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nº 206 - maio de 2013

TURISMO

História do Turismo no Mundo e no Brasil Carlos Artur Esteves Gomes dos Santos

A

palavra turismo é originária do grego tórnos que significa forma arredondada. A expressão foi se modificando ao longo dos séculos; no latim é tornus e no francês é tour. O conceito só aparece no cenário mundial no século XIX. Na Europa Medieval os cavaleiros ingleses para completarem a sua educação realizavam o Gran Tour pelo continente em busca de “centros culturais”. Já no século XIX, o turismo propriamente dito começa a tomar forma. Os motivos para esses acontecimentos são vários: A evolução dos transportes com o surgimento da ferrovia e a introdução dos barcos a vapor; dos meios de comunicação com a invenção do telégrafo e já no final deste século a invenção do telefone; a Revolução Industrial e as pressões proletárias por melhores condições de vida e de trabalho, as quais resultaram na revolta de 1830, na de 1848 e na Comuna de Paris em 1871. No século XX, após o fim da segunda Guerra Mundial, nos anos de 1950 e 1960, surgem as leis de imigração e a incorporação do termo

turista. O mundo nessa época estava no auge da Guerra Fria, divididos em dois blocos estava a União Soviética (Rússia) bloco comunista, e do outro lado os Estados Unidos no bloco capitalista. Os turistas que pertenciam a um dos blocos dificilmente viajavam para o outro bloco. No futuro, um dos setores que irá deslanchar será o turismo espacial, o qual nos dias de hoje está em seus primeiros testes e uma simples viagem para fora da órbita terrestre custa em torno de U$$ 100.000.000. O turismo representa o terceiro maior mercado do mundo só perdendo para o setor petrolífero e o armamentista. O setor turístico gera aproximadamente U$$ 3,5 trilhões em receitas e a cada 9 empregos 1 é gerado pelo turismo. A história o turismo no Brasil vem de longa data. Com a chegada da família real em 1808, ocorre a abertura dos portos aos povos “amigos”, no caso Inglaterra. Diversos cientistas ingleses, cronistas e jornalistas começam a vir ao Brasil para desbravalo nos seus mais variados aspectos. Naquela época não havia hotéis como nos dias de hoje, e muitos aventureiros se hospedavam na casa de alguma

Camilo Mota

O Palácio Quitandinha, em Petrópolis, foi um marco na década de 1940 com o turismo voltado para o jogo

família, em estalagens ou então na casa de viúvas que os acolhiam por “pura bondade”. Note-se que quando essas pessoas se alojavam na casa de alguma família, normalmente elas eram recomendadas por autoridades influentes ou por algum membro pertencente a esta família. Durante quase todo o século XIX e começo do século XX este sistema perdurou. No século XX começa a expansão da ferrovia, da rede hoteleira e da cultura cafeeira. Certas cidades já tinham o seu hotel de viajantes, como

São Paulo por exemplo. Em meados da década de 1930, começa o aceleramento do processo de industrialização no país e o desenvolvimento do turismo e da rede hoteleira. Na década de 1940, o turismo era voltado para o jogo (cassino da Urca, cassino do Palácio Quitandinha em Petrópolis, cassino do Higino Palace Hotel em Teresópolis, cassino do Várzea Palace Hotel também em Teresópolis) e o passeio no famoso circuito das águas (Caxambu, São Lourenço). Em 1946 o presidente Eurico Gas-

par Dutra assina decreto que proíbe o jogo no Brasil, provocando uma grave crise no turismo, o qual somente volta a se reerguer nas décadas de 1950 e 1960. No ano de 1966 é criada a Embratur (Empresa Brasileira de Turismo) órgão que ficará responsável pela implementação de projetos turísticos até 2003 quando surge o Ministério do Turismo. Nos idos de 1970, o turismo em nosso país cresce, graças principalmente ao desenvolvimento da tecnologia e da infraestrutura. Na década de 1980 ocorre

salto espetacular do setor turístico através dos movimentos ecológicos, os quais atraiam turistas e defensores da natureza das mais diversas partes do Brasil e do mundo. Nos anos 1990, começou o preparo profissional da mão-de-obra e os incentivos fiscais para a construção e desenvolvimento de empreendimentos da rede hoteleira e do turismo em si.

Carlos Artur é historiador, pós-graduado em História pela UFF, membro do Conselho de Cultura de Teresópolis.

Jornal Poiésis 206  

Edição de maio de 2013

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