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24 a 30 de agosto de 2012

cotidiano

JORNAL O FOCO

fale com a redação (21) 2687-0694

Crise na diocese direção da comunidade católica reconhece que serviço prestado em itaguaí e mangaratiba era "insuficiente"

Maranathá concorda com bispo sobre estrutura

Jupy Junior jupyjunior@jornalofoco.com.br

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esde que o Maranathá fechou as portas em Itaguaí e Mangaratiba, na segunda-feira da semana passada (13), os questionamentos são muitos, assim como as suspeitas. Embora vários fiéis tenham discordado dos motivos alegados pela diocese de Itaguaí — em anún-

cio feito na missa, no domingo (12) — a direção do Maranathá (cuja sede fica no bairro do Engenho de Dentro, na capital) concordou com o bispo Dom José Ubiratan Lopes. Foi o que asseguraram o fundador da Comunidade Católica, Sr. Martins; e o co-fundador Alexandre Duque, em entrevista a O FOCO na terça-feira (21). Ambos afirmaram

que os centros mantidos de janeiro a agosto em Itaguaí e Mangaratiba não dispunham de estrutura adequada para atendimento aos internos. Por que não resolver antes de fechar? Falta de recursos, afirmaram eles. Martins e Duque não parecem de fato desapontados pelo encerramento das atividades nas duas cidades, e enfatizaram o sucesso que o Macarol Santana

Dom Ubiratan: atuação criticada e muitos comentários sobre relação com Maranathá

ranathá representa. Em dois anos, foram 2,17 mil internos, e 60% deles continuam "limpos" (jargão do meio para designar pessoa que não usa mais drogas). RETIROS E CONVÊNIO Martins e Duque levam a sério o que fazem e se mostram empenhados na causa. A dedicação rende frutos: eles obtiveram um convênio com o governo do Estado e vão receber cerca de R$ 2,7 mil por residente para tratar no sítio em Nova Iguaçu. Um novo prédio vai ser construído e dará lugar a mais 60 leitos, o que dobrará a capacidade do centro, que já conta com campo de futebol, quartos com suítes e demais comodidades. É lá que realizam-se os retiros com cerca de 300 pessoas. Várias delas dependentes que largam as drogas até mesmo sem internação. No Maranathá atuam "consagrados" (ligados de algum modo à fé católica) e voluntários. Duque disse que das 10 casas que a entidade agora mantém (eram 12 até a semana passada) somente três funcionam em espaços cedidos pela Igreja: Búzios, Caxias e Nova Iguaçu (que servirá a uma extensa região do RJ). Os problemas do Maranathá, segundo os diretores, são muitos: há casos em que os residentes, mesmo recuperados, não querem se desligar depois dos nove meses de internação (que não é compul-

Fachada da sede do Maranathá no Engenho de Dentro: direção não confirma as suspeitas sobre Dom Ubiratan e enfatiza convênio com governo do Estado em Nova Iguaçu

sória). Mesmo com a reintegração das pessoas à sociedade por meio de convênios com empresas que oferecem vagas de emprego, o

Segundo diretores do Maranathá, não havia dinheiro suficiente para manter a estrutura adequada para atendimento aos residentes primeiro salário pode significar mais uma recaída. Martins também disse que pediu financiamento ao prefeito Capixaba mas que nunca

obteve uma resposta concreta, e que o fechamento das casas foi plenamente absorvido por Nova Iguaçu. APELO E SILÊNCIO Alexandre Duque fez um apelo para que se preservasse o tratamento dos residentes que, segundo denúncias, teriam tido envolvimento sexual com o bispo Dom Ubiratan. "Muitos ficam perturbados, e sair daqui pode ser a morte para eles, que voltariam para o tráfico" — apelou Duque. Quanto às supostas relações que o bispo teria mantido, Martins e Duque calaram-se e reiteraram que somente por determinação judicial algo poderia dito.

O FOCO esgota edição em poucas horas, e cidade comenta

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altou jornal para tanto interesse: a reportagem sobre as suspeitas em torno do bispo Dom José Ubiratan esgotaram em poucas horas a edição 147 de O FOCO. Houve quem viesse de Angra dos Reis buscar um exemplar. Vários jornaleiros telefona-

ram para a redação para solicitar mais exemplares, e na página de O FOCO no Facebook mais de 500 pessoas acessaram o post que mencionava a matéria. Houve quem protestasse contra a matéria e questionasse o fato de que algumas das pessoas consul-

tadas tivessem mantido o anonimato. Outros leitores participaram com comentários positivos e telefonemas. O fato é que as duas páginas publicadas a respeito do fechamento do Maranathá em Itaguaí e Mangaratiba suscitaram grande interesse e torna-

A procura por exemplares com a reportagem foi intensa, e leitores protestaram e elogiaram por telefone e pelas redes sociais

ram-se comentário geral, principalmente nas cidades de Itaguaí e Mangaratiba. Um fato não abordado na reportagem mereceu menção de alguns leitores: a extinção do grupo de orações que funcionava no Maranathá. Pelo menos três leitores telefona-

ram para a redação a fim de perguntar o motivo do encerramento do grupo, também determinado pelo bispo Dom José Ubiratan Lopes. Pelo menos um leitor foi ao Ministério Público de Itaguaí para obter informações que motivariam uma possível denúncia.

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JORNAL O FOCO ED. 148 | NOTÍCIA COM NITIDEZ  

Notícias sobre o cotidiano dos municípios de Itaguaí, Mangaratiba e Seropédica. Informação sobre política e os bastidores do poder. Cultura,...

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