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Dicas para ter uma vida mais saudável

Literatura, Pensamento & Arte

Araruama participa de semana de museus

Página 3 Página 3 Ano XVII- nº 180 - março de 2011 - Saquarema, Araruama, Cabo Frio, Arraial do Cabo, S. Pedro da Aldeia, Petrópolis, Teresópolis, Rio de Janeiro

Praias de Saquarema receberão tendas removíveis Camilo Mota

Os quiosques atuais começam a ser demolidos a partir de 15 de março

O processo de demolição dos atuais quiosques na orla das praias de Saquarema acontece a partir do dia 15 de março. A decisão judicial foi determinada pela Justiça Federal a partir de ação movida pelo Ministério Público Federal. A partir desta ação terão início as atividades de revitalização da orla marítima, com recuperação ambiental. Projetos nesse sentido já estão em estudo pela Secretaria Municipal de Obras. Como forma de reduzir o impacto econômico — que afeta diretamente os quiosqueiros e o próprio turismo da cidade —, a Prefeitura Municipal permitirá a instalação de tendas móveis. O secretário de Turismo, Armando Ehrenfreund, está pessoalmente cuidando de atender a cada um dos quiosqueiros, no sentido de dar as orientações necessárias para minimizar os impactos causados pela radical mudança que acontecerá nos próximos dias. Página 6.

Literatura

Literatura

Literatura

As primeiras mulheres na literatura brasileira, por Marcelo J. Fernandes

Uma outra visão de Clarice Lispector em conto de Gerson Valle

“Aconselho-te, crueldade” revela a veia contista de Fernando Fiorese

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Projeto Primeiro Passo realizou segundo campeonato de capoeira Regina Mota

Cerca de 30 jovens participaram da competição, realizada no dia 27/02, na Colônia de Pescadores Z-24, em Saquarema. Página 6. rade

: Almand

Escultura

ArTE O artista plástico Almandrade apresenta algumas notas sobre arte, refletindo sobre a natureza do fazer artístico, seu significado e forma, a estética e a inserção no mercado contemporâneo. Página 2.

www.novasaquarema.com.br

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nº 180 - março de 2011

POESIA

ARTES PLÁSTICAS

NOTAS SOBRE ARTE

Almandrade

A arte é uma forma de conhecimento que exige leituras e reflexões específicas. *** Sua apreensão não se limita ao olhar do primeiro instante. Sem as informações necessárias passam despercebidos a pesquisa e o aprofundamento da linguagem. A aparência satisfaz o olhar desavisado. *** “Só se vê aquilo que se olhar”. (Merleau-Ponty). O que percebemos numa obra de arte é aquilo que recolhemos em nosso modelo de ver. O homem é inserido numa sociedade, numa linguagem, por onde aprende a ver, pensar e sentir. A linguagem é o dispositivo através do qual ele se apropria das coisas, dos seres, das formas e das cores. *** Como arte pode ser qualquer coisa, em nome da arte contemporânea, somos muitas vezes colocados diante de alguma coisa que dizem ser arte. Qual o critério? *** Para o artista não basta saber pintar, muito menos se apropriar de imagens ou objetos, de forma aleatória, é indispensável ter referencias e dispor de um método. Cada artista concebe sua arte a partir de sua própria teoria, mesmo que esta não esteja explicitamente formulada. *** Uma obra encerra múltiplas possibilidades de indagação. Recriamos as imagens em nossa percepção, e as modificamos subjetivamente de acordo com nossa experiência de vida. Projetamos sobre elas os nossos valores e nossas inquietações. As obras de arte se completam de formas diferentes na imaginação de cada espectador. É também objeto de decoração, acrescenta ao espaço habitado a curiosidade de um abrigo poético. *** Para falar de arte é preciso aprender o método de observar sua produção, é preciso ir do conceito à obra e da obra ao conceito. *** Compreende-se a arte a partir da obra, um processo ligado à experiência e ao pensamento que aciona certas condições subjetivas do conhecimento. Se conhece o artista através de sua obra, e esta é uma invenção da atividade do artista. (Heidegger) *** É um fazer político localizado. A arte tem sua própria materialida-

de. Ela não é lugar de apoio para outras políticas, mesmo essas chamadas culturais que ignoram questões acerca das linguagens e suas transformações. “Ao curso de grandes períodos históricos, juntamente com o modo de existências das comunidades humanas, modifica-se também seu modo de sentir e perceber” (Walter Benjamin). A arte participa dessas mudanças como tarefa política de transformar a realidade dentro de um território determinado do saber. *** A arte está sujeita a um sistema de poder estranho ao fazer cultural. A arte deixa de ser vista como um fenômeno cultural para se tornar um fato exclusivamente social e de mercado. O problema não é o mercado, ele é necessário e tem um papel importante no circuito da arte, mas a importância que ele vem assumindo como agente principal do circuito. Ele até facilitou a produção, sem dúvida, mas fez com que o valor de troca levasse a reflexão à recessão. *** Estamos atravessando um momento onde é cada vez mais difícil a produção cultural sem a interferência da mídia e dos interesses do mercado. Se a ética desta sociedade é o consumo, tudo passou a ser determinado pela lei do mercado: a saúde, a educação, a cultura, etc. *** O intelectual e o crítico são dispensáveis numa sociedade, onde o mundo do pensamento é pouco tolerável, por outro lado, os patrocinadores, os empresários da arte, os profissionais de marketing, os curadores... são os protagonistas da arte. *** O artista que era um artesão desqualificado até século XIV, a partir do Renascimento passou a ocupar um lugar de destaque no território do conhecimento, e neste final de milênio ele é considerado o vilão da cultura. *** O que vem ocorrendo com as artes plásticas, e a cultura de uma forma geral, faz parte do espetáculo de uma sociedade que vê na retenção de riquezas o objetivo da vida. Uma instituição cultural dispõe de poucos recursos fica por conta dos patrocinadores a programação e a política cultural. Almandrade é artista plástico, poeta e arquiteto, reside em Salvador-BA.

POR QUEM OS SINOS DOBRAM

A prima ballerina

Elaine Pauvolid

Maria Clara Maia

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A sua elástica genética: a música como um burburinho de rio pelo sangue flui, deságua.

LITORAL

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Não esqueça as alças de retorno, as asas da fantasia bem elevadas para novo giro e as viradas que a vida dá e já deu.

Estávamos um diante do outro como um só espelho de ouro. Entre nós corria o rio rubro e era tempo de despedida. Portugal, Espanha ou as cicladas, é tempo, mas de frutas cítricas para ter nas mãos a colhida, ácida, consentida, súplice vida.

Da prima ballerina tome-se sua mão insinuada mas nunca se lhe diga adeus em pleno voo.

Lélia Coelho Frota (1938-2010) foi crítica de arte, poeta tradutora e antropóloga. O poema acima é de sua obra “Menino deitado em alfa” (1978)

Maria Clara Maia é professora, poeta, membro do Núcleo de Poesia Alberto de Oliveira

HISTORINHA Maria Helena Lantini

LUTO

Uma depois da outra, palavra vira linha

Prisca Agustoni Todos se foram. Todos mesmo, com a noite.

Puxada de um grande tecido, palavra é desfeita e retecida

Cerrados os enigmas entre as dobras,

Vida é fio Fio é linha Fios que a gente escreve (e suas entrelinhas)

as respirações em meu útero seco de olivas. Enfeito o delírio na rapsódia das têmporas

Maria Helena Lantini é pós-graduada em Literatura pela UFF, autora dos livros “Roteiros da Vida” (1991), “Ângela e Antônio” (1992) e “Fio de Prumo” (2006), de onde extraímos o presente poema.

e me acolho neste luto que frutifica o mito. Prisca Agustoni é poeta suíça, licenciada em Literatura Hispanoamericana e Filosofia. O poema acima faz parte de sua obra “Inventario di voci / Inventário de Vozes”, edição bilingue (Belo Horizonte, Mazza, 2001).

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A prima ballerina segunda viaja. Duas sapatilhas na bagagem e o arremesso de rosas sobre a cabeça. Boa viagem!

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A prima ballerina é aquela que toda rima lhe ronda e compassa as pontas magnéticas.

Elaine Pauvolid é carioca (1970). O poema acima faz parte da antologia “Vertentes” (Editora FiveStar, 2009), da qual também participam Marcio Carvalho, Márcio Catunda, Ricardo Alfaya e Tanussi Cardoso.

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EXPEDIENTE O Jornal Poiésis - Literatura, Pensamento & Arte é uma publicação da Mota e Marin Editora e Comunicação Ltda. Editor: Camilo Mota. Diretora Comercial: Regina Mota. Conselho Editorial: Camilo Mota, Regina Mota, Fernando Py, Sylvio Adalberto, Gerson Valle, Marcelo J. Fernandes, Marco Aureh, Celso Caciano Brito, Francisco Pontes de Miranda Ferreira, Charles O. Soares. Jornalista Responsável: Francisco Pontes de Miranda Ferreira, Reg. Prof. 18.152 MTb. Diagramação: Camilo Mota. CAIXA POSTAL 110.912 BACAXÁ - SAQUAREMA - RJ CEP 28993-970 ( (22) 2653-3597 ( (22) 9201-3349 ( (22) 8818-6164 ( (22) 9982-4039 E-mail: jornalpoiesis@gmail.com Site: www.jornalpoiesis.com.

Distribuição dirigida em: Saquarema, Araruama, São Pedro da Aldeia, Iguaba Grande, Cabo Frio, Arraial do Cabo, Petrópolis, Teresópolis e Rio de Janeiro. Fotolito e Impressão: Tribuna de Petrópolis. Colaborações devem ser enviadas preferencialmente digitalizadas, em formato A4, espaço simples, fonte Times New Roman ou Arial, com dados sobre vida e obra do autor. Os originais serão avaliados pelo conselho editorial e não serão devolvidos. Colaborações enviadas por e-mail devem ser anexadas como arquivo do Word (.doc ou .docx). Os textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Jornal Poiésis.


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nº 180 - março de 2011

ESPORTE II campeonato de capoeira aconteceu na Colônia de Pescadores

Regina Mota

Aconteceu no dia 27/02 o II Campeonato Interno de Capoeira do Projeto Primeiro Passo, na Colônia de Pescadores Z-24, em Saquarema. O evento, sob a direção do professor Zorro, contou com a participação de 30 crianças que disputaram as seguintes modalidades: Dupla (jogo combinado), Solo (movimentos sozinhos) e Técnico (Um contra o outro, para ver quem

joga melhor). Estiveram presentes o presidente da Federação Fluminense de Capoeira, Mestre Joel, do presidente do Instituto Profissional de Capoeira, Mestre Zezeu (que supervisionou a competição), Mestre Negão do Gás, de Campo Grande, do Mestre Pedro, angoleiro de Saquarema, e do professor Bruno, do grupo Elo, também de Saquarema.

MEIO AMBIENTE Peixes e camarões são recolhidos para estudos em Saquarema

Regina Mota

Uma equipe de biólogos e pescadores iniciou no final de fevereiro um trabalho de coleta de peixes e camarões nas lagoas de Saquarema. O objetivo é estudar o processo de reprodução das espécies de

maneira a melhor delimitar os períodos de defeso. O trabalho está sendo desenvolvido pelo Consórcio Intermunicipal Lagos São João, em parceria com a Colônia de Pescadores Z-24 e consultoria da Eco Design.

HISTÓRIA Araruama vai participar da IX Semana Nacional de Museus

Entre os dias 16 e 22 de maio o município de Araruama estará representado na IX Semana Nacional de Museus, que acontecerá simultaneamente em todo o mundo como parte das comemorações do Dia Internacional de Museus, celebrado em 18 de maio. Organizado pelo Ministério da Cultura, através do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), o tema deste ano, escolhido pelo Conselho Internacional de Museus, é “Museu e Memória”. Esta é a terceira vez que o município participa do evento. - O evento existe há nove anos, mas só passamos a participar quando o prefeito André Mônica assumiu o governo, há três anos. Desde então, a Semana Nacional de Museus passou a fazer parte do nosso calendário anual – informou o subsecretário de Cultura, Ricardo Luiz Adriano da Silva. Em Araruama, a programação acontece no Museu Arqueológico (km 27 da Via Lagos), e a abertura será no dia 17 de maio, com mostra de paisagens e flores da artista plástica Antonia Lúcia, das 9 às 17 horas. No mesmo dia, às 10 horas, o público poderá conferir a história “Nos tempos de Aristides Novaes”, contada pelo senhor Leopoldino, um antigo morador da cidade. As crianças também

Divulgação

terão espaço na programação. Às 14 horas a museóloga Danielle Viana estará promovendo uma conversa com a garotada através do projeto “Falando de Museologia e Arqueologia”. Nos dias 18 e 19 de maio, o resgate da memória será feito através de leituras e oficinas de contação de história com Dina Carla e Sonia Corecha, das 9 às 14 horas. E no dia 20, às 10 horas, as lendas indígenas ganham destaque através da professora e monitora Viviane Marinho, às 10 horas. Encerrando a programação, o grupo Teatrama apresentará, às 14 horas, o espetáculo “Algumas de Aristeu”. - Com essa programação nosso objetivo é discutir, trocar experiências e, principalmente, revelar a importância das instituições museológicas para o desenvolvimento da sociedade – explicou o subsecretário. Desde que foi lançada no Brasil, em 2003, a Semana Nacional de Museus já promoveu mais de nove mil eventos como exposições, visitas guiadas, seminários, shows, palestras, exibição de filmes e documentários. É o maior evento do gênero em todo o mundo. Em 2010, contou com a participação de mais de 30 mil museus em 95 países. (Ascom/Araruama)

LITERATURA

As pioneiras da literatura brasileira Marcelo J. Fernandes No mês em que se incensa, especial e justamente, a Mulher, pensamos em trazer à luz algumas brasileiras que despontaram pioneiramente em nossa literatura, quando o espaço feminino era exíguo e ignorado. Ressalta-se ainda que a mulher, somente no segundo quartel do século XX, no Brasil e em grande parte do mundo, teve acesso ao voto, à universidade, aos direitos plenos e à equiparação aos homens. Apenas para delimitarmos o foco dessa pequena contribuição, restringimos às desbravadoras de fato, ou seja, aquelas nascidas no século XIX, contemporâneas ao advento da própria literatura nacional com o Romantismo, que tem como marco inicial a obra “Suspiros poéticos e saudades”, de Gonçalves de Magalhães. Falamos, em ordem cronológica de nascimento e aparição, das notáveis e pouco lembradas nos manuais de literatura e nos conteúdos das universidades, Nísia Floresta, Narcisa Amália, Júlia Cortines, Ibrantina Cardona, Francisca Júlia e Auta de Souza. Nísia nasceu Dionísia Pinto Lisboa, em Papari, Rio Grande do Norte – município que hoje ostenta seu nome, em 1809, no sítio Floresta. Após a Revolução de 1824, casada por imposição, deixou o estado natal devido a perseguições políticas movidas contra sua família. Em contraposição a seu tempo, Nísia abandonou o marido poucos anos depois e uniu-se a Manuel Augusto de Faria Rocha, em 1830. Em 1832, ano em que nasce o seu primeiro filho, Nísia traduz o principal tratado feminista da época, A vindication of the rights of woman, de Mary Wollstonecraft. Publicada

originalmente em Londres, em 1792 – ano da deflagração da Inconfidência Mineira – expunha a tese da autora, em oposição a Rousseau, de que as mulheres, se “educadas, perderiam seu poder natural sobre os homens.” Wollstonecraft defendia que as mulheres deveriam desenvolver o intelecto, buscar independência, sair ao mundo. Com esse espírito, Nísia, autodidata, iniciou-se no magistério, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde fundou um célebre educandário: o Colégio Augusto, em 1838, que funcionou inicialmente na atual rua 1º de Março, e depois à rua D. Manuel, vizinho ao tradicional Colégio e Mosteiro de São Bento. Em 1842, publicou Conselhos à minha filha e fazia, paralelamente, conferências abolicionistas e republicanas. Em 1847, ano profícuo, aparecem Fany ou o modelo das donzelas; O discurso que às suas educandas dirigiu Nísia Floresta Brasileira Augusta, em 18 de dezembro de 1847 e Daciz ou a jovem completa. A lágrima de um caeté, poema indianista de 39 páginas sobre a Revolução Praieira, em 1849, assinala o ingresso definitivo de Nísia Floresta na literatura, em tom muito afinado aos seus pares Gonçalves de Magalhães e Gonçalves Dias. No ano seguinte, publica um romance histórico – à maneira de Walter Scott e José de Alencar -, em dois volumes: Dedicação de uma amiga. Sua obra-prima Opúsculo humanitário, enfeixando 62 artigos voltados à prática pedagógica, é publicada pouco

antes de sua partida à Europa, na França, onde viveria e seguiria produzindo e publicando até sua morte, em 1885. Profundamente influenciada pelas filosofias políticas de seu tempo – a filosofia do Iluminismo, o Idealismo romântico, o Positivismo e o Utilitarismo - e pelas idéias daí decorrentes, a obra revolucionária de Nísia Floresta Brasileira Augusta, pelo vanguardismo que ainda traz em seu bojo, um desafio à contemporaneidade. Nascida em São João da Barra, Estado do Rio de Janeiro, a 3 de abril de 1852, Narcisa Amália de Oliveira Campos possuía vários pontos de contato com Nísia: professora, casou-se duas vezes, atipicamente, era de temperamento forte, irrequieto, feminista, abolicionista, fortemente influenciada por Victor Hugo e Castro Alves e foi a primeira jornalista profissional do Brasil, defendendo idéias libertárias e feministas. Como Nísia, também traduziu (Histoire de ma vie, de George Sand; e Romance de uma mulher que amou, de Arsène Houssave). Aos vinte anos editou Nebulosas, volume de poesias que teria encantado o Imperador, declamando à Narcisa, de memória, alguns poemas, de onde extraímos o seguinte soneto: “O Lago” // Calmo, fundo, translúcido, amplo, o lago / longe, trêmulo, trêmulo, morria. / No seu límpido espelho a ramaria, /curva, de um bosque punha sombra e afago.// Terra e céu, ondulando, eram na fria / tela fundidos! O queixume vago / que a

água modula, de ambos parecia, / solto, ululante, intérmino, pressago! // - “Trecho vulgar de sítio abstruso e agreste” / talvez; mas todo o encanto que o reveste / sentisses; contemplasses-lhe a beleza; // comigo ouvisses-lhe a mudez, que fala, / e sorverias no frescor que o embala / todo o alento vital da Natureza! De Júlia Cortines (Rio Bonito, RJ, 1868 – 1948, Rio de Janeiro, capital) há quase nenhuma informação; sabe-se que, coincidentemente com suas colegas, foi professora primária e publicava em A Semana. Parnasiana, publicou, em 1894, Versos, alcançando algum sucesso. Em 1905, Vibrações foi elogiado por José Veríssimo, que afirmou na época: “Os poemas de Júlia Cortines distanciam-se magnificamente da poesia de água-de-cheiro e de pó-de-arroz da musa feminina brasileira, e revelam em Júlia, mais que uma mulher que sabe sentir, alguém que sente com alma e coração e de forma que disputa primazias com nossos melhores poetas contemporâneos.” Ibrantina de Oliveira Cardona nasceu a 11 de outubro de 1868 - como Júlia Cortines em Nova Friburgo, RJ. Mulher dotada de rara inteligência, também publicou em periódicos, em seu tempo; o verdeamarelista e integralista Plínio Salgado elogiou seu Heptacórdio, de 1922. Posteriormente, editou Kleópatra e outros títulos. Faleceu em São José do Rio Pardo, a 23 de dezembro de 1956. Francisca Júlia da Silva Münster nasceu em Eldorado, São Paulo, a 31 de agosto de 1871. Aos vinte anos de idade já publicava em alguns diários paulistanos e cariocas, alcançando crescente notoriedade. Despontando em

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SAÚDE

Viva bem e durma bem Regina Mota

Turi Souza Muitas pessoas pensam que para se viver bem basta ter dinheiro. Mas a realidade não é tão simples. Muitos que dedicam todos os seus esforços para ganhar dinheiro acabam não aproveitando a vida, e quando chegam na idade de aproveitar gastam todo o dinheiro recuperando a saúde. O segredo para se viver bem começa nas coisas simples do nosso dia a dia. Por exemplo, dormir. Parece brincadeira, mas 43% dos brasileiros sofrem com insônia. Ou seja, são praticamente 100 milhões de pessoas que não conseguem dormir bem. É um número alarmante, não é mesmo? E o que podemos fazer para não estar neste grupo? Mudar de vida! É sério. Se você já sofre com insônia e deseja se livrar deste mal, você terá que mudar de vida. Terá que mudar o seu jeito de ser, mudar o jeito de tratar as pessoas, mudar tudo ao seu redor, para poder se livrar do estresse e da ansiedade, e poder dormir com os anjos. Logo que acordar lembre-se que cada dia é um novo dia! Tudo que passou, passou. Viva o presente, e aproveite este presente que é a vida! O Sol nasceu, e tudo de bom está à disposição para você ser feliz! Seja sempre manso e sincero com os outros e

“Siga os horários da natureza. Acorde com o Sol (ou antes dele) e use a noite para dormir. Existem processos metabólicos que só acontecem se você estiver em sono profundo antes da meia noite.” com você mesmo. Ria das suas imperfeições e busque sempre o aperfeiçoamento se baseando na Lei do Amor. Pratique o Perdão, é de graça e só faz bem. Sempre que tiver escolha, faça o bem. Tudo que a gente faz volta pra gente! Faça do seu trabalho a maior alegria da sua vida. Se não gosta dele, mude de profissão. Busque o seu DNA, o resto lhe virá por acréscimo. Preste atenção em suas palavras, procure sempre usar as palavras positivas, para poder usufruir desta força universal que é a Luz maior. Cuide de sua alimentação. Quer uma dieta saudável? Vou resumi-la: Corte o açúcar, a farinha de trigo branca e todos os alimentos industrializados. Pense no que os índios comiam, e tente fazer o mesmo. Adote pensamentos elevados. Sonhe sempre alto.

Você nasceu para vencer! Nasceu para brilhar! Use desta Força Divina que o criou para se realizar. Use o amor em todas as suas ações. Quem tem amor no coração, tem Deus, e pode fazer o que quiser. Procure ajuda. Se não sabe, pergunte. Se não consegue, estude. Quem se coloca no lugar de aprendiz sempre ganha mais, pois sempre aprende alguma coisa. Sirva sempre que puder. É mais nobre servir que ser servido. Lembre-se disso, seja um imitador de Deus, que criou tudo que existe para nos servir. Use da natureza sempre que precisar. Ela é uma fonte inesgotável e tem tudo que precisamos para viver, ter saúde e ser feliz. Cultive seus amigos. Eles são o maior tesouro que Deus colocou na sua estrada. Se você ainda não

tem amigos, faça alguns. Como? Simples, seja amigo de alguém! Siga os horários da natureza. Acorde com o Sol (ou antes dele) e use a noite para dormir. Quanto mais cedo dormires mais tempo o seu organismo terá para se recuperar. Existem processos metabólicos que só acontecem se você estiver em sono profundo antes da meia noite. Faça suas refeições em paz. Capriche nos alimentos e evite discutir assuntos estressantes. Mentalize saúde e gratidão. “Faça do seu alimento o seu remédio”, já dizia Hipócrates. Use o computador e a televisão com moderação. Prefira sempre um papo com o vizinho do que com o amigo virtual. Toda esta parafernália eletrônica é muito importante, mas não deve jamais substituir suas experiências no “mundo real”. Procure pegar um pouco de Sol todos os dias. Há vitaminas importantíssimas para sua saúde que só são processadas pelo corpo ao contato com a luz solar. Assim, quando se deitar à noite, você conversará com o seu travesseiro, e verá que você está caminhando no rumo certo, e dormirá como uma criança vivendo bem melhor. Turi Souza é Terapeuta Vitalista turionline@gmail.com www.medicinavital.org


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nº 180 - março de 2011

LITERATURA

SOBRE UM LIVRO DE CONTOS

Alexei Bueno Os gêneros literários são mistérios, como as nações, para recordarmos o verso brilhantemente aforismático do Fernando Pessoa de Mensagem. Como acontece com as formas fixas na poesia, todas parecem haver surgido de uma necessidade anterior, platônica, como oriunda do inapreensível mundo das idéias puras. Se há formas fixas de evidente artificialismo, – a sextina, por exemplo – como explicar a milagrosa necessidade, necessidade de existir, que encontramos num soneto, numa oitava heróica, na terza rima, ou para ir ao outro lado do mundo, num haicai? Por isso a vacuidade algo ridícula dos ataques às formas fixas em si mesmas nos momentos de subversão literária, quase sempre na saudável tentativa de libertá-las da crosta dos maneirismos e das modas. O problema é que as formas nada têm a ver com as modas e os maneirismos com que os maus poetas e os maus prosadores as cumulam nos momentos de decadência literária. Elas retornam sempre, com uma juventude auroral que as acompanha desde sua gênese secular. Se o romance, indubitavelmente, assumiu o primeiro plano entre os gêneros literários da prosa narrativa na idade moderna, a especificidade das outras

formas, a novela e ainda mais marcadamente o conto, garantelhes essa necessidade inexplicável sobre a qual acabamos de falar em relações às formas poéticas. Como estender a trama, aumentar o número de personagens, aprofundar o psicologismo na relação entre os mesmos, sem destruir uma mínima e insubstituível maravilha como é – um exemplo perfeitamente aleatório, entre milhares – um conto como “O barril de Amontillado”, de Edgar Allan Poe? Há autores em que se nota, independentemente de variadas e às vezes culminantes realizações em outros gêneros literários, o que podemos chamar do gênio da narrativa curta, a implacável vocação ao conto, como, entre nós, um Machado de Assis, um Monteiro Lobato, um Hugo de Carvalho Ramos, um Guimarães Rosa, ou, entre os estrangeiros, o já lembrado Edgar Allan Poe, Guy de Maupassant, Stevenson, Tchekhov, Kipling, Gorki, Horacio Quiroga, Panait Istrati, Isaac Babel, Jorge Luis Borges, Miguel Torga ou Juan Rulfo. Como a dominância classificatória de um dos gêneros literários é quase uma necessidade do público em relação aos autores, até mesmo no caso dos polígrafos, é preciso lembrar que todos conhecíamos Fernando Fiorese, acima de tudo, como poeta, sem

divulgação

Fernando Fiorese, poeta e um requintado contista

esquecer do ensaísta do excelente Trem e cinema: Buster Keaton on the railroad. Com o aparecimento do livro hoje lançado, Aconselho-te crueldade, a questão passa a ser mais melindrosa, pois ele nos surge como um requintado contista, nas várias vertentes que, por sua vez, podemos encontrar no gênero. Conto magistral, exemplo tout court do que tentamos definir acima como o conto em sua essência mais pura, é a narrativa “Era uma boneca”. A prosa de Fernando Fiorese adquire, nessa pequena obra-prima, um tom mais coloquial, claramente explicado pela ambiência coti-

No Brasil, ainda são poucos os estudos sobre o fenômeno das fábulas e dos contos de fadas que embalam até hoje os sonhos de crianças de todas as idades. Rico manancial do nosso imaginário, as histórias escritas por Perrault, Andersen, os irmãos Grimm, La Fontaine e outros tiveram em Esopo um pioneiro na antiguidade grega. Histórias como “A Bela Adormecida”, “Chapeuzinho Vermelho”, “Cinderela”, “Pele de Asno”, “Barba Azul”, “Branca de Neve”, “João e Maria”, além de serem tradicionalmente femininas, devem sua permanência, através dos tempos, às mulheres contadoras de histórias. Esopo – um grego natural da Frígia, que viveu no século VI antes de Cristo – criou inúmeras fábulas que chegaram até nós pela tradição oral. Nos fins do século XVII, Charles Perrault, pesquisando contos da Idade Média, retirou-lhes o conteúdo campesino-vulgar e deu-lhes um sabor mais refinado para o deleite da aristocracia francesa. Na Alemanha, os irmãos Grimm, no século XIX, passaram nova peneira e afasta-

ram dos contos os sinais mais fortes de sexualidade, acentuando, porém, o castigo para os malfeitores. Com o tempo, os contos foram passando de escritor para escritor e perdendo sua marca de autoria, a ponto de Walt Disney, no século XX, ‘reescrevê-los’ para o cinema, e tornar-se, para o grande público, seu único e verdadeiro autor. Outras versões cinematográficas foram produzidas como “My fair lady” e “Uma linda mulher” que fizeram de Audrey Hepburn e Julia Roberts cinderelas da era moderna, e alcançando grande

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sucesso nas telas. Glamurizados por Hollywood, entretanto, esses filmes são versões adocicadas das velhas estórias, que eram quase sempre carregadas de maldade e erotismo, razão pela qual chegaram a ser condenadas por educadores, que viam nelas uma influência negativa para a juventude. Contemporaneamente, sabe-se que os jovens se preparam para a vida muito mais cedo do que antes, e que o sofrimento e as dificuldades são verdadeiramente a ponte para a sua transformação e progresso pessoal. Algumas dessas informações e outras bastante interessantes estão no livro Fiando palha, tecendo ouro – o que os contos de fada revelam sobre as transformações na vida da mulher, de Jean Gould (Editora Rocco), que aconselho a todos os leitores – especialmente as mulheres –, pela consistente e criativa interpretação dos contos de fadas e de sua relação com o universo feminino desenvolvida pela autora.

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Joaquim Branco é professor de literatura brasileira da FIC - Faculdades Integradas de Cataguases-MG, doutor em literatura comparada pela UERJ. (joaquimbranco.blogspot.com)

O professor Edson Coelho (à direita, na foto) conquistou a medalha de bronze na categoria “Kata” na 9ª Copa Brasil Biolab de Karatê, realizada de 18 a 20 de fevereiro, em Pouso AlegreMG. O atleta saquaremense garantiu a boa classificação

Cobertura fotográfica de eventos, câmeras digitais, plotagem e revelação.

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Alexei Bueno é poeta, ensaísta, editor e tradutor. O texto acima foi proferido pelo autor em Juiz de Fora (MG) no lançamento do livro de contos de Fernando Fiorese, 09 de setembro de 2010.

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particular, conduzindo a um final surpreendente. A prosa do autor, do mesmo modo, como que se equilibra sobre uma corda suspensa entre as duas maneiras que acabamos de comentar, o registro mais terra a terra das coisas e a visão aguda, sintética – poética, portanto – da essência profunda do que se apresenta gradativamente desde as primeiras palavras, através de uma narradora que também se aclara paulatinamente. Falamos de três contos apenas, que representam três estilos de contos, no universo do livro, todos vazados na mesma brilhante prosa do artista aqui presente. E julgamos que três – número místico por excelência, em todas as religiões e visões do mundo é um número suficiente e exato, pois o que importa é a silenciosa percepção e fruição de cada leitor.

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dianamente banal em que tudo se passa, assim como no fato do papel do narrador estar entregue a uma figura infantil, arauto de uma coletividade infantil numerosa. Se o ambiente é cotidianamente banal, o fato detonador do pathos do conto não deveria sê-lo de maneira alguma, mas, na verdade, chega quase a sê-lo entre nós. Compreendo perfeitamente que estou escrevendo frases obscuras e sibilinas, que ninguém entenderá, mas o meu objetivo é exatamente este, pois não quero desvelar o cerne dessa narrativa. Se “Era uma boneca” me parece um exemplo acabado do conto em sua essência, “A tempestade” se encontra na fronteira do poema em prosa, gênero de muito complexa definição, que vez por outra é tangenciado pelo conto, ou o tangencia. A prosa do autor, nesse caso, muda completamente de registro, mantendo a mesmíssima eficácia. Trata-se de uma prosa muito requintada – o coloquialismo desapareceu – a tal ponto que é difícil não julgar a obra, por sua extrema concisão e acuidade, um poema. Já em “Um nome e os óculos” há como que uma fusão entre as duas tendências. Começando por uma análise muito aberta da psicologia feminina, ou do que algumas ou muitas mulheres julgariam como tal, a narrativa se move do geral em direção ao

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nº 180 - março de 2011

CONTO

CLARICE LISPECTOR

Gerson Valle José Bento mora sozinho num apartamento do Jardim Botânico, que teria sala e dois quartos se não tivesse transformado a sala e um dos quartos em bibliotecas. Uma pequena copa ao lado da cozinha é sua sala de refeições. No resto, até mesmo em cantos do banheiro, e, é claro, no quarto onde dorme também, pisa-se em livros. A primeira vez que Saionara foi a seu apartamento ficou tão fascinada pela presença dos livros, uma das grandes afinidades dos dois, que não conseguia sair da sala de entrada, examinando estantes, livros espalhados pelos sofás e pela mesa de trabalho. Aí, aliás, encontravamse abertos e sublinhados em diversos pontos, com notas a lápis nas laterais, alguns livros de Clarisse Lispector. E ele se exaltou: — Ossos do ofício. Tenho de dar aula sobre ela, mas como dói! Os modismos são os piores inimigos da boa Literatura. E hoje mais do que nunca, como já tanto conversamos e concordamos, é dificílimo se remar contra a corrente da vulgaridade e da monstruosidade de algumas bem aceitas receitas literárias. Se embaladas, então, com sofisticação, ninguém tem coragem de denunciálas, É o velho conto de Andersen do rei nu. Quem aponta sua nudez? Perderia a condição ilustre de pessoa de bom senso, de gosto medianamente aceito como correto... — Eu faço meus “turismos” literários. Ouso dizer que gosto de “Laços de família” da sua desamada Clarice. — Eu também. Ela dominava técnicas literárias, e as desenvolveu em bons contos. O diacho é quando envereda em subjetivismos tendentes a um expressionismo que requer uma força interior que ela não tinha! Veja bem, que melhor Literatura que a de Kafka, Dino Buzzati, Elias Canetti...? Lembro do nosso esquecido Cornelio Penna... Ou o mundo maravilhoso de Guimarães Rosa, onde o verbo é esperança transformadora, e o regional é o mágico universal. Mas, esta mulher!... Ah, esta mulher... Vou ter de abordar em aula “A maçã no escuro”, a quintessência da alma vazia. É muito fácil a pessoa ficar repetindo o socrático “eu só sei que nada sei”. Dá no que pensar sobre a ignorância do ser humano ante a grandeza do universo. Mas, repetir a cada página do livro tiradas contraditórias, como que a demonstrar somente o sabor literário, “boutades” de cara que perde o amigo mas não a piada, não é primário? Aliás, é um vício antigo de certos intelectuais. Dizerem frases pelas frases, colocarem conceitos inteligentes, frasezinhas de efeito. Coisa acadêmica, não? Clarice faz a mesma coisa só que de forma aparentemente antiacadêmica. Se não tem o que dizer, por que não fica calada? Enche suas páginas de detalhes inócuos e afirmações tautológicas ou, ao contrário, gratuitamente contraditórias, aparentemente só para preencher páginas, fazendo o leitor de idiota que tem tempo a perder com seu vazio interior colocado de forma tão pretensiosa! — Você não está sendo um pouco machista nesta colocação de uma

escritora que parece trazer certa feminilidade em sua maneira de ser? — Clarice não trazia feminilidade em sua escrita como na musicalidade doce de uma Cecília Meireles, por exemplo. Ela era “fresca”, não sabe? Daquela forma de desmunhecar a cada raciocínio! Dessas dondocas de uma subjetividade sem fim. E o pior é que, sabendo escrever bem, ela faz isto com um aparente magistério de tudo! Mas o tudo nela é falso, pretensioso, às vezes resvalando à debilidade mental. A primeira parte deste romance é “Como se faz um homem”. Para ela homem é o cara que não pensa muito, com músculos que servem para desentupir pia, trabalhos mecânicos, sem complexidades subjetivas. Grosseiro estereótipo de uma dondoca de prendas do lar da primeira metade do século XX. Superficial e preconceituosa. — Muito homem pensa na mulher, “mutatis mutandi”, de forma similar. — É, mas não são os homens que eu possa chamar de bons escritores, caras que me fazem a cabeça. Leia seus diálogos e me diga se não são de antigas novelas de rádio. Nem Janete Clair escreveria frases tão “kitsh”! Às vezes chegam a ser circenses! Situações inverossímeis e sem nenhum significado! Tudo em entonações que soam a belas frases sábias, algo maduro, vivido... Pena que não escrevesse comédias. Parte do nada à procura de coisa alguma. E no percurso, nos enche o saco com seus trejeitos “frescos”, abobrinhas. — Gosto de sua sinceridade sem medo de ser visto como politicamente incorreto. — Pois é. Usar pejorativamente a palavra “fresca” aparentemente ofende aos “gays” em suas posições alternativas. No entanto, não é bem assim. Por “frescura” entendo atitudes de pessoas superficiais, falsas, incomodando os outros por bobagens, coisa alguma... Um homossexual não tem de ser fresco neste sentido. Um escritor que assim se coloca, expressandose dessa forma afetada, escreve para quem? Nós temos de aceitar constantemente seus sofismas? Clarice era mestra nisto. Sabe a igreja católica quando condenava o prazer entre héteros, porque o sexo teria apenas a finalidade de procriação, e a pederastia pedófila era melhor tolerada por não engravidar ninguém? Vê a lógica na incoerência? — Parece que “A paixão de G.H.” é seu ponto mais alto... — Ah, a mulher que revoluciona os conceitos existenciais ao engolir uma barata esmigalhada, com sua gosma branca! Parece que a senhora Clarice achou que podia repetir “A metamorfose” numa ficção em que aparecesse uma barata. Passa o livro todo com sua “alter-ego” de raciocínio abstruso, como a própria citação que faz do Apocalipse não tendo gosto frio nem quente. Um caminho se forma pela indefinição de sua “frescura”. O contrário do Paraíso, do conforto da fé sem a vaidade e soberba de uma malabarista. Oficia a missa negra sendo levada pelos opostos, culminando na deglutição da hóstiabarata. Terão os seus admiradores a consciência de que este romance, que é literalmente, uma porcaria, é

a descrição de um rito demoníaco? Com seu virtuosismo literário, todo crítico baba na gravata, como dizia Nelson Rodrigues, com medo de ser taxado de ignorante. Ninguém tem a coragem de dizer um simples “não entendi a profundidade de se degustar Cucaracha em sus blancos”. Ou serão todos, hoje em dia, adoradores do Sinistro? Aliás, isto também integra uma moda perversa. Clarice faz seu terror gótico com a aparência limpa de nosso modernismo. Frases elegantes. Gosto aparente. Mas, veja, em sua hóstia, do que ela gostava! — O rito demoníaco atende necessidades da moda de renovação a qualquer custo. Não se procura seguir convicção interna, justificando estarmos perdidos no universo. Nem frio nem quente, não é? Apesar de eu gostar da comida agridoce, acho interessante, como simbolismo, a classificação medieval da mistura da pimenta com o mel como alimento do demo. Na música, a harmonia clássica considera certos intervalos proibidos como diabólicos. Thomas Mann colocou, em Doutor Fausto, o dodecafonismo, um sistema inteiramente artificial de composição, que não atende aos sentimentos comuns do ser humano em sua necessidade espontânea de música, como algo demoníaco. A mesma coisa perpassa em muitos dos modernismos, não é? Em artes plásticas, literatura, teatro... Politicamente, Thomas Mann, no mesmo livro, aponta a falta de humanismo, de agir fora das necessidades naturais, e assim desconsiderar o outro ser igual, como indício do nazismo. É como a nação que se deixa levar pelo fascínio artificial e pretensioso de querer ser superior às outras, como seu personagem se isola em torre de marfim. Doutor Fausto acha até que pode se vender ao Tinhoso... — Concordo que a seriedade de um Thomas Mann, perseguindo uma tradição cultural humanista, opõe-se à “frescura” da vaidade de aparecer por aparecer sem ter o que dizer, que caminha para zonas do perigo, precipícios sem retorno, de uma Clarice Lispector. — Chi! Tenho de dar aula agora. Eu vou te ouvindo, te ouvindo, e sempre há tanto a trocarmos! Assim, na primeira vez em que Saionara foi ao apartamento de José Bento, seus papos e livros não a permitiram chegar a seu quarto. Chateado, ele observa que a senhora Clarice, além de poder ter escrito outros bons contos com menos pretensão, poderia também não ter ressuscitado naquele momento, impedindo-o de lhe mostrar o apartamento: — Você não conheceu meu quarto... Saionara sorri, “fica para a próxima vez”, e sela a promessa num primeiro beijo, meio tímido, mas concluído no sussurro: — Amanhã...

NOTA: Este, como todos os contos publicados em Poiésis por Gerson Valle desde janeiro de 2010, é um capítulo de seu romance “O adeus de Saionara”, concebido em capítulos que podem ser lidos em separado como contos.

LITERATURA

continuação da pág. 3

As pioneiras da literatura brasileira meio à vigência do Parnasianismo, Francisca Júlia vestiu perfeitamente o seu tempo, editando, em 1895, Mármores (ampliado em 1903 como Esfinges), sobressaindo o descritivismo, o desinteresse do mundo exterior e certa frieza. Formalmente, adequa-se ao preciosismo de seus pares – Bilac, Raimundo Correa, Alberto de Oliveira, Vicente de Carvalho - , alinhando-se no esmero vocabular, no rimário raro, exato, na perfeição rítmica peculiar. Sua poesia, apreciada ainda em seu tempo, foi, como os demais parnasianos, patrulhada e esquecida pelos modernistas da primeira geração. Mereceu releituras e revisões no chamado Neoparnasianismo da metade do século XX e, entre redescobertas, achou-se também uma invulgar inclinação simbolista, de feição mística, sem superar, no entanto, a impassibilidade que mereceria, em mármore de Carrara, uma escultura do modernista Victor Brecheret, sobre seu jazigo, onde a poeta repousa, no cemitério do Araçá, São Paulo, desde 2 de novembro de 1920. A obra ali ficou até 2006, quando foi restaurada e transferida para a Pinacoteca de São Paulo. Em seu lugar está uma réplica em bronze. A Musa Impassível - // Musa! um gesto sequer de dor ou de sincero / Luto jamais te afeie o cândido semblante!  / Diante de um Jó, conserva o mesmo orgulho; e diante  / De um morto, o mesmo olhar e sobrecenho austero.  // Em teus olhos não quero a lágrima; não quero  / Em tua boca o suave e idílico descante.  / Celebra ora um fantasma anguiforme de Dante,  / Ora o vulto marcial de um guerreiro de Homero. // Dá-me o hemistíquio d’ouro, a imagem atrativa;  / A rima, cujo som, de uma harmonia crebra,  / Cante aos ouvidos d’alma; a estrofe limpa e viva; // Versos que lembrem, com seus bárbaros ruídos,  / Ora o áspero rumor de um calhau que se quebra,  / Ora o surdo rumor de mármores partidos.  Auta de Souza nasceu em Macaíba, pequena cidade do Rio Grande do Norte, a 12 de setembro de 1876. Os sofrimentos sublinharam sua vida desde a tenra infância: aos cinco anos já era órfã de pai e mãe; aos oito já lia para as crianças pobres, para humildes mulheres do povo ou velhos escravos a “História de Carlos Magno”, brochura que fazia sucesso no agreste nordestino, bem ao gosto popular Foto: Carlos Mac

de então. Criada pela avó Dindinha, viu ainda, dois anos depois, seu irmão ser consumido por um incêndio em casa. São fatos definidores e marcantes na poética de Auta: a orfandade; a dor das perdas; um profundo misticismo e a recompensa da avó, presença doce e maternal. Antes dos 12 anos é matriculada no Colégio de São Vicente de Paulo, onde religiosas francesas lhe ofertam primorosa educação: Literatura, Francês, Inglês, Música, Desenho... Assim, lê, no original, Lamartine, Victor Hugo, Chateaubriand, Fénelon, bem como lerá, também, a “Imitação do Cristo”, as obras de Santa Teresa d’Ávila e os “Pensamentos de Marco Aurélio. Em 1890 apareceram os primeiros sintomas da tuberculose que iria consumi-la, brevemente. Auta segue escrevendo, relaciona-se com seus contemporâneos, leciona religião, mas não resiste à doença. Quando seu único livro de poemas Horto é publicado, Auta está em Natal: 20 de junho de 1900. A edição prefaciada por Bilac se esgota em dois meses. Em janeiro de 1901, pressente a morte iminente, e escreve seus últimos versos. Tinha 24 anos. Embora a crítica geralmente enquadre a poeta como simbolista, quer pela contemporaneidade, quer pela temática mística, metafísica e incorpórea, sua poesia encontra fortíssima influência de Gonçalves Dias e Casimiro de Abreu, no sentimentalismo, na dicção popular, na ingenuidade e no metaforismo simples, revelando, sobretudo, um romantismo tardio e bem demarcado. Outras autoras mereceriam créditos e referências, e mesmo essas citadas, um opulento e debruçado estudo crítico, com peças de exemplo e farta iconografia. Mas a delimitação de espaço é inevitável e categórica; deixemos e esperamos que o leitor, aguçado pela curiosidade, siga adiante, rastreie, pesquise e leia as poetas aqui citadas, lembrança necessária e urgente de mulheres que desbravaram caminhos, abriram espaços e acenderam as primeiras luzes. Agora e sempre, as nossas homenagens e o preito de gratidão. Marcelo J. Fernandes é Mestre em Literatura Brasileira, membro do conselho editorial do Jornal Poiésis.

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Tendas removíveis serão instaladas nas praias em Saquarema Os donos de quiosques da orla de Saquarema não ficarão desamparados durante o processo de renovação arquitetônica e administrativa desses pontos comerciais. A Prefeitura Municipal vai oferecer tendas removíveis para que os quiosqueiros continuem trabalhando enquanto se conclui a reordenação e as obras. Essa decisão foi anunciada durante a reunião realizada em 18/2, na qual estiveram presentes o Secretário de Turismo, Armando Ehrenfreund, o Secretário de Obras, Anderson Martins, o Procurador Geral do Município, Fernando Freeland, o Secretário de Meio Ambiente, Gilmar Magalhães, a sociedade civil organizada e os donos de quiosques de Saquarema. Os atuais quiosques

Camilo Mota

Com a demolição dos quiosques a partir de 15 de março, os quiosqueiros não ficarão desamparados pela Prefeitura. O secretário de Turismo está orientando pessoalmente cada comerciante afetado pela medida.

serão demolidos a partir de 15 de março, por determinação da Justiça Federal que foi favorável a uma ação civil movida pelo Ministério Público, em 2006. Tão logo isso aconteça, se iniciarão atividades de revitalização da orla marítima e de recuperação das áreas degradadas pela ocupação desordenada. A Secretaria de Obras

tem dois projetos para os novos quiosques e aguarda aprovação dos órgãos competentes. As construções deverão seguir padrões ambientais determinados pelo Ministério do Meio Ambiente/IBAMA. De acordo com as novas normas, os quiosques não poderão ser construídos em série, para não interferirem na paisagem. (Secom/PMS)

O mês de março é dedicado a todas as mulheres, pelo Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8. Escolhemos algumas especiais para homenagear, as quais têm contribuído muito para o desenvolvimento das cidades de Saquarema e Araruama. Elas representam a lida diária das mulheres, que não têm medo de ir à luta e vencer. A coluna Em Foco deseja a todas as mulheres, sem exceção, muita saúde, felicidade, paz e força para ultrapassarem todas as barreiras que surgem. Sejam felizes!!!

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