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Janeiro de 2012 • Edição nº1

O Jornal da Costa Sul de São Sebastião

Cadê o hospital?

Terreno escolhido para a construção do hospital em Boiçucanga

Obra ainda não saiu do papel e moradores cobram cumprimento da principal promessa de campanha.

Págs. 8 e 9

Eles vem aí 2012 é ano eleitoral e a Gazeta da Costa apresenta os pré-candidatos a prefeito de São Sebastião. Fotos: Helton Romano

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De graça, não! Projeto ampliava gratuidade no transporte coletivo a idosos, mas vereadores aliados ao prefeito rejeitam.

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Zeis: um ano depois,

o que mudou? Doze núcleos completaram um ano desde que foram transformados em Zona de Especial Interesse Social (Zeis). Desta forma, acreditava-se que, enfim, os serviços essenciais chegariam a estas áreas. Ledo engano. A Gazeta da Costa visitou duas das primeiras Zeis implantadas no município e constatou o que já se desconfiava: nada mudou.

Os moradores da Vila Barreira, no bairro de Cambury, e da Vila dos Mineiros, em Barra do Una, continuam convivendo com esgoto correndo a céu aberto, alagamentos, ligações de água e de telefone improvisadas, e falta de manutenção nas ruas. Pág. 3

Menino caminha ao lado de vala de esgoto na Vila Barreira

O elefante branco de São Sebastião

Fiscalização nas praias

Shows de verão: só no Centro

Conheça a história da obra inacabada que chegou a ser inaugurada e que, hoje, está sob ameaça de demolição. Estado financiou e agora exige devolução do dinheiro.

Prefeitura tenta evitar o ‘loteamento’ das praias no uso de cadeiras e guardassóis. Quem desrespeitar norma, poderá ter equipamento apreendido.

Mais de 20 shows agitam a Rua da Praia durante a temporada, mas programação ignora a Costa Sul, principal foco turístico. Moradores reclamam.

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Porta-voz da comunidade

O

s mais jovens, ou aqueles que chegaram recentemente à Costa Sul, não fazem ideia das transformações ocorridas na região nas últimas décadas. A construção da rodovia Rio-Santos, no final dos anos 80, representou um marco para o desenvolvimento econômico local. A Costa Sul, antes somente habitada por famílias caiçaras, foi sendo descoberta por imigrantes vindos de diversas partes do país. Pessoas que trouxeram na bagagem a esperança de uma vida melhor no litoral norte paulista. Hoje, estima-se que mais de 30 mil pessoas vivam entre os bairros de Boracéia a Toque Toque Pequeno. A região cresceu. Desordenada, é verdade. Não houve planejamento para impedir construções em áreas irregulares, nem ao menos oferecer as condições ideais aos imigrantes que aqui se estabeleceram. Mas a questão habitacional é apenas mais um dos muitos problemas que afligem a Costa Sul. Se em pouco tempo a região ampliou sua rede hoteleira, ganhou agências bancárias e re-

des de supermercados, o mesmo não se pode dizer de serviços essenciais. Bairros como Cambury, por exemplo, não tem sequer água encanada. O saneamento básico evolui a passos de tartaruga em boa parte da região que não possui rede de esgoto. Na área da Saúde, sobram reclamações e faltam medicamentos nos postos da Prefeitura. A Gazeta da Costa nasce com o objetivo de servir como porta-voz das necessidades da região, defendendo direitos e cobrando a responsabilidade das autoridades competentes. Além disso, busca destacar os motivos de orgulho para os moradores divulgando boas iniciativas, histórias interessantes e curiosidades. Com uma linguagem simples e abordando assuntos populares, a Gazeta da Costa pretende informar, orientar e entreter, acima de tudo, com ética e respeito ao leitor. Helton Romano jornalista e editor responsável da Gazeta da Costa

Memória Caiçara

Concha acústica A Rádio Comunitária Costa Sul FM vem transmitindo uma mensagem em que os músicos da nossa região pedem que seja construída uma concha acústica na obra de urbanização da Praça Por do Sol. Está aí uma excelente proposta. Melhor ainda seria se a Prefeitura expusesse o projeto que pretende implantar naquela localidade e deixasse de lado a ideia de construir um centro de convenções na orla da praia. Há tantos outros lugares para isso. O que a orla de Boiçucanga precisa é de paisagismo, espaços para circulação, convívio e contemplação do cenário, especialmente o mar e o por do sol. Na audiência do Plano Diretor, realizada em 21 de dezembro de 2011, em Boiçucanga, encaminhei uma proposta de desapropriação da orla e de um plebiscito para que a população manifeste sua opinião. Eu acredito que valha a pena lutar por isso e o momento é oportuno. Vitório Papini - Boiçucanga Esse é o espaço para você publicar sua opinião, crítica ou sugestão. Envie sua mensagem para a próxima edição: gazetadacosta@bol.com.br

Agenda Janeiro 6 a 22

- Festa do Padroeiro (Igreja Matriz)

11, 18 e 24 -

Oficina de Dança Circulante (Praça Por do Sol - 19h)

13 -

Término da inscrição para concorrer a bolsa de estudos

14 - Música na Praça Por do Sol (18h às 22h) 21 e 22 - Conexão Verão na praia de Juquehy

Datas Comemorativas Corredores perfilados para a largada da extinta São Risal, nos anos 70. Da esquerda para a direita: Maneco, Filhoca, Agenor, Mata La Bicha, Chineco e Nenê Ferro. A prova animava o bairro de Boiçucanga, sempre no último dia do ano, e foi realizada até 2004. (foto cedida por Lavínia Matos)

O Jornal Gazeta da Costa é uma publicação mensal de distribuição gratuita e abrangência em toda a Costa Sul de São Sebastião. Diretor geral: João Paulo Carrilho Jornalista responsável: Helton Romano - MTB 48.099 E-mail: gazetadacosta@bol.com.br CNPJ: 14.460.181/0001-43

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8 - Dia do Fotógrafo 9 - Dia do Fico 20 - Dia de São Sebastião (padroeiro da cidade) 24 - Dia do Aposentado 25 - Dia do Carteiro 29 - Dia do Jornalista 30 - Dia do Portuário Gazeta da Costa


Fotos: Helton Romano

Hora de agir Cadastros, reuniões, leis e promessas. Depois de todo o processo realizado para transformar os núcleos congelados em Zeis, moradores querem, agora, acesso aos serviços básicos. Em novembro de 2010, o prefeito Ernane Primazzi transformou 12 núcleos congelados em Zona de Especial Interesse Social (Zeis). A promessa era de que, com a implantação das Zeis, o Poder Público pudesse levar serviços essenciais a estas áreas. Um ano depois, pouca coisa (ou nada) mudou. A Gazeta da Costa visitou a Vila Barreira (Cambury) e a Vila dos Mineiros (Barra do Una) e constatou as condições precárias em que vivem os moradores. Em ambos os lugares, falta saneamento básico e ocorrem alagamentos. Na Barreira, todas as casas da Rua Ouro Verde jogam esgoto em um terreno baldio. O odor é insuportável. Na Rua Boa Esperança, moradores contam que, em 2009, a Prefeitura abriu uma vala e colocou tubos, mas não concluiu o serviço, deixando um trecho com esgoto correndo a céu aberto.

Lixo, entulho e água parada formam ambiente propício para criadouro de dengue na Vila Barreira

Mas são em dias de forte chuva que os moradores da Barreira mais sofrem. “A rua vira um rio”, conta a recepcionista Claudete Neri, 24 anos. Na porta de algumas residências, muretas foram improvisadas para tentar conter o avanço da água.

Crianças brincam na Vila dos Mineiros, localizada em Barra do Una

Para a ajudante de serviços gerais, Florípedes Melo de Jesus, conhecida como Dona Pretinha, a Zeis não trouxe neDona Pretinha: Zeis não mudou nada nhum benefício até o momento. “Agora, estão prometendo calçar as ruas. Vão querer mostrar serviço na última hora, antes da eleição”, opina Pretinha, uma das vítimas dos freqüentes alagamentos. “A água invade minha casa e já tive muitos prejuízos por causa de móveis que acabaram estragando”, lamenta.

As únicas alterações que tiveram na Barreira, no período de um ano, foram nos nomes das ruas, antes chamadas de Um, Dois e Três. Mesmo assim, nem as placas, com as novas denominações, ainda foram instaladas. Neste mês, a Prefeitura iniciou serviços de drenagem e manutenção na via de acesso à Barreira. Na Vila dos Mineiros, a situação é semelhante. A água que chega às casas vem de uma propriedade particular do outro lado da pista, sem qualquer tipo de tratamento. “As benfeitorias que têm aqui foram os próprios moradores que se juntaram e fizeram”, declara a faxineira Maria dos Santos Ferreira, 56 anos. É o que afirma também Genovaldo Alves da Silva, 33 anos, que trabalha com manutenção de condomínio. “A rua era uma buraqueira só. Então, resolvemos jogar resto de concreto de uma obra para improvisar a pavimentação”, conta Silva. Segundo ele, a Prefeitura entra na Vila dos Mineiros apenas para fiscalizar construções.

Tempo perdido A criação de Zeis foi apresentada como solução para regularizar os núcleos congelados. A proposta gerou muita polêmica quando o ex-prefeito Juan Garcia iniciou o processo, em 2006. Na época, acusava-se Juan de tentar promover a verticalização na cidade, permitindo a construção de prédios. O tempo passou e, ao final do mandato do ex-prefeito, 15 Zeis haviam sido decretadas. Dentre elas estavam a Vila Barreira e a Vila dos Mineiros, abordadas nesta reportagem. Mas o que Juan chamava de “a maior obra social” de seu governo foi considerada ilegal

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pela Justiça. A lei que criou as Zeis foi anulada e todo o processo de regularização fundiária voltou à estaca zero. A Administração anterior gastou mais de R$ 1 milhão no cadastro das Zeis, pagos à empresa Avalon, que executou o serviço. Porém, a atual gestão afirma não ter encontrado o material e precisou fazer um novo levantamento. Somente no final de 2010 o prefeito Ernane Primazzi sancionou as primeiras Zeis de seu governo. Até agora, já são 24, e outras 28 ainda devem ser criadas. Estima-se que mais de 20 mil pessoas vivam nestas áreas.

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Eleições 2012

Ernane

Luizinho

Artur

Puga

Dia 7 de outubro de 2012 os eleitores de todo o país vão às urnas para escolher prefeito e vereadores dos próximos quatro anos. Em São Sebastião, a disputa pelo poder promete ser acirrada. Nove nomes já lançaram pré-candidatura. Vale esclarecer que a Justiça Eleitoral proíbe que se use o termo “candidato” antes das convenções partidárias marcadas para junho. Portanto, qualquer pessoa que manifeste a intenção de concorrer à eleição, deve ser tratado como “pré-candidato”. É sabido também que dificilmente os nove postulantes de hoje seguirão na disputa até o fim. A tendência é que alguns deles, talvez a maioria, se juntem mais à frente na esperança de que a união de forças possa os levar à vitória. Conheça os pré-candidatos que vão pedir o seu voto. Ernane Primazzi: 54 anos, comerciante formado em Administração de Empresas. É o atual prefeito e aposta no uso da máquina para alcançar uma inédita reeleição. Para isto, terá que acelerar obras atrasadas, especialmente promessas de campanha que ainda não foram concretizadas. Pré-candidato do Partido Social Cristão (PSC). Juan Garcia: 54 anos, médico e advogado. O ex-prefeito pretende retomar o cargo acreditando na decepção popular com o atual governo. Mas Juan ainda corre o risco de ter as contas

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PH

Juan

Traud

Amorim

rejeitadas na Câmara, situação que dificultaria o registro da candidatura. Filiado ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Paulo Henrique “PH”: 34 anos, advogado e servidor público. Exerce o mandato de vereador e quer conquistar os eleitores que desejam uma renovação na política sebastianense. Tem bom poder de articulação, mas precisa driblar a desconfiança daqueles que não acreditam na solidez de sua pré-candidatura. PH é presidente do Diretório Municipal do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Artur Balut: 42 anos, comerciante . Vereador e atual presidente da Câmara. Se lança na disputa para fortalecer o nome e ganhar projeção no cenário político. Sua ligação com a classe empresarial, aliado ao poder econômico, pode garantir fôlego para a campanha. Tem conseguido cortar gastos na Câmara, mas ainda lhe falta maior popularidade. Pré-candidato do Partido da República (PR). Luizinho: 56 anos, contabilista e ex-prefeito. Governou a cidade entre 1993 e 1996 deixando obras relevantes. Possui amplo conhecimento sobre as finanças municipais, especialmente em relação aos royalties de petróleo. Precisa voltar à mídia para emplacar a campanha. Pré-candidato do Partido Comunista do Brasil (PC do B).

Felipe Augusto

Felipe Augusto: 35 anos, pós-graduando em Direito Administrativo. Vem motivado pela expressiva votação obtida nas eleições 2010 quando foi candidato a deputado estadual. Tenta usar a força do partido no Estado para atrair recursos para a campanha. Précandidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Traud Rennert: 52 anos, bacharel em Direito. Comandou a Secretaria de Meio Ambiente na atual gestão até ser exonerada pelo prefeito. Quer se colocar como a opção feminina na disputa e conta com o bom relacionamento junto ao empresariado e políticos do Estado. Filiada ao Partido Trabalhista Nacional (PTN). João Amorim: 60 anos, trabalha como entregador de mercadorias. Foi candidato a prefeito em 2008 quando obteve 657 votos numa campanha de poucos recursos. Aposta no carisma e na simplicidade para cativar o eleitorado. Pré-candidato do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Fernando Puga: 38 anos, engenheiro agrônomo. Na esteira da aprovação popular ao governo Lula, o PT tenta se fortalecer em São Sebastião. Puga aparece como uma opção de renovação, mas é desconhecido para grande parcela da população, especialmente na Costa Sul. Membro do Partido dos Trabalhadores (PT).

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Vereadores votam contra extensão do passe livre a idosos de 60 anos Os vereadores aprovaram o parecer da Comissão de Justiça que considerou ilegal a tentativa de estender a gratuidade no transporte coletivo a idosos acima de 60 anos. Segundo o parecer, o projeto do vereador Paulo Henrique, o PH, gera custos à Prefeitura e, por conta disso, não poderia ter origem na Câmara. PH, que também é membro da comissão, discordou do parecer, mas foi voto vencido pelos outros dois integrantes que optaram pela rejeição ao projeto: José Reis e Maurício Silva. Segundo PH, esse tipo de restrição não cabe a emendas à Lei Orgânica, como no caso em questão. “Aprovamos a ampliação da licença maternidade, que também gera custos, mas por se tratar de emenda à Lei Orgânica, pode ser apresentada por um vereador”, lembra PH. O argumento, porém, não convenceu os

colegas. Também votaram pelo arquivamento do projeto os vereadores Coringa, Dalton, Ernaninho, Marcos Jorge e Marcos Tenório. “Perdemos a chance de facilitar o acesso ao serviço de transporte público para pessoas que tanto contribuíram com a nossa cidade”, comenta PH. “Agradeço às entidades que enviaram ofícios apoiando a iniciativa, como o Conselho Municipal do Idoso e a Faculdade da Terceira Idade (Faculti). Lamento pelos vereadores que não se sensibilizaram com a causa”, acrescenta. O Estatuto do Idoso já garante o benefício após os 65 anos. Mas no caso das pessoas compreendidas na faixa etária entre 60 e 64 anos, fica a critério da legislação municipal. Se a medida proposta por PH fosse aprovada, 2.038 idosos passariam a ter direito

Câmara devolve mais de R$ 2 milhões à Prefeitura

Vereadores reunidos durante sessão na Câmara

O presidente da Câmara, Artur Balut, apresentou um balanço administrativo do Legislativo no final do ano. Ele destacou uma economia de mais de R$ 2 milhões em 2011. Todo esse dinheiro retornou para a Prefeitura. Durante a prestação de contas, Artur fez uma exposição detalhada do funcionamento de cada um dos departamentos da Câmara. O presidente ressaltou também que as informações estão disponíveis para consulta no Portal da Transparência do Legislativo, que pode ser acessado no site www.camarasaosebastiao.com.br.

Fotos: Helton Romano

cionários; antecipamos o pagamento do 13º salário; assinamos um projeto de resolução com uma mini reforma administrativa que corrigiu distorções salariais; colocamos em dia férias de todos os funcionários; dentre outros benefícios”, afirmou.

Gratuidade nos ônibus continua valendo somente após os 65 anos de idade

à gratuidade nas linhas de ônibus do município. Esse é o número de habitantes com idades entre 60 e 64 anos, segundo apurou o Censo 2010.

Lei do silêncio O vereador Amilton Pacheco quer por um fim ao som alto dentro dos ônibus. Ele apresentou um projeto de lei que proíbe a utilização de qualquer aparelho sonoro no modo “alto falante” como, por exemplo, celulares, rádio, MP3 e MP4. Somente seria permitido o uso pessoal de fone de ouvido e, ainda assim, com volume moderado. Se aprovado, a Ecobus deverá afixar cartazes em todos os seus veículos avisando da proibição. Quem não obedecer, poderá ser expulso do ônibus e, caso se recuse, caberá ao motorista chamar a polícia. “Sou totalmente a favor da proibição. É necessário respeitar o próximo”, opina o professor Argemiro de Sousa. Os vereadores devem votar o projeto quando retornarem das férias, em fevereiro.

Mesmo economizando dinheiro, Artur garantiu que foi possível valorizar o servidor público do Legislativo. “Concedemos planos de saúde e odontológico para todos os fun-

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Helton Romano

Fiscalização nas praias

nais de semana em locais com maior concentração de banhistas, como Juquehy, Baleia, Cambury e Maresias. Em 2011, foram realizadas 309 autuações e 43 apreensões de equipamentos.

Para o autônomo Ronaldo Dantas Geraldo, Cadeiras e guarda-sóis de condomínio na praia da Baleia 50 anos, a fiscalização é válida. “Muitos ocupam o espaço A Prefeitura intensificou a fiscalização para e impedem que outras pessoas fiquem onde impedir ocupação irregular das praias com a desejam, sendo obrigados a ir para locais disutilização de mesas, cadeiras, guarda-sóis e tantes ou até outra praia”, opina Geraldo, dono tendas. O objetivo é coibir o “loteamento” das de um imóvel na praia da Baleia. “É como pripraias por condomínios, hoteis, bares e amorizar a vaga de um estacionamento colocando bulantes. Quando flagrada a irregularidade, um cone para garantir seu espaço”, compara. os responsáveis são autuados e orientados de como deve ocorrer a ocupação. É o que pensa também o paulistano Tito Livio Betanzos, 37 anos, frequentador da praia “Se o comerciante persistir com o loteamende Juquehy. “Um espaço ficar com cadeiras to, temos que agir com multa e apreensão”, advazias enquanto outras pessoas não têm onde verte o secretário de Meio Ambiente, Eduardo ficar é, no mínimo, injusto e falta de bom senHipólito do Rego. so”, comenta. As denúncias podem ser feitas A operação ocorre, principalmente, aos fipelo telefone 0800-7700-776.

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Desconto no IPTU Proprietários e possuidores de imóveis no Cadastro Imobiliário Municipal devem ficar atentos às datas de pagamento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), incluindo a Taxa de Coleta de Lixo, referentes a 2012. Os carnês foram enviados no começo de dezembro pela Prefeitura. Quem optar pelo pagamento em cota única teve 10% de desconto até o dia 10 janeiro, e 5% se quitar antes do dia 10 de fevereiro. Já pelo pagamento parcelado, a dívida poderá ser paga em até 12 parcelas com vencimento até o dia 10 de todo mês. Se pagarem dentro da data prevista, os proprietários recebem 2% de abatimento. Contribuintes que não acusarem o recebimento de seus carnês poderão emitir uma segunda via por via eletrônica ou, ainda, solicitá-los pessoalmente junto à Divisão de Cadastro Fiscal. O proprietário deverá informar o número de registro sem o dígito de controle, obtido do respectivo campo constante dos carnês de IPTU emitidos a partir de 2006. A Secretaria da Fazenda está localizada no Paço Municipal, no Centro. Em toda a cidade, Juquehy é o bairro com maior arrecadação de IPTU.

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Shows de verão: Costa Sul ignorada mais uma vez A banda NX Zero abriu a temporada dos shows de verão em São Sebastião. Até o dia 12 de fevereiro outras 24 atrações musicais se apresentam no palco montado na Rua da Praia, no Centro.

Luciano Vieira/PMSS

Banda NX Zero se apresenta no palco montado na Rua da Praia

Para o prefeito, a programação está bem diversificada e muito atrativa. “Teremos shows de diversos estilos musicais e sem custo para o público”, disse Ernane Primazzi. Mas a Prefeitura não agendou nenhum show para a Costa Sul, justamente onde está a maior concentração de turistas que visitam a cidade durante a temporada. A notícia gera protestos entre os moradores da região. “Como sempre, uma palhaçada. Eles só valorizam a Costa Norte. Daqui, eles

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nunca lembram, só no dia de pedir o voto”, reclama Abrão Teixeira, 33 anos. Falta de espaço não serve como desculpa para o taxista José Carlos Maltez, 52 anos. Ele sugere o terreno onde a Prefeitura realiza o Carnaval, em Boiçucanga. “Os shows são atrativos turísticos e ajudam os comerciantes locais que pagam altos impostos”, observa Maltez. “A Costa Sul é discriminada. Entra prefeito, sai prefeito e a história não muda”, completa o taxista.

Confira a lista de shows da Rua da Praia 07/01 CW7 08/01 João Bosco e Vinicius 12/01 Romeu e Rogério 13/01 Chimarruts 14/01 Patati Patatá e Banda Mel 15/01 Fernando e Sorocaba 20/01 Rosa de Saron 21/01 Restart 22/01 Léo Magalhães 26/01 Batalha de Hip Hop 27/01 Roger e Rogério 28/01 CPM 22 29/01 Fiuk 03/02 Latino 04/02 Babado Novo 05/02 Natiruts 09/02 Banda Express 10/02 Kid Abelha 11/02 Só pra Contrariar 12/02 Capital Inicial Obs: Todos os shows tem início às 23h, exceto o dos palhaços “Patati Patatá”, que começa às 19h.

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Hospital da Costa Sul:

empurrando com a barriga Um hospital moderno, equipado com 65 leitos, 10 consultórios, maternidade, UTI neonatal e estacionamento no subsolo. Esse é o hospital da Costa Sul, que por enquanto só pode ser visto no painel que a Prefeitura fixou no terreno escolhido para a construção. A obra foi a principal promessa na campanha eleitoral do prefeito Ernane Primazzi. Mas passados três anos de governo, apenas uma pedra foi colocada no local. Algumas máquinas e caminhões até andaram trabalhando no terreno. Mas o único serviço realizado foi para retirada de terra. E muita terra. Ao longo dos três anos, o início da obra foi sendo adiado sucessivamente. Em abril de 2009, o prefeito reuniu secretários e imprensa em seu gabinete para celebrar a assinatura do decreto de desapropriação do terreno. No site oficial, a Prefeitura divulgou que a obra deveria ser iniciada entre agosto e setembro daquele ano. Porém, para conquistar a posse do terreno, a Prefeitura teve que esperar a decisão da Justiça. Isto porque, não houve acordo com o proprietário quanto aos valores que deveriam ser pagos. Em julho de 2010, finalmente a Prefeitura obteve a posse do imóvel. “Agora vai”, pensaram os mais otimistas. Quatro meses depois, Ernane disse que, até o final de 2010, todos os projetos para a construção do hospital estariam finalizados. O novo prazo

Acompanhe a cronologia dos fatos e de prazos não cumpridos

para início da obra seria no primeiro trimestre de 2011. Em entrevista ao jornal Imprensa Livre, publicada no dia 27 de dezembro de 2010, o prefeito culpou a oposição pelo atraso. “Só não iniciou ainda devido a alguns percalços políticos no caminho, embora o pessoal da oposição não assuma”, declarou Ernane, na época. Na mesma entrevista, ele garantiu que o hospital seria concluído até o fim do mandato. “Devo entregar a obra no último ano de governo”, afirmou. Surge então uma nova polêmica. Ernane queria instalar um heliponto no hospital, mas seria necessário mudar a lei que limita as construções Máquinas da Prefeitura retiram terra da área escolhida em até nove metros de altura. Após manifestações contrárias, o prefeito recuou Entretanto, após denúncias de irregularie desistiu do heliponto. dades, o edital teve que ser cancelado. Ainda assim, os vereadores tiveram que aprovar uma alteração na lei para permitir que o terreno pudesse abrigar um hospital. Isso ocorreu em março de 2011. “Agora vai”, pensaram novamente os otimistas. Mas o edital de licitação só foi lançado no final de julho. Dias depois, em mais uma das tentativas de fixar um prazo, Ernane disse, em entrevista à Rádio Costa Sul FM, que a obra começaria até o fim de setembro. 16 de julho de 2010

Finalmente, em dezembro é anunciada a empresa CDG Construtora como vencedora da licitação. Às vésperas do Natal, o prefeito promove uma cerimônia para lançamento da pedra fundamental e assina ordem para início imediato dos serviços. Até o fechamento desta edição (09/01), a construção, de fato, ainda não havia começado e a obra sequer tinha o aval da Cetesb (órgão ambiental do Estado). início do próximo ano”.

Prefeitura obtém posse do terreno. Novembro de 2010

Julho a outubro de 2008

2 de agosto de 2010

Durante campanha eleitoral, Ernane promete construir hospital na Costa Sul, caso seja eleito.

Prefeitura faz limpeza do terreno e anuncia estudo do solo (que só veio a ser realizado no início de novembro).

Juiz fixa valor do terreno em R$ 2,4 milhões. Prefeito declara que construção teria início no primeiro trimestre de 2011. 27 de dezembro de 2010

2 de abril de 2009 Prefeito assina decreto de desapropriação do terreno escolhido para abrigar o hospital. 12 de junho de 2009 Ernane lança pacote de obras e anuncia que até agosto de 2009 todas teriam início, inclusive o hospital.

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Ernane diz que abrirá licitação para a construção do hospital em outubro e espera iniciar a obra entre o final do ano e início de 2011.

Ernane amplia prazo e afirma que obra começa no primeiro semestre de 2011. “Devo entregar a obra no último ano de governo”, declarou em entrevista ao Imprensa Livre.

27 de setembro de 2010

28 de janeiro de 2011

21 de setembro de 2010

Em inauguração na praia da Cigarras, Ernane declara: “Apesar da turma do contra, o hospital da Costa Sul começa a ser construído no

Ernane desiste de construir heliponto no hospital para não precisar alterar lei que limita altura das construções.

Gazeta da Costa


Fotos: Helton Romano

A pedra. Fundamental? A pedra (que nem é tão fundamental assim) foi lançada no último dia 22 de dezembro. Para a cerimônia foram disponibilizados um micro-ônibus, uma van e uma kombi para levar funcionários comissionados da Prefeitura que moram na região central, garantindo assim um bom público para aplaudir o discurso do prefeito.

Depois, Ernane pegou uma pá e enterrou uma cápsula atrás da pedra. Dentro da cápsula foram colocados alguns objetos: jornal do dia, maquete digital, fotos do local, entre outros.

Antes, o padre Marcelo Thurmann puxou uma oração para abençoar a obra e, quem sabe, fazê-la desencantar de vez. Em seu discurso, o prefeito voltou a culpar a oposição pelo atraso da obra, chamou os críticos de urubus e fez novas promessas. Ernane declarou que em fevereiro começa a pavimentação da Maquininha e que, depois do Carnaval, a orla de Boiçucanga será reurbanizada.

R$ 14 milhões é o valor orçado para a construção do hospital

R$ 2,4 milhões foram pagos na desapropriação do terreno

O prefeito ainda disse que já foi cumprido 80% do plano de governo e mandou mais um recado aos opositores: “Quem não tem o que fazer, fica em casa vendo novela”.

A Gazeta da Costa foi às ruas ouvir a opinião das pessoas a respeito da novela em que se transformou a construção do hospital em Boiçucanga. A maioria acredita que ainda restam muitos capítulos e há quem duvide de um final feliz. Leia ao lado alguns depoimentos: 26 de agosto de 2011

Durante entrega de obra na escola do Sertão de Cambury, Ernane confirma início do hospital para o primeiro semestre.

Em entrevista ao Imprensa Livre, prefeito admite erros em edital e se vê obrigado a cancelá-lo.

31 de março de 2011

Dezembro de 2011

Julho de 2011 Lançado edital de concorrência para a obra. 4 de agosto de 2011 Ernane participa de programa da Rádio Costa Sul FM e diz que até o final de setembro começa a obra.

Gazeta da Costa

Por fim, embalado por um foguetório, o prefeito tirou o pano que cobria a placa comemorativa de lançamento da pedra fundamental, posando para as fotos ao lado da primeiradama, vereadores e secretários.

Moradores criticam novela

24 de março de 2011

Câmara aprova projeto que permite construção de hospital na área escolhida.

Prefeito festeja lançamento da pedra fundamental

Anunciada empresa vencedora da licitação; prefeito promove cerimônia para lançamento da pedra fundamental.

Sem privilégios O prefeito também prometeu um novo hospital para a região central, no bairro Pontal da Cruz. Em maio de 2010, Ernane se reuniu com moradores do bairro do Jaraguá e declarou: “Começaremos o hospital do Pontal ainda este ano”. Como se vê, atrasar a construção de um hospital não é “privilégio” da Costa Sul.

Eles enrolaram para fazer surpresa no ano da eleição. O municipio sempre teve a necessidade de um hospital na Costa Sul e, se eles estivessem realmente preocupados com a população, já teriam construído. Gabriela Cassauara, 22 anos, comerciante, Cambury

“ “

Se o atual prefeito não continuar, esse hospital nunca ficará pronto. O povo quer ver esse hospital de pé, por isso acho que vão votar nele. Stephanie Santos, 22 anos, vendedora, Juquehy

Foi prometido para o primeiro ano do mandato. Agora, vão fazer às pressas para tentar tirar proveito nas urnas. Essa correria pode causar prejuízos ao município Edmo Gusmão, 39 anos, administrador, Boiçucanga

Para que enganar o povo? Estamos assistindo a mais um episódio da Prefeitura com a promessa da construção do hospital em Boiçucanga. O prefeito deveria priorizar tal evento uma vez que se elegera em cima dessa promessa. O povo vai cobrar na urna. José Eduardo Souza, 43 anos, marinheiro, Boiçucanga

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Quem paga a conta?

Helton Romano

O que era para ser um centro de convenções, virou o elefante branco de São Sebastião. Obra inacabada, na região central, simboliza o descaso com o dinheiro público e será demolida.

Em 2005, teve início a construção de um centro de convenções na Praia Grande, também chamada de Balneário dos Trabalhadores, localizada na região central da cidade. Conforme divulgou a Prefeitura na época, o prédio teria um auditório com capacidade para mais de 400 pessoas, além de bares, restaurante, hall de exposições, quatro salas de reuniões e estacionamento. Seis anos se passaram e o que se vê na área é um enorme elefante branco, cujo prejuízo aos cofres públicos deve ultrapassar R$ 3 milhões. Parte dessa verba veio do Governo do Estado, que agora exige a devolução do dinheiro. Desde o início, a obra sofreu diversos embargos judiciais. Primeiro, devido a sua altura, que estaria acima da permitida por lei. Depois, foram apontadas irregularidades no contrato com a construtora Latina.

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Mesmo assim, a obra seguiu e chegou a ser inaugurada em dezembro de 2008, na véspera do ex-prefeito Juan Garcia deixar o poder. “É uma obra emblemática. Vou entregar independente de estar mobiliado, mas espero que, da parte estrutural, esteja quase toda acabada. Não acharia justo eu não entregar essa obra, pois me esforcei muito para levar adiante”, declarou Juan, dias antes da inauguração. O ex-prefeito ainda lançou um desafio ao atual governo. “Vão se servir muito dessa obra ou, então, estão desafiados a demolir. Se está irregular, que faça a demolição. Duvido que alguém diga que é irregular”, afirmou, na época. Ao tomar posse, o prefeito Ernane Primazzi incluiu a recuperação do centro de convenções em um pacote de obras. Mas no final do ano passado, ele anunciou a intenção de demolir o prédio.

Segundo o prefeito, ficou constatado que a obra estaria condenada ao desabamento. “Se no passado a rachadura do prédio era de 18 centímetros, atualmente está com 30 centímetros. E a tendência, de acordo com o laudo, é de aumentar mais rápido este espaçamento”, revelou. Durante evento em Boiçucanga, Ernane voltou a falar sobre o assunto e rasgou o verbo. “São Sebastião vai ter que devolver R$ 3 milhões e derrubar o elefante branco. Ele (Juan) tem que justificar a cagada que fez”, disparou. Brigas políticas à parte, quem paga a conta, no final, é sempre a população.

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1. Placas registram data de inauguração e autoridades que “realizaram” a obra 2. Escadaria e estrutura metálica onde seria instalado um elevador 3. Seis modernos aparelhos de ar-condicionado estão sem utilidade no prédio 4. Equipamentos de refrigeração pendurados na sala de auditório 5. Bar que estava em construção

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Fotos: Helton Romano

Conheça o interior do elefante branco

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Abertas as inscrições para transporte estudantil Os interessados têm até o dia 19 deste mês para realizar as inscrições na sede da Secretaria de Educação. Já na Costa Sul, o atendimento será feito na Regional Boiçucanga. Os estudantes que forem atualizar o cadastro devem procurar um dos postos munidos de carteirinha para atualização e declaração de matrícula da instituição de ensino. Já os candidatos para o cadastro inicial, devem residir em São Sebastião há mais de cinco anos (dispensados deste prazo os policiais civis e militares e os servidores públicos estaduais e federais transferidos para o município). É preciso estar regularmente matriculado em curso de formação profissionalizante em nível médio ou de graduação em nível superior, em estabelecimentos de ensino localizados fora da cidade, devidamente autorizados pelo Minis-

tério da Educação, cujo curso não seja oferecido no município ou com vaga indisponível para o ano letivo. Os documentos exigidos são: cópia autenticada do comprovante de matrícula do curso; cópia do RG e CPF/MF do estudante; cópia do comprovante de domicílio e residência do estudante; declaração de próprio punho (ou do pai ou responsável, caso seja menor de idade) atestando o domicílio do estudante no município e se responsabilizando civil e criminalmente pelo declarado, com firma reconhecida, e cópia autenticada dos documentos exigidos que comprove os cinco anos de residência ou domicílio em São Sebastião. Para universitários cujas faculdades estão situadas fora do alcance do transporte cedido, a Prefeitura tem o sistema de reembolso, através do qual, com a apresentação das passagens, devolve aos estudantes o dinheiro gasto nos finais de semana, quando os alunos costumam visitar as famílias. Mais informações no edital 002/2012, disponível no site da Prefeitura www.saosebastiao.sp.gov.br.

Se liga, prefeito Deques na praia de Boiçucanga estão oferecendo risco de acidentes a moradores e turistas. Em pelo menos três estruturas, é possível observar pregos expostos, madeiras soltas e quebradas. Colabore com a seção “Se liga, prefeito”. Envie fotos dos problemas do seu bairro para o e-mail: gazetadacosta@bol.com.br. Relate a situação e informe seu nome completo. As fotos poderão ser publicadas na próxima edição.

Fotos: Helton Romano

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Estão abertas as inscrições para o cadastramento do benefício social de transporte a estudantes do ensino médio profissionalizante e universitário. A convocação também vale para aqueles que já usufruem do transporte, para efetuarem o recadastramento.

Lixo em dobro

Ecopav promete reforçar serviços

Desde o dia 19 de dezembro, a Ecopav – empresa responsável pela coleta de lixo em São Sebastião – realiza suas ações mais cedo. Em todos oa bairros da Costa Sul, a coleta tem início às 6h. De acordo com o gerente de operação, Romoaldo Souza, a mudança se deu em razão da alta temporada. “Se usualmente recolhemos 100 toneladas por dia, na temporada esse número dobra”, revela. Ainda segundo Souza, a Ecopav contratou mais funcionários, além de aumentar a frota de 10 para 17 caminhões até o Carnaval. A tabela com a programação completa da temporada de verão está disponível no site oficial da Prefeitura: www.saosebastiao.sp.gov.br.

Segurança reforçada A Operação Verão 2012 conta com 232 homens divididos entre a polícias Milita e Rodoviária, Corpo de Bombeiros, guarda-vidas temporários e Grupamento Aéreo. O reforço na segurança em São Sebastião deve se estender até o dia 27 de fevereiro. Somados aos 65 guardas civis municipais, a cidade espera passar uma temporada tranquila, proporcionando segurança a moradores e turistas. Em Maresias, a base da Polícia Militar, localizada na Praça do Surf, está de plantão 24 horas por dia. De acordo com o 1º tenente da Polícia Militar e comandante da Costa Sul, Eduardo Gonsales dos Santos, o município teve um aumento significativo no efetivo para atender a demanda da temporada.

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Corrida São Miguel Ricardo Faustino/PMSS

Sem caçambas na Mãe Bernada Com o objetivo de melhorar o tráfego dos veículos, a Prefeitura fechou parceria com condomínios e firmas para interromper a colocação de caçambas na Avenida Mãe Bernarda, em Juquehy. O acordo ocorreu no fim do ano passado e envolveu representantes da Prefeitura e das empresas fornecedoras dos serviços de locação, como a Big, Bota Fora e Limpic, além dos administradores dos condomínios, já que são os principais clientes. Os condomínios se prontificaram a colocar as caçambas em outros locais. O período firmado começou no dia 28 de dezembro e seguirá até 31 de janeiro. A colocação das caçambas também será interrompida durante o feriado de Carnaval, que acontece entre os dias 16 e 21 de fevereiro.

Competidores aguardam a largada para a tradicional corrida do bairro de Juquehy

No último dia de 2011, a tradicional Corrida de São Miguel foi a atração para os moradores e turistas do bairro de Juquehy. O evento contou com a participação de 220 competidores que percorreram oito quilômetros.

terceiro lugar no geral. Ele completou a prova em 27min e 58seg. “Já participei umas cinco vezes da corrida e essa foi a minha melhor colocação. Acho o percurso rápido e o nível dos atletas muito bom”, comentou.

O primeiro atleta a cruzar a linha de chegada completou a prova em 25 minutos e 40 segundos. Trata-se de Adailton dos Santos, 27 anos, de Ilhabela. Já na categoria feminina, venceu a empresária Luciane Macias Vasconcelos, 37 anos, de Santos.

Em sua 22ª edição, o evento atraiu atletas de várias cidades do Brasil, inclusive das praias da região. Teve a participação até de uma oficial (sargento feminino) do Exército dos Estados Unidos, cujo pai possui casa em Juquehy há mais de 30 anos. A Corrida de São Miguel contou com a colaboração de comerciantes locais e apoio da Prefeitura.

O morador de Juquehy, o barman Babington Ferreira de Moraes, 24 anos, ficou com o

De acordo com Pereira, a utilização da via pública por este tipo de equipamento, nesta época do ano, prejudica, inclusive, a coleta de lixo e de sucata. Os caminhões ficam impedidos de trafegar quando há uma caçamba e um veículo estacionado do outro lado da avenida. O tráfego de ônibus circulares no interior do bairro também é prejudicada. As caçambas ainda oferecem risco de acidentes, principalmente no período noturno. “Já aconteceu de um motociclista bater em uma delas e se ferir bastante”, lembrou o chefe da Regional Juquehy, Jorge Paulo Pereira. Qualquer problema relacionado ao caso deve ser relatado à Prefeitura pelo telefone (12) 3863-1473.

Pavimentação em Maresias A Prefeitura segue com o serviço de pavimentação na Rua da Cesp, localizada no bairro de Maresias. Após análise do projeto pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp), o qual cumpre as exigências como normas de segurança e instalação dos cabos da rede no local, a obra segue com as atividades diariamente. A iniciativa visa melhorar o aspecto visual e oferecer melhor condição de tráfego aos condutores de veículos, bem como aos pedestres. De acordo com a Prefeitura, o calçamento será realizado em, pelo menos, 650 metros das

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ruas existentes, com duas pistas mão única de ida e volta. Durante esta primeira fase da obra, funcionários da Secretaria das Administrações Regionais trabalham no nivelamento das ruas. Em breve, haverá a implantação de guias e sarjetas. O passo seguinte será a aprovação da empresa Bandeirante Energia para instalação dos postes de iluminação. A Prefeitura informa que também serão colocadas, nas vias de acesso, tubulações subterrâneas, de escoamento das águas pluviais.

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Ilha dos Gatos

A pequena ilha da Costa Sul oferece muito mais do que um cenário paradisíaco. Antigas histórias, como a da mansão construída no topo da ilha e que serviria de refúgio da guerra, tornam o lugar ainda mais fascinante A origem do nome deve-se ao formato da ilha, que se assemelha ao de um gato deitado. Águas límpidas e vegetação nativa da Mata Atlântica compõem a paisagem de um dos principais pontos turísticos da região. Em meio ao conjunto de rochas, é possível banharse em uma piscina natural, de profundidade rasa, onde também costumam nadar pequenos cardumes. Aliás, o entorno da ilha é habitado por diversas espécies de peixes, o que garante uma boa pescaria. Mergulhadores iniciantes também encontram no local as condições ideais para a prática de caça submarina. Com um pouco de sorte, o visitante pode avistar até mesmo golfinhos dando o ar da graça. Mas nem todos os atrativos desta ilhota de 85 mil metros quadrados são dádivas da natureza. A praia de tombo, que dá acesso à ilha, é resultado artificial da explosão das pedras costeiras. O chão da pequena praia é recoberto por um espesso tapete de conchas quebradas.

Mistura de beleza e hi

da literatura inglesa. Havia janelas panorâmicas e um porão abria-se para uma adega, no meio da sala. Os fatos revelam que a mansão e a ilha pertenciam à família do magnata Nelson Rockefeller – governador de Nova Iorque entre 1959 e 1973 e vice-presidente dos Estados Unidos de 1974 a 1977. A aquisição da ilha se deu na década de 50, período em que a chamada Guerra Fria assolava o mundo. Reza a lenda que a decisão de construir uma mansão insular nasceu do medo de que o conflito entre americanos e soviéticos terminasse num holocausto nuclear. O local era visto como um possível abrigo. A imensa casa de pedra serviria como um bunker particular contra a bomba atômica. O material utilizado na obra, mantimentos e utensílios domésticos foram levados por canoas que partiam das praias de Barra do Sahy e Boiçucanga.

As pedras foram usadas na construção de uma mansão no topo da ilha que ocupou uma área de 385 metros quadrados. Teriam sido gastos algo em torno de 50 mil dólares para erguer a casa de dois andares. Os relatos apontam para o requinte da mansão: equipada com louças finas e uma biblioteca com os clássicos

Com o passar dos anos, o interesse da família pela ilha desapareceu e a mansão foi abandonada e dilapidada aos poucos. Hoje, só restaram ruínas, cobertas pela vegetação. Uma trilha de dificuldade média, em meio à mata, leva o visitante a conhecer o local, num trajeto de aproximadamente 20 minutos.

Em 1987, a auxiliar de enfermagem Sonia Santeiro resolveu passar um final de semana com amigos na Ilha dos Gatos. Ela mal sabia que ali seria o local de nascimento do filho. “Acreditava que faltavam dois meses para ter o bebê. Quando senti a bolsa estourar, fiquei apavorada”, lembra Sonia, moradora de Boiçucanga.

O barco só retornaria dois dias depois para buscar o grupo de amigos. Perguntada sobre quem realizou o parto, Sonia é enfática: “Deus, a natureza. Foi o momento que mais senti a presença divina”. Ela conta que, dias antes, durante conversa com uma amiga enfermeira, recebeu explicações de como agir durante um parto. “Eu tinha essa curiosidade, mas jamais esperava que essa orientação fosse ser útil”, declara Sonia. Mas a Ilha dos Gatos também foi palco de histórias trágicas, como a que vitimou o arquiteto Julian Penrouse, responsável pela construção da mansão. Em 1965, ao ajudar num desembarque de amigos, acabou desequilibrando-se e foi jogado pelas águas contra as pedras. As lesões atingiram o fígado e, apesar de uma cirurgia, ele morreu 15 dias depois, no Guarujá. Conta-se que, em

Águas límpidas e vegetação nativa compõem a paisagem da ilha

Nascimento, morte e leilão

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1974, a filha de um antigo caseiro também morreu no local quando apreciava o sol e foi atingida por ondas que a jogaram nas rochas. Já no ano 2000, arquivos revelam uma tentativa de leiloar a ilha. Segundo edital publicado em jornais de circulação nacional na época, o lance mínimo para aquisição era de R$ 6 milhões. A ilha foi colocada à venda por uma ONG que alegava ter a posse da área. Moradores de Boiçucanga e a Colônia de Pescadores se mobilizaram e conseguiram cancelar na Justiça o leilão marcado para o dia 12 de dezembro de 2000. “Nós temíamos que a venda impedisse atividades de pesca e turismo na ilha”, argumenta a aposentada Lavínia de Matos, que na época ocupava o cargo de chefe da Divisão de Turismo da Prefeitura.

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Fotos: Helton Romano

istória

O morador da ilha

Caio fez da ilha o seu lar

O pescador Caio Rodrigues vive na Ilha dos Gatos há quase 30 anos numa casa de pedras que, diferente da antiga mansão, está bem conservada e foi construída no nível do mar. Ao lado da esposa e cercado por água, Caio leva uma vida tranquila, onde o dia parece durar mais do que 24 horas. Vez ou outra embarca em sua lancha para ir a Boiçucanga fazer compras e visitar os filhos. Para ele, viver isolado não chega a ser uma novidade. Antes de aceitar o convite para morar na ilha, Rodrigues plantava verdura em uma fazenda na cidade de Ibiúna (a 73 quilômetros da capital paulista). “Meu vizinho mais próximo morava a 1 quilômetro de distância. Era como se fosse uma ilha”, compara.

Dicas úteis - Na Ilha dos Gatos não há comércio de alimentos ou bebidas. Aconselha-se a levar água e frutas. - Converse com o marinheiro da embarcação sobre as condições do mar antes de contratar o passeio. - A praia de tombo requer atenção, especialmente com crianças e idosos já que o mar na ilha nem sempre está tranquilo. - Tenha cuidado ao caminhar nas rochas que cercam as piscinas naturais. As rochas mais próximas da água estão cobertas por limo, o que as deixam escorregadias. - A trilha que leva às ruínas da mansão no topo da ilha não oferece maiores riscos, exceto se o chão estiver escorregadio. Evite a trilha após chuva ou simples garoa. - Não deixe lixo no local e colabore com a preservação. A natureza agradece.

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A oportunidade de ir para o litoral surgiu quando conheceu o “administrador” da ilha. “Ele queria um caseiro para tomar conta da ilha, não deixar que degradassem o meio ambiente”, afirma. Hoje, Caio se considera apenas um morador da Ilha dos Gatos, mas não deixa de zelar pela preservação do local.

Ruínas da mansão da família Rockefeller. Lugar serviria de abrigo para uma possível guerra nuclear

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Boiçucanga ou Boissucanga? Polêmica sobre grafia correta do nome do bairro confronta gerações Uma polêmica antiga em torno da grafia correta do nome do bairro de Boiçucanga coloca em lados opostos gerações de caiçaras. Afinal, Boiçucanga se escreve com “ç” ou “ss”? Atualmente, a forma mais usual é com “ç”. Escolas, placas, prefeitura, comércio em geral e imprensa escrevem dessa forma.

Mas vai falar isso para Acelino dos Santos, ou simplesmente ‘seu Ica’. “Essa turma que chegou agora não sabe de nada. Todavia Boiçucanga se escreveu com dois esses, e para mim será sempre com dois esses”, decreta seu Ica, de 73 anos. Ele tem uma teoria diferente para o motivo da mudança na grafia: “Começaram a

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Outro indício de que antigamente Boiçucanga era escrito com “ss” está no clube de futebol do bairro. O Boissucanga F.C., fundado em 1954, carrega os dois esses no nome. Da mesma forma, correspondências de empresas como a Telefonica, Claro, Tim e Itaú são endereçadas para Boissucanga. A polêmica divide até mesmo gerações da mesma família. Ao contrário da maioria de seus contemporâneos, a moradora mais antiga do bairro, Maria Perciliana de Matos, de 97 anos, concorda com o uso do “ç”. Enquanto defendia seu ponto de vista, a filha Valquiria Matos, de 68 anos, interrompeu o diálogo afirmando que o correto é “ss”. “Foi assim que

Placa turística utiliza a forma mais comum

Preservando a história caiçara

Caiçaras da Costa Sul no lançamento do filme que valoriza a história de um povo

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Clube de futebol do bairro é escrito com dois esses Helton Romano

Os defensores de “Boiçucanga” se baseiam na origem da palavra em tupi-guarani. O nome do bairro surgiu da aglutinação de M’boi (cobra), Açú (grande) e Canga (cabeça), entendida por todos como “cobra da cabeça grande”.

Já o pescador Francisco Rodrigues é um pouco mais flexível: “Eu uso ‘ç’, mas admito que muita gente escreve com dois esses”. Ele recorda de uma história curiosa sobre essa polêmica ocorrida no início dos anos 80: “Certa vez o falecido Toninho (uma das lideranças no bairro) escreveu à tinta o nome do bairro nas pedras da costeira. Cada pedra era uma letra, e na pedra maior ele pintou “ss”. Ele achava que Boiçucanga tinha que ser com dois esses”.

aprendi, com dois esses é mais bonito”, alega. Quem também entrou na conversa foi a filha de Valquiria, a comerciante Valéria Matos, de 39 anos, que discordou da mãe. A partir daí se iniciou uma longa discussão, que ainda deve se estender ao longo dos anos junto à comunidade de Boiçucanga (ou Boissucanga). Helton Romano

Mas nem sempre foi assim. Segundo Juvenal Marques Junior, locutor da Rádio Comunitária Costa Sul FM, o “ç” substituiu o “ss” entre os anos de 1982 e 1984. “Foi quando o seu Flávio (membro da associação de moradores, na época) trouxe um estudo falando das normas que existem para palavras de origem indígena”, lembra.

fazer placas para vender terrenos. E com “ç” é uma letra a menos para caber nas placas”.

Relatos de moradores antigos da Costa Sul já podem ser assistidos no filme Pés na Areia – um retrato da resistência caiçara. Com 48 minutos de duração, o filme aborda o modo de vida do caiçara e as transformações ocorridas após a construção da rodovia

nos anos 80. Ao todo, 26 caiçaras de diversas praias são personagens no filme. Eles contam um pouco da história de cada lugar e como os caiçaras foram perdendo suas terras de frente para o mar. A obra é de autoria do jornalista Antonio Penedo que teve seu projeto selecionado pelo Governo do Estado. “O objetivo é preservar a memória caiçara documentando os relatos de pessoas que fizeram a história da nossa região”, comenta Penedo. O lançamento do filme, realizado dia 8 de dezembro, na Pousada das Praias, em Camburizinho, emocionou a platéia. “Relembrei histórias que meus familiares contavam. É uma lição de vida e motivo de orgulho para o povo caiçara”, declarou o técnico em informática, Emerson da Silva. O filme está disponível na internet acessando o portal youtube. Quem quiser também pode adquirir o DVD ligando para o número (12) 9129-1103.

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Gazeta da Costa 01/2012  

O Jornal da Costa Sul de São Sebastião