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CCSS apresenta projeto na Câmara

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Literatura, Pensamento & Arte

Dicas para uma dieta saudável Página 3

Ano XVII- nº 184 - julho de 2011 - Saquarema, Araruama, Cabo Frio, Arraial do Cabo, S. Pedro da Aldeia e Petrópolis

Manifestação em Copacabana defende direitos humanos e liberdade religiosa Divulgação

Cerca de 800 pessoas participaram do movimento realizado no dia 19/06, na Praia de Copacabana, com o objetivo de pedir ao governo do Irã que cesse as perseguições aos bahá’ís e outras minorias religiosas naquele país. O evento contou com participação de lideranças de várias denominações religiosas, políticos e ativistas de direitos humanos. Página 2. Alexandre Rivero

Dona Alice, um conto inédito de Fernando Py Página 7

Música

Teatro

Saúde

Encontro de Corais em Saquarema será nos dias 29 e 30

Janaína Coelho fala sobre o funcionamento do Teatro Mario Lago

Saquarema ganha Centro de Atendimento Psicossocial

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Seroma

Os caminhos da imagem Velas, cataventos, garrafas, planos transparentes... individual “Os caminhos da imagem”, que fica em As formas e geometrias do mundo estão presentes exposição durante o mês de julho no Centro Cultuno trabalho do artista plástico Seroma, na mostra ral José de Dome, em Arraial do Cabo. Página 8.

Iguaba Grande realiza Rock In Rua nos dias 29 e 30/07 Página 3

Miguel Jeovani pede melhorias para ruas de Iguabinha Página 4

Alexandre Rivero

Fernando Pessoa em uma quase autobiografia Nenhum estudioso da obra do poeta português pode deixar de lado a leitura do livro “Fernando Pessoa - uma quase autobiografia”, do advogado pernambucano José Paulo Cavalcanti Filho. É o que conclui o escritor Gerson Valle, em resenha publicada na página 5. “O autor vai a todas as fontes possíveis para elaborar o prodígio de um livro tão cheio de detalhes. (...) O livro chega a ter um caráter enciclopédico.”, escreve ele.

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nº 184 - julho de 2011

POESIA DIREITOS HUMANOS Aumenta a condenação às violações NEBULOSA de direitos humanos no Irã

DE SETE EM SETE Marco Aureh

Fotos: Divulgação

Napoleão Valadares

ao amigo Bittencourt

Do nosso encontro e do fugaz afago que numa velha praça aconteceu, pouca lembrança tenho: o vulto seu ficou-me na cabeça meio vago.

Abro aqui minha parlenda Para firmar uma regra Criada por cordelistas Que protestam sempre em festa Enquanto academicistas Acham-se pareceristas Ignoram o que presta

Do apertinho de mão também não trago muita lembrança. O tempo já varreu o abraço... quase tudo... E não se deu o beijo que sonhei em sonho mago.

Na praia de Copacabana, manifestação reuniu representantes de todos os credos em defesa da libertação das 7 lideranças bahá’ís presas no Irã

O protesto mundial contra a perseguição à comunidade Bahá’í do Irã recebeu o apoio de aliados como o Senado Chileno, uma senadora muçulmana do Canadá, um deputado federal e entidades religiosas no Brasil e proeminentes organizações indianas, bem como a advogada e Prêmio Nobel da Paz iraniana, Shirin Ebadi. Os últimos apelos – que pedem pelo fim tanto do encarceramento das sete lideranças bahá’ís como da prolongada detenção de 12 colaboradores e professores do Instituto Bahá’í para Educação Superior (BIHE, sigla no inglês) – coincidiram com o envio pela Casa Universal de Justiça de uma mensagem aos bahá’ís do Irã. A mensagem repudia como “infundadas” e “absurdas” as declarações de autoridades iranianas de que seriam “ilegais” as iniciativas da comunidade bahá’í para educar seus jovens membros. O documento critica também aqueles que no Irã se afastaram dos verdadeiros valores islâmicos, das leis de sua terra e da magnífica história de erudição e conhecimento da nação, chegando ao ponto de – com base em ignorante preconceito religioso – negar educação superior a seus jovens cidadãos. No Brasil, o deputado federal Chico Alencar participou de uma manifestação em defesa das lideranças bahá’ís presas no Irã, que aconteceu no dia 19 de junho na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, durante a qual manifestou seu apoio aos sete bahá’ís, que estão cumprindo o seu quarto ano de prisão. “Os bahá’ís hoje têm um compromisso com a solidariedade e a igualdade... [A Fé Bahá’í] tem um elemento humanista fundamental que só um regime totalitário obscurantista pode desconhecer”, afirmou Alencar, que é membro da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal.

Perdi o seu retrato, a lembrancinha sumiu, há muito, deslembrada. Em minha memória, quase nada do passado. A carta não mais tenho, se enfiou nalgum lugar, não sei... Só me ficou a lembrança do selo carimbado. Napoleão Valadares é poeta, reside em Brasília-DF.

O deputado federal Chico Alencar participou do evento e ressaltou que os bahá’ís têm um compromisso com a solidariedade e a igualdade.

Também se pronunciaram em defesa dos bahá’ís no Irã representantes do Candomblé e da Umbanda, do Kardecismo, da comunidade judaica e de outras religiões, que participaram da manifestação com o objetivo de defender a liberdade religiosa em todos os países do mundo, e em especial no Irã. “Nós sabemos bem o que é ser perseguido por causa de religião, e assim sabemos o quão importante é mostrar solidariedade a outras minorias reprimidas”, disse Natan Klabin, representante do Hilel – uma organização da juventude judaica do Rio de Janeiro. Vestindo um dos mil coletes amarelos que foram distribuídos durante a manifestação – que traziam estampada a frase Hoje, Somos Todos Bahá’ís – Klabin finalizou sua fala dizendo: “Sou judeu durante todos os dias de minha vida. Mas hoje, eu também sou bahá’i”. Em visita ao Brasil, a advogada iraniana Nobel da Paz, Shirin Ebadi, também defendeu os bahá’ís em seu discurso na audiência pública na Câmara Federal. “Sou a voz das pessoas que não têm voz para falar”, disse ela, que ressaltou as precárias condições jurídicas e as perseguições que teve de enfrentar pelo fato de ter assumido o caso das sete lideranças bahá’ís, em 2008. (Agência Bahá’í de Notícias)

ÀS VEZES o substantivo carece de mais substantivos o verbo verbos

de verbos de advérbios

as palavras fazem crescer o mundo mas a língua não é a realidade nem a arte se assemelha à natureza criam outra realidade que expande a realidade

Aricy Curvello mora em Serra-ES.

A CRIANÇA E A JANELA De uma pequena fresta da esquadria a imaginação infantil não avista descobre o mar horizonte comprometido com a ingenuidade. O que é visto ganha um nome olha o desconhecido é o mundo com seus pássaros.

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EXPEDIENTE O Jornal Poiésis - Literatura, Pensamento & Arte é uma publicação da Mota e Marin Editora e Comunicação Ltda. Editor: Camilo Mota. Diretora Comercial: Regina Mota. Conselho Editorial: Camilo Mota, Regina Mota, Fernando Py, Sylvio Adalberto, Gerson Valle, Marcelo J. Fernandes, Marco Aureh, Celso Caciano Brito, Francisco Pontes de Miranda Ferreira, Charles O. Soares. Jornalista Responsável: Francisco Pontes de Miranda Ferreira, Reg. Prof. 18.152 MTb. Diagramação: Camilo Mota. CAIXA POSTAL 110.912 BACAXÁ - SAQUAREMA - RJ CEP 28993-970 ( (22) 2653-3597 ( (22) 9201-3349 ( (22) 8818-6164 ( (22) 9982-4039 E-mail: jornalpoiesis@gmail.com Site: www.jornalpoiesis.com.

Distribuição dirigida em: Saquarema, Araruama, São Pedro da Aldeia, Iguaba Grande, Cabo Frio, Arraial do Cabo e Petrópolis. Fotolito e Impressão: Tribuna de Petrópolis. Colaborações devem ser enviadas preferencialmente digitalizadas, em formato A4, espaço simples, fonte Times New Roman ou Arial, com dados sobre vida e obra do autor. Os originais serão avaliados pelo conselho editorial e não serão devolvidos. Colaborações enviadas por e-mail devem ser anexadas como arquivo do Word (.doc ou .docx). Os textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Jornal Poiésis.


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nº 184 - julho de 2011

MÚSICA

SAÚDE

Rock in Rua 2011 em Iguaba Grande será dias 29 e 30 de julho Atenção metaleiros de plantão e amantes do rock pauleira! Nos dias 29 e 30 de julho, a Casa de Cultura Simonides Guimarães inicia o projeto “Rock in Rua”, que trará diversas bandas do gênero para agitar a cidade. Segundo o Diretor de Cultura, João Gabriel Cortez, a ideia do projeto surgiu a partir da cobrança dos alunos da oficina de violão que, fomentados pelo pro-

fessor, montavam bandas para ensaiar e cobravam um espaço para que pudessem realizar apresentações musicais. “Dessa forma, unimos o útil ao agradável. O evento contará com bandas de outros municípios como Cabo Frio, Araruama e São Pedro da Aldeia”, contou o Diretor de Cultura. O Rock in Rua teve a sua primeira edição no ano de 2003 e contou com a parti-

cipação da banda FORFUN – que até então não era conhecida na mídia. Está será a terceira edição do Rock in Rua. No intervalo de uma banda para outra acontecerão enquetes sobre a história do rock. Os vencedores ganharão brindes como camisas, bonés e chaveiros. Os shows acontecerão no palco montado na Avenida Paulino Pinto Pinheiro, no Centro de Iguaba Grande. As bandas que tiverem o

interesse em participar do evento, deverão inscrever-se na Casa da Cultura até o dia 08 de julho, das 8 às 17h. No dia 09 de julho haverá uma audição para seleção das bandas às 15h e o grupo que não comparecer a pré-seleção estará automaticamente desclassificado. A Casa da Cultura fica na Estrada do Sopotó, 36, no Centro. Para maiores informações entre em contato pelo telefone (22) 2624-4145

Encontro reuniu cerca de 30 corais em Arraial do Cabo Crianças, jovens, adultos, idosos... A boa música não depende de idade para ser apreciada e, principalmente, cantada. Assim, transcorreu com enorme sucesso o I Encontro de Corais Costa do Sol, nos dias 3, 4, 10 e 11 de junho, em Arraial do Cabo. Promovido pela ONG Save e Secretaria Municipal de Turismo, com apoio da Casa da Poesia e patrocínio de empresários locais, o evento foi realizado na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, que

Camilo Mota

O Coral Esperança, da APAE de São Lourenço-MG, causou emoção no público que lotou a Igreja do Sagrado Coração de Jesus

Érica Vidal vence festival de música em Saquarema com canção de Carlos Farid O I Festival de Música “Fest Music Saquá 2011”, realizado no sábado, 26/06, teve como vencedora a canção “Saudade de ti”, composta por Carlos Farid e interpretada por Érica Vidal. O segundo e terceiro lugares ficaram com as músicas “Arremedo negro”, de Paulo Rodrigo da Silva Ferreira, e “Meu mundo é você”, de Cássio Campos, interpretado pela banda Gemini, de Araruama. Promovido pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Saquarema, o evento distribuiu R$ 2 mil em prêmios.

Waldo Siqueira

A secretária de Educação Ana Paula Giri entrega o prêmio aos intérpretes da canção vencedora: Érica Vidal, Thiago Quemel e Tuta Queiroz

Ao final do evento a comprovação do sucesso veio através do gostinho de quero mais deixado nas

pessoas que prestigiaram o evento e puderam assistir a um show eclético e de muito bom gosto.

CINEMA V Curta Cabo Frio recebe inscrições até 22 de julho Atenção amantes da sétima arte: estão abertas as inscrições para o V Curta Cabo Frio – Festival de Audiovisual da Costa do Sol, uma realização da EMES Entertainment, com apoio da Prefeitura Municipal, que acontecerá entre os dias 2 e 11 de setembro. Os interessados devem acessar o site www.festivalcurtacabofrio.com.br, até o dia 22 de julho, para conhecerem o regulamento e preencherem o formulário de inscrição do festival, que exibirá filmes em diferentes bitolas e formatos. Considerado o maior evento de audiovisual do interior do Estado do Rio de Janeiro, o “Curta Cabo Frio” continua, em sua quinta edição, com o objetivo de selecionar, exibir e disseminar a produção

brasileira. Além de reunir diversas gerações de profissionais e entusiastas atuantes no mercado nacional, realiza exibições públicas, oficinas, palestras, mostras em escolas, bairros e universidades, permitindo acesso de diferentes públicos. - A iniciativa de realizar este projeto se justifica, principalmente, em dar continuidade a um trabalho que começa a gerar frutos na Costa do Sol, integrando o mercado cinematográfico do país com as cidades da Região dos Lagos. O Curta Cabo Frio tem um cunho social e educacional, abrangendo várias cidades da região, sempre com acesso gratuito – afirmou o diretor do festival, Miguel Fornaciari. Durante o evento, será

Em Foco, agora também na internet! A coluna de Regina Mota trazendo novidades de Saquarema e Região.

www.jornalpoiesis.com/emfoco

exibida uma grande quantidade de curtas, médias e longas em quatro mostras competitivas e 16 mostras não-competitivas. O diferencial deste ano fica por conta da mostra competitiva de longas digitais, trazendo para discussão a produção de longas-metragens de baixo orçamento produzidos no formato digital, com temática livre. Nos meses posteriores ao festival, bairros e escolas do município receberão mostras itinerantes. Também haverá exibição em outras cidades da Região dos Lagos, por meio do projeto “Curta Cabo Frio o Ano Inteiro”. Outras informações podem ser obtidas pelo número de telefone da EMES Entertainment: (22) 2648-1111. (Carolina Rocha/Secom)

Fotografias

abriu suas portas para os quatro dias dedicados à cultura. Música renascentista, popular, folclórica, italiana, espanhola, uruguaia e até Beatles cantado em alemão deram o tom certo em cada uma das apresentações. Vários corais chegaram a ser aplaudidos de pé. Outros levaram o público a grande emoção, pelo exemplo de superação de seus integrantes. Fotos do evento estão no site www.jornalpoiesis. com.

Encontro de Corais em Saquarema A Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Saquarema promove nos dias 29 e 30 de julho o 2º Canta Saquá, festival de corais que pretende trazer para a cidade representantes de vários grupos vocais do interior do Estado e da Capital. O evento conta com apoio da Secretaria de Turismo e da Escola Municipal Presidente Castelo Branco. O evento acontece a partir das 19 horas na Praça Oscar de Macedo Soares, no Centro.

Filhos ilustres de Saquarema recebem homenagem Os filhos ilustres de Saquarema, que se destacaram em vários meios culturais e sociais, serão homenageados em evento promovido pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura no dia 15 de julho, no Teatro Mario Lago. Música, teatro, poesia e dança farão parte da programação que começa às 19 horas.

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Camilo Mota

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Turi Pereira de Souza Você sabia que a palavra dieta significa Estilo de Vida? Isto mesmo, esta concepção que temos que a dieta está sempre ligada a alimentação ou emagrecimentos é por demasiado minimalista, para não dizer errônea. A dieta envolve todos os hábitos da vida da pessoa. Claro que a alimentação está incluída, mas existem muito mais coisas além disso que influenciam em um Estilo de Vida Saudável! Então resolvi também disponibilizar aqui a dieta que recomendo para meus clientes. Se seguida à risca, propiciará ao seu organismo uma alta performance, potencializando o seu sistema imunoneuroendócrino e até fazendo você perder aqueles quilinhos a mais. Depois de uns 4 meses nesta dieta, você já estará com seu organismo bem desintoxicado, e poderá se dar ao luxo de em uma festa de aniversário ou churrasco, tomar um copo de refrigerante por exemplo. Mas lembre-se de depois beber água para diluir e facilitar o seu organismo para trabalhar com a quantidade de açúcar ingerida. A Dieta 1. A dieta deve fazer você se sentir melhor e com mais disposição além de potencializar o funcionamento do seu Sistema Imunológico e de todos os Sistemas do seu organismo. 2. Corte da sua alimentação: Açúcar e todos os produtos que o contém. Farinha de trigo refinada e todos os produtos que a contém. Café. Todos os produtos industrializados, processados, refinados, semiprontos, “em conserva”, que contêm corantes, aromatizantes, conservantes, etc. 3. Troque o óleo vegetal pela gordura animal (banha de porco, etc) no preparo da comida. 4. Tome 1 colher de óleo de linhaça orgânico prensado a frio (Flax Seed Oil) 2x ao dia após as refeições. (ômegas 3, 6 e 9) 5. Não coma demais em uma refeição, é melhor comer mais vezes ao dia do que exagerar nas refeições. O ideal são 3 refeições ao dia. 6. Nunca vá dormir à noite de barriga cheia. Jante pelo menos 1 hora e meia antes de dormir, e coma uma coisa leve. 7. Beba bastante água e faça exercícios físicos regulares. O ideal é a prática de aeróbicos pelo menos 3x na semana (mais de 30 minutos por sessão). 8. Tenha uma refeição matinal reforçada. Faça sua refeição matinal das 5 às 8 e almoce entre as 11 e as 13 horas. 9. Inclua no seu café da manhã um yakult. (Renova a sua flora intestinal)

10. Procure dormir antes da meia noite (de preferência no mínimo 2 horas antes). 11. Beba um copo cheio de água logo ao acordar, ainda em jejum. (Faz funcionar os intestinos) 12. Consuma mais Azeite de Oliva, abacate e amêndoas. 13. Procure incluir o fígado (de boi, porco, etc) na sua alimentação. (Fonte de muitos nutrientes essenciais) 14. Procure escutar apenas músicas de lhe induzem à harmonia (Evite rock pesado, funk, etc.) 15. Não consuma de nenhuma forma bebidas alcoólicas, cigarros, e outras drogas. O que você pode comer sempre Cereais Integrais. Legumes, sementes e verduras (De preferência orgânicos). Leite, Ovos, manteiga, queijo. Carnes em geral (de preferência orgânicas e em pequenas porções). Azeites Extra-Virgens crus. Frutas. Nozes e Castanhas. Exemplificado nas refeições: Pela manhã: Milho cozido, aipim cozido, manteiga, leite, ovos, queijo, frutas, sucos (naturais sem açúcar), cereais integrais, tapioca, cuscuz (salgado), etc. Entre a refeição matinal e o almoço: Uma fruta ou castanha No almoço: Arroz integral, feijão, legumes e verduras à vontade, carne com cerimônia, ovos (se não tiver comido de manhã), azeite de oliva extra-virgem. • Não tomar líquidos frios no almoço, nem logo após • Tomar uma xícara de chá verde após as refeições Entre o almoço e o jantar: Uma fruta ou uma castanha No Jantar: Uma refeição leve de fácil digestão O que você nunca deverá comer (detalhando) Gorduras hidrogenadas: (óleos de milho, soja, girassol, margarina, maionese industrializada, ketchup, batata frita industrializada, etc.). Sanduiches, Hot Dog, Salsichas. Refrigerantes de todos os tipos, inclusive os Diets. Sucos de frutas industrializados. Sucos de frutas adoçados com açúcar ou adoçantes. Chás adoçados. Açúcar refinado, cristal, mascavo, frutose, karo, aspartame, ciclamato, glutamato, sacarina, etc. Cereais refinados. Sorvetes, IceCream, balas, biscoitos industrializados, chocolates. Etc. Turi Pereira de Souza é Terapeuta Vitalista Biomolecular & Estudante de Biomedicina. Atende no Elaboração - Terapias e Cursos com a estratégia da Medicina Tradicional Chinesa utilizando as técnicas da Terapia Ortomolecular, Nosódioterapia e Florais de Bach.

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nº 184 - julho de 2011

POLÍTICA

ECONOMIA CÂMBIO, COMMODITIES, CALOTE E CRIME

Deputado Miguel Jeovani pede ao governador pavimentação asfáltica para Iguabinha O deputado estadual Miguel Jeovani (PR) apresentou no parlamento estadual a Indicação nº 560, de 1º de fevereiro de 2011, pedindo ao governador Sérgio Cabral Filho a adoção de medidas administrativas de modo a viabilizar obras de pavimentação asfáltica nas Alamedas Raquel, Vinte e Oito de Setembro e ruas adjacentes do distrito de Iguabinha, no município de Araruama. “Essa reivindicação dos moradores do quinto distrito não é de hoje. O asfaltamento dessas principais vias de acesso é muito importante para o desenvolvimento urbano de Iguabinha”, afirmou o deputado estadual Miguel Jeovani. Os moradores de Iguabinha reclamam da falta de infra-estrutura no distrito há bastante tempo e diversas reportagens foram veiculadas na mídia a respeito das ruas sem pavimentação, da engorda da

Arlindo Júnior

Miguel Jeovani também se reuniu com o presidente do Detro-RJ e reivindicou melhorias para o transporte público na Região dos Lagos

orla e das obras não finalizadas. A falta de conservação e a necessidade de manutenção das obras de urbanização da orla de Iguabinha, inauguradas em 2004, também são comentadas pelos moradores e veranistas. Transporte Público - Mi-

ROCK’N’ROLL Banda Natus se apresenta em Araruama em julho Regina Mota

guel Jeovani também participou de audiência com o presidente do Detro-RJ, Rogério Onofre, quando manifestou a sua preocupação com os serviços de transporte público no município de Araruama, já que recebeu diversas reclamações dos moradores sobre as linhas de ôni-

SEGURANÇA Projeto de prevenção a drogas e violência doméstica é apresentado a vereadores Camilo Mota

A banda saquaremense Natus fará apresentações em Araruama no mês de julho. Dia 8, às 20 horas, Lorraine (vocal e guitarra), Daiane (guitarra solo), Eder Rios (baixo) e Daniel (bateria) participarão do Festival Nacional Coletânea de Bandas na concha acústica da Praça Antonio Raposo. Músicas próprias e covers estão no animado repertório dos ro-

queiros. Em comemoração ao Dia Mundial do Rock and Roll a Banda Natus participará no dia 13, a partir das 19 horas, do Araruama Rock Festival II, juntamente com as bandas Insight, RG e The Band (antiga Big Bee). O ingresso será um quilo de alimento não perecível. O festival acontecerá no Teatro Municipal na Praça Antonio Raposo.

PRODUÇÃO RURAL Feira agrícola em Saquarema Produtos frescos e de qualidade serão o grande destaque da I Feira de Agricultura Familiar de Saquarema, programada para os dias 15 e 16 de julho, na Praça Oscar de Macedo Soares, no Centro. Os pequenos produtores estarão vendendo desde frutas e hortaliças até conservas, pães, iogurtes e mel. Também haverá espaço para os derivados de pescado produzidos pelos pescadores artesanais do município. O evento começa na sexta-feira, às 17 horas, com show do grupo

bus, os itinerários e a frota de veículos nas ruas. Sobre a atuação do transporte complementar, o deputado questionou também a fiscalização dos agentes do DetroRJ em vias urbanas. O deputado também pediu a extensão do “Bilhete Único Intermunicipal” para a Região dos Lagos. A região centro-sul do estado será a primeira beneficiada com a implantação do sistema. “Como na região de Três Rios, Paraíba do Sul e Areal, que em breve terá esse benefício, os usuários do transporte intermunicipal na Região dos Lagos também precisam ser contemplados com o Bilhete Único, já que muitos passageiros se deslocam de sua cidade para trabalhar em municípios vizinhos”, disse Miguel Jeovani, presidente da Comissão Especial para Articular Ações de Desenvolvimento Econômico e Social da Baixada Litorânea. (Arlindo Júnior)

O Conselho Comunitário de Segurança de Saquarema (CCSS) fez uso da tribuna livre da Câmara Municipal no dia 14/06 para apresentar aos vereadores o projeto do circuito estudantil para prevenção de drogas e violência doméstica. A apresentação foi feita por Telma Guedes (foto), que lembrou, entre outras coisas, que é fundamental a participação da sociedade civil nas reuniões do CCSS, para que suas demandas sejam ouvidas e implementadas no município. O projeto do circuito estudantil foi lançado em abril e desde então vem sendo apresentado a autoridades a fim de que surjam caminhos para seu desenvolvimento através de palestras educativas nas escolas e de ações voltadas para o desenvolvimento de atividades esportivas. A proposta já foi encaminhada à Secretaria Municipal de Educação e Cultura e agora entregue também a cada um dos vereadores. “É preciso o empenho das escolas e das autoridades locais para que um projeto desse porte tenha sucesso”, disse Telma Guedes, lembrando ainda que as ações não são voltadas apenas para adolescentes,

Regina Mota

mas para a sociedade em geral. “Nossa intenção é que o projeto norteie ações do poder público para dar mais qualidade de vida para a população, eliminando os impactos negativos das drogas e da violência familiar”, frisou. O CCSS reúne-se toda primeira quarta-feira do mês, às 19 horas, na 4ª Cia da Polícia Militar, em frente ao Lake’s Shopping. As reuniões são abertas à comunidade, que pode se manifestar e apresentar suas reivindicações, sugestões e críticas para o melhor desenvolvimento da segurança pública no município. A próxima reunião do CCSS será no dia 6 de julho.

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Pedro Pinho Responda com sinceridade: qual empresa, instituição ou organização melhor aproveitou estes anos de “estado mínimo”, falta de regulamentação de ativos financeiros e neoliberalismo, que passaram a ocupar o “pensamento único”, o “fim da história” dos últimos 40 anos? Empresas de petróleo, de commodities, bancos... nada disto. Foram as traficantes de droga, as máfias e todas que atuam na produção de bens e nas atividades ilegais e criminosos. Vamos cuidar do que ocorre hoje antes de voltar ao tema do parágrafo inicial. A crise do sistema financeiro do mundo desenvolvido teve, apenas, um soluço em 2008. Todas as razões das previsões de Nouriel Roubini e outros analistas de pouco espaço na grande imprensa continuam presentes, talvez até agravadas pelas “flexibilizações quantitativas” (QE1 e QE2) dos USA. As dívidas dos USA - que me levou a prever em 2008 um calote da dívida americana, ora em curso, da Europa Continental, com duas ou três exceções, do Reino Unido e do Japão não podem ser pagas nas condições econômicas vigentes. Mas quem são os credores destas dívidas? São os próprios estados nacionais, seus bancos públicos e privados, os fundos financeiros mais diversos que vão das aposentadorias de funcionários públicos aos especuladores mais afoitos e irresponsáveis.Ou seja, uma grande parcela do mundo consumista, no ocidente e no oriente. Os bancos listados como grandes credores da dívida européia são da própria Europa: Commerzbank, BNP Paribas, Crédit Agricole, Deutsche Bank, HSBC, Société Generale, Credit Suisse, UBS e Royal Bank of Scottland, como principais. Mas há um modo de corrigir esta catástrofe? Certamente, mas não com o corte de salários e pensões, como insiste o FMI - a não ser que se trate dos USA, do UK ou de outro país de 1º mundo. Nem com a inflação da moeda, como faz os USA, cuja consequência é o aumento de preço das commodities e a transferência de renda de um setor para outro. Deixemos também esta ponta em aberto para olharmos o Brasil. A marola, ao invés do tsunami, foi possível pela existência de uma nova e crescente classe de brasileiros: os consumistas de baixa renda. Sua

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nº 184 - julho de 2011

ECONOMIA

LITERATURA

CÂMBIO, COMMODITIES, CALOTE E CRIME continuação da pág. 4

Uma quase autobiografia de Fernando Pessoa Gerson Valle Por sua brilhante montagem complexa e bem fundada, eu diria ser um prodígio o livro do advogado pernambucano José Paulo Cavalcanti Filho “Fernando Pessoa – uma quase autobiografia” (Editora Record, 2011). Difícil compreender como alguém pode armar uma biografia, entremeando citações continuadas às referências biográficas, detectadas com precisão sobre o momento descrito, dentro de uma imensa obra, como é a de Pessoa, de 30.000 papéis, que equivalem a uns 60 livros de 500 páginas, e que não têm, evidentemente a continuidade cronológica nem mesmo a intenção primeira de ser uma autobiografia. Mesmo levando-se em conta a observação do autor, já no prefácio, de que Fernando Pessoa sempre usava como tema ele mesmo ou o que lhe estava próximo – “a família, os amigos, admirações literárias, mitologia, ritos iniciáticos” – ainda assim é prodigioso o jogo de “quebra-cabeça” usado na construção desse livro. A biografia em si, que na verdade tem poucos dados, pois a vida de Fernando Pessoa não oferece muita diversidade, segue entremeando os próprios textos do poeta e heterônimos num livro de 734 páginas, dando margem à comprovação do teor do que escreveu com o que se passava com ele, fosse no dia a dia de trabalho, amizades e leituras, fosse em seu íntimo. Pelos escritos, o autor induz a nuances no caráter e maneira de ser de Pessoa. Um exemplo disto é a do heterônimo Álvaro de Campos (nome sob o qual escreve “Tabacaria”, considerado por muitos como o mais significativo poema do século XX), que em seus primeiros poemas é, declaradamente, homossexual, e, no decorrer da década de vinte, quando Pessoa namora Ophelia Queiroz, e chega a ser cogitado (sobretudo por ela) um casamento, não aparece mais o homossexualismo em Álvaro de Campos, que acaba até se casando. Curioso é que nada se conhece de Fernando Pessoa, ele mesmo, ter tido tendências homossexuais. Mas, é sabido que ele se moldava, enquanto escrevia, pelos heterônimos, ao caráter que neles colocava. A observação do advogado pernambucano, neste caso, nos faz ver a verdade também do inverso óbvio, que os heterônimos eram moldados pelas experiências de Pessoa. E por aí, poder citar os heterônimos na construção da “autobiografia” do poeta. Tudo em Fernando Pessoa ocorre de forma múltipla. Há um capítulo do livro, inclusive, que mostra a preocupação dele, o medo mesmo, dada a vivência múltipla de sua imaginação entre heterônimos e ideias contraditórias (e chega a dizer ter várias ideais contraditórias sobre o mesmo tema num só dia), de terminar louco, como

morreu uma de suas avós (e que lhe foi bem próxima). Medo igual ao que tinha de ficar tuberculoso, de que morreu seu pai quando ainda tinha cinco anos. Por vários escritos (inclusive cartas à Ophelia) ele se autoanalisa (e ele leu, culto que era, alguns livros sobre o assunto, não se afeiçoando especialmente a Freud), tentando provar que tem tendências paranóicas e esquizofrênicas. José Paulo consultou vários especialistas, mostrando a personalidade de Pessoa, perguntando se seu medo tinha fundamento. A conclusão de alguns dos consultados é que Pessoa era, indubitavelmente, neurótico. E que esta neurose teria sida benéfica, pois ela o impediu de enlouquecer. Uma questão similar é a do alcoolismo. Em capítulo que coloca os dados bastante alarmantes de que Pessoa tomava uma garrafa de vinho nas refeições, e durante o dia inteiro, como para afugentar a sensaboria de um trabalho por necessidade, tão distanciado das preocupações intelectuais, ele bebia por várias vezes, doses de bagaceira. À noite, quando continuava escrevendo sempre sem parar, levava para casa (quando não ficava em um dos bares que frequentava, como o “Martinho da Arcada” ou “A brasileira”) uma “garrafinha” do que ele chamava carinhosamente de “bagaço”. A letra de seu texto é sempre firme, apesar de se ter testemunho de “delirium tremens” e até de desmaio já mais para o final da vida. Sua morte, aos 47 anos (razão de especulações, ouvidas pelo autor opiniões de médicos), seria consequente de tanta bebida, mas não teria sido por cirrose, mas sim, provavelmente, por pancreatite. Fica a conclusão que, para o tipo de vida sem emoções que escolheu para si, a bebida lhe acomodava o espírito irrequieto, sua grande inteligência e sensibilidade, como uma companheira necessária (como o cigarro). Sim, Pessoa escolheu a sua vida. De garoto, sempre muito bem dotado com ótimas notas no colégio, foi levado para a África do Sul junto com a família (sua mãe casou-se em segundas núpcias após o falecimento do pai). Foi em inglês que

foi alfabetizado (escrevendo sempre tanto em português quanto em inglês e em francês). Adolescente, ao voltar para Lisboa, chegou a entrar para a faculdade de Letras, não completando o curso, como muitas outras coisas pela vida que deixou incompletas (sobretudo livros). Envolve-se com a intelectualidade vanguardista, mantendo uma grande amizade com o poeta Mário de Sá Carneiro (que iria se suicidar em Paris, após uma longa correspondência com Pessoa). Em 1915 lidera o que tem de mais avançado nas letras portuguesas na revista “Orpheu”. Paralelamente, por necessidade de sobrevivência, chega a estudar a prática comercial e se torna empregado em firmas comerciais como correspondente em inglês. Esta será sua ocupação por toda a vida. Empregos que não lhe garantem nenhuma estabilidade mais sólida, mas que lhe eram suficientes para aquilo que considerava mais importante: a forma de moldar sua vida para dispor de tempo e solidão para realização de sua obra, que acreditava poder trazer uma nova imagem para Portugal. Até mesmo sua desistência de se casar com Ophelia (com quem ele de fato se envolveu emocionalmente) foi justificada pela necessidade de prosseguir só, em seu caminho, para que nada atrapalhasse sua obra. Depois da experiência de “Orpheu”, e do suicídio logo em seguida de Sá Carneiro, vai se isolando cada vez mais, não fosse um que outro contato com escritores que o tinham, como o pintor e escritor Almada Negreiros, como o líder do movimento modernista português, e a família (tias, a irmã Teca e sobrinhos, com quem, às vezes, morava). Apesar de cortês, bem educado, é seco no tratamento social. Evita ao máximo as aproximações, como se estas fossem quebrar a sua continuada concentração nos escritos. Sua obra consiste na reflexão, sob muitos pontos de vista, de seu tempo e lugar, e da consequente importância que atribuía ao espírito português no advento do futuro – onde a própria obra iria colaborar, se assim se pode dizer, sendo que desde jovem ele previa a aparição de um supra-Camões, que pode ser

interpretado como sendo ele mesmo. Para isto tinha de ser múltiplo, muitos escritores num só. Esta, talvez – fora a sensibilidade de caráter sonhador e de curiosidades extra-sensoriais – a razão de criar outros escritores em seus textos – os heterônimos. José Paulo levanta 127 heterônimos criados por Pessoa. E em capítulos específicos descreve todos eles, suas biografias e obras realizadas. Sim, porque Pessoa criava biografias para eles. Chegava a construir mapa astral, considerando o dia, hora e local que dizia cada um ter nascido. Astrologia, Teosofia (chegando a traduzir livros do inglês a respeito) e ritos iniciáticos em geral como dos maçons, dos rosa-cruzes e da Ordem do Templo foram de seu grande interesse. Ao lado disto as profecias de Bandarra e do Padre Antônio Vieira que preveem um quinto império na História, que seria o português, e que Pessoa coloca, ao lado de certo “sebastianismo”, como evidência de suas próprias convicções sobre a importância de Portugal. Enfim, para tratar de todas essas questões pessoanas, José Paulo realizou uma pesquisa de campo, indo aos lugares em que Pessoa esteve, procurando quem fosse a ele ligado, direta ou indiretamente, fazendo uma pesquisa detetivesca, descobrindo assim, por exemplo, curiosamente, que existira um farmacêutico A. Caeiro que inspirou o nome do heterônimo “guardador de rebanhos” Alberto Caeiro, ou que existiu também o Estêves, que ele (como Álvaro de Campos) cumprimenta de sua janela, no poema “Tabacaria”, dizendo, após muita reflexão existencial, como se descesse ao real no prosaísmo da figura cumprimentada, tratar-se do “Estêves sem metafísica”. O autor vai a todas as fontes possíveis para elaborar o prodígio de um livro tão cheio de detalhes. Detalhes estes, aliás, que chegam ao ponto de reconstituir a História de Portugal sob muitos aspectos, para facilitar o leitor brasileiro, e a especificar em rodapés os mais variados assuntos tocados, como mitologia grega, autores, situações políticas... O livro chega a ter um caráter enciclopédico. Acredito que, a partir desta publicação, nenhum estudioso da obra de Fernando Pessoa poderá prescindir de sua leitura. Talvez o leitor possa compreender o método de citação de seus textos utilizados nesse livro como consistindo uma quase autobiografia, independentemente do valor isolado deles, lembrando o início do poema “Tabacaria”: “Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”

Rose Brasil/ABr

O professor Marcelo Neri tem feito análises que demonstram o trabalho como maior fonte de renda no país

expansão quantitativa e qualitativa será, ainda, a possibilidade deste terremoto com tsunami que se anuncia a partir do calote grego, transformarse, no Brasil, na pior hipótese, numa ressaca como em nossas praias oceânicas. Mas as estatísticas do IBGE e da FGV, com as competentíssimas análises do Prof. Marcelo Neri, estão mostrando um fenômeno que é a um tempo surpreendente e modificador. Crescem os empregos nas mais baixas faixas de renda, mas com todos seus direitos assegurados, e diminui a oferta nas faixas mais altas. Embora com pouca informação, e mais como intuição, creio que estamos caminhando para uma situação em que teremos uma parcela superior a 50%, talvez até 60% da população economicamente ativa, no Brasil, com rendimentos unicamente do trabalho, até uns 10 a 12 salários mínimos. Um quantitativo de 25% com rendimentos de trabalho, majoritário, e de aplicações diversas, rendendo dividendos, juros ou aluguéis. E os 15% restantes com rendimentos unicamente do capital. Sem considerações sociais ou éticas, mas observando unicamente as possibilidades econômicas, esta situação poderia dar uma notável oportunidade de otimização e de maior capacitação na aplicação dos recursos de capital. Seria a resposta adequada aos que choram por um retorno à manufatura, sem qualificá-la e moldá-la às condições tecnológicas e mercadológicas de hoje para o futuro visível. Retomando a ponta aberta, com uma nova equação de produção, renda e distribuição, o Brasil estaria pronto para enfrentar o calote global, mas exigiria grande competência no trato com as demais moedas. Ficam faltando as novas tecnologias, que são, a meu ver, a saída para o 1º Mundo: energia, saúde, comunicação e segurança. O que também remete à abertura destas considerações, que tiveram início com a leitura do artigo “Empreendedorismo: lado B”, de Thomaz Wood Jr., na Carta Capital de 29 de junho de 2011, cuja leitura recomendo.

Gerson Valle é poeta e escritor, membro do conselho editorial do Jornal Poiésis.

Pedro Pinho é administrador de empresas.

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nº 184 - julho de 2011

ENTREVISTA / Janaína Coelho

Mesmo com obras, Teatro Mario Lago mantém sua programação normal Camilo Mota Mesmo com as obras no prédio da Prefeitura e na Salarte, o Teatro Municipal Mario Lago, em Saquarema, continua mantendo regularmente sua programação. Janaína Coelho está na administração do espaço cultural desde 2008 e não tem medido esforços para manter seu bom funcionamento sempre trazendo espetáculos atraentes para o público local. Ela também é produtora cultural e agenciadora de espetáculos em teatros da Região dos Lagos. Confira a entrevista exclusiva que ela concedeu ao Jornal Poiésis. Poiésis - Todo o prédio da Prefeitura de Saquarema está passando por reforma, inclusive a Salarte, que sempre funcionou como uma antessala do Teatro Mario Lago. Como isso tem afetado o funcionamento do teatro e quais as

melhorias que as obras trarão? Janaína - Toda obra acarreta algum de tipo de transtorno. Mas as obras que foram iniciadas não têm impedido o funcionamento interno do Teatro, uma vez que o secretário de Obras, Anderson Martins, dividiu a obra em partes para que o Teatro pudesse continuar funcionando, mesmo que com algumas limitações. As obras eram necessárias, e agora teremos um amplo foyer para exposições de forma geral, uma bilheteria garantindo ainda mais a segurança de todos, banheiro para deficientes, enfim, melhorias que trarão benefícios e conforto para todos que utilizam e vierem a utilizar o Teatro. Poiésis - Qual o prazo para essas obras serem concluídas? Janaína - Temos um prazo estimado de 60 a 90 dias. Poiésis - Há previsão de alguma obra que

Camilo Mota

afete diretamente a estrutura do Teatro em si (melhorias nos assentos, no palco, coxias...)? Janaína - Sim. Como disse, no término das obras teremos muito mais conforto para atender os artistas, atores, músicos, dançarinos e principalmente nossa população, uma vez que nossa cidade já tem uma plateia formada, um público que gosta e aprecia a cultura em geral. Poiésis - Como é feita hoje a seleção e a escolha dos espetáculos e shows que serão apre-

sentados? Janaína - Procuro sempre dividir o mês de uma forma que possamos atender nossos artistas e talentos de nossa cidade, reservando espaço para um espetáculo infantil para que as crianças tenham desde pequenos o hábito de ir ao teatro e dessa forma proporcionamos uma viagem dos pequenos ao encontro da fantasia de uma forma lúdica. E há também o trabalho que faço em trazer algum espetáculo que esteja em cartaz nos grandes teatros do Rio de Janeiro, espetáculos diferenciados, para nossa população que tem recebido isso de uma forma muito positiva. Poiésis - Existe um percentual reservado para apresentações de artistas locais e de artistas de fora do município? Janaína - Sim. Temos que estimular nossos jovens e nossos talentos locais. Com as companhias

SAÚDE

Centro de Atenção Psicossocial é inaugurado em Saquarema Pessoas que sofrem de transtornos mentais ganharam um importante serviço de referência com a inauguração do Centro de Atenção Psicossocial de Saquarema (CAPS) inaugurado no dia 29 de junho. Nesta primeira fase de trabalhos, cerca de 50 pessoas já estão cadastradas para receberem o atendimento. Segundo a coordenadora de Saúde Mental, Rosângela de Souza, a iniciativa de criação do CAPS levará à formação de uma grande rede de saúde mental no município, pro-

Regina Mota

Vereador Gilvam Martinelle, secretário de Saúde Amilcar Ferreira, prefeita Franciane Motta e a psicóloga Rosângela de Souza

piciando, em muitos casos, um verdadeiro resgate de vidas e de cidadania. O novo órgão também terá grande importância no atendi-

mento às famílias dos pacientes, como ressaltou o secretário de Saúde, Amílcar Cunha Ferreira. “Aqui também as famílias terão um

apoio, pois poderão contar com profissionais capacitados e treinados a fim de darem atendimento com conforto, carinho e atenção”, ressaltou ele. Funcionando de segunda a sexta-feira, de 8h às 17 horas, na Rua Adolfo Bravo, 28, em Bacaxá, o CAPS é mantido pela Prefeitura Municipal e realizará acompanhamento clínico e reinserção social e familiar, com atendimentos nas áreas de psicologia, psiquiatria, enfermagem, assistência social e terapia ocupacional. (Camilo Mota)

de dança e de teatro que se formam cada dia mais dentro das escolas, por incentivo das próprias instituições (que por sinal é um trabalho maravilhoso), normalmente fazemos uma parceria e não cobramos a taxa do Teatro. Cobramos como entrada um quilo de alimento não perecível, e escolhemos uma Instituição como Pestalozzi, o Orfanato Raio de Sol, por exemplo, e dessa forma ajudamos a quem precisa e quem vai ao Teatro conhece o trabalho desses jovens. Nossas companhias locais que já têm artistas com registro, que já passaram por essa etapa, pagam também uma taxa diferenciada para uso do espaço. Poiésis - Com as obras de melhoria e com a política cultural que vem sendo desenvolvida no município, que perspectiva você vê para o desenvolvimento do teatro como um centro de difusão cultural para a

população, bem como para a formação de um público mais consciente da importância das artes para o desenvolvimento local? Janaína - Vejo um futuro brilhante, um futuro promissor para nossa cidade. A cada dia temos mais um grupo de dança, mais um grupo de teatro, mais um núcleo de poesia, mais uma banda surgindo. Graças a um trabalho que vem sendo desenvolvido pela Prefeitura através do CRAS, que atende às crianças do nosso município com Polos em Jaconé, em Sampaio Corrêa, em Bacaxá. Graças às escolas, tanto pública quanto privadas, que hoje veem nas crianças a porta de um novo amanhã, proporcionando-lhes cursos e oportunidades, como é o exemplo do Coral Escola que Canta. Enfim acho que Saquarema está no caminho certo, estamos semeando hoje os frutos que colheremos em um futuro bem próximo.

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nº 184 - julho de 2011

CONTO Fernando Py Quem a conhecesse, talvez sentisse uma alegria estranha e feliz. Era uma mulher que possuía o dom de despertar esperanças nos que soubessem a história de sua vida. Sua bondade, seu jeito especial de lidar com as crianças e, acima de tudo, a forte personalidade com que atraía os que assistissem às suas aulas, faziam esquecer, ou antes, lembrar com maior perplexidade o fato de que ela era aleijada. Realmente, só uma pessoa dotada de imensa força de vontade poderia ter sido o que ela foi. Quando nasceu, os pais, horrorizados, com enorme piedade por aquele ser informe que era sua filha - o tronco e o braço esquerdo perfeitos mas a perna direita mole, feito uma excrescência inútil; a perna esquerda e o braço direito eram simples cotos -, buscaram aliviar de algum modo o que previram ser uma pequenina vida desgraçada. O médico não lhe dava mais que um ano. Os pais fizeram, naquele ano, tudo o que lhes foi possível para que o bebê não sofresse. Com menos de um mês a filha foi batizada. A seguir, rodearam a criança de atenções, vencendo com coragem e amor a íntima repugnância por aquele infeliz aborto vivo. E a filha passou aquele ano com ótima saúde; o prognóstico do doutor Armando foi tristemente adiado para o ano seguinte. Aquela pobre criatura não poderia viver muito tempo. Mas Alicinha não morreu. Pelo contrário. Sua saúde era excelente. E sua inteligência também. Aos quatro anos, no jardim de infância do colégio, aprendeu a ler sozinha para

espanto das professoras e orgulho dos pais. Sua figura horrível assustava os meninos e as meninas, que tinham medo de se aproximar dela. Um dia, uma das professoras reparou num grande ajuntamento de crianças num canto do pátio, justamente aquele para onde Alicinha fora carregada. “Meu Deus, que estarão eles a fazer? Talvez até batam na coitadinha” - e correu para lá. Ficou vendo a cena, maravilhada. Alicinha, o rosto disforme sorrindo, falava com os colegas, contando uma história de fadas que lera num livro, mostrandoo para as crianças embevecidas. Sentindo-se muito só, sem ninguém por perto para conversar, chamara um menino de quem gostava. O garoto, ressabiado, chegou-se para ela. Alicinha exibiu o livro. Em poucos momentos era rodeada por uma pequena multidão de cabecinhas louras e escuras, que ouviam atentamente. Conversavam com ela como se nunca houvessem reparado nos seus defeitos físicos. A partir desse dia, a vida de Alice sofreu grande transformação. Os companheiros esqueceram-se do medo que tiveram e as professoras, encantadas com ela, não poupavam esforços para tornar completamente normal a sua vida, fazer com que seus defeitos não lhe causassem inibições ou complexos. Quando fez quinze anos, seus pais deram uma grande festa em sua homenagem, a que ela compareceu sentada numa pequenina cadeira de rodas ricamente enfeitada, posta sobre um estrado, diante da mesa onde estava um enorme bolo de quinze velinhas. Foi, como ela própria mais

DONA ALICE

tarde confessou, um dos mais belos dias de sua vida. Naquele mesmo ano iniciava o Curso Normal. Seria professora primária, pois era dotada de muito jeito para ensinar. Sua vida de moça não ofereceu muitas alternativas. Quase sem locomoção, sem poder dispensar o auxílio de pessoas amigas para ir de um lado para outro, ela passava os dias lendo e estudando, virando as páginas com a mão esquerda. As pessoas que visitavam seus pais para conhecer “aquela coisa horrível”, saíam impressionadas com a sua vivacidade, seu espírito, suas maneiras delicadas e humanas. “É uma pena que ela seja assim. Uma moça tão inteligente...” O que não sabiam é que essas visitas curiosas de quem quer ver um bicho raro, deprimiam-na fortemente, fazendo muitas vezes chorar aquela mulher tão senhora de si. Ao morrerem seus pais, já era professora nomeada, lecionando no mesmo colégio em que aprendera a ler. Suas aulas eram assistidas inclusive por adultos. A princípio, os pais das crianças, vendo-a, sentiam resistência em mandar os filhos às aulas de D. Alice. As crianças mesmo ficavam terrivelmente assustadas com o

aspecto da professora. Houve uma que se pôs a chorar e gritar de medo. Nessa ocasião D. Alice, erguendo-se um pouco mais dentro da pequena cadeira de rodas posta no alto da cátedra, chamou-a com um tom de voz tão carinhoso que a criança parou, olhando para ela em silêncio. D. Alice chamou-a de novo e, quando ela chegou perto, começou a contar uma história sobre meninos e meninas. As crianças a rodearam, como outrora os colegas, e nem se lembraram mais da sua figura grotesca. Falavalhes com ternura de mãe. As crianças foram rapidamente conquistadas. Adoravam-na. Algumas, falando sobre D. Alice aos pais, diziam que era tão boazinha, gosta tanto da gente... “e é bem pequenininha”. Os pais sorriam, pensavam: “deve ser muito jovem...” Recomendavam: “por que você não leva um presente para ela? Um buquê de flores, por exemplo.” - “Não sei, já pensei nisso, mas ela tem dificuldade para segurar as coisas só com o braço esquerdo. O outro é um cotoco.” Os pais se impressionavam, pediam esclarecimentos... e iam conhecer pessoalmente D. Alice. Saíam mais impressionados ainda. - Como é que uma pessoa, sobretudo uma mulher,

Alexandre Rivero

consegue não só viver mas ser alguém na vida, toda aleijada desse modo? Com a morte dos pais, D. Alice precisou de mais companhia para ajudá-la em casa. Então um antigo colega, formado em medicina - o mesmo que Alicinha chamara outrora para lhe mostrar um livro no recreio - e recém casado com outra colega de D. Alice, foram morar com ela. O casal cuidava de tudo como se fossem donos da casa. Chegaram a contratar enfermeiras e novas empregadas para o serviço. Para eles, a antiga colega era como uma irmã e se desvelavam para que nada lhe faltasse. O caso de D. Alice foi bastante divulgado. Os que privavam de sua intimidade sentiam-se orgulhosos de a conheceram. É claro que seu aspecto horrendo, o rosto largo e comprido dos anões, seu corpo desenvolvido anormalmente e a quase total ausência de membros - a professora insistira para que amputassem a perna direita, mole, inútil - faziam dela uma criatura repulsiva à primeira vista. Mas era impossível conservar essa impressão por cinco minutos de conversa. D. Alice era tão alegre, tão comunicativa, inteligente, de uma personalidade tão encantadora, que havia inclusive quem a

considerasse bela. E D. Alice continuou seu trabalho de professora durante vários anos. À medida que envelhecia, tornava-se naturalmente mais feia. Repetidas vezes as crianças chegavam a ter medo dela quando a conheciam, e eram sempre conquistadas pelo seu carinho e ternura maternais. Continuava a dar suas aulas sentada numa pequenina cadeira de rodas, com um livro ou um caderno aberto à sua frente. Tinha uma professora assistente, que escrevia o que fosse necessário no quadro-negro. Para dar idéia de quanto era adorada pelos alunos, no ano em que deixou de lecionar e se aposentou, os cabelos já inteiramente brancos, sua turma organizou uma festa da qual participaram todos os discípulos que tivera e puderam comparecer, com os filhos e netos. Centro das atenções, D. Alice lembrou-se da festa dos quinze anos, quando iniciara, com uma comemoração semelhante, toda a sua vida dedicada às crianças. Lágrimas deslizaram silenciosamente pelo rosto feio e enrugado. Mas eram lágrimas de alegria, de satisfação pelo trabalho cumprido, por uma vida integralmente aproveitada. E quando morreu, meses depois, o cortejo que a acompanhou ao túmulo foi quase unicamente constituído de alunos seus, “meus filhinhos”, como os chamava. Fernando Py é natural do Rio de Janeiro (1935) e reside em Petrópolis. É poeta, tradutor e crítico literário, membro da Academia Petropolitana de Letras.


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nº 184 - julho de 2011

Em Foco regina@netterra.com.br

Floratti - Inaugurada dia 10 de junho a mais nova loja de lingerie e presentes de Bacaxá. Agora ela é o endereço certo para as pessoas de bom gosto e que gostam de produtos de qualidade. O bom atendimento também é marca registrada da loja que fica na rua Professor Francisco Fonseca, 314 loja 108. Vale a pena conferir!

ARTES PLÁSTICAS com Regina Mota Regina Mota

Regina Mota

Tempo de falar em solidariedade Sempre é momento de falar desse assunto. O Bloco Tchangay fez as compras no Só Ofertas de Bacaxá, onde contou com o ótimo atendimento do gerente e dos funcionários. Todos os produtos foram doados para 4 instituições: Pestalozzi, Laces, Creche Raio de Sol e Centro Social Madre Maria das Neves. Foram mais de 5 mil reais em compras destinadas a quem precisa. Ordem Rosacruz Amorc - Os amigos da Ordem Rosacruz Amorc se reuniram em Saquarema para formarem o primeiro Grupo de Divulgação na cidade. Até então todos precisavam se deslocar para cidades vizinhas para participar de algum movimento. A nova coordenadora escolhida foi Maria Lucia Lúcio. Paz profunda!

Camilo Mota

Seroma expõe os caminhos da imagem O artista plástico Seroma faz exposição individual de sua obra de 7 a 30 de julho no Espaço Cultural José de Dome, em Arraial do Cabo-RJ, com vernissage no dia 6, às 19h30. Intitulada “Caminhos da imagem”, a mostra tem como interesse as nuances e formas geométricas a partir de traços concretos e figurativos. O estilo, desenvolvido pelo artista desde 1977 a partir do contato com Edival Ramosa, leva o espectador a uma viagem num mundo de cores e formas que muitas vezes transcende a realidade retratada. Segundo Seroma, fazer arte é estar presente em todas as formas e meios de expressões em que, durante o ato criati-

vo, cada técnica se permite manipular, fazendo nascer novas formas e construindo memórias, por meio das

quais o artista não deve ser escravo da imagem, mas sim discípulo de sua imaginação.

ESPIRITUALIDADE Conferência de Unidade reúne bahá’ís do Sudeste no interior de São Paulo Divulgação

Divulgação / Carlos Mac

Cia Intercap de Dança - Os bailarinos Edson e Ricardo Coelho ganharam o terceiro lugar na mostra competitiva no VIII Festival Nacional de Dança de Cabo Frio com a coreografia “Pacto”. O evento aconteceu nos dias 23 e 24 de junho no Teatro Municipal, quando eles disputaram na modalidade Contemporâneo. Evangélicos - A Igreja Metodista do Porto da Roça comemorou seu primeiro aniversário com uma grande festa na rua no dia 4 de junho. Os fieis percorreram as principais ruas de Bacaxá, fazendo louvores. No início da noite, reuniram-se dentro de seu templo, que ficou lotado. Parabéns pelo trabalho de difusão de sua fé e dos valores do cristianismo na cidade!

Divulgação

Minestrone - Para se aquecer nas noites frias que tal um Minestrone no capricho acompanhado de torradas? Esse é um dos pratos oferecidos pelo Latitude Bistrô, que tem um cardápio bastante variado e que dá água na boca. A anfitriã Anabelle tem sempre uma boa dica também para o horário do almoço, com um tempero diferenciado e sempre muito saboroso.

Cerca de 400 pessoas participaram da Conferência de Unidade do Sudeste, promovida pela Comunidade Bahá’í de 23 a 26 de junho, no Centro Educacional Soltanieh, em Mogi Mirim-SP. A comunidade da Região dos Lagos esteve representada pelos jornalistas Regina Mota e Camilo Mota. O evento serviu para o lançamento do novo Plano de 5 Anos, traçando as diretrizes para a expansão e fortalecimento dos princí-

pios bahá’ís junto à sociedade. Contando com palestras e diversas apresentações musicais e teatrais, a Conferência transcorreu num clima de enorme fraternidade e comunhão de ideais em torno dos temas da paz e da espiritualidade, conforme exposto por Bahá’u’lláh. A Fé Bahá’í é uma religião mundial nascida na antiga Pérsia, atual Irã, em 1844, fundada por Mizrá Hussein Ali (denominado Bahá’u’lláh, que significa A

Glória de Deus). Entre seus princípios destacam-se a unidade do gênero humano, a livre e independente busca da verdade, a eliminação de todo tipo de preconceito, a igualdade de direitos entre homens e mulheres, a harmonia essencial entre ciência e religião, a educação compulsória universal, e a revelação progressiva feita por Deus ao longo dos séculos. Mais informações são encontradas no site www. bahai.org.br.

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Edição 184, julho de 2011

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