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Edição

JORNAL COMUNITÁRIO Belém Novo: Lado A lado B ( pg. 3 ) (Editorial) Nosso norte é o sul ( pg. 2 ) DO BAIRRO BELÉM NOVO Frente parlamentar em defesa do DMAE (51) 99173-6153

@ladobjornal

em Belém Novo ( pg.4-5 )

www.jornalladob.com Maio/Junho de 2019

BELÉM VIVO Belém Novo é historicamente conhecido pelas belezas naturais que o cercam. Destino daqueles que buscam paz e tranquilidade em meio a vida agitada da região central de Porto Alegre, este bairro do extremo-sul da capital, hoje vê em xeque a qualidade de vida e as características que o mantém no coração de todos portoalegrenses.pg.3

foto: Matheus Piccini/LB


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1ª Edição

EDITORIAL

Bairro Belém Novo

Maio e junho de 2019

Nosso norte é o sul

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e a Terra é redonda, como saber se o norte fica em cima e o sul embaixo? O princípio da dúvida, da investigação e da divulgação dos diversos lados da realidade são princípios básicos do jornalismo. Fiel a eles, o jornal comunitário Lado B apresenta um olhar singular sobre o bairro Belém Novo. Aquele olhar camuflado pelo cotidiano, deturpado pelos interesses econômicos e político-partidários, guardado na memória dos moradores, ou perdido na história. Dessa forma, se propõem a contribuir com a formação do pensamento crítico, com a valorização do patrimônio ambiental, com a qualidade de vida e com a autoestima de seus habitantes. O informativo terá periodicidade bimestral, sendo produzido por uma equipe de profissionais da própria comunidade (jornalistas, fotógrafos, colunistas, ilustradores), contando com colaboradores externos. Terá, também, um caráter de jornal laboratório mediante a parceria com universidades (cadeiras de Jornalismo Comunitário da PUCRS e UFRGS). Na prática, isso se dará da seguinte forma: estudantes serão encaminhados para participar das edições sob orientação da equipe e também de jornalistas convidados, que farão oficinas com os universitários. A cada edição a equipe fará reuniões de pauta aberta a convidados da comunidade, capazes de contribuir não apenas na construção de pauta quanto na linha editorial do jornal. Assim, o Lado B pretende ser realmente um

foto: Felipe Farias/LB

porta-voz dos moradores de Belém, mantendo a pluralidade, mas com uma linha clara de valorização do desenvolvimento não tecnológico e respeitoso com a natureza. Dessa maneira, pretende contribuir para a inversão da lógica de que o norte sempre indica o rumo a seguir. Parafraseando o pintor e escritor uruguaio Joaquín Torres García, “nosso norte é o sul”.

Cacique Timóteo fala com apiadores no 1º ano da retomada Mbyá- Guarani foto: Luiz Abreu/LB

Assessoria jurídica visando soluções eficientes para resguardar os direitos e interesses de nossos clientes. Primando pelo respeito à legislação e lealdade nas relações.

Gustavo Nunes Rodrigues OAB/RS 59182

(51) 995 833 269 Michele Rihan Rodrigues OAB/RS 57620

(51) 998 373 316

1º ano da retomada Mbyá-Guarani E EXPEDIENTE ngana-se quem diz que Belém Novo nunca teve indígenas. Além da região abrigar dois sítios arqueológicos – um deles na Fazenda Arado Velho e outro na Ilha Chico Manoel – existem registros antigos sobre a presença dos Guarani. Eles foram os primeiros moradores do bairro. Há um ano, um grupo de famílias Mbyá Guarani retomou as terra na fazenda do Arado. Durante esse tempo sofreram muita pressão, resultando em janeiro de 2019, durante a madrugada, em um ataque a tiros contra o local onde estão acampados. No dia 15 de junho comemoraram um ano da retomada, onde receberam apoio à permanência de diversas instituições e moradores de Belém Novo.

Jornalista Responsável: Matheus Piccini - Reg. prof. - 0019117 matheuspiccini@gmail.com Colaboradores: Rosina Duarte Luiz Abreu Felipe Farias Pedro Piccini Michele Riahn João Nunes Periodicidade Impressa: Bimestral Tiragem Média (bimestral): 2.000 exemplares Distribuição GRATUITA


ESPECIAL

1ª Edição

Bairro Belém Novo

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Maio e junho de 2019

Lado A e lado B As duas faces de Belém Novo: um bairro muito conhecido por suas belezas naturais, mas que convive com problemas diários de infraestrutura

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por Pedro Piccini e Rosina Duarte

vida nasceu na água. O corpo humano, tão sólido na aparência, contém 60% de água. O planeta Terra, apesar do nome, tem 70% de sua superfície coberta de água. E Belém Novo não foge à regra. Aqui no sul do sul da cidade, praias não são águas passadas, mas águas presentes, pois o Guaíba continua balneável. O bairro inteiro é um presente das águas cobiçado por muitos. Principalmente porque, além de banho liberado e da paisagem de cartão postal, existem fatias de mata atlântica intocada, animais silvestres – alguns deles em vias de extinção – e um ar de terra natal capaz de proporcionar qualidade de vida aos seus moradores. O cenário seria perfeito caso não ocorressem tantos problemas de infraestrutura, incluindo, por ironia, a falta de água. Além, disso, há depredação do ambiente natural, transporte público precário, cortes de luz e descaso das autoridades que parecem considerar a região como o lugar onde “Judas perdeu as botas”, colocando-a no final da lista das prioridades. Belém Novo, como todos já sabem, é muito conhecido por sua beleza natural. A volta do Veludo, as ruínas do Poleto, a Ilha das Pedras, a Ponta do Arado, e um dos pores do sol mais bonitos da capital gaúcha. Belém já foi a “praia” de Porto Alegre. Era um grande balneário, havia cinema, o hotel Cassino, clubes, grande parte dos moradores da capital veraneava em Belém Novo. Hoje, esse espírito praiano ainda existe no nosso bairro, só dar uma caminhada na “beira” em um dia quente de janeiro para notar ritmos de música diferentes que se misturam nos domingos na orla, a criançada brinca às margens

Belém Novo visto do morro da vila da amizade. Foto: Felipe Farias/LB

do Guaíba enquanto as famílias estão assando um churrasco. De uns tempos pra cá, Belém perdeu um pouco dessa essência rural e praiana, principalmente por causa do Plano Diretor que, em apenas 20 dias, mudou uma parte da zona do nosso bairro de “rural” para “urbana” o que levou a especulação imobiliária a se voltar para o bairro. Os problemas, como falta de luz e de água, a poluição do rio, também aumentaram nos últimos anos devido ao crescimento do bairro, agora considerado urbano. Acordar às seis horas da manhã, ou antes, para enfrentar mais de uma hora de viagem até o centro. Enquanto espera o ônibus, a calmaria, o ar limpo e o verde de várias árvores são fáceis de notar. Quase todos os moradores de Belém conseguem se ver nessa situação. Mas a calmaria acaba quando passamos o Tri na roleta e encaramos a longa viagem, na maioria das vezes tendo que

pegar o famoso “Rápida 68” e mais um ônibus para chegar no trabalho ou na faculdade, já rezando para que na volta consiga achar um lugar para sentar ou um lugar para não ser amassado dentro do ônibus. Todo esse sofrimento foi um pouco aliviado quando as lotações chegaram no bairro, o que durou 20 anos para acontecer graças à luta da população belendrina. O potencial do transporte pelo rio é enorme e ele já existe na capital, com as estações do Barra Shopping e do Cais Mauá. Porque nosso bairro, banhado pelo Guaíba por quase todos os lados, não merece uma também? Belém Novo continua sendo um dos melhores bairros para se morar em Porto Alegre para quem procura qualidade de vida, mas tem potencial para ser ainda melhor se o poder público investisse na região, que carece de uma melhora urgente na sua infraestrutura.

FÓRUM DE SEGURANÇA: REUNIÃO ORDINÁRIA ACONTENCE SEMPRE NA ULTIMA QUINTA-FEIRA DO MÊS CONSELHO DITRITAL DE SAÚDE: PRÓXIMA REUNIÃO EM 12 DE AGOSTO DE 2019


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COMUNIDADE

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Bairro Belém Novo

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Problemas na US

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por Matheus Piccini ma soma de distintos problemas, como de infraestrutura, falta de água, operacional e de escassez de servidores faz com que a unidade de saúde (US) de Belém Novo não possa operar com toda a capacidade e excelência possíveis, para assim prestar um bom atendimento para a população. De acordo com a advogada Michele Riahn, que é coordenadora do conselho local de saúde (CLS) e vice coordenadora do conselho distrital de saúde (CDS) a US de Belém Novo atende mais de 15.000 moradores cadastrados, fora aqueles que não possuem cadastro na unidade. “ A estrutura física e a equipe necessária para atuar com esta demanda se mostram abaixo do necessário”, afirma Michele. Segundo ela é necessário uma ampliação da US. Além deste problema a unidade de saúde precisaria de computadores novos e refazer a comunicação da rede interna do local, já que algumas salas não possuem contato com esta rede. Ainda de acordo com Riahn é de extrema urgência a necessidade

de um veículo para os atendimentos a domicílio, uma vez que são muitas as visitas domiciliares feitas na região. Atualmente os agentes da saúde e médicos vão a pé ou usam os prórpios carros para chegar até esses locais para atender, na maioria dos casos pessoas acamadas. De acordo com o Ministério da Saúde o ideal é de que se tenha uma equipe de saúde bucal para cada quatro mil habitantes na região. Na unidade básica de saúde de Belém Novo, hoje existe somente uma equipe composta por duas profissionais. O ideal então, seria que hoje estivessem atuando, no mínimo, três equipes da saúde bucal. Além da US nescecita de apliação de seu espaço físico para melhor atender. Foto: Matheus Piccini/LB falta de funcionários as agentes de saúde necessitam de equipamentos novos, um deles responsável pela esterilização dos utensílios odontológicos, que está a dois anos queimado.

FPDD realiza

reunião no Belém Novo

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por Matheus Piccini e Pedro Piccini

o dia 3 de maio, aconteceu no Salão Paroquial Nossa Sra. de Belém a reunião da Frente Parlamentar em Defesa do Departamento Municipal de Água e Esgoto (FPDD), sendo o foco da discussão o sucateamento do departamento e as consequências que isso trouxe para os consumidores. Estiveram presentes na reunião mais de 40 pessoas,

entre membros da comunidade, conselheiros do Orçamento Participativo (OP) da região, funcionários do DMAE e vereadores da cidade. Os moradores de Belém Novo e região apontaram problemas como a dificuldade e demora do atendimento através do número 156 (Atendimento ao Cidadão), a demora do DMAE em realizar reparos, serviços precários executados por empresas terceirizadas e a falta


COMUNIDADE de investimento no sistema que abastece a região. Na mesma reunião foi mencionado que o DMAE levantou 5 alternativas para a melhoria do Sistema Belém Novo, sendo uma delas a ampliação da atual Estação de Tratamento de Água (ETA) Belém Novo e outra a construção da nova ETA Ponta do Arado. O engenheiro químico do DMAE, Marcos Calvete relatou também sobre a grande redução de equipes e do número de trabalhadores do departamento que atendem as ocorrências nas ruas, e que as equipes terceirizadas não têm a mesma qualidade de serviços dos empregados do DMAE, sendo estes os principais motivos da demora nos reparos. Hoje, mais de 50% dos cargos no DMAE estão vagos. A auditora técnica do Tribunal de Contas do Estado (TCE), presente na reunião, mencionou que é muito importante que as comunidades de moradores afetadas pelos serviços de água e esgoto apresentem informações ao TCE como protocolos de reclamações ou relatos sobre obras e consertos.

1ª Edição

Bairro Belém Novo

Calvete apresentou durante a reunião os méritos e prejuízos que o departamento vem acumulando desde o começo da gestão do prefeito Nelson Marchezan, em 2016. O DMAE, que já foi reconhecido como exemplo de bom funcionamento pela ONU em 2006, chegou em 2019 enfrentando o sucateamento devido a falta de investimentos, de servidores e de intervenções desnecessárias da prefeitura. Os investimentos que chegaram a 25% entre os anos de 2007 e 2016, segundo Calvete, caíram para 12% em 2017. O engenheiro ainda lembra que o DMAE possui uma das menores tarifas sobre o consumo de água do Brasil, entre as capitais, e que o departamento é superavitário, ou seja, o DMAE gasta menos do que recebe assim, gereando lucro.

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Sepé Tiaraju Nosso Santo Guarani! por Gustavo Rodrigues

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emos em nossa história um herói de características ímpares, nascido na redução de São Luiz Gonzaga, no Rio Grande do Sul, cerca de 1723, o índio guarani Sepé Tiaraju, é cultuado hoje em dia mais do que nunca, sendo atualmente uma bandeira libertária não somente dos povos originários, mas de nossas futuras gerações. As vésperas de ser canonizado pelo Papa Francisco, sem a necessidade de comprovação de milagres, nosso Sepé será o primeiro santo indígena do mundo. Sendo popular há muito tempo, o povo gaúcho já o santificava, inclusive temos uma cidade chamada São Sepé, o que demonstra a força da devoção em nossos pagos. Sepé era o corregedor da redução de São Miguel e resistiu brava e heroicamente as investidas do Império de Portugal e Espanha, na chamada Gerra Guaranítica (1753-1756), conflito esse motivado pelo tratado de Madri, realizado entre essas duas potências. Em 1756 as tropas dos dois exércitos (Portugal e Espanha) se encontravam na entrada do que hoje é a cidade de São Gabriel, prontos para dar combate ao exército guarani liderado por Sepé. Neste local foi que aconteceu a famosa Batalha de Caiboaté em que foram massacrados 1500 (mil e quinhentos) guaranis. Ocorre que na data de 07 de fevereiro de 1756, 3 (três) dias antes deste conflito, em uma escaramuça com as tropas já citadas, Sepé foi morto em combate. Dizem que seu cavalo tropeçou em um tacuru (buraco), ao cair, Sepé foi atingido por um golpe de lança e após por um tiro dado pelo comandante espanhol, sendo enterrado em uma capão próximo. Na mesma noite seus companheiros guaranis, resgataram seu corpo e o enterraram em um local secreto, nunca encontrado. Autor da famosa frase “Esta Terra Tem Dono”, expressão que incorpora o espirito de proteção da terra, Sepé Tiaraju é o nosso Cruzeiro do Sul, é o luzeiro na busca da “terra sem males”, o nosso portal para construir um mundo melhor para as gerações vindouras. Sépe Tiaraju “servo de Deus” é a nossa bandeira, aquela, que estava no chão e foi resgatada e desfraldada pelas mãos justas do povo brasileiro. Co Yvy Oguereco Yara (essa terra tem dono)!


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1ª Edição

Bairro Belém Novo

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COLUNA DO LEITOR

O que é saúde? Povo em Pé – Centro de Yoga e Ayurveda

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egundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), “ Saúde é um estado de bem estar físico, mental e social completo, e não meramente a ausência de doenças.” E como está a saúde do indivíduo? De uma maneira geral a saúde está comprometida pelo estilo de vida que o indivíduo escolhe ter. Pelos hábitos que ele cultiva todos os dias sem jamais abrir mão ou empreender uma mudança para uma via mais natural. Pelas emoções que são geradas instantaneamente a partir de experiências viciadas. E pela alimentação que já há algum tempo foi entregue às perversas mãos da indústria que, de nutridora e natural nada tem. Então se a saúde depende do estilo de vida, dos hábitos, das emoções e da alimentação, podemos afirmar que saúde é um resultado? Sim, é um resultado e é também um meio pelo qual poderemos ter clareza, longevidade, felicidade, contentamento, força e ânimo na caminhada que teremos aqui nessa vida conhecida. Saúde é o tesouro que custeará a experiência espiritual na Terra! Longa e saudável é a vida que todas os seres em sua sã consciência querem ter. E sobre esta afirmação ainda podemos refletir sobre uma questão mais ampla que envolve igual e diretamente a saúde individual ou seja, a saúde da comunidade na qual estamos inseridos diariamente. Podemos falar então do nosso bairro? Este bairro nomeado Belém

Novo, bairro charmoso e sobrevivente quase solitário no quesito lugares dentro de cidades grandes, com abundante Natureza rica em fauna e flora. Para os privilegiados moradores que já nasceram aqui pode não ser tão gritante este privilégio nos dias de hoje. Entretanto para os moradores que fizeram a escolha de vir para este bairro, certamente esta peculiaridade, causa primeira de saúde, é motivação suficiente para que todos possamos nos Unir para manter o que de simples e natural ainda resta por aqui. Salve Belém Novo na zona Sul da grande capital portalegrense! E como salvamos nosso bairro para nos salvar? Afinal, sem um ambiente saudável que proporcione, por ter um “tempo diferente”, ar puro, silêncio noturno, boa água, farta mata nativa, animais silvestres que ensinam como viver na Natureza, ruas ainda desencapadas a nos forçarem a andar lentos como as capivaras, poucas luzes noturnas nos permitindo contemplar os espetáculos celestes, poucas edificações a nos atrapalhar o contato direto com raios solares, ventos e chuvas frescas; sem estes e muitos outros benefícios avessos ao progresso agressivo, não poderemos ser sentinelas de nossa saúde. Aqui fica a reflexão para cada indivíduo que compõe nossa pequena e charmosa comunidade de casas simples, ruas arborizadas, beira de rio, praças amplas e encantadores lugares para um chimarrão e um por de Sol.

Escola infantil segue fechada

Pronta desde outubro de 2017, escola infantil segue fechada em Belém Novo. Foto: Felipe Farias/LB

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oncluída em outubro de 2017, a escola infantil localizada no bairro Belém Novo, ao lado do Colégio Estadual Dr. Glicério Alves, segue sem atender a população devido a problemas nos editais anteriores. A previsão da Secretaria Municipal de Educação (Smed) é de que a escola comece a funcionar em agosto de 2019. Segundo a reportagem do jornal Zero Hora, divulgada no final de maio, a construção para a escola teve um investimento de R$ 1.520.889,72, sendo 42% de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e 58% de verba da prefeitura de Porto Alegre. De acordo com a Smed, a escola tem capacidade para atender 112 crianças em turno integral, porém, devido a “inconsistências”, o primeiro edital, lançado em abril de 2018, foi anulado. O segundo, aberto em maio de 2018, também foi anulado devido a uma disputa de recursos entre as candidatas do edital. Já o terceiro, aberto em 2019, já se encontra em fase final, com publicação do resultado

previsto para o final de junho. Entrevistada pela reportagem, a pedagoga Vanessa Caravaca afirmou que a Associação Beneficente Amurt-Amurtel foi a vencedora do último edital realizado e que todos os documentos já foram encaminhados à prefeitura. Agora a instituição só espera a liberação do poder municipal para visitar a sede da escola infantil e promover uma reunião de acolhimento com a comunidade. Para solicitar uma vaga na escola infantil, deve-se encaminhar para a Associação AmurtAmurtel a certidão de nascimento, comprovante de residência, documento do responsável e carteira de vacinação.

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PERFIL

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O guardião do Guaíba por Cristina Salomão

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úlio Silva de Oliveira (1960 - da água do Guaíba não alcançasse os problemas ambientais que a início de novembro e que se não 2019), carinhosamente chamado a cama de seus 11 filhos. A família sociedade moderna causou, bem forem replantadas em lugares mais pelos amigos de “Bagre”, foi um Oliveira, teve uma vida difícil, sua como a falta de recursos culturais altos, serão levadas pela cheia do icônico morador de Belém Novo, alimentação era precária, a base e financeiros dos pescadores, rio no inverno. Após a identificação filho de Gumercindo de Oliveira de peixe ou polenta, muitas vezes, como a pesca durante a piracema, e classificação destas mudas, estas (1918-1999) e Dercíria Silva de Dona Dercíria adicionava no café, e a insuficiência ou inexistência são plantadas em vasilhames feitos Oliveira (1919-1977), descendentes farinha de mandioca para alimentar de educação ambiental nas a partir de garrafas pet e potes de antigos moradores da região, melhor os filhos. Bagre cresceu escolas, eram alguns dos fatores plásticos recolhidos periodicamente, aqueles que a história muitas vezes interagindo com a natureza, seu que favoreciam estas mudanças por água pelos participantes do não conta, tendo em vista a história pai lhe ensinou sobre as plantas, ambientais negativas. Baseado projeto, de ilhas e locais onde não de Belém Novo, que, segundo as árvores, as aves e os peixes, nestas conclusões, Julio pensou em existe coleta seletiva de lixo. Estas Dornelles (2004) foi cunhada a tornou-se um exímio conhecedor uma forma de salvar o ciclo natural idéias começaram a ser levadas partir de um windivíduo apenas da biodiversidade local. Anos mais dos peixes, prover um sustento para a comunidade, reunindo os e adotada pelo grande pescadores e as crianças, no público. Ignácio Antonio turno invertido a escola, na da Silva, considerado o sede do Clube e ensinando patriarca de Belém Novo. a elas fundamentos de É uma história alicerçada ecologia, pesca artesanal e numa ótica individualista cultura náutica. e elitista da compreensão Em meados de 2017, da dinâmica social, alheia Bagre foi acometido por um às noções mais plurais de câncer que o levou a morte coletividade e de processo no dia 12 de janeiro deste histórico e uma perspectiva ano, deixando a natureza do perpassada por uma nosso bairro sem o querido concepção de mundo “Guardião do Guaiba - O que denota autoridade Benfeitor da Natureza”, e infalibilidade para um referência a reportagem do critério fundamental: a Jornal Diário Gaúcho de 20 riqueza. esta história de janeiro de 2016. Estimafoi transmitida, através se que Júlio tenha plantado de artigos publicados pessoalmente, mais de 500 na década de 70, por mudas de árvores nativas periódicos como “Correio no Bairro e seus arredores do Povo”. O fato é que durante o Projeto, e produziu existiam pessoas que outras milhares de mudas, construíram a historia, mas que foram distribuídas não ficaram na mesma, para a comunidade e O velho Pituca é uma participantes, sem contar as delas. Seu Gumercindo Júlio Silva de Oliveira no clube naútico Belém Novo, local onde ministrava suas aulas foto: Matheus Piccini/LB figueiras históricas de Belém, de Oliveira, o Pituca, foi um plantadas pelo velho Pituca. Seu pescador famoso, personagem de tarde, devido a transferencia das digno para os pescadores na época Projeto, alcançou reconhecimento muitas lendas do bairro, nascido famílias ribeirinhas, para o Chapéu da piracema, propiciando condições internacional, obtendo apoio de na Ponta do Arado, dentro de uma do Sol (Teletubies), Julio passou a para que eles não precisassem grandes personalidades como: canoa, morador de uma velha tapera prestar serviços para a comunidade. voltar a pescar antes do fim do Bebeto Alves e Alemão Ronaldo, e as margens do Guaíba, onde hoje Daí surge o Projeto Pitucanoa, após ciclo reprodutivo dos peixes, empresas, tais como os Correios, vemos uma figueira antiga, plantada a fundação do Clube Náutico Belém diminuindo a pesca das matrizes RBS e mais recentemente a UBER, por ele. Dizem que foi Pituca quem Novo, em novembro de 2004, Júlio (peixes ovados), bem como ensinar pelo seu trabalho de preservação do deu nome a Praia do Veludo, quando em sua trajetória como pescador, práticas de educação ambiental meio ambiente. Bagre, sem dúvida, uma calça de veludo ficou envolvida percebeu que os peixes estavam e atividades profissionalizantes exerceu uma influência positiva e na hélice de seu barco, considerado desaparecendo do Guaíba, peixes com atitudes e comportamentos importante para que nossas crianças por muitos como o maior pescador que costumava ver seu pai pescar, ecologicamente orientados para vislumbrem um mundo melhor e com espinhel das colônias de como o Dourado, a Piava, a Corvina as crianças, adolescentes e tenham a chance de conhecer toda pescadores Z4 e Z5. Dona Dercíria, e outros, não mais eram vistos nas pescadores. Pensando nisso, Julio beleza e diversidade que ainda por sua vez, passava muitas noites redes e linhas dos pescadores da passou a salvar as mudas nativas podem ser salvas através de práticas acordada, cuidando para que o nível região. Compreendeu então, que que brotam na orla do Guaíba no como as do Projeto Pitucanoa.

@Cafemodadobem

Café MB

RUA DOUTOR CECÍLIO MONZA, 10911 BELÉM NOVO - PORTO ALEGRE / RS


ETA do Arado não ficará

pronta antes de 2023 Principal motivo da demora deve-se ao fato de que outras obras precisam ser realizadas na região para a construção da ETA ser iniciada, segundo o diretor-geral do DMAE Darcy Nunes dos Santos

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por Matheus Piccini

o dia 30 de maio de 2018, a prefeitura de Porto Alegre conseguiu junto a Secretaria do Tesouro Nacional a autorização do recurso necessário (cerca de R$ 220 milhões) para construção da estação de tratamento de água (ETA) da Ponta do Arado. A previsão é de que a duração das obras seja

Foto: Felipe Farias/ LB

de três anos, uma vez que outras obras que - com previsão de que as licitações sejam publicadas em julho - também são necessárias para o funcionamento efetivo da estação fazendo assim, com que os habitantes da região sejam contemplados com os benefícios somente no início de 2023. Em entrevista publicada no jornal Zero Hora o diretor-geral do DMAE, Darcy Nunes dos Santos, questionado se as constantes f a l t a s de água seguirão até 2023, ele não deu garantia: — Espero que não. Não vou dizer que vai ter Até 2023 os moradores das zonas sul e leste enfrentaram falta da água .

problema, mas não vou prometer que não haverá problema. A ETA é uma solução com folga, com 100% de garantia. Até lá, a gente vai viver no limite. O financiamento de R$ 220 milhões será contratado junto à Caixa Econômica Federal. Depois de quatro anos, a prefeitura deverá começar a pagar o financiamento à Caixa. Hoje a estação de tratamento de água de Belém Novo, abastece não somente a zona sul, como também a zona leste da cidade. Bairros como a Lomba do Pinheiro, segundo os moradores, chegaram a ficar até quatro dias sem

água. A ETA de Belém Novo tem capacidade de abastecimento de mil litros por segundo. De acordo com o engenheiro do DMAE Marcos Calvete, que participa da Frente Parlamentar em Defesa do DMAE (FPDD), somente a ampliação da atual ETA dobraria o número de litros para abastecimento,passando de mil para dois mil litros por segundo.

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Jornal Lado B - Primeira edição  

Jornal comunitário Lado B, do bairro Belém Novo, localizado no extremo-sul de Porto Alegre.

Jornal Lado B - Primeira edição  

Jornal comunitário Lado B, do bairro Belém Novo, localizado no extremo-sul de Porto Alegre.

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