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Especial

Motorista e Agricultor Gaspar, 25 de Julho de 2012

Arquivo JM

Marco Gamborgi

Esperança

Movidos numa única direção


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jornal metas - gaspar, 25 de jUlHo de 2012

Duas profissões que enfrentam muitas dificuldades no Brasil A falta de reconhecimento no campo e os desafios de se enfrentar diariamente as estradas brasileiras

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uas profissões desafiantes, duas datas muito próximas: motoristas e agricultores. A princípio pode parecer que não, mas essas duas atividades têm muito em comum. Trabalhar e viver da agricultura já foi bem melhor. Poucas vezes na história recente do Brasil, a produção de alimentos deu tanta esperança de um futuro melhor para milhões de famílias. Porém, a industrialização se sobrepôs à atividade agrícola e, aos poucos, o homem foi trocando o campo pela vida urbana e o emprego na indústria. Restaram poucos, que a custa de

:: Expediente ::

Fotos Arquivo JM

muita investimento em tecnologia conseguem sobreviver do alimento que produzem na farta e rica terra. Para quem vive da profissão de motorista, os tempos também já foram melhores. Estradas mal conservadas, insegurança, excesso de veículos e cobranças exorbitantes de pedágios estão tonando a profissão de motorista cada vez mais difícil. Os muitos dias longe de casa e os riscos não têm valido a pena, e muitos têm abandonado a vida nas estradas. Portanto, neste 25 de julho, Dia do Motorista, e 28 de julho, Dia do Agricultor, merece uma reflexão sobre o futuro dessas duas profissões.

Só quem investe em tecnologia consegue sobreviver da agricultura

O desafio de enfrentar diariamente as estradas brasileiras

Diretor: José Roberto Deschamps

Textos: Júlia Dourado, Giovanni Ramos

Comercial: Débora R. N. Linhares

e Kássia Dalmagro

Produção Gráfica: Pedro Paulo F. Schmitt Edição: Alexandre Melo (Mtb 6901/RS) Ana Caroline Morello Impressão: GRPCOM

Textos já adaptados às novas regras da Língua Portuguesa. É permitida a reprodução total ou parcial dos textos e fotos contidos neste encatre, desde que citadas a fonte e crédito de imagem


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Caminhoneiro vai virar uma profissão regulamentada

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Expecativa é que direitos para a categoria possam reduzir os acidentes coms os profissionais do setor Ivan Luchtemberg/JM

Números de acidentes fatais com caminhoneiros preocupa as autoridades

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ntrou em vigor no mês passado, a lei que regulamenta a profissão de ca-

minhoneiro no Brasil. O objetivo da lei é garantir alguns direitos aos trabalhadores do setor, como intervalo de uma hora

para refeição, repouso de 11 horas (diário) e a cada 24 horas e descanso 35 horas por semana. Alguns tipos de contra-

tos de trabalho comuns na profissão foram proibidos com a nova lei. A partir de agora, os caminhoneiros não podem

mais ter os salários relacionados com a distância percorrida, quantidade de produtos transportados ou tempo de viagem. Essas mudanças devem diminuir o número de acidentes com os motoristas de caminhão, um número que crescia e preocupava as autoridades. Uma pesquisa feita pelao Denatran em maio mostrou que 70% dos caminhoneiros estavam sobrecarregados e dirigindo acima de 13 horas sem parar para descansar. Desses, 30% dirigiam mais de 16 horas sem intervalos. O resultado está nas estatísticas de acidentes. Em 2011, mais de 5 mil pessoas foram indenizadas pelo Seguro DPVAT devido a morte e invalidez permanente decorrentes de acidentes envolvendo caminhões ou pick-up’s. “Vários profissionais

que perdem a vida nas estradas deixam famílias que dependiam exclusivamente de sua renda. Acreditamos que a regulamentação é uma medida que pode auxiliar na diminuição dos acidentes”, aponta Ricardo Xavier, diretor-presidente da Seguradora Líder DPVAT, administradora do Seguro DPVAT. Fiscalização As polícias rodoviárias federal e dos estados são as responsáveis pela fiscalização da nova lei. As empresas também serão precisarão monitorar as horas de trabalho dos funcionários, podendo ser multadas em até R$50 mil em caso de infração. O motorista que não respeitar o tempo de pausa também será multado no valor de R$ 127, além de perder 5 pontos na carteira.


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Padroeiro recebe homenagens

As comemorações começam nesta quinta-feira (26) e terão o seu ponto alto na procissão motorizada, no domingo (29)

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ma data é certa para os fiéis de São Cristóvão: todo o ano, no final do mês de julho, há uma festa em homenagem ao padroeiro dos motoristas na comunidade do Gaspar Grande. Tradicional, a festa é esperada por moradores de todos os cantos da cidade e agora está tudo a passos rápidos para finalizar os detalhes que faltam. A Festa de São Cristóvão inicia no dia 26, quinta-feira, com o tríduo religioso. Neste dia, haverá apenas a cerimônia religiosa, a partir das 19h30. Na sexta-feira (27), a cerimônia será seguida de festejos, assim como também acontece no sábado. Esta é a 29ª edição da festa, que contará com atrações tradicionais, como a roda da fortuna, sacola surpresa, pescaria, brinquedos infláveis e completo serviço de bar e cozinha. Pedro de Oliveira, presidente do Conselho Pastoral Comunitário, destaca que esta é uma mais maiores

festas religiosas de Gaspar. Além do CPC e dos casais de festeiros, em torno de 160, o Clube de Mães e o Clube de Idosos da comunidade auxiliam na organização e trabalhos da festa. Animação musical não faltará. Na sexta-feira, Everton & Murilo levarão o melhor do sertanejo universitário para aquecer a festa. No sábado, o baile terá a abertura da dupla gasparense e show com o grupo Legião Gaúcha, de Itajaí. É na tarde de domingo que acontece a última atração musical. Mesma dupla e grupo sobem a palco a partir das 16h para animar os presentes. O maior destaque da festa de São Cristóvão é a procissão que acontece sempre no domingo pela manhã. Neste ano, a saída será da frente o quartel da Polícia Militar, no bairro Sete de Setembro, e irá até a Comunidade São Cristóvão. “No ano passado, 500 veículos participaram e acreditamos que neste ano, a participação será ainda maior”, desta-

Arquivo/JM

Missa dos festeiros segue a tradicional carreata em honra a São Cristóvão

ca Oliveira. Nesta edição, a família Assini, proprietária da Britagem Barracão, irá fazer o transporte da imagem do santo durante todo o trajeto. (ler

matéria na página 6) Ao chegar à capela, a imagem do padoreiro será levada ao altar, para a celebração da missa dos festeiros, presidida por

Frei Germano Guesser. A missa que homenageará o santo inicia às 9h30. A expectativa é pela presença de mais de mil pessoas.

Os recursos arrecadados com a festa serão investidos em melhorias para a igreja e outras ações sociais realizadas na comunidade.


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Britagem Barracão levará imagem de São Cristóvão

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Durante a carreata, caminhão transportará a imagem de São Cristóvão

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or trás de uma grande empresa existe uma grande família . A frase de Antonino Assini, sócio-proprietário da Britagem Barracão, evidencia a união familiar que há por trás da grande empresa gasprense, escolhida neste ano para levar a imagem do padroeiro da Festa de São Cristóvão durante a procissão motorizada até a comunidade. Para a festa, a família estará novamente unida. Em frente ao primeiro caminhão da carreata, o da Britagem que transporta o santo, irão os pais dos proprietários da empresa. Frei Germano já me falou que quem entrará na igreja com a imagem menor de São Cristóvão serão meu pai, de 81 anos, e minha mãe, de 84. As pessoas mais antigas são realmente as mais devotas, de fé for-

te , destacou o empresário, que irá dirigir o caminhão que leva a imagem em tamanho maior. A devoção à Igreja Católica e ao santo que protege os motoristas e agricultores é antiga, passou de pai para filho. Na carreata deste domingo (29), toda a frota de caminhões da empresa do bairro Barracão estará presente. Antonino conta que chegou a pensar em não levar todos os veículos, porém todos os motoristas afirmaram fazer questão de participar. Há semanas os caminhoneiros estão animados para a procissão e a empresa mandou fazer jaquetas para que todos estejam uniformizados. A decoração dos caminhões será feita na manhã de sábado (28), véspera da procissão em honra ao santo. É um dia de emoção, marcante. Não é sempre que se tem a oportunida-

de de homenagear São Cristóvão. É um santo que sempre nos protegeu. Até hoje não houve em nossa empresa algum acidente grave, nenhum motorista morreu na estrada. Aí tem a mão de Deus , a f i r m a Antonino. Britagem Barracão A emp r e s a gaspar e n s e é hoje líder de seu segmento em Santa Catarina. Ela extrai pedras de diversos tipos e tamanhos e as transforma

em matérias-primas para a construção civil. A frota de caminhões, responsável pela entrega rápida, tem quase

30 veículos. Os irmãos e sócios Antonino, Ludovico e José Henrique investem constantemente no negócio e, no próximo mês, devem inaugurar uma usina de asfalto.

Caminhões da Britagem Barracão já estão sendo preparados para a grande procissão motorizada do próximo domingo (29)


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Para quem vive no campo, pouco a comemorar no Dia do Agricultor

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As dificuldades para quem vive da agricultura continuam enormes, só mesmo sendo apaixonado pela atividade como Sérgio Prebianca Arquivo/JM

Em 56 anos de vida, Prebianca só ficou cinco longe da agricultura

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vida de agricultor não é fácil no Brasil. Se não bastasse o clima que não anda nada amigo de quem

planta, o próprio governo aplica uma política agrícola que inibe o pequeno agricultor a investir no aumento da produção de alimentos. Por isso, o dia 28 de julho

- Dia Nacional do Agricultor - pouco ou quase nada se tem a comemorar, que o diga um dos mais conhecidos produtores de arroz da margem esquerda do rio,

Sérgio Prebianca, 56 anos. Ele praticamente nasceu no meio das arrozeiras na região dos Baús, em Ilhota; aprendeu com o pai o ofício e por quase toda a sua

vida dedicou-se a plantar e colher o alimento mais consumido no mundo. A atividade, Prebianca só interrompeu por cinco anos, quando decidiu trabalhar na indústria de Joinville. Ele admite que trocou a vida no campo por mais conforto na cidade. “Naquela época não havia maquinário, era tudo braçal”, conta. Além disso, a terra dos pais foi dividida com outros 13 irmãos, também eram agricultores. Prebianca, no entanto, admite que a agricultura é a sua grande paixão. Talvez, por isso, aos 26 anos de idade e já casado, retomou a a atividade. Desta vez, a terra escolhida foi no Morro Grande, localidade da entrada do Arraial, em Gaspar, onde Prebianca vive até hoje com a esposa Nilda Terezinha Prebianca. O casal teve três filhos; os dois primeiros não quiseream seguir a profissão do pai, e o agricultor não fez muita questão de convencê-los do contrário,

pois as dificuldades, embora a tecnificação do campo, continuam enormes. E uma delas chama-se preço. “O agricultor, hoje, praticamente paga para trabalhar, pois os incentivos são muito poucos”. A saca do arroz de 50kg, hoje vendida, em média, a R$ 25,00, deveria custar R$ 35,00. Por isso, Prebianca investiu em outras atividades para se manter no campo, como vaca de leite e horta, tudo para consumo próprio. É uma vida de sossego, sem o barulho da cidade, mas que poderia ser melhor se a BR-470 não tivesse cortado a sua propriedade e levado 2ha em 1992. Sem os acessos prometidos na época, cruzar a rodovia hoje é um perigo e vai ficar ainda pior quando da duplicação. “Isto vai atrapalhar muito a minha atividade”, revela o agricultor. Antes que isso aconteça, Prebianca espera não depender tanto da agricultura.


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