento de 0,7 anos face ao mesmo período do ano anterior. Mas, se não forem tidas em conta as Forças Armadas e de Segurança, onde existe uma maior taxa de

renovação, a idade média dos trabalhadores da administração pública é de 46,5 anos. Em relação à formação dos funcionários públicos, 47,5% dos trabalhadores das administrações públicas têm habilitações relativas ao ensino superior. A região Norte é onde existe um maior número de estabelecimentos de educação dos ensinos básico e secundário públicos e também é onde existe um maior número de docentos por escola, numa média de 151,6 por estabelecimento de ensino. Em relação à saúde, a média de pessoal de saúde por mil residentes está muito próxima da uniformidade, numa variação entre 6,4 no Alentejo e 7,6 em Lisboa.

Apesar da chegada à idade da reforma e o fim dos contratos serem as principais razões para a saída dos trabalhadores da Função Pública, as manifestações têm sido constantes | Foto: DR

A chegada à idade da reforma ou o fim dos contratos são as principais razões para a diminuição do número de trabalhadores da Função Pública. Foto: Jornal de Negócios


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O número de portugueses à porta dos Centros de Emprego tem diminuido | Foto: Público

O que eles dizem:

Taxa de desemprego desde há nove meses consecutivos Setembro foi o 9º mês consecutivo em que o desemprego em Portugal diminuiu. A taxa de desemprego baixou para os 16,3%, o valor mais baixo desde Setembro de 2012. Apesar da descida Portugal continua a ser o 5º país com a taxa de desemprego mais elevada. Mariana Carvalho

A Eurostat revelou ontem que o desemprego em Portugal continuou a descer no mês de Setembro e chegou aos 16,3%. Este é o valor mais baixo desde Setembro do ano passado, em que a taxa de desemprego estava nos 16,4%. Estes novos dados indicam que o desemprego já se encontra a diminuir há nove meses consecutivos. A descida foi de 2% em relação ao mês de Agosto e representa menos 9 mil desempregados em Portugal. O número total é agora de 864 mil. A última vez que este valor foi alcançado em Portugal foi em Agosto de 2012, há 13 meses atrás. Esta descida representa um ponto positivos para os portugueses e para a economia do país num dos problemas que, para Pedro Mota Soares, ministro do Emprego e Segurança Social, é o “maior problema da economia e o maior drama social”. Apesar desta descida, Portugal continua a ter uma das taxas de desemprego mais elevadas da Europa, ocupando o 5º lugar. À frente de Portugal está a Grécia (27,6%), Espanha (26,6%), Croácia (17,2%) e Chipre (17,1%). Portugal continua a estar acima da média da União Europeia onde a taxa de desemprego é de 11% e da zona Euro, com 12,2%. Em Dezembro de 2011 o agravamento da taxa de desemprego

para 13,6% levou Portugal a ocupar o 3º lugar como país com desemprego mais alto da Europa. Portugal ocupou essa posição durante vários meses. Este lugar é agora ocupado pelo Chipre com uma taxa de desemprego de 17,1%. O desemprego na Europa. Os dados da Eurostat revelam que a taxa de desemprego aumentou em 16 países da União Europeia. As maiores subidas registaram-se no Chipre, de 12,7% para 17,1% e na Grécia, de 25% para 27,6%. Estes dois Estados-membros ocupam o 3º e 1º lugar, respetivamente, nos países da UE com a taxa de desemprego mais elevada. Dos 28 países membros da União Europeia, 11 conseguiram baixar a taxade desemprego, Portugal é um deles. A República Checa manteve o número de desempregados. As taxas de desemprego mais baixas pertencem à Áustria com 4,9%, à Alemanha com 5,2% e ao Luxemburgo com 5,9%. A diferença entre o país com a taxa de desemprego mais elevada, a Grécia, e com a mais baixa, Áustria, é de 22,7%. O gabinete oficial de estatísticas da União Europeia avança que neste momento existem 26,872 milhões de desempregados na UE e 19,447 milhões destes pertencem à zona Euro. Em comparação com o mês de Agosto, o número de pessoas sem emprego em

“O número inaceitável de pessoas sem emprego continua a ameaçar uma recuperação robusta da economia na União Europeia” – László Andor

“É positivo que, pela primeira vez em cinco anos, o desemprego desça, não só face ao mês anterior, como ao ano anSetembro de 2013 aumentou terior” – Pedro Mota Soares, em 61 mil na União Europeia e ministro do Emprego e Seguem 60 mil nos países da moeda rança Social única. Apesar dos sinais de positivos “Estes são sinais positivos que de recuperação que a econo- dão esperança e confiança para mia europeia deu nos últimos continuar a trabalhar para criar meses, os dados avançados mais postos de trabalho, compela Eurostat relativos ao des- bater o desemprego, promover emprego mostram que a ativi- a contratação, que são as pridade económica dos Estados- meiras prioridades do Govermembros ainda não é forte o no” – Pedro Mota Soares suficiente para que se consiga “Este é um recuo muito débil, gerar novos empregos. desmentido pela realidade e Os jovens na Europa e em Por- pelas previsões do Governo” – tugal. Em Portugal, a taxa de Mariana Alverca , deputada do desemprego jovem (cidadãos Bloco de Esquerda com menos de 25 anos), manteve-se nos 36,9% em Setem- “Os dados podem não correbro deste ano. Este é o valor sponder ao retrato do que é o mais baixo desde, pelo menos, país real” – Mariana Alverca Junho. Portugal é o país com o sexto “O desemprego não está a divalor mais alto da União Euro- minuir, vai sim aumentar com peia. Grécia, Chipre, Croácia, o Orçamento do Estado e com Itália e Espanha são os países estas opções políticas” – Jorge que se encontram à frente de Machado, deputado do Partido Portugal com a taxa de desem- Comunista Português prego jovem mais elevada da “Não pode deixar passar-se em UE. Em Setembro existiam 5,584 claro que é a primeira vez desde milhões de jovens desemprega- 2008, que em termos homólodos, 3,548 milhões pertenci- gos, este indicador apresenta am à zona Euro. László Andor, melhorias” – Passos Coelho, comissário europeu para o em- primeiro-ministro prego diz que “Os dados para o desemprego jovem continua “Aposto com quem quiser que a ser alarmante”. O comissário em meados do próximo ano o da UE acrescentou que os Es- desemprego jovem vai começar tados-membros têm de adop- a baixar” – Miguel Beleza, extar medidas proactivas para ministro das Finanças promover o emprego.


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S Sociedade

Mariana Carvalho e Pedro Morais

O futuro incerto e as cada vez maiores dificuldades económicas que o país atravessa fazem com que a procura de emprego – e a falta dele, principalmente – sejam uma das maiores preocupações dos jovens e até mesmo, de muitos adultos. Por isso mesmo, quando se propõe uma formação sobre o mercado de trabalho e, em especial, como triunfar neste que é um dos maiores pesadelos dos portugueses, a procura é muita. É isto que que promete o Pitch Bootcamp. Este é um projeto levado a cabo pela Spark Agency e é uma iniciativa que tem feito sucesso. O Pitch Bootcamp divide-se em dois dias por edição, ambos os dias com intuitos distintos. Segundo Ruben Cruz, um dos membros da agência, “o primeiro dia é um dia mais teórico, de formação intensa, em que se trabalha aquilo que as pessoas fazem mesmo bem, como se devem apresentar às empresas, como é que as empresas estão a recrutar e como é que as empresas querem que se fale para elas, ou

18 de Outubro de 2013 18 de Outubro de 2013

Pitch Bootcamp: à procura do sucesso no mercado de trabalho Portugal é o 5º país com maior taxa de desemprego jovem em toda a Europa, com 36,9% dos recém-licenciados ainda à procura de emprego. O Pitch Bootcamp é um projeto que pretende combater esta elevada taxa e ajudar os jovens a entrar no competitivo mercado de trabalho. É uma iniciativa de sucesso, com edições esgotadas por todo o país.

seja, é um dia em que se trabalham os perfis dos candidatos”. Este primeiro dia serve de preparação para o segundo, um dia em que se põe a teoria em prática e onde, de acordo com Ruben, “os candidatos têm a oportunidade de contactar com mais de 40 empresas, de se apresentarem a essas mesmas empresas durante 2 minutos, obtendo feedback durante 6 minutos”. Neste dia são, também, trabalhadas as ferramentas mais práticas de procura de emprego como, por por exemplo, “otimização de CV’s, cartas de apresentação, email’s e a própria apresentação”. No fundo, o objetivo é fornecer aos participantes novos métodos de apresentação ÀS empresas e prepará-las para o mercado de trabalho. Na atualidade, a agência tem várias iniciativas de sucesso e que lhe valeram reconhecimento nacional, como por exemplo o “Corporate”, um projeto que pretende ajudar as empresas a “transformar obstáculos em oportunidades”. A criatividade e as ideias inovadoras são dois dos pontos fortes e que estão

presentes em tudo o que a agência tem sido uma grande ajuda para os faz. “We are bold creative people” é vários participantes das várias iniciaum dos lemas da Spark. Esta agên- tivas da Spark. Prova disso, são os cia foi criada por Miguel Gonçalves resultados comprovados do Pitch e Tânia Delalande, após 90 dias de Bootcamp. 1 em cada 8 pessoas Couch Surfing, em que ambos viaja- que participaram neste projeto conram por 30 países da Europa. Durante seguiram arranjar emprego, algo que este tempo, Miguel e Tânia tiveram a contribuiu para o enorme sucesso oportunidade de contactar com out- deste projeto. ras culturas Mas o presene com o que tem sem“Ouvi mais tarde um dos te era feito lá pre influências fora. Estes meus empregadores a dizer do passado. factores, em O Pitch Bootque me contratou porque camp nasceu de conjunto com livros achou que eu era muito cu- uma iniciativa, de técnica também ela, de e m p re e n d - rioso” - Ricardo Dias enorme sucesso edora, forda Spark. O “So neceram you think you can as ferraPitch?” era um mentas necessárias para concurso, ao estilo do “So you think criarem a Spark Agency. you can dance?”, em que os candidaHoje em dia, a agência conta com 8 tos realizavam uma espécie de castmembros. Miguel Gonçalves, Tânia ing, onde tinham de fazer um pitch de Delalande, Manuel Costa, Geiras, apresentação e apresentar uma proNuno Mendes, André Azevedo, Rúben posta de valor para uma empresa, em Cruz e Regina Arlete, são as 8 pes- 2 minutos, perante um júri composto soas que se consideram “Uma tribo por grandes empresários. Para a fase final passavam apenas 64 candidatos, que tinham de responder a várias questões de vários empresários e daí era selecionado um grande vencedor. Das três edições feitas resultaram mais de 200 oportunidades de negócio, entre participantes que foram contratados pelas empresas, pessoas a colaborar como freelancers e até mesmo novas empresas que foram criadas pelos participantes. A iniciativa teve muito sucesso e ultrapassou as 5000 candidaturas, mas, ainda assim, a Spark sentiu a necessidade de trabalhar as competências mais em específico, com as pessoas. Assim, nasceu o Pitch Bootcamp. A adesão tem sido imensa ao Pitch e, nas 10 edições, para já realizadas em 2013, a lotação esgotou em todas elas. Mais de 800 pessoas e 400 empresas passaram este ano nas várias edições do Pitch Bootcamp. Um dos factores que tem levado a que vários jovens se inscrevam no Pitch é que 1 em cada 8 pessoas que participam, conseguem arranjar emprego.

O Pitch Bootcamp são dois dias de formações e contacto com empresas | Foto: Mariana Carvalho e Pedro Morais


18 de Outubro de 2013 18 de Outubro de 2013 Ricardo Dias é um desses casos de sucesso. Frequentou a licenciatura em Ciências da Comunicação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e atualmente está no último ano de mestrado em Ciências da Comunicação: Comunicação, Organização e Liderança da Universidade Católica de Lisboa. Ricardo participou num Pitch Bootcamp no ínicio de 2012 no Porto, uns dos primeiros que foram feitos. A necessidade de arranjar emprego depois da licenciatura foi aquilo que o levou a participar neste evento da Spark Agency. O aluno da Universidade Católica de Lisboa não acha que a forma de fazer um Curriculum Vitae seja a coisa mais importante que aprendeu lá, já antes da sua participação no Pitch Bootcamp, Ricardo Dias tinha criado um Curriculum em forma de video. A principal lição que tirou do Pictch foi como dominar uma entrevista de emprego, “ouvi mais tarde um dos meus empregadores a dizer que me contratou porque achou que eu era muito curioso e que eu me estava sempre a questionar e que me interessava”. Atualmente Ricardo está desempregado por opção própria, mas realça que desde que aprendeu as ferramentas que lhe foram ensinadas no Picth Bootcamp “em todas as entrevistas de emprego a que fui fiquei”. Marisa Macedo foi uma das colegas que participou com o Ricardo Dias no Pitch Bootcamp. Também é licenciada em Ciências da Comunciação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, mas seguiu um ramo diferente: está no último ano de mestrado em Ciências da Comunicação com especialização em Comunicação Estratégica na Universidade Nova de Lisboa. Marisa destaca da sua participação no Pitch Bootcamp ter aprendido a vender a sua marca pessoal. Depois do Pitch Bootcamp conseguiu um emprego e ficou com o trabalho nas duas entrevistas de emprego em que participou. “Mudou muito a minha visão, mudou muito a forma como eu me apresentava às empresas e mudou muito a forma como eu acho que tenho valor”. Marisa esclarece depois que “aquilo que o Pitch Bootcamp te ensina não é aquilo que deves dizer ou não, é o que é que tem valor na tua experiência”. A aluna da Universidade Nova de Lisboa destaca também a forma como cada área de formação tem caraterísticas específicas: “quando não são áreas como a matemática, aquilo que eles [formadores do Pitch Bootcamp] nos ensinaram a fazer é quantificar tudo. Sou da área da Comunciação, o que é que eu posso quantificar? Eu em três meses fiz 100 press release, consegui 100 recortes de imprensa e consegui 3 televisões para um evento. Aqui está quantificado e isto dá valor. A mais valia que tem para as ciências sociais e humanas no Pitch Bootcamp é

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O Pitch Bootcamp ajuda os participantes a encontrar a sua diferenciação no mercado | Foto: Mariana Carvalho e Pedro Morais

nisso, ensinar-te a quantificar e tornar Bootcamp à faculdade. Há cerca de o Curriculum mais curto”. Aqui está dois anos, André participou num “So quantificado e isto dá valor. A mais you Think you can pitch?” e a partir valia que tem para as ciências soci- daí manteve sempre uma relação de ais e humanas no Pitch Bootcamp é próximidade com a Spark Agency e nisso, ensinar-te a quantificar e tornar com Miguel Gonçalves. o Curriculum mais curto”. Em Abril de 2012, surgiu a ideia de Ricardo e Marisa participaram no fazer um Pitch Bootcamp na Facmesmo Pitch Bootcamp, mas aquilo uldade de Economia. A partir daí a que cada um tirou de mais impor- Spark e a FEP First Connection trabaltante desta participação é diferente. haram para a aprovação deste evenIsto mostra um pouco o espírito da to pela faculdade. André Anjos teve Spark Agency, conseguir ajudar cada um papel fundamental como ligação pessoa individualmente no que mais entre a faculdade e a agência, pois, precisa, mas dar sempre formação de como o próprio diz, antes tiveram grupo. Estes são só dois dos muitos “várias parcerias com a faculdade e casos de sucescom a FEP First so das particiConnection, no pações no Pitch sentido de junBootcamp e, im- “Mudou muito a forma tar os alunos da porta destacar faculdade com que neste even- como eu acho que tenho as empresas, to são dadas as valor” - Marisa Macedo que no fundo é a ferramentas que missão das duas são necessárias agências”. para vingar no O sucesso da mercado de trabalho, mas cada par- colaboração da Spark e da FEP First ticipante tem de saber aplicar essas Connection já era de prever e, para ferramentas ao seu próprio caso para André Anjos e Rúben Cruz a parceria ter sucesso na vida profissional. não vai ficar por aqui. As duas orgaO último Pitch Bootcamp aconteceu nizações querem que esta formação na FEP, Faculdade de Economia da chegue ao maior número possível de Universidade do Porto, no dia 27 e 28 pessoas e, em especial, aos alunos de Setembro e aqui chegou pela mão da Faculdade de Economia. da FEP First Connection, uma asso- Nesta edição na FEP, cerca de 90 ciação que quer aproximar os alunos pessoas marcaram presença. Filipe da Faculdade de Economia ao mer- Costa tem licenciatura e mestrado cado de trabalho. Prova disso são as em Desporto e participou na iniciativa muitas palestras realizadas com ad- devido à dificuldade em arranjar emministradores de empresas para que prego. O projeto foi-lhe recomendado os estudantes pudessem entender por um amigo que participou numa mais sobre o funcionamento da mes- edição anterior e que “teve sucesso, ma e, também, as visitas de estudo acabou por estabelecer contactos realizadas a várias empresas para e, passado umas semanas, arranjou que os alunos percebessem o ambi- trabalho”. ente vivido num local de trabalho. An- Para ele valeu a pena deixar Leiria dré Anjos foi o principal responsável para passar dois dias a aprender no pela parceria entre a associação e a Porto porque “estão a dar-nos ferSpark e, desta forma, por levar o Pitch ramentas muito práticas e estão a

fazer-nos prevenir eventuais erros, porque uma das coisas que eu tenho reparado é que nós temos poucas oportunidades e não podemos errar”. Vasco Moreira frequenta agora o 3º ano de licenciatura na Faculdade de Economia e esclarece que participou porque “ainda não tive nenhum contacto com o mercado de trabalho, não sei bem quais são as exigências e como responder a essas exigências e estou aqui para isso, para ter noção de que postura devo ter numa entrevista de emprego”. Para além desta edição, o Pitch Bootcamp vai estar presente em Braga, Aveiro, Coimbra e Lisboa durante os próximos meses. As inscrições são feitas online e todas as informações podem ser encontradas na página de Facebook da Spark Agency.

As pessoas que dão vida à

Miguel Gonçalves, Idea Starter miguel@sparkagency.pt Tânia Delalande, Professional Problem Solver tania@sparkagency.pt Manuel Costa, Code Marshall manuel@sparkagency.pt Geiras, Visual Wonders Creator geiras@sparkagency.pt Nuno Mendes, Android Developer nuno@sparkagency.pt André Azevedo, Driving Sales andre@sparkagency.pt Rúben Cruz, Driving Sales ruben@sparkagency.pt


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Morreu o Homem do século XX

Não fique sem #PIU, deixe a sua mensagem Uma cadeira de mestrado deu origem ao PIU Urbano, um projecto que pretende dar a voz aos cidadãos e que está à distância de um Tweet. Este está disponível em duas vertentes: PIU Digital e PIU Analógico.

Mariana Carvalho e Pedro Morais

Nelson Mandela morreu com 95 anos vítima de infeção pulmonar | Foto: Forbes

Morreu Nelson Mandela. O preso mais conhecido do mundo morreu na passada quinta-feira (5/12) aos 95 anos vítima de infeção pulmonar. A sua morte foi anunciada pelo atual presidente da África do Sul, Jacob Zum. Anabela Mendes

Nos últimos dias Nelson Mandela é notícia por todo o mundo, quer pelas agências noticiosas, quer pelas redes socias onde todos lhe prestam homenagem. Nelson Mandela nasceu a 18 de julho de 1918, em Umtata, África do Sul. Formado em direito desde muito cedo dedicou parte da sua vida à política. “Madiba”, como era carinhosamente conhecido, marcou a história sul-africana como símbolo da luta contra o apartheid, foi um líder rebelde e, posteriormente, presidente da África do Sul de 1994 a 1999. A sua luta pela democracia, igualdade e aprendizagem foi reconhecida através de inúmeros prémios que foi arrecadando nas últimas quatro décadas como o Nobel da Paz em 1993, a Medalha Presidencial da Liberdade e a Ordem de Lenine, da Rússia Acusado de sabotagem contra o governo, em 1962, foi condenado a uma pena de prisão perpétua sendo libertado 27 anos depois, (1989). Mandela defendeu sempre a sua inocência e a única culpa que carregava era a luta pela liberdade, pelos direitos humanos, pela defesa do seu povo: “Durante a minha vida, dediquei-me a essa luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca, lutei contra a dominação negra. Acalentei o ideal de uma sociedade livre e democrática na qual as pessoas vivam juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para o qual espero viver e realizar. Mas, se for preciso, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer”. Depois de uma vida em cativeiro, em 1985, recusou a liberdade condicional que lhe fora proposta, desde que não reacendesse a luta contra contra o Governo. Depois de uma grande campanha internacional Mandela ganha o direito à liberdade em 1990. Desde logo, entrou em

negociações para abolir o regime do Apartheid com o presidente F.W. de Klerk e realizar as primeiras eleições multirraciais, em 1994, que conduziram à vitória do seu partido, o ANC. Considerado o mais poderoso símbolo da luta contra o regime segregacionista do Apartheid, sistema racista oficializado em 1948, e modelo mundial de resistência. No dizer de Ali Abdessalam Treki, Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, “um dos maiores líderes morais e políticos de nosso tempo”. Foi o primeiro presidente da África do Sul eleito democraticamente e o primeiro presidente negro. A 16 de junho de 1999 tem fim seu mandato, e Mandela fez seu sucessor em Thabo Mbeki, então com 55 anos, um experiente deputado e seu protegido. Quando deixou a presidência, Mandela declarou que iria partir para uma tranquila reforma. Em 2004, aos 85 anos, anunciou que se retiraria da vida pública para passar mais tempo com a família e os amigos. A sua última aparição pública foi em 2010, durante a cerimónia de encerramento da Copa do Mundo, na África do Sul. Já aos 92 anos, o líder sul-africano dificilmente participava de qualquer tipo de evento, devido à saúde frágil. Em 2009, foi instituído “O Dia Nelson Mandela” com o intuito de celebrar a sua vida e a chamada à ação que fez ao longo da sua existência. Mandela morreu aos 95 anos tornando-se assim o mais velho presidente eleito de África do Sul. Os últimos dias têm sido marcados por várias homenagens prestadas ao Homem que mudou o Mundo e que ironicamente o deixa mais pobre. Chefes de Estado, entre os quais o Presidente português Cavaco Silva, confirmaram até agora a sua presença nas cerimónias fúnebres de Nelson Mandela, que decorrem até domingo, data prevista para o funeral, anunciada pelo Governo sul-africano.

Seis alunos da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) são os responsáveis pela criação do PIU Urbano. O projecto ganhou vida na cadeira de Multimédia e Performing Arts, integrada no mestrado de Multimédia. “Inicialmente isto era apenas um projecto da cadeira, ou seja, ia acabar o ano lectivo e o projecto era só para ser avaliado”, conta Inês Santos, uma das criadoras do PIU. Segundo Jennifer Machado, outra das responsáveis, o PIU ganhou um novo rumo quando houve “a possibilidade de estarmos presentes no festival FuturePlaces”. No festival, a vertente digital foi apresentada ao público. Os visitantes podiam mandar mensagens pelo Twitter, através da hashtag #piuurbano. A estrutura usada no FuturePlaces era um expositor com 9m quadrados e 3 iMacs embutidos, onde apareciam os tweets enviados. O público podia tirar uma foto com o seu tweet “e aquilo funcionava como uma simulação. Quem estava lá sentado via aparecer um balão como se simbolizasse aquilo que aquela pessoa estava a pensar”, afirma Jennifer Machado. O PIU sai à rua A adesão e vontade de chegar a todos levaram à criação do PIU Analógico, pois “o Digital acabava por fechar muitas hipóteses”, explica Jennifer. Os iMac’s foram trocados por um balão de fala feito de ardósia, onde cada um podia escrever a sua mensagem através de um giz. À semelhança do que aconteceu no Future Places, quem escrevia uma mensagem podia tirar uma foto com o balão de fala e mais tarde visualizá-la no site ou no Facebook do PIU. “Em Junho foi a primeira acção de rua. Fomos uma tarde inteira para a rua, para a zona dos Aliados, para ver qual era o impacto que o projecto tinha nas pessoas e a adesão”, explica Inês, que acrescenta “há muita gente que não tem telemóvel, não tem Twitters, daí criarmos a parte analógica, para dar a possibilidade ao cidadão comum, que vai na rua a andar, de deixar a sua mensagem.” O PIU Analógico revelou-se uma surpresa. “Notamos que a adesão foi muito maior na parte do analógico”, declara Inês. A política foi o tema mais em foco, “havia pessoas que perguntavam até se podiam escrever asneiras relativamente à política. Surgiam nomes como Passos Coelho, Sócrates”, conta Inês, entre risos.

Jovens e idosos foram os que mais aderiram, e mesmo quem não sabia escrever teve o seu momento de fama: “Temos o caso da Dona Rosa, que viu uma câmara e viu alguém a escrever, e disse que queria aparecer, que se era para aparecer, ela queria participar. Nós dissemos, então, para ela escrever a sua mensagem e ela disse que não sabia escrever. Nós oferecemo-nos e escrevemos a mensagem por ela. Perguntamos o que ela queria escrever e ela queria mandar um beijinho ao filho que está fora do país.”, recorda Jennifer com um sorriso na cara. Outro dos objetivos deste projeto é transformar locais de mera passagem em locais de diálogo. “Queremos transformar não-lugares em lugares comunitários de diálogo, onde os transeuntes se detêm e interagem uns com os outros através das ferramentas que disponibilizamos” é um dos lemas deste projeto. “O apoio da UP foi total” O apoio da Universidade do Porto e do Mestrado foram essenciais para o projeto ganhar vida. “Tudo o que foi feito no FuturePlaces foi pago pela UP. O nosso mestrado cedeu-nos o fundo. Apresentamos um orçamento das despesas que íamos ter e aí o apoio da UP foi total”, confessa Inês. Para já, o projeto encontra-se estagnado e o próximo passo será uma colaboração com o Metro do Porto: “a ideia era ir para a estação da Trindade, visto que é uma das estações que tem mais afluência de gente, aplicar o PIU Digital e o PIU Analógico.”, revela Jennifer. Para além do Metro do Porto, também a Culture Print já mostrou interesse no projeto: “a CulturePrint, que faz o bairro dos livros, convidou o PIU analógico para estar presente num dos Sábados em que acontece o bairro dos livros.” Em relação ao futuro, os jovens esperam mais convites, mas as contas nas redes sociais ainda se encontram em funcionamento à espera da sua colaboração. Não fique sem PIU.

O PIU Urbano divide-se em Analógico e Digital | Foto: PIU Urbano


18 de Outubro de 2013 // Primeiro Plano 13 Remédios sem re- Banco Alimentar recolheu quase 3 Calçado da cantora ceita mais baratos toneladas de alimentos Rihanna fabricado nos hipermercados em Portugal

O Banco Alimentar Contra a Fome recolheu, este fimO calçado da linha de moda Segundo um estudo da de-semana, um total de 2767 toneladas de alimentos, assinada pela estrela pop Riassociação de defesa do segundo os dados finais da organização. hanna, é fabricado em Sanconsumidor Deco, os hipta Maria da Feira e Oliveira ermercados vendem medde Azeméis. A coleção de icamentos sem receita Inverno será lançado a 7 de médica 10% mais baratos novembro. do que as farmácias, o Andreia Borges que vem a acontecer desde 2005.

Andreia Borges

A Deco analisou os preços de 25 medicamentos de venda livre em farmácias, parafarmácias e hipermercados e concluiu que, na maior parte dos casos, compensa comprar estes remédios nos espaços de saúde dos hipermercados. As conclusões mostram que, no total dos 25 medicamentos sem receita analisados, a fatura no hipermercado ficaria por 141 euros, na farmácia seria de 156 euros (mais 15€) e na parafarmácia 150 euros, mais 9€ que nos hipermercados. As diferenças de preços podem atingir os 116%, no caso de alguns medicamentos que chegam a custar mais do dobro nas farmácias. No entanto, apesar de apresentarem preços mais elevados, os consumidores preferem as farmácias, que continuam a ter 84% das vendas dos medicamentos não sujeitos a receita médica.

O Banco Alimentar recolheu cerca de 2767 toneladas de alimentos | Foto: Público

Andreia Borges

Isabel Jonet, presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, afirma que, por regra, os alimentos que as pessoas mais doam são leite, arroz e massa. Apesar disso, ainda não são conhecidas as quantidades doadas dos diferentes alimentos. A quantidade de géneros alimentícios angariados ficou próxima do valor da campanha realizada no mesmo período do ano passado, em que se recolherem 2914 toneladas, refere Isabel Jonet. O Banco Alimentar esperava 40 mil voluntários, mas este valor foi ultrapassado o que é “motivo de grande regozijo numa altura em que a conjuntura não é tão favorável”. Para Isabel Jonet é uma “manifesta-

ção de esperança para a sociedade portuguesa”, porque “há pessoas que têm dificuldades mas querem contribuir”. Depois da fase de recolha, o próximo passo é o escoamento dos produtos perecíveis, que as instituições vão buscar aos 20 bancos alimentares de todo o país já nesta segunda-feira, para que os produtos frescos sejam escoados em “bom estado”. Para além da recolha de alimentos feita nos supermercados, corre ainda até ao dia 8 de dezembro a campanha “Ajuda Vale”, onde pode contribuir nas caixas dos supermercados ao pedir um vale com um código de barras para um determinado produto. A campanha acontece ainda no site Alimente Esta Ideia, onde são feitas doações de seis produtos alimentares específicos: leite, azeite, salsicha, atum, açúcar e óleo.

Segundo fontes do sector, os desenhos são criados pela própria artista em colaboração com a marca de confeção River Island que, por seu turno, compra à britânica Shoeboos o calçado assegurado pela sua sucursal de Arrifana, Santa Maria da Feira. Os componentes mais adequados a cada peça são escolhidos pela Shoeboos que, posteriormente, entrega a produção às fábricas que considera mais aptas para a construção do produto final, refere João Vultos, da Shoeboos. A parte física da produção cabe a duas empresas de Oliveira de Azeméis: os modelos clássicos e casuais são produzidos pela S. O. & Marques, instalada em Loureiro, e os de ‘design’ mais delicado, como os ‘stilletos’, são entregues à A.S. Indústria de Calçado, de S. Roque. Para o porta-voz da Shoeboos, a escolha de fabricantes portugueses para a produção do calçado desenhado pela cantora é um motivo de reconhecimento pelo trabalho de qualidade realizado pelas empresas nacionais. Entre as 39 peças já disponíveis em pré-venda, incluem-se dois sapatos de salto alto a preços finais entre 60 e 65 libras, o que equivale a cerca de 70 a 76 euros.

Descontos na CP para jovens até aos 25 anos Todos os jovens até aos 25 anos podem, desde o ínicio deste mês, viajar com descontos de 25% nos comboios de longo curso. Este desconto inclui Alfas e Intercidades. Mariana Carvalho

Já não são só os estudantes que podem ter descontos nas viagens de comboio. A CP informou que todos os jovens até 25 anos de idade têm direito a viajar em comboios de longo curso em qualquer dia da semana, Alfa Pendulares e Intercidades inclusive, com um desconto de 25%. Até ao início do mês de Dezembro só os estudantes com menos de 25 anos podiam ter acesso ao desconto de 10% nos Alfa Pendulares (de terça a quinta feira) e de 20% nos Intercidades (em todos os dias da semana). Esta medida pretende simplificar e

mento que é sensível ao preço. Para além disso, em 2012 houve um crescimento de 13,5% no número de estudantes universitários a viajar de alargar o leque de clientes e ser- comboio em relação ao ano anterior, viços de que podem usufruir, uma e um aumento vez que se destina a de 7,1% de estodoo tipo de comtudantes do enboio, com exeção sino secundário. dos suburbanos que A CP quer já têm desconto de aproveitar es25% nos passes. tes dados que Esta medida surdemonstram giu depois da CP potencialidade constatar que 95% para a emdos jovens e estupresa crescer. dantes viajavam em Nos últimos Todos os jovens até ass 25 anos po2ª classe nos Interdem usufruir dos descontos da CP | tempos, a CP cidades, o que para a tem criado noFoto: CP empresa demonstrou vas iniciativas que se trata de um segpara captar

mais clientes com reduções de preço. Alguns exemplos disso são o desconto de 40% para os Alfas e Intercidades se a viagem for comprada com 5 dias de antecedência, os descontos de 50% para famílias de 3 a 9 elementos nas viagens durante o fim de semana e o desconto de 50% para crianças e idosos. No entanto, Sérgio Monteiro, secretário de Estado dos Transportes, já mostrou interessse de acabar com alguns destes descontos. Com este novo desconto de 25% nas viagens de longo curso, que inclui Alfa Pendulares e Intercidades, parte dos percursos de Intercidades fica com um preço mais aproximado ou até mesmo inferior aos da Rede Nacional de Expressos.


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4500 novos casos de cancro da mama por ano

Saúde Andreia Borges

O cancro da mama é uma das doenças com maior impacto na sociedade atual, não só por ser frequente e, muitas vezes, associada a uma imagem de gravidade, mas essencialmente porque atinge e agride um órgão cheio de simbolismo, na maternidade e na feminilidade. O organismo humano é constituído por muitos milhões de células que se reproduzem num processo ordenado e controlado, responsável pela formação, crescimento e regeneração de tecidos saudáveis do corpo. No entanto, por vezes as células perdem a capacidade de limitar e comandar o seu próprio crescimento passando a dividir-se e multiplicar-se muito rapidamente e de forma aleatória. Como consequência desse processo de multiplicação e crescimento desordenado das células, ocorre um desequilíbrio na formação dos tecidos do corpo, no referido local, formando o que se conhece como tumor. O cancro da mama é um tumor maligno que se desenvolve nas células do tecido mamário que, quando diag-

O cancro da mama é o tipo de cancro mais comum entre as mulheres. Em Portugal surgem cerca de 4500 novos casos de cancro da mama por ano. 1500 mulheres morrem vítimas da doença.

nosticado precocemente, apresenta uma taxa de cura superior a 90%, refere Carlos Oliveira, presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro. Vítor Silva Pereira, médico, afirma que “5 a 10% dos casos de cancro de mama devem-se ao factor hereditariedade, as pessoas já nasceram com o gene alterado e há maior risco”, no entanto, existem outros factores de risco tais como, a idade, alterações genéticas, radioterapia na zona do peito, estilo de vida sedentário e consumo de álcool. A prevenção do cancro da mama passa essencialmente por uma implementação de hábitos de vida saudáveis, por uma vigilância a alterações que possam ocorrer nas mamas e pelo rastreio por mamografia que deverá ser efetuado a partir dos 50 anos de idade, de dois em dois anos.

Entrevista A luta contra o cancro é, muitas vezes, uma luta inglória. Cada batalha ganha é uma fonte de esperança para a batalha seguinte. Estas lutas trazem medo, medo de morrer e, por vezes,

medo de viver no sofrimento. Não saber o que esperar é o mais desesperante do processo, o desconhecido. Quem o diz é Sofia Ventura, de 32 anos, mais uma vítima da doença da actualidade, o cancro. Um testemunho inspirador de optimismo, garra, determinação e vontade de viver. Um testemunho real.

Há quanto tempo é que lhe foi diagnosticado o cancro da mama? Foi mais ou menos há sete meses.

Como é que detectou a doença, ou seja, que sinais é que a fizeram crer que algo não estava bem? Foi em casa, naquele gesto normal que os médicos nos ensinam a fazer, na palpação do peito.

Sentiu um nódulo?

Sim, ele era muito superficial, senti o nódulo mesmo por cima da mama direita, quase encostado ao mamilo.

Mas foi de um dia para o outro?

Foi de um momento para o outro. Eu nunca tinha dado conta de nada e um dia ao deitar, sem querer até, pus a

mão no peito e senti ali uma coisa estranha, um caroço que não estava lá e não devia estar há muito tempo, porque eu não costumava palpar o peito por cima, palpava sempre por baixo e na zona da axila.

O que é que se sente quando se descobre que se tem cancro?

É assim, no momento quando eu notei o nódulo, não pensei logo que fosse o pior. Depois, entretanto fui ao médico e ele mandou-me fazer os exames de rotina. Na ecografia mamária já havia ali uma suspeita qualquer de que fosse uma coisa mais grave, mas eu só quando fui mesmo à consulta do IPO e depois de ter feito lá um terceiro é que realmente fiquei mais consciente. Porque eu até á data, até àquele dia achava que não ia ser nada de grave. Quando eles me deram a notícia que era o pior, é assim, é nós sentirmos o chão a fugir debaixo dos pés. Primeiro ficamos incrédulos e não queremos acreditar, achamos “não isto não me está a acontecer a mim, isto deve haver aqui um engano qualquer”. Depois, entretanto, quando se vem para casa e se começa a pensar no que realmente é, foi um

Histórico familiar, obesidade, sedentarismo, tabagismo e consumo de álcool são alguns dos fatores de risco que podem causar cancro da mama | Infografia: Andreia Borges


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bocadinho complicado aceitar, há ali um momento de nós não nos conformar-mos e perguntar-mos “Porque é que me acontece a mim? Eu ainda sou tão nova e fui sempre saudável”. Não foi muito fácil.

dois ciclos de quimioterapia, cada ciclo é de três tratamentos, no total são seis tratamentos de quimioterapia. Depois vou fazer um ciclo de radioterapia, que são vinte e cinco tratamentos e depois cinco anos de hormonoterapia que é uma medicação que eles nos dão para fazer todos os dias em casa.

Desde o dia em que se descobre que se tem essa doença, de que forma é que a vida se altera?

É assim, altera-se em muitos aspectos. Primeiro só pelo simples facto de nós sabermos que temos uma doença com uma carga emocional tão grande é complicado. Depois de nos habituar-mos à ideia e, enquanto começamos a fazer exames e sabemos depois quais são os procedimentos que vamos ter de fazer, mediante a indicação dos médicos, é assim, eu fui aceitando as coisas mais ou menos bem. A minha vida alterouse só depois do momento em que fui operada, mas não muito, e alterou-se agora mais depois de começar a fazer quimioterapia porque traz algumas limitações físicas e o impedimento de não poder, por exemplo, trabalhar, ter de estar em casa. Fora isso temos de tentar levar a vida o mais normalmente possível, eu acho que estou a conseguir porque acabo por brincar com alguns aspectos da doença, deste processo todo.

Que fase dos tratamentos é que custa mais? A remoção da mama, a quimioterapia ou a queda de cabelo?

Sofia Ventura tem 32 anos e é mais uma vítima de cancro | Foto: Andreia Borges

-lhes que a tive de tirar porque ela estava doente, mas que nós sobrevivíamos muito bem sem a mama. Foi mais difícil essa parte do que propriamente o cabelo, porque nós achamos muita graça quando o cabelo começou a cair. Eu fui cortando, cortei-o duas vezes e depois quando começou realmente a cair, logo após o primeiro tratamento de quimioterapia, eu rapei-o todo e rimo-nos com a situação e então, conseguimos os quatro e o resto da família e amigos achar muita piada. E eu só não ando sem o lenço na cabeça porque há pessoas que se impressionam mais facilmente do que outras.

Como é que se encara o cancro quando se tem dois filhos pequenos? É com medo de os poder deixar ou é com mais força e mais esperança Como é que os familiares mais próxipara vencer a doença? mos estão a encarar esta nova fase? Primeiro uma coisa, depois a outra. Apesar de que, hoje em dia, o cancro de mama não é propriamente uma sentença de morte. Há outros tipos de cancro que afectam outros órgãos do corpo que são bem mais complicados. Eu se tivesse, por exemplo, um cancro no fígado ou no pulmão se calhar não estaria tão optimista em relação a isto. O cancro da mama, infelizmente, é o que aparece mais nas mulheres, mas também é um dos que tem uma taxa de sucesso maior. Primeiro ficamos a pensar “Tenho cancro vou morrer”, é logo a primeira ideia que nos assalta e depois começamos a saber que podemos ser operados, fazer tratamento e as coisas podem correr bem. Realmente eu tenho dois filhos pequeninos, mas eles de facto são dois pontos a favor, muito pesados, que fazem com que nós tenhamos vontade de vencer estes obstáculos e de ultrapassar a doença.

Como é que se explica às crianças que a mãe tem cancro, principalmente agora, nesta fase, em que está sem cabelo?

Em relação ao cabelo, nós achamos todos muita graça. Foi mais difícil, por exemplo, explicar como é que se fica sem uma mama, foi mais complicado para eles aceitar isso. Quando eu cheguei do hospital e eles me viram sem a mama ficaram assim um bocadinho chocados e eu expliquei-

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sim, eles explicaram-me sempre tudo muito bem, todos os procedimentos que eram da cirurgia, dos tratamentos agora, já estou a ser encaminhada para o segundo tipo de tratamento que é a radioterapia e eles explicam tudo muito bem para que as pessoas fiquem esclarecidas. Eles não levam a pessoa a fazer nada que não queria fazer, por exemplo, há pessoas que recusam fazer o tratamento da quimioterapia. Para qualquer procedimento que eu faça tenho de assinar um documento em como autorizo. Mas até à data tenho sido muito bem esclarecida acerca tudo.

Então esse apoio médico foi-lhe dado quase imediatamente…

Sim, sim. Às vezes os nossos familiares, o “O cancro de mama E acha que foi por marido, a mãe, os ser tão nova? sogros se calhar não é propriamente Acho que não. Eu até andarão mais uma sentença de acho que o factor apreensivos com idade não é impormorte” o desenrolar disto tante. Acho que se tudo, do que eu eu chegasse lá com propriamente. Porque eu sei como oitenta anos teria tido a mesma asme sinto e, apesar de tudo sinto-me sistência. Eu sinto isso, porque eu bem, mas eles muitas vezes quando realmente vejo lá pessoas, vejo muime vêm naqueles dias piores ficam tas senhoras idosas e vejo muitas de preocupados e não sabem muito bem meia-idade, claro que vejo menos se é a doença que está a avançar e da minha idade, mas elas parecempor isso é que eu me sinto mal, ou se me ter todas as mesmas atenções é o efeito do tratamento. Mas, como e terem todas o mesmo tipo de aseu me conformei quase de imediato sistência que eu estou a ter.Depois com a situação e vou avançando um nós vamos conversando umas com dia de cada vez, hoje vai-se fazendo as outras e realmente, não me parece um exame, amanhã vai-se fazer um que eu tenha tido um tratamento estratamento, depois vai-se a uma con- pecial por causa de ser tão nova. sulta, leva-se isto quase como um procedimento normal, como se fosse Quanto tempo é que demorou a inipara tratar uma gripe. E eles vão atrás ciar os tratamentos depois do diagde mim também e vão encarando as nóstico? coisas mais ou menos normalmente. Foi muito pouco. Eu entrei para o Instituto em Junho, fui operada logo no Considera que foi bem informada pe- início de Julho, depois há um período los médicos sobre o que esta doença de recuperação da cirurgia e, logo no ia significar e sobre o tratamento? início de agosto, estava a começar a Sim, até à data. Mesmo antes de quimioterapia. Foi tudo muito rápido. eu ir para o IPO, o meu médico de ginecologia, porque foi a ele que eu A que tipo de tratamentos tem sido fui primeiro, já me fez uma breve ex- sujeita? Por enquanto a quimioteraplicação sobre o que poderia ser e o pia… que poderia não ser. E a partir do moSim, eu vou fazer três tipos. Vou fazer mento em que eu fui para o instituto

A queda do cabelo não custa nada, até porque nós sabemos que ele vai voltar a crescer, e agora também está muito na moda os lenços, eu acho muito giro, tenho uma colecção deles e começa a saber bem com o inverno. A questão do cabelo não me custou rigorosamente nada. Não me custa ver careca. É assim, o que é mais difícil de aceitar é a falta da mama como é lógico, porque a mama não volta a crescer. Os sintomas da quimioterapia também são muito maus, nós fazemos um tratamento e andamos aqui meia dúzia de dias completamente off-line, com aqueles sintomas todos que toda a gente sabe, mal-estar, enjoos, mas depois também passa e volto a sentir-me bem, com força e levo a minha rotina diária cem por cento. A mama, claro é o pior, mas também, hoje em dia, não é o pior, porque eu tenho sempre a possibilidade de mais tarde fazer uma reconstrução e de pôr aqui uma mama toda jeitosa.

Ao longo destes tratamentos, sentese bem tratada, tanto a nível médico como familiar?

Muito bem. Quem dera que toda a gente que tem a mesma doença que eu tivesse o mesmo apoio. É assim, o corpo clínico lá no instituto é excepcional, eles não têm mais que nos façam e em casa também tenho tido um apoio muito grande. Quando isto tudo passar até me vai custar entrar na vida normal. Eu actualmente, não passo a ferro porque tenho quem o faça, não arrumo a casa, só uma coisita ou outra, sou muito poupada, não cozinho praticamente nada, ando completamente ao colinho de toda a gente, da mãe, dos sogros, do marido, dos filhos, toda a gente. Dos amigos.

Onde é que se vai buscar força nos momentos mais difíceis?

Quando eu estou naqueles dias piores é com os meus , com os de casa que eu quero estar. Com os amigos também, o apoio dos amigos também é muito importante. Se bem que quando se tem família directa muito chegada e que apoia, os amigos vêm dar mais aquelas palavras, mandam umas mensagens “Então como é que estás? Já passou a ressaca? Precisas de alguma coisa?”, dizem umas piadas, mas a família é a base disto


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com unhas e dentes a tudo o que eu posso, porque depois sei que vai haver ali meia dúzia de dias em que vou ficar outra vez em baixo. Mas, de certeza, que toda a gente fica mais forte e com mais vontade de viver e com mais vontade de se cuidar. Eu acho que sim.

acontecer. Porque, por exemplo, pensar que “Só vai acontecer aos soube de uma senhora, nunca falei outros”? com ela, soube por familiares dela Eu acho que sim, eu própria pensava e pessoas amigas, que passou pelo assim. Eu fui sempre tão saudável, mesmo e ainda há pouco tempo pensava assim “olha agora vai-me também e, por exemplo, durante a aparecer uma coisa destas”, foi a altura dos tratamentos de quimiote- primeira reação que eu tive. Quando eles me disseram rapia andou muito tinha cancro bem e conseguiu “Ando completamente que de mama eu disse superar muito bem e eu comecei a achar ao colinho de toda a “Não, cancro de mama? A mim? que também ia ser gente” Então eu fui semassim. O que é que pre tão saudável. acontece? Fiz logo o primeiro tratamento e fiquei logo de Como é que é possível? Com 31 rastos e pensei “alto, que a senhora anos? Não o diagnóstico não deve disse que passou bem mas eu não estar bem. Eu vou fazer outro exame estou a passar” e isso para mim foi e eles vão dizer “olhe afinal nós enpior. Por isso, eu não gosto muito de ganamo-nos””. Há sempre esta esestar a saber como foi o caso daquela perança e a minha reação foi essa, senhora ou o caso da outra, e depois mas eu acho que sim, continuamos a caímos no erro de começar a fazer pensar muito que acontece mais decomparações e começar a preocu- pressa aos outros. Mas, infelizmente par-nos com coisas que aconteceram não. com aquela pessoa e não quer dizer que vá acontecer connosco porque Acha que os hospitais portugueses os casos são todos diferentes e nós estão bem preparados para tratar o já estamos com medo do que vem cancro? aí a seguir e é estar com medo sem No Instituto de Oncologia do Porto necessidade nenhuma. Eu não gosto acho que sim, sem dúvida que lá é muito de partilhar com pessoas que o sitio indicado para tratar deste tipo tenham tido a mesma doença a ex- de doenças. Por exemplo, tive o caso periência. Gosto que os médicos me do meu pai, há uns anos atrás, que falem, gosto de ouvir deles, eles dão foi no hospital de São Sebastião em uma lista dos possíveis sintomas e di- Santa Maria da Feira e, pelo que me zem “pode ter todos, pode ter alguns, parecia, eu também acho que ele foi pode não ter nenhuns”, porque cada muito bem tratado na unidade de onpessoa é uma pessoa e cada pessoa cologia. tem um organismo diferente e uma maneira diferente de reagir à doença.

Acha que as pessoas, em geral, sentem pena dos doentes oncológicos, nem que seja só por vê-los sem cabelo?

Acha que a população Portuguesa está minimamente informada sobre o cancro? Sejam sintomas, formas de tratamento…

tudo.

Acha que quem passa por esta doença fica mais forte e valoriza mais a vida?

Não só por esta doença, mas por outras. Esta realmente, quando se ouve falar de cancro fica logo tudo a pensar “olha tem cancro vai morrer” mas, por exemplo, há pessoas que passam por outro tipo de doenças ou por outras situações de saúde, por exemplo, um acidente e ficam a uma cadeira de rodas e eu tenho a certeza que vou ter uma qualidade de vida muito melhor, do que uma pessoa que fica agarrada a uma cadeira de rodas por causa de um acidente. Eu acho que sim, que aprendemos a dar mais valor à vida, embora eu já desse muito valor à minha e cuidasse muito bem da saúde, mas acho que sim, sem dúvida. Aliás agora, depois do tratamento da quimioterapia ando cinco, seis dias pior, quando me apanho boa quero fazer tudo e mais alguma coisa, aproveitar o tempo muito bem aproveitado, já estou a valorizar este tempo, estas duas semanas de intervalo entre um tratamento e outro, a valorizar e a agarrar-me

Eu acho que isso ainda acontece muito. Se bem que, pode já não acontecer tanto porque, infelizmente, como há tantos casos a aparecer, novos casos todos os dias e as pessoas começam a habituar-se as estas situações. Numa freguesia ou numa aldeia como a que moro há muitos casos e as pessoas vão-se habituando a isto e acabam sempre por ter pena. Eu não gosto que tenham pena de mim, não gosto. Às vezes, há pessoas que dizem “coitadinha”, não gosto que utilizem essa expressão. Mas não é que as pessoas nos queiram mal ou nos estejam a tirar alguma coisa, alguma dignidade quando têm pena de nós, mas continuam a ter pena. Eu acho que sim. Mas não devem ter pena, mas sim apoiar essas pessoas e contar uma anedotas para a gente se rir.

Mas em comparação…

Eu acho que cada vez mais estão, porque, infelizmente, cada vez há mais casos. Isto está a acontecer a tanta gente que as pessoas mesmo sem querer acabam por ser informadas de como é que as coisas aparecem, que cuidados é que nos podemos ter… Eu acho que sim, que as pessoas cada vez estão mais alerta e pensam em ter mais cuidado com elas, cuidar da saúde.

Mas acha que as pessoas continuam a

Em comparação é diferente um sítio que está só dedicado àquela especialidade e outro sítio que trata várias coisas. É como um médico de clínica geral que pode cuidar das várias doenças e pode, por vezes, não ir ao pormenor disto ou daquilo porque não tem a especialidade de.

E acha que nesses casos o Governo devia investir mais nessa área?

Isso, sem dúvida. Mas eles até estão a tirar os apoios aos doentes oncológicos. Isso sem dúvida, não só aos doentes oncológicos mas, de um modo geral, à saúde porque sem saúde as pessoas não são nada e, infelizmente, a saúde não está a ter

Falar com pessoas que estão na mesma situação é reconfortante?

Nem sempre. Eu, pessoalmente, não gosto muito de falar com outras pessoas que tenham passado pelo mesmo ou estejam a passar pelo mesmo, porque é assim, as pessoas são todas diferentes, os organismos também são todos diferentes e eu não gosto muito de saber o que é que me vai

1 em cada 10 mulheres serão diagnosticadas com cancro da mama | Foto: DR

pois eles estão ali para nos ajudar e nós às vezes achamos que eles não estão a proceder bem, acho que isso também é mau para nós, devemos ouvi-los e tentar fazer ao máximo aquilo que eles nos recomendam. Eu faço tudo o que eles me mandam. E olhar para a frente, rir acho que faz muito bem, ouvir umas anedotas, distrair-se com filmes cómicos e nunca grande prioridade nestas questões do Governo e do novo orçamento. Nós não compreendemos bem porquê, mas realmente a saúde continua a não ser uma prioridade. E é uma pena.

Que mensagem é que gostaria de deixar a quem se encontra na mesma situação?

Se for para rir, eu digo como uma colega de trabalho que me diz para “beber gasolina e acelerar nas curvas”. Mas uma coisa mais séria, só posso dizer que nós nunca devemos desistir, acho que conformarmo-nos com o que temos é meio caminho

“Nunca desistir”

devemos

andado, porque não nos adianta de nada revoltarmo-nos. Eu penso assim. E depois acho que realmente temos de ir buscar força a algum lado, à nossa família, aos nossos filhos, aos nossos companheiros, aos nossos amigos e a nós próprios. Eu tive sempre uma vontade muito grande de viver, fui sempre uma pessoa muito bem disposta, gosto muito de rir, fui sempre muito optimista, se calhar, é por isso que também estou a encarar as coisas desta forma. Acho que isto foi só um momento mau que me apareceu este ano e eu digo este ano, porque a partir do ano que vem já conto retomar a minha vida normal e até fazer de conta que não se passou nada. Mas acho mesmo que as pessoas não devem desistir e devem fazer os tratamentos de quimioterapia, porque nós devemos sempre confiar no corpo clínico que está connosco, pois eles estão ali para nos ajudar e nós às vezes achamos que eles não estão a proceder bem, acho que isso também é mau para nós, devemos ouvi-los e tentar fazer ao máximo aquilo que eles nos recomendam. Eu faço tudo o que eles me mandam. E olhar para a frente, rir acho que faz muito bem, ouvir umas anedotas, distrair-se com filmes cómicos e nunca baixar os braços.


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Cerca de um terço das crianças entre Todos os dias morrem 13 pessoas um e três anos com excesso de peso com diabetes em Portugal O excesso de peso é um problema que afeta quase um terço das crianças portuguesas entre o primeiro e o terceiro ano de vida e a obesidade chega a 6,5% das crianças na mesma faixa etária. São dados que alertam para a necessidade de uma mudança nos hábitos alimentares das famílias. Mariana Carvalho

Estes dados são avançados pelas conclusões do projeto EPACI Portugal 2012 – Estudo do Padrão Alimentar e de Crescimento na Infância, que traçou o perfil do crescimento e alimentação das crianças entre os 12 e 36 meses de idade. Carla Rêgo, coordenadora do EPACI Portugal 2012, considera estas informações preocupantes, “sobretudo porque acontecem numa idade muito precoce em que há uma programação do que será o futuro, com aquisição de hábitos e comportamentos”. A coordenadora do projeto alerta que a probabilidade do excesso de peso se manter ao longo da vida das crianças é muito grande, ao contrário da “ideia antiga de que se vai perdendo peso à medida que se cresce”. Uma criança com excesso de peso e que mantenha esta tendência durante o crescimento tem maior risco de desenvolver doenças como diabetes, colestrol, hipertensão e cancro. A solução para combater este problema passa por “informar e ensinar os pais relativamente a práticas alimentares saudáveis”. A família deve ajustar-se à alimentação da criança e não o contrário, defende Carla Rêgo, que também é fundadora e presidente do Grupo Nacional de Estudo e Investigação em Obesidade Pediátrica (GNEIOP). A mesma acredita que a atitude dos pediatras até aos 12 meses de idade da criança é a correta “e de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS)”. Para ela, o problema começa com a criança a partilhar os comportamentos alimentares da família. Um estudo desenvolvido pela Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto revelou que existe uma grande prevalência de excesso

de peso ou obesidade nos pais com uma idade média de 34 anos, cerca de 38% nas mulheres e de 61% nos homens. As conclusões do projeto EPACI Portugal 2012 mostram que no 2º e 3º anos de vida, as bebidas açucaradas, em 17% dos casos, e as sobremesas e doces, em 10%, começam a fazer parte da vida diária das crianças. Carla Rêgo diz que a culpa é da família porque “se a criança ingere refrigerantes, é porque eles são consumidos em casa”. São estas atitudes que levam ao excesso de peso dos progenitores. Os especialistas afirmam que a saúde da criança é pré-determinada nos primeiros 1000 dias de vida. Estes são “cruciais para o desenvolvimento da criança a todos os níveis e também ao nível dos paladares”. Mas este estudo também encontrou conclusões positivas. 95% das crianças comem sopa todos os dias e 93% fruta fresca, embora só 43% consomem as 5 porções diárias recomendadas. O consumo de cálcio, ferro e outros micronutrientes também é adequado.

Segundo dados do Observatório Nacional da Diabetes, há cada vez mais pessoas seguidas nos centros de saúde e o custo dos medicamentos baixou em 2012. Andreia Borges

No ano passado foram registadas 4867 mortes (mais 331 do que em 2011), o número mais elevado desde que há registos. Segundo o relatório anual do Observatório Nacional da Diabetes, a doença afecta cerca de um milhão de portugueses e mata, todos os dias, 13 pessoas com diabetes. A diabetes (de tipo 2) tem vindo a ganhar mais peso devido a estilos de vida associados ao sedentarismo e à obesidade. Por ano, em Portugal, a doença tem crescido 3,8%. Na faixa etária dos 20 aos 39 anos são já 2% o que, segundo Luís Gordete Correia, presidente da associação protectora dos diabéticos em Portugal, são já números significativos pois “eram números insignificantes há uns anos atrás. O aumento nesta faixa etária

vai levantar problemas no futuro”. Em idades mais avançadas os números são bastante superiores, dos 60 aos 79 anos são já 27%. O relatório apresenta ainda vários “sinais de alerta”, como sede excessiva, falta de energia, perda de peso e vontade frequente de urinar. Nos centros de saúde, a vigilância médica destes doentes está a aumentar e a taxa de cobertura é de 81,9%. Ainda assim, foi insuficiente para impedir o número de amputações, uma das complicações mais graves associadas à doença. No ano passado foram feitas 730 amputações de pernas e pés, mais 60 que em 2011. A prevenção da diabetes passa pela adopção de estilos de vida saudáveis como a prática de exercício físico, alimentação equilibrada e vigilância médica.

Uma das conclusões foi que entre os 12 e os 36 meses de vida, as crianças consomem mais do dobro das proteinas recomendas devido ao consumo excessivo de leite de vaca. A amamentação por parte das mães acontece, em média, até aos 4 meses de vida, quando deveria ser até aos 6 meses. Carla Rêgo referiu que “é pena que não seja mais ainda, mas é interessante ver que mais de metade ainda amamenta aos seis meses”. A partir dos 12 meses o leite de vaca já pode ser introduzido na alimentação das crianças, mas a OMS recomenda alargar o período de alimentação com leite em pó. A tendência de inclusão do leite de vaca na dieta das crianças acontece porque os pais pensam que o consumo de elevadas doses de proteínas é bom para os filhos, mas este é um ponto de contribui para o excesso de peso das crianças.

Vontade de urinar frequentemente, perda de peso, falta de energia e sede excessiva são sinais de alerta da diabetes | Infografia: Andreia Borges


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Câmara do Porto quer cobrar 40 euros para fazer Graffitis

Cultura A Câmara do Porto quer fixar o pagamento de 40 euros pelo licenciamento para a inscrição de graffitis, devido à entrada em vigor da nova lei que regula a sua realização e os proíbe em alguns locais públicos.

A nova lei prevê o pagamento de 40 euros para a inscrição de graffitis | Foto: DR

Andreia Borges

A lei prevê o pagamento “pela emissão do alvará” de licenciamento dos graffitis “até oito metros quadrados”, acrescendo cinco euros “por cada metro quadrado a mais”. Na Tabela de Taxas Municipais do Código Regulamentar do Município passa a estar prevista a emissão de licenças

de “inscrição de grafitos, afixações, picotagem e outras formas de alteração, ainda que temporária, das características originais de superfícies exteriores de edifícios, pavimentos, passeios, muros e outras infra-estruturas”. Os graffiters estão descontentes com a implementação desta lei, pois

segundo Rafi (nome artístico), writter, “a natureza do graffiti é ser ilegal e se se pinta de graça as paredes porque é que se vai pagar?”. Também Third (nome artístico), considera a medida um “regresso à época retrograda que se viveu há uns anos atrás, em que os artistas não tinham opinião e qualquer crítica era vista como um ataque

pessoal”. Até à aprovação da taxa devida pela emissão da licença “exigida neste novo regime jurídico”, a autarquia pretende aplicar uma “taxa de carácter residual” de 11,60 euros, o valor previsto na Tabela de Taxas Munici pais para a “emissão de alvarás não especialmente contemplados na tabela”.

500 mil livros a partir de 1€ na 3ª Edição do Porto Book Stock Fair O maior festival de livros do Porto regressa à cidade, durante do mês de Outubro, e promete trazer mais de 500 mil publicações aos leitores. Andreia Borges

O Porto Book Stock Fair é uma iniciativa promovida pela Calendário das Letras e pela Câmara Municipal, que marca a agenda Cultural no Porto. Livros a baixos preços e um programa cultural diversificado e pensado para todos os públicos são a proposta para a edição de 2013 do Porto Book Stock Fair, que se realiza de 3 a 27 de Outubro no Pavilhão Rosa Mota, no Porto.

O maior festival do livro do Porto é paragem obrigatória para os amantes da leitura e é uma oportunidade única para adquirir obras de 150 editoras, algumas delas verdadeiras relíquias, já que a iniciativa “foi criada tendo em

em vista o escoamento de várias livrarias que declararam falência”, afirma Paula, funcionária do Porto Book Stock Fair. Sónia Lopes, estudante, afirma que “os preços baixos são muito convidativos na actual conjuntura económica do país e a diversidade de publicações é um ponto forte deste festival”. Romance, Banda Desenhada, Poesia, Literatura Infantil e Juvenil, Alimentação, Desporto e outras especialidades são as publicações disponíveis neste festival , com horários alargados, todos os dias, entre as 10h00 e as 20h00.


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Crítica: Miles Kane no Hard Club Os primeiros acordes da noite fizeram-se ouvir pelos portugueses The Doups, uma banda de Setúbal e que, desde 2006, ano de criação, tem tido um grande crescimento, quer em Portugal, quer além-fronteiras. Nesta noite, os portugueses desenrolaram um papel que já não lhes é estranho: o de banda de abertura. Após fazerem a primeira parte de concertos de bandas como Franz Ferdinand, My Bloody Valentine e The Offspring, chegou a vez de serem convidados de honra do inglês Miles Kane. “Alone in a Crowd”, tema do álbum de estreia “Small Town Gossip”, deu início a um concerto que foi evoluíndo em termos de intensidade. Pedro Morais

Os primeiros acordes da noite fizeram-se ouvir pelos portugueses The Doups, uma banda de Setúbal e que, desde 2006, ano de criação, tem tido um grande crescimento, quer em Portugal, quer além-fronteiras. Nesta noite, os portugueses desenrolaram um papel que já não lhes é estranho: o de banda de abertura. Após fazerem a primeira parte de concertos de bandas como Franz Ferdinand, My Bloody Valentine e The Offspring, chegou a vez de serem convidados de honra do inglês Miles Kane. “Alone in a Crowd”, tema do álbum de estreia “Small Town Gossip”, deu início a um concerto que foi evoluíndo em termos de intensidade. De uma onda mais soft a um estilo mais mexido, os portugueses entoaram canções como “Joyful”, “Try Lie Die Whatever” , o novo single “Born Again”, entre outras. O concerto terminou com “Now I’m going”, entoada com a ajuda de um público já mais enérgico e entusiasmado. Os The Doups estiveram à altura da responsabilidade e conseguiram preparar a plateia

para o que ainda estava para vir. E por vir estava ainda o melhor: Miles Kane, ex-vocalista dos The Rascals e parte integrante do projeto Last Shadow Puppets, juntamente com Alex Turner, vocalista dos Arctic Monkeys. Pouco passava das 22h quando o inglês subiu ao palco. Descontraído, mas ao mesmo tempo irrevente, Miles Kane entrou em palco pronto a entreter e divertir o público que marcou presença. Apesar de estar a atuar para uma plateia, de certa orma, escassa, o inglês não se inibiu e arrancou o concerto com “You’re gonna get it”. Enérgico e alegre, entoou este primeiro tema e começou a dar provas que o investimento feito pelos portuenses iria ter um bom retorno. Seguiu-se “Rearrange”, uma das mais conhecidas músicas do inglês e que, pela primeira de muitas vezes na noite, levou o público ao rubro, que saltou e acompanhou o artista na letra do início ao fim. Seguiram-se temas como “Taking Over”, “Darkness in our Hearts” e “Kingcrawler”, temas que incendiaram, ainda mais, uma

Miles Kane levou ao delírio o público do Hard Club | Foto: Pedro Morais

plateia em delírio. Em “Inhaler”, Miles Kane demonstrou que queria manter uma certa interação com o público. Durante este tema, o artista “retirou” a máquina fotográfica a um dos fãs e começou a fotografar a banda e a si próprio, um episódio que motivou aplausos e, acima de tudo, risos entre o público. Mas a ligação entre artista e fãs não terminou aqui. Ao longo de todo o concerto, Miles Kane e a plateia mantiveram um grande contato e, juntos, deram outra cor ao espetáculo. Um episódio que merece particular alusão e que demonstrou a grande irreverência do inglês foi a reação do músico a uma tshirt exibida no ar por um fã. “Who The F*** is Miles Kane?” era a frase que se podia ler na camisola e ao que o músico pron-

O músico inglês manteve-se sempre muito próximo do público que o recebeu de sala meia cheia no Hard Club | Foto: Pedro Morais

tamente respondeu “I’m f***** Miles Kane”, atitude que o público louvou e aplaudiu com grande entusiasmo. A irreverência do intérprete inglês ficou patente ao longo de todo o concerto e em vários outros episódios. A música “Give Up”, por exemplo, foi transformada numa versão alargada, com um excerto de “Sympathy for the Devil”dos famosos Rolling Stones pelo meio. O músico inglês interpretou outros temas reconhecidos como “Tonight”,”Better than that”, “Take the Night from me”, até chegar à música que encerrou o concerto por brevos instantes, antes do sempre presente “encore”. “Don’t Forget who you are”, tema que dá o nome ao álbum que Miles Kane veio apresen tar no concerto do Hard Club, deixou os fãs a cantar os últimos versos em uníssono e de forma repetida, desde que a banda saiu de palco até ao reinício do concerto. As luzes voltaram a apagar-se e entrou em palmo Miles Kane, acompanhado por uma guitarra acústica mas a solo, para interpretar ���Colour of the Trap”, o momento mais calmo da noite. “Come closer” foi a música que encerrou o concerto e que bela maneira de fechar um espetáculo. Saltos, gritos, aplausos. Chegava ao fim um concerto que durou pouco mais de 90 minutos e que não defraudou, de todo, as expectativas da plateia portuense.


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Peixe: “O gosto pela composição e pela auto-suficiência levou-me a escrever para guitarra”

Peixe começou a tocar guitarra quando tinha 13 anos, mas foi em criança que nasceu a paixão pelo instrumento que o acompanha no dia-a-dia | Foto: Pedro Morais

Pedro Cardoso, mais conhecido no mundo da música por Peixe, é guitarrista e compositor. A sua carreira foi marcada pelos Ornatos Violeta, uma banda que marcou e continua a marcar a música portuguesa. Mas, para Peixe, os Ornatos foram só o início de um longo percurso. Em 2012 Peixe decide nadar a solo e lança o álbum “Apneia”. Em conversa com o Primeiro Plano, o guitarrista e compositor português fala sobre o seu novo álbum e como é ser músico e artista em Portugal.

Mariana Carvalho e Pedro Morais

Com 39 anos de idade e 22 de carreira, Pedro Cardoso é uma referência nacional. Peixe, como foi apelidado pelos amigos, desde cedo mostrou interesse pela guitarra: “O 1º contacto com a guitarra foi quando era criança. O meu pai tinha uma guitarra em casa, ele tocava assim uns acordes, tal como o meu avô, e lembro-me de ás vezes pegar na guitarra e tentar tocar mas não conseguia”. Foi por volta dos 13 anos, que, pela primeira vez, conseguiu tirar som da guitarra, pois, como explica entre risos, “antes não conseguia fixar os dedos, ficava com dores e desistia”. Aos poucos o gosto pela música foi crescendo e o início dos Ornatos Violeta foi decisivo para que Peixe optasse por uma carreira musical. Foi em 1991 que os Ornatos Violeta nasceram. A história leva-nos até ao tempo do ensino secundário. Na escola secundária Soares dos Reis. Peixe, Nuno Prata, Kinorm faziam parte da mesma turma e Manuel Cruz juntou-se a eles no 10º ano. O guitarrista e compositor relembra o último dia de aulas do 9º ano como “o início de tudo”, da ideia de criar a banda e da amizade com Manuel

Cruz. “A AE organizou um concerto no pátio da escola e algumas bandas da escola foram lá tocar. Nós não tínhamos banda nenhuma, mas nesse dia eu levei guitarra acústica e estava num dos corredores a tocar, quando apareceu o Manel com a harmónica dele e começámos a tocar umas músicas, ele com a harmónica e eu a acompanhar com a guitarra, e houve como que uma química musical. Eu lembro-me de na altura, apesar de nos conhecermos mal, dizermos que nós é que devíamos estar no palco e acho que os dois pensámos que secalhar um dia era o que ia acontecer”. E assim foi. Em 1997, nasceu “Cão!”, um álbum que marcou o início de um brilhante percurso. Cão! tornou-se um grande sucesso e 2 anos depois “O Monstro precisa de amigos” foi lançado. A música tornou-se cada vez mais importante, algo que levou Peixe a equacionar uma possível carreira musical, em vez da carreira nas Belas Artes. Por essa razão, aos 18 anos, quando entrou na Faculdade de Belas Artes, Peixe entrou, também, no Conservatório de Música do Porto, onde estudou guitarra clássica durante 5 anos, e começou a “sentir um conflito entre as duas coisas, e um maior apelo da música”, o que

o levou a desistir do curso de Belas Artes no 3º ano. Peixe teve também dois professores de música particulares, que lhe ensinaram, acima de tudo música Jazz, o que contribuiu para que Peixe entrasse, aos 30 anos, no curso de guitarra Jazz na Escola Superior de Música do Porto. No entanto, para o guitarrista, a sua formação essencial não é a formação académica, mas sim “todas as horas como auto-didata e os ensaios com os Ornatos”, pois “foram muitas horas a experimentar muita coisa”. O fim dos Ornatos aconteceu quando a banda estava no auge da sua popularidade. A amizade falou mais alto. “A relação estava desgastada e decidimos que o melhor para todos seria o fim da banda. Muita gente não compreendeu a nossa decisão, porque estávamos no auge, mas foi a decisão acertada”. Dez anos passaram e a vontade dos fãs falou mais alto, os Ornatos voltaram a reunir-se e esgotaram seis coliseus, três datas no Porto e três em Lisboa. Peixe confessa que “seis coliseus ultrapassou as expectativas, ou pelo menos, correspondeu às melhores”. No fim, o feedback foi bastante positivo. Peixe salienta “Foi muito


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bom estar outra vez com o nosso que tivessem que ver com essas coi- tecer exactamente o oposto”, explipúblico, tocarmos mais uma vez as sas fixes que fazia lá”. ca, entre risos. A adesão do público, nossas músicas e ver quanto o grupo Os Zelig, uma das bandas de que confessa, “não foi grande, e o álbum cresceu, a popularidade do grupo Peixe fez parte, foram também um não foi feito com esse intuito” mas cresceu.” Sobre um novo regresso, dos motivos para o início da carreira demonstra-se feliz com o feedback, o guitarrista deixa em aberto. “principalmente da crítica”. Certezas quanto ao futuro não há A compoisição foi uma paixão que “Ornatos? Nunca podemos mas “nunca podemos dizer que é descobriu e que agora ocupa um o último capítulo”. dizer que é o último capítulo” nível igual ao da guitarra. Peixe admite que ver outras pessoas a a solo. “Eu tive um grupo que são tocar aquilo que escreve “é uma senOs Pluto ainda vivos Os Pluto foram outra banda que mar- os Zelig, que lançaram um disco em sação maravilhosa, estares a pensar cou a carreira de Peixe. Manuel Cruz, 2010, e nesse grupo tirei muito parti- em alguma coisa, escreveres na paucompanheiro dos Ornatos Violeta, do da parte da composição. Naquele ta e de repente dares aquilo a alguém também fez parte deste novo projeto. grupo todos tinham alguma formação e aquilo que pensaste aparece muito A banda lançou apenas um albúm, académica, sabiam ler bem a música melhor do que imaginaste, porque “Bom Dia”, que fez prever um futuro e eu tirei partido da escrita musical, estás a ouvir o som e a ver as pespromissor. Mas não foi além disso. que é algo em que eu nunca investi, soas a dar uma interpretação àquilo “Acho que os Ornatos eram o nosso então comecei a dar-lhes coisas para que tu compuseste. O estar de fora aí projeto de vida e quando terminaram, eles tocarem e mais ou menos nessa é ainda melhor, porque estás ausente essa ideia de coisas a longo prazo altura comecei a sentir a vontade de mas aquilo é teu”. e para o resto da vida também aca- compôr para a guitarra”. bou”. No entanto, para Peixe, os Plu- Peixe começou a investir na guitarra “Viver em Portugal é difícil” to não acabaram, apenas deixaram a solo. Quando tinha algumas músi- Quanto a concertos, Peixe ainda está de se reunir, mas revelou um encon- cas preparadas, começou a pensar a tentar marcar alguns por todo o tro em breve para ouvir coisas antigas que era possível gravá-las e lançar país, depois da presença no Mexee, quem sabe, pensar em algo novo. um álbum. Num concerto no Cinema fest, Debandada e em algumas Fnac’s Passos Manuel, no qual estiveram do país. Este tema acaba por servir Sozinho, mas também bem acom- presentes vários artistas que tocaram de impulso para um desabafo sobre 3 ou 4 músicas, Pedro Cardoso tocou o estado da cultura no país: “Quero panhado Um curso de formação de anima- 2 que tinha composto. “Houve uma tocar um bocado pelo país todo, mas dores musicais na Casa da Música pessoa que me viu a tocar, que faz não é muito fácil tocar hoje em dia foi a rampa de lançamento para um parte da editora onde estou agora e porque o país está em crise. Há muito novo projeto. Peixe inscreveu-se no que me perguntou se eu não queria pouco dinheiro para a cultura, é difícil curso e faz uma avaliação positiva: gravar. Ele disse que gostou muito marcar concertos, as condições nem “O curso foi muito interessante, gos- das minhas músicas e perguntou se sempre são as melhores e as salas de tei imenso de estar lá e ensaiar com estava interessado em gravar um dis- espectáculos não querem pagar aos eles, aprender as técnicas deles”. No co na editora dele e eu disse que sim, artistas, querem que os artistas vão tocar à bilheteira por ser um risco”. final do curso é hábito fazer-se um claro”. Após aceitar a proposta, o álbum foi Para Peixe, “os músicos são free concerto com os participantes, cerca gravado, mas faltava um nome. “Aplancers, andam sempre um bocade 100 pessoas, o Sonopolis. Um neia” surgiu “numa conversa que tive do com o coração nas mãos, estão dos professores do curso sugeriu a sobre a palavra e sobre o facto dos sempre a pensar como vão pagar as Peixe levar um grupo de guitarras. O músicos suspenderem a respiração. contas”. Apesar desse “lado mau”, músico juntou, então, “um grupo de Reparei que o meu disco estava como afirma, ser músico tem muitas alunos, ex-alunos, amigos que intecheio de respirações e suspensões e vantagens: “o músico free lancer não grou o concerto desse ano”. No final do Sonopolis, um dos orientadores pensei que podia ser um nome para tem patrão, o que é fixe, gere o seu tempo, tem um trabalho criativo, tem disse a Peixe que podia tentar manter o álbum”. Sobre a reação do público ao albúm, muitas vantagens”. Em alturas de o grupo, pois tinha gostado imenso Peixe fala do facto de ser meramente crise como esta que atravessamos do som das guitarras todas juntas. acústico, que “é um impedimento a actualmente, “ser músico torna-se Assim, o guitarrista falou com Paulo que a música seja divulgada” mas ainda mais complicado, pois o sector Rodrigues, o director de serviço edugarante que não vai começar a cantar mais afectado e que sofre mais corcativo da casa da música, sugerindopara chegar a mais gente. “Iria acontes é a cultura, pela ideia constituída lhe a criação da Orquestra de Guitarras e que esta fosse parte integrante do curso no ano a seguir. A ideia foi levada em frente e a Orquestra fez parte do Sonopolis do ano seguinte. A ligação com o curso terminou, mas a Orquestra de Guitarras e Baixos Elétricos continua a ensaiar na casa que a viu nascer. Segundo Peixe, a Orquestra já desenvolveu algum reportório original, e “um álbum estará para breve”.

O Apneia de Peixe

Em 2012, Peixe iniciou a sua carreira a solo, com o álbum “Apneia”. A ideia surgiu quando dava alguns concertos no bar de um amigo. Os concertos não eram marcados e Peixe tocava por improviso. Pedro Cardoso conta: “Esse meu amigo uma vez fez uma gravação e ofereceu-ma e eu apercebi-me que às vezes ficava engraçado, mas outras vezes ficava chunga. Então pensei em tentar escrever coisas

Os Ornatos Violeta, a banda mais conhecida de Peixe, voltou a juntar-se em 2012 para 6 concertos nos Coliseus do Porto e Lisboa, 1 nos Açores e outro no festival Paredes de Coura | Foto: Blitz

21 de que é algo secundário”, uma ideia da qual afirma discordar. Segundo o guitarrista, a cultura é o mais importante no nosso país, “pois é o que nos sustenta como povo, a nossa identidade advém da nossa cultura”. O facto de o sector cultural ser visto como algo de elites “é um impedimento a uma maior procura por parte da população, mas é necessário tentar aproximar as pessoas da cultura e da oferta cultural, e não se faz isso cortando-se nos apoios, mas sim educando-se as pessoas e criando o interesse e gosto pela cultura”. Pedro Cardoso critica também a postura de desinteresse da população, algo que diz ser “uma tremenda lacuna, pois é impossível um povo desenvolver-se se não tiver sensibilidade cultural”.

O álbum Apneia:

O Ípsilon, suplemento do jornal Público, avaliou o álbum como um “discreto disco de guitarra”. A verdade é que é essa mesma a postura de Pedro Cardoso. Nós no Primeiro Plano vemos no “Apneia” um álbum experimental mas que exemplifica na perfeição o porquê de o nome de Peixe significar tanto na música portuguesa. Em todas as faixas do disco, por muito simples que sejam, pode ouvir-se a mestria com que Pedro Cardoso dedilha a guitarra como se esta fizesse parte do seu próprio corpo. É um bom álbum para ouvir quando se tem tempo para apreciar com toda a calma a essência do som da guitarra.


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Viva a Beatlemania... em família! Primeiras confirmações dos festivais de verão aquecem inverno

Os principais festivais de verão portugueses já começaram a anunciar algumas das bandas que vão marcar presença nas edições do próximo ano. Lá fora também já começam a ser divulgados os primeiros nomes. Mariana Carvalho

Os Beatles são relembrados e celebrados em família na Casa da Música | Foto: DR

É fã dos Beatles e quer passar um dia diferente com a sua família? A Casa da Música tem um programa que pretende juntar a mítica banda britânica à criação de um videoclip em família, que pretende estimular as crianças para a aprendizagem musical. Uma oportunidade para pais e filhos de viverem e reviverem a Beatlemania. Mariana Carvalho

Sargento Pimenta é o nome da atividade que vai animar a Casa da Música no dia 2 de Fevereiro. O album Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band serve de pano de fundo para um dia passado em família. Esta atividade pretende juntar mais novos e mais velhos numa experiência de criação musical, que junta a música à diversão e à aprendizagem. A Casa da Música vai organizar uma oficina-jogo com desafios musicais à volta das canções da mítica banda de John Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr e George Harrison. Depois de superados todos os desafios propostos, as familías tem direito a gravar um som do grupo e as videonotas vão ser utilizadas para a montagem de videoclip. Sargento Pimenta pretende estimular o conhecimento musical das crianças a partir dos seis anos. A formação vai ser dada por Paulo Neto e Maria Monica e vai funcionar em dois horários: de manhã, das 10h30 às 12h00, e à tarde, das 14h30 às 16h00. A atividade vai decorrer na Sala de Ensaio 2 da Casa da Música e terá o custo de 4€ por pessoa, com a promoção de 15€ para famílias de quatro elementos, com crianças a partir dos 6 anos. Com muitos ou poucos dotes para a música, o importante é mesmo

aproveitar um dia diferente em família ao som de uma das bandas mais famosas do mundo. Mas se não estiver livre neste dia saiba que em princípio vão ser feitas mais atividades familiares nesta casa de espetáculos do Porto nos dias 2 de março, 18 de maio e 8 de junho, novas oportunidades para se divertir com aqueles que lhe são mais queridos.

“Love Me Do” como Domínio Público Europeu Foi logo no primeiro dia de 2013 que o primeiro grande êxito dos Beatles se tornou domínio público europeu. A música, que data de 1962, foi sujeita à aplicação da lei europeia que diz que os direitos de autor expiram ao final de 50 anos. “Love me do” perdeu a proteção legal sobre esta gravação a 31 de Dezembro de 2012. No entanto, desde 2011 que está prevista na União Europeia a revisão desta lei para prolongar os direitos de autor por 70 anos, em vez dos 50 indicados na lei vigente. Como domínio público europeu, “Love me do” pode ser usada de forma livre por qualquer pessoa que tenha o CD original. Esta abolição dos direitos de autor já surtiu alguns efeitos: a Digital Remasterings inclui o primeiro êxito da banda inglesa numa compilação de temas do princípio de carreira dos Beatles e a Pristine Classical, editora de música clássica, lançou a canção remasterizada em single.

Os portugueses já sabem algumas das bandas que vão poder ver nos festivais de verão em 2014. Rock in Rio e Optimus Alive são alguns dos grandes festivais que já começaram a desvendar o cartaz para o próximo verão. O Rock in Rio foi o primeiro festival a lançar os dados. Justin Timberlake, artista norte-americano, vai estrearse em Portugal no dia 1 de junho. O concerto no Rock in Rio Lisboa faz parte da digressão The 20/20 Experience, que se vai iniciar em Março. O álbum do cantor com o mesmo nome que saiu em fevereiro atingiu o 9º lugar nos tops nacionais de vendas. Depois da prestação no Rock in Rio de 2013 no Rio de Janeiro, Roberta Medina, vice-presidente do Rock in Rio não exitou em dizer “É este mesmo espírito que queremos levar para o Rock In Rio-Lisboa”. A banda canadiana Arcade Fire foram os segundos confirmados. A banda é cabeça de cartaz do dia 31 de maio. Roberta Medina realçou que os Arcade Fire “são uma das bandas mais pedidas pelo público português”. Os canadianos lançaram no passado mês de outubro o quarto álbum, Reflektor. Este festival que acontece de 2 em 2 anos no Parque da Bela-Vista em Lis-

boa tem data marcada para os dias 23, 25, 30 e 31 de maio e 1 de Junho. O bilhete diário custa 61€ e vai se posto à venda em breve. O Optimus Alive! outro festival que acontece na capital portuguesa também já confirmou dois nomes que vão marcar presença na edição de 2014. Arctic Monkeys e The Lumineers vão animar o público no dia 10 de julho. O festival vai decorrer nos dias 10, 11 e 12 de julho. Os Arctic Monkeys são os cabeça de cartaz do primeiro dia do festival. A banda inglesa lançou AM, o seu quinto álbum, no início de Setembro e marca presença pelo segundo ano consecutivo nos festivais de verão portugueses. Os norte-americanos Lumineers juntam-se aos Arctic Monkeys no palco principal do Alive!. A banda atua pela primeira vez em Portugal. O single “Ho Hey”, um dos mais conhecidos dos Lumineers, ficou durante 18 semanas consecutivas em primeiro lugar da tabela rock da Billboard. Além fronteiras também já começaram a surgir nomes que preenchem os cartazes dos grandes festivais. Lily Allen já confirmou a atuação na edição de 2014 do Glastonbury, festival inglês que acontece na cidade com o mesmo nome. Em Espanha, o Primavera Sound de Barcelona anunciou o concerto dos Arcade Fire que acontece de 29 a 31 de maio.

Justin Timberlake, Arcade Fire, Arctic Monkeys e Lumineers são as bandas que já estão confirmadas para dois dos maiores festivais de verão portugueses | Foto: DR

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Beyoncé regressa a Portugal para dois concertos em Março A cantora pop Beyoncé vai atuar em Lisboa, na Meo Arena, a 26 e 27 de Março. Esta é a terceira vez que a cantora visita o nosso país.


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20|25: a reivenção do passado no Portugal Fashion Abstrart: O melhor presente da moda portuguesa

Coleção primavera/ verão 2014 | Foto: Cortesia 20|25

O Portugal Fashion comemora o melhor da moda portuguesa na sua 33ª edição | Foto: Portugal Fashion

20|25 despertou o interesse na última edição da ModaLisboa Depois do seu arranque em Lisboa, a 33º edição do Pore é uma das marcas mais promissoras a nível nacional. Sílvia Silva Vinte e vinte cinco era a idade de Vitor Gouveia e João Soares quando decidiram criar a marca em Março de 2012. Apesar de ser um projeto muito jovem, a iniciativa partiu do “gosto de criar tendências e dar-lhes um cunho pessoal”. Hoje são uma dupla de jovens criadores que aposta essencialmente no vestuário feminino urbano com pormenores associados ao “sportswear” e com alguns detalhes “casual”. A estética da marca está diretamente ligada às tendências atuais e cada peça resulta de um processo criativo levado até à exaustão. “O nosso processo como marca trabalha muito uma peça e carregamos essa peça com pormenores”, afirmam. A 20|25 assume-se como uma marca comercial, cujo objetivo é cobrir as necessidades do cliente. A dupla acrescenta que “enquanto designers de moda temos de cobrir necessidades e continuar a saciar o gosto das mulheres. A moda não é para ser percebida, é para ser consumida”. E é o ponto de vista fortemente comercial da marca que transforma estes jovens designers numa das duplas mais promissoras a nível da moda nacional. Foi na última edição do Sangue Novo da ModaLisboa que 20|25 despertou a atenção do público com a sua primeira coleção de primavera/verão 2014. “Rewind” é uma coleção constituída maioritariamente por padrões inspirados nas tribos astecas. Um conceito que resulta da “tentativa de reinventar e transportar o passado para o presente e o futuro”. Se antes da ModaLisboa já existia um certo mediatismo e curiosidade em relação à 20|25, o interesse triplicou

quando Jessica Athayde atendeu ao evento vestida pela marca. Destacada como “look do dia” pela imprensa da especialidade, a dupla acredita que “ela foi muito importante porque lançou-nos para outro nível”. Mas o feedback positivo de “Rewind” é o resultado de um processo estratégico da marca. “Se nós vamos a uma ModaLisboa, vamos apresentar tendências para a próxima estação. Portanto se não apresentamos algo conceptual, não estamos a cumprir o nosso papel”. Como jovens criadores, a marca 20|25 nasce através de uma união de esforços económicos. Desenvolver uma coleção revela-se um investimento dispendioso onde os patrocínios e os apoios por parte das empresas são fundamentais. A dupla trabalha durante o dia numa empresa de design de moda para terem suporte financeiro e apostarem na marca em paralelo. Confessam que “é muito difícil produzir uma coleção porque é necessário algum investimento. E o investimento nunca vai ter o retorno total”. Para obter uma solidez financeira, João e Vítor estão ainda empenhados na divulgação da marca. Com um público-alvo jovem, existe já um ponto de venda no Muuda e a coleção de primavera/verão 2014 vai entrar brevemente em produção. A nível de projetos futuros, não escondem o interesse em prosperar na área da moda fazendo mais e melhor: “A próxima coleção tem de ser muito melhor porque quem não nos viu até agora, vai querer ver”. Até lá podemos contar com a exploração de novos padrões com diferentes formas, cortes, materiais e texturas.

tugal Fashion rumou à Alfândega do Porto - entre 24 e 26 de Outubro - para mostrar o melhor da moda portuguesa. Sílvia Silva Depois do primeiro dia em Lisboa, o Portugal Fashion instala-se na Alfândega do Porto, num dia em que a ‘passerelle’ é fechada com chave de ouro com a colecção “Sketchcolors”, de Katty Xiomara, onde “o azulejo português foi a tela escolhida para celebrar a herança”. Uma das principais novidades desta edição é o showroom Brand Up, em que os criadores podem mostrar e vender as colecções ao público e a 30 agentes de compras nacionais e internacionais, espaço que a partir de hoje e até sábado está aberto em simultâneo com os desfiles na Alfândega, embora com um horário alargado, das 15:00 às 23:00.

O destaque vai ainda para a colecção “Between”, por Meam by Ricardo Preto, coordenados “entre o passado e o futuro” e que representam a procura do equilíbrio estético, com padrões inspirados em azulejos, flores e paisagens em cores suaves e doces. Na ‘passerelle’ principal, o segundo dia começa, às 19:00, com o triplo desfile de Alexandre Tique Alexandre, Taússe Daniel e Telma Orlando, seguindo depois pelas propostas de Anabela Baldaque e Elisabeth Teixeira. O Espaço Bloom dará oportunidade para ver as propostas para a próxima estação de Elionai Campos, Mafalda Fonseca e Carlos Couto. O Portugal Fashion é um projecto da responsabilidade da Associação Nacional de Jovens Empresários.

Esta edição arrancou com a coleção de Katty Xiomara | Foto: Lusa


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“Inspiro-me maioritariamente na vida urbana” Num atelier pequeno e com pouca luz estão espalhados pela parede os esboços da nova coleção de Estelita Mendonça. O criador da marca, João Mendonça, de 26 anos, recebeu o prémio de melhor novo talento de 2012 e já apresentou coleções em Madrid e em Viena. A uma semana de apresentar a sua nova coleção na 33ª edição do Portugal Fashion, este reflete sobre as dificuldades que enfrenta como jovem designer nacional e sobre o estado desta arte em Portugal. Sílvia Silva

Como surgiu a paixão pela moda?

Tudo começou quando trabalhei como manequim. Um dia estava na rua, fui abordado e aceitei. No entanto, quando entrei em contacto com o mundo da moda percebi que aquilo que realmente me entusiasmava era a parte da criação da roupa e não ser modelo. Depois comecei a estudar na Academia de Moda do Porto. Rapidamente comecei a participar em concursos como o Acrobatic, a Exponoivos e no Wolke Bos - um concurso de jovens designers da moda portuense. Mais tarde, um professor meu da Academia propôs-me apresentar a minha coleção no Bloom, espaço dedicado aos novos criadores no Portugal Fashion, e aceitei claro!

tava a ganhar reconhecimento pelo meu trabalho. É sempre bom receber algum “income” pelo teu esforço. E claro, é sempre mais um elemento que destaca o teu currículo. E tornase mais fácil adquirir patrocínios. Se antes me viam como o João da esquina que fazia uns desenhos e uma ou outra peça de roupa, agora sou o João melhor novo talento e as pessoas ficam menos reticentes em ajudar.

Nessa altura, chegou a conhecer muitos jovens que apresentaram no espaço Bloom?

Já conhecia quase todos! Na verdade, se havia três criadores que não conhecia era muito! Todos nós investimos muito nesta área e participamos em inúmeros concursos de moda, por isso fomos-nos conhecendo não só como criadores, mas como pessoas.

Sentiu-se mais confiante no seu primeiro desfile uma vez que estava rodeado de amigos?

De certa forma estávamos todos no mesmo patamar. Mas no dia do desfiles mal temos tempo para falar uns com os outros. Os bastidores são sempre uma azáfama total. É tudo a correr de um lado para outro, preparativos de última hora, atrasos e imprevistos.

algodão. Todos os tecidos que compro são nacionais, que provêm quase todos de apoios. Por exemplo, há uma fabrica em Guimarães que me forneceu a maior parte dos tecidos desta estação. No que toca à execução, na maior parte das vezes, sou eu que costuro sem auxílio de máquina. Eu próprio faço as costuras e os cortes.

Quais são os tipos de materiais que usa predominantemente nas suas Já alguma vez pensou fazer o seu próprio padrão? colecções?

Como descreve a sua identidade Depende. Na colecção passada uti- Sim, já o fiz. E é o processo que goscomo designer? lizei tendas de campismo como pon- to imenso. Como resultado do PortuEu aposto no vestuário masculino com personalidade e inspiro-me maioritariamente na vida urbana. Estou sempre aberto a novos cortes, a novas formas e até materiais. E livre de preconceitos, claro. Como designer sou uma pessoa com muitas perguntas que procura respostas através das suas criações.

Qual foi a sensação de apresentar a marca pela primeira vez no Portugal De onde surge inspiração para as Fashion? Foi completamente diferente. Quan- suas colecções? do participamos em concursos estamos limitados a um tema. Agora no espaço Bloom do Portugal Fashion, tu apresentas a tua própria coleção e tens a oportunidade de expressar a tua identidade como designer. Trabalhas num conceito com liberdade total e é isso que te diferencia dos outros criadores.

Eu já fiz algumas peças femininas e já as apresentei, inclusive. Mas não dei tanto ênfase. Tal como disse, criar peças e agradar os homens é um desafio árduo que eu pretendo vencer. Talvez um dia, mais tarde. Vou voltar a fazê-lo mas, para já, dá-me muito mais prazer trabalhar os cortes masculinos.

De tudo e mais alguma coisa . Principalmente no que me rodeia. Seja na natureza ou mesmo em conversas com amigos. Uma das minhas mais recentes inspirações surgiu de uma crise de existencialismo. O importante é retirar o melhor de cada experiência. Como designer, porque é que escolheu explorar a moda masculina? É um mercado com bastante expansão e não é tão desenvolvido em relação à moda feminina. E também é um mercado mais difícil, logo, o desafio é maior. É bem mais complexo desenhar roupas masculinas, porque para além do vestuário não ser tão versátil, os homens são muito picuinhas (mais até do que as mulheres)! Claro que criar peças femininas é uma tarefa bem mais linear, apesar de haver sempre o problema de assentar bem. Grande parte das vezes apenas na hora é que sabemos quem será a manequim e o tamanho do peito e anca fará toda a diferença para evidenciar o corte da peça. Mas nos homens também há problemas como a largura dos ombros/tronco. As mulheres são mais ousadas, os homens mais recatados e usualmente optam pelo mais simples e similar a todo o seu género. É aí que vejo o desafio e isso é muito estimulante. Querer ser realçado no mundo da moda com peças masculinas. Sempre que começo a desenhar a silhueta transforma-se automaticamente em formas masculinas.

Depois da sua estreia no Portugal Fashion ganhou o prémio de melhor novo talento do Fashion Awards 2012. Este “award” marcou a sua carreira? Nunca pensou em apostar na criação Sem dúvida. Senti que finalmente es- de um linha feminina?

to de partida. Para exprimir a ideia de “habitat portátil”, inspirada na arquitectura, fui comprar tendas. Tentei modelá-las ao corpo e explorar até que ponto eram confortáveis e fáceis de manusear. Na minha nova colecção, optei maioritariamente por

gal Fashion a marca Volvo propôs-me que vestisse o seu novo modelo V40. Mas penso que poucos compreenderam o conceito. Este era inspirado numa pedra de mármore para transmitir a segurança, estabilidade, densidade incríveis do automóvel.

Estelita Mendonça é um dos nomes mais promissores no mundo da moda | Foto: Sílvia Silva


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Mas quando os designers criam o seu próprio padrão, eu acho que não é algo muito valorizado pelo público - para além de ser um processo dispendioso! Desta vez, regressa ao Portugal Fashion fora do espaço Bloom mas já no alinhamento principal ao lado de nomes como Luís Buchinho e Miguel Vieira.

final veio ter comigo porque me queria comprar uma peça. E eu fiquei: “O quê? Como? Mas isto é um desfile!”. É bom receber um feedback positivo por parte da audiência.

Quais são os seus projectos futuros?

Para já vou apresentar a minha nova colecção (que já foi apresentada em Viena) nesta edição do Portugal Fashion. Espero obter frutos do desfile. De futuro, adorava criar uma linha de sapatos. Já desenhei alguns mas neste momento, para as minhas colecções é impossível. Novamente pelo factor monetário. Há poucas empresas de fabrico de sapatos em Portugal e cada molde (não o sapato) custa duzentos euros. As pessoas não têm noção mas o que custa mesmo é o molde. Isso desmotiva imenso mas espero muito em breve lançar a minha linha. Por último, ando a trabalhar no lançamento da minha loja online. Para além de que a internacionalização da marca é um dos meus principais objectivos!

Como descreve a sua nova coleção?

Eu parti do conceito da “identidade”. Conceito esse que me levou a outras questões filosóficas de existencialismo, mas a ideia principal é que quando tu vestes um uniforme deixas de ser o João ou a Sílvia mas passas a ser o médico ou o polícia. Os uniformes destas profissões retiram a identidade a um indivíduo. Uniformiza-o.Então eu peguei neste conceito inicial para tentar perceber o que é identidade. Usei a ideia pré-concebida de uniforme, associada à ideia de anonimato da identidade do indivíduo para representar a ideia de criação de um novo original através da reinterpretação de vários originais. E por esse motivo, como acessório principal desta colecção, desenhei uma máscara que ocultará o rosto aos modelos. A máscara exprime o conceito que pretendo transmitir e incentiva à criação do próprio estilo dentro de uma sociedade tão homóloga.

Estelita Mendonça com a máscara usada pelos seus modelos no desfile do Portugal Fashion | Foto: Sílvia Silva

O João é considerado um dos nomes E depois ninguém dá o valor mer- importância. As pessoas ainda não mais promissores no mundo da ecido das peças. As pessoas olham têm noção da quantidade de dinheiro para a peça, gostam do tecido e do que este sector movimenta. Em Pormoda. Como lida com as críticas? Nesta área da moda o apoio é essencial. Mas garanto que as críticas não me afectam. Pelo menos eu ignoro isso tudo e mantenho-me fiel a mim próprio. Mas confesso que na apresentação das minhas primeiras colecções me deixei afectar. Agora já não. Sou muito proteccionista e penso que por vezes o maior problema sou eu mesmo. Quero sempre fazer algo melhor do que a colecção passada, uma vez que sei que é isso que o público espera e não o quero desapontar.

Como jovem designer nacional, quais são as dificuldades que enfrenta no nosso país?

Em primeiro lugar, a dificuldade monetária. É muito giro criar uma colecção mas as pessoas não fazem ideia das horas e do trabalho que exige nem do dinheiro que está ali investido. É muito dispendioso. A primeira vez que crias uma colecção até podes achar que não é nada de especial mas depois tens de criar uma colecção de seis e seis meses e aí percebes que sai muito caro. E isto só falando da colecção em si porque eu também tenho outras despesas como qualquer ser humano. Eu não tenho 2.000€ no bolso de seis em seis meses. Trabalho à noite para ter dinheiro e criar uma colecção de dia.

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corte mas depois vêm o preço e fo- tugal, a moda é vista como algo sugem. Eu próprio sei que duzentos eu- perficial e só os assuntos de política ros é caro, mas ninguém sabe aquilo e economia é que merecem relevo. que gastei para a confeccionar. Por Olham para ti como um tolinho que exemplo, há certas peças que exigem rabisca uns desenhos sem qualquer um corte mais perfeito e eu mando respeito ou consideração. Já com um para as empresas para o fazer a laser. médico ou economista é completaComo é somente uma peça, na maior mente diferente. E de facto os criadparte das vezes, elas recusam. Inicial- ores nacionais não são respeitados mente só faço mesmo a peça, porque quanto mais valorizados! Felizmente, este preconceito não sei quantas irei tem vindo a desavender e considero parecer e há certas isso um travão para “procuro respostas pessoas que ainda a concretização dos através das minhas impulsionam os jonossos projectos. criações” vens criadores naPara além disso cionais como é o também existe uma crise enorme no sector têxtil, logo, caso do espaço Bloom do Portugal os tecidos são dispendiosos e para Fashion. Esta é uma área, que como conseguir obter lucro das peças é ne- todas as outras, necessita de apoio e cessário estabelecer um preço justo. divulgação. Mas claro que ninguém dará o devido valor quando temos peças muito no Como descreveria a experiência de mercado. Em segundo lugar, o nosso apresentar a sua colecção em Madrid país não tem cultura de moda e, con- e Viena? sequentemente, não há respeito por Foi fantástico, uma experiência abesta arte e pelas pessoas que a prati- solutamente nova. O modo como orcam. Somos muito atrasados nesse ganizam um desfile difere muito de sentido. Agora, nem tanto, porque Portugal e foi bom estar em contacto temos evoluído. Mas em compara- com outros criadores, trocar ideias e ção a Paris ou a Milão, Portugal não dinamizar o meu trabalho um pouco tem cultura a nível de design. Nestes por todo o mundo. Em Viena, nos países começou-se a dar importância bastidores, aconteceu-me uma situaao mundo da moda desde cedo e no ção que nunca me tinha acontecido. nosso país nunca lhe deram muita Um rapaz assistiu ao meu desfile e no


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// Primeiro Plano

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Marta Fragateiro: entre o My Closet e Vestir por Menos Marta divide o tempo entre o blog e a rubrica Vestir por Menos que é transmitida na RTP. Entre passado, presente e futuro encontramos a constante que é a moda na vida da blogger.

Marta é uma amante de moda | Foto: Cortesia Marta Fragateiro Mariana Carvalho

Marta tem 36 anos e é licenciada em Direito mas nunca exerceu. A sua paixão sempre foi a moda e sempre soube que era isso que queria fazer para a sua vida. “Eu costumo contar uma história: os meus pais levavamme às compras para comprar sapatos porque precisava mesmo de os comprar, e se não me servissem, eu comprava-os na mesma. Depois era capaz de ter alguma dificuldade em usar”, conta entre risos. Durante oito anos teve uma loja de roupa no Porto e outra em Lisboa. Quando foi obrigada a fechar as lojas e ir trabalhar para a empresa de engenharia do pai as saudades da moda começaram a apertar. Isso aliado aos pedidos das clientes que estavam habituadas a que Marta fizesse parte da sua rotina diária de styling fizeram surgir a ideia de criar um blog de moda. Foi assim que nasceu o My Closet. Este é o espaço onde Marta partilha as suas ideias, inspirações, aquilo de que gosta. Mas a blogger confessa que já pensou em desistir deste cantinho “houve alturas em que eu achei que se calhar era melhor desistir, em que me dava muito trabalho

e a certa altura nós queremos sempre mais e melhor mas há sempre alturas em que achamos que não vamos conseguir chegar onde queremos. Mas graças a Deus depois as coisas começaram a correr muito bem”. O blog conta com uma média de 900 visitas diárias, mas essa não é a principal preocupação da autora. “Gosto de ver que há muita gente a ver o meu blog mas não é uma coisa que me deixe obcecada. Eu gosto é de ver pessoas veêm e são fieis. Gosto de saber que tenho ali um grupo de pessoas, maior ou menor, que me segue e que gosta daquilo que eu faço”. Foi o My Closet que lhe abriu as portas ao mundo da televisão. Até ao dia 28 de Dezembro vai ser transmitido na RTP, na Praça da Alegria, a rubrica Vestir por Menos. O programa surgiu na Academia RTP e Marta foi convidada para ser a cara do projeto.

Marta conta-nos que até agora foram gravados 12 episódios que foram comprados pela RTP mas não falta vontade de continuar com a rubrica. “Eu gostaria muito que fosse um projeto a longo prazo, a RTP para já ainda só nos comprou 12 episódios. Nós já acabámos de gravar esses doze, eles vão ser apresentados todas as sextas-feira por volta das 11h da manhã.” A rubrica

ajuda pessoas que se voltuntariam para, com o menor orçamento possível, encontrarem novos outfits que satisfaçam as necessidades. Marta confessa que está a fazer o que mais gosta. “As pessoas que me conhecem sabem que há duas paixões que eu tenho: a roupa e as pessoas”. O Vestir por Menos junta essas duas paixões e ajudou a descobrir a terceira: a televisão. A blogger admite que no futuro gostava de continuar a ser consultora de moda num programa de televisão, esse é o seu emprego de sonho. O programa também lança outro desafio: conciliar o seu gosto com o das participantes. Marta diz que “o gosto pessoal da participante é muito importante no sentido em que eu não quero impor nada em que a pessoa não se sinta bem. De qualquer forma, eu tento ajustar o gosto pessoal dos participantes com aquilo que eu acho que é moda, que é tendência e que fica melhor no corpo das pessoas”. E até agora a blogger e consultora de moda acertou e deixou sempre as participantes satisfeitas com as compras feitas. A inspiração vem de todo o lado, como confessa a blogger, “gosto de ver as pessoas que passam na rua, gosto de viajar e sentir-me inspirada

pelo street style que vou vendo. Sou capaz de estar sentada num jardim ou num café ou restaurante a ver as pessoas a passar e tirar ideias. Gosto de ver outros blogs, gosto de ver todo o tipo de sites, revistas de moda e é isso que me inspira no meu diaa-dia”. Apesar de dizer que não tem um estilo pessoal, Marta diz que a imagem de marca “são as minhas franjas, o meu cabelo e a minha maquilhagem forte”. Destaca-se também por não pensar duas vezes na hora de usar algo diferente do que vê no dia-a-dia, é uma admiradora das tendências de cada estação e nesta, não falta no seu armário o print animal e barroco e os acessórios maxi. Para o futuro, Marta quer continuar a dedicar-se ao blog e revela que tem algumas ideias em mente, uma das quais passa pela televisão mas que ainda não existe nada de concreto. Por agora podemos sempre vê-la no Vestir por Menos e no My Closet.


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As cores que marcam este Inverno As coleções que desfilaram nas Fashion Weeks não deixaram dúvidas: temos à nossa frente um Inverno colorido que promete afastar as tristezas dos dias frios. Mariana Carvalho

Azul Marine

Burgundy

Branco

Cinzento

Foi uma entrada direta para os guarda-roupas neste Inverno. Use e abuse em outfits homogéneos ou misturado com preto. Apesar de ter sido inspirado nas fardas militares, esta cor pede conjuntos femininos.

Foi estrela no Inverno passado e voltou para dar alguma cor aos dias frios. Marca de sofisticação, a cor de vinho é uma escolha perfeita para outfits formais.

O branco chegou para iluminar o Inverno. A grande novidade são os outfits onde esta cor é usada dos pés à cabeça. Para além disso é uma aposta segura quando conjugado com preto e cinzento.

É a cor neutra das cores de neutras e, como tal, uma aposta segura em todas as combinações. O cinzento aplica-se a todos os dress codes e a qualquer armário.

Dourado

Preto

Vermelho

Símbolo de riqueza e sensualidade, o dourado veio dar glamour a esta estação. Usado em acessórios ou em qualquer peça de roupa faz brilhar qualquer um.

É a cor obrigatória de qualquer Inverno. Continua a ser uma das cores preferidas dos diversos estilistas para as estações frias. Pode ser usado num look integral com diversos materiais a salientar as formas do corpo feminino.

O vermelho é a cor da paixão e da sensualidade. Mas é também um símbolo de luxo e ostentação. É uma cor que dá sensualidade a qualquer outfit. Seja em looks totais ou combinado com outras cores, é uma aposta a ser feita para a estação mais fria.

sh)

Um Inverno Rosa (Blu

1.

2.

3.

Rosa

É a maior surpresa deste Inverno. Sempre associado a romantismo e delicadeza, o rosa apoderou-se principalmente dos casacos que deixam a delicadeza de lado e se mostram mais do que suficientes para enfrentar a estação fria.

4. 5.

6.

1. Blazer By Malene Birger, 350€. 2. Casaco Rochas, 1.245€. 3. Casaco Miu Miu, 1.800€. 4. Casaco Carven, 550€. 5. Casaco Stradivarius, 59,95€. 6. Casaco H&M, 49,95€.


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“A gente trabalha sempre para con com a vida que tem, eu acho que

Desporto Fomos recebidos ao som de música brasileira no estúdio H1 Produção de Eventos em Matosinhos. Enquanto esperavamos que o ensaio da banda com o mesmo nome acabasse percebemos a boa disposição que reinava na sala. Hélton recebeu-nos com um sorriso e com um à vontade enorme. E não hesitou em começar a responder logo às questões do Primeiro Plano. Anabela Mendes, Mariana Carvalho e Pedro Morais

Como é que foi a sua infância?

E não tenho de reclamar da minha infância, sabe? Embora não tenha tido um terço da condição que eu tenho hoje, mas fui muito feliz, tive muita coisa para guardar e para partilhar com os meus filhos.

Quais eram as suas condições nessa altura?

Eram as condições financeiras propriamente ditas. Eu nem sequer tive condições de fazer um teste com o meu próprio dinheiro no Vasco da Gama,fui indicado no Fluminense, fui indicado no Flamengo através de amigos que me levaram. Quando eu fui para o Vasco da Gama eu não tinha condições, juntei algum dinheiro e pedi emprestado o restante para ir lá fazer a inscrição. E depois eu comecei a dar seguimento a isso, tive pessoas que me ajudaram lá dentro, inclusive uma das pessoas que me ajudou muito, muito lá dentro se chama Carlos Germano e que hoje é o treinador lá e que era o guarda-redes titular. Foi uma pessoa que me ajudou muito lá dentro e que estou muito grato até hoje.

E quando é que deu os primeiros passos como guarda-redes? Comecei um pouquinho tarde, já com

15 anos. Mas foi no tempo certo, o tempo que Deus quis, eu acho que é por aí.

Nos jogos entre amigos tinha o hábito de ir à baliza, foi aí que nasceu o gosto pela posição?

(Hélton ri-se) Foi justamente aí. Eu sempre joguei de ala direita, o lateral direito, que eu comecei em futsal. Eu era muito preguiçoso quando era pequeno e não queria correr, eu queria jogar futebol mas não queria estar a correr muito, só com a bola no pé e não é por aí (risos).

Quais são as melhores memórias que guarda do Brasil?

O clima tropical (risos), que andar no calorzinho é maravilhoso. Guardo algumas experiências que eu tive, experiência de vida, o estudo foi uma condição para poder pensar melhor e vir para cá. Guardo o carinho dos meus amigos e da minha família, isso aí não tem como ninguém apagar.

Foi complicado deixar isso tudo para trás?

Na verdade foi aquilo que eu lhe falei, eu acabei por não deixar, eu guardei, guardei para que um dia eu pudesse usufruir melhor e é o que acontece hoje, sempre que eu tenho oportunidade, sempre que eu tenho uma folga aqui no meu trabalho, folga na banda, eu pego o avião e vou lá revê-los ou então peço para que eles façam um sacrificiozinho e venham cá curtir um pouquinho o frio (risos).

Hélton começou a sua carreira no mundo do futebol profissional no Vasco da Gama dep

Disse há pouco que foi indicado para Era a esperança de um dia poder ser alguém o Flamengo e para o Fluminense mas que não conseguiu ser captado. Foi na vida, ser reconhecido.” uma altura complicada? sistir da sua carreira? fiz o teste e passei. Num jogo conSim, eu no Fluminense fui indicado por um grande amigo que me evou e justamente quando eu fui pegar os documentos do meu pai, o meu pai é separado da minha mãe, fui pegar os documentos e esse meu amigo sofreu um acidente, justamente no dia em que eu não fui com ele. A minha mãe ficou preocupada e daí pediu para que eu não fosse mais. E no Flamengo eu passei também no teste, já tinha tudo certo, só que eu sofri um acidente (risos). Eu tive um traumatismo craniano. Fiquei 24 dias em coma e dois anos parado de qualquer atividade.

Como é que reagiu a essa lesão e como é que teve a força para não de-

Quem acompanhou, eu tenho uma pessoa que pode responder e muito bem a isso e mais conhecido como Magu (risos). Ele me acompanhou e foi ele inclusive que me levou para o Flamengo na altura e acompanhou todo o problema que eu tive. E ele mesmo dizia, vai ser complicado jogar futebol, fazer qualquer outro tipo de atividade. Mas depois foi fácil, tive o apoio de muita gente, muitos amigos, fisioterapia, fui levando aquilo.

E foi nessa altura que entrou no São Cristovão. Exato. Quando eu voltei a fazer atividade aí surgiu oportunidade de ir ao São Cristovão fazer o teste,

tra o Vasco um olheiro viu e pediu para que eu fosse fazer um teste lá.

Como é que foi a chegada ao Vasco da Gama? Foi muito bom porque lá existem várias escolinhas e exite uma coisa que se chama penera, que são as avaliações e eu quando fiz o meu primeiro teste na penera tive a sorte de ter uma pessoa ligada ao núcleo do Vasco e ele me indicou para que eu fizesse um teste já lá dentro. E isso para mim foi muito bom, tive essa sorte e consegui passar. E aí junto de um treinador que se chama Agostinho Cunha que é português (risos). Ele me deu essa oportunidade, me viu


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nseguir algo mais, aquele que está satisfeito não é uma pessoa totalmente feliz” piadas. Como foi ser chamado para a seu 3º ano, se não me engano, ou 4º ano e se colocou totalmente disseleção do seu país? Foi muito boa, até porque quando você é convocado para uma seleção de base no Brasil e devido à grande massa de atletas que surgem, você tem de se sentir maravilhado. Tive oportunidade de não somente ser chamado para a seleção fui campeão com a seleção não só uma vez. São coisas que as vezes te faz se motivar, essa é a grande verdade. É um incentivo que vem numa hora boa, você tem de relembrar aquilo tudo que você conseguiu conquistar e que nunca ninguém vai tirar. Essa é a grande verdade. Podem falar o que quiserem, podem especular o que quiserem, mas isso ninguém mais te tira.

Depois o Hélton saiu do Vasco para a União de Leiria. Foi uma saída que lhe custou por deixar para trás um clube que lhe deu tanto? Não, não foi triste pelo facto de sair do país, de sair do clube que eu estou grato porque me abriu as portas, mas saí um pouco triste da forma que

saí, quando não havia necessidade. Mas isso já é passado, isso já foi resolvido e eu quero é viver (risos).

ponível para me ajudar e ao mesmo tempo estudar. É como a gente diz, fui cobaia mas fui cobaia de uma pessoa com um coração bom. E realmente eu melhorei e continuei a jogar futebol e eu sou grato a ela por isso.

Duas épocas depois juntou-se ao seu atual clube, ao Futebol Clube do Porto. Como é que recebeu a notícia, ficou feliz?

Com certeza, a gente trabalha sempre para conseguir algo mais, aquele que está satisfeito com a vida que tem, com aquilo que conquistou, eu acho que não é uma pessoa totalmente feliz e eu procuro ser sempre.

Esta é a sua 9ª época ao serviço do Futebol Clube do Porto. Sente que já faz parte da história do clube? Sinto que já pude marcar algumas coisas, mas também sou realista, não me cabe a mim estar a pôr nos placards aquilo que eu fiz. Se há o interesse, se alguém for grato por isso e tiver mesmo vontade que o faça. Não ´é o Helton que tem de colocar nos placards aquilo que eu consegui conquistar, coisas que nem sequer são divulgadas.

Como é que foi a adaptação ao campeonato português devido à Mas o Helton é um fenómeno de diferença que existe entre os campe- popularidade dentro do Porto, isso já é algo sabido. Não sente que por isso onatos e mesmo entre as culturas? Em relação à diferença nos campe- já faz parte da história?

pois de fazer testes no Fluminense e no Flamengo | Foto: Mariana Carvalho

treinando e me começou a orientar: “Olha, segue por este caminho aqui que você pode trilhar e conseguir o seu objetivo maior.” E daí eu acreditei nele, tive a sorte de encontrar uma pessoa como ele que era ligado ao clube e que ia ser uma pessoa que realmente me ia dar um caminho bom, ele ia-me dar uma boa indicação.

Se há algo que ninguém pode negar é que o Hélton tem um curriculo invejável em termos de títulos. Os primeiro títulos foram precisamente conquistados no Vasco da Gama, um campeonato brasileiro e uma copa Mercosul. Como é que foi vencer esses dois grandes títulos ao serviço do Vasco? Eu no Vasco da Gama não tive só a Mercosul e o campeonato, mas tive também um campeonato Libertado-

res, tive um campeonato Carioca, tive um campeonato de São Paulo. Isso tudo guardo. Foi muito bom, muito bom por vários motivos, porque além de ser novo eu estava aprendendo com pessoas que realmente já estavam no mercado mundial. Então eu tive essa oportunidade e ao mesmo tempo eu não levava a ideia de somente trabalhar. Havia um objetivo sim, que era ganhar o meu sustento e ao mesmo tempo ajudar os meus parentes, os meus familiares com aquilo, mas havia um prazer, havia algo mais do que aquilo. Era a esperança de um dia poder ser alguém na vida, ser reconhecido. Então isso foi-me ajudando a crescer e ao mesmo tempo a fazer com a melhor gana.

Com estes títulos veio a chamada para representar a seleção nas Olim-

onatos e nas culturas, desde o momento em que você sai do seu país já encontra uma diferença, a climática ou a de personalidade, você vai sempre encontrar, isso é normal. Então é uma questão de adaptação. Você faz uma escolha para a sua vida. Você tem de focar o seu objetivo, é por aí.

Por esse motivo sim, mas infelizmente não são os adeptos que mandam (risos).

Uma vez que é um jogador com imensos títulos e uma pessoa fulcral no Futebol Clube do Porto, a saída alguma vez foi uma possibilidade? Tive algumas propostas. Tive coisas

E lembra-se do dia em que se estreou que me fez pensar muito e que pesou na hora da decisão e um desses pepelo Leiria? Lembro e como me lembro (risos). Camisola número 78 inclusive (risos).

Foi um dia marcante?

Foi, foi, porque era mais uma conquista para mim. Eu passei muito tempo, eu tive uma fratura pelo stress inclusive no Vasco nessa altura e que os médicos não estavam conseguindo me ajudar e eu tive uma pessoa que eu também sou muito grato que se chama Cynthia Sales, que era uma estudante de fisioterapia, estava no

sos enormes que eu coloco sempre foram e são os meus filhos, isso não nego.

Em 9 épocas já viu entrar muitas caras novas e sair alguns colegas. Como é que lida com estas saídas?

É complicado porque a gente não quer, está sempre nos ajudando, a gente se adapta ao estilo, até mesmo ao comportamento dessas pessoas dentro do balneário. Mas nós sabemos que eles estão indo para algo


30 melhor e acredito que seja algo melhor também para o clube. Quando digo algo melhor é em termos financeiros, eu não posso dizer que perder um jogador que é bom, que é um ídolo vai ser bom para o clube, não é por aí, mas eu termos financeiros, eu não posso dizer que perder um jogador que é bom, que é um ídolo vai ser bom para o clube, não é por aí, mas eu termos financeiros acredito que seja bom para o clube também. Então a gente opta sempre pela felicidade dele mas nunca é bom, a gente nunca quer.

// Primeiro Plano Vamos passar agora a outro ponto importante da sua vida: a música. Qual é a importância da música na sua vida? A música é a minha terapia, é o meu spa. Não tenho mais como definir a música na minha vida.

Qual é que foi o seu primeiro passo na música? Foi quando eu comecei a entender que me fazia bem, em casa, com a minha mãe, ouvindo ela a colocar os vinis. Também fui discotecário

18 de Outubro de 2013 com o irmão dele, o Gigo Barcelo. Passado um tempo o Gigo também não aguentou, veio para cá e numa festa de aniversário nós nos juntamos para fazer um som, uma baguncinha. Foi quando surgiu a ideia de “olha, é para fazer é para fazer direito. Vamos ensaiar e tal”. E assim foi. Graças a Deus já gravamos DVD em Casa de Música, já fomos para o Rivoli, Londres, TMN Hall. Graças a Deus já rodamos bastante aí. E assim nós começamos, começou nessa de brincar numa festa de aniversário e hoje já está, graças a Deus, bem

E quais são as expectativas para esta época?

Nós estamos gravando agora o nosso CD de inéditas. Nós gravamos o nosso DVD em Espinho que foi cover. (Pensa um pouco) Minto, acho que tocamos uma música inédita que acho que ficou no DVD. Agora a ideia é o CD de músicas inéditas, nós estamos nesse processo agora de gravação. Se Deus quiser, para o ano Universal, olha aí (risos).

Para além do aniversário conquistou uma Liga Europa. Pois, acho que não tem como escolher um outro momento: capitão de equipa, levantar a taça de um título, sabe? Dia do meu aniversário. Acho que foi o momento, foi aquele momento sim que “oh pah, olha a benção que eu recebi”.

De que cor é o seu coração?

Este ano acaba o contrato com o Porto. Se não renovar, vai pousar as botas? Para Hélton o seu instrumento é o cavaquinho ou a viola | Foto: Mariana Carvalho

através do meu amigo que me levou para o Flamengo. Ele me ensinou algumas coisas enquanto DJ e consegui algum dinheiro ainda assim.

profissional.

O Hélton é mais conhecido no mundo do futebol do que na música. Acha Foi quando eu assinei o meu primeiro que tem mais queda para o futebol contrato. Ali foi o grande momento da E quanto aos H1, como é que nasceu ou para a música? minha vida, foi o grande passo que este projeto? Eu caio cantando, levanto tocando,

Já falámos há pouco do curriculo do Hélton, é de facto invejável. Se sair este ano sai satisfeito com aquilo que fez?

Sim, eu estou sempre satisfeito com aquilo que faço, óbvio que sempre buscando algo mais. A gente não se pode sentir triste ou insastifeito por algo que tenha feito, tem se calhar de ficar muito chateado por algo que não possa fazer. O restante a gente tem de correr atrás.

No final da carreira pretende manterse ligado ao futebol?

Confesso que não parei para pensar nisso, confesso que não parei para me imaginar num cargo. Mas uma vez que tenho visto alguns colegas fazendo e bem, porque não dar um tempinho para pensar nisso?

Aqui tem sido. Eu na altura do Vasco inclusive eu tocava e jogava e muitos dos meus colegas até me acompanhavam, nunca tive esse problema. Mas aqui é assim há de alguma formas alguns momentos que liberam para que eu vá tocar, para estar descontraido e dar continuidade ao meu projeto.

E quanto a projetos futuros, tem alguma coisa em mente?

O melhor momento? Foi no dia 18 de Maio de 2010 onde eu completei 33 anos. A sensação ali não tem como descrever.

eu dei de me sentir útil e de sentir o peso dessa responsabilidade.

É difícil conciliar a música e o futebol?

Isso é com o Carlos Paranhos, é o nosso diretor executivo. Eu mal sei o dia para tocar, ele fala assim “tens show amanhã” e eu “legal. Onde é?” e ele “também não sei, vamos embora” (risos).

Qual foi o melhor momento ao serviço do Porto?

Qual foi o melhor momento de toda a carreira?

guarda-redes, coitados (risos).

E próximos concertos?

Para esta época trabalhar, é uma das coisas que eu sempre digo. Não adianta a gente prometer e chegar lá dentro e não executar.

A princípio, eu não renovando vou dar continuidade na H1 Produções e Eventos, junto do meu amigo e irmão Carlos Paranhos e Tato Barcelo.

Quem é que costumam ser as suas vítimas? Na maioria das vezes os

Na verdade o nome não é H1, a banda era H1 MusicBand. H1 Music Band surgiu com o Betinho, que é o Carlos Paranhos e o Tato Barcelo, já existia um estudio de gravação no Brasil. Esse estúdio hoje já tem 12 anos, mais ou menos, no Rio de Janeiro. Quando eu vim para cá eu trouxe uma banda que eu ajudava, que eu era padrinho da banda, que era os Toque Social. E quis gravar um CD para eles e finalmente surgiu a minha ideia de montar um estúdio aqui e eu chamei eles para a gente começar a interagir. Surgiu uma outra oportunidade que foi a esposa do Carlos ser convidada para vir trabalhar para aqui, que ela é médica. E aí o Carlos vindo para cá a gente ficou ainda mais próximos e começamos a elaborar essa ideia do CD para esses meninos. Foi quando nós montamos esse tal estúdio de gravação aqui e convidamos o Tato para vir para cá e deixar o outro estúdio lá, que ficou

não sei (risos). Não sei, não sei mesmo. São as duas paixões, depois dos meus filhos.

Nos estágios do Porto o Hélton por vezes leva um instrumento. É a sua companhia nos estágios e a sua forma de relaxar? É, exatamente. Há quem goste de ouvir a sua musiquinha no phone, discreto no cantinho, há outros que gostam de cantar, há outros que gostam de jogar uma Playstation, há outros que gostam de navegar na Internet, o Helton gosta de um violãozinho, dum cavaquinho, é mais relaxado.

Os colegas do clube acompanham?

Quem cai no quarto com o Hélton, coitado, já vai sabendo que tem essa prova. Se ele conseguir passar, se ele conseguir dormir uma noite está aprovado, pode ter a certeza que ele nunca mais vai ter insónia (risos).

Você não precisa de ter um coração de uma cor diferente, da cor que você quer, para você se dedicar a isso. O coração vai bater mais forte, você vai sentir o seu pêlo arrepiar e você vai fazer coisas que não vai dar conta, só depois mais para a frente é que você “eu fiz aquilo?”, “porque é que eu fiz?”

Ainda há pouco disse que os seus filhos são a maior paixão da sua vida. E se eles quisessem ser guarda-redes?

Por acaso tenho um deles que gosta e até joga pela escola. Eu falo “filho, é o que eu te digo mesmo, o sofrimento é teu, está vendo a vida do teu pai como é, então qualquer problema que tenha num campo de futebol vão culpar o guarda-redes, quando não culpam o guarda-redes culpam o árbitro. As duas posições mais felizes que tem no futebol, é o árbitro de futebol e depois vem o guardaredes. Não há hipótese. Está vendo sofrimento, tem experiência de casa, agora é com você”. O que é que eu posso fazer?

Sei que o Helton tem uma relação muito próxima com a sua mãe. Como é que é a vossa relação nos dias de hoje com a vida mais ocupada?

Por acaso a minha mãe também tem uma vida bem torbulenta, a minha mãe é turismóloga e advogada, quando não está num lado está no outro. Mas a gente sempre arruma um tempinho para ligar, para saber como é que está. Ela vem cá e eu vou


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A Carreira de Hélton em Troféus

No Vasco da Gama: Campeonato Brasileiro - 2000 Copa Mercosul - 2000

Na Seleção do Brasil: Apesar de tocar bateria nos H1 Music Band, Hélton só aprendeu a tocar porque faltava um baterista na banda. | Foto: Mariana Carvalho

daqui para lá, a gente tem que viver. E eu dou esse exemplo hoje, tenho também o exemplo da minha mãe e eu digo sempre aos meus filhos que a gente não cria filhos para nós, a gente cria filhos para o mundo, a gente procura orientá-los para que eles tenham um pouquinho de sensibilidade para na hora em que eles forem abordados pelas consequências da vida. Então, é por aí. Eu tive de sair de casa cedo, tive de trabalhar, tive de ir buscar o meu sustento. E de lá para cá a minha vida é esta. Amo a minha mãe, sempre que posso estar junto estou mas a gente nem sempre consegue estar.

Eu tenho um curso de bombeiro hidráulico e de eletricidade. Imagina se eu me visse agora a pensar para onde é que eu vou, para onde é que eu vou caminhar quando terminar a bola.

Sim, sem duvida. Eu a cada momento que passo procuro sentir-me ainda melhor. Ter consciência de que as coisas não foram fáceis mas que foram conquistadas honestamente.

É insatisfeito, quer sempre mais? Qual foi o momento mais importante da tua vida a nível pessoal?

Foi o nascimento dos meus filhos com um especial que foi o meu mais novo que me deu um amor assim pela vida incrivel devido a uma infelicidade que podia acontecer. Mas foi um momento que me marcou muito, ele me fez retroceder e analisar coisas que sinceramente não dá motivo algum para uma pessoa se queixar da vida que tem.

É formado em Gestão de Empresas No futuro consegue ver-se a trabal- É um homem feliz com tudo o que já har naquilo que estudou? conquistou e já viveu?

B.I. do camisola nº 1 do FC Porto e baterista dos H1

Nome Completo: Hélton Silva Arruda Data de Nascimento: 18 de Maio de 1978 Idade: 35 anos Profissão: Jogador de Futebol e Músico Posição: Guarda-redes Clube atual: Futebol Clube do Porto Estado Civil: Casado Filhos: 3

É, isso é uma missão que eu acho que qualquer ser humano tem de ter, não se sentir satisfeito com o que já tem, usufruir sim mas sempre buscando algo mais.

O que é que dizem os seus olhos?

Sinceridade de quem eu sou, se eu não gosto, não gosto, se eu gosto gosto, as pessoas conseguem ver.

Torneio Pré-Olímpico - 2000 Copa América - 2007

No Futebol Clube do Porto: Liga Europa - 2011 Taça de Portugal - 2006, 2010, 2011 Supertaça de Portugal 2008, 2010, 2011 Campeonato Português 2007, 2008, 2009, 2010, 2012, 2013

2009, 2006, 2006, 2011,


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18 de Outubro de 2013

Portugal volta a descobrir o caminho para o Brasil 513 anos passaram desde que Portugal chegou pela primeira vez ao Brasil. Pedro Álvares Cabral foi quem liderou as nossas embarcações até terras de “Vera Cruz”, no ano de 1500, em plena época dos descobrimentos. A tripulação portuguesa chegou ao Brasil, porém, um pouco por engano, pois a viagem tinha como intuito chegar à Índia. Ontem, Portugal voltou a descobrir o caminho para o Brasil, mas desta vez com todo o mérito, numa viagem que tinha como objetivo único chegar ao país de Pelé, mais precisamente ao Campeonato do Mundo que aqui vai decorrer entre 12 de Junho e 13 de Julho. Pedro Morais

Cristiano Ronaldo foi o capitão da tripulação portuguesa e foi decisivo para que a seleção das quinas chegasse a bom porto. 3 golos do camisola “7” colocaram Portugal no mundial de futebol de 2014 e deixaram pelo caminho a suécia. A primeira parte do “play-off” realizou-se a 16 de Novembro, no Estádio da Luz e um golo solitário de Cristiano Ronaldo deixou a seleção nacional em boa posição para garantir o acesso ao mundial. A segunda parte jogou-se ontem na “Friends Arena”, em Estocolmo, onde 50.000 suecos criaram uma grande mancha azul e amarela. Mas os 11 que entraram em campo para defender as cores da nossa bandeira, não estavam sozinhos. 1.500 portugueses marcaram presença em território inimigo e muitos milhões seguiram o jogo pela televisão. Às 19:43 fez-se ouvir “A Portuguesa” em plena “Friends Arena”, cantado por Vera Guita, uma soprano portuguesa . Ainda que debaixo de um enorme coro de assobios – numa demonstração de falta de “fair-play” por parte dos anfitreães - os portugueses presentes não se acanharam e entoaram o hino a plenos pulmões. Seguiu-se o hino da Suécia, interpretado “A capella” por Tommy Körberg – um ator e cantor sueco – e 50 mil adeptos da equipa da casa, a fazer antever que os próximos 90 minutos não iam ser fáceis para Portugal. Passavam 2 minutos das 19h45, hora prevista do pontapé de saída. Quanto ao esquema tático, ambas as seleções entraram em campo com a mesma estratégia que foi utilizada na 1ª mão. A Suécia alinhou no habitual 4-4-2, enquanto que Portugal se manteve fíel ao 4-3-3. Os primeiros 15 minutos foram de equilíbrio e passaram sem oportunidades de maior para qualquer um dos lados, mas a Suécia tentou sempre tomar conta das operações. Portugal entrou na expectativa, pois cabia aos comandados de Hamren correr atrás do prejuízo. A partir do quarto de hora de jogo, a seleção das quinas soltou-se e começou a superiorizarse. Aos 18 minutos, Bruno Alves obrigou Isaakson a uma excelente intervenção com um forte cabeceamento, na sequência de uma bola parada. Portugal começava a deixar no ar a ideia de que não se deslocou à Suécia para segurar o resultado, mas sim

para “matar” a eliminatória e carimbar desde cedoum bilhete para o Brasil. As oportunidades sucederam-se, quase sempre pelos pés de Cristiano Ronaldo. CR7 acabou mesmo por desperdiçar uma oportunidade de ouro aos 36 minutos de jogo. João Pereira cruzou da direita, Nani falhou o desvio e o capitão português, na zona do penalty, acabou por rematar por cima. 3 minutos depois foi a vez de Hugo Almeida desperdiçar uma grande oportunidade: cruzamento de Ronaldo da direita e o camisola “9”, à boca da baliza, acabou por cabecear ao lado. O fim da primeira parte acabaria por chegar, sem mais lances de perigo. Portugal foi para o balneário por cima do jogo, com menos posse de bola, mas com uma posse de bola mais acertiva e ofensiva, mais remates e mais oportunidades. Ao intervalo Erik Hamren efetuou uma alteração ao nível do meio campo. Saiu Rasmus Elm e entrou Svensson. Foi uma troca por troca, mas não deixou de ser um risco corrido pelo selecionador sueco, pois a diferença nas características dos jogadores acabou por expôr a retaguarda dos suecos. Portugal, por sua vez, não efetuou qualquer alteração, o 11 que saiu para o balneário foi o mesmo que regressou para a segunda parte. Na 2ª parte Portugal entrou mais cauteloso e um pouco na expectativa. A Suécia entrou mais ofensiva. Aos 49 minutos, Ruí Patrício com uma grande defesa evitou aquilo que parecia um golo certo de Larsson. Os quase-festejos dos suecos deram lugar aos festejos dos portugueses. A bola sobrou para João Moutinho, na sequência do lance, que colocou Ronaldo na cara de Isaakson. O capitão português rematou cruzado de pé esquerdo à entrada da área e colocou Portugal em vantagem à passagem do minuto 50. Começava aqui a resposta de Ronaldo a Blatter, aos críticos e à Pepsi, que dias antes da partida divulgou uma publicidade onde um boneco de Cristiano Ronaldo – uma espécia de boneco de Voodoo – era atropelado por um comboio. Começava aqui a provar-se, mais uma vez, que um Ronaldo espicaçado é um Ronaldo imparável. Como seria de esperar, a Suécia foi atrás do prejuízo e tentou, de novo, assumir o controlo do encontro. Os suecos precisavam agora de 3 golos para assegurarem o passaporte para o Brasil e um golo rápido podia voltar

Cristiano Ronaldo foi, sem dúvida o homem do jogo | Foto: APF

a colocá-los na discussão da eliminatória. Aos 53 minutos Fábio Coentrão saiu lesionado e entrou Antunes. Seguiram-se 15 minutos de jogo um bocado amorfo, com a Suécia a tentar encontrar o caminho para a baliza portuguesa mas sempre de forma inconsequente. Tudo mudou ao minuto 68. Zlatan Ibrahimovic, a estrela da seleção sueca, saltou mais alto que toda a defensiva portuguesa após pontapé de canto e cabeceou sem hipóteses para Rui Patrício. Portugal tinha, ainda assim, 2 golos à maior e este tento de Zlatan não colocava em risco a vantagem portuguesa. Mas novo pontapé certeiro de Ibrahimovic aos 72 minutos na sequência de um livre direto mudou o cenário e colocou em sentido a seleção das quinas. Portugal estava ainda em vantagem na eliminatória, mas bastava um golo para que a Suécia passasse para a frente. Os jogadores suecos foram atrás do golo que lhes garantiria o acesso ao mundial, mas esbarraram, de novo, no pé esquerdo de Ronaldo. Nova transição rápida de Portugal, Hugo Almeida domina na zona do meio

campo, de costas para o a baliza adversária, vê Cristiano Ronaldo isolarse e, com um toque para trás sobre a defensiva sueca, deixa o capitão na cara de Isaakson. CR7 dominou de joelho e disparou de pé esquerdo um remate cruzado. “Eu estou aqui”, fezse entender nos gestos de Ronaldo, no festejo. E não fossem os suecos esquecer-se que CR7 lá estava, 2 minutos passaram até que o camisola “7” disferiu a machadada final no encontro e na eliminatória. Passe de João Moutinho e o capitão português sentou Isaakson e de baliza aberta rematou para o 3-2 que carimbou a presença portuguesa no mundial. Com muita garra e alma e com um capitão digno da braçadeira, Portugal voltou a descobrir o caminho para o Brasil.


18 de Outubro de 2013

// Primeiro Plano

3 golos portugueses Porto tiunfa em Vila do Conde para Paulo Bento ver Sporting e Belenenses defrontaram-se, este domingo, em Alvalade, em jogo a contar para a 13ª jornada da Liga ZON Sagres. 3 golos de jogadores portugueses (Adrien, André Martins e Wilson Eduardo) deram a vitória aos leões.

A diferença no Sporting entre 2012/2013 e 2013/2014 | Imagem: Pedro Morais

Welbeck descobre caminho para o regresso às vitórias Aston Villa e Manchester United defrontaram-se este domingo no Villa Park, em Birmimgham, numa partida a contar para a 16ª jornada da Premier League. Welbeck (2) e Cleverley foram os autores dos golos dos forasteiros que regressaram, assim, às vitórias.

Pedro Morais

37 mil adeptos deslocaram-se a Alvalade para assistir a mais uma vitória do Sporting, a 10ª neste campeonato e que permite aos leões manter a condição de líderes isolados. O jogo com o Belenenses não se avizinhava fácil. Os azuis do Restelo já tinham travado os outros 2 grandes - com empate na Luz e em casa frente ao FC Porto - e frente a este Sporting ofereceram quase 30 minutos de resistência. Ao minuto 28, Adrien Silva de grande penalidade desbloqueou o marcador. André Martins (53’) e Wilson Eduardo (87’) fizeram o resultado final. Com esta vitória, a 5ª consecutiva, o Sporting mantém-se isolado na liderança com 32 pontos, mais 2 que FC Porto e Benfica, principais rivais na luta pelo título. Leonardo Jardim é o principal responsável pela evolução dos leões da época transacta para agora: por esta altura, há 1 ano atrás, o Sporting tinha apenas 12 pontos contra os atuais 32. No capítulo da finalização, na época transacta os leões eram o pior ataque do campeonato com 11 golos em 13 partidas. Atualmente, são o melhor ataque da liga com 33 tentos certeiros.

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Jackson continua a faturar golos | Foto: Abola

Setenta dias depois da última vitória fora de casa, o FC Porto deslocou-se a Vila do Conde para defrontar o Rio Ave, em jogo a contar para a 13ª jornada da Liga zon Sagres. 3-1 foi o resultado final. Pedro Morais

Depois de uma série mais negra de resultados no campeonato português, com 2 empates e 1 derrota, os dragões parecem agora estar a estabilizar. Em Vila do Conde, os azuis e brancos dominaram quase toda a partida e justificaram a vitória. Carlos Eduardo esteve, de novo, em destaque por ser o grande impulsionador do meio campo portista. Depois de uma primeira aposta acertada no brasileiro no jogo contra o Braga, Paulo Fonseca parece agora não querer abdicar do camisola 20, que começa a dar provas de poder herdar o lugar de Lucho.

Com um meio campo muito dinâmico, composto por Fernando, Carlos Eduardo e Lucho, o FC Porto nunca perdeu o controlo da partida. Abriu o marcador através de Maicon, e depois de se deixar empatar – em mais um erro da defesa – nunca mais permitiu que o Rio Ave tomasse conta das operações. Procurou o 2º golo, que chegou na segunda parte. Jackson Martinez cabeceou sem hipóteses para Ederson. O 3º e último golo chegou pelos pés de Danilo num remate fulminante que só parou no fundo da rede. Com esta vitória o Porto mantém-se no 2º lugar, com os mesmo pontos do rival Benfica, e continua a 2 pontos do líder Sporting.

André Villas Boas demitido A direção do Tottenham Hotspur anunciou esta quarta-feira, em nota publicada no site do clube, a rescisão por mútuo acordo com André Villas-Boas. Pedro Morais

«O clube pode anunciar que se chegou a acordo com André VillasBoas para o fim dos seus serviços. A decisão foi por consentimento mútuo e no interesse de todas as partes», escreve o Tottenham.” Na origem da decisão terá estado a goleada sofrida em casa frente ao Liverpool (5-0), que veio agravar o fraco percurso da equipa no campeonato até ao momento. Os “Spurs” são 7º classificados, com 27 pontos em 16 jornadas e são um

dos piores ataques da competição. A relação entre o técnico e a direção do clube já estaria em rutura desde a goleada sofrida no “Etihad Stadium” por 6-0. É de lembrar que o Tottenham foi um dos clubes que mais se reforçou no defeso, com um investimento superior a 100 M de €. Villas-Boas comandou os londrinos em 80 jogos oficiais e venceu apenas em 44 ocasiões e foi o treinador com melhor percentagem dos Spurs desde 1899, mas isso não foi suficiente para convencer os responsáveis do clube.

Pedro Morais

Depois de uma série negra de resultados, com 2 empates e 2 vitórias, os comandados de David Moyes regressaram aos triunfos. Num dos terrenos favoritos dos “Red Devils”, Robin van Persie ficou de fora e David Moyes optou por colocar Welbeck no lugar do holandês. Rafael, Phil Jones e Giggs foram, também, novidades no 11. Destaque para a entrada na partida de Darren Fletcher, que regressou aos relvados depois de quase 1 ano parado devido a uma lesão grave. Os golos da partida foram marcado pelo internacional inglês Danny Welbeck (15’/18’) e Tom Cleverley (52’). Com este resultado o Manchester United soma a 7ª vitória em 16 jornadas e sobe aos 8º lugar, com 25 pontos. O Aston Villa manteve a 11ªposição com 19 pontos.


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// Primeiro Plano

18 de Outubro de 2013

Alemanha, Gana e Estados Unidos no caminho de Portugal

O sorteio para o Mundial de 2014 decorreu no passado dia 6 de Dezembro | Foto: Reuters

O sorteio para o mundial Fifa 2014 realizou-se ontem na Costa do Sauipe, Baía, no Brasil, país anfitreão do campeonato. Numa gala apresentada por Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert, atores e modelos brasileiros, conheceram-se os grupos da competição. Alemanha,Gana e Estados Unidos são os adversários de Portugal no grupo G. Pedro Morais

Eram 16:47 quando os potes com as bolas para o sorteio entraram em palco para se avançar para o sorteio propriamente dito. Estava na hora de os representantes dos países presentes e os milhões de telespectadores espalhados por todo o mundo ficarem a conhecer os adversários das suas seleções. Já se sabia, à partida, que o Brasil estaria no grupo A, na posição 1, como sempre acontece com os países anfitreões para que joguem o jogo de abertura. O pote 1, além do Brasil, era composto também por Espanha (campeã em título e nº 1 do ranking mundial), Alemanha ( nº2 ), Argentina (nº 3), Colômbia (nº4), Bélgica (nº5), Uruguai (nº6) e Suíça (nº7). O segundo pote era constituído pelas equipas africanas e da América do Sul e tinha, à partida 7 equipas. A França, que antes se encontrava neste pote 2, foi transferida para o pote 4 onde estavam as restantes seleções europeias, numa decisão muito polémica da FIFA. Antes de se conhecerem os grupos, uma das equipas do último pote ia ser sorteada para o 2 para que todos eles tivessem 8 equipas. No pote 3 estavam as seleções asiáticas e CONCACAF (América do Norte e América Central) e o 4º e último, como já referido, contava com as seleções europeias. Para realizar o sorteio subiram ao palco nomes sonantes do futebol.

Os ex-futebolistas Geoff Hurst, Mario Kempes, Fabio Canavarro, Matthaus, Zidane, Hierro, Cafu e Giggia foram os escolhidos para realizar a cerimónia. Antes de se passar aos grupos, passou a conhecer-se a seleção que transitava do pote 4 para o pote 2: a Itália.

Procedeu-se, então, ao sorteio propriamente dito. No grupo A, o do anfitreão Brasil, ficaram os Camarões, o México e a Croácia. No grupo B, com a campeã em título Espanha, ficaram Chile, Austrália e a vice-campeã Holanda. O grupo C, além da Colômbia, foi o paradeiro de Costa do Marfim, Japão e Grécia. Com o Uruguai, no D, o “grupo da morte”, ficaram Itália, Costa Rica e Inglaterra. No E, com a Suíça, ficaram Equador, Honduras e França, em mais um episódio polémico de todo o sorteio. As bolas ditaram que no F, com a Argentina de Lionel Messi, ficassem Nigéria, o Irão de Carlos Queiróz e a estreante Bósnia. O grupo G é o grupo de Portugal. Alemanha, Gana e os Estados Unidos da América são os adversários da seleção das quinas. Por fim, no H, ficaram Bélgica, Argélia, Coreia do Sul e Rússia. O primeiro jogo da competição está marcado para as 21h (hora de Portugal Continental) do dia 12 de Junho, na Arena Corinthians e irá pôr frentea-frente Brasil e Croácia. A primeira partida de Portugal no Mundial é contra o “tubarão” do grupo, a Alemanha,

e realiza-se no dia 16 pelas 17 horas (hora portuguesa) em Salvador. A partida contra os Estados Unidos está agendada para dia 22 às 20 horas em Manaus e o encontro contra o Gana é no dia 26, em Brasília, pelas 17 horas. Em caso de passagem aos oitavos de fi-

nal da competição no 1º lugar, Portugal irá defrontar o 2º classificado do grupo H (grupo da Bélgica, Argélia, Coreia do Sul e Rússia). Caso se qualifique em 2º lugar, a seleção das quinas irá medir forças com o 1º classificado deste mesmo grupo.

Grupos para o Mundial de 2014 | Imagem: Pedro Morais


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// Primeiro Plano

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Líder Arsenal tomba na fortaleza do “Etihad” O Manchester City fez mais uma vítima no seu estádio. Desta vez foi o Arsenal a sair goleado do antigo “City of Manchester”, em mais um grande jogo da Premier League. 6-3 foi o resultado final, que permitiu aos da casa encurtar a distância para o líder: o Arsenal. Com esta vitória os “citizens” fortalecem o seu percurso imaculado a jogar em casa no campeonato inglês: 8 jogos, 8 vitórias, 35 golos marcados contra 5 sofridos, numa média de 4.3 golos por jogo. Pedro Morais

8 jogos, 8 vitórias, 35 golos marcados e 5 sofridos: assim vai o percurso do Manchester City no “Etihad Stadium”. Ontem, os comandados de Pellegrini receberam e golearam o líder Arsenal e voltaram a mostrar que o factor casa é uma das suas maiores armas. Depois de despacharem adversários como o Norwich (7-0), o Newcastle (4-0), o rival United (4-1) e o Tottenham (6-0), os “citizens” esmagaram o Arsenal e reafirmaram-se como um dos maiores candidatos ao título. O Arsenal entrou para esta partida com uma confortável almofada de 5 pontos para Chelsea e Liverpool e de 6 para o Manchester City. Este jogo era o mais interessante da jornada, não só pelo número de estrelas de ambas as equipas, mas também porque uma derrota do Arsenal voltava a acender a discussão pela liderança. A equipa da casa entrou melhor e nos primeiros 10 minutos aplicou uma pressão sufocante ao Arsenal. Este constante assalto à área dos “gunners” teve resultados práticos quando à passagem do minuto 13, Aguero colocou a bola no fundo das redes de Szczesny. Canto da direita cobrado por Nasri, desvio ao primeiro

poste de Demichelis, e num vólei, em grande estilo, Kun Aguero marcou o seu 13º golo nesta edição da Premier League. Apesar do golo, os “citizens” não tiraram o pé do acelerador e continuaram a tomar conta das operações. Só por algumas vezes o Arsenal conseguiu chegar à área adversária e de forma tímida. Os “gunners” evidenciavam a falta de Ozil, desaparecido no encontro. Sem o maestro, o Arsenal não conseguia ter bola. Mas das poucas vezes em que teve espaço, o “11” acabou por fazer a diferença. Aos 31 minutos, após perda de bola de Yaya Touré, Ozil recebeu a bola na esquerda e tocou para a entrada da área onde apareceu o fulminante Theo Walcott, que com um remate de primeira deixou Pantillimon pregado no chão e restabeleceu o empate. O City não se deixou abalar pelo golo sofrido e reagiu. 2 minutos depois do golo de Walcott, Negredo recebeu a bola de David Silva e já dentro da área acabou por desperdiçar uma boa oportunidade, ao rematar por cima da barra. Ficou a ameaça aos 33 do que iria acontecer aos 38. Excelente abertura de Yaya Touré para a direita para Zabaleta, que com um cruzamento rasteiro descobriu Negredo no coração da área. O avançado

espanhol só teve de encostar para o 2-1. O city foi a vencer para o intervalo numa primeira parte em que foi superior ao Arsenal. As duas equipas voltaram do balneário sem alterações, mas logo aos 2 minutos do 2º tempo Pellegrini viu-se forçado a mexer: Aguero lesionou-se e para o seu lugar entrou Jesus Navas. Os primeiros minutos da 2ª parte foram semelhantes aos da 1ª com o City a entrar melhor. Aos 51 minutos de jogo, Fernandinho aproveita uma perda de bola infantil do Arsenal para, com um remate em arco à entrada da área, fazer o 3-1. Os minutos seguintes foram dominados pelo Arsenal, que tinha agora de correr atrás do prejuízo. Depois de um grande assalto à àrea dos “citizens”, os londrinos conseguiram mesmo marcar, à passagem do minuto 62, num grande golo de Theo Walcott, o seu segundo da tarde. Mas mal houve tempo para festejos. 2 minutos foi o tempo que demorou a resposta da equipa da casa. Navas arranca pela direita e cruza rasteiro para a zona do penalty, onde estava David Silva para encostar para o 4-2. Mais uma vez o Arsenal teve de correr atrás do prejuízo e lançouse para o ataque. O jogo tornou-se mais equilibrado e houve oportuni-

dades para ambos os lados, mas o balançeamento ofensivo do Arsenal abriu demasiado espaço para o City. Através de contra-ataques rápido os “citizens” criaram perigo e aos 88 minutos Fernandinho bisou na partida. Transição rápida, Fernandinho recebeu na entrada da área, passou por Mertesacker e ficou na cara do guardião do Arsenal. Com muita classe, picou a bola por cima de Szczesny e bisou na partida. Este golo acabou com as esperanças arsenalistas, mas ainda assim os líderes da Premier League não baixaram os braços. Aos 89 minutos, Bendtner viu um golo anulado por fora-de-jogo. Ficava o aviso para o que ia acabar por acontecer aos 94: cruzamento da direita e Mertesacker, no limite do fora-de-jogo, a cabecear para o fundo da baliza de Pantillimon. Estava feito o 5-3, mas o jogo ainda não estava fechado. No mesmo minuto, Milner fica isolado perante Szczesny e é derrubado pelo guarda-redes dos “gunners”. Penalty para o City no último minuto da partida. Chamado a cobrar,Yaya Touré não desperdiçou e fechou o resultado em 6-3. Com este resultado o City encurtou distâncias para o Arsenal e está agora a 3 pontos dos “gunners”. O Arsenal, apesar da derrota, mantém o estatuto de líder isolado da Premier League.

Suárez e Liverpool silenciam White Hart Lane com goleada (0-5) Depois da goleada sofrida no “Etihad” frente a um City avassalador (6-0), desta vez o Tottenham foi goleado no seu próprio estádio às mãos doLiverpool. A equipa de Brandon Rogers dominou toda a partida e contou com um Suárez endiabrado (2 golos e 2 assistências) para garantir este triunfo. Pedro Morais

Muito se pode dizer acerca de Luís Suárez, muito se pode apontar-lhe o dedo pelo seu conhecido mau feitio, muito se podem criticar certas atitudes do uruguaio, mas se nos singirmos ao futebol propriamente dito, há que admitir que o 7 do Liverpool é um dos melhores do mundo. 17 golos em 11 jogos fazem de Suárez o melhor marcador isolado da Premier League e há um dado que se deve ter em mente: nos primeiros 5 jogos do campeonato, o avançado esteve a cumprir castigo após na temporada

passada ter mordido Ivanovic. O uruguaio tem um tremendo faro para o golo e quando a presa é fácil torna-se imparável. Ontem o Tottenham foi uma presa fácil, ora devido Às muitas baixas no setor defensivo (Vertonghen, Chiriches, Danny Rose, Kaboul), ora graças a um 11 mal escalado por Villas Boas. O técnico português optou por deixar no banco Townsend e Holtby, 2 dos jogadores em melhor forma da equipa, e montou o meio campo com 2 jogadores de cariz muito defensivo: Paulinho e Sandro. Dembelé assumiu a responsabilidade de fazer a bola chegar até à linha da frente, mas este esquema tático acabou por fazer do Tottenham uma equipa partida e desiquilibrada. O Liverpool fez o que quis e entendeu dos Spurs. Sem capacidade de ter bola, os “Lilly white” não criaram perigo eminente durante os 90 minutos e as adaptações no eixo defensivo fizeram da sua defesa uma autêntica auto-estrada. Suárez e companhia arrasaram os londrinos, num jogo em que o fica para a história é o resultado, que diga-se, poderia ter sido bem mais pesado. Suárez (2), Henderson, Flanagan e Sterling foram os autores dos golos de uma vitória que permite ao Liverpool encurtar distâncias para 2

pontos para o líder Arsenal, que foi goleado pelo Manchester City (6-3). Quanto ao Tottenham, está cada vez mais longe do topo da tabela: 7º classificado com 27 pontos em 16 jornadas é uma prestação fraca para uma equipa que investiu mais de 100 M de € no defesa. minutos e as adaptações no eixo defensivo fizeram da sua defesa uma autêntica auto-estrada. Suárez e companhia arrasaram os londrinos, num jogo em que o fica para a história é o resultado, que diga-se, poderia

ter sido bem mais pesado. Suárez (2), Henderson, Flanagan e Sterling foram os autores dos golos de uma vitória que permite ao Liverpool encurtar distâncias para 2 pontos para o líder Arsenal, que foi goleado pelo Manchester City (6-3). Quanto ao Tottenham, está cada vez mais longe do topo da tabela: 7º classificado com 27 pontos em 16 jornadas é uma prestação fraca para uma equipa que investiu mais de 100 M de € no defeso.

Suárez silencia White Hart Lane com o 1-0 | Imagem: AFP


36 Derrota pesada em LA delega Spurs para 3º Os San Antonio Spurs deslocaram-se, este domingo, a Los Angeles para defrontar os LA Clippers. Os texanos sofreram uma pesada derrota e caíram para terceiros da conferência. Pedro Morais

Depois de um grande início, os Spurs de Greg Popovic parecem estar a perder fôlego. Nos últimos 10 jogos, os vice-campeões da NBA ganharam 6 e ontem sofreram a derrota mais pesada da temporada. 115-92 foi o resultado final numa partida dominada de início ao fim pela equipa da casa. Os forasteiros transpareceram a grande dependência de TOny Parker, que ontem marcou apenas 8 pontos e realizou um dos seus piores jogos até ao momento. Tim Duncan e Manu Ginobili foram os jogadores em melhor plano na equipa texana, mas combinaram apenas 33 pontos. Quanto aos Clippers, contaram com a “mão quente” de Blake Griffin, Chris Paul e Jamal Crawford, que em conjunto combinaram 67 pontos, mais de metade do total da equipa. Foi a 2ª vitória consecutiva dos californianos que, assim, cimentaram a 4ª posição na conferência Oeste.

Tiago Splitter regressou, mas os Spurs perderam em Indiana | Foto: DR

// Primeiro Plano

18 de Outubro de 2013

Pistons param Michael Phelps considera participação série vitoriosa nos Jogos Olímpicos de 2016 dos Pacers Na madrugada de 2ª para 3ª feira, os Indiana Pacers receberam os Detroit Pistons em mais um grande jogo da NBA. A equipa visitante venceu por 10196 e impôs a primeira derrota aos Pacers em casa. Pedro Morais

Numa partida em que não houve mudanças no marcador - os Pistons estiveram sempre em vantagem e com o controlo do jogo - os Indiana sofreram a sua 4ª derrota na NBA. Esta foi a maior surpresa da jornada se tivermos em conta que a equipa da casa detinha o melhor recorde da NBA, à entrada para a partida, com 20 vitórias e 3 derrotas, contra os 1214 dos Pistons. A figura do jogo foi Josh Smith, que com 30 pontos e 7 ressaltos se revelou decisivo para a vitória forasteira. Do lado de Indiana, 23 pontos e 7 assistências de Lance Stephenson não foram suficientes para evitar a 1ª derrota em casa.

Miami Heat derrotam Utah Jazz

Michael Phelps está a considerar participar nos Jogos Olímpicos | Foto: DR

Michael Phelps, 18 vezes campeão olímpico e ausente da natação desde os Jogos Olímpicos de Londres em 2012, deixou aberta a porta para uma possível participação nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Andreia Borges

O norte-americano, que acumula um recorde de 22 medalhas olímpicas e 26 títulos mundiais, limitou-se a dizer que não tem ideia do que vai acontecer. Phelps, que afirmou a sua retirada depois dos Jogos Olímpicos de Londres 2012, precisou que neste momento o importante para si é “recuperar a forma física” e ser “competitivo”. Contudo, apesar de ter reentrado no

programa da Agência Antidopagem dos Estados Unidos, submetendo-se a dois controlos no terceiro trimestre de 2013, o campeão olímpico realçou que voltar a treinar não significa regressar à alta competição. No final do evento, o norte-americano dirigiu-se aos jornalistas brasileiros, perguntando-lhes se o receberiam bem caso estivesse nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Ao obter uma resposta afirmativa, Michael Phelps afirmou que teria isso em mente.

2ª vitória consecutiva co- Jessica Augusto alcança 3º lugar na loca Heat mais perto da maratona de Yokohama liderança. 117-94 foi o resultado final, naquele que A atleta Portuguesa Jessica Augusto conquistou, dia 17 foi o 18º triunfo da equipa de novembro, o terceiro lugar na Maratona Feminina de de Lebron James. Yokohama, com o tempo de 2h 29m 11s. Pedro Morais

O equilíbrio pautou a partida até ao intervalo. No recolher aos balneários, o resultado estava em 50-47 a favor dos Jazz. Na 2ª parte o Big Three de Miami (James, Wade e Bosh) acordou e resolverou o jogo a favor da equipa de Miami. Os 3 combinaram 77 pontos dos 117 da equipa e Lebron James ficou perto do triplo-duplo (30 pontos, 9 assistências e 9 ressaltos). Com esta vitória os Heat ficam com 18-6 de recorde e aproximam-se da liderança do Este, enquanto os Jazz, com 6-21, são cada mais últimos da conferência Oeste.

Andreia Borges

A vencedora da prova foi Albina Mayorova, atleta russa, com o tempo de 2h 25m 55s e, 3 minutos depois atravessou a meta a atleta japonesa Azusa Nojiri, que acabou em segundo lugar com a marca de 2h 28m 47s. Jessica Augusto, de 32 anos, sétima classificada na maratona olímpica do ano passado, ficou assim a 25 segundos do segundo lugar e a 3m16s da vencedora da prova. Em termos individuais, ficou também longe do seu recorde pessoal nesta distância, que é de 2h24m, marca obtida em 2011.

A atleta russa, de 36 anos, nona classificada nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, ganhou velocidade aos 25 quilómetros e a partir do quilómetro 28 impôs-se claramente até à linha da meta, nos 42,195 quilómetros. A Maratona feminina de Yokohama é classificatória para os Jogos Asiáticos de 2014.


18 de Outubro de 2013

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Telma Santos conquista Open de Badminton Dulce Félix conquista 2º lugar em Crosse na Holanda do Botswana Telma Santos conquistou, este domingo, o Open de badminton do Botswana, que se disputou em Gaborone, alcançando o seu terceiro triunfo internacional consecutivo, depois de ter vencido em Marrocos e em Hatzor (Israel). Andreia Borges

A atleta portuguesa conquista assim 2.500 pontos para o “ranking” internacional, o que lhe deverá permitir uma subida de cerca de 30 lugares, passando do actual 181.º para uma posição perto do lugar 150. A vitória na final, frente à sul-africana Elme de Villiers, por 2-0, esteve sempre bem segura, registando-se os parciais de 21-4 e 21-11.

De manhã, nas meias-finais, a penichense superou a nigeriana Grace Gabriel, por números também desnivelados - 21-10 e 21-12. Após uma paragem de duas semanas para recuperar de uma pequena lesão no joelho, Telma está de novo em excelente forma e a recuperar pontos no “ranking” mundial (já foi 75.ª, após Londres2012), claramente apostada em se qualificar para os próximos Jogos Olímpicos.

Dulce Félix conquistou o segundo lugar no Crosse de Tilsburgo, na Holanda, prova que servia de teste para uma eventual presença no Campeonato da Europa, a realizar a 8 de Dezembro em Belgrado. Andreia Borges

A atleta portuguesa comandou a maior parte da prova, deixando se ficar para trás apenas na parte final, quando a holandesa Sifan Hassan, de origem etíope, a ultrapassou a caminho da meta e a transpôs depois de 27m09s de prova.

Tabelas desportivas

Sifan Hassan, a vencedora, naturalizou-se Holandesa recentemente e vai representar o seu novo país no Europeu de Belgrado no escalão de sub-23. Dulce Félix chegou 20 segundos depois e em 3º lugar ficou Meraf Bahta, da Eritreira.


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// Primeiro Plano

O Opinião Editorial O desemprego é uma realidade cada vez mais presente nas preocupações dos portugueses. Portugal ocupa a 5ª posição nos países europeus com maior taxa de desemprego. Mais preocupante ainda é o número de jovens desempregados que cada vez mais não depende da formação ou educação. Segundo os dados da Eurostat, Portugal tem 36,9% da população jovem no desemprego, dados preocupantes não só para estes jovens mas para a sociedade em geral. Nós, o Primeiro Plano, como um grupo de jovens prestes a acabar a licenciatura e a entrar no mercado de trabalho também somos afetados por esta realidade que nos deixa sem saber como vai ser o nosso futuro. Esta incerteza levou-nos a procurar novas formas dos jovens conseguirem vingar a nível profissional. E foi assim que descobrimos o Pitch Bootcamp, um evento organizado pela Spark Agency que promete ajudar os jovens a encontrar formas de se diferenciarem no mercado de trabalho. Depois de estarmos presentes num destes eventos percebemos a dimensão do problema. Rúben Cruz, um dos formadores do Pitch Bootcamp, contou-nos que todos os Pitch Bootcamp feitos até agora esgotaram. A preocupação com o futuro profissional é, de facto, um aspeto com que todos os jovens, no ensino superior ou não, tem de se preocupar. Nada melhor que uma ida a um destes eventos da Spark Agency. Dois dias de formação e contacto com empresas onde cada um pode traçar o seu perfil e perceber como pode marcar a diferença numa entrevista de emprego. Ricardo Dias e Marisa Macedo são dois jovens, que tal como nós e muitos mais, acabaram a licenciatura e queriam encontrar trabalho. Depois de participarem num Pitch Bootcamp tiveram sucesso. São dois exemplos dos muitos que a Spark ajudou. Não perca a nossa reportagem sobre o Pitch Bootcamp!

18 de Outubro de 2013 “Ó Portugal, hoje és nevoeiro. É hora!”

Crónicas

Mariana Carvalho

Feliz Natal Andreia Borges É outra vez Natal. Não sei de vocês, mas eu adoro esta época. Aliás, adoro o mês de Dezembro em geral. Os enfeites na rua, as luzes cintilantes, a árvore de natal, o presépio, a troca de presentes, os sinos, o bacalhau, o bolo-rei, a família reunida. Tudo isto nos lembra o Natal. Mas o Natal como o conhecemos não é igual em todos os países. É uma tradição só nossa. Cada país tem as suas tradições e costumes. Mesa cheia não pode faltar, cada país tem os seus pratos, doces e bebidas características. Por cá temos o que se pode chamar “mais olhos que barriga”; sonhos, rabanadas e filhós que não podem faltar mas lá fora a história é outra. Em Espanha o jantar vai desde marisco a Peru. Em França, a tradição é deixar um lugar livre na mesa (para acolher um sem-abrigo) e 13 doces à disposição (que simbolizam os 12 apóstolos e Jesus). No Japão, tal como na Rússia e na China a tradição é comer ganso ou pato recheado com puré de maçã e gelatinas de carne ou de peixe.

Crónica de Patos Sílvia Silva Habituada aos parâmetros estabelecidos por terceiros, quando me dão liberdade de tema e de estilo, eu fico a olhar para as paredes perdida. Agora quando me pedem um artigo sobre a meia dúzia de patos a atravessar uma passadeira, encontro fontes oficiais, testemunhas e até fotografias. Eu não fui feita para escrever crónicas. Pronto, já disse. Pego no papel e na caneta e vagueio, vagueio à procura do caráter noticioso e informativo de meia dúzia de patos a atravessar uma passadeira. Raios, porque é que eu não sei escrever crónicas? Porque o mundo é egoísta e a minha opinião nunca interessa. “Ninguém quer saber o que tu pensas” e escondo-me atrás dos três mil caracteres, do quem, do quê, do onde e do quando. Sem esquecer o porquê: porque é que eu estou a escrever uma crónica? Porque não sei escrever crónicas. E quando tento, aquilo só se aproxima de um comentário. Fechei-me no meu quarto a sete chaves e não saio daqui sem escrever uma crónica. E com isto já vão um terço dos caracteres. Afinal nem deve ser assim tão difícil. Habituada aos parâmetros estabelecidos por terceiros, quando me dão liberdade de tema e de estilo, eu fico a olhar para as paredes perdida. Agora quando me pedem um artigo sobre a meia dúzia de patos a atravessar uma passadeira, encontro fontes oficiais, testemunhas e até fotografias. E se não existir carácter noticioso, atropela-se um pato e já tenho direito à primeira capa do Correio da Manhã.

Na Alemanha é o vinho tinto com cascas de frutas secas, que aquece as noites frias de Natal. Não interessa! Até mesmo nos lares mais humildes, a presença do Natal é sentida e comemorada de forma diferente e especial, principalmente pelas crianças, que veem na data uma oportunidade, talvez a única, de receber um brinquedo - usado que seja – mas que para elas representaria a realização de um sonho. É voltar no tempo, voltar à infância. Dormir, ansioso para acordar no dia seguinte diante de um presente que foi deixado pelo Pai Natal. É disso que eu mais gosto no Natal, a realização dos sonhos, a alegria das crianças, a magia no ar, a solidariedade que desperta nas pessoas, a compaixão, a esperança na humanidade. Nesta época, as pessoas perdoam-se, desentendimentos são desfeitos, compartilha-se emoção e alegria. Acredite-se ou não, uma coisa é certa: o espírito Natalício saiu à rua e anda a fazer das suas… Como eu gosto do Natal!

Invento que sofro de traumas de infância e ainda me convidam para uma entrevista no Você na TV. uando menciono que prefiro escrever notícias do que crónicas recebo olhares penosos de metade das pessoas que me rodeiam. A outra metade ri-se à espera que eu diga que estou a ser irónica. Mas não estou e rapidamente os sorrisos se transformam em olhares incompreensivos. E bem vistas as coisas, quem não gosta de escrever, dizer e fazer o que bem lhe apetece? Aliás, são as nossas opiniões, ideias e valores que nos distinguem como seres racionais. Contudo, pouco são os corajosos que dizem o que pensam sem pensar duas vezes. Ainda que alguns não passem disso mesmo, os corajosos não vivem assombrados pela aceitação social. Não têm medo de chocar. Não têm medo de inovar e de serem criativos. Já o jornalismo puro de informação pouco explora a criatividade. Coitada de mim, pseudo-jornalista, que ando de cima para baixo e da direita para a esquerda com o sagrado código deontológico dos jornalistas. O meu dever é informar até que, de um dia para o outro, a minha opinião importa. E claro, fico a olhar para as paredes. É a mesma coisa que dizer a um pato que afinal ele pode voar e que já não precisa de atravessar a passadeira. O pobre já não é atropelado e como já não tenho notícia, tenho de escrever uma crónica. Mas afinal voar não é assim tão mau. Basta bater uma asa a seguir à outra e sempre vamos levantando voo. E já bem lá no alto: não queremos outra coisa. Difícil é voltar a pousar os pés no chão. Talvez até saiba escrever crónicas. Quer dizer, se eu não fosse a autora, até diria que isto era uma crónica.

Esta mítica frase marcou a minha aprendizagem. Nunca senti que fizesse tanto sentido como atualmente. Portugal é um nevoeiro cerrado sem fim à vista. E onde está D. Sebastião? Não está. E nunca vai chegar. Os portugueses, os típicos saudosistas crentes, ainda acreditam que o mítico D. Sebastião vai chegar e nos vai salvar do abismo em que nos encontramos. Pois bem, o melhor será marcar-lhe falta de presença, ele já está mais do que atrasado. O mito sebastianista tem de acabar - que me perdoem as minhas professoras de português que tão insistentemente me disseram que D. Sebastião está vivo, pelo menos em espírito. Não está, não vai voltar e não nos vai salvar. O que é preciso é pegar nessa crença e pensarmos que dentro de cada um de nós mora um D. Sebastião pronto para mudar o país, pronto para nos fazer viver, e não sobreviver. O país encontra-se num estado crítico. Se fosse um doente, os médicos já tinham tomado a iniciativa de lhe desligar as máquinas, a esperança é quase inexistente. Se há retorno? Eu acredito que sim, mas isso requer esforço. Os Deolinda tem uma música que retrata na perfeição a mentalidade portuguesa. “Agora não que me dói a cabeça, agora não dizem que vai chover, agora não que joga o Benfica, vão sem mim que eu vou lá ter”. Tanta verdade numa canção. Temos o estranho hábito de adiar e acreditar que alguém vai fazer o que é preciso por nós. Mas ninguém vai. Temos de nos convencer que se queremos mudar o rumo que o país está a tomar em direcção ao abismo, temos de ser nós a fazê-lo. Levantem-se do sofá gente, deixem o Benfica, o Porto e o Sporting jogar, menos alguns espectadores não os vão fazer perder o jogo. O futebol é só um desporto, a política é a sério, a política dita o rumo que a nossa vida vai levar. Acredito piamente que é necessário que o “povo” se una. Não o sindicato dos professores, não os funcionários públicos, não os funcionários da CP, mas sim o país todo. Levante-se Portugal em peso e mostre que não somos “os bons alunos da Europa”, que somos um país com rumo. Que não somos uma cambada de preguiçosos, mas sim trabalhadores com vontade mas com muita tolerância no que toca à política. Temos de mostrar que quem manda não são umas dezenas – ou centenas, vergonhoso, sem dúvida – de homens e mulheres engravatados a viver do que o povo trabalha que nos vão fazer passar fome, como muitos já passam. Levantem-se portugueses, D. Sebastião chegou e está dentro de cada um de nós!


18 de Outubro de 2013 “O Homem é do tamanho do seu sonho” Pedro Morais Já dizia e a bem dizer Fernando Pessoa, um dos grandes nomes da poesia portuguesa. Um homem é, de facto, do tamanho dos seus sonhos e as suas ações refletem-se nos seus objectivos. Não havendo ambição, vontade de crescer e fazer sempre melhor, os sonhos não passarão disso mesmo, de sonhos. Esta é a sinopse perfeita para o atual momento de forma do FC Porto, que tem num só homem toda a responsabilidade. Esse homem é Paulo Fonseca. Poderão pensar que esta é só mais uma crónica que nada mais faz senão culpar aquele que todos culpam quando o momento é mau: o treinador. A questão fulcral aqui é que mais ninguém pode ser culpado quando o problema da equipa é meramente tático e não técnico. O FC Porto é uma equipa partida dentro das 4 linhas, e isso é por demais evidente. A sensação presente ao ver o campeão em título jogar é idêntica à de cortar uma cebola. Não há rigor, não há disciplina tática, não houve desde o início do ano até ao momento um único 11 bem constituído, não houve até ao momento um jogo em que o Porto tenha jogado com 2 extremos dignos desse nome. Obviamente, e como já disse por mais do que uma vez nesta crónica, a culpa é de Paulo Fonseca. Desde cedo quis mexer naquilo que há muitos anos nenhum treinador mexia enquanto técnico do FC Porto: o sistema tático. Corria o ano de 2005/2006 quando Co-Adriaanse instaurou no Porto o seu famoso 3-3-4, alterando o até então frequente 4-3-3. Foi campeão, é certo, mas foi eliminado da Liga dos Campeões de forma prematura num grupo extramente acessível que tinha no Inter de Milão o maior adversário.

Comentários A Pressa é Inimiga da Perfeição Andreia Borges Há quem defenda que a convergência dos Media é o futuro da comunicação. Mas isso não é verdade. A convergência dos Media é um fenómeno cada vez mais atual que engloba a publicação e divulgação de uma mesma notícia em todos os meios de comunicação. Fazer jornalismo já não tem como concepção básica a máquina de escrever ou o computador, uma redação cheia de repórteres com histórias fantásticas, que tentam vencer o tempo para, no dia seguinte, a sua grande notícia ser publicada e mostrada à sociedade. Essa imagem romântica do jornalismo já não existe. O repórter continua a existir, grandes notícias também, as redações estão sempre presentes e a paixão jornalística pelos personagens das histórias ainda prevalece. Contudo, hoje em dia, nenhum jornalista

// Primeiro Plano

Ao ver Paulo Fonseca mexer no sistema tático, ser eliminado da LC num grupo onde o FC Porto tinha a obrigação de passar e, acima de tudo, ao ver a equipa ter prestações tão hediondas como as dos últimos tempos (5 pontos nos últimos 4 jogos do campeonato, 5 pontos em 18 possíveis na champions, 2 pontos em 9 possíveis em jogos em casa nesta mesma competição), a ideia que fica no ar é a de “dejá vu”, com a diferença de que este ano, o FC Porto a este nível, não irá ser campeão, visto que os outros candidatos ao título (Sporting e Benfica) estão mais fortes do que estavam na altura de Adriaanse. É compreensível um treinador querer manter-se fíel aos seus princípios, mas é quando a equipa dá provas de que esses mesmos princípios podem vir a resultar se forem bem trabalhos, mas há casos em que a fidelidade a ideais roça a imbecilidade. Já toda a gente viu que o duplo pivot em que o treinador azul e branco insiste não resulta, então porque não mudar de estratégia e voltar ao esquema a que o FC Porto sempre foi fíel? Porque não re-inverter o triângulo, deixar Fernando a jogar sozinho À frente dos centrais, funcionando como primeira etapa de construção de jogo, com 2 jogadores à sua frente como médios interiores? Os únicos 45 minutos em que os azuis e brancos jogaram neste esquema tático foram os melhores 45 minutos do Porto esta época, no jogo frente ao Sporting de Braga. Mas terá sido por iniciativa de Fonseca? Não, claro que não, foi por uma questão de necessidade. a lesão de Lucho, Fonseca viu-se obrigado a colocar Carlos Eduardo em campo. Como o brasileiro não é propriamente um “10” e tem características diferentes das de Lucho, houve a necessidade de adiantar Herrera no terreno e re-inverter o triângulo e, por incrível que

pareça, (ou secalhar não é assim tão incrível porque só um cego ainda não se apercebeu que este é o esquema ideal para o Porto), foi assim que o tri-campeão jogou como nunca havia jogado esta época: bem. No jogo seguinte, frente ao Atlético de Madrid e com Lucho já recuperado, o treinador dos dragões voltou a ceder ao seu orgulho. Sempre ouvi dizer que “a ambição é filha do orgulho”, mas aqui não se trata disso, de todo. Mais adequado é dizer-se que “o orgulhoso prefere perder-se a perguntar qual é o seu caminho” (Churchill, Winston). Está na altura de Paulo Fonseca pôr de parte o seu orgulho e teimosia, caso contrário há-de perder-se sem nunca encontrar o seu caminho. A plateia do dragão é exigente, a estrutura Porto é exigente e está habituada apenas e só à vitória. Com Vitor Pereira o Fc Porto não tinha um estilo de jogo bonito, mas tinha um estilo eficiente e a prova disso é que VP, em 2 temporadas, perdeu apenas por uma vez e foi bi-campeão, embora nunca tenha sido muito bem-amado pelos adeptos azuis e brancos. Atualmente o Porto não só não tem um futebol atraente como tem ficado à quem no que toca a resultados. É caso para dizer, “depois de mim virá quem de mim bom fará”. Este capricho constante de Paulo Fonseca só vem comprovar que o treinador não tem competência para estar à frente de um grande, que é um bom treinador mas para as exigências de um clube pequeno. É de louvar o que fez no Paços, é certo, mas o Paços não é o Porto e é nessa dura realidade que Paulo Fonseca tem de cair, caso contrário continuará a ser um homem do tamanho do seu sonho... pequeno, muito pequeno.

guarda a sua notícia para o dia seguinte, a notícia é apresentada ao público poucos minutos depois de ter sido feita, em diversos formatos, estilos e plataformas. Os novos media têm ganho pontos junto da audiência devido à sua principal caraterística, a interatividade, que não está presente nos chamados “old media”, rádio, televisão e jornais. Enquanto os media clássicos ou “old media” apresentam os seus produtos quase sempre da mesma forma, sendo muito lineares, os novos media possibilitam a utilização de texto, fotos, vídeos, áudio, animação e gráficos, apresentados de diversas formas, o que oferece ao leitor a possibilidade de escolha. Contudo, o jornalista passa a ser o profissional “tudo-em-um”, um faz tudo que trabalha sozinho, com uma câmara de vídeo, um telefone, ligação à Internet e dois ou três programas de edição de vídeo. Tal facto, não é de todo benéfico.

O jornalista passa a produzir notícias para os vários media, a televisão, o jornal impresso, o site e a estação de rádio, ou seja, tem de dominar as quatros áreas, ter múltiplos talentos mas, o mais preocupante é que, por vezes, não domina nenhum em profundidade. O jornalismo de excelência está a ser substituído, na maioria dos casos, por um jornalismo medíocre, resultado da falta de especialização em cada área. O trabalho de excelência de uma equipa, com câmara men especializado, produtor e editor especializados, vai dar lugar a um só jornalista que não é excelente em todas as áreas. Desta forma, a multiplicidade de áreas e linguagens que o jornalista terá de dominar, a falta de tempo para a investigação e comprovação dos factos, aliadas à diminuição do controlo editorial, conduzirão a um jornalismo pobre e de pouca qualidade, onde a fiabilidade e credibilidade serão postas em causa.

39 Comentário O desce não desce da taxa de desemprego Mariana Carvalho e Pedro Morais Os dados avançados pela Eurostat dão conta de uma diminuição na taxa de desemprego em Portugal. Estes valores já não eram tão baixos desde Agosto de 2012. Um aspeto positivo a assinalar, diria eu, mas é impossível agradar a gregos e troianos. Se o Passos Coelho, o primeiro-ministro, e Pedro Mota Soares, ministro do Emprego e da Segurança Social festejam estes dados e desejam que assim continue, a oposição pelo contrário não parece satisfeita. Tanto o Bloco de Esquerda como o Partido Comunista Português deixaram bem claro que não acreditavam que esta diminuição do desemprego fosse real. A crescente saída de portugueses em busca de melhores condições de vida no estrangeiro é o argumento apresentado pelos dois partidos de esquerda. E, pensando bem, até faz algum sentido. Uma vez que a taxa de desemprego é a média entre o número de desempregados e a população ativa, a saída de pessoas que antes faziam parte deste último grupo acaba por ajudar à diminuição da taxa de desemprego. E, é de realçar que esta descida do desemprego tem vindo a acontecer há cerca de 9 meses consecutivos enquanto que a taxa de emigração tem aumentado consecutivamente ao longo do mesmo período. Sendo assim, vale a pena acreditar que a situação económica de Portugal está a melhorar? O ex-ministro das Finanças, Miguel Beleza, diz acreditar que a taxa de desemprego jovem vai começar a descer a meio do próximo ano. Para ele, Portugal já bateu no fundo do poço e agora só pode melhorar. Enquanto 2014 chega e não chega o melhor é mesmo todos pensarmos que estes 9 meses de redução da taxa de desemprego são o período de gestação para o final da crise em Portugal e, depois disso, tudo vai melhorar.


40 Metereologia

// Primeiro Plano

Passatempos Encontre as 10 diferenças

18 de Outubro de 2013

// A fechar // Metro de Lisboa vai parar uma vez por semana a partir de Janeiro // Professores lançam petição em defesa da escola pública // Cannabis ultrapassa heroína nos novos tratamentos por toxicodependência // Governo discute novos programas de rescisões amigáveis com os sindicatos // Portugal é um dos países da OCDE onde o peso das receitas fiscais mais caiu

Cartoon

// Facebook começou a testar publicidade em vídeo // The Prodigy e Skrillex confirmados no Meo Marés Vivas // Beyoncé vendeu quase um milhão de álbuns em 3 dias // A Disney está a preparar um filme sobre o atleta que desafiou Hitler // Papa Francisco festeja o aniversário com sem-abrigos // Portugueses gastaram mais de 1 milhão de euros desde o fim do mês de Dezembro // PSG oferece 40 milhões por Pogba // Inter de Milão persegue Hulk


Primeiro Plano