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O FOCO

Ano 6 | Edição 102 17 de junho de 2011 Diretor: Thiago Melo

ITAGUAÍ EM 4 TEMPOS...

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Thiago Melo

O Globo denuncia suposto esquema de informações privilegiadas envolvendo Alexandre Valle - secretário de Turismo - e Alexandre Oberg, Procurador-Geral - que teriam lucrado R$ 10,3 milhões com venda de terrenos na I. da Madeira raphael Melo

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Páginas 3 e 4

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O presidente da Câmara, Vicente Rocha, dedicou duras palavras aos envolvidos no escândalo dos terrenos e prometeu ser implacável nas investigações da CPI LLX/MMX jupy junior

Lista de contemplados das casas em Chaperó inclui 23 funcionários da prefeitura, faxineira de Martinazzo - prefeito de Seropédica - e supostos empregados de Andréia e Charlinho Thiago Melo

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Prefeitura ignora lei municipal e patrocina festa junina de rua para divertir cidadãos. O “Arraiá da Cidade do Porto” foi o último a acontecer, garante Câmara


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O FOCO

opinião [Foto Destaque]

[editorial]

thiago melo

ESCÂNDALO, FÉ E PROGRESSO O domingo (12) trouxe um escândalo: o jornal O Globo publicou em página inteira que Alexandre Valle e Alexandre Oberg – secretário municipal e procurador-geral de Itaguaí – poderiam ter se aproveitado de informações privilegiadas na Ilha da Madeira para lucrar alguns milhões de reais. Ninguém sabe ainda quais foram as reais circunstâncias do negócio. É errado alguém ganhar muito dinheiro por investir em imóveis? Não, claro que não. É errado alguém se aproveitar da sua intimidade com o poder para ganhar muito dinheiro? Sim, é muito errado. Enquanto a Justiça não resolve, cabem algumas considerações. A LLX / MMX afirma que o SuperPorto Sudeste só começou a ganhar forma como empreendimento a partir de 2008, portanto, depois da compra dos terrenos. Uma questão crucial nesse contexto é relativo ao tempo. Sim, o tempo é a chave do mistério, se é que há um. Quanto tempo demora para uma empresa começar a buscar apoio municipal para uma obra tão impactante ao meio ambiente e à cidade em si? E em que momento um órgão licenciador precisa saber das intenções de uma empresa a respeito? O FOCO acredita que leva bastante tempo, até porque o órgão licenciador precisa estudar a área para saber quais são as contrapartidas necessárias para que a população ganhe alguma coisa com isso. Sim, a população precisa ganhar alguma

coisa, e não perder o seu sustento, como vêm afirmando os pescadores e comerciantes da Ilha da Madeira. Quando a reportagem esteve lá, recentemente, conferiu a transformação de um lugar belíssimo, mas agredido por obras intensas. O morro pelado, o túnel que está sendo construído pela Odebrecht pela Marinha, o cais da LLX tão perto da Praia do Saco de Dentro... não faz muito tempo estivemos no restaurante Visual e apreciamos a vista, que agora está completamente transformada. Saudosismo? Talvez... inoperância dos órgãos licenciadores? É bastante razoável supor que sim. O FOCO acredita que os governos estadual e municipal deveriam ter feito de tudo para evitar que denúncias pipocassem de todos os lados. Muitos estão insatisfeitos, e, se no contexto desses muitos existem pessoas que também querem lucrar com a exploração, isso é só mais uma contra-indicação do progresso a qualquer custo. O que chama a atenção em uma das matérias desta edição – serão muitas na próximas que vão tratar desse assunto, sabemos de antemão – é que a LLX precisaria no mínimo investir em 9 milhões de reais em saneamento básico em Itaguaí. Na Cidade do Porto, constatamos existem valas a céu aberto no centro da cidade. Sejamos otimistas, então: talvez o progresso que já chegou para muitos ainda chegue para todos. É o que nos resta acreditar. Vida que segue, estamos de olho. Até a edição 103!

Trânsito caótico

Infelizmente não há foto que descreva com exatidão como é o trânsito de Itaguaí nas primeiras e útimas horas do dia. Carros, ônibus, motos, bicicletas e pedestres disputam cada milímitro da via pública. Está na hora da prefeitura de Itaguaí contratar um engenheiro de tráfego para tentar organizar a bagunça. Recado dado.

[Caixa-postal] Este espaço é reservado para você, leitor. Escreva sua carta ou e-mail com sugestões de matérias, elogios, críticas e comentários. Se está faltando água na sua rua ou se seu bairro necessita de atenção do Poder Público, este é o seu canal. Ajude a fazer um jornal com o seu jeito. Envie seu e-mail para

leitor@jornalofoco.com.br As cartas devem ser encaminhadas com nome completo, RG, telefone e endereço do remetente. O FOCO reserva-se o direito de selecioná-las e resumi-las para publicação.

observatório [thiago melo]

thiagomelo@jornalofoco.com.br

arquivo/o foco

Saiu pela tangente O vereador Abelardinho (PDT) apresentou indicação para homenagear o diretor de sustentabilidade da CSA, Luis Claudio Ferreira Castro, com o título de cidadão itaguaiense no próximo dia 5. Até aí, tudo bem. Só que o homenageado é visto com desconfiança pelos vereadores devido aos incidentes ambientais causados pela siderúrgica. Ao perceber o constragimento durante a leitura da indicação, o vereador tratou de rapidamente se justificar: “A homenagem é merecida tendo em vista a questão das vagas destinadas pela empresa a pessoas portadoras de necessidades especiais”. Ah sim... “G8” vem aí, será? Após o discurso inflamado de Vicente Rocha (PMDB), que levantou ainda mais suspeitas envolvendo a prefeitura de Itaguaí e seus secretários, o vereador Márcio Pinto (DEM) - integrante do “G4” - confidenciou ao colega Carlos Kifer (PP) que não sabia de muitos detalhes...será que é um sinal de que a composição da Câmara está prestes a mudar? Não sei... Lenilson de volta O vereador Lenilson Rangel (PV) voltou à ativa. Ele estava afastado da Câmara desde que sofreu um acidente de carro e fraturou um braço.

O FOCO (21) 2687-0694 (21) 8254-9275 (21) 8400-7848

O jornal O FOCO é distribuído gratuitamente às sextas-feiras nas principais bancas e ruas de Seropédica, Itaguaí e Mangaratiba. Tem alcance estimado de 40 mil leitores na região.

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CSA AINDA SOB ATAQUE

Os deputados que integram a Comissão Especial da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), dentre eles, Lucinha (PSDB) [foto], realizaram nova audiência pública (a segunda) sobre a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) na manhã desta terça-feira (14) e chegaram à seguinte conclusão: a omissão dos órgãos públicos ambientais está levando os pescadores da Baía de Sepetiba a mudar de profissão por falta de peixe. Segundo depoimentos de representantes da Federação de Pescadores da região – composta por 18 entidades e cerca de oito mil integrantes - a produção de pescado na região é praticamente nula. A ausência do Inea e de um representante da empresa abriu terreno para a saraivada de críticas dos opositores.

EXPEDIENTE Diretor Geral/Editor-Chefe: Thiago Melo MTB 25806-RJ Editor: Jupy Junior MTB 28085-RJ. Diretora Comercial: Verônica Leal. Colaboradores: Ana Carolina Brandão, Juliana Torres e Raphael Melo Matérias assinadas não refletem necessariamente a opinião do jornal O FOCO e elas são de inteira e exclusiva responsabilidade de seus respectivos autores.

Capixaba é preso Calma, gente! Não se trata do prefeito de Mangaratiba, Evandro Capixaba (PR), ainda bem. O Capixaba em questão é o ladrão de carros Laurentino Galdino Neves Neto Leão, 21 anos. Ele foi preso nesta segunda-feira (13) em Itaguaí. Segundo os policiais, ele estava de posse de Honda Civic roubado na porta de casa, no bairro Leandro, onde os policiais encontraram escondido no armário um saco com 45 capsulas de cocaína. Capixaba roubava os carros no Espírito Santo e os vendia no Rio.

FALE CONOSCO redacao@jornalofoco.com.br comercial@jornalofoco.com.br direcao@jornalofoco.com.br

Editado e distribuído por T.M. Comunicações Ltda. O jornal O FOCO é impresso pela Editora Esquema Ltda.


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O FOCO

cotidiano [terrenos polêmicos]

Valle, Oberg e LLX: ligações perigosas O Globo publica denúncia que envolve LLX, o secretário de Turismo, Indústria e Comércio e o Procurador-Geral de Itaguaí. Suspeita é de uso de informações privilegiadas arquivo/O FOCO

Alexandre Valle, responsável pela Expo e braço direito de Charlinho: suspeita de lucro de 20.500% com informações privilegiadas [Jupy Junior] jupyjunior@jornalofoco.com.br

Apesar do clima de ameno a frio que tem feito nos últimos dias, a temperatura na Ilha da Madeira, em Itaguaí, só aumenta. Um dos elementos que contribuiu para a tensão foi a matéria publicada no jornal O Globo no último domingo (12). Assinada por Chico Otavio, a reportagem apurou que o secretário de Indústria, Comércio e Turismo de Itaguaí – Alexandre Valle - e o Procurador-geral do município - Alexandre Oberg, lucraram 20.500% com a venda de um terreno na Ilha da Madeira comprado pela LLX Logística, de Eike Batista. Nada haveria de suspeito na compra se os envolvidos não fossem autoridades públicas e não tivessem, como sugere o jornal, supostamente obtido informações privilegiadas para obter lucro. DE R$ 50 MIL A R$ 10 MILHÕES O Globo conta que a transação imobiliária suspeita envolveu três terrenos (num total de 40 mil metros quadrados) que pertenciam aos herdeiros do comerciante Azizi Abrahão. Segundo o 3º Ofício do Registro de Imóveis de

Itaguaí, os terrenos foram vendidos em setembro de 2010 por R$ 50 mil a três empresas: a KOF Empreendimentos e Participações (de Oberg), a Schulter do Brasil Empreendimentos e Participações (de Valle) e a FLR, de Fernando Azevedo Ramos (um dos sócios da pedreira local). Estas empresas venderam a Eike Batista em dezembro de 2010 (três meses depois da compra dos Azizi) os terrenos dos herdeiros por R$ 10,3 milhões. Valle e Oberg estariam cientes das intenções da LLX de construir o porto e teriam adquirido os terrenos para vendê-los depois a um preço 20.500% mais alto. O secretário e o procurador negaram ter tido acesso a informações privilegiadas. DESAFETAÇÕES Além dos terrenos já adquiridos, a LLX vai precisar da área onde hoje estão a escola municipal General Hildebrando Bayard de Melo, um posto de saúde e uma quadra poliesportiva. O problema vai ser obter a desafetação (assim se chama o processo de tornar disponível uma área pública para negociação). O prefeito Carlo Busatto Junior (“Charlinho”,

PMDB) precisa da aprovação da Câmara, que hoje tem maioria contra o governo. Recentemente a Câmara revogou o direito do prefeito de desafetar por decretos. Esse entrave poderá trazer prejuízos à empresa de Eike, que precisa da área para estocar minério. O presidente da Câmara Legislativa de Itaguaí, vereador Vicente Cicarino Rocha (PMDB), disse a O FOCO que no momento oportuno vai avaliar os pedidos de desafetação (ver matéria “Três perguntas para...” nesta edição). CPI A CAMINHO A Câmara Legislativa aprovou na semana passada a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito que vai investigar denúncias da LLX. Conforme também mencionou o presidente Vicente Rocha, Alexandre Valle e Alexandre Oberg serão ouvidos em breve a respeito da suspeita de terem obtido informações privilegiadas. Esperava-se que a CPI fosse instaurada na última sessão da Câmara, porém os vereadores concordaram em instaurar o procedimento na próxima quinta-feira (15).

A matéria de O Globo causou alvoroço na cidade

[Protesto de moradores e pescadores] Raphael MElo

Na manhã desta terça-feira (14), moradores e pescadores fizeram um protesto com barricadas para impedir que caminhões e máquinas (foto) entrassem nas áreas onde está sendo construído o porto da LLX (que recentemente transferiu as responsabilidades do empreendimento para outra empresa do grupo, a MMX). Os manifestantes atravessam carros na frente dos

portões de três entradas da empresa e alguns deles declararam que pedem indenizações por perdas provocadas pelas obras, além de solicitarem o asfaltamento das vias na Ilha da Madeira. Vários também disseram que o pó de minério vai afetar as praias da Ilha da Madeira, o que vai desvalorizar imóveis e comércio local. Ao que tudo indica, essa briga vai longe.


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O FOCO

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[terrenos polêmicos]

A versão dos Azizi Família revela trama complexa e diz ter tido confiança excessiva. LLX se contradiz em site [Jupy Junior] jupyjunior@jornalofoco.com.br

A compra dos terrenos que agora pertencem à LLX Logística, vendidos por Alexandre Valle (secretário municipal de Indústria, Comércio e Turismo de Itaguaí) Alexandre Oberg (Procurador-geral do município) e Fernando Azevedo Ramos adquire contornos cada vez mais suspeitos a partir da versão que uma fonte ligada à família apresentou a O FOCO nesta terça-feira (14). Segundo esta fonte – que trouxe mais informações, embora ainda preliminares – a família está indignada e revoltada com a

Indrig Kuwada Oberg Ferraz, irmã de Alexandre Oberg e sócia na KOF Empreendimentos, foi assessora jurídica da Procuradoria do Município até 1º de fevereiro situação, e se considera ludibriada com a transação milionária que é alvo de investigação. SITE CONTRADIZ A PRÓPRIA EMPRESA A questão principal sobre um suposto golpe remete primeiramente às datas. A família alega que os envolvidos tiveram acesso a informações privilegiadas pelo simples fato de a LLX ter divulgado em seu site que já teria feito investimentos de R$ 356 milhões para a construção do SuperPorto Sudeste desde 2007. O FOCO acessou o site da empresa e constatou o seguinte texto: “No Superporto Sudeste, em construção em Itaguaí (RJ), desde 2007 até setembro deste ano [2010] já foram investidos R$ 356 milhões”. O raciocínio é o seguinte: se a empresa já anuncia-

va ter feito investimentos desde 2007 (ano em que foram adquiridos os terrenos), a Prefeitura, e consequentemente o secretário e o procurador-geral, já sabiam das intenções da construção do porto e teriam se aproveitado da situação para lucrarem com a venda posterior. LLX DIVULGA SUA VERSÃO A LLX comprou uma página inteira do jornal O Globo, na edição desta quarta-feira (15), para dar explicações a respeito das suspeitas. No texto, a empresa alega que comprou as propriedades dentro de um conjunto que pertenciam à uma área extensa. “O Superporto Sudeste só toma contornos definitivos e assume seu primeiro desenho (...) no ano de 2008.” – ressalta a empresa. A O FOCO a LLX/MMX não ofereceu qualquer resposta, principalmente em relação às negociações com a Prefeitura de Itaguaí para a instalação do porto na Ilha da Madeira. Até o fechamento desta edição, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) responsável pelo licenciamento ambiental do empreendimento – não respondeu sobre a data em que concedeu a licença para o porto. FAMÍLIA revoltada Valle, Oberg e Ramos compraram os terrenos de Aide Sebastiana Rodrigues Abrahão, Maria Cristina Abrahão Borges, Azizi Eduardo Abrahão Gianna Delphina de Andrade Abrahão e Cezar Augusto Borges. Renata Lucia Rodrigues Rebello Oberg Ferraz, mulher de Alexandre Oberg, é sobrinha de Aide e prima de Maria Cristina. Os familiares revoltados com a transação alegam que não têm recibos ou documentos que comprovem a má-fé por-

Escritura comprova venda dos terrenos para a LLX por R$ 10,3 milhões

Personagens da trama em destaque: certidão comprova que empresários pagaram R$ 20 mil por uma das três áreas, mas total pago pelo trio foi de R$ 50 mil

que Renata teria tido participação no negócio, por ser mulher de Oberg. Este, por sua vez, inseriu um outro personagem na transação: Alex Lara. TRAMA COMPLEXA A intrincada trama conta com mais este personagem: Alex Lara, que teria recebido procuração da família de acordo com instruções de Oberg, marido de Renata. A procuração tem data de 13 de dezembro de 2007. Os terrenos, portanto, foram adquiridos primeiro por Alex, que os repassou para Valle, Oberg e Ramos em 4 de fevereiro de 2010, e estes incorporaram o capital às suas respectivas empresas. São, portanto, dois anos de intervalo entre a compra e a venda. Segundo a fonte da família, o intervalo se deu possivelmente na tentativa de ver as propriedades valorizadas.

LIGAÇÕES COM A PREFEITURA Além das suspeitas que cercam as autoridades municipais, surgem mais informações relativas ao negócio: Indrig Kuwada Oberg Ferraz, irmã de Alexandre Oberg e sócia na KOF Empreendimentos, foi assessora jurídica da Procuradoria do Município até 1º de fevereiro de 2011. Sua exoneração foi publicada na Portaria 106, de 10 de fevereiro de 2011 (página 2 do

Jornal Oficial de Itaguaí, edição de 14 de fevereiro de 2011). A família reitera que não sabia da especulação na Ilha da Madeira e que confiou em Oberg e Renata. Alex Lara teria sido apresentado por Oberg como um comprador interessado nas propriedades. Oberg ainda é acusado de aliciar donos de imóveis na Ilha da Madeira, com ameaças de cobrança de IPTU atrasados. Ele foi procura-

do pela reportagem nesta terça-feira (14), no seu escritório e na prefeitura, porém não foi encontrado e até o fechamento desta edição não respondeu aos recados. O Ministério Público do Rio de Janeiro já recebeu a denúncia e vai apurar. Ao que parece, muitas outras informações ainda surgirão durante a investigação, e caberá à justiça apurar os fatos e, conforme for, condenar os responsáveis.


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O FOCO

[ASSISTÊNCIA SOCIAL]

No mundo da rua

jupy junior

Pessoas sob marquises vivem dura realidade na Cidade do Porto [Jupy Junior] jupyjunior@jornalofoco.com.br

[Juliana Torres] redacao@jornalofoco.com.br

Antonio dos Santos tem 60 anos, cata ferro-velho, papelão, e toma conta de carros na Cidade do Porto. Em dias considerados “bons” ganha até 10 reais com seu trabalho nas ruas. Mas o problema não é o dia, e sim a noite. Sob uma marquise, perto do restaurante Nova Bréscia, no centro, ele se enrola em um cobertor sujo. São 21h em Itaguaí, frio de aproximadamente 18 graus. A poucos passos dele está Emerson da Silva, 38 anos. Ele também toma conta de veículos para garantir uns trocados. Tem dois filhos e esposa em Padre Miguel, mas prefere dormir na rua. Ambos vivem uma dura realidade urbana: não têm casa nem salário. Antonio sequer tem documentos. Eles “moram” em Itaguaí, mas o mundo deles é a rua. 12 ANOS NA RUA Antonio e Emerson são apenas dois dos personagens que habitam a noite de Itaguaí. Sabe-se que há muitos.

O CREAS trabalha com uma equipe de abordagem, que é feita somente pela manhã. À noite, os moradores de rua continuam nela Esta matéria de O FOCO surgiu a partir da iniciativa de uma leitora – Aline Andrade – que escreveu para a redação com a intenção de alertar para o problema. Antonio disse dormir na mesma marquise há 12 anos. Emerson, há quatro. O mais velho disse que já foi para um abrigo no Guandu, mas que não quer viver “no meio da bagunça”: “não consigo dormir lá, os outros roubam as coisas da gente”. A reportagem pergunta o que ele carrega na bolsa que usa como travesseiro. “Roupas” - responde ele. Na garrafa pet de dois litros, água. Antonio revela, com um meio sorriso, que tem vários dentes com cárie. A barba é mal feita e suas palavras saem abafadas pelo som dos carros e caminhões que passam. Emerson tem família.

Não volta para a casa dos pais por orgulho: “disse que quando casasse não voltaria, e não volto mesmo” – afirmou. Por que não volta para a casa da esposa? “Por causa da minha sogra” – explica. Ele também revelou não dorme no abrigo “porque lá é como uma prisão, entra às 19h e só pode sair às 7 da manhã”. Mas não seria melhor do que dormir na rua?, pergunta a reportagem. “Não, prefiro minha liberdade” – sentencia ele. Emerson se expressa melhor que Antonio, mas a aparência não é muito diferente da do colega de marquise. ASSISTÊNCIA SOCIAL O FOCO foi até o Centro de Referência Especializado de Assistência Social, o Creas, para saber o está sendo feito para tentar minimizar este problema social. O coordenador de Itaguaí, Sérgio de Oliveira, disse que a cidade não possui abrigos para moradores em situação de rua. Oliveira disse que Creas trabalha em conjunto com o Centro de Suporte Especializado em Assistência Social – CSEAS – para prestar serviços de assistência social, educação e atendimento psicológico.

Eder e Minho praticam caridade com os moradores de rua: sopa para aquecer e alimentar

O Creas e o CSEAS O Creas trabalha com uma equipe de abordagem que sai às ruas para tentar resgatar a cidadania destes moradores em situação de rua. O problema é que essa abordagem é feita somente pela manhã e muitos dos que estão na rua querem permanecer nela, como Emerson, personagem desta matéria. Aqueles que

aceitam a abordagem são levados até a unidade de Itaguaí e lá recebem banho e lanche. No mesmo local, são recolhidas as informações pessoais. No CSEAS, segundo Sérgio, as pessoas recebem atendimento psicológico e realizam atividades lúdicas. Já foram atendidos 230 moradores em situação de rua. Destes, 156 eram de outros mu-

nicípios e 74 de Itaguaí. Grande parte é de outro município, pois estes indivíduos são andarilhos. Eles vêem tentar a vida em outra região e acaba criando vínculos e vivendo na rua. Porém o problema persiste. Mesmo com a atuação da secretaria, as ruas de Itaguaí ainda formam o mundo dessas pessoas. O cruel mundo da rua.

[CARIDADE NA MADRUGADA] A reportagem ainda conversava com os dois moradores de rua quando uma caminhonete preta encostou junto ao meio-fio. Desceram do carro Eder Claudio da Costa, mecânico de 33 anos, e “Minho da Pousada”, 32 – seu amigo. Foram levar refeições em quentinhas aos moradores de rua. Praticam caridade há três meses, recebem doações do comércio local e distribuem sopa e cobertores pela cidade, sempre à noite,

duas vezes por semana. Mobilizam-se para tentar fundar um abrigo, obter mais doações e ajudar gente como Antonio e Emerson. Dizem já ter contado 30 pessoas na mesma condição em uma das noites. Onde? Na praça próximo ao calçadão, na rodoviária e na “Reta”. São religiosos e acreditam que o amor ao próximo é a motivação principal. Eder diz que a caridade que exercitam é um “trabalho espiritual”.

[SEGURANÇA PÚBLICA]

Café da manhã sobre segurança Conselho discute necessidade de integração entre poderes [Ana Carolina Brandão] redacao@jornalofoco.com.br

Em meio a pães, sucos, biscoitos, geléia e demais guloseimas, ocorreu, na última segunda feira (13), na Câmara dos Vereadores (Itaguaí), a reunião do Conselho Comunitário de Segurança Pública. Participaram o presidente do Conselho Luís Machado; o comandante do 24º BPM - coronel Gileade Albuquerque; o capitão Átila dos

A Expo de Itaguaí foi um tema bastante discutido no conselho, pois há uma preocupação quanto à segurança do evento Santos – responsável pelo novo DPO de Itaguaí; o representante da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) -

Márcio Oliveira; o supervisor da Guarda Municipal - Hélio Ricardo Vieira; o tenente da marinha, Marcelo Barbosa – representando a Delegacia da Capitania dos Portos em Itacuruçá e o conselheiro tutelar Sidney Pereira. As reuniões, que acontecem na segunda semana de cada mês (segunda-feira), não ocorrem apenas para debater a questão da segurança no município, mas também para propor alternati-

vas para os problemas e atender as reclamações dos munícipes. TEMAS EM DEBATE A Expo de Itaguaí foi um tema bastante discutido no conselho, pois há uma preocupação quanto à segurança. De acordo com o supervisor da Guarda Municipal - Hélio Ricardo Vieira -, não há um treinamento específico com a Guarda nesse período. Isto po-

de causar transtornos devido à grandiosidade do evento que recebe, a cada ano, um elevado número de pessoas. Diante disso, levantou-se a questão de uma possível integração entre a Polícia Militar e a Guarda Municipal. Segundo ele, esta integração não ocorre porque falta uma ordem de comando. REGULAMENTAÇÃO Não apenas essa, mas a integração entre os governos federal e estadual (PM, PRF e Prefeitura) foi pauta da reunião. De acordo com o presidente do Conse-

lho, Luís Machado, essa integração é fundamental para que haja um controle efetivo da criminalidade em Itaguaí. Para ele, a iniciativa de integrar os poderes públicos deve partir de todos os órgãos envolvidos, mas é preciso pressionar junto à promotoria para que essa integração seja regulamentada. O representante da ANVISA, Márcio Oliveira, compareceu à reunião para esclarecer aos presentes que a fiscalização dos portos em prevenção à bactéria vinda da Europa – acontece de forma efetiva.


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O FOCO

[LICENÇA AMBIENTAL]

[CTR SEROPÉDICA] rapahel melo

Vida nova para catadores Ciclus pretende promover inclusão social no CTR [Ana Carolina Brandão] redacao@jornalofoco.com.br

O mangue na Ilha da Madeira: contrapartidas ambientais devem ser em prol das regiões impactadas

Dinheiro é verde O que são as contrapartidas ambientais, alvo de polêmica na cidade [Juliana Torres] redacao@jornalofoco.com.br

[Jupy Junior]

prejudiciais a Itaguaí, Mangaratiba e municípios vizinhos.

jupyjunior@jornalofoco.com.br

As questões que envolvem a CSA, a Odebrecht e a LLX – empresas que se estabeleceram na região e causaram impactos ambientais – trouxeram à tona uma discussão a respeito das responsabilidades dos empreendimentos em relação ao município e seus habitantes.

A contrapartida é uma compensação ambiental obrigatória para as grandes empresas que, de alguma forma, provocam impactos no meio ambiente Porém, poucas pessoas realmente sabem qual é a importância dos instrumentos legais e da fiscalização para manter aceitáveis os níveis de poluição e degradação ambientais. O FOCO foi buscar essas informações a fim de que seja possível avaliar em que medida as empresas têm sido omissas ou

LICENÇAS AMBIENTAIS A Constituição Federal prevê que o meio ambiente é um “bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida”. Assim, qualquer empreendimento que possa causar danos ambientais precisa ser avaliado. O instrumento utilizado para este controle é a licença ambiental. A licença ambiental é de responsabilidade do empreendedor, que deve procurar os órgãos ambientais competentes para que se faça uma habilitação de seu empreendimento. Agentes destes órgãos verificam as condições (localização, instalação etc.) e estabelecem critérios para que não haja desequilíbrio ecológico. Somente após estes critérios serem obedecidos é que a licença ambiental é emitida. TIPOS DE LICENÇA O processo de licenciamento ambiental se estabelece através de requerimento com a descrição do empreendimento, termo de referência, estudos ambientais e projeto básico am-

biental. Existem três formas de licenciamento: a licença prévia – requisitos básicos-, licença de instalação – autorização para o início do empreendimento e a licença de operação – autorização para o início das atividades. Ao receber o licenciamento, o responsável precisa compensar o meio ambiente de alguma forma. Esta compensação vem através das contrapartidas ambientais. Ou seja, dinheiro para ser aplicado na sociedade em torno, a fim de beneficiar a população ou minimizar os danos ao meio da ambiente da região. OBRIGATÓRIA A contrapartida é uma compensação ambiental obrigatória para as grandes empresas que, de alguma forma, provocam impactos no meio ambiente. Para estas empresas conseguirem suas licenças ambientais, é exigida que elas invistam um percentual do custo total do empreendimento em unidades de conservação, saneamento e preservação da biodiversidade. PERCENTUAIS Para as unidades de conservação, o percentu-

al varia de 0,5% a 1,1% do custo do empreendimento. Além disso, 1% do custo total do empreendimento deve ser destinado a saneamento (0,9%) e preservação da biodiversidade (0,1%). Esse percentual varia de acordo com o impacto que o empreendimento provocará na natureza, e, assim como as licenças, é decidido pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Até o fechamento desta edição o Inea não havia atendido a reportagem para que esta obtivesse os percentuais das empresas fixadas na região. Em relação à LLX, que está sendo investigada em CPI na Câmara dos vereadores de Itaguaí, cabe resaltar que o investimento anunciado é de R$ 1,8 bilhões. Desse total, no mínimo 0,5% deveria ser aplicado na região, ou seja, R$ 9 milhões. A isso soma-se mais 1% (R$ 18 milhões) para ser investido em saneamento e biodiversidade. No total, R$ 27 milhões devem ser aplicados em Itaguaí pela LLX (agora MMX). Falta agora a empresa e o poder público mostrarem onde estão os investimentos.

Cem: esse é o número de catadores dos “lixões” de Seropédica e Itaguaí que perderam sua fonte de renda com a criação da CTR Seropédica. Como a CTR é uma central de tratamento e não um “lixão”, o exercício dessa função é totalmente proibido. Dessa forma os catadores dos “lixões” desses municípios precisaram arrumar outra fonte de renda. Mas sem qualificação adequada é impossível integrar-se ao mercado de trabalho. A fim de tentar colaborar, a Ciclus – empresa responsável pela Central de Tratamento de Resíduos –, em parceria com a Caixa Econô-

A Ciclus, em parceria com a Caixa Econômica Federal, elaborou um projeto para fazer a inclusão social dos excatadores mica Federal elaborou um projeto para fazer a inclusão social dos ex-catadores. Não só a Ciclus, mas a prefeitura de Seropédica também está preocupada com o destino dessas pessoas e propõe soluções. CICLOS E CAIXA O Plano de Inserção Social de Catadores (Pisca) - proposto pela Ciclus e pela Caixa - visa qualificar os ex-catadores cadastrados no programa. O Pisca inclui diferentes ações, dentre elas a abertura de conta bancária para o recebimento de uma bolsa de R$ 400 por seis meses, curso de qualificação para a entrada no mercado de trabalho e a oportunidade de fazer parte de uma coo-

perativa de material reciclável. A seleção será feitas com base em conversas com os catadores e possibilidades do mercado local. Segundo informações da Ciclus, a assistência aos catadores já começou. Na primeira semana de junho, sábado (4) e domingo (5), os catadores dos “lixões” de Itaguaí e Seropédica visitaram a CTR para receber as primeiras informações sobre o projeto e ganhar cestas básicas. “As cestas básicas distribuídas são apenas uma medida provisória para assegurar a alimentação da família no período de transição entre o trabalho no ‘lixão’ e as novas atividades” – alegou a Ciclus. A empresa também dará assistência e acompanhará o recebimento de benefícios governamentais para esses trabalhadores como o Bolsa Família, por exemplo. Até o fechamento dessa edição a CAIXA não informou como seria sua participação no projeto. RECICLAGEM Sobre o projeto, a prefeitura de Seropédica informou que fiscalizará se a inclusão social dos ex-catadores estará em curso. Segundo o secretário de meio ambiente do município, Ademar Quintela, a prefeitura elaborou um programa de reciclagem que promoverá uma fonte de renda àqueles ex-catadores que não se adequam ao mercado de trabalho. Para ele, os catadores receberiam um treinamento sobre lixo reciclado e passariam a recolher esse lixo nas casas dos moradores. “Os catadores passariam a ser recicladores” – concluiu Quintela. Em Itaguaí, já existe um programa de coleta seletiva nos moldes sugeridos pelo secretário, como foi publicado em O FOCO na edição 95.


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O FOCO

[ARRAIÁ cidade do porto]

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Festa fora da lei

fotos jupy junior

Lei de vereador não impede festa em Itaguaí [Juliana Torres]

redacao@jornalofoco.com.br

No último final de semana os moradores de Itaguaí puderam participar de uma grande festa. O Arraiá da Cidade do Porto aconteceu entre os dias 10, 11 e 12 de junho, realizado pela Prefeitura, e contou com atrações musicais, barracas típicas etc. O evento levou centenas de pessoas para as ruas da cidade e o trânsito foi interrompido para ceder lugar às pessoas, que transitaram e dançaram livremente. Muitos que bebiam e dançavam não sabiam, mas tudo ocorreu à revelia da lei municipal nº 2751. A lei, de autoria do vereador Luiz Roberto de Jesus (PMDB) - mais conhecido como “Beto da Reta” - está em vigor desde 2009 e proíbe o fechamento das ruas Dr. Curvelo Cavalcante, General Bocaiúva, Amélia Louzada, Coronel Freitas e as praças Vicente Cicarino e Barão de Teffé para festividades em geral. Exatamente as ruas ocupadas no último final de semana. Contudo, ninguém impediu a festa, que transcorreu normalmente.

Segundo o juiz Sérgio Souza, o evento já havia sido divulgado e a população estava consciente sobre os dias em que ocorreria o “arraiá” CADÊ A INFORMAÇÃO? O Arraiá da Cidade do Porto já havia sido divulgado na cidade por carros de som que passaram a todo o momento nas ruas de Itaguaí para chamar a população. Muitas pessoas já haviam tomado conhecimento sobre a festa, menos o vereador Beto da Reta. Segundo ele, somente na quinta-feira, véspera do Arraiá, ele ficou sabendo. O vereador alegou ainda que a Prefeitura não divulgou o evento. De acordo com Beto, ele enviou um ofício ao Ministério Público para comunicar o desrespeito à lei. Mas, como já estava na véspera do evento, ele foi orientado a impetrar um mandado de segurança com pedido de liminar, pois es-

te seria o caminho mais rápido para a “solução” da desobediência. Da Reta não poderia impetrar o mandado, e o vereador contou na última sessão na Câmara (14) que precisou convocar um comerciante para assinar o pedido. A dificuldade se deu porque ninguém queria ser responsável. “As pessoas têm medo de represálias, por isso foi muito difícil que alguém assinasse. Quando consegui alguém já era noite de sexta-feira, por isso não houve como fazer a lei ser cumprida” – disse o vereador. DESOBEDIÊNCIA À LEI Segundo o juiz que emitiu a liminar - Sérgio Souza, da Vara Cível de Itaguaí - o pedido do mandado de segurança foi enviado horas antes do início da festa. E ele nada pode fazer para evitá-la, pois o evento já havia sido divulgado e a população estava consciente sobre os dias em que ocorreria o “arraiá”. Segundo Souza, sua determinação foi pela obediência à lei, com a passagem de pelo menos um carro por vez. “Em nenhum momento determinei o fim da festa” – disse o juiz.

Ruas e praças interditadas no centro: desrespeito à lei

Jovens se divertem: nenhuma preocupação como o trânsito

Kifer comenta , Toni faz piada Na sessão em que o vereador Beto da Reta explicou as circunstâncias da festa, na terça-feira (14), o vereador Carlos Kifer (PP) usou sua fala para dizer que Da Reta havia sido vitorioso por duas vezes: por não ter atraído

a antipatia dos populares ao tentar impedir a festa e por ter obtido a liminar para tentar fazer valer a lei. Kifer disse: “perguntei às pessoas na festa se elas sabiam da lei, e todo mundo respondeu que não. Também vi que muitas barracas arreca-

daram fundos para as escolas, o que foi muito bom”. Logo depois, Toni Coelho (PRP) fez uma piada: “O vereador Beto da Reta foi na festa para dançar e beber, e Kifer foi fazer campanha”. Gargalhada geral.

está com 1,51 mil vagas para o 2º período letivo deste ano. Somente podem participar da seleção aqueles quem obteve a nota mínima no último Enem.

As inscrições para o SiSU estão abertas do dia 15 a 19 de junho, no site sisu.mec.gov. br. Além das vagas para a UFRRJ, o progra-

ma conta com 26,33 mil vagas em universidades federais e estaduais e nos institutos federais de educação, ciência e tecnologia.

[SiSU]

UFRRJ: vagas no SiSU Estudantes têm até o dia 19 de junho para se inscrever

[Juliana Torres] redação@jornalofoco.com.br

O Sistema de Seleção Unificada – SiSU – abriu suas inscrições. A UFRRJ


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poder [CPI DAS CASINHAS]

Tudo em casa Funcionários públicos receberam casas da prefeitura de Itaguaí. Faxineira de Martinazzo e supostos empregados de Andréia Busatto foram beneficiados arquivo/o foco

No site da Oi Telefônica, O FOCO consultou o telefone com o CPF da deputada Andréia Busatto

O número foi preenchido na secretaria de Assistência Social, e o resultado da pesquisa confirmou que o telefone é de Andréia

Acareação: a secretária de A. Social, Maria Isabel e Lígia Leles [Jupy Junior] jupyjunior@jornalofoco.com.br

[Thiago Melo] thiagomelo@jornalofoco.com.br

O relatório da chamada “CPI das Casinhas” que investiga os conjuntos Turmalina, Topázio e Esmeralda, em Chaperó (Itaguaí) - deverá ser divulgado apenas no dia 29 deste mês. Porém O FOCO teve acesso exclusivo, e em primeira mão, a informações sobre a investigação da Comissão Parlamentar de Inquérito. As suspeitas se concentraram em irregularidades no projeto fruto da parceria entre a secretaria de Assistência Social da prefeitura de Itaguaí e a Caixa Econômica Federal. Os documentos revelam que 23 funcionários da prefeitura foram contemplados com casas nos conjuntos habitacionais. Uma faxineira do prefeito de Seropédica - Alcir Fernando Martinazzo - e um ex-motorista da deputada estadual pelo PDT e primeira-dama de Itaguaí, Andréia Busatto, também foram contemplados pelo projeto. BAIXA RENDA E SITUAÇÃO DE RISCO As investigações con-

Uma faxineira do prefeito de Seropédica Alcir Fernando Martinazzo - e um ex-motorista da deputada estadual pelo PDT e primeiradama de Itaguaí, Andréia Busatto, também foram contemplados pelo projeto centraram-se no critério de seleção dos contemplados, e nas oitivas (espécie de interrogatório) na Câmara, muitas contradições e informações desencontradas. A Caixa Econômica afirma que não participou da seleção, fato contestado pela secretaria de Assistência Social. Há duas semanas, o depoimento de Silvia Keiko, assistente social, também ressaltou contradições ao declarar que foi a Caixa Econômica quem selecionou as famílias contempladas com as casas dos conjuntos habitacionais, e não a própria prefeitura. Segundo Keiko, os critérios incluíam famílias que viviam em situação de risco e que apresentaram baixa renda. Porém do-

cumentos obtidos por O FOCO revelam que alguns funcionários da prefeitura que recebem mais de 800 reais ganharam uma das 286 casas em Chaperó. FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS e FAXINEIRA Os funcionários da prefeitura que foram beneficiados estão lotados da seguinte forma: 18 são da Secretaria de Educação e Cultura (cuja secretária era Andréia Busatto na gestão anterior do prefeito Charlinho), um da Secretaria de Saúde, três da Secretaria de Segurança e um da Secretaria de Assistência Social (responsável pela condução do processo seletivo). A suspeita é que essas pessoas tenham sido favorecidas por estarem mais próximas do poder. Na lista também figuram Márcia Chavez de Souza, com quem a reportagem conversou na tarde desta quarta-feira (15). Souza confirmou ter recebido uma das casas, e que trabalha para o prefeito de Seropédica. “Sou faxineira dele, e isso que estão falando é intriga da oposição” – disse.

Quando a consulta é feita com outro CPF, a Oi informa que não há correspondência com o número

Telefone e motorista de Busatto Outras duas beneficiadas são Ilcéia Vicente e Cassia Regina de Mendonça, supostamente empregadas da família Busatto. Ambas registraram no cadastro de solicitação de inclusão no programa o telefone 2687-1553. O FOCO fez uma pesquisa na internet com o número de telefone e o CPF da deputada no site da Oi Telefonia. No resultado, consta como “contas encontradas já pagas ou cance-

ladas”. Quando a pesquisa é feita com outro CPF, o site acusa que o documento “não corresponde ao telefone informado”. O telefone, portanto, é ou foi de Andréia e faz parte do cadastro mantido pela Secretaria de Assistência Social para a seleção das casas em Chaperó. A reportagem ligou para o número de telefone, e, ao pedir para chamar Ilcéia Vicente, foi informada que ela “não trabalhava mais” ali. Quando perguntada se era possível fa-

lar com Cassia Regina, a pessoa imediatamente desligou o telefone. Novas tentativas e ninguém atendeu mais às chamadas. Também consta da lista de beneficiados Marcelo Augusto Borges, supostamente ex-motorista da deputada, quando esta ainda era secretária de Educação em Itaguaí. O Prefeito Alcir Martinazzo e a deputada Andréia Busatto não atenderam a reportagem de O FOCO.


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[CPI LLX] thiago melo

O presidente da Câmara não economizou nos adjetivos dedicados à Alexandre Valle: “um larápio, sem moral, mercenário”

Discurso inflamado

ficamente sobre a polêmica em torno da compra dos terrenos pela LLX, Rocha disse que recebeu um telefonema da Aide Abrahão, herdeira de Azizi, e que ela teria chorado: “ela foi enrolada pela sobrinha dela, que é mulher de Alexandre Oberg Ferraz” – disse o presidente da Câmara, que não economizou nos adjetivos dedicados à Alexandre Valle: “um larápio, sem moral, mercenário”.

Vicente Rocha sugere afastamento de Valle e Oberg, e declara: “não tenho medo da morte, não adianta me ameaçar”

[Jupy Junior] jupyjunior@jornalofoco.com.br

Foi um discurso emocionado e inflamado. Vicente Cicarino Rocha (PMDB), presidente da Câmara Legislativa de Itaguaí, começou a sua fala na sessão de terça-feira (14) lembrando que comparece pouco na tribuna. Mas, em se tratando de importância e tom, a meia hora em que tratou de expor sua posição a respeito da polêmica acesa pela reportagem de O Globo – publicada no domingo (12) - compensou. Rocha dedicou duras palavras aos personagens citados na matéria – Alexandre Valle, secretário de Turismo, Indústria e Comércio de Itaguaí e Alexandre Oberg – Procurador-

-geral do município. Para o presidente da Câmara, não há dúvidas da ilicitude e do favorecimento das autoridades em relação à compra e venda de terrenos que hoje pertencem à LLX Logística, empresa de Eike Batista que atuou na construção do SuperPorto Sudeste na Ilha da Madeira. “ESQUEMA BILIONÁRIO” Vicente declarou que em Itaguaí existe “um esquema bilionário” que “envolve cartórios e prefeitura, que envolve secretários e cartórios, em um esquema de conluio”. O vereador disse que sua vida financeira é instável, que sofre com dívidas, pede dinheiro emprestado a amigos, e

que, por este motivo, se sentia confortável para denunciar aqueles que, segundo ele, não podem expor sua vida financeira. Rocha mencionou a reportagem de O Globo

Vicente disse que vai à Corregedoria do Estado denunciar conluios e conchavos entre a Prefeitura de Itaguaí e cartórios e comentou que há aliciamento da população na Iha da Madeira. “Serei incansável, e não terei medo em proteger a população” – afirmou, e listou mais cargos que, na sua visão, estariam comprometidos com o poder

capitalista das empresas estabelecidas em Itaguaí: “há magistrados envolvidos em esquemas, doutores envolvidos, estou aqui denunciando. Não tenho medo da morte, não adianta me ameaçar” – frisou ele. “VISCERAL” Vicente disse que vai à Corregedoria do Estado denunciar conluios e conchavos entre a prefeitura de Itaguaí e cartórios: “vou acabar com isso, custe o que custar”. E lamentou que Oberg esteja envolvido nas denúncias, ao citar o pai e a mãe do Procurador-geral: “Fico pensando no senhor Jorge Ferraz, um homem sério e íntegro, que educou os seus filhos da

melhor forma possível, ver um filho [Alexandre] hoje que todos possam desconfiar...é imoral, é sujo, é feio... uma família com uma base sólida em nossa cidade, o filho fazer um papelão desses, se locupletando de informações privilegiadas” – disse Rocha, que confessou à audiência: “estou sendo visceral nesse momento”. “SALTIMBANCOS” e “LARÁPIO”. Vicente chamou ainda de “saltimbancos” os empresários que investem na cidade, e disse que o alvo da Câmara será o secretariado, por onde ele pretende “desmontar a Torre de Babel” – segundo suas próprias palavras. Especi-

“GOL DE PLACA” Rocha sugeriu que o prefeito Charlinho poderia “fazer um gol de placa”: “se ele não tem nada com isso, poderia afastar o secretário, deixar a apuração transcorrer, e se o secretário não tiver nada com isso, é só reconvocá-lo” – aconselhou Vicente. No discurso foram citadas ainda as suspeitas sobre a construtora Lytorânea, que detém o recorde de vencer todas as licitações para as obras em Itaguaí. O vereador reiterou que a Câmara atuará obstinadamente na investigação e cobrança das autoridades sobre as denúncias apresentadas, e disse enfaticamente: “não aceito nada, já me fizeram várias ofertas e várias propostas” – afirmou Vicente, sugerindo que já houve tentativa de suborno do parlamentar.

[tRÊS PERGUNTAS PARA...VICENTE ROCHA, PRESIDENTE DA CÂMARA LEGISLATIVA DE ITAGUAÍ] Logo depois do discurso contundente que fez na sessão da Câmara na terça-feira (14), Vicente Cicarino Rocha respondeu a O FOCO três perguntas sobre a situação. Ele foi bem mais calmo do que no discurso e chamou Charlinho de “pessoa vivida”. Confira: O FOCO - Como ficará a desafetação das áreas públicas na Ilha da Madeira que são de interesse da LLX? Vicente Rocha - Assim que essa matéria chegar aqui, vamos analisar, ver quais são as contrapartidas que eles vão dar ao município. Quero deixar bem claro que o empreendedor é visto com bons olhos por qualquer ente da federação, do estado e do município. O empreendedor é importante, gera emprego e renda, mas ele deve obedecer à legislação.

O FOCO – Em relação à CPI da LLX, que será instaurada na próxima terça-feira (21), o Inea (Instituto Nacional de Meio Ambiente) será chamado? Vicente – Lógico, o Inea é importantíssimo, foi quem liberou as licenças ambientais. Também chamaremos o secretário [de meio ambiente] Jailson Barboza, todos vão ser ouvidos. O FOCO – Qual é a sua avaliação das denúncias que envolvem especulação imobiliária na Ilha da Madeira? Vicente – É muito triste, mas tenho certeza que o prefeito vai afastar imediatamente os envolvidos, até porque somente assim a investigação dos fatos poderá ocorrer sem que haja nenhuma interferência que prejudique a apuração. Acho que o prefeito deve refletir bastante, ele é uma pessoa vivida e pode dar tranquilidade à população em relação a esses fatos.


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[MANGARATIBA]

[COMISSÃO ESPECIAL] raphael melo

Licitações em pauta Comissão mista da Câmara ouve Sônia Oliveira, da Prefeitura de Itaguaí [Jupy Junior] jupyjunior@jornalofoco.com.br

Conflito de autoria e momento constrangedor marcaram a primeira sessão itinerante

Plenário fora de Casa Câmara itinerante estreia em Conceição de Jacareí [Juliana Torres]

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A Câmara itinerante já é uma realidade. A primeira sessão fora do plenário aconteceu em Conceição de Jacareí na tarde desta quarta-feira (15). Os vereadores Edison Ramos

Segundo o presidente Edinho, a Câmara itinerante desembarcará nos distritos de Itacuruçá (em agosto), Muriqui (setembro), Serra do Piloto (outubro) e Praia Grande (novembro) (PMDB), José Luiz do Posto (PMDB), Gustavo Busse (PSDB), José Carlos Simões (PSDB), José Carlos Costa (PSDB) estiveram em uma quadra de esportes no Centro Esportivo Eli Ferreira Ceia muito próximos da população. A

ideia partiu de Gustavo Busse e foi aprovada pelos vereadores. O objetivo é levar as sessões da Câmara até as pessoas que têm dificuldades de chegar ao centro de Mangaratiba. A sessão transcorreu de forma tranquila, porém com um incidente constrangedor. VEREADORES DIVERGEM Embora a ideia tenha sido de Busse, Sidney Marcello Filho (PHS, “Sidinho”) reivindicou a autoria ao dizer que não queria levar os “louros de glória” mas afirmou que a ideia tinha sido dele: “eu tinha pensado na ideia da Câmara itinerante, ou então fazer como em Itaguaí, com um telão transmitindo online, mas ia dar muito trabalho na época e acabei desistindo”. Busse, por sua vez, já havia declarado na sessão que discutiu a ideia com os colegas. “Achei melhor não comentar quando o vereador Sidinho fez as declarações” – declarou Busse.

MORADORES ACOMPANHARAM Os moradores de Conceição de Jacareí compareceram em peso. Cerca de 100 pessoas foram conferir de perto a sessão, que tratou de vários temas caros ao distrito, como por exemplo revitalização do cais, despoluição da cachoeira, apoio policial à noite, dentre outros. Edison Ramos, o presidente, lembrou que a sessão não diferia em nada ao plenário, exceto a localização. Por este motivo, a plateia não poderia se manifestar. MOMENTO CONSTRANGEDOR Uma das moradoras foi personagem principal de um momento constrangedor durante a sessão. Ela se aproximou do vereador Sidinho e deu um beijo nele. Logo em seguida, a moradora tentou pegar o microfone, Sidinho negou e ela começou a gritar e exigir atenção dos presentes. Os seguranças tenta-

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ram contê-la, mas sem sucesso. Segundo informações de uma das pessoas da plateia, a mulher tem problemas com alcoolismo. PRÓXIMAS SESSÕES Segundo o presidente Edinho, a Câmara itinerante desembarcará nos distritos de Itacuruçá (em agosto), Muriqui (setembro), Serra do Piloto (outubro) e Praia Grande (novembro). Todos os vereadores presentes gostaram da experiência, embora Busse tenha comentado que preferia que as reivindicações dos presentes fossem lidas. Os vereadores Nelson Bertino (PMDB), Ruy Quintanilha (PV) e Marquinho da Ilha (PV) não compareceram.

Embora a ideia tenha sido de Busse, Sidinho reivindicou a autoria da Câmara Itinerante

Os vereadores do “G7” não esqueceram as questões relacionadas às obras em Itaguaí. A fim de apurar as denúncias, a Comissão Parlamentar Mista (Comissão de Obras junto com a Comissão de Constituição, Justiça e Redação) resolveu ouvir a diretora de assuntos executivos da Prefeitura de Itaguaí, Sônia Oliveira. Ela trabalha com licitações, e a esperança dos vereadores era de poder esclarecer alguns pontos que permanecem obscuros nos processos licitatórios do município. Sônia, porém, limitou-se a declarar que desconhecia as razões pelas quais as licitações são consideradas suspeitas, e não demonstrou o estranhamento que é partilhado entre os parlamentares. “NÃO SEI COMO SE DÁ A LOGÍSTICA” O vereador Nisan César (PV) fez questão de elogiar a depoente antes de perguntar se ela considerava “estranho” o fato das construtoras Valesul e Lytorânea dividirem praticamente todas as obras de Itaguaí. Oliveira respondeu que não tinha conhecimento dos meandros das licitações, que somente prepara todo o processo e lança editais. “Os editais são divulgados para todo o estado, não sei porque algumas empresas pegam o edital e não aparecem e também não sei porque só estas empresas ganham as licitações” – declarou Sônia, que lembrou aos vereadores que o presidente da Comissão de Licitações é José Fernando Braga Lacombe, conhecido como “Dodô”. “Os vereadores estão mal informados, quem é o presidente é Lacombe” – disse ela. Nova pergunta: “A se-

nhora sabe por que a empresa Valesul, que fica em Angra dos Reis, manifesta tanto interesse por Itaguaí? A logística é mais complicada, as distâncias para carregar material e outras providências são mais complicadas. A senhora tem algum ideia?” – quis saber Nisan. “Não tenho conhecimento do interesse das empresas, algumas participam da licitação e são de outros estados, não sei como os responsáveis tratam a logística nesses casos, não posso responder” – disse Oliveira. “NUANCES” E ALUGUEL DE CARROS Devido às negativas de Sônia, que foi reticente quanto às informações, os vereadores passaram a listar as possíveis improbidades da prefeitura em relação a obras no município. A depoente declarou em certo momento que “existem nuances em licitação” e “cada empresa tem seus métodos”. Beto da Reta (PMDB) disse que considera absurdo a Lytorânea sempre ganhar dos concorrentes, o que foi ressaltado por Nisan César: “a associação comercial de Itaguaí tem 12 empresas cadastradas no ramo de construção civil, e só quem ganha é a Lytorânea e a Valesul” – afirmou ele. Os vereadores também citaram Marcos Abade – um dos sócios da Lytorânea – que, segundo eles, procuraria as empresas interessadas na concorrência para instigá-las a não participar das licitações e comentaram que a prefeitura pagou cerca de R$ 20 milhões à Lytorânea para alugar carros. Por fim, mencionaram o fato de prefeitura não expor placas indicativas das obras e perguntaram a Sônia se ela havia visto alguma placa. “Não sei, quase não ando por aqui, vou embora direto pela Rio-Santos” – declarou a diretora.


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esportes [MINI TÊNIS]

Tênis em miniatura, sonhos grandiosos divulgação

Projeto ajuda a popularizar esporte considerado de elite [Juliana Torres] redacao@jornalofoco.com.br

Crianças e adolescentes de Mangaratiba agora já têm a oportunidade de conhecer e praticar o tênis. O esporte, que não é tão popular quanto o futebol ou o vôlei, começou a ganhar notoriedade na região com a criação do Projeto Mini-Tênis, que já conta com 100 alunos. A finalidade Do projeto é a divulgação do esporte a todas as classes sociais. Segundo Alex Sandro - coordenador e professor - a intenção é expandir o mini-tênis para outros distritos do município, como Muriqui e Conceição de Jacareí. O Projeto Mini-Tênis precisa de patrocinadores e voluntários formados em educação física. ALEX E O TÊNIS Alex joga tênis há 19 anos. Segundo o professor, ele sempre gostou do esporte, mas quando criança nunca teve a oportunidade de praticá-lo. Originário de uma família carente, Alex passou gran-

Alex com alunos: esporte e cidadania

de parte de sua vida trabalhando como garçom. Chegou inclusive a ir trabalhar na capital, mas não se adaptou. Então, quando voltou, foi até Angra procurar emprego. Ao chegar lá ele viu uma vaga de “rebatedor de tênis”. Ao ser perguntado se sabia jogar, disse que sim. Mas, na verdade, mal conhecia o esporte. No teste prático, bateu com a raquete no rosto. Mas o professor Nilton Grustolim - de quem fala com muito orgulho - concedeu o emprego para Alex. A partir daí, Alex começou a trabalhar em diversas quadras de tênis de hotéis da região. Depois fez cursos em São Paulo. Ao se destacar no esporte, recebeu bolsas

de estudos de inglês, espanhol e curso superior. Alex está no primeiro lugar no ranking dos tenistas de Angra. Mas, devido à idade (37 anos) e a falta de patrocínio, não participa de competições. E hoje o que ele deseja é poder ensinar o tênis, este esporte que mudou a sua vida. “Meu sonho é que cada distrito de Mangaratiba tenha um quadra de tênis pública”- diz ele. PROJETO SOCIAL Com a união da vontade de ensinar e da prática no esporte, Alex criou o Projeto Mini-tênis. Para ele, o tênis ainda é um esporte muito elitizado e o projeto dá oportunidade para jovens - que talvez nunca viessem a conhecer o esporte – de aprender o tênis.

Para Alex, por ser um esporte que possui muitas regras e exige disciplina, o tênis faz com que os atletas/alunos aprendam a lidar em equipe e se tornem mais responsáveis por suas atitudes. O MINI-TÊNIS O mini-tênis é uma adaptação do tênis tradicional. A quadra é menor e as regras mais são fáceis. As aulas são dadas na quadra do centro de Mangaratiba, nos horários de 8:30h às 10:30h(terças e sextas) e 14h às 16h (terças e quintas). As categorias oferecidas são infantil e juvenil. Quem quiser participar é só comparecer nos dias e horários citados ou ligar para Alex Sandro no telefone (21) 96517208. Nes-

te número empresários e demais pessoas interessadas também po-

dem fazer doações ou negociar uma participação no projeto.

Inscrições: VII Aberto de Tênis da Rural Nas quadras externas da praça de esportes da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) ocorrerá nos dias 18 e 19 de junho – a partir das 9h - o VII Aberto de Tênis da Rural. O torneio terá as categorias iniciante, intermediário e avançado (para adultos) e iniciante e intermediário (para crianças). Os três primeiros coloca-

dos em cada categoria receberão troféus. INSCRIÇÕES Os interessados em participar do evento podem ser inscrever no site www.tenisrural.blogspot.com ou no Departamento de Educação Física da UFRRJ até o dia 16 de junho. A taxa de inscrição é R$ 15,00 e estudantes da UFRRJ estão isentos.

[GRÊMIO MANGARATIBENSE]

Grêmio é primeiro do grupo

divulgação/grêmio

Time da Costa Verde se classifica para a terceira fase da série C [Ana Carolina Brandão] redacao@jornalofoco.com.br

O Grêmio Mangaratibense segue na luta pelo título da série C. O time venceu neste domingo (12) o Arraial do Cabo por 2 a 0, no estádio da Praia do Saco, em Mangaratiba. Com o resultado, a equi-

pe da Costa Verde se classificou para a terceira fase da série C do Cariocão. Esta fase é decisiva para o time alcançar seu objetivo principal: ficar entre os três primeiros colocados e se credenciar para disputar a segunda divisão no ano que vem. Com a vitória o Grêmio

Mangaratibense está em primeiro lugar do grupo H, com 13 pontos, seguido do Búzios com 9 pontos – que também se classificou – Arraial com 7 e Barcelona com 4. A equipe terminou a segunda fase como a segunda melhor da competição, atrás apenas do Goytacaz.

Para as disputas da próxima fase serão formados dois grupos com quatro equipes cada, e as duas melhores equipes de cada grupo se classificam para as finais. Agora, a expectativa é para saber quem serão os adversários do time na reta final do campeonato.

Momento é de intensificar preparação física


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ESTADO DO RIO DE JANEIRO | MUNICÍPIO DE MANGARATIBA REGISTRO CIVIL DAS PESSOAS NATURAIS DO 1º DISTRITO RUA DOMINGOS JANNUZZI, N.º 58, CENTRO RESP. PELO EXPEDIENTE: FÁBIO HENRIQUE V. DE ALMEIDA REGO

PUBLICAÇÃO Processo n° 1617/2011 – Casamento: EDGAR MARTINS DA COSTA & VALDIRENE DA SILVA RODRIGUES Processo nº 1787/2011 – Casamento: VITALY PYATIKHATKA & NATALIA WERNECK DA SILVA Processo nº 1788/2011 – Casamento: GERALDO ALVES TENORIO & MARIA DELOURDES SILVA Processo n° 1789/2011 – Casamento: JOSÉ ANTONIO RAPOSO DE SOUZA & FRANCILENE MOREIRA PEREIRA DA SILVA Processo nº 1790/2011 – Casamento: DIOGO DE OLIVEIRA ARAUJO & ERICA OLIVEIRA SILVA Processo n° 1791/2011 – Casamento: LUCCAS BARBOSA DA CONCEIÇÃO & BIANCA INACIO MUNIS ALVES Processo nº 1792/2011 – Casamento: DIEGO LEONARDO FERREIRA TEIXEIRA & DANIELA DA SILVA FRANCO Processo nº 17932011 – Casamento: JOSE ROBERTO SANTANA DO REGO BARROS & MARIA DA CONCEIÇÃO DA SILVA Processo nº 1794/2011 – Casamento: JANDERSON LUIZ DA SILVA & BARBARA DE OLIVEIRA NASCIMENTO Processo nº 1795/2011 – Casamento: LEANDRO DE OLIVEIRA FRAGOSO & EMILIANE REGINA EUGENIO FERNANDES . Processo n° 1796/2011 – Casamento: LEANDRO CARLOS MATHIAS DO NASCIMENTO & VANESSA TERRA MAMEDE Processo nº 1798/2011 – Casamento: MARCIO JOSÉ DA APRESENTAÇÃO COSTA & VANESSA ROSA DA SILVA. Processo nº 1799/2011 – Casamento: ROQUE BISPO PEREIRA & JANICE MARIA DA CUNHA RIBEIRO Processo nº 1800/2011 – Casamento: FLAVIO JOSÉ DIAS & ANDREA FELIX DE OLIVEIRA Processo nº 1801/2011 – Casamento: CARLOS EDUARDO MARCULINO OLIVEIRA & LIDIANI DE VASCONCELOS PAULA Processo nº 1802/2011 – Casamento: DIOGO DE SÁ FERREIRA & JULIANA SILVA DE JESUS Processo nº 1803/2011 – Casamento: MARCELO CARDOSO MEYER & CRISTIANE CARVALHO DE SOUZA Processo nº 1804/2011 – Casamento: MANOEL AUGUSTO & MARIA DE PENHA BELO

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O FOCO Ed. 102 - Notícias com Nitidez