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nº 197 - agosto de 2012

POESIA

NARCISO

POEMA DO VIAJANTE

Thereza Cristina Rocque da Motta

Luiz Augusto Cassas I. Ai, Amor, eu sou apenas o viajante que dormiu contigo numa hospedaria: ceei do pão, tomei o vinho, e de manhã cedo fui chamado pelo sol do destino.

Te amo cego de vaidade narcísico a mirar o rio que corre destemperado. Te amo na têmpera única de uma tela ocre vida que flui estreita por veias contidas.

Te conheci profundamente de passagem: poço do sublime, saciei a sede. E nisso revelou-se-me a felicidade: a certeza ambulante de ser um porto em portas.

Te amo antes da palavra. Nó atado e desdito. Te visto pelo avesso e transpiro tua pele.

2. Ai, Amor, eu sou apenas o vento que chegou: aquele que colocou castiçais de prata na sala, incendiou o teto, consumiu o coração, e depois seguiu adiante para semear brisa em outra temporada de verão.

Amo a simetria de teu canto a voz cava o olho vaso eu seminua equidistante de tua penumbra óssea a força de tuas mãos sobre meu peito.

Te conheci profundamente de passagem: poço do sublime, saciei a sede. E nisso revelou-se-me a felicidade: a certeza ambulante de ser um porto em portas.

Afunda em mim e em minhas águas. Deita as margens além das bordas. Cose às coisas as minhas falas. Embebe de vinho o pão antigo.

3. Ah! meu amor estrangeiro nunca foi ceifeiro! Se teus lábios rejeitam-me a permanência e os teus cabelos azuis fogem-me aos dedos, só me resta beber a taça da perplexidade e colocar a aliança na esquerda mão da transitoriedade. De toda a transitoriedade. Luis Augusto Cassas é natural de São Luís-MA (1953), autor de Liturgia da Paixão (Nórdica, 1997), de onde extraímos o poema acima.

Serei a seca nuvem sobre o árido horizonte a viver de passar e nunca ser. (30/08/2001 - 21h40 / 23h55) Thereza Cristina Rocque da Motta é poeta, tradutora e editora, fundadora da Editora Ibis Libris em 2000. O poema acima faz parte da antologia Rios (Ibis Libris, 2003), da qual também participam Elaine Pauvolid, Márcio Catunda, Ricardo Alfaya e Tanussi Cardoso.

Voz Acadêmica

Coluna da Academia Brasileira de Poesia Casa de Raul de Leoni Praça da Liberdade, 247, Centro, Petrópolis-RJ www.rauldeleoni.org

POESIA HOLÍSTICA O acadêmico Gerson Valle fará palestra no dia 16/08, às 19 horas, na sede da ABP, com o tema “Em busca da poesia holística”. A entrada é franca. DRUMMOND Carlos Drummond de Andrade é o tema da mesa redonda programada para acontecer no dia 13 de setembro, às 19 horas, na ABP. Tendo como mediador o poeta e tradutor Fernando Py, a mesa contará ainda com a presença dos acadêmicos Ataualpa Pereira Filho e Fernando Magno. ANTOLOGIA POÉTICA O acadêmico Camilo Mota, cadeira 32, lançou este ano sua antologia poética “Os nomes da terra”, que reúne seleção de textos de seus 4 livros editados a partir de 1992, além de outros inéditos. O volume pode ser adquirido através do site http://www.bit.ly/osnomesdaterra RAUL DE LEONI Raul de Leoni Ramos nasceu em Petrópolis em 30 de outubro de 1895. Fez seus estudos no Colégio Abílio em Niterói e foi interno do São Vicente de Petrópolis, como convinha à elite da época. Entrou para a Faculdade Livre de Direito em 1912, bacharelando-se em 1916. Ganhou notoriedade no meio literário em 1919 com a publicação de “Ode a um poeta morto”. Já em 1922, publica seu livro “Luz mediterrânea”, com uma peculiar visão estético-filosófica e um formalismo impecável no estilo parnasiano. Deixamos para o leitor o prazer de fruir um de seus mais belo textos: UNIDADE Raul de Leoni

CHAMAR DE AMIGO

[FECHEI OS OLHOS UM INSTANTE]

Sylvio Adalberto Senta aqui do meu lado e fica quieto, com a mão no queixo e o pensamento longe, como se fosse um taciturno monge a divagar por seu mundo secreto. Quero sentir na pele todo afeto desse chamar, que quando alguém responde, ecoa lá no fundo e corresponde a brasa viva de um fervor discreto.

Gustavo Wider Fechei os olhos um instante quando abri o menino ia distante Fechei os olhos , distraído quando abri o dia havia morrido De cansado , fechei os olhos quando abri a vida havia passado .

Sagrado é o sentimento da amizade, de todo o laço, creio, o verdadeiro, amigo, eis o outro nome da verdade!

Gustavo Wider é poeta e trovador, autor dos livros “Caminhos e Descaminhos”, “Tratado Geral de Metrificação”, “Folhas que o Vento Levou” e “Portas Abertas”.

Escuta meu segredo e o desabafo com a certeza que há no mundo inteiro “que um amigo não cabe num abraço!” Sylvio Adalberto é fotógrafo e poeta, membro titular da Academia Brasileira de Poesia e da Academia Petropolitana de Letras.

LITERATURA Livros infantis serão lançados no Fly Shopping em agosto

Regina Mota / 28-04-2012

SEREIA

Deitando os olhos sobre a perspectiva Das cousas, surpreendo em cada qual Uma simples imagem fugitiva Da infinita harmonia universal, Uma revelação vaga e imparcial De tudo existe em cada cousa viva: Na corrente do Bem ou na do Mal Tudo tem uma vida evocativa. Nada é inútil; dos homens aos insetos Vão-se estendendo todos os aspectos Que a ideia da existência pode ter; E o que deslumbra o olhar é perceber Em todos esses seres incompletos A completa noção de um mesmo ser...

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Gilberto Mendonça Teles Não serei eu a ver uma sereia nas praias do sertão, nalgum riacho, onde meu ouro brilha na bateia e à tarde, sonolento, me relaxo. A que desejo e vi (e volta e meia sinto na transparência de um despacho), essa vem das palavras, vem na areia montando em pelo meu cavalo macho.

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Melo Imóveis

Às vezes, nas distâncias do cerrado, percebo algum cochicho do meu lado, vozes de amor, suspiros e gemidos. Para não me perder ou ficar louco, o jeito é me fazer de ouvido mouco ou meter algodão nos meus ouvidos. Gilberto Mendonça Teles (1931) é natural de Bela Vista de Goiás, reside no Rio de Janeiro. O poema acima é do livro “Álibis” (Sucesso Pocket, 2000). O escritor Jorge Figueiredo estará lançando as novas edições de seus livros infantis no dia 18 de agosto, sábado, de 15h às 19 horas, na praça de alimentação do Fly Shopping. “Dioguinho, um vencedor” (3ª edição), “Paloma, a pombinha cor de rosa” (2ª ed.) e “Peixo-

tinho, o peixinho encantado” (4ª ed.) mostram a riqueza da diversidade humana, com suas especialidades, diferenças e integrações. Cada obra custa apenas R$ 10 e são uma boa opção para os pais presentearem seus filhos, incentivando o hábito de leitura desde cedo.

HAICAI José de Carvalho nas tardes de sol segredamos na sombra o calor destes dias José de Carvalho reside em São Paulo-SP. O poema acima faz parte de seu livro “Destas Águas” (Quebra Nozes, 2007)

Dra. Emygdia Melo

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Jornal Poiésis 197  

Edição de agosto de 2012.

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Edição de agosto de 2012.