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SÁBADO, 24 de setembro de 2011

MEIO AMBIENTE

O REPÓRTER

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Pequenos gestos que fazem a diferença

N

a quarta-feira, dia 22, o dia da árvore, e na quinta-feira, dia 23, dia em que foi realizada campanha para que a população deixa-se o carro em casa, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente - SMMA coordenou uma série de ações que serviram para debater questões relacionadas ao impacto causado pelo volume de veículos circulando nas cidades e aos cuidados em geral com o meio ambiente. O Secretário de meio ambiente de Ijuí acredita que é de extrema importância a adoção de novos hábitos em benefício da natureza e qualidade de vida. Osório Lucchese disse ter feito a experiência de usar o transporte coletivo urbano, meio que ele reconhece usar com pouca freqüência, mas se desafiou a voltar a usar, visando aderir à campanha “Na Cidade Sem Meu Carro”. “É preciso construir um novo conjunto de hábitos”, defen-

deu o secretário. Para ele muitas vezes as pessoas se encontram na correria do dia a dia e não percebem que é possível alterar a rotina dentro de suas possibilidades, deixando o carro em casa em dias mais agradáveis e mesmo assim ter um dia tão produtivo como quem utiliza o carro para realizar todos os seus afazeres. O Secretário também comentou que recebeu uma carona solidária, depois de um compromisso no Ministério Público, para o deslocamento até a secretaria e considerou que esse dia para a reflexão pode se repetir com uma adesão cada vez maior. Com referencia ao dia da árvore e aos cuidados quanto a arborização no município o Secretário lembrou a lei recentemente aprovada na câmara sobre o plano de arborização. O plano é um instrumento legal que irá transformar a arborização urbana a favor da comunidade. A proposta é que dentro de quatro anos sejam plantadas 5 mil mudas de árvores no município com manejo adequado. A SMMA será a responsável por tomar conta das árvores dos passeios públicos a partir da aprovação da nova lei. A partir disso, está previsto que no ano de 2013, a mesma, passe a contar com mais recursos para

Internet

O secretário Osório Lucchese comenta as ações desenvolvidas no município e que ajudam na preservação ambiental

Osório acredita que atitudes simples ajudam na preservação do meio ambiente a consolidação das ações de comprometimento maior da arborização urbana, fato este população em situações de que dará uma nova fotografia corte e plantio de novas árvopara Ijuí na próxima década. res. “Está passando a ser um Osório também acrescentou compromisso assumido pela que ultimamente pode-se comunidade”, finaliza. perceber um processo de

Acata recebe doação de computador Na próxima terça-feira, dia 27, a Reversa, empresa responsável pelo recolhimento e pela destinação correta de lixo eletrônico no município, juntamente com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente – SMMA, realiza a

doação de um computador a Associação dos Catadores – Acata. A doação irá facilitar e agilizar trabalhos referentes à contabilidade e pagamentos existentes na associação. O ato de entrega ocorre às 8h30min.

Por MARCELO CANELLAS e-mail: protetoresdavida@yahoo.com.br

Um programa sobre gente A equipe estava sem fome, era cedo, bem antes de meio-dia. Mas tínhamos de almoçar ali mesmo, num restaurante às margens da rodovia que liga São Paulo a Cotia, porque nosso compromisso no Rancho dos Gnomos, onde conheceríamos um santuário de grandes felinos africanos, seria por volta das 13h. O garçom não conteve a curiosidade: “Vocês são do Globo Repórter? E é sobre gente ou sobre bicho?”. Meu primeiro ímpeto foi dizer que “animais abandonados” era o tema do nosso programa. Mas a pergunta do garçom foi como um sopro de lucidez entrando numa frincha da percepção, elucidando o que estava inteiramente oculto. Então respondi, convicto: “É sobre gente, amigo. É sobre a natureza humana”. À medida que fomos filmando pássaros com asas amputadas, leões com garras arrancadas, chimpanzés com presas serradas e todo tipo de sequelas

da violência contra os animais, fui me convencendo de que eu estava certo. Estávamos fazendo uma reportagem sobre o quanto as pessoas, ao odiarem uma outra forma de vida, podem negar sua própria humanidade. E também sobre como podem honrá-la ao amar os animais. No longínquo ano de 1206, em pleno vigor do espírito feudal que punha suseranos e vassalos em esferas incompatíveis de convivência, um certo Francisco de Assis abandonou os castelos que frequentava, desfez-se de suas posses, despiu-se até mesmo de suas vestes e foi viver entre os pobres. Poeticamente, chamava o sol de irmão e a lua de irmã. E dizia que nada define melhor a condição humana do que a capacidade de amar os bichos. Não é preciso ser religioso ou acreditar em São Francisco de Assis para saber, mesmo 801 anos depois, que o que nos torna diferentes, o que nos torna especiais, o que nos torna magnânimos em comparação com as

outras formas de vida, é a nossa capacidade de amar. Homens e mulheres têm de sobra as ferramentas do afeto, forjadas na cultura e na vida em sociedade. A tolerância, a generosidade, a ideia de que temos um futuro comum neste planeta são princípios universais conquistados pela Humanidade em sua dura luta contra a barbárie. Não gostamos da solidão, não queremos a dor, não toleramos a humilhação. Se somos egoístas, se ferimos e matamos, se submetemos nossos semelhantes ao vexame da miséria e da pobreza, estamos em desacordo com o esforço civilizacional da convivência. Civilizado convive, respeita, tolera. Os bárbaros subjugam. Tanto faz se os subjugados são gente ou bicho. Vimos leões entrevados pelo confinamento, chimpanzés esquizofrênicos e atormentados por anos de espancamento, araras cegas, onças mutiladas e todo tipo de sofrimento e privações. Parece a vitória da barbárie. Não é.

Porque vimos também extraordinários exemplos de generosidade e dedicação. A grandeza de saber amar e proteger seres vivos que, como nós humanos, também sentem frio, dor e medo, ajuda a recuperar a humanidade que ainda há em cada um de nós. Basta ver o que o Rancho dos Gnomos fez com o leão Will. Abandonado por um circo e tendo vivido a vida inteira trancafiado, Will pôde, aos 13 anos de idade, pisar na terra pela primeira vez. Esfregando as patas na grama, no húmus, na energia mineral da natureza, livre da superfície inócua do chão da jaula, Will nos enche de ternura, nos entope de compaixão e, portanto, nos ajuda a salvar um pouco da humanidade que tínhamos perdido. Marcelo Canellas, Repórter da Rede Globo de TV – Ecosul Rancho dos Gnomos, Santuário Ecológico que recebe de animais selvagens a cães abandonados, vítimas de maus tratos, tráfico, queimadas, circos e rinhas.

Jornal O Reporter  

Jornal O Reporter Ed. 357

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