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O FOCO

Ano 6 | Edição 106 22 de julho de 2011 Diretor: Thiago Melo

[especial - cassação e inelegibilidade]

jupy junior

Andréia se mantém deputada por liminar

TRE-RJ cassa mandato, mas TSE suspende efeitos da decisão e Busatto garante permanência na Alerj. Charlinho e Jorginho também foram atingidos por decisão: tornaram-se inelegíveis por 8 anos, mas advogado vai recorrer

Julgamento no TRE-RJ na quinta (14): desembargadores decidem futuro de integrantes do grupo político de Charlinho

LEIA NESTA EDIÇÃO REPORTAGENS EXCLUSIVAS

Procuradora e presidente do Tribunal comentam decisão Abuso de poder político e econômico e uso da imprensa Imprensa duvidosa: jornais locais envolvidos Impacto, ABC, Atual e No Stilo mencionados na ação Relações viciosas com prefeitura de Itaguaí A difícil tarefa de atuar como imprensa livre

Páginas 7 a 15

[polêmica na educação]

[LLX]

[você gosta de rock?]

Diretora afirma que foi exonerada por motivação política

Presidente de ONG acusa empresa de práticas irregulares em Itaguaí

A casa do rock é em Itaguaí

Manifestantes exigem volta de Sônia Regina à direção da E.M. Adalberto Pinto

Página 16 thiago melo

Protesto na sexta (15) em frente à prefeitura: diretora é querida pela comunidade

"O SuperPorto Sudeste em Itaguaí foi alternativa para o insucesso de Peruíbe (SP)" afirma Plínio Melo, da Mongue. Segundo o presidente da ONG, a LLX tentou comprar os índios na localidade onde seria construído o Porto Brasil. Projeto naufragou graças à Justiça paulista, que determinou a interdição da área pretendida pela empresa do bilionário Eike Batista. Melo acusou a LLX, durante audiência pública, de desestabilizar lideranças locais.

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O FOCO descobriu um bar que só toca o ritmo que fez história. A Rolling Stone Disco é dirigida por um italiano. Descubra onde fica.

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[novidade no seu jornal]

Uma página só para você Estreia nesta edição um espaço onde o leitor pode conferir se sua reclamação será atendida. Utilidade pública para uma cidade melhor.

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[submarinos]

[transporte]

Presidente Dilma visita Cidade do Porto para dar início a projeto da Marinha

Vida de passageiro é difícil: moradores sofrem quando precisam ir ao RJ

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O FOCO

cotidiano [HAJA TÍMPANOS]

E o barulho continua...

muito acima de 66 decibéis – o máximo recomendável. Em alguns lugares, como no calçadão, o decibelímetro (aparelho de medição sonora) chegou a marcar 117 decibéis.

Poluição sonora na cidade ainda persiste [Juliana Torres] julianatorres@jornalofoco.com.br

Terça-feira (12), sete e quarenta da manhã. Um carro de som estridente com locutor alardeando as delícias de um restaurante japonês perturbou a paz

“Não queremos problema com os donos dos carro de som, mas eles estão criando transtornos”

Jailson Barboza, secretário de Meio Ambiente de Itaguaí de quem ainda dormia no centro de Itaguaí. Cada vez mais os carros de som na cidade circulam com liberdade total, e os donos pou-

juliana torres

co se importam com o incômodo alheio. A situação é a mesma daquela retratada em O FOCO na edição 99. O secretário de Meio Ambiente confirmou sua intenção de promover um encontro entre Inea, donos dos carros e a imprensa. O FOCO bem que tentou fazer “barulho” e alertar as autoridades competentes sobre a situação caótica pela qual moradores e comerciantes da Cidade do Porto passam diariamente: a exposição contínua a altos níveis de decibéis. Mas quase dois meses já se passaram e a situação continua a mesma.

Carros de som continuam a infernizar a vida dos moradores de Itaguaí dio que anuncia os destinos e caixas de som nas calçadas das lojas são alguns dos fatores que fa-

ACIMA DE 66 DECIBÉIS Carros de som em alto volume, kombis com áu-

[MEIO AMBIENTE]

Não aos Caramujos!

zem os níveis de decibéis irem “às alturas”. A convite de O FOCO, um técnico da Secretaria de Am-

biente do Estado, o médico Luiz Roberto Tenório, esteve em Itaguaí e constatou que os níveis estão

REUNIÃO Na época, o secretário de Meio Ambiente de Itaguaí, Jailson Barboza, disse que já havia feito uma reunião com donos de carros de som e que por alguns meses o problema foi diminuído. Barboza ainda declarou que em julho faria uma nova reunião, e que convidaria o Instituto Estadual do Ambiente - Inea – e a imprensa. O FOCO entrou em contato com o secretário e ele afirmou que na próxima sexta-feira (22) vai se reunir com o Inea para agendar o encontro. “Não queremos problema com os donos dos carro de som, mas com o barulho eles estão criando transtornos para a população”- disse ele.

[seropédica]

Animais em migração

Moluscos africanos são recolhidos em Itacuruçá Centro de Triagem do Ibama recebe animais do zoológico de Niterói de transmitir uma série de nho, a melhor maneira para Mais de dois mil caramu-

jos africanos foram retirados das praias da Flecheira e Gamboa na última semana. Voluntários e agentes de saúde de Mangaratiba estiveram nos locais e ali mesmo incineraram os animais. Além disso, os agentes orientaram os moradores locais sobre a prevenção de doenças, higiene corporal e cuidados com alimentação. A ação foi realizada pelo projeto “Desatando Nós”, da secretaria de Saúde. Segundo a coordenadora do projeto, Sônia Couti-

doenças para o homem, e as pessoas não devem manipulá-lo sem luvas, pois o simples contato pode causar o contágio. O animal pode ser encontrado em hortas, jardins, plantações e armazéns de grãos e possui uma significativa resistência à seca e ao frio. O molusco foi introduzido no Brasil como uma versão do escargot, mas depois descobriu-se que a espécie não é comestível e que transmite doenças.

“dar fim à praga” é com fogo. “Cavando um buraco no chão, a pessoa deposita nele os caramujos recolhidos com uma luva ou saco plástico, e com álcool mesmo pode incinerá-lo” – disse ela. O caramujo africano (Achatina Fulica) é um molusco grande, terrestre, que, quando adulto, atinge 15 centímetros de comprimento e 8 centímetros de largura, com mais de 200 gramas de peso. A cada dois meses, um caramujo põe 200 ovos. O animal africano po-

divulgação

Caramujos africanos são uma ameaça à saúde pública

proteja-se Para evitar que os caramujos africanos de propriedades vizinhas cheguem ao seu terreno, prepare uma mistura de sabão em pó e água, formando uma calda forte, e espalhe sobre o muro. Refaça esse procedimento a cada 3 semanas ou após cada chuva. Faça uma busca em seu quintal. Os caramujos em geral gostam de lugares úmidos e sombreados.

divulgação

[Juliana Torres] julianatorres@jornalofoco.com.br

Os animais do ZooNit estão sendo levados pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) e zoológicos de todo o país. Vinte e quatro animais foram encaminhados para o Cetas de Seropédica. De acordo com o analista ambiental, Vinícius Modesto, o objetivo é melhorar a qualidade de vida destes animais. No dia 13 de julho, o chimpanzé Jimmy (símbolo do zoológico), junto com mais 40 macacos-pregos, foi levado para Sorocaba, São Paulo. Para o mesmo local, foi também o leão Sansão. A retirada dos animais do ZooNit foi cumprimento de uma determinação judicial. A alegação do Ibama é que o zoológico de Niterói não tem regis-

Animais retirados do ZooNit: 24 foram levados para Seropédica tro que comprove sua existência. Os agentes do Ibama, contaram com o apoio da Polícia Federal, do Batalhão Florestal e da Advocacia Geral da União. CETAS Os animais apreendidos por meio de fiscalização ou resgatados de cativeiros irregulares são atendidos pelos Cetas. No local são feitas as identificações e estudos de tratamento para cada animal. O des-

tino final são zoológicos, criadouros registrados no Ibama e centros de pesquisa. “Cada caso é um caso” – disse Vinícius. Corujas e cágados de barbicha estão dentre os animais que foram encaminhados para Seropédica. Todos os animais serão avaliados, receberão os tratamentos necessários e depois seguirão o seu destino rumo a uma outra casa. Tudo pelo bem da fauna brasileira.


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[TRANSPORTE PÚBLICO]

Transtorno rodoviário Empresas locais têm horários irregulares para o Rio de Janeiro e deixam passageiros impacientes [Ana Carolina Brandão] redacao@jornalofoco.com.br

Para sair de Itaguaí com destino ao Rio de Janeiro, ou vice-versa, o passageiro precisa se armar de muita paciência e bom humor. Tudo porque as empresas Real Rio e Expresso Mangaratiba - responsáveis, respectivamente, pelas linhas Itaguaí/Central/Castelo e Itaguaí/Campo Grande - não colocam mais ônibus em circulação – principalmente nos horários de maior movimento. A situação fica pior nos finais de semana: os ônibus com destino ao Castelo (centro do Rio) param de circular e os intervalos entre os veículos são mais espaçados. ana carolina brandão

Josué justifica demora

HORÁRIOS IRREGULARES Não apenas os moradores de Itaguaí, mas os trabalhadores da região estão cada vez mais insatisfeitos com o transporte público local. Falta regularidade nos horários, os ônibus estão sempre cheios – pelo menos nos horários críticos –, as linhas são muito restritas e as pessoas esperam muito tempo pela condução. De acordo com informações dos fiscais das empresas Real Rio e Expresso Mangaratiba, o intervalo entre as conduções são de 25 a 30 minutos, seja para ir a Campo Grande ou para o centro da cidade. “Os passageiros sempre reclamam da demora entre um ônibus e outro” – disse Vagner Martins, fiscal da Expresso Mangaratiba. O fiscal da Real Rio, Josué de Souza, justifica a demora entre os ônibus pela alternância entre as linhas Central - “expresso” e “parador” - e Castelo. INSATISFAÇÃO Também gera insatisfação os horários de saída e chegada dos ônibus com destino à Central do Brasil. De acordo com o fiscal da Real Rio o primeiro ônibus para o Rio de ja-

raphael melo

Muita paciência e disposição: ir para o Rio de Janeiro ou voltar de lá depende dos horários incompreensíveis das empresas neiro sai da rodoviária de Itaguaí às 3h30min e o último às 22h. Do Rio para Itaguaí o primeiro sai às 5h10min e o último às 23h40min. Para as pessoas que moram no Rio e trabalham no shopping PátioMix, por exemplo, pegar a condução de volta para casa é um problema, pois o shopping fecha às 22h. “O shopping disponibiliza um ônibus que leva os trabalhadores até Santa Cruz, mas fora isso não há outra opção” – disse

a coordenação do PátioMix. Para quem trabalha em Itaguaí e precisa chegar cedo ao serviço, o horário de saída dos

7h no trabalho, e quando tenho que vir de ônibus é impossível chegar cedo. O ônibus de madrugada é péssi-

ônibus da Central não é favorável. “O transporte para Itaguaí é muito ruim, eu, por exemplo, tenho que estar às

[LINHAS SUSPENSAS] José Carlos Rodrigues, também morador de Itaguaí, ressalta que para os moradores de Coroa Grande, Mangaratiba ou Conceição de Jacareí a situação é ainda pior. Segundo Rodrigues, a Expresso Mangaratiba cancelou as linhas Mangaratiba/Campo Grande e Conceição de Jacareí/Campo Grande,

o que obriga as pessoas a fazer pelo menos uma baldeação. “O povo de Itaguaí sofre muito quanto ao transporte aqui no município” – lamentou José Carlos. Para esclarecer essa questão a empresa foi questionada pela redação, mas até o fechamento desta edição não obteve resposta.

[ISSO QUE É MUSA]

Musas de biquíni Concurso de cervejaria contraria Conar [Juliana Torres] redacao@jornalofoco.com.br

normas e está dentro da lei”. O código é regulamentado pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, o Conar, desde 2008. O texto referente a bebidas alcoólicas está nas “Categorias Especiais de Anúncio”, no anexo “a”. A PROMOÇÃO O concurso teve mais de mil inscrições e 20 candidatas foram escolhidas para estar na final do “Isso que é mu-

microvestido preto observada por um voyeur. Outra ação do Conar proibiu o anúncio da Antarctica com a atriz Juliana Paes, que sugeria uma situação sensual que envolvia seios. A maioria dos anúncios de cerveja apela para a sensualidade de suas “garotas-propa-

do registra seu voto. A “musa” será escolhida em setembro, ganhará um carro zero e participará da próxima campanha publicitária da Cintra. O votante também pode ganhar uma série de prêmios. APELO SENSUAL A polêmica que envolve o uso da imagem sensual da mulher relacionada às cervejarias não é nova. Situação semelhante ocorreu com a propaganda da cerveja Devassa. O Conar proibiu em 2010 o anúncio televisivo que mostrava a socialite Paris Hilton de reprodução/internet

Mulheres de biquíni em outdoors mexem com o imaginário masculino. Esta regra tem sido seguida à risca pelo marketing da cervejaria Cintra, que bolou uma promoção – a “Isso que é musa” - travestida de concurso: o consumidor pode votar em uma das mulheres que representam alguns bairros e cidades do Rio de Janeiro. Basta comprar a cerveja e usar o código da embalagem para votar na sua favorita. Em Itaguaí, Camila Ribeiro, 28 anos, representa a Ci-

dade do Porto e estampa um outdoor próximo à rodoviária. Nada de anormal se não fosse pelo fato de existir um Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária que proíbe “eventuais apelos à sensualidade”, no qual “modelos publicitários jamais serão tratados como objeto sexual”. De acordo com a assessora de imprensa da cervejaria Cintra no Rio de Janeiro, Geisa Souto, o concurso “segue todas as

sa” (além de Itaguaí, as candidatas representam Madureira, São João de Meriti, Santa Cruz, Bangu, Itaboraí, Ilha do Governador, Nova Iguaçu, Campo Grande, Leopoldina, Pavuna, São Gonçalo, Realengo, Belford Roxo, Vicente de Carvalho, Nilópolis, Duque de Caxias, Jacarepaguá, Irajá e Mesquita). As finalistas realizaram um ensaio fotográfico. Para ver o making of e o vídeo, basta o internauta acessar o site da promoção – www.issoqueemusa.com.br. É também por meio dele que o interessa-

Estas são algumas das candidatas a musa: biquíni e cerveja, embora de modo velado, é a campanha da Cintra

Cartazes com mulheres de biquíni chamam a atenção de pedestres e motoristas pelas ruas da capital e de Itaguaí ganda”. E o concurso da Cintra, apesar da negação da assessora, não fica de fora. Utilizar mulheres de biquínis em cartazes e outdoors da promoção e realizar um ensaio fotográfico para lá de sensual (basta conferir no site) vai contra as normas estabelecidas pelo Conar.


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O FOCO

[terceira idade]

[[AUDIÊNCIA PÚBLICA]]

Na cola da LLX ONG em Peruíbe acusa empresa de manter em Itaguaí mesmas práticas que motivaram disputa em São Paulo crédito

Plínio Melo da ONG Mongue: testemunho contra a ação da LLX/MMX [Jupy Junior] jupyjunior@jornalofoco.com.br

Plínio Melo, da organização não-governamental Mongue, lembrou que a data da audiência pública na Câmara que discutiu as obras na Ilha da Madeira (Itaguaí) – dia 29 – era dia de São Pedro, padroeiro dos pescadores. Nada mais adequado. O evento teve como objeti-

“A LLX achou que era só fazer o cheque, mas encontrou uma comunidade forte e teve que amargar uma grande derrota” Plínio Melo, presidente da Mongue

vo expor à população os problemas e possíveis soluções, mas serviu como desabafo para as aflições dos moradores da bucólica localidade de Itaguaí. Melo veio de São Paulo a convite de Marcos Garcia (Fapesca) para acompanhar a audiência e oferecer um testemunho sobre as práticas da LLX em Peruíbe, cidade onde a empresa tentou implemen-

O FOCO (21) 2687-0694 (21) 8254-9275 (21) 8400-7848

tar um porto nos moldes que constrói em Itaguaí. A disputa que ocorreu na cidade paulista, entretanto, fez a empresa desistir do negócio. PORTO BRASIL Melo – presidente da Mongue Proteção ao Sistema Costeiro - fez um discurso contundente na audiência pública e contou a O FOCO que polêmica, construção de porto e LLX andam de mãos dadas. Em 2007 a empresa começou a se movimentar para construir o Porto Brasil uma área da restinga preservada na Baixada Santista que

pertence ao município de Peruíbe, na divisa com Itanhaém, em São Paulo. Justamente na área havia uma aldeia indígena, e, segundo Melo, a empresa ofereceu dinheiro para retirar os índios do lugar. A Mongue, cujas preocupações incluem a preservação das tradições indígenas, entrou na briga para valer contra a LLX. CONSELHO DESTITUÍDO Para a LLX conseguir implementar o porto em Peruíbe – caso a Funai liberasse a área – seria preciso que o zoneamento fosse alterado, pois o Plano Diretor do mu-

nicípio não permitia. As negociações começaram com o prefeito José Roberto Preto (PDT), mas ele morreu e quem assumiu foi Julieta Omuro (PMDB). Ela substituiu os funcionários da prefeitura que faziam parte do Conselho da Cidade (órgão responsável pela convocação das audiências públicas para alterar o zoneamento) e que eram contra a implantação do Porto da LLX. A Mongue interviu com ação pública, pois os funcionários tinham mandato de 2 anos e não poderiam ser substituídos. A ONG conseguiu na Justiça que o Conselho ficasse proibido de se reunir por quase 6 meses e os membros substituídos retornaram. Mais do que isso: a ex-prefeita foi condenada a pagar 660 mil reais de multa e perdeu os direitos políticos por 5 anos. O Tribunal de Justiça entendeu que o dano ambiental também é improbidade administrativa e cassou os direitos da prefeita. Até então somente o dano financeiro cassava os direitos. Plínio, em contrapartida, está sendo processado por Salomão Fadlalah, diretor da LLX, em uma ação de danos morais.

Pai de Eike preside ONG Plínio afirmou: “O SuperPorto Sudeste em Itaguaí foi a alternativa para o insucesso de Peruíbe”. A LLX saiu da cidade paulista em outubro de 2008, e divulgou recentemente que optou oficialmente por Itaguaí mais ou menos na mesma data. Melo conta que a empresa ofereceu aos indígenas uma fazenda, casas de alvenaria, um carro importado Mitsubishi L200, um ônibus escolar e cinco

salários mínimos por família. As ofertas iniciaram uma “guerra” na aldeia, o que motivou a intervenção do Ministério Público Federal. Uma ONG foi criada pela LLX, segundo Plínio, para mostrar a preocupação da empresa com o meio ambiente. O Conselho da Bioatlantic era formado por Eliezer Batista – pai de Eike, dono da LLX e da MMX - e por membros da Aracruz Celulose. Para o presidente da Mongue, a LLX/MMX tenta deses-

tabilizar as lideranças locais que poderiam se opor ao projeto do porto. “Foi exatamente assim que ocorreu em Peruíbe” – disse Melo durante a audiência pública na Câmara – “é preciso que a sociedade itaguaiense se mobilize a fim de impedir o avanço da LLX/ MMX sobre a cidade”. O FOCO procurou a LLX/MMX para se pronunciar a respeito, mas até o fechamento desta edição não obteve resposta.

Pelo direito de ser idoso Conferência em Mangaratiba abre debate sobre o envelhecimento humano [Juliana Torres]

FOTOS DIVULGAÇÃO/PMM

julianatorres@jornalofoco.com.br

A qualidade de vida na terceira idade foi assunto da II Conferência Regional dos Direitos da Pessoa Idosa da Costa Verde, na última sexta-feira (15). O evento aconteceu no salão do Iate Clube de Itacuruçá. A discussão sobre os direitos dos idosos ocorreu em torno do tema “O compromisso de todos por um envelhecimento digno no Brasil”. A Conferência contou com a participação de Jorge Luiz (vice-prefeito da

O vice-prefeito Jorge Luis afirmou a relevância da Conferência para os idosos cidade), Maria da Penha (presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa), Daniel Fernandes da Silva (diretor de Ação Social de Mangaratiba), Maria Izabel Ribeiro (secretária de Ação Social de Itaguaí), Maria da Graça Porto (secretária de Ação Social de Paraty), Leila Corado (assessora técnica da superintendência de Políticas para Pessoa Idosa da secretaria estadual de Assistência Social e Direitos Humanos), dos presidentes dos Conselhos dos Idosos de Itaguaí,

O vice: Jorge Luis Mangaratiba e Angra dos Reis. Também participaram representantes da secretaria de Ação social de Angra dos Reis e do Conselho de Paraty - este último município está em fase de implantação. O ENCONTRO O Coral Luz do Sol, da Terceira Idade de Itaguaí, fez a abertura do evento. Após a apresentação do grupo, o vice-prefeito agradeceu a presença do público e afirmou a relevância da Conferência para os idosos. “Temos consciência de trabalhar da melhor maneira possível para garantir os direitos destas pessoas tão amadas, dignas de respeito e qualidade de vida”- disse Jorge Luiz. Além de palestras, houve a eleição de quinze pessoas para participar da Conferência Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa, na capital do Rio de Janeiro. O encontro será de 30 de julho a 01 de agosto, no Hotel Othon, em Copacabana.

Cora da terceira idade se apresenta no evento

O jornal O FOCO é distribuído gratuitamente às sextas-feiras nas principais bancas e ruas de Seropédica, Itaguaí e Mangaratiba. Tem alcance estimado de 50 mil leitores na região.

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EXPEDIENTE Diretor Geral/Editor-Chefe: Thiago Melo MTB 25806-RJ Editor: Jupy Junior MTB 28085-RJ. Diretora Comercial: Verônica Leal. Colaboradores: Ana Carolina Brandão, Juliana Torres e Raphael Melo Matérias assinadas não refletem necessariamente a opinião do jornal O FOCO e elas são de inteira e exclusiva responsabilidade de seus respectivos autores.

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O FOCO Estas matérias foram produzidas a partir de denúncia feita por leitores. Você também pode participar. É só ligar para (21) 2687-0694 ou mandar carta para leitor@jornalofoco.com.br com sua reclamação.

LEITOR EM FOCO [moradores preocupados]

Califórnia das drogas Ônibus abandonado em terreno baldio vira ponto perigoso em Itaguaí [Ana Carolina Brandão] redacao@jornalofoco.com.br

Rua São Francisco – sem número – bairro Califórnia, Itaguaí. Este é o endereço do ônibus abandonado que há aproximadamente um ano preocupa moradores locais. O terreno é particular, mas não tem muro, cerca ou qualquer isolamento que impeça a utilização indevida. Segundo informações de moradores, pessoas de todas as idades – adolescentes do bairro, inclusive – se reúnem dentro do veículo para consumir drogas, cigarros, bebidas etc. No local, além de drogas, os jovens praticam sexo e atemorizam as pessoas, que inclusive procuram

os pais de alguns deles – pois o ônibus é frequentado por gente do bairro – mas estes nada fizeram. Além dos próprios moradores, agora o local serviu de ponto de encontro para gente de fora: “Antes só os meninos daqui da rua vinham para cá [bairro Califórnia], mas agora está vindo gente de outros lugares, causando medo aos moradores” – disse Antonio Imperino, que mora há 45 anos no bairro. RECLAMAÇÃO A moradora Bianca Gabriel, incomodada com a situação, já recorreu à polícia e à Prefeitura, mas não obteve resultado. Segundo Bianca, a prefeitura informou que nada podia fazer,

raphael melo

pois o terreno era particular, e que a responsabilidade é da delegacia, pois trata-se de um caso de polícia. Inconformada, a moradora procurou O FOCO a fim de que alguém se manifestasse. “Aqui sempre foi um lugar muito calmo, tranquilo, agora a gente vive com medo, alguém precisa fazer alguma coisa para resolver essa situação” – ressaltou Bianca. SOLUÇÕES O FOCO procurou a Secretaria de Transporte, que informou não ter conhecimento do caso. Mas garantiu que vai tomar providências. “A denúncia é muito importante para que a gente possa agir. Iremos fiscalizar a situação do veícu-

Este ônibus tem servido de ponto de encontro para o consumo de drogas lo e terreno, e tomaremos uma atitude junto à delegacia, se for preciso” – disse Wellington Rodrigues, funcionário da prefeitura. O FOCO também conversou com o inspetor Araújo,

da 50ª DP de Itaguaí. O inspetor disse que cabe à Polícia Militar fazer uma ronda no local para verificar a situação e registrar o flagrante. Nesse caso a delegacia poderia ser acionada caso

o veículo fosse roubado. A redação falou com a PM, mas o sargento Amarildo, policial de plantão, não soube informar se a ronda na localidade está sendo feita regularmente.

[quiosqueiros reclamaram]

[MURIQUI]

Prefeitura promete nova iluminação para Praia de Muriqui

Prefeitura atendeu moradores e promete solução total para breve

Enfim, a luz

Foi-se o entulho, ficaram os buracos thiago melo

[Jupy Junior] jupyjunior@jornalofoco.com.br

Demorou mais de um mês, mas agora há luz na praia de Muriqui. Donos e funcionários de quiosques ficaram preocupados com arrombamentos e desapontados com a queda no faturamento. A Prefeitura de Mangaratiba já normalizou a iluminação e promete para breve um serviço mais eficiente e de melhor qualidade. RECLAMAÇÕES Ana Paula Soares dos Santos comanda o Quiosque da Paula há 14 anos e na semana passada reclamou do problema: “quando dá 17h os clientes vão embora, o faturamento cai”. Ana Paula disse ainda que não é a primeira que acontece a falta de luz: “parece que sempre nessa época acontece isso, já reclamamos e nada aconteceu”. Ela reforçou a parede do quiosque porque já foi

thiago melo

[Jupy Junior] jupyjunior@jornalofoco.com.br

Depois de um mês a luz voltou à praia de Muriqui vítima de arrombamento no passado, e se mostrou novamente preocupada. NOVA ILUMINAÇÃO Em nota divulgada quinta-feira (14) a assessoria de imprensa da prefeitura informou que a iluminação já foi restabelecida na orla pela própria prefeitura, porém não informou quando o serviço foi executado. De acordo com o secretário de Obras, Humberto Vaz, a empresa responsável pela manutenção de energia elé-

trica na cidade se recusou a dar continuidade ao serviço na atual administração, que começou em março. Vaz afirma ainda que desde dezembro de 2010 a prestação de serviço estava interrompida e que a orla ganhará nova iluminação, mais eficiente e com consumo menor. A prefeitura informa também que já está em andamento processo licitatório para contratação de uma nova empresa para manutenção de energia elétrica na cidade.

A Prefeitura de Mangaratiba resolveu atender aos moradores da rua Cruzeiro do Sul, em Muriqui, depois que O FOCO esteve no local para apurar denúncia de descaso do poder público em relação aos vários buracos e ao lixo acumulado. Na segunda (18), O FOCO registrou que a Prefeitura enviou uma equipe para recolher o entulho, e prometeu para breve fechar os buracos que causam transtorno. BURACOS CONTINUAM Marinete Conceição Figueiredo, moradora da rua, procurou O FOCO na semana passada para tentar dar visibilidade ao problema e apelar para que a Prefeitura tomasse providências. “Já reclamamos várias vezes mas nada aconteceu” – reclamou

Trator retira entulho da rua: agora só falta resolver os buracos ela, na ocasião. Na segunda (18), Marinete confirmou que a Prefeitura esteve no local, mas que os buracos ainda continuam. PREFEITURA PROMETE Os problemas com entulho foram resolvidos, mas sobre os buracos a assessoria de comunicação da Prefeitura de Mangaratiba informou que em breve mandará uma nova equipe para realizar estudos a fim de consertar o calçamento da rua Cruzeiro do Sul.

O FOCO A SERVIÇO DA POPULAÇÃO O jornal O FOCO abre suas páginas para a população de Itaguaí, Mangaratiba e Seropédica a fim de permitir que haja um diálogo produtivo entre o povo e o poder público. Os cidadãos podem telefonar para (21) 26870694 ou enviar e-mails para leitor@jornalofoco.com. br. O FOCO tentará fazer uma intermediação a fim de que todos tenham uma cidade melhor.


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Sexta-feira, 22 de julho de 2011

O FOCO

[SUBMARINOS EM ITAGUAÍ]

DIVULGAÇÃO

Tecnologia emergente para submergir Cerimônia de construção de submarinos traz Dilma Rousseff para a Cidade do Porto No último sábado (16), Itaguaí recebeu uma visita ilustre: a presidente Dilma Rousseff. Foi ela quem deu início à cerimônia de construção de submarinos em Itaguaí. O evento foi realizado na sede da Nuclebras Equipamentos Pesados – Nuclep -, empresa que vai produzir chapas para a estrutura dos submarinos. Estes fazem parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) da Marinha do Brasil. O término da construção do

primeiro submarino está previsto para 2017. Serão construídos quatro submarinos convencionais Scorpène, chamados de S-BR, com tecnologia francesa. Eles serão de propulsão diesel-elétrica. Com o início das realizações do PROSUB, o Brasil seguirá – futuramente – com uma construção de tecnologia ainda mais potente: a de um submarino com propulsão nuclear, o SN-BR. Somente a China, EUA, França, Inglaterra e Rússia possuem o domínio da energia nuclear. Com

a construção do SN-BR, o Brasil passará a fazer parte do grupo de países que possuem esta tecnologia. ACORDO EM 2008 Há três anos o ex-presidente Luis Inácio da Silva fez um acordo com a França que deu origem ao Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) da Marinha do Brasil. Parte do acordo preveu a transferência de tecnologia francesa. O país europeu repassará seus conhecimentos para as indústrias brasileiras fabricarem

Em 2008, Lula fez um acordo com a França que deu origem ao PROSUB da Marinha os equipamentos necessários à construção dos submarinos. Válvulas de casco, bombas hidráulicas e baterias especiais de grande porte estão dentre eles. Estima-se que o PROSUB irá gerar mais de trinta mil empregos diretos e indiretos. A intenção é utilizar a mão de obra local.

Perigo à espreita

plano de evacuação, caso ocorra algum acidente.

Empreendimentos com energia nuclear precisam de um plano de prevenção de acidentes. Em Itaguaí, instituições não esclarecem esse importante detalhe

GABINETE DE GESTÃO O chefe de policiamento da PRF, Rodrigo Medeiros, disse que a iniciativa de elaboração de um plano diretor deve partir da defesa civil. “A defesa civil municipal deve elaborar

[Juliana Torres] julianatorres@jornalofoco.com.br

[Ana Carolina Brandão] redacao@jornalofoco.com.br

[Jupy Junior] jupyjunior@jornalofoco.com.br

Durante reunião do Conselho Comunitário de Segurança Pública no dia 11 de julho, o presi-

O presidente do Conselho de Segurança alegou que a construção do submarino representa um perigo nuclear para a população de Itaguaí

dente do Conselho, Luís Machado, alegou que a construção do submarino representa um perigo nuclear para a população de Itaguaí. Ele questionou autoridades presentes – Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal e Marinha do Brasil – quanto a um

SUBMARINOS O submarino com propulsão nuclear possui inúmeras vantagens, dentre elas as elevadas velocidades por longos períodos

de navegação. Isso faz com que uma área maior do oceano seja monitorada. Que a construção de submarinos na cidade de Itaguaí gera um grande avanço tecnológico para o país, isso ninguém tem dúvidas. Mas, a utilização da energia nuclear ainda é alvo de discussão. Isso porque o risco de um possível vazamento gera preocupação não só para a população da Cidade do Porto, mas também para todos os municípios vizinhos.

um plano diretor para que assim os órgãos competentes possam começar a se mobilizar e traçar estratégias” – ressaltou Medeiros. Porém, segundo a Defesa Civil do estado do Rio de Janeiro, em Itaguaí este órgão é de responsabilidade do Gabinete de Gestão Integrada. “A população

de Itaguaí está sem a quem recorrer, já encaminhei um ofício para a Marinha, estou aguardando resposta” – lamentou Luís Machado. O FOCO procurou o Gabinete de Gestão Integrada, porém, como é de hábito na maioria dos órgãos da Prefeitura de Itaguaí, a reportagem ficou sem resposta.

Da parceria entre a empresa francesa DCNS e a construtora brasileira Norberto Odebrecht foi formada a Itaguaí Construções Navais – ICN. A Marinha do Brasil possui o direito de veto sobre a atuação da empresa da Cidade do Porto. A ICN ficará responsável pela construção dos cinco submarinos.

[MARINHA DIZ QUE CUMPRE REGRAS DA CNEN] De acordo com a Marinha do Brasil, a construção do submarino com propulsão nuclear deverá ser iniciada em 2016, com previsão de término para 2023. O contra-almirante Paulo Mauricio Farias Alves disse que a “A Marinha do Brasil cumpre todos os requisitos previstos pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN),

sendo que após a prontificação do Estaleiro e Base Naval, em Itaguaí, estão previstos exercícios com foco na segurança nuclear e ambiental”. O FOCO procurou a CNEN, que informou aguardar a documentação da Marinha sobre o plano de prevenção. A Nuclep não enviou nota até o fechamento desta edição.


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O FOCO

poder [especial - cassação e inelegibilidade]

Mandato garantido até segunda ordem TRE-RJ cassou mandato de Andréia Busatto e a tornou inelegível por oito anos, porém TSE suspendeu a decisão até julgamento de recurso. Charlinho e vereador Jorginho também estão na mesma situação [Jupy Junior] jupyjunior@jornalofoco.com.br

A quatro dias do seu aniversário, Andréia Cristina Marcello Busatto, conhecida como Andréia “do Charlinho” (PDT), sofreu um revés na sua curta carreira política. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro decidiu na quinta-feira (14), por unanimidade, cassar o mandato da deputada e a tornar inelegível pelos próximos oito anos. Porém um pedido de liminar concedido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a decisão até que o Tribunal julgue um recurso – a ser ajuizado pelo advogado Bruno Calfat – que pede revisão do julgamento. A procuradora Mônica Campos de Ré impetrou em 2010 uma ação de in-

O Ministério Público entendeu que servidores foram incitados a fazer campanha para Andréia do Charlinho vestigação judicial eleitoral por abuso de poder político, econômico e uso dos meios de comunicação em que figuraram como investigados, além de Andréia, o prefeito Carlo Busatto Junior (“Charlinho”), o vereador Jorge Luis da Silva Rocha (“Jorginho do Charlinho”, PV) e o dono do jornal Atual, Marcelo dos Santos Godinho. A ação foi julgada procedente pelo relator juiz Antonio Augusto de Toledo Gaspar, e seu voto foi seguido pelo desembargador Sergio Lucio de Oliveira e Cruz e pelos juízes Ana Tereza Basílio, Gilberto Clóvis e Luiz Roberto Ayoub. Charlinho, Jorginho e Godinho também foram considerados inelegíveis por oito anos, mas ainda cabe recurso ao TSE, que, de forma preliminar,

suspendeu a decisão do julgamento por entender que não se pode executar a decisão sem que tenha havido publicação do acórdão ou julgamento do recurso. servidores “COAGIDOS” Segundo o entendimento do Tribunal, Andréia – que foi eleita deputada estadual nas últimas eleições, com aproximadamente 60 mil votos – comprometeu-se com a justiça eleitoral de duas formas. A primeira delas foi relativa ao abuso de poder político e econômico: a ação impetrada por Mônica Ré menciona que funcionários da prefeitura de Itaguaí foram “manipulados” para servir à campanha da primeira-dama. Genessi Machado, um dos depoentes no processo de investigação, declarou ao Ministério Público que foi demitido por não ter prestado apoio político aos Busatto. Outra evidência para o MP foi o fato, descrito na ação, de que “algumas pessoas, detentoras de cargos comissionados sem ocupação precisa, após terem sido recentemente desligados da prefeitura, foram flagrados trabalhando no comitê da campanha de Andréia do Charlinho”. Machado também afirmou ao MP que funcionários da prefeitura eram “convidados” a comparecer a reuniões políticas, e que, se assim não o fizessem, estariam em “situação delicada”, pois poderiam perder seus empregos como uma forma de retaliação do prefeito quanto à discordância da adesão à campanha da primeira-dama. Mônica Ré também afirmou na ação que o Tribunal julgou procedente: “Charlinho perpetua o cenário de contratações irregulares de forma a manter poder de barganha sobre um grande número de servidores não efetivos, que chegam a aproximadamente quatro mil pessoas”.

USO DA IMPRENSA O outro ponto que provocou a cassação e inelegibilidade de Andréia (e do prefeito, do vereador e do jornalista) foi o envolvimento irregular com a imprensa local. O MP entendeu que Charlinho fez uma mobilização junto ao jornal Atual para que este passasse a divulgar somente as benesses da Prefeitura e as qualidades de Andréia. Além disso, Mônica Ré classifica de “panfleto político”o jornal Impacto. Segundo ela, a publicação foi criada exclusiva e “artificialmente” para servir de propaganda para os Busatto, tendo como objetivo principal a eleição da primeira-dama. O MP entendeu que o Impacto, por ser distribuído gratuitamente e não contar com anunciantes, recebeu dinheiro público para “publicar matérias tecendo elogios exacerbados à sua [de Charlinho] administração e também à sua pessoa”. Além do jornal Atual, tanto o Impacto quando o ABC Diário foram citados como publicações comprometidas com o prefeito e com Andréia, e que ambos se beneficiaram da influência que os jornais exerceram sobre a população por ocasião das suas eleições.

arquivo o foco/thiago melo

Andréia discursa na sessão solene da Câmara: para o MP e o TRE-RJ, houve abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação na campanha da deputada em 2010

Cerco aperta: suspeitas em CPI As complicações com Andréia já haviam começado há cinco meses. A Câmara Legislativa de Itaguaí abriu em fevereiro uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o suposto esquema de privilégios na “doação” de casas dos conjuntos Turmalina, Esmeralda e Topázio em Chaperó. A CPI apurou que funcionários ligados à se-

cretaria de Educação, comandada na época por Andréia, foram beneficiados pelas casas por meio do projeto da Caixa Econômica Federal em parceria com a Prefeitura. Duas empregadas dos Busatto – Ilcéia Vicente e Cassia Regina Burgo de Mendonça – e o motorista da primeira-dama, Marcelo Augusto Borges, também receberam casas e, de acordo com o relató-

rio da CPI encaminhado na primeira semana de julho ao MP de Itaguaí, se tornaram evidências de crimes. Para a CPI, Andréia cometeu prevaricação (ato contra o dever do cargo), improbilidade administrativa e crime eleitoral. Ela foi denunciada no relatório com mais sete pessoas. Já o prefeito Charlinho ainda está às voltas com 26 processos no Tribu-

nal Superior Eleitoral. O revés desta quinta-feira (14) pode atrapalhar os planos políticos dos Busatto. Ainda em evento de campanha de Andréia em Muriqui, em setembro de 2010 (O FOCO, edição 87), o prefeito declarou aos presentes: “Andréia será uma ótima deputada, e, depois, será prefeita de Mangaratiba. Por que não?”.


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O FOCO

[especial - cassação e inelegibilidade]

Nos corredores da Justiça

Advogado protesta

Manutenção do mandato de Andréia depende de tecnicalidades jupy junior

[Jupy Junior] jupyjunior@jornalofoco.com.br

A decisão do TRE-RJ sobre Andréia, Charlinho e Jorginho deu início a uma batalha política que somente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai decidir. Quando? Impossível prever. Para o leigo fica complicado entender os recursos que os advogados podem impetrar nos Tribunais. A liminar concedida a Andréia, por exemplo, tem um efeito suspensivo, ou seja, até que um dos recursos se-

Bruno Calfat, o enfático advogado dos Charlinho, no julgamento. Abaixo o post de Andréia no Facebook: cassação e inelegibilidade ainda serão discutidas na Justiça

A batalha judicial está apenas começando, e pode levar anos. Assim foi com Aarão, ex-prefeito de Mangaratiba ja julgado, o TSE decidiu que Andréia mantém sua cadeira na Alerj. A batalha judicial está apenas começando, e pode levar anos. Assim foi com Aarão de Moura Britto Neto, ex-prefeito de Mangaratiba: levou mais de um ano até que sua cassação tivesse efeito, e mais alguns meses até que o Tribunal ordenasse a realização das eleições suplementares. ANDRÉIA PUBLICA NO FACEBOOK Logo depois da decisão, o TRE expediu ofício à Assembleia Legis-

lativa do RJ a fim de promover a substituição de Andréia. O suplente, de acordo com a assessoria de imprensa da Alerj, é o vereador de São Gonçalo Jorge Mariola (PDT). Porém Mariola nem pode se animar: não há datas para a cassação definitiva de Andréia, se é que ela vai ocorrer. O FOCO procurou por Andréia Busatto a fim de ouvir suas declarações a respeito, porém uma assessora disse que ela não pretende falar com a imprensa. Em seu facebook, a primeira-dama de Itaguaí declarou: “Fui sur-

preendida com a cassação do meu mandato, acredito não haver nenhuma justificativa baseada na Legislação Eleitoral para isso. Na minha opinião o TSE irá devolver meu mandato e com isso estará prestigiando os mais de 60.000 eleitores que reconheceram nas urnas o meu trabalho.”

O advogado de Andréia, Charlinho e Jorginho garantiu a O FOCO que vai recorrer da decisão do TRE-RJ

“Não se pode julgar com base em testemunhas cujos depoimentos não foram colhidos com base no princípio do contraditório” – disse a O FOCO o advogado de Andréia, Charlinho e Jorginho. Bruno Calfat disse que para colher os depoimentos nos quais se fundamentou a ação do MP era preciso haver presença do advogado da parte investigada com juiz togado. Ele também diz que a jurisprudência da justiça eleitoral é clara quanto à adoção de uma linha editorial de jornais e revistas que apoiem determinado candidato, que nada há de irregular. O advogado não se declarou quanto ao fato de servidores elaborarem os jornais Impacto, ABC e revista No Stilo dentro da Prefeitura. Calfat disse que vai recorrer da decisão.

[A disputa judicial apenas começou] O TRE-RJ decidiu, mas o advogado Bruno Calfat agiu prontamente, e, ainda durante o julgamento, questionou o Tribunal sobre a execução da decisão, ou seja, sobre o fato de Andréia ser já considerada cassada e inelegível, assim como a inegibilidade de Charlinho e Jorginho. A questão surgiu a partir de uma tecnicalidade: era preciso que a decisão fosse publicada em Diário Oficial para que pudesse ter efeito. Para os desembargadores e juízes do TRE, o efeito deveria ser imediato. O presidente do TRE, Luis Zveiter, ordenou que fosse emitido ofício à Alerj para que o suplente de Andréia, Jorge Mariola (PDT), assumisse a cadeira na Assembleia. Há também o fato de que o recurso “embargos de declaração” será interposto, como o advogado garantiu a O FOCO. Isso

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significa que Calfat vai protestar a favor dos seus clientes. Caso o TRE mantenha a decisão, ainda cabe apelar para o TSE. Portanto, Andréia ainda é deputada por força da liminar, pelo menos até que o recurso seja julgado. Ainda não há datas específicas. A assessoria de imprensa da Alerj preferiu manter silêncio e não confirmou se o ofício expedido pelo TRE chegou à Casa Legislativa, nem se Jorge Mariola foi convocado para assumir a vaga de Andréia. Nesta segunda (18), dia do aniversário da deputada, muita gente a parabenizou no facebook, e ela divulgou o seguinte recado: “Quero agradecer a torcida de todos e comunicar que acabo de ser reconduzida ao cargo por decisão do TSE. Muito obrigada a todos pelo apoio, carinho e confiança.”


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O FOCO

[especial - CASSAÇÃO E INELIGIBILIDADE]

“Decisão histórica”

fotos jupy junior

Procuradora Mônica Ré e desembargador Zveiter avaliam julgamentos [Jupy Junior] jupyjunior@jornalofoco.com.br

Se depender do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, os dias de assistencialismo eleitoreiro e relações viciosas do poder público com a imprensa estão com os dias contados. O desembargador Luis Zveiter – presidente do Tribunal – e a Procuradora Mônica Cam-

“Os julgamentos foram um indicativo de que o Tribunal não vai permitir a ilicitude dos processos eleitorais” Luis Zveiter, presidente do TRE-RJ

pos de Ré – autora da ação julgada procedente que cas-

Mônica Ré garantiu que o MP estará atento às irregularidades

sou Andréia Busatto e declarou a ineligibilidade dela, de Charlinho e Jorginho – disseram a O FOCO que a justiça eleitoral será implacável com as práticas abusivas de políticos, candidatos e detentores de cargos públicos. ASSISTENCIALISMO “Foi uma decisão histórica para a política do Rio de Janeiro” – disse a Procuradora – “nossa intenção é coibir o assistencialismo, o abuso de poder político e uso da imprensa pelos políticos locais” – frisou ela. Antes da cassação e ineligibilidade de Andréia Busatto, o Tribunal julgou o deputado estadual Domingos Inácio Brazão (PMDB). A decisão também foi unânime e igual à da primeira-dama de Itaguaí. O relator, juiz An-

Zveiter concluiu que os julgamentos comprovam que as leis devem ser respeitadas tonio Augusto de Toledo Gaspar, declarou seu voto e disse que o “Projeto Ação Social”, na Taquara, era mantido pelo político, e realizava – dentre outros benefícios - atendimentos médicos gratuitos. "Foi encontrado, durante a busca e apreensão, vasto material que evidenciava o caráter eleitoral, como camisas, toalhas e escovas de dente com o nome do deputado na haste" - relatou

[especial - CASSAÇÃO e inelegibilidade]

Imprensa duvidosa Julgamento de Andréia “do Charlinho” expõe relações suspeitas da Prefeitura com jornais locais [Jupy Junior] jupyjunior@jornalofoco.com.br

[Thiago Melo] thiagomelo@jornalofoco.com.br

O julgamento que culminou com a cassação e ineligibilidade de Andréia Busatto (PDT), e a ineligibilidade de Carlo Busatto Junior (“Charlinho”, PMDB), Jorge Luis da Silva Rocha (“Jorginho do Charlinho”, PV) e Marcelo dos Santos Godinho (dono do jornal Atual) revelou uma face desconhecida para muitos munícipes: a relação para lá de suspeita de alguns dos jornais em circulação na cidade com o poder executivo municipal. O TRE-RJ entendeu que os jornais Impacto, ABC Diário e Atual e a revista No Stilo fizeram propaganda política deliberada para o Prefeito Charlinho (por ocasião da eleição de 2008), e para sua esposa (para as

eleições de 2010), em troca de dinheiro público e favores comerciais. O relator juiz Antonio Augusto de Toledo Gaspar declarou que as publicações não foram isentas nas suas coberturas, e que se limitaram a contar os feitos e qualidades de Andréia e Char-

Talvez seja o momento de refletir sobre o papel da imprensa local e suas prerrogativas éticas

linho, o que prejudicou o equilíbrio das eleições em favor dos denunciados. AMADORISMO Jornais do interior, na sua maioria, carregam consigo as características do amadorismo e do comprometimento com os po-

Toledo de Gaspar. Durante o julgamento, houve a exibição de um vídeo para apresentar o centro social, e ficou evidente que o montante de dinheiro usado para manter a complexa estrutura enquadrou o deputado em “abuso do poder político e econômico”. ZVEITER COMENTA Luis Zveiter, presidente do TRE-RJ, disse que há parâmetros que os políti-

deres públicos instituídos. Tudo pela sobrevivência em um cenário de falta de conhecimento do papel da imprensa e pouca verba publicitária disponível (leia a matéria “O preço da liberdade”, nesta edição). As relações com o poder público podem, muitas vezes, ser viciadas. Foi o que procurou demonstrar a Procuradora Mônica Campos de Ré na ação movida contra Andréia, Charlinho, Jorginho e Godinho. O desembargador Toledo de Gaspar disse no julgamento do dia 14 que se ocupou em analisar as ma-

[OPINIÃO - Posicionamento de O FOCO] Cabe informar aos leitores de O FOCO qual é o posicionamento desta publicação em relação aos poderes constituídos. A linha editorial de O FOCO tem como compromisso inegociável a promoção do diálogo entre população, autoridades, artistas e sociedade em geral. Toda renda obtida com O FOCO para financiar os custos de impressão e pagamento de pessoal - além de manutenção de equipamentos e lucro do seu proprietário – provém da venda de espaços publicitários. O FOCO tem se mantido a muito custo como um jornal independente. Para o leitor, algumas vezes, pode parece que a publicação privilegia determinadas vozes em detrimento de outras. Tal fato não é da filosofia editorial de O FOCO: tem-se por princípio “ouvir os dois lados”, como se costuma dizer. O que tem ocorrido é que os poderes públicos executivos não têm dado ensejo ao enfrentamento da imprensa no

que diz respeito às demandas da população nas quais O FOCO entende ser representante. O FOCO não é pró-Charlinho nem contra Charlinho, não é pró-Evandro nem contra Evandro, não é pró-Matinazzo nem contra Martinazzo. O FOCO é a favor da população, e mantém o jornal em circulação com muitas dificuldades financeiras, em que pese a dedicação da equipe mesmo com salários baixos em face da gigantesca carga de trabalho. O FOCO lamenta que parte da imprensa local ainda não tenha atingido um grau de profissionalização compatível com a importância das cidades retratadas. Espera-se também que a população seja esclarecida quanto ao real papel da imprensa, e que a sociedade das cidades de abrangência dos jornais institua uma cultura mais avançada, quer seja no atendimento à imprensa pelos órgãos públicos, quer seja na valorização do trabalho do jornalista.

cos devem respeitar. Sobre os julgamentos, ele afirmou: “É um indicativo de que o Tribunal tem uma postura de não permitir o assistencialismo e uso irregular da imprensa para manter o equilíbrio nas decisões”. Para as eleições de 2012, Zveiter avisa que os postulantes a cargos públicos devem observar com atenção as regras e a lei eleitoral: “vamos aplicar a lei a quem quer seja”.

térias do jornal Atual, por exemplo. Ele constatou que em um determinado momento a publicação começou a tecer elogios à administração de Carlo Busatto Junior e ressaltar as qualidades da primeira-dama e, na ocasião, candidata Andréia Cristina Marcello Busatto. ARGUMENTOS Toledo de Gaspar se posicionou também quanto aos argumentos da defesa dos investigados – a de que os jornais, por terem tiragem de aproximadamente 6 mil exemplares, não seriam capazes de influenciar as eleições. O desembargador disse que a maioria dos votos de Andréia foram obtidos na região onde os jornais mencionados circulam, e que isto indicava um potencial de influência considerável. O que se depreende é que talvez esteja chegando o momento em que a atuação da imprensa em Itaguaí, Mangaratiba e Seropédica comece a ser repensada em relação à sua função e manuntenção, assim como as prerrogativas éticas, obrigatórias em qualquer atividade social.


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[especial - CASSAÇÃO e inelegibilidade]

O impacto da revelação

thiago melo

MP acusa jornal Impacto de ter sido criado artificialmente para enaltecer a figura dos Busatto e de seus aliados políticos [Jupy Junior] jupyjunior@jornalofoco.com.br

[Thiago Melo] thiagomelo@jornalofoco.com.br

Várias “coincidências” foram mencionadas na ação impetrada por Mônica Campos de Ré julgada procedente pelo Tribunal Regional

O endereço do Impacto é o mesmo da sogra de “Jorginho do Charlinho” (PV) – Elisabeth Neves – que figura no expediente como diretora geral da publicação Eleitoral do RJ no último dia 14. As que envolvem o jornal Impacto são as mais incisivas: Sergio Roberto Gonçalves trabalha para o jornal,

para outra publicação (ABC Diário) e para a Prefeitura de Itaguaí. Este foi um dos argumentos nos quais se valeu a Procuradora para impetrar a ação que cassou e tornou inelegível por oito anos a deputada Andréia do Charlinho (ela mantém a cadeira na Alerj sob liminar do TSE), e tornou inelegíveis o prefeito de Itaguaí e o vereador Jorginho do Charlinho (que também aguardam julgamento de recurso). “PANFLETO POLÍTICO” A denúncia detalha que o endereço do jornal Impacto – rua Santo Inácio, 85, atualmente rua Leda Santiago – é o mesmo da sogra de “Jorginho do Charlinho” (PV). Ela se chama Elisabeth Neves e tinha registro comercial no estado do Rio de Janeiro de uma firma individual formalizada para a produção de fraldas descartáveis. Houve uma modificação de

registro para que o jornal Impacto pudesse funcionar. Hoje Elisabeth aparece no expediente da publicação como diretora geral. Tanto o vereador quanto sua esposa, Sheila Neves de Oliveira, têm cadastros eleitorais no mesmo endereço. Tanto Elisabeth quanto Sheila são funcionárias comissionadas na Prefeitura de Itaguaí. Para o MP, o Impacto é um “panfleto político” e foi criado artificialmente para enaltecer as figura dos Busatto e dos seus aliados políticos, dentre eles, o prefeito de Seropédica, Alcir Martinazzo. Segundo a ação julgada procedente pelo TRE-RJ, o Impacto começou a circular na Cidade do Porto para dar sustentação à campanha de Charlinho em 2004 para a Prefeitura de Itaguaí. MULTA DE R$ 50 MIL Ainda em 2004, o jornal Impacto foi condena-

“Só o vereador Jorginho pode falar em nome do Impacto” Bia Rocha, esposa de Enos Lage, assessor de imprensa da Prefeitura de Itaguaí

do por estas práticas à multa eleitoral de R$ 50 mil, valor que ainda não foi pago e que permanece na dívida ativa, de acordo com o Recurso Eleitoral número 2491. Para o MP e o TRE-RJ, não há dúvidas quanto à ligação dos Busatto, Martinazzo e Jorginho com o jornal Impacto. Mônica Ré também questiona para o Tribunal sobre as formas de financiamento da empresa: “atualmente, o principal anunciante do jornal Impacto é a Porto Veículos, revenda de automóveis que pertence ao vereador Roberto Espola-

O jornal Impacto e o vereador Jorginho do Charlinho têm o mesmo endereço: esta casa dor Guimarães [PSDC, do grupo de vereadores pró-Charlinho], também conhecido como ‘Robertinho’, que estaria registrada em nome de seu filho”.

O irmão e assessor de Jorginho do Charlinho, conhecido como “Fabinho”, disse a O FOCO que o vereador não se pronunciaria a respeito.


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O FOCO

[especial - CASSAÇÃO e inelegibilidade]

Jornal “ABCharlinho Diário” “Bob” assina os jornais ABC Diário e o Impacto, e tem matrícula na Prefeitura de Itaguaí [Jupy Junior] jupyjunior@jornalofoco.com.br

[Thiago Melo] thiagomelo@jornalofoco.com.br

No esquema denunciado pelo MP, e que culminou na procedência da ação da Procuradora Mônica Campos de Ré, o jornalista conhecido simplesmente como “Bob” é uma das figuras-chave na re-

Outra denúncia, desta vez ao MP de Itaguaí, diz que o ABC e o Impacto funcionam dentro da Prefeitura de Itaguaí lação viciosa de parte da imprensa local com a Prefeitura de Itaguaí. Ele consta no expediente do jornal Impacto como jornalista responsável (sob o nome “Roberto Gonçalves”, sem número de registro de jornalista) e tam-

bém no expediente do jornal ABC Diário (com o nome “Bob Gonçalves”, com o registro número 17676 ). Para o MP, o ABC Diário faz campanha ostensiva e irregular a favor dos Busatto e de Martinazzo, e é parte do esquema que envolve também a revista No Stilo. Roberto, Bob e Sérgio são a mesma pessoa: um servidor da Prefeitura de Itaguaí, matrícula 19.504, que até outubro de 2010 estava lotado na secretaria municipal de Obras e Urbanismo. Atualmente ele está lotado na assessoria de imprensa da prefeitura, fato confirmado pelo assessor Enos Lage. jornais FUNCIONAM NA PREFEITURA De acordo com denúncia ao MP de Itaguaí promovida pelo secretário executivo da Fapesca, Marcos Garcia – por conta de uma publicação irregular no ABC Diário de edital da Associação de Pescadores Arte-

sanais da Ilha da Madeira (APAIM) - Sérgio elabora o Impacto e o ABC Diário nas dependências da Assessoria de Comunicação da Prefeitura comandada por Enos Lage. Lage inclusive assinou um ofício dirigido ao jornal ABC. Garcia, ao procurar os responsáveis pela publicação em um endereço no centro, foi orientado a se dirigir à prefeitura. Eis parte do texto da denúncia apresentada ao MP de Itaguaí por Garcia: “(...) o Jornal ABC assim como o Impacto [têm] suas redações instaladas na secretaria de comunicação/imprensa da Prefeitura (mantendo endereço de sede fictício), de onde suas publicações são editadas utilizando-se para tal [...] recursos públicos e mão de obra remunerada pelo erário público”. “NÃO LIGUEM PARA MIM” O ABC também tem publicado sistematicamente maté-

arquivo o foco/jupy junior

"Bob" em uma das sessões legislativas em Mangaratiba: cobertura jornalística própria em horário de trabalho na prefeitura rias ofensivas aos vereadores opositores ao governo Charlinho, como uma maneira de rebater pela imprensa as acusações dirigidas ao prefeito Carlo Busatto que eles têm

Estilo pouco ético

Alexandre Lopes expulsa equipe de reportagem e não responde sobre envolvimento da revista No Stilo thiago melo

[Jupy Junior] jupyjunior@jornalofoco.com.br

[Thiago Melo] thiagomelo@jornalofoco.com.br

Outra publicação mencionada na ação da procuradora Mônica Campos de Ré que o TRE-RJ julgou procedente no último dia 14: a revista No Stilo, cujo diretor-editor é Alexandre Lopes, funcionário da prefeitura. Campos de Ré denunciou um esquema de favorecimento ilícito da Prefeitura e do prefeito Charlinho, juntamente com a primeira-dama, Andréia Busatto, a partir de matérias elogiosas publicadas na revista No Stilo sobre os dois, inclusive às vésperas de eleições. Enos Lage, assessor de imprensa da prefeitura, confirmou a O FOCO que Lopes está lotado no executivo municipal como fotógrafo da assessoria. Lopes recebeu a reportagem na redação da revista e a expulsou da sala mediante questionamentos.

feito repercutir em outros veículos da imprensa. O FOCO telefonou para Sérgio Gonçalves na segunda (18) a fim de ouvir sua versão para os fatos. Ele afirmou

Itaguaí, Alexandre Lopes foi fotografado pela equipe de O FOCO dentro de um carro com a logomarca da Prefeitura de Itaguaí, no sexta (1). No sábado (2), a cena se repetiu, embora sem foto: desta vez Lopes estava em um carro da Guarda Municipal, nas proximidades da arena onde ocorreu o rodeio do evento. O relator juiz Toledo de Gaspar mencionou que Andréia foi capa da revista no ano passado, em matéria elogiosa

“Cuidado com o que você vai escrever, vai ter chumbo trocado”

Vinícius Lins, diretor-executivo da No Stilo às vésperas da eleição, e em várias outras em tom de exaltação à deputada do PDT.

No portão da casa onde funciona a revista No Stilo, adesivo com divulgação do telefone "Alô Prefeito" DESTAQUE PARA ANDRÉIA Segundo a ação de Campos de Ré, a principal anunciante da revista No Stilo é a empresa Marvalle Corretora de Seguros, "que foi ou é de

propriedade de Charlinho e de Alexandre Valle" (secretário municipal de indústria, turismo, esporte e eventos – mesma secretaria da qual a assessoria de imprensa da

Prefeitura é subordinada). Ainda segundo o MP, a revista se mantém graças às matérias que enaltecem os Busatto e seus aliados políticos. Durante a Expo 2011 em

EQUIPE EXPULSA DA SALA E AMEAÇAda O FOCO procurou por Alexandre Lopes na redação da revista na quinta (14) a fim de ouvir a sua versão para os fatos. Ele negou que fosse sócio na revista No Stilo. Ao saber que a revista tinha sido citada na ação movida pela procuradora Mônica Campos de

à reportagem: “não sou pessoa famosa, e não sou criança, esqueçam o meu nome, o que eu faço é da minha conta, eu sei o que vocês pretendem fazer, não liguem para mim”.

jupy junior

Lopes ao volante de carro com logotipo da prefeitura Ré, Lopes expulsou a reportagem da sala e disse a Thiago Melo, diretor do jornal O FOCO, que acompanhava a apuração: “você está dando uma de pilantra, querendo envolver meu nome no meio”. Mais tarde, o diretor de O FOCO recebeu uma ligação telefônica de Vinícius Lins, diretor-executivo na revista No Stilo. Lins ameaçou Melo: “cuidado com o que você vai escrever sobre a minha revista. Vai ter chumbo trocado" – alertou. Poucas horas depois Vinícius encontrou com Thiago Melo durante sessão na Câmara de Itaguaí, e muito exaltado disparou: "jornalista tem que respeitar jornalista".


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O FOCO

[especial - CASSAÇÃO e inelegibilidade]

Atualmente, na berlinda

thiago melo

Atual mudou linha editorial a favor de Charlinho, diz TRE-RJ [Jupy Junior] jupyjunior@jornalofoco.com.br

[Thiago Melo] thiagomelo@jornalofoco.com.br

Na relação viciosa com a Prefeitura de Itaguaí denunciada pelo Ministério Público, uma publicação que circula na cidade mereceu destaque: o jornal Atual. Comandado por Marcelo Godinho – cuja decisão do Tribunal o tornou inelegível por oito anos – o jornal serviu como evidência que “os Charlinho” (como se referiu a Procuradora Campos de Ré) se beneficiaram

A Procuradora do MP afirma que Martinazzo publica atos oficiais no Atual como uma recompensa pela cobertura elogiosa aos Busatto

de uma cobertura elogiosa a respeito do prefeito e da primeira-dama. O atual prefeito de Seropédica, Alcir Martinazzo, também foi mencionado. O MP entendeu que há um esquema de produção de notícias que visa influenciar a população para manter altos os índices de popularidades, destes políticos, e que há omissões sobre fatos condenáveis da prefeitura de Itaguaí a fim de não manchar a reputação das autoridades. MUDANÇA EDITORIAL Mônica Campos de Ré relata na ação julgada procedente pelo Tribunal que, até meados de 2009, Marcelo Godinho manteve a linha editorial do jornal Atual com críticas ao prefeito Charlinho. Depois disso, houve uma súbita mudança: o Atual passou a enaltecer a figura dos Busatto. Campos de Ré credita isso à invibiabili-

Até meados de 2009, Godinho manteve no Atual críticas a Charlinho. Depois, houve uma súbita mudança: o jornal passou a enaltecer a figura dos Busatto dade econômica que o jornal sofreu depois das pressões realizadas pelo prefeito, que teria inclusive ordenado a proibição da venda da publicação nas bancas e teria feito manobras para impedir que comerciantes anunciassem no jornal. Godinho, sem saída, teria entrado em acerto com o prefeito para manter a publicação de pé. O FOCO procurou Marcelo Godinho para ouvir a sua versão dos fatos, porém foi informado pelo editor da publicação – Renato Reis - que ele estava na Europa, de férias.

A nova sede do jornal Atual: mudança súbita na linha editorial, alteração de periodicidade e contrato com prefeitura de Seropédica justificaram ação do MP

Contrato com prefeitura Depois do suposto acerto, o Atual mudou de sede (foi para uma casa espaçosa próximo à Câmara), mudou de linha editorial (sem críticas ao prefeito) e obteve um importante financiamento indireto: a prefeitura de Seropédica passou a publicar os atos oficiais do executivo daquela cidade. Tais publicações só poderia ser feitas em jor-

nal diário de grande circulação, e mediante este impedimento, Godinho decidiu mudar a periodicidade do Atual de semanal para diário. Alcir Martinazzo,que se tornou prefeito de Seropédica depois da cassação de Darci dos Anjos, foi vice-prefeito de Charlinho no seu primeiro mandato. Mônica Ré afirma que Martinazzo publica atos oficiais no Atual orques-

trado por Charlinho para fins de recompensa pela cobertura elogiosa aos Busatto. A reportagem também entrou em contato com a secretaria de governo da Prefeitura de Seropédica e solicitou valores e uma cópia do contrato com o jornal Atual. Até o fechamento desta matéria nenhuma resposta foi enviada à redação.

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[especial - CASSAÇÃO e inelegibilidade]

Prefeitura e imprensa: estranha sintonia Enos Lage, assessor da Prefeitura de Itaguaí, confirma relação pouco ética fotos thiago melo

[Jupy Junior] jupyjunior@jornalofoco.com.br

[Thiago Melo] thiagomelo@jornalofoco.com.br

Uma relação no mínimo suspeita: assim se pode dizer da sintonia entre as publicações Impacto, ABC Diário e revista No Stilo com a prefeitura de Itaguaí. Esta conclusão pode ser alcançada a partir da entrevista que Enos Lage, assessor de imprensa da prefeitura, concedeu a O FOCO no dia 14, mesmo dia em que o TRE-RJ julgou procedente a ação impetrada pela Procuradora Mônica Campos de Ré. A Procuradora denunciou esquema de favorecimento das publicações com dinheiro público em troca de matérias elogiosas a respeito dos Busatto e de seus aliados políticos. Os envolvidos: Andréia, Charlinho, vereador Jorginho e Marcelo Godinho, do jornal Atual.

OUTRA DENÚNCIA NO MP Outra denúncia, desta vez encaminhada ao MP de Itaguaí pelo secretário executivo da Fapesca Marcos Garcia – dá conta de que tanto o ABC quanto o Impacto são elaborados dentro da assessoria comandada por Lage. Garcia procurou o ABC para levar um ofício em que pedia retratação por conta de uma publicação irregular de edital da Associação de Pescadores Artesanais da Ilha da Madeira (APAIM). Foi ao endereço que consta no expediente da publicação, mas ao chegar lá foi orientado a se dirigir à Prefeitura para entregar o documento. Foi recebido por Enos Lage, que assinou recibo do ofício para o jornal. ENOS CONFIRMA LOTAÇÃO DE BOB E ALEXANDRE Enos negou que o Impacto e o ABC fossem feitos dentro da Prefeitura. Mas confir-

Lage em sua sala: assessor confirmou que editores estão lotados na sua assessoria mou que Sergio é lotado em seu gabinete: “ele trabalha aqui de 8:30h às 17h, inclusive sábados, domingos e fe-

riados, se for preciso” – disse o assessor. Bob acompanha quase todas as segundas e quartas as sessões legislati-

vas da Câmara de Mangaratiba para realizar cobertura jornalística para o ABC e o Impacto. “Não tenho co-

Assessoria "sem verba" Sobre a verba destinada à assessoria, ele disse: “aqui na assessoria não tem verba, não”, e acrescentou: “somos ligados à secretaria de Indústria, Turismo, Eventos e Esportes, de Alexandre Valle”. Valle, juntamente com Alexandre Oberg

(Procurador-geral de Itaguaí) e Fernando Ramos, é investigado por suposto acesso a informações privilegiadas na compra de terrenos na Ilha da Madeira vendidos depois à LLX, de Eike Batista. Sobre o fato de servidores da sua assessoria atua-

rem em veículos de imprensa acusados pelo Ministério Público Federal de fazer apologia do prefeito e da primeira-dama, Enos não vê qualquer impedimento ético: “É mesmo um quebra-cabeças difícil de entender” – declarou.

nhecimento disto” – afirmou Lage. Quando a reportagem afirmou que tinha fotos capazes de comprovar, Enos disse: “vamos apurar isso e tomar providências”. Quanto a Alexandre Lopes, diretor-editor da revista No Stilo, Enos afirmou: “é fotógrafo da prefeitura, lotado aqui na assessoria de imprensa”. A revista é mencionada na ação da Procuradora Mônica Ré e no voto do relator desembargador Toledo Gaspar, do TRE-RJ, como uma das publicações que fazem apologia aos Busatto. Lage demonstrou surpresa quanto ao fato: “É?” – perguntou-se o assessor, surpreso, e complementou: “O que eu vejo na relação da prefeitura com os jornais é a divulgação dos fatos do executivo, não é uma promoção pessoal do prefeito”. Enos afirmou que a imprensa recebe os informes sobre a Prefeitura regularmente, por e-mail. Há mais de um ano o jornal O FOCO não recebe qualquer comunicado oficial da Prefeitura, e as credenciais para a Expo 2011, por exemplo, foram negadas a O FOCO.

[mulher de lage trabalha no impacto]

Ofertas válidas para os dois mercados condicionadas à duração do estoque. Valores sujeitos a alteração sem aviso prévio.

Bia Rocha, que aparece no expediente do jornal Impacto como contato publicitário, é mulher de Enos Lage (ler matéria “O impacto da revelação”, nesta edição). “Sim, Bia Rocha é minha mulher e trabalha no jornal Impacto” – disse ele a O FOCO. “Pelo que eu sei o jornal Impacto não recebe um centavo da Prefeitura, se não houver um comprovante de pagamento que indique isso,

não é estranho” – declarou Lage. Bia declarou a O FOCO que quem responde pelo Impacto é o vereador Jorginho “do Charlinho”, portanto, aliado político do prefeito. Lage disse ainda que a imagem positiva da publicação sobre o prefeito é de acordo com a linha editorial de cada jornal ou revista: “eu mando a notícia, eles publicam do modo que quiserem”.

"Não é estranho" - disse Lage


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O FOCO

[IMPRENSA REGIONAL]

O preço da liberdade Atuar como imprensa independente exige jogo de cintura e sacrifício [Jupy Junior] jupyjunior@jornalofoco.com.br

Os jornais que exercitam independência política em relação aos poderes constituídos muitas vezes sofrem com dificuldades financeiras. É o caso de O FOCO. Muitas vezes as publicações amargam prejuízos porque não conseguem obter renda com publicidade paga

O FOCO mantém seu compromisso ético de denunciar os poderes públicos quando estes não atuam em prol da população por comerciantes, empresas ou indústrias. Estes, por sua vez, subestimam a população e não se sentem na obrigação de anunciar seus produtos, ideias ou projetos. Já o poder público, por interesse eleitoreiro, muitas vezes manipula as publicações para que estas somente divulguem notícias positivas sobre os governos, e, quando

não conseguem manipular, subtraem informações. Este é o contexto no qual O FOCO atua em Itaguaí, Mangaratiba e Seropédica. TRIPÉ BÁSICO Para atuar e sobreviver como empresa lucrativa que pague contas - impostos, funcionários, aluguel da sala onde funciona a redação, impressão da gráfica, material de escritório, combustível para o carro de reportagem, manutenção de equipamentos, legalização de documentos, serviços como internet, telefone, divulgação e distribuição etc - a imprensa precisa estar fundamentada em um tripé básico: venda de publicidade, de assinaturas e de exemplares avulsos. Por ter a distribuição gratuita O FOCO tem se mantido apenas com a publicidade, porém com imensas dificuldades financeiras: é o preço da liberdade. COMERCIANTES TEMEROSOS A venda de espaços publicitários tem se tornado uma batalha diária. Mui-

tos comerciantes, atentos aos movimentos políticos, temem represálias dos poderes públicos – principalmente do executivo municipal. Isto também se deve ao fato de que alguns atuam de modo irregular, e a publicidade poderia ser um chamariz desagradável. Outros não querem se ver vinculados a uma cobertura jornalística que aponte falhas ou problemas na administração municipal, quer seja por convicção política, quer seja para evitar represálias. Além desta primeira dificuldade, ainda há a ideia de que publicidade não traz clientes, algo que contraria diversos estudos sobre comunicação humana empreendidos desde a década de 1940: a publicidade tem o imenso poder de atuar sobre o imaginário humano, e empresas como a Coca-cola, por exemplo, apesar de absolutamente líderes nos seus segmentos, mantêm a publicidade constante como princípio fundamental dos seus negócios. As grandes indústrias e

fotos arquivo o foco/thiago melo

O FOCO sendo impresso na gráfica: jornal se mantém à custa de muito empenho empresas que se instalam nas cidades muitas vezes não se ocupam em anunciar nas publicações locais, e quando o fazem, é de modo esporádico e ocasional. O diálogo que promovem com a população local é restrito e sempre de modo circunstancial. “IMPRENSA CHAPA BRANCA” Grande parte dos leitores já desenvolveu uma descrença em relação à imprensa local.

A expressão usada é “imprensa chapa branca” (relativo às placas de carros oficiais), ou seja, imprensa que atende aos comandos do poder público constituído. A equação está longe de ser resolvida: se o jornal ou revista expõe a corrupção do poder público, perde propaganda oficial e fica com menos dinheiro ainda em caixa. Se não expõe, fica à mercê da publicidade, sofre pressões políticas e não consegue sobreviver. O poder público tam-

Compromisso com a sociedade O jornal O FOCO mantém seu compromisso ético de denunciar os poderes públicos quando estes não atuam em prol da população. Em contrapartida, precisa de dinheiro para manter suas atividades, que são dis-

pendiosas e que exigem – claro – pagamento justo para seus profissionais. Por este motivo, o tripé básico, atualmente em desequilíbrio, precisa ser reorganizado: assinaturas e venda de exemplares estão sendo considerados para que o jornal O

FOCO possa continuar seu trabalho de servir de intermediário entre a população e o poder público. Mais uma vez o leitor será primordial no sucesso da empreitada. Envie sua opinião para o e-mail leitor@ jornalofoco.com.br.

O FOCO pronto para distribuição: sacrifício e equilíbrio

O FOCO tem se mantido apenas com a publicidade, porém com imensas dificuldades financeiras: é o preço da liberdade bém não se sente na obrigação de responder aos jornalistas a respeito das atividades oficiais, e subtraem informações essenciais. Deste modo, impedem a fiscalização do poder público, um dos fundamentos da atividade jornalística. A falta de profissionalismo dos departamentos de comunicação tem sido uma denúncia constante de O FOCO. Muitos governantes escondem seus atos para que suas atividades irregulares não se tornem de conhecimento da sociedade.

Alô Redação

Ligue e denuncie!

2687-0694 O FOCO

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O FOCO

[EDUCAÇÃO]

Depois da festa, exoneração

thiago melo

Manifestantes acusam secretária de Educação de Mangaratiba de represália política. Pivô do conflito é ex-secretária e primeira-dama Mônica Moura de Brito [Jupy Junior] jupyjunior@jornalofoco.com.br

[Thiago Melo] thiagomelo@jornalofoco.com.br

Tudo levava a crer que a tradicional festa julina promovida na escola municipal Adalberto Pereira Pinto, na localidade conhecida como Itacurubitiba (Conceição de Jacareí, às margens da Rio-Santos), no sábado (9), seria apenas mais uma confraternização da comunidade. Porém, foi com surpresa que a diretora da escola, Sônia Regina de Oliveira Barbosa recebeu na terça (12) a notícia: estava exone-

Prefeitura alega que Sônia foi exonerada por “falta de confiança” da secretária na ex-diretora rada do cargo pela secretária de Educação de Mangaratiba, Vânia Nunes. O motivo pode ter sido político: a presença da ex-secretária de Educação do município e ex-primeira dama - Mônica Moura de Brito – na festa julina da escola teria incomodado Nunes.

MANIFESTAÇÃO Na sexta (15), manifestantes protestaram em frente à Prefeitura contra a exoneração de Sônia Regina e exigiram a volta dela ao cargo que ocupou durante 13 anos. Sônia tem 23 anos de magistério, sempre na mesma escola. Em carta aberta à população distribuída durante o protesto, Sônia é exaltada como pessoa querida da comunidade de Itacurubitiba: “Sempre disposta a ajudar quem precisa, pessoa humilde e dedicada, recebe a todos com carinho e uma palavra amiga. Mesmo de licença médica não deixou de

Busse com manifestantes em reunião na prefeitura: eles exigem a volta da ex-diretora ao cargo acompanhar de perto a obra da escola” – diz o texto. O QUE DIZ A EX-DIRETORA “Fui chamada ao gabinete da secretária Vânia Nunes na terça (12), por volta das 16h. Vânia pediu que eu explicasse porque reservou o melhor lugar da festa para Mônica [Moura de Brito] e porque a ex-secretária tinha sido tratada com tantas honrarias. Disse que nunca tinha sido tão humilhada, e que o lugar deveria ter sido reservado para ela.” – conta a ex-diretora. Sônia Regina também conta que respondeu à secretária que Mônica Brito havia chegado primeiro, e que a festa era aberta à comunidade. Além disso, alegou que poderia ter reservado um lugar para Nunes, se assim ela o quisesse. “Por conta de tu-

do o que aconteceu no sábado (9), eu estou trocando a direção da escola” – teria dito a secretária, segundo Sônia. O QUE DIZ A PREFEITURA O FOCO tentou falar com a secretária Vânia Nunes, porém ela não atendeu as ligações. A Prefeitura de Mangaratiba divulgou nota em que diz o seguinte: “Segundo a secretária de Educação Vânia Nunes, a vaga de diretora escolar trata-se de um o cargo de confiança e que, em con-

versa com Sônia Regina, ela decidiu pelo seu afastamento ao alegar que a ex-diretora não provia de sua confiança para exercer o cargo. A Secretária esclarece ainda que não se trata de perseguição política, visto que a diretora continuou no cargo desde que a atual gestão assumiu a Prefeitura.” A nota porém não esclarece por qual motivo a secretária Vânia Nunes perdeu a confiança em Sônia Regina, e qual incidente a fez chegar a essa conclusão. divulgação

Sônia Regina, Vânia Nunes, Kelly Ferreira e Alessandra na festa da discórdia

Pedidos de recondução O vereador Gustavo Busse (PSDB) enviou pedido formal à Prefeitura para que Sônia Regina fosse reconduzida ao cargo. Até o fechamento desta edição, a Prefeitura não reconduziu Sônia ao cargo de diretora. Um abaixo-assinado com cerca de 300 assinaturas foi entregue na manhã de sexta (15) ao secretário de governo Edson Nogueira, que prometeu encaminhá-

-lo junto com uma carta e o pedido de Busse. Nogueira prometeu a resposta para segunda-feira (18), mas a decisão foi mantida. CAPIXABA X AARÃO Evandro Capixaba (PR), atual prefeito, é adversário político de Aarão de Moura Brito, ex-prefeito cassado em 2010, desde meados de 2005. Capixaba foi vice de Brito no primeiro mandato dele, e romperam publicamente, sem que uma

causa específica tenha sido divulgada. Depois da cassação, Evandro disputou a eleição suplementar para substituição do prefeito, e foi eleito. Assumiu em março de 2011, e trocou todo o secretariado. Mônica, mulher de Aarão, foi secretária de Educação nos dois mandatos do marido. Vânia Nunes assumiu a pasta de Educação em março, junto com o atual governo.


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O FOCO

[INFORME PUBLICITÁRIO]

Mais perto e mais barato

Consultório inaugurado em Muriqui é boa opção de saúde Uma nova opção em saúde está disponível em Muriqui. No dia 8 de julho foi inaugurado o consultório que conta com atendimento especializado em Cardiologia, Fisioterapia e Psicologia. A nova opção unirá a experiência da Dr.ª Eliane Rodrigues Danne – cardiologista - ao entusiasmo de Dr.ª Fernanda Correia e Dr.ª Ellen Meirelles – fisioterapeuta e psicóloga. Tudo isso a preços acessíveis a população. O consultório atende pacientes de todas as idades. O evento de inauguração foi marcado pela presença de amigos e familiares. Um coquetel com direito a brinde com champagne foi oferecido aos convidados. Dentre as presenças, destaque para padre John, que fez uma oração para abençoar o novo consultório.

REALIZAÇÃO “A ideia de montar o consultório surgiu numa festa” – conta Eliane, e acrescentou: “em um mês executamos o projeto e inauguramos o consultório”. Ellen disse que se sente realizada com o empreendimento porque sempre trabalhou no serviço público, e de certa forma ela agora terá mais liberdade para inovações. Fernanda também comemorou a novidade. TRATAMENTO CONJUNTO Em um mesmo endereço, os pacientes vão tratar do coração, do corpo e da mente. As três especialidades juntas podem ajudar quem precisa de um tratamento conjunto, algo que se torna difícil na rede pública. O fato das três profissionais

Fernanda, Eliane e Ellen: experiência e entusiasmo se conhecerem certamente ajuda a criar uma estratégia de saúde mais eficaz.

Serviço Consultórios: Cardiologia – quarta – das 8h ao meio-dia e quinta (a partir de agosto) – 8h às 17h

COMODIDADE Outra vantagem é a comodidade: em Muriqui as opções de tratamento são muito limitadas. As pessoas não precisam mais ir até Itaguaí para serem atendidas. Quanto ao pagamento, os clientes podem combinar pacotes e facilitações para terem a saúde sempre em dia. Inicialmente, o consultório não aceita convênios, mas as negociações estão em curso. Todas as facilidades para o melhor atendimento.

Fisioterapia – segundas, quartas e sextas – 13h às 17h Psicologia – Agendamento pelo telefone 9339-1721 Endereço: Rua. Rio Grande do Norte, n.° 577 - Muriqui


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O FOCO

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cultura [DIA MUNDIAL DO ROCK]

Parabéns ao rock´n´roll

fotos divulgação

SERVIÇO: A Rolling Stone Disco fica na Rua Juraci Vidal Clemente, 111, centro de Itaguaí. A casa funciona de quinta a sábado, a partir das 21h. Preços entre 3 e 5 reais. rollingstonedisco.com.br

Na semana do Dia Mundial do Rock, O FOCO confirma que Itaguaí vai além de Luan Santana [Juliana Torres]

A

redacao@jornalofoco.com.br

inda bem que nem só de sertanejo e pagode vive a música. O som estridente da guitarra, o grave do baixo e as batidas harmônicas da bateria se casam perfeitamente quando o assunto é rock´n´roll. Na última quarta-feira (13) foi comemorado o Dia Mundial do Rock, e apesar do Rio de Janeiro ser conhecido pelos batuques do funk e pelas rodas de samba, o estado tem um grande número de pessoas que gostam do ritmo. Prova disso são as casas específicas para este público. Em Itaguaí, existe um lugar onde os roqueiros podem se reunir e escutar uma música de boa qualidade. A Rolling Stone Disco existe há dois anos e é exclusiva para o público rock´n´roll. Segundo o proprietário da casa, o italiano Antonio Claps, mais de mil bandas já se apresentaram no local, dentre elas as conhecidas Black Dog e Maldita. Pessoas de Campo Grande, Seropédica e Mangaratiba vêm para a Cidade do Porto para conhecer a casa de rock. A Rolling Stone Disco conta com dois andares. O primeiro, conhecido como “a caverna do rock” é a área de shows, onde as bandas se apresentam. No segundo, há mesas de sinuca, sofás e uma junkie box com mil discos só de rock. AMOR PELO ROCK Antonio tem seus 38 anos marcados pelo rock´n´roll. O italiano de Nápoles disse que sempre trabalhou com a realização de even-

tos musicais e como DJ em casas noturnas. Inclusive foi assim que viveu quando veio pela primeira vez ao Brasil em 1996. Na Bunker (RJ) e na Madame Satã (SP) ficou conhecido como o “DJ gringo”. Hoje, Antônio reside em Mangaratiba e foi por meio de amigos que surgiu a idéia de uma casa de rock em Itaguaí. “Eu tinha um bar lá, e o pessoal dizia que Itaguaí precisava de um lugar para os músicos se apresentarem”- disse ele.

“Mais de mil bandas já se apresentaram na casa” Antonio Claps, proprietário da Rolling Stone Disco

Dia mundial do rock começou com Live Aid

A

música se torna ainda mais simbólica quando, além de suas notas e atitude, é usada para fazer o bem a outras pessoas. E foi justamente por isso que um dos estilos musicais mais conhecidos ganhou um dia especial. O Dia Mundial do Rock é comemorado em todo o mundo desde 1985, quando o músico Bob Geldof realizou o Live Aid. O evento foi em realizado simultaneamente em dois países - In-

glaterra e EUA - e teve como objetivo a erradicação da fome na Etiópia. Famosas bandas se apresentaram, dentre elas The Who e Black Sabbath. O Live Aid ajudou a popularizar a campanha que tinha por objetivo reunir fundos para minimizar o problema da fome na África. O evento, que teve repercussão mundial, foi realizado no dia 13 de julho e por isso, esta data foi a escolhida para celebrar o rock.


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O FOCO

[MURIQUI]

[LITERATURA]

Quase de graça

Barbearia musical

jupy junior

Saxofone deixa tarde de Muriqui mais poética [Jupy Junior] jupyjunior@jornalofoco.com.br

Foi assim: a reportagem esperava o carro que a levaria para outra apuração. Mas eis que um som domina a tarde com temperatura amena na Avenida Cândido Jorge, em Muriqui: um saxofone. Após seguir o som, descobre-se a origem dele: é a Barbearia do Mineiro, quase em frente ao sacolão do Valmir. O músico é o dono da barbearia, Carlos Alberto Pires, de 45 anos. Pires veio para Muriqui há um ano e há três meses abriu a barbearia. Nasceu em Carangola (MG), e

como a cunhada já morava há 15 anos em Muriqui, ele resolveu trazer a família para dar mais chances de trabalho ao filho de 19 anos, Lucas. REDENÇÃO E ILUMINAÇÃO O saxofone significa para ele duas coisas: redenção e iluminação. “Eu bebia muito, estava desencaminhado na vida, e o instrumento é uma revelação de Deus” – conta ele. Carlos Alberto é bastante religioso, e se dedica à igreja, onde ele toca seu sax para louvar a Deus. “Aprendi há 3 anos” – explicou. Disse

Carlos Alberto e seu saxofone: "canja" para clientes também que o sax tenor, que ele exibe com orgulho, é um dos mais difíceis de tocar: “porque são quatro vozes, soprano, contralto, tenor e baixo”. MÚSICA SACRA Ele costuma ensaiar todas as tardes para tocar música sacra às quartas e sábados na igreja em Muriqui. Já se apresentou em

Itaguaí, também. Entre os atendimentos – são quatro ou cinco pessoas por dia, em média – ele sopra o sax e enfeita o dia de quem passa pela porta. Para quem está interessado nos serviços da Barbearia do Mineiro, os preços não são altos – barba a 5 reais e cabelo com tesoura a R$ 10. Mas a música – que legal! – é de graça.

Feira de Livros em Mangaratiba oferece obras a um real Imagine ter em mãos uma obra de Jorge Amado a R$ 3. Um livro de Cecília Meireles ou José de Alencar a preço popular. Alguns volumes a R$ 1. Esta é a grande oportunidade que a Fundação Mário Peixoto apresenta à população com a I Feira de Livros de Mangaratiba. São seis tendas com mais de três mil exemplares disponíveis para venda até o dia 30 – podendo ser prorrogado até o dia 20 de agosto – na Praça Robert Simões, no Centro. Os expositores fazem parte da Associação dos Livreiros Independentes do Estado do Rio de Janeiro (Alierj), que aceitaram o convite da FMP para trazer para a cidade mais conhecimento por meio da leitura. “Mangara-

tiba está dando um grande passo à frente a incentivar à leitura. A cidade acordou a tempo” - destacou o expositor e dirigente da associação, Carlos Alberto Lourenço. À disposição dos “consumidores de leitura” – conforme classificou outro expositor – estão livros de variados gêneros. “A expectativa é vender muito. As pessoas já estão vindo e comprando. Tem muito livro novo, nunca usado, e que custa R$ 5” avaliou uma vendedora. A Feira é uma novidade no município e uma boa oportunidade para quem é carente de boas obras, já que não existem livrarias no comércio da cidade. A palavra de ordem é aproveitar, e levar muitos livros para casa.

[MURIQUI]

[ARTES PLÁSTICAS]

Arte francesa em Mangaratiba Giovanni Velasco Cati Laport se inspira na paisagem carioca e expõe no Solar do Sahy A Fundação Mário Peixoto traz para Mangaratiba as obras da artista plástica francesa Cati Laport. A partir dessa sexta-fei-

ra (22), o público vai poder conferir as peças feitas pela autora no Solar Barão do Sahy, sede da FMP. Cati Laport é formada

em pintura decorativa, em Bruxelas, na Bélgica. Algumas de suas pinturas lembram o mármore, madeira e painéis decorativos. Cenografia também é uma especialidade de Laport. Após morar nos Estados Unidos e na Europa, a artista descobriu no Rio de Janeiro uma nova inspi-

ração: a paisagem carioca. Atualmente a francesa se dedica a atividades de design com papelão, móveis e câmara escura portátil. A mostra fica em exposição até o dia 13 de agosto, no Sola Barão do Sahy, na Rua Coronel Moreira da Silva, 173, de segunda a sábado, das 8h às 17h.

O artista plástico Giovanni Velasco divulga seus quadros em Itacuruça. A exposição acontece de 15 de julho a 6 de agosto, de segunda à sexta-feira, das 9:00 às 17:00, no centro cultural de Itacuruçá. A exposição contará com um total de 12 reproduções das obras originais do artista. Essa é a segunda vez

que Giovanni expõe seus quadros. Ele já havia apresentado essa exposição no restaurante “Comida Mineira”, em Mangaratiba. “Minha expectativa para a exposição é que tenha um grande número de público que possa divulgar o meu trabalho. Espero que seja um sucesso” – almejou o artista.

[diversão na certa]

Boa opção em Itaguaí Restaurante Molejo: música na sexta e feijoada no sábado O teclado de Mineiro continua a toda, assim como a simpatia de Graça, dona do restaurante Molejo, que fica na Vila Margarida, em Itaguaí. O Molejo é uma boa opção para quem quer se divertir: tem música, boa comida, cerveja gelada e bom atendimento. As noites dançantes são às sexta-feiras, a partir das

21h. Quem tiver disposição no dia seguinte, vale conferir a feijoada, com tudo o que tem direito. A entrada é gratuita, mas é bom chegar cedo para garantir a sua mesa: o local é disputado, o ambiente é familiar, e as músicas de Mineiro não deixam ninguém parado. É só treinar os passos e se animar.

fotos verônica leal


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O FOCO

Sexta-feira, 22 de julho de 2011

Jornal O FOCO - Edição 106 - NOTÍCIA COM NITIDEZ  

Notícias de Mangaratiba, Itaguaí e Seropédica.

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