Issuu on Google+

Locomotiva

Puxando o assunto, trazendo o debate, levando informação 12 de novembro - sábado - nº 41 - Distribuição Gratuita

Com os olhos no futuro Ministro da Educação, Fernando Haddad, e secretário do Desenvolvimento Metropolitano, Edson Aparecido, visitam o Juquery e confirmam potencial do Complexo para receber a Universidade Federal |Pág s 3, 4, 5, 6 e 7


2

12 de novembro - sábado - nº41 Distribuição gratuita

NOS TRILHOS Na mídia Pela segunda vez um ministro visita Franco da Rocha. Em novembro de 2007, recebemos a visita do então ministro da Previdência, Luiz Marinho. Agora, quatro anos depois, o ministro da Educação. Ambos a partir de articulações do Kiko. Prestígio Desta vez, além de Haddad, vieram nove deputados estaduais do PT, além de um do PV e outro do PSDB. Se acrescentarmos o secretário estadual de Desenvolvimento Metropolitano, Edson Aparecido, teremos a maior concentração de lideranças políticas em Franco da Rocha. Produzindo boas notícias. Deferência A bancada de deputados estaduais do PT tinha uma reunião marcada no mesmo horário. Enio Tatto, líder da bancada, atendendo a um pedido do Kiko, desmarcou o compromisso, para poderem vir à nossa cidade. Poder local Presentes prefeitos da nossa região, e também ex-prefeitos. Toda a Câmara Municipal de Franco da Rocha participou, juntamente com parlamentares dos municípios vizinhos. Lideranças de Jundiaí e

Pela transparência Bela a iniciativa da Prefeitura Municipal de Franco da Rocha de realizar a 1ª. Conferência Municipal sobre Transparência e Controle Social, etapa preparatória à 1ª. Conferência Nacional. Sob a presidência do Dr. Marcos Aparecido, teve a participação de cerca de 70 pessoas, elegendo delegados à etapa estadual.

Locomotiva é uma publicação semanal da

Reportagem: Fernanda de Sá e Valéria Fonseca

Editora Havana Ltda. ME.

Projeto gráfico: Feberti

Circula em Franco da Rocha, Caieiras, Francis-

Diagramação: Vinícius Poço de Toledo

co Morato, Mairiporã e região.

Todos os artigos assinados são de responsa-

E-mail: jornallocomotiva@gmail.com

bilidade de seus autores e não representam,

Impressão: LWC Gráfica e editora

necessariamente, a opinião do jornal.

Editor: Ricardo Barreto Ferreira Filho

Q

restantes. Porque recusas, adiamentos e “nãos” representaram pouco ou quase nada. Não tivemos ofícios, burocracia ou formalidades. Essas coisas não combinam com povo. Nossa preocupação era conseguir – é conseguir – e deixar prá lá não faz parte do nosso itinerário. Como povo, andamos mais um pouco e esse pouco mexeu com nossa autoestima e nos capacitou a querer ainda mais. A sonhar em assumir as rédeas de nosso futuro e mostrar nossa força de conquistar. Parabéns ao povo que apresentou seu poder. Parabéns aos 15, 20 mil que assinaram o pedido pela universidade. Esse foi o único papel realmente relevante para o início dessa conquista.

Universidade Federal consolida o plano diretor do Complexo do Juquery Por Glalco Cyriaco

Tumulto Apesar do acordo entre Ministério, Secretaria e Juquery, de que a visita seria técnica, a Prefeitura de Franco mobilizou grande parte de seus funcionários para a recepção do ministro. O que era para ser técnico, quase acabou em tumulto.

Expediente

Tiragem: 50 mil exemplares

EDITORIAL

uem acredita que povo é apenas um grupo de pessoas destinado a obedecer e engolir tudo o que os poderosos esco� lhem, não sabe a força que tem. O povo só é fraco quando quer ser, quando tem preguiça de atuar. Várzea Paulista. Sinal que a vinda da Universidade Federal Um passo adiante pode parecer pouco para os é aspiração de toda a região. pessimistas. Mas, para quem sabe que cada um tem sua importância no Universo, fazer parte do Recepção povo é a coisa mais importante que pode acontecer. Porque o povo é quem escolhe e também é ele que O almoço das lideranças políticas da região, em não foge à luta e que não desiste nunca. Ainda recepção ao ministro, reuniu mais se for brasileiro, claro. cerca de 300 pessoas, em uma Nós, o povo, conseguimos o que muitos quiseram terça feira, dia de trabalho e não puderam ter. Porque quando um cansava normal. o outro tomava a frente e injetava ânimo nos Republicana Por todo lado se ouvia a expressão “postura republicana”, para marcar um momento em que as paixões partidárias, e as vaidades pessoais, deram lugar a um movimento comum pela vinda de um investimento que dará um futuro positivo para a cidade e região.

Locomotiva

Por volta de 2002, 2003, o Governo do Estado incluiu a área do Complexo Hospitalar do Juquery como possibilidade para implantação da Universidade de São Paulo (USP Norte). No entanto, a Zona Leste é que foi a contemplada – com a USP Leste. Mesmo assim, isso despertou a necessidade de uma programação de ocupação do Complexo. Na época, a Dra. Maria Tereza Gianerini Freire procurou o apoio técnico do Prof. Sylvio Sawaya, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP com acompanhamento do arquiteto do Juquery, Pier Paolo Bertuzzi Pizzolato.

Esse grupo foi o responsável pela primeira versão do Plano Diretor – que foi apresentada para as autoridades do município e para Conselho de Municípios da Bacia Juquery (CIMBAJU). O plano diretor do Complexo do Juquery prevê a ocupação do espaço através de três áreas Saúde, Educação, Cultura e Memória. O Hospital Novo e o Centro de Atenção Integral a Saúde Mental (CAISM) são frutos de projetos previstos no Plano Diretor original. Para a Educação, o projeto original previa a construção de uma grande área. No final de 2010, reunimos novamente os profissionais

de arquitetura para uma revisão no Plano Diretor e uma das grandes mudanças foi a ocupação, pela Educação, dos prédios centrais do Complexo. E isso significou a ocupação de 35 a 42 dos 82 prédios. A ideia de implantar uma Universidade Federal no Complexo vem ao encontro de nossa revisão e é fundamental para consolidar, com um destino adequado, a ocupação do Complexo do Juquery.

(*) Glalco Cyriaco é diretor do Complexo Hospitalar do Juquery desde abril de 2010.


Locomotiva

3

12 de novembro - sábado - nº41 Distribuição gratuita

Ministro da Educação visita Franco e sugere projeto ambicioso para o Juquery A instalação da Universidade Federal foi o tema principal da visita técnica realizada na última terça-feira

O ministro da Educação, Fernando Haddad, acompanhado de Kiko Celeguim, chegou ao Complexo do Juquery, na última terça-feira, 08, para comprovar, com seus próprios olhos, o que tinha recebido de informação a respeito do local onde o governo federal espera implantar uma universidade. Recebido pelo secretário de Desenvolvimento Metropolitano, Edson Aparecido, que representava o governo do Estado na visita, e pelo diretor técnico do

Departamento de Saúde do Complexo, Glalco Cyriaco, Haddad fez questão de contar com a presença do reitor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Walter Manna Albertoni. Também estiveram presentes, juntamente com prefeitos da região, deputados e vereadores. Tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico (Condephaat), o Juquery deverá ser transformado em um campus universitário. A visita técnica, agendada

depois do encontro promovido em setembro deste ano e que envolveu o ministro e o secretário, em São Paulo, teve o objetivo de proporcionar às autoridades a oportunidade de conhecer as grandes áreas hoje ociosas do Complexo. Além disso, como representante do secretário da Saúde, Dr. Giovanni Cerri, o diretor técnico teve a chance de apresentar um pouco da história e dos números que envolvem o gigante Juquery.

De acordo com Haddad e Aparecido, a parceria entre Estado e União ficou ainda mais forte depois do surgimento dessa proposta. “Talvez seja uma das regiões mais complexas e desafiadoras, onde a intervenção do Estado é fundamental no sentido de aproximá-la do desenvolvimento das demais áreas da região metropolitana de São Paulo. Uma parceria, sobretudo na área da educação, significa um gigantesco passo para esse desenvolvimento”, afirmou o

secretário Edson Aparecido. O Ministro Haddad explicou que o próximo passo será a criação de uma comissão de arquitetos, urbanistas e paisagistas para a elaboração do projeto de restauração e revitalização do Complexo. Já o Secretário exaltou o momento histórico e garantiu que ambos trabalharão com desprendimento para poderem apresentar e firmar mais este acordo entre o governador Geraldo Alckmin e a presidenta Dilma Roussef.

Deputados comparecem em peso A visita do ministro da Educação, Fernando Haddad, histórica por ter como foco o estudo para a implantação de uma Universidade Federal no Complexo do Juquery, atraiu para a cidade um número recorde de parlamentares estaduais.

Ao todo, onze deputados estiveram presentes à visita ao Complexo, dentre os quais nove eram do PT. O Presidente do Diretório Estadual - Edinho Silva, Enio Tatto, Alencar Santana, Geraldo Cruz, Isaac Reis, Luiz Claudio Marcolino,

Gerson Bittencourt, Marcos Martins e José Candido. Celino Cardoso (PSDB) e Beto Tricoli (PV) também passaram pelo Juquery, por suas relações com a prefeitura municipal. A grande quantidade de deputados provou a

importância do projeto, não só para a cidade, mas também para o Estado. Os parlamentares foram unânimes em suas declarações, quando abordados pelos jornalistas. O deputado Estadual Enio Tatto (PT), chegou inclusive

a mencionar, informalmente, que a visita a Franco da Rocha – para tratar de um evento dessa grandeza, envolvendo a instalação de uma Universidade Federal – havia interferido em uma agenda ordinária da Assembleia Legislativa.


4

12 de novembro - sábado - nº41 Distribuição gratuita

Locomotiva

Com a palavra, Vossa Excelência, o Ministro

O ministro da Educação, Fernando Haddad, bastante empolgado com o que viu no Complexo, explicou que o Juquery, além da instalação da Universidade, merece um projeto ainda mais ousado que proporcione grande desenvolvimento para a região. Impressionado com o tamanho da área, Haddad entendeu que o Complexo tem potencial ainda maior do que esperava. “É uma área muito grande, com mais de seis milhões de metros quadrados, o que equivale a quatro parques do Ibirapuera”, salientou o ministro. “Precisamos de ousadia para atender

a uma aspiração da população e criar aqui um marco de referência não só de ensino, como de convivência”, afirmou. Haddad lembrou ainda de como a ideia chegou até ele por meio de Kiko Celeguim, chefe de gabinete do deputado federal Vicente Cândido e franco-rochense. “Foi uma verdadeira ‘caça ao ministro’. Em todos os lugares que eu ia o Kiko estava lá com páginas e páginas de assinaturas. Ele deve ter convencido até crianças de seis anos de idade a assinar esse abaixo-assinado”, brincou. Para ele, a atitude foi essencial para que

esse sonho pudesse sair do papel. “Muitas vezes a persistência é que leva ao êxito. E persistente ele foi”, completou. O ministro contou que, na verdade, o plano de expansão universitária já estava fechado com a presidenta Dilma até 2014 e que não se esperava mais novos projetos. “Mas uma boa ideia, apresentada de maneira apaixonante, acabou me convencendo”, disse. A disposição da parceria com o governo do Estado também foi, de acordo com Haddad, fundamental para que o Juquery entrasse nos planos do governo Federal.


Locomotiva

5

12 de novembro - sábado - nº41 Distribuição gratuita

Juquery: O que foi e o que ainda representa Para quem não conhece, o Hospital Psiquiátrico do Juquery foi uma das maiores instituiçõespsiquiátricas do Brasil. O início da construção da Colônia Agrícola Juquery data de 1895. Em uma área de 150 hectares seus prédios

foram projetados pelo famoso arquiteto Ramos de Azevedo, o mesmo que criou, entre outros lugares históricos, o Teatro Municipal de São Paulo, a Pinacoteca do Estado e o Liceu de Artes e Ofícios. Inaugurado em 1898, pelo

psiquiatra paulista Francisco Franco da Rocha, o Asilo de Alienados do Juquery passou a ser chamado de Hospital e Colônia de Juquery em 1929. Desde sua fundação, entretanto, o Juquery teve estreita ligação com a cidade que o abrigou e

a história de muitos franco-rochenses antigos se mistura com aquela contada pelos jardins do hospital. Apesar da cidade ter se desenvolvido por causa do hospital, prova disso é o seu próprio nome, ainda existe muita gente

“Nasci em São Paulo e morei boa parte da minha vida em Franco da Rocha, ‘Cidade dos Loucos’ como as pessoas de outras localidades chamam nossa cidade. Apesar do Juquery ser o berço de Franco da Rocha, as minhas únicas recordações do hospital remetem ao tempo da minha infância, quando ainda existiam grandes e bem cuidados jardins e um belo campo de futebol (com um gramado de

que não vivenciou essa ligação. Agora, a possibilidade de implantação de uma Universidade Federal no Complexo reacendeu o assunto e o Jornal Locomotiva foi às ruas para saber qual o significado do Complexo Juquery para a população.

dar inveja a muito time futebol profissional de hoje em dia). Durante o tempo que estive fora de Franco da Rocha, para fazer faculdade, muitas pessoas me questionavam sobre a o tão conhecido hospital psiquiátrico do Juquery, e minha resposta era sempre a mesma: “o hospital esta abandonado e caindo aos pedaços, ele está sendo desativado e os prédios estão completamente largados”

Francisco de Assis Silveira Lustosa Nogueira, 28 anos

Ricardo Barreto, 47 anos

“O Hospital do Juquery está no imaginário de todo franco-rochense, mesmo que não conheça nada de sua história. Desde priscas eras, quando o bilheteiro anunciava a cidade com um sonoro “Juquery, Juquery, quem é louco fica aqui”, tratamos com bom humor o nosso papel de cuidar dos doentes mentais, dos alienados, dos loucos. Quando criado, o Hospital tinha a aura da modernidade, do tratamento aos pacientes (como gostamos de chamá-los) de forma humana, sem a violência que caracterizava os

tratamentos até a época, com a humanidade trazida pelas revolucionárias teorias de Freud. Chegou a ter 15.000 pacientes, num imenso espaço de terra, que era uma pequena cidade. A água vinha da represa da quarta colônia (hoje Manicômio Judiciário masculino), que também produzia energia elétrica. Tínhamos padaria, fábrica de sabão, gráfica, fábrica de vassoura, de chinelos de pano, e ia por ai afora. Para formar mão de obra qualificada (inexistente na época), foi organizado um curso de enfermagem, que chegou a ser uma das melhores do estado, formando auxiliares de enfermagem. Mas acima de tudo tínhamos os trabalhadores do Hospital do Juquery, que construíram relações emocionais com os pacientes, que os tratavam como seres humanos. Todos eles, funcionários e pacientes, vindos dos mais variados cantos do país, construíram uma cidade que tem a vocação de lidar com pessoas. Que venham os estudantes, também dos mais recônditos lugares do país. Para construir uma feliz cidade”.

Anna Zotino do Monte, 96 anos

“Quando meu marido, Juvenal Gomes do Monte, disse que deixaríamos Jundiaí para mudarmos para Franco da Rocha, quase morri de tristeza. Mas ele decidiu que queria trabalhar aqui e eu o segui. No começo a gente não tinha nada na cidade, mas o hospital oferecia todo o conforto do mundo para funcionários e pacientes porque tínhamos carne e leite frescos, verduras e frutas à vontade. Morar no Juquery acabou sendo uma opção inteligente. Na verdade a gente acabou se apaixonando pelo lugar.

Criamos nossas três filhas aqui em Franco, dentro do Juquery. As meninas – e depois meus netos – conviveram com os pacientes que eram, muitas vezes, pessoas que nem precisariam estar lá e que apenas haviam sido abandonadas por suas famílias. O Juquery sempre foi nosso quintal e assistir a sua decadência, depois o incêndio que destruiu a administração, foi triste demais. Quando fiquei sabendo dessa história da universidade, senti voltar aquele orgulho de novo.


6

12 de novembro - sábado - nº41 Distribuição gratuita

Locomotiva

15 mil assinaturas, relatório e documentário são entregues

No final da visita e da apresentação técnica feita pelo diretor Glalco Cyriaco, Kiko Celeguim, um dos idealizadores da campanha ‘Nosso Sonho, Nosso Futuro’, que colheu mais de 15 mil assinaturas em nossa região, entregou ao ministro Fernando Haddad, ao secretário

Edson Aparecido e ao prefeito Marcio Cecchettini, o relatório “Juquery: Passado, Presente e Futuro de uma cidade”, que apresenta um estudo histórico e de viabilidade organizado por um grupo de franco-rochenses que abraçaram a causa da universidade no Juquery.

Esse relatório tem como objetivo apresentar a realidade do Complexo Hospitalar do Juquery, considerando que revitalizar espaços de convivência social histórica colabora para a criação de políticas públicas de crescimento regional, e assim contribui para o

desenvolvimento do país. Também foi entregue uma cópia do documentário, dirigido e escrito por Diego Hernandez, “Juquery. Hospital Ciência e Ternura”, que conta a história da psiquiatria no Brasil e o porquê de nossa cidade ter sido escolhida para a instalação do

hospital psiquiátrico. Também fala sobre o incêndio que destruiu parte importante de seu patrimônio e de sua posterior decadência. Além disso, explica sobre o plano diretor que deu ao Juquery potencial para abrigar um equipamento educacional.

Nosso sonho. Por que uma Universidade Federal? O relatório demonstra que a revitalização do Juquery é o ponto de partida e grande chance de retomada de desenvolvimento e condições dignas de vida para os quase 600 mil habitantes de nossa região. Apesar de sua proximidade com o município de São Paulo e de outras cidades em franco desenvolvimento – como é o caso de Jundiaí – ,o município de Franco da Rocha está há anos, depois da decadência da importância do Juquery, sem quaisquer intervenções que consigam, de fato, torná-lo independente.

O grande sonho da população da cidade, explicitado no texto do relatório, é que sua dedicação à história do hospital e aos seus pacientes seja retribuída com a utilização de seus prédios históricos e jardins centenários, hoje quase esquecidos, para algo verdadeiramente transformador, como a instalação de um equipamento de educação. Os benefícios diretos e indiretos seriam incalculáveis, ao se considerar que a implantação de uma universidade, ou de um projeto mais amplo – que inclua

o estabelecimento de centros de pesquisa ou museus (além de considerar espaços como o Parque Estadual do Juquery e a Represa Paiva Castro) – redefiniria, por exemplo, o caráter de violência que a cidade assumiu nos últimos anos. O impacto no mercado de trabalho, no mercado imobiliário, entre outros, estabeleceria novos paradigmas para todos os moradores de Franco da Rocha e da região. O nível de vida daria um salto de qualidade sem precedentes, remodelando a história

social dos habitantes desses municípios, e indo ao encontro das transformações econômicas que o Brasil atravessa nos últimos oito anos, com o estabelecimento de uma classe média mais forte e decidida a redefinir seu futuro. Os moradores de Franco da Rocha ganhariam com a revitalização do Hospital do Juquery. A região metropolitana também seria beneficiada. O estado de São Paulo enxergaria Franco da Rocha com outros olhos. O Brasil sairia mais forte e vencedor com a implantação de

um projeto que mesclasse educação e saúde para parte dos habitantes mais carentes da maior concentração populacional do país. A conclusão a que se chega, com o estudo apresentado, é que apesar da degradação do Juquery, o hospital pode ter ainda um papel de considerável importância no desenvolvimento de Franco da Rocha, uma cidade que nasceu com o intuito de cuidar e que agora precisa de atenção e cuidados. Para isso, basta a união entre todos que amam a cidade do hospício e o hospício da cidade.


Locomotiva

7

12 de novembro - sábado - nº41 Distribuição gratuita

O “Caçador de Ministros” Francisco Daniel Celeguim de Morais, o Kiko, nasceu para a política Neto e filho de ex-prefeitos da cidade, com apenas 20 anos foi eleito vereador da cidade onde nasceu e cresceu. Talvez por este motivo, a aceitação da ideia de que Franco da Rocha estava fadada a ser uma cidade-dormitório nunca tenha sido digerida por ele. Até 2008, quando terminou seu mandato de vereador e resolveu se arriscar na campanha para prefeito, Kiko não tinha plena consciência do seu papel transformador para a cidade. Com a política no sangue e os bons relacionamentos adquiridos ao longo de toda sua vida, resolveu investir pesado na ideia da universidade no Juquery, um sonho que cresceu ouvindo e que muita gente julgava impossível de ser realizado. Hoje, depois de ser elogiado e reconhecido por uma autoridade do porte de um ministro de Estado, o segundo que visitou nossa cidade, Kiko explica que não existe vaidade nenhuma de sua parte. “Eu não sou melhor do que ninguém. Fiquei orgulhoso, é claro. Porque essa história

da universidade começou há muitos anos, desde pequeno ouço que o Juquery seria perfeito para isso. Eu sei que muita gente pediu, tentou. E o fato de eu ter encontrado um caminho que deu certo é somente motivo de orgulho. A minha expectativa que dê certo é a mesma de todos os franco-rochenses”, acrescenta. Kiko lembra que tudo foi possível pois teve a ajuda do deputado federal Vicente Cândido, do secretário do Fumefi, Widerson Anzelotti, e do diretor técnico do Complexo Juquery, Glalco Cyriaco. “O Vicente e o Widerson me orientaram, me apoiaram e me ajudaram a reunir Estado e União. O Glalco também foi extremamente importante porque entende tudo de Juquery e se mostrou disponível e interessado em ajudar. O prefeito Márcio também teve uma postura correta recebendo o ministro com satisfação em nossa cidade”. Sobre a parte prática que tornará a implantação possível, Kiko explica que conversou com o ministro que propôs que as bancadas de deputados sejam procuradas para a garantia das verbas necessárias para a

execução. “O ministro me disse que a expectativa dele é que em cinco anos sejam investidos R$ 550 milhões para recuperação e adaptação dos prédios que serão utilizados e entorno. Desse montante, a ideia é que R$ 350 milhões venham por meio do orçamento da União, sendo negociados com todos os deputados do Estado de São Paulo, previstos no orçamento pela bancada paulista. Os outros R$ 200 milhões ficariam a

cargo do Estado, que também poderá contar com emendas dos deputados estaduais nesses cinco anos”, explica. De acordo com Kiko, o custo anual de uma universidade como a que deve ser implantada no Juquery, com cerca de 5 mil alunos, gira em torno de R$ 200 milhões de reais. Isso seria uma prova da intenção da União de melhorar nossa região. Além disso, ele acredita que a parceria também será vantajosa

para o Estado, uma vez que o gasto anual com manutenção do Complexo chega a R$ 80 milhões, e grande parte desses recursos deverão ser economizados. “Será um bom negócio para Estado e União e uma oportunidade única de desenvolvimento para nossa região. Tudo mudará a partir da universidade. Não é à toa que o slogan da nossa campanha é ‘Universidade Federal no Juquery. Nosso Sonho, Nosso Futuro’”, brinca.

Cronograma de um sonho: Como a ideia da universidade saiu do papel 2008 Kiko Celeguim, ainda vereador levou a discussão a Brasília. Ele abordou diversas lideranças, conquistando o apoio dos senadores Aloizio Mercadante e Eduardo Suplicy e da então ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

2009 Como chefe de gabinete do deputado Vicente Candido, Kiko procurou o atual diretor do Juquery, Glalco Cyriaco, que demonstrou que o plano diretor do Complexo já previa a destinação de uma grande área para

um projeto educacional, sem, no entanto, uma definição.

2010 É desenvolvido um estudo que pudesse colocar no papel tudo que o Juquery já representou, o que restou e seu potencial para o futuro. O estudo foi enviado ao ministro Fernando Haddad que, convencido da viabilidade e importância do projeto - sugeriu uma conversa com o proprietário da área, o Governo de São Paulo.

2011 Com a ajuda de Widerson Anzelotti, ex-deputado esta-

dual e secretário do FUMEFI, agendou-se uma audiência com o secretário de Desenvolvimento Metropolitano, Edson Aparecido, que também gostou do estudo e do projeto. Fernando Haddad foi ao gabinete do secretário Edson Aparecido, acompanhado de Kiko, Vicente Candido e Widerson, onde o Governo do Estado encampou a ideia e, para coroar a parceria, Edson Aparecido colocou o ministro para falar ao telefone com o próprio governador Geraldo Alckmin, que também manifestou seu apoio total.


8

12 de novembro - sábado - nº41 Distribuição gratuita

NOSSA GENTE

Locomotiva

Nesta seção vamos registrar as histórias, os “causos”, a vida dos homens e mulheres que fizeram e fazem, a cada dia, a nossa cidade.

Capitão Laércio. Em Franco desde os tempos da ternura Nesta edição especial sobre o Complexo Juquery e sua possível transformação em campus de uma Universidade Federal, o Jornal Locomotiva conversou com Laércio Ciampone, o Capitão Laércio. Figura histórica na cidade, o Capitão – posto em que se aposentou na Polícia Militar – sempre esteve envolvido no esporte e na política da cidade, além de ter trabalhado no Manicômio Judiciário. Nascido em Itobi, interior do Estado, Laércio Ciampone, o Capitão Laércio, veio para a capital aos 14 anos. A sua história franco-rochense, entretanto, começa lá no Juquery, quando foi designado pelo Comando da Policia Militar para a missão de cuidar da segurança do

SOCIAIS

manicômio. “Por conta de rebeliões, o Estado aumentou a segurança do Manicômio, então nós soldados, cuidávamos dá integridade do patrimônio e das pessoas que trabalhavam ou estavam internas lá”, explica. Capitão Laércio trabalhou no Juquery até 1960. Depois foi transferido para a parte administrativa da Cia da Policia Militar de Franco da Rocha. “Na época, o trabalho era ficar na delegacia e fazer o patrulhamento. Só que naquele tempo, o patrulhamento era a pé. Não tinha viatura. Hoje tá cheio de viatura ai! Você chama a polícia, vêm vários carros para atender a ocorrência. Em Morato, nós tínhamos apenas um soldado. Que dava conta

do recado e era respeitado”. Nesse período, Laércio já era tenente e aproveitava suas folgas participando e organizando campeonatos de futebol. “Eu era perneta. Não era nenhum craque, mas gostava de jogar e me dedicava. Organizava muitos campeonatos em várias faixas etárias”, lembra Capitão que chegou a presidir clubes importantes na cidade, como o Corinthinha e o Expedicionários. Também foi diretor de esportes do Garoa. Toda essa intimidade com o esporte e sua ligação com a questão política o levaram a dirigir o esporte municipal na gestão do prefeito Mário Maurici de Lima Morais, o Maurici (1993 a 1996). Com orgulho mostra um jornal de 1994, onde diversas

modalidades da cidade se destacam com medalhas. Hoje, aposentado de grande parte de suas atividades do passado, vive para família e emociona-se ao falar da esposa Cecília e de seus quatro filhos formados e pós-graduados.

“Sou feliz porque meus filhos gostam muito de estudar. Sobre meu casamento, em setembro de 2012, completo 50 anos de casado. E sabe por que durou tanto? Porque minha mulher tem sempre razão”, ri.

Nesta seção, traremos sempre as pessoas, lugares e eventos que brilham na vida social de nossa cidade e região.

Aniversariantes

Aldo Bens, 4 de

novembro

Judite Gomes dos Santos, 4 de novembro

Pastor Raimundo Ribeiro da Silva , 5 de

novembro

Juliana Faria, 6 de

novembro

Lara Catalani,

12 de novembro

Juninho, 12de

novembro


Jornal Locomotiva 41