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www.issuu.com/jornalnoturno Ano 1 - Edição 04

Rádios londrineses na Copa Eduel

Editora da UEL lança livros infantis

O FIM

Lost e 24h saem de cena

Parceira leva empreendedorismo nas escolas


sumário

Opinião

Censura na imprensa 04 Política

Uma discução racial 05

Educação

Empreender é preciso 08

Cultura

Aprendizado divertido 12 Comunicação e Esporte

ponto final 05/2010

Rádios na Copa 13

02

Moda e comportamento

Adeus Lost e 24h 18


Editoral Muitas vezes os editoriais de revistas são mais metalingüísticos do que propriamente opinativo. Isso porque uma revista, diferente de um jornal, não reserva um posicionamento firme para espaços demarcados. A revista deve trazer fragmentos da realidade com focos específicos, quase atemporais e mais do que sem medo de mostrar opinião, é necessário a certeza de que se defende não o lado certo, mas um lado com senso de realidade, em contrário ao mero apego a preconceitos. A objetividade jornalística, assim como o certo e o errado não podem existir diante de uma realidade tão ampla e complexa. Cabe a nós, humanamente, enxergar apenas um limitado campo de visão e, jornalisticamente, tentar aumentar ao máximo esse campo visível. Como parte de uma sociedade, precisamos sempre entender o outro lado. Basta lembrar que temos uma visão parcial da realidade para compreender que seria muita prepotência nos considerar corretos e “eles” incorretos. O mundo seria obviamente diferente se todos observassem o que fazem e pensam as pessoas ao seu redor. Não podemos percebê-las apenas quando tangem nossas egoístas vidas, mas também quando se trata da vida egoísta de-

las. Assim, perceberíamos que erramos e acertamos tanto quanto elas. Brigar por um consenso é contraditório, pois brigar já supõe um antagonismo. E lutar pelo impossível não é belo, é burrice. Flexibilidade, desapego e aceitação inclusive de coisas erradas são inevitáveis na vida coletiva. Cabe a vaga esperança de que um dia todos sejam conscientes da parcialidade do real e assim, a folga e desrespeito com o próximo desapareceriam. Nós humanos estamos longe de esquecer o próprio umbigo e colocar o coletivo em detrimento dos confrontos próprios. Não se trata de fazer caridade, trata-se de consciência crítica. A Ponto Final 04 foi produzida em face de fortes tensões e crises existenciais e editoriais, que se acumulam desde a primeira edição. Por isso, esse editorial é dedicado não aos leitores, mas à nós que produzimos a Ponto Final. Que honremos o nome forte e decidido da revista, com conteúdo sério e compromissado com o real. Longe das intrigas e preconceitos, para que nossas energias e ações sejam voltadas para o benefício do leitor. Atenciosamente, Iuri Furukita

editorial/expediente

Queridos colegas,

Esta revista é produzida pela turma do 3º ano de Comunicação Social - Jornalismo Noturno da Universidade Estadual de Londrina para a Profa. Dra. Rosane Borges na diciplina 5NIC030, Técnica de reportagem, entrevista e pesquisa jornalística III

Jornalista responsável: Rosane Borges Editores: Allan Fernando, Iuri Furukita, Naiá Aiello e Vanessa Silva Diagramadores: Edson Vitoretti, Gabriel Oberle, Maria Amélia Gil e Roberto Alves Repórteres: Fabrício Alves, Gabriela Pereira, Gabriel Bandeira, Guilherme Costa, Guilherme Santana, Júlio Barbosa e Rodrigo Fernando.

Contato: Jornalnoturno@gmail.com

ponto final 05/2010

Expediente

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ponto final 05/2010

Opinião

O silêncio dos nada inocentes

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Guilherme Costa O fim do mandato do presidente Luís Inácio Lula da Silva no final do ano marca o encerramento de um importante ciclo político e social na história de nosso país. A “Era Lula”, em um futuro próximo, será descrita nos livros didáticos como a época em que o governo alcançou conquistas socioeconômicas jamais antes vivenciadas, combinada a uma política institucional em que o país ocupou uma posição de destaque e liderança em âmbito internacional. Mas outra característica do governo Lula que deve ser lembrada é a de um período de covardia e incompetência. A prova está no desrespeito com que ele tratou os órgãos de imprensa no país desde que assumiu o poder. O governo brasileiro não gosta de jornalista. Não gosta e tampouco respeita. Isso só pode ser reflexo de uma fragilidade e incapacidade de governar com seriedade e decoro. A imprensa é a responsável por criar um canal de comunicação entre as ações do governo e a população, de modo a criar uma consciência crítica e fiscalizar os atos de nossos governantes. Pelo menos é assim que deveria ser. O governo brasileiro, em contrapartida, tenta “regulamentar” e “regular” (lê-se aqui, censurar) de diversas formas e ainda tirar a credibilidade da produção jornalística (a queda da Lei da Imprensa e da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista são exemplos disso). Há quem possa alegar que não é covardia e sim, rancor. Lula e o PT têm ressentimentos com a imprensa devido a seu papel crucial na cobertura do escândalo do mensalão. Em 2004, a polêmica desencadeou na maior crise política do legislativo brasileiro até hoje. O pacote de medidas adotadas para a contenção de danos de imagem e vida política a fim de preservar a figura de Lula da responsabilidade das falcatruas cometidas resultou no sacrifício de toda a poderosa entourage que assessorava o presidente. A quadrilha que articulava o jogo político no país, supostamente pelas costas de Lula, foi caindo um a um. Zé Dirceu, Zé Genuíno, Antônio Pallocci, Luis Gushiken. Todos foram merecidamente jogados ao ostracismo político, obrigados a atuar por detrás das cortinas. Contudo, permanecem injustamente impunes pelas conseqüências de seus atos desonestos. Daquela trupe só a Dilma se safou. E pelo visto, não restou muita coisa. Como resposta, não faltam exemplos de desrespeito aos veículos de comunicação e seus profissionais no Brasil nos últimos anos. Recentemente podemos citar pelo menos alguns exemplos que vão da esfera nacional, à mais local. Um dos jornais mais importantes em circulação no país, atualmente, o Estado de S. Paulo, está para completar quase 300 dias sob censura descarada. O periódico está proibido de publicar documentos e informações a respeito da Operação Faktor, realizada pela Polícia Federal e mais conhecida como Boi Barrica, frente a uma decisão judicial oriunda de um recurso

aplicado por Fernando Sarney, filho do presidente do Senado José Sarney (PMDB - AP) contra o jornal. A investigação aponta irregularidades que envolvem empresas ligadas à família Sarney. Há ainda brechas para que a iniciativa privada desrespeite a integridade e o trabalho dos jornalistas. A Folha de Londrina, por exemplo, foi obrigada a recontratar 17 jornalistas de uma vez em sua sucursal em Curitiba. O jornal desrespeitou acordo coletivo com o sindicato e realizou demissão em massa em julho do ano passado. Mais longe ainda foram os diretores da Gazeta Mundial, jornal da cidade de Toledo, pertencente ao grupo do todo poderoso empresário Marcos Solano. Em comunicado interno, a diretoria foi fatídica: ou os jornalistas se unem e criam uma empresa prestadora de serviços a fim de terceirizar jornalismo na empresa, ou serão demitidos. A manobra segue a tendência de terceirização no governo e nas empresas privadas, que buscam fugir da burocracia e tributos estatais gerados por concurso público ou contratação legal de um funcionário. A estratégia da Gazeta Mundial busca exonerar a empresa de direitos trabalhistas e previdenciários e poder remunerar seus funcionários abaixo do piso salarial do estabelecido pelo sindicato. E como se não bastasse, agora o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza, defende a criação de um órgão de autorregulamentação para a mídia. De acordo com o parlamentar, que afirmou que o caso seria aplicado principalmente em períodos eleitorais, estariam abarcados pelo órgão regulamentador jornais, televisões e rádios. A internet seria livre do controle. A proposta, segundo ele, teria por objetivo evitar a partidarização e a cobertura dirigida por parte dos órgãos de comunicação em favor ou detrimento de tal legenda. Que se proponha para a TV e rádio que são concessões públicas (e por usarem o espectro público tem obrigações maiores em representar a população) já requer muito cuidado, mas para veículos particulares, como jornais, seria absurdo e inconstitucional por interferir na liberdade de expressão. Não é errado um jornal defender um ou outro candidato, desde que não infrinja leis. A objetividade e imparcialidade da imprensa é optativa e normalmente caracteriza-se como um compromisso do veículo e da classe jornalística com sua função publica de informar com seriedade. Um governo que não respeita a sua imprensa é um governo que tem medo de que chegue ao conhecimento de seu povo sua verdadeira situação política, social e econômica. Querem estar sempre embalados e com selo de qualidade para a população comprar. Não querem seus erros e improbidades à vista, precisam dos jornalistas de seus país amestrados como animais de circos. Por isso temem tanto a classe: pois sabem que malícia já não é mais qualidade, é pré-requisito no jornalismo. Querem seu silêncio, pois sabem que não são nada inocentes.


política

mudança

por uma A luta

Em discussão

PONTO FINAL. 04/2010

há mais de meio século, a política de cotas raciais se torna uma alternativa para compensar o processo histórico de desigualdade 05


política

Maio é o mês que se comemora a abolição no Brasil. As homenagens proporcionam uma reflexão sobre a situação do negro no país durante esses 122 anos. Uma realidade que pouco (ou nada) mudou, se levar em conta que os negros, na maioria das vezes, continuam à margem da sociedade. Fabrício Alves Metade da população abaixo da linha da pobreza é composta por negros, contra 25% de brancos. Os afrodescendentes, segundo o IBGE, correspondem a 45% dos brasileiros, mas somente 2% dela têm acesso à universidade – um índice cinco vezes menor se comparado com a porcentagem dos brasileiros que têm acesso ao ensino superior. Essa disparidade é resultado de um processo histórico, que sempre impediu o negro do acesso à educação. Primeiramente ligando à sua condição de escravo, seguido do período após a abolição em que foram proibidos constitucionalmente de frequentar as escolas, a menos que os professores estivessem dispostos a ensiná-los no período noturno. A pesquisadora Maria Gisele de Alencar, do Laboratório de Cultura e Estudos Afro-Brasileiros da UEL, explica que política de cotas foi criada justamente para compensar a desigualdade social estabelecida pela história. Uma medida paliativa de intervenção imediata que deve ser aplicada paralelamente a outros elementos, como o acesso à educação pública de qualidade para quem é pobre, classe composta, em sua maioria, por negros. Dessa forma, a política de cotas contribui para a mu-

dança da condição do negro no país, a partir do momento que eles são incentivados a ingressar na universidade. Mais do que isso. “As cotas implantadas 45% dos na UEL em 2005 se brasileiros são tornaram uma plataafrdescendentes forma para a discussão da condição do negro na sociedade, além de problematizar a questão da discriminação contra o negro no Brasil”, ressalta a pesquisadora. Para Maria Gisele de Alencar, esse preconceito está implícito na cultura do brasileiro e talvez seja mais difícil de combater, pois as pessoas muitas vezes nem percebem que estão agindo de maneira preconceituosa. Audiência Pública Toda essa política estabelecida desde 2001 entrou novamente em discussão no Superior Tribunal Federal, pois o partido dos Democratas (DEM) não considera as

ponto final 05/2010

100 anos de luta

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Peça “O filho pródigo”, de Lúcio Cardoso, montada pelo Teatro Experimental do Negro

A busca por condições melhores para os afrodescendentes não está limitada à resistência nos quilombos. A luta continuou mesmo com a abolição em 1888, mas agora para que o negro tivesse os mesmos direitos que os outros cidadãos brasileiros. Cinco décadas depois, o Teatro Experimental do Negro (TEN) já reivindicava as cotas. Ainda que não tenha conseguido muitos resultados na época, o grupo trabalhava pela valorização social do negro no Brasil, por meio da educação, da cultura e da arte. Em suas apresentações, havia lugar para que fizes-

sem personagens com profissões e posições de maior prestígio social, condições quase inexistentes mesmo na realidade atual. Até então ficavam com personagens que fossem coadjuvantes, empregados sempre submissos a um patrão branco. O sociólogo baiano, Alberto Guereiro Ramos - que também participou do TEN e, mais tarde se tornou Deputado - reivindicava na câmara e no senado, a implantação de um sistema de cotas para a população negra, bem parecido com o sistema implantado hoje.


Participação do negro na educação

Inclusão pela educação! Gilberto Guizelin e Mariana Panta são profissionais recémformados pela UEL. Eles entraram na Universidade a partir de cotas para negros oriundos de escola pública e, contrariando o que afirmavam as pessoas contra esse sistema, os dois conseguiram acompanhar e concluíram a faculdade. E concluíram muito bem. Gilberto Guizelin prestava vestibular para ingressar no curso de Relações Internacionais na Universidade Estadual Paulista (UNESP), mas não conseguiu entrar, pois a concorrência era alta e o nível de ensino dos candidatos, muito desigual, já que concorria com estudantes de escolas particulares. Guizelin encontrou no sistema de cotas da UEL a oportunidade de passar no vestibular e se tornou o melhor exemplo para responder à afirmativa de que cotistas não acompanhariam o conteúdo ensinado. Em 2008 ele se formou não só com as maiores notas do curso de História, mas da universidade como um todo. E não parou por aí: hoje participa de um curso de pós-graduação na UEL. Mariana Panta também se formou na mesma época de Guizelin. Ao contrário do professor de História, sentiu muita dificuldade nos primeiros anos da faculdade de Educação Física. Para ela as escolas em que estudou ofereciam um ensino de baixa qualidade. “No primeiro ano tive que me esforçar, estudar dobrado para acompanhar o conteúdo, mas no final deu certo”. Os dois são incisivos ao falar que somente a política de cotas não é suficiente para que os estudantes terminem o curso, já que a maioria não tem uma condição financeira, a qual permita fazer a faculdade somente com o financiamento dos pais. “Algumas pessoas que entraram junto comigo desistiram do curso porque não conseguiam se manter em Londrina”, explica Gilberto Guizelim, que conseguiu uma bolsa para que permanecesse estudando História.

Projetando o futuro A lei 10639/03, em vigor há sete anos, torna obrigatória a inclusão de História e Cultura Afro-brasileira nos currículos escolares. O objetivo é ter contato com essa importante raiz da cultura brasileira, da mesma forma como se estuda os europeus e sua influência em nosso país. Para quem defende essa política, ter contato com os nossos ancestrais africanos é muito importante para que não se tenha como único referencial o negro como escravo. É um ponto essencial na luta contra o preconceito racial. Torna-se uma política de ação afirmativa na medida em que a criança se depara com a imagem de negros imperadores, pensadores, matemáticos, engenheiros, astrônomos, figuras importantes da antiguidade, os quais contribuíram bastante para o desenvolvimento das sociedades ocidentais. Vincular o negro com seus grandes feitos para a humanidade quebra a relação da cor negra a somente o que é ruim no cotidiano. A nova analogia faz com que o próprio negro tenha uma outra concepção de sua origem, não só a do negro escravo, e possa ter uma projeção de futuro ligado a funções de prestígio na sociedade.

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cotas para negros como um sistema eficaz na inclusão social, mas uma forma de racismo. O partido levou em consideração a experiência da política adotada em Ruanda, desde a década de 1930. Para o partido, a guerra civil, sessenta anos depois, é consequência do sistema de cotas. Os Democratas acreditam ainda que essa perspectiva não funcione para resolver o preconceito racial no Brasil. Não consideram eficaz para o caso dos negros, mas para eles o sistema resolve o problema de exclusão social dos índios. E no caso de Ruanda, não levaram em consideração que a divisão dos países africanos na época do Neo-colonialismo, nem ao menos considerou as tribos que já habitavam o continente. Inimigas entre si, são responsáveis por conflitos internos até hoje. A professora Maria Gisele de Alencar acredita que as cotas raciais são uma forma de discriminação necessária devido a todo precedente histórico de exclusão social. É essencial para que, a longo prazo, os negros não dependam de políticas sociais para ingressar na universidade.

política

• 3,3% dos jovens negros concluíram o ensino médio em oposoção a 12,9% de brancos • Somente 2% dos negros têm acesso à universidade

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Guilherme Santana

Entre os muros do empreendedorismo nas escolas

Universidade, colégio de nível fundamental e instituição particular mostram que é possível aplicar empreendedorismo para crianças de 4ª série


Yuri Martinez

Educação educação

Guilherme Santana A Incubadora Internacional de Empresas de Base Tecnológica da UEL (Intuel), em parceria com o Colégio de Aplicação (CAPL) e apoio do Insituto Omega, realiza em 2010, o Empreendedorismo nas Escolas. O projeto tem o objetivo de criar uma cultura empreendedora com crianças de 9 a 11 anos, trabalhando seus sonhos e uma maneira de planejar a conquista de seus objetivos; o que no “mundo dos adultos” é conhecido como “plano de negócios”. A Intuel é um dos órgãos da Agência de Inovação Tecnológica da UEL (Aintec), um espaço para fomentar o empreendedorismo inovador. Segundo o gerente da Incubadora Pedro Sella, a Intuel é a idealizadora do projeto, que tem a meta de “criar uma cultura empreendedora não só no intuito de criar empresas, mas em outros níveis da instituição, como o Colégio de Aplicação”. O Instituto Omega selecionou oito monitores entre os estudantes da graduação e pós-graduação da UEL para capacitá-los com o trabalho próximo as crianças. “Os monitores passaram por um treinamento emba-

Pedro Sella, gerente da Intuel; e Flávia Valentim, uma das monitoras do projeto Empreendedorismo nas Escolas sado na metodologia do pedagogo Fernando Dolabela, que desenvolve no livro “A ponte mágica” uma vertente do empreendedorismo junto à educação”, afirma o coordenador do Instituto Omega, Jefferson Bassetto. A estudante de Relações Públicas Flávia Valentim é uma das monitoras que está trabalhando com as

crianças da 4ª série. “Nós iniciamos a aplicação com os alunos na semana passada, por enquanto estamos consolidando uma base de aprendizado para depois construir um conhecimento com um suporte forte”, explica a estudante, que reitera: “Fizemos um bate papo com eles, leitura de alguns textos, trabalhos manuais

Guilherme Santana

Alunos preenchendo uma ficha pessoal, atividade proposta pelos monitores

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educação Educação

Entre os muros, os sonhos O Instituto Omega trouxe a palestrante e professora Zuleika C. L. de Toledo para ministrar os módulos

de metodologia do empreendedoris- em conflito, mas as crianças com mo aliado à educação para os futu- pensamentos diferentes, de diversas ros monitores. O texto de abertura, regiões da cidade e classes sociais de autoria da própria palestrante, distintas. De acordo com a diretora era: “A Pedagogia Empreendedora auxiliar Sônia Aparecida do Nascifundamenta-se no princípio elemen- mento, o Colégio de Aplicação postar de que a pessoa que sonha e que sui crianças de vários bairros, e com busca realizar esse sonho põe em diferença de idade de até três anos, o marcha uma espiral de energia que que exige um modo completamente dá rumo e sentidiferenciado de do a sua vida e trabalho. No fil“O sonho que se alimenta um prome, há a mesma cesso de evolusonha só, é só um discrepância de ção pessoal.” idade, os alunos A “pedagogia sonho que se sonha possuem entre empreendedora” 13 e 15 anos de só! Mas, o sonho é focada na quesidade. tão de trabalhar o que se sonha junto Os muros da sonho, que diaescola não são é realidade” loga com o filme os únicos que (Raul Seixas) “Entre os muros dividem e dão da escola” (Eno caráter de imtre le murs, Laurant Cantet, 2007). penetrabilidade entre os dois lados. Entre os muros (negrito) aborda o Existe também outros muros, os in“choque de civilizações” dentro de visíveis, que em alguns momentos uma sala de aula, e um consequente limitam a criatividade e ações das conflito de ideias, o qual um pro- crianças. É nesse ponto que podefessor – François Marin, interpreta- mos inserir o trabalho de Zuleika do por François Bégaudeau – tenta de Toledo com os sonhos desses educar uma sala dividida entre ne- estudantes: “Sonhar é apropriar-se gros africanos, asiáticos latino- do futuro, daquilo que ainda não é. americanos e franceses. No caso da Para buscar o novo, é necessário não CAPL, não são as etnias que entram temer a mudança, não ter medo de

Guilherme Santana

de corte e colagem para estimular a criatividade deles; o próximo passo é explicar o é ser empreendedor”, finaliza. A responsável pelo projeto no CAPL é a diretora auxiliar Sônia Aparecida do Nascimento, que cuidou da programação do evento de 2010. “As crianças têm as atividades às quartas-feiras, com aulas de 50 minutos durante 21 semanas, acompanhadas pelo professor responsável e os monitores, e são feito em grupos, com quatro monitores no período da manhã e quatro no da tarde”, explica a diretora auxiliar. Além do trabalho em sala de aula, os alunos vão desenvolver um produto “inovador” até o final do ano para expor seus trabalhos e atividades em uma feira para os pais, e vender o que produziram. O ideal é de cumprirem algumas etapas de cultura empreendedora: plano de negócios (trabalho com os sonhos), pesquisa de mercado (desenvolver algum produto para a feira) e inserção no mercado (vendê-lo).

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Entre os muros

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O filme “Entre os muros da escola” (2007), vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2008, é uma adaptação do livro homônimo de François Bégaudeau, que interpreta o professor de francês (François Marin) na obra. O roteiro e direção são de Laurant Cantet, que buscou retratar a diferença cultural e social do que seria a França contemporânea. Entre os muros, além de tratar alguns aspectos que fizeram diálogo com o CAPL da UEL, traz outros tipos de abordagens, como a do personagem François Marin sendo um “colonizador”, com seu esforço em


Educação educação A Intuel é um dos órgãos da Aintec, que fica próximo ao Colégio de Aplicação da UEL

da escola incorporar o idioma francês para seus alunos de diferentes etnias, uma espécie de “processo civilizador”. O filme também reproduz o comportamento dos alunos “rebeldes” que contestam a autoridade de seu professor, de que essa rebeldia deve ser conquistada com o aprendizado da cultura civilizadora, no caso, a francesa. Mas o objeto retratado nas obras cinematográfica e literária, não são as crianças em si, mas conforme o título, apenas se refere aos muros. É necessário acrescentar, que a distribuidora do filme no Brasil é quem incluiu o “da escola” no título.

A ponte mágica O romance infanto-juvenil de Fernando Dolabela é indicado para jovens entre 11 e 15 anos e possui como protagonista a menina Luísa, a mesma d’O Segredo de Luísa” (Fernando Dolabela, 1999), e que deseja montar uma empresa. “A ponte mágica” (2004) é ambientada na cidade de Ponte Nova e mostra Luísa com novos objetivos: empreender e mostrar que o sonho, mesmo que de uma criança, pode ajudar de alguma maneira àqueles que mais precisam. Dolabela é considerado um dos autores de maior destaque no empreendedorismo brasileiro.

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errar, compreender que sempre há um jeito de olhar e fazer as coisas de forma diferente, melhor.” Mas para a criança ser empreendedora e engajada na busca de realização de seu sonho, esse deve ter uma conotação social, e não só ganhos pessoais, mas deve também beneficiar outros, como à escola. É o que Raul Seixas define na música Prelúdio: “O sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só! Mas, o sonho que se sonha junto é realidade.”

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Aprendizado divertido

Gabriel Bandeira

Festa de lançamento dos oito livros Infantojuvenis publicados pela EDUEL

Professora Rosane Fonseca de Freitas Martins, coordenadora do Selo Eduel lena Trevisan, uma das autoras dos três livros que explicam de forma lúdica o Sistema Solar: O sistema solar na aula da professora Zulema, Uma estrela chamada Sol e Vida de estrela, escolheu o tema porque os professores do ensino fundamental que dão aula de ciências não aprenderam astronomia, eles são graduados em Pedagogia ou Biologia. Então, o livro é maneira de incentivar a leitura, o gosto pela ciência e pela astronomia que é pouco explorado e muito fascinante.

Gabriel Bandeira

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Gabriel Bandeira A Eduel (Editora da Universidade Estadual de Londrina) lançou no dia 14 de maio os primeiros livros editados pelo Selo EDUEL Infantojuvenil. O lançamento ocorreu em uma livraria da cidade e teve a presença da professora Rosane Fonseca de Freitas Martins, coordenadora do Selo, dos autores e ilustradores dos livros e foi aberto ao público. Foram lançados oito títulos: A sacolinha de plástico azul, A tabuada da Inês, Estou doente e agora?, Mia, mia, mia... miau!, Não gosto, O sistema solar na aula da professora Zulema, Uma estrela chamada Sol e Vida de estrela. Todos os autores e ilustradores dos livros são alunos ou ex-alunos da UEL. De acordo com a professora Rosane Fonseca, a idéia de criar os livros começou com uma experiência em sala de aula que no início era apenas resultado de projetos de pesquisa. O projeto juntou os departamentos de Design Gráfico e de Psicologia. Como surgiram trabalhos de qualidade, ela apresentou o material e a proposta de publicação dos livros para a Editora. O conselho editorial infantil da Eduel aprovou por unanimidade a produção dos livros infantis, que começaram a ser desenvolvidos. Ainda segundo a professora, o objetivo é oferecer o material para as escolas, pois os livros possuem conteúdo educativo-pedagógico. Os livros infantis não são apenas entretenimento. O livro Estou doente e agora?, de autoria de Lígia Tristão Casanova e Maria Rita Zoéga Soares, além de ter o conteúdo educativo-pedagógico voltado para a iniciação cultural e literária infantil, tem por objetivo orientar as crianças com câncer. Segundo uma das autoras, a psicóloga e professora do departamento de Psicologia geral e análise do comportamento Maria Rita Zoéga Soares, o projeto foi desenvolvido em função do trabalho realizado com as crianças que recebem o tratamento de quimioterapia no Hospital Universitário. “O objetivo do livro é ensinar e ajudar as crianças e os pais, por meio da literatura, a compreenderem a enfermidade e o tratamento”, argumentou a professora Maria Rita. A professora de astrofísica Rute He-

Gabriel Bandeira

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Cultura

Eduel lança primeiros livros Infantojuvenis com um conteúdo educativo-pedagógico de temas cotidianos

O evento foi aberto ao público e teve a participação de pais e filhos


comunicaçã & esporte

VAI COMEÇAR O ESPETÁCULO

Cabine de transmissão do Mineirão com algumas emissoras de rádio do Brasil

Em junho a Copa do Mundo de 2010 traz novamente ao brasileiro a competição mais esperada do ano e a cobertura radiofônica de Londrina está pronta para explodir com o grito de ‘é campeão!’

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comunicaçã & esporte PONTO FINAL. 05/2010

Gabriela S. Pereira “Um momento i-ni-gua-lá-vel”, se pudesse transcrever em formas, a sensação de estar em uma Copa do Mundo seria grifada, escrita em letras garrafais e com cheiro de vitória. O campeonato que ocorre de quatro em quatro anos está ganhando forma mais uma vez. África do Sul, o país localizado do outro lado do Oceano Atlântico, recebe dessa vez a honra de coroar a melhor seleção do mundo. São 8403 km da capital sulafricana até a capital do Norte do Paraná, e tem muita gente que vai fazer esse caminho para levar até você tudo o que a Copa terá de melhor. E engana-se quem pensa que as emoções serão passadas pela tela da TV ou nas linhas de um jornal impresso, é pelas ondas do rádio que o grito de gol vai ecoar nos ouvidos.

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Rádio Paiquerê, a rádio do Paraná que o Brasil inteiro conhece Terceira emissora criada em Londrina, a Rádio Paiquerê AM se orgulha em ser a primeira da cidade a investir em um projeto audacioso: coberturas de Copas do Mundo. Sua primeira experiência deu-se em 1986, quando o campeonato teve sua sede no México. É como explica o diretor da emissora, João Batista Faria, mais conhecido como JB: “No final da década de 80 nós resolvemos, a partir de um convite de uns amigos de Curitiba, fazer a cobertura da Copa do México compartilhada entre três emissoras. Então, foi a primeira que nós fizemos, mas não apenas a Paiquerê. A partir de 1986 eu resolvi fazer as transmissões só da rádio. Fizemos algumas excursões da seleção, passamos a cobrir as

Diretor da Rádio Paiquerê AM, JB acredita que foi o pioneirismo da rádio que trouxe a credibilidade na cobertura da Copa do Mundo

A rádio Paiquerê sempre em busca das informações sobre a seleção


eliminatórias e fizemos a Copa do Mundo de 1990 (Itália)”. Carimbar no passaporte uma ida ao campeonato não é pouca coisa quando tratamos de uma rádio, e no caso da Paiquerê, uma rádio no interior do estado. A importância da primeira cobertura resultou na criação de uma rede, integrando emissoras de todo o país, as quais recebiam materiais exclusivos dos correspondentes. Essa distribuição impulsionava a cobertura da seleção e, principalmente, a ansiedade por mais uma Copa do Mundo. “Para rádio Paiquerê é algo muito importante hoje, porque são pouquíssimas emissoras no Brasil que realizam esse trabalho. São apenas seis emissoras no Brasil que têm sete copas seguidas, e nós somos uma delas. Orgulho para Paiquerê, orgulho para Londrina”, comenta JB. Quem sempre esteve em todas as coberturas realizadas pela rádio é o jornalista esportivo, J. Mateus. Com cinco Copas no bolso, a sexta se aproxima, mas já não traz tanto frio na barriga quanto em outros repórteres. Mas as lembranças de principiante não são facilmente esquecidas: “1990 foi o ano da minha primeira Copa do Mundo. Nós fomos em oito para a Itália, aquela ansiedade, aquela expectativa, aquele trabalho ainda de gente inexperiente e mesmo com isso conseguimos fazer um bom trabalho. 1994, Estados Unidos; 1998, França; 2002, Coréia e Japão e 2006, Alemanha. Cada vez com mais experiência.” Talvez essa seja a última Copa de Mateus, e o jornalista promete cumprir a meta da rádio: fazer a melhor cobertura radiofônica do Brasil.

comunicaçã & esporte PONTO FINAL. 05/2010

Durante muitas Copas o rádio foi a única ou a maior fonte de informações sobre os jogos

Equipe da Copa da Brasil Sul. De pé: Vanderlei, Odair e Guilherme; agachados: Cleber e Ted

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comunicaçã & esporte

Rádio Brasil Sul, a segunda londrinense na Copa Na saída da cidade de Londrina, a rádio Brasil Sul também está de malas prontas para embarcar para a África do Sul. Principiante nas transmissões do campeonato, a emissora já tem um veterano em coberturas o jornalista Alcir Ramos. Porém, Alcir que já trabalhou nas copas de 1990, 1994 e 1998, este ano trabalhará no Brasil e acompanhará daqui o que a equipe enviada fará no país sede. “A equipe que fica em Londrina é uma retaguarda no Brasil. Eu não vou para lá, mas eu fico aqui com um comentarista e um repórter, porque além de receber o material de lá se der alguma falha, eu posso fazer um ‘tubo’* daqui mesmo. Mas eu posso fazer porque a rádio Brasil Sul está com os direitos de transmissão pagos”, afirma Alcir Ramos. Como a rádio Paiquerê, a emissora também está em rede, segundo o jornalista, que afirma ser a maior do Brasil, contando com 80 emissoras de todo o país. “Nós estamos com emissoras de onze estados e elas recebem nosso som através da internet. É aí que entra mais uma vez o nosso trabalho, porque

os enviados mandam para cá o material produzido e nós distribuímos para todas as afiliadas. É um trabalho incrível.” *Tubo: jargão jornalístico que se refere a transmissão feita quando não se está no local do jogo e narra-se a partida acompanhando os lances pela televisão, no caso, a transmissão de outra rede ou com as imagens da própria. Senta que lá vem história “É o evento mais trabalhoso que existe”, além de observar a beleza do espetáculo é assim que quem trabalha diariamente, acabando com as expectativas de milhões de torcedores, classifica a Copa do Mundo: muito trabalho. Deixar de lado o papel de torcedor e informar tudo o que acontece com a seleção não é tarefa fácil. Os jornalistas enviados a África do Sul vão enfrentar 40 dias longe de casa, produzindo material durante 10 horas por dia e disputando exclusividade com emissoras de todo o mundo. Momentos marcantes que ficam na memória das testemunhas da notícia não faltam. Desde derrotas, até títulos com narrações emocionadas e imagens

descritas com perfeição de detalhes. “Eu tive a felicidade de narrar o gol do tetra. Quando o Baggio (jogador da Itália) foi chutar o pênalti e o Taffarel estava no gol e eu falei ‘se ele errar, o Brasil é tetracampeão’. Ele chutou para fora, eu não sabia o que fazer. Isso me arrepia até hoje. Eu estava na Paiquerê e chegando aqui em Londrina a rádio colocou um carro de som na rua com a minha narração tocando repetitivamente, com rojões, faixas. Eu estava chegando e mandaram o avião dar mais duas voltas antes de aterrissar. Foi um reconhecimento que realmente me deixou muito emocionado”, relembra Alcir Ramos, que trabalhou em coberturas de Copas na Rádio Paiquerê AM. E os jornalistas não têm apenas histórias alegres para contar, Alcir ainda se lembra de sua primeira entrada ao vivo na Copa do México, onde dividia as narrações com o repórter Gil Mendes. Na abertura da Copa um acontecimento inesperado impediu sua estréia na abertura do evento: “Eu estava no Estádio Olímpico do México para transmitir a abertura da Copa, mas a nossa linha não foi conectada. Eu queria morrer, eu

Esporte como sonho e realidade

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Em junho a Copa do Mundo de 2010 traz novamente ao brasileiro a competição mais esperada do ano e a cobertura radiofônica de Londrina está pronta para explodir com o grito de ‘é campeão!’

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Julio Barbosa Copa do Mundo. Esse é o sonho de muitos jogadores e aficionados pelo futebol. Mas é o destino de poucos, mesmo grandes craques estão fora da competição, com agradecimentos a parte ao Dunga, também são poucos que conseguem ou têm dinheiro para comprar as entradas dos jogos, além de todos os outros custos de uma viagem à África do Sul. Entretanto, como em todo grande evento sempre há a necessidade de uma grande cobertura, são tevês, rádios, jornais e revistas de todos os cantos tentando passar o máximo de informações àqueles que não tiveram o privilégio de ali estarem. Nessa última categoria está nosso personagem dessa edição, é Carlos Guilherme Caldeira Lima, ou Guilherme Lima, como é mais conhecido pelos ouvintes da rádio Brasil Sul. Guilherme que é estudante do quarto ano de jornalismo na UEL está de partida para a África do Sul, onde participará como comentarista das transmissões da Copa pela rádio. Guilherme sempre teve o costume de ouvir jogos pelo rádio, já trabalha a oito anos nessa área e entrou no “jornalismo por amor ao esporte”, e para ele essa é uma oportunidade única em sua vida e foi sobre isso que falou a nossa revista. Ponto Final: Quando se fala em Copa do Mundo o que lhe vem à cabeça? Guilherme Lima: Festa e título do Brasil. Copa é sinônimo de conquista brasileira. Com grande festa nas ruas. O Brasil pára para acompanhar a Copa. Confraternização entre povos por meio do futebol.

Guilherme Lima durante a cobertura da Copa América em 2007 na Venezuela

PF: Qual a sensação (expectativa) de ir a uma copa do mundo? GL: De responsabilidade das grandes. Tenho 26 anos e será minha primeira Copa. Tenho que me preparar muito para uma cobertura como essa. Ler e estudar tudo sobre o


país sede, as seleções. “Prever imprevistos” e saber planejar cada passo do trabalho. Me sinto um baita privilegiado. É um sonho de criança que se realiza. Deus me abençoou e me deu essa oportunidade de ouro. Tenho que agarrar e mostrar bom serviço. Falar inglês e espanhol também é fundamental para se comunicar lá e me preparei muito para isso. O mais importante é ter humildade, companheirismo e educação com os colegas que vão comigo nesse trabalho. E manter e passar isso ao publico. PF: Qual a função de um profissional de comunicação em um evento como esse? GL: Não só contar os jogos, mas apresentar o país (África do Sul) aos brasileiros. Derrubar mitos, descrever detalhadamente cada item, ter alteridade para com o ouvinte, ser os olhos e os ouvidos de quem lá não está. Passar informações precisas e com credibilidade. Contar a historia e reunir estórias para fazer um trabalho de bom nível para quem ouve, tornar atraente. Comparar o cotidiano dos dois países. PF: Como fica o seu lado torcedor nessa situação? GL: Torcedor é dissociado do cronista. Torcer todo jornalista torce, mas no microfone tem que primar pela verdade. Compromisso mesmo. Se está mal, está mal. Se está bem, está bem. Quero que ganhe o título. Mas a emoção tem que ficar de lado para a razão analisar. Se não vira torcedor de microfone. Aí não pode. PF: Você já cobriu eventos esportivos aqui na região? E qual é a principal diferença entre eles e a Copa do Mundo? GL: Já fiz campeonato paranaense e paulista de futebol, Brasileirão, Libertadores. Já transmiti outros esportes como futsal, handebol, basquete (minha outra paixão além do futebol), automobilismo, entre outros. Cobri os jogos da

suava, foi uma decepção.” “Momento marcante? Quando o Brasil ganha o título!”, J. Mateus resume em apenas uma frase os momentos mais marcantes registrados em seu currículo. Mas mesmo quando a seleção não conquista a vitória, existe a recompensa do trabalho bem feito pela equipe de jornalismo, que se esforça para deixar o torcedor bem informado sobre resultados de jogos e acontecimentos com jogadores. “As copas dos Estados Unidos e da Ásia, que o Brasil ganhou, onde a gente uniu o útil ao agradável. Embora nas outras competições, mesmo com o fracasso da seleção, nós ficávamos até o final cumprindo a nossa obrigação, mas é claro, sem aquela emoção patriótica de ver o Brasil nos jogos decisivos. Com o Brasil bem, tudo realmente fica melhor”, finaliza J. Mateus.

Seleção Brasileira na Copa América de 2007, na Venezuela. Mas Copa do Mundo é diferente. A cada 4 anos, reúne países, nações, não times de futebol. É diferente de tudo. Copa não é paixão clubística, mas sim de um povo. Evento máximo do futebol, mágico. Único. Indescritível e incomparável. PF: Qual será a estrutura da rádio, da qual faz parte, para a cobertura dessa Copa do Mundo? GL: Vamos em 5 profissionais. Dois narradores (Vanderlei Rodrigues e Odair José), eu como comentarista e dois repórteres (Cleber Pontes e Ted Perez). Teremos em cadeia 80 rádios do Brasil de 11 estados. Estaremos com nosso som em todas as regiões do país. Seremos uma das maiores redes de rádio do Brasil e isso é uma honra em nossa primeira Copa. No Brasil são mais de 6 mil rádios, mais de 20 mil profissionais e só 19 emissoras vão para lá. Uma grande responsabilidade. Ficaremos 45 dias lá para apresentar ao mundo a nova África do Sul, além de cobrir a copa. PF: Em sua opinião a cobertura pelo rádio ainda atrai muitos ouvintes? E por quê? GL: Claro. A interatividade que o rádio tem com o ouvinte faz com que ele queira participar, diferente da TV. Reconheço que muita gente vai ver o jogo na TV, mas é possível ver na TV e ouvir no rádio, mesmo porque nosso som é 4, 5 segundos mais rápido. O Rádio você ouve no banho, no carro, no trabalho, em casa, no foninho. Você se informa de maneira mais fácil, sem precisar sentar para assistir. É mais ágil e mais gostoso do que a TV. Para Guilherme o rádio ainda guarda outras vantagens: ser companheiro, popular e mais próximo, fez desse aparelho um hábito entre muitos. “Rádio é um delicioso vício. Uma cachaça saudável”, conclui Guilherme.

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J. Mateus no Centro de imprensa da Copa das Confederações, em Pretoria, Africa do Sul

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moda e comportamento ponto final 05/2010 18

As últimas horas O adeus à ilha, a aposentadoria de Jack Bauer e um pouco sobre o fim Rodrigo Fernando As séries 24 Horas e Lost chegam a sua última temporada esse ano. Os milhões de fãs espalhados pelo mundo se sentirão menos seguros com a aposentadoria de Jack Bauer ou com muitas perguntas sem respostas quando houver um destino final para os habitantes da ilha. As duas séries que são fenômenos de audiência decidiram que está na hora de dizer adeus, mas só para os episódios inéditos, porque os usuários da TV paga ainda verão muitas vezes os episódios. O seriado Friends, por exemplo, está aí para mostrar que uma série não acaba nem quando termina. O que essas séries têm que atraem atenção de tantas pessoas? Alguém que nunca tenha assistido Lost e, de repente, assistisse a um episódio faria um resumo mais ou menos assim: “Tem umas cinquenta pessoas em uma ilha, quando você começa a entender eles viajam no tempo, estão na ilha, não estão, estão vivos, mortos, lutam pra sair, lutam pra voltar”, é uma série complexa cuja diversão é bombardear os telespectadores como perguntas e mistérios que quase nunca são explicados. Já quem fosse apresentado à 24 horas ficaria com a impressão de que tudo se resume em: descobrir um plano terrorista, corre atrás do terrorista, pega o terrorista, tortura

Imagens: divulgação

o terrorista, os amigos do terrorista pegam o mocinho, torturam o mocinho, os amigos do... Chega! Quem pensasse isso estaria com a razão, os vinte e quatro episódios quase sempre se resumem a isso, e mesmo assim prendem a atenção. 24 horas começou a ser exibido nos Estados Unidos em 2001, logo após os atentados terroristas de 11 de setembro. Por conta dessa coincidência muitos acreditavam que a série iria naufragar. Os norteamericanos, diziam alguns críticos, não queriam ver um seriado sobre ataques ao seu país naquele momento. Os que pensavam assim estavam errados, os telespectadores não se importavam em se verem como alvos, desde que um

mocinho - muitas vezes nem tão mocinho assim – como é o caso de Jack Bauer (Kiefer Sutherland) sempre os salvassem. Bauer, um agente da CTU (Counter Terrorist Unit, ou Unidade Contra-Terrorista) “não é romantizado, nem um galã com várias mulheres e uma vida glamourosa”, afirma João Augusto, fã da série, que está certo. Jack foge ao padrão de protagonistas, é solitário e seus poucos amigos são ligados ao trabalho. Sua família se resume a uma filha, que raramente tem contato, uma relação que só volta a estreitar no final da 7º temporada. Apesar disso, Jack não é um subversivo, raramente descumpre as ordens dadas por seus superiores e está sempre


moda e comportamento quando explicados, não tenham o encantamento que se espera. Exibida desde 2004 a história dos 48 passageiros que sobreviveram à queda de um avião em uma ilha tropical conquistou fãs no mundo todo, que agora aguardam ansiosos seu desfecho. Os criadores, Jeffrey Lieber, J. J. Abrams e Damon Lindelof, não confirmam se todos os segredos serão esclarecidos, pelo contrário, fazem questão de não esclarecer se os dois últimos episódios revelarão toda a verdade ou se alguma teoria, das milhares levantadas ao longo de sua exibição estavam corretas. Entre as hipóteses levantadas por fanáticos por Lost estão, que todos eram cobaias de um experimento científi-

co, ou que estavam todos mortos e a ilha era o purgatório onde seria definido quem iria para o céu ou inferno e ainda, era tudo uma alucinação, essa talvez mais plausível. Talvez uma alucinação de seus criadores que, envolvendo tantos elementos distintos conseguiram prender a atenção de milhões de pessoas ao redor do mundo durante todas as temporadas. E mais, provocaram inúmeras discussões e, claro, matérias em revistas. 24 horas e Lost terminam sem deixar substitutas, a primeira pela falta de boas séries do gênero, e a segunda porque é uma série com uma história inovadora, não existia nada parecido antes e, ao que parece, não terá uma sucessora.

ponto final 05/2010

pronto para defender os EUA, não importa quantas pessoas terá que torturar ou matar para seu objetivo ser alcançado. A série não foge a regra do “bem” sempre vencer o “mal”, o protagonista sempre supera os inimigos, mas isso não faz dele um protagonista feliz. Bauer raramente demonstrou emoções e, durante todos os episódios da série só sorriu duas vezes e quase chorou, quase. Jack é assim, meio máquina, o soldado perfeito. “Estou com medo de ficar frustrado” é o que diz Guilherme Popolin, fã de Lost, sobre o fim do seriado. A série faz os fãs temerem mesmo que todos os mistérios levantados ao longo das seis temporadas não sejam solucionados, ou,

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ão”

Obra: Estádio “pneuz

Valor: R$ 2.589.465,79 Valor: R$ 6.985.146,35 Valor: R$ 18.186.987,63 Valor: R$ 26.751.697,04

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Data de entrega: 15/02/13 Data de entrega: 01/03/14 Data de entrega: 01/10/14

Ponto Final 04  

The very 4º edition of Ponto Final

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