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REVISTA COMEMORATIVA | EDIÇÃO 1 | JULHO 2012

Itaguaí JORNAL

O FOCO www.jornalofoco.com.br

194 anos HISTÓRIA

Bisavô de historiador foi poderoso na Itaguaí do século XIX

CIDADÃOS Câmara concede 50 títulos de cidadão itaguaiense. Conheça alguns agraciados

MULTIDÃO Shows lotados garantem diversão durante os cinco dias de EXPO

AMOR À TERRA 7 depoimentos emocionantes de gente que vive o cotidiano da Cidade do Porto


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itaguaĂ­ 194 anos | O FOCO

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O PASSADO NOS EXPLICA

Itaguaí

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194 anos JULHO 2012

Os Cardoso e Itaguaí Dissertação de historiador mostra uma Itaguaí rica e proeminente no século XIX, sob o comando dos Cardoso. O poder da família é um retrato de uma história empolgante.

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fato de já ter sido feito não invalida novas e interessantes propostas. Esta é a crença do jornal O FOCO ao lançar uma revista comemorativa pelo aniversário de Itaguaí, uma das cidades de abrangência de circulação do periódico semanal. Porém o tradicional se reveste de novidade, uma vez que a Revista Itaguaí 194 anos traz um conceito interessante: humaniza a cidade ao tentar vê-la sob a ótica das pessoas, itaguaienses de coração e alma. Esta foi a ideia ao tomar depoimentos de sete pessoas representativas desta terra na seção “Visões da Cidade”. Para atender às origens do município, cabe resgatar a história de Itaguaí a partir de um trabalho acadêmico. Foi assim que surgiu a seção “O passado nos explica”. E para trazer informações, curiosidades e detalhes de dois dos mais importantes eventos de Itaguaí, as seções “Itaguaí em Exposição” (sobre a Expo 2012) e “Festa e Honra” (sobre a Sessão Solene da Câmara) cumprem o papel de uma revista comemorativa: trazer jornalismo de qualidade que sirva como um documento para guardar e reler. A decisão editorial de

lançar a revista depois dos eventos também foi importante: é preciso mostrar quem são e o que representam as pessoas agraciadas com o título de cidadão itaguaiense, gente que merece atenção e reconhecimento pelo que fazem pela cidade. A Expo, da mesma forma, merece tratamento jornalístico impecável a fim de que se evidencie a relevância econômica de uma das maiores festas do estado. Não se pode deixar de mencionar que esta é a primeira de muitas revistas comemorativas a serem lançadas pelo jornal O FOCO. O esforço jornalístico certamente será recompensado quando esta publicação alcançar seu público, que se verá reconhecido e representado. Tal esforço só se tornou possível graças ao apoio que viabilizou todo o exaustivo (e compensador) trabalho, por meio da Loja Deck, Câmara Legislativa de Itaguaí, Distribuidora de Bebidas Tigresa, Restaurante Frango Expresso, Russo das Baterias, Showball, Real Veículos, Sítio Bumerangue, Expresso Mangaratiba e todos aqueles que contribuíram, direta ou indiretamente, para a realização do trabalho. Até o ano que vem!

REPRODUÇÃO

Tradição com muita novidade

expediente JORNAL

O FOCO

EDITADO E PUBLICADO POR T.M. Comunicações LTDA

DISQUE-REDAÇÃO: (21) 2687-0694 PLANTÃO 24H: 7753-9156 ID.: 125*28667 Diretor Geral Thiago Melo (MTB 25806-RJ)

Editor Jupy Junior (MTB 28085-RJ)

Diretora Administrativa: Marina MELO Impressão SMART PRINTER

Diagramação Gian Cornachini

„Atendimento ao leitor leitor@jornalofoco.com.br „Sugestões de pauta redacao@jornalofoco.com.br „Anuncie comercial@jornalofoco.com.br

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Fotografia Erbs jr.

(colaborador)

endereços na internet www.jornalofoco.com.br www.facebook.com/jornalofoco www.twitter.com/jornalofoco

O FOCO | itaguaí 194 anos

erbs jr.

fale conosco

(colaborador)

Reportagens Alan Miranda, Caio Assis, CARol Santana, jANAÍNA MICHALSKI (colaboradores)


ITAGUAÍ EM EXPOSIÇÃO 42

XIX Expo Itaguaí

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Segura, peão!

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Música, luz e cor

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Diversão alternativa

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Arraste o pé!

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Todos na vibe!

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Pela sustentabilidade

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Vip também dança

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Ficou bem na foto?

Uma das maiores festas do estado, a Expo tem diferenciais

Rodeio atrai multidão, e ajuda a eleger a Garota Expo

Shows da Expo esquentam o gramado em frente ao palco

Lona Cultural e Palco 2 capricham nas atrações

Ritmo se mantém firme em tenda para lá de animada

Cerveja.com e Prime repetem sucesso de anos anteriores

Parte agropecuária da festa é grande atrativo para muitos

Confira se sua galera também foi clicada pela reportagem

Sete depoimentos Gente que pensa Itaguaí, que faz dela o seu sustento e a sua vida depõem sobre o sentimento de pertencer a esta terra, quer seja por nascimento ou por adoção. Sete personagens — Augusto Teixeira, Ana Maria de Souza, Kelaine Ávila, Carlo Bussato Junior, Jorge Luis da Siva Rocha, Ichiki Watanabe e Matheus Freitas — oferecem, cada um a seu modo, visões de uma Itaguaí em depoimentos cheios de histórias fascinantes e emocionantes.

FESTA E HONRA 26 6

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Com amor e honra Sessão Solene da Câmara Municipal de Itaguaí concede títulos de cidadão itaguaiense a 50 pessoas que, no seu cotidiano, ajudam a fazer uma cidade melhor. Evento foi emocionante.

Cidadãos de Itaguaí Confira detalhes de alguns dos homenageados com o título de cidadão itaguaiense, com direito a justificativa de cada um dos 11 vereadores e fotos de todos os agraciados.

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VISÕES DA CIDADE 10 6

gian cornachini

Gente importante comparece nos camarotes oficiais

itaguaí 194 anos | O FOCO 5 O FOCO itaguaí 194 anos


reprodução

Itaguaí e os Cardo

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O PASSADO NOS EXPLICA

oso: uma só história Dissertação de mestrado de historiador da Universidade Federal Fluminense revela uma Itaguaí rica, sob controle da família Cardoso, no século XIX

Por Janaína Michalski

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Francisco José Cardoso Júnior (sentado) com seus colegas de farda, em foto sem data definida. Patriarca dominou os meios políticos e comerciais da Itaguaí do século XIX, e a história da família confunde-se com a da Cidade do Porto.

evado por uma curiosidade, a partir de uma recordação da infância, o professor de História Gustavo Moreira iniciou uma pesquisa sobre a família dele e acabou por descobrir detalhes dos primeiros anos de efervescência política e econômica da Itaguaí do século XIX. “Lembrei que meu bisavô, Francisco José Cardoso Júnior, tinha sido diretor da Biblioteca do Exército. Eu só sabia que ele era de Itaguaí e que tinha morrido em 1917”— conta o professor. Com essa simples informação em mente, em 2000, por acaso, entrou no Arquivo do Exército, no centro do Rio de Janeiro, e teve acesso a algumas informações militares sobre o bisavô que o levaram a querer pesquisar mais. “Ao longo das gerações, as informações ficam muito distorcidas. O meu pai dizia, quando a gente era criança, que o bisavô dele tinha sido um herói da Guerra do Paraguai” — mas não foi bem isso que Moreira descobriu. O personagem a quem o pai do historiador se refere foi um grande negociante nascido em Portugal, que estabeleceu um sólido controle econômico e político-eleitoral sobre a vila fluminense de Itaguaí na segunda metade da década de 1830: o comendador Francisco José Cardoso, cuja história de vida pública foi tema de mestrado de Moreira. “Descobri coisas muito específicas, como táticas de dominação local das famílias da classe senhorial, como funcionavam os esquemas eleitorais e como as articulações familiares eram importantes naquela época. Nenhuma dessas histórias combinava com um ‘Zé Ninguém’. Ou casavam com um grande cafeicultor ou com a filha de um financista. Ou seja, a política e a economia não se separam nunca, mas naquela época estavam extremamente entrelaçadas” — resume

Gustavo. Os meandros políticos e eleitorais do Rio de Janeiro no século retrasado foram largamente praticados em Itaguaí, já naquela época. ASCENSÃO, PODER E RIQUEZA Por meio de numerosos documentos oficiais e de textos jornalísticos produzidos ao longo do século XIX o professor pode reconstituir, parcialmente, a atuação dos membros da família Cardoso, cuja ascensão derivou da duradoura aliança com os grupos ideológicos de tendência conservadora presentes na província do Rio de Janeiro durante o Segundo Reinado, e também — em grande parte — de relações pessoais, sobre as quais Moreira afirma: “Um laço de compadrio era praticamente um laço de sangue. Se um fazendeiro de Itaguaí se tornava padrinho de um neto do Cardoso, se sentia obrigado junto àquele grupo político até a morte” — algo conhecido hoje como “fidelidade partidária”, mas de modo menos dramático, é claro. De acordo com o professor, em 1820, quando a Vila de Itaguaí foi instalada, onde hoje é a cidade de Itaguaí, tratava-se basicamente de uma vila de comércio, apesar de cercada de canaviais e cafezais, além de uma das principais portas de entrada de navio negreiros do Brasil. Assim, o português Francisco José Cardoso chegou à região, pelos 18 anos, para estabelecer-se no comércio. Mas, em 1835, tornou-se presidente da Câmara de Itaguaí (além de manter-se deputado provincial por 15 anos consecutivos), e no ano seguinte baixou uma lei que autorizava a construção de canais navegáveis em Itaguaí, cuja concessão de 100 anos foi dada — veja bem — para ele próprio. Mesmo assim, o empreendimento favoreceu a vida comercial de toda a Vila: “Ao invés itaguaí 194 anos | O FOCO

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O PASSADO NOS EXPLICA

Registros históricos marcam vocação comercial „ “A uma légua do Teixeira e duas do rancho do Toledo, fica a cidadezinha de Itaguaí. Era antigamente uma aldeia de índios, sem dúvida formada pelos jesuítas quando ainda donos de Santa Cruz. Acha-se situada numa colina a algumas centenas de passos do caminho onde se encontram ainda algumas famílias de índios. Alguns brancos construíram casas à beira do caminho. Ali estabeleceram vendas e lojas; colocou-se um pelourinho no meio dos arbustos que

de transportarem tudo em lombo de mula, o canal navegável — chamado São Pedro de Alcântara, com mais de dois quilômetros – passou a ajudar demais”— confirma o historiador. Por outro lado, a construção do canal consolidou o poder da família, uma vez que, a partir dessa obra, foi feita também uma ampliação do complexo portuário, cujos navios eram de propriedade dos Cardoso. A ideia de “Cidade do Porto”, portanto, não é nova. “Ele construiu uma grande fortuna ali. Cada saca de café, cada escravo, pagava pedágio. O esquema era bem fechado: o pai Cardoso era o dono do canal; um filho, Felipe, controlava o canal; outro filho, Manoel, gerenciava a maior parte dos armazéns; e quem recebia as mercadorias era o Cândido, também filho. Ou seja, eles não estavam dispostos a ser roubados em nenhum tostão. Não delegavam nenhuma função” — explica o professor, que expôs os antepassados sem atenuações ou cores diferentes. Em 1864, o avanço da Estrada de Ferro D. Pedro II, como alternativa ao escoamento do café, enfraqueceu o comércio do “Gru-

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cobrem o terreno entre a estrada e a aldeia de Itaguaí transformou-se em vila.” — Descrição do núcleo urbano de Itaguaí, em 1822, pelo botânico, naturalista e viajante francês Auguste de Saint-Hilaire. Esta é um trecho da tese de mestrado “Uma família no Império do Brasil: os Cardoso de Itaguaí (um estudo sobre economia e poder)” — Universidade Federal Fluminense (UFF)/2005 —, do historiador carioca Gustavo Alves Cardoso Moreira.

po Cardoso”, mas as parcerias políticas da família possibilitaram a diversificação dos negócios e, consequentemente, a multiplicação da fortuna. Os Cardoso foram proprietários da pré-indústria de seda Cia. Seropédica e abriram uma companhia de seguros chamada “Feliz Lembrança”, cujos registros históricos indicam que a família pode ter sido capaz de movimentar uma das maiores fortunas do país na época, equivalente a trezentos salários de um Marechal, por ano, em 1877. Itaguaí, então, já significava riqueza desde aquela época. IMPRENSA DE OPOSIÇÃO ATUANTE Todo o movimento de dominação local, por parte dos Cardoso, ampliação de poderio financeiro, arquitetura de casamentos vantajosos, vinculação a ordens religiosas e nomeação de parentes e aliados para cargos de prestígio no Estado não passou despercebido pelos olhos da imprensa. Os documentos levantados mostram que os jornalistas e os opositores políticos não se calavam diante do que viam e, segundo Moreira, são mui-

tas as histórias de intrigas, acusações, escândalos, ironias e tentativas de tumultuar o monopólio. “Apesar de ter tido outros títulos que lhe deram projeção social, ele (Cardoso pai) sempre pretendeu fazer parte de

“Se por acaso um fazendeiro de Itaguaí se tornava padrinho de um neto do Cardoso, se sentia obrigado junto àquele grupo político até a morte.” GUSTAVO MOREIRA, historiador, sobre o poder dos Cardoso na Itaguaí do século XIX

uma família da nobreza. Através da Cia. Seropédica tentou ser Barão, mas a iniciativa fracassou e o inimigo político chamou-o de ‘O Barão Gourado’ no jornal”— diverte-se o professor.


A DECADÊNCIA Como em todo domínio, os Cardoso, depois de décadas de glória, experimentaram a decadência. Um dos principais motivos foi o enfraquecimento do Partido Conservador e a ascensão da Liga Progressista na Corte do Rio, com consequências negativas nas carreiras eleitorais dos filhos do comendador. Segundo Moreira, não se pode dizer ao certo como e porque a família ruiu: “Acontece que Itaguaí simplesmente faliu. Foi um lugar que teve um crescimento vertiginoso num período, com apogeu por volta de 1840. Em 1850, o circuito comercial ainda está muito ativo, mas Itaguaí já está perdendo população, principalmente de escravos”. Quando morreu, em 1882, aos 77 anos, Francisco José Cardoso já estava esquecido. Sobre semelhanças políticas e econômicas entre a Itaguaí do século XIX e o Brasil de hoje, Moreira diz que aqueles eram esquemas de uma sociedade pré-capitalista, de economia escravista, bem diferente da atualidade. Dessa forma, as comparações servem somente como mera curiosidade, ou como (importantes) dados históricos.

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reprodução internet

Na foto maior, a Vila de Itaguaí na visão da viajante inglesa Maria Graham. Na foto menor, um engenho, comuns na Itaguaí do século XIX (registro em exposição na Casa de Cultura). Historiador diz que, por estar na rota entre Rio de Janeiro e São Paulo, Itaguaí foi decisiva na cultura cafeeira, mesmo que território não fosse adequado para o cultivo.

Gustavo Moreira com foto do bisavô. Trabalho acadêmico detalha passado rico itaguaí 194 anos | O FOCO

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Ita

Uma cidade, sete personagens. Em comum, o amor por Itaguaí. Depoimentos de gente que vive o cotidiano urbano e que tem profundas ligações com esta terra ajuda a explicar esse sentimento tão belo e intenso.

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ões sobre

VISÕES DA CIDADE

aguaí ram — a Revista Itaguaí 194 anos reuniu depoimentos emocionantes de pessoas que fazem o dia a dia da cidade. Cada um à sua maneira tentou definir o indefinível: o sentimento de pertencer, de ser acolhido, de mudar de vida e de alma. Seria impossível ouvir dos mais de cem mil habitantes o que pensam e como vivem os itaguaienses, mas sete pessoas puderam, de alguma forma, relembrar o passado que trouxe todos e apontar para um futuro em que Itaguaí será outra. Augusto Teixeira, com a indispensável cultura; Ana Maria de Souza, com a limpeza urbana; Kelaine Ávila, com os

negócios; Carlo Bussato, com a administração; Jorge Rocha, com as leis; Watanabe, com suas plantas; e Matheus Freitas, com a promessa de muitas vitórias — sete visões da cidade que, de uma maneira ou de outra, cercam por sete lados um amor incondicional pela vasta e promissora Itaguaí. Poderíamos, talvez, juntar uma outra visão, muito adequada, em um verso de Carlos Drummond de Andrade: “Aqui / amanhece como em qualquer parte do mundo / mas vibra o sentimento / de que as coisas se amaram durante a noite”.

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fotos: erbs jr.

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que aproxima pessoas tão distintas, de diferentes origens e impressões? E mais: como explicar uma cidade, com suas contradições e transformações? A resposta pode estar no amor por Itaguaí, um local tão emblemático quanto fascinante. O fator humano certamente é o mais complexo para oferecer uma pespectiva de um lugar que há tempos experimenta progresso, com todos os seus contrastes. A fim de tentar tornar mais clara a relação dos itaguaienses com o local onde nasceram — e, em alguns casos, com a terra que adota-


VISÕES DA CIDADE

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Teixeira: nascido em Portugal, Augusto chegou a Itaguaí em 1968 e se encantou com Vila Geni e Coroa Grande. Diretor de Cultura desde 2005, ele entende que a cidade tem muitas atrações culturais além das óbvias. Augusto lembra de um tempo em que a luz em Coroa Grande “era fraquinha” e a Expo ainda não era um sucesso como hoje. 12

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O mais itaguaiense dos portugueses Augusto Teixeira, Diretor de Cultura de Itaguaí, revela o seu amor pela cidade e lembra de tempos que não voltam mais Por Jupy Junior

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ono de uma forte personalidade, o diretor de Cultura de Itaguaí enfatiza bastante as palavras. Augusto Teixeira tem 64 anos e há 44 vive em Itaguaí. Foi testemunha de transformações na cidade, atuou como comerciante, promotor de eventos (seus desfiles marcaram época) e viveu até aventuras no antigo trem conhecido como “macaquinho”. Como diretor de cultura, Teixeira entende que a cidade não é só de atrações eventuais: “Itaguaí é muito rica culturalmente” — afirma.

CHEGADA EM ITAGUAÍ “Cheguei em Itaguaí em 1968. Mas não conheci o centro da cidade, e sim Coroa Grande. Quem me trouxe a Itaguaí foi meu amigo Keide Fukamati, que morreu recentemente. Eram ricos e veraneavam em Coroa Grande. A família comprava calças jeans Lee e Levi´s comigo, eles me pediam e eu trazia. Foram eles que me sugeriram abrir uma loja na cidade”. O “MACAQUINHO” “Vila Geni não tinha nada. Eu e um grupo de amigos alugamos uma casa, mas só tinha uma estação. Não se podia acampar em Mangaratiba. Acabei me fixando em Itaguaí por curiosidade. Eu costumava ir para Sepetiba com amigos, mas não tinha condução para levar as pessoas de volta. Um dia eu estava em Santa Cruz esperando o ônibus para Sepetiba e vi o ‘macaquinho’ (não sei porque se chamava assim): um trem de madeira, pontualíssimo, que ligava Santa Cruz a Mangaratiba. Este trem levava os presos que iam para a Ilha Grande em um vagão-cadeia. O trem era maravilhoso. Eram três classes: pobres, ricos e presos. Era a única condução que tinha. Me interessei, me informei, peguei o trem à noite. Eu e meus amigos fomos a Mangaratiba, e acabamos dormindo no vagão porque não tinha trem de volta à noite. As portas eram fáceis de abrir. Eu ia mui-

to para Santa Antônio, uma praia que tinha na Ribeira. Comecei a gostar da região a partir do trem ‘macaquinho’. Tempos depois tiraram esse trem, uma pena”. DUNAS EM VILA GENI “Cheguei a Coroa Grande de trem, também. Me acolheram bem. Pudemos acampar, ninguém nos incomodou. Vila Geni e Coroa Grande nunca tiveram nada, era muito abandonado. Não tinha quase luz, era fraca. Resolvemos alugar a casa em Vila Geni, havia dunas de areia na praia”. EXPO NO PASSADO “Decidi vir de vez para a cidade quando abri minha primeira boutique em 1975, no dia 5 de julho, por coincidência, aniversário de Itaguaí. Logo depois comecei a fazer desfiles de moda. Naquele tempo, os meus desfiles movimentaram a festa. Paulo Alexandre criou a Expo Itaguaí, mas no primeiro ano foi um fracasso, ninguém foi. Aí ele me perguntou o que fazer para encher. Sugeri que fizéssemos uma passarela para desfiles de moda. Foi um sucesso. Na segunda Expo, teve Elba Ramalho e Djavan. Meu desfile foi

No primeiro ano a Expo foi um fracasso, ninguém apareceu. Sugeri que criássemos uma passarela para fazer um desfile de modas. Foi um sucesso” antes do show de Leandro e Leonardo. Eu lotava o Palace de Coroa Grande com duas, três mil pessoas. A Xuxa desfilava para mim. Eu exibia as roupas nos desfiles e depois as pessoas compravam”.

CRISE E CULTURA “Fechei minha loja porque a cidade faliu, em 2005. A prefeitura não pagava os funcionários. O progresso só se fez sentir há pouco tempo. O cargo na Cultura surgiu por um

Na Estação onde hoje é a Casa de Cultura, vândalos invadiram e nós, governo, decidimos ´invadir´. O prefeito ficou surpreso porque o trem passava por ali”. convite do prefeito, assumi em 2005. Eu era comerciante, fiquei apreensivo porque nunca tinha trabalhado com isso, mas aceitei o desafio. Itaguaí é muito rico culturalmente. Na estação, onde hoje é a Casa de Cultura, vândalos invadiram e decidimos nós, governo, ‘invadir’. No dia da inauguração, o prefeito se surpreendeu porque o trem de carga passa na estação. Chovia muito, e o prefeito Charlinho, que é baixinho, não conseguia ver da janela do prédio”. OPORTUNISTAS “O que eu gosto mais em Itaguaí é a calmaria. Uma cidade com mais de 100 mil habitantes e baixo índice de crimes é praticamente o paraíso. Sou muito bairrista, e o que eu não gosto é dessa gente oportunista que quer entrar aqui e quer ganhar no tapete. As pessoas são humildes e não estão preparadas para receber as transformações”. ITAGUAÍ EM UMA FRASE “Não é que seja melhor que as outras cidades, mas Itaguaí é privilegiada. Esta é a cidade na qual escolhi viver e morrer”. itaguaí 194 anos | O FOCO

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VISÕES DA CIDADE

Nem luxo, nem lixo. Só respeito Dona Ana fala da experiência de se aventurar no Rio de Janeiro para tentar a vida e como vê Itaguaí nos dias de hoje Por Alan Miranda

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na Maria de Souza, 42 anos, bate ponto todos os dias. Mas, diferentemente de muitos, ela não trabalha dentro de um escritório, e sim na rua. Mais exatamente em frente ao supermercado Guanabara, no Centro de Itaguaí. Ana é varredora de rua, e tem uma visão privilegiada da cidade. Ela conhece de perto os hábitos dos itaguaienses e foi testemunha das transformações que esta terra sofreu ao longo dos anos. Ana é como muitos daqui: trabalha duro e acredita em um futuro melhor para todos. ITAGUAÍ É COMO UM FORMIGUEIRO “Eu sou gaúcha. Morava em uma cidadezinha do interior: Campo Novo. Vim para o Rio de Janeiro em 1986, com 16 anos de idade, tentar a vida, né? O que mais me impressionou de início foi a quantidade de gente que tem aqui. Muito povo na rua. É como se fosse um formigueiro. As formigas são as pessoas, sempre trabalhando. Umas indo outras vindo, e aqui no centro de Itaguaí também é assim.” A VINDA PARA A CIDADE DO PORTO “Logo que cheguei fui morar com uma tia minha, que morava no Rio, na Lapa. Trabalhei em casas de família. Depois fui morar em Nova Iguaçu. Quando eu tinha uns 28 anos o pai da minha filha Carolina faleceu. Eu estava triste e deprimida, e uma amiga minha que morava aqui em Itaguaí me chamou para vir também. Eu me mudei, passei um tempo vivendo da pensão e de algumas faxinas que eu fazia. Até que há uns cinco anos arrumei esse emprego na Locanty.”

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VIDA DE VARREDORA Minha rotina é assim: eu bato o cartão às 7h, pego o material (carrinho de mão, pá, vassoura e um saco de lixo), vou para o meu setor, paro às 11h para o almoço, volto 12h e 15:10h saio do setor, volto para guardar o material e vou embora. Eu gosto muito do meu trabalho. No começo eu tinha um pouco de vergonha. Eu olhava os varredores e achava normal, alguém tem que fazer. Hoje nem ligo. Isso de jogar lixo na rua você vê em qualquer lugar. Em Itaguaí também é assim. Aqui se você limpa, a pessoa joga o lixo no chão e se você falar alguma coisa ainda ouve resposta: ‘ah, você é paga para isso’. Já ouvi várias vezes. Daí eu fico calada, né? O que você fala em uma

O que me impressionou no Rio foi a quantidade de gente. Itaguaí é como um formigueiro. As formigas são as pessoas, sempre trabalhando.” hora dessas? Na minha área, ali perto do Guanabara, como o pessoal já me conhece, eu falo e eles respeitam. Mas acho que nossa limpeza é boa, as pessoas têm que colaborar, colocando o lixo no dia certo. Se não colocar no dia certo, cachorro passa, rasga o saco de lixo, espalha tudo. Quando é uma pessoa conhecida, peço para ajudar o meu trabalho, senão fica difícil”. O QUE VI MUDAR “Eu vi muita coisa mudar em Itaguaí. O mercado Guanabara antes ficava ali onde funciona o Berg´s. Ali onde funciona o Ponto Mix


Ela faz a sua parte para manter as ruas limpas, embora nem todos colaborem. Mas isso não é problema para Dona Ana, que, com seus olhos azuis faiscantes, já testemunhou grandes modificações no urbanismo de Itaguaí. Ana representa a disposição do itaguaiense para trabalhar, e não hesita em dizer o que vai bem e o que vai mal na cidade.

Isso de jogar lixo na rua você vê em qualquer lugar. Aqui em Itaguaí, se você limpa, a pessoa joga o lixo no chão e se você fala alguma coisa ainda ouve resposta” era o mercado Rio, que até pegou fogo. A Leader era uma loja de móveis. Nossa, o comércio cresceu muito. Também tem muita gente vindo de fora. A cidade foi crescendo mesmo. Pessoas de uniforme, por exemplo, era raro. Agora não: eu saio na rua, já vejo gente uniformizada para trabalhar. Itaguaí era uma cidade calma. Dava para ficar no portão sentado. Hoje não mais. Senão vem um e metralha você.”

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AMÉLIA À MODA ANTIGA “Quando eu chego em casa estou sempre fazendo alguma coisa. Eu vou lavar minha roupa; se o quintal estiver com mato, capino, faço minha janta. Estou pintando minha casa agora, ainda não terminei. Só paro mesmo quando vou me deitar. Eu sou aquela Amélia de antigamente. Eu gosto de cuidar das minhas coisas. Se der algum problema em casa eu vou lá e conserto, se não conseguir resolver eu chamo alguém, mas, do contrário, sou eu mesma que meto a mão na massa.” O QUE DEVIA MELHORAR “De 13 anos para cá melhorou muita coisa, tem mais asfalto na cidade. Mas infelizmente a violência hoje está em todo lugar. Perdi amigos por conta disso, inclusive o filho de uma amiga que eu gostava muito. Acho também que a saúde em Itaguaí também precisa melhorar bastante”. itaguaí 194 anos | O FOCO

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VISÕES DA CIDADE Por Jupy Junior

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elaine Nunes de Alvarenga de Souza de Ávila é uma das nativas que nunca conseguiu se desvencilhar do seu amor por Itaguaí. Para ela, isso se dá devido ao forte vínculo criado pelas pessoas da sua terra: amizade que ela reconhece como um dos valores máximos da cidade. Dona de uma loja no shopping, ele entende que Itaguaí se mantém sintonizada com as tendências da moda nacional e internacional, e ressalta que o empresariado e o poder público devem andar de mãos dadas.

VÍNCULO: O MOTIVO DA VOLTA “Tenho 36 anos e sou empresária. Nasci em Itaguaí, estudei em Itaguaí, saí para fazer faculdade, depois voltei. Fiz faculdade de Direito mas acabei entrando para o ramo do comércio. Eu moro no Mont Serrat. Lembro do meu tempo de escola, na Luis Murat, lembro da igreja, lembro dos parques que existiam

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Fortes vínculo

Empresária de sucesso incentiva novos comerc onde é o shopping de Itaguaí hoje. No Centro de Itaguaí havia vários terrenos vazios. Lembro também do morro da igreja, havia fluxo de gente. Isso era na década de 1980. Aqui não tinha muita balada, diversão, mas tinha a patinação no Ita, o Clube de Itaguaí na pracinha, sempre tinha eventos. No centro, as pessoas ficavam na rua durante o final de semana. Eu tinha 18, 19 anos. Naquela época todo mundo se conhecia, era diferente, havia um vínculo. De uma certa maneira, isso é o que faz a gente voltar a Itaguaí, não importa o motivo pelo qual tenha saído. Já morei no Rio e não fiz amizades como fiz aqui, e as amizades ficaram. Talvez, mais futuramente, para os jovens agora, não seja algo muito forte, mas na minha época, era. Is-

so me marcou muito. Na verdade, Itaguaí causa um certo fascínio, não sei explicar porque. Todo mundo que sai acaba voltando, e mesmo quem conseguiu uma situação melhor, mesmo morando na Barra, acaba trabalhando aqui. Quando eu namorava meu atual marido, ele morava aqui e eu no Flamengo, de modo que eu nunca deixei de ter vínculos com a cidade, de uma forma ou de outra”. DIFERENÇAS NA CIDADE “Quando voltei para Itaguaí, há uns oito anos, percebi que muita coisa mudou. A cidade teve um aumento muito grande de população. Fui trabalhar como auxiliar de escritório em uma fábrica de linguiças. Meu marido abriu uma empresa e fui trabalhar


ciantes e conta que Itaguaí fascina as pessoas com ele. Depois abri a Deck, boutique que fica no shopping PátioMix, há dois anos”. SER EMPRESÁRIA EM ITAGUAÍ “Hoje digo que não é tão fácil assim. O comércio em Itaguaí está bem mais movimentado, mas seria melhor se tivéssemos políticas públicas que ajudassem o empresariado da cidade. Está faltando isso. Temos até parceria com a Câmara de Dirigentes Lojistas e outras entidades que dão algum suporte, mas seria bom se tivéssemos uma intermediação entre o poder público e o empresário, manter cursos profissionalizantes, por exemplo. Ainda estamos defasados principalmente no que diz respeito a recursos humanos. Está faltando qualificação aos pro-

fissionais itaguaienses, algo que prejudica o bom atendimento ao consumidor. O ramo da moda poderia estar bem melhor do que está atualmente, porque atendimento é fundamental em qualquer negócio”.

Ainda estamos defasados em recursos humanos. É preciso que haja uma intermediação melhor entre o poder público e o empresariado da cidade ”

PARA QUEM QUER INVESTIR “Acho que sempre tem espaço. Itaguaí tem se desenvolvido bastante, sempre há lugar para mais um. Acho que vale a pena, é legal, a cidade está mais sintonizada com a moda, o que é legal e o que não é. Acho que é um ramo bom”. ALEGRIA E TRISTEZA EM ITAGUAÍ “Adoro comer bem. Eu gosto muito de comida japonesa. Adoro o M Sushi, a comida é excelente, eu adoro comer. Mas o que me entristece em Itaguaí é a saúde, muito precária. Hoje posso pagar um plano de saúde para meu filho, mas muitas pessoas não têm recursos, e fica difícil para elas ter um bom serviço. Isso é crítico na cidade, ainda”.

Kelaine em uma das araras da loja que dirige, a Deck, no Shopping PátioMix. Empresária de sucesso, ela conta que nunca desfez os laços que a ligaram a Itaguaí, cidade onde nasceu e viveu durante muitos anos até ir fazer faculdade na capital. Depois de voltar, há cerca de oito anos, percebeu que a população desenvolveu gosto pela moda.

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Foto: erbs jr.

os e negócios

MODA EM ITAGUAÍ “Itaguaí busca muito roupas de marca, grifes. Acho que a cidade é antenada. Mesmo sem grifes próprias, as pessoas acabam buscando referências na mídia e adaptam essas tendências ao seu cotidiano. O consumidor tem mesmo essa preferência por marcas, é algo bem nítido. Quem não pode pagar busca dentro das condições que tem uma visão mais próxima disso, do que está sendo usado agora, quem está na mídia etc.”


VISÕES DA CIDADE

O fim próximo d ciclo e um novo Prefeito há sete anos, Carlo Bussato Junior entende que Itaguaí é privilegiada e que as transformações de agora se acomodarão em breve numa cidade melhor Por Jupy Junior

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uem depôs foi o homem Carlo Bussato Junior, e não o prefeito Charlinho, que há sete anos veio da administração da cidade vizinha, Mangaratiba, e encarou o desafio de assumir Itaguaí — estratégica no estado — e que há pelo menos cinco anos experimenta os fatores do progresso, que passam por crescimento econômico e, em contrapartida, enfatizam problemas sociais. Bussato frequenta Itaguaí desde criança, e em breve encerrará um ciclo para que um futuro melhor se torne cada vez mais real.

VERDURAS E IMIGRANTES “Eu praticamente fui criado em Mangaratiba. Nasci em Copacabana. Antes de eu nascer meus pais já frequentavam Muriqui, e quando fomos morar definitivamente lá eu tinha sete anos de idade, em 1967. Mesmo criança eu já vinha a Itaguaí, porque os bancos eram aqui. Não havia agência bancária em Mangaratiba, assim como não havia supermercado. Itaguaí era a referência do comércio. Meu pai era comerciante em Muriqui, e eu o acompanhava quando fazíamos compras e em movimentações bancárias. Eu me lembro muito do centro da cidade, só tinha um sinal de trânsito, uma loja de materiais de construção e um posto de gasolina com apenas uma bomba. Lembro da forte colonização de japoneses (acredito que era 30% da população de Itaguaí). Havia uma senhora, chamada Dona Branca, que tinha uma loja de verduras, todo mundo comprava lá. Havia também o Fukamati. Itaguaí tem uma característica: poucos foram nascidos aqui, muitos são imigrantes”.

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O FOCO | itaguaí 194 anos

ITAGUAÍ COMO REFERÊNCIA “Depois eu saí da região, fui estudar em Petrópolis, morei lá dos 16 aos 19 anos, e quando vínhamos para cá nesta época, como jovem, nosso point de diversão era Itaguaí. Eu ia na Ita, todos frequentavam, era uma discoteca. Depois íamos comer um cachorro-quente no trailer. Mangaratiba era muito residencial, os que moravam lá ou era aposentados ou comerciantes. E havia também os veranistas, e Itaguaí sempre foi referência”. UM LUGAR PARA FOTOS “Uma vez, há uns nove anos, uma senhora que morava em Itaguaí me disse que havia chegado na casa dela uns parentes. E que eles queriam tirar uma foto na cidade para levar de recordação, mas que não havia um lugar bacana para tirar fotos deste tipo. Isto me marcou muito. Qualquer cidade tem que ter um lugar bonito para que se tire fotos, para que se leve uma imagem boa. Para uma pessoa chegar ao ponto de não encontrar um lugar para tirar uma foto, uma praça, enfim, para que se levasse uma imagem boa... pode não ser importante para muito gente, mas para mim... toda cidade tem lugares bons e ruins, mas tem que ter um lugar que deixe uma boa imagem”.

Quando criança, já vinha a Itaguaí, para acompanhar o meu pai. Lembro da loja de verduras da Dona Branca, todo mundo comprava lá”

Itaguaí está localizada em uma região privilegiada. Daqui a algum tempo a cidade vai entrar em um novo ciclo, e tudo será mais organizado ainda” PERÍODO DE TRANSFORMAÇÃO “Itaguaí sempre teve potencial. Até porque praticamente a prefeitura operou com recursos próprios. Há também o fator sorte, porque Itaguaí está localizada em uma região privilegiada. Em termos de indústria, Itaguaí tem águas abrigadas com um calado fenomenal. Tem uma malha ferroviária que, se fosse instalar hoje, custaria trilhões. Itaguaí vai ser um núcleo de grandes empresas. Estamos hoje em um momento de ´destruição’ da cidade. Quero dizer o seguinte: é preciso quebrar os ovos para fazer a omelete. Tem caminhão para todo lado, por exemplo. Daqui a algum tempo os grandes empreendimentos vão terminar suas obras, e a cidade entrará em um novo ciclo. É um período de transformação que daqui a pouco se organizará”. UM DIA MUITO FELIZ EM ITAGUAÍ “Felizes, foram vários, devido às realizações”. Felicidade está vindo agora, por causa do reconhecimento, porque me senti útil. Hoje, saindo, sou mais feliz do que quando entrei”. UM DIA MUITO TRISTE “Triste, não. Fiquei aborrecido. Também foram vários. Nunca estive triste. Bem, tive algumas traições. Algumas coisas me machucam muito. Por exemplo, quando uma pessoa não mantém a palavra. Algumas vezes me senti traído e isso me doeu”.


de um futuro

Foto: erbs jr.

Carlo Bussato Junior: para ele, não houve dias tristes na laboriosa tarefa de transformar a cidade a fim de que ela cumprisse seu destino de território estratégico no desenvolvimento do estado. Bussato lembra que grande parte da população é de imigrantes, e que Itaguaí ainda terá profundas transformações, algumas delas já em curso. itaguaí 194 anos | O FOCO

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VISÕES DA CIDADE

Primeiro, som. Depois, as leis O presidente da Câmara de Itaguaí revela que já foi DJ e ressalta o bom momento da cidade, que vive transformações Por Jupy Junior

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á se vão 34 anos desde que Jorge Luis da Silva Rocha comandava a picape da New Wave, a boate (na época, danceteria) que ele mantinha juntamente com várias outras. Pioneiro, Jorginho sempre curtiu um bom som. Muito depois das picapes, Rocha passou a comandar a Câmara com 10 vereadores. Suas reminiscências remontam a uma época em que não havia agência bancária e ainda se amarravam cavalos nas esquinas. Para o presidente da Câmara, Itaguaí vive um momento ímpar.

O BANCO DO BRASIL E A NOITE “Nasci em Itaguaí e minha família é daqui. Minha juventude era os bailes que eu fazia. Fui DJ no Itaguaí Atlético Clube, tinha a New Wave. Era minha casa. Mexo com som desde os 18 anos. Com 13 anos e meio fui o mais jovem estagiário do Banco do Brasil, fiquei até os 18 anos. Na cidade de Itaguaí, não tinha nada. Vi construir a agência do Banco do Brasil. Ainda peguei uma época em que em Itaguaí ainda havia lugar para amarrar os cavalos. Então a minha juventude foi assim: trabalhava no banco e fazia o baile no Itaguaí Atlético Clube. Desde os 17 anos eu era dono de danceteria (naquela época se chamava assim), mas era também o DJ, o montador do som e da iluminação. Comecei com festas do tipo hi-fi, no clube, fazia festas de 15 anos, etc. Cheguei a ter 10 casas noturnas: em Muriqui, Paracambi, em Santa Cruz (eram três), Itaguai e Mangaratiba. Em Campo Grande eu tinha duas. Eu era o DJ de cada uma delas, ficava uma hora em cada uma, mesmo sendo o dono. Eu fui pioneiro. Depois peguei uma época em que o Os-

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A minha juventude era os bailes que eu fazia. Trabalhava no Banco do Brasil e atuava como DJ à noite. Comecei no ramo aos 17 anos de idade, fui pioneiro” car abriu aqui o Ita, mas o público dele era diferente, sempre trabalhei com a massa popular. Tudo isso a partir de 1978, e na década de 1980 tudo se intensificou ainda mais”.

O QUE SE OUVIA “Ah, naquela época tinha de tudo um pouco: Village People, Barry White, Donna Summer, Bee Gees...” MUDANÇAS EM ITAGUAÍ Itaguaí vem mudando, mudando mesmo, de 10 anos para cá. A minha família é daqui. Meu pai conseguiu construir alguns prédios e ele deve ter umas 20 lojas na cidade. Há 10 anos vi que as lojas do meu pai não estavam dando resultado, e ele começou a fechá-las. Aluguel, não conseguia, não vinha nada para a cidade. Para ser mais exato, de seis anos para cá as lojas passaram a ser alugadas e hoje em dia é difícil conseguir um bom lugar para alugar. Isto é sinal de progresso. Hoje em Itaguaí todos os ramos se desenvolvem, há oportunidades para todos, mais emprego e condições”. INAUGURAÇÃO DA NEW WAVE A inauguração da minha boate, a New Wave, foi muito interessante. Foi em 1981 ou

1982. Montei toda a casa, montei som, iluminação, decoração. Sempre trabalhamos em família. Minha mãe trabalhava no bar, meu pai na bilheteria, meu irmão na portaria e eu era o DJ. Mandei fazer os ingressos. Eram 800 para cavalheiros e 500 para damas, e fiquei montando a casa até as 18h de uma sexta-feira, no dia da inauguração, que seria às 22h. Quando terminei, deixei os ingressos com meu pai para vendê-los, e fui tomar banho para poder voltar em seguida. Achei que venderia 100 ingressos para os homens, 50 para as mulheres.


O melhor de Itaguaí são as pessoas. Aqui ainda há aquele sentimento do interior, da amizade e da proximidade. Isso é o que tem de melhor” Quando deu 21h, mandaram me chamar, disseram: ´Jorginho, seu pai está avisando que acabaram os ingressos´. Pensei: ´não po-

de ter acabado´. E pedi para avisar ao meu pai que havia mais ingressos na gaveta debaixo da bilheteria. Mas havia acabado todos. Resultado: não tinha mais ingressos para vender, a rua estava toda tomada de gente. Corri para lá para abrir às 21h, fazer as pessoas entrarem, pegar os ingressos de volta para poder vendê-los novamente. Foi incrível. A New Wave acabou porque começou a vir outros tipos de música. E eu comecei a espalhar muito as minhas casas. Com uma, duas, dá para controlar. Com 10 não dava, não tinha 10 pais nem 10 mães para

Foto: erbs jr.

Jorginho no plenário da Câmara: presidente acredita que a cidade vem se tornando melhor há 10 anos. Rocha foi pioneiro como DJ e promotor de eventos, e as décadas de 1970 e 80 foram especiais para ele: embalado por Barry White e Bee Gees, Jorge foi testemunha das transformações da cidade e hoje é um dos seus importantes personagens.

me ajudar. Fui diminuindo, fiquei com quatro. Mas perdi público para as ingrejas evangélicas. Foi no começo da década de 1990. Mas ainda tem a Prime, que reúne o que tem de melhor no ramo, não fica nada a dever às boates da Barra da Tijuca”. SENTIMENTO PELA CIDADE “Hoje não tem mais aquele medo em Itaguaí. Ser presidente da Câmara não é fácil, mas também não é difícil. Tudo agora está mais sereno, tranquilo, e faço o que eu posso. Resumindo: Itaguaí é tudo de bom”. itaguaí 194 anos | O FOCO

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VISÕES DA CIDADE

O homem do dedo

Morador da cidade há mais de 60 anos, Ichiki Watanabe relembra a Itagua

A simplicidade é a característica mais marcante de Ichiki Watanabe. Sentado em seu banquinho improvisado no viveiro de mudas, o japonês naturalizado brasileiro conta os segredos de uma boa plantação e da importância de comer bem, além de revelar incríveis histórias sobre a Cidade do Porto de mais de 60 anos atrás. 22

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Vim de Santa Cruz para Itaguaí de carroça com um de meus irmãos, só com um colchão, umas panelas e as ferramentas de trabalho”

o verde

aí que poucos conheceram

Por Caio Assis

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omo no clássico literário de Maurice Druon, “O menino do dedo verde” (1957), Ichiki Watanabe transforma em vida toda terra que cultiva. Agricultor desde os 1939, o japonês naturalizado brasileiro cuida sozinho do viveiro de mudas da prefeitura e conta que o segredo está na preparação da terra — técnica que domina com perfeição. Casado e pai de três filhos, Watanabe revela também o segredo da juventude: “planto e como muita verdura. Tenho 86 anos e ainda trabalho” — afirma. CHEGADA DE CARROÇA “Vim para o Brasil em 1934 — para o estado do Pará —, pois o Japão passava por uma situação muito difícil, e o governo mandou um monte de gente para o exterior. Três anos depois fui morar em São Paulo. Em 38 cheguei em Santa Cruz, onde estudei um pouco e comecei a trabalhar na roça. Cerca de sete anos depois, me mudei para Itaguaí para ampliar o serviço, pois o espaço estava pequeno para a plantação, e aqui tinha muita área disponível. Vim com meu irmão de carroça, só com um colchão, umas panelas e as ferramentas de trabalho”.

Foto: erbs jr.

MERCADO, SÓ DE CAVALO E BURRO “Quando cheguei aqui, Itaguaí tinha praticamente só a estação e um armazém. Onde hoje é o calçadão, existia um caminho todo formado por Maricá (árvore). Tinha também uma enorme fazenda chamada Arapucaia Guassú, cujo dono era um português. A fazenda ficava onde hoje é o bairro do Engenho e foi lá que comprei meus primeiros 20 hectares de terra. O Centro também não era no mesmo lugar, ficava onde entra para Piranema e tínhamos que ir até lá para fazer compras no mercado. Só que era tão longe que só dava pra ir de cavalo ou burro. Aliás, era assim que transitávamos por Itaguaí naquele tempo”. OS TOMATES E A VISITA DE VARGAS “Planto tomate há mais de 60 anos. Comecei quando tinha 13 anos e ainda morava em Santa Cruz. O governo queria aumentar a produção de verduras para abastecer o Rio,

então, o ministro da Agricultura da época chamou as colônias japonesas para plantar. Conseguimos umas sementes de São Paulo e começamos. Também criamos um tipo de tomate, o ‘Tomate Santa Cruz’. O sucesso da plantação foi muito grande e logo no primeiro ano ficamos conhecidos por isso. Todos os dias saiam muitos caminhões levando o nosso produto para a capital. As pessoas se perguntavam: “como pode?”. A situação estava tão boa que Getúlio veio no meu sítio conhecer a plantação”. TRABALHO NA SECRETARIA “Em 2008 com o aniversário de 100 anos da imigração japonesa, fiz uma exposição de tomate e pimentão para mandar para o Rio de Janeiro. O prefeito gostou e pediu para fazer uma para Expo do ano seguinte e em 2010 fiz mais uma vez. Não sou obrigado a trabalhar, a lei nem permite isso, pois já tenho bastante idade. Mas é bom, pois trabalho como quero, não preciso ficar amarrado, e foi isso que ele disse para mim, ‘trabalhe como o senhor quiser’. Então faço do meu jeito, vou embora na hora que quero ir, venho na hora que quero também. Mas não deixo ficar abandonado, 6h30 já estou aqui para regar a plantação”. O SEGREDO DO TRABALHO “Percebo que é muito curioso o fato das pessoas chegarem aqui sem nunca ter visto uma fruta carregada. Elas só conhecem os legumes do supermercado e só comem estes, que são cheios de agrotóxico. E a verdura é muito importante. Planto e como muita verdura e o resultado disto é que estou com 86 anos e ainda estou trabalhando”.

Meu pai começou a plantar tomates quando eu tinha 13 anos. O sucesso da plantação foi tão grande, que Getúlio Vargas veio ao meu sítio conferir” DESASTRE EM 65 E PROGRESSO ATUAL “Na década de 1960, Itaguaí estava em um progresso muito bom. Até comprei minha casa no embalo disto, em 1962. No entanto, em 1965 veio uma tromba d’água e devastou as plantações da cidade. Hoje, o dinheiro de Itaguaí fica em Itaguaí, e isto resulta em um novo grande progresso de novo”. itaguaí 194 anos | O FOCO

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VISÕES DA CIDADE

Braçadas para o futuro Campeão pode levar Itaguaí às águas do mundo

Por Carol Santana

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ma sugestão médica revelou um potencial campeão para as piscinas mundo afora: com mais de 100 medalhas em seu quadro pessoal, Matheus César Cunha da Silva Freitas destaca-se em diversas modalidades de nado e mostra-se preparado para ser um eterno campeão dentro e fora d’água. Nascido e crescendo na cidade, Matheusinho já consegue traçar objetivos e metas para sua vida profissional, além de se identificar com a cidade que representa em suas competições, Itaguaí.

NASCE UM ITAGUAIENSE “Não me lembro de histórias de Itaguaí quando eu nasci, mas sei que a cidade cresceu bastante. Não queria nascer em outro lugar”.

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VOCAÇÃO PARA PEIXE “Tinha problemas respiratórios e o médico indicou a natação para me ajudar a melhorar. Meus pais ficaram em dúvida porque era inverno e eu era muito novo, tinha dois anos, mas gostei desde o primeiro mergulho nunca tive medo e nem me afoguei, só que enjoei e com cinco anos não quis mais nadar. Fiquei um ano longe da natação, mas acabei voltando e comecei a competir. Hoje é o que mais gosto de fazer, e é o que quero continuar fazendo”. BRINCADEIRA TEM HORA “Não sou bagunceiro, mas sou um pouquinho agitado. Fora a natação eu gosto de jogar futebol, mas não deixaria de nadar para jogar. Nas horas vagas eu gosto de vídeo-game. Sempre que não tem nada mais im-

Sonho disputar as Olimpíadas e trazer medalhas para casa. Em 2016 eu ainda não vou ter idade para a competição, mas em 2020 vou estar representando Itaguaí“ portante para fazer eu estou jogando. Tenho muitos jogos de luta, aventura, corrida e futebol. Também gosto de carrinhos, meu brinquedo preferido é carrinho de controle remoto, gosto de bola também. Como toda criança, gosto muito de encontrar com meus amigos para brincar, mas tenho horários. Acordo cedo, me alimento bem, adoro salada. Treino quase duas horas todos os


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Matheusinho tem no olhar a inocência de uma criança, mas a determinação e o brilho de alguém que sabe muito bem o que quer. Aos 10 anos, o itaguaiense que soma conquistas e bons resultados em competições sonha ser um grande atleta profissional para representar Itaguaí e o Brasil nas piscinas do mundo afora.

dias em várias modalidades. Quando volto vou para a explicadora e depois para escola. Tem também o curso de inglês e toda quarta-feira vou à igreja. É muita coisa, mas eu gosto do que eu faço”. PROFISSÃO: ESTUDANTE “Eu estou no quinto ano e o nome da minha escola é “Ursinhos Carinhosos”. Quem escuta acha que é mais brincadeira, aulas de criança, mas não é fácil estudar lá. Eu gosto de Ciências, acho uma matéria legal. Não gosto de Matemática porque é muito difícil, mas tenho boas notas. Tenho muitos amigos na escola e tinha uma namorada, mas terminei porque ela era muito ciumenta, só queria ficar no meu pé o tempo inteiro”.

CAMPEÃO MUNDIAL “Sou federado pelo Botafogo há dois anos e disputo competições pelo clube. Às vezes no final de semana quando não tem competição, vou lá treinar. Meus ídolos são o César Cielo e o Michael Phelps, são os melhores do mundo. Quero ser como eles, treino muito. Penso sempre que tenho que melhorar, nadar mais rápido. Tenho bastante incentivo e sonho disputar as Olimpíadas, competições grandes e trazer medalhas para casa, conseguir representar o Brasil e minha cidade pelo mundo. Quando vou competir já falo que sou de Itaguaí”. MEU LUGAR “É difícil pensar em um lugar que eu gosto. Adoro praia, mas aqui não tem. Gosto das praças que têm espaço para brincar, mas tem pou-

cas. Me divirto no shopping também, sempre que vou compro muitos brinquedos. Não gosto da praça do Sase, é deserta, escura, um lugar estranho para ficar”. UM PRESENTE PARA CIDADE “Não faço ideia de um bom presente. De repente uma medalha de ouro de uma grande competição”.

ITAGUAÍ DOS SONHOS “Acho que no futuro a cidade vai estar ainda maior. Quero uma cidade com muitos espaços e incentivo para praticar esportes e brincar; mais desenvolvida em educação, saúde e segurança. Acho que é assim que eu espero que seja Itaguaí quando eu crescer. Uma cidade boa para todo mundo”. itaguaí 194 anos | O FOCO

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Itaguaienses „ VEREADORES Vicentinho: Pastor Claudio Pereira Rocha e Dr. Eduardo da Silva Figueira; Toni Coelho: Gilberto Correa Lopes e Eurico da Silva Valle; Lenilson: Robson Ubirajara de Souza Brito e Ericsson Glaucio Ribeiro de Lima; Beto da Reta: Luciano de Oliveira Vidal e Dr. Kazuhiro Kajishima; Márcio Pinto: Gilberto Rocha Cezar e Angelo Francisco Lucas; Abelardinho: José Antunes Cardozo e Paulo Cesar Gomes da Silva; Jorginho do Charlinho: Thor de Oliveira Furken Batista e Dr. Bruno Calfat; Carlos Kifer: Willians Moreira Vargas e João Tomiazzi Netto; Nisan César: Alzemiro José da Rocha e Maria das Graças Carvalho Gabriel; Silas Cabral: Cel. Ernani da Mota Leal e Joaquim Abreu Dias; Robertinho: Fernando Stein Kuchenbecker Junior e Clei da Silva Alves. „ MESA DIRETORA Ranulfo Brandão Souza Filho; Fernando Rosadas Barbosa Machado; Romulo Artur Costa; Marcelo Fontes; Marco Aurélio da Costa Abade; Katia Oliveira Araujo; Ronaldo Jorge da Silva; Pastor Jesuel Antonio Prado; Osvaldo Medeiros; Edmar de Araujo Jupy Junior; Antonio Roberto Martins Junior; Ronaldo Luís Alonso; José Ferreira Leão; Luiz Cláudio Linhares; Ana Beatriz Paiva dos Santos Barreto da Silva; José Sarte Benevides; Pastor Francisco Pedro Mafra Silva; Maria da Conceição Oliveira da Silva; Rogério Ferreira; Delcio Dallier; Laudinice Gualter Brito; Savio Mafra; José Ary de Castro Silva; Dr. João Gameiro Miragaya; Marcelo de Souza Fernandes Nunes; Fernando de Galvão e Albuquerque Montenegro; Maria das Graças da Rocha Costa; Pedro Paulo Torres Brasil.

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Por Jupy Junior

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ela primeira vez aconteceu de manhã: a tradicional Sessão Solene da Câmara Municipal de Vereadores de Itaguaí inovou neste ano e reuniu autoridades e populares que foram receber ou conferir a entrega de uma honraria: o título cidadão itaguaiense. A Sessão aconteceu a partir das 11:45h do dia 5 de julho — data do aniversário da emancipação político-administrativa — e contou com diversas autoridades e plenário cheio. Dentre os homenageados, pessoas que no seu dia a dia fazem a diferença, contribuem para o bem-estar de muitos e para o desenvolvimento de Itaguaí. Foram selecionadas 50 pessoas para receber o título [ver lista ao lado], e dentre os homenageados há pastores, comerciantes, autoridades policiais e do ramo da educação etc. O presidente da Câmara confessou à audiência que estava nervoso e emocionou-se ao evocar a união entre os vereadores da Casa.

DISCURSOS O presidente da Câmara, Jorge Luis da Silva Rocha (Jorginho do Charlinho, PV) abriu desta maneira a Sessão: “Hoje é um dia muito especial para nós itaguaienses porque o município de Itaguaí completa 194 anos e esta data se reveste da mais alta importância, pois retrata os anos de luta e sacrifício do nosso povo em prol do progresso, da melhor qualidade de vida, do engrandecimento desta terra, da preservação da nossa história e cultura”. Em seguida, o prefeito Carlo Bussato Junior (Charlinho) pediu reflexão para lembrar que há sete anos, quando ele assumiu a prefeitura, havia baixa auto-estima dos itaguaienses, e que o momento atual modificou esse sentimento. “As necessidades continuam” — disse ele, que se perguntou: “será que fui útil neste ano?”. Em seguida, ele declarou que teve comprometimento total em tentar melhorar a vida dos cidadãos. A deputada estadual pedetista e primeira-dama de Itaguaí, Andréia Cristina Marcello Bussato, também discursou e disse que teve uma emoção maior neste ano pelo fato de que Itaguaí a cada dia alcança maior destaque no estado do Rio de Janeiro. Andréia também se disse satisfeita ao constatar que a união dos poderes públicos facilita a execução dos projetos que beneficiam a população. “Quero parabe-

Hoje é um dia especial para nós porque comemoramos 194 anos. A data retrata os anos de luta e sacrifício do nosso povo em prol do progresso da cidade” erbs jr.

Lista de Agraciados

Câmara concede títulos de cidadão itaguaiense a 50 pessoas. A tradicional Sessão Solene foi pontuada por emoção e por gente que ama a cidade

JORGE LUIS DA SILVA ROCHA, presidente da Câmara, no seu discurso de abertura


FESTA E HONRA

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de coração e alma

Várias autoridades e personalidades importantes compareceram ao tradicional evento da Câmara: o delegado titular da 50ª DP, Júlio Cesar Vasconcellos; o ex-secretário de Indústria, Esporte, Turismo e Eventos, Alexandre Valle; a secretária municipal de Educação e Cultura, Laudinice Brito; e o comandante do 24º Batalhão de Polícia Militar, Comandante Ranulfo Brandão. Os dois últimos também receberam títulos de cidadão itaguaiense. nizar todos os que recebem hoje o título de cidadão itaguaiense, como eu, que um dia recebi uma certidão de nascimento da cidade de Itaguaí. Nós somos filhos adotivos, mas fomos escolhidos por ações que fizemos em prol de uma cidade” — declarou a deputada. ESCOLHAS DOS VEREADORES O título de cidadão itaguaiense é conferido anualmente, e a reportagem quis saber do presidente Jorginho quais são os critérios para eleger os agraciados. “São critérios pessoais” —

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Foto histórica: todos os agraciados reunidos no plenário

Agraciados perfilados na primeira fila: emoção

respondeu Rocha, e continuou: “mas é razoável que se escolham pessoas que de alguma maneira colaboram com Itaguaí, fazem-se presentes e proporcionam melhorias e bem-estar para a população”. O vereador Silas Cabral (PV), que já presidiu seis Sessões Solenes, lembrou que a cerimônia já teve alto teor político, principalmente no período histórico marcado pela disputa entre Arena e PMDB. Os títulos são distribuídos da seguinte forma: cada vereador indica duas pessoas (o que totaliza 22) e a Mesa Diretora (reunião dos vereadores) indica os outros 28 homenageados.

PREFEITO RECEBE COMENDA MÁXIMA Além dos 50 títulos de cidadão itaguaiense, a Câmara concedeu a Medalha São Francisco Xavier (padroeiro de Itaguaí) ao prefeito Carlo Bussato Junior, honraria máxima do município. Embora visivelmente emocionado, o prefeito Charlinho talvez tenha ficado tímido e não quis discursar. O presidente Jorginho disse que a honraria foi aprovada por unanimidade pelos vereadores, e mais uma vez comemorou a união entre o Executivo e o Legislativo. itaguaí 194 anos | O FOCO

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FESTA E HONRA

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Vereador Vicentinho O vereador peemedebista Vicente Cicarino Rocha destacou um personagem da cidade que fez parte da sua infância. Da mesma maneira, Rocha, com uma das suas escolhas, enfatizou os valores do comprometimento social e da caridade via espiritualidade, pois escolheu um pastor. Vicente declarou: “Pastor Cláudio está ligado às questões humanísticas e também é alguém que vê o lado poético da vida, uma das poucas pessoas que conheço que tem esses valores na vida. Conheço-o desde minha infância, quando ele foi jardineiro na casa dos meus pais. Hoje, a rua em que a igreja dele está situada tem tráfico de drogas e uma grande quantidade de pessoas que precisam da ajuda e da palavra de pessoas que falem de Deus. E ele faz um grande trabalho social lá. Por isso, ele é muito importante para a população de Itaguaí”.

A transformação do ser pelo divino Por Janaína Michalski

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m Itaguaí há mais de 30 anos, o Pastor Cláudio Pereira Rocha nasceu em Caratinga, Minas Gerais. Veio para a cidade ainda criança, com toda a família, em função do trabalho do pai. Pastor há 16 anos, ele se divide entre a profissão – como encarregado de pintura em obras – e a Igreja Assembleia de Deus da Rua 18. Às sextas-feiras e aos domingos, os cultos liderados por ele ficam lotados, chegam a receber entre 200 e 250 pessoas. Junto a uma equipe que trabalha fora da igreja, em tendas de oração na rua, o pastor evangeliza e busca recuperar pessoas viciadas em drogas. “Minha igreja tem uma parceria com o Centro de Recuperação Varão de Guerra. Da rua, muitas pessoas acabam acei-

Desde criança o pastor Cláudio sente-se itaguaiense

tando participar do culto dentro da igreja”— conta. Com duas filhas e um filho nascidos em Itaguaí, o pastor diz, sorrindo, que se sente itaguaiense e que o título de cidadão é uma alegria tanto para o coração dele quanto para o coração da família. Cláudio Pereira desenvolve um trabalho com jovens que, de alguma maneira, infelizmente, estão ligados ao mundo das drogas. A indicação para o título de cidadão reforça o compromisso desse homem que já salvou muitas vidas. “A alegria de receber o título é ainda maior quando percebemos que através da palavra de Deus e do incentivo que damos muitas pessoas têm sido abençoadas, como eu fui. Também fui viciado em drogas. Sou um testemunho vivo do que Deus pode fazer na vida de alguém” — afirmou o Pastor.

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FESTA E HONRA

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Vereador Toni Coelho O vereador do PSD Toni Coelho destaca o trabalho de um corretor de imóveis que atua há muito tempo na cidade. Para Toni, é um trabalho de fundamental importância, uma vez que a cidade progride e as pessoas precisam de lugar para morar. A respeito de um dos seus escolhidos, Coelho declarou: “Embora não seja nascido em Itaguaí, Seu Valle é uma pessoa de grande importância no crescimento do município. Ele é do ramo imobiliário e tem facilitado a vida de muitas pessoas no que diz respeito ao convênio com a Caixa Econômica Federal, para que as pessoas possam comprar suas casas próprias. Ele mora em Coroa Grande, mas é um senhor muito simpático e muito querido aqui na região. É uma pessoa que contribuiu muito e continua contribuindo para o desenvolvimento da cidade”.

O corretor que investe na cidade Por Janaína Michalski

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Seu Valle demorou a acreditar no crescimento de Itaguaí

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alguém menciona Eurico da Silva Valle quase ninguém sabe de quem se trata. Mas o “Seu” Valle da imobiliária é figura conhecida por toda Itaguaí. O corretor de imóveis nasceu em Belém do Pará. Chegou ao Rio de Janeiro há 46 anos, onde teve diversos escritórios e negócios imobiliários no centro da cidade. Há 16 anos ele soube das possibilidades de desenvolvimento de Itaguaí por um amigo, mas conta que devido à pouca estrutura da região na época ficou um pouco desconfiado e pensativo até decidir instalar-se por aqui: “Um amigo me trouxe prá cá. Olhei para um lado, olhei para o outro, tomei coragem e fiquei” — conta. A decisão rendeu frutos extraordinários. “Abri uma filial, que já

vendeu mais de dois mil terrenos aqui na região e está todo mundo construindo. Estou muito feliz com isso, porque realmente eu cresci junto com eles” — disse o corretor durante a solenidade de entrega do título de cidadão de Itaguaí. Sobre o título de cidadão itaguaiense, Seu Valle diz-se muito alegre por dois motivos. “Primeiro porque eu procuro honrar a minha profissão de corretor. Segundo por perceber que cresci junto com a cidade, onde moro com minha família. Isso, para mim, é importante. Tenho dois filhos adultos, casados, que moram no Rio, mas que são sócios comigo. Estão sempre por aqui. A firma Valle Vende Imóveis Ltda é familiar” — orgulha-se ele, que, como vários, escolheu Itaguaí para viver e crescer.


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Vereador Lenilson O vereador do PR Lenilson Paes Rangel tem como um dos seus homenageados um homem que dedica sua vida à compreensão dos mistérios do divino. Robson Ubirajara faz da Teologia uma motivação na vida, e no entendimento do parlamentar, é preciso atentar para as pessoas que, de alguma forma, produzem bem-estar. Quer seja pela caridade propriamente dita, quer seja pela vasta cultura que é utilizada em prol dos mais necessitados. Lenilson declarou: “O Robson é uma pessoa de cultura muito vasta e de uma fantástica dedicação às pessoas mais carentes dentro Itaguaí. Ele está sempre de braços estendidos para contribuir com quem precisar. Por tudo o que o Pastor representa dentro do município, tenho um carinho todo especial por ele e não poderia deixar de honrá-lo com um título desse”.

Por Janaína Michalski

O pastor Robson tem alunos de Teologia em 12 países

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fotos ERBS JR.

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ascido no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, o pastor Robson Ubirajara de Souza Brito passou a infância em Niterói, mas ganhou o mundo a partir do seu trabalho em Itaguaí. Chegou à cidade há 33 anos, trazido pelo ministério pastoral, e suas ideias eram ambiciosas, porém perfeitamentes possíveis, como ele mesmo conta: “Eu tinha o sonho de criar um curso de Teologia que atendesse não apenas Itaguaí, mas o Brasil inteiro. Hoje, para minha surpresa, por um sistema on line de cursos, tenho alunos em todos os estados do país e em mais 11 outros países”— explica o estudioso. Reitor e professor da Faculdade Trans-Americana de Teolo-

gia, o pastor possui muitos títulos acadêmicos e conta, com orgulho, que também boa parte dos pastores batistas de Itaguaí passou pelo Seminário dele. Desta forma, é razoável supor que a religiosidade do município depende muito das discussões que o teólogo promoveu, graças aos seus encontros. Hoje, a Igreja Batista em Itaguaí tem nele uma forte referência. Quanto ao título de cidadão do município, ele considera o recebimento justo. “Itaguaí não é mais a mesma de 30 anos atrás e eu acompanhei essa trajetória. Existe um ditado de Salomão, que diz: ‘Se a cidade prospera, os habitantes prosperam também’. Para mim, as perspectivas desta cidade sempre foram grandes e nós atingimos os horizontes que queríamos. Estou muito feliz com o título. Sinto-me abençoado.”

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Os mistérios de Deus e a caridade

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FESTA E HONRA Vereador Beto da Reta

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O vereador peemedebista Beto da Reta destaca, dentre os seus indicados a receber o título de cidadão itaguaiense, o administrador da Unidade de Pronto Atendimento de Itaguaí. Desta forma, o parlamentar enfatiza a importância de alguém que luta para manter a saúde dos cidadãos, principalmente dos que mais precisam. Beto, cujas preocupações com a saúde dos itaguaienses é constante, explica: “Além de ser uma pessoa maravilhosa, um homem de bem, o Dr. Kazuhiro realmente trabalha pelo nosso município. Ele é dedicado 24 horas por dia à saúde, de coração. As pessoas mais carentes são as que ele procura ajudar mais e da melhor forma possível. A saúde é um problema no Brasil inteiro, mas quando estamos perto dele, não pensamos isso. Por isso, acredito que ele é merecedor do título”.

Saúde sempre em primeiro lugar Por Janaína Michalski

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arinhosamente chamado de Doutor Kazu pela população de Itaguaí, o Clínico Geral Kazuhiro Kajishima fez o mesmo percurso de uma expressiva parte da população itaguaiense: veio há 10 anos para trabalhar Hospital São Francisco e nunca mais foi embora da cidade. Ele casou-se com uma itaguaiense e constituiu família: o casal tem uma filha de três anos e está à espera do segundo filho. “Acabei ficando aqui”— diz, deixando transparecer um pouco de timidez. No entanto, a história dele com a região vem desde a infância, e ele também mostra que sua relação com a cidade é uma herança de família: “Sou do bairro de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, mas grande par-

Dr. Kazu divide-se entre a UPA e o Corpo de Bombeiros

fotos ERBS JR.

Galeria de Fotos

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O FOCO | itaguaí 194 anos

te dos meus familiares, da família Kajishima, já moram há bastante tempo aqui em Itaguaí. Quando criança, eu passava todas as férias escolares aqui. Além do meu tio e dos meus avós, que plantam goiaba em Mazomba, tenho outros familiares conhecidos que trabalham aqui” — conta ele. Ao Dr. Kajishima o título de cidadão itaguaiense foi dado principalmente pela contribuição profissional como Diretor da UPA de Itaguaí, função que ele exerce ao mesmo tempo em que é Bombeiro Militar do Departamento de Socorro e Emergência de Santa Cruz. Portanto, ajudar pessoas é parte do cotidiano do Doutor Kazu. Emocionado com a homenagem, sobre o recebimento do título só disse: “Não sou filho da cidade, mas adotei a cidade e me sinto adotado por ela também”.


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FESTA E HONRA

O vereador do DEM Márcio Pinto uniu a arte de cantar à religiosidade como destaque das homenagens que fez neste ano ao conceder títulos de cidadão itaguaiense. Para o parlamentar, o cantar em louvor a Deus é um trabalho de suma importância para que as pessoas possam ter um canal com o divino de forma ainda mais intensa. Ele explica: “A cantora gospel Beatriz faz um trabalho muito importante nas igrejas aqui de Itaguaí. Ela é uma ferramenta de Deus para propagar os ensinamentos do evangelho para a população. E veja que interessante: ela não vai a uma igreja só. Está em todas as igrejas, independente das situações de cada uma. Por isso eu a considero merecedora desse título, e também por encaminhar bem os nossos jovens e os nossos adultos por um caminho de paz e de prosperidade”.

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Vereador Márcio Pinto

Por Janaína Michalski

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ela altura e pelo carisma de artista – bem arrumada e sempre sorrindo – não foi difícil encontrar a cantora Beatriz entre os homenageados da Câmara dos Vereadores. Por onde passa, sua presença impacta. Sobre sua origem, ela diz-se “carioca da gema”, do bairro de São Cristóvão. Não mora em Itaguaí, mas há 10 anos está sempre por aqui, a trabalho. “Também tenho muitos amigos, entre pastores e igrejas que amo. E amo também povo de Itaguaí. Estou me sentindo honrada com o título de cidadã daqui. É muito lindo quando há um reconhecimento do nosso trabalho. Estou muito feliz. Muito mesmo” — disse, emocionada. Para contar que quando chegou à cidade, a estrada principal não

era das melhores, Beatriz usa um jargão evangélico: “A estrada era uma benção. Só Jesus!” — explica, e ela orgulha-se de dizer que viu com os próprios olhos o quanto a estrada e a cidade melhoraram nos últimos anos. A respeito da característica profissional — de não fazer distinção entre os espaços religiosos, para os quais é chamada a apresentar-se — a cantora, justifica, transbordando generosidade: “Sou uma levita do Senhor, integrante da Assembleia de Deus, mas canto em todas as denominações evangélicas e até nas igrejas católicas. Outro dia um padre me chamou para cantar e eu fui com o maior carinho. Nós somos missionários, estamos aqui para levar a palavra de Deus, independente de raça ou denominação. É para isso que nós existimos”.

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A arte de cantar para o Senhor

Beatriz: “Sou uma levita do Senhor”


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Vereador Abelardinho O vereador peemedebista Abeilard Goulart (Abelardinho) destaca, com um dos seus homenageados, de 83 anos, uma parcela importante da população que merece toda a atenção do poder público, e — por que não dizer? — de todos. José Antunes Cardozo representa a Terceira Idade de Itaguaí, ou, como muitos preferem chamar, a “Melhor Idade”. O parlamentar explica: “Seu Cardozo é um senhor que contribui muito para nosso projeto social, voltado para a Terceira Idade, de prevenção, saúde e qualidade de vida. Todas as manhãs ele passa de bicicleta na padaria do bairro Califórnia, pega 100 pãezinhos e leva para a minha casa, onde passarmos manteiga e levamos para o café da manhã da Terceira Idade. Ele é mais que merecedor de um título de cidadão”.

Exemplo de vitalidade e energia Por Janaína Michalski

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senhor José Antunes Cardozo, é um aposentado, exemplo de lucidez e vitalidade. Tem 83 anos e é natural de São Fidélis, cidade que fica no norte do estado do Rio de Janeiro e pertence a uma região marcada pela tradicional produção de cachaça. Foi comercializando este produto que ele conheceu Itaguaí, há muitos anos. “Trabalhei por 17 anos no comércio do Rio e há 15 vim de São Fidélis em busca de serviço. No interior existe pouco trabalho”— destaca ele, que mesmo aposentado, diz que “precisa trabalhar”. Além de participar do projeto social da Terceira Idade em Itaguaí, ele está sempre disponível para o serviço que surgir: “Já fiz trabalhos de pedreiro e agora aju-

Seu Cardozo quer ficar para sempre em Itaguaí

do um marceneiro. Estamos reformando uma loja aqui no centro”— conta ele, que também opera máquinas e coordena o bloco de carnaval “Me Beija que Eu Gosto” (da Vila do Ibirapitanga) do qual foi um dos fundadores, em 1960. “Nosso bloco sempre ganha o primeiro lugar” — orgulha-se. Sobre o título de Cidadão de Itaguaí, entre duas pequenas lágrimas, Seu Cardozo tentou descrever a emoção: “Me sinto muito honrado. Sou divorciado. Minha ex-mulher vive com a filha porque ela não pode morar sozinha, e meus filhos moram em Santa Cruz e em Campo Grande. Moro sozinho em Itaguaí. Sou muito feliz vivendo aqui, acho um lugar tranquilo. Meus filhos quiseram me levar para perto deles, mas pedi para me deixarem, porque estou satisfeito. Muito satisfeito”.

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FESTA E HONRA

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Vereador Jorginho do Charlinho Assim o presidente da Câmara, Jorge Luis da Silva Rocha (Jorginho do Charlinho, PV), justificou a escolha de Thor Batista para o recebimento de um dos títulos de cidadão itaguaiense: “O empreendimento que a família do Thor tem em Itaguaí, o Superporto Sudeste, gera emprego para mais de 3,5 mil trabalhadores. Quando a pedra fundamental do Superporto foi lançada, na Ilha da Madeira, fiquei encantado quando o pai dele, Eike Batista, disse que a ideia do empreendimento tinha sido do filho. A previsão é que o Superporto movimente até 100 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Por isso, vejo esse título de Cidadão Itaguaiense como uma espécie de retribuição por tudo o que o grupo EBX está trazendo de desenvolvimento socioeconômico para a nossa região”.

Título para herdeiro dos Batista Por Janaína Michalski

reprodução internet

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or meio da Assessoria de Imprensa do Grupo EBX, Thor de Oliveira Fuhrken Batista, filho do empresário Eike Batista, disse: “Agradeço e me sinto honrado em receber tal homenagem de Itaguaí. O município terá no ano que vem um dos principais empreendimentos do Grupo EBX, o Superporto Sudeste. Sobre a expectativa do Grupo para este empreendimento, o Grupo EBX, por meio da MMX, empresa de mineração, está investindo R$ 2,4 bilhões na construção do Superporto Sudeste, com a geração de 760 empregos diretos quando entrar em operação, no primeiro trimestre de 2013. O Superporto Sudeste é um terminal portuário privativo de uso misto (para cargas próprias e de terceiros) dedi-

Thor foi homenageado pela Câmara, assim como seu pai

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cado exclusivamente à movimentação de minério de ferro. Sua localização estratégica representa a menor distância entre os produtores de minério de ferro de Minas Gerais e o mar”. A MMX tem patrocinado cursos de qualificação profissional a fim de contribuir para o crescimento de mão de obra capaz de suprir não só as demandas do Superporto, mas também de outros empreendimentos locais. O vereador Jorge Luis da Silva Rocha (Jorginho do Charlinho, PV), presidente da Câmara Legislativa de Itaguaí, disse que se lembra de Thor Batista no evento de lançamento da pedra fundamental do porto. Quem recebeu o título de cidadão das mãos do presidente foi Luciano Ferreira, diretor de implantação e operação do Superporto Sudeste na Ilha da Madeira.


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Vereador Carlos Kifer O vereador do PP Carlos Kifer decidiu escolher como um dos seus homenageados um homem que veio para Itaguaí para transformar a madeira em vida. A arte da marcenaria é mágica pelas mãos de Seu José, e ele pode ser definido, como os estadunidenses chamam, de self-made-man (em tradução livre: “homem que fez por si”), pois decidiu não ser mais empregado e ajudar a cidade empregando pessoas. O parlamentar assim declarou, a respeito do seu entrevistado: “Seu José Ary é mineiro, veio morar em Itaguaí, constituiu família, abriu um comércio, gerou empregos e está na cidade há muitos anos. É um morador antiquíssimo daqui e a marcenaria dele é familiar e quase artesanal. Eu o vejo com um perfil de ser um filho da cidade, já que adotou Itaguaí”.

O homem que cresceu com a cidade Por Janaína Michalski

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O segredo do sucesso de Seu Zé Ary: trabalhar em família

eu José Ary de Castro Silva nasceu em 1940, na cidade de Curvelo, no norte Minas Gerais. Foi lá que ele aprendeu a arte da marcenaria. Depois de casado, com três filhos, achou que em Minas não havia muito campo de trabalho e partiu em busca de novas oportunidades. Antes chegar a Itaguaí, em 1979, passou por São Paulo e Resende. Aprendeu novas técnicas nessas cidades, mas foi aqui que encontrou o que almejava: “Me propus a não ser mais empregado. Queria trabalhar por conta própria e Itaguaí estava se desenvolvendo muito por conta desses condomínios de Angra, que estavam começando. Então tinha muito serviço na minha área” — conta, destacando que

passar de prestador de serviços a empresário não foi nada fácil: “Fui comprando uma máquina aqui, outra ali, à prestação”. Hoje tem 18 funcionários — que prefere chamar de colegas de trabalho — e nos últimos anos formou duas turmas de jovens aprendizes. A empresa é familiar: esposa, genro e filhas trabalham, orgulhosos, com Seu Zé Ary. Sobre o fato de ser cidadão itaguaiense a partir de agora, ele acha correto porque não veio à cidade a passeio: “Vim de Resende para ficar. Embora trabalhasse muito no Rio e em outras cidades, eu sempre morei aqui e não tenho intenção de sair. E vou te dizer: acho que Itaguaí só está no começo do seu desenvolvimento” — sentencionou o marceneiro, em grande estilo.Seu Zé Ary, além de investir na cidade, investe também em pessoas.

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FESTA E HONRA

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Vereador Nisan César O vereador do PSD Nisan César escolheu como destaque das suas homenagens uma empresária que há muitos anos vive em Itaguaí e que ajuda a construir uma cidade melhor. O seu negócio movimenta a economia local e ajuda a tornar Itaguaí uma referência quando se trata de produtos voltados para a alimentação. O parlamentar explica: “Pelo tempo que Dona Maria das Graças está na cidade, pela sua lisura, sua competência, sua honestidade, pela família maravilhosa, pelos filhos e filhas que ela soube criar e principalmente por ser uma pessoa que desenvolve um trabalho muito grande na nossa cidade, através da empresa dela, que melhora a economia da cidade, emprega pessoas, gera renda e leva o nome de Itaguaí para todo o nosso estado. Por tudo isso, dedico a ela esse título. Talvez atrasado”.

Por Janaína Michalski

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chegada da senhora Maria das Graças Carvalho Gabriel a Itaguaí, em 1996, foi estratégica. Ela descobriu que o Rio de Janeiro era um estado consumidor de linguiças. Então saiu da cidade de Além Paraíba, em Minas Gerais, para montar o seu negócio aqui. Ela começou em uma fábrica de 9 metros quadrados, passou para dois prédios de três andares e, hoje, com 60 funcionários, prevê para este mês uma grande mudança para um local com três mil metros de área construída, numa área de 16 mil metros quadrados. O tamanho do terreno é uma demonstração do quanto o trabalho árduo pode render bons frutos para os negócios e para a terra. Em meio à obra da nova sede, a elegância de Dona Graça se des-

taca e ela conta que está para receber maquinários muito modernos. Assim, a atual produção de oito toneladas de linguiças por dia será incrementada com novos produtos, e muito mais toneladas, segundo ela, virão. Para ela, o título de cidadã de Itaguaí é uma grande alegria: “Eu adoro Itaguaí, se eu tivesse que escolher uma cidade para morar, escolheria Itaguaí novamente. Gosto muito daqui. Meu sentimento é de ter sido nascida e criada aqui. Torço muito pela cidade, que ela cresça cada vez mais. Quando vim para cá, a cidade era muito caidinha. Hoje, pelo que vejo, está em franco desenvolvimento. Graças a Deus sou muito feliz aqui” — pontua a empresária de sucesso que adotou a cidade como sua e investe cada vez mais.

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Empresária movimenta economia

Dona Graça, na nova sede da fábrica Família de Minas


Vereador Silas Cabral

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O vereador do PV Silas Cabral destaca o trabalho de uma família que está na cidade há muitos, muitos anos. Eles trabalham com alimentação, e o vereador lembra com carinho da dedicação de todos os componentes para sempre prestar o melhor atendimento aos consumidores. O parlamentar justifica: “Escolhi a Dona Conceição porque ela está no município há mais de 30 anos. O pai dela foi um português queridíssimo, que veio prá cá há muito tempo, montou um pequeno bar, que foi crescendo e a família investiu tudo o que ganhou aqui mesmo: fizeram o posto de gasolina, fizeram o restaurante, vivem aqui no município e dão emprego para o pessoal de Itaguaí. Não tenho muita intimidade com a família, mas sei do empenho e da luta diária deles em prol da região”.

Maria Itaguaiense, com certeza Por Janaína Michalski

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aria da Conceição Oliveira da Silva nasceu em Fradelos, no distrito de Vila Nova de Famalicão, em Portugual. No Brasil desde os sete anos, não apresenta sotaque. “Meu pai morava aqui desde que eu tinha 1 ano. Só depois viemos eu, meu irmão e minha mãe. Primeiro nos estabelecemos no Engenho Novo (bairro do Rio). Há uns 30 anos, meu pai começou um restaurante aqui em Itaguaí. Eu só dei continuidade”— explica ela, de uma forma que parece diminuir a importância do local, já que a sua Lanchonete e Restaurante Costa Verde Ltda recebe centenas de pessoas diariamente. Todos os ônibus que vão para as badaladas cidades litorâneas de Paraty e Angra dos Reis têm

O sonho de D. Conceição para o futuro: continuidade

parada obrigatória ali, o que faz do local um ponto importante. A portuguesa que adotou Itaguaí para viver conta que, por um lado, ficou muito emocionada quando soube que receberia o título de cidadã de Itaguaí. Mas por outro, sentiu-se um pouco envergonhada: “Não é que eu seja tímida, mas apesar de lidar com muita gente, não gosto de falar em público, entende? Então fiquei sem graça com a homenagem. Sem graça e feliz”. Com muita simplicidade, diz que só espera do futuro que os dois filhos adultos deem continuidade ao trabalho alicerçado com muito sacrifício pelo pai dela e pelo irmão, já falecidos. “Não deixe de falar deles. Sem eles, nada disso teria acontecido” — recomendou à reportagem. Devidamente registrado, Dona Conceição.

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FESTA E HONRA

O vereador do PSDC Roberto Lucio Espolador Guimarães — mais conhecido como “Robertinho” — destaca como uma dos seus homenageados um homem que entrou para o ramo do entretenimento por acaso, e que hoje movimenta a economia local e ainda emprega muita gente. O parlamentar dedicou a ele as seguintes palavras: “O Fernando Júnior está em Itaguaí há cerca de 20 anos. Junto com a família, ele tem um sítio chamado Bumerangue, no bairro de Santa Cândida, que promove vários eventos para a Terceira Idade, para pessoas de fora, que vêm conhecer o nosso município e para toda a população. Para se ter ideia, ele recebe cerca de 1500 a 2000 visitantes por semana. Acredito que ele exerce um importante papel de geração de lazer e de ativação econômica na cidade. Por isso, merece o título”.

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Vereador Robertinho

Itaguaí não é só indústria, é sítio Por Janaína Michalski

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Fernando Júnior: do prazer familiar ao lazer profissional

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sítio Bumerangue — conhecido pela fartura de comida e bebida em grandes cafés da manhã e também pela fartura de diversão, pelo imenso ambiente de lazer, música ao vivo e grandes shows – foi comprado por Fernando Stein Kuchenbecker, primeiramente para a diversão exclusiva da família. Hoje o local é a síntese do divertimento ao ar livre, com piscinas exuberantes e natureza absolutamente aprazível, capaz de provar que Itaguaí não é só indústria, mas também beleza natural. “Não tínhamos perspectiva de montar um sítio de eventos aqui. Tinha um campinho de futebol e a família vinha jogar bola, quando morávamos no Rio. Mas meu pai saiu do trabalho, recebeu um bom

dinheiro e resolvemos investir” — conta Fernando Júnior, que abriu as portas ao público há 10 anos. O novo cidadão de Itaguaí tem 32 anos e nasceu em Nova Iguaçu. Conta, orgulhoso, que a empresa é familiar. Começou com ele, o pai e a mãe. A irmã foi estudar odontologia, mas depois que o pai voltou ao emprego que ama, Júnior conseguiu trazê-la para perto: “Dois dias da semana ela é dentista e no resto do tempo ela está aqui com a gente” — diz, na correria entre um compromisso e outro. Com uma alegria contagiante, ele conta que tornar-se cidadão de Itaguaí tem um grande significado: “Porque não é uma homenagem só para mim, né? É uma homenagem para minha família e para todos os que trabalham aqui conosco. Nosso coração é Itaguaí” — entrega, orgulhoso.


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Expo: cada

Gee, integrante do NX Zero, toca sua guitarra para uma plateia enlouquecida de fãs. Shows trouxeram muita qualidade, efeitos especiais e animação. Mas nem só de palco principal vive a festa: atrações paralelas promoveram a diversidade para todos os tipos de público, um diferencial que torna a Expo Itaguaí vibrante e única na região.

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ITAGUAÍ EM EXPOSIÇÃO

vez mais grandiosa Festa confirmou o que todos já sabiam: é uma das maiores do estado Por Jupy Junior

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gian cornachini

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oram cinco dias de muita, muita diversão. A Expo Itaguaí chegou ao fim, mas deixa atrás de si um rastro de grandiosidade que a coloca como uma das maiores atrações do Rio de Janeiro. Não só porque Itaguaí entrou definitivamente para o roteiro das grandes bandas e nomes da música, mas porque a festa tem vários diferenciais. Apesar de um problema aqui e outro ali — o backstage e a divulgação para a imprensa precisam melhorar —, é motivo de comemoração o fato de que os incidentes são poucos e a diversidade é muita: há atrações para todos os públicos, desde a sempre impecável parte agropecuária e de reciclagem de materiais (organizada pela secretaria de Meio Ambiente) até a Lona Cultural, com apresentações alternativas que poderiam muito bem ser as principais. O rodeio também se firma como forte na festa, pois o público prestigiou, e a Garota Expo é um título cada vez mais cobiçado (ano que vem a competição se estende para o sexo masculino). Os shows — a despeito de uma ou outra discordância quanto às bandas ou nomes — foram quentes, sempre lotados, com público caloroso. Preta Gil, tentando ser contida (“estou toda trabalhada na censura”) soltou apenas dois palavrões. Os paulistas do NX Zero impressionaram-se com a quantidade de gente. Banda Eva, com seu som baiano, fez todo mundo pular para a esquerda ou direita. Guilherme e Santiago cumpriram bem com o sertanejo e Thiaguinho trouxe uma superprodução. A Expo certamente já deixou saudades. itaguaí 194 anos | O FOCO

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ITAGUAÍ EM EXPOSIÇÃO

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Marca 7

A arena esteve lotada durante os quatro dias de evento. A organização estima que mais de 30 mil pessoas estiveram no local

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„Andar de interior em interior por amor ao esporte e em busca da realização de sonhos. Assim pode ser definida a vida de alguns peões de rodeio Brasil afora, como a do campeão da Expo Itaguaí 2012, Gilson de Barros Luciano (foto). Se o destino é incerto, o tempo de permanência é marcado: enquanto houver rodeio. O peão que assina como “Bicudo” (apelido de infância) tem muitas histórias, prêmios e sonhos. Cowboy há mais de 12 anos, o paulista de 28 anos já perdeu as contas de quantos rodeios disputou e de quanto tempo passou longe de casa, mas garante que não troca a vida de peão por nenhuma outra. “Dentro da arena eu sou outra pessoa. Essa vida pra mim é tudo, eu nasci para viver no rodeio, para ser peão”.

caio assis

gian cornachini

Campeão é exemplo da dura rotina de rodeios

Mocotó afirma dar a vida pelo rodeio


70 também faz show Apresentações em touros e cavalos, palhaços, muitos fogos, jogo de luzes e muita animação do público tornam o rodeio inesquecível

UM SHOW À PARTE Mocotó era circense e após assistir uma apresentação de rodeio, abandonou Muriaé (zona da mata mineira) para fazer “qualquer coisa” na companhia. Hoje, 18 anos depois, o “palhaço salva-vidas” se diz apaixonado pelo trabalho e pela sensação única que sente quando entra em ação. “Tenho respeito pelo animal, então não me exponho, mas quando entro na arena tenho que cumprir meu dever, se alguém tiver que sair na ambulância, tem que ser o salva-vidas, senão não terei feito meu trabalho direito” — desabafa Alessandro Silva Pontes, que aos 38 anos, não pensa em mudar de profissão.

Marilia: a Rainha da Expo 2012

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pós fase preliminar com mais de 150 meninas, 20 delas entraram na arena de Itaguaí com a chance de realizar o sonho de se tornar a “Garota Expo 2012”, título concedido anualmente. A disputa foi grande e a escolha difícil, mas uma delas terminaria a noite com o título. Ao fim, com arquibancada completamente lotada, Marilia Rodrigues, de 23 anos, sagrou-se bicampeã do concurso.“Deu tudo errado na hora da minha apresentação e fiquei muito nervosa, além do que, as competidoras eram de alto nível, meninas maravilhosas” – afirmou a vencedora. A terceira colocada do concurso foi a seropedicense Bianca França, de apenas 15 anos. Em segundo ficou a moradora do Engenho Larissa Maximiano, de 18 anos. Apesar do “quase”, as jovens se disseram muito felizes com o resultado e continuarão tentando. Além delas, Kethelen Vasconcelos foi eleita a Revelação do concurso.

caio assis

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s luzes da arena se acendem. A porta do brete se abre e a arquibancada vai à loucura. Umas das principais atrações em festas de exposição agropecuária, o rodeio da Expo Itaguaí 2012 foi um verdadeiro espetáculo de atrações e público. Apresentando as competições na cidade há mais de 10 anos, a companhia Marca 70 coordenada por Germano Pedro já tem um bom entrosamento com os itaguaienses e a cada ano se superam nas apresentações. Durante os quatro dias de rodeio milhares de pessoas passaram pela arena que abrigava em média cinco mil pessoas para ver a disputa entre o equilíbrio do homem e a força animal. Além da apresentação com palhaços, animais adestrados e montarias em touros e cavalos, uma montagem de fogos e luzes fazem o show ficar ainda mais completo. Mais de trinta animais participaram da competição, que, disputada por pontos corridos, premiou cinco cowboys em touro e cinco peões em cavalo; mas o primeiro lugar das categorias foram Gilson Barros (cavalo) com 251 pontos e Izaías Batista (touro) com 209 pontos. A arena também abriu espaço para outras modalidades esportivas. No sábado (7), quase R$ 2 mil reais foram distribuídos no torneio de voleibol, que contou com renomadas presenças, e no domingo (8), foi a vez do handebol dominar a arena com oito equipes, ambos organizados pela coordenação de esportes.

Marilia já foi campeã em 2010

caio assis

Por Carol Santana

As três primeiras colocadas representarão a cidade em eventos e concursos itaguaí 194 anos | O FOCO

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ITAGUAÍ EM EXPOSIÇÃO

“Faz chover, Senhor Jesus” Fernandinho e sua banda abriram a Expo 2012 e selaram o espaço das atrações gospel no evento

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Por Alan Miranda

Sucesso consagrado do cantor, música “Faz chover” emocionou o público

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O show de Fernandinho foi a atração escolhida para a abertura da Expo Itaguaí 2012. O cantor mesclou momentos de oração e louvor inflamado, acompanhado de uma banda impecável. Muitos jovens compareceram e mostraram como se faz uma verdadeira festa para Jesus.

Show teve momentos de oração

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Sucesso gospel

Fernandinho comanda a abertura 46

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„Fernando Jerônimo dos Santos Júnior tem 39 anos e nasceu em Aracaju — Sergipe. Fernandinho, como é conhecido, é cantor, compositor, pastor, produtor musical e arranjador. Sua carreira começou em 2001, com o disco “Formoso És” e seu último álbum, lançado em 2011, foi “Sou Feliz”. O álbum recebeu o prêmio de disco de platina tripla e tem sucessos como “Tudo entregarei”.

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primeira noite de shows da Expo Itaguaí 2012 teve o cantor gospel Fernando Jerônimo dos Santos Júnior e sua banda como atração principal. Assim como a cantora Ludmila Ferber abriu o evento na Expo de 2011, Fernandinho, como é conhecido o cantor, fez as honras dessa vez e mostrou porque as atrações gospel ganham cada vez mais espaço no cenário da música popular. Ele e sua banda tocaram para milhares de itaguaienses. Quem chegou no horário previsto para o início do show perdeu as primeiras músicas, pois o cantor começou um pouco antes do horário. A decisão causou um certo desconforto a outras bandas que se apresentariam antes do cantor e temiam ter suas apresentações canceladas. Apesar do inconveniente, o show seguiu normalmente, sem tumulto. O show de Fernandinho começou por volta de 21h e terminou quase 23h. No repertório, o cantor entoou alguns sucessos já bem conhecidos do público, como “Faz chover” e “Nada além do sangue”. Era comum notar olhos fechados e mãos levantadas em louvor, seja quando Fernandinho cantava ou convidava os presentes ao momento de oração. A potência vocal dos dois “backings” também cativaram o público em momentos intimistas de oração durante o show. Grande parte dos presentes era de jovens que, como bons fãs, tinham coreografados os gestos para cada música. Em determinado momento, apareceu no telão um vídeo da briga de um casal que quase terminava em homicídio. A exibição fazia parte do show, e em seguida, a música “Quero te obedecer” completava o sentido da mensagem. Já na reta final, por volta de 22:30h, Fernandinho emplacou os louvores de festa e convidou os itaguaienses a saírem do chão com sucessos como “Tudo entregarei”, “Fui comprado” e “Seu sangue”. A banda, formada por seis integrantes, também fez uma apresentação impecável.


A dupla completou 17 anos de carreira com muita experiência: são 15 álbuns e quatro DVDs. Guilherme e Santiago fizeram um show para lá de animado e o público sacudiu com seus maiores sucessos. A parte sertaneja da Expo foi cumprida com categoria e os cantores agradeceram o convite para participar.

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A noite dos sertanejos Santigo (de chapéu) e Guilherme: dupla se impressionou com receptividade

Os irmãos de Goiânia fizeram show competente

Por Jupy Junior

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A dupla recebeu a reportagem no camarim, logo depois da apresentação que levantou o público, um dos maiores da Expo 2012. “Estou muito feliz, quero agradecer demais o convite para participarmos dessa festa. O público reagiu muito mais do que a gente esperava, o pessoal curtiu bastante. Estamos saindo daqui satisfeitíssimos e já com vontade de voltar” - disse Guilherme, que falou pela dupla. Ele também comentou sobre o cenário sertanejo nacional: “nós nos consideramos sim sertanejos, e durante os anos vão surgindo novas vertentes, mas a essência do sertanejo permanece a mesma. A cada dia que passa

vão surgindo novos nomes com grande qualidade musical, então acho que o mais importante é ver a resposta do público. Ele é o maior formador de opinião do nosso estilo, e a prova disso é o que tem acontecido no Brasil, e fora dele. O sucesso de Michel Teló é um exemplo” - completou o cantor. No ano passado, César Menotti & Fabiano fizeram bonito na Expo com um show inesquecível, mas Guilherme e Santiago foram igualmente competentes em evocar não só a tradição, mas os sentimentos sertanejos, com músicas românticas, animadas, palco com excelente iluminação e movimentação ágil.

Guilherme e Santiago no camarim

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eza a tradição que toda Expo tem que obedecer ao tema principal da festa, que, para quem não sabe, é country. Pois bem, Guilherme e Santiago foram os recrutados para dar conta do recado. E eles deram. O público delirou com vários sucessos da dupla, que completou 17 anos de carreira e não poderiam deixar de cantar “Triste e Alegre”, “Bolo Doido” e “Vou até o Fim”, “Do outro lado da cidade”, “Chovendo Estrelas”, “E para sempre te amar”, e muitos outros. Guilherme e Santiago gravaram 15 álbuns e quatro DVDs. Foi com es ta experiência que eles dominaram o palco e inclusive chamaram uma fã para participar do show.

Dupla enfatiza que sucesso do estilo sertanejo é comum em todo o Brasil itaguaí 194 anos | O FOCO

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ITAGUAÍ EM EXPOSIÇÃO O amor na pele „O que os fãs de Preta Gil e da Banda Eva tinham em comum além da presença no mesmo dia da Expo eram as tatuagens com o nome das estrelas. Um dos fãs de Preta Gil afirmou que a tatuagem foi uma prova de amor. Já o fã da Eva assegurou ter a tatuagem desde a época em que Ivete Sangalo comandava a banda.

Tira o pé do chão, galera! Erbs Jr.

Preta Gil e Banda Eva sacudiram o público

Única mulher a se apresentar na Expo, Preta Gil mostrou a que veio em seu show Por Carol Santana

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Saulo distribuiu energia baiana para o público, que respondeu com entusiasmo

Não teve como sentir frio na terceira noite da Expo 2012. A cantora Preta Gil dominou o palco e fez o público vibrar e dançar com sua irreverência. A tranquilidade de Saulo Fernandes se inverte quando ele entra em cena com a Banda Eva: os músicos baianos transformaram o gramado em uma micareta.

caio assis

om dois shows de tirar o fôlego, a terceira noite da Expo teve apresentações da baiana Banda Eva e da irreverente Preta Gil. Foi impossível ficar parado. Acostumada a ficar bem à vontade nos palcos por onde passa, a cantora Preta Gil admitiu estar “toda trabalhada na censura” em Itaguaí. Uma brincadeira que serviu para mostrar o ambiente familiar que a Expo teve durante o dia de sua apresentação. Mas, mesmo assim, deixou escapar dois palavrões durante um intervalo. Censuras à parte, a cantora conseguiu animar o público com músicas do DVD “Noite Preta”, algumas novidades como “Ta fácil” e “Meu corpo quer você” (que a cantora divide com MC Naldo), além de grandes sucessos do momento de todos os ritmos. Quando a Banda Eva subiu no palco, conseguiu transportar um pedaço da capital baiana para Itaguaí. A banda tocou sucessos consagrados como “Minha pequena Eva“, “Me abraça” e “Toda Linda“, e apresentou também novas músicas como “Circulou“ e “Preta“. Eva emocionou o público com a canção-poema “Anjo”, além de relembrar hits que agitaram o carnaval de Salvador deste ano, como “Lançando moda” — conhecida como Billie Jean My Love — do cantor Magary Lord e “Colorir papel” do grupo Jamil e Uma noites. Eles não esqueceram ainda de homenagear bandas conterrâneas e o instrumento que mais se destaca na Bahia, os tambores. Sem tirar nem por, o show foi eletrizante do príncipio ao fim.

Fã leva a bandeira em todos os shows


Rock’n’roll e muita histeria NX Zero não fugiu ao padrão e fez muito barulho. Fãs acompanharam e gritaram o show inteiro Por Caio Assis

Di impressionou-se com plateia

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eja pelas distorções das guitarras em altíssimo volume ou pelos histéricos gritos das fãs, o show de sábado da banda paulista NX Zero pode ser facilmente definido como “o mais o barulhento” da Expo Itaguaí 2012 e também a surpresa positiva do evento. Muito antes do início da apresentação as jovens já se esgoelavam na frente do palco, e apesar da falha da aparelhagem de som no decorrer da noite, nada foi capaz de diminuir a surpreendente frequência e interação entre banda e público. Di Ferrero, Fi Ricardo, Gee Rocha, Caco Grandino e Daniel Weksler mesclaram sucessos recentes como “Cedo ou Tarde” e “Só Rezo”, músicas consagradas como “Além de Mim” e “Razões e Emoções” e covers como “Rodo Cotidiano”, d’O Rappa, “Qual é?”, de Marcelo D2, e “Que País é Este”, do Legião Urbana, sempre com a pegada rock´n’roll presente no último álbum da banda, o que agradou o grande público. A apresentação contou também com a participação da atriz Mariana Rios — noiva do vocalista da banda, que cantou um refrão. Para tentar atrapalhar a festa, na mesma noite e aproximadamente no mesmo horário aconteceu a tão aguardada “luta do século” — entre o brasileiro Anderson Silva e o americano Chael Sonnen — que poderia dispersar parte do público. No entanto, o evento foi transmitido ao vivo nos telões e, com muito jogo de cintura a banda trouxe a luta para dentro do show. Ao fim, o encerramento da apresentação coincidiu com a vitória do brasileiro, o que levou a multidão à loucura e deu um belo fim ao mais animado show da Expo.

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Por volta de 1:30h, durante a luta de Anderson Silva, não só o público se dividiu entre palco e telão. O vocalista da banda também se rendeu e ficou literalmente sem palavras nos últimos segundos de luta. O grito da multidão deu sequência ao espetáculo.

A performance de Gee, Di, Dani, Caco e Fi levou os jovens fãs ao delírio

Caio assis

„Os fãs não pouparam esforços para ver seus ídolos de perto. Daiane Pires, de 17 anos, saiu de Duque de Caxias e chegou a Itaguaí às 9h. Ao meio-dia, a jovem entrou e ficou na primeira fila em seu 11º show do NX Zero. Juntos dela, diversos outros jovens passaram a tarde no gramado.

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Quinze horas antes...

NX Zero esbajou simpatia

Fãs do NX Zero: campeãs na histeria itaguaí 194 anos | O FOCO

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ITAGUAÍ EM EXPOSIÇÃO

Tudo para impressionar! Superprodução foi a marca do show de Thiaguinho Por Carol Santana

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em mesmo a chuva espantou a animação do público na última noite de Expo, no domingo (8). A superprodução apresentada pelo cantor Thiaguinho impressionou a todos os presentes e deu mais vida ao show repleto de sucessos. O cantor chegou poucos minutos antes da apresentação. Atendeu alguns fãs (não recebeu a imprensa) e subiu ao palco. Milhares de pessoas já o esperavam aos gritos. Revelado por um programa de TV e firmado no meio musical por fazer parte do grupo Exaltasamba, Thiaguinho, que anunciou carreira solo no final do ano passado, apresentou nova roupagem para músicas como “Jogo de sedução”, “Livre para voar” e “Tá vendo aquela lua” — que foram sucesso com o ex-grupo. Em meio a interações com o público, Thiaguinho emocionou-se com gritos de “Thiaguinho , eu te amo” e levou as fãs à loucura ao interpretar letras de funk e fazer dancinhas sensuais. Thiaguinho ainda cantou novos sucessos gravados no DVD “Ousadia e Alegria” — que será lançado esse mês — e o público da Expo fez bonito mostrando que já conhece as novas canções como “Ainda bem” e “Sou o cara pra você”. Mas foi no hit “Buquê de flores” que a produção mostrou todo seu potencial, com espetáculo de luzes, imagens e até petálas artificias lançadas para o público.

“Buquê de flores”, um dos novos sucessos do cantor, impactou o público

Presente inesquecível

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Visual retrô chamou atenção no figurino

arquivo pessoal

Thiaguinho canta para a multidão

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„A fã e aniversariante da noite Caroline de Almeida (moradora de Campo Grande) ganhou um superpresente no palco da Expo. A jovem que completou 18 anos fez dueto com o cantor na música “Viver sem ti”. A jovem ainda pode tirar fotos com o ídolo depois do show e ganhou uma correntinha de presente do músico.


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ITAGUAÍ EM EXPOSIÇÃO

Alternativos fizeram Atrações da Lona Cultural e Palco 2 foram boa opção para quem queria variar Por Alan Miranda e Jupy Junior

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em só de megaproduções viveu a Expo 2012. O evento também teve atrações alternativas que fizeram bastante sucesso, como a Lona Cultural, atração fixa da Expo. O espaço é organizado pela secretaria de Cultura desde 2005, e nesse ano brindou os itaguaienses com atrações variadas, desde apresentações de dança folclórica, a artistas consagrados como Eliana Pittman e João Fera. O ambiente se mostrou uma boa opção para quem buscava um lugar

menos cheio, com apresentações diversificadas e de qualidade. No Palco 2, muitos artistas em início de carreira tiveram a oportunidade de apresentar seus trabalhos ao grande público. Assim como na Lona Cultural, o espaço alternativo não esteve muito cheio. Por lá passaram bandas de música pop, como os grupos “Forrozeiros de Luxo” e “Angel cantor”. Outra atração especial dessa Expo foi a exposição em homenagem ao humorista Chico Anysio e seus personagens consagrados.

Expo de Itaguaí fez jus à intenção dos organizadores: agradar a diversos públicos. A Lona começou a funcionar às 14:30h do segundo dia de Expo e só parou para lá das 3h da manhã de domingo, com apresentação de João Fera e sua banda.

Jorginho e Caffé: samba de raiz

Jorginho do Império e a vez do samba

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Voz potente de Caffé lembra Jovelina

amba de raiz foi a maior atração na abertura da Lona Cultural. Como costuma se dizer nas rodas, Jorginho e Andréia Caffé fizeram aquele “samba de primeira”. Jorginho do Império, antigo puxador da Império Serrano, levou duas mulatas e duas baianas para a avenida cultural da Expo e com uma banda afiada saudou o público com sambas e marchinhas consagradas. Dentre elas, “Bandeira Branca” e “Máscara Negra”. Andréia Caffé, veterana das rodas de samba do Rio de Janeiro, também fez bonito: cantou “Olhos coloridos”, “Bagaço da laranja”, dentre outras pérolas do samba. Para quem ainda não a conhece, ela se apresenta: “iguaçuense, vascaína e mangueirense”.

João Fera encerra a festa pós muita chuva e o grande show de Thiaguinho, a Expo Itaguaí 2012 seguiu com simplicidade: o tecladista dos Paralamas do Sucesso João Fera e a banda Voyage se apresentaram na Lona Cultural na madrugada de segunda-feira (9). Pelo oitavo ano consecutivo os músicos voltaram às suas origens e tocaram clássicos dos anos 1970 como Bee Gees e Elton Jonh. A apresentação agitou o fim de noite e manteve o espaço lotado até cerca de 3h. Por volta das 2h, o show foi interrompido para uma homenagem: em nome do prefeito, os músicos ganharam um troféu parabenizando pelos oito anos de Expo. Após a emoção da entrega, o som continuou pela madrugada.

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Com muita felicidade, a banda Voyage recebeu prêmio pelos oito anos de Expo


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Brinquedos do parque e palhaços contribuíram para deixar a Expo Itaguaí 2012 muito mais bonita, colorida e animada

Homenagem ao mestre do humor

A diva Eliana Pittman em grande forma

Réplica do troféu imprensa de 1989

carol santana

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ma das atrações especiais dessa edição da Expo foi a homenagem ao grande nome do humor brasileiro: Chico Anysio. Ao lado da Lona Cultural havia uma tenda que, através de alguns de seus personagens marcantes, remontavam a trajetória do artista. Para quem achava que “stand-up comedy” era novidade, viu na exposição de alguns discos de vinil que Chico já fazia esse tipo de apresentação desde quando ainda preservava seus cabelos pretos. Na exposição havia também alguns manequins fantasiados de personagens do humorista, além de quadros e livros feitos pelo próprio. Chico morreu em março deste ano, mas seu legado permanece intacto.

Cantora encantou fãs na lona

Atração gelada e escorregadia

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ovidade na Expo 2012, a pista de patinação foi uma aposta que deu certo. Como no Rio de Janeiro não neva, a atração chamou a atenção dos curiosos, que foram conferir como é a sensação de patinar no gelo. A pista, feita de gelo sintético, não ficou em local tão estratégico (do lado de fora da Expo), mas mesmo assim atraiu bastante gente. A diversão era gratuita e suportava cerca de 20 pessoas por vez. Formou-se uma fila de patinadores ansiosos. Havia seguranças e equipamentos de proteção. Quem estivesse no local filmando os patinadores poderia montar um apanhado de “vídeo-cassetadas”, com a quantidade de tombos que se viu no local.

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Patinação foi diversão em família

liana Pitmann, 51 anos de carreira, veja só, estava apreensiva com o show que faria na lona cultural no sábado (7), às 22h. Tudo porque havia sons da Expo vindo de todos os cantos. Nada que abalasse uma apresentação impecável, com direito a jazz, Carimbó e mais um punhado de canções infalíveis do clássico repertório da MPB, mas com roupagem diferente. O baixista Jimmy Santa Cruz disse que Eliana cantou “dance music” com tempero brasileiro. Pouco importa, porque Pittman simplesmente arrasou. Solta, brincou com o público e ainda voltou para o bis. Quem foi conferiu o brilho de uma cantora que não perdeu o encanto. itaguaí 194 anos | O FOCO

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ITAGUAÍ EM EXPOSIÇÃO

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Para dançar agarradinho Maria Bonita comemora o sucesso que tornou a sua tenda uma tradição na Expo

Atração desde a primeira Expo, Forró Maria Bonita continua fazendo sucesso

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Casal dança sob a lona: contagiante 54

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aria Bonita, 48 anos, é uma pioneira. Desde da primeira Expo ela participa da festa, e há alguns anos investiu em uma tenda, o “Forró Maria Bonita”, um sucesso absoluto. A ideia ela teve há 28 anos. Decepcionada com os forrós das festas de rodeio, ela achou que o ritmo merecia mais: “Acho que se eu colocasse uma lona, ficaria legal” — contou ela. Ficou. A atração, logo depois da ponte, entre o rodeio e a exposição da secretaria de Meio Ambiente, fica lotada todos os dias, com muita gente dançando agarradinho. Maria Bonita contrata grupos de todo o Brasil, que tocam ao vivo. Este é um dos segredos. Em 2012, ela organizou também o baile para o pessoal da Melhor Idade, outro sucesso que culminou com a eleição da Rainha Expo Terceira Idade. “Só tinha o show do palco principal, quando acabava não tinha muito onde dançar. A lona cumpre esse papel, acaba sendo uma alternativa” — conta a empresária, que mantém ainda o Forró Maria Bonita, no centro; e a Itaguaí Show, grande casa de espetáculos. As atrações principais de todos esses locais, claro, é forró — Maria Bonita é apaixonada por ele.

Quem disse que Expo é só palco principal? Quando acabam as atrações na parte da frente, chega a hora de arrastar o pé e curtir o velho, bom e brasileiríssimo forró. Quem garante a madrugada dançante é Maria Bonita, empresária apaixonada pelo ritmo e pioneira na tenda.

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Por Jupy Junior

Empresária investe há 19 anos


Gente bonita, muita música e agitação marcaram os camarotes

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Baladas que ferveram

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trônica escolhida por conceituados DJs do RJ e de SP. O Camarote da Prime evoca a boate de mesmo nome que fica no centro de Itaguaí. Fabio Rocha — mais conhecido como Fabinho — comanda o agitado local há cinco anos, e tem planos para crescer ano que vem (“queremos fazer três andares” — adianta ele). Neste ano, houve patrocínio de uma concessionária de carros, e a estrutura também impressiona. Há programação própria, mais eclética que no Cerveja.com. Mas em ambos azaração, gente bonita, música e luzes são os componentes que mais atraem o público, que lota não só dentro, mas também fora dos camarotes. Ano que vem, garantem os organizadores, tem mais.

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Fábio Rocha: Prime

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Juan com a noiva: Cerveja.com

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omo parte fixa da Expo, os camarotes constituem mais uma tradição que movimenta milhares de pessoas. Dois deles protagonizam as baladas mais quentes: Cerveja.com e Prime. O primeiro começou como uma reunião de amigos (Juan de Souza, Fabiano, Fernando, André e Amadeu) com uma barraca, e há algum tempo Juan e Fabiano Moretti tocam o negócio. Há três anos a estrutura tomou corpo e o resultado é um camarote espaçoso, com decoração caprichada, e cerca de R$ 100 mil de investimentos. O Cerveja.com também emprega cerca de 50 pessoas. O conceito é o mesmo de sempre: música ele-

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Camarote Cerveja.com, como sempre, caprichou na decoração e no estilo

Por Jupy Junior

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Sustentabilida Secretaria investiu no ensino da reciclagem Por Caio Assis

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N A beleza das oficínas chamou a atenção dos visitantes

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a Secretaria de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca, além das tradicionais exposições de animais de pequeno, médio e grande porte e dos concursos, como o de cães e o concurso leiteiro, a sustentabilidade chamou a atenção mais uma vez. De longe já se via as hélices geradoras de energia eólica — marca registrada da secretaria. Ao entrar, os visitantes acompanharam um espetáculo de beleza e criatividade com construções como a “Casa de Vidro” — toda construída por garrafas de vidro doadas por moradores, comerciantes e escolas da região — e outras, como a de pneus, onde foi montada uma sala de projeções para o público. Apesar de ser uma exposição, a SMAAP também se preocupou em passar conheci-

Apesar da dificuldad


de, visitantes também fizeram vasos

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dade em alta

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mento e até produtos adiante, e como nos outros anos preparou uma série de oficinas que abrangeram tanto a agropecuária quanto a reciclagem. Dentre as inúmeras atividades, como plantação de mudas, algumas se destacaram pela quantidade alunos. Fátima Menezes, por exemplo, reaproveitou conchas e taboas para produzir bolsas e objetos de decoração com quase 200 alunos. Ela contou que alunos que aprenderam as técnicas nos anos anteriores auxiliaram e até mesmo ensinaram na Expo 2012, validando então o processo. Além disto, os visitantes também tiveram a oportunidade de produzir vasos de cerâmica com o artesão Antônio José da Silva. Como na grande maioria das oficinas, puderam levar o produto para casa. Na parte agropecuária do evento o número de interessados também foi grande, tanto para ver animais conhecidos (como galinhas e cavalos) quanto para conhecer outros, pouco comuns, como cabras, aves exóticas e o javaporco, que todos olharam mas poucos registraram, pois o bicho mal levantava.

No detalhe, a Casa de Vidro

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Casa de Pneus despertou curiosos

Dóceis, caprinos fizeram sucesso

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Expo: diversão oficial Misturados à multidão ou curtindo nos camarotes oficiais, gente conhecida e importante compareceu à festa e se divertiu a valer

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1. Vereador Vicente Cicarino Rocha em momento descontraído, no primeiro dia, em direção ao camarote da Câmara. / 2. Edison Ramos (Edinho, PMDB), presidente da Câmara de Mangaratiba / 3. Aramis Brito, candidato a prefeito pelo PSC, curtindo antes de começar a campanha. / 4. O vereador tucano de Mangaratiba, José Carlos Simões; o presidente da Câmara, vereador Joorge Luis da Silva Rocha (Jorginho, PV) e o prefeito Carlo Bussato Junior (Charlinho, PMDB) no camarote da Prefeitura. / 5. Ainda no camararote da Prefeitura, na sexta (6): Jorginho, Simões, Sidney Marcello Filho (vereador mangaratibense pelo PHS); a primeira-dama de Itaguaí, deputada estadual pedetista e candidata à prefeitura de Mangaratiba, Andréia Cristina Marcello Busatto e o prefeito Charlinho. Andréia foi ao camarim para conhecer Preta Gil, depois do show da animada cantora. / 6. Maria Elizabeth Pereira, co-organizadora da Expo 2012, perto do quiosque central de informações; era animação só e escolheu o melhor ângulo para a foto / 7. Vereador do PV, Silas Cabral foi visto pelo menos em duas noites. Usou chapéu de cowboy e era todo simpatia. Na foto, no camarote da Câmara com sua esposa. / 8. Vereador Sidney Marcello Filho (PHS), curtindo a noite de sexta (7) / 9. Vereador do DEM, Márcio Pinto também apareceu no camarote da Câmara / 10. Vereador Roberto Lucio Espolador Guimarães (Robertinho, PSDC) dançou, pulou e brincou, também no camarote da Câmara. / 11. Vereador Abelardinho (PMDB) com o prefeito Charlinho e Lenilson Rangel (PR), no camarote da Prefeitura. / 12. Vereador do PSD, Toni Coelho curtiu a Expo com a família.

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abe-se que a Expo atrai muita gente, e não poderia deixar de ser com as autoridades municipais. Afinal, eles são seres humanos e, como quase todo mundo, gostam de se divertir. A reportagem acompanhou a movimentação dos dois camarotes oficiais da festa e encontrou com gente conhecida que foi prestigiar também em outros pontos. Vereadores, prefeito e primeira-dama, líderes e organizadores da Expo posaram para as lentes da Revista Itaguaí 194 anos. Confira!


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CrĂŠdito

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Muita alegria e gente

Os pedidos para publicação de fotos foram muitos, e seria impossível incluir todas. Ei

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Fotos: erbs jr., gian cornachini, caio assis, alan miranda, carol santana e jupy junior

e bonita

Eis aqui alguns que posaram para a revista na Expo

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BASTIDORES O FOCO

Trabalho e diversão na mesma medida A

produção da Revista Itaguaí 194 anos foi árdua e intensa para a equipe de oito pessoas (duas delas uniram-se à equipe regular de O FOCO, contratadas especialmente para a publicação). Foram cerca de duas semanas. Durante a Expo, os profissionais chegaram a trabalhar 18 horas por dia e “acamparam” na redação. Tudo com um único objetivo: proporcionar o melhor jornalismo a todos os leitores.

Janaína entrevista Gustavo Moreira

Fome na madruga

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Carol: exausta

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Alan, Jupy e Thiago Melo, diretor de O FOCO

Carol Santana, Jupy Junior e Gian

Gian e Jupy no gelo

Caio Assis

Erbs Jr. em busca do melhor ângulo

Erbs - fotógrafo

Gian Cornachini

Alan Miranda

Caio na redação


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REVISTA ITAGUAÍ 194 ANOS | JORNAL O FOCO