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norte norte Belo Horizonte/MG - Número 02 - Agosto/Setembro de 2008 - jornalnorte.blogspot.com

ESCOLHI O CAMINHO DA

FIDELIDADE DECIDI-ME

PELOS

TEUS JUÍZOS (SALMOS 119 : 30)

e todas as coisas se fizeram novas

(2 Co 5:17)

Leia mais... Perspectiva (pág.02) - Sexo como casamento (pág.04) Persona: Wilberforce (pág.05) - Espaço Mocidade (pág.06)


Perspectiva

Cristianismo como conduta de vida Eliéser Ribeiro

O cristianismo ainda é a maior religião no mundo contemporâneo, com cerca de 2,1 bilhões de adeptos. Por outro lado, o número de homicídio global cresce 30% em apenas duas décadas; cerca de cinco milhões de pessoas ao ano são vitimadas pela violência e um bilhão de pessoas vivem em pobreza extrema em todo o mundo (Dados ONU, 2008). E diante de tantos fiéis e nas condições que se desenvolve a sociedade moderna, caberia perguntar: que tipo de cristianismo nós vivemos? Nossa vida cristã tem se baseado naquilo que é socialmente aceito, então nos declaramos cristãos porque essa religião tem os princípios mais valorizados publicamente. Nosso cristianismo, portanto, tem se tornado apenas uma declaração e não uma forma de vida prática. Contudo, o cristianismo como forma de vida orientada pelo caráter de Cristo não deve ser apenas um conjunto de ritos, costumes e dogmas, que são expressões exteriores da nossa religiosidade, mas sobretudo uma forma de conduta, através da orientação dos pensamentos, sentimentos e atitudes, que constituem demonstrações interiores ou íntimas da vida. Uma das marcas da sociedade moderna é a perda de um sentido absoluto para a vida; isso se deu basicamente por um longo processo de racionalização, que desenvolveu a convicção de que tudo o que é e que advém desse mundo está regido pelas leis que a ciência pode conhecer e que a técnica científica pode dominar: tudo, pois, que é considerado como válido, deveria ser conhecido e previsível. Essa característica tem o ponto negativo de desvalorizar toda a explicação transcendente ou absoluta para a vida. Por outro lado, essa racionalização tem os pontos positivos, de trazer a necessidade de justificação das nossas posições sociais, por exemplo, disposições de respeito e autoridade não são mais tradicionalmente dadas, mas precisam ser adquiridas e reconhecidas; e também nos obriga a um modo de vida mais claro, no qual nossas mazelas e questões profundas são lançadas à luz para que todos vejam e questionem. Assim, não devemos nos conformar com as características negativas deste modo de vida moderno, mas podemos ser transformados com a renovação

norte 02 - NORTE - AGOSTO DE 2008

positiva que ele nos permite viver (parafraseando Rm 12:02), produzindo uma fé refletida em nossas atitudes e realçada em nossa disposição convicta e clara de agir dando sentido, verdadeiramente cristão, a esse mundo. Desse modo, nosso cristianismo deve ser estruturado numa produção de conduta de vida atenta e desperta para as necessidades desse mundo. E o valor guia dessa conduta de vida no mundo moderno deve proporcionar a união entre uma escolha pessoal e interna combinada à clareza das prioridades exigidas pelo ambiente externo, proporcionando uma concepção de cristianismo como uma dedicação a uma causa supra-pessoal, que visa o outro em interação, e não apenas o eu em autoedificação. Em outras palavras, aquilo que se pensa, fala e faz tem que estar em coerência com o caráter cristão. A imagem que melhor reflete a disposição que o cristão autêntico tem que assumir no mundo é a condição de um indivíduo num campo de batalha, sempre consciente de todas as suas atitudes e responsável pelas conseqüências da sua ação. Esse cristão não pode mais se esconder por detrás da tradição e nem em estórias nebulosas para explicar a sua fé, nem pode justificá-la em instituições falidas e nem se retirar do mundo para se consagrar. Ele tem que encarar a realidade do mundo com a frieza do conhecimento, com o avanço das ciências e lidando com as notícias do dia-adia (como vimos nos dados acima) de maneiro consciente. E, principalmente, tem que se envolver com esse mundo, assumindo o desafio de se consagrar dentro dele e dando-lhe novo sentido. Por fim, o cristianismo que devemos viver deve ser aquele capaz de produzir uma personalidade vocacionada para ação nesse mundo, pois é esse mundo que deve ser transformado. Esse cristianismo tem que ser capaz de fomentar não apenas uma religiosidade de declaração, mas também uma conduta de vida, que se renove diariamente num Cristo que é vivo, pois o crente que está nEle, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; e eis que todas se fizeram novas .(2 Co 5:17).

Conselho editorial: Eliéser Ribeiro, Fillipe Mendes, Ivan Gonçalves e Libni Meireles Jornalista responsável: Ivan Gonçalves - FENAJ 12579/MG Jornal Virtual: Guilherme Mendes Pastores apoiadores: Fábio Carvalho e Rosifran Macedo Colaboraram nesta edição: Lívia Medeiros, Mariah Cassete, Rebeca Rain, Jonas M. Ferreira. Blog: jornalnorte.blogspot.com Email: jornalnorte@gmail.com Apoio: Mocidade da Oitava Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte.


ANGEL OF HOPE Rebeca Rain

Ateliê

A VOLTA DO FILHO PRÓDIGO Henri J. M. Nouwen Ao se deparar com uma pintura de Rembrandt sobre a parábola do Filho Pródigo, o autor cristão Henri Nouwen embarca em uma profunda e tocante reflexão a respeito do sentido dessa bela passagem bíblica. O livro nos mostra o fato de que na vida espiritual todos temos os defeitos e as fraquezas do filho mais novo, com sua rebeldia e imaturidade, assim como as do filho mais velho, com sua inveja e amargura. O desafio que o autor apresenta para nossas vidas é o de nos parecermos cada vez mais com o Pai, cheio de amor, misericórdia, paciência e esperança. Para mim, esse é um texto belíssimo e transformador, que ajuda-nos a compreender que a vontade de Deus é a de que sejamos cada dia mais parecidos com Ele. E isso só se torna possível através da intimidade com o Pai. Mariah Cassete

O RETORNO DO FILHO PRÓDIGO (1669) - Rembrandt Na época, o pintor se interessava por temas solenes. A figura do homem calvo e miserável contrasta com as ricas vestes do pai, que foi à porta recebêlo.O quadro representa simbolicame nte o perdão do pecado alcançado pelo arrependimento.

03 - NORTE - AGOSTO DE 2008

SOM DE PASSARIM Ivan Melo Som de Passarim é pura poesia, misturada com paisagens raras, mesas fartas e sabor de “Brasis”. Neste primeiro trabalho, Ivan Melo soube casar música e palavras como ninguém, nos levando a apreciar através de cada uma das canções, a beleza de se pertencer a um Deus criativo e cheio de amor, com a simplicidade de quem canta com a alma cheia de gratidão e alegria, nos convidando a fazer o mesmo, como som de passarim.

Pedacim de sol que entrou aqui Trouxe um dia lindo Som de passarim Para o cantador, tudo é inspiração Canta em prosa e verso sua gratidão Sabe que atrás, por detrás do sol mora o autor Das músicas de passarim Fruto desse chão Alma de sertão Planta em sua terra, sabe trabalhar Viveu grande dor, perda e solidão Mesmo assim, não pára, não pára de cantar Canta pra quem lhe abençoa e faz brotar o pão E diz pra gentes do sertão Que o pão do céu veio a terra pra salvar Pedacim de sol que entrou aqui Trouxe um dia lindo Som de passarim.

Ivan Melo & Ezequias Pinheiro


Modus Vivendi

S

Amemo Fillipe Mendes

“Sexo só depois do casamento”, que tipo de expressão é essa? É tão estranha quanto conhecida, no mínimo; pois quando discutimos sexo ou casamento, de imediato, surge diante de nós esse préconceito. Mas insisto: que tipo de sentença é essa? A princípio nos parece mais com uma lei ritualística do que com um princípio cristão; nada nos diz, pouco ou nada modifica nossa existência, nosso modo de viver. Poderíamos pensar que a inutilidade de tal jargão se dá por dois motivos básicos: primeiro pela transformação de uma lei ética em legalidade tradicional sem sentido e segundo por nossa superficialidade na percepção e compreensão desse conceito. Uma expressão como essa é tantas vezes usada de modo “religioso-repressor”, ou seja, apenas como regra impessoal a nós imposta, que em determinado momento esvazia-se de seu sentido profundo e Espiritual, não mais modificando nossa mentalidade. Entretanto, somos nós mesmos que, por vezes, não aprofundamos até a causa mor ou sentido primário das relações humanas; por isso não aprendemos e tampouco apreendemos a Verdade. Tal expressão, mesmo assim, muito nos pode ensinar a respeito de um modo de sexualidade divinamente recomendável; tudo dependerá, todavia, de nosso compromisso profundo com o Cristo, na busca pela verdade. É certo que o sentido primário da sentença em questão consiste no fato de que, no prisma divino, sexo é sinônimo de casamento, pois o que Deus vê é a união entre duas criaturas, nada mais. Diante disso, percebemos uma elevação da relação sexual a um status, reconhecido pelo próprio Deus, de componente central na formação familiar, que é o supremo objetivo do Senhor. Sexo, portanto, não deveria ser apenas desejo por desejo, tendendo ao descontrole dos impulsos. Nossas relações sentimentais, todavia, tendem a assumir exatamente essa postura. Normalmente, vivemos apenas o ímpeto de realização de nossos desejos, a qualquer custo e de qualquer modo. Poderíamos dizer que o homem em sua natureza carnal possui apenas desejo, destituído de amor e amizade. Tal impulso sexual tende ao infinito, pois não quer ser controlado, apenas realizar o seu fim

04 - NORTE - AGOSTO DE 2008

sSempre último: atender o desejado. Não se quer um indivíduo com o qual se viverá em amor, mas um objeto para a satisfação. Trata-se, pois, de um desejo indefinido, sem alvo verdadeiro. Quando aprofundamos nas características reais de nossas relações, percebemos que nosso amor visa ao prazer somente e não ao ser, ao amado(a). Compreender sexo como casamento e ambos como união vital entre dois seres que se amam pode, entretanto, transformar toda a nossa conduta de vida. “Sexo como casamento”, e não “sexo só depois do casamento”, nos ensina que amar verdadeiramente não se dá por meio de “regras-impessoais”, mas por uma Verdade internalizada: a Lei de Amor do Senhor gravada em nosso coração. Tal lei nos ensina que essa união sexual e social a que chamamos casamento deve ser baseada em um amor que reinterpreta nossos instintos pecaminosos, ensinando-nos a desejar um outro ser e não um objeto. Ensina-nos que na busca de um parceiro(a), devemos visar a algo que se realizará em harmonia com outra pessoa, como se namoro e casamento fossem ambientes nos quais construímos algo mais elevado que nós mesmos. Não mais prazer por prazer, nem desejo por desejo, mas um amor construído em amizade e que se compromete com o outro ser, numa busca conjunta e equilibrada. Diante de tal compromisso, o "casamento no civil" é imprescindível, pois é a legitimação social dessa união( isso é incontestável); embora não seja a união em si, uma vez que para Deus (quem de fato importa) o foco está no "tornarse uma só carne". O cristianismo não é exterioridade legalista, mas amor que transforma nosso ser, gravando em nosso coração Verdades. Cristo quer se repetir em nós, integralmente; tudo em nós deve, portanto, refletilo, continuamente. O Caráter do Cristo nos ensina, pois, que o verdadeiro amor não deve ser um ímpeto da necessidade em busca daquilo que satisfaz, mas sim um movimento recíproco de iguais, a fim de em amizade produzir vida.


Persona

A Estrada vai além do que se vê... Lívia Medeiros

“Nós entendemos que você tem dúvidas se deve servir na obra de Deus ou trabalhar como ativista político. Nós humildemente sugerimos que você pode fazer as duas coisas.” Frase dita a Wilberforce durante um jantar em sua casa, na companhia de amigos.

Notas: 1- John Newton é o compositor do famoso hino Amazing Grace: “A maravilhosa graça de Jesus salvou um infeliz como eu. Eu era cego, e ele deu-me luz, perdido e me achou.” Informações sobre Wilberforce veja também o filme "Jornada pela liberdade".

05 - NORTE - AGOSTO DE 2008

William Wilberforce ficou órfão de pai muito cedo, sendo levado a morar com os tios, porquanto sua família não tivesse recursos. Nessa casa, foi muito influenciado pelo evangelho, através de fervorosas pregações de John Newton, antigo capitão de navio negreiro, que se converteu, tornando-se um grande pregador¹ . Mais tarde William escreveria sobre o quanto admirava Newton; estimava-o como um pai. A casa dos tios serviu a Wilberforce como um seminário, tanto que sua mãe, preocupada que seu filho se tornasse um fanático, tirou-o de lá e o matriculou em um internato, e em seguida na Universidade de Cambridge, na tentativa de lhe devolver à Razão. Em Cambridge, se tornou amigo inseparável de William Pitt, mais tarde Primeiro Ministro da Inglaterra com apenas 24 anos. Os dois se tornaram notórios companheiros de farras, apostas e festas promovidas pela elite inglesa, regadas sempre a muitas bebidas e companhias femininas. Wilberforce, que desde cedo demonstrava forte interesse pela política, ingressou para a Casa dos Comuns em 1780, com apenas vinte e um anos. Em uma viagem ao sul da França, William começou a ler um livro devocional e trechos do Novo Testamento em grego. Durante esse tempo, experimentou grande convicção de seus pecados, arrependendo-se do modo de vida que tinha: experimentou um reavivamento pessoal. Ao retornar às suas atividades, seus colegas estranharam seu comportamento, pois abandonara as práticas antigas e declarava-se, abertamente, cristão. Após radical conversão, cogitou abandonar a carreira política e se tornar ministro do evangelho em tempo integral. Nesse tempo, todavia, Wilberforce procurou seu velho amigo pregador, John Newton, que o aconselhou a permanecer na política, pois acreditava ter Deus chamado Wilberforce para um propósito singular. Durante esse tempo, o jovem inglês tomou c o n h e c imento

das condições de vida suportadas pelos negros nos navios negreiros. Na época, essas pessoas sofriam graves abusos físicos e sobreviviam em condições subumanas. Profundamente sensibilizado com os fatos, seu espírito inconformado propôs ao Parlamento um projeto de lei para abolir o tráfico de escravos. No entanto, as forças políticas conservadoras agruparam os possíveis apoios e derrubaram seu projeto, mas isso não foi o suficiente para fazê-lo esmorecer. Wilberforce perseverou na campanha para mudar a legislação, apesar dos sacrifícios pessoais que a empreitada envolvia. Sofreu agressão física e ameaças de morte diversas vezes. O famoso reformador John Wesley, já aos 87 anos, escreveu ao jovem William o que possivelmente seria a última carta de sua vida, na qual o encorajava a continuar lutando contra a escravidão, como forma de servir a Deus. Ao longo de 30 anos, seu projeto de lei foi rejeitado no parlamento 20 vezes; até que em 1807, o Parlamento decidiu aprovar a lei da abolição. Após a declaração do resultado da votação, Wilberforce foi aplaudido de pé por seus companheiros, embora na época o ato de aplaudir fosse proibido no Parlamento. Outras histórias contam que William ficou profundamente comovido ao ver o resultado do empenho de toda uma carreira, de tal forma que chorou copiosamente. Depois de mais de 16 anos de luta, finalmente testemunhou a abolição da escravidão nas colônias britânicas em 1833, e morreu três dias depois. A vida de Wilberforce teve um impacto na sociedade porque ele entendeu que foi chamado não apenas para ocupar cargos e liderar ministérios, mas para ser sal e luz no mundo. A obra regeneradora do Espírito Santo produziu em Wilberforce sede de justiça, e a partir daí, a defesa dos injustiçados se tornou não apenas sua profissão, mas sua missão como cristão. Sua vida e seu exemplo nos desafiam a ser não apenas espectadores da história, nem meros observadores das injustiças, m a s p ess o a s q u e s e engajam e procuram mudar a realidade.


Espaço Mocidade

Confissão

ao Céu Jonas M. Ferreira

Projeto Oficina de

IDÉIAS E SONHOS No dia 12 de julho, num movimento muito bonito, alguns jovens e adultos da Oitava Igreja Presbiteriana de BH e a comunidade do bairro Tony em Ribeirão das Neves participaram da pintura dos muros da E.E. José Luiz de Carvalho. No segundo semestre teremos a segunda fase do POIS, participe!

Mais informações acesse: projetooficinadeidiasesonhos.blogspot.com

PROGRAME-SE ANDANDO DE BRANCO VI Nos dias 10 a 12 de Outubro estaremos novamente no abençoado congresso anual da Mocidade da Oitava que acontecerá no sítio Pedra Azul. As inscrições já estão abertas e o valor é de apenas R$70,00. Maiores informações procurar Luciano ou Daniel. ENCONTROS DA MOCIDADE Todos os sábados a partir das 19:30hs. Participe e traga um visitante! ESCOLA BÍBLICA Todos os domingos a partir das 9:00 a Mocidade da Oitava tem a Escola Bíblica com os pastores Rosifran e Fábio, nesse semestre continuaremos estudando o Antigo Testamento.

06 - NORTE - AGOSTO DE 2008

O céu é lindo! Cativante a simplicidade com que se apresenta a mim, e a perfeição como é retratado com giz de cera nos desenhos infantis. Por mais que o céu me impressione quando o percebo mais de perto, nos aviões, pára-quedas e coberturas de edifícios, nada se compara a vê-lo daqui, de baixo, da simples terra à qual voltaremos. Quando é visto do alto, é bonito e diferente, e por isso desperta curiosidade e desejo de contemplá-lo. Mas daqui de baixo não. Daqui o céu é sempre, e sempre será, apenas, o céu. É ele quem me acompanhou no desenrolar dos fatos, e para ele outrora olhei desesperado procurando uma saída, uma solução, ou simplesmente o rosto daqueles que amo. Daqui de baixo o céu é comum. Daqui o céu é simples. Daqui o céu é perfeito. Daqui o céu é céu! O céu está sempre no céu, mas raramente é a ele quem busco. Olho para o céu em busca do sol, para me esquentar. Olho para o céu buscando a lua, por estar ao lado de uma bela mulher. Olho para o céu buscando as estrelas para evadir-me de mim e para afastar a melancolia do ceticismo gerado no dia-a-dia. Só não olho para o céu buscando o céu. Ainda assim, ele sempre está lá, no céu. Em breves momentos durante meu breve e apressado percurso nas ruas da cidade, tenho percebido o céu. Nestes momentos, percebo-o por si mesmo. O céu pelo céu, o azul pelo azul, o algodão pelo algodão. Ah, se eu pudesse me lembrar mais do céu. Parar o dia, descansar o ponteiro vibrante de meu relógio novo, deixar a pasta no chão, afrouxando a gravata e olhar para cima a fim de simplesmente encontrá-lo novamente, como ‘antigamente’. Esquecer-me do sol, da lua e das estrelas. Esquecer-me do calor, da mulher, do ceticismo. Seríamos somente eu e o céu, este se apoiando por inteiro em minha fronte virada ao infinito, e eu resistindo brevemente em desfocada concentração. Quando percebi o quanto gosto do céu, percebi o quanto gosto de Deus. Da desfeita feita ao céu, diariamente, é Deus co-participante. Afinal, não olho para Deus buscando a Deus. Olho buscando ajuda, levando pedidos, agradecimentos, ou simplesmente olho não buscando nada. Olho quando preciso ou quando vejo outros olhando, mas poucas vezes olho por simplesmente vê-lo, achá-lo, vivêlo. Ainda assim, como o céu, Ele está sempre lá. Faz todos os poucos momentos de sincera contemplação imensamente mais proveitosos que momentos de sol, de lua ou de e s t r e l a s . M o m e n t o apenas de céu. Momento apenas de Deus.


Norte 02 - Agosto/Setembro