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Locomotiva Puxando o assunto, trazendo o debate, levando informação 22 de setembro de 2012 - sábado - nº 85 - distribuição gratuita

Moradores do Centro ainda sofrem com falta de asfalto, coleta de esgoto e iluminação Viela da curva do S é exemplo do descaso da administração municipal Pág. 6

Eleições

Não deixe o samba morrer

Kiko lidera intenção de voto para prefeito

Ney Silva e sua esposa MaraRubia contam sua história de talento e amor à raiz da música brasileira

Pesquisa encomendada por jornal de Caieiras aponta candidato petista 12 pontos à frente do adversário

Págs. 4 e 5

Pág. 7

Não sabem/não opnou: 13% Branco/nulo: 14%


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22 de setembro de 2012 - sábado - nº85 Distribuição gratuita

NOS TRILHOS Eleições

Faltando 15 dias para as eleições, entramos definitivamente na reta final da campanha. É o momento em que a chamada maioria silenciosa, que não se manifesta politicamente, entra na campanha, que passa a envolver praticamente todas as pessoas. Mesmo os que decidem votar branco ou nulo.

Eleitorado

Em Franco da Rocha há 91.206 eleitores, que elegerão o prefeito e 11 vereadores. A média histórica é de 19% de abstenção, votos nulos ou brancos, com a projeção, então, de 74.000 votos válidos.

Enfim, um debate

Em uma campanha que não apresentou debates entre os dois candidatos a prefeito, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais tomou a iniciativa de realizar um. Pena o não comparecimento do candidato Pinduca. Sua pre-

sença poderia enriquecer o processo democrático de Franco da Rocha.

Sindicato

Aproveitamos a oportunidade para parabenizar o Sindicato, na pessoa de sua presidenta Katiane, pela iniciativa e pela coragem.

Produção Legislativa

Na última sessão da Câmara Municipal, por iniciativa do vereador George (PT), foi aprovado o projeto de lei que institui a Semana da Cultura Evangélica no município de Franco da Rocha, a ser comemorada anualmente na semana do dia 23 de setembro – Dia do Evangélico.

Locomotiva

EDITORIAL O tempo foi definido por Albert Einstein como sendo parte do processo da relati� vidade. É uma coisa complicadíssima de ser entendida pelos mortais comuns. Essa pequena introdução está aqui apenas para dizer o que todos sabem: qualquer intervalo de tempo é muito ou pouco de� pendendo do uso que se faz dele. Faltam 15 dias para as eleições de 2012, e isso é muito pouco para quem precisa correr atrás. Por outro lado, para quem está extremamente ansioso pela data, é um tempo quase inalcançável.

A pesquisa publicada nesta edição do Locomotiva, encomendada pelo “A Semana” de Caieiras e reputada pelo jornal como sendo muito precisa, deve estar produzindo os dois efeitos relativos ao tempo citados acima. Para Kiko, que aparece à frente, o dia 7 de outubro poderia muito bem ser amanhã. Para Pinduca, alguns pontos atrás, esse mesmo dia poderia acontecer daqui três meses. Mas nenhum dos dois vai mudar o ritmo natural da vida. Faltam, mesmo, 15 dias!

Acúmulo de lixo já é rotina para escola e ponto de ônibus

Chuva

Circula em Franco da Rocha, Caieiras, Francisco Morato, Mairiporã e região.

E-mail: jornallocomotiva@gmail.com Endereço: Rua Bazilio Fazzi, 44 2o andar, sala 8 Impressão: LWC Gráfica e editora

Com ausência de Pinduca, debate vira sabatina de propostas de Kiko Apesar de garantir presença aos organizadores, candidato do PSDB não compareceu; PT e a organização lamentam perder oportunidade de exercer a democracia Na última quinta-feira, 20/9, quem compareceu ao Colégio Absoluto para acompanhar o debate entre os candidatos a prefeito de Franco da Rocha saiu de lá frustrado. O candidato do PSDB, Pinduca Pariz, não compareceu ao evento, que virou uma conversa entre Kiko, candidato petista, e a população, por quase duas horas. “Perdemos o confronto das propostas. Para mim foi positivo, pois pude apresentar minhas ideias para mudar a cidade. Como o outro candidato não veio, perdi a chance de saber as propostas dele, que até agora não foram apresentadas. Creio que é por isso que ele não veio ao debate, porque não tem propostas consistentes”, declarou Kiko. De acordo com o Sindicato dos Servidores Municipais de Franco da Rocha, que organizou o evento, Pinduca chegou a assinar um

Elisandra Gonçalves, 35 anos, enfermeira

“Candidato que ataca o outro em carro de som me dá nojo”

Tiragem: 10 mil exemplares Redação: Pedro Mikhailov e Thiago Lins Projeto gráfico: Feberti Diagramação: Luiz Dimm Todos os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião do jornal.

Fernanda Maria da Silva, 54 anos, diarista

Em um dos principais cruzamentos do Parque Vitória, entre as ruas Luis Coutinho de Abreu e Péricles Fernandes, as lixeiras costumam acumular resíduos por um bom

tempo até serem esvaziadas. Além de causar mau cheiro, o lixo atrai animais como ratos e baratas, que podem levar doenças aos moradores. A proximidade com

o ponto de ônibus e com a escola do bairro agrava a situação. Mas vale lembrar que todo mundo deve fazer sua parte, jogando lixo no lixo, por uma cidade mais limpa.

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“Candidato que fala mal do outro e não tem proposta é repugnante”

É só começar a cair uns pingos de água que o pânico das enchentes volta na cidade. Muita gente acredita que a única solução é fazer um acordo com São Pedro.

Expediente Locomotiva é uma publicação semanal da Editora Havana Ltda. ME.

Locomotiva

“As campanhas deveriam ser mais propositivas” Antonio Figueira, 40 anos, comerciante

documento garantindo a presença. Mas, apenas na quinta-feira, alegou que não compareceria porque não concordava com as regras do debate. O candidato do PSDB chegou a passar de carro na frente do colégio na hora marcada para início das atividades, às 18h30. Mas apenas acenou pela janela e foi embora. “Achei uma falta de coragem do candidato não querer enfrentar a cidade”, diz o funcionário público Adriano Degaspari, de 37 anos. Na opinião da auxiliar administrativa Monica Vieira, 33, a ausência já era esperada. “Quem não deve, não teme. Com os recentes escândalos de compra de votos por parte do Pinduca, eu já sabia que ele não ia aparecer”, diz. Para o agente de segurança Elenilton Ferreira Santos, 35, o balanço da noite foi positivo. “Apesar da ausência, eu achei o evento legal. Gostei das perguntas, das respostas e das propostas apresentadas.

Temos que discutir Franco da Rocha, senão não vai melhorar.” Os organizadores saíram satisfeitos do debate. “Lamentamos a ausência do candidato. Achamos as propostas do Kiko pertinentes, vindo ao encontro dos anseios da categoria. Se cumpridas a risco, os servidores municipais estarão contemplados”,

Candidatos sem propostas não agradam à população Moradores estão descontentes com campanhas que se resumem a atacar os concorrentes. Na reta final das eleições, o Jornal Locomotiva foi às ruas perguntar o que as pessoas estão achando do nível das campanhas para vereadores e prefeito de Franco da Rocha. Muita gente reclamou de candidatos que não fazem propostas e usam seus meios apenas para atacar os outros concorrentes aos cargos públicos, em vez de explicar suas propostas.

disse o diretor estadual da CUT, Vitor Machado, que alertou sobre as condições de trabalho dos servidores em Franco da Rocha. “As coisas precisam mudar. Independente de quem ganhar, o Sindicato vai continuar cobrando suas reivindicações para a categoria.” Cerca de 300 pessoas compareceram ao evento. “O nível das campanhas em Franco, salvo um ou outro candidato, está bom” Thiago Gomes, 17 anos, estudante

“Tem candidato rasgando cartaz do outro. Parece coisa de gangue” Eliane Almeida, 27 anos, autônoma

“Na internet a coisa ficou tão baixa que fecharam a comunidade Franco da Rocha exige eleições limpas” Luiz Fernando Rodrigues 33 anos, gerente financeiro


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Kiko aparece 12 pontos à frente de Pinduca na disputa pela prefeitura Pesquisa divulgada nesta semana também aponta insatisfação com a gestão de Márcio Cecchettini e credibilidade dos governos Lula e Dilma Uma pesquisa divulgada pelo site caieraspress.com.br, na última quarta-feira, 19/9, revelou que o candidato do PT à prefeitura de Franco da Rocha, Kiko, está 12 pontos percentuais à frente do segundo colocado, Pinduca. A rejeição do candidato do PSDB chega a 27%. De acordo com a publicação, um candidato com apoio de Márcio Cecchettini é mal visto por 39% dos moradores. O que condiz com outro dado: para boa parte da população (65%), a gestão do atual prefeito é regular, ruim ou péssima. Por outro lado, 51% da cidade

avalia o governo da presidente Dilma como ótimo ou bom. Um candidato apoiado por ela tem mais credibilidade para 44% dos franco-rochenses, que também valorizam (49%) uma parceria com o ex-presidente Lula. Para realização da pesquisa, foram entrevistados 600 moradores, durante a última passada. De acordo com a pesquisa, 79% dos eleitores de Kiko dizem estar com seu voto definido, enquanto 32% dos eleitores de Pinduca acham que ainda podem mudar de ideia até o dia das eleições.

26% 13%

Contratante: Jornal A Semana S/C Ltda Registrada na Justiça Eleitoral sob o número SP-00825/2012

por gênero % Total

Kiko PT Pinduca PSDB

43%

31%

Nenhum

Não sabe/ Não opinou

14%

por idade

por escolaridade

Masculino

Feminino

16 a 24 anos

25 a 34 anos

35 a 44 anos

45 a 59 anos

Masculino

por idade

Feminino

por escolaridade

35 a 44 anos

45 a 59 anos

60 anos ou mais

Ensino Fundamental

Ensino Médio

Ensino Superior

Kiko - PT

43

43

43

58

44

39

37

33

37

48

41

Pinduca - PSDB

31

32

30

23

30

33

32

36

36

27

28

Branco/ Nulo

14

16

11

15

17

16

9

9

10

14

24

Não sabe/ Não Opinou

13

9

16

4

9

11

22

21

17

11

6

13

13

6

11

19

18

8

17

10

10

Pinduca - PSDB

27

27

27

37

30

22

24

20

21

30

35

Nenhum

26

29

24

26

26

27

24

32

26

26

29

Não sabe/ Não opinou

34

31

36

31

33

32

34

41

36

34

25

Não sabe/ Não Opinou

34%

Branco/Nulo

25%

AVALIAÇÃO DO GOVERNO ALCKMIN

Pinduca PSDB

Não sabe/ Não opinou

79%

Kiko PT

68%

20%

Pinduca PSDB

Ótimo 9% 5%

Péssimo

32%

17

13%

33% Bom

8%

Ruim

32% Regular

É sua intenção nesse momento, mas pode mudar durante a campanha

É definitiva, não muda mais

Pinduca PSDB

Ensino Superior

13

Kiko PT

25 a 34 anos

Kiko - PT

Ensino Médio

13%

16 a 24 anos

INTENÇÃO DE VOTO PARA PREFEITO (ESPONTÂNEA)

60 Ensino anos ou Fundamental mais

Kiko - PT

GRAU DE DECISÃO DE VOTO % Total

34%

13

Para uma amostra de 600 entrevistas estima-se uma margem de erro total para mais ou para menos de 4,0%, considerando-se um nível de confiança de 95%, em uma hipótese de p=q=50%. O intervalo de confiança estimado é de 95%. Instituto que realizou: Scenso - Pesquisa de Opinião e de Mercado SC/Ltda

Nenhum

27%

Kiko PT

Data de início da coleta dos dados: 07/09/12 Data de término: 12/09/12

INTENÇÃO DE VOTO PARA PREFEITO (ESTIMULADA)

por gênero

Não sabe/ Não opinou

Pinduca - PSDB

REJEIÇÃO DE VOTO PARA PREFEITO

AVALIAÇÃO DO GOVERNO MÁRCIO CECCHETTINI

28% 26%

AVALIAÇÃO DO GOVERNO DILMA

26%

27%

Ótimo

Bom

Ruim

Péssimo

14%

Regular Não sabe/Não opinou

44%

12% 2%

33%

7%

por gênero % Total

Masculino

por idade

Feminino

16 a 24 anos

por escolaridade

25 a 34 35 a 44 45 a 59 anos anos anos

60 anos ou mais

Ensino Fundamental

Ensino Médio

Bom

Ruim

Péssimo

Regular

17%

Não sabe/Não opinou

2%

3%

1%

Ensino Superior

Kiko - PT

34

26

32

43

39

31

27

23

26

39

38

Pinduca - PSDB

25

27

23

14

25

28

27

32

30

20

27

Outros

0

0

0

Branco/ Nulo

14

16

11

15

17

15

9

9

11

15

18

Não sabe/ Não Opinou

28

21

34

28

19

25

35

35

33

26

18

1

Ótimo

1

PARTIDO POLÍTICO DE PREFERÊNCIA

PT 21% PSDB Não soube responder

74%

4%


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Locomotiva

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Sem asfalto ou iluminacão, viela é risco para os moradores Mesmo morando no Centro, população até hoje não conta com infraestrutura básica para se viver Morar no Centro da cidade o esgoto correr assim a céu aberto geralmente é sinônimo de acesso bem no Centro da cidade”, completa. a uma infraestrutura melhor que a Se o filho de dona Sônia Aparedos bairros. Mas, para as 25 pesso- cida, de 55 anos, não deixar a luz de as que vivem na viela na altura do fora de casa acessa, a rua vira um número 40 da rua Sete de Setembro, breu e põe em risco os moradores. a história é diferente: até hoje elas “Tenho medo, fica muito escuro”, não contam com asfalto. Não sobe diz Sônia. Carol Novaes, de 35 anos, carro nem material de construção. lembra de um episódio assustador: Esgoto e iluminação pública também “Levei um tombo com meu bebê não existem, apesar de os moradores de oito meses no colo, tive que me pagarem todas as taxas em dia para ralar toda para não deixar ele cair a prefeitura e a Sabesp. e rolar a ribanceira.” “A situação era muito pior. Os Um abaixo assinado foi feito em próprios moradores foram pavimen- 2005, mas não serviu para melhorar tando aos poucos a rua. Quando a situação da viela. “A prefeitura já chove, aqui vira uma enxurrada deu várias desculpas diferentes. Já muito forte, capaz de levar a gen- alegaram que é área particular, que te lá para baixo”, diz Antônio José a altura da rua não comporta uma Gomes, 68 anos, aposentado, que pavimentação. Minha mãe abriu vive há 35 anos na “viela da curva um processo em 2006, mas, depois do S”, como é conhecida na região. de muito tempo sem resposta, ele “Consegui ao menos parar de pagar sumiu. Agora, abri outro no dia 1º taxas para a prefeitura, mas muita de agosto. Vamos ver no que vai dar gente daqui ainda paga. É absurdo dessa vez”, desabafa Carol.

AQUI TEM

u e p a h c o d a Na ab

Esta seção do Locomotiva é dedicada ao comércio de Franco da Rocha, o mais forte da região. Em cada edição, vamos mostrar um produto ou serviço que é prestado aqui, do lado de casa

Deixa Que Eu Faço Arte

Luiz Laurini, dono da loja Deixa Que Eu Faço Arte

Comandado pelo artesão Pedro Luiz Laurini e sua esposa Neide Real, o atelier Deixa Que Eu Faço Arte é um refúgio do artesanato no Centro de Franco da Rocha. Já são cinco anos atendendo seus fiéis clientes na rua Dr Basílio Fazzi. O espaço surgiu como uma nova oportunidade de negócio para Pedro, que por mais de dez anos teve uma papelaria na cidade. “Eu ia me mudar de Franco, mas acabou não dando certo e comecei a expor meus trabalhos, principalmente pinturas em tela e objetos com materiais reciclados, na feira de artesanato que acontecia na cidade”. Ele se tornou coordenador dessa feira, que chegou a ter mais de cinquenta expositores. “Mas, como não tínhamos muito incentivo, resolvi montar minha loja”, lembra o artesão. Trabalhando com artesanato, Pedro também redescobriu o gosto pelo comércio. “É um negócio bem diferente de uma papelaria, com mais alternativas para minha atuação. Eu passei a trabalhar com algo que eu amo”, resume.

No atelier, são comercializados artigos diversos para artesanato. “Temos material para trabalhar com decoupage, tela, tecido, vidros, bicuit, tintas, pincéis... tudo para fazer arte. Hoje em dia o artesanato está na moda, tem muita visibilidade, aparece na televisão com frequência, então isso acaba despertando a curiosidade de quem nunca trabalhou com artes”, explica Pedro. As caixinhas e recortes de MDF são os produtos mais procurados pela cartela de clientes que a loja fidelizou ao longo dos anos.

Deixa Que Eu Faço Arte

Endereço: Dr Basílio Fazzi, 182 Centro - Franco da Rocha Tels.: 4443-5900 e 4811-4376 Horário: Segunda à sábado, das 10h às 18h.

As compras podem ser parceladas em até 2x sem juros no cartão de crédito

Uma coleção de chapéus panamá, adereço típico do Equador e marca registrada dos sambistas brasileiros, repousa sobre uma estante de madeira preta. É de lá que Ney Silva tira o livro ‘Na cadência do Samba’, de Haroldo Costa, para solucionar uma pequena dúvida sobre Noel Rosa. “Está aqui”, diz, apontando com o dedo a foto do compositor. “Bando de Tangarás foi seu primeiro grupo, em 1929. Ele era violonista”, esclarece. Mara Rubia, sua esposa, almoça lentamente. É uma quarta-feira. No dia seguinte, os dois começam os preparativos para abrir o Bar Na Aba­­– que, além de ser o negócio da família, é o nome da composição mais famosa de Ney Silva, imortalizada por Martinho da Vila. O casal se conheceu na metade da década de 1970, quando a franco-rochense Mara, após participar de diversos programas de auditório cantando sambas, foi contratada por Oswaldo Sargentelli. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde conheceu Ney, que acompanhava o grupo de samba do “mulatólogo” – como o próprio se definia. “Viemos para Franco da Rocha depois de uma turnê por Aruba”, conta Mara. “O Rio de Janeiro tinha muito poucas casas, era um espaço restrito para viver de música. Mas São Paulo tinha muitos lugares”. Entre 2003 e 2009, o bloco Bizuza, nome em homenagem ao pai de Mara, percorreu as ruas de Franco da Rocha durante o Carnaval. “Saía da rua de casa e dava a volta no Centro. Mas era perigoso, a prefeitura não fechava o trânsito. Tinha medo de alguém ser atropelado”, relembra Ney. A história de amor dos sambistas já dura 37 anos e dois filhos, que seguiram os passos dos pais. “Reinaldo, não te mostrei isso ainda”, diz Ney para o filho, que está gravando um disco de samba e, assim com a irmã, se apresenta com a família no Bar Na Aba.

“Este é o primeiro disco do Sambão, de 1969. Estou aqui na capa”. De la pra cá, Ney Silva tocou com Cartola, Chico Buarque, Francis Hime, Gal Costa, Caetano Veloso, Beth Carvalho, Alcione, Elizete Cardoso, Jair Rodrigues e outros nomes consagrados da musica brasileira, incluindo João Nogueira – cuja casa, em 1979, foi palco da criação do Clube do Samba, espaço de encontro para resgatar a cultura do samba, frequentado pela nata sambista brasileira. Ney e Mara frequentavam o clube, no Rio de Janeiro, e hoje têm seu próprio canto para zelar pela memória do samba de raiz, na avenida Brigadeiro Faria Lima, 452, em São Paulo. Adoniran Barbosa, Ataulpho Alves, Cartola e Nelson Cavaquinho. Ao repertório das rodas de samba do Bar Na Aba, regadas a cerveja, petiscos e chapéus, como manda o figurino, acrescentam-se muitos clássicos do estilo mais brasileiro de música. Como cantou Nelson Sargento da Mangueira, “Samba, agoniza mas não morre. Alguém sempre te socorre. Antes do suspiro derradeiro”.

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Locomotiva

Nesta seção vamos registrar as histórias, os “causos”, a vida dos homens e mulheres que fizeram e fazem, a cada dia, a nossa cidade

NOSSA GENTE

Incansável na luta por melhores condições de trabalho

Katiane Santos Sobral, 34 anos, nasceu na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte de São Paulo. Mãe de quatro filhos, mudou-se para Franco da Rocha em 2003, quando conseguiu um emprego de professora na

Katiane, à esquerda, com companheiros do Sindicato

SOCIAIS

Nesta seção, traremos sempre as pessoas, lugares e eventos que brilham na vida social de nossa cidade e região

Aniversariantes

Jefersson wagner

Telma Mathias

15 de setembro

19 de setembro

Raquel Massineli

Muhammad Baker

20 de setembro

20 de setembro Pericles Gallo

20 de setembro

EMEB Francisco de Paula Brandão, no Jardim dos Reis. Em seis anos de ensino na educação infantil, Katiane tornou-se uma liderança entre os servidores municipais. Em 2009, em uma conversa com merendeiras e funcionários responsáveis pela limpeza da escola, a professora resolveu montar uma chapa para concorrer ao sindicato da categoria. “Estávamos revoltados com a situação. Tinha gente que recebia menos de um salário mínimo, era absurdo. E os representantes da categoria não batiam de frente. Nos reuníamos e perguntávamos: cadê nosso sindicato, poxa?”, lembra Katiane. A chapa deu certo e, em menos de um mês, ela assumiu a presidência do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais e Autárquicos de Franco da Rocha e Caieiras. A primeira coisa a fazer foi colocar a casa em ordem. “Toda a nossa

parte burocrática estava irregular. Tivemos de regularizar tudo antes de iniciar os projetos”, diz Katiane, destacando as atuações do Sindicato na melhora das condições de trabalho da classe. “Uma das grandes conquistas foi nossa grande assembleia, em outubro de 2010, com mais de cem funcionários. Decidimos um dia de paralização. Depois, fomos para a rua entregar uma carta aberta para a população contra a prefeitura, que não nos recebia para conversar”. De lá pra cá, a situação dos servidores melhorou, mas ainda há muita luta pela frente. “Ainda não temos plano de carreira, e isso é muito importante para a autoestima dos trabalhadores”, diz Katiane. Apesar das dificuldades, ela declara seu amor a Franco da Rocha. “O comércio daqui é muito bom, não preciso sair da cidade para nada. E sair pra quê, com toda essa natureza?”


Jornal Locomotiva 85