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Andal Canas Condes Estrada Fonte da Costa Grou Mesas Pardeiros Sorães Stª Catarina

«Stª Catarina, a minha Freguesia»

Ed. 219 de 10 Novembro 2010. Coordenação: Emídio Francisco - Textos: Georgina Prior


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Especial Freguesia de Santa

II

Catarina

Entrevista a Cláudio Curto, Presidente da Junta de Santa Catarina

«A função de um presidente não é só fazer grandes obras» deste pólo industrial e o restante é na freguesia de Ponte de Vagos. Já têm empresas interessadas?

Foi eleito presidente da Junta de Freguesia de Santa Catarina há pouco mais de um ano. É o mais jovem dos presidentes das freguesias vaguenses. Como encara este desafio?

Neste momento, como ainda paira muita indefinição sobre o pólo, sobretudo quando irá arrancar, ainda é cedo. Mas quando começar a ser idealizado o pólo industrial também logo começarão os contactos. Esperemos criar empresas aqui perto para que o pequeno comércio local tenha mais clientes, cresça e contribua, porque não, para o aumento do emprego na freguesia.

É um desafio difícil. Não estava bem preparado para encontrar certos problemas que existiam na freguesia, certas dificuldades, mas com o tempo e com a experiência vamos levando a água ao moinho. Mas que dificuldades veio a encontrar?

Esta freguesia é rica em termos sociais, através da CASDSC. No entanto, pode-se dizer que é pobre em termos desportivos e de parques de lazer…

As maiores dificuldades dizem respeito ao posto médico. Andamos a tentar resolver este problema com o regresso de um médico para que, consequentemente, a unidade de saúde reabra. E há alguns problemas com as valas e sarjetas. Pequenas coisas que se vão resolvendo a seu tempo.

Na área desportiva, com a Associação Cultural e Recreativa de Santa Catarina, temos planeado arranjar o campo de futebol 11, com a construção de balneários. O campo localiza-se em Andal, mas não tem as dimensões, qualidade e balneários para se praticar desporto. Esperamos que esse seja um trabalho que esteja concluído até 2012. A nível de parques de lazer não temos qualquer projecto ou obra previstos, porque existem, neste momento, outras prioridades como a casa mortuária por exemplo.

Mas é a primeira vez que integra um executivo… Nunca tinha feito parte. Tinha alguns conhecimentos de como funcionava a Junta de Freguesia, mas há certos problemas e aspectos que nem imaginava que aconteciam ou se resolviam numa Junta, mas com um pouco de vontade e de querer também se chega à boa solução. Na cerimónia evocativa do 25º aniversário da freguesia, o edil Rui Cruz elogiou Cláudio Curto como sendo o «presidente que melhor interpreta a proximidade com os seus concidadãos». Em que áreas é mais requisitado? Penso que há certos pormenores que um Presidente de Junta pode resolver mais facilmente, sobretudo perante outras entidades (desde a Câmara ou a EDP e PT). Há mais conhecimentos e contactos, mais facilidade para abrir outras portas para determinados assuntos e onde um simples munícipe tem mais dificuldade em resolver do que nós que estamos na Junta. E as pessoas da freguesia sentiram a sua disponibilidade e “chateiam-no” frequentemente? Eu espero que o façam ainda mais, sempre que precisarem. A função de um presidente de Junta não é só estar aqui dentro do edifício e tentar fazer grandes obras. As pequenas obras também são importantes para as pessoas e para a freguesia. O ano ficou marcado pelo encerramento da extensão de saúde. Já se afirmou que foi dado «um passo atrás» no que diz respeito à proximidade entre os utentes e prestadores deste serviço. Acredita na

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reabertura para breve? Penso que sim. Já trabalhei numa extensão de saúde, na parte administrativa, e conheço bem de perto as dificuldades que as pessoas têm - sobretudo as mais idosas - na deslocação. Mas também sei que a proximidade da saúde com os utentes da freguesia de Santa Catarina se deve ao facto de muitos continuarem inscritos em Covão do Lobo. Se se tivessem inscrito em Santa Catarina, agora a dificuldade em manter aberta a extensão de saúde não seria nossa mas da freguesia de Covão do Lobo, porque iríamos ter perto de 1300 utentes e Covão do Lobo 800. Ou seja, o ficheiro de utentes em Santa Catarina seria muito maior e não teria fechado, há mais de um ano, quando o dr. Morais Sarmento se reformou. Foi concluída a 1ª fase da requalificação do centro, que envolveu a área desde a Junta à Igreja e escola. Em que pé está o processo da 2ª fase ? Está previsto um edifício que alberga a casa mortuária, salas de catequese e salão polivalente para as actividades das associações e da própria freguesia. Pensouse albergar, nele, a sede das associações, mas este é um assunto que ainda está a ser estudado em conjunto porque, com a construção do Centro Escolar de Fonte de Angeão, a EB1 de Santa Catarina será encerrada e poderemos dar utilidade

àquele edifício com as associações. Esse projecto está, de momento, com o arquitecto da Câmara Municipal que o está a realizar. Mas já adquiriram todos os terrenos? Sim, para a construção do edifício já estão todos adquiridos. Apenas temos uma dificuldade na abertura de uma estrada, mas está tudo a ser discutido. Penso que até Junho do próximo ano estará tudo pronto para o concurso público ser lançado. A 1ª fase dessa obra foi alvo de muitas críticas, na altura, por parte dos habitantes da freguesia. Actualmente, a requalificação do centro já é aceite por todos? Quando existe uma mudança muito grande que traz consigo alteração do que existia é sempre complicado. Quando foi apresentado este projecto, no mandato do anterior presidente José Luís, lembro-me que fiz uma carta a dar a ideia de ficar melhor uma rotunda oblíqua. Cada um tem a sua opinião e os entendidos devem ter ponderado todos os prós e contras e decidido pelo cruzamento tal como hoje se encontra. A obra está e é para se manter. E, como todas as obras, há sempre vozes críticas quer a obra seja útil ou não. Mas penso que, com o tempo, as pessoas se começam a habituar, porque o centro tem outra apresentação e

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dá outra imagem à freguesia. A rede de saneamento ronda, actualmente, os 50% da área geográfica da freguesia. Já há datas para as obras de ampliação da rede de saneamento? A ETAR em Mesas já começou a ser construída. Esperamos que para o próximo ano esteja concluída e que a rede seja ligada e a funcionar a cem por cento. A ampliação da rede deverá ser iniciada, segundo indicações da autarquia, no próximo ano, avançando em Pardeiros e Condes. Depois há outras zonas que ficam a restar, mas ficarão ligadas à ETAR do Vale (Ponte de Vagos) quando esta for construída. Com a revisão do novo PDM, Santa Catarina vê ser-lhe atribuída uma zona para a construção de um dos pólos industriais previstos para o concelho. Para quando o seu arranque? Este é um processo que está um pouco parado porque, neste momento, a Mais Vagos está mais virada e preocupada com a construção do Parque Empresarial de Soza. Sabemos que aquela é a prioridade neste momento, por isso aguardamos que essa situação seja resolvida para que os pólos industriais tenham desenvolvimentos. Santa Catarina vai ter cerca de 40%

Mas a Junta de Freguesia encontravase a adquirir terrenos para a construção de um parque em Pardeiros… Existe um pequeno parque de lazer junto à EB1 de Mesas. Pretendemos criar pequenos parques onde as pessoas podem conviver ou lanchar. Quando houver maior disponibilidade financeira, aí poderemos avançar com a criação de uma infraestrutura maior e bem estruturada. Mas este tem que ser um projecto não a curto mas a médio-longo prazo. Que marca quer deixar até ao final do seu mandato para existir uma terra ainda melhor para viver e estar? O projecto da segunda fase é uma marca importante na freguesia, porque vai deixar Santa Catarina com valências que, até aqui, não existiam: a casa mortuária e um salão polivalente. Fica uma envolvente bonita que, quem vier de fora, vai gostar de ver. Mas há também outras obras de menor dimensão, mas não menos importantes. A nossa preocupação é criar condições para as pessoas terem outras valências onde possam estar. Os projectos existem sempre; por isso se diz que o ser humano quer sempre mais. Já construímos um polidesportivo nas Mesas, em parceria com a Comissão de Moradores do Povo de Mesas. Nunca podemos pensar em fazer uma obra. Só a podemos ir projectando mediante disponibilidade financeira.

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as pessoas eram enterradas na capela, a sua falecida irmã era a Santa Catarina que estava no altar. «A minha mãe até me deixou de levar à missa e todos me gozavam. Apenas percebi que ela tinha sido enterrada no cemitério quando o meu pai me contou depois», recorda, rindo-se agora da sua «inocência de criança», mas não deixando de adorar a santa. Dona da Pedra da fé

‘Ti Maria Manca muito devota de Stª Catarina Maria dos Anjos Santos é uma figura incontornável da freguesia de Santa Catarina de Vagos, apesar de todos a conhecerem apenas por ‘Ti Maria Manca, alcunha que herdou do seu avô e que foi passando de geração em geração. Com «oitenta e quatro anos e meio», Maria Manca nasceu em Condes e sempre morou em Sorães. Teve 13 filhos com a «ajuda da Santinha Catarina» e que hoje ainda estão todos vivos «graças a Deus». Hoje, viúva há quase dois anos e reformada, com 27 netos e 10 bisnetos, passa o dia entre a casa dos seus filhos que moram todos na região (com excepção de quatro, que estão emigrados na França) e a sua casa, entretendo-se com a gata e com as galinhas. Foi ali, na cozinha, apoiando-se numa barra colocada junto à chaminé, que teve doze dos trezes filhos. «O mais novo nasceu no hospital de Cantanhede», diz, recordando as dificuldades do primeiro parto. Ajudada sempre por uma senhora «velhinha», que era a parteira da terra, afirma que «fiquei muito doente para ter a minha filha mais velha»: foram duas noites e um dia cheia de dores. Dores essas que

desapareceram quando a sua madrinha do crisma, que também era catequista, foi à antiga capela buscar uma caixa. «Ainda hoje me lembro desse baú, de onde tirou um dos dois mantinhos da Santinha Catarina. Era azul, muito lindo, e assim que o colocaram a minha coluna começou a aquecer, a aquecer… até que a tive pelas 22 horas», diz emocionada, contando que o manto era colocado a muitas grávidas na hora do parto. «A santinha era muito milagrosa; e se ainda hoje peço muita coisa à santa que hoje está na Igreja, peço também à santinha velha, porque ela é muito boazinha». A devoção e adoração pela «santinha Catarina» sempre foi muita, como contou ao PONTO Maria Manca. Mais velha de três filhas (as duas irmãs já faleceram), aos cinco anos os pais tiveram uma menina que veio a falecer mês e meio depois. «Chamava-se Francelina. Eu tinha uns cinco anos e sempre que ia à missa era um “griteiro”: ralhava com a minha mãe e dizia que só não tínhamos a menina porque ela não a queria levar para casa». A seu ver, e porque na altura se dizia que

Maria Manca foi, até partilhar os seus bens com os filhos, proprietária do terreno onde se situa a pedra por onde se diz que Santa Catarina andou. «O meu pai era muito trabalhador e, a mim, fazia trabalhar muito, porque era a mais velha. Houve um tempo em que ele comprou um terreno nas Mesas, perto de uma vinha que ele também tinha comprado, e foi tirar licença a Coimbra para lá poder plantar uma vinha. Mas, um dia, reuniu as filhas e disse-nos que quem ficasse com o terreno podia avançar com a vinha, porque ele não a fazia». É que era nesse terreno que se encontrava a pedra e as «máquinas chegavam lá e paravam todas», conta Maria Manca, emocionando-se uma vez mais. A pedra já foi alvo de notícia por «um jornalista de Covões que conhece o meu filho que lá mora» e que «já cá veio três vezes». Da segunda vez, altura em que o jornalista trouxe a sua mãe, encontrou uma série de velas no local. «Creio, até, que foram colocadas por uma senhora que pedia à minha filha – que ficou com o terreno – para lá ir buscar a erva (que ninguém apanhava) para dar às vacas. Contou-me que uma vez lhe deu umas dores muito fortes e, enquanto a filha foi buscar ajuda, ela arrastou-se até à pedra e começou a rezar à Santinha Catarina. Passado um pouco, quando a filha voltou com ajuda, já ela tinha a erva toda apanhada, como se não se tivesse passado nada», diz, demonstrando cada vez mais a sua devoção. Orgulhosa da pedra, ainda hoje guarda, com «muito carinho», o jornal «que já cheira a mofo, mas que não ponho fora», onde saiu a notícia há alguns anos. «Antigamente, a Santa Catarina era a mais religiosa da região», vinca, recordando que, nos três dias de festa, vinham cavalos de São Tomé de Mira e os bois e vacas «daqui do pessoal» e «andavam à roda da capela antes da procissão sair» para dar boa sorte, em termos agrícolas, para o ano. Isto, numa altura em que não havia estradas, apenas caminhos de terra batida «que ficavam cheios de lama quando chovia». «Lembro-me que foi o padre Ribau que trouxe a estrada de pedra, ajudada a construir pelos populares; até o meu segundo filho ajudou a carregar a pedra miudinha todos os dias depois das aulas, para ganhar uns dinheiritos que depois nos dava. Mas também me lembro do pároco anterior, o padre Ladeira, o Senhor da Serra, que vinha do Covão do Lobo, a pé pelos caminhos de terra, para nos dar missa, e depois ainda seguia para Rio Tinto!».

Manuel Bento

O leite «já não dá nada» Outrora de campos verdejantes e cultivados, há muito que a freguesia de Santa Catarina deixou de estar virada única e exclusivamente para a agricultura. Aliás, apenas os mais idosos é que vão continuando com esta “luta” de sol a sol, porque os mais jovens agarram todas as oportunidades em busca de uma vida melhor. A mesma situação é verificada na produção de gado e leite. «Antigamente, em casa sim casa sim, as pessoas tinham duas ou três vacas, agora só resto eu e mais dois», lamenta Manuel Bento Simões Ferreira. Com 65 anos, é desde 1978 – altura em que regressa de França com esposa e dois filhos – que se dedica à produção de leite e carne. «Comecei em casa com quatro vacas, mas depois adquiri mais uma e o espaço, que já era pequeno e não tinha as condições necessárias, ficou ainda mais “apertado”; foi aí que decidi vir para aqui, em Condes, em Janeiro de 1988». Os filhos, que tiraram curso na Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Vagos ainda o ajudaram no início, mas «depois que se casou, o mais velho arranjou um emprego melhor; o mais novo ainda hoje me ajuda com os tractores, mas vai trabalhando na construção civil que isto já não dá nada», diz, garantindo que «antigamente, ainda chegávamos ao fim do mês e tínhamos algum; agora, lá temos sorte em conseguir equilibrar as contas entre despesas e ganhos». Sem sábados, domingos ou feriados livres, Manuel Bento e esposa lá se vão “entretendo”, mas «não será por muito mais tempo», admite. Até já avisou os proprietários dos terrenos que trabalha de que «para o ano não pago mais renda… vou desistir», diz

com o olhar entristecido e cansado de «tanta labuta para não receber nada». Recuando, uma vez mais, no tempo, recorda que em 1992 o leite era vendido a 75 escudos o litro, agora oscila entre os 22 e os 24 cêntimos. No sector da carne, garante também que «há dez ou quinze anos, vendíamos uma cria com apenas oito dias saída da mãe por 200 euros e esta semana vendi duas vitelas com três meses por 150 euros cada uma. Dá alguma coisa?», questiona sem saber como fazer para reverter a situação. O mais provável é que termine com a exploração daqui por um ano. «E os meus vizinhos também não deverão aguentar muito mais tempo, com os preços dos adubos, rações, combustíveis ou manutenção das máquinas sempre a subir e, por outro lado, com o preço da carne e do leite a serem cada vez mais baixos», antevê. «Vai acontecer o mesmo que aconteceu há anos: as pessoas tinham as suas vacas e entregavam o leite no posto – na altura em que Vagos era o concelho mais rico em produção de leite ao nível do país – mas depois foram obrigadas a comprar uma máquina para tirar o leite em casa. Acabaram por ir desistindo e agora estão as máquinas abandonadas e os investimentos perdidos, a um canto, em quase todas as casas da freguesia», vinca Manuel Bento. O que é certo é que, com a sua desistência, os terrenos ali próximos da exploração – onde estão cerca de 25 vacas e uma dúzia de bezerros – vai aumentar ainda mais o número de terras votadas ao abandono. «Vai acabar por desaparecer tudo…», remata.


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“Perdidos e Achados” encontrados pelo teatro Sob a égide da Comissão de Apoio Social e Desenvolvimento de Santa Catarina, foi criado, em Março de 2005, o grupo de teatro “Perdidos e Achados”. Tal como qualquer outro grupo de teatro, o fundamento da criação foi incentivar a cultura na freguesia. No entanto, este grupo teve uma outra particular razão de ser: «constituir-se numa actividade no âmbito social para reinserção juvenil». «Pretendeu-se com este grupo reinserir na sociedade aqueles jovens que andavam mais “dispersos” através desta forma cultural», explica Gilberto Brites, um dos responsáveis pelo grupo. A integração na instituição particular de solidariedade social da freguesia foi tida em conta pelos apoios logísticos e financeiros, mas também pelos apoios sociais necessários para reintegrar estes jovens. «Podemos contar, deste modo, com o apoio da psicóloga e assistentes sociais da instituição para acompanhamento destes jovens», explica, salientando, contudo, que «o número de jovens em risco com que trabalhamos é uma minoria no grupo». No início, o “Perdidos e Achados” apenas contava com este apoio, passando a receber, dois anos após a sua criação, um subsídio da autarquia vaguense. Agora, os 17 actores e técnicos de som ou cenário – com idades compreendidas entre os 17 e os 20 anos (os mais velhos têm 30 e são os encenadores e responsáveis pelo grupo) – prepararam, anualmente, uma peça para adultos e outra para crianças, que estreia na festa de Natal. Actuam essencialmente na freguesia, mas também por todo o concelho, sobretudo no Festival de Teatro da Dunameão (em Lombomeão), e na semana cultural de Vagos participam na animação de rua, com os palhaços, mimos ou andas. Também já actuaram no concelho de Mira e preparam-se agora para actuar num festival em Águeda. «Ainda não somos muito conhecidos, mas as pessoas gostam muito, fundamentalmente os familiares, de ver os seus filhos encaminhados e envolvidos neste trabalho de grupo», vinca Gilberto Brites.

CASDSC CASDSC, o motor social da freguesia

DR

Residência Autónoma (5 utentes), Lar Residencial (22 utentes, ainda com duas vagas por preencher), Centro de Actividades Ocupacionais – CAO (36 utentes, apesar do protocolo com a Segurança Social ser apenas para 15 utentes) na área da deficiência; Centro de dia (7 idosos), Serviço de Apoio Domiciliário (41 pessoas); e na área da infância ATL do 1º ciclo (38 crianças), ATL do Jardim-de-infância (8 crianças), Jardim-de-infância público (27 crianças) e creche (30 crianças). Serviço de Apoio e Atendimento prestando serviço a mais de 80 famílias carenciadas e desestruturadas em cinco freguesias (Santa Catarina, Covão do Lobo, Fonte de Angeão, Ouca e Soza), onde, com autorização das assistentes sociais, as pessoas compram aquilo que necessitam, que depois é pago pela instituição. Apoio ao estudo para crianças e adolescentes desde o 2º ciclo ao ensino secundário (utentes ou não da instituição, sendo já procurado por crianças de outras freguesias), que apresentem dificuldades na aprendizagem – este apoio será estendido ao 1º ciclo ainda este ano; Grupo de Teatro “Perdidos e Achados” que, para além de ser de âmbito cultural, também integra, na sociedade, os jovens que “perderam rumo”; promotora de cursos de Educação e

Formação de Adultos (EFA), e a única do concelho contemplada com cursos para pessoas carenciadas que recebem o Rendimento de Inserção Social; e possuidora de um centro de serviços que faz a higienização de toda a roupa do complexo, mas cuja lavandaria também está aberta ao público em geral. É nesta panóplia de valências que vive, diariamente, a Comissão de Apoio Social de Desenvolvimento de Santa Catarina (CASDSC), maior empregadora da freguesia (73 funcionários!) e que apenas entrou em funcionamento em Setembro de 1993. «Esta instituição surge fruto da necessidade que se fazia sentir em se resolver os problemas sociais existentes, nomeadamente pelo facto dos pais não terem onde deixar os filhos para ir trabalhar», explica o presidente da direcção ao nosso jornal. Depois de efectuada uma inventariação das necessidades locais, o surgimento da instituição dá-se numa casa cedida pelo conterrâneo Herculano Martins. Foi aí que «iniciaram as valências de creche, depois ATL e, por fim, o Servido de Apoio Domiciliário, na altura (1996) efectuado por um meio chamado bicicleta», recorda Mário Martins, informando que esta valência foi iniciada antes da assinatura do protocolo com a

Segurança Social. «Foi uma forma de apressar esse mesmo protocolo», admite. E foi dessa relação «privilegiada» com os técnicos da Segurança Social e da prontidão da CASDSC para responder a todos os desafios por eles propostos que «a instituição cresceu como cresceu até aos dias de hoje», sublinha Mário Martins, rindo-se da promessa feita aquando da sua entrada na direcção, em 1996: «sem novas instalações não arrancaríamos com mais qualquer valência» - saliente-se que a instituição chegou a funcionar em três edifícios distintos: a casa cedida por Herculano Martins, a Junta de Freguesia e uma habitação cedida por Mário Martins. Essa promessa foi logo desfeita quando a CASDSC foi desafiada para arrancar com a valência da deficiência. «Havia consciência que o concelho tinha muitos deficientes e que o apoio da CerciMira e do CASCI não era o suficiente», lembra, convicto que foram passos que levaram a uma maior facilidade na obtenção de financiamento para instalações novas. Novo CAO e muitos outros projectos para o futuro Apesar de «não ser fácil gerir esta casa», engane-se quem pensar que o complexo da CASDSC fica por aqui. No decorrer

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deste mês, o novo CAO para 30 utentes vai ser lançado a concurso público (o actual CAO continuará a funcionar com 15 utentes). Depois de iniciadas as obras, espera-se que esteja pronto em 15 meses. Representa um investimento na ordem dos 1.300 mil euros, comparticipado pelo POPH em 48% e pela Câmara Municipal em 50% do valor não comparticipado até um máximo de 250 mil euros (de acordo com a «certidão, paga por esta instituição»). O passo seguinte será o Lar de Idosos. «O financiamento está muito difícil, mas estamos a estudar outras soluções», adianta, por se tratar de uma valência «muito querida» pelas pessoas mais idosas «que já vão pensando no seu futuro». Na óptica de Mário Martins, «se calhar, há uma incompreensão para tanto investimento na área da deficiência e nenhum em termos da 3ª idade». Outros projectos em vista são a construção de uma cozinha que esteja em conformidade com a legislação que já saiu depois de 2001 (altura em que entrou em funcionamento a actual), a criação de uma quinta pedagógica (próximo do ribeiro em Mesas) mas, sobretudo, a criação de formação profissional para pessoas com deficiência.


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Nunes, “o criador” Foi no passado dia 4 de Outubro que a freguesia de Santa Catarina comemorou os seus 25 anos de existência. Uma realidade que só foi possível com a persistência de António Nunes, aquele que viria a ser o primeiro presidente da Junta de Freguesia - função que desempenhou durante 16 anos! A O PONTO escusou-se prestar declarações sobre o processo. No entanto, Rogério Simões, o primeiro presidente da Assembleia de Freguesia de Santa Catarina, aceitou o nosso repto e recuou no tempo para explicar o processo em traços gerais. Uma coisa é certa, António Nunes «teve um papel determinante na criação da freguesia, especialmente quando assumiu a vice-presidência da autarquia e, posteriormente, enquanto adjunto de Alda Vítor», pois foi aí que «pressionou» os deputados parlamentares do CDS na Assembleia da República (AR), sobretudo Horácio Marçal. «No entanto, depois que João Rocha foi eleito presidente da autarquia vaguense, o processo passou a ser mais conduzido por Arménio Santos, natural de Santa Catarina e deputado do PSD na AR», continua, dando nota que, nessa altura, António Nunes era presidente da Comissão de Melhoramentos de Covão do Lobo. «Apesar do nome designar a freguesia de Covão do Lobo, esta comissão foi criada para receber dinheiros por parte da Câmara para poderem ser geridos em obras na então localidade de Santa Catarina». Aliás, foi daí que partiu a necessidade de Santa Catarina se constituir freguesia, tornandose independente de Covão do Lobo. O processo iniciou-se no ano de 1980, numa altura em que as duas povoações eram separadas, em termos geográficos, por uma mancha florestal sem qualquer construção. «A partir do 25 de Abril os conflitos começam a surgir ao nível da Junta de Covão do Lobo, levando a algumas manifestações na Assembleia de Freguesia e até na Assembleia Municipal de Vagos», muitas lideradas por António Nunes. É que em Covão do Lobo liderava o PSD e em Santa Catarina o CDS, pelo que o CDS «nunca conseguiu um lugar no executivo da Junta». Havia como que uma «espécie de divisão política» entre as duas povoações, classifica Rogério Simões. A separação dá-se em 1985, definindo-se os limites geográficos de ambas as freguesias (Vale passa a pertencer à freguesia de Ponte de Vagos), tendo sido um «processo natural» apesar de «não ter sido muito pacífico». União da população foi-se desvanecendo Santa Catarina teve inicialmente uma comissão instaladora, antes das eleições, presidida por Norberto Carvalho (PSD), no mandato de João Rocha. António Nunes viria, posteriormente, a ser eleito presidente da Junta. Na óptica de Rogério Simões, Santa Catarina «ficou a ganhar» com a separação, porque os dinheiros passaram a ser geridos apenas em prol da freguesia. No entanto, garante que essa época de «conflito» conduziu à «união do povo, algo que não se vê tanto hoje». «As obras que hoje existem – com excepção da CASDSC e extensão DR de saúde, que foram construídos com dinheiros privados e públicos – foram conseguidas pela união das pessoas, como a igreja e o salão», lamenta, dando nota que, depois da criação da freguesia, as principais obras que foram construídas são da responsabilidade da autarquia (como a requalificação do centro e saneamento).

V

Comissão de Melhoramentos da Vila de Sorães

Quase dez anos a lutar pela saúde e valorização do património da freguesia

Moradores de Mesas unidos em Comissão Foi com o objectivo de promover, desenvolver e realizar cultura, recreio e desporto na localidade de Mesas que foi idealizada a Associação de Moradores de Mesas. Constituída formalmente em 23 de Abril de 1992, por um conjunto de pessoas residentes neste lugar da freguesia de Santa Catarina - António Reste, Augusto da Cruz, Armando Areias, Manuel Marco, Manuel Conde Júnior, Manuel Pecêgo, António Areias, Manuel Augusto dos Santos, Diamantino dos Santos e Daniel de Oliveira Bairrada -, a comissão defende e valoriza, ainda, o património da terra, e «promove empreendimentos de interesse local em estreita colaboração com a autarquia, Junta e outras entidades competentes», refere a O PONTO, o actual presidente da direcção. O exemplo mais recente dessa parceria, neste caso com a Junta de Freguesia de Santa Catarina, é a construção do polidesportivo construído em Julho passado junto à sede, a Escola Primária de Mesas, entretanto desactivada e requalificada para albergar a comissão. Hoje, o mesmo espaço é local de convívio e de encontro das gentes – sobretudo jovens – de Mesas, mas também das freguesias vizinhas, incluindo do concelho de Cantanhede. «Temos vários computadores em rede, ligados à Internet, e que podem ser usados por qualquer pessoa gratuitamente», informa Marco Lancha, acrescentando que a sede possui ainda jogos informáticos interactivos, diversos canais televisivos e até «uma cadeira com pedais ligada a um projector, onde se podem jogar jogos de simulação (de condução ou jogos de futebol, por exemplo)». Todos os anos, promove torneios de futebol 3x3, voleibol, actividades de lazer, futebol 5, entre outras iniciativas. Também em parceria com “Os Tamancos” promove torneios de jogos informáticos em rede bem como o “Tamancos Race”. «Este é um grupo de jovens informal, constituído em 2004, e que promove, por exemplo, a tão conhecida “Tamancos Race”, uma corrida de carros feitos à mão, sem motor, que depois são conduzidos numa estrada de saibro na encosta de Mesas», diz, aconselhando todos os curiosos a visualizar os filmes das corridas em www.youtube. com. E qual é a importância desta associação para a localidade de Mesas? A esta questão, Marco Lancha responde apenas que «esta associação dinamiza a população local, com apenas 174 habitantes, e comunidades circundantes». Para tal, promove estas iniciativas para angariar algumas verbas e, juntamente com os lucros conseguidos pela comissão de festas do povo de Mesas, «vamos conseguindo promover ainda mais iniciativas, diversificando-as», sustenta.

Foi da «necessidade imperiosa» de libertar as pessoas de uma «tarefa muito árdua» - deslocar-se a Covão do Lobo às 6h da manhã para conseguir a marcação de uma consulta no médico de família – que nasce a Comissão de Melhoramentos da Vila de Sorães, em 1991. Para além deste, outro objectivo que levou à criação desta comissão foi a criação de uma casa da criança, com creche e ATL, algo que se via como «fundamental» para as famílias que não tinham a quem deixar os filhos. De acordo com o presidente da direcção, «fizemos, na altura, um levantamento porta a porta do número de famílias interessadas, mas acabámos por entregar esse levantamento a outra instituição que tomou em mão essa valência». Na área da saúde, este grupo consegue a extensão de saúde em 1996. «Inicialmente, estava aberta apenas dois dias por semana mas, com o Dr. Morais Sarmento, passou a 3 dias», tendo encerrado em Junho de 2009, aquando da aposentação do médico, recorda Jorge Simões, dizendo não compreender a razão que levou a que a substituta, a dra. Filomena Cuco, a não ser colocada em Santa Catarina mas em Ponte de Vagos. Agora, a luta tem sido no sentido da reabertura da extensão de saúde, de forma a «evitar a deslocação de uma população inteira para Covão do Lobo ou Ponte de Vagos, a grande maioria com idade avançada, sem qualquer meio de transporte e dependente dos filhos que têm o seu emprego». A vinda de um médico até esteve programada para dia 29 de Março deste ano, mas «houve uma reviravolta e três dias antes fomos informados que já não viria, porque vai ser criada uma Unidade de Saúde Familiar (USF)», acrescenta, ao mesmo tempo que lamenta que Santa Catarina seja «a única freguesia no sul do concelho sem uma unidade de saúde aberta, apesar de ter a segunda melhor estrutura».«É a única unidade de saúde que tem dois gabinetes médicos, para além da sala de enfermagem, de depósito

de medicamentos devidamente equipada com câmaras frigoríficas para acautelar a sua conservação, uma sala intermédia de preparação, a parte de recepção e administrativa separada da sala de espera», revela. Paralelamente, também a cultura e a preservação/promoção do património sempre foram promovidas na vida desta associação. Construção de novos equipamentos e sua manutenção no espaço exterior à unidade de saúde, pesquisas culturais (das quais se descobriu cópia do foral da vila de Sorães atribuído por D. Manuel), a publicação de artigos na imprensa e exposições fotográficas e documentais são algumas das iniciativas já realizadas. Todos os anos, a Comissão promove «um passeio cultural» para os cerca de 30 associados e familiares, como «forma de agradecimento pelo voluntariado». É também a Comissão a responsável pela instalação de um painel de azulejos, pela recuperação de uma pia que estava numa fonte abandonada, pela fachada da casa gandaresa, um poço com engenho para simbolizar e marcar algo que é característico à região e duas pedras que pertenciam à antiga igreja de Covão do Lobo. Também de Abril a Novembro de cada ano, nos segundos domingos do mês, promove jogos tradicionais (malha, jogos de cartas, entre outros), e tem à disposição de todos o circuito de mini-golfe.

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Catarina

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Associação Cultural e Recreativa

faz mexer a freguesia Sem qualquer clube, as únicas actividades desportivas que se realizam na freguesia de Santa de Santa Catarina de Vagos são promovidas pela Associação Cultural e Recreativa (ACR) de Santa Catarina. Criada «há mais de trinta anos», esteve desactivada durante duas décadas, e só em 2003 é que voltou ao activo. «Como fui um dos sócios fundadores da associação, aceitei o pedido da juventude local de provocar eleições», conta à nossa redacção Paulo Martins, actual presidente da direcção da associação. Também na altura foi eleito presidente da direcção durante apenas um mandato (dois anos). Depois de criadas as condições para o funcionamento da colectividade e da angariação de novos sócios, «abdiquei por indisponibilidade de tempo», diz, confessando que, na altura, «sempre pensei que a continuidade estava garantida pelos jovens que entretanto se tornaram sócios – na altura, entre jovens e mais adultos, tínhamos cerca de 110 sócios –, mas após dois mandatos da minha saída verifiquei que a associação começou a parar». Foi aí que, uma vez mais, lhe foi

solicitado que assumisse a direcção. As eleições realizaram-se em Janeiro deste ano (quando deviam ter sido realizadas em Junho de 2009) e, desde então, «o nosso objectivo tem sido colocar a associação novamente a mexer a freguesia». Nestes dez meses, a associação conseguiu retomar actividades tão diversas como provas de BTT, futebol de praia, passeio cicloturístico e actividades lúdicas no dia do associado. Com um campo de areia junto à Igreja, a ACR de Santa Catarina possui também o campo de futebol de 11 em Andal. No plano de actividades para 2011, um dos projectos é dar um destino condigno àquela infraestrutura. «Se não conseguirmos adquirir os terrenos que nos são necessários para proceder ao arranjo do campo, construindo também balneários, ponderamos mesmo fazer do campo actual dois campos para praticar futebol 7 ou então um de futebol 7 e o outro um campo de areia», menciona, confessando que o «sonho» da associação era poder arrancar com formação no futsal. «Mas faltam as infraestruturas necessárias e o pavilhão do Covão do Lobo quase nunca está disponível», lamenta, ainda para mais quando verifica que, nos dias em que se reúnem para dar uns “toques na bola”, no campo do complexo da CASDSC, «vêm muitos miúdos jogar com os mais velhos. Por vezes somos obrigados a formar quatro equipas de seis jogadores cada para não termos que formar cinco equipas», revela. Dificuldades que vão sendo ultrapassadas, sempre com a garantia de que «as actividades que já promovemos vão ter continuidade».

Agrupamento de Escuteiros nº 911

À espera da reactivação desde 2005 Corria o ano de 1988 quando três casais da freguesia de Santa Catarina – Áurea e Mário Martins, Alice e Avelino Simões, Elisabete e Norberto Carvalho –, com o apoio do pároco local na altura, o padre António Correia Martins, decidiram fundar o Agrupamento do Corpo Nacional de Escutas (CNE) nº 911 de Santa Catarina de Vagos. Começaram por abrir as inscrições apenas para o grupo de exploradores (lenço verde). Conseguiram formar três patrulhas (equipas desta secção), que fizeram as primeiras promessas no dia 25 de Fevereiro de 1990, dia da fundação oficial do Agrupamento. Com o passar dos anos, e à medida que os efectivos iam crescendo, foram sendo abertas as restantes secções (pioneiro – lenço azul, os lobitos - lenço amarelo e os caminheiros – lenço vermelho). «No ano escutista de 1993/1994, o Agrupamento já possuía todas as secções, num total de mais de sessenta efectivos, entre jovens e dirigentes», recorda Victor Neto, chefe de agrupamento desde 1997/1998 a 2005/2006, ano em que o agrupamento encerra (antes foram chefes de Agrupamento Mário Martins, Avelino Simões e Lúcia Simões). «Eu só fui chefe de Agrupamento porque era o melhor

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que se podia arranjar na altura», explica Victor Neto a O PONTO, dando conta da crise directiva que se fez sentir em 1997. «Por coincidência, todos os dirigentes foram obrigados a abandonar o agrupamento, quer por motivos pessoais como profissionais, e eu era o único efectivo que tinha curso de dirigente». Em colaboração com os efectivos mais velhos, conseguiu levar a bom porto o agrupamento mas, porque muitos ainda se encontravam em formação e «já não conseguíamos dar resposta pelo menos com a qualidade mínima que era necessária», no ano 98/99, decidiram encerrar o agrupamento por um ano. «Retomámos e fizemos o mesmo percurso inicial: iniciámos primeiro com os exploradores e lobitos e à medida que iam crescendo abriam-se novas secções», relembra. O agrupamento foi crescendo, mas com o aparecimento de um leque mais diversificado de passatempos para os mais jovens, registou-se maior dificuldade em cativá-los para o escutismo, até que foi decidido que «não havia a qualidade exigida» e foi encerrado, apesar de «estarmos acima da média da penetração do escutismo na comunidade local, que é cerca de dez por cento».

Futuro pode passar pela união inter-paroquial Ansiando pela reactivação do Agrupamento enquanto revê as fotos tiradas ao longo de todos estes anos escutistas, Victor Neto orgulha-se pelas actividades realizadas: acampamentos, acantonamentos e outras actividades, locais e regionais, mas sobretudo as festas da promessa, da festa do Natal, da Páscoa e de final de ano. «Era engraçado ver os pais e filhos juntos nas actividades lúdicas e recreativas, como em poucas iniciativas se via na freguesia», defende, elogiando as comissões de pais que «sempre nos apoiaram em todas as nossas acções». Trabalhando nas salas de catequese quando estas não estavam ocupadas, há muito que associação de pais e o Agrupamento trabalhavam para obter a sua própria sede. «O dinheiro e material obtidos estão, agora, à guarda da Junta Regional do CNE. Assim que o Agrupamento seja reactivado, tentaremos com essas verbas e outras erguer a nossa própria sede», afirma. No entanto, a reabertura poderá passar pela criação de um agrupamento inter-paroquial, ou seja, unindo-se a Ouca ou a Covão do Lobo, «ou até mesmo a Fonte de Angeão».


Especial Freguesia de Santa

Catarina

O Ponto | 17/

VII

O Pelourinho

Santa Catarina/Sorães

Memórias de um passado de Vila A recente autonomia de Santa Catarina faz recordar a do antiquíssimo concelho de Sorães de que nos ficaram vestígios. Ainda hoje, se pode ver um marco com a cruz da Ordem de Malta que assinalava os limites territoriais. O foral, dado por D. Manuel, em 1518, também ele importante, foi actualmente reproduzido em painel de azulejos e colocado na fachada da Unidade de Saúde local. Ao longo dos séculos, pestes e epidemias quase dizimaram a população do velho concelho e, juntamente com a acção do homem, tornaram difícil a sua continuidade bem como a busca das suas memórias, facto visível no próprio foral cuja existência chegou a ser posta em causa. Por força da fragilidade dos materiais, nada chegou até nós do tribunal, da cadeia ou da câmara a não ser a pedra de cantaria desta última onde podemos ler a seguinte inscrição «1839 CANBRA XXIX D. MAIO», o que nos remete para a sua extinção só em 1841, de acordo com a data referida nos registos paroquiais. Mas, se nada restou das estruturas, um documento testemunha que «A cadeia desta villa he h~ua casa térrea sem forro, de 20 a 25 palmos de vão, e h~ua fresta de meio palmo, com ha pedra de mó, com h~ua corrente xumbada, à q. se prendem hum e dois presos pelo pé, q~ pelo seu comprimento vão para o Sol fora da porta: está em sítio despovoado aonde não tem

mais q~ dois vesinhos»…. Hoje, algumas vozes lamentam a destruição da ermida de Santa Catarina, documentada já em 1721, bem como parte do seu recheio, para dar lugar ao edifício da Junta. A padroeira, considerada à época «imagem muito milagrosa», vê-se hoje substituída por uma outra Santa que nada tem a ver com esta, à revelia do sentimento popular. Não é tempo de cada um assumir as suas responsabilidades e devolver a paz e a Padroeira a esta freguesia? Esta tentativa de recuperar as memórias mais significativas deste passado de vila pretende afirmar Santa Catarina como uma terra que quer construir o seu futuro convidando o seu povo a empenhar-se activamente neste projecto. O seu sucesso depende do contributo de todos, da dedicação, do amor à terra. Longe vão os tempos em que a inexistência de vias de comunicação manietou o desenvolvimento sócioeconómico-cultural desta freguesia que teve a sua primeira estrada na década de 40 (apesar de pedida, pelo menos, desde 1927), o primeiro telefone em 1960 e a luz eléctrica em 1971, altura em que ainda se pedia a ligação por estrada à freguesia de Ponte de Vagos. Se ler os jornais do século passado é cativante e elucidativo, quem visitou a exposição ora realizada pôde constatar estas e outras notícias já esquecidas com o passar dos anos. Áurea Barreira

O Pelourinho foi uma realidade indesmentível. Embora não apareça referenciado em nenhuma das obras que abordam o tema, a investigação feita no antigo Cartório de Sorens permitiu encontrar uma escritura de partilhas que deixa aos dois herdeiros «huma terra lavradia no sítio do plourinho partida ao meio», divisão ainda hoje existente. Um outro documento do início do século XIX, alvo de publicação, confirma a sua existência de forma bastante explícita: «ao velho pelourinho que estava no local do cruzeiro antigo, 100 metros à frente da capela de Santa Catarina» seguiu-se com as mesmas funções «um enorme sobreiro, no sítio do cruzeiro novo, a nascente do lugar». Esta informação situa-o bem no centro da vila, como ditava o costume. Símbolos do poder concelhio, mais tarde memórias de, os pelourinhos tiveram diversos fins. Um olhar mais atento leva – me a crer que o pelourinho do concelho de Sorães tenha sido transformado em cruzeiro pois a quase totalidade da estrutura evidência antiguidade, por oposição à parte da cruz que revela um aspecto recente e um corte mecanizado de acordo com tempos mais próximos. É evidente que este reconhecimento se tornou mais difícil depois de, há alguns anos, ter sido partido em vários pedaços em consequência da irresponsável deposição de carradas de areia no local. Depois de reconstituído, assistimos impotentes a nova mutilação ao enterrarem-se vários degraus e ao ver “primorosamente“ pintada de branco a pedra de que era feito. AB

Santa Catarina arqueológica que o tempo vai descobrindo Pouco se sabe cientificamente, mas as provas que o tempo vai dando a conhecer e descobrir deixam antever que Santa Catarina poderá ter sido povoada no período do bronze, ou seja, há mais de três mil a cinco mil anos. Na parte mais alta da freguesia, a poente do ribeiro que atravessa a encosta de Mesas e perto de uma das principais vias romanas que ligava “Olissipo” a “Bracara Augusta” (Lisboa a Braga), foram já encontrados diversos objectos que dão a entender, segundo Pedro Neto, que «neste sítio mais alto se deveria localizar a povoação, semi-fortificada, de onde se controlava toda a paisagem à vista por questões de defesa». Telhas romanas ou de cobertura, bem como cerâmica de uso doméstico e escórias de ferro já foram encontrados por entendidos e populares nos últimos anos. Um dos objectos recolhidos é um machado que apresenta «marcas de utilização», construído num «material granítico que não existe cá», adiantou o arqueólogo residente na freguesia de Santa Catarina. «Tal como na Península Ibérica, e em geral no império romano, a intenção dos romanos não era fundar cidades novas mas ocupar e influenciar comunidades que já existiam, como se tratasse de uma espécie de globalização», continua Pedro Neto, explicando que, aí, «introduziam novas tecnologias, novos materiais, novas formas de viver, novas iguarias e também faziam trocas». Daí acreditar que «não tenha havido conflito na transição de um para o outro» e uma abertura entre os vários povos para as «trocas comerciais», justificação possível para o aparecimento do material deste machado. Mas tudo não passa de meros indícios, já que seria necessário fazer «escavações e sondagens» um pouco por todo o lugar para se tirarem conclusões definitivas. Para já, a única certeza que possui é que «as cerâmicas encontradas foram confirmadas como sendo romanas por um centro arqueológico». Pensa-se, até, que este tenha sido um local que viveu do comércio de cerâmica, porque «nos encontramos num lugar onde a matéria-prima já está pronta – dado que aqui se dá a transição das areias da Gândara para o barro da Bairrada».

Outra razão que sustenta a tese de que Santa Catarina já foi uma povoação romana é o formato do próprio centro. «Tem uma forma muito romana, com um largo rectangular e as estradas muito cruzadas», explica Pedro Neto, que lamenta que as obras de requalificação ali realizadas recentemente não tenham sido acompanhadas por um arqueólogo, porque «de certeza iríamos encontrar um cemitério e respectivas ossadas no largo e jardim da Junta que nos permitiriam caracterizar a população e datar esse tempo. Foi uma pena termos perdido essa oportunidade». Entretanto, o material recolhido – e até o que está debaixo da terra - está «bem guardado» à espera de um museu na óptica do arqueólogo vaguense, que se mostra, no entanto, preocupado com o destino dos objectos recolhidos pelos populares, «porque não sabem o seu devido valor». Vai, por isso, aguardando pela vinda de «apoios técnicos e financeiros» para que esse sonho se concretize. Pedra de fé ou histórica? Feita de calcário, muito recortada e moldada pela chuva e pelo tempo ou uma pedra por onde passou Santa Catarina? A ciência e a fé nunca foram muito aliadas e, neste caso, uns dizem que esta é uma pedra integrante do espólio histórico da época da civilização romana, outros defendem que possui as pegadas da Santa que dá o nome à freguesia. Trata-se da pedra localizada em Mesas, que possui umas formas como se de pegadas se tratasse, e que deu origem a uma lenda de que a santa tinha por ali passado. «Estamos num meio rural pequeno, onde a electricidade só há poucos anos chegou e onde as pessoas iam contando histórias e lendas que foram herdando. O que quero dizer é que provavelmente não apareceu nenhuma santa, mas que aquela pedra, só por si, tem valor histórico, porque deu origem a uma lenda que deu o nome à terra, e por isso deve ser valorizada», afirma Pedro Neto, adiantando que «apesar de não ser científico, observo essa lenda e concluo que a pedra é um testemunho físico dessa história e da cultura das pessoas».

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O Ponto | 18/

VIII

Especial Freguesia de Santa

Catarina

Santa Catarina ao longo do tempo e do meu tempo.

DR

Começo por anotar que o seguinte texto não é um documento sobre História, nem tão pouco um artigo científico sobre Arqueologia. É sobretudo o testemunho de um filho da terra, um jovem adulto, como tantos, que encontra aqui todas as noites o sossego tranquilo e retemperador da minha aldeia, que me acolhe em comunidade sempre e me prepara para nova jornada de trabalho a cada dia.

Santa Catarina em números Área: 6,84 Km2 População: 1.350 habitantes (censos 2001) Recenseamento: 1012 eleitores Espaços populacionais: Santa Catarina, Sorães, Andal, Estrada, Fonte da Costa, Grou, Pardeiros, Condes, Canas e Mesas Festividades religiosas: - Santo António e S. Tomé – último domingo de Julho - Padroeira Santa Catarina – 25 de Novembro - Festa do Povo de Mesas – segundo domingo de Julho Locais de interesse público: - Altar de Santa Catarina (Mesas), onde foram encontrados vestígios romanos - Igreja Matriz - Comissão de Apoio e Desenvolvimento Social de Santa Catarina - Fontanários de Mesas, Andal e Pardeiros Associações Sociais, Culturais e Desportivas: - Comissão de Apoio e Desenvolvimento Social de Santa Catarina - Associação Cultural e Recreativa de Santa Catarina - Associação do Povo de Mesas - Comissão de Melhoramento de Sorães Ensino público: - EB1 de Santa Catarina - Jardim-de-infância de Santa Catarina - Jardim-de-infância na CASDSC Actividade económica: - Agricultura - Pequeno comércio Emigração: - França, Venezuela e Canadá (cerca de 10%)

Sobreiro Centenário

Caiu por terra mas permanece vivo na memória do povo Uma «perda trágica», como se de um «velho amigo» se tratasse. Foi este o sentimento partilhado pela grande maioria dos habitantes da freguesia de Santa Catarina de Vagos. Uma perda que não foi poupada pelo mau tempo que se fez sentir no final do passado mês de Fevereiro, mais propriamente no dia 27. O alerta laranja decretado, dias antes, pela Autoridade Nacional da Protecção Civil tinha a sua razão de ser: em todas as onze freguesias do concelho de Vagos registou-se a queda de diversas árvores. Santa Catarina não poderia ter “sofrido” mais: foi na tarde desse dia que perdeu o centenário Sobreiro que se encontrava no largo de Sorães, junto ao actual edifício da Junta de Freguesia, outrora local da antiga capela. A capela foi-se, mas a grandiosidade da árvore permaneceu, passando até a ser um dos marcos da freguesia, merecedor de destaque central, em jeito de homenagem de respeito e gratidão, na bandeira da freguesia. No entanto, apesar do enorme peso da sua idade ou da imponência que transmitia a todos quantos ali moravam ou passavam, o sobreiro tombou por terra, permanecendo apenas os seus “restos

mortais” no local, para que não mais seja esquecido. De acordo com memórias do povo local, o sobreiro terá sido plantado por António dos Santos Martins Gamelas, nascido em 1842, a quem chamavam “O homem dos sobreiros”. Consta-se que terá plantado este e um outro sobreiro, mais a sudoeste que, entretanto, secou. Foi o próprio senhor Caneiro que terá comprado a sua lenha. De salientar que, antes desta queda “centenária”, o executivo da Junta de Freguesia, querendo preservar este património vivo, recorreu à Unidade de Gestão Florestal do Centro Litoral, do Ministério da Agricultura, e desde Novembro de 2009 que decorria um processo de classificação de Interesse Público Nacional e Protecção do Sobreiro. Agora, a preocupação passa pela preservação do que resta. Ao tronco quebrado serão dados outros fins, que se encontram, por enquanto, em estudo. Apesar de ter “desaparecido”, a imponência que o sobreiro tinha permanece no pedaço que se manteve no local mas, sobretudo, na memória das pessoas. No âmbito das comemorações do 25º aniversário

da criação da freguesia de Santa Catarina de Vagos, assinalado no passado dia 4 de Outubro, o conterrâneo e antigo presidente da Câmara de Vagos, Álvaro Santos, dedicou-lhe um soneto. «Oh sobreiro ancestral, gigante amigo De Santa Catarina grão senhor Teus braços enosados de vigor A quantas gerações deram abrigo!... Ninguém mais poderá falar contigo Porque o danado Eol* destruidor Contra ti mostrar quis o seu furor Por te ver resistente ao inimigo… Mas bem viva ficou tua lição: Convicto, não prestaste adoração Não dobraste o joelho ao falso deus… Por isso o que de ti ficou de pé A provar claramente a tua fé Como seta direita… aponta aos céus!» Álvaro Santos *Eol = Eolo. Vento forte e deus de todos os ventos, os quais mantém aprisionados na chamada “Boceta de Pandora”. Só os solta quando quer e… trazem sempre grandes males.

Este é o encanto de se viver em Santa Catarina, e no nosso Concelho. Ele é para nós ancoradouro seguro de comunidade e de família, de tradição e sorriso sempre presente em cada idoso calejado do trabalho no campo, até a cada criança mais pequena. Falar de História ou Arqueologia em Santa Catarina, aliás, em todo o Concelho de Vagos, é falar apenas em hipóteses. De facto nunca foi elaborado no nosso concelho um trabalho histórico-arqueológico sério e sistemático e o que se tem feito até agora foi feito com um espírito amador (no duplo sentido da palavra: amador não profissional e metódico, e amador no sentido daqueles que amam a terra e o concelho). Não podemos por isso referir tese sobre o assunto. O território onde hoje fica a freguesia de Santa Catarina tem vestígios da presença do Homem que remontam à idade do Bronze. Com alguns cabeços propícios à habitação e/ou construção de moradas eternas, algumas peças foram aparecendo. Vestígios megalíticos não os há, uma vez que esta é uma terra onde a areia do mar se encontra com a argila da Bairrada, e por aqui e ali um afloramento de calcário, a mesma pedra que conhecemos por pedra de Ançã, fácil de esculpir, mas também por isso frágil ao tempo. Tem vestígios de presença romana. Com efeito, provavelmente a região terá sido romanizada, nesta segunda globalização que o mundo conheceu e mais tarde, tornando-se sede administrativa do equivalente ao que hoje conhecemos como concelho. Teve carta de foral manuelino entre outras referências régias, teve a maldição da peste negra, conta-se que teve comarca de tribunal e é lendária a sua forca e as histórias que a riqueza da memória colectiva e popular guardam no baú da nossa cultura. Teve, mais recentemente o fenómeno da emigração, fenómeno que conheceu o seu auge na segunda metade do século XX e volta agora, infelizmente, a ganhar novo fôlego. É freguesia há um quarto de século, do mesmo modo é paroquia, sendo pequena, mas sólida. Politicamente é várias vezes esquecida por ser uma freguesia pequena. Na Diocese também o é. Com a Pastoral pouco desenvolvida e animada pelas autoridades eclesiásticas (com párocos volantes que estão poucos anos cá ou desenquadrados na inculturação à comunidade) as pessoas ganharam grande espírito de iniciativa, quer no associativismo civil, quer no contexto da paróquia religiosa. É assim que me partilho e vos partilho a minha gente, a minha aldeia, gente dinâmica, que de poucos meios faz milagres e vive a vida, com esforço e alegria, em família. É aqui que encontro o sítio onde todos os dias lhe posso chamar Casa. Pedro Neto

A Junta de Freguesia saúda todos os seus habitantes

Especial Santa Catarina  

Um suplemento de oito páginas onde poderá conhecer, de perto, a vida e vivências, obras e projectos, lendas e histórias de um povo secular q...

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