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Atrás de melhores condições, moradores buscam o sonho da universidade

Clube de mães reúne a velha guarda para fazer produtos artesanais

Comunidade apoia crianças para continuar com a tradição no samba

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ENFOQUE QUILOMBOS

PORTO ALEGRE / RS MARÇO DE 2015

JUAN GOMEZ

UMA AVENIDA QUE RESISTE O QUILOMBO DO AREAL, NA AV. LUIZ GUARANHA, SOBREVIVE COM SAMBA, DEDICAÇÃO E UNIÃO, TORNANDO-SE UM EXEMPLO DE LUTA URBANA

EDIÇÃO

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2. GENTE

ENFOQUE QUILOMBOS | PORTO ALEGRE (RS) | MARÇO / 2015

Sonhando com o diploma

melhor, moradora do Quilombo do Areal estuda para se formar em Enfermagem

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uperação, perseverança, motivação pessoal e apoio familiar. São alguns elementos necessários para que uma pessoa corra atrás dos seus objetivos e obtenha o sucesso esperado. Para isso, precisamos de uma base, de um fato que nos motive a seguir em frente na busca por nossos sonhos. Gabriela Huber Espindola é uma estudante do curso de Enfermagem que, graças ao apoio do marido e da família, hoje sabe saborear o gosto da vitória em sua vida acadêmica e pessoal. Natural de Porto Alegre, Gabriela tem 32 anos, mas só aos 26 começou a busca pelo objetivo de se formar. Hoje, mãe de três filhos, ela conta que a motivação de voltar a estudar surgiu no momento em que recebeu a notícia de que seria mãe da filha caçula. Sarah Krischna Huber Castro já tem sete anos, e com um belo sorriso estampado no rosto mostra a felicidade de uma criança inocente e carismática que adora tirar fotos. Moradora do Quilombo do Areal, no bairro Menino Deus, na capital gaúcha, ela e seu marido, Sidinei Castro, têm uma rotina complicada e de superação. Ao saber do desejo da mulher em voltar a estudar, ele não teve dúvida em apoiá-la. “No começo foi muito complicado. Nossa filha

caçula era muito pequena, então comecei a tomar conta dela, enquanto a Gabriela estudava. Foi difícil, mas não poderia deixar que ela desistisse da faculdade”, disse o marido, enquanto tomávamos uma xícara de café. Gabriela conseguiu uma bolsa integral pelo Programa Universidade para Todos (ProUni), após ter uma boa nota no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), e se orgulha de ter sido ajudada pelo marido durante todos esses anos de estudos no Instituto Porto Alegre (IPA) – Rede Metodista de Educação do Sul. “Quando eu pensava em desistir, ele conversava comigo e me motivava. Chegou a me levar muitas vezes até a universidade para que eu não desanimasse”, conta, com olhar agradecido em direção a Sidinei. A casa da família pode ser considerada diferente de todas as outras que estão na Av. Luiz Guaranha, rua em que o quilombo está localizado. Sidinei construiu e reformou com as próprias mãos a residência onde moram o casal, a filha caçula e mais dois filhos; Lucas Huber Vieira, 13 anos, e Simone Huber, de 16 anos. Além disso, a família abriga a “filha do coração”, Dhesirre Alexandra da Rosa, estudante, que aguarda uma possibilidade de bolsa para poder cursar faculdade, também pelo ProUni. Na sala da casa, sem muito espaço por causa dos materiais de construção guardados, o marido conta como está sendo feita a reforma da residência. “A obra está parada desde que ela começou a

RECADO DA REDAÇÃO A experiência de editar pela primeira vez um pequeno, porém importante jornal tem saldo mais do que positivo. O pouco de pré-planejamento foi intencional para que pudéssemos retratar com fidelidade aquilo que mais saltasse aos nossos olhos de jovens repórteres, e funcionou muito bem. A visita ao quilombo foi bastante preenchida por sensações, e dentre elas eu gostaria de destacar a receptividade e o acolhimento da comunidade em relação ao nosso time, principalmente por parte do grupo de mães, que pareceu se divertir dando entrevistas. Enquanto colhíamos informações, o pagode e o samba ditavam o ritmo como trilha sonora, para a felicidade de alguns jornalistas. Das crianças que batiam bola na pequena rua, todos eram coloradas, para o azar do meu Grêmio. Saímos da Avenida Luiz Guaranha com uma boa sensação e um sorriso, prontos para despejar em palavras as histórias que nos foram contadas. E assim fizemos. Agora temos algumas páginas a mais das quais nos orgulharmos nesta profissão que, para nós, é a melhor do mundo.

- JOHNNY OLIVEIRA EDITOR-CHEFE

GABRIELA SCHNEIDER

estudar. Vamos fazendo aos poucos, sem pressa”, diz Sidinei, mostrando as partes inacabadas. Gabriela está próxima de se formar. Já comemora estar na contagem regressiva para o último ano de faculdade, que iniciou em 2009. Para chegar a esse ponto, tão próximo da formatura, passou por muitos obstáculos. Difícil acesso à internet, por conta do local onde mora, economias no número de passagens de ônibus e a

difícil rotina entre casa, trabalho e faculdade. “Trabalho como cuidadora particular, fazendo plantões em casas. Mas ainda não posso exercer as atividades de enfermeira porque não tenho o registro no Coren (Conselho Regional de Enfermagem)”, explica com a voz suave e com ansiedade para poder assumir logo a profissão, pondo em prática os conhecimentos adquiridos na experiência acadêmica. Agora, a família que

mora no Quilombo do Areal aguarda a formatura de Gabriela para comemorar essa grande vitória. Ela, assim como outras tantas pessoas, entre os mais de 250 moradores da Av. Luiz Guaranha, é um exemplo a ser seguido. Não só por moradores de quilombos e comunidades de baixa renda em Porto Alegre. Mas por todos que buscam uma nova realidade para o futuro.

Dênis (na matéria abaixo) e Gabriela representam um incentivo aos jovens que desejam se tornar universitários

à

para à Motivada buscar um futuro

- DOUGLAS DEMOLINER

Exemplo seguido pela vizinhança No Quilombo do Areal, o exemplo de Gabriela não é o único. São muitos adolescentes e adultos que estão buscando estudar e conquistar o diploma para exercer uma profissão melhor. Denis Luiz Gomes Alves, de 24 anos, também tem o sonho de se formar. Hoje, ele estuda na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, cursando Arquivologia. Está no primeiro semestre, mas não é a primeira vez que ele inicia um curso na faculdade. Dênis era bolsista da Uniritter, na Zona Sul de Porto Alegre, e cursava Design de Moda. Até

que o desejo de estudar História mudou esse caminho. “Eu estava na metade do curso (de Design de Moda) e acabei desistindo. Meu sonho é estudar História para conhecer a história do povo negro no Brasil e no mundo”, destaca, conversando na sala de casa. O universitário tem na mãe, Inajara da Costa Gomes, 53 anos, e no irmão, Everton Luiz Gomes Alves, 31 anos, a base para continuar os estudos. “Minha mãe trabalha muito para me dar as condições de estudo e para que não falte

nada dentro de casa. Já que não consigo estágio, ela tem segurado as contas de casa com o meu irmão”, disse ele, meio sem jeito com a nossa conversa. A grande residência em que moram se destaca na rua. Uma bonita casa de três pisos onde Dênis, a mãe, o irmão e mais duas irmãs menores – Maria Eduarda Gomes Afonso, 13 anos, e Gabriela Gomes Afonso, 15 anos – vivem, hoje, com tranquilidade. O estudante conta que há dezessete anos, com o falecimento do pai, tudo ficou mais complicado. Mas a mãe segurou as

pontas e garantiu o sustento da família. Dênis Luiz e Gabriela Huber: duas gerações e histórias diferentes. Porém, o mesmo objetivo e exemplo de perserverança de quem tem que enfrentar discriminações ou batalhar para continuar seguindo o seu sonho e terminar a faculdade. O Quilombo do Areal, que já foi habitado pelo Barão e pela Baronesa do Gravataí, hoje é um lugar de luta, superação e vitória de pessoas do bem em busca de um futuro melhor e direitos iguais a todos.

- DOUGLAS DEMOLINER


HISTÓRIA .3

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linhas de costura, um clube de senhoras carrega as tradições do quilombo

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e forma bem tímida, Sônia começa contando como se conheceram, lá no início da resistência do quilombo. Marta nos interrompe para mostrar onde ocorrem os encontros, na sede da Associação Comunitária e Cultural dos Moradores do Areal. Ali estão as máquinas de costura, os tecidos, os retalhos, as linhas de tricô e de crochê, as agulhas e o principal, a sala de aula. Peço para reunir o grupo na sede e as duas saem batendo de porta em porta. Estamos falando do Clube de Mães Nossa Senhora Aparecida. Em volta da grande mesa, elas sentam e começam a conversar sobre a rotina do grupo. Segundo Sônia, todas as quartas e sextas ocorrem aulas de sabão em barra, sabonete e artesanato. Para participar do grupo é preciso ter mais de 60 anos e morar na Av. Luiz Guaranha. O clube foi criado para que mulheres, aposentadas ou sem trabalho fixo, consigam uma renda extra. No grupo estão Sônia Maria Fontou-

ra Xavier, 68 anos, Marta Terezinha Gonçalves, 60 anos, Gessi da Rosa Fontoura, 60 anos, Eunici da Silva Soares, 70 anos, e Gleci da Silva, 62 anos. Durante as aulas, dadas por uma professora de fora da comunidade, são preparados colares de papel e de malha, esculturas de argila, protetores de crochê para garrafas de vidro e sabonetes, além da produção de sabão em barra. Tudo é vendido em feiras de artesanato do Mercado Público e da Fasc, departamento da prefeitura responsável pela assistência social. “Tudo é nós que somos chamadas para organizar. Adoro trabalhar aqui, eu trabalho no clube de mães desde 1984”, afirma Sônia, participante mais antiga do grupo. Todas as doações que o quilombo recebe são distribuídas e organizadas pelas mães do Areal, assim como as festividades de Natal para crianças, a Festa do Preto Velho e as homenagens a São Jorge. Outra atividade importante das mães do Areal é costurar as fantasias para o Carnaval infantil. Todas fazem esse trabalho com muito orgulho, já que seus netos e filhos desfilam pela Escola Mirim do Areal do Futuro.

RENATA SIMMI

ULISSES MACHADO

Mulheres com mais de 60 anos se reúnem para aprender, produzir e gerar uma renda extra às famílias

à

o à Entre artesanato e as

As mães do Areal

- TAINÁ RIOS

Da baronesa aos quilombolas No antigo casarão do Barão e da Baronesa do Gravataí, a única fachada que restou é ocupada por cinco famílias pertencentes à comunidade. A região onde os quilombolas moram, no bairro Menino Deus, era conhecida como o Areal da Baronesa, uma grande chácara que se estendia do atual Internato Pão dos Pobres de Santo Antônio até o limite do Dilúvio, na Av. Ipiranga. Mas foi no final do século XIX, após a morte dos nobres – que não tiveram filhos –, que as terras foram divididas e compradas por Luiz Guaranha. Como a região já era habitada por lavadeiras, ex-escravos e jornaleiros, o caixeiro-viajante percebeu a possibilidade de construir casinhas de madeira e alugar. Segunda a arqueóloga Jane Mattos, as casas da avenida foram construídas entre 1895 e 1910 e compradas do primeiro proprietário das terras, Olympio José de Magalhães. Após a morte do caixeiro, os poucos bens que sobraram foram deixados para amigos mais próximos, já que ele também

não tinha filhos. No testamento, pediu que a rua do casarão fosse batizada de Avenida Luiz Guaranha, onde hoje se encontra o Quilombo do Areal. Na década de 50 a posse das terras passou para a Santa Casa de Misericórdia, que recebeu todos os aluguéis até o final dos anos 1980. Depois, a Santa Casa trocou o terreno com o Município, e o lugar ganhou encanamento e pavimentação das ruas. A região se transformou em uma área de classe média e a especulação imobiliária assustou os moradores. Em 2003, a comunidade foi procurada pelas organizações negras a fim de providenciar o autorreconhecimento de quilombola e a regularização da terra. Trabalhos antropológicos foram feitos para que o Incra, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, publicasse no Diário Oficial o reconhecimento do Quilombo do Areal. Mas foi em 2014 que o título de usufruto foi dado à comunidade.

- TAINÁ RIOS

À espera de uma votação “Às vezes parece que eles fazem as coisas pra gente não conseguir”, diz Fabiane Figueiredo Xavier, líder comunitária no Quilombo do Areal. Fabiane organiza a comunidade de 250 moradores ao lado do marido, o presidente da associação dos moradores locais, Alexandre Ribeiro. O casal é quem representa o quilombo e suas necessidades em relação à prefeitura. Fabiane conta que o título de quilombo já foi dado pelo governo federal, mas que a demora do Município de Porto Alegre em votar o projeto que complementa e finaliza a titulação impede que os moradores recebam muitos benefícios que, em suas palavras, “melhorariam em 100% a vida da gente”. O Programa Brasil Quilombola, por exemplo, garantiria descontos nas contas de luz para os moradores, além de acesso mais fácil ao Bolsa Famí-

lia. Outro programa federal que poderia auxiliar os moradores seria o Minha Casa Melhor, que ofereceria crédito para a reforma das casas, assim como para a compra de móveis como guarda-roupas, camas e também eletrodomésticos. Para que a titulação do quilombo seja completa, é necessário que a Câmara de Vereadores de Porto Alegre vote o projeto de lei que autoriza o Município a doar a área para a Associação Comunitária e Cultural do Quilombo do Areal, fazendo assim com que o título se torne definitivo. O projeto foi encaminhado no último dia 20 de março para uma comissão e está esperando o seu parecer, e o próximo passo poderá ser a votação. Com a aprovação desse projeto, feito pela prefeitura, o quilombo passaria a ser Área de Especial de Interesse Cultural, o que traria verbas

públicas para o desenvolvimento de atividades ligadas à cultura negra, como capoeira, samba e religiões de matriz africana, como a umbanda e o candomblé. Mas, para isso, também é necessário que a prefeitura aprove a titulação de quilombo. Alexandre conta que a associação promove todos os anos, desde 2012, um encontro com os principais secretários que atuam nas áreas de carência e interesse da comunidade, com o objetivo de repassar os pedidos dos moradores e as necessidades gerais do quilombo. Mas os políticos não dão vencimento às solicitações das 67 famílias. A titulação se prova necessária para auxiliar a conquista de um padrão básico de vida através dos programas governamentais destinados a essa população.

- JOHNNY OLIVEIRA


ENFOQUE QUILOMBOS

PORTO ALEGRE / RS MARÇO DE 2015

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CULTURA

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maior festa popular do Brasil é, sem dúvida, o Carnaval. Milhares de brasileiros e turistas sambam pelas avenidas e sambódromos. Em Porto Alegre não é diferente. Os gaúchos têm samba no pé e vão às ruas se divertir. Pelo Complexo Cultural do Porto Seco passam diversas escolas. Mas há outros lugares para a população entrar na folia. O Carnaval de Rua movimenta mais de 200 mil pessoas pelos bairros da capital. E um dos blocos mais conhecidos dessa festa é o Areal do Futuro, composto por cerca de 70 crianças. Neste ano, cerca de 20 mil pessoas foram assistir ao bloco, que homenageava o cantor e compositor Giba Giba, morto em 2014, na Cidade Baixa. São crianças pequenas e adolescentes até 15 anos que participam, a grande maioria moradores do Quilombo do Areal. As outras vêm de bairros próximos que, olhando o bloco passar pela rua, querem também fazer parte da festa. O Areal do Futuro faz bonito por onde desfila, mas

quem assiste não imagina a batalha dos integrantes. Em uma casa de dois andares, os ensaios são feitos nas terças, quintas e sábados. “Dividimos em grupos de no máximo 40 crianças. Aí eles conseguem ficar dentro da sala. Como ela é pequena, separamos os horários dos ensaios”, explica o secretário do bloco, Paulo César Silveira, o Paulinho. Nascido na Travessa dos Venezianos, na Cidade Baixa, e morador do quilombo há 22 anos, ele conta que o gosto da garotada pelo Carnaval vem de berço. “Os pais passam esse amor para o filho. Então, a batida carnavalesca está no sangue. Passa de geração para geração.” O carnavalesco também acompanha essa festa desde cedo. Ainda criança, ia ao Carnaval com o pai, que integrava a Imperadores do Samba, quando as escolas desfilavam na Av. Augusto de Carvalho. “Sempre vivi no meio do Carnaval. Meu pai ajudava na bateria.” E a paixão segue: os dois filhos de Paulinho também fazem parte do Areal do Futuro. A receita para dar certo é a união, aponta Paulinho. Os moradores do quilombo sempre ajudam de alguma forma. “Uns fazem a costura. Outros, bordam. Alguns ajudam com dinheiro, lanche.

Enfim, todos se mobilizam para fazer bonito”, afirma. Sem patrocínio do governo, o Areal do Futuro conta com o dinheiro que recebe ajudando outros blocos, como Maria do Bairro e Tucurutá, além de doações de lojas de instrumentos. “Muitas vezes, clientes da loja trocam o equipamento que está em bom estado. Então, eles dão pra gente”, conta Paulinho. Na visão dos pais, o Areal do Futuro é uma grande oportunidade para os filhos e uma boa alternativa para ocupar o tempo vago das crianças. “Tantos riscos e coisas ruins que vemos por aí. Drogas. Morte. As crianças participando do bloco faz muito bem para elas”, afirma a mãe de Maria Eduarda, Inajara da Costa Gomes. A filha, que ajuda na maquiagem das porta-estandartes, salienta a responsabilidade que todos aprendem a ter: “Temos que respeitar os prazos. Cumprir os horários. Isso nos deixa mais responsáveis”. O empenho precisa ser no colégio também. O bloco tem uma regra para as crianças participarem: precisam estar com boas notas e não repetir de ano. Figuras de destaque no Carnaval, o mestre-sala e a porta-bandeira conduzem a garotada pelo desfile. O mestre-sala é o guardião RENATA SIMMI

RENATA SIMMI

da bandeira, e deve chamar atenção pela dança e simpatia. No bloco, a tarefa é feita por Roger Luis Xavier Ribeiro, de 12 anos, que também participa da Academia de Samba Praiana, onde é mestre-sala mirim. Diferente daquele menino descontraído que se vê no Carnaval, Roger é acanhado. A mãe pede para ele chamar as outras crianças. Cinco minutos depois, Roger volta com cerca de 10. “Foi o que consegui achar. O resto está dormindo”, avisa o garoto. Com a companhia de mais crianças, aquele menino tímido vai sumindo, dando lugar ao Roger que adora falar.

A criançada se reveza para usar a apertada sede do bloco nos ensaios

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O Enfoque Quilombos é um jornal experimental dirigido às comunidades quilombolas de Porto Alegre (RS). Com tiragem de mil exemplares, é distribuído gratuitamente. A produção jornalística é realizada por alunos do Curso de Jornalismo da Unisinos Porto Alegre.

Roger, o mestresala, perde a timidez quando põe a fantasia: “Na hora de desfilar, eu não sinto vergonha”

Quem também gosta do instrumento é Fernando de Oliveira Alves, 6 anos, que participa da bateria. Todas as crianças pretendem seguir no Carnaval. “É o que mais gostamos de fazer”, afirma Roger, já sem a mão no rosto.

- LUANA SCHRANCK

Alternativa para não deixar o samba morrer A escola de samba do Quilombo do Areal começou em 1994, levando todos os moradores à Av. Augusto de Carvalho, no Centro, onde a Academia de Samba Integração do Areal fazia sucesso

ENFOQUE QUILOMBOS

“Na hora de desfilar, eu não sinto vergonha. É algo que eu gosto de fazer”, afirma o mestre-sala. Ele, que participa do bloco desde os três anos, quer continuar sendo mestresala de escola de samba. “Eu me divirto bastante aqui. Também ajuda na minha postura, porque é preciso ter muito cuidado para ser porta-estandarte”, afirma Bruna Gomes Veronez, de oito anos. O mais novo da turma reunida por Roger é o pequeno Arthur Feijó dos Santos, de quatro anos. Ele toca tambor, “porque gosto do som que faz”, explica.

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se à Moradores orgulham de ter um dos blocos mais conhecidos da capital

O futuro do Carnaval

REDAÇÃO – Jornalismo Cidadão – Orientação: Felipe Boff. Edição: Johnny Oliveira. Reportagem: Douglas Demoliner, Johnny Oliveira, Luana Schranck e Tainá Rios. FOTOGRAFIA – Fotojornalismo – Orientação: Flávio Dutra. Fotos: Gabriela Schneider, Juan Gomez, Renata Simmi e Ulisses Machado. ARTE – Agência Experimental de Comunicação (Agexcom) – Projeto gráfico, diagramação e finalização: Marcelo Garcia. Diagramação: Gabriele Menezes. IMPRESSÃO – Grupo RBS. Tiragem: 1.000 exemplares.

nos desfiles. Foi campeã em 1995 e 1996. Com a transferência do evento para o Complexo Cultural do Porto Seco, em 2004, a escola de samba do quilombo não conseguiu participar mais em razão da “falta de dinheiro”. “Não tínhamos condições de continuar participando. Não tivemos patrocinador ou ajuda da prefeitura, e desfilar no Porto Seco é caro demais para nós”, conta Paulinho, secretário do Bloco Areal do Futuro, a alternativa criada para não

FALE CONOSCO (51) 3591 1122, ramal 3727 enfoquequilombos@gmail.com

LEGENDAS - REPÓRTER

FOTÓGRAFO

deixar o quilombo não sem o samba. O grupo também faz apresentações em eventos e na própria comunidade, além de emprestar a bateria de 40 integrantes para outros blocos, como o Maria do Bairro. Onde quer que desfile, o Areal do Futuro levanta a multidão. “Quando saímos para nos apresentar, aqui no quilombo fica vazio. Todo mundo vai. É a nossa diversão, vida e história”, finaliza Paulinho.

Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS. Av. Luiz Manoel Gonzaga, 744 – Bairro Três Figueiras – Porto Alegre/RS. Telefone: (51) 3591 1122. E-mail: unisinos@ unisinos.br. Reitor: Marcelo Fernandes de Aquino. Vice-reitor: José Ivo Follmann. Próreitor Acadêmico: Pedro Gilberto Gomes. Próreitor de Administração: João Zani. Diretor da Unidade de Graduação: Gustavo Borba. Gerente de Bacharelados: Vinicius Souza. Coordenadora do Curso de Jornalismo: Thaís Furtado.

Enfoque Quilombos 4  
Enfoque Quilombos 4  

Jornal experimental produzido por alunos do Curso de Jornalismo da Unisinos (Porto Alegre/RS). Edição 4. Março de 2015.

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