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O Breves

Director: Adriano Brasil - Ano 1 - Nº: 6 - 31 de Maio de 2012 - Mensal - €1.00

“Nunca se investiu, em qualquer outra época, tanto, nos Açores, no apoio social.” disse Carlos César

Está inaugurado o Lar de Idosos, Creche e Jardim de Infância da Calheta com capacidade para 42 idosos e 86 crianças

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BANIF reúne em São Jorge

EBS/VELAS

Na actual conjuntura económica a “banca” quer estar ao lado dos empresários e população em geral. Página 18

Deputados do CDS-PP querem nova escola construída “rapidamente” Página 4

Finanças encerram na Calheta

Muita tinta já correu sobre o encerramento da repartição de finanças da vila da Calheta. Um assunto que não é novo e culminou numa decisão que a população e autarcas do concelho não aceitam de forma alguma. Página 16

O jornal BREVES já está Online com Texto, Áudio e Vídeo


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O BREVES - 31 DE MAIO DE 2012 Por: Redacção

Solidariedade Social

O novo “Golfinho” está a funcionar Carlos César disse, “É bom saber que vivemos numa terra onde as pessoas sabem que podem contar como apoio do Governo.” O Presidente do Governo Regional garantiu que “nunca se investiu, em qualquer outra época, tanto, nos Açores, no apoio social”, e afirmou que “não há dia, não há hora em que os serviços do Governo não estejam a ajudar ou a resolver o problema de alguém.”

Para Carlos César, “todos gostaríamos que menos pessoas e famílias precisassem do apoio do Governo, mas é bom saber que vivemos numa terra onde as pessoas, quando precisam de apoios ou quando precisam de ajudas, têm o Governo para as ajudar.” Considerando que “esse é um bem enorme” e que, “infelizmente, no mundo de hoje já não são muitos os lugares onde essa segurança acompanha as nossas vidas como acontece aqui nos Açores”, disse que “nós temos de continuar no Governo a garantir essa capacidade e essa vontade de ajudar as pessoas.” O Presidente do Governo dos Açores falava na cerimónia de inauguração da creche e jardim-deinfância “O Golfinho, da Casa da Providência de S. José, na Calheta de S. Jorge, uma infra-estrutura que, após obras de adaptação de um edifício antigo – no valor de cerca de 750 mil euros –, vai permitir integrar 48 crianças na creche e outras 36 no jardim-de-infância. Trata-se de mais um equipamento de uma já vasta rede de apoio à infância, à juventude, aos idosos e às famílias em geral, e que resulta de um grande esforço governamental no sentido de responder adequadamente às necessidades geradas pelos novos modelos organizacionais que regem as famílias e em que as famílias monoparentais e o maior acesso da mulher ao mercado de trabalho são apenas dois dos novos aspectos a ter em conta. Por isso, o Governo Regional lançou em todas as ilhas medidas como as redes de amas, as creches, os jardins-de-infância, os ateliês de tempos livres, os centros de actividades ocupacionais e as ludotecas, entre outros equipamentos e valências que permitiram às pes-

soas uma melhor organização da sua própria vida familiar, pessoal, profissional e cívica. “Hoje temos 310 serviços dirigidos à infância e juventude, dos quais 56 são creches que acolhem cerca de duas mil crianças”, revelou Carlos César, para quem essa realidade é bem diferente, para melhor, do que a que se vive em outros lugares. “Enquanto, infelizmente, em Lisboa se reduzem os abonos, se agravam os custos da saúde infantil ou se eliminam até deduções fiscais à educação – medidas que são sinais muito errados do ponto de vista da promoção e da protecção do valor da família – nós vamos aqui, nos Açores, procurando compensar essas medidas com outras que temos vindo a desenvolver”, acentuou. Essas medidas, lembrou Carlos César, são, entre outras, programas de protecção da maternidade, como o Berço de Emprego, ou o aumento do complemento açoriano ao abono de família, que abrange mais de 40 mil pessoas e significa um esforço orçamental do Governo Regional no montante de dois milhões de euros. “Ainda este ano vamos abrir nos Açores mais cinco creches, mais um jardim-de-infância e mais dois centros de actividades de tempos livres que vão servir mais quinhentas crianças, num investimento de sete milhões de euros”, anunciou. Concluindo, Carlos César insistiu na ideia de que é necessário continuar esse trabalho, pois, na sua opinião, “não se pode voltar atrás no sistema de protecção social”, tanto mais que – não sendo os Açores uma região rica – há que “governar bem para garantirmos o mínimo de segurança às pessoas que mais precisam e no momento em que têm mais dificuldades.”

O BREVES - FICHA TÉCNICA - Propriedade: Associação de Amigos para a Divulgação das Tradições da Ilha de São Jorge, NIPC: 509893678. Nº de Registo de Título: 126151, Jornal Mensal. Composição e Impressão: Gráfica O Telegrapho. Sede e Redacção: Largo Dr. José Pereira (Praça Velha) - Velas. Contactos: Tel. 295 412 113, Telm. 91 692 91 84. E-mail: jornalobreves@gmail.com. Director: Adriano Brasil, Chefe de Redacção: Carlos Pires, Colaboradores: Alexandre Soares, Ana Borlinhas, Armando Silveira, Luís Costa, João Amaral Silva, Maria José Silveira, Milton Dias. Fotografia: Valdemar Furtado, Foto Oceanus e outros colaboradores. Disign Gráfico: José Fernando Bettencourt. Edição Electrónica: Redacção. Administração: Valdemar Furtado, Raimundo Pereira e Willian Libardi. Tiragem desta Edição: 2.500 exemplares. Assinatura anual: 15,00€. TODAS AS CRÓNICAS E ARTIGOS DE OPINIÃO, PUBLICADOS NESTE JORNAL SÃO DA INTEIRA RESPONSABILIDADE DOS SEUS AUTORES. Online: www.obreves.com


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Solidariedade Social

Por: Redacção

Vila da Calheta com novo Lar de Idosos

Sonho Realizado O Presidente do Governo dos Açores criticou, na Calheta, aqueles que defendem diminuições no apoio social às camadas mais vulneráveis da sociedade açoriana. Dizendo mesmo, “Não se poupa na condição humana.” “Não há poupança útil de que resulte a diminuição da condição humana – não se poupa na condição humana”, sublinhou Carlos César, falando na cerimónia de inauguração do novo lar de idosos e centro de dia da Santa Casa da Misericórdia daquele concelho jorgense. Sustentando esta ideia, o chefe do executivo manifestou a sua convicção de que “é preciso continuar a trabalhar bem para que o progresso que estamos a ter, as condições de vida que estamos a proporcionar aos nossos idosos, às pessoas com deficiência, às crianças, aos jovens, seja um progresso sustentado, com qualidade e amado por estas gerações e pelas futuras”. Manifestando a sua alegria por estar a inaugurar este equipamento, um investimento de 3,8 milhões de euros, com capacidade para 42 utentes, que vem responder a uma antiga aspiração da instituição e da população, Carlos César acrescentou que essa alegria se transformaria em “muita tristeza, muita revolta, se alguém, para poupar, fechasse o que inauguramos”. O Presidente do Governo sublinhou que “é preciso gerir bem”, como vem acontecendo, poupando onde há que poupar, mas “não se poupa na defesa das pessoas e, particularmente, no apoio aos que mais precisam”. Lembrando que decorre o Ano Europeu do Envelhecimento Activo e de Solidariedade entre Gerações, Carlos César disse que essa iniciativa serve, justamente, para “procurar que as políticas sociais dirigidas às pessoas com mais idade proporcionem as condições adequadas para que elas vivam o seu tempo com bemestar”. Para o Presidente do Governo esse é “o grande esforço que devemos fazer” e está a ser feito nos Açores, que “está na linha da frente nesse esforço”. Contudo, reconheceu, ainda há “muitas carências” que preocupam as instituições públicas e particulares,

mas, também, “um número cada vez maior de cidadãos, e começa a ser de novo uma consciência muito apurada das nossas famílias”. Apesar dessa consciência, o ritmo de vida actual causa dificuldades no apoio próximo das famílias aos seus idosos (e crianças), “particularmente quando o aumento médio da esperança de vida gera a coexistência no meio familiar de pessoas com mais idade e com mais necessidades de apoio”, disse ainda Carlos César, acrescentando que é para dar resposta a essas necessidades que é preciso “termos os serviços que estamos a criar”. Esses serviços, enumerou, são o apoio domiciliário, a prestação de cuidados médicos, a assistência em geral ao idoso junto do seu agregado familiar, os centros de dia e de noite, os lares de idosos, os sistemas de cuidados continuados, entre outros. “Nós temos já nas nossas ilhas 217 serviços de apoio aos idosos, abrangendo directamente, diariamente, mais de oito mil utentes”, referiu o chefe do Governo, reconhecendo, no entanto, que esse número “não é ainda suficiente”. Por isso, adiantou, “estamos a trabalhar na criação de outros equipamentos e estão a decorrer, ou vão ser lançadas, obras como a do lar de idosos de São Brás (ilha Terceira), a recuperação e ampliação do lar D. Pedro V, na Praia da Vitória, a ampliação do lar de idosos da Santa Casa da Misericórdia de Santa Cruz da Graciosa e o lar de idosos e centro de dia de Rabo de Peixe, em São Miguel, e vai ser aberto concurso público para a construção do lar do Pico da Pedra”, também naquela ilha. A terminar, Carlos César voltou a manifestar a sua satisfação por “podermos realizar todas estas melhorias nas nossas ilhas, que os nossos idosos bem merecem, e os Açores precisam que o Governo continue neste caminho de respeito pelas suas obrigações sociais”.


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Educação

Escola das Velas sem condições Os Deputados do CDS-PP Açores eleitos pela ilha de São Jorge, Luís Silveira e Abel Moreira, visitaram a Escola Básica e Secundária (EBS) das Velas e pronunciaram-se pela necessidade de “urgência” na adjudicação da empreitada de construção da nova Escola, prometida há anos, mas nunca concretizada.

Deputados do CDS-PP querem nova escola construída “rapidamente”

vale a pena gastar mais umas centenas de milhares de euros em novos projectos; o que precisamos rapidamente é da nova escola porque esta não tem condições”, reforçou.

Pais, professores e alunos desesperam

Em declarações aos jornalistas, após visitar as instalações da unidade de ensino e de reunir com o respectivo Conselho Executivo, Luís Silveira, Vice-presidente do Grupo Parlamentar dos populares açorianos denunciou que a escola está a funcionar “sem o mínimo de condições”, indicando que fruto das últimas chuvadas “existem salas que estão inutilizadas e o pavilhão está sem luz porque entrou água no quadro eléctrico”. Aliás, o mau tempo dos últimos dias precipitou esta deslocação à EBS das Velas por parte dos parlamentares democratas-cristãos, até porque, referiu Silveira, “com as fortes chuvadas, recebemos inúmeras queixas, quer de docentes do estabelecimento de ensino, quer de pais de alunos”, porque a Escola “não tem condições, tendo salas nas quais chove, um pavilhão que ficou sem luz, por ter entrado água no quadro eléctrico”, entre outras maleitas. Luís Silveira fez questão de acentuar que a construção de uma

nova escola nas Velas “é uma promessa muito antiga dos Governos do PS nunca concretizada” e que “os últimos três secretários regionais da tutela mandaram fazer cada um o seu projecto emperrando o processo de construção da nova escola que é urgente e necessária”. “Como é do conhecimento de todos, a nova Escola já leva três versões do projecto. Cada secretário regional mandou fazer um projecto diferente, mas mandar fazer a escola nada. O entendimento do CDS-PP é muito claro: Não podemos esperar mais e permitir que o Governo Regional continue a protelar a construção da nova Escola, sob pena de, em Outubro próximo, mudar o Governo Regional e um possível novo/a Secretária/o da Educação entender que o actual projecto também não é adequado, mandar fazer outro e voltarmos à estaca zero”, afirmou. O Vice-presidente da bancada parlamentar é peremptório: “não

Segundo Luís Silveira e Abel Moreira, que antes de visitarem a EBS das Velas estiveram, na tarde de quinta-feira, reunidos com a Associação de Pais e Encarregados de Educação, a construção da nova escola “urgentemente” é “unânime”: “Nesta matéria, existe unanimidade quer da Associação de Pais, quer do Conselho Executivo, quer do CDS-PP. Esta Escola não tem condições para continuar a funcionar por muito mais tempo neste avançado estado de degradação, não oferecendo condições adequadas para que os docentes possam leccionar, nem para os auxiliares, nem para os próprios alunos”. Aliás, acrescentou Luís Silveira, “de salientar que o próprio Conselho Executivo ponderou encerrar a Escola, pois com as chuvadas a situação foi caótica”, destacando o esforço do elenco directivo do estabelecimento de ensino em não fechar a escola nesta altura “porque esta é época de exames”. Lembrando que os populares, “ao longo desta Legislatura, tem diligenciado inúmeras iniciativas no que respeita à construção das

novas Escolas Básicas de Velas e Calheta, quer em intervenções em plenário, quer através de requerimentos, bem como apresentando propostas de reforço do Plano de Investimentos da Região aprovadas”, Silveira quis realçar que esta iniciativa não surgiu “agora em véspera de eleições”, mas é mais um passo “em toda a história do CDS nesta matéria”. “Recebemos queixas e, por isso, entendemos reunir com Associação de Pais e, posteriormente, reunir com o Conselho Executivo e visitar as instalações para verificarmos in loco o estado da mesma”, disse. Assim, os populares, reforçando que “existe o compromisso por parte do Governo Regional de lançar o concurso da empreitada da nova Escola até o final deste semestre”, apelam para que “seja desta que se cumpra esta velha promessa, sendo que já em 2008 anunciavam que iam construir a escola e até agora não aconteceu”. O CDS-PP, rematou o Vicepresidente do Grupo Parlamentar, “exige ao Governo Regional, que esta obra seja adjudicada o mais rapidamente possível e que antes do fim da presente Legislatura se avance com a obra e que se diligenciem os investimentos necessários para minimizar as más condições que a actual infra-estrutura apresenta, para que o próximo ano lectivo possa arrancar sem constrangimentos de maior ao normal funcionamento da Escola”.


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Política

Por: Redacção

“Não mandamos os nossos jovens emigrar” "Nós queremos os nossos jovens nos Açores, a contribuir para o nosso desenvolvimento, por isso temos de garantir que os jovens que estão no exterior a qualificar se e a estudar regressam, da mesma forma que aqueles que estudam na Região devem ter a capacidade de integrar o mercado de trabalho. Assim estaremos a aproveitar a nossa maior riqueza, as pessoas, em particular os jovens, porque nós não cometemos a indignidade política de mandar os nossos jovens emigrar", afirmou Berto Messias no encerramento da convenção Geração Activa-Geração de Ideias, que decorreu em Ponta Delgada. Num Teatro Micaelense cheio de jovens, o Líder da JS Açores realçou o trabalho realizado no último mês e meio nos Fóruns Geração Activa-Geração de Ideias, que passou por todas as Ilhas dos Açores e que culminou ontem com a realização da Convenção. Para Berto Messias, "desenvolvemos um trabalho

importante junto dos jovens açorianos e foram muitos os que quiseram dar o seu contributo e as suas ideias para o projecto político de Vasco Cordeiro. Realizamos esta iniciativa baseados em três pressupostos fundamentais, proximidade, ouvindo com humildade e sem preconceitos os jovens dos Açores, igualdade que é o que nos move na actividade política, garantindo que todos têm acesso a todas as oportunidades independentemente de onde nasceram, do seu estrato social ou dos seus rendimentos financeiros e inconformismo, sempre na perspectiva de que muito foi feito, mas muito mais há para fazer". O Líder da JS Açores afirmou, ainda, que pelo que viu e ouviu nas 16 sessões dos Fóruns que decorreram em todas as Ilhas, a JS está convictamente ao lado de Vasco Cordeiro, mas sobretudo a Juventude Açoriana apoia e acredita em Vasco Cordeiro e está ao seu lado neste combate eleitoral, em defesa do nosso desenvolvimento e da nossa Terra.

Berto Messias: "desenvolvemos um trabalho importante junto dos jovens açorianos e foram muitos os que quiseram dar o seu contributo e as suas ideias para o projecto político de Vasco Cordeiro.

ENTIDADES BENEFICIÁRIAS As entidades beneficiárias são as previstas no Artigo 6º, Artigo 11º, Artigo 16º, Artigo 21º e Artigo 26º, da Portaria nº21/2009, de 24 de Março de 2009, alterada pela Portaria 68/2009, de 21 de Agosto, pela Portaria nº88/2009, de 22 de Outubro, pela Portaria nº31/2010, de 23 de Março, pela Portaria nº7/2011, de 27 de Janeiro e pela Portaria nº67/2011, de 25 de Julho. ANÚNCIO DE AVISO DE ABERTURA Nº8 OBJECTIVO DO AVISO DE ABERTURA O presente aviso de abertura destina-se à apresentação de pedidos de apoio às Medidas 3.1.DIVERSIFICAÇÃO DA ECONOMIA E CRIAÇÃO DE EMPREGO EM MEIO RURAL e 3.2.MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA NAS ZONAS RURAIS, no âmbito do EIXO 3 MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA NAS ZONAS RURAIS, do PRORURAL, do Programa de Desenvolvimento Rural da Região Autónoma dos Açores (PRORURAL), na sequência de alterações introduzidas à Norma de Procedimentos da ADELIAÇOR e respectivos Anexos (I e II), aprovadas em 14 de Maio de 2012. PRIORIDADES DO AVISO DE ABERTURA 1 - Os pedidos de apoio apresentados deverão enquadrar-se na Estratégia Local de Desenvolvimento (ELD) da ADELIAÇOR, para o seu Território de Intervenção, a qual se consubstancia no Reforço da Competitividade, Coesão, Inovação e Capacitação Territorial. 2 – Os pedidos de apoio apresentados deverão ir ao encontro dos seguintes objectivos específicos definidos no âmbito da ELD: Diversificar e valorizar os produtos e recursos locais Promover a diversificação integrada de actividades Redesenhar e organizar a oferta turística Reforçar a capacitação das pessoas e do território Promover a articulação territorial e equidade social Valorizar o património edificado, cultural e natural Qualificar o potencial humano LEGISLAÇÃO E NORMAS APLICÁVEIS 1 Regulamento de Aplicação das Medidas 3.1. Diversificação da Economia e Criação de Emprego em Meio Rural e 3.2. Melhoria da Qualidade de Vida nas Zonas Rurais, do EIXO 3 Qualidade de Vida nas Zonas Rurais e Diversificação da Economia, do PRORURAL, aprovado pela Portaria nº21/2009, de 24 de Março de 2009, alterada pela Portaria nº68/2009, de 21 de Agosto, pela Portaria nº88/2009, de 22 de Outubro, pela Portaria nº31/2010, de 23 de Março, pela Portaria nº7/2011, de 27 de Janeiro e pela Portaria nº67/2011, de 25 de Julho. 2 – Norma de Procedimentos da ADELIAÇOR e respectivos Anexos (I e II) (versão 7), para as Medidas 3.1. Diversificação da Economia e Criação de Emprego em Meio Rural e 3.2. Melhoria da Qualidade de Vida nas Zonas Rurais, do EIXO 3 do PRORURAL. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE PEDIDOS DE APOIO Os pedidos de apoio deverão ser apresentados a partir do dia 01 de Junho de 2012 e até ao dia 31 de Dezembro de 2012, na sede da ADELIAÇOR, sita à Rua do Pasteleiro, s/n, 9900-069 Horta ou junto dos Animadores Locais, das Ilhas de São Jorge, Pico e Flores.

PEDIDOS DE APOIO E REQUISITOS 1 – A apresentação de pedidos de apoio deverá ser efectuada mediante a entrega do Formulário de Pedido de Apoio, em formato digital, devidamente preenchido e complementado com a documentação de acesso do promotor e da operação, de acordo com a Norma de Procedimentos da ADELIAÇOR e respectivos Anexos (I e II) (versão 7), para as Medidas 3.1. Diversificação da Economia e Criação de Emprego em Meio Rural e 3.2. Melhoria da Qualidade de Vida nas Zonas Rurais, do EIXO 3 do PRORURAL. AVALIAÇÃO 1 - A análise dos pedidos de apoio realiza-se de forma contínua e terá em conta os procedimentos e critérios definidos na Norma de Procedimentos da ADELIAÇOR e respectivos Anexos (I e II) (versão 7), para as Medidas 3.1. Diversificação da Economia e Criação de Emprego em Meio Rural e 3.2. Melhoria da Qualidade de Vida nas Zonas Rurais, do EIXO 3 do PRORURAL; 2 – A avaliação e decisão sobre os pedidos de apoio admitidos serão da responsabilidade da Equipa Técnica e da Direcção da ADELIAÇOR, respectivamente. FINANCIAMENTO As verbas totais de Despesa Pública (85% FEADER e 15% ORAA) disponíveis para efeitos do presente aviso de abertura são:

€ 459.376,59 (quatrocentos e cinquenta e nove mil trezentos e setenta e seis euros e cinquenta e nove cêntimos) para a medida 3.1 - Diversificação da Economia e Criação de Emprego em Meio Rural € 1.534.831,49 (um milhão quinhentos e trinta e quatro mil oitocentos e trinta e um euros e quarenta e nove cêntimos) para a medida 3.2 - Melhoria da Qualidade de Vida nas Zonas Rurais INFORMAÇÕES ADICIONAIS Qualquer informação adicional poderá ser solicitada à ADELIAÇOR - Associação para o Desenvolvimento Local de Ilhas dos Açores, Rua do Pasteleiro, s/n – Angústias, 9900-069 Horta, T. 292 200 360/1/2/3, F. 292 200 365, E-Mail: adeliacor@sapo.pt e junto dos Gabinetes Locais. Horta, 14 de Maio de 2012 O Presidente da Direcção da ADELIAÇOR José Leonardo Goulart Silva

FUNDO EUROPEU AGRÍCOLA DE DESENVOLVIMENTO RURAL “A EUROPA INVESTE NAS ZONAS RURAIS”


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O BREVES - 31 DE MAIO DE 2012

Por: Clímaco Cunha

Gastronomia

“AÇORDAS” A história e o registo de várias receitas típicas de norte a sul do nosso País Segundo consta, a “açorda” é uma dádiva da presença dos árabes no nosso país. Assim, ela aparece na língua árabe com o nome de “Tarida”, que quer dizer, pão migado, alho, coentros e água quente.

Sabe-se também que a açorda é um prato de subsistência que foi necessário sobretudo nas crises alimentares, uma vez que foi dos pratos mais económicos e assim era sobejamente utilizada pelos pobres nas suas versões mais simples. Uma das suas razões de ser, foi também a facilidade e rapidez da sua confecção e sobretudo à mistura do seu produto de base, sendo o seu principal ingrediente o pão, que foi no passado o alimento principal e estruturante da nossa alimentação. Com as açordas salvavam-se todas as sobras de pão duro, que assim era completamente aproveitado. As receitas das açordas não são universais, já que mudam de zona para zona e mesmo de família para família.

Elas aparecem de norte a sul do nosso país, assim como em todas as nossas ilhas, tendo sido até levadas para as nossas antigas possessões Ultramarinas, aparecendo com um variadíssimo receituário, mercê da grande capacidade inventiva da nossa gente, que as adaptaram de acordo com as suas necessidades ou possibilidades e com os ingredientes que tinham ao seu dispor. Ainda no século passado, as açordas mais simples faziam escala diária e muitas vezes em mais que uma refeição, nas casas das famílias mais necessitadas, sobretudo nos dias mais frios e chuvosos do Inverno. As açordas quando melhoradas com alguns ingredientes, tornamse refeições de qualidade melhorada, sendo assim até consumidas pelos ricos. A composição básica da açorda é o alho, sal, azeite, banha, manteiga, em alguns casos vinagre, pão duro de centeio, de milho ou de trigo;-- fatiado, migado ou aos pedacinhos e água em ebulição. No entanto a esta mistura acrescentam-se ervas aromáticas (coentros, poejo, segurelha, salsa, tomilho, hortelã e outras) e pode servir-se com bacalhau, peixe

fresco cozido, ovos escalfados, lapas, linguiça, chouriço de peles, ou ainda ser acompanhada de peixe frito ou assado na brasa, sardinha salgada, queijo picante, etc. A palavra açorda como já foi dito atrás define um prato típico, quer no Continente, na Madeira ou nos Açores, no entanto a mesma palavra também tem outros sentidos. Assim a palavra açorda conforme o contexto, quer dizer, por exemplo: “está aqui uma açorda”, que há uma confusão, ou uma mistura. Ou, “mas que grande açorda”, é sinónimo de uma grande barafunda. Ainda chamar a alguém de “papa-açorda”, é referir -se a pessoa molengona ou negligente. Ainda no tempo em que gordura era formosura, havia o ditado que dizia; “a açorda faz a velha nova e o nova gorda”, querendo dizer que valia a pena comer açorda. Ainda outro ditado usado no Continente referindo-se à açorda, que diz; o azeite é a sua alma, o pão o seu corpo e as ervas aromáticas o seu coração. Por ser um prato muito simples, havia quem brincasse dizendo, que gostava muito de açorda, des-

de que esta não tivesse muitas sopas, mas que por cada uma tivesse um ovinho escalfado ou um bom pedaço de linguiça. A açorda tem imensas variantes, quer no Continente, na Madeira ou nos Açores, que vão desde;- as de cebola e açaflôr, tomate, alho, hortelã, vinagre, batata, arroz, maçã, funcho, beldroega, espinafre, alface, fava, feijão, rama de cebola, batata doce, inhame, camarão, mariscos, lapas, peixe, linguiça e tantas mais. Podendo ser fervida, refogada, de bico de chaleira, pelada, etc. No entanto julgo ser nos Açores onde existiram e existem mais variedades. Também se chama “de mão no bolso”, designação que se deve ao facto de só precisar da colher para ser comida, podendo assim ser ingerida com uma mão no bolso. Segue-se, três receitas de açordas do Continente, três da Madeira e nove de S. Jorge, sendo certo como digo atrás, que existem muitas mais. Em qualquer delas podem surgir como é natural, algumas diferenças de terra para terra, de lugar para lugar ou mesmo de casa para casa.

As receitas Açordas do Continente Açorda Alentejana: Ingredientes: Pão duro (Alentejano) 1,5 litros de água a ferver 3 a 6 dentes de alho 1 ramo grande de coentros ou poejo 6 ovos 1 dl de azeite Sal q.b.

Confecção: Num almofariz, desfazem-se os alhos com os coentros e o sal. Põe-se água ao lume, com um pouco de sal até ferver, quando ferver, deitam-se os ovos lá dentro com muito cuidado para não rebentarem e deixam-se escalfar entre 4 a 5 minutos. Numa terrina funda, deita-se a mistura dos coentros alhos e sal e rega-se com o azeite. De seguida mistura-se aqui a água a ferver onde os ovos foram cozidos. Corta-se pão duro alentejano aos pedacinhos em cada prato, em cima deste um ovo escalfado, rega-se tudo com bastante caldo da açorda. Nota: Conforme os gostos, os coentros podem ser substituídos por poejo.

Açorda de bacalhau: É igual à anterior, apenas que se coze bacalhau na água e serve-se com esse mesmo bacalhau.

Açorda de marisco à Algarvia: Ingredientes: 250 grs de pão duro, caseiro 1,5 litros de água 400 gr de marisco (mexilhão, amêijoa, berbigão, e conquilha) 50 gr de cebola 1 dl de azeite 2 dentes de alho 1 ramo de coentros 4 ovos Sal q.b.

Confecção: Lave bem os mariscos em água fria. De seguida, separe cada um no seu recipiente e cubra com água do mar, para que limpem as areias. Coza os mariscos num tacho com água, juntando parte da cebola picada fina e uns pés de coentros. Escorra o caldo onde cozeu os mariscos por um passador fino. Retire o miolo dos mariscos e lave-os bem. Num tacho à parte, refogue os dentes de alho e o resto da cebola, picados finos, com o azeite. Quando começar a alourar acrescente o caldo onde cozeu os mariscos e deixe levantar fervura. Corte o pão em fatias finas e junte ao caldo mexendo com uma colher de pau até obter uma massa grossa. Adicione os miolos dos mariscos e junte coentros picados. Parta os ovos e ponha-os a cozer na açorda.


O BREVES - 31 DE MAIO DE 2012

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Gastronomia Açordas da Ilha da Madeira

As açordas mais usadas na Ilha de S. Jorge

Açorda da Madeira:

Acorda crua ou de hortelã:

Ingredientes: 300gr de pão de um dia ou duro 1 litro de água 2 colheres de sopa de azeite 3 dentes de alho 1 ramo de segurelha 1 pimenta vermelha 4 ovos Sal q.b.

Ingredientes: Pão de trigo(duro) q.b. para 2 pessoas 1 litro de água 2 dentes de alho 1 noz de banha ou manteiga 2 ovos 1 ramo de hortelã Sal q.b.

Confecção:

Confecção: Põe-se a água a ferver num tacho para duas taças de sopa. Deita-se os alhos, o azeite, a segurelha, o sal e a pimenta a gosto. Deita-se os ovos a escalfar durante 4 a 5 minutos. O pão pode-se deitar dentro da açorda ou ao lado.

Açorda à moda do Funchal: Ingredientes: 1 pão de trigo caseiro (duro) 1,5 litros de água 1 prato de milho cozido (papas de milho) ½ dl de azeite 3 dentes de alho 1 ramo de tomilho ½ malagueta 4 ovos 2 batatas doces assadas, grandes Sal q.b.

Confecção: Corta-se o pão em fatias finas para um recipiente e juntam-se os quadrados do milho cozido. Leve a água a ferver, à parte com o azeite, o tomilho, a malagueta, os dentes de alho pisados e o sal. Deixe ferver até apurar. Escalfe os ovos no caldo apurado, retire-os cuidadosamente com a escumadeira e verta o caldo por cima do pão e do milho cozido, deixando embeber. As batatas-doces previamente assadas e os ovos escalfados servem-se numa travessa aparte.

Ferve-se a água, temperada de sal, alhos esmagados e uma noz de banha ou manteiga. Enquanto a água ferve, colocam-se numa terrina fatias de pão de trigo, duro, colocando sobre estas um ramo de hortelã. Escalfam-se ovos na água fervente colocando-os depois sobre as sopas e seguidamente o caldo. Abafa-se durante cerca de 10 minutos e está pronta a ser servida.

Açorda fervida: Ingredientes: Pão de milho e ou de trigo (duro) q.b. para 4 pessoas 1,5 litros de água 1 cebola 3 dentes de alho 1 folha de louro 1 colher de chá de açaflôr, ou colorau 1 colher de sopa de banha 4 ovos Vinagre e sal q.b.

Confecção: Colocar numa panela, a água, a cebola e os alhos picados, a folha de louro, a açaflôr, ou o colorau, a banha, temperando a gosto com o vinagre e o sal, deixar ferver por algum tempo, escalfar os ovos nesta açorda. Numa terrina, fazer migas de pão de milho, de trigo, ou de milho e de trigo, conforme o gosto, derramar o caldo sobre as sopas, colocando sobre elas os ovos escalfados.

Açorda de Santana: Ingredientes: 400gr de pão de trigo (duro) 1,5 litros de água 1 prato fundo de milho cozido (papas de milho) 4 colheres de sopa de azeite 3 ou 4 dentes de alho 1 ramo de segurelha 4 ovos 1 ponta de malagueta (pimenta da terra) 1 batata doce grande, cozida Sal grosso q.b.

Confecção: Cortam-se o pão, o milho cozido e a batata aos quadradinhos. Colocam-se num recipiente, rega-se com o azeite, dispõe-se por cima os dentes de alho esborrachados e o ramo de segurelha. De seguida tempera-se com o sal grosso e o pedacinho de malagueta (pimenta da terra). Escalda-se com água a ferver, onde previamente se escalfaram os ovos. Há quem ferva na água da açorda os temperos, isto é, o azeite, a malagueta, os alhos e a segurelha. continua na próxima edição

Açorda refogada: Ingredientes: Pão de milho e ou de trigo q.b. para 4 pessoas 1,5 litros de água 1 cebola 3 dentes de alho 1 folha de louro 1 colher de massa de pimentão, ou de malagueta 1 colher de chá de açaflôr, ou colorau 1 colher de sopa de banha 4 ovos 1,5 palmos de linguiça, ou chouriço de peles Vinagre e sal q.b.

Confecção: Colocar no fundo duma panela, a cebola e os alhos picados, a folha de louro, a massa de pimentão ou de malagueta, a açaflôr ou o colorau e a banha, refogar até alourar. Juntar a água com a linguiça ou o chouriço, deixar ferver por algum tempo, escalfar os ovos e temperar de vinagre e sal a gosto. Numa terrina, fazer migas de pão de milho, de trigo, ou de milho e de trigo conforme o gosto, derramar o caldo sobre as sopas, colocando sobre elas os ovos escalfados e a linguiça ou o chouriço cortado aos bocados.

Troféu 2012 Com bom tempo e muito público a encorajar e a aplaudir os participantes teve lugar, no Topo, a prova de resistência, a ultima de 2012 do troféu Clube Motard de S. Jorge, realizada a 20 de Maio, onde participaram cerca de 20 pilotos nas 4 classes. José António de Sousa, ficou com o 1º lugar na classe mx2 com uma suzuki rmz 250. Este vencedor agradece os patrocínios recebidos da Empresa Silveira & Góis e do jornal “O Breves”, sem os quais não teria conseguido a participação neste desporto que o apaixona. Este jovem de 26 anos pretende melhorar as suas capacidades desportivas com vista à participação no Troféu Regional mx2 do próximo ano. Apesar do Clube Motard de S. Jorge não ter, por enquanto, mais provas agendadas para este ano, outras entidades, vão continuar com este desporto, desafiando todos os interessados a assistirem e a participarem, sendo esta, uma das muitas formas de convívio na nossa Ilha.


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O BREVES - 31 DE MAIO DE 2012


O BREVES - 31 DE MAIO DE 2012 Por: Ana Borlinhas

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Comemorativo

XXXIII Jogos Desportivos Escolares – Fase Regional

Dia da Marinha

Arrancaram no dia 1 de Maio os XXXIII Jogos Desportivos Escolares que tiveram lugar no ginásio da Escola Básica e Secundária de Velas. A nível regional, a ilha de São Jorge concorreu este ano para receber em casa este evento e foi assim a anfitriã para todos os alunos e participantes passarem aqui quatro dias de muita atividade física, competição e divertimento. De visita às Velas estiveram representadas três escolas, a E.B.S da Povoação, E.B.S. da Graciosa e a Escola Secundária Manuel Arriaga. A cerimónia de abertura teve início com algumas palavras do Presidente do Concelho Executivo da E.B.S. de Velas – Rui Moreira, seguidas de algumas atividades desenvolvidas pelo Departamento de Educação Física, Artística e Tecnológica; de um espetáculo de teatro representado pelos alunos da E.B.S de Velas e ainda com a participação de diversas instituições que se fizeram representar. Os Jogos terminaram no dia 4 com uma cerimónia de encerramento. Foi servido um jantar a todos os participantes e colaboradores, de seguida, já no pavilhão foram entregues os prémios aos vencedores após as performances de dança e de música. Com corpo são e mente sã, resta-nos aqui felicitar a organização. Parabéns!

Entre todos os portos açorianos, o cais de Velas foi o escolhido este ano para a Corveta da Marinha Portuguesa “João Coutinho” ali atracar e para se comemorar o Dia Nacional da Marinha de 2012. A efeméride ocorreu no dia 20 de Maio, data em que, há 514 anos atrás, as caravelas de Vasco da Gama chegaram pela primeira vez a Calcutá – India. Este navio da Armada Portuguesa foi inaugurado em 1970 e, nestes 42 anos de vida, navega pela costa portuguesa com a missão fundamental de “salvaguarda da vida humana no mar”. A sua função prioritária é a fiscalização do espaço marítimo como por exemplo a pesca ou atividades de recreio e fundamentalmente missões de busca e salvamento, operando em articulação com outras entidades estatais, a Polícia Marítima, Polícia Judiciária, G.N.R., os Serviços de Estrangeiros e Fronteiras, etc. Neste dia o barco esteve aberto a todo o público que desejasse “matar” a curiosidade sobre como é o dia-a-dia de funcionamento dum navio da Marinha e dos seus marinheiros. Ao fim da tarde, recebeu uma pequena comitiva de entidades locais que foram brindadas com um breve discurso alusivo à efemérida, feito pelo Capitão- de-fragata da Capitania do Porto da Horta – Jorge Chicharo. Citando o Comandante Rui Lampreia, «estas visitas pelos diferentes portos açorianos não surgem apenas por questões de rotina, logística ou até de celebração, servem também para promover a gastronomia, os locais e o turismo entre açorianos a toda a guarnição de 70 tripulantes».

Empresas

Solidariedade Social A Associação para Apoio à Criança com Necessidades Educativas Especiais do Concelho das Velas recebeu uma carrinha para transporte dos seus utentes.

É a mais recente loja de decoração, artigos para casa, artigos de cosmética, acessórios de moda, florista e ainda de organização de eventos (casamentos, batizados, decoração de igrejas, etc.), situada mesmo ao lado do Tribunal de Velas. Este estabelecimento encontrase aberto desde Março e conta com a colaboração dos jovens e sócios empresários John Bettencourt e Carla Soares, que se uniram pelos gostos em comum e pela necessidade de uma mudança nas suas vidas. Dentro da oferta desta loja são de salientar os serviços oferecidos que “fogem” um pouco à regra

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da generalidade do comércio existente em São Jorge, pois podem-se aqui encontrar artigos e serviços originais, por exemplo, uma vasta gama de velas aromáticas e incensos, arranjos florais com diferentes pormenores e materiais utilizados na sua composição, deslocação a qualquer local da Ilha para a decoração floral de espaços, entrega ao domicilio de arranjos, etc. Futuramente, planeiam reunir condições para poder oferecer serviço de aluguer de todo o tipo de material de decoração para eventos desde toalhas, guardanapos, talheres, cortinados, centros de mesa e muito mais. Confessam que não foi fácil começar o negócio, pois não existia clareza e conformidade nas informações requeridas às entidades responsáveis para tal, mas com o dia-a -dia de esforço e dedicação de ambos o negócio segue em frente. Se ficou curioso, falta apenas desejar-lhes boa sorte e está claro, visitá-los para que a sorte se concretize.

O trabalho desenvolvido pelos técnicos da Associação é uma mais-valia para os utentes e famílias que recorrem a esta instituição. Fátima Osório, Presidente da Associação, diz que Cada caso é um caso. Por isso, nesta associação são desenvolvidas as terapias adequadas para o desenvolvimento possível das capacidades de cada utente, sistema que tem dado resultados positivos. A Associação para Apoio à Criança com Necessidades Educativas Especiais do Concelho das Velas, funciona com o apoio governamental destinado a instituições do género. Agora acaba de receber uma nova viatura para o transporte dos seus utentes.


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Festas do Divino Espírito Santo Concelho das Velas

A tradição ainda é o que era!

As tradicionais Festas do Divino Espirito Santo voltaram a reunir, em todas as freguesias de São Jorge, milhares de pessoas juntas pelo mesmo propósito – Partilha, União e Fraternidade. Queijo, massa, vinho, sopas, arraias e desfiles, mais uma vez, marcaram as maiores festas da ilha e da região.

Jantar dos Mancebos, Fajã do Ouvidor, Norte Grande

Coroa da Beira, lado da Relva

Distribuição de Esmolas em Rosais

A festa no largo da freguesia de Rosais (Domingo do E.S.)

Convívio, entre a população, Império de Santo Amaro

Altar do império de Santo Amaro

Terrinas de sopas preparadas, freguesia de Rosais

Carros distribuem tremoços na Urzelina

Almoço de sopas, mordomia da Urzelina

Altar, freguesia da urzelina

Império tradicional, “Arraial do Canto”, Velas

Bonecas com que brincam os foliões em Rosais


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Festas do Divino Espírito Santo Concelho da Calheta

Por: Ana Borlinhas Fotografia: Ana Borlinhas, Mark Marques

Bodo de leite de Santo Antão, Desfile Etnográfico

Bodo de leite de Santo Antão, Procissão

Bodo de leite de Santo Antão, Tourada

Bodo de leite de Santo Antão, Altar do Império

Bodo de leite do Topo, Desfile

Bodo de leite do Topo, Procissão

Bodo de leite do Topo, Altar do Império

Bodo de leite do Topo, Desfile do gado

Festa dos Tremoços, Calheta

Festa dos Tremoços, Calheta

Bodo de leite de Santo Antão, Desfile

Bodo de leite do Topo, Desfile Etnográfico

Cortejo Fajã dos Vimes

Bodo de leite do Topo, Desfile Etnográfico

Bodo de leite do Topo, Desfile Etnográfico


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O BREVES - 31 DE MAIO DE 2012

Política

Por: Ana Borlinhas

Fórum Geração Ativa – Geração de Ideias da Juventude Socialista dos Açores «A nossa Ilha é uma ilha cheia de oportunidades. Só temos que saber agarrá-las.» Paula Bettencourt da Juventude Socialista

A Juventude Socialista dos Açores (JSA) organizou, no passado dia 16, mais um Fórum Geração Ativa – Geração de Ideias, desta feita tendo lugar na Pousada da Juventude da Calheta. Estas jornadas de debate têm corrido um pouco por todo o Arquipélago percorrendo diversos temas adaptados ao presente e a realidades de cada local. A moderadora do debate Paula Bettencourt – Secretária Coordenadora da Juventude Socialista de São Jorge e Depu-

tada Regional de São Jorge – em testemunho ao “O Breves” destacou alguns dos assuntos debatidos dessas realidades locais de cada lugar, como a sustentabilidade energética na Graciosa, as indústrias criativas na Terceira ou o voluntariado, a pobreza e a exclusão social em São Miguel. Do painel de convidados fizeram parte António José de Almeida, da fábrica de Conservas Santa Catarina, Luís Paulo Bettencourt, da empresa «Aventour» e Raimundo

Leonardes, construtor artesão de Violas da Terra. Todos eles tiveram espaço para dar o seu testemunho de forma a expor, debater e discutir as dificuldades, os obstáculos, as ideias inovadoras, as soluções para diversos problemas que surgem e o sucesso alcançado nas suas áreas de negócio. Em conclusão Paula Bettencourt partilha da opinião que o evento foi um sucesso, não só pelas intervenções excelentes mas também pela troca produtiva das ideias de todos os participantes. «… A ideia de debatermos aqui estas questões é também dar um contributo positivo, é despertar também certas questões que são importantes e que devem ser tidas e conta na campanha do candidato do Partido Socialista – Vasco Cordeiro… A Juventude Socialista de São Jorge deve pegar neste estilo que hoje foi aqui criado e criar outros eventos com outros temas para que se possa debater e falar mais sobre São Jorge. Eu acho que muitas vezes o que é necessário é também falarmos daquilo que fazemos, daquilo que produzimos. Muitas vezes não se fala daquilo que fazemos de bom, fala-se muito do negativo… Às vezes a ideia de fazer mais vem de termos a noção de que aquilo que fazemos é bom e é positivo… A nossa Ilha é uma ilha cheia de oportunidades. Só temos que saber agarrálas.»

Cultural Viola da Terra

Símbolo único e singular das terras e gentes dos Açores

Viola da Terra conhecida também por Viola de Arame ou ainda apenas por viola é um instrumento tipicamente da Ilha dos Açores. As suas características assemelhamse muito às do violão, embora seja mais pequena. Quanto à sua fisionomia, uma das particularidades que se encontra é a existência de dois corações no centro do tampo em vez do habitual buraco. Os dois corações ao centro apresentam-se com as pontas em sentidos opostos ligados por um fio condutor (curiosamente, observado com a viola invertida lembra a forma da Coroa do Espírito Santo) que acaba, geralmente, em forma de um pequeno coração ou losango. A simbologia dos corações representa o amor entre a separação física de duas pessoas unidas pelo sentimento comum – a saudade. Quanto à sua estrutura a Viola da Terra possui cinco parcelas de doze cordas ou quinze, no caso de São Miguel. A sua afinação varia do Grupo Central e Ocidental para o Gru-

po Oriental. Este belo e singular instrumento leva-nos, inequivocamente, até ao Topo para dar a conhecer o único construtor Jorgense da Viola da Terra em atividade. Raimundo Leonardes é um jovem carpinteiro/marceneiro de profissão que se dedica, progressivamente, à arte de construir a Viola da Terra. Cedo deixou os estudos e há treze anos atrás começou por se dedicar ao negócio de família, a carpintaria, através de seu pai. Tendo já o seu pai o hobby da construção de violas e após a visita de um artesão amigo da família residente nos E.U.A., paralelamente nessa altura, surge nele o despertar da curiosidade pelas violas. Ao trocar conhecimentos e técnicas com seu pai, este amigo começou por lhe passar as bases para começar a aventurar-se pela criação do instrumento. Raimundo toca bandolim mas há tempos atrás ocorreu um pequeno acidente com ele e, até hoje devido ao preenchido calendário, o seu arranjo ficou para segundo plano. Este facto é reflexo da falta de tempo que começou por sentir nessa altura, pois acabou por ficar à frente do negócio de família e as suas responsabilidades acresceram. Com isto parou com a construção, retomando-a de forma profissional há sensivelmente cinco anos. Desde aí já construiu violas para todo o Arquipélago em geral, principalmente para o Conservatório de Música de São Miguel, bem como para a América e Continente. Esta atividade é complexa e demorosa, pois o instrumento é construído de raiz através de métodos artesanais e sem a ajuda de grandes artefactos. Como este tipo de construção de instrumentos é um trabalho de minucia e perfeição, aqui sim, a única tecnologia “moderna” que não dispensa é o auxílio de programas de desenho técnico de 3D, como o AutoCAD, para que nada falhe milime-

tricamente, pois no final todas as peças que fazem uma viola têm de encaixar na perfeição, ao contrário isto vai comprometer a estrutura e principalmente o som da viola. Todas as peças (braço, tampo, cavalete, pestana, formas da viola, etc.) do instrumento são construídas separadamente por si em diversas e adequadas madeiras e outros materiais (pau santo, mogno, faia da Índia, pinho spruce, osso, madre pérola, etc.), ficando as pequenas ferragens (trastes, cravelhas, cordas, etc.) para serem adquiridas em lojas da especialidade. Como apontado pelo artesão, a escolha dos materiais por parte do cliente é que dita o valor de custo da viola. Atualmente, Raimundo Leonardes constrói cinco violas por ano, todas elas são encomendas feitas com muita antecedência, pois as suas construções requerem muito trabalho e dedicação. O resultado desta dedicação é a perfeição que, cada vez mais, é exigida pelos clientes que o procuram, pois atualmente estes tocadores exigem instrumentos cada vez melhores no seu aspeto e sonoridade. Partilha da opinião que esta procura deveria também passar mais pelos tocadores locais que, geralmente, tocam em ranchos e bailes, que não dão tanta importância à qualidade de som do instrumento, mas isso faria toda a diferença e só seria uma mais-valia para o instrumentista e para quem o ouve. O violeiro, de considerável modéstia e humildade, concluiu agradecendo sempre que surge a oportunidade de poder divulgar e falar sobre o trabalho que o liga a este instrumento tão genuíno e de figura, toque e som tão únicos e peculiares que é a Viola da Terra. «Falar da Viola da Terra e divulgar o trabalho que tenho feito é importante e sempre que tenho oportunidade é isso que tento fazer.»


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Opinião

“Factos”… Esta maioria do PSD/CDS-PP não nos respeita!

Por: Tiago Redondo

www.politica-dura.blogspot.com

A esquerda transgénica

Por: Rogério Veiros

Deputado Regional - PS Recentemente os jorgenses e em particular os calhetenses acordaram, com a informação de que os serviços de finanças iam encerrar (supostamente de forma temporária). Para tal, móveis, documentação e equipamentos tinham já sido transportados para os serviços de finanças do concelho vizinho, chegando ao ponto de um contribuinte, que se encontrava sentado numa das cadeiras, ter-lhe sido solicitado que se levantasse para a mesma ser retirada. Este facto é grave: pelo encerramento, embora nos digam que é temporário, de um serviço do estado sem que a população tomasse conhecimento - às escondidas; pela descriminação que um contribuinte do Topo sofre, por ter de fazer mais de 100 km para solicitar uma certidão. Chegamos ao ridículo de arrumar na gaveta a lei da mobilidade dos funcionários públicos (o governo apregoa que existem muitos em excesso por esse país fora), mas necessitarem de se deslocar cerca de 4000 mil contribuintes, muitos com idade avançada e sem transporte próprio. Participei da reunião com ao diretor de finanças dos Açores, transmitimoslhe todos os nossos argumentos, para que ele o faça ao Sr. Secretário de Estado em Lisboa. O Governo da República está a saquear os Açores, com a conivência e passividade dos líderes regionais do PSD e CDS/PP, querem-nos retirar Repartições de Finanças às escondidas, Tribunais às descaradas, RTP Açores de má-fé, não pagam o cabo de fibra ótica para as Flores e Corvo, cortam o financiamento da Universidade dos Açores. Estes senhores não respeitam os Açores nem o fato de sermos ilhas? Mas a conivência de alguns dos nossos políticos regionais é muito grave. Quando o Sr. Presidente de Câmara da Calheta e a sua líder, calmamente, nos dizem que em Outubro reabre, ou nos mentem, ou agora nos enganam. Desde Novembro que o PS e particulares alertaram a Câmara e o PSD para este problema, mas não nos deram ouvidos, até nos responderam que o assunto estava tratado e que tivéssemos calma. Esta forma de enganar o povo é muito grave! Como diz Vasco Cordeiro “Basta, os Açores não estão a saque!” Os açorianos vivem nos Açores todos os dias, não podem ficar suspensos num período de “conveniência chantagista”. Sabemos o que queremos e tentaremos fazer ouvir a nossa revolta perante esta tentativa de nos asfixiar por parte deste governo da República do PSD/CDS-PP.

Há poucas semanas atrás, o Parlamento Regional aprovou a proibição do cultivo de plantas geneticamente modificadas e declarou os Açores como região livre de transgénicos (OGM). Em boa hora o fez, porque começavam a surgir solicitações de alguns agricultores, especialmente em São Miguel, para plantarem milho geneticamente modificado, enganados pela promessa de grãos mais resistentes e colheitas mais abundantes. Mas a verdade é que os efeitos dos transgénicos sobre os solos e sobre os ecossistemas ainda não foram devidamente estudados, existindo um risco gravíssimo de contaminação de campos adjacentes e de perda de biodiversidade, o que, é fácil de compreender, poderia ser um desastre para o ecossistema das nossas ilhas e para os próprios agricultores, no fim de contas. Por outro lado, estas culturas foram concebidas para um tipo de agricultura extensivo e virado para a grande produção indiferenciada, pelo que não há qualquer vantagem em introduzi-las nos Açores, onde a dimensão das propriedades não o justifica e onde a qualidade e características específicas dos produtos agrícolas o desaconselham. A proibição do cultivo de OGM’s surge assim como uma óbvia medida de precaução, protegendo a nossa biodiversidade, o nosso património agrícola e talvez mesmo a nossa saúde. Não foi surpreendente que a direita, assumindo a sua habitual fidelidade às multinacionais (da agro-indústria, neste caso), votasse contra esta proibição. Nada de novo. No entanto, para grande surpresa de todo o Parlamento, ao CDS e ao PSD juntou-se, estranhamente, o Bloco de Esquerda. Uma posição inacreditável, se levarmos em conta o radicalismo do seu discurso contra os transgénicos, chegando até a manifestar público apoio aos marginais que, no continente, há poucos anos atrás, se andaram a dedicar a destruir campos suspeitos de estarem plantados com OGM. Mas o BE Açores resolveu somar a demência à incoerência, ao vir afirmar publicamente que PS e PCP tinham “legalizado a introdução de OGM nos Açores”, invertendo completamente a realidade dos factos e mentindo descaradamente e sem um pingo de escrúpulo ou de vergonha. Uma atitude que só pode ser explicada por um agudo ataque de partidarite e ciumeira política por não terem sido os próprios a apresentar a proposta, até porque o argumento que invocam – estarem contra que seja eventualmente possível, em certas condições laboratoriais controladas, fazer investigação científica sobre OGM – é um disparate absurdo que não merece duas linhas. Este assunto é demasiado sério para andar a ser jogado ao sabor dos interesses políticoeleitorais do BE ou de seja quem for, e no entanto, assim parece ter sido tratado pelo Parlamento. Na sequência de uma petição de cidadãos, o PCP apresentou um Projeto de Resolução recomendando ao Governo a proibição dos transgénicos. Antes mesmo dessa proposta ser votada, o Governo apareceu com uma proposta que cumpria plenamente esse objetivo. Em função disso, o PCP fez o que tinha de fazer: retirou a sua própria proposta, porque o importante era a proteção do nosso arquipélago dos efeitos nocivos das culturas transgénicas, não o colher de louros ou o hastear de bandeiras a pensar nas próximas eleições. O BE não acompanhou mas, em boa verdade, que importa? Só fez falta quem lá esteve e o importante é que os Açores estão legalmente livres de OGM’s. No laboratório de Louçã e Zuraida Soares o BE acabou por sofrer uma estranha mutação genética. Depois de diversas crises e transformações, esta esquerda bloquista acabou por se distanciar completamente das causas de esquerda que estiveram na sua fundação, agarrada a um radicalismo infantil e obcecada pelos resultados eleitorais, que se tornaram o princípio e o fim da sua ação política. O BE Açores não é diferente, mas a isto soma também um profundíssimo desconhecimento da realidade do nosso arquipélago. A prová-lo está o fato de os deputados do BE, em quatro anos de mandato, nunca terem posto o pé fora de São Miguel, Terceira e Faial, não tendo visitado a título oficial nenhuma das restantes ilhas. Só agora, em ano de eleições, é que parece que a sua líder regional vai finalmente visitar a Graciosa, arriscando-se porventura a que lhe perguntem: agora é que apareces? Os transgénicos foram finalmente proibidos. Falta agora proibir a demagogia. Seja ela de direita ou de esquerda.

Por: Luís Silveira

Deputado Regional - CDS-PP

Por: Lúcia Arruda

A União e Partilha

Os OGM nos Açores e as contradições a nu

As festividades em torno do Espírito Santo, para além do culto religioso e da devoção que acarretam, fazem parte da cultura do Povo Açoriano. Assim comemoram-se por toda a Região e pelo Mundo (promovidas por todos aqueles que partiram da sua terra Natal à procura de uma vida melhor e levando consigo as tradições seculares do culto ao Divino Espírito Santo). De facto, a riqueza humana destas festas é um fascínio. Desde logo, porque são comemoradas de forma diferente em todos os lugares destas nossas ilhas, sendo que cada Freguesia tem a sua própria forma de as comemorar; depois porque estas festividades envolvem milhares de pessoas, num trabalho de união e partilha que, embora muito exigentes, relevam sempre o espírito de alegria e de boa disposição dos Açorianos. Ora, estas festividades são o que de mais genuíno tem o Povo Açoriano para oferecer. Oferecer à família, aos vizinhos, aos amigos, aos conterrâneos… mas também aos turistas! Por isso, entendo que esta manifestação popular tem que passar a merecer das entidades públicas competentes uma atenção especial e completamente diferente: mais do que os membros do Governo participarem nas celebrações ou apoiarem financeiramente as mesmas, devem os entes públicos potenciar as capacidades turísticas e, para tal, não se gasta muito, nem são precisos anos de estudo: basta apenas saber divulgá-las junto dos operadores turísticos. Qualquer turista que visite os Açores nesta época do ano e seja confrontado com o nosso culto, a religiosidade deste Povo, a fé destas gentes, as tradições seculares que mantemos vivas, fica embriagado de encanto e agradavelmente surpreso ao deparar-se com uma enorme mesa (muitas vezes posta no meio de uma estrada), na qual se servem a todos os que por lá passam as sopas do Espírito Santo, a massa sovada, o queijo, o arroz doce, os tremoços, o vinho de cheiro, … Aliás, turista atento à realidade sócioeconómica do País até terá dúvidas se, perante este cenário, este Povo é o mesmo de um País que está em crise e subjugado ao cumprimento de um memorando com a famigerada Troika? E ficará com dúvidas, porque os sacrifícios que se fazem, a dedicação que se emprega, o empenho que se dedica, a fé que se deposita neste Culto, prova afinal que este é o lugar da abundância, da partilha ao próximo, do trabalho a favor da comunidade, e, sobretudo, da crença… Porém, quando lhes for explicado o porquê da devoção e o conceito das celebrações, não tenho dúvidas que ficarão perplexos e, muitas das vezes, até pasmados, pela forma como este Povo, por devoção e crença, envolve toda a comunidade num total ambiente festivo. E não há melhor recordação que aquele turista possa levar da sua viajem aos Açores que conviver e perceber o que de mais genuíno os Açorianos têm para oferecer! Este é o tempo para partilharmos o que de melhor temos, quer seja a nossa gastronomia, quer seja da nossa cultura, ou a amizade pelo próximo… Este é tempo de nos unirmos à volta do que diferencia o Povo Açoriano. Saibamos todos aproveitar esta altura, para a protelar no tempo, e juntos conseguirmos ultrapassar as desavenças, os problemas, a crise… É certo que a opinião da cada um é legítima, mas certo é também que o esforço e o empenho de todos fará toda a diferença na resolução dos problemas diários de todos nós. E se deve começar pelos nossos Governantes, não pode, nem deve, deixar de fora todos os cidadãos, pois uma verdadeira comunidade é constituída por todos, ricos e pobres, novos e velhos…

As contradições deste governo, entre o que anuncia e pratica, já vão sendo muitas, mas vejamos o caso concreto dos OGM (Organismos Geneticamente Modificados). Na semana passada, a Assembleia Legislativa da RAA aprovou uma proposta de Decreto Legislativo Regional que “Regula a utilização de Organismos Geneticamente Modificados e dos Produtos deles derivados”. A aprovação resultou dos votos favoráveis do PS e do PCP — ainda que este último tivesse um Projeto de Resolução sob a epigrafe “Interdição do cultivo de OGM na RAA” e que retirou à ultima hora para aprovar o do Governo —, a abstenção do PSD e os votos contra do BE/Açores, do PPM e CDS. Esta iniciativa do governo vem a reboque de uma iniciativa popular, com mais de 1400 assinaturas — “Petição Pela Proibição do cultivo de variedades de OGM na Região Autónoma dos Açores”—, mas, como o próprio nome indica não interdita mas regula, e mal, a matéria em questão, prevendo a possibilidade de campos experimentais. Ora, se lermos o “Preâmbulo” deste Decreto Legislativo encontramos, e bem, uma explanação das condições geomorfológicas, fauna e flora que conferem à nossa Região uma elevada geodiversidade e biodiversidade e uma considerável riqueza genética e qualidade ambiental. Tudo isto, enquanto realidade regional, é incompatível com culturas de sementes geneticamente modificadas. Lemos uma explicação sensata de que dadas as condições regionais da fragmentação das explorações agrícolas, com pequenas parcelas e pouco distantes umas das outras, aliadas às nossas condições climatéricas, que salienta essa incompatibilidade: “Nessas condições é impossível o controle da disseminação dos OGM através da polinização cruzada e, consequentemente, o respeito pelas normas técnicas de coexistência de culturas geneticamente modificadas com as culturas tradicionais.” Lemos, também, que “Atendendo ainda às dúvidas ainda existentes sobre a interferência dos OGM no equilíbrio dos ecossistemas e na contaminação da cadeia alimentar, comprometendo a imagem e os certificados de qualidade dos produtos emblemáticos, em particular da carne de bovino e dos laticínios, a aplicação do «principio de precaução» aconselha a criação nos Açores de uma «zona livre» de cultivo de OGM (…) os Açores manifestaram a sua intenção de aderir à Rede Europeia das Regiões livres de transgénicos, criada em Florença a 4 de Fevereiro de 2005, e «declarar o seu território como zona livre de cultivo de variedades geneticamente modificadas, enquanto não for possível garantir a não contaminação das culturas convencionais, tradicionais e biológicas».»” Mas será que quem elaborou o “Preâmbulo” não conhecia o teor do articulado do diploma?! Se era para levar a sério este pedido à Comissão Europeia, porque prevê o diploma, no seu artigo 5.º, exceções ao cultivo sob o título “Investigação científica e tecnológica e ensaios de cultura” ? Se fosse para honrar esse compromisso nunca se poderiam abrir exceções. É caso para dizer: quer-se vender à Comissão Europeia “gato por lebre”? E a nós, açorianos e açorianas, o que se quer vender? Os Açores como Natureza Intacta ficam uma bandeira cada vez mais inverosímil.


O BREVES - 31 DE MAIO DE 2012

Maio nas Manadas Por: Maria José Silveira

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“Criar Oportunidades para todas as Ilhas”

Opinião

Pelo Contrário União…

Por: Paulo Silveira

“A minha mãe era uma grande Mulher” dizia o homem já velho e muito doente, pronto para se ir juntar a ela, com um sorriso sereno e um brilho nos olhos de menino aninhado no colo acolhedor da sua Mãe. É esse sentimento de ternura e confiança que faz os crentes acolherem no regaço de Maria neste mês que lhe é dedicado. Coincidindo com a época das Coroações, o Terço é rezado todos os dias numa devoção que junta orações de diversas origens, sendo talvez a mais popular a Salvé Rainha, composta por um monge alemão, Herman Contrat, cerca do ano 1050, no Mosteiro de Reichenan. Foi em Maio que terminou o Curso de Alemão, anunciado neste jornal pela Escola Profissional de S.Jorge, que reuniu na Sala 5 os 14 estudantes de diversas idades, vindos de várias freguesias, do Topo aos Rosais. Graças à competência e ao empenho da Profª Olália Pinto e ao entusiasmo de todos os estudantes, foi em agradável convívio que a aprendizagem decorreu e terminou com sucesso. Maio é também a memória do vulcão da Urzelina, cujo 2º centenário foi comemorado com um belo monumento em frente à Torre que restou da antiga Igreja de S. Mateus que foi arrasada em 1808. Por recordar ficaram os heróis das Manadas que, em solidariedade com a Paróquia vizinha, acompanharam o Rev. Jorge de Matos Pereira para acudirem aos bens da Igreja em perigo. Vítimas da nuvem ardente que emanou do vulcão, várias perderam a vida junto com alguma gente da Urzelina, todos sepultados na Igreja de Sta Bárbara, conforme o Livro de Óbitos desta o declara. Na ermida de Sta Rita foi recolhido o Smo Sacramento e os refugiados tiveram a assistência possível na casa do referido Padre, hoje propriedade do Sr. Adriano Brasil. Ao povo aturdido e disperso por esta tragédia valeu a Fé no Divino Espírito Santo que ajudou a superar o desespero e a ter Esperança em melhores dias. Da Igreja de S. Mateus, levada por uma torrente de lava ardente ficou sem mácula a Torre Sineira onde estavam as insígnias do Divino Espírito Santo. Urzelina e Manadas continuam a manter a tradição das Mordomias da Quinta Feira antecedente ao Domingo de Espírito Santo e da Sma Trindade, com mesas postas para quem passa, numa partilha que ainda é celebrada em Coimbra, onde terá sido instituída pela Rainha Santa Isabel. Com origem nas Festas dos Rapazes, Tradicionais do Norte de Portugal, o Bando, que acompanha o cortejo dos carros de bois enfeitados que dá volta à freguesia, é alvo de grande entusiasmo por parte da população que tanto aplaude os elogios aos Mordomos como as piadas de circunstância que desatam gargalhadas. Nas Manadas, o destaque vai para a Mordomia das Ladeiras que mantém o costume de levar uma caravela muito bem armada num dos carros de bois do Sábado anterior ao Domingo da Trindade. Em 1607, Domingos de S. Pedro, o Biscainho, foi nomeado pela Câmara Municipal das Velas para receber o peditório da Sma Trindade. Mareante vindo do Golfo da Biscaia, dedicado ao comercio marítimo, veio casar ás Manadas com Maria de Matos Valdez, sendo antepassados do Sr. Barão do Ribeiro. Terá deixado como testemunho da sua presença na Mordomia das Ladeiras o costume de armar uma caravela que ainda perdura passados mais de 4 séculos. Em 2012 as Mordomias tiveram lugar a Sta Rita e ao Cabo das Manadas, com abundantes repastos servidos em louvor do Sr. Espírito Santo e da Sma Trindade.

Estamos a aproximarmo-nos de um momento político particularmente importante e decisivo para o futuro da nossa Região no qual, “(…) o objetivo eleitoral do PSD/Açores em 2012 é: Ganhar as eleições e formar um governo com apoio maioritário (…)” Tendo presente este objetivo, o PSD/Velas assume como prioridade, ser a 1ª força política em 2012, vencer no Concelho das Velas, contribuir para a vitória em São Jorge e para a maioria regional. Recentemente a Dr.ª Berta Cabral, afirmou que a concretização deste objetivo depende da abertura do partido a todos quantos queiram connosco participar num novo ciclo político de desenvolvimento económico dos Açores: “No PSD não somos do tamanho do nosso partido. Somos do tamanho dos Açores. Todos cabem no PSD. Todos são bem-vindos”. “(…) Os Açores são o nosso ponto de partida, e a nossa meta é o progresso sustentado de todos os açorianos em todas as ilhas.(…)” Dezasseis anos passados, batizados de “Ilha da coesão” pelo governo do PS, verificamos afinal que a coesão significou, indiferença, abandono, desertificação, e estagnação da atividade económica. Acredito que com uma vitória expressiva, nas Regionais de 2012, da Dra. Berta Cabral serão, efetivamente, criadas oportunidades para todas as ilhas, iniciando-se assim um novo ciclo político no qual serão introduzidas as medidas necessárias à construção de um caminho sólido e coerente. Essas mudanças começarão por valorizar a nossa juventude, as nossas gentes e os nossos recursos… Não é necessário inventar nada, temos sim de apoiar e estimular as produções locais, criando incentivos específicos, apoiando técnica e financeiramente os produtores, e montando um sistema de promoção da qualidade e da comercialização que funcione. Só aliando a qualidade dos nossos produtos, aos recursos humanos qualificados de que dispomos, podemos alcançar um novo ciclo de desenvolvimento, onde cada açoriano tenha o seu lugar no mercado de trabalho. Só com dinamização da economia e a criação de emprego se conseguirá a fixação dos mais jovens na nossa ilha. Aproveitando a sua qualificação, o seu empenho, a sua criatividade e capacidade de trabalho, contribuirão certamente para a revitalização e crescimento deste concelho tornando-o economicamente viável e verdadeiramente moderno. Desenvolvimento e modernidade são impossíveis numa região insular sem um sistema de transportes bem articulado, entre as ilhas e com o exterior, e com menores custos para o utilizador. Só assim podemos criar e dinamizar um mercado interno; incentivar o turismo, criar riqueza, e por esta via estimular o emprego e a fixação da população nas ilhas com menor densidade populacional. Nesta “ilha da coesão”, a necessidade de respostas aos problemas sociais cada vez mais evidentes como o desemprego, levam-nos a olhar para além dos sistemas estatais, para a contribuição das instituições de solidariedade social e da sociedade civil, imprescindível para alcançarmos objetivos mínimos de coesão social, que estão muito para além da promoção da pobreza de espírito e de ofertas que mais não são que migalhas que institucionalizam a pobreza e a miséria. A saúde é uma área que assume particular importância para este Concelho. Tendo em conta que apenas dispomos de um centro de saúde onde são prestados cuidados básicos, que por falta de meios, cada vez mais se têm vindo a tornar cuidados mínimos, onde os doentes das várias áreas de especialidade, vão para a lista…, e uma consulta para o médico de família pode levar várias semanas, precisamos urgentemente de um governo que implemente um sistema de saúde que responda às necessidades dos cidadãos. A educação é um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento de qualquer sociedade, defendemos uma escola de proximidade, de qualidade, e orientada para as pessoas e não para a estatística. Não é fechando as escolas existentes e prometendo uma escola nova nas Velas, que ainda não passou disso mesmo, uma promessa, que já vai no 3º projeto, que se contribui para a valorização das pessoas e das nossas freguesias. Não é assim que se constrói um projeto de futuro. A juventude tem de ser uma das nossas maiores prioridades e um dos pilares da nossa sociedade. A inclusão dos jovens no processo de desenvolvimento dos Açores é à partida, uma aposta ganha. É fundamental pormos a competência ao serviço dos açorianos. Basta de medidas avulsas, que se implementam sem definir as prioridades para cada ilha, e para cada setor de atividade. Não alcançaremos o progresso e a sustentabilidade desejada se agirmos como até aqui, como o caso flagrante da Baía das Velas, exemplo evidente da desgovernação socialista em São Jorge. Temos um Núcleo de Recreio Náutico; um porto de pescas, e agora está a nascer uma rampa RO-RO. Foram construídas por esta ordem, a baía quase desapareceu, e o porto comercial que é essencial para a vida dos Jorgenses, é mais uma promessa. Acredito no projeto da Dr.ª Berta Cabral pois é consistente e a sua liderança forte e competente, sabe o que quer e como fazer. É importante que a população se reveja nos seus candidatos e lhes reconheça a capacidade e a competência que todos desejamos nos nossos representantes. Uma vitória da Dr.ª Berta Cabral não é um assalto ao poder, é uma transição tranquila sem sobressaltos para um novo ciclo e um futuro melhor. Em Outubro vamos pôr “mãos à obra” pelos Açores! Com um novo governo liderado pela Dr.ª Berta Cabral, vamos conseguir “Criar oportunidades para todas as ilhas.”

A Hecatombe

Por: João Amaral da Silva

Os resultados das recentes eleições na Europa, presidenciais na França e legislativas na Grécia, demonstraram uma mudança brusca no nosso destino coletivo como europeus e, quanto a mim, tratou-se de uma viragem absolutamente necessária e possivelmente positiva para todos nós. Na Grécia, o olho do furacão da crise das dívidas soberanas europeias, o povo castigou severamente os partidos do arco do poder, tecnocratas e cegos aplicadores das medidas de austeridade da tróica (deles), agora relegados para margens eleitorais impensáveis há alguns anos atrás. A grande lição que o partido que governava a Grécia (agora a terceira força política do país) pode tirar é que os políticos que «esfolam» o seu povo acabam por destruir a sua base eleitoral e, no pior dos casos, arriscam as estruturas do próprio Estado. Na França, a vitória de François Hollande à Presidência daquela emblemática república não só marca o regresso do Partido Socialista ao poder, como, quanto a mim, significa o princípio do fim do «eixo do mal» franco-alemão, verdadeiro algoz dos povos da europa do sul. Na França, a mensagem também é clara, o povo francês espera que os políticos europeus seteados em Bruxelas possam rapidamente recolocar o projeto europeu novamente nos seus eixos, ou seja, deseja uma Europa virada para o desenvolvimento, socialmente mais justa e humanista. As eleições em democracia são essenciais e, ao contrário do que uma dirigente social-democrata portuguesa uma vez defendeu, nós nunca podemos suspender a democracia. Se por um lado, a viagem se avizinha ainda mais turbulenta para a Europa, agora que se vislumbram novas eleições na Grécia (e a sua provável saída do euro e da UE), um possível resgate à Espanha (cuja bolha imobiliária ainda não rebentou) e no horizonte próximo paira o verdadeiro «Titanic» que é a Itália, por outro lado, no caso particular das eleições na Grécia e na França, os povos destes dois países não só mostraram um cartão vermelho ao «status quo» político, submissos executores do poder económico, como claramente e indubitavelmente disseram que não suportavam mais austeridade. É bom lembrar aos governos, que aconselham os seus povos a emigrar e aos políticos que consideram que o desemprego é afinal uma oportunidade de mudança de vida, que, felizmente, em democracia o Povo ainda é soberano! A mensagem das urnas de voto é: emigrem sim estes governos, mudem de vida através do desemprego estes políticos!

Por: Lopo Miguel Santos

As pessoas e o mundo estão sempre em constante evolução e mudança criando novas realidades, às quais nos temos que adaptar. Se ajudarmos a diferenciar as nossas emoções e trabalhar igualmente no seu desenvolvimento, podemos perceber o que estamos a sentir e desenvolver estratégias para lidar com as situações difíceis. Por tal, esta leitura incidirá sobre o que faz haver disputa ou oposição entre pessoas, e o que pode ou não envolver a procura por um mesmo objetivo. Quando sentimos que a rivalidade e o bairrismo entre nós pode tomar proporções preocupantes, ajudará certamente conversar e reflectirmos todos. Devemos ser conhecidos pela união e orgulho que temos da nossa terra e não por andarmos a rivalizar, enquanto outros trabalham juntos para serem melhores que nós. Ao vivermos a situação real da nossa terra podemos observar como quanto a rivalidade prejudica a nossa imagem e estimula a uma prática de intolerância entre nós. São tantas as cobranças em cima das pessoas que tem a capacidade de decidir, que muitas vezes são inopinadas, injustas, inadequadas e imerecidas. Seria bem melhor para São Jorge se todas as pessoas, se unissem, para juntos enfrentarmos a realidade, sem tentações, sem desconsiderações e desrespeito. Isto tudo seria em benefício de São Jorge no seu todo, as partes todas juntas serão sempre mais fortes. Claro está, que a essência e o espírito dos nossos locais e de cada um de nós nunca acabará, e deverá continuar a ser um bem universal que não se deve perder, pois com as diferenças também devemos crescer. A rivalidade nunca se deve desaproveitar, deve é ser controlada. Mas, o que se vê por vezes é o contrário, a cada evento que acontece, se um perde o outro comemora e torce pela queda do outro e vice-versa. Deve-se comemorar a vitória sim, mas não a perda do outro, pois isso pode ser fatal para nossa Ilha, e se assim for, a tendência é sermos cada vez mais fracos e ridicularizados pelos nossos vizinhos. Quando falamos do fantástico queijo, não dizemos, o queijo da Beira ou o dos Lourais, ou do Topo, falamos sim do Queijo de São Jorge. Quando nos referimos às amêijoas, não dizemos que estas são da Calheta ou das Velas, mas sim que as amêijoas de São Jorge são as melhores do mundo. Quando promovemos as Fajãs, dizemos sempre que somos da terra das Fajãs e que as verdadeiras e mais bonitas são as de São Jorge. E poderemos não terminar por aqui, porque ainda temos as espécies, as rosquilhas, as sopas do Espírito Santo, entre muitas outras coisas, tanta é a riqueza de São Jorge. Para a existência de um desenvolvimento sustentado, gostaria do fundo do coração que esse sonho se torne realidade e um dia a nossa Ilha de São Jorge, unida, seja reconhecida nacionalmente e regionalmente como uma potência, por exemplo no turismo ou noutros segmentos, pois, a nossa sociedade está em constante transformação e temos que procurar soluções e algumas poderão estar na nossa união, onde na maioria das vezes fazemos muita ênfase nas diferenças que temos e muito pouco sobre o que nos une. Fica aqui a minha dica para que um dia possamos ser ainda maiores do que somos hoje.


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Social Repartição de Finanças da Calheta

Encerrou contra a vontade da população Muita tinta já correu sobre o encerramento da repartição de finanças da vila da Calheta. Um assunto que não é novo e culminou numa decisão que a população e autarcas do concelho não aceitam de forma alguma.

Até à data não se sabe bem qual o organismo que decidiu pelo encerramento da repartição de finanças da Calheta. O que se sabe até ao momento, depois de uma reunião, à porta fechada, entre autarcas e director regional das finanças, é que, «questões técnicas», como quem diz, «falta de funcionários», levou ao encerramento da repartição que servia todo o concelho da Calheta. Isto é, com a entrada na reforma do actual chefe daquela repartição, apenas um funcionário assegurava o serviço. Por isso, a decisão de encerrar os serviços no concelho. A população começou a revoltar-se e a aperceber-se que a repartição iria mesmo fechar quando tomou conhecimento que uma viatura e funcionários da Câmara Municipal das Velas foram à repartição da Calheta buscar alguns móveis e documentos, transportando-os para local desconhecido por este jornal. Sem motivo para dúvidas, dizem os populares, o objectivo é encerrar definitivamente a repartição de finanças da Calheta, como já aconteceu com outros serviços públicos naquele concelho. O director regional de finanças esteve na repartição no dia do encerramento, quinta-feira dia 31 de Maio de 2012. Reuniu à porta fechada com o Presidente da Câmara Municipal da Calheta, Deputado do Partido Socialista e todos os Presidentes de Junta de Freguesia do concelho, à excepção do Presidente da Ribeira Seca. Durante a reunião, que demorou cerca de duas horas, a população foi-se juntando à porta da repartição na tentativa de impedir o encerramento daquele serviço do estado, onde pagavam as suas contribuições. Mesmo assim, com cerca de uma centena de populares, vindos de uma ponta à outra do concelho, o responsável pelas finanças nos Açores não deu qualquer esclarecimento aos contribuintes da Calheta. Foi saindo de “fininho”, acompanhado pela PSP, dizendo que não estava autorizado, pelos serviços centrais, a prestar qualquer esclarecimento. Nesta altura ouviram-se palavras de ordem vindas dos populares, “O que se está aqui a fazer é nojento…”, “Queremos aqui um funcionário, venha ele de onde vier, como já aconteceu em outras alturas…”, “porque é que fizeram isto tudo às escondidas da população, sem avisar ninguém previamente…”.

As opiniões da População e Autarcas Adroaldo Mendonça, Presidente da Junta de Freguesia do Norte Pequeno, “Eu, como autarca, entendo que o encerramento deste serviço, da forma como foi «a talho de foice», dum dia para o outro e sem informar a população, está mal. Temos que

falar e saber o porquê de fechar esta repartição desta forma. Já em Novembro, os autarcas do PS – Calheta, fizeram um comunicado a falar desta situação. Mas, até hoje, não houve qualquer intervenção, nem do município nem de qualquer outra entidade, para defender os contribuintes. Levamos este assunto à Assembleia Municipal e a resposta do Presidente de Câmara foi que – não havia problema nenhum porque a repartição não fecharia. Não sabemos porque é que isto está a acontecer agora!” O Presidente de Junta do Norte Pequeno refere ainda, “Nós, aqui em São Jorge, pecamos por só nos mexermos quando as coisas acontecem e isso é mau. Temos que ser mais unidos e defender as nossas coisas mais atempadamente.” – disse Jorge Noronha, “Este serviço sempre teve uma afluência considerável de contribuintes. Porque, embora as novas tecnologias permitam que muitos assuntos sejam resolvidos pela internet, ainda há muita gente que, ou não tem internet, ou não sabe como resolver os assuntos relacionados com as finanças pelo computador. Por isso, encerrar este serviço é péssimo. Aliás, ainda lhe digo mais, não há nenhuma ordem superior, dos serviços centrais, para encerrar a repartição. Estão a encerrar a repartição de finanças da Calheta, segundo dizem, por mera situação técnica – falta de pessoal. Ora, suponho que há funcionários na repartição das Velas que poderiam fazer serviço aqui, num período da tarde ou da manhã… Na minha opinião, com boa vontade, resolvia-se a situação. E mais, se é uma questão de falta de funcionários já devia estar resolvida há muito tempo. Gostava ainda que me dissessem como é que é possível fechar um serviço público sem uma autorização superior? Como é que é possível a Calheta de São Jorge estar situada no centro do arquipélago e fazer-se o que se tem feito, tanto nesta ilha como nas outras chamadas «ilhas de Coesão»? Por aquilo que vejo, nunca foi estabelecido o que se faria nas «ilhas de Coesão». A culpa, aqui, é do governo regional. Por isso, estas ilhas estão na miséria que se vê.” – concluiu Jorge Noronha adianta ainda que foi o próprio a alertar o Município da Calheta e Deputados Regionais, para esta situação, há dois anos atrás. António Viegas, Presidente da Junta de Freguesia da Calheta, “Esta situação já vem de há muitos anos. Agora fomos surpreendidos quando nos alertaram para o facto de viaturas do Município das Velas, imagine-se, estarem a levar material da repartição de finanças da Calheta com o objectivo do seu encerramento. Fomos todos apanhados de surpresa e temos sido contactados por centenas de pessoas que estão indignadas. Com o encerramento desta repartição, há centenas de pessoas, de todo o concelho, que, agora, têm que se deslocar às Velas. Penso que é uma falta de respeito pelo concelho da Calheta! Procurámos a origem desta decisão e foi-nos comunicado que não foi o Governo da República a tomar esta decisão. Por isso, queremos saber quem tomou a decisão de encerrar esta repartição de finanças. Penso que temos que estar todos entregues a esta causa e defender o que é nosso, para não acontecer o que já aconteceu antes neste concelho. É isso que estamos aqui a fazer.” – conclui José Lopes, “Penso que isto é mau, não só para mim mas, para toda a população.” Fernando Reis, “Acho que isto é uma poucavergonha. As finanças com um edifício próprio aqui e vão para as Velas para uma «cocheira» que nem tem espaço para trabalharem em condições. Esta repartição, aqui na Calheta, fará falta a toda a população. Imagine um contribuinte do Topo o que não

vai gastar em combustível para pagar um simples selo do carro?” Susana Soares, “Penso que é uma situação muito má. Com o encerramento da repartição de finanças vão encerrar outros serviços, com certeza. Acabará por não fazer sentido ter balcões de bancos e outros serviços, nesta vila, e quem perderá são os empresários aqui estabelecidos. Isto porque, deixará de fazer sentido vir à Calheta porque os serviços estarão todos sediados no outro concelho. Vamos acabar por cair no esquecimento… estou revoltada com esta situação. Estamos todos a ver o que está a acontecer e ninguém faz nada.” Alvarino Noronha, “Penso que esta situação é péssima e vergonhosa. Estão a brincar com as pessoas e a prejudicar o concelho largamente. Não se percebe porque fizeram isto à socapa, tendo aqui um edifício próprio, feito de raiz, vão para um espaço que não é deles, esta repartição está no centro da ilha… não se justifica nem se percebe. Estou revoltado e indignado com esta situação.” Maria Brasil, “Acho muito mau. Eu moro na ponta do Topo e para vir aqui à Calheta tenho que pagar a um táxi, ainda é longe. Mas, para ir às Velas é muito pior, muito mais caro! Costumo vir aqui muitas vezes e as pessoas são atenciosas. No Topo só soubemos disto hoje. Estou revoltada, como todos estão. Mas, a maior parte das pessoas não sabia, por isso, não estão aqui.” No final da reunião com o Director de Finanças dos Açores, o Deputado do PS, Rogério Veiros, e o Presidente da Câmara Municipal da Calheta, Aires Reis, falaram aos populares que aguardavam o resultado do encontro. Rogério Veiros, Deputado do PS, “Estivemos reunidos com o Director de Finanças dos Açores que nos explicou que esta repartição de finanças, fruto do seu chefe se ter aposentado, irá, temporariamente, encerrar. É hora de nos juntarmos todos e lutarmos pela defesa da manutenção desta repartição de finanças no concelho da Calheta. Politicamente, vamos fazer o que for necessário para manter este assunto vivo. Também transmitimos, na reunião, que sendo este edifício do estado e ficando mais próximo de toda a população de São Jorge, a encerrar um serviço de finanças, nós entendemos comummente, ali dentro (na reunião), que o serviço a funcionar deve ficar sediado na vila da Calheta.” – disse Aires Reis, Presidente da CMC, “Toda a indignação que está aqui transmitida, foi aquela que nós transmitimos lá dentro. Exactamente com a mesma veemência que os senhores acabaram de colocar aqui as questões. De há muitos anos para cá terem encerrado muitos serviços no concelho, disto ter sido feito às escondidas e, até, com uma certa afronta porque, pessoalmente, não gostei dos carros do município vizinho terem vindo aqui buscar coisas para levar para as Velas… é muito vergonhoso. Foi tudo feito de uma forma incorrecta. Agora, a questão que se coloca aqui é esta – vamos juntar os três partidos, lutar da mesma forma, esquecendo comunicados que andaram por aí, a pôr culpas uns em cima dos outros, porque isso não resolve nada. A informação que temos é que, mesmo que a repartição encerre até Outubro, nessa altura os serviços voltam a reabrir aqui nesta repartição de finanças.” – concluiu A partir desta altura toda a população do concelho da Calheta tem que vir à repartição de finanças das Velas. No caso dum contribuinte da ponta do Topo, terá que fazer mais de 100Km, ida e volta, para pedir um simples esclarecimento às finanças. Em resumo, falta saber em que autarquia, Velas ou Calheta, ficará parte da contribuição da população do concelho da Calheta.


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Por: Redacção

Fajãs em Selo A imagem das fajãs está agora em selo. Uma colecção apresentada na Fajã da Caldeira de Santo Cristo na ilha de São Jorge

A colecção de seis selos mostra o que de mais belo a natureza ofereceu a São Jorge. As fajãs foram o tema escolhido, pelos CTT, para o lançamento da colecção alusiva ao arquipélago que a empresa faz anualmente. O rosto de quem habita permanentemente na fajã mostrava satisfação no dia de lançamento da colecção filatélica apresentada na caldeira de Santo Cristo. Os CTT inovaram, acompa-

nhando a evolução dos tempos e das novas tecnologias. Por isso, ser uma das poucas empresas públicas que dá um contributo positivo para a economia portuguesa. Neste âmbito, dentro da empresa, os açores são uma região economicamente equilibrada Com o lançamento desta colecção está criada mais uma forma de divulgação dos Açores em todo mundo. Através dum selo as fajãs, agora, chegam mais longe.

Economia

Direcção Comercial do BANIF-Açores reuniu em São Jorge

No espaço de dez anos esta é a segunda vez que a Direcção Comercial do BANIF-Açores reúne em São Jorge.

Analisar a estratégia futura, rever a actividade do banco, bem como, manter contactos com os colegas do BANIF em São Jorge foram os objectivos do encontro que decorre, todos os anos, numa ilha diferente. Na actual conjuntura económica a “banca” quer estar ao lado dos empresários e população em geral. É o caso do BANIF-Açores que procura encontrar a melhor forma para ajudar os seus clientes a ultrapassar a crise que, nesta altura, não deixa os açorianos de parte. “Sentimos que, neste momento, fruto da actual conjuntura, muitas das famílias e empresas dos açores, passam por algumas dificuldades. Uma das nossas

preocupações, nesta altura, é termos capacidade de resposta para essas dificuldades.” – refere Ricardo Ferreira, Director Comercial do BANIF-Açores. Atendendo à situação, Ricardo Ferreira acrescenta, “O banco está criando produtos, nomeadamente ao nível de algumas restruturações de crédito, que visem passarse de uma forma melhor este período menos bom que vivemos neste momento.” – disse O BANIF, nos açores, segue a estratégia de outros bancos que, nesta altura, encerram alguns balcões. Sem prejuízo de afectar os clientes. “O banco já procedeu ao encerramento de quatro unidades de negócio que correspondem às nossas lojas que estavam em superfícies comerciais na Ribeira Grande e Lagoa, em São Miguel e Praia da Vitória e Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira. À semelhança do que acontece com outras instituições de crédito o BANIF tenta racionalizar mas, sempre em locais ou unidades de negócio que, facilmente, serão substituídas por outras que se encontram perto.” – concluiu Ricardo Ferreira Este ano a Direcção Comercial do BANIF-Açores reuniu em São Jorge, para o ano estará noutra ilha a debater a melhor resposta para dar às empresas e à população açoriana.


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Escola Profissional da Ilha de São Jorge

Mais notícias em: newsletter.episj.com Formandos de Turismo à descoberta da Lisboa novecentista!

EPISJ NA ALEMANHA Na sequência do projeto Comenius:

“European

Energy

Quest”, no qual a nossa Escola está inserida, no passado dia 7 de maio um novo grupo de cinco formandos e dois formadores partiu numa outra viagem, desta vez, rumo à Alemanha. A comitiva foi constituída pelos formandos: Cátia Ribeiro, Isadora Morais, João Sousa, Jorge Bento e Tomás Samora, acompanhados pelos formadores David Afonso e Joel da Cunha. Foram três dias de partilha de conhecimentos ao nível das energias renováveis e de convívio que resultou numa integração enriquecedora, principalmente em termos culturais, pois um dos aspetos mais positivos deste projeto é o intercâmbio entre os formandos, uma vez que a estadia é conseguida através de famílias de acolhimento. O grupo teve a oportunidade de visitar o Museu Abteiberg, a mina de Carvão em Essen e os Painéis solares Garzweiler solar tower Julich. Entre muitos lugares e monumentos, ficamos muitos surpreendidos com a torre solar com inúmeros painéis solares, cuja capacidade para abastecer a cidade quando falha a mina do carvão é de duas horas. Desta forma, esta experiência foi uma oportunidade que os alunos da EPISJ tiveram para, além da magnífica cidade, conhecer aprofundadamente e in loco o funcionamento das energias renováveis. Ficamos com ansiedade a guardar a visita de alguns formandos e formadores de lá para

Depois de longos meses de trabalho, o curso técnico de Turismo Ambiental e Rural concretizou o projeto “Descobrir a Lisboa do século XIX”, viajando até à capital entre os dias 6 e 10 de maio, acompanhado das formadoras Maria Raquel Noronha e Susana Rosa. Desenvolvido no âmbito da disciplina de português, este trabalho tinha como objetivo estudar os dois autores do último módulo da disciplina, respetivamente Eça de Queirós e Cesário Verde, na cidade que foi palco das principais transformações literárias, políticas, culturais e económicas da segunda metade do século XIX. Para que tal acontecesse, desenvolveram-se esforços em vários sentidos, e somaram-se, à angariação de fundos realizada pela turma, os apoios de diversas entidades, sem as quais a viagem não se teria realizado: o Governo Regional dos Açores, a Casa de Repouso João Inácio de Sousa, a Associação dos Jovens Agricultores, o comércio local, e a Escola Profissional da ilha de S. Jorge. Em Lisboa, a turma realizou trabalhos específicos sobre ambos os autores, salientandose o roteiro queirosiano dedicado a “Os Maias”, conduzido pela Prof. Doutora Maria Eduarda Vassalo-McGeoch (Universidade de Lisboa), o qual terminou com uma visita guiada ao Teatro Nacional de S. Carlos. Instalada no Chiado, a turma conheceu, a pé e de elétrico, a Lisboa novecentista, viajou entre as suas colinas, e terminou o último dia de viagem com os monumentos de Belém, o pastel de nata e o Museu Calouste Gulbenkian. A qualidade deste grupo foi reforçada ainda em Lisboa por todas as pessoas que contactaram com estes formandos, ou que com eles trabalharam. Por isso, e de regresso ao trabalho, o Curso Técnico de Turismo Ambiental e Rural está de parabéns! Muito bem!

Um Traço num Sonho

“Um traço num sonho” foi a exposição realizada pelo aluno Rui Borges da turma de Técnico Administrativo diurno, com a colaboração de alguns formadores do mesmo curso. Esta exposição foi composta por desenhos feitos a caneta de gel contendo dezoito desenhos dos quais cinco foram vendidos. Os trabalhos abordavam um tema, de certo modo, mórbido, consistindo em desenhos míticos, históricos e relacionados com o mundo da fantasia. A inspiração para estes mesmos desenhos vêm de diferentes fontes, sendo alguns temas tirados da internet e outros de fotos e outros desenhos já existentes. A exposição teve uma grande adesão em diferentes faixas etárias, visto ser uma apresentação de diferentes desenhos que apelam à imaginação e interesse tanto dos mais jovens como dos mais velhos. Entre os visitantes surgiram muitos elogios e sugestões em relação à realização de mais exposições. Esta foi a primeira exposição realizada pelo aluno que embora tenha tido um resultado muito positivo, provavelmente não será realizada uma outra tão rapidamente por falta de tempo e, de certo modo, por poucos recursos do aluno. Rui Borges, Técnico Administrativo diurno

tentar retribuir a maravilhosa forma como nos receberam. Escola Profissional da Ilha de São Jorge e-mail: geral@episj.com site: www.episj.com

Rua Dr. Leonel Nazário Nunes

9800-566, Velas São Jorge (Açores)

tel: 295 430 420 / fax: 295 430 429


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Política

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Crónica

Roteiro das fajãs

«A ver navios»

Por: Décio Teixeira

Se vai á Terceira, Graciosa ou São Jorge de férias ou por motivos de saúde, prefira a casa de Jorge Silveira Cassete.

A candidata do PSD/Açores a presidente do governo regional anunciou a criação de um roteiro das fajãs de São Jorge, de forma a explorar o seu “enorme potencial” e colocá-lo ao serviço do desenvolvimento do sector turístico da ilha. “Um futuro governo do PSD vai promover e apoiar a criação de um roteiro das fajãs [de São Jorge]. Esse roteiro é constituído por uma rede de casas para alojamento de turismo da natureza, associada a trilhos pedestres, com vivências ligadas às nossas tradições, festas, artesanato e culturas naturais destes micro-climas que são as fajãs de São Jorge”, afirmou Berta Cabral, em declarações aos jornalistas, após uma visita à Fajã dos Vimes, na ilha de São Jorge. A líder social-democrata salientou que as fajãs da ilha de São Jorge constituem uma “dádiva da natureza”, dado que são “espaços extraordinários onde qualquer turista pode percorrer trilhos, desfrutar da natureza e passar momentos difíceis de encontrar em qualquer outro lugar do mundo”. Berta Cabral destacou que as fajãs da ilha de São Jorge, além da sua beleza natural, são também locais em que se cultivam “produtos que não se encontram em mais nenhuma parte da Europa”, como é o caso da cultura do café na fajã dos Vimes. “Todas estas potencialidades devem e podem ser colocadas ao serviço do desenvolvimento do sector turístico, que é estratégico para a ilha de São Jorge. Por isso mesmo, um governo do PSD promoverá, de forma integrada, o desenvolvimento turístico das fajãs de São Jorge”, disse. A candidata do PSD/Açores a presidente do governo regional frisou que esta rede de casas para alojamento de turismo da natureza nas fajãs de São Jorge vai ser constituída por imóveis recuperados e adequados, mas “salvaguardando a traça patrimonial de cada uma das fajãs”. A líder social-democrata acrescentou que os turistas que visitem as fajãs deverão ainda ter um conjunto de apoios logísticos que permitam que possam “transportar a sua bagagem de uma fajã para outra, enquanto percorrem os trilhos pedestres que integram o roteiro das fajãs”.

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CALHETA

Promoções de 20 a 30 de Junho

Começo as minhas crónicas n'O Breves abordando um tema de extrema sensibilidade para a vida dos Calhetenses, em particular, e para os Açorianos, em geral. Um tema que ganha visibilidade com a chegada do verão: os transportes marítimos. Os portos e transportes marítimos são elementos fundamentais para a coesão económica e social das ilhas; são plataformas facilitadoras da circulação dos cidadãos, do comércio de mercadoria e da prestação de serviços. A sua ação é responsável pela criação de empregos e pelo desenvolvimento de atividades económicas que vão desde a indústria conserveira ao turismo. O seu bom funcionamento é importantíssimo para a competitividade económica e social da Região. Ao verificarmos a importância deste setor de atividade, pensamos que ele deveria ser tratado com a atenção devida, nomeadamente nas ilhas e concelhos onde a atividade económica e empresarial é mais débil, mas, por mais incrível que pareça, nada está mais longe da realidade. Para as sucessivas governações do PSD (20 anos) e do PS (16 anos), o mar nunca foi um elemento prioritário na união dos Açorianos. Pelo contrário: foi sempre usado como arma de exclusão entre as ilhas grandes e as ditas «ilhas da Coesão». A desigualdade de status não só é corroborada pelos grandes investimentos em infraestruturas portuárias realizados pelos executivos regionais em São Miguel, Terceira, Pico e Faial, investimentos que seriam uma miragem para São Jorge, Graciosa, Santa Maria, Corvo e Flores, mas também pela falta de vontade política em obrigar os operadores, subsidiados com os nossos impostos, a cumprir plenamente com a sua função. Associada a esta negligência histórica está uma Câmara Municipal (falida e apática), que reza todos os dias pelo balão de oxigénio que será a linha de crédito de mil milhões de euros acordada recentemente entre a Associação Nacional de Municípios e o Governo da República. Esse balão de oxigénio, na prática, não resolverá nenhum dos problemas de má gestão da autarquia, bem pelo contrário, mas permitirá a Aires Reis continuar a empurrar para o futuro a mais que indispensável reestruturação municipal. Não fosse a falência da Câmara, já em si, uma grande preocupação, a apatia que esta instituição demonstra na promoção e divulgação do concelho como destino turístico é gritante. Não existe organização, não existe planeamento, não existe uma estratégia mobilizadora das forças vivas da Calheta. Aires Reis e a sua vereação escudamse na falta de dinheiro para não agirem. Recentemente, Berta Cabral, líder do PSD Açores, referiu, em entrevista à SIC Notícias, que era necessário alterar o sistema de transportes nos Açores. Em teoria, estamos de acordo! Porém, duvido que seja ao empurrar a batata quente para a Comissão Europeia, como Berta Cabral sugeriu, que o problema seja resolvido nos próximos anos. É necessário criar uma rede eficiente de transportes marítimos que sirvam as populações das diferentes ilhas e que promovam a coesão e o crescimento económico sustentável. Uma rede que beneficie o desenvolvimento das ilhas da Coesão, para que possam criar-se mais empregos e para se combater a desertificação. Gostaria de fazer uma última observação. O atual cais da Calheta foi um erro, o qual os Calhetenses vão pagar muito caro no futuro. Não porque a ideia de requalificação e expansão do porto fosse má ou desnecessária, mas porque a infraestrutura ficou limitada a atracagem de navios de dimensão superior e porque não é uma alternativa viável ao porto das Velas (o que no inverno implica escassez de combustíveis, bens alimentares, entre outros). Não tarda, ficará obsoleto como a sua versão anterior. «Quando gastamos demasiado tempo a viajar, tornamo-nos estrangeiros no nosso próprio país.» René Descartes

Por: Carla Santos

O OLHAR DE UMA CONTINENTAL ÀS FESTAS DO DIVINO ESPÍRITO SANTO Quando cheguei a São Jorge, há seis anos atrás, jamais imaginava que aqui, nesta ilha do dragão adormecido, iria encontrar uma manifestação de fé tão grande de todo um povo. Chamem-lhe ignorância de uma continental relativa aos usos e costumes de São Jorge, porque na verdade o era. As festas do Divino Espírito Santo, espelham não só a fé, mas também a capacidade de operacionalizar um trabalho árduo, mas muito bem organizado, em equipa, onde em todas as comissões se denota muita alegria, muita determinação e dedicação e um orgulho extraordinário nestas tradições desta festividade. A beleza dos Altares, sempre tão bem e meticulosamente decorados, o ritual das Coroações, as procissões, o dar as sopas, muitas das vezes a centenas de pessoas, os arraiais, a participação das Filarmónicas da ilha, sempre com o seu compasso acertado, a oferta das esmolas, a reza do terço, o convívio entre todos os intervenientes, deixam-me a certeza de que não só a fé, mas todo o querer de um povo consegue fazer desta época muito mais do que uma simples celebração ao Divino. É comum observarmos alguns turistas a percorrerem a ilha e verem a autenticidade de tradições de cada freguesia. As particularidades de todas as tradições de todas as freguesias fazem de São Jorge uma ilha incomparável nestas festas. Também extraordinário é verificar a enorme adesão de pessoas mais novas nestas festividades. Se é verdade que esta manifestação de fé já tem centenas de anos, não menos verdade é que os mais jovens interiorizam toda a importância da continuação das festas. Isso demonstra por si só que as tradições não são “coisas” dos mais sábios, mas que estão bem presentes nos jovens jorgenses. As festas do Divino Espírito Santo são as festas de um povo de fé, dedicado e orgulhoso por uma tradição que jamais desaparecerá ou esmorecerá, porque se a fé move montanhas, a determinação e trabalho árduo de todos move muito mais.


Jornal O Breves