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Apesar do crescimento da violência na região, muitos moradores do Padre Eustáquio não utilizam ferramentas de segurança Página 6

STEFÂNIA AKEL

LILA GAUDÊNCIO

RENATA FONSECA

Jota Dangelo, referência do teatro mineiro, lamenta que o belo-horizontino assista peças apenas durante a Campanha de Popularização. Página 16

Moradores do Belvedere e da Vila Acaba Mundo cobram a construção de Parque Ecológico nas proximidades da Serra do Curral Página 15

marco jornal

Ano 39 • Edição 281 LaboratóriodeJornalismodaFaculdadedeComunicaçãoeArtesdaPucMinas•LaboratóriodeJornalismodaFaculdadedeComunicaçãoeArtesdaPucMinas•LaboratóriodeJornalismodaFaculdadedeComunicaçãoeArtesdaPucMinas

Maio • 2011

RENATA FONSECA

CARAVANAS AJUDAM A REPOR ESTOQUE DE SANGUE Opções de lazer nas Regiões Nordeste e Noroeste de BH MARIA CLARA MANCILHA

Hemocentro da capital, que adotou agendamento de doações, conta com pessoas como Márcio Rodrigues e com grupos do interior para manter nível do banco de sangue. Página 11

Barraqueiros rodam o país vendendo seus produtos CARLOS EDUARDO ALVIM

Vendedores deixam cidades de Minas e de outros estados para trabalhar em festas religiosas em todo país. Na bagagem, além de seus produtos, carregam sonhos. Página 13

Parques, praças, locais para a prática de esporte e bares são alternativas de diversão que os moradores das regiões Noroeste e Nordeste encontram perto de casa. Página 8 e 9

Costumes do interior estão presentes em bairros de BH MARIA CLARA MANCILHA

Alguns bairros da capital mineira conservam hábitos típicos de cidades menores. Essa situação facilita a adaptação de pessoas que se mudam para BH. Página 3


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EDITORIAL

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Histórias de vida e de solidariedade nas páginas do MARCO n TAMARA FONTES,

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Moradores do Bairro São Gabriel, na Região Nordeste, reclamam da falta de serviços básicos como agências bancárias e alternativas de lazer e diversão. Outra reclamação constante é relacionada ao trânsito constante nas ruas do bairro

CARÊNCIA DE SERVIÇOS NO BAIRRO SÃO GABRIEL

3º PERÍODO

Ao apurar uma modificação feita no atendimento do Hemocentro de Belo Horizonte, que adotou, a partir deste ano, o agendamento para receber as tão necessárias doações de sangue, os repórteres do MARCO foram informados sobre as ‘caravanas’. Originados de diferentes cidades mineiras, a maioria perto de Belo Horizonte, os grupos de doadores se caracterizam pela vontade de ajudar ao próximo. Em alguns casos, os beneficiários são pessoas conhecidas e as caravanas são organizadas por familiares. Em outros, grupos religiosos ou ligados a algum tido de associação, se reúnem e viajam à capital mineira com a única intenção de abastecer os estoques de sangue do Hemominas. O MARCO conta, nesta edição, essas duas histórias e mostra que alguns desses movimentos têm ajuda oficial, que viabiliza transporte. A maior parte, no entanto, depende exclusivamente da boa vontade dos participantes e do desejo de ajudar. Ainda nessa área, a questão do atendimento na unidade de Saúde do São Gabriel recebe espaço. Moradores ouvidos pelo MARCO reclamam do atendimento recebido. Já no Hospital Sofia Feldman, a história é outra. Existe leite a ser doado, recémnascidos que precisam recebê-lo, mas faltam recipientes de vidros adequados. Por isso, o jornal volta ao tema, abordado pela primeira vez na edição 279, que motivou diversas campanhas, mas que não conseguiu solucionar definitivamente o problema. Nas páginas centrais desta edição, que têm sido ocupadas por matérias mais aprofundadas sobre temas específicas, o lazer ganha vez. A ideia dos nossos repórteres é traçar uma espécie de ‘mapa da diversão’ nas regionais Noroeste e Nordeste, mostrando atrações variadas e também as carências. Não há a intenção de esgotar o assunto, mas motivar a reflexão, além de informar às pessoas interessadas o que podem fazer nos momentos de folga. Muitos bairros dessas duas regiões conservam costumes interioranos em plena capital. Essa reportagem, na página 3, mostra que muitos trabalhadores conseguem sobreviver em Belo Horizonte com hábitos típicos do interior. Confira as diversas e saborosas histórias relatadas por essas pessoas.

n NATHÁLIA AMADO, 3º PERÍODO Reconhecida como um dos berços da industrialização de Belo Horizonte devido às indústrias têxteis dos Bairros Cachoeirinha e Renascença, a Região Nordeste abriga 68 bairros. Dentre eles o São Gabriel, bairro basicamente residencial, que abriga aproximadamente 27.980 habitantes. Apesar do número significativo de moradores, o bairro ainda sofre com a falta de alguns serviços, o que gera transtornos para a população, que muitas vezes precisa se deslocar para bairros vizinhos ou até mesmo para o centro da capital. Segundo Júlio César Soares, gerente de comunicação social da Regional Nordeste, a Prefeitura não possui um cadastro de todos os serviços que são encontrados especificamente em cada bairro, no entanto, há a preocupação de se garantir que todas as casas comerciais sigam as regras legislativas.“A prefeitura não possui uma relação de todos os estabelecimentos encontrados nos bairros, mas há um controle por região dos serviços de responsabilidade do município”, afirma Júlio. De acordo com os dados da prefeitura, a Região Nordeste conta com serviços como 26 creches, 55 escolas (estaduais e municipais) dois centros de apoio comunitário, três

universidades, dentre elas a PUC Minas, um centro de referência em saúde mental, uma farmácia distrital e 21 unidades básicas de saúde. No São Gabriel, o posto de saúde tem sido motivo de constantes reclamações por parte dos usuários que reclamam da falta de remédios, profissionais, e do mal tratamento oferecido (leia matéria na página 10). Entretanto, a maior reivindicação dos moradores do bairro é a falta de uma agência bancária. “Seria muito bom se tivesse um banco aqui”,

[ ] “OS MORADORES

NECESSITAM DE UM BANCO PARA FAZER MOVIMENTAÇÕES” FABIANO LOPES

destaca a moradora do bairro Solange Cândida da Silva, 28 anos. O bairro conta apenas com uma casa lotérica para atender a população, o que não supre todas as necessidades, como ressalta o vice-presidente da associação de moradores do São Gabriel Fabiano Tadeu Lopes. “Os moradores necessitam da presença de um banco para fazer movimentações. Há serviços que não são oferecidos em uma casa lotérica, e eles precisam de uma agência para poder, por exemplo,

pagar algumas contas”, afirma. Os moradores também reclamam do trânsito na região. Nos horários de pico como às 7h ou às 19h, é difícil sair ou entrar no bairro que fica repleto de carros nas principais vias, como a Anel Rodoviário, Cristiano Machado e Rua Jacuí. Além disso, as linhas de ônibus que atendem à população, como a 3503A, apresentam quadro reduzido de horários, o que acarreta atrasos e superlotação dos veículos. De acordo com o Consórcio Pedro II que administra a linha, os 38 veículos seguem horários com intervalos de aproximadamente três a oito minutos, no entanto a empresa reconhece que algumas vezes há atrasos, o que ocasiona excesso de passageiros. Outro ponto negativo é a falta de empresas que prestam o serviço de internet via cabo. A única opção para a população é contratar o serviço de empresas que utilizem satélites. As duas maiores empresas do setor confirmam que não possuem cabeamento no São Gabriel e uma delas retificou que só oferece o serviço via satélite no bairro. O bairro necessita ainda de maiores opções de lazer, uma vez que na região são raros os locais que oferecem entretenimento, como teatros ou cinemas. “Somos uma região carente, os moradores precisam de mais alternativas de lazer e diversão”, conclui Fabiano (Leia matéria página 9).

BIANCA DE MOURA

Do outro lado da cidade, o MARCO se preocupa também em apontar problemas que afetam a população. A demora em construir um parque ecológico em uma área de mineração deixa os moradores do Belvedere e da Vila Acaba Mundo sem áreas de lazer. Na tradicional entrevista da página 16, Jota Dângelo, nacionalmente conhecido como renovador do tetro em Minas, conta um pouco de sua experiência teatral, seu gosto lúdico e a trajetória de sua carreira. No texto, os leitores do jornal encontrarão relatos do desenvolvimento dessa forma de arte em Belo Horizonte. Fora da capital, nossos leitores se surpreenderão com as histórias de vida dos barraqueiros de Minas. São pessoas dos mais diferentes lugares, que deixam o conforto do lar e, muitas vezes, o convívio familiar, para venderem artigos variados – roupas, calçados, ferramentas, utensílios domésticos, alimentos –, em barracas montadas em festas religiosas, como o Jubileu de São José Operário, em Barbacena.

EXPEDIENTE

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jornal marco Jornal Laboratório da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas www.pucminas.br . e-mail: jornalmarco@pucminas.br Rua Dom José Gaspar, 500 . CEP 30.535-610 Bairro Coração Eucarístico Belo Horizonte Minas Gerais Tel: (31) 3319-4920 Sucursal PucMinas São Gabriel: Rua Walter Ianni, 255 CEP 31.980-110 Bairro São Gabriel Belo Horizonte MG Tel: (31) 3439-5286 Diretora da Faculdade de Comunicação e Artes: Profª. Glória Gomide Chefe de Departamento: Profª. Maria Libia Araújo Barbosa Coordenador do Curso de Jornalismo: Prof. José Francisco Braga Coordenadora do Curso de Comunicação / São Gabriel: Prof. Jair Rangel Editor: Prof. Fernando Lacerda Subeditor: Profa. Maria Libia Araújo Barbosa Editor Gráfico: Prof. José Maria de Morais Monitores de Jornalismo: Bianca de Moura, Carlos Eduardo Alvim, Cínthia Ramalho, Keneth Borges, Laura de Las Casas, Nathália Amado, Pedro Vasconcelos, Samara Nogueira e Tamara Fontes Monitores de Fotografia: Renata Fonseca e Maria Clara Mancilha Monitora de Diagramação: Lila Gaudêncio Fotolito e Impressão: Fumarc . Tiragem: 12.000 exemplares

Apesar do elevado número de habitantes, o Bairro São Gabriel sofre com a falta de serviços, que gera muitos transtornos para todos os moradores


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O INTERIOR VIVE NA CIDADE GRANDE n GABRIELA CAMARGOS, GABRIELA MATTE, LUÍS FELIPE SALGADO,

Costumes frequentes em cidades mineiras ainda fazem parte do dia a dia de alguns moradores da capital. Em bairros como Coração Eucarístico e Dom Cabral, na Região Noroeste, é fácil encontrar esses exemplos MARIA CLARA MANCILHA

1º PERÍODO

O Bairro Coração Eucarístico é delimitado pela movimentada Avenida Tereza Cristina, abriga uma das maiores universidades privadas do país e é o endereço de centenas de prédios e casas. É nesse cenário urbano, localizado a cerca de vinte e cinco minutos do centro da cidade, que a aposentada Maria Helena dos Santos cria galinhas e que Warley Siqueira trabalha com sua carroça. Situações como essas já se tornaram corriqueiras em vários bairros da Região Noroeste de Belo Horizonte e ilustram o cotidiano de cidades do interior em plena capital. A Mini Mercearia Patente, localizada no bairro Dom Cabral e administrada por Sônia Maria Santos Oliveira, 50 anos, é uma das inúmeras da região que exemplificam esses hábitos interioranos. A comerciante, natural de Ilhéus, na Bahia, adquiriu o estabelecimento há dez anos e manteve a tradição já existente de vender fiado. Dona Sônia afirma que trinta e oito de seus clientes, entre eles universitários e antigos moradores do bairro, têm o valor de suas compras anotado em cadernetas. Segundo ela, o negócio só funciona porque todos pagam as suas contas em dia. "O que mais facilita a relação entre vendedor e cliente é a confiança", alega Sandra de Oliveira Souza, de 56 anos, outra moradora do bairro e que há sete anos importa mel da fazenda de sua irmã e revende para os vizinhos na garagem de sua casa.

Maria Helena, que veio do interior, cria galinhas e outros animais por puro prazer. No passado, ganhou dinheiro com a venda de porcos São cerca de vinte clientes que compram o produto durante o ano todo, sobretudo no inverno, quando as vendas crescem, devido ao maior número de pessoas resfriadas. Sandra acredita que seus vizinhos preferem seu pequeno comércio ao supermercado pois têm certeza da procedência e da qualidade do produto que estão consumindo. Isabel Aparecida Reis Miranda, de 51 anos, é outra moradora de Belo Horizonte que trouxe consigo costumes do interior para a capital. Vinda de Conselheiro Lafaiete há mais de vinte anos, abriu uma loja de roupas e permite que as clientes de confiança levem as mercadorias para casa antes de efetivar a compra. "Às vezes você quer uma

roupa, mas não tem tempo de experimentá-la na loja. Em casa, você tem a opinião do marido, dos filhos", relata a cliente Eliane Maciel Ramos, 59 anos. A proprietária acredita que o serviço é o diferencial de sua loja e, por isso, atrai tantos clientes. Residente no Dom Cabral há quarenta e cinco anos, Noelia Alves de Melo, 68, faz costuras para a vizinhança nas horas vagas. Tudo começou com a confecção de vestidos para sua filha e hoje a dona de casa já possui em torno de vinte clientes. Um deles, Dora Pereira de Castro, utiliza com frequência os serviços da amiga costureira. "Desde que me mudei para o bairro, em 1973, a Nóelia faz consertos de roupas para mim",

conta. A cliente defende a importância dessa pratica, que além de tornar sua vida mais fácil, aproxima os vizinhos. O carroceiro Warley, de 17 anos, retira seu sustento do transporte de entulhos e por isso diz não se importar em encarar o movimentado trânsito da cidade, embora enfrente problemas. "Algumas pessoas xingam, principalmente quando estão muito apressadas. Hoje mesmo uma mulher quase bateu o carro em mim, virou bem na minha frente.", relata. Esses inconvenientes resultam do contraste entre interior e cidade grande. Contraste esse, que também se faz presente na curiosa cena observada na casa de dona Maria Helena, localizada em

frente a um imenso prédio residencial. A nora da aposentada, Glória Simões Oliveira, de 42 anos, conta que Maria Helena, vinda do interior do estado, cria galinhas, gatos, cachorros e pássaros por puro prazer, mas, no passado, já criou porcos, ganhou dinheiro com a venda e até comprou uma casa com o lucro. Os moradores da casa dizem já estarem acostumados a dividir o pequeno espaço com os animais, embora Glória não concorde com a permanência dos bichos no ambiente urbano. A socióloga graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais, Márcia Custódia Pereira, considera que perto do centro da cidade, "o individualismo e o egoísmo, próprios das sociedades modernas", tendem a expulsar hábitos do interior. "Já em bairros mais afastados, esses costumes pautados na confiança e na proximidade tendem a ser perpetuados, isso porque é comum a criação de pequenas comunidades onde todos se conhecem.", afirma. Ainda segundo a socióloga, tais costumes se mantêm nesses bairros da Região Noroeste, provavelmente, porque foram significativos na infância ou porque influenciaram de alguma maneira, direta ou indiretamente, a vida adulta de seus moradores. Assim é a capital mineira, uma cidade urbanizada que abriga uma parcela da população ainda persistente em cultivar os tradicionais hábitos do interior. São pessoas que não abrem mão desses valores, pois acreditam que, se esses se perderem, se vai também o diferencial que faz suas vidas mais prazerosas.

Hábitos interioranos resistem à modernidade BIANCA DE MOURA

n JUDY LIMA, 2º PERÍODO

Andar hoje pelas ruas dos bairros da Região Nordeste parece provocar dúbio sentimento, velhas e novas construções se misturam e provocam uma sensação de progresso e nostalgia. Os velhos costumes acabam prevalecendo justamente nessas comunidades, aonde o progresso chegou rodeando o que lhe interessava, a outros deixou para quando lhe fosse mais oportuno. Nos arredores da Região Nordeste, por exemplo, ainda é possível frequentar bares e restaurantes que servem o tradicional prato feito, ou popularmente PF. A tradição é da época em que a cidade passava por uma urbanização crescente, e os trabalhadores cansados procuravam abrigo e uma boa comida para recompor as forças. A mistura de arroz, feijão, carne e salada era servida com generosidade a preços módicos. Hoje, tal costume segue resistindo ao atual self-service ou comida à quilo. A boa e cômoda caderneta de anotação, que já fez parte da organização econômica das antigas famílias, ainda é encontrada

Maria das Graças mantém em sua mercearia objetos e pratos que lembram o interior em alguns bares e vendinhas, em uma época em que o cartão de crédito nem sonhava em existir. No restaurante Aline, situado próximo à PUC Minas, dona Maria das Graças Oliveira garante que o velho hábito preserva os bons clientes. Dona Maria, natural da cidade de Unaí, Região Oeste de Minas Gerais, conta que quando

chegou ao Bairro São Gabriel há 35 anos, não havia asfalto ou saneamento básico. "Linha telefônica, nem pensar!", recorda. Não era fácil conseguir trabalho. Mas, ela e seu esposo, Saulo, com muito esforço, resolveram abrir um pequeno comércio. "A vida das pessoas era muito difícil, por isso elas vinham me pedir que lhes vendesse para

pagar no final do mês, ou até que as coisas se acertassem financeiramente. Isso nunca me trouxe problemas", recorda. É possível encontrar no estabelecimento de dona Maria objetos que já não fazem mais parte dos comércios modernos, O chifre de boi, segundo ela, foi doado por um amigo e serve para espantar "olho gordo" e o baleiro para que as crianças possam pegar, elas mesmas, as balas que querem levar. A antiga organização das garrafas nas prateleiras, segundo dona Maria, é para que as pessoas reconheçam os desenhos nos rótulos, já que antigamente muitas não sabiam ler. Mas não são apenas os objetos que remetem ao interior. A culinária também. É ali também, na vendinha de dona Maria, que se pode saborear o tradicional galopé, mistura de galinha caipira e pé de porco dessalgado. Dona Maria Lídia de Jesus é outra moradora da região que se beneficia dos velhos costumes. Costureira, diz que seus clientes preferem ir ao seu estabelecimento a ir às grandes lojas, "Aqui, eles experimentam as roupas e, se não fica bom, eu faço os acertos na hora", garante. Há apenas uma máquina de cos-

tura, mas ela assegura dar conta do serviço. É também com admiração que se pode encontrar nos quintais de algumas casas enormes canelas. Bastante utilizada em chás medicinais ou até mesmo com café, aquela casquinha marron provém da árvore Canela, e pode chegar a 15 metros de altura. Em outros quintais se vê também grandes jabuticabeiras, que na época certa ficam repletas de frutos madurinhos. Outros costumes são os festejos religiosos, onde os vizinhos aproveitam para rezarem juntos e programarem quem irá receber em casa, a cada semana, a imagem de Santa Visitadora. Nesses encontros é muito comum servir bolo de fubá com o consagrado cafezinho. Caminhando pelas ruas, da região do bairro São Gabriel também se vê banquinhos de madeira envelhecidos em frente as casas e meninos se aproveitando dos terrenos baldios para jogar futebol. Como forma de prevenir para que o desenvolvimento não apague tudo da memória, existem as fotografias ou até retratos pintados à mão, exibidos com indisfarçável satisfação e orgulho por pessoas como dona Maria das Graças.


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COREU ADOTA SACOLAS RECICLÁVEIS n LÍDIA LIMA, PATRÍCIA DIAS, 3º PERÍODO

Desde o último dia 14 de abril, o comércio de Belo Horizonte começou a conviver com a proibição do uso de sacolas plásticas, sendo obrigado a se adequar às exigências da nova lei, que prevê punições aos estabelecimentos infratores, com multas que podem variar entre R$ mil e R$ 2 mil. Em alguns casos, há o risco até mesmo de perda do alvará de funcionamento. Mas quem vive ou até mesmo passa pelo bairro Coração Eucarístico ainda se depara com as sacolas oxibiodegradáveis nos estabelecimentos da região. De acordo com Paulo Sérgio de Souza, 39, subgerente há 13 anos da loja Epa localizada próxima à PUC Minas, foi comunicado em reuniões que o estabelecimento estará repassando ao consumidor o custo das sacolas biodegradáveis, que será de 0,19 centavos a unidade, sete vezes mais caras que as sacolas oxibiodegradáveis. Porém ainda estão sendo utilizadas no estabelecimento as sacolas oxibiodegradáveis, compostas a partir do petróleo, o que pode contaminar os lençóis freáticos localizados próximos aos aterros sanitários, prejudicando assim o meio ambiente e até mesmo o abastecimento de água da população. Já as biodegradáveis são produzidas com material orgânico, geralmente amido de milho, e por sua

Por causa da lei que proíbe o uso das sacolas plásticas, os moradores do Coração Eucarístico já encontram nos estabelecimentos comerciais da região a versão biodegradável ao custo de R$0,19. Para os consumidores que não quiserem pagar, existe a opção de embalar as compras em caixas de papelão RENATA FONSECA

Os estabelecimentos comerciais do Coração Eucarístico já adotaram a lei das sacolas plásticas. Agora os produtos comprados são embalados em sacolas biodegradáveis ou em caixas de papelão fácil decomposição, o material é deteriorado em cerca de 180 dias. O gari Marcos Dias, 31 anos, acredita que com a proibição da distribuição de sacolas comuns, as ruas ficarão mais limpas. "Eu acho que vai facilitar um pouco do meu serviço, pelo menos espero que isso aconteça", analisa. Ele ressalta que o valor das sacolas cobrado pelos estabelecimentos vai pesar no bolso dos consumidores. Mesmo não sendo moradora do bairro, mas como transita sempre pelo local a enfermeira Raquel

Soares, 25, moradora do bairro Gutierrez, acredita que essa lei vai forçar as pessoas a utilizarem as sacolas recicláveis ou retornáveis, e que adequação só depende das pessoas. "Com o tempo conseguiremos mudar a cabeças das pessoas e mostrar a importância de se preservar o meio ambiente", a estudante espera também que essa lei não fique só no papel. "Tem que ter fiscalização mesmo, temos que obrigar e fazer cumprir essa determinação", pontuou. Em outro estabeleci-

mento do bairro, já é possível perceber mudanças. A Drogaria Araújo, a princípio, não está cobrando de seus clientes o valor das novas sacolas biodegradáveis. Segundo Márcio Aurélio, 41 anos, gerente há 6 da loja do bairro, a drogaria já se adaptou à nova lei. "Já estamos utilizando as sacolas biodegradáveis, todo mundo esta preocupado com meio ambiente, ambientalmente é uma lei totalmente válida", afirma. Segundo os moradores do bairro Coração Eucarístico, Roni Gonçalves,

43, metalúrgico, e seu filho Gladson Gonçalves, 22, promotor de eventos, as sacolas oxibiodegradáveis ainda são encontradas na maioria dos estabelecimentos da região, apesar de a maioria das pessoas acreditar que a lei é muito importante para o meio ambiente. "Demorou para que alguém tomasse uma atitude, porque as sacolas de plástico agridem a natureza, as pessoas levam para beira do rio, das lagoas, jogam no meio da rua, e quando chove entopem os bueiros. Acabando com esse tipo de sacola, as pes-

soas vão acabar utilizando sacolas de lixo, facilitando assim o trabalho dos lixeiros, pois a partir de agora eles não vão ter que ficar pegando aquele monte de sacolinhas", disse o metalúrgico . Para Gladson, essa lei vai deixar o bairro mais bonito e limpo. "Espero não ver mais sacolas jogadas na rua e nas pracinhas. Se é para ajudar a natureza, não há nada de melhor, e as sacolas retornáveis vão começar aparecer nas ruas com mais frequência", opina.

Conscientização também se aprende na escola RENATA FONSECA

n CLARISSA FRANÇA, GABRIELA GARCIA, LUÍSA BORGES, YASMIN TOFANELLO, 1º PERÍODO

Preocupados com a sustentabilidade e com a aplicação da Lei 9.529/ 08, que prevê a substituição do uso de sacolas plásticas pelo uso de embalagens que são produzidas de material reciclável ou biodegradável, alunos e professores da Escola Estadual Mário Matos criaram o projeto, "Sacolas plásticas nunca mais". O projeto consiste na produção e distribuição de sacolas de TNT, com o objetivo de conscientizar e ajudar as pessoas no cumprimento da nova lei, além de incentivar a mudança de comportamento dos próprios alunos. "A ideia é justamente essa, mudar os hábitos. E é o que já está acontecendo nas próprias turmas. Até a questão da

limpeza na escola já está fazendo sentido para eles", revela a surpevisora da escola, Tânia Oliveira Araújo. Os estudantes se envolveram de tamanha forma com o projeto, que até seus familiares acabaram engajados na produção das sacolas. Todos acreditam na importância deste trabalho para a conscientização a respeito da preservação do meio ambiente. "O projeto é importante porque vai ajudar em tudo, pois as sacolas plásticas estão poluindo muito o mundo. Estamos tentando melhorar as coisas, pois assim não dá para continuar", diz a aluna Iara de Oliveira Rocha Aguiar, 13 anos. A professora de Língua Portuguesa Antonieta Amorim de Faria Silva afirma que os alunos, por meio deste projeto, passaram a se preocupar mais com a natureza e

sua preservação. Segundo ela, os estudantes chegaram inclusive a questioná-la sobre a questão das embalagens plásticas do arroz, açúcar e de outros produtos. Após a produção das sacolas de TNT, os alunos foram às ruas para realizar a distribuição. O pedágio surpreendeu os moradores, que acharam de grande importância essa iniciativa. "Se cada um fizesse um pouquinho disso, ajudaria bastante", observa a aposentada Diva Teodora Luisa, 66 anos. Por meio da iniciativa de produzir e distribuir sacolas de TNT, a escola contribui para a conscientização de toda a sociedade sobre a importância de preservar o meio ambiente, além de mostrar a necessidade de uma mudança de comportamento da população.

Os alunos da Escola Mário Matos confeccionam sacolas de TNT e ajudam na conscientização da comunidade


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UMEI DOM CABRAL PODE SAIR EM 2012 n SAMARA NOGUEIRA, 4º PERÍODO

Na edição do mês de novembro de 2010, o jornal Marco abordou a falta de Unidade Municipal de ensino (UMEI) no Bairro Dom Cabral. Os moradores e o conselho tutelar solicitavam junto à prefeitura a utilização de um lote vago localizado entre as ruas Guatambu e Ibirapitanga, para a construção da Unidade. Após um ano de solicitações, segundo Carlos Guilherme, Conselheiro do Conselho Tutelar, a construção foi inserida no plano de metas do governo atual. Entretanto, Leonardo dos Santos, um dos componentes da equipe responsável pela rede física da Secretaria Municipal de Educação, ressalta que a obra precisa ser liberada e só depois começar a ser realizada, o que pode demorar 15 meses. Essa conquista foi resultado do esforço de pessoas como o Conselheiro do Conselho Tutelar Carlos Guilherme que intercedeu junto a Prefeitura pela comunidade onde nasceu. "Eu sou membro da comunidade do Coração Eucarístico, atualmente, mas minha família é do Dom Cabral. Eu cresci aqui, dos 30 anos que tenho são 28 na comunidade. Eu sempre participei de movimentos do bairro, então acompanhei essa luta pelo terreno. A partir da minha eleição como representante da comunidade junto ao conselho há um ano e três

Moradores do Bairro Dom Cabral, que reclamaram da falta de Unidade Municipal de ensino na região, conseguiram que o projeto seja inserido no plano de metas do governo atual. A obra precisa ser aprovada e se isso acontecer ela começará em 15 meses. A comunidade comemora a vitória e torce para que mais uma UMEI seja criada na região MARIA CLARA MANCILHA

Maurício Antônio Sales, presidente da Associação do Dom Cabral, comemora a construção da nova UMEI em lote abandonado meses, eu pude fazer essa solicitação ao governo atual. Em 50 anos pela primeira vez a comunidade colocou um representante no conselho e aí eu já entrei com esse projeto de lutar pela educação infantil", relata. Apesar de ter exercido um papel fundamental na conquista, Carlos Guilherme não foi o único respon-

sável por ela. Maurício Antônio Sales, presidente da Associação do Dom Cabral, o ajudou durante todo o processo e comemora a vitória ressaltando os benefícios que a comunidade terá com a construção da nova UMEI. "Para a comunidade vai ser bom porque vai ter as creches para as crianças, as mães às vezes não podem

trabalhar por causa disso", desabafa. Além disso, Maurício acrescenta que a ocupação do lote para a construção da UMEI diminuirá a criminalidade e proliferação de doenças no bairro, já que a atualmente, o local é utilizado como bota fora e esconderijo de marginais. A criação da nova UMEI vai atender a parte

da demanda de creches da região, como por exemplo, a Bom Pastor que atende atualmente 80 crianças. Ivete de Fátima, coordenadora da creche, acredita que a construção da UMEI no bairro vai ampliar as possibilidades das mães da região. "Vai humanizar mais essa demanda né", afirma. Entretanto, ela acrescenta que a UMEI

não suprirá todas as necessidades da região, já que não possui horário integral para crianças de quatro a cinco anos. "A UMEI não resolve para a mãe que precisa deixar seu filho em tempo integral, a não ser aqueles de zero a três anos, nós oferecemos", observa. Marlene de Oliveira, tia de Renata Donato, relata que a sobrinha não conseguiu vaga na região para matricular sua filha Mariana Donato." Ela tentou no Bom Pastor e foi no Conselho Tutelar, mas não encontrou vaga para a filha nas UMEIs da redondeza", conta. Ela ainda acrescenta que ter a possibilidade de matricular a criança próximo de casa evita gastos com o transporte. "Nessa vila tem crianças que estão em UMEIs lá do Coração Eucarístico que é longe para elas. Sendo aqui facilita porque lá tem que arcar com despesa de transporte e aqui não" ressalta. O fato de a UMEI começar a ser feita somente em 2012, não preocupa Carlos Guilherme. "Eu acho que a conquista da obra já é um grande passo já é uma sinalização do poder público quanto sua responsabilidade com o ensino infantil. Apesar de ser uma obra que se inicia em 2012 eu penso que ainda sim é dentro da gestão atual, é uma sinalização que o governo realmente manifesta interesse em cumprir", explica.

Projeto oferece bem-estar para a terceira idade PEDRO VASCONCELOS

n LARISSA MARTINS, MARINA NEVES, 1° PERÍODO

O Centro Dia do Idoso, localizado no Bairro Dom Cabral, oferece diversas atividades à comunidade da região. O atendimento psicológico gratuito conta com a ajuda de estagiários do curso de psicologia da PUC Minas, localizada no Bairro Coração Eucarístico, encarregados de assistir os moradores. De acordo com a presidente do grupo Esperança e Vida, Waneide Caricate, 62 anos, a idealização do projeto foi feita por um conjunto de professores de psicologia da PUC Minas, entre elas, Geisa Moreira. O projeto iniciou-se devido ao convênio existente entre a instituição de ensino superior e o Centro Dia do Idoso. "O objetivo do espaço comunitário é acolher a demanda da população por atendimento psicológico, oferecendo acompanhamento aos grupos, além de um espaço para escuta e valorização

social dos pacientes", afirma Geisa. Em 2007, o Centro foi construído e os atendimentos que até o ano de 2006 eram realizados em um galpão, cedido pela Paróquia Bom Pastor, foram deslocados para a instituição. Neste semestre, o atendimento individualizado acontece as quintas-feiras, das 14h às 16h, sendo necessário o agendamento. A paciente Maria Estefania Pinto, 101 anos, faz o acompanhamento psicológico há quatro anos e segundo sua sobrinha Irene Conceição Coutinho, 73 anos, os resultados gerados pelo acompanhamento são benéficos. "Chega uma fase da vida na qual o idoso se sente só por não ter quem o compreenda. Então, decidi procurar uma ajuda que a fizesse superar as dificuldades de compreensão e de abandono que ela (Maria Estefania) sentia", diz Irene. O atendimento psicológico constitui apenas

uma das inúmeras atividades oferecidas pelo Centro. Há também, o Ensino para Jovens e Adultos (EJA) que funciona de segunda a quintafeira às 17h e o LiangGoung, terapia baseada em exercícios físicos orientados por profissionais. A novidade ocorre nas terças e quintas-feiras de 9h às 10h e nas quartas e sextasfeiras às 16h. A instituição conta com atividades de curta duração, como a Oficina de Reciclagem, que apesar de ter durado três dias, trouxe entretenimento e instigou a capacidade de criação dos envolvidos no projeto. A maioria dos serviços oferecidos pelo Centro Dia do Idoso são benéficos para a saúde de quem o frequenta. "As boas sementes plantadas são colhidas, pois, quem acompanha, percebe esses bons resultados, esses frutos amadurecendo. O idoso precisa de vida, o idoso é vida, o que as estagiárias fazem é devolvê-la ao idoso", confirma Irene.

Wanilde Caricate é a presidente do Grupo Esperança e Vida, que oferece atendimento psicológico para os idosos


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n GABRIEL DUARTE, LILA GAUDÊNCIO, LÍVIA ALEN, LUIZA SOUSA, SÍLVIA ESPESCHIT, 7º PERÍODO

Apesar dos relatos de moradores sobre ocorrências de roubos de patrimônio no Bairro Padre Eustáquio, localizado na Região Noroeste da capital, residências antigas conservam algumas características típicas da sua origem, na década de 20. Tradicional em ter casas de muros baixos e abertas à rua, o bairro ainda possui moradores que não adotam medidas de segurança, como colocar um simples cadeado no portão. A Polícia Militar afirma que o bairro tem apresentado diminuição nos índices de roubos e furtos, mas não fornece dados. A dona de casa Roselene Cottete, residente no Padre Eustáquio há 48 anos, é uma dentre os vários moradores antigos que optaram por não instalar ferramentas tecnológicas de segurança. Há uma década, sua casa tinha apenas um muro baixo de um metro, com portão da mesma altura. Apesar de tê-lo substituído por grades de quase dois metros, exatamente pela questão do crescimento da violência na região, Roselene afirma que não pretende incrementar mais a segurança da residência. "Agora, o bairro está muito perigoso, a gente não pode deixar nem o carro lá fora que eles roubam, mas não pretendo colocar cerca elétrica, nem alarme, porque tem o cachorro, que dá sinal", diz. Alguns moradores, no entanto, sentem medo e pretendem adotar medidas de segurança. Lenita Saar, pensionista e moradora do Padre Eustáquio há 42 anos, tem o desejo de aumentar o muro, de 1,65 metro, que há cinco anos media apenas um metro, e colocar cerca elétrica. Com medo da violência, a pensionista quer realizar mudanças, mas lhe falta dinheiro para concretizar o objetivo. A casa de Lenita não tem alarme, cerca elétrica ou cachorro, que facilita, segundo ela, que pessoas invadam a casa. "Já quebraram o vidro da porta de entrada. Meu bairro não é seguro, não. Meu neto foi assaltado na porta de casa semana passada. Eles estavam armados e ele teve que entregar o celular", conta. A filha de Lenita, a dona de casa Márcia Saar, afirma que constantemente tem problemas com a violência no bairro e conta que quase sofreu um assalto recentemente: "Uma mulher tocou duas vezes a campainha e pediu que eu chegasse ao portão para atendê-la. Eu disse que não, mas ela insistiu nisso". Segundo Márcia, depois de outra negativa, um homem apareceu e tentou abrir o trinco do portão. "Ele foi colocando a mão no portão, tentando abrir, mas ele não conseguiu encontrar o trinco e desistiu", relata. Assim, a primeira providência que as moradoras pretendem tomar é colocar um interfone, para deixar de atender o portão de casa

indo até ele, que seria, segundo elas, um fator facilitador para assaltos. "De noite eu não atendo a campainha, não abro a porta, porque pode acontecer alguma coisa", diz Lenita. Segundo Robson Sávio Reis, pesquisador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) a decisão de uma parcela de moradores de não utilizar equipamentos de segurança pode ser explicada pela confiança entre vizinhos. "Algumas ruas podem ter relações vicinais muito amplas, o que faz com que as pessoas acreditem nessas relações", observa. Apesar do comércio, ele acredita que o Padre Eustáquio ainda é predominantemente um bairro residencial, caracterizado pelas relações de vizinhança. Robson Reis ressalta que a coesão social entre vizinhos é uma condição fundamental de segurança. Ele explica ainda que medidas como aumentar o tamanho dos muros, colocar cerca elétrica ou ter um cão de guarda podem não garantir completamente a segurança do morador. O pesquisador ressalta que uma medida de segurança eficaz pode ser a manutenção de boas relações sociais. Para isso, exemplifica que um ladrão pode entrar num condomínio considerado seguro e andar com os moradores no elevador. Isso porque algumas vezes os vizinhos não se conhecem. Ele também teoriza que uma casa de muro alto pode dificultar a entrada de ladrões, porém se eles entram ninguém verá movimentação estranha. REDE DE VIZINHOS Para tentar diminuir os índices de criminalidade em alguns bairros da Região Noroeste, incluindo o Bairro Padre Eustáquio, foi criada no ano de 2004 a Rede de Vizinhos Protegidos pela Polícia Militar. O motivo da criação era tentar diminuir a sensação de insegurança entre os moradores, buscando uma melhoria da proximidade entre o órgão de segurança e a comunidade. Segundo a Polícia Militar, o Padre Eustáquio é um dos bairros antigos da capital, cujo poder aquisitivo aumentou ao longo dos anos, fato que contribuiu para o alto índico de furtos e roubos da região. A PM admite a impossibilidade de estar presente em todos os lugares em todo o tempo, fato que contribui para a dificuldade de manter a segurança. Assim, a rede de vizinhos prevê a associação de até cinco residências circunvizinhas, prevendo uma integração entre todos os participantes de forma mútua e comprometida. Para que a ação seja bem sucedida, é preciso que todos os integrante se conheçam, bem como seus hábitos e contatos. Dessa forma, eles assumem a função de uma espécie de "câmera viva", emitindo sinal de perigo por meio de sons e códigos previamente combinados.

Maio • 2011

Mesmo com os altos índices de criminalidade na região, grande parte das casas do Bairro Padre Eustáquio ainda mantém características de décadas passadas, quando a segurança não era uma questão tão preocupante como é atualmente

MORADORES DESAFIAM PADRÕES DE SEGURANÇA LILA GAUDÊNCIO

Portão de residência da Rua Costa Sena fica aberto durante todo o dia, demonstrando comportamento ainda comum entre moradores da região

Medidas de prevenção não são eficazes Os relatos de assaltos feitos pelas moradoras não são incomuns, de acordo com Robson Sávio Reis, pesquisador do Crisp. Segundo a Polícia Civil, em 2010, a Região Noroeste foi a que teve o maior índice de furtos e roubos de veículos da capital, com 24% dos 3.052 casos registrados, com a maioria deles ocorrendo nos bairros Padre Eustáquio, Caiçara e Cachoeirinha. Ele explica que o alto índice deste tipo de ato criminoso se deve a uma conjunção de fatores. Primeiro, as vias de trânsito rápidas próximas, como a Via Expressa, Anel Rodoviário e Pedro II, seriam facilitadoras da fuga; segundo, o fato de ser um bairro de classe média com comércio movimentado; e terceiro, a existência de uma universidade próxima ao bairro, com grande fluxo de veículos e pessoas. No que se refere às medidas privadas de segurança, Robson Reis enfatiza que a tranquilidade do cidadão é de responsabilidade do Estado, sendo um direito

garantido no artigo 144 da Constituição Federal. Segundo ele, o que deve acontecer é a melhoria da segurança pública para não se depender da privada. Porém, o Major André Leão, da 9° Companhia da Polícia Militar, refuta esta ideia, argumentando que o artigo também prevê que é dever dos cidadãos ter responsabilidade sobre suas seguranças. Além disso, ele diz que muitas pessoas só tomam cuidado depois que ocorre algo de ruim com elas. Com a sensação de insegurança, o mercado de segurança privada cresce em função da deteriorização da segurança pública. Segundo estudo da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), cerca de 650 mil imóveis no país são monitorados, número que corresponde a 10,5% do total de propriedades que poderiam ser equipadas com os aparelhos de vigilância. Porém, segundo Ezequiel Castilho, mestre em administração pública e professor da PUC Minas,

as ferramentas de segurança nem sempre são eficazes. Dependendo da situação, elas serão inúteis para se proteger da violência. "Todas as barreiras físicas vão ter uma vantagem e uma desvantagem. A cerca elétrica, por exemplo, se acabar a luz, você fica desprotegido do mesmo jeito", exemplifica. A dona de casa Maria Ângela Silva compartilha da opinião do especialista. Moradora do Bairro Padre Eustáquio, há mais de 30 anos, Maria afirma não ter medo de ser assaltada em sua residência. Em sua opinião, alarmes ou cercas elétricas não garantem a segurança das pessoas. "Tem tanto prédio com segurança, portão eletrônico, estas coisas, e eles continuam entrando", afirma. Assim, é com quase nenhuma dificuldade que qualquer indivíduo consegue entrar no terreno de várias residências localizado na Rua Costa Sena, onde Maria mora. Com seis casas, o local não tem qualquer tipo de sistema de segurança ou aviso para os moradores,

na maioria idosos. Mesmo à noite, as pessoas não colocam cadeado no portão que dá acesso às casas. A residência da evangelista, por exemplo, não tem campainha, obrigando-a a chegar à janela para atender. "O portão abre fácil e geralmente não vemos quem está entrando e também não ouvimos abrir", conta. Assim, o pesquisador do Crisp, Róbson Sávio enfatiza que a participação das pessoas deve se dar no âmbito público, cobrando políticas de segurança, ligando para a polícia em caso de situações estranhas e até avisando ao poder público quando há uma lâmpada queimada na rua. Só assim, segundo ele, os serviços de segurança seriam melhorados e a população não dependeria da esfera privada para se sentir segura. "Não adianta viver num bunker [estruturas de defesa usadas em guerras], já que se precisa conviver no espaço público", conclui.


Campus Maio • 2011

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ALUNOS SE PREPARAM PARA RONDON n RAQUEL DUTRA, FERNANDA GONTIJO, LAURA BARALDI,

Coordenado pelo Ministério da Defesa, projeto ajuda comunidades carentes e contribui na formação de novos voluntarios RENATA FONSECA

1º PERÍODO

Iniciado em 1966, dois anos após a implantação do regime militar no país, e retomado em 2005, em um cenário de democracia, o Projeto Rondon 2011, encontra-se em fase de divulgação, organização e preparação dos estudantes que dele participarão. Em Minas, por exemplo, estão sendo organizados eventos, como palestras, para que os participantes tenham mais informações sobre o seu funcionamento. Algumas dessas palestras aconteceram no campus Coração Eucarístico da PUC Minas. Estudantes interessados tiveram a oportunidade de compreender melhor seus objetivos e como ele é realizado, por meio de depoimentos prestados por voluntários experientes e também por coordenadores. "Já participei desse projeto duas vezes. É maravilhoso", comenta Bruno Ricardo Lisboa, de 29 anos, formado em Letras pelo PUC Minas. Ele conta que participou do Rondon nas edições 2007 e 2009, motivado pela necessidade que sentia de se envolver em algum programa social, interessado em ajudar comunidades carentes. Ele participou de uma das palestras para "auxiliar" os futuros participantes. "Aqui brincamos que uma vez rondonista, sempre

Alunos da PUC Minas participam de reunião do Projeto Rondom. Em Minas, o Vale do Mucuri e Jequitinhonha são os principais alvos de atuação do projeto rondonista", enfatizou Bruno Lisboa. A maioria dos estudantes presentes a uma das palestras realizada em 26 de março, estava ali pela primeira vez. Todos os entrevistados pelo MARCO relataram que sempre ouviram boas impressões sobre o Rondon, o que os motivou a quererem conhecer mais sobre o projeto. "Meu professor falou do projeto em sala. Interessei-me, pesquisei e procurei depoimentos de pessoas que já participaram anteriormente. Como só ouvi coisas boas,

benéficas e legais resolvi participar", conta a aluna do 9º período de Direito da PUC Minas, Emanuela Heloisa Maciel, 21 anos. Já Alex Caitano Silva, também de 21 anos, que cursa o 5º período de Enfermagem na mesma universidade, revela que já participar do Rondon fazia parte dos seus planos há algum tempo. "é um projeto antigo, já queria participar há algum tempo. Acho bacana por ajudar pessoas carentes, de cidades do interior.” "Ouvi falar desse projeto, pesquisei no site e,

além disso, uma amiga já participou e amou. Só falou bem do projeto, então, resolvi conhecê-lo", comentou a estudante Amanda de Oliveira, de 30 anos, aluna do sétimo período de psicologia da PUC Minas. O Rondon em Minas trabalha com equipes multidisciplinares de universitários que desenvolvem atividades como valorização cultural, geração de renda, ações educativas para familiares, mobilização da comunidade, visando a inclusão social e for-

PUC busca novas alternativas para atender alunos deficientes n FERNANDA MELO RAQUEL ANDRETO, 2º PERÍODO

Pessoas com deficiências na PUC Minas enfrentam dificuldades para estudar e trabalhar no campus Coração Eucarístico, em virtude da arquitetura e estrutura ainda não totalmente adaptada e da insuficiência de intérpretes para a demanda de alunos especiais. De acordo com o NAI (Núcleo de Apoio à Inclusão do Aluno com Necessidades Educacionais Especiais), tem-se, atualmente, 177 alunos deficientes estudando na PUCMinas. Desse total, 87 alunos possuem deficiência locomotora, 51 apresentam deficiência visual e 39 são surdos. A PUC-Minas possui 105 funcionários com algum tipo de deficiência física, que recebem apoio e são acompanhados pela Sociedade Inclusiva. José Felippe Drummond, 23 anos, deficiente físico, estudante de Ciências Biológicas, do 6º período, conta que sua maior dificuldade é utilizar o laboratório de biologia, pelo fato da

bancada ser muito alta. Relata, ainda, que tem dificuldades de se locomover nos prédios 25 e 27, onde as aulas se realizam, pois ele usa cadeira de rodas manual e as rampas de acesso são íngremes. Para ir de um prédio ao outro, o universitário necessita dar muitas voltas para conseguir chegar. "Por causa disso, já cheguei atrasado diversas vezes nas aulas", conta ele. Outro estudante Ademar Alves de Oliveira Junior, 22 anos, deficiente auditivo, estudante do 7º período do curso de Arquitetura e Urbanismo, lamenta a falta de intérpretes de libras para todos os alunos. Ele conta que tem uma aula muito importante às terças-feiras, mas que deixou de assisti-la por não haver intérprete disponível no horário para acompanhá-lo. Ademar relata que o ingresso de surdos na Universidade aumentou consideravelmente desde que passou a estudar na PUC e diz haver optado por essa instituição de ensino, por ser a pioneira a desenvolver um núcleo de inclusão de alunos portadores de deficiências e disponibilizar gratuita-

mente intérpretes e materiais didáticos especiais. Ele diz, ainda, que apesar das dificuldades enfrentadas, o NAI é diligente e prestativo no intuito de auxiliá-lo. O deficiente visual Herivelton Ferraz, 33 anos, trabalha como auxiliar administrativo, desde 2009, na instituição e acrescenta: “O campus Coração Eucarístico é onde tem a melhor estrutura para deficientes, mas ainda há muito o que fazer". Ele também reclama da falta de adequações do piso tátil no interior de toda a universidade. A professora Maria do Carmo, coordenadora-geral do NAI, reconhece as limitações do campus Coração Eucarístico e diz que o trabalho em prol das melhorias e adequações é constante e gradativo. Fundado em 2005, o NAI exerce suas atividades em coordenação com três eixos: no atendimento e auxílio aos cegos e portadores de baixa visão, fornecendo materiais em braile e em áudio, bem como disponibilizando leitores e copistas, que auxiliam os alunos na realização de provas. Aos deficientes

auditivos, o NAI seleciona, capacita e avalia os intérpretes de libras, que irão auxiliar os alunos dentro de sala de aula e realiza monitorias em língua portuguesa para ajudá-los na escrita e leitura. Aos deficientes físicos, o NAI atua em conjunto com o setor PRO-INFRA da Universidade, na aquisição do mobiliário escolar adaptado aos alunos, bem como na confecção de rampas de acesso, adaptação de banheiros e elevadores nos prédios. A professora Maria do Carmo, militante nessa área há mais de 30 anos, diz que o trabalho envolve toda a comunidade, seja na conscientização de uma mudança de atitude perante os deficientes, seja na efetivação da plena inclusão social desses alunos na universidade. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas pelos alunos para conseguirem a sua inclusão, eles se mostram muito otimistas quanto ao futuro, pois com apoio do NAI, dos professores e colegas, acreditam ser possível diminuir os atuais obstáculos a serem superados.

mação cidadã. As regiões dos vales do Mucuri e Jequitinhonha, além do Norte de Minas, que possuem baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) são os principais focos do projeto. ORIGEM O Projeto Rondon nasceu de um trabalho de sociologia intitulado "O Militar e a Sociedade Brasileira", realizado em 1966 na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. A primeira operação ocorreu no ano seguinte e levou estudantes ao interior da

Amazônia com um único objetivo de realização: proporcionar melhoras na qualidade de vida das comunidades carentes ali presentes. O nome é em homenagem ao militar e humanista Cândido Mariano da Silva Rondon, incansável defensor dos povos indígenas do Brasil e responsável pela integração de grande parte do território brasileiro, nascido em 5 de maio de 1865, em Mimoso, no estado do Mato Grosso. Nos dias de hoje, o projeto corre por quase todos os estados do Brasil, coordenado pelo Ministério de Defesa, e conta com a participação voluntária de estudantes universitários e tem como principal objetivo encontrar soluções para que haja um melhor desenvolvimento sustentável e um aumento do bem-estar social. Essa ação social é desenvolvida em diversas comunidades carentes de todo o Brasil que possuam um baixo IDH. O projeto ainda recebe a colaboração de governos estaduais, ONGs (organizações não governamentais), entre outros. De modo geral, ele engloba áreas como a de saúde, cultura, meio-ambiente e educação. Além de beneficiar as comunidades carentes, tem o objetivo de contribuir para a formação pessoal e profissional de cada voluntário. Outras informações podem ser obtidas pelo site: www.defesa.gov.br/projetorondon.

RENATA FONSECA

José Felipe encontra dificuldades para se locomover dentro da universidade


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] [ O UND M O D À I TO “AQUODE FICARO TEM P NÃ DE, A ” T VON ESCURA OSA R F ARB B O D L G ERA

LAZER PARA TODAS AS IDADES n ÍGOR SILQUEIRA, LARA DIAS, 1º PERÍODO,

A Região Noroeste é uma das mais antigas e populosas de Belo Horizonte, com aproximadamente 360 mil habitantes. Ela abriga bairros tradicionais, cuja vida social ainda se caracteriza por costumes interioranos e festas populares, principalmente as religiosas. A presença de instituições de ensino como a PUC Minas, entre outras, incorporou um contingente de jovens universitários que moram e frequentam a área. Hoje, além de praças, bares e restaurantes, a região conta também com outras opções de lazer, como parques e museu. O Bairro Coração Eucarístico abriga o campus da PUC Minas, que oferece atrativos como o seu Centro Olímpico, para a prática esportiva, ou o Museu de Ciências Naturais. Fora do campus, a Praça da Federação, mais conhecida como Pracinha da PUC, é tradicional ponto de encontro. Além de bares e restaurantes ao seu redor, a praça é por si só uma opção de lazer para os moradores e para as pessoas que transitam pela região. "Moro aqui ao lado. Venho sempre de manhã e à tarde passear com meu cachorro", conta o aposentado Joaquim Nunes Macedo, 82 anos. Para a professora de francês Fernanda Marçola, 26 anos, a praça é boa porque tem mesas e é ao ar livre. “Mas falta entretenimento por aqui", constata. Na Pracinha, existem bares e restaurantes. Um deles, A Granel, funciona no local há 22 anos e oferece música ao vivo. "É frequentado por um público variado", afirma o gerente Hugo Eugênio. O Taco’s Bar é outra opção de entretenimento na praça. O gerente do estabelecimento Cláudio Antônio diz que o público é predominantemente jovem. Saindo da praça em direção ao campus da PUC, na Rua Coração Eucarístico de Jesus, o Denique Café foi recentemente inaugurado. Além do cardápio de almoço, servido nas mesas durante a semana, a casa oferece um espaço mais reservado nos fundos. “Ali, professores costumam ir para corrigir provas e os alunos para estudar", conta o garçom Daniel Leão. À noite funciona um bar, e todas as quintas-feiras de 20h30 às 24h acontecem apresentações ao vivo de jazz. No interior do campus, o Museu de Ciências Naturais abriga um dos maiores e

importantes acervos científicos da América Latina, oferecendo atividades educativas e culturais variadas. Ali acontecem exposições sobre a era dos répteis, sobre a fauna e o cerrado brasileiro e a vida na água, além de um jardim de borboletas. Aberto ao público, o museu recebe visitas agendadas de escolas. O professor de Educação Física e Ciências Lúcio Maia, da Escola Municipal Professora Ondina Nobre, localizada no Bairro Céu Azul, na Região da Pampulha, aproveitou que está ensinando sobre os dinossauros e sua extinção, para levar seus alunos ao museu. "É a sétima turma da escola que eu trago aqui por ser um local onde os alunos adoram e aprendem muito", conta. Para Amanda Ferreira, 13 anos, aluna da escola, o Museu da PUC Minas é um espaço muito interessante e onde se aprende muitas coisas. "Gostei muito do boto cor de rosa e dos fósseis. Acho importante para o ensino, aprendi muito", afirma a estudante. O Museu de Ciências Naturais está aberto para visitação as terças, quartas e sextasfeiras das 8h30 às 17h; as quintas-feiras funciona das 13h as 21h e os sábados e feriados das 9h às 17h ao custo de R$4. Desde março de 2010, o Diadorim Livros e Café, que também está localizado na Rua Dom José Gaspar, é uma opção para quem gosta de ler. Por ser uma livraria e cafeteria, o lugar recebe muitos professores, estudantes e intelectuais. Em seu interior estão algumas peças de artesanato do Vale do Jequitinhonha e livros expostos à venda. Eventualmente, acontecem performances de artistas mineiros, além de exposições de fotografias, pinturas e esculturas. "Diadorim" é uma personagem do livro Grande Sertão Veredas, de João Guimarães Rosa. O jornalista Tarcísio Alves Junior, um dos sócios do local, explica que o nome foi dado em homenagem "ao misterioso escritor mineiro, aos livros e às Minas Gerais". Em frente à PUC Minas, O Restaurante Via Grill, funciona durante a semana em horário normal. Aos sábados, uma banda convidada toca samba ao vivo, a partir das 18h. O supervisor de vendas Guilherme Henrique, 23 anos, mora no bairro Nova Suíça, mas costuma frequentar o local nos finais de semana. "Cada região tem uma característica marcante, essa aqui é de bares e restaurantes. Quando quero ir ao cinema ou

ao shopping, por exemplo, vou na Zona Sul", diz. Para quem procura lazer e qualidade de vida, a Praça de Esportes localizada na Via Expressa, próxima ao Bairro Coração Eucarístico, é uma boa opção, já que reúne uma pista de cooper , brinquedos para crianças, mesinhas para o jogo de xadrez e um espaço dedicado à pratica de skate, patins e bicicleta. O estudante Eduardo Barreto, 15 anos, mora no Coração Eucarístico e conta que começou a andar de skate depois que a praça foi construída. "Gostei de terem feito esse espaço mas o chão e a altura dos bancos não são apropriados para o skate, e quando chove dá muito barro", reclama. Ivoney Chavier, 19 anos, mora no Jardim Montanhense e foi na Praça de Esporte da Via Expressa pela primeira vez para andar na pista de skate. Ela conta que ganhou seu primeiro skate com dez anos e pratica o esporte desde essa época. "Eu procuro lugares diferentes para sair da rotina”, diz. PONTO DE ENCONTRO O Bar Do Caixote, no bairro João Pinheiro, ficou conhecido pela simplicidade e pela inusitada forma que recebe os seus clientes. Espalhados pela calçada e pela parte interna, caixotes de madeira são usados como mesas e cadeiras, e o que poderia parecer desconforto, acaba sendo o principal atrativo do bar. Para Geraldo Barbosa, o Dico, que trabalha no bar há 12 anos como garçom, o espaço do bar faz com que os fregueses se sintam em casa. "Aqui todo mundo pode ficar à vontade, não tem frescura", comenta. No Bairro Caiçara há mais de 25 anos funciona o Bar do "Véio". O bar localizado na Rua Itaguaí, 406, reúne vários amigos, que de tanto frequentarem o local, acabaram fundando uma confraria que se encontra todos os domingos há mais de 20 anos. De acordo com o gerente da confraria, Rômulo Felga, 45 anos, foi o encontro diário que levou a criação do grupo. "Todo ano organizamos festas, amigo oculto, doações e homenagem aos funcionários do bar. Hoje são 20 membros, entre médicos, engenheiros, advogados, jornalistas e outros profissionais. Muitos deles já não moram mais no bairro, mas continuam frequentando e participando dos encontros", conta.

As Regiões Noroeste e Nordeste de Belo Horizonte são conhecidas pela presença da PUC Minas além de diversas praças, bares e restaurantes. Dessa forma, surgem várias opções de diversão, tanto para jovens quanto para adultos e crianças

[ Joaquim Nunes aproveita o espaço da Praça da Federação para


Especial

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Maio • 2011 FOTOS: MARIA CLARA MANCILHA

É comum a prática de esportes em quadras e campos existentes nos bairros dessas regiões, além das brincadeiras e passeios em parques e praças, que reúnem pessoas de diferentes faxias etárrias

Onde encontrar opções de diversão na Região Noroeste Outros bairros da Região Noroeste oferecem opções de lazer e entretenimento aos moradores. Localizado no Bairro de mesmo nome, o Centro Cultural Padre Eustáquio, foi implantado, em 2008, a partir do interesse manifestado pela população do bairro, de acordo com Helio Prata, bibliotecário do centro. O local é destinado à exposição de trabalhos feitos por artistas regionais, apresentações de música ao vivo e teatro e também para a realização de diversas oficinas de artes plásticas e ciências ministradas por

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a passear com seu cachorro todos os dias

voluntários. O poeta e jornalista Rogério Salgado, 57 anos, é frequentador assíduo do centro desde a sua inauguração. Atualmente ele ministra a "Ophicina Popular de Poesia", junto com Virgilene Araújo. Rogério é um grande defensor da existência de um espaço como o Centro Cultural no bairro. "Mesmo com todas as falhas, o centro cultural é muito importante para região", ressalta o poeta. Além dos eventos, o centro conta também com uma biblioteca aberta ao publico, que oferece jornais e revistas diariamente, além de acesso gratuito à internet. Cléber Leonardo, 28 anos, vendedor e estudante de História na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), conta que aproveita o seu horário de almoço para ir para à biblioteca do Centro Cultural e usar a internet, verificar seus e-mails e ler jornal. A programação das atividades que acontecem mensalmente no Centro Cultural é divulgada por meio de folhetos e por e-mail para mais de nove mil pessoas cadastradas no banco de dados. Helio Prata conta ainda que existem algumas atividades voltadas para as crianças, como a contação de histórias infantis, mas que o lugar ainda é frequentado principalmente por adultos e pela terceira idade. No Bairro Alípio de Melo, na Rua dos Topógrafos, 157, O Parque Vencesli Firmino da Silva, está em funcionamento há dois anos. O espaço possuiu área de lazer, playground, quadras de futebol e basquete, pista de skate e um teatro de arena. Cláudio Oliveira, 42 anos, leva o filho Enzo, de 6, constantemente ao parque. Para Cláudio o local é uma

ótima opção para a família. "Prefiro vir domingo de manhã porque fica mais cheio". Perto dali, na rua Dr. Sylvio Menicucci, 640, o Parque Municipal Ursulina Andrade de Melo tem área de 242 mil metros quadrados. O local é muito arborizado, com um lago e trilhas para caminhada, além de diversos animais que costumam surpreender e agradar os visitantes. Alfany Furtado, 64 anos, e seu filho Hygor Furtado, 21 anos, visitaram pela primeira vez o parque para fazer um lanche em família e passear. "Enquanto a gente estava aqui lanchando, apareceram três esquilos na nossa mesa e nós demos frutas pra eles", conta Alfany. Vanessa Ferreira, 35 anos, mora próximo ao parque e vai todos os dias durante a semana passear com a filha e a sobrinha. "Aqui é muito bom para elas porque além dos brinquedos, é um momento que elas podem ter contato com a natureza". Nessa região há também o Parque Ecológico e de Lazer do Bairro Caiçara, na Rua TicoTico, 100. O parque tem 11.400 metros quadrados distribuídos entre quadra de peteca, campo de futebol de areia, brinquedos, além de uma área verde cortada por um córrego. Diego Pereira, 14, diz estar satisfeito com o parque. “Mas se pudesse mudar alguma coisa gostaria que o campo tivesse grama ou mais areia, porque a gente fica todo ralado", conta. O parque é um lugar agradável também para conversar e passar o tempo nas mesas ao ar livre em meio às árvores. As amigas Priscila Ferreira de Moura e Luana Gomes Nascimento, ambas com 15 anos, estudam durante a semana e vão ao parque para, segundo elas, verem os meninos jogar bola e conversar.

Região Nordeste conta com a presença de praças e parques n BIANCA LOPES, 5º PERÍODO

É comum que moradores de Belo Horizonte procurem por oportunidades de entretenimento e cultura, especialmente para distração e ocupação de seu tempo livre. Em bairros como os da Região Nordeste esta realidade não é diferente. Com uma população aproximada de 274 mil habitantes e 69 bairros, esta área da capital tem como fator de destaque a quantidade de parques que possui. São pelo menos seis, sem contar as muitas praças que oferecem atrativos variados e gratuito. O Parque Ecológico Renato Azeredo, localizado no Bairro Palmares, que conta com área para eventos culturais, playground, pista de cooper, quadra poliesportiva, aparelhos de ginástica e mesa de jogos. Já o Parque da Matinha (Bairro União) apresenta vegetação típica e fauna diversificada. O Parque Orlando Carvalho da Silveira, no Bairro da Graça, foi recentemente revitalizado. Ele possui pista de cooper, quadras esportivas, mirante, playground e aparelhos de ginástica. O Parque-Escola Jardim Belmonte, no Bairro de mesmo nome, conta com vegetação exótica e ornamental, horta medicinal, quadra de peteca e brinquedos. Neste mesmo espaço se encontra a "Academia da Cidade", fruto de uma iniciativa idealizada pela prefeitura em 2006, destinada a proporcionar melhor qualidade de vida ao ar livre. O trabalho é feito a partir de exercícios aeróbicos, que incentivam o uso adequado da força, flexibilidade e equilíbrio. O Parque Ecológico e Cultural Professor Marcos Mazzoni, na Cidade Nova, possui teatro de arena, mirante, brinquedos, pista de cooper, recanto com mesas de xadrez e vegetação típica do cerrado brasileiro. "O lugar é bem calmo, muito bom de se visitar com crianças", comenta Rafael Scarpelli, morador do bairro onde o parque se localiza.

Há também o Parque Professor Guilherme Lage (São Paulo), que se mostra como amplo espaço de lazer e cultura, com frequentes apresentações teatrais, rodas de capoeira, moradores que se encontram para jogar vôlei e futebol, além de um grupo de senhoras do programa "Vida Ativa" que realizam atividades físicas nesta área verde. De acordo com o educador físico Fábio Luiz de Pádua, o programa, que acontece no parque desde 1998, traz benefícios não só para o corpo, mas também para a mente dessas mulheres. Segundo Maria Auxiliadora Dutra Ferreira, de 61 anos, as atividades, que incluem brincadeiras, alongamentos, teatro, caminhada orientada e aeróbica, melhoram o humor e a disposição. A Região Nordeste também é prestigiada com inúmeras praças. As mais famosas são: Praça Ismael de Oliveira Fábregas, Praça Poá e a Praça do Samba, todas conhecidas como pontos de sociabilidade da capital, que exaltam o seu clima interiorano e oferecem um agradável ambiente para a convivência da comunidade. "É um lugar bem tranquilo de se viver", diz Sebastião José de Freitas, de 79 anos, habitante do bairro São Gabriel há 44 anos. A artista e estudante Fernanda Cobucci, de 21 anos, mora no Renascença, mas não tem uma opinião divergente. "Pelo fato do meu bairro ser mais familiar, a maioria das pessoas se conhece, parece interior", comenta. Contrastando com todo este sossego, a Região Nordeste pode funcionar também como centro articulador de funções culturais, sociais e comerciais. A estudante Daniela Abritta é moradora do Cidade Nova, que nos últimos anos cresceu vertiginosamente, aderindo às tendências de verticalização urbana. Ela conta que adora o bairro. "Tem muito comércio, muitos bares, sorveterias, bons restaurantes e até um museu. Só falta um supermercado grande". A Feira dos Produtores

segue como o centro comercial mais tradicional da Região Nordeste. Com mais de 100 lojas funcionando durante todos os dias da semana, a gigantesca variedade de produtos e estabelecimentos é apenas uma das atribuições que se prolongam por mais de seis décadas de existência. O presidente José Edmundo Silva explica que o motivo principal do sucesso por tanto tempo é a união de todos, inquilinos e proprietários, em prol do crescimento da Feira. "Estamos em perfeita comunhão para atender nossa clientela e promover o desenvolvimento de nosso trabalho", declara. Para uma recreação mais completa, próximo à Feira encontra-se o Minas Shopping, composto por 300 lojas, várias opções de lazer como exposições, apresentações artísticas, shows, mostras, programações especiais e, ocasionalmente, pista de gelo e parque de diversões. Com localização privilegiada, propicia a facilidade de acesso a todas as regiões da cidade, por onde passam cerca de 55 linhas de ônibus, além do acesso direto ao metrô. Sem deixar de mencionar também o grande número de restaurantes, bares e lanchonetes pela região. O microempresário João Carlos da Silva concorda com o ponto de vista de que quando o assunto é lazer, esta área não deixa a desejar. "Só quem já morou em outros lugares sabe e talvez concorde comigo que este é um dos melhores ou o melhor para se morar na região metropolitana. Morei por sete anos no São Gabriel. Depois já passei por Tirol, Barreiro de Cima (Cardoso), Ibirité e não vejo a hora de voltar a origem. Final de semana tem que ser no São Gabriel. Muita mulher bonita, bons bares, muita gente fina, muita festa. Perto do Mineirão, Minas Shopping, Estação do Metrô, Aeroporto, PUC. É um lugar no qual só fica entediado quem quer", afirma.


10 Saúde

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Apesar do aumento nas doações, o Hospital Sofia Feldman ainda sofre com a falta de recipientes para armazenar leite materno, que posteriormente serão encaminhados para bebês prematuros. RENATA FONSECA

Maio • 2011

SOFIA FELDMAN AINDA PRECISA DE DOAÇÕES DE RECIPIENTES n RAFAELA MANSUR, 1º PERÍODO

Nadir Maria da Silva é responsável pelo aleitamento domiciliar e incentiva a doação de vidros nas casas por onde passa

Passados cinco meses que o jornal MARCO informou, em sua edição 279, que o Hospital Sofia Feldman enfrentava problemas gerados pela falta de frascos de vidro adequados para o armazenamento de leite materno destinado a doação, a situação mudou pouco. A quantidade de recipientes ainda é insuficiente para suprir a necessidade, apesar da realização de diversas campanhas de estímulo à doação de vidros, com a participação de escolas, faculdades e veículos de comunicação. Os recipientes são utilizados para armazenar leite materno que atenderão às crianças recémnascidas prematuramente, cujas mães sofreram complicações durante o parto ou não têm condições de amamentar, graças ao ingurgitamento, mais conhecido como "leite empedrado". Segundo a nutricionista Lorena Oliveira Nogueira, do Hospital Sofia Feldman, as campanhas resultaram no aumento de aproximadamente 30%

das doações semanais de vidro, mas a quantidade de leite doado ainda é maior. "Nós precisamos muito de leite e de vidro, mas é necessário que haja um equilíbrio. Depois de divulgada a campanha na televisão, chegamos a receber cinquenta ligações em duas horas, mas apenas cinco das pessoas que ligaram podiam doar vidros", afirma. De acordo com Lorena, a dificuldade de arrecadação dos frascos de vidros adequados para o armazenamento do leite se deve ao fato destes serem pouco comercializados atualmente. Esses frascos precisam ter tampas de plástico, já que tampas de metal ocasionam o processo de oxidação, o que acabaria contaminando o leite. "Os vidros são doados apenas por pessoas que os guardam em casa. Na Escola Estadual Barão do Rio Branco, foi criada uma campanha durante as aulas de Educação Física, o que é muito bom, pois as crianças se tornam multiplicadoras da ideia", conta a nutricionista. As obras para transformar o hospital em um banco de leite já

começaram, mas a conclusão do projeto está prevista para daqui a, no mínimo, um ano. Lorena explica que a situação melhorará muito quando as instalações forem construídas, já que, hoje, todos os frascos de vidro, depois de esterilizados, precisam ser enviados à Maternidade Odete Valadares, onde ocorre a pasteurização do leite. Durante esse processo, muitos dos vidros são perdidos, já que eles funcionam como um pagamento do Hospital Sofia Feldman. Nadir Maria da Silva, responsável pelo aleitamento materno domiciliar do hospital, busca incentivar as doações em todas as casas por onde passa, mas garante que arrecadar vidros não é fácil. "As campanhas são muito importantes, mas as doadoras de leite, 95% mulheres de classe baixa, geralmente não têm condições de doar vidros também", conta. O Hospital Sofia Feldman, localizado à Rua Antônio Bandeira, 1060, no Bairro Tupi, continua precisando de doações, que podem ser entregues na recepção.

Falta infraestrutura em posto no São Gabriel BIANCA DE MOURA

n BIANCA DE MOURA, 5º PERÍODO

A Unidade de Saúde do São Gabriel, Região Nordeste de Belo Horizonte, está passando por momentos difíceis. Há cerca de um ano, o Posto de Saúde deixou de contar com um serviço de atendimento de qualidade, de acordo com moradores entrevistados pelo MARCO. Eles reclamam de problemas, como a falta de remédios e médicos, mas a queixa mais frequente, em geral, é o descaso com relação ao atendimento. Uma paciente, que não quis se identificar, afirma que já procurou o posto com a pressão alta, mas mesmo após ser atendida voltou para casa sem nenhuma prescrição ou medicação. Ao procurar outro hospital particular, ela foi medicada na emergência. "O atendimento lá é feito da forma que eles acham que é melhor pra eles. Eles falam que o posto é referência, mas referência em quê? Sempre falta médico e eles dizem que a Secretaria Municipal não manda medicamentos. Várias pessoas como eu acabam partindo para uma consulta particular. A situ-

ação é muito grave, pois a falta de interesse pelo ser humano é evidente", desabafa. "Consigo os medicamentos que preciso, mas com dificuldades, porque eles não me oferecem a dosagem correta", afirma o aposentado Rubens de Freitas Neves, também usuário dos serviços de saúde públicos. O presidente da Associação de Moradores do São Gabriel, Sebastião José de Freitas, que depende dos serviços do Posto, afirma que geralmente tem que ir até o centro, nas farmácias populares, para pegar alguns remédios que precisa, e que estão em falta por lá. "A carência é grande porque o sistema geral é precário. Já tomei a iniciativa de fazer um abaixo-assinado, com o objetivo de remanejar os funcionários do posto e também cheguei até a denunciar uma atendente, tamanha foi a hostilidade com que ela tratou a minha cunhada. Acredito que se o povo é maltratado o sistema tem de ser punido", afirma. Fabiano Tadeu Lopes, vice-presidente da mesma associação, diz que a questão da saúde não é só um desafio local, mas que o Posto é a entidade mais

problemática do bairro. "Marcamos uma reunião com o gerente do posto e ninguém apareceu. Passamos a maior vergonha do mundo", conta. Segundo a coordenadora do Fórum da Saúde Permanente em Minas, Vanessa Andrade, os municípios respondem hoje por 80% das ações por mau atendimento. "Alguns municípios estão com quase 50% do seu orçamento todo dirigido a atendimento de principalmente medicamentos", diz A Secretaria Municipal de Saúde informou, por meio de sua Gerência de Comunicação Social, que se qualquer pessoa que precise de algum medicamento que faça parte da lista dos distribuídos pelo SUS, o necessitado pode procurar o centro de saúde mais próximo de sua casa, tendo em mãos: carteira de identidade, receituário do médico e comprovante de endereço para retirá-lo gratuitamente na farmácia da unidade. No caso de qualquer irregularidade ou descaso com paciente, a orientação é que recorram à Justiça. A Equipe do Posto de Saúde do São Gabriel se recusou a passar informações.

Moradores do São Gabriel reclamam da falta de remédios, médicos e bom atendimento no posto de saúde da região


Saúde Maio • 2011

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CARAVANAS DOAM SOLIDARIEDADE n THIAGO ANTUNES, 2° PERÍODO

Caravanas formadas por doadores de sangue, vindas de cidades próximas á capital mineira, reúnemse, aos sábados, no Hemocentro de Belo Horizonte, para efetivar um ato de solidariedade. São grupos com perfis variados. Alguns são integrados por 10, 12 doadores, que bancam os custos da viagem, sem contar com qualquer tipo de patrocínio, com o intuito de ajudar algum familiar ou conhecido. Em contra-partida, existem os grandes grupos, formados por até 120 pessoas, apoiados principalmente por entidades religiosas, comparecem com o único objetivo de preencher os estoques dos bancos de sangue da instituição. Em meio a tantas variações algumas caravanas surgem de modo raro, como a Associação Cultural Comunitária Solidariedade em Ação (ACCSA), grupo que entre outras atribuições, vem há quase dez anos reunindo doadores. Ele teve inicio na Paróquia Santa Edwiges, em Contagem, após o apelo de Geraldo, que impossibilitado de doar ao completar 65 anos, buscou em seus frequentadores substitutos de sua causa. Maria Sabina Gonçalves, 52 anos, hoje responsável pelo grupo, conta como foi seu primeiro contato. “Na

época eu tinha um irmão que adoeceu e precisou de doadores, aí junto com o pedido do senhor Geraldo, eu entrei na campanha”, explica. Como Maria Sabina, a maior parte das pessoas que formam caravanas tem como motivação ajudar familiares ou conhecidos. Muitas vezes, esses grupos se fragmentam da mesma forma que surgem, quando não há mais aquela necessidade de ajudar uma pessoa especifica. Francismara Maria da Silva, 12 anos, é o foco de um desses grupos. Internada no Hospital das Clínicas, com o diagnóstico de leucemia, ela precisa de 20 doadores compatíveis. Para cada sessão do tratamento, Fabíola de Fatima Lima Cotta, 27 anos, é a responsável pela organização da caravana. “Precisávamos de no mínimo 20 doadores, mas só conseguimos 12”, conta. Por trabalhar na Secretaria de Saúde e Meio Ambiente de Rio Piracicaba, Fabíola conseguiu transporte cedido pela Prefeitura da cidade, localizada na região central do estado. Mas esses são casos raros, normalmente não há nenhuma forma de ajuda e o próprio Hemocentro carece de recursos, fornecendo apenas explicações didáticas aos doadores e um lanche após a coleta. Márcio Rodrigues da Macedo, 27 anos, há mais

Vindos de municípios próximos à capital mineira, grupos de doadores de sangue, com perfis e motivações diferentes, se dirigem ao Hemominas em Belo Horizonte para contribuir com doações para pacientes que precisam ou repor estoques MARIA CLARA MANCILHA

Em um gesto de solidariedade, pessoas se reúnem em caravanas, que saem de cidades próximas à capital, com destino ao Hemominas para doar sangue de dois anos é doador. “Fico dependendo da correria que a gente vive no dia a dia, então quando dá

eu sempre venho”, diz. Ele pertence a um grupo distinto de doadores, que vai ao Hemocentro pelo

menos duas vezes ao ano. Como Antônio Filmino Bitencurte, 58 anos, doador há 12 anos e hoje

membro da ACCSA. “Eu venho aqui porque sei como é bom ajudar aqueles que precisam”, afirma.

Hemocentro adota agendamento para doações MARIA CLARA MANCILHA

n LAURIE ANDRADE, THIAGO ANTUNES, 1º E 2° PERÍODO

Entrou em vigor no início deste ano o agendamento para doação de sangue no Hemocentro de Belo Horizonte. Essa providência surgiu a partir dos problemas acarretados pelo processo anterior que não suportava a demanda de doadores em um mesmo horário, causando transtornos, diminuindo a qualidade do atendimento e fazendo com que vários não voltassem. “Acho uma vantagem no atendimento, é mais rapido, chego aqui e nao tenho que esperar muito”, diz Isabella Torres Brandão Zandon, 24 anos, que realiza a coleta a cada três meses. Aos sábados o processo é distinto, não havendo agendamento. A parte da manhã é ocupada por caravanas que trazem doadores de diversas cidades do interior de Minas Gerais, que estão mais distantes do alcance das outras unidades. A sugestão para quem só pode doar aos sábados, é ir após às 14h, quando o movimento é reduzido e o atendimento individual. O agendamento trouxe, em

primeira instância, o aumento do número de doadores, porém, após um curto período este número volta a diminuir e os bancos de sangue enfrentam uma baixa, se encontrando praticamente vazios. A queda se deu após o carnaval, quando houve uma diminuição em 70% no número de doadores. Atualmente, a principal forma de doação de sangue tem sido a ligação de grupos com o Hemocentro. “Promovemos uma campanha especial para podermos estar doando aos bancos de sangue, em parceria com eles, viemos de 110 a 120 pessoas” diz Vagner Roberto da Silva, 26 anos, membro da Força Jovem da igreja Universal. “É muito bom a gente poder ajudar a salvar vidas doando nosso sangue”, salienta. A responsável pela Equipe de Captação do Hemocentro de Belo Horizonte, Hellen Heloiza Dupim, 44 anos, explica o déficit decorrente comparando os jovens brasileiros com os de países desenvovidos, onde os constantes conflitos sócio-politicos e catástrofes naturais criaram uma consciência voltada à doação. “Eles completam 18 anos e já sabem

que o primeiro passo é doar”, diz. A baixa nos estoques do Hemocentro de Belo Horizonte traz consequências ruins, pois ele é o principal centro de transfusão de sangue do estado. “Atendemos 92% dos pacientes de Minas Gerais”, afirma. E essa importância acarreta ainda mais transtornos. “Os tratamentos que não dão certo em outras cidades vem para cá, assim como o transplante de fígado que só é feito em BH e são necessários em media 70 doadores por paciente”, observa. O Governo Federal vem criando incentivos para os doadores, como o benefício do não comparecimento ao serviço no dia da doação, sem qualquer abono salarial, a cada doze meses e o pagamento de meia entrada em eventos culturais após três doações anuais. Estes beneficios são voltados somente aos casos especificos de doações voluntárias, devidamente comprovadas. Mas por serem pouco divulgados, estes incentivos são desconhecidos até pelos doadores mais assíduos dos Hemocentros.

A demanda de doadores em um mesmo horário fez o Hemominas aderir ao agendamento


12 Cidadania

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Maio • 2011

DIVERSÃO PARA TODOS NA CAPITAL n RAFAEL GOULART, RENATA STUART, 3º PERÍODO

Passar a tarde de domingo se divertindo em um playground, numa praça de Belo Horizonte, parece ser algo simples para qualquer criança, mas para as que são portadoras de necessidades especiais, isso é um grande desafio. Com o intuito de diminuir esta disparidade e assegurar o direito de todos, o vereador Leonardo Mattos (PV) elaborou o Projeto de Lei nº 482/2009, cujo objetivo é garantir a instalação de brinquedos adaptados para crianças com deficiência em praças, parques, escolas e creches municipais, bem como locais de diversão geral, aberto ao público. Dentre as 43 praças da capital que possuem playground, apenas quatro têm algum brinquedo adaptado para crianças com necessidades especiais. O primeiro espaço público a receber esse tipo de brinquedo foi a Praça Floriano Peixoto, no Bairro Santa Efigênia, Região Leste de Belo Horizonte. Depois da obra de revitalização feita pela Unimed, a praça conta com uma área de lazer que inclui balanço especial para o cadeirante, painel com atividades de coordenação motora, além de piso tátil para orientação dos cegos. José do Carmo Vieira, 50 anos, pai de Rafael Vieira Santos, 18 anos, que é cadeirante e portador de um tipo de paralisia cerebral

Existem poucas praças que oferecem brinquedos adaptados para crianças deficientes na capital. Para melhor divulgar esses locais e ampliar o número de espaços de lazer, foi proposto um projeto de lei na Câmara Municipal de BH. RENATA STUART

Rafael Vieira dos Santos brinca no balanço adaptado, onde consegue se divertir e interagir com as outras crianças que frequentam a Praça Floriano Peixoto (Síndrome de Kernicterus), afirma que a escola especial do filho oferece informática com recursos sensoriais especializados e diversas atividades, mas não possui brinquedos adaptados. "Algumas vezes ele vai a praças, zoológicos ou parques para fazer piquenique e, quando vai a playgrounds, não participa de forma integral, apenas assiste às outras crianças sem deficiências físicas", conta o pai. No dia 3 de abril, pela primeira vez, os pais de Rafael visitaram a Praça Floriano Peixoto e se surpreenderam com a estrutura

do local. "Com esse balanço adaptado, o Rafa está realmente participando e se sentindo no próprio espaço, interagindo de verdade, é muito bom vê-lo assim", comenta o pai. A família descobriu o local por acaso e ficou contente ao saber que é próxima à Escola Brincar – Centro de Estimulação Especial, onde o filho estuda. "A praça é perto da escola do Rafa e não sei se a escola tem conhecimento desses brinquedos. Se me perguntassem se existia alguma praça com brinquedos adaptados, eu diria que não. Muitas vezes as pessoas

reclamam que não têm locais como esse, mas na verdade não sabem que tem", acrescenta. Segundo José Carlos Dias Filho, coordenador Municipal dos Direitos dos Deficientes, hoje, em Belo Horizonte, existem em média 400 famílias por Regional, com pessoas deficientes. Ele afirma que, além da melhor distribuição da informação dos projetos voltados às pessoas especiais, é necessária uma mudança na cultura dessas pessoas. "Atualmente, existem clubes, policlínicas, escolas, locais especializados para pessoas com defi-

ciência, e agora com as praças passando pela revitalização será possível proporcionar um novo local de lazer para todos. Porém, esses espaços precisam ser divulgados, e, além disso, precisa-se que o deficiente mude sua cultura e cobre o seu direito de ter mais lugares adaptados,afirma.” As grandes capitais estão cada vez mais modificando os locais de convívio social para o uso de todos, porém, há locais que ainda devem ser melhorados. Os deficientes e pessoas que convivem diretamente com eles reclamam que ainda não há calçamento adequado, cor-

rimãos, rampas e bancadas adaptadas. Nota-se na própria Praça Floriano Peixoto locais em que o acesso é muito difícil. PROJETO DE LEI No dia 4 de fevereiro de 2011, a Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou a lei que prevê a instalação de brinquedos adaptados em locais de diversão públicos. O Projeto de Lei elaborado pelo vereador Leonardo Mattos justifica-se a partir da Constituição Federal (1988) que estabelece o lazer como direito social. No entanto, os playgrounds são desenvolvidos somente para pessoas que não apresentam deficiência e não oferecem reais possibilidades de uso para crianças com necessidades especiais. Mattos ficou paraplégico aos 22 anos, após um acidente de carro e fundou a Associação Mineira de Paraplégicos (AMP), com o objetivo de lutar pelos direitos dos deficientes físicos. Para o cumprimento do projeto, a Prefeitura de Belo Horizonte pretende fazer parcerias com empresas privadas que se disponham a financiar as obras, como ocorreu com a Unimed. As outras três praças que já possuem brinquedos adaptados são: Maria Tertuliana, no Bairro Lindeia (Região Barreiro), Inconfidência Mineira, na Concórdia e Cartunista Henfil, no Santa Cruz (Região Nordeste).

Projeto ajuda a recuperar o Ribeirão do Onça BIANCA DE MOURA

n NATHÁLIA AMADO, 3º PERÍODO

O projeto “Deixem o Onça Beber Água Limpa” busca conscientizar a população para a despoluição do córrego

Idealizado pelo Conselho Comunitário Unidos pelo Ribeiro de Abreu (Comupra), o projeto “Deixem o Onça Beber Água Limpa” é um movimento de conscientização para a necessidade de recuperação do Ribeirão do Onça. Formado pela junção do Ribeirão Pampulha com o Córrego Cachoeirinha, o Onça atravessa a Região Nordeste da capital mineira e deságua no Rio das Velhas. Iniciado em 2007, o projeto tem como proposta principal promover a requalificação da bacia do Onça, integrando a comunidade do entorno em ações culturais. A ideia é mostrar as potencialidades da região e os diversos benefícios do processo de despoluição do ribeirão e seus afluentes. Segundo o presidente do Comupra, Itamar de Paula Santos, a região possui um potencial enorme para desenvolver caso o corrégo seja despoluído, uma vez que em seu curso existem três cachoeiras que poderiam servir de pontos turísti-

cos, caso houvesse maiores investimentos na região. “Queremos discutir o potencial da região. A intenção é resgatar a autoestima dos moradores para lutar pela recuperação do rio”, ressalta. A degradação ambiental da região ameaça não apenas fauna e flora, mas principalmente os moradores da região que sofrem com problemas como acúmulo de lixo, afluxo de esgoto, mau cheiro, e a presença de animais nocivos à saúde. Como confirma a senhora Rosa Ferreira Ventura, 62 anos, moradora do Ribeiro de Abreu. “Como moro próximo ao rio, em época de calor, mau cheiro que vem à minha casa é horrível”, lamenta. Outro triste reflexo da poluição do Onça são as constantes enchentes que ameaçam as centenas de famílias que ocuparam desordenadamente as margens. A ultima grande enchente ocorreu em novembro de 2010, quando o córrego transbordou duas vezes, inundou casas, gerou prejuízos e até mortes. “Já vi muitas enchentes numa rua próxima à minha casa, é

terrível, não há como passar, a água invade casas. Frequento as reuniões do projeto por que desejo ver a revitalização do córrego e a retirada dos moradores da área de risco”, afirma a moradora do bairro Euda Maria de Brito, 43 anos. O projeto conta com o apoio de algumas instituições como a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e PUC Minas, além projetos, como Fica Vivo e Manuelzão. São promovidos eventos culturais que acontecem nos bairros da região cortada pelo córrego. O último evento realizado, intitulado de 2ª Praça da Alegria ocorreu em 2010 no bairro Paulo VI,Região Nordeste, e reuniu aproximadamente duas mil pessoas. “Sempre que posso participo das reuniões e dos eventos. Já auxiliei em manifestações, já promovi abaixo-assinados, já fui a prefeitura. Costumo chamar nossa região de Pedacinho dos Esquecidos, e por isso mesmo apoio este movimento que busca a melhoria de vida para a população”, conclui Rosa Ventura.


Comportamento Maio • 2011

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As lonas das barracas escondem o trabalho de homens e mulheres que deixam suas famílias e viajam por todo país, participando de exposições, eventos e festas religiosas, vendendo os mais diversos produtos. Todos os anos, no mês de abril, essas pessoas se encontram em Barbacena, na Região do Campo das Vertentes, para trabalharem no Jubileu de São José Operário

VIDA POR DENTRO DAS BARRACAS CARLOS EDUARDO ALVIM

n CARLOS EDUARDO ALVIM, 4º PERÍODO

Quando chega o mês de abril, Gisele Antônia Lauriano Paixão, 27 anos, deixa a sua casa em Belo Horizonte e parte para Barbacena, na Região do Campos das Vertentes, a 169 quilômetros da capital, para começar uma jornada de trabalho que só termina em dezembro, em Santa Luzia, cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Na bagagem, ela leva a lona azul que cobrirá sua barraca e as bijuterias e bolsas para vender nas festas religiosas, eventos e exposições que participa em todo o país. Como Gisele, cerca de 400 vendedores ambulantes se dirigem a Barbacena durante todo o mês de abril para participarem das festividades do Jubileu de São José Operário, tradicional festa do calendário religioso da cidade e que atrai romeiros de todo o estado. Esses vendedores são conhecidos como barraqueiros, porque montam barracas com lonas e madeiras para venderem os mais diversos produtos, que variam de roupas, calçados, vasilhames de plástico, ferramentas a comidas e bebidas. Foi na convivência com a mãe, que durante 28 anos trabalhou como barraqueira em festas por todo o país, que Gisele tomou gosto pela profissão e resolveu seguir a carreira. "A minha mãe começou e tem dois anos que ela parou devido a alguns problemas de saúde. Já tem uns 13 anos, desde que eu parei de estudar, que eu venho fazendo festa", conta. Ela faz cerca de 26 festas por ano em estados como Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e outras festas religiosas no estado, como o jubileu de Congonhas, cidade histórica na Região Central do estado, que acontece no mês de setembro, e que para Gisele, é o evento que dá mais lucro. Ela ainda faz pré-temporadas em algumas cidade slitorâneas para vender os seus produtos. Gisele diz que já se acostumou com a rotina de viajar por várias cidades e conviver com pessoas diferentes o tempo todo, porém

Assim como o pai, Marcos resolveu trabalhar como barraqueiro em festas. Ele e a esposa Gilbézia viajam por todo o país vendendo salgados admite que trabalhar como barraqueira é encarar muitos desafios. "É uma vida difícil, bastante difícil. Mas dá para tirar o nosso sustento. A gente conta com o apoio e com ajuda dos moradores das cidades por onde passamos, que vendem almoço e o banho em suas casas para nós. Mas apesar das dificuldades, gosto muito do que eu faço", explica. Assim como Gisele, o trabalho do pai com barracas de alimentos em festas inspirou Marcos Meira, 34 anos, a entrar para essa profissão. Há mais de 18 anos ele participa de vários eventos montando sua barraca e vendendo salgados, pastéis e cocadas. Neste mês, enquanto seu pai está trabalhando em uma festa em Araxá, no

Triângulo Mineiro, Marcos desfia a carne que será utilizada como recheio para as coxinhas que venderá no jubileu de Barbacena, festa que ele participa pela primeira vez. "Eu não largo essa vida. Enquanto Deus me der força eu quero continuar”, garante. “Está no sangue", acrescenta. Marcos mora em Curvelo e também faz festas por todo o país. A esposa Gilbézia Maria de Souza, 29 anos, o acompanha para todos os lugares em que vai. O casal tem uma filha de sete anos, que fica com os avós, enquanto os pais viajam para trabalhar, o que para Gilbézia é a parte mais complicada e o maior sacrifício que tem que fazer por causa de seu trabalho. "O máximo que eu fiquei longe da minha filha

Saudade e conquistas se contrastam de utilidades domésticas em festas Glauber Anderson Silva religiosas de Minas Gerais, Rio de Figueiredo, 33 anos, ajeita nas Janeiro, Paraná e São Paulo, que prateleiras de sua barraca as blusas de Gilson dos Santos, 35 anos, há dois lã, que trouxe do Sul de Minas para anosmontou junto com o cunhado vender no Jubileu em Barbacena. Ele uma loja em São Paulo, cidade onde saiu de Feira de Santana, na Bahia, mora. "Foi fazendo festa que a gente no início deste mês e para lá, só retorconseguiu abrir um estabelecimenna em meados de julho. "É complicato. Eu fazia 28 festas por ano, agora do deixar a família, para a gente sair estamos fazendo seis, e diminuindo viajando assim, mas hoje emprego é cada vez mais, para se Deus quiser difícil também. Então a gente não chegar uma hora de zerar. A pode ficar optando", diz. intenção é só Na Bahia, ficar com a loja, além dos pais, porque despesa Glauber deixou “TEM HORA QUE A de festa é muito a mulher e o GENTE SENTE UMA grande", afirma. filho de dois Para Gilson a anos. Para ele, a SAUDADE, MAS TEM QUE vida de barsaudade é o ENFRENTAR O DESAFIO” raqueiro é commaior obstáculo GLAUBER FIGUEIREDO plicada e requer que enfrenta sacrifícios, como enquanto está abrir mão de viajando e que certas mordomias. "Você abre a às vezes o desanima a continuar barraca nove horas da manhã e vai trabalhando como barraqueiro. até a meia noite, uma hora, duas "Conversar com o filho e com a horas da manhã. Nos primeiros esposa é só por telefone, porque a dias de festa dá até para descansar, distância é muito longe. Tem hora mas quando o movimento começa que dá vontade de largar tudo e ir é muito complicado", conta. Ele e a para casa, porque meu menino é maioria dos barraqueiros dormem novinho. Tem hora que a gente dentro de suas próprias barracas, sente uma saudade, mas tem que em colchões que são colocados no enfrentar o desafio", desabafa. chão, em cima de madeirites. Foi depois de 15 anos vendendo Próximo à barraca de Gilson, ferramentas, parafusos e materiais

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Joaquim Pedro de Paula, 57 anos, organiza os cabides e ajeita o local onde irá trabalhar pelos próximos dias. Cansado de trabalhar como empregado, ele optou por montar seu próprio negócio e há mais de 15 anos roda as principais festas religiosas de Minas Gerais. O jubileu de Conceição do Mato Dentro, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e a Festa da Santíssima Trindade, em Tiradentes, no Campo das Vertentes, são os próximos locais que ele irá assim que sair de Barbacena. Entre o intervalo de uma festa e outra, os barraqueiros voltam às suas casas e ficam de dois a cinco dias antes de caírem na estrada novamente. Muitos preferem aproveitar esta folga para repor estoque de mercadorias e fazerem suas compras, que são realizadas principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Joaquim afirma não sentir falta de casa, pois está concentrado em seu trabalho. "A gente não lembra do conforto que tem em casa não, a gente está interessado mesmo é em ganhar dinheiro", revela. Porém, ele afirma que a principal dificuldade por que passa está relacionada à higiene pessoal e ao uso de sanitários. "Para tomar banho é complicado. Chegamos aqui e ficamos três dias sem banho", conta.

foi dez dias. Ficar esse tempo fora de casa dá saudade, mas eu falo com ela 24 horas por dia. Toda hora eu falo com ela pelo telefone", diz. Entre uma festa e outra, ela aproveita para ir a Curvelo e matar a saudade da filha. Os dezoito anos de estrada, vendas de salgados e muito trabalho, como diz Marcos, lhe renderam uma boa estabilidade. Hoje, além da barraca, ele possui quatro caminhões e três casas, de onde extrai a sua renda mensal. "Eu tenho um patrimônio de quase R$ 400 mil, que eu consegui tudo dentro da barraca, trabalhando aqui. Eu vivo de barraca e frente de caminhão", conta. O valadarense Adílson Ferreira, 35 anos, tinha uma loja no mercado de Governador Valadares, no Vale

do Rio Doce, quando há 18 anos, optou por trabalhar como barraqueiro em festas. Em sua barraca, os tênis e as roupas que serão vendidos na festa se misturam com arames e ferramentas que ele utiliza para dar os últimos acabamentos à barraca. Para Adilson, que faz cerca de 26 festas por ano, começando em Marataízes, no litoral do Espírito Santo, e terminando em dezembro em Agra dos Reis, no Rio, pelos locais por onde passa, as pessoas são bem receptivas. "Os romeiros são maravilhosos, as vezes a gente é que é sem educação. Eles querem conversar com você, dar risada, contar histórias, isso é muito bom", comenta. Assim como Marcos e Gilbézia, a esposa de Adílson também trabalha nas festas em que o marido participa. O casal se conheceu em Valadares e à época, Patrícia Reis de Assis Ferreira, 35 anos, estava desempregada. Ela trabalhava em uma companhia telefônica e depois do casamento começou a ajudar o marido nas festas. O casal só diverge quando o assunto é ter filhos. Adílson brinca e diz que quer ter pelo menos 10, enquanto Patrícia não quer saber de maternidade por causa do trabalho. "Filho não, eu não quero. Nessa nossa profissão é complicado", diz. Entre blusas e bermudas, Ítalo, de dois anos e três meses, se distrai vendo desenhos na TV, enquanto a tia Deonilce Felipe da Silva, 42 anos, atende aos fregueses na barraca. Para trabalhar em festas, ela saiu de Maringá, no Norte do Paraná, em 10 de dezembro do ano passado e para lá retornará só em setembro, depois do Jubileu em Congonhas. Deonilce trabalha com o irmão e a cunhada, pais de Ítalo, há dois anos. “É difícil, tem que correr atrás, sair para rua para trabalhar, e com crianças então é muito mais complicado. Uma vez, enquanto a gente trocava a fralda dele, ele até caiu do caminhão. A gente tem que dar atenção para o freguês e estar de olho no Ítalo, porque ele sempre está andando de um lado para o outro”, conta.

O jubileu de Barbacena No jubileu de Barbacena, que está em sua 47ª edição, a Basílica de São José Operário disponibiliza banheiros para que os barraqueiros tomem seus banhos e façam suas necessidades, por meio de um serviço terceirizado. Para cada banho tomado, é cobrada a taxa de R$ 2,50 e para o uso do vaso sanitário R$ 0,50. Além disso, alguns moradores do bairro abrem as suas casas para acolher os barraqueiros, como é o caso de Maria Leni Mrad, 58 anos. "O pessoal que vem trabalhar no jubileu dorme aqui em casa. Eu sirvo almoço, não cobro o ponto, gosto muito deles, são meus amigos mesmo. Abro a casa com todo o prazer para acolher", diz a moradora. Para ela, esse contato e convivência com os barraqueiros criam fortes laços de amizade, já que muitos deles frequentam a sua casa há vários anos na época da festa. O aposentado João Carlos Marinho, 48 anos, sempre gostou de participar de trabalhos de pastoral. Há 11 anos ele trabalha como voluntário na Basílica de São José Operário,

sendo um dos responsáveis pela infraestrutura interna e externa da organização do jubileu. João Carlos cuida dos espaços e os limites que cada barraqueiro pode ocupar e das questões logísticas para a realização da festa. "Nós trabalhamos para que a festa seja cada vez mais tranquila e para que barraqueiros e romeiros saíam daqui satisfeitos”, explica. Mas para João Carlos, o trabalho mais importante é em relação à conscientização dos barraqueiros sobre a importância da festa religiosa para o trabalho deles. "Muitas pessoas vem ao jubileu, mas são poucas as que participam das celebrações. O público é grande nas barracas e nós falamos muito com os barraqueiros que o jubileu, a festa religiosa, pode ter sem as barracas, mas as barracas não podem ter sem o jubileu”, afirma. De acordo com ele, durante os 11 dias em que ocorrem o jubileu, passam por Barbacena em média 150 mil pessoas, um número superior à população da cidade, que é de 126 mil habitantes.


14 Mercado

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Maio • 2011

Crescimento econômico e eventos esportivos que acontecerão em 2014 e 2016 no Brasil criam a expectativa de uma demanda grande para a engenharia, que enfrentou tempos difíceis

MERCADO EM FASE DE MUDANÇAS RENATA FONSECA

n CARLOS EDUARDO ALVIM, PEDRO VASCONCELOS, 4º PERÍODO

A Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 acenderam a discussão sobre a demanda de profissionais das mais variadas áreas de trabalho no Brasil. Obras de infraestrutura e modernização, principalmente nas cidades que sediarão os eventos, já começaram a ser realizadas. Todas essas reformas passam pelas mãos dos engenheiros, responsáveis pelo planejamento, acompanhamento e também pela execução das obras. Entretanto, segundo dados do Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea) a demanda por engenheiros no Brasil não atenderá às necessidades do país, considerando o crescimento econômico da nação entre 2011 e 2020. De acordo com as projeções, se o crescimento brasileiro for de 2.5% ao ano, a demanda por engenheiros no período considerado (2011-2020) será de 563 mil engenheiros. Considerando um crescimento de 4% ao ano, o número de profissionais demandados pelo mercado sobe para 765 mil. As projeções do Ipea simularam ainda um cenário em que a economia brasileira teve um crescimento de 6% ao ano. Caso as estimativas sejam comprovadas, o país precisaria de 1 milhão e 160 mil engenheiros para atender as necessidades. O estudante de Engenharia Mecatrônica da PUC Minas, Ivan Soares de Paula e Silva, 20 anos, acredita neste aumento da demanda por engenheiros no mercado, e na faculdade procura participar de projetos de iniciação científica que agreguem a sua formação. "Pelas expectativas que temos e até mesmo por conselho dos professores e orientadores que vivenciam o mercado da engenharia, tudo indica que o mercado está realmente em alta, todos dizem que o que está em falta no mercado são bons engenheiros", diz. Edson Santos, engenheiro agrônomo é filiado ao Sindicato

Ivan Soares, estudante de Engenharia Mecatrônica, procura aprimorar a formação para atender às exigências de um mercado em alta dos Engenheiros e se formou em 1985. Ele destaca o momento único da engenharia brasileira. "Nunca precisamos de tanto engenheiros. E isto parece ser muito lógico. Uma vez que finalmente o Brasil parece estar crescendo", afirma. O engenheiro atribui à recessão dos anos 80 a falta de engenheiros no mercado hoje. "Nos anos 80 não era moda fazer engenharia. O país passava por um momento de estagnação econômica. Não só a engenharia, mas muitas profissões perderam o seu espaço. O legal era fazer concurso público e ter um emprego mais estável", comenta. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais (Inep) comprovam o aumento da procura por vagas nas universi-

dades para os cursos de engenharia. Hoje, eles só ficam atrás dos cursos de medicina e direito. O estudante Ivan Soares viveu esta realidade, passou por um vestibular difícil e agora já tem que lidar com os obstáculos que o próprio curso impõe. "A formação depende de muita dedicação e perseverança. Eu acho que o problema do mercado de trabalho é a valorização do profissional e a baixa remuneração", afirma o estudante. Para o engenheiro civil Horácio de Paula e Silva, pai de Ivan, a engenharia de hoje é mais dinâmica que a de sua época e orienta o filho quanto as possibilidades que pode encontrar no mercado de trabalho. "Hoje, o mercado é rápido e o sucesso real não depende apenas de ser um profis-

sional atualizado e sim de um profissional bem relacionado", afirma. Horácio trocou de profissão durante período de recessão no país, quando os serviços eram escassos e a remuneração ruim. Hoje, ele têm uma plantação de café na cidade de São Sebastião no Paraíso, na Região Sudoeste de Minas Gerais, e assina os projetos que desenvolve para a sua plantação. "Quando me formei achei que eu fosse o melhor dos engenheiros, mas na prática era diferente. Depois tem que conciliar a profissão com a vida de casado, manter as contas em dia e apesar de todo o amor pela profissão o que prevalece é a sobrevivência. A gente percebe isso quando procura serviço e não encontra", diz.

A escassez de engenheiros no Brasil foi tema de um debate realizado no mês passado pelo Sindicato dos Engenheiros de Minas Gerais (Senge-MG). Questões como remuneração e qualificação profissional foram o foco da discussão. Márcio Pochmann, presidente do IPEA, afirmou que a engenharia brasileira enfrenta três problemas estruturais. "Os problemas são a alta evasão nas universidades. Somente 15% dos estudantes que entram na Engenharia conseguem se formar. O baixo número de vagas nas engenharias e o desvio de atuação dos engenheiros formados", afirma Pochmann. Para o pesquisador, a escassez de engenheiros é uma realidade em apenas alguns segmentos da engenharia. "Nós temos a realidade da escassez localizada em determinados setores da atividade econômica, em determinadas regiões, mas ao mesmo tempo também é um mito porque não podemos dizer que estão faltando engenheiros para todas as áreas. Temos engenheiros sobrando em determinados setores", diz. O Engenheiro Edson ressalta outros problemas da engenharia, na ordem da remuneração. "Um engenheiro recém-formado ganha em média hoje R$ 1500, isto é insuficiente, para um profissional que precisa se especializar tanto", conta. O estudante Ivan teme o mercado, mas seu pai Horácio o encoraja a seguir em frente na profissão. "A minha condição financeira proporciona a ele continuar estudando, sem pressão. Ele pode se dedicar e se especializar bem", afirma. Para Pochmann a qualificação do engenheiro profissional é o maior desafio para o país e também para os profissionais. "O grande problema é que grande parte dos engenheiros que se formam têm muitas defasagens não resolvidas pela universidade. Não precisamos só de mais vagas para a engenharia, precisamos sobretudo cuidar da qualidade dos cursos que estamos oferecendo para os jovens", afirma.

Profissionais buscam complementar formação n OHANA PADILHA, 3º PERÍODO

Brasileiros que querem conquistar sucesso em suas carreiras estão cada vez mais investindo em educação profissional. Para tanto, muitos formados optam por fazerem complementações acadêmicas. O mercado de trabalho é amplo e possui espaço para as diversas áreas e profissionais, mas para se ter êxito na carreira profissional e na pessoal é necessário estudo, dedicação e vontade de crescer. O mercado de trabalho segue mudanças que acontecem constantemente, com isso a contratação de novos profissionais tende a acompanhar as novas modificações propiciadas pelo mercado. É o que diz Cristina Pena, que atua na área de Recursos Humanos, Gestão de Pessoas e em Pedagogia Empresarial. Ela ainda completa dizendo que, os cursos de graduação não têm seus currículos

alterados com a mesma agilidade do mercado de trabalho, assim, vê-se a importância dos cursos de complementações acadêmicas. Sérgio Henrique da Silva, paulistano criado em Belo Horizonte, é um exemplo disso. Nascido em família humilde é hoje Gerente de Projetos em Telecomunicações. Ele estudou Engenharia Eletrônica e de Telecomunicações, e Tecnologia em Processamento de Dados. Possui pós-graduações, certificações e especializações, e fluência em outro idioma. "Estudei a vida inteira e ainda pretendo aprimorar mais. Acredito que a cada três anos um bom profissional deve se aprimorar, para manter ou melhorar a sua condição de empregabilidade", afirma. Pessoas que sempre estão investindo em sua educação profissional garantem uma boa carreira, além de conseguirem ampliar suas chances no mercado de trabalho. Segundo ele, sua

busca por novos recursos ajudou-o a ampliar seus conhecimentos, aumentou o salário, melhorou as condições de trabalho e concretizou a sua realização pessoal, a que diz ser bastante importante pelo fato de ser visto como um profissional com competência

[ ] “EM QUALQUER ÁREA

DEVE SE ATUALIZAR PARA NÃO FICAR PARA TRÁS E MELHORAR SUA MÃO DE OBRA” ROSANA ARANTES

reconhecida no mercado de trabalho. Com interesses parecidos a esses, Valéria Freitas é outra profissional brasileira que deseja ter uma boa carreira. Educadora formada em Geografia, atualmente está cursando uma pósgraduação e também possui em seu currículo cursos de pequena duração e participações em

fóruns e congressos. “A busca por cursos de curta e média duração é frequente nos jovens de hoje, assim, constata-se que esses estão atentos às necessidades do mercado de trabalho”, afirma Cristina Pena. Valéria salienta que as complementações foram incentivadas por sua vontade de ampliar conhecimentos, melhorar a didática em sala de aula, aumentar seu salário e conseguir realização pessoal. Ela possui esperanças que com sua pós-graduação consiga contribuir ainda mais para a melhora do sistema educacional da escola onde atua. Com vontade de ajudar pessoas, Rosana Arantes, artista plástica que trabalha numa Oficina Terapêutica estudou Belas Artes e Psicologia, trabalhou com crianças da antiga Fundação Estadual do Bem Estar do Menor (Febem) na reintegração social, com pessoas da terceira idade, com crianças portadoras de Síndrome de Down e atualmente

trabalha com pessoas que possuem transtornos mentais. Ela conta que esse tipo de trabalho a faz crescer como ser humano, além de ser uma forma de ver e sentir as diferenças do círculo social ao qual está inserida. Rosana diz que a cada dois ou três meses faz cursos e oficinas, além de participar de exposições. Para ela, é necessária a atualização constante, já que o mercado de arte muda sempre graças às inovações dos materiais. "Em qualquer área deve se atualizar para não ficar para trás e melhorar a sua mão-de-obra", completa. Segundo ela, as reciclagens são importantes para se ter ideias do que se pode utilizar na Oficina, já que essas são carentes e, portanto possuem poucas verbas. Rosana segue dizendo, que gosta muita do que faz e se lamenta pelo mercado de trabalho não valorizar essa mão- deobra. "A arte é uma forma de expressão que não ofende ninguém", ressalta.


Meio Ambiente Maio • 2011

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ATRASO NA CRIAÇÃO DE PARQUE Moradores do Belvedere e da Vila Acaba Mundo lutam pela construção de parque ecológico nas margens da Serra do Curral por meio do movimento Pró-Lagoa Seca STEFÂNIA AKEL

n ALINE SCARPONI, ANA LUISA AMORE, DANILO GIRUNDI, ISABELLA LACERDA, STEFÂNIA AKEL, 7º PERÍODO

Moradores da Vila Acaba Mundo seriam beneficiados com a implantação do parque às margens da Serra do Curral

Parlamentares vetam projeto Um exemplo de mobilização popular em prol da criação de uma área ambiental em Belo Horizonte foi a tentativa de organização da Região do Isidoro, que acabou não dando certo. Cortada pelo Ribeirão Isidoro, a área, localizada na Região Norte da capital, deve se transformar em um pólo de expansão da cidade pela prefeitura da capital. A região poderá receber 300 mil habitantes, com a construção de 72 mil apartamentos, shopping center, hipermercado, escolas e postos de saúde. No ano passado, um projeto de lei de autoria do vereador Paulo Lamac (PT) chegou a tramitar na Câmara Municipal. Com o objetivo de organizar a ocupação urbana na região de

maneira ecologicamente correta, o projeto acabou não sendo aprovado pelos parlamentares. A negativa do Legislativo abriu espaço para a Prefeitura de Belo Horizonte iniciar estudos na região, por meio do Conselho Municipal de Políticas Urbanas (Compur), para avaliar de que maneira a área poderia ser aproveitada. O local, até então esquecido pelas autoridades, despertou interesse do governo após a construção da Cidade Administrativa, da Linha Verde e a implementação de mudanças no Aeroporto Internacional de Confins. Circundado por bairros populares, como Ribeiro de Abreu, TupiMirante e Zilah Spósito, o mercado imobiliário também acabou se interessan-

do pela região. O motivo seria sua localização privilegiada no Vetor Norte da capital, eixo de desenvolvimento da região metropolitana. Cerca de R$ 1,07 bilhão deve ser investido nos próximos anos no terreno. O vereador de Belo Horizonte Iran Barbosa (PMDB) lamenta o fato de, mais uma vez, o meio ambiente ter perdido para as especulações financeiras. Segundo ele, a iniciativa em prol da Região do Isidoro foi uma mostra do que a população pode fazer quando unida por uma causa. "O Isidoro é um bom exemplo. Ele esbarrou no interesse do governo, mas conseguimos protelar uma decisão e ainda mostrar a importância daquela área para a população", afirmou.

A construção de um parque ecológico em uma área de mineração, localizada às margens da Serra do Curral, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, aguarda uma definição há seis anos. A Mineradora Lagoa Seca não cumpriu a condicionante determinada, em 2005, pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comam) para a renovação da licença de exploração da área até 2012. Proprietária de um terreno de 5 milhões de metros quadrados, a mineradora deveria ter concluído o projeto do parque em 2009, o que não aconteceu. "A mineradora entrou com um recurso logo depois da decisão do Comam, ou seja, já se passaram seis anos. Em 2005 eles tiveram a licença e em 2006 eles entraram com o recurso. Se não cumpriu a condicionante, cassa o licenciamento", cobra o presidente da Associação de Moradores do Belvedere, Ricardo Jeha. O recurso ajuizado pela mineradora é um pedido de revisão da condicionante da licença de operação número 57, de 1999, que já existia desde a época do licenciamento e definia que, após cessar as atividades da mineração, ou seja, com o fim da licença ambiental, o empreendedor deveria disponibilizar uma "área para uso coletivo público". O recurso ainda aguarda uma decisão do Comam. A posição da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) é de buscar um consenso entre moradores e a mineradora. "Será feita uma análise na Secretaria de Meio Ambiente e submetida ao Comam, que irá decidir se o pleito do empreendedor é legítimo ou não. Não existe um prazo, mas nós queremos que esse processo transcorra dentro da melhor

maneira possível e dentro de um consenso, temos que buscar um consenso", afirma o secretário municipal de Meio Ambiente, Nívio Lasmar. Duas entidades representativas de realidades diferentes estão lutando para tornar a construção do parque realidade, por meio do movimento Pró-Lagoa Seca, que tem a participação de associações de moradores do Belvedere e da Vila Acaba Mundo, duas regiões que seriam beneficiadas com a possível área verde. A área destinada à construção do parque tem cerca de 20 mil hectares, maior que o Parque Municipal, e já tem um projeto idealizado pelos moradores, que inclui pistas de caminhada, praças de esporte, lagos e trilhas ecológicas. Para o biólogo da ONG Ecologia e Observação de Aves (Ecoavis), Eduardo Franco, a criação do parque iria ajudar na formação de um importante corredor ecológico, que ligaria a Mata do Rola Moça ao Parque das Mangabeiras. "Isso iria garantir a troca genética entre os animais das duas florestas, contribuindo para que esta fauna fosse equilibrada e afastando o perigo de extinção", salienta. EXPLORAÇÃO Líderes do movimento Pró-Lagoa Seca acusam a mineradora de querer lucrar com a área após o fim da licença para exploração do solo. "Eles querem construir um lançamento imobiliário. A área, por ter quase 500 hectares, é muito grande e muito valorizada", ressalta Ricardo Jeha. O presidente da Associação dos Amigos do Bairro Belvedere, Ubirajara Pires Glória, concorda com Jeha. Ele afirma que a área em questão é a mais valorizada de Belo Horizonte e que o valor estimado para o terreno é, atualmente, cerca de R$ 7 mil o metro quadrado. A possibilidade de construção de novos empreendi-

mentos imobiliários em uma região já bastante verticalizada e com problemas de intenso fluxo de veículos fez com que o vereador Iran Barbosa (PMDB) desse espaço ao movimento na Câmara dos Vereadores. A ideia apresentada pelo parlamentar é veicular a campanha em todos os prédios da Região Centro-Sul da capital, buscando o máximo de adesão ao movimento. "Com o apoio da população, começa a ficar feio se o parque não sair e se a prefeitura não tomar uma atitude", avalia. "Não tem como impedir que uma parte do terreno fique com a mineradora, mas pelo menos 35% do terreno ficaria para o parque", completa. SILÊNCIO Os motivos pelos quais a Mineradora Lagoa Seca, que pertence ao grupo Unitas, localizada no Bairro Belvedere, Região Centro-Sul da capital, pediu ao Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comam) a revisão das condicionantes por ele definidas ainda não estão claros. Procurada pela reportagem, a mineradora, que fica às margens da Vila Acaba Mundo, informou, por meio de sua assessoria de comunicação, que não comentaria nenhuma questão ligada à criação do parque no local. Fundada em 1951, a Mineradora Lagoa Seca explora a região há 50 anos. Segundo o site da empresa, a região ocupada pela mineradora é considerada estratégica. A jazida do Acaba Mundo, que pertence à empresa, é considerada economicamente importante por possuir a única reserva de dolomita do país com qualidade química comprovada para refratários. Seus produtos abastecem as indústrias siderúrgicas, de refratários, o agronegócio e a construção civil, tendo como clientes grandes empresas como Açominas, Anglogold, Belgo, Caparaó, Cemig, Cenibra, Construtora Lider, Grupo Gerdau, Magnesita.

Lentidão desanima população Devido à grande proximidade da Vila Acaba Mundo com o local reservado para construção do Parque Lagoa Seca, uma área de lazer e preservação ambiental agrada a muitos moradores. Se fosse aprovada a construção do parque ecológico, a vila também conseguiria que a entrada do parque ficasse na sua região, podendo torná-lo ainda mais útil à população local. "O parque irá trazer melhoria e qualidade de vida para a comunidade. É uma opção de lazer que ainda não temos, irá valorizar a Vila Acaba Mundo", acredita a presidente da Associação de Moradores da Vila, Generosa Costa de Oliveira. Os moradores, que também têm aproveitado a luta pela construção do parque

para articular um movimento pela urbanização da região, preocupam-se, no entanto, com o tempo de andamento do processo de reafirmação ou revisão da condicionante, que há seis anos aguarda uma definição. "Os moradores acham que vai ser bem lento, até acham que não chegarão a usufruir do parque, que isso será para os filhos deles", revela. Para Generosa, uma maior participação da comunidade poderia contribuir para acelerar a tomada de decisões. Mesmo com a adesão de alguns moradores ao movimento, a associação não está participando de forma muito efetiva. "Eles comparecem às reuniões que têm em pauta a discussão e o andamento do processo, mas não procu-

raram a mineradora para cobrar resultados", avalia. Na década de 1940 a região era mata fechada e de propriedade particular. Com o início da exploração da mineradora Lagoa Seca, começou a ocupação do terreno, feita por pessoas do interior do estado, que vieram trabalhar na capital, em sua maioria na mineração. "Hoje as lideranças políticas da Vila Acaba Mundo esperam conformadas as melhorias definidas na condição de licença de 2005", reafirma a líder comunitária. “A maior preocupação dos integrantes do movimento Pró-Lagoa Seca é que seja feito um acordo que não prejudique nem a comunidade e nem a mineradora", completa Generosa.


TEATRÓLOGO

penhamos tanto em criar o Teatro Universitário, não para fazer espetáculo, mas para ter professores, currículos, para profissionalizar a atividade.

n Atualmente há atores que não são formados, pelo menos nas novelas de televisão. Como o senhor vê isso? O problema é que a arte do ator é o teatro, a arte do ator não é a televisão. A televisão, como o cinema, é a arte do diretor e não a do ator. Porque se você for muito ruim como ator, sempre faz novela de televisão, o sujeito vai filmar só o que ele quer. Então, se você não sabe falar, na hora em que você fala, ele vai desviar a câmera para o que você está fazendo com as mãos. Ninguém mais vê sua expressão. No teatro não tem jeito, você tem visão global, é ao vivo. No teatro é uma coisa tão n diferente, porque mesLILA GAUDÊNCIO, mo que uma pessoa não MARCELA NOALI, esteja falando, você que SYLVIA FERNANDES, está na plateia está 7º E 1º PERÍODOS vendo. No cinema nunca acontece, na teleJosé Geraldo Dangelo, ou apenas Jota Dangelo, é reconhecido visão nunca acontece. A nacionalmente como renovador do teatro de Belo Horizonte, câmera mostra somente sobretudo a partir do fim da década de 50. Ator, diretor, o que ela quer mostrar, dramaturgo e produtor de teatro, o ex-diretor presidente do BDMG ou seja, o que o diretor Cultural nascido em São João Del Rei é um dos mais importantes quer mostrar. Então teatrólogos de Minas Gerais. Em entrevista exclusiva ao você pode hoje, com um simples curso de MARCO, Dangelo aborda temas polêmicos do atual cenário seis meses, fazer uma cultural belo-horizontino, como os problemas da Campanha de audição para uma telePopularização do Teatro e da Dança, que, ao longo dos 37 anos visão e vai escolher três de existência, acabou mal acostumando o público, que passou a ou quatro. O grande procurar os teatros apenas nessa época específica. "A turma problema é que você acostumou que o negócio de ir ao teatro é na hora da Campanha. não vê no teatro, Esse passou a ser um problema complicado", pondera. Além disso, ninguém aparecer que ele ainda critica as leis de incentivo à cultura, que, em sua visão, não seja um grande minam a produção teatral independente, a partir do momento que ator.

EM CENA ------

n O que motivou o senhor a seguir a carreira teatral? Pois é eu sou de São João Del Rei, que é uma cidade teatral por si mesma, toda cidade barroca é teatral: ela vive do rito, que começou com o rito religioso. Mas ao mesmo tempo toda sociedade barroca do século XVIII é uma sociedade lúdica, gosta de festa. Portanto quem gosta de festa, gosta de teatro. Coisa que é evento, coisa que acontece. E por essa razão eu fui criado dentro disso, dentro do rito da Igreja Católica da Semana Santa, essas coisas ritualísticas: pro- as empresas selecionam um tipo de espetáculo. "Porque interessa para cissões fantásticas, até ela sobre o ponto de vista da mercadoria que ela produz", observa. n Como o senhor avalia hoje são fantásticas em essa forma de teatro São João. Então de modo que ali já era um teatro ao comercial que tem predominado no Brasil? vivo e ao mesmo tempo estudei durante sete anos no O teatro necessariamente tem gêneros diferenciados, é Colégio Santo Antônio de São João Del Rei, inclusive claro que o teatro comercial existe. Então, existe como cinco anos como interno, e lá era dirigido por padres diversão própria. Não tem nenhum problema não. holandeses, freis holandeses da Ordem de São Mas é preciso saber se é bem feito: se ele tem bons Francisco e o Colégio Santo Antônio, de 1943 a 1949, atores, se tem um texto inteligente, não tem importânfoi quando eu estudei lá, era ainda um ensino cia que seja simplesmente comércio, que seja só uma humanístico. Eu fui criado dentro desse espírito comédia, 90% das peças da Campanha de humanístico dos freis franciscanos do colégio Santo Popularização [do Teatro e da Dança] são comédias, só Antônio, aonde existia grupo de teatro, canto orfeôni- que entre elas em torno de 60% não valem nada. É co, grêmio literário, cinema toda terça-feira e uma bi- ruim como figura de dramaturgia, como tema e como blioteca maravilhosa para você ler. Quando cheguei em interpretação. Também os atores não são essas coisas. Belo Horizonte na década 1950 para estudar Mas algumas são muito boas. O problema é que existe Medicina, eu já tinha sido contaminado pelo germe do um teatro que não é para a massa não. Existe um teatro teatro, não adiantava mais, não havia mais volta, tanto que é muito difícil, que exige uma certa cumplicidade que logo que cheguei e, imediatamente, eu entrosei educacional e institucional com as pessoas que estão com as pessoas que faziam teatro. assistindo. Então esse teatro só existe para algumas pessoas do topo, não dá para qualquer pessoa gostar n Como surgiu a ideia de criar disso não. Há clássicos do teatro que evidentemente o Teatro Universitário e qual a importância dele? não são para qualquer um gostar não. O teatro não é Essa geração que chega aqui em 1950, a geração que de massa, o teatro é para iniciados. Já a comédia não. tinha 18, 19 anos, chega para verificar que na verdade Todo mundo vai ver e não tem problema nenhum. estava tudo por fazer na cidade. Na área de cultura Uma coisa é popular quando todo mundo faz, não é algumas coisas já existiam de maneira muito sólida, quando você faz uma peça e leva para a periferia, isso como, por exemplo, as artes plásticas, que não tinham não é dizer que ele é popular. Seria popular se lá na muito problema não. Porque o Guignard já estava aqui periferia alguém fizesse teatro. Igual futebol: é popular desde 1942, já tinha aberto uma escola de artes plásti- porque começamos desde cedo. Você tem três ou quaca. A musica erudita não tinha problema também não, tro páginas em todos os jornais do país falando de futeporque tinha sociedade coral, educação artística, tinha bol. Você tem clube de fim de semana que tem pelada, várias entidades, tinha gente que fazia opereta, tempo- clube dos magistrados, dos artistas; o Chico Buarque rada de opereta, então isso não tinha grande problema. tem um campo de futebol na casa dele pra jogar pelaO [Teatro] Francisco Nunes tinha acabado de ser inau- da, aí isso é popular. Teatro não é assim. Você tem que gurado no começo da década de 50. Não tinha nada de sair de casa, você tem que pagar o ingresso, normalcinema, não tinha nada de teatro, de dança você só mente os teatros estão no centro, normalmente se vai tinha dança clássica, com Carlos Leite, mas não tinha acompanhado. Quando acaba você quer ir jantar, dança moderna. Essa geração teve de se empenhar em tomar uma cerveja, discutir aquele assunto. Não é fazer essas coisas, era necessário começar a fazer, igual à novela, que acabou o capitulo e pronto. A não porque a geração que antecedeu a nossa, que chegou ser as sexagenárias que não têm mais o que fazer e vão aqui em 1950, tinha ido toda para o Rio, a geração de conversar sobre o que vai acontecer no capítulo intelectuais que era o Hélio Pelegrino, do Paulo seguinte. Mendes Campos, do Fernando Sabino. Esse pessoal todo tinha ido para o Rio de Janeiro, e antes deles n A quem se destina o teatro que é feito em BH? outra geração tinha ido, como Carlos Drummond de Eu tenho impressão que aqui em Belo Andrade, tinham ido para a corte. Belo Horizonte era Horizonte nós estamos vivennada, isso aqui era uma bobagem, a cidade tinha 400 do um fenômeno estranhísou 500 mil habitante em 1950, então as coisas ainda simo, porque nós estaestavam por fazer, havia alguns gurus ainda que timos vivendo um nham permanecido como João Etienne Filho, fenômeno que tecomo Jacques do Prado Brandão. E nós tínhamos mos um público fanpara nós a ideia, como todas as pessoas tástico na Camjovens, de derrubar ídopanha de Populos, derrubar larização e depois barreiras connão temos mais tra toda a norCULO público. Aliás, agoESPETÁ M E malidade, é asT “ ra, nesse minuto, a M E TRA sim que a gente classe está discutinQUE EN M É INGU é jovem. Então, do exatamente esse TAZ E N R A C nós tínhamos ponto: como é que FALAR” OUVIU certeza de que nos vamos fazer não se podia fazer para o público vir arte, se não tivesse de março escola de teatro. a Você tinha que ter professor tinha que ter técnica. Foi por isso que n o s em-

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dezembro, porque de janeiro a fevereiro todo mundo está na Campanha: tem 360 mil espectadores. Mas depois não tem mais não, acabou. Quer dizer, o público resolveu que ele só ao em teatro de janeiro a fevereiro, Vem outro e fala assim: "Ah não, isso é porque o ingresso é muito barato. É barato, 'tô na Campanha'". O ingresso é barato. Quando você está fora da Campanha certamente se faz promoção. A turma acostumou que o negócio de ir em teatro é na hora da Campanha. Esse passou a ser um problema complicado. Está todo mundo discutindo como é que nós vamos atrair o público fora de janeiro e fevereiro, fora da Campanha é um problema sério. n Como o senhor avalia a atuação do crítico teatral em Belo Horizonte? Nós temos duas falhas lamentáveis aqui no teatro em Belo Horizonte. Uma é a falta de crítico, quer dizer os jornais não dão mais espaço para aparecer críticos de teatro e os críticos de teatro, por sua vez, como são pouquíssimos, na verdade não tem nem chance de criticar, de escrever sobre todo espetáculo que está em cartaz. Tem espetáculo que entra em cartaz e ninguém ouviu falar. O crítico não falou do espetáculo nem nada e a própria imprensa, independente daquilo que quer, é só de vez em quando que aparece uma crítica ou outra; não faz também uma cobertura básica sobre uma peça que vai estrear, que mostra sobre uma entrevista interessante sobre uma peça que vai estrear, não existe cobertura. Você estreia uma peça, com exceção da Rede Minas, porque é do Governo do Estado, não vai uma televisão lá na estreia para fazer uma matéria sobre a estreia e perguntar aos espectadores, que estão saindo, se eles gostaram daquela peça que está estreando. A segunda falha que eu acho fundamental é que o crítico, ele necessariamente não é um sujeito que só pode falar de peça de teatro não, ele faz parte da classe teatral, os problemas da classe teatral ele também deve tocar neles: política, que gere as políticas públicas das artes cênicas, é um problema do crítico também, ele tem que estar junto com essa classe, com as lutas dessa classe e também não acontece. n Pode-se dizer que as leis de incentivo ao invés de ajudarem, acabam prejudicando a produção teatral independente, a partir do momento que as empresas selecionam megaespetáculos ou espetáculos que têm uma ligação a algum ator-celebridade para dar maior visibilidade à sua imagem? Isso é um dos problemas da Lei Rouanet, que, realmente, tem seus lado adverso. Não tenho duvidas sobre isso. A Lei Rouanet foi e é muito importante. Eu acho que se você complicar a lei para uns caminhos que eu estou vendo aí, o Ministério [da Cultura] querendo que a Lei Rouanet seja de outra maneira, eu tenho a impressão que nós vamos sentir um baque muito assustador na produção cultural do país, porque a Lei Rouanet tem sido fundamental no país. Mas, tem esse lado perverso também. A Rouanet pode acabar colocando uma espécie de lei utilitária para empresa impor as suas próprias condições. Só interessa a empresa aquela celebridade ou então aquele tipo de cultura, aquele tipo de evento, porque interessa para ela sobre o ponto de vista da mercadoria que ela produz. É complicado também a pessoa pensar em termos que o dinheiro da Lei Rouanet é, na verdade, um dinheiro público, porque é um dinheiro que vem de renúncia fiscal. Então, se é renúncia fiscal, é porque o dinheiro é devido ao Governo. Se você está abrindo mão disso, você está abrindo mão de imposto que iria para o Governo. O grande problema é que o contraponto a esse argumento é que o dinheiro, que era para ser pago de imposto, vem do trabalho, não do Governo. Vem do trabalho da empresa. Então, quanto mais a empresa trabalha, mais ela vai pagar de imposto. A riqueza produzida não é pública, a riqueza produzida é privada, foi feita pelo trabalho privado. Claro que resultou no imposto, esse é outro problema, mas ele não é um dinheiro público nesse sentido. Ele foi resultante de uma atividade privada. O que me preocupa mais na Rouanet é que a lei já tem 19 anos, na verdade, e nesse meio tempo de 19 anos,essa lei, agora de repente você fala assim: "o importante não é o mecenato, o importante na lei é o fundo federal de cultura, nacional de cultura". Ora, se você for fazer isso, no fundo ele não é exatamente como mecenato, porque o mecenato você vai buscar na empresa o dinheiro para você captar. O fundo não, o dinheiro vai para o fundo e ali vai ser resolvido para que vai. Então, aí tem uma interferência política muito grande. n Em relação à abertura de novos centros culturais, como o Sesc Palladium, como o senhor avalia o impacto dessas inaugurações no circuito de teatro local? Da maneira como eu estou sendo informado pelo Sesc, que na verdade está dirigindo, a ideia que eles têm é muito boa. A ideia que eles têm é fazer um teatro com preços populares. Vão abrir muito mais aquilo ali para grupos mineiros, para grupos de Belo Horizonte, de Minas. E numa casa de grandes proporções e com equipamentos de última geração, o que é muito importante para a cidade. Tem muita coisa que está acontecendo no Rio e São Paulo que não vem aqui. Porque não tem, Palácio das Artes nem sempre tem pauta livre para essas coisas. Então a gente perde às vezes algumas coisas que passam por Rio e por São Paulo, às vezes chegam até Porto Alegre, mas não vem a Minas Gerais. Então é mais uma chance que nós vamos ter. Em breve teremos mais um que é lá no Cine Brasil. Então isso ai vai ser bom para o meio cultural aqui, que nós podemos ter muita coisa. Porque certamente o Palladium não vai poder ficar com uma pauta só para espetáculos de Minas, ele vai ter que abrigar produções de outros estados, particularmente, do Rio e São Paulo. Principalmente, porque não é todo espetáculo que acontece em Belo Horizonte que tem condições de entrar num teatro de 2 mil lugares. Não é uma coisa tão simples assim. Mas, de qualquer maneira,s é uma nova casa de espetáculo. Eu conheço bem as instalações lá, que eu já visitei, são instalações muito boas.

LILA GAUDÊNCIO

TEATRO

Entrevista Jota Dangelo

Jornal Marco 281  

Jornal Marco 281 Maio/2011

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