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Universidade Federal do Pampa Trabalho Final de Graduação Telejornalismo e espetacularização noticiosa: o discurso do apresentador Alexandre Mota, do programa Balanço Geral Acadêmica: Daniele Pradebon Orientadora: Profa. Drª. Michele Negrini

SÃO BORJA/RS 2010


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DANIELE PRADEBON

TELEJORNALISMO E ESPETACULARIZAÇÃO NOTICIOSA: O DISCURSO DO APRESENTADOR ALEXANDRE MOTA, DO PROGRAMA BALANÇO GERAL

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito para obtenção do título de Bacharel em Jornalismo, pela Universidade Federal do Pampa – Unipampa São Borja. Orientadora: Profª Drª. Michele Negrini

São Borja 2010


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DANIELE PRADEBON

TELEJORNALISMO E ESPETACULARIZAÇÃO NOTICIOSA: O DISCURSO DO APRESENTADOR ALEXANDRE MOTA, DO PROGRAMA BALANÇO GERAL

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito para obtenção do título de Bacharel em Jornalismo, pela Universidade Federal do Pampa – Unipampa São Borja.

Trabalho Final de Graduação, defendido e aprovado em ___/___/___

Banca examinadora:

________________________________________________________________________ Profª Drª. Michele Negrini Orientadora

_________________________________________________________________________

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AGRADECIMENTOS A Deus por iluminar meus pensamentos nas horas de dificuldade. A meus pais Valter e Odila, pelo amor, carinho e apoio constante em todos os momentos da minha vida. A minha orientadora Michele Negrini, pelas orientações, esclarecimento das dúvidas e apoio durante a elaboração deste trabalho. A todos os meus amigos, especialmente a Luciana Fronza, Fernanda Ferrari e André Schmidt pela amizade sincera, pelos conselhos e por estarem ao meu lado nos momentos difíceis. Aos colegas e amigos da primeira turma de Jornalismo da Unipampa pela amizade construída ao longo destes quatro anos.


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RESUMO

O sensacionalismo e os faits divers são elementos indissociáveis do telejornalismo popular. A cobertura de assuntos bizarros e extraordinários, bem como a espetacularização dos acontecimentos e o forte apelo ao emocional também são características costumeiramente presentes em telejornais populares de cunho sensacionalista. Desta forma, a presença do sensacional e do espetacular no telejornalismo oferece uma riqueza de possibilidades para investigações acadêmicas. Os elementos empregados na construção do discurso de Alexandre Mota, apresentador do telejornal gaúcho Balanço Geral, são o foco desta pesquisa. Preocupamo-nos também com o estudo de como a perspectiva maniqueísta e o papel da justiça são trabalhados no programa. O corpus deste estudo foi composto por três edições do programa, as quais foram ao ar no período de 17 a 19 de maio de 2010. Entre as nossas conclusões, ganha destaque a constatação de que a construção do discurso do apresentador do Balanço Geral está ancorada principalmente em elementos sensacionais e espetaculares.

Palavras-chave: Sensacionalismo. Espetacularização. Balanço Geral.


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ABSTRACT

Sensationalism and fait divers are inseparable elements of popular TV journalism. Covering weird and extraordinary topics, as well as the spectacularization of events and strong emotional appeal are also common features present in popular TV news, of sensationalism stamp. This way, sensational and spectacular presence on TV news gives us an abundance of possibilities to academic investigations. The elements used on Alexandre Mota’s (announcer of gaucho TV news Balanço Geral) speech construction are the focus of this study. We concern too studying how the Manichean perspective and the function of justice are worked on the program. The study corpus was composed of three editions of the program, which went on air between May 17-19, 2010. Among our conclusions, highlights finding that the speech construction of Balanço Geral’s announcer is anchored, mostly, on sensational and spectacular elements.

Key-words: Sensationalism. Spectacularization. Balanço Geral.


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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO.............................................................................................................7 2. A TELEVISÃO: ASPECTOS INTRODUTÓRIOS...................................................9 2.1 Sensacionalismo e fait divers........................................................................................11 2.2 O telejornalismo sensacionalista...................................................................................15 2.3 O espetáculo no telejornalismo.....................................................................................25 3. O DISCURSO DO BALANÇO GERAL...................................................................30 3.1 O programa...................................................................................................................30 3.2 Opções metodológicas..................................................................................................33 3.2.1 Análise do discurso....................................................................................................34 4. REFLEXÕES SOBRE O DISCURSO DE ALEXANDRE MOTA........................36 4.1 Maniqueísmo: o bem x o mal......................................................................................36 4.1.1 Considerações sobre “maniqueísmo: o bem X o mal”...............................................45 4.2 Espetacularização e sensacionalismo ...........................................................................45 4.2.1 Considerações sobre “espetacularização e sensacionalismo”....................................55 4.3 Apresentador x justiça ..................................................................................................56 4.3.1 Considerações sobre “apresentador X justiça”..........................................................64 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS.....................................................................................65 REFERÊNCIAS................................................................................................................68


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1. INTRODUÇÃO

A televisão está presente direta ou indiretamente na vida da maior parte da população. Para grande parcela dos brasileiros, a TV é tida como principal meio de informação. De acordo com Silva (s.d.), a televisão tem se destacado dentre os meios de comunicação pela sua vasta capacidade de atingir as diversas classes sociais, difundindo os produtos da indústria cultural aos diferentes sujeitos sociais. A TV é um veículos de comunicação que proporciona para a sociedade um enorme leque de opções, oferecendo aos telespectadores informação e entretenimento ao mesmo tempo. Na atualidade, uma diversidade de informações espetacularizadas e com formato sensacional têm ocupado constantemente o espaço televisivo. O sensacionalismo, como destaca Matos (2007, p. 1), “tem no apelo emocional sua principal característica, abusa de imagens sensacionais que constantemente retratam violência e flagras do ser humano em atitudes extremas e situações limite”. Patias (2006b) acrescenta que o sensacionalismo parece ter se enraizado na imprensa desde os seus primórdios. E não foi diferente com a televisão. Podemos perceber a tendência ao sensacionalismo na televisão brasileira já na década de 60, com a exibição do programa O homem do sapato Branco. Apesar de inúmeras mudanças, o sensacionalismo continua a ocupar espaço na programação televisiva. Como exemplo de programas de sucesso no Brasil, temos os extintos Linha Direta, da Rede Globo, e o Aqui e Agora, do SBT. O telejornal Brasil Urgente, veiculado pela TV Bandeirantes, é outro programa com características do sensacionalismo que obteve notoriedade no país. O nosso objeto de estudo, o programa Balanço Geral (BG) também apresenta características que o remetem ao sensacional e ao espetacular. O programa tem características diferenciadas dos demais telejornais locais. O apresentador, Alexandre Mota, permanece em pé durante toda a exibição do telejornal, caminha e se movimenta pelo estúdio além de gesticular bastante ao comentar os assuntos noticiados. As notícias veiculadas no BG geralmente são compostas por assuntos que envolvem crimes, assaltos ou qualquer outro tipo de violência. Normalmente, são noticiados fatos corriqueiros que acontecem na vida de pessoas comuns da grande Porto Alegre e região metropolitana. São explorados os sentimentos e as sensações nos comentários das notícias, bem como a repetição e detalhamento dos acontecimentos.


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O objetivo geral deste estudo é analisar os elementos que compõe o sensacionalismo no discurso do apresentador do Balanço Geral, Alexandre Mota. A partir daí, destacamos os objetivos específicos: -

Mapear as marcas discursivas que instituem sentidos sobre o sensacionalismo no

discurso do apresentador Alexandre Mota. -

Identificar as imagens construídas, no discurso do apresentador, sobre os criminosos e

as vítimas, analisando como se forma um discurso maniqueísta. -

Analisar a forma como a imagem das autoridades policiais é construída no discurso do

apresentador. Estes objetivos foram focados na solução do problema: como ocorre a construção discursiva do sensacionalismo no programa Balanço Geral, levando-se em consideração a produção de sentidos sobre criminosos e vítimas e sobre as autoridades policiais? O trabalho está organizado em cinco capítulos. No segundo são apresentadas reflexões sobre a televisão, o sensacionalismo e os fait divers, o sensacionalismo no telejornalismo, além do espetáculo no telejornalismo. As discussões deste segundo capítulo são ancoradas nas obras de autores como: Danilo Angrimani Sobrinho, Jaime Carlos Patias, Guy Debord e Iluska Coutinho. O terceiro capítulo é composto pela descrição do programa Balanço Geral e pelas opções metodológicas. No quarto capítulo, apresentamos a análise de três edições do telejornal Balanço Geral, que foram ao ar no período de 17 a 19 de maio de 2010. E o quinto capítulo apresenta as considerações finais. Apesar de já existirem estudos sobre o sensacionalismo e também sobre o Balanço Geral, não encontramos nenhuma pesquisa nos mecanismos de busca especializados1 com o enfoque que estamos propondo. O esforço deste estudo se justifica pela importância de discutir a o discurso sensacional e espetacular no jornalismo televisivo.

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Consultamos o banco de teses e de dissertações da Capes.


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2 A TELEVISÃO: ASPECTOS INTRODUTÓRIOS

A televisão é uma das maiores responsáveis pela formação de opinião e de comportamento de grande parte dos brasileiros. Influencia no modo de pensar e agir de parte significativa da população. Muitos encontram na TV mais que um meio para adquirir informação e entretenimento, a enxergam como a “[...] única companhia dentro de casa. No sentido literal e figurado” (WOLTON, 2003, p. 74). Podemos afirmar que a televisão está presente na grande maioria dos lares brasileiros, ocupando lugar de destaque em algumas residências, para que possa ser assistida com o máximo de conforto possível. Rezende (2000, p.23) afirma que no caso brasileiro a TV “[...] desfruta de um privilégio tão considerável que assume a condição de única via de acesso às notícias e ao entretenimento para grande parte da população”. Como afirma Wolton (2003, p. 71), a televisão é a “única atividade que consegue tanta participação coletiva quanto o voto”. Tem o poder de unir – mesmo em locais distintos – pessoas de diferentes classes sociais, níveis escolares e até mesmo de diferentes culturas. “Ela é a única atividade que faz uma ligação igualitária entre os ricos e os pobres, os jovens e os mais velhos, os moradores rurais e os urbanos, os cultivados e os nem tanto. (...) Todo mundo assiste televisão e fala sobre o que vê” (WOLTON, 2003, p.72). Wolton (2003, p. 75) ressalta que “a televisão é o principal instrumento de informação, de entretenimento e de cultura da esmagadora maioria dos cidadãos dos países desenvolvidos”. Bucci e Kehl (2004, p.12) partem do mesmo princípio de Wolton quando afirmam que:

[...] o Brasil se comunica pela televisão. O Brasil se conhece e se reconhece pela televisão, e praticamente só pela televisão, que reina absoluta sobre o público nacional, muitas vezes superior aos outros veículos. A TV dá a primeira e a última palavra e, mais que isso, a primeira e a última imagem sobre todos os assuntos (BUCCI E KEHL, 2004, p. 12).

Umberto Eco apud Arbex Junior (2001, p. 50) atribuiu grande parte do poder sedutor da televisão à:

[...] ilusão de cordialidade que o veículo propicia. Basta ligar o aparelho (“fácil veículo de fáceis sugestões”) e a sala da casa, antes imersa na mais profunda solidão, será invadida por imagens, vozes e sons do mundo, criando a sensação de


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participação de uma comunidade ilusória. O telespectador mantém uma relação “onanística” com essas imagens, tanto no sentido de projetar suas fantasias em ídolos (artistas, cantores, galãs de novela, etc.) quanto no de experimentar o gozo da participação nos eventos, sem, contudo se expor ao acaso ou correr qualquer risco real.

Para Bourdieu (1997, p. 23), existe uma grande quantidade de pessoas que não costumam ler nenhum jornal, “que estão devotadas de corpo e alma à televisão como fonte única de informação”. Para o autor, a televisão exerce certo monopólio na formação da opinião de parte significativa da população. Paternostro apud Rezende (2000) afirma que a televisão disputa a audiência com o rádio e com o jornal impresso principalmente através da imagem, pois ela é capaz de fascinar e de prender a atenção do público, pois, como defende Maciel apud Rezende (2000), a imagem possui mais força que as palavras, ela tem a capacidade de permanecer gravada na mente do telespectador mesmo depois de este já ter se esquecido da notícia. Para Rezende (2000, p. 35): “um dos efeitos da espetacularização é o sincretismo da realidade-ficção no discurso televisivo”. Realidade e ficção misturam-se nas telas na TV nas telenovelas e filmes, nos quais histórias reais são vividas por personagens fictícios. Essa fusão entre ficção e realidade pode ser percebida também nos telejornais, na construção das notícias, que se utilizam de elementos da ficção para narrar ou exemplificar acontecimentos reais. Seguindo essa mesma idéia, Gabler (1999) defende que os noticiários se tornaram uma grande fusão de lifies, ou seja, uma fusão entre life – vida – e movie – filme. E assim “a vida virou arte, de tal forma que as duas são agora indistintas uma da outra” (GABLER, 1999, p. 12). Baudrillard apud Arbex Junior (2001) assegura que o desaparecimento das fronteiras entre ficção e realidade atribui à mídia não apenas a capacidade de criar fatos, como também a de criar a “opinião pública” sobre os fatos que ela mesma gerou. (ARBEX JUNIOR, 2001, p. 54). Umberto Eco apud Arbex Junior (2001) ressalta que a televisão não é um gênero artístico. Ela é:

Um “serviço”, um meio de comunicação pelo qual se pode veicular uma série de gêneros, incluído o cinema, o teatro, shows, espetáculos, telejornais e comerciais. (...) exatamente por ser um canal de serviços que oferece uma multiplicidade de programas de todos os gêneros – artísticos, jornalísticos, esportivos, etc. – a televisão permite a fácil transposição dos limites entre ficção e realidade. (ARBEX JUNIOR, 2001, p. 51-2)


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A televisão exerce tamanha influência na vida das pessoas, de forma que chega a ditar regras de comportamento e estilo de vida. Algumas pessoas acabam programando seus compromissos de acordo com os horários dos programas veiculados pela TV. “A programação televisiva funciona, para muitas pessoas, como um marcador de tempo, um relógio que serve para definir horários, para compromissos profissionais e sociais (depois da novela das oito, antes do Fantástico, etc.)” (REZENDE, 2000, p. 32). De acordo com Porcello (2008) entre os anos de 1994 e 2004 foram adquiridos mais de 40 milhões de televisores no Brasil. Esses números são superiores ao número total de aparelhos de televisão adquiridos desde a primeira transmissão televisiva no país, no ano de 1950, até a implantação do plano real. As classes média e alta atingem 100% no índice de aparelhos em casa, enquanto que na classe emergente o índice é de 96%, e na classe baixa de 87%. Em 2002 havia mais de 60 milhões de televisores no Brasil, considerados como uma das únicas fontes de informação dos seus telespectadores. A televisão é um espaço onde tudo pode ser mostrado. Ela pode fazer com que pessoas e fatos até então desconhecidos passem a se tornar conhecidos através de sua imagem. A TV também tem o poder de transformar atitudes, modos de vida e de pensar dos telespectadores. Podemos afirmar que, na atualidade, grande parte da vida população gira em torno da televisão. É diante dela que a maioria das famílias se reúne diariamente. Mesmo que não haja diálogo, todos compartilham do mesmo assunto.

2.1 SENSACIONALISMO E FAIT DIVERS

O gênero sensacionalista noticia assuntos extraordinários, considerados anormais, os fait divers, e faz uso de imagens diferentes e chocantes para chamar a atenção e prender o público. Utiliza uma linguagem espetacular e repetitiva.

O jornalismo sensacionalista extrai do fato, da notícia, a sua carga emotiva e apelativa e a enaltece. Quase fabrica uma nova notícia, que passa a se vender por si mesma. Nesse gênero de jornalismo, o mais importante é a manchete, que faz o leitor ou telespectador ler ou assistir (comprar) apenas por atração, por sensação, por impacto, por curiosidade despertada, uma vez que o desenvolvimento da matéria não acrescentará nada além daquilo que já foi mencionado. Ao contrário do jornalismo sério, o sensacionalista se presta a informar mais para satisfazer as necessidades


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instintivas do público, por meio de formas sádicas e espetaculares, expondo pessoas ao ridículo. As matérias têm o tempo e a duração que forem necessários, desde que mantenham o receptor interessado naquilo que é mostrado, garantindo a audiência. Poderíamos enfim dizer que o sensacionalismo está mais ligado à mercantilização da informação: fazer negócios com a divulgação de escândalos e de crimes e, por que não, de soluções ilusórias para os problemas da sociedade. Essas características reforçam a identificação do telejornal sensacionalista como produto de consumo (PATIAS, 2006a, p. 82-3).

Os fait divers são acontecimentos que chamam a atenção pelo inesperado, pelo inusitado, pelo extraordinário e pelo curioso. Danilo Angrimani (1995), em seu livro Espreme que sai sangue, descreve os fait divers como uma marca sobre a qual os jornais publicam as notícias dos diversos gêneros que acontecem no mundo, como os escândalos, acidentes de carro, crimes, torturas, suicídios, assassinatos, acidentes com operários, assalto à mão armada, fortes chuvas e tempestades, inundações, incêndios, naufrágios, acontecimentos misteriosos, casos de sonambulismo e letargia, entre outros. Os fait divers são informações “quentes” e circunstanciais. Pedroso apud Angrimani (1995) afirma que os fait divers, como informação autosuficiente, apresenta em sua estrutura uma carga de interesse humano, e é dotado de curiosidades, de fantasias, de impactos e de espetáculos, para causar leves sensações de algo vivido no crime, no sexo e na morte. “Consequentemente provoca impressões, efeitos e imagens (que estão comprimidas nas formas de valorização gráfica, visual, espacial e discursiva do fato-sensação)” (PEDROSO APUD ANGRIMANI, 1995, p.26). Segundo o autor (1995, p. 26), a intenção dos fait divers de produzir efeito de sensacionalismo tem como objetivo atrair o público pela manchete que anuncia um acontecimento para ser “consumido ou reconhecido como espetáculo, perigoso, extravagante, insólito, por isso, atraente".

Os fait divers são relatos gratuitos e descontextualizados sobre fatos que irrompem na normalidade do dia-a-dia. Constituem-se em notícias que não têm repercussão, são impermeáveis à realidade política, que não vão além delas mesmas como fatos curiosos, crimes horrendos em lugares distantes, matérias isoladas sobre comportamento animal, acidentes inusitados, deformações monstruosas e fatos aberrantes. (AMARAL 2006, p. 77).

Para Barthes apud Barbosa (2009), fait divers é uma notícia de ordem não classificada, dentro de um catálogo mundialmente conhecido (políticas, economia, guerras, espetáculos, ciências, etc.). Em outras palavras, pode-se dizer que os fait divers são notícias variadas de


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importância circunstancial, que se traduzem em elementos essenciais para inclusão do entretenimento nos noticiários.

Tais notícias, referentes a eventos bizarros, imprevisíveis, extraordinários, dão conta dos aspectos inexplicáveis da nossa existência e retiram o seu poder de atração do fato de proporcionarem acesso a fenômenos perturbadores a uma distância segura visto que, devido à sua excepcionalidade mesma, não estamos envolvidos neles. O mesmo não se dá, porém, em relação ao noticiário sobre a política e a economia, domínios nos quais a nossa própria existência está em jogo (ALBUQUERQUE, 2000, p. 4).

Os fait divers prendem a atenção do público, por isso são tão explorados pela televisão. Os telespectadores se sentem atraídos por estes assuntos curiosos que são capazes de impressionar a todos. Chamam a atenção justamente por não remeter a nada a não ser a eles mesmos. Conforme Angrimani (1995), os fait divers têm o poder de mexer com o inconsciente e o imaginário de quem os assiste. Podem despertar – mesmo que na imaginação – o instinto assassino, criminoso do público sem fazer com que este se sinta culpado por pensar como um assassino, um criminoso, por exteriorizar, mesmo que na figura dos personagens apresentados nas reportagens, o seu lado mais violento, mais cruel. Para diversos autores o sensacionalismo e os fait divers estão totalmente ligados. Para Angrimani (1995) ele é o principal nutriente dos telejornais sensacionalistas, e Patias (2006a) destaca que o gênero sensacional tende ao fait divers.

Sensacionalismo é tornar sensacional um fato jornalístico que, em outras circunstâncias editoriais, não mereceria esse tratamento. Como o adjetivo indica, trata-se de sensacionalizar aquilo que não é necessariamente sensacional, utilizandose para isso de um tom escandaloso, espalhafatoso. Sensacionalismo é a produção de noticiário que extrapola o real, que superdimensiona o fato (ANGRIMANI 1995, p. 16).

É praticamente impossível precisar uma data exata para o surgimento do jornalismo sensacionalista. No entanto, podemos atribuir a responsabilidade pela implantação do sensacionalismo nos periódicos impressos a Joseph Pulitzer e William Randolph Hearst (ANGRIMANI, 1995).


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A presença do sensacional no jornalismo pode ser percebida muito antes de Pulitzer e Hearst nos primeiros jornais franceses e norte americanos. De acordo com Seguin apud Angrimani (1995), Gazette de France e Nouvelles Ordinaires – jornais franceses – se pareciam muito com os jornais sensacionalistas da atualidade, utilizavam-se dos fait divers e de notícias sensacionais que agradavam aos leitores. Já nos Estados Unidos, traços sensacionalistas podiam ser percebidos no Publick Occurrences – primeiro jornal norte americano – editado por Benjamin Harris, em 1690. Tanto os jornais franceses, quanto o americano traziam em suas páginas fatos e acontecimentos que chamavam a atenção e escandalizavam o público. Amaral (2006) destaca que o marco do jornalismo sensacionalista americano foi na década de 1980, com o surgimento dos jornais New York World e Morning Journal, de Joseph Pulitzer e William Randolph Hearst. Estes jornais apresentavam manchetes escandalosas, publicavam notícias sem importância e distorciam informações. Os dois jornais acabaram travando uma guerra na busca pela maioria dos leitores. Joseph Pulitzer foi o primeiro a publicar um jornal colorido e a descobrir o filão que representavam reportagens em tom sensacional, cruzadas com apelo popular, amplas ilustrações e manchetes em tom sensacional (ANGRIMANI, 1997). O principal concorrente do World era o Morning Journal, de Hearst. Conforme Angrimani (1997), o termo “imprensa amarela” surgiu nesse período. O World publicava nas edições de domingo uma história em quadrinhos chamada Hogan´s Alley, desenhada por Outcault, onde o personagem principal era um menino que vestia uma camisola amarela. As falas deste personagem apareciam desenhadas dentro da camisola do menino e não em balões, como acontece atualmente. Por esse motivo o personagem ficou conhecido como Yellow Kid. Na busca por mais leitores, Hearst, dono do Morning Journal, comprou o passe de muitos dos melhores jornalistas do World, dentre eles o Outcault. E com isso a HQ do menino da camisola amarela passou a ser publicada também no Journal, pois Pulitzer ainda divulgava o Yellow Kid em seu jornal. Assim, os críticos passaram a usar a expressão “imprensa amarela” para caracterizar o estilo sensacionalista de ambos os jornais.

As técnicas que caracterizavam a imprensa amarela eram: 1) manchetes escandalosas em corpo tipográfico excessivamente largo, “garrafais”, impressas em preto ou vermelho, espalhando excitação, frequentemente sobre notícias sem importância, com distorções e falsidade sobre os fatos; 2) o uso abusivo de ilustrações, muitas delas inadequadas ou inventadas; 3) impostura e fraudes de vários tipos, com falsas entrevistas e histórias, títulos enganosos, pseudociência; 4)


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quadrinhos coloridos e artigos superficiais; 5)campanhas contra abusos sofridos pelas “pessoas comuns”, tornando o repórter um cruzado a serviço do consumidor (MOTT apud ANGRIMANI, 1997, p. 22).

A transformação da expressão imprensa amarela, utilizada nos EUA, para imprensa marrom, empregada no Brasil, tem diferentes versões. Uma delas e, talvez a mais aceita, é a que conta sobre a mudança de cores ocorreu no periódico Diário da Noite do Rio de Janeiro, quando este era comandado pelo jornalista Alberto Dines. Ao escrever uma reportagem sobre o suicídio de um jovem cineasta, logo após ser chantageado por revistas de escândalos, Dines utilizou a expressão na chamada de sua reportagem, que se intitulava de “Imprensa amarela leva cineasta ao suicídio”. O termo foi substituído pelo chefe de reportagem do jornal, Calazans Fernandes por imprensa marrom, pois este julgava que o amarelo era uma cor bonita e que deveria ser respeitada por estar presente na bandeira do Brasil. E sendo assim não poderia ser utilizada para designar uma expressão que remetia a fatos sensacionalistas. Conforme Amaral (2006), desde então, a expressão imprensa marrom passou a ser usada no Brasil para indicar jornais e revistas de escândalos. Já Angrimani (1997) defende, em seu livro Espreme que sai sangue, a idéia de que a expressão imprensa marrom é originária da França e significa atividade ilegal, pois os primeiros jornais franceses – também conhecidos como canards – eram impressos sem licença. Na imprensa brasileira os primeiros traços do sensacionalismo aparecem nos folhetins que circulavam no país a partir dos anos de 1840. De acordo com Barbosa (2005), a imprensa do Rio de Janeiro de grande tiragem passou a incluir os denominados crimes de sensações ou as notas sensacionais em suas páginas desde o final do século XIX.

2.2 O TELEJORNALISMO SENSACIONALISTA

O gênero sensacionalista apresenta características que são inconfundíveis quando comparado a outros gêneros. É baseado em notícias sobre fat divers e têm forma e estilo próprios. Utiliza-se com freqüência de repetições e de algumas técnicas da ficção e da dramaturgia na construção das matérias. Os apresentadores de telejornais sensacionais se portam de maneira diferenciada, muitas vezes podendo ser confundidos com apresentadores


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de programas de auditório. E, principalmente, as reportagens são construídas com base no apelo ao emocional dos telespectadores e com uma linguagem peculiar, chocante. Patias (2006a) afirma que os programas da TV brasileira seguem a mesma fórmula empregada pela mídia norte americana, cujo sensacionalismo está amparado no tripé violência, sexo e esporte. Um dos programas pioneiros deste estilo no Brasil foi O Homem do Sapato Branco, que foi ao ar em 1966, apresentado por Jacinto Figueira Júnior. Foi veiculado pela Rede Bandeirantes, SBT, TV Cultura e também pela Rede Globo. O programa trazia notícias que envolviam a miséria humana, conflitos familiares, histórias policiais e homossexualismo. Os telejornais sensacionalistas traduzem o “cotidiano das grandes metrópoles, como se o ângulo de observação fosse do povo” (PATIAS 2006a, p. 81), como se a escolha dos assuntos, a elaboração e produção das notícias fossem realizadas pelo próprio público do programa. Exibem problemas relacionados com o cotidiano da população de baixa renda, fazendo com que os telespectadores sintam-se inseridos na sociedade. De acordo com Rezende (2000), essa fatia da audiência de baixo nível instrucional, tão cobiçada pelos departamentos de venda das emissoras, encontra na televisão uma das poucas oportunidades para sonhar com a esperança de tornarem-se verdadeiros cidadãos. Os programas e telejornais de cunho sensacionalista estão ligados ao exagero, à cobertura de fatos extraordinários e supervalorização da emoção e constante repetição do assunto noticiado. “As notícias da imprensa sensacionalista sentimentalizam as questões sociais, criam penalização no lugar de descontentamento e constituem-se num mecanismo reducionista que particulariza os fenômenos sociais” (AMARAL, 2006, p. 21). De acordo com Barbosa e Enne (2005), costumamos chamar de jornalismo sensacionalista as notícias que apelam às sensações, que causam emoções, que indicam uma relação de proximidade com o fato reconstituído, exatamente a partir de uma memória dessas sensações.

Intensificação, exagero e heterogeneidade gráfica; ambivalência linguísticosemântica, que produz o efeito de informar através da não-identificação imediata da mensagem; valorização da emoção em detrimento da informação; exploração do extraordinário e do vulgar, de forma espetacular e desproporcional; adequação discursiva ao status semiótico das classes subalternas; destaque de elementos insignificantes, ambíguos, supérfluos ou sugestivos; subtração de elementos importantes e acréscimo ou invenção de palavras ou fatos; valorização de conteúdos ou temáticas isoladas, com pouca possibilidade de desdobramento nas edições subseqüentes e sem contextualização político-econômico-social-cultural; discursividade repetitiva, fechada ou centrada em si mesma, ambígua, motivada,


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autoritária, despolitizadora, fragmentária, unidirecional, vertical, ambivalente, dissimulada, indefinida, substitutiva, deslizante, avaliativa; exposição do oculto, mas próximo; produção discursiva sempre trágica, erótica, violenta, ridícula, insólita, grotesca ou fantástica; especificidade discursiva de jornal empresarial-capitalista, pertencente ao segmento popular da grande empresa industrial-urbana, em busca de consolidação econômica ao mercado jornalístico; escamoteamento da questão popular, apesar do pretenso engajamento com o universo social marginal; gramática discursiva fundamentada no desnivelamento sócio-econômico e sociocultural entre as classes hegemônicas e subalternas (PEDROSO apud ANGRIMANI, 1995, p. 156).

Uma característica marcante nos telejornais sensacionalistas é a forma como são apresentados. Diferentemente dos telejornais tradicionais2, onde os âncoras aparecem sentados atrás de uma bancada apresentando as notícias sem expressar sua opinião, nos jornais sensacionais os apresentadores exibem as notícias em pé, num cenário despojado, geralmente com uma televisão ao fundo, onde as notícias são mostradas. O apresentador gesticula bastante, anda por todo o estúdio com as câmeras acompanhando seus movimentos, com diversos enquadramentos para produzir os mais diversos sentidos e dar a impressão de movimento e agilidade ao programa. As câmeras costumam enquadrar o apresentador em close up3 quando este se mostra indignado com algum assunto ou realiza julgamentos em relação aos envolvidos nas notícias.

No telejornal sensacionalista o apresentador é mais um animador, que ao mesmo tempo anuncia as notícias, chama os repórteres, divulga os produtos e serviços oferecidos pelos patrocinadores, faz sorteios de brindes e manda recados aos telespectadores (PATIAS 2006a, p. 85).

Como descreve Rezende (2000), alguns apresentadores de programas populares 4, dirigidos ao grande público fazem uso de um estilo vibrante, próximo ao utilizado no meio 2

Telejornais tradicionais são aqueles onde os âncoras apresentam as notícias sentados atrás de uma bancada, seguindo corretamente um script. As manchetes e as chamadas são realizadas com linguagem objetiva. Os repórteres e as matérias são chamados com frases bem elaboradas. A expressão facial e a movimentação das mãos e até mesmo do rosto deve ser discreta, e o cabelo e a roupa também devem seguir um padrão de qualidade determinado. (PATIAS, 2006a) 3 Plano aproximado que mostra detalhes do rosto do apresentador. 4 Para Amaral (2006) o popular identifica um tipo de “imprensa que se define pela sua proximidade e empatia com o público alvo, por intermédio de algumas mudanças de ponto de vista, pelo tipo de serviço que presta e pela sua conexão com o local e o imediato”. E ainda que “os jornais auto-intitulados populares baseiam-se na valorização do cotidiano, da fruição do individual, do sentimento e da subjetividade. Os assuntos públicos são muitas vezes ignorados; o mundo é percebido de maneira personalizada e os fatos são singularizados ao extremo”.


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radiofônico, como se quisessem sacudir o telespectador. Assim, os acontecimentos acabam sendo apagados pela “interpretação” do apresentador diante das câmeras e as notícias ficam em segundo plano, o que, muitas vezes, caracteriza o apresentador como uma pessoa carismática, que realmente se preocupa com o público e com as questões do cotidiano da população, e tenta encontrar soluções para estes problemas, o que não acontece nos telejornais tradicionais. De acordo com Patias (2006a), os âncoras de noticiários sensacionalistas vendem as notícias segundo a lógica do espetáculo, unindo o telespectador ao programa. Conforme o autor, o telejornal vende a ilusão de que os problemas da população serão resolvidos.

No telejornal sensacionalista, a narração é feita no local onde os fatos ocorreram, os repórteres estão sempre na rua colhendo depoimentos dos envolvidos, o tempo de duração das reportagens é bem maior. O apresentador tem contato direto com a direção técnica do programa e isso possibilita a ele pedir repetições de imagens, parar em uma determinada cena e focalizar um dado ponto. A partir daí as características desse tipo de programa acentuam-se mais com expressões faciais, gestos de mãos, linguagem coloquial, repleta de gírias e palavrões. (ARAÚJO et. al., 2008, p. 2-3).

A legenda com a chamada da matéria sempre presente na tela é outra particularidade dos telejornais sensacionais. Isso possibilita ao telespectador saber qual assunto está sendo apresentado em qualquer momento que sintonizar o televisor no programa. Para Bourdieu (1997), no gênero sensacional, o princípio da seleção de notícias é a busca do espetacular. A televisão convida à dramatização, no duplo sentido: põe em cena, em imagens, um acontecimento e exagera-lhe a importância, a gravidade, e o caráter dramático, trágico. Este princípio serve muito bem para caracterizar o objeto deste estudo, o programa Balanço Geral, pois as notícias apresentadas têm sempre caráter sensacional, são construídas dando ênfase ao espetáculo, visando explorar o máximo possível o assunto e passar ao telespectador a idéia de que o programa realmente se preocupa com a sociedade e com seus problemas, transformando em drama todo fato.

A tendência do jornalismo ao melodrama seria uma das cinco constantes da televisão brasileira: “(...) ao jornalismo, seja ele de rádio ou de jornal, não basta informar. Ele precisa chamar a atenção, precisa surpreender assustar. Os produtos jornalísticos são produtos culturais e, nessa condição, fazem o seu próprio espetáculo para a platéia. Como se fossem produtos de puro entretenimento, buscam um vínculo afetivo com o freguês. Mas o que se dá na televisão é mais que isso – e na televisão brasileira é duas vezes mais.” (BUCCI apud COUTINHO, 2003, p. 80)


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Programas de cunho sensacionalista fizeram e ainda fazem grande sucesso na televisão brasileira. Como exemplos de programas sensacionais, podemos citar os extintos Aqui e Agora, do SBT, Linha Direta, da Rede Globo, e Brasil Urgente, apresentado de segunda a sexta-feira na Rede Bandeirantes de televisão. O telejornal Aqui e Agora foi veiculado pelo Sistema Brasileiro de Televisão – SBT – na década de 1990. O programa teve diversos repórteres que fizeram sucesso junto ao público, dentre eles Jacinto Figueira Júnior, que apresentou por muito tempo um dos programas pioneiros do gênero sensacionalista no Brasil, O Homem do sapato Branco. Outro repórter que obteve grande reconhecimento dos telespectadores e que sempre é lembrado quando se fala no telejornal foi o radialista Gil Gomes, lembrado pela intensidade com que noticiava os acontecimentos. O bordão do programa era: "um telejornal vibrante que mostra na TV a vida como ela é". E as notícias exibidas eram basicamente assuntos policiais e sobrenaturais, além de matérias sobre os direitos do consumidor, apresentadas pelo advogado Celso Russomano. O programa Linha Direta foi exibido pela Rede Globo por um pequeno período no ano de 1990 e voltou à telinha entre 1999 e 2007. O programa exibido, às quintas-feiras, foi inspirado em programas que faziam sucesso nos Estados Unidos. Incentivava os telespectadores, através da reconstituição de crimes não-solucionados, a fornecer pistas e informações que ajudassem as autoridades a prender os suspeitos. De acordo com o endereço eletrônico da Rede Globo5: "O Linha Direta imprimia um forte tom realista às reconstituições de crimes praticados por bandidos foragidos da Justiça, mas havia espaço para histórias que misturavam jornalismo e ficção, como no episódio A máscara de chumbo, sobre um suposto caso de abdução alienígena". Linha Direta era apresentado pelos jornalistas Hélio Costa, Marcelo Rezende e Domingos Meirelles. Na escolha das histórias que eram exibidas no programa levava-se em consideração o "potencial em termos de dramaturgia e o serviço que o programa estará prestando". Linha Direta possuía uma central telefônica que funcionava 24 horas por dia, através da qual os telespectadores podiam realizar denúncias sobre o paradeiro dos foragidos, com garantia de sigilo total. Conforme o site da emissora, através destas denúncias, foram presos mais de 380 criminosos procurados pela Justiça. Outro exemplo de programa sensacionalista de sucesso é o Brasil Urgente, da Rede Bandeirantes de Televisão, exibido de segunda a sexta-feira das 17h30min às 18h50min. O

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www.memoriaglobo.globo.com


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programa é apresentado pelo jornalista José Luiz Datena, e aborda assuntos relacionados ao cotidiano da população como saúde, segurança, trabalho e comportamento. É produzido na Central de Jornalismo da rede Bandeirantes, em São Paulo, e conta com a participação de cidades como Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, Brasília e Porto Alegre. Conforme destacado no site oficial da emissora6, a prestação de serviços tem atenção especial no programa. Os repórteres estão sempre ao vivo, para dar maior veracidade às notícias e possuem a sua disposição um helicóptero e duas motolinks para informar as condições do trânsito e “relatar os flagrantes da cidade de São Paulo”. Outro fator que merece destaque no telejornal é a participação do público, que acontece através de telefonemas, enquetes na rua, e-mails e até mesmo cartas. As reportagens não possuem tempo prédeterminado, elas duram o quanto for necessário para abordar e esclarecer o assunto. Barbosa (2009) enfatiza que os apelos do sensacional – as sensações ambíguas, o bem contra o mal, os valores morais e éticos – narrados sob a forma de melodrama cotidiano são aspectos que transcorrem as notícias década após década construindo deste modo as marcas do sensacionalismo, que têm a preferência do público em geral. Fonseca (2009) enfatiza que os dramas individuais e os limites diários em questões práticas são corriqueiros, o que causa uma identificação quase que instantânea entre o que aparece na tela e o que é vivido no cotidiano dos telespectadores. Assim, os programas sensacionalistas passam a incluir no espaço público uma grande parcela da população que se estava excluída. A linguagem utilizada nestes programas é coloquial. São empregadas expressões, ditos e gírias populares que o público costuma usar em seu cotidiano. Quando é necessário fazer uso de uma palavra ou expressão mais rebuscada, o repórter ou apresentador explica o que ela significa para que ocorra a compreensão pelo público. Fonseca (2009) afirma que a aproximação linguística realizada com os telespectadores melhora a comunicação com os interlocutores, cria uma forte identificação da emissora com o seu público, que passa a se identificar com ela através da fala.

A linguagem simplificada do produto sensacionalista serve para fortalecer a fusão entre o público com a história relatada. Procura legitimidade de representação das populações periféricas através da linguagem coloquial, do emprego de palavrões e da gíria, como se esse uso caracteriza-se o seu engajamento com os interesses, gosto e expectativas populares (PATIAS, 2006a, p. 97)

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www.band.com.br/brasilurgente/sobre.asp?ID=14


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Conforme Angrimani (1995), a linguagem utilizada no sensacionalismo é a do clichê. Não admite o distanciamento e a neutralidade. Busca envolver e “romper o escudo contra as emoções fortes”. O sensacionalismo tem como objetivo chocar o público e fazer com que o telespectador se entregue às emoções e viva com os personagens. A linguagem sensacionalista precisa ser chocante e causar impacto. O sensacional não admite moderação. Pedroso apud Angrimani (1995) afirma que a narrativa sensacionalista tem o poder de transportar o leitor, o telespectador. Ela tem a capacidade de fazer com que este se sinta como se estivesse junto ao acontecimento, ao lado do estuprador, do assassino, do sequestrador compartilhando das mesmas emoções. Esse tipo de narrativa gera sensações por procuração, porque a “participação e o reconhecimento desses papéis tornam o mundo da contravenção subjetivamente real” para o telespectador. A humanização da narrativa dos fatos faz com que o público reviva o acontecimento como se ele mesmo fosse o autor do fato narrado. Bucci e Kehl (2004) ressaltam que os programas telejornalísticos precisam adequar-se para uma narrativa melodramática e capturar o telespectador pelo desejo de saber mais e pela emoção. Há uma fusão de ficção e realidade na construção das notícias. Contudo, não se pode rotular um jornal ou telejornal de sensacionalista somente pelo seu texto, pela sua narrativa, pois “as notícias não emergem naturalmente do mundo real para o papel, não são simplesmente o reflexo do que acontece”. Elas são redigidas a partir de formas narrativas, pautadas por símbolos, estereótipos, frases feitas, metáforas e imagens (AMARAL, 2006). As notícias apresentadas nos telejornais sensacionalistas, bem como nos ditos de referência, a parir do mesmo princípio, sofrem influência do ponto de vista do repórter que as produzem do que ele considera que seja digno de ser repassado ao público, do que julga ser de interesse da população. Os acontecimentos podem sofrer a interferência do repórter, que pode acrescentar maiores ou menores doses de emoção em determinados assuntos, conforme julgar necessário. O contexto cultural do público alvo do programa interfere na construção das notícias, principalmente nos programas de cunho sensacional, que visam “tocar” emocionalmente o telespectador, fazendo com que se sinta parte dos acontecimentos noticiados. A participação do público através de pesquisas e enquetes e o sorteio de prêmios e brindes para os telespectadores também são características marcantes dos telejornais sensacionais. Patias (2006a) esclarece que:


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Nos telejornais sensacionalistas é comum se fazer o sorteio de brindes e as chamadas “pesquisas”, convidando os telespectadores a opinar sobre temas que afetam a vida da população: criminalidade, segurança, leis, penas, sistema judiciário, saúde, moradia, transportes, educação, etc. Uma vertente ligada ao jornalismo investigativo. O programa cria a sensação de que os problemas são solucionados com a participação cidadã, quando, na verdade, foge de discussões sobre temas relevantes que acabam sendo ofuscados pela oferta de objetos de consumo que atrai para si a atenção. (...) Ambos, o prêmio e as reportagens sobre crimes ou descaso na saúde, servem como motivação para atrair a participação do público na “pesquisa”. (...) O sorteio de prêmios é anunciado em meio ao desenvolvimento das matérias, numa mescla entre publicidade e notícia. Dessa forma, violência e desgraça misturam-se com a sorte e a alegria dos premiados (p. 94-5).

A repetição e a riqueza de detalhes são características categóricas destes programas de cunho sensacional. Os apresentadores anunciam inúmeras vezes as chamadas das matérias que serão exibidas, o nome dos criminosos e das vítimas envolvidas nas reportagens para destacar quem é o mocinho e quem é o bandido.

Outra característica do gênero sensacionalista é descrever aos crimes com riqueza de detalhes, além da constante repetição do fato, imagens, entrevistas e comentários. O telejornal não se limita a informar que em tal lugar Fulano de Tal matou Beltrana depois de estuprá-la. É preciso entrevistar o assassino para que ele descreva detalhadamente como foi o crime, quantas facadas deu na garota, se está arrependido... Quando o repórter ou apresentador estiver entrevistando o entrevistador um infrator, não pode optar pela objetividade e distanciamento. Ele deve ser agressivo, usando o microfone, as perguntas e as imagens são como um chicote. (PATIAS 2006a, p.101)

Pierre Bourdieu (1997) destaca que as notícias sobre variedades, que sempre alimentaram a imprensa sensacionalista, bem como o sangue e o sexo, o drama e crime sempre renderam lucros e fizeram vender. Este tipo de notícia eleva os índices de audiência, alcança as primeiras páginas nos jornais e está presente na abertura dos telejornais. Bourdieu afirma ainda que as notícias sobre variedades também distraem. “Uma parte da ação simbólica da televisão, no plano das informações, por exemplo, consiste em atrair a atenção para fatos que são de natureza a interessar a todo mundo, dos quais se pode dizer que são omnibus – isto é, para todo mundo” (BOURDIEU 1997, p. 22-3). Corroborando a ideia de Bourdieu, Barbosa apud Patias (2006a, p.83) assegura que “notícias sobre violência atraem a atenção dos telespectadores”. Sendo assim, quanto maior o índice de notícias envolvendo violência e qualquer outro tipo de crime maior será a audiência do programa.


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As notícias sobre violência passaram a ser parte indissociável desses tipos de jornais. Isso ocorreu pelo simples fato de atrair instantaneamente a atenção dos telespectadores. É nessa linha de pensamento que as emissoras passaram a obter mais lucros com os anunciantes, por se um horário de maior audiência. Fixa-se então uma proporção interessante: quanto mais violência, maior a audiência. (ARAÚJO et. al., 2008, p. 1).

Marcondes Filho apud Angrimani (1995) aponta que notícias sobre escândalos, sexo e sangue, compõem a imprensa sensacionalista. “Interessa ao jornalista de um veículo sensacionalista o lado aparente, externo, atraente do fato. Sua essência, seu sentido, sua motivação ou sua história estão fora de qualquer cogitação”. (ANGRIMANI, 1995, p. 15) Conforme Arbex Junior (2001), o que realmente importa nos programas telejornalísticos da atualidade é o impacto causado pela imagem, assim como o ritmo da transmissão. No Balanço Geral, como nos demais programas sensacionais, as imagens são amplamente exploradas. Nada pode passar despercebido. Todos os detalhes são mostrados. As imagens devem sensibilizar ao máximo o público. Como descreve Angrimani (1995), a reportagem não pode deixar de mostrar a mãe que chora desesperada a morte de seu filho, precisa escutá-la para que conte em detalhes como aconteceu, e deve, de preferência, mostrar o cadáver ou o sangue no chão caso a reportagem chegue tarde ao local do crime. Os repórteres devem também procurar entrevistar os assassinos, para que estes contem os detalhes e os requintes de crueldade empregados na execução dos crimes e nos assassinatos. Como ressalta Patias (2006a), podemos observar um grande investimento nas manchetes dos telejornais sensacionalistas, porque elas são as grandes responsáveis pelo interesse, consumo e pelo primeiro contato com o telespectador. O que define o acontecimento noticioso é a exploração do inusitado e o destaque, na seleção dos assuntos, dos aspectos mais espetaculares e sensacionais do fato, para superar a concorrência e provocar interesse no telespectador. Conforme Bourdieu (1997), os jornais diários devem oferecer diariamente o extra-cotidiano. Daí é que surge o lugar de destaque ao “extraordinário ordinário, isto é, previsto pelas expectativas ordinárias, incêndios, inundações, assassinatos, variedades”. (BOURDIEU 1997, p. 26) A televisão e, consequentemente, seus programas estão presente direta ou indiretamente na vida da população. Ela exerce papel fundamental na formação das opiniões e das atitudes de que a assiste. Para a maioria dos brasileiros a televisão é a única fonte de informação e é utilizada por alguns como uma maneira de fugir das dificuldades e dos problemas do cotidiano. Para estes, que fazem da TV sua principal fonte de informação, o que


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é apresentado na TV é tido como verdade absoluta, pois não possuem informações suficientes para poder criticar ou duvidar o que está sendo veiculado na caixa preta que está na sua frente. Sendo assim, podemos dizer que a televisão é um meio que delineia comportamentos, que dá opiniões e caminhos a serem seguidos.

Ainda que não disponha dos instrumentos de acesso ao jornal impresso, o telespectador entra em contato, por meio dos telejornais, com os fatos mais importantes, segundo os critérios de avaliação jornalísticos. É fundamentalmente ao assistir aos noticiários televisivos que significativa parcela da população entra em contato com o mundo e “abastece” seu repertório com informações e notícias capazes de possibilitar sua inserção nas conversas cotidianas e mesmo sua orientação no tempo “presente” (Coutinho 2003, p. 47)

Pierre Bourdieu (1997), em sua obra Sobre a Televisão, destaca que há um número muito elevado de pessoas que não tem acesso e não costumam ler nenhum tipo de jornal, que se utilizam somente da televisão como fonte única para adquirir informação. Para o autor, a televisão exerce uma espécie de monopólio sobre a formação de opinião, sobre “as cabeças de uma parcela muito importante da população”. (BOURDIEU 1997, p. 23) A televisão serve para se ter o que falar. Ela é um instrumento de comunicação entre os indivíduos. Não pelo que é visto nela, mas pelo fato de se ter o que falar sobre o que é veiculado nela. “A televisão é um objeto de conversação”, afirma Wolton (2003, p. 72) As pessoas conversam entre si sobre o que viram na TV. Muitos assistem à televisão não apenas para se informarem sobre o que está acontecendo ao seu redor e no mundo, mas também para se sentirem parte ativa, participante dos assuntos e das histórias do cotidiano. Coutinho e Musse apud Coutinho (2008) destacam que:

Os laços sociais que, antes, eram mantidos entre as populações pelo contato da vizinhança nos bairros, pela proximidade dentro da escola, ou pelo convívio para o lazer e o consumo, no centro da cidade, hoje, se encontram dispersos geograficamente, mas são celebrados via encontro catódico, à frente da telinha/ telejornais. (p.73)

Para Patias (2006a), os telejornais de gênero sensacionalista podem ser considerados como sendo mais um produto da cultura de massa abordada por Adorno e Horkheimer. Os acontecimentos são transformados em notícias com características de produtos elaborados


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para o consumo. Uma característica decisiva destas notícias-mercadorias é o seu caráter perecível. Ainda segundo o autor, os programas sensacionalistas passam por sucessivas mudanças para adequarem-se ao mercado e assegurar a continuidade do gênero. “Além disso, pelo estilo e forma como os programas são apresentados, eles se inserem no contexto da sociedade do espetáculo descrita por Debord, onde o sensacionalismo sugere que informa enquanto faz espetáculo”. (PATIAS 2006a, p. 103)

2.3 O ESPETÁCULO NO TELEJORNALISMO

“Toda a vida das sociedades nas quais reinam as modernas condições de produção se apresenta como uma imensa acumulação de espetáculos” (DEBORD, 1997, p.13). Tomando como base a assertiva de Guy Debord podemos afirmar que toda a sociedade gira em torno da espetacularização. Não somente nas produções de entretenimento, mas também nas produções telejornalísticas. As notícias, sejam elas quais forem, são espetacularizadas ao máximo para atrair a atenção dos telespectadores e elevar os índices de audiência dos programas, e consequentemente, atrair mais publicidade durante os intervalos comerciais, confirmando o que Debord já descrevia na década de 1960, que a raiz do espetáculo tem origem na economia. Conforme Canavilhas apud Coutinho (2003), a opção das televisões pela veiculação da informação- espetáculo é resultado da influência do fator econômico. Para aumentar os índices de audiência é preciso que se torne a informação mais apelativa, mais sensacional. “Os jornais diários e as revistas semanais fazem um jornalismo cada vez mais preocupados com o sucesso do mercado” (MARQUES, 2006, p. 35). “Jornais, revistas, programas de rádio e de televisão, filmes, videoclipes, etc., são todos produtos de corporações industriais e comerciais que buscam lucros e atuam na lógica do mercado com o objetivo de oferecer mercadorias ao consumidor de maneira fácil e prazerosa” (CASTRO 2006, p.115).

O jornalismo é um negócio. E, como tal, busca o lucro. Por isso, a organização está fundamentalmente voltada para o balanço contábil. As receitas devem superar as despesas. Do contrário, haverá a falência da empresa e seus funcionários ficarão desempregados. Então, qual será o setor mais importante de uma empresa jornalística? Fácil: é o comercial. Esse setor é o responsável pela captação de anúncios para sustentar o jornal. E eles interferem diretamente na produção das notícias (PENA apud NEGRINI 2010, p. 77).


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“O espetáculo é o momento em que a mercadoria ocupou totalmente a vida social. Não apenas a relação com a mercadoria é visível, mas não se consegue ver nada além dela: o mundo que se vê é o seu mundo” (DEBORD, 1997, p. 30). Partindo dessa premissa de Debord, Leal Filho (2005) afirma que na televisão o espetáculo como mercadoria tem um raciocínio simples: “a televisão foi feita para vender e para vender é necessário fazer ofertas ao maior número possível de compradores em potencial. Para tanto é preciso obter grandes audiências que só serão conseguidas com programas espetaculares que surpreendam o telespectador a todo o momento, não permitam que ele reflita sobre o que está vendo, o emocionem em doses equilibradas de alegria e tristeza, não o deixem mudar de canal e, por fim, sem pensar muito, comprem os produtos anunciados” (LEAL FILHO 2005).

O autor comenta ainda que a mesma lógica que é utilizada na elaboração de novelas ou programas de auditório é incorporada para a produção e realização dos telejornais. Quando a novela vai para o intervalo, a cena sempre termina em suspense que só será revelado na volta do comercial, obrigando o telespectador a ficar diante da tela e assistir as propagandas e anúncios veiculados até que a novela retorne. Os telejornais se apropriam da mesma fórmula: anunciam as principais notícias, as de maior impacto e as mais espetaculares na escalda, contudo elas são exibidas somente nos blocos finais do jornal, fazendo com que o telespectador assista aos comerciais vinculados pela emissora durante os intervalos. Guilherme de Rezende (2000) afirma que:

O espetáculo destina-se basicamente à contemplação, combinando na produção telejornalística, uma forma que privilegia o aproveitamento de imagens atraentes – muitas vezes desconsiderando seu real valor jornalístico – com um conjunto de notícias constituído essencialmente de fait divers. (REZENDE, 2000, p. 25)

Parafraseando Rezende, podemos dizer que as emissoras comerciais de televisão adotam um caráter principalmente lúdico na sua grade de programação. “Motivada por essa ideologia de entreter para conquistar maiores níveis de audiência e faturamento, a televisão privilegia a forma do espetáculo” (REZENDE, 2000, p.35). Rezende acrescenta:


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O formato espetacular, comum as emissões de ficção e de realidade, representa a fórmula mágica capaz de magnetizar a atenção de um público tão diversificado. O espetáculo destina-se basicamente à contemplação, combinando na produção telejornalística, uma forma que privilegia o aproveitamento de imagens atraentes – muitas vezes desconsiderando o seu real valor jornalístico – com um conjunto de notícias constituído essencialmente de fait divers (REZENDE, 2000, p. 25).

Gusmán, Aguaded & Correas apud Coutinho (2003) afirmam que o espetáculo será sempre convertido em mais espetáculo, tendo como principal fonte a realidade. Tondo e Negrini (2006, p. 36) relatam que para Dominique Wolton a televisão é um espetáculo de um gênero particular, destinado a um público imenso, anônimo e heterogêneo, inseparável de uma programação que garante uma oferta quase contínua de imagens e de gênero de status diferentes. “O espetáculo é a afirmação da aparência e a afirmação de toda a vida humana – isto é, social – como simples aparência” (DEBORD, 1997, p. 16). Com isto, Debord quer dizer que a sociedade preocupa-se muito mais em aparecer, em se tornar conhecida do que com determinadas questões que a cerca. Todos querem ter seus quinze minutos de fama. Como afirmam Tondo e Negrini (2009), as pessoas assumem espaços que antes não eram seus e “seus verdadeiros papéis tornaram-se roteiros para espetáculos”. Isso tem proporcionado variados elementos para a construção da dramaturgia e obtido enorme sucesso entre os telespectadores.

O acontecimento televisionado tornou-se de tal forma natural que se duvida mesmo que algo tenha acontecido se não estava lá nenhuma objetiva. (...) O controle do número de telespectadores que, em cada minuto, se encontram sintonizados num determinado canal transformou a guerra entre televisões numa guerra, também ela, em tempo real. E é aqui que surge a grande perversão: se em termos de programação se podem fazer guerras de audiências, bastando para isso mudar o produto apresentado, em termos informativos não é bem assim. Sendo a matéria-prima igual em todos os canais — os acontecimentos — torna-se necessário mostrar diferentes perspectivas desse mesmo assunto: a informação torna-se assim num espectáculo que procura no sensacionalismo e na rapidez, os ingredientes que fazem subir as audiências, nem que isso seja conseguido à custa de imprecisões (CANAVILHAS, 2001, p. 8).

Patias (2006a) afirma que na sociedade atual, a lógica do espetáculo não permite que consigamos reconhecer o próprio espetáculo. Ele é contínuo e diário; está em toda a parte; em diversas dimensões. Produzimos espetáculo quando divulgamos ideias, produtos, imagens e até mesmo acontecimentos.


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Nos telejornais sensacionalistas, a espetacularização das notícias tem mais importância do que a veracidade dos fatos em si. Partindo desse pressuposto, as notícias mais espetaculares, capazes de provocar maiores sensações e impactos nos telespectadores têm preferência na veiculação. Canavilhas apud Coutinho (2003, p.63) afirma que:

[...] a espetacularização da notícia em televisão seria conseqüência do domínio da observação sobre a explicação. Isso porque fatos ou aspectos insólitos, excepcionais ou chocantes seriam utilizados como artifício da mídia televisiva para conquistar, e manter, seu público. Para tornar espetacular a notícia, a TV recorreria, além da seleção de dramas humanos, ao uso de transmissões ao vivo e à dramatização, que assumiria o papel principal nesse processo. “A informação-espetáculo vence assim a informação-educação, fazendo com que, apesar dos satélites, e talvez por culpa deles, o telespectador não ganhe nada com as inovações tecnológicas ao nível da informação”.

Na atual sociedade espetacular, as relações humanas já não são mais mediadas pelas coisas. Agora, estas relações são intermediadas pelas imagens. Baseado nas assertivas de Neal Gabler, em Vida, o filme: como o entretenimento conquistou a realidade, Patias (2006a) afirma que o entretenimento se tornou a força com maior poder de persuasão de nosso tempo, podendo se transformar em vida.

Todos nos tornamos ao mesmo tempo protagonistas e espectadores de um grandioso espetáculo que nunca sai do ar, um show muito mais rico, complexo e interessante do que os produzidos pelos meios de comunicação. Somos ao mesmo tempo atores e plateia de um grandioso e ininterrupto espetáculo. (Glaber, 2000, PP.12 e ss.). Observando os telejornais sensacionalistas, a impressão que se tem é que todos participam do programa. (...) A conjunção entre a violência realmente experimentada ou experimentável e a violência comunicativamente consumida se funde muitas vezes em um único bloco quase sem contradições (PATIAS, 2006a, p. 93-4).

A espetacularização é presença constante nos programas televisivos, inclusive nos telejornalísticos. Em muitos destes programas as notícias passam a ser apresentadas como parte de um grandioso espetáculo, com destaque para os fait divers. Esse constante crescimento do espetáculo deve-se principalmente ao aumento da audiência. João Canavilhas (2001, p. 05) salienta que a espetacularização da notícia resulta da “dominação da observação sobre a explicação”. Para prender a atenção do telespectador, a


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televisão prioriza o extraordinário, o chocante, o excepcional. A espetacularização no telejornalismo é composta de diversos elementos. Dentre eles, a seleção de dramas humanos – para explorar os sentimentos mais básicos do ser humano – a reportagem/direta – cobertura ao vivo para tirar proveito da emoção do repórter que testemunha o acontecido – a dramatização – emprego do gestual, expressões facial e verbal com o intuito de emocionar – e efeitos visuais – montagens que permitem manipular o acontecimento para torná-lo mais compreensível. Ainda conforme João Canavilhas (2001), a dramatização é de fundamental importância na construção da informação espetáculo.

Pelo estilo e forma como os programas [sensacionalistas] são apresentados eles se inserem no contexto da sociedade do espetáculo descrita por Debord, onde o sensacionalismo sugere que informa enquanto faz espetáculo, questionando o modelo de jornalismo iluminista moderno. Ao seguir progressivamente a lógica do mercado visando o consumo e adotando a linguagem de espetáculo, o telejornalismo informa cada vez menos (PATIAS, 2006a, p. 103).

Bucci e Kehl (2004, p. 156) defendem a ideia de que “na sociedade do espetáculo toda imagem, mesmo a imagem jornalística, mesmo a informação mais essencial para a sociedade, tem o caráter de mercadoria, e todo acontecimento se reduz à dimensão do aparecimento”. Ainda conforme Bucci e Kehl (2004, p. 157): “na sociedade do espetáculo, a dimensão dos ideais é dispensada a favor da dimensão do consumo”. Se a lógica que conduz o espetáculo é a mesma do acúmulo de capital e da circulação de mercadorias, sua eficiência independe de pretexto de ideal algum.


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3. O DISCURSO DO BALANÇO GERAL

3.1 O PROGRAMA

O programa Balanço Geral (BG) é um telejornal local gaúcho que vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 12h45min, e aos sábados, às 12h, pela Record RS, emissora da Rede Record de televisão, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. O programa, que tem duração de 1h45min, estreou em 3 de julho de 2007, dois dias após a inauguração da Rede Record de televisão no Rio Grande do Sul. Inicialmente, o BG era apresentado pelo jornalista Luiz Carlos Reche, em formato de “telejornal tradicional”, com notícias locais. Sem atingir os índices de audiência desejados, e longe de disputar o público com a principal emissora gaúcha – a RBS – o programa mudou de formato e de apresentador. Em fevereiro de 2008, o Balanço Geral passou a ser apresentado pelo jornalista paulista Alexandre Mota. O programa assumiu o formato de telejornal popular, voltado para as classes de menor poder aquisitivo da Região Metropolitana do estado, modelo de telejornalismo que até então era inédito na televisão gaúcha, como ressalta Fonseca (2009). Com formato inovador e linguagem diferenciada dos demais telejornais locais, o Balanço Geral tornou-se o carro-chefe do telejornalismo popular proposto pela Rede Record no Rio Grande do Sul. O sucesso do BG pode ser percebido diante do considerável aumento de audiência do programa. De acordo com Fonseca (2009), entre março de 2008 e março de 2009 o Balanço Geral teve um aumento de 132% nos índices de audiência, chegando a ficar em primeiro lugar no share7, assumindo assim a liderança da audiência no horário. O que diferencia o Balanço Geral dos demais telejornais locais é o fato de exibir somente assuntos de interesse de seu público alvo – telespectadores das classes C, D e E da região metropolitana de Porto Alegre. As notícias apresentadas são principalmente de cunho policial. Também há espaço para histórias curiosas, que envolvem o povo. O BG procura sempre noticiar temas que envolvem a população metropolitana do estado, principalmente a de baixa renda.

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Percentual de televisores sintonizados em um canal de televisão em relação ao total de aparelhos televisivos ligados.


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Todas as matérias são anunciadas e comentadas pelo apresentador Alexandre Mota, que permanece em pé durante todo o decorrer do telejornal. O cenário é ao mesmo tempo simples e arrojado. É composto basicamente por uma televisão presa em uma das paredes, através da qual são exibidas todas as reportagens do programa. Duas enormes fotografias também ajudam a compor o cenário do Balanço Geral. De um lado do televisor há uma foto da Usina do Gasômetro, e do outro lado a Ponte do Guaíba. Diante da fotografia da Usina do Gasômetro há uma espécie de vidros foscos e em frente à foto da Ponte do Guaíba arcos metálicos. Mota pode ser considerado um típico apresentador de programa sensacionalista, pois faz uso de um tom de voz vibrante durante todo o BG. O apresentador também pede constantemente a repetição de imagens, comunica-se com os câmeras e com a direção do programa, exigindo que tudo seja feito conforme sua vontade. Quando os câmeras e produtores não atendem seu pedido prontamente, Alexandre Mota faz insinuações de que tudo é uma bagunça e chega até mesmo a chamá-los de desgranha, termo empregado para designar ume espécie de xingamento. Mota utiliza de linguagem coloquial e expressões populares para ser melhor compreendido por todos os telespectadores. Realiza julgamentos e também abusa de palavrões e xingamentos para se dirigir aos “personagens” envolvidos nas reportagens. Durante a exibição do programa, o apresentador também faz propaganda de produtos patrocinadores do telejornal, além de distribuir prêmios em dinheiro para o telespectador que adivinhar a identidade da celebridade escondida atrás de quadradinhos que aparecem na tela. Mota encontra nesse quadro e na leitura de e-mails e cartas dos telespectadores uma maneira de interagir diretamente com o público. O apresentador se movimenta o tempo todo pelo estúdio. Caminha de um lado para outro com as câmeras acompanhando todos os seus passos enquanto realiza seus comentários e julgamentos com voz exaltada. Nos momentos de maior indignação, Mota atira seus sapatos contra a parede ou mesmo em direção às câmeras para demonstrar sua raiva e insatisfação com o assunto.

Como descreve Patias (2006), o apresentador se parece mais com um

animador, pois faz propaganda dos patrocinadores do programa, sorteios de prêmios, senta no chão quando vai reclamar que o problema está sem solução ou vai demorar a ser solucionado. Mota também consome alguns dos produtos que divulga no decorrer do programa. O apresentador toma um dos medicamentos anunciados no BG e também come um prato de sopa enquanto faz a propaganda do produto. Uma peculiaridade do Balanço Geral é o fato de que durante os comentários do apresentador ou mesmo entre a exibição das reportagens uma voz “afeminada” costuma


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interromper Mota ou até mesmo zombar deste. Alexandre Mota também dança uma música da cantora Lady Gaga para caçoar de alguns produtores ou assuntos no decorrer do programa. O apresentador se comunica inúmeras vezes com o câmera responsável pela grua utilizando a expressão “vem aviãozinho, vem aviãozinho” para que este siga seus movimentos pelo estúdio. Outra característica marcante do BG é que o apresentador costuma utilizar-se do bordão “balança” para chamar a reportagem que será exibida. Como destaca Fonseca (2009), em seu artigo “Programa Balanço Geral: Telejornalismo Popular e Novos Imaginários Urbanos de Porto Alegre”, Mota costuma protestar contra as autoridades nos casos de falha ao atendimento à população, nos assuntos a saúde pública, segurança e educação. E além de protestar, o apresentador sugere soluções e atitudes a serem tomadas pelas autoridades e pela polícia. Mota também se porta, muitas vezes, como se ele próprio fosse uma autoridade com o poder de cobrar e apresentar soluções para os problemas da população. O apresentador ainda coloca o programa a disposição dos telespectadores para dar prosseguimento nas investigações dos assuntos apresentados, caso as autoridades policias não consigam solucioná-los. O âncora do telejornal pode ser descrito como um característico apresentador de um telejornal sensacionalista, conforme classificação de Patias (2006, p. 85):

No telejornal sensacionalista, o apresentador é mais um animador que, ao mesmo tempo, anuncia as notícias, chama os repórteres, divulga os produtos e serviços oferecidos pelos patrocinadores, faz sorteios de brindes e manda recados aos telespectadores.

O apresentador também é conhecido por utilizar diversos bordões que já se tornaram marcas registradas do Balanço, como “balança a reportagem”, “balança Rio Grande do Sul! Vamos balançar gaúchos!”, para chamar a atenção do telespectador. “Vagabundo! Um bando de vagabundos é o que eles são!” “bocoió” e “desgraçado”, para se referir e acusar envolvidos nas reportagens. Outra característica marcante do apresentador é que ele costuma mandar recados para a população no decorrer das reportagens, como fez nos programas do dia 17 e do dia 19 de maio de 2010, quando manda um abraço para os taxistas de Cachoeirinha e Gravataí e um abraço pra toda a população de Lagoa Vermelha. O Balanço Geral também apresenta alguns quadros como o “Fala Tchê”, onde o repórter “Sacomory” sai às ruas para saber a opinião da população sobre determinados


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assuntos. Sacomory ainda apresenta outro quadro, o Manual do Candidato, onde conversa com alguns candidatos a cargos públicos e dá dicas bem humoradas sobre como um candidato deve ou não se comportar às vésperas de uma eleição. Outro quadro de destaque no BG é o “Repórter X”, no qual um repórter que mantém sua identidade oculta investiga e denuncia assuntos de interesse da população ou que o programa julga necessário investigar. Como o próprio apresentador do programa destaca, no dia 17 de maio de 2010, o Repórter X é “um quadro investigativo sempre com uma denúncia bombástica”. O apresentador Alexandre Mota faz questão de destacar que o Balanço Geral é um programa popular, voltado para o povo. No dia 18 de maio de 2010 podemos perceber essa preocupação do apresentador em classificar o programa como popular quando enfatiza que o BG “é popular mesmo. É popular porque é feito pro povo. O povo aqui tem vez e tem voz”. “Aqui quem manda é o povo”. Um aspecto interessante do programa BG é o fato de que o apresentador é a “atração” principal do programa. Seu discurso exaltado e seu julgamento e condenação dos envolvidos nas reportagens na maioria das vezes têm mais destaque que as noticias exibidas no telejornal. As notícias resumem-se a fatos que envolvem drogas, assassinatos, crimes e qualquer outro tipo de violência. Raramente são noticiados outros assuntos, por exemplo, como futebol, que aparece em um dos programas analisados. Fatos acontecidos em outras regiões do estado e até mesmo fora dele são destacados somente quando envolvem polêmicas. Alexandre Mota porta-se muitas vezes como um juiz capaz de julgar e condenar os envolvidos nos fatos apresentados, assumindo, desse modo, o papel das autoridades competentes. O apresentador, em alguns casos, coloca-se como representante da vontade e do pensamento dos seus telespectadores, como acontece no programa do dia 17 de maio de 2010, quando ele afirma “o que eu to expressando aqui não é a minha opinião só, é a opinião da sociedade gaúcha”.

3.2 OPÇÕES METODOLÓGICAS

Analisamos as edições do Balando Geral que foram ao ar nos dias 17, 18 e 19 de maio de 2010. Por opção metodológica, decidimos analisar somente as manifestações do apresentador Alexandre Mota.


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Para fazer a análise, primeiramente fizemos a gravação das edições do programa Balanço geral selecionadas para integrarem o corpus deste estudo. Depois, fizemos a transcrição dos programas. Realizamos uma observação minuciosa do corpus. Utilizamos como suporte metodológico alguns conceitos da Análise do Discurso Francesa (AD). Buscamos elencar os principais sentidos8 instituídos nas falas do apresentador do BG que remetessem ao sensacionalismo, à construção de uma perspectiva maniqueísta e à caracterização das autoridades competentes. A partir daí, traçou-se os eixos de análise do Balanço Geral: 1 – Maniqueísmo; 2 – Sensacionalismo e espetacularização; 3 – Apresentador X justiça. Destacamos em negrito, nas seqüências discursivas (SDs)9, os sentidos referentes à perspectiva do eixo em análise.

3.2.1 Análise do Discurso Francesa

A AD tem como objeto o discurso, o qual tem seu funcionamento no âmbito das relações entre o linguístico e o histórico-ideológico.

A Análise de Discurso, como seu próprio nome indica, não trata da língua, não trata da gramática, embora todas essas coisas lhe interessem. Ela trata do discurso. E a palavra discurso, etimologicamente, tem em si a idéia de curso, de percurso, de correr por, de movimento. O discurso é assim palavra em movimento, prática de linguagem: com o estudo do discurso observa-se o homem falando (ORLANDI, 2007, p.15).

A AD, através das interpretações, proporciona possibilidades de questionamento à perspectiva de sentido literal da comunicação: 8

Nesta pesquisa, tomou-se como base para análise o conceito de sentido de Eni Orlandi (2001), mas não foram aprofundados os estudos da autora sobre a temática. 9

As seqüência discursivas são recortes que “significam”, isto é, “pedacinhos de linguagem” nos quais é possível identificar os “pontos de vista” de um sujeito (PÊCHEUX, 1997).


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A literalidade não se constitui o ponto de partida, mas a chegada para a AD, uma vez que é historicamente determinada. Os sentidos, portanto, não são um a priori. Como afirma Pêcheux, o sentido de palavras, expressões, frases e textos deve ser analisado em função do jogo de imagens e da correlação de forças presentes numa dada formação social. Os sentidos das palavras podem mudar conforme a situação em que são usadas e conforme o lugar social ocupado pelo sujeito que fala. Se ninguém diz qualquer coisa de qualquer lugar é porque o lugar de onde se enuncia constitui e limita o dizer (MARIANI, 1999, p. 108).

Os sentidos de um texto têm variações, de acordo com as estratégias que foram empregadas no processo de construção do discurso, com as relações de poder que estão envolvidas e com a constituição dos interlocutores do discurso (sujeitos que falam e sujeitos receptores das mensagens). Orlandi (2001) afirma:

O sentido é assim uma relação determinada do sujeito – afetado pela língua – com a história. É o gesto de interpretação que realiza essa relação do sujeito com a língua, com a história, com os sentidos. Esta é a marca da subjetivação e, ao mesmo tempo, o traço da relação da língua com a exterioridade: não há discurso sem sujeito. Ideologia e inconsciente estão materialmente ligados. Pela língua, pelo processo que acabamos de descrever (ORLANDI, 2001b, p. 47).

Mariani (1999), analisando o discurso jornalístico, diz que ele tem poder de instituir determinados sentidos na sociedade e de silenciar outros. A autora ressalta que o discurso jornalístico tem uma configuração ideológica.


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4. REFLEXÕES SOBRE O DISCURSO DE ALEXANDRE MOTA

O espetáculo e o sensacionalismo estão constantemente presentes na televisão, inclusive nos programas jornalísticos. O espetáculo é uma maneira de atrair a atenção dos telespectadores. No campo do jornalismo, a espetacularização pode ser percebida no somatório da apresentação da notícia com a sentimentalização dos fatos. De acordo com Patias (2006a), o espetáculo está presente em toda a parte. Ele é produzido continuamente, ao expressarmos nossas idéias e até mesmo ao noticiarmos acontecimentos. O sensacionalismo também é utilizado como forma de seduzir o público. Conforme Angrimani (1995), o sensacionalismo apresenta características que lhe são peculiares:o apelo ao emocional, àsentimentalização dos “personagens” e dos telespectadores, o exagero, a utilização de uma linguagem repetitiva, espetacular, bem como a exibição de faitdivers e de assuntos extraordinários.O sensacional também sensibiliza, sentimentaliza e apela para o emocional, não somente dos telespectadores,mas também dos “personagens” das reportagens. O programa Balanço geral possui um discurso rico e com aspectos pertinentes para reflexões. Ele exibe assuntos que são do interesse das classes C, D e E, como já mencionado. Os problemas de pessoas e de grupos individuais são compartilhados com o restante da sociedade gaúcha. Ao noticiar estes acontecimentos, o Balanço Geral apela ao sensacional e ao espetacular. Podemos até classificar o apresentador do programa, Alexandre Mota, como sendo o próprio espetáculo. Na medida em que constrói seu discurso, elementos do sensacional e do espetacular emergem naturalmente. Como já destacamos anteriormente, estudamos o texto verbal de três edições do programa Balanço Geral, as quais foram ao ar nos dias 17, 18 e 19 de maio de 2010. O estudo dos programas foi baseado em três eixos: 1 – Maniqueísmo; 2 – Sensacionalismo e espetacularização; 3 – Apresentador X justiça.

4.1 MANIQUEÍSMO: O BEM X O MAL

O Balanço Geral, ao apresentar notícias que envolvam assaltos, assassinatos, abusos, enfim, qualquer tipo de violência ou crime, costuma definir no discurso do apresentador o


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bem e o mal. Alexandre Mota caracteriza os personagens das reportagens como “bandido” e “mocinho”, “criminoso” e “vítima”, construindo assim uma lógica maniqueísta. O criminoso é definido sempre como uma pessoa má, perversa, capaz de cometer inúmeras atrocidades e que não possui características positivas. Já a vítima é descrita como uma pessoa bondosa, com diversas qualidades, que sofre com as ações do criminoso, enfim, como alguém digno de compaixão. Assim, o apresentador do BG, em seu discurso totalmente parcial, tenta interferir na opinião dos telespectadores em relação aos envolvidos nas reportagens. As sequências discursivas apresentadas a seguir mostram como Alexandre Mota constrói a imagem das vítimas e dos criminosos. Nos casos de agressão a um porteiro de um prédio e a um oficial da aeronáutica, as vítimas – o porteiro e o oficial – são descritos como trabalhadores, como pessoas de bom caráter, que estavam cumprindo com seus deveres e buscando seus direitos. Já os agressores são caracterizados pelo apresentador como vagabundos, monstros e covardes, ou seja, pessoas más, como podemos observar nas sequências discursivas abaixo:

SD5 Me dá aquelas imagens daquela baita ignorância. Repare bem o que aconteceu com esse coitado que foi reclamar do som alto num posto de combustíveis. Aquele rapaz lá ó, aquele senhor, ele é oficial da aeronáutica. Ele foi reclamar. Olha o que os baderneiros fizeram com ele. Na porta do prédio onde ele morava, ou melhor, onde mora porque graças a Deus ele ta vivo. Agora, o mesmo que batia, quando a mulher da vítima chegou na parte de baixo. Olha como é que ficou o oficial da aeronáutica, meu Deus do céu. Volta de novo aí, vem aqui, vem aqui comigo. Bota no ponto. (inaudível) pelo jeito ilustra aí ficou. Bota no ponto a parte da pancadaria. Ele estava tentado dormir em casa e a barulheira lá no último volume. Ele saiu do apartamento, foi lá e reclamou. Quando ele estava chegando de volta no condomínio os vagabundos pegaram e... Quando chega a mulher da vitima ele dá uma de o defensor olha aí ó. Parece que ele que protegeu. Desgraçado, vagabundo! O oficial da aeronáutica foi espancado por cinco, cinco vagabundos. SD26 Me dá as imagens daquele outro ato violento, vai. O rapaz foi ó. O aeronáutica foi reclamar do som auto num posto de combustíveis bem na frente do prédio dele e olha o que os desgraçados fizeram com ele. Olha ele aí ó voltando, os caras vieram atrás. Olha o que fizeram na portaria do prédio com ele. Repare aquele de camisa listrada que ta batendo nele. Esse aí ó. Vai chegar a mulher da vítima e ele vai se transforma de agressor em defensor. Mas tem cara vagabundo nesse mundo, ô. Veja. Ô vontade de pegar o cara e dar na cara. Você reparou? Bota de novo a imagem, bota de novo. O cara foi, era quase madrugada, o cara não agüentava mais a barulheira, desceu do apartamento e foi lá reclamar no posto de combustíveis. Sabe essa rapaziada que gosta, é a síndrome de Dodô e Osmar, transformou o carro em trio elétrico, ele tava voltando pro prédio e arrebentaram a porta de vidro com a cabeça do homem, olha lá. E esse daí tava batendo nele. Quando ele viu a mulher da vítima se aproximando, saindo do elevador, ele mudou, ele virou de agressor a defensor. Olha o estado


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da vítima. Olha o estado deplorável do oficial da aeronáutica, que ele apenas foi lutar pelo direito dele. Direito de dormir com tranqüilidade, bota de novo. Volta aí. Bota de novo. Que isso sirva de alerta também. Só que tem um detalhe. Você vai falar: dependendo do jeito que ele foi reclamar, porque que ele não chamou a policia? Ele chamou a polícia, ele ligou duas vezes pra polícia. Só que a polícia não foi até o posto de combustíveis mandar o pessoal baixar o som. Aí ele cansado querendo dormir, noite de domingo, ele tem que trabalhar na segunda, olha o que aconteceu aí ó. Desgraçado, e o de listrado lá batendo nele, quando chegou a mulher mudou o discurso. Daqui a pouquinho tem a reportagem completa sobre esse ato covarde que você acabou de ver. Tem mais imagens mas daqui a pouquinho eu mostro ta. SD76 O flagrante do vereador e do filho dele. Mostra aí. Repare bem. O vereador é esse que ta no circulo claro e o filho dele atrás. Olha o que eles vão fazer com o porteiro do prédio onde eles comemoravam a festinha de aniversario de um ano da netinha do vereador. Consequentemente filha do desgraçado do magrão que espancou o porteiro. Olha aí a família toda espancando o coitado do trabalhador. Sabe por que que o porteiro ta sendo espancado? Porque ele foi pedir pra baixar o volume do som da festa. A festa já tinha ultrapassado às 10 da noite. Você sabe. Morar em condomínio não é fácil. Morar no condomínio é sofrer no paraíso. Se você der um pum vão lá e reclamam. Imagine só. A síndica também aparece. Tirando o porteiro, a única, a única que não bateu no porteiro foi a sindica. O resto da família, família de covardes, desgraçados. Olha í ó, o porteiro já tinha ido lá pediu pra eles abaixarem. Aí chegou o vereador e o filho. O filho é o mais alto, o vereador é o baixotinho. E os dois começam a bater nele. Aquele outro pessoal que ta lá na frente também vai bater no porteiro e na sindica. Olha a sindica lá com o cabelo chacoalhando lá, a loira. Parece a irmã da (inaudível) olha lá. Meu Deus do céu, mas que ignorância. Você já deve ter visto barraco assim. Mas como pessoal fala que barraco só tem entre pobre. Não entre rico também tem barraco. Só que dificilmente a gente consegue imagens. Hoje tem. Hoje saiu o flagrante da covardia. Repito, o porteiro de um prédio residencial subiu até o apartamento de um vereador. Vereador gente boa pra danar. E pediu: vereador, dá pra baixar o som da festa aí? Aquele que ta atrás do vereador é o filho, o que dá o primeiro tapa. E aí depois do primeiro tapa, a sessão de espancamento. Será que esse vereador vai continuar no cargo? Daqui a pouco eu vou dar o nome do vereador. Daqui a pouquinho. Olha aí a mulher batendo na sindica. Mas que algazarra, que barraco, que furdunço daqueles. Daqui a pouquinho eu dou mais imagens a respeito dessa baixaria promovida por um vereador, um representante do povo e um filhote dele. Desgraçado, covarde, chinelão. SD95 Cadê aquele outro flagrante do vereador desgraçado e do filho dele? O vereador é esse, o baixinho que ta falando e o filho dele atrás. Quer ver o que o filho vai fazer? Repare aí. O filho tascou a mão na orelha do porteiro do prédio. O vereador mora no prédio. É um prédio residencial. É obvio. E o vereador comemorava o aniversario de um ano da netinha. Consequentemente filha do covardão aí, do magrão. Só que o porteiro atendendo a uma determinação da síndica que também leva umas bofetada. A síndica é uma loira que ta sentada na frente do porteiro. Coitado do porteiro aqui no canto do vídeo. Isso é o moreninho aqui, é o negão, é isso. O porteiro foi lá e falou: vereador, querido vereador, já passou das 10 da noite, vamos baixar o som da festa. Olha o que aconteceu. Depois fala que só pobre faz barraco. Depois fala que baixaria é só com pobre. Sobe o som aí. Ai meus Deus do céu, que coisa einh? Quanta ignorância! Ele meteu a mão, ele meteu a mão no escutador de vanerão do porteiro. E não foi só ele não. O vereador bateu no porteiro, o filho. Outros parentes também


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bateram na síndica. Olha a síndica, a irmã gêmea da Vânia Lains aí também. A loira lá levando um chacoalhão. E aí o vereador dando bofetada, o filho dando bofetada. Prédio rico. Vou repetir. Prédio chique, palco de baixaria, barraco. Não é só em vila que acontece não. Tem muita gente granfina que de vez em quando sai do salto. Desce do salto e ó: eu vou te matar! Daqui a pouquinho eu mostro mais imagens ta.

Nas sequências discursivas a seguir verificamos que o apresentador do Balanço Geral descreve os criminosos como uma quadrilha de torturadores, um bando de vagabundos, capazes de ter causado a morte do homem torturado.

SD68 O que você vê aí é um flagrante de tortura. As imagens mostram bandidos ameaçando cortar a orelha de um homem. Não, não é mentira não. Não é encenação. É a vida real. A violência que vem crescendo apesar do esforço das polícias. Essa gravação foi feita com um celular que foi encontrado com um homem preso por porte ilegal de arma. O suspeito estava no bairro Rio Branco em Canoas, onde segundo a polícia é base de assaltante de banco de toda a região da grande Porto Alegre. Repare aí, eu quero de novo o momento em que começa a gravação. Esse é o suspeito foi detido pela polícia. Suspeito não, tava armado, porte ilegal. Foi autuado. Já ta em cana. Sobe o som aí que eu quero ouvir. E o desgraçado teve a petulância de gravar a sessão de tortura einh. SD69 É o fim da picada. Começar o Balanço desta terça feira mostrando essa desgraça é duro. Repare bem, esse é o homem que seria o personagem da tortura. A vítima desses monstros que chegam ao ponto de gravar. Como é que pode? Eles pegam o facão, encostam o facão na orelha, numa das orelhas da vítima. E aí começa a tortura psicológica e física. E aí a imagem do desgraçado que foi pego e com ele o celular onde tavam as imagens. Pode voltar pra você ta chegando agora em casa, pra você que acompanha todos os dias, pra variar a gente começa com uma situação inusitada. A polícia prendeu um homem com esta arma. Você vê o pente aí de uma pistola automática, e ele também estava com o celular, e dentro do celular as imagens gravadas. Você vê aí. SD70 A polícia investiga onde estaria esse rapaz. Será que ele estaria morto? Será que ele sobreviveu a tortura? Será que ele teve as orelhas cortadas? Isso é muito grave meu Deus do céu. Você percebe a situação? A que ponto chegou o desgraçado que foi pego com essa arma que ta aí, tava com uma pistola carregada até a tampa. Ta aí o dinheiro. O celular dele também foi apreendido. E quando a polícia mexeu no celular, encontrou a gravação de uma sessão de tortura. Os bandidos com um facão encostado na orelha da vítima. E aí acompanhe o que eles falam. Pelo jeito eles tão forçando a pessoa a confessar alguma coisa. A dar algum tipo de informação. Daqui a pouquinho eu falo mais do assunto aqui no Balanço Geral, e tem mais imagens. A gente reservou mais imagens, mas daqui a pouquinho eu mostro todas elas. SD88 Esse é o homem que foi pego. A arma e o celular estavam com ele. Fala meu, fala. Desgraçados, tiveram a petulância de gravar a sessão de tortura. A polícia agora investiga pra saber se esse homem foi morto. Aonde estaria esse homem que aparece aí sob a mira de um facão? Eles encostaram o facão na orelha do homem e aí tem uma voz. Masculina ou feminina a voz? Dá pra identificar umas duas ou três vozes. E tem uma mulher aí no meio, não tem? Que fala: fala, fala, vagabunda! Desgraçada! É um grupo de pessoas. São


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torturadores, que pegaram esse coitado aí. Eu não sei se ele ta vivo, se ele ta morto. A polícia ta atrás pra identificar se esse homem foi vítima de um seqüestro relâmpago, se ele participou de algum crime e teria rachado com a quadrilha. Só sei que o celular. Esse homem aí, ó. E a arma que ele estava. Ta vendo a arma aí no capô da viatura? A arma, uma pistola automática, carregada até a tampa de bala. E você acompanha até onde chega a maldade do ser humano. Gravaram a sessão de tortura.

A SD59 narra a situação na qual a esposa – a criminosa – deixou o marido – a vítima – que é caracterizado como um coitado, um sofredor, após tentativa de assassinato.

SD59 E daqui a pouco a gente vai mostrar que a polícia conclui o inquérito do caso daquela mulher que mandou matar o ex-marido e a agressão foi tanta. Olha como ele ta hoje. Vegetando, que coisa bárbara. Meu Deus do céu. O homem ficou sem andar e respira com dificuldade. Já, já eu vou mostrar essa barbaridade que aconteceu e a polícia deve botar em cana a ex-mulher desse cidadão aí. Tem que botar na cadeia a vagabunda que fez um negócio desse.

Na sequência discursiva 12, as vítimas, no caso alguns taxistas, são descritas como pessoas de bem, que trabalham arduamente e que ficam a mercê da ação dos criminosos. Contudo o apresentador destaca que nem todos os taxistas têm boa índole.

SD12 Deixar uma coisa clara: a grande maioria dos taxistas, a grande maioria é gente boa. É formada por pais e mães de família que suam a camisa pra levar uma, um dinheirinho pequenininho pra casa. A grande maioria é aquela que convive com o risco de ser assaltada, de levar uma facada na cabeça, de ficar na mira de um revólver, de uma pistola. Só que infelizmente toda categoria profissional tem a parte boa e a parte que não presta. E esse daí a gente não pode chamar de taxista. Esse sem vergonha aí resolveu reforçar o caixa da família a serviço do tráfico de drogas. É um idiota que agora vai pagar. Vai ficar uma temporada em cana e sem ganhar o dinheiro limpo que é o dinheiro dos taxistas. Infelizmente e não é só em Gravataí que existe não. Eu sei que aqui em Porto Alegre têm dois ou três, freqüentando vilas, como a Vila Cruzeiro, Cachorro Sentado e Maria da Conceição. Ta na hora também da polícia pegar e limpar, até pra que não confundam as coisas. Vou repetir, a maioria dos taxistas é formada por gente boa, por gente boa que quer ganhar dinheiro de forma honesta, não por causa desse desgraçado que acaba manchando a categoria do pessoal. Quero mandar um abraço aos verdadeiros taxistas de Gravataí e também de Cachoeirinha.

As sequências discursivas apresentadas a seguir retratam a indignação do apresentador com o ato de abuso sexual de um menino de cinco anos cometido por uma mulher adulta. Mota caracteriza a mulher como uma vagabunda, uma criminosa, que tem plena consciência da barbaridade que está cometendo contra uma criança inocente.


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SD175 Olha, tem muita gente ligando pra cá irada, indignada, revoltada. Tudo de ada que você possa imaginar. Me dá um trechinho pequenininho daquele vídeo onde aparece uma mulher deitada pelada fazendo sexo com uma criança de cinco anos. Aí, ó. Meu Deus do céu. Eu pedi pra congelar porque esse vídeo se você vê a movimentação você vai ver que a criança ta sentada na mulher. Quer dizer sentada não. Ela ta encaixada na vagabunda. Eu não queria falar isso mas essa pilantra. Não é essa aí que ta falando não. Mostra de novo a vagabunda. A vagabunda ta aí ó. Deitada, manipulando uma criança de cinco anos. Essas imagens estão circulando pelos celulares de alunos de uma escola pública. E essa imagem também ta na internet ta. A mãe do estudante levou o caso até o conselho tutelar. Essa é a mãe. É a mãe desse estudante que levou o caso pro conselho tutelar. Pra você que ta chegando agora em casa. Senta pra não cair de costas e cuidado, toma um comprimidinho pra pressão não subir. Uma mulher adulta aparece no vídeo fazendo sexo com uma criança de cinco anos. O bebê, porque é um bebê né. Ela ta encaixado. Ta vendo na vertical? Essa sombra que você ta vendo aí? Que tem uma fumaça pra não aparecer o menino. O menino, ele esta encaixado na vagabunda que ta deitada. Essa pilantra ordinária. Eu já falei isso e repito. Eu tenho um filho de seis anos, o Tavinho, e outro de oito que amo de paixão também que é o Guilherme. Se essa vagabunda faz metade do que fez com esse menino de cinco anos eu cortava essa. Eu ia preso. Eu assinava lá. Fiz, fiz e não tenho vergonha de confessar. Mas eu matava essa vagabunda. Mas eu matava. Matava essa vagabunda. Eu sou contra a pena de morte. Sou. Sou contra. Porque se tivesse a pena de morte você já sabe né. Só os três pes, preto, pobre e prostituta que ia parar na cadeia, iam parar na injeção, na mesa ou na cadeira elétrica, não importa. Mas isso daí não merece viver. Repare bem. É uma mulher adulta. Deve ter uns trinta e lá vai pedrada. Encaixada numa criança de cinco anos. Daqui a pouco vai ter sapato. Eu sei que eu não posso mais quebrar nada aqui que já me descontaram um calhamaço do salário. Mas daqui a pouquinho você vai ver o rolo. Você vai ver a jiripoca piar aqui. SD215 Agora você vai voltar a se indignar. Pra você que ta chegando agora em casa chama (inaudível). Vai corneteiro. Sai. Toca a corneta aí corneteiro, vai. Isso. Reúne o povo mais perto da tela da Record. Eu ainda não vou mostrar a reportagem. Eu vou dar mais um trechinho daquele vídeo que mostra uma vagabunda adulta fazendo sexo com uma criança de cinco anos. Balança as imagens aí. Acredite se quiser. A mulher, a vagabunda é essa que ta deitada. Infelizmente a gente teve que cobrir o rosto. O guri de cinco anos ta encaixado nela você sabe como. Eu não sei o que fazer. Eu já falei o que eu faria. Mas se você por acaso pegar uma vagabunda como essa chame a polícia. Não vai sujar as mãos não que não vale a pena. Essas imagens que você ta vendo agora. Hoje eu vou jogar o sapato, hoje. Ah, mas vai ser difícil einh. Essas imagens estão circulando pelos celulares de alunos de uma escola pública. A mãe é essa daí que ta na sombra aí. Ela é a mãe de um estudante que levou o caso ate o conselho tutelar. Já, já eu falo mais desse assunto. É ou não é de revoltar? Uma mulher adulta né, fazendo sexo com uma criança. A criança nem sabe o que ta acontecendo. É uma vagabunda desgraçada. SD242 Bota o vídeo de novo aí. Pode até me dar bronca ta, o médico falou. Quando começar a dar tontura tira o negócio que é a carótida que ta apertando. Então tirei. Bem, veja aí as imagens. Uma mulher adulta que deveria saber o que faz né. Essa vagabunda deveria saber o que faz. Ela aparece num vídeo. Um vídeo que foi encontrado em celulares de crianças estudantes de escola pública. Ah Mota, foi lá em Goiânia. Mas poderia ter sido aqui. Se ta na internet daqui a pouco chega. Agora, como é que não há uma fiscalização pra evitar que uma porqueira dessa. Que uma imundície de vídeo como esse fique na internet.


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Não tem um controle na internet? Não existe uma delegacia, uma instituição, um departamento federal pra evitar que um vídeo, um vídeo vagabundo que mostra uma vagabunda fazendo sexo com um, porque é um bebê gente. Cinco anos não sabe nada da vida. Nada. Cinco anos não sabe nada. Cinco anos não sabe nada da vida. Essa desgraçada, vagabunda, chinela. Fazendo sexo com um bebê. Porque é bebê, cinco aninhos. Ô vontade de dar uma paulada na mulher viu. Mas de dar. Ah Mota, você ta instigando a violência. Não to instigando não. Não to instigando. Quando a justiça não é feita por um jeito tem que ser feita por outro. Desgraçada. E vai chegar, pode ter muito cuidado. Que sirva de alerta pra você que tem filho aí menor, da uma bisoiada no celular dele pra ver. O que tem de porcaria circulando na internet. Tem muito guri que leva esses vídeos pra escola. E você sabe né, na hora do intervalo. É, outras cocitas acontecem. O pai tem que ser presente, a mãe também. Fiscalize teu filho. Seja chato com ele.

As sequências discursivas apresentadas a seguir apresentam um crime passional, situação em que um homem tenta matar a ex-namorada com 17 facadas e deixa um recado com o sangue da vítima na parede da sala de aula onde esta lecionava. A professora – a vítima – é descrita como uma pessoa de boa índole, que pode ter seus sonhos destruídos pelo criminoso.

SD13 Já, já você vai ver aquela barbaridade que foi cometida por aquele besta, esse otário aí ó. Paulista. É meu conterrâneo, desgraçado. Saiu lá de São Paulo nesse fim de semana veio até Porto Alegre e tentou matar a exnamorada com golpes de faca. Sabe onde aconteceu isso? Não? Ele acertou 17 facadas nessa moça que é professora e que por muita sorte sobreviveu. Ela ta internada no HPS. Daqui a pouquinho tem novidades sobre o caso. Ele invadiu a escola. Olha as fotografias das marcas de sangue. Inclusive ele usou o sangue dela pra escrever, fazer esse recado aí na parede. Congela aí pra mim. Nunca vou te perdoar é o que ta escrito. Quem não vai te perdoar é a justiça, desgraçado. Quem não vai te perdoar é a sociedade gaúcha, que abraça quem vem de São Paulo, quem vem de Santa Catarina, quem vem do Paraná, mas com fim de trabalhar, de atuar e fazer esse estado crescer ainda mais. Agora sair de lá pra cometer crime bárbaro é o fim da picada. Daqui a pouquinho tem a... Bota a cara desse desgraçado de novo aí. Mostra a cara desse imundo, dessa imundície, desse lixo. Ah, Mota, você ta falando tanta palavra pesada. É porque eu to com excesso de peso. Ele ta cabisbaixo agora. Mas ele invadiu com a faca na mão a sala de aula onde a ex-namorada dele. Por isso que eu falo, tome cuidado com quem você vai se relacionar, principalmente essas relações virtuais, através de site de relacionamento, através do MSN. Ah é legal essa coisa de tecnologia, é legal. Mas tem que tomar cuidado, você sabe quem é que ta do outro lado, lá no outro computador teclando com você? Você tem certeza? Ah, mas eu to vendo a imagem dele. Tem câmera, o meu MSN, meu Orkut, meu facebook, meu twiter. Não importa. Você sabe o comportamento, a personalidade dessa pessoa que você ta vendo por uma camerazinha desse tamanhozinho assim? Não dá, e olha o que aconteceu com a professora. Olha a fotografia dela aí. Daqui a pouquinho tem reportagens completas sobre esse assunto aí. SD23 Para tudo! Vai corneteiro. Toca essa desgranha, vamos chamar o povo, todo mundo perto. Aumenta o volume aí garçom. Vamos ver agora a barbaridade cometida por um estudante de engenharia. Não é nenhum, é, ignorante. Não


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teve acesso a escola, é um desprovido de educação. Não. Estudante de engenharia que saiu lá de São Paulo fim de semana, e veio aqui pra Porto Alegre onde tentou matar a ex-namorada com golpes de faca no centro aqui da capital. Ele acertou 17 facadas na professora que por muita sorte, mas sorte e também podemos falar algo superior sobreviveu. Quer ver a história? Balança. SD25 Se bem que mesmo conhecendo, seguindo aí o conselho do especialista em segurança, mesmo conhecendo em locais públicos, um bocoió, um Zé Roela, um imbecil como esse que você ta vendo aí. Tenho até vergonha de falar que é meu conterrâneo, desgraçado. Porque quem vem de fora pra esse estado tem que amar muito o RS, como eu. Eu amo demais essa terra e tem que vir pra cá com a finalidade de crescer junto com esse estado. Não de fazer uma desgraça como ele quase fez. A Sabrina, a professora, ela está viva por milagre, por sorte, por aquilo que você acredita. Não vou colocar religião no meio. Mas olha aí a parede. Fixa, congela aí pra mim Luisinho. Olha o que ele, ó foi um momento de fúria. Ele teve tempo de escrever na parede da sala de aula onde ela tava lecionando. Usou o sangue da vítima, da garota que ele jurava amar. Isso aí que você ta vendo não é tinta vermelha não, não é catchup não. Isso daí é sangue de um ser humano. É sangue de uma jovem que a exemplo de tantas outras sonha sim, porque não, encontrar um príncipe encantado. Mas tome muito cuidado, principalmente você guria, você que: ai eu conheci um gatinho pela internet, por aquele site a,b,c,d,e,f,g,h. daquele site e relacionamento. Não, eu vou marcar com ele um encontro num local bastante movimentado, eu vou marcar, no caso aqui de Porto Alegre, no Parque Farroupilha, lá no Brique da Redenção. Só que o seguinte, o cara pode se comportar de um jeito no meio da multidão, e aí entre quatro paredes se transformar num bicho que é o caso desse desgraçado que você ta vendo aí. Então a melhor coisa: vá com calma. O tempo é nosso amigo nessa hora. Você tem que conhecer bem a pessoa, conhecer os parentes, os amigos dessa pessoa, pra saber qual é o comportamento deles. Se ele não veio de uma outra relação violenta. Nada de querer, mas eu não vejo a hora de dar um beijo, de dar uma funhanhada, de entregar eu coração. Isso também acontece, tem muitos guris que acabam entrando em cada uma. Principalmente nessas relações virtuais, com gurias que moram fora do Brasil. Atenção, eu quero inclusive fazer uma reportagem sobre isso, atenção produção. Atenção Marcelo, atenção Luisma, atenção Rosa, Mateus, Lise. Fazer uma reportagem sobre os guris, porque tem o outro lado. O que tem de guri brasileiro que ta entrando em golpe na internet, porque recebe aquele. Recebe uma mensagenzinha de uma menina que mora na Rússia, que mora na Nova Zelândia, que mora na Conchinchina. E aí essa pessoa que ta lá do outro lado não é nem mulher, é um farsante, um racker. Ele vai pegando informações, vai pegando, vai pegando, daqui a pouco ele rapela, ele entra, coloca um vírus no computador da vítima e rapela tudo. Agora, voltando a esse caso, desse bocoió, ele agora vai aprender, vai ter tempo suficiente de botar a cabeça no lugar, porque ó, cana no desgraçado, cana.

Nas SDs 126 e 129 podemos perceber que Alexandre Mota não se utiliza do maniqueísmo somente para se dirigir a criminosos, bandidos que cometem violência física contra as vítimas, mas também a um dono de postos de combustível que cobra seus prejuízos dos funcionários.


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SD126 Você lembra daquela história daquele posto que foi assaltado e o dono não quis registrar ocorrência? E o pior de tudo lembra? As imagens tão aí pra você ver. Os assaltantes chegaram, botaram pânico e terror em todos os funcionários do posto, loja de conveniência, dos clientes. O pior de tudo é que o dono, além de não querer registrar ocorrência ainda cobrou o dinheiro roubado das vítimas e dos próprios funcionários. Já, já você vai ver que não foi só naquele posto que ele descontou dinheiro dos empregados não. O tal Fabrício ta acostumado a fazer isso em outros estabelecimentos que ele é dono. Ele faz isso em todos. Cadê o ministério do trabalho? Atenção delegacia regional do trabalho! Tem que dar uma fiscalizada aí e tem que autuar em flagrante. Se um empresário ta fazendo isso ele ta indo contra a lei. Então daqui a pouquinho tem mais novidades sobre o tal dono de postos que cobra quando o dinheiro é roubado, ou seja, ele não si no preju nunca. Quem se lasca é o funcionário ou até mesmo o cliente. SD129 Ok. Delegacia Regional do Trabalho não dá pra fazer uma batida no posto, não? Ou melhor, nos postos de propriedade do tal senhor Fabrício? Atenção granfinagem, atenção classe empresarial aqui da região metropolitana, tem um tal de Fabrício que pode ser bom da boca lá pras negas dele, pras branquelas, pras amarelas, pras. Pra mim não é, pra mim não é. Para de me mandar calar a boca. Se vocês tem medo de processo e não tenho. O tal Fabrício ele pode ser o bom da boca já falei pra quem. Agora o que ele ta fazendo é crime. Ele ta cometendo crime de assédio moral. Ele ta extorquindo. Porque a partir do momento em que ele obriga os funcionários a ressarcir o dinheiro que foi roubado, ele estimula, incentiva os funcionários a reagir a assaltos. E ele coloca em risco a vida desses funcionários. O nome da peça, eu queria o sobrenome, mas não me deram. Eu não sei o que ta acontecendo. Tem alguém que ta borrando as cuecas ou as calcinha, que eu não sei quem que é. Mas eu quero fazer um pedido. O nome, ou melhor, o pré-nome do tal empresário. Empresário, vem conversar comigo aqui, frente a frente. Você não é o bom da boca? Você não é o poderoso? Não gosta de tomar dinheiro de gente pobre, dos coitados dos seus empregados? Vem conversar comigo aqui. Vou te ensinar a ser homem de verdade, vem, vem. Vem. Eu vou te pegar pela orelha e te ensinar a ser homem se teu pai e tua mãe não fizeram, eu faço, porque você é um baita dum covarde. É um ganancioso que só pensa em dinheiro. Se um dia morre, tomara que demore muito tempo. Vai levar o dinheiro onde? Vai enfiar o dinheiro onde? Então você ta cometendo crime. Você ta incentivando os funcionários a reagirem a assaltos. E eu vou falar uma coisa: se algum funcionário do, não vou chamar de senhor porque ele não merece. Não merece o meu respeito. Se algum funcionário dos postos que você é dono reagir a um assalto e morrer o culpado é você. Eu ia falar o senhor. A culpa vai ser tua, porque você incentiva. Sabe quanto ganha um frentista que trabalha num posto de propriedade da tal figura, do tal Fabrício? Sabe quanto ganha? 500 pila. O cara ganha 500 pila por mês, é mágico. Sobreviver com 500 pila por mês tem que ser mágico, tem que se desdobrar, tem que se virar parecendo um polvo, assim. Aí esse mesmo frentista que ganha 500 pila por mês teve 100 descontado por causa daquele roubo que nós vimos na semana passada. Vê se não da vontade de dar uma chapuletada na orelha desse tal de Fabrício? E não adianta falar: mas Mota ele não ta assistindo porque só o pessoal da classe C e D. Não. Tem muito granfino. Ele tem vergonha de falar que assiste o Balanço porque acha o programa muito popular. E é popular mesmo. É popular porque efeito pro povo. O povo aqui tem vez e tem voz. Tem muita gente que fica assim, quem assiste é minha secretária do lar. Aí comenta as noticias. Não precisa ter vergonha não, pode se juntar. Porque quanto mais, ‘virgula’ melhor.


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4.1.1 Considerações sobre “maniqueísmo: o bem X o mal”

É possível afirmarmos que o apresentador é completamente parcial ao comentar as noticias que envolvem criminalidade. Podemos perceber claramente, ao analisarmos o discurso do apresentador de forma detalhada, a opinião de Alexandre Mota em relação à caracterização dos criminosos e das vítimas nas reportagens exibidas no BG. No discurso de Mota, não há uma complexificação na discussão sobre criminosos e vítimas. Eles têm uma caracterização redutora: são divididos entre os completamente maus e os completamente bons. Na análise do corpus desse estudo é pertinente destacar apenas um caso onde as vítimas não são caracterizadas como sendo completamente boas. Na SD 12 o apresentador destaca que também existem taxistas “sem vergonha” e que “mancham a categoria”. Os criminosos sempre têm suas imagens associadas a pessoas vagabundas (SD5), más (SD88), covardes (SD95), monstruosas (SD69) e torturadoras (SD88). Enquanto que as vítimas são descritas como pessoas trabalhadoras (SD76), sonhadoras (SD25), coitadas (SD95) e que lutam pelos seus direitos (SD26). Assim, podemos afirmar que Alexandre Mota normalmente constrói a imagem dos criminosos envolvidos nas reportagens exibidas no Balanço Geral como pessoas totalmente más e as vítimas como pessoas totalmente boas.

4.2 ESPETACULARIZAÇÃO E SENSACIONALISMO

Os telejornais sensacionalistas, como já dissemos anteriormente, caracterizam-se principalmente por causar comoção em seus telespectadores e pela euforia empregada pelos apresentadores na exibição das notícias e nos comentários. A utilização de imagens fortes, chocantes e repetitivas, juntamente com a veiculação de assuntos bizarros e atípicos para entreter os telespectadores e elevar os níveis de audiência, também fazem parte do universo espetacular e sensacional. Nas

sequências

discursivas

que

seguem,

podemos

identificar

marcas

do

sensacionalismo e da espetacularização através da riqueza de detalhes empregada pelo


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apresentador para descrever o ato dos criminosos em relação às vítimas. Alexandre Mota descreve minuciosamente o que acontece aos envolvidos nas reportagens.

SD25 Se bem que mesmo conhecendo, seguindo aí o conselho do especialista em segurança, mesmo conhecendo em locais públicos, um bocoió, um Zé Roela, um imbecil como esse que você ta vendo aí. Tenho até vergonha de falar que é meu conterrâneo, desgraçado. Porque quem vem de fora pra esse estado tem que amar muito o RS, como eu. Eu amo demais essa terra e tem que vir pra cá com a finalidade de crescer junto com esse estado. Não de fazer uma desgraça como ele quase fez. A Sabrina, a professora, ela está viva por milagre, por sorte, por aquilo que você acredita. Não vou colocar religião no meio. Mas olha aí a parede. Fixa, congela aí pra mim Luisinho. Olha o que ele, ó foi um momento de fúria. Ele teve tempo de escrever na parede da sala de aula onde ela tava lecionando. Usou o sangue da vítima, da garota que ele jurava amar. Isso aí que você ta vendo não é tinta vermelha não, não é catchup não. Isso daí é sangue de um ser humano. É sangue de uma jovem que a exemplo de tantas outras sonha sim, porque não, encontrar um príncipe encantado. Mas tome muito cuidado, principalmente você guria, você que: ai eu conheci um gatinho pela internet, por aquele site a,b,c,d,e,f,g,h. daquele site e relacionamento. Não, eu vou marcar com ele um encontro num local bastante movimentado, eu vou marcar, no caso aqui de Porto Alegre, no Parque Farroupilha, lá no Brique da Redenção. Só que o seguinte, o cara pode se comportar de um jeito no meio da multidão, e aí entre quatro paredes se transformar num bicho que é o caso desse desgraçado que você ta vendo aí. Então a melhor coisa: vá com calma. O tempo é nosso amigo nessa hora. Você tem que conhecer bem a pessoa, conhecer os parentes, os amigos dessa pessoa, pra saber qual é o comportamento deles. Se ele não veio de uma outra relação violenta. Nada de querer, mas eu não vejo a hora de dar um beijo, de dar uma funhanhada, de entregar meu coração. Isso também acontece, tem muitos guris que acabam entrando em cada uma. Principalmente nessas relações virtuais, com gurias que moram fora do Brasil. Atenção, eu quero inclusive fazer uma reportagem sobre isso, atenção produção. Atenção Marcelo, atenção Luisma, atenção Rosa, Mateus, Lise. Fazer uma reportagem sobre os guris, porque tem o outro lado. O que tem de guri brasileiro que ta entrando em golpe na internet, porque recebe aquele. Recebe uma mensagenzinha de uma menina que mora na Rússia, que mora na Nova Zelândia, que mora na Conchinchina. E aí essa pessoa que ta lá do outro lado não é nem mulher, é um farsante, um racker. Ele vai pegando informações, vai pegando, vai pegando, daqui a pouco ele rapela, ele entra, coloca um vírus no computador da vítima e rapela tudo. Agora, voltando a esse caso, desse bocoió, ele agora vai aprender, vai ter tempo suficiente de botar a cabeça no lugar, porque ó, cana no desgraçado, cana. SD69 É o fim da picada. Começar o Balanço desta terça feira mostrando essa desgraça é duro. Repare bem, esse é o homem que seria o personagem da tortura. A vítima desses monstros que chegam ao ponto de gravar. Como é que pode? Eles pegam o facão, encostam o facão na orelha, numa das orelhas da vítima. E aí começa a tortura psicológica e física. E aí a imagem do desgraçado que foi pego e com ele o celular onde tavam as imagens. Pode voltar pra você que ta chegando agora em casa, pra você que acompanha todos os dias, pra variar a gente começa com uma situação inusitada. A polícia prendeu um homem com esta arma. Você vê o pente aí de uma pistola automática, e ele também estava com o celular, e dentro do celular as imagens gravadas. Você vê aí.


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SD70 A polícia investiga onde estaria esse rapaz. Será que ele estaria morto? Será que ele sobreviveu a tortura? Será que ele teve as orelhas cortadas? Isso é muito grave meu Deus do céu. Você percebe a situação? A que ponto chegou o desgraçado que foi pego com essa arma que ta aí. Tava com uma pistola carregada até a tampa. Ta aí o dinheiro. O celular dele também foi apreendido. E quando a polícia mexeu no celular, encontrou a gravação de uma sessão de tortura. Os bandidos com um facão encostado na orelha da vítima. E aí acompanhe o que eles falam. Pelo jeito eles tão forçando a pessoa a confessar alguma coisa. A dar algum tipo de informação. Daqui a pouquinho eu falo mais do assunto aqui no Balanço Geral, e tem mais imagens. A gente reservou mais imagens, mas daqui a pouquinho eu mostro todas elas. SD76 O flagrante do vereador e do filho dele. Mostra aí. Repare bem. O vereador é esse que ta no circulo claro e o filho dele atrás. Olha o que eles vão fazer com o porteiro do prédio onde eles comemoravam a festinha de aniversário de um ano da netinha do vereador. Consequentemente filha do desgraçado do magrão que espancou o porteiro. Olha aí a família toda espancando o coitado do trabalhador. Sabe por que que o porteiro ta sendo espancado? Porque ele foi pedir pra baixar o volume do som da festa. A festa já tinha ultrapassado às 10 da noite. Você sabe. Morar em condomínio não é fácil. Morar no condomínio é sofrer no paraíso. Se você der um pum vão lá e reclamam. Imagine só. A síndica também aparece. Tirando o porteiro, a única, a única que não bateu no porteiro foi a sindica. O resto da família, família de covardes, desgraçados. Olha aí ó, o porteiro já tinha ido lá pediu pra eles abaixarem. Aí chegou o vereador e o filho. O filho é o mais alto, o vereador é o baixotinho. E os dois começam a bater nele. Aquele outro pessoal que ta lá na frente também vai bater no porteiro e na sindica. Olha a sindica lá com o cabelo chacoalhando lá, a loira. Parece a irmã da (inaudível) olha lá. Meu Deus do céu, mas que ignorância. Você já deve ter visto barraco assim. Mas como pessoal fala que barraco só tem entre pobre. Não, entre rico também tem barraco. Só que dificilmente a gente consegue imagens. Hoje tem. Hoje saiu o flagrante da covardia. Repito, o porteiro de um prédio residencial subiu até o apartamento de um vereador. Vereador gente boa pra danar. E pediu: vereador, dá pra baixar o som da festa aí? Aquele que ta atrás do vereador é o filho, o que dá o primeiro tapa. E aí depois do primeiro tapa, a sessão de espancamento. Será que esse vereador vai continuar no cargo? Daqui a pouco eu vou dar o nome do vereador. Daqui a pouquinho. Olha aí a mulher batendo na sindica. Mas que algazarra, que barraco, que furdunço daqueles. Daqui a pouquinho eu dou mais imagens a respeito dessa baixaria promovida por um vereador, um representante do povo e um filhote dele. Desgraçado, covarde, chinelão. SD95 Cadê aquele outro flagrante do vereador desgraçado e do filho dele? O vereador é esse, o baixinho que ta falando e o filho dele atrás. Quer ver o que o filho vai fazer? Repare aí. O filho tascou a mão na orelha do porteiro do prédio. O vereador mora no prédio. É um prédio residencial. É obvio. E o vereador comemorava o aniversario de um ano da netinha. Consequentemente filha do covardão aí, do magrão. Só que o porteiro atendendo a uma determinação da síndica que também leva umas bofetada. A síndica é uma loira que ta sentada na frente do porteiro. Coitado do porteiro aqui no canto do vídeo. Isso. É o moreninho aqui, é o negão, é isso. O porteiro foi lá e falou: vereador, querido vereador, já passou das 10 da noite, vamos baixar o som da festa. Olha o que aconteceu. Depois fala que só pobre faz barraco. Depois fala que baixaria é só com pobre. Sobe o som aí. Ai meus Deus do céu, que coisa einh? Quanta ignorância! Ele meteu a mão, ele meteu a mão no escutador de vanerão do porteiro. E não foi só ele não. O vereador bateu no porteiro, o filho. Outros parentes também


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bateram na síndica. Olha a síndica, a irmã gêmea da Vânia Lains aí também. A loira lá levando um chacoalhão. E aí o vereador dando bofetada, o filho dando bofetada. Prédio rico. Vou repetir. Prédio chique, palco de baixaria, barraco. Não é só em vila que acontece não. Tem muita gente granfina que de vez em quando sai do salto. Desce do salto e ó: eu vou te matar! Daqui a pouquinho eu mostro mais imagens ta.

Outra característica marcante da espetacularização e do sensacional é a repetição de assuntos e expressões. Podemos perceber claramente que Mota faz uso do recurso da repetição nas sequências discursivas que seguem. SD13 Já, já você vai ver aquela barbaridade que foi cometida por aquele besta, esse otário aí ó. Paulista. É meu conterrâneo, desgraçado. Saiu lá de São Paulo nesse fim de semana veio até Porto Alegre e tentou matar a ex-namorada com golpes de faca. Sabe onde aconteceu isso? Não? Ele acertou 17 facadas nessa moça que é professora e que por muita sorte sobreviveu. Ela ta internada no HPS. Daqui a pouquinho tem novidades sobre o caso. Ele invadiu a escola. Olha as fotografias das marcas de sangue. Inclusive ele usou o sangue dela pra escrever, fazer esse recado aí na parede. Congela aí pra mim. Nunca vou te perdoar é o que ta escrito. Quem não vai te perdoar é a justiça, desgraçado. Quem não vai te perdoar é a sociedade gaúcha que abraça quem vem de São Paulo, quem vem de Santa Catarina, quem vem do Paraná, mas com fim de trabalhar, de atuar e fazer esse estado crescer ainda mais. Agora sair de lá pra cometer crime bárbaro é o fim da picada. Daqui a pouquinho tem a... Bota a cara desse desgraçado de novo aí. Mostra a cara desse imundo, dessa imundície, desse lixo. Ah, Mota, você ta falando tanta palavra pesada. É porque eu to com excesso de peso. Ele ta cabisbaixo agora. Mas ele invadiu com a faca na mão a sala de aula onde a ex-namorada dele. Por isso que eu falo, tome cuidado com quem você vai se relacionar, principalmente essas relações virtuais, através de site de relacionamento, através do MSN. Ah é legal essa coisa de tecnologia, é legal. Mas tem que tomar cuidado, você sabe quem é que ta do outro lado, lá no outro computador teclando com você? Você tem certeza? Ah, mas eu to vendo a imagem dele. Tem câmera, o meu MSN, meu Orkut, meu facebook, meu twiter. Não importa. Você sabe o comportamento, a personalidade dessa pessoa que você ta vendo por uma camerazinha desse tamanhozinho assim? Não dá, e olha o que aconteceu com a professora. Olha a fotografia dela aí. Daqui a pouquinho tem reportagens completas sobre esse assunto aí. SD25 Se bem que mesmo conhecendo, seguindo aí o conselho do especialista em segurança, mesmo conhecendo em locais públicos, um bocoió, um Zé Roela, um imbecil como esse que você ta vendo aí. Tenho até vergonha de falar que é meu conterrâneo, desgraçado. Porque quem vem de fora pra esse estado tem que amar muito o RS, como eu. Eu amo demais essa terra e tem que vir pra cá com a finalidade de crescer junto com esse estado. Não de fazer uma desgraça como ele quase fez. A Sabrina, a professora, ela está viva por milagre, por sorte, por aquilo que você acredita. Não vou colocar religião no meio. Mas olha aí a parede. Fixa, congela aí pra mim Luisinho. Olha o que ele, ó foi um momento de fúria. Ele teve tempo de escrever na parede da sala de aula onde ela tava lecionando. Usou o sangue da vítima, da garota que ele jurava amar. Isso aí que você ta vendo não é tinta vermelha não, não é catchup não. Isso daí é sangue de um ser humano. É sangue de uma jovem que


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a exemplo de tantas outras sonha sim, porque não, encontrar um príncipe encantado. Mas tome muito cuidado, principalmente você guria, você que: ai eu conheci um gatinho pela internet, por aquele site a,b,c,d,e,f,g,h. daquele site e relacionamento. Não, eu vou marcar com ele um encontro num local bastante movimentado, eu vou marcar, no caso aqui de Porto Alegre, no Parque Farroupilha, lá no Brique da Redenção. Só que o seguinte, o cara pode se comportar de um jeito no meio da multidão, e aí entre quatro paredes se transformar num bicho que é o caso desse desgraçado que você ta vendo aí. Então a melhor coisa: vá com calma. O tempo é nosso amigo nessa hora. Você tem que conhecer bem a pessoa, conhecer os parentes, os amigos dessa pessoa, pra saber qual é o comportamento deles. Se ele não veio de uma outra relação violenta. Nada de querer, mas eu não vejo a hora de dar um beijo, de dar uma funhanhada, de entregar meu coração. Isso também acontece, tem muitos guris que acabam entrando em cada uma. Principalmente nessas relações virtuais, com gurias que moram fora do Brasil. Atenção, eu quero inclusive fazer uma reportagem sobre isso, atenção produção. Atenção Marcelo, atenção Luisma, atenção Rosa, Mateus, Lise. Fazer uma reportagem sobre os guris, porque tem o outro lado. O que tem de guri brasileiro que ta entrando em golpe na internet, porque recebe aquele. Recebe uma mensagenzinha de uma menina que mora na Rússia, que mora na Nova Zelândia, que mora na Conchinchina. E aí essa pessoa que ta lá do outro lado não é nem mulher, é um farsante, um racker. Ele vai pegando informações, vai pegando, vai pegando, daqui a pouco ele rapela, ele entra, coloca um vírus no computador da vítima e rapela tudo. Agora, voltando a esse caso, desse bocoió, ele agora vai aprender, vai ter tempo suficiente de botar a cabeça no lugar, porque ó, cana no desgraçado, cana. SD76 O flagrante do vereador e do filho dele. Mostra aí. Repare bem. O vereador é esse que ta no circulo claro e o filho dele atrás. Olha o que eles vão fazer com o porteiro do prédio onde eles comemoravam a festinha de aniversário de um ano da netinha do vereador. Consequentemente filha do desgraçado do magrão que espancou o porteiro. Olha aí a família toda espancando o coitado do trabalhador. Sabe por que que o porteiro ta sendo espancado? Porque ele foi pedir pra baixar o volume do som da festa. A festa já tinha ultrapassado às 10 da noite. Você sabe. Morar em condomínio não é fácil. Morar no condomínio é sofrer no paraíso. Se você der um pum vão lá e reclamam. Imagine só. A síndica também aparece. Tirando o porteiro, a única, a única que não bateu no porteiro foi a sindica. O resto da família, família de covardes, desgraçados. Olha aí ó, o porteiro já tinha ido lá pediu pra eles abaixarem. Aí chegou o vereador e o filho. O filho é o mais alto, o vereador é o baixotinho. E os dois começam a bater nele. Aquele outro pessoal que ta lá na frente também vai bater no porteiro e na sindica. Olha a sindica lá com o cabelo chacoalhando lá, a loira. Parece a irmã da (inaudível) olha lá. Meu Deus do céu, mas que ignorância. Você já deve ter visto barraco assim. Mas como pessoal fala que barraco só tem entre pobre. Não entre rico também tem barraco. Só que dificilmente a gente consegue imagens. Hoje tem. Hoje saiu o flagrante da covardia. Repito, o porteiro de um prédio residencial subiu até o apartamento de um vereador. Vereador gente boa pra danar. E pediu: vereador, dá pra baixar o som da festa aí? Aquele que ta atrás do vereador é o filho, o que dá o primeiro tapa. E aí depois do primeiro tapa, a sessão de espancamento. Será que esse vereador vai continuar no cargo? Daqui a pouco eu vou dar o nome do vereador. Daqui a pouquinho. Olha aí a mulher batendo na sindica. Mas que algazarra, que barraco, que furdunço daqueles. Daqui a pouquinho eu dou mais imagens a respeito dessa baixaria promovida por um vereador, um representante do povo e um filhote dele. Desgraçado, covarde, chinelão.


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SD95 Cadê aquele outro flagrante do vereador desgraçado e do filho dele? O vereador é esse, o baixinho que ta falando e o filho dele atrás. Quer ver o que o filho vai fazer? Repare aí. O filho tascou a mão na orelha do porteiro do prédio. O vereador mora no prédio. É um prédio residencial. É obvio. E o vereador comemorava o aniversario de um ano da netinha. Consequentemente filha do covardão aí, do magrão. Só que o porteiro atendendo a uma determinação da síndica que também leva umas bofetada. A síndica é uma loira que ta sentada na frente do porteiro. Coitado do porteiro aqui no canto do vídeo. Isso. É o moreninho aqui, é o negão, é isso. O porteiro foi lá e falou: vereador, querido vereador, já passou das 10 da noite, vamos baixar o som da festa. Olha o que aconteceu. Depois fala que só pobre faz barraco. Depois fala que baixaria é só com pobre. Sobe o som aí. Ai meus Deus do céu, que coisa einh? Quanta ignorância! Ele meteu a mão, ele meteu a mão no escutador de vanerão do porteiro. E não foi só ele não. O vereador bateu no porteiro, o filho. Outros parentes também bateram na síndica. Olha a síndica, a irmã gêmea da Vânia Lains aí também. A loira lá levando um chacoalhão. E aí o vereador dando bofetada, o filho dando bofetada. Prédio rico. Vou repetir. Prédio chique, palco de baixaria, barraco. Não é só em vila que acontece não. Tem muita gente granfina que de vez em quando sai do salto. Desce do salto e ó: eu vou te matar! Daqui a pouquinho eu mostro mais imagens ta. SD119 A síndica é a loira, a que esta na frente do porteiro. Meu Deus a síndica e o porteiro no meio dos agressores. Cambada de bicho. Depois fala que pobre é que gosta de barraco. Ah eu não duvido não. É o que eu sempre falo aqui no Balanço. A mesma madeira que da na cabeça do pedreiro Chico, tem que dar também na testa do Dr. Francisco. Agora a gente vê muita confusão acontecendo em vilas, mas essa coisa de barraco e muvuca é típica de gente pobre. Não é não. Não é não. O que você ta vendo aí é gente granfina. Família do vereador. O que dá o primeiro tapa, o grandão covarde que ta atrás do pai, é o filho do vereador. Esse daí ó, o grandão. O vereador também dá na cara do porteiro. E dá na cara da síndica. E você sabe o que foi o pior disso tudo? Ô Kelen Caldas o vereador, ele não foi detido. O filho do vereador também não foi detido. Cadê as vaias? Pode vaiar, pode vaiar. Granfino metido a besta. E eu conheço alguns que tem até dinheiro. Mas ter dinheiro não significa ter educação. Quer ver como é que tudo começou? Quem vai dar o primeiro tapa? SD158 E agora eu vou. Agora eu vou embirutar de vez. Agora eu vou ter um chilique. Me dá um trechinho só do vídeo que mostra uma cena de sexo entre uma criança de 5 anos e uma vagabunda adulta. Me dá aí vai. Eu pedi pra congelar porque se a gente colocasse o movimento você ia ver o que que a mulher. A mulher ta deitada, a vagabunda, desgraçada. Ta com o relógio prateado. E aí a mãe da criança de 5 anos. Esse vídeo foi parar na internet. É, ta na internet. Tem muita gente acompanhando. Como é que pode uma criatura dessa ta viva? Vou repetir. O que você ta vendo, na parte vertical, essa mancha escura, não essa aí. Aí é a mãe da vítima. Criança de 5 anos sendo bulinada, sendo manuseada, digamos assim, por essa mulher que ta deitada ensinando sexo pro guri que ta sentado em cima dela. Como é que a gente pode aceitar uma coisa bárbara dessa? Se fosse meu filho, eu juro por Deus. Eu sou sincero, não consigo ter trava na língua. Eu continuo sendo contra pena de morte mas eu matava essa desgraçada. Não importa se é homem, não importa se é mulher. Mas que eu dava cabo a vida dessa vagabunda eu dava. Mas primeiro eu ia dar um pau nessa mulher, mas ia deixar essa desgraçada roxa. Tirava até as unha dessa vagabunda, dessa pilantra, dessa pervertida.


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Daqui a pouquinho você vai ver. Absurdo mesmo. Meus Deus do céu. Daqui a pouquinho eu falo mais desse caso revoltante. SD175 Olha, tem muita gente ligando pra cá irada, indignada, revoltada. Tudo de ada que você possa imaginar. Me dá um trechinho pequenininho daquele vídeo onde aparece uma mulher deitada pelada fazendo sexo com uma criança de cinco anos. Aí, ó. Meus Deus do céu. Eu pedi pra congelar porque esse vídeo se você vê a movimentação você vai ver que a criança ta sentada na mulher. Quer dizer sentada não. Ela ta encaixada na vagabunda. Eu não queria falar isso, mas essa pilantra. Não é essa aí que ta falando não. Mostra de novo a vagabunda. A vagabunda ta aí ó. Deitada, manipulando uma criança de cinco anos. Essas imagens estão circulando pelos celulares de alunos de uma escola pública. E essa imagem também ta na internet ta. A mãe do estudante levou o caso até o conselho tutelar. Essa é a mãe. É a mãe desse estudante que levou o caso pro conselho tutelar. Pra você que ta chegando agora em casa. Senta pra não cair de costas e cuidado. Toma um comprimidinho pra pressão não subir. Uma mulher adulta aparece no vídeo fazendo sexo com uma criança de cinco anos. O bebê, porque é um bebê né. Ela ta encaixado. Ta vendo na vertical? Essa sombra que você ta vendo aí? Que tem uma fumaça pra não aparecer o menino. O menino, ele esta encaixado na vagabunda que ta deitada. Essa pilantra ordinária. Eu já falei isso e repito. Eu tenho um filho de seis anos, o Tavinho, e outro de oito que amo de paixão também que é o Guilherme. Se essa vagabunda faz metade do que fez com esse menino de cinco anos eu cortava essa... Eu ia preso. Eu assinava lá. Fiz, fiz e não tenho vergonha de confessar. Mas eu matava essa vagabunda. Mas eu matava. Matava essa vagabunda. Eu sou contra a pena de morte. Sou. Sou contra. Porque se tivesse a pena de morte você já sabe né. Só os três Ps , preto, pobre e prostituta que ia parar na cadeia, iam parar na injeção, na mesa ou na cadeira elétrica, não importa. Mas isso daí não merece viver. Repare bem. É uma mulher adulta. Deve ter uns trinta e lá vai pedrada. Encaixada numa criança de cinco anos. Daqui a pouco vai ter sapato. Eu sei que eu não posso mais quebrar nada aqui que já me descontaram um calhamaço do salário. Mas daqui a pouquinho você vai ver o rolo. Você vai ver a jiripoca piar aqui. SD215 Agora você vai voltar a se indignar. Pra você que ta chegando agora em casa chama (inaudível). Vai corneteiro. Sai. Toca a corneta aí corneteiro, vai. Isso. Reúne o povo mais perto da tela da Record. Eu ainda não vou mostrar a reportagem. Eu vou dar mais um trechinho daquele vídeo que mostra uma vagabunda adulta fazendo sexo com uma criança de cinco anos. Balança as imagens aí. Acredite se quiser. A mulher, a vagabunda é essa que ta deitada. Infelizmente a gente teve que cobrir o rosto. O guri de cinco anos ta encaixado nela você sabe como. Eu não sei o que fazer. Eu já falei o que eu faria. Mas se você por acaso pegar uma vagabunda como essa chame a polícia. Não vai sujar as mãos não que não vale a pena. Essas imagens que você ta vendo agora. Hoje eu vou jogar o sapato, hoje. Ah, mas vai ser difícil einh. Essas imagens estão circulando pelos celulares de alunos de uma escola pública. A mãe é essa daí que ta na sombra aí. Ela é a mãe de um estudante que levou o caso ate o conselho tutelar. Já, já eu falo mais desse assunto. É ou não é de revoltar? Uma mulher adulta né, fazendo sexo com uma criança. A criança nem sabe o que ta acontecendo. É uma vagabunda desgraçada. SD242 Bota o vídeo de novo aí. Pode até me dar bronca ta, o médico falou. Quando começar a dar tontura tira o negócio que é a carótida que ta apertando. Então tirei. Bem, veja aí as imagens. Uma mulher adulta que deveria saber o que faz né. Essa vagabunda deveria saber o que faz. Ela


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aparece num vídeo. Um vídeo que foi encontrado em celulares de crianças estudantes de escola pública. Ah Mota, foi lá em Goiânia. Mas poderia ter sido aqui. Se ta na internet daqui a pouco chega. Agora, como é que não há uma fiscalização pra evitar que uma porqueira dessa. Que uma imundície de vídeo como esse fique na internet. Não tem um controle na internet? Não existe uma delegacia, uma instituição, um departamento federal pra evitar que um vídeo, um vídeo vagabundo que mostra uma vagabunda fazendo sexo com um, porque é um bebê gente. Cinco anos não sabe nada da vida. Nada. Cinco anos não sabe nada. Cinco anos não sabe nada da vida. Essa desgraçada, vagabunda, chinela. Fazendo sexo com um bebê. Porque é bebê, cinco aninhos. Ô vontade de dar uma paulada na mulher viu. Mas de dar. Ah Mota, você ta instigando a violência. Não to instigando não. Não to instigando. Quando a justiça não é feita por um jeito tem que ser feita por outro. Desgraçada. E vai chegar, pode ter muito cuidado. Que sirva de alerta pra você que tem filho aí menor, da uma bisoiada no celular dele pra ver. O que tem de porcaria circulando na internet. Tem muito guri que leva esses vídeos pra escola. E você sabe né, na hora do intervalo. É, outras cocitas acontecem. O pai tem que ser presente, a mãe também. Fiscalize teu filho. Seja chato com ele.

O apelo ao emocional é uma característica indissociável do telejornalismo sensacional. Alexandre Mota comenta as matérias exibidas no BG com o máximo de emoção possível. Ele utiliza expressões que penalizam os envolvidos, que podem emocionar o público com a história que está sendo narrada e que podem fazer com que os espectadores sintam pena das vítimas, como podemos observar nas sequências discursivas abaixo:

SD5 Me dá aquelas imagens daquela baita ignorância. Repare bem o que aconteceu com esse coitado que foi reclamar do som alto num posto de combustíveis. Aquele rapaz lá ó, aquele senhor, ele é oficial da aeronáutica. Ele foi reclamar. Olha o que os baderneiros fizeram com ele. Na porta do prédio onde ele morava, ou melhor, onde mora porque graças a Deus ele ta vivo. Agora, o mesmo que batia, quando a mulher da vítima chegou na parte de baixo. Olha como é que ficou o oficial da aeronáutica, meu Deus do céu. Volta de novo aí, vem aqui, vem aqui comigo. Bota no ponto. (inaudível) pelo jeito ilustra aí ficou. Bota no ponto a parte da pancadaria. Ele estava tentado dormir em casa e a barulheira lá no último volume. Ele saiu do apartamento, foi lá e reclamou. Quando ele estava chegando de volta no condomínio os vagabundos pegaram e... Quando chega a mulher da vitima ele dá uma de o defensor olha aí ó. Parece que ele que protegeu. Desgraçado, vagabundo! O oficial da aeronáutica foi espancado por cinco, cinco vagabundos. SD25 Se bem que mesmo conhecendo, seguindo aí o conselho do especialista em segurança, mesmo conhecendo em locais públicos, um bocoió, um Zé Roela, um imbecil como esse que você ta vendo aí. Tenho até vergonha de falar que é meu conterrâneo, desgraçado. Porque quem vem de fora pra esse estado tem que amar muito o RS, como eu. Eu amo demais essa terra e tem que vir pra cá com a finalidade de crescer junto com esse estado. Não de fazer uma desgraça como ele quase fez. A Sabrina, a professora, ela está viva por milagre, por sorte, por aquilo que você acredita. Não vou colocar religião no meio. Mas olha aí a parede. Fixa, congela aí pra mim Luisinho. Olha o que ele, ó foi um momento de fúria. Ele teve tempo de escrever na parede da sala de aula onde


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ela tava lecionando. Usou o sangue da vítima, da garota que ele jurava amar. Isso aí que você ta vendo não é tinta vermelha não, não é catchup não. Isso daí é sangue de um ser humano. É sangue de uma jovem que a exemplo de tantas outras sonha sim, porque não, encontrar um príncipe encantado. Mas tome muito cuidado, principalmente você guria, você que: ai eu conheci um gatinho pela internet, por aquele site a,b,c,d,e,f,g,h. daquele site e relacionamento. Não, eu vou marcar com ele um encontro num local bastante movimentado, eu vou marcar, no caso aqui de Porto Alegre, no Parque Farroupilha, lá no Brique da Redenção. Só que o seguinte, o cara pode se comportar de um jeito no meio da multidão, e aí entre quatro paredes se transformar num bicho que é o caso desse desgraçado que você ta vendo aí. Então a melhor coisa: vá com calma. O tempo é nosso amigo nessa hora. Você tem que conhecer bem a pessoa, conhecer os parentes, os amigos dessa pessoa, pra saber qual é o comportamento deles. Se ele não veio de uma outra relação violenta. Nada de querer, mas eu não vejo a hora de dar um beijo, de dar uma funhanhada, de entregar meu coração. Isso também acontece, tem muitos guris que acabam entrando em cada uma. Principalmente nessas relações virtuais, com gurias que moram fora do Brasil. Atenção, eu quero inclusive fazer uma reportagem sobre isso, atenção produção. Atenção Marcelo, atenção Luisma, atenção Rosa, Mateus, Lise. Fazer uma reportagem sobre os guris, porque tem o outro lado. O que tem de guri brasileiro que ta entrando em golpe na internet, porque recebe aquele. Recebe uma mensagenzinha de uma menina que mora na Rússia, que mora na Nova Zelândia, que mora na Conchinchina. E aí essa pessoa que ta lá do outro lado não é nem mulher, é um farsante, um racker. Ele vai pegando informações, vai pegando, vai pegando, daqui a pouco ele rapela, ele entra, coloca um vírus no computador da vítima e rapela tudo. Agora, voltando a esse caso, desse bocoió, ele agora vai aprender, vai ter tempo suficiente de botar a cabeça no lugar, porque ó, cana no desgraçado, cana. SD26 Me dá as imagens daquele outro ato violento, vai. O rapaz foi ó. O aeronáutica foi reclamar do som auto num posto de combustíveis bem na frente do prédio dele e olha o que os desgraçados fizeram com ele. Olha ele aí ó voltando, os caras vieram atrás. Olha o que fizeram na portaria do prédio com ele. Repare aquele de camisa listrada que ta batendo nele. Esse aí ó. Vai chegar a mulher da vítima e ele vai se transforma de agressor em defensor. Mas tem cara vagabundo nesse mundo, ô. Veja. Ô vontade de pegar o cara e dar na cara. Você reparou? Bota de novo a imagem, bota de novo. O cara foi, era quase madrugada, o cara não agüentava mais a barulheira, desceu do apartamento e foi lá reclamar no posto de combustíveis. Sabe essa rapaziada que gosta, é a síndrome de Dodô e Osmar, transformou o carro em trio elétrico, ele tava voltando pro prédio e arrebentaram a porta de vidro com a cabeça do homem, olha lá. E esse daí tava batendo nele. Quando ele viu a mulher da vítima se aproximando, saindo do elevador, ele mudou, ele virou de agressor a defensor. Olha o estado da vítima. Olha o estado deplorável do oficial da aeronáutica, que ele apenas foi lutar pelo direito dele. Direito de dormir com tranqüilidade, bota de novo. Volta aí. Bota de novo. Que isso sirva de alerta também. Só que tem um detalhe. Você vai falar: dependendo do jeito que ele foi reclamar, porque que ele não chamou a policia? Ele chamou a polícia, ele ligou duas vezes pra polícia. Só que a polícia não foi até o posto de combustíveis mandar o pessoal baixar o som. Aí ele cansado querendo dormir, noite de domingo, ele tem que trabalhar na segunda, olha o que aconteceu aí ó. Desgraçado, e o de listrado lá batendo nele, quando chegou a mulher mudou o discurso. Daqui a pouquinho tem a reportagem completa sobre esse ato covarde que você acabou de ver. Tem mais imagens mas daqui a pouquinho eu mostro ta.


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SD59 E daqui a pouco a gente vai mostrar que a polícia conclui o inquérito do caso daquela mulher que mandou matar o ex-marido. E a agressão foi tanta. Olha como ele ta hoje. Vegetando, que coisa bárbara. Meu Deus do céu. O homem ficou sem andar e respira com dificuldade. Já, já eu vou mostrar essa barbaridade que aconteceu e a polícia deve botar em cana a ex-mulher desse cidadão aí. Tem que botar na cadeia a vagabunda que fez um negócio desse. SD70 A polícia investiga onde estaria esse rapaz. Será que ele estaria morto? Será que ele sobreviveu a tortura? Será que ele teve as orelhas cortadas? Isso é muito grave meu Deus do céu. Você percebe a situação? A que ponto chegou o desgraçado que foi pego com essa arma que ta aí. Tava com uma pistola carregada até a tampa. Ta aí o dinheiro. O celular dele também foi apreendido. E quando a polícia mexeu no celular, encontrou a gravação de uma sessão de tortura. Os bandidos com um facão encostado na orelha da vítima. E aí acompanhe o que eles falam. Pelo jeito eles tão forçando a pessoa a confessar alguma coisa. A dar algum tipo de informação. Daqui a pouquinho eu falo mais do assunto aqui no Balanço Geral, e tem mais imagens. A gente reservou mais imagens, mas daqui a pouquinho eu mostro todas elas. SD120 Ela bate na síndica, desgraçada! Essa véia vagabunda. Eu não vou calar minha boca não. Eu não sei se ela é mulher do vereador, se ela é amante do vereador. Se é ronca e fuça, não importa. Não importa. O que importa é a covardia, a covardia demonstrada por esses imbecis que bateram. Olha só, vejam, são dois. Quer dizer. O porteiro e a síndica contra uma multidão de covardes. Eu sei que não é fácil viver em condomínio. Ter que lidar com o vizinho que é mal humorado que a gente fala bom dia de manha e ele pergunta por quê? A gente fala boa noite vizinho (inaudível) sabe aquelas pessoas que não dão bom dia, não dão boa tarde? Eu sei que é dose. Agora educação é bom, a educação é boa e faz bem pros dentes. Agora esse desgraçado desse chinelão aí ele agredir a síndica, primeiro é o vereador, por trás do pai. O filho do vereador desce a lenha. Da uma no escutador de vanerão do pobre porteiro. SD136 O silencio é parceiro desses criminosos vagabundos, desses pedófilos nojentos. Olha, eu já disse varias vezes que eu sou contra a pena de morte porque no Brasil se tivesse pena de morte só os e pes é que lascariam. Pobre, prostituta e preto. Infelizmente seria assim. Infelizmente. Porque quem tem bom advogado duvido que fique na cadeia pra ser condenado à morte? É lógico que não. Agora, é duro pra um pai, pra uma mãe saber depois de anos que o filho, que a filha foi vítima de um pedófilo. Que foi abusado, que foi violentado. E a vida da vítima nunca mais é a mesma. Nunca mais é a mesma. E se você sabe de uma história dessas, história nojenta de abuso, de exploração de crianças e adolescentes, denuncie. Você tem que botar a boca no mundo. Tem que soltar o gogó. O telefone do disque denúncia é o numero 100. É fácil. Um, zero, zero. 100. E o email é disquedenuncia@sedh.gov.br s-e-d-h. Não fique calado, denuncie porque a tua palavra pode levar um vagabundo pra cadeia e tem que encher as cadeias desses nojentos, de pedófilos. SD163 Seis meses de sofrimento pra família desse empresário, pro irmão que deu entrevista e pro resto da família que não sabe se ta vivo. Difícil. As chances de ele estar vivo são remotas. Mas bota no ponto aí a entrevista com a pilantra vagabunda. Ah Mota, você vai ser processado. Aqui ó. Assassina não vai me processar. Bota. Olha. Repare bem. Você vai rever a entrevista dela na época. Ela tem cara de bocaberta, de bocoió. Não tem cara meio de zureta? Mas não é não. Tinha amante, colocava guampa no marido. Tanto é que entre os 11 suspeitos estão ela, vagabunda e o amante dela. Vagabunda. Vai confiando em mulher sonsa vai.


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Os telejornais espetaculares e sensacionalistas se utilizam de expressões populares. O discurso de Alexandre Mota é recheado destas expressões, como podemos observas na SD95 e na SD120.

SD95 Cadê aquele outro flagrante do vereador desgraçado e do filho dele? O vereador é esse, o baixinho que ta falando e o filho dele atrás. Quer ver o que o filho vai fazer? Repare aí. O filho tascou a mão na orelha do porteiro do prédio. O vereador mora no prédio. É um prédio residencial. É obvio. E o vereador comemorava o aniversario de um ano da netinha. Consequentemente filha do covardão aí, do magrão. Só que o porteiro atendendo a uma determinação da síndica que também leva umas bofetada. A síndica é uma loira que ta sentada na frente do porteiro. Coitado do porteiro aqui no canto do vídeo. Isso. É o moreninho aqui, é o negão, é isso. O porteiro foi lá e falou: vereador, querido vereador, já passou das 10 da noite, vamos baixar o som da festa. Olha o que aconteceu. Depois fala que só pobre faz barraco. Depois fala que baixaria é só com pobre. Sobe o som aí. Ai meus Deus do céu, que coisa einh? Quanta ignorância! Ele meteu a mão, ele meteu a mão no escutador de vanerão do porteiro. E não foi só ele não. O vereador bateu no porteiro, o filho. Outros parentes também bateram na síndica. Olha a síndica, a irmã gêmea da Vânia Lains aí também. A loira lá levando um chacoalhão. E aí o vereador dando bofetada, o filho dando bofetada. Prédio rico. Vou repetir. Prédio chique, palco de baixaria, barraco. Não é só em vila que acontece não. Tem muita gente granfina que de vez em quando sai do salto. Desce do salto e ó: eu vou te matar! Daqui a pouquinho eu mostro mais imagens ta. SD120 Ela bate na síndica, desgraçada! Essa véia vagabunda. Eu não vou calar minha boca não. Eu não sei se ela é mulher do vereador, se ela é amante do vereador. Se é ronca e fuça, não importa. Não importa. O que importa é a covardia, a covardia demonstrada por esses imbecis que bateram. Olha só, vejam, são dois. Quer dizer. O porteiro e a síndica contra uma multidão de covardes. Eu sei que não é fácil viver em condomínio. Ter que lidar com o vizinho que é mal humorado que a gente fala bom dia de manha e ele pergunta por quê? A gente fala boa noite vizinho (inaudível) sabe aquelas pessoas que não dão bom dia, não dão boa tarde? Eu sei que é dose. Agora educação é bom, a educação é boa e faz bem pros dentes. Agora esse desgraçado desse chinelão aí ele agredir a síndica, primeiro é o vereador, por trás do pai. O filho do vereador desce a lenha. Da uma no escutador de vanerão do pobre porteiro.

4.2.1 Considerações sobre “espetacularização e sensacionalismo”

Como podemos observar na SD69, Mota descreve detalhadamente os requintes de crueldade utilizados pelos torturadores para sensibilizar o público em relação ao sofrimento do homem torturado. Fica evidente que há uma evidenciação exagerada dos detalhes dos crimes. Nas falas de Alexandre Mota podemos perceber a tendência ao apelo emocional,


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como na SD76, com a utilização da expressão “coitado”, e na SD26, onde o apresentador relata como os “baderneiros” deixaram a vítima: “Olha o estado da vítima. Olha o estado deplorável do oficial da aeronáutica”. Como já foi destacado anteriormente, a repetição de assuntos faz parte do contexto do BG. O apresentador faz referencia ao mesmo assunto inúmeras vezes durante uma edição do programa. Alexandre Mota fala do caso do estudante de engenharia, que desferiu 17 facadas na ex-namorada, nas SDs 13 e 25; do caso em que um vereador e o seu filho espaçaram o porteiro do prédio nas SDs 76, 95 e 119; e sobre o caso do abuso sexual de um menino de cinco anos por uma mulher adulta nas SDs 158, 175, 215 e 242. O apresentador faz uso de expressões populares praticamente durante todo o programa. O uso destas expressões fica claro na SD 95 (“tascou a mão”, “meteu a mão no escutador de vanerão”); e na SD120 (“educação é boa e faz bem pros dentes”).

4.3 APRESENTADOR X JUSTIÇA

Como já dissemos, alguns apresentadores de telejornais populares podem ser comparados a animadores de programas de auditório. E estes “animadores” portam-se como juízes capazes de condenar e aplicar penas aos envolvidos nas reportagens. Alexandre Mota, o apresentador do Balanço Geral, tem como hábito exercer o julgamento sobre os “personagens” das reportagens, principalmente sobre os criminosos, os quais ele condena de acordo com os seus princípios. Ele tenta assumir o papel da polícia quando considera que ela falha e não dá espaço para qualquer tipo de defesa por parte dos acusados. A regra é que todos são culpados e devem ser condenados. O apresentador realiza uma espécie de tribunal durante o programa, onde descobre os culpados e, na maioria das vezes, os condena. Tudo isso acontece ao vivo, diante das câmeras. O Balanço Geral se propõe a fazer justiça aos mais fracos, aos que não têm vez na sociedade. Entretanto, Alexandre Mota não se porta somente como um juiz, uma autoridade. Ele reconhece o trabalho da polícia, quando esta realiza suas funções, prendendo criminosos e realizando perseguições. Faz elogios e parabeniza os policiais pelo bom desempenho de seu papel.


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Na sequência discursiva que segue, percebemos que o apresentador diz assumir papel que seria da polícia. “Assume” a responsabilidade de dar prosseguimento às investigações e descobrir a causa da morte de uma paciente , caso a polícia não continue investigando.

SD234 É duro pra esse homem einh? Você fica na dúvida einh. Foi (inaudível). Ele tem quase certeza que foi erro médico. E esse erro provocou a morte dessa mãe de família. É duro pros filhos. Não só pro maridão né. Mas pros outros familiares, pros amigos, pros vizinhos. Saber que a irresponsabilidade de uma pessoa pode ter levado, pode ter pesado pro óbito de outra, pra morte de outra. Bem, a secretaria de saúde do município contesta a versão da família. Não poderia ser diferente, né. Diz que o caso merece uma investigação, pois de acordo com o histórico médico da dona Noir ela havia vários problemas de saúde. Era obesa mórbida, hipertensa e tinha apinéia. De acordo com o que foi apurado na secretaria ela pode ter falecido por complicação de vários outros problemas, não só pelo diabetes. Mas eu achei, quem? (falha no sinal) essa nota? Foi a, a secretaria? Também não falou nada a secretaria. Só enrolou, enrolou, enrolou. Primeira coisa que os assessores meus colegas, assessores de imprensa fazem é tirar o órgão que eles representam da reta. Não, não tem nada a ver. Depois diz que vai investigar. Não precisa investigar. A gente sabe que não vai dar em porcaria nenhuma mesmo né. Infelizmente é isso. Mas o balanço vai continuar em cima einh. Atenção o senhor que deu entrevista pra gente, pode contar com toda a equipe do balanço que nós estamos a inteira disposição. Se ninguém fizer nada, pode deixa com a gente que ó. A jiripoca vai piar.

As sequências discursivas apresentadas abaixo demonstram que o apresentador reconhece e elogia o trabalho da polícia quando esta desempenha sua função de fiscalizar e prender criminosos. Alexandre Mota pede aplausos para os policiais e também elogia o aparato utilizado por eles nas perseguições.

SD31 Bota de novo a perseguição aí ó. Pra você que ta chegando agora em casa. Pra você que ta sintonizando a Record agora. Essas imagens aí são exclusivas gente. Bota o selo de exclusivo aí. Olha o carro roubado aí no meio do mato. Esse carro foi parar no meio do mato durante a perseguição. Eles despejaram tiro em cima da brigada. A brigada fez bem. Organizou um cerco que atingiu três bairros. Restinga, minha querida Tinga, Belém Velho e Aberta dos Morros. E aí o momento em que eles conseguem capturar os vagabundos. Entre ele um maior. Aí tem um vagabundo já dentro da viatura. Dois porque um já estava na mão da polícia. E aí os dois que foram presos entregaram os outros três. Ou seja, x9, caguetaram os comparsas. Esses aí serão muito bem recebidos na cadeia viu, quando entrarem. Terão uma recepção lá igualzinho se chega no Havaí, com coroa de flores e tudo o mais, só que a coroa com aqui jaz. Olha bem aí, a policia fez um cerco e prenderam. Vagabundo que acaba sendo tirado de casa algemado e já foi reconhecido. Foi um dos autores do roubo do carro. Desgraçado, vagabundo. E esse outro aí outro pilantra. Esse aí é menor. Olha o tamanho da cabeça do menor. E esse aí é outro menor? É o terceiro. Portanto, dois foram presos na hora pela Brigada. E os outros três que estavam inclusive armados, tavam com revólver, despejaram chumbo na policia, e a Brigada respondeu a altura. A brigada dessa vez não feriu ninguém, graças a Deus. Mas em compensação também nenhum


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policial foi ferido. O mais importante é isso. Veja onde o policial ta olhando. Em cima do forro. Olharam nas casas vizinhas. É isso que a população quer ver, é isso gaúchos. O gaúcho quer ver a Brigada na rua. Quer ver a policia civil atuando de forma rigorosa, sem excesso de violência. Se bem que quando pega um traficante, quando pega um tarado vagabundo, dá vontade de dar uma chapuletada. Até eu tenho vontade de dar uma chapuletada na orelha, mas é isso que o povo quer. O povo quer ver a brigada. Mas ai tem aquele defensor dos direitos humanos, que não são direitos humanos, são direitos bandidos. A brigada tinha mandado? Tinha autorização da justiça pra entrar na casa? O intelectualóide de plantão, o vigilante da polícia, a brigada estava numa perseguição, e quando tem perseguição, a brigada ela pode entrar sim. SD32 Veja aí. Sobe o som. O carro, o carro que foi deixado no meio do mato. A perseguição que começou na estrada do rincão, que liga Belém Velho e Restinga e você vê aí o pelotão de moto, e a pé. Mas reparou o aparato policial nesse cerco? Policias a pé, policiais de moto e policiais com carro, com viaturas e nessa casa aí foi detido um. As moças tão chegando, não sabem o que ta acontecendo. Todo mundo perguntando: o que foi, o que foi? Tem um dentro do carro na viatura na parte de trás. E agora os brigadianos vão conseguir localizar o maior vagabundo. Você não acredita o que eles utilizam pra esconder arma. Debaixo de piso falso, dentro do forro, na parte de baixo do sofá. Meu Deus do céu, e os brigadianos foram pra cima e fizeram um belíssimo trabalho. Eu quero aqui, eu quero aplausos pra brigada militar. Bota a imagem aí, pode botar as imagens. Não precisa vir com o gordinho feio. A hora em que o vagabundo maior é preso e é colocado em outra viatura. Você pergunta. Deixa eu só explicar porque que eles não colocam os outros na mesma viatura. Quando têm várias viaturas eles separam, pra não ter tempo de eles elaborarem uma versão na policia. Você fala que a gente não participou do roubo, a gente apenas pegou carona. Trocar uma ideia. Por isso cada preso é colocado no interior de uma viatura diferente. Cada um em uma viatura. E você vê ao o trabalho exaustivo por parte da policia brigada. Qual foi o batalhão? Qual foi o batalhão? Foi o nono batalhão? Não? Vê pra mim aí Marcelo. Foi o nono batalhão esse daí? Foi o primeiro batalhão. Belíssimo trabalho. Belíssimo trabalho do primeiro batalhão da brigada militar, inclusive os oficiais, o grupo de majores que estiveram aqui acompanhando o balanço e a gente trocou ideias. Um pessoal super gente boa do primeiro batalhão que é responsável pela segurança publica. Na zona sul aqui de Porto Alegre. Repare mais uma vez aí onde o policial tem que procurar. Tem gente que fala: ah, mas é exagero. Não. Exagero é você deixar um cidadão de bem, um contribuinte, alguém da sociedade que não tem nada a ver com o crime, morrer ou ser assaltado, seqüestrado, violentado. Isso daí não é exagerado não. SD50 Só vou falar uma coisa, a polícia ta ganhando de goleada. Só tem assaltante se lascando. SD75 Rapidão. O tal Paulão, Magrão, o Jura e agora esse outro traficante desgraçado. Ta bom, ou quer mais? Esse é o esforço da polícia civil e também da brigada militar que estão atuando juntas em prol da sociedade. Isso que o povo quer ver. SD149 Você esta acompanhando a operação que foi desencadeada durante a madrugada de hoje e ainda acontece. É a operação Centauro, da Brigada Militar. A polícia esta sentando o relho na bandidagem. Mais de 600 policiais foram pras ruas durante a madrugada em busca de criminosos. Não só aqui em Porto Alegre, como na região metropolitana. Sobe o som que eu quero ouvir. Olha


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onde os policiais foram vasculhar. Olha o pessoal sendo revistado. Olha o pessoal segurando a parede aí ó. Repare bem na revista. Repito. Mais de 600 homens e mulheres da brigada participam dessa operação que ainda não terminou. Até agora 9 pessoas foram presas. Dois dos detidos eram foragidos do sistema prisional. Os policiais apreenderam também maconha, cocaína e o maldito crack, além de uma arma de fogo. Repare aí ó, mais um estabelecimento com a luz do dia. Os policiais do GOE, um grande efetivo. Ê meu Deus do céu, lá vem a boate. E o pessoal em plena semana, meio de semana o pessoal no vuco-vuco da boate. É o zonão também. Repare aí ó. O policial vai chegando perto do local dos quartos onde acontecem os tais pogramas, que não é o Balanço que também é programa. E aí um dos detidos. Repare aí. Vai sendo colocado dentro da viatura da brigada. É a operação centauro que começou durante a madrugada e ainda se estende na tarde de hoje mobilizando mais de 600 policiais. E olha o efetivo aí partindo pra outra casa noturna. A casa é noturna, mas pelo jeito o pessoal ta fazendo cerão, hora extra. Imagens do povo aí ó, segurando o portão, segurando a parede. Além dessas revistas que você ta acompanhando a polícia também realiza varias barreiras aqui em Porto Alegre e outros municípios da região metropolitana. É lógico que eu não vou falar o endereço ou os endereços das barreiras porque eu quero ajudar o trabalho da polícia. Se eu der aqui, se eu der o endereço, os endereços eu atrapalho a polícia. Pode voltar as imagens que eu não pedi pra terminar. Volta as imagens aí porque você vai ver o que é trabalho policial feito com inteligência. A operação que começou por volta das quatro, quatro e meia da madrugada e que vasculhou vários lugares suspeitos, vários locais onde estão pessoas foragidas. Onde estão os traficantes, usuários de drogas, assaltantes e até seqüestradores. Tanto é que a polícia acaba de confirmar, acaba de confirmar que nove pessoas foram presas, sendo duas foragidas do sistema prisional. Veja aí o bilharzinho, a mesa de sinuca. E o pessoal em plena madrugada, em plena manha de quarta feira curtindo uma. Que beleza einh? SD167 Me dá as imagens da operação centauro que a Brigada sentou o relho ma bandidagem. Sobe o som aí. A operação centauro começou por volta das quatro e meia, cinco horas dessa madrugada, comecinho da manhã, não tinha nem luz ainda. Veja aí, operação que fez um pente fino, um arrastão aqui em Porto Alegre e outras cidades da região metropolitana. Daqui a pouquinho eu vou mostrar quantas pessoas foram presas. Até agora nove né? Eu sei que teve apreensão também de maconha, cocaína, do maldito crack. E teve dois foragidos do sistema prisional que estavam também. Aí é um zonão? Deixa eu ver o zonão. No meio da semana o pessoal fazendo farra, funhanhando e jogando bilhar é bom einh! Ninguém tem emprego, ninguém trabalha. Olha lá. Ó as moças. As consultoras de relações livres. Tem uns colegas nossos que freqüentam esses lugares, depois eu vou divulgar o nome. As moças adeptas ao amor liberado. Cem pila a morte. Pergunta aí em quanto você vai morrer? Isso. Vai morrer em cem. Morre lá. Morre mesmo. Se não usar o preservativo morre. Morre. E aí ta mais um bordelzinho. Mais um. SD199 Cadê as imagens da operação centauro que eu quero ver a policia sentando o relho na bandidagem. Repare bem aí ó. Operação que começou durante a madrugada. Tava escuro ainda. Repare na velocidade das viaturas da brigada militar. 600 policiais da brigada botaram pra ferver hoje contra a vagabundagem não só aqui em Porto Alegre como em toda a região metropolitana einh. Daqui a pouquinho. Até agora quantos presos? Nove. Permanece o número nos nove. Nove presos. Entre eles dois foragidos do sistema prisional. Entraram aí num negócio que tem quartos, que tem mulheres disponíveis, digamos assim. É um zonão. Você repare que a polícia está no zonão. Algumas gurias estão segurando a parede pra não cair, devido ao estado do imóvel. Ta lá o


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rapaz que é o sobrinho mais (inaudível) do Derli que passou amônia no cabelo. Também ta lá revistando o negócio. Tem esse tio também. Esse tio tava no zonão? Não? Tava fazendo o que lá no bordel? SD217 Só vou fazer uma coisa. Cadê os aplausos pra brigada militar? É isso. O meu papel é incentivar a brigada. Quando a brigada erra eu sou o primeiro a cobrar. Agora quando acerta como é o caso ao. E agradecer, parabenizar o coronel Jonas Carlos Estrato, homenageando todos os policiais que participaram dessa operação que não terminou. Vai até o final da semana.

Nas sequências discursivas apresentadas a seguir percebemos que Mota pede a Delegacia Regional do Trabalho que tome providências em relação ao dono dos postos, além de chamar Fabrício para conversar frente a frente com ele – Mota – e aprender a ser um homem de verdade. SD126 Você lembra daquela história daquele posto que foi assaltado e o dono não quis registrar ocorrência? E o pior de tudo lembra? As imagens tão aí pra você ver. Os assaltantes chegaram, botaram pânico e terror em todos os funcionários do posto, loja de conveniência, dos clientes. O pior de tudo é que o dono, além de não querer registrar ocorrência ainda cobrou o dinheiro roubado das vítimas e dos próprios funcionários. Já, já você vai ver que não foi só naquele posto que ele descontou dinheiro dos empregados não. O tal Fabrício ta acostumado a fazer isso em outros estabelecimentos que ele é dono. Ele faz isso em todos. Cadê o ministério do trabalho? Atenção delegacia regional do trabalho! Tem que dar uma fiscalizada aí e tem que autuar em flagrante. Se um empresário ta fazendo isso ele ta indo contra a lei. Então daqui a pouquinho tem mais novidades sobre o tal dono de postos que cobra quando o dinheiro é roubado, ou seja, ele não si no preju nunca. Quem se lasca é o funcionário ou até mesmo o cliente. SD129 Ok. Delegacia Regional do Trabalho não dá pra fazer uma batida no posto, não? Ou melhor, nos postos de propriedade do tal senhor Fabrício? Atenção granfinagem, atenção classe empresarial aqui da região metropolitana, tem um tal de Fabrício que pode ser bom da boca lá pras negas dele, pras branquelas, pras amarelas, pras. Pra mim não é, pra mim não é. Para de me mandar calar a boca. Se vocês tem medo de processo, eu não tenho. O tal Fabrício ele pode ser o bom da boca já falei pra quem. Agora o que ele ta fazendo é crime. Ele ta cometendo crime de assédio moral. Ele ta extorquindo. Porque a partir do momento em que ele obriga os funcionários a ressarcir o dinheiro que foi roubado, ele estimula, incentiva os funcionários a reagir a assaltos. E ele coloca em risco a vida desses funcionários. O nome da peça, eu queria o sobrenome, mas não me deram. Eu não sei o que ta acontecendo. Tem alguém que ta borrando as cuecas ou as calcinha, que eu não sei quem que é. Mas eu quero fazer um pedido. O nome, ou melhor, o pré-nome do tal empresário. Empresário, vem conversar comigo aqui, frente a frente. Você não é o bom da boca? Você não é o poderoso? Não gosta de tomar dinheiro de gente pobre, dos coitados dos seus empregados? Vem conversar comigo aqui. Vou te ensinar a ser homem de verdade, vem, vem. Vem. Eu vou te pegar pela orelha e te ensinar a ser homem se teu pai e tua mãe não fizeram, eu faço, porque você é um baita dum covarde. É um ganancioso que só pensa em dinheiro. Se um dia morre, tomara que demore muito tempo. Vai levar o dinheiro onde? Vai enfiar o dinheiro onde? Então você ta cometendo crime. Você ta incentivando os funcionários a reagirem a assaltos. E eu vou falar uma coisa: se algum funcionário do, não vou chamar de senhor porque


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ele não merece. Não merece o meu respeito. Se algum funcionário dos postos que você é dono reagir a um assalto e morrer o culpado é você. Eu ia falar o senhor. A culpa vai ser tua, porque você incentiva. Sabe quanto ganha um frentista que trabalha num posto de propriedade da tal figura, do tal Fabrício? Sabe quanto ganha? 500 pila. O cara ganha 500 pila por mês, é mágico. Sobreviver com 500 pila por mês tem que ser mágico, tem que se desdobrar, tem que se virar parecendo um polvo, assim. Aí esse mesmo frentista que ganha 500 pila por mês teve 100 descontado por causa daquele roubo que nós vimos na semana passada. Vê se não da vontade de dar uma chapuletada na orelha desse tal de Fabrício? E não adianta falar: mas Mota ele não ta assistindo porque só o pessoal da classe C e D. Não. Tem muito granfino. Ele tem vergonha de falar que assiste o Balanço porque acha o programa muito popular. E é popular mesmo. É popular porque efeito pro povo. O povo aqui tem vez e tem voz. Tem muita gente que fica assim, quem assiste é minha secretária do lar. Aí comenta as noticias. Não precisa ter vergonha não, pode se juntar. Porque quanto mais, ‘virgula’ melhor.

Nas SDs que se seguem, o apresentado do Balanço Geral se porta como se estivesse expressando a opinião da sociedade gaúcha, do povo, e descreve o que faria com os criminosos, relata quais as “penas” aplicaria aos envolvidos.

SD175 Olha, tem muita gente ligando pra cá irada, indignada, revoltada. Tudo de ada que você possa imaginar. Me dá um trechinho pequenininho daquele vídeo onde aparece uma mulher deitada pelada fazendo sexo com uma criança de cinco anos. Aí, ó. Meus Deus do céu. Eu pedi pra congelar porque esse vídeo se você vê a movimentação você vai ver que a criança ta sentada na mulher. Quer dizer sentada não. Ela ta encaixada na vagabunda. Eu não queria falar isso mas essa pilantra. Não é essa aí que ta falando não. Mostra de novo a vagabunda. A vagabunda ta aí ó. Deitada, manipulando uma criança de cinco anos. Essas imagens estão circulando pelos celulares de alunos de uma escola pública. E essa imagem também ta na internet ta. A mãe do estudante levou o caso até o conselho tutelar. Essa é a mãe. É a mãe desse estudante que levou o caso pro conselho tutelar. Pra você que ta chegando agora em casa. Senta pra não cair de costas e cuidado, toma um comprimidinho pra pressão não subir. Uma mulher adulta aparece no vídeo fazendo sexo com uma criança de cinco anos. O bebê, porque é um bebê né. Ela ta encaixado. Ta vendo na vertical? Essa sombra que você ta vendo aí? Que tem uma fumaça pra não aparecer o menino. O menino, ele esta encaixado na vagabunda que ta deitada. Essa pilantra ordinária. Eu já falei isso e repito. Eu tenho um filho de seis anos, o Tavinho, e outro de oito que amo de paixão também que é o Guilherme. Se essa vagabunda faz metade do que fez com esse menino de cinco anos eu cortava essa. Eu ia preso. Eu assinava lá. Fiz, fiz e não tenho vergonha de confessar. Mas eu matava essa vagabunda. Mas eu matava. Matava essa vagabunda. Eu sou contra a pena de morte. Sou. Sou contra. Porque se tivesse a pena de morte você já sabe né. Só os três Ps , preto, pobre e prostituta que ia parar na cadeia, iam parar na injeção, na mesa ou na cadeira elétrica, não importa. Mas isso daí não merece viver. Repare bem. É uma mulher adulta. Deve ter uns trinta e lá vai pedrada. Encaixada numa criança de cinco anos. Daqui a pouco vai ter sapato. Eu sei que eu não posso mais quebrar nada aqui que já me descontaram um calhamaço do salário. Mas daqui a pouquinho você vai ver o rolo. Você vai ver a jiripoca piar aqui. SD215 Agora você vai voltar a se indignar. Pra você que ta chegando agora em casa chama (inaudível). Vai corneteiro. Sai. Toca a corneta aí corneteiro, vai. Isso.


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Reúne o povo mais perto da tela da Record. Eu ainda não vou mostrar a reportagem. Eu vou dar mais um trechinho daquele vídeo que mostra uma vagabunda adulta fazendo sexo com uma criança de cinco anos. Balança as imagens aí. Acredite se quiser. A mulher, a vagabunda é essa que ta deitada. Infelizmente a gente teve que cobrir o rosto. O guri de cinco anos ta encaixado nela você sabe como. Eu não sei o que fazer. Eu já falei o que eu faria. Mas se você por acaso pegar uma vagabunda como essa chame a polícia. Não vai sujar as mãos não que não vale a pena. Essas imagens que você ta vendo agora. Hoje eu vou jogar o sapato, hoje. Ah, mas vai ser difícil einh. Essas imagens estão circulando pelos celulares de alunos de uma escola pública. A mãe é essa daí que ta na sombra aí. Ela é a mãe de um estudante que levou o caso ate o conselho tutelar. Já, já eu falo mais desse assunto. É ou não é de revoltar? Uma mulher adulta né, fazendo sexo com uma criança. A criança nem sabe o que ta acontecendo. É uma vagabunda desgraçada. SD18 Já, já você vai ver aquela barbaridade que foi cometida por aquele besta, esse otário aí ó. Paulista. É meu conterrâneo, desgraçado. Saiu lá de São Paulo nesse fim de semana veio até Porto Alegre e tentou matar a ex-namorada com golpes de faca. Sabe onde aconteceu isso? Não? Ele acertou 17 facadas nessa moça que é professora e que por muita sorte sobreviveu. Ela ta internada no HPS. Daqui a pouquinho tem novidades sobre o caso. Ele invadiu a escola. Olha as fotografias das marcas de sangue. Inclusive ele usou o sangue dela pra escrever, fazer esse recado aí na parede. Congela aí pra mim. Nunca vou te perdoar é o que ta escrito. Quem não vai te perdoar é a justiça, desgraçado. Quem não vai te perdoar é a sociedade gaúcha que abraça quem vem de São Paulo, quem vem de Santa Catarina, quem vem do Paraná, mas com fim de trabalhar, de atuar e fazer esse estado crescer ainda mais. Agora sair de lá pra cometer crime bárbaro é o fim da picada. Daqui a pouquinho tem a. Bota a cara desse desgraçado de novo aí. Mostra a cara desse imundo, dessa imundície, desse lixo. Ah, Mota, você ta falando tanta palavra pesada. É porque eu to com excesso de peso. Ele ta cabisbaixo agora. Mas ele invadiu com a faca na mão a sala de aula onde a ex-namorada dele. Por isso que eu falo, tome cuidado com quem você vai se relacionar, principalmente essas relações virtuais, através de site de relacionamento, através do MSN. Ah é legal essa coisa de tecnologia, é legal. Mas tem que tomar cuidado, você sabe quem é que ta do outro lado, lá no outro computador teclando com você? Você tem certeza? Ah, mas eu to vendo a imagem dele. Tem câmera, o meu MSN, meu Orkut, meu facebook, meu twiter. Não importa. Você sabe o comportamento, a personalidade dessa pessoa que você ta vendo por uma camerazinha desse tamanhozinho assim? Não dá, e olha o que aconteceu com a professora. Olha a fotografia dela aí. Daqui a pouquinho tem reportagens completas sobre esse assunto aí SD235 Me dá um trecho de novo daquele vídeo revoltante, daquela desgraçada. Veja aí uma mulher adulta fazendo sexo com uma criança de cinco anos. Essas imagens, eu pedi pra congelar porque senão você vai ver a movimentação e vai ter uma ideia do que essa vagabunda fez com um gurizinho de cinco anos. Essa daí é a mãe de um estudante que levou o caso até o conselho tutelar. Essa imagens que você está vendo. Repito. Ta parado porque eu pedi ta. Porque eu se eu liberar você vai ver, né, a criança sendo manuseada, digamos assim. É, sendo violentada por essa vagabunda desgraçada. Essa, desculpa. Ia falar pistoleira. Falei. Essa pervertida. Desgraçada. Que abusou de uma criança de cinco anos. Essas imagens estão circulando pelos celulares de alunos de uma escola pública. Essa daí é a mãe de um estudante. Levou o caso até o conselho tutelar. Eu não me conformo com uma barbaridade dessa. Uma vagabunda adulta com uma criança de cinco. Tira o gordinho, por gentileza. Repare bem no vídeo. A mulher


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está deitada e a sombra que você vê na vertical é o guri de cinco anos. Eles estão fazendo sexo. Eu não sei como. O guri (inaudível). Ela ta manipulando, bulinando a criança. Eu sei que é revoltante. Eu não sei o que você faria, mas eu dava cabo pra essa. Eu dava cabo na vida dessa vagabunda. Que que foi Vânia Lain? Ta, desgraçada. SD241 Vagabunda. Se eu pego uma mulher dessa. Não precisa nem se meu filho. Se eu tenho contato com uma mulher dessa ia de toalha molhada pra cima. Mas eu ia rufa a orelha dela. Eu ia deixar o escutador de lambada dela, o escutador de vanerão, do raio que o parta. Eu ia deixar essa mulher zureta. Eu ia acabar com a raça dela. Desgraçada, porqueira, imundície. Uma criança. Vou repetir pra você que ta chegando em casa agora. Mas o Mota hoje espirocou. Ta gritando. O que ta acontecendo? Essa mulher. Esse vídeo, esse vídeo que ta aí. Eu pedi pra congelar porque se liberar o vídeo vai mostrar a cena do guri se mexendo. Então pra não deixar a coisa pior do que está. Você ta vendo uma mulher adulta deitada. E encaixada na mulher uma, um guri de apenas cinco anos. Vou repetir. Cinco anos de idade. Cinco aninhos. Fazer o que com uma vagabunda dessas? O seu Chico falou que ia passar o cinto nela. Que mais? Até o mal humorado do Cabelo falou que ia cobrir ela de tapa. Que mais? O Galho falou que ia encher, encher de tapa também a cara dela. Mas não da vontade? Que você ia fazer É o fim da picada. Vara? Isso mostra o, lá do lado. O lá o Vara. Que você ia fazer Vara? Vai. Mostra lá. Joga, joga esse sapato também. Joga o sapato. Joga pra cá. Joga. Isso. Também. Nem jogar sapato esse sem vergonha também serve. Ó. SD242 Bota o vídeo de novo aí. Pode até me dar bronca ta, o médico falou. Quando começar a dar tontura tira o negócio que é a carótida que ta apertando. Então tirei. Bem, veja aí as imagens. Uma mulher adulta que deveria saber o que faz né. Essa vagabunda deveria saber o que faz. Ela aparece num vídeo. Um vídeo que foi encontrado em celulares de crianças estudantes de escola pública. Ah Mota, foi lá em Goiânia. Mas poderia ter sido aqui. Se ta na internet daqui a pouco chega. Agora, como é que não há uma fiscalização pra evitar que uma porqueira dessa. Que uma imundície de vídeo como esse fique na internet. Não tem um controle na internet? Não existe uma delegacia, uma instituição, um departamento federal pra evitar que um vídeo, um vídeo vagabundo que mostra uma vagabunda fazendo sexo com um, porque é um bebê gente. Cinco anos não sabe nada da vida. Nada. Cinco anos não sabe nada. Cinco anos não sabe nada da vida. Essa desgraçada, vagabunda, chinela. Fazendo sexo com um bebê. Porque é bebê, cinco aninhos. Ô vontade de dar uma paulada na mulher viu. Mas de dar. Ah Mota, você ta instigando a violência. Não to instigando não. Não to instigando. Quando a justiça não é feita por um jeito tem que ser feita por outro. Desgraçada. E vai chegar, pode ter muito cuidado. Que sirva de alerta pra você que tem filho aí menor, da uma bisoiada no celular dele pra ver. O que tem de porcaria circulando na internet. Tem muito guri que leva esses vídeos pra escola. E você sabe né, na hora do intervalo. É, outras cocitas acontecem. O pai tem que ser presente, a mãe também. Fiscalize teu filho. Seja chato com ele.


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4.3.1 Considerações sobre “apresentador X justiça”

Ao analisarmos as sequências discursivas, podemos perceber que o apresentador se coloca no papel da justiça, ao afirmar que se a polícia não der prosseguimento às investigações para descobrir a causa da morte de uma paciente, o próprio programa dará continuidade até desvendar o caso (SD 234). Essa atitude tomada pelo apresentador transmite ao telespectador a imagem de uma pessoa que realmente está preocupada com o que está acontecendo com a sociedade e que esta disposta a lutar juntamente com a população para solucionar os casos que são deixados de lado pela polícia e pela própria justiça. Alexandre Mota assume assim o papel de justiceiro. Ele diz: “se ninguém fizer nada, eu faço” (SD 129). Em outro caso que Alexandre Mota age como se tivesse o poder de julgar o criminoso aparece na SD 175, onde ele descreve detalhadamente o que faria – a pena que aplicaria – a uma mulher acusada de abusar sexualmente de um menor de idade. Mota demonstra toda sua ira ao bradar que bateria na mulher com toalha molhada, daria bofetadas em suas orelhas e deixa claro que também teria coragem de matar a mulher (SD 241). Assim, novamente o apresentador transmite aos telespectadores a ideia de que ele tem coragem e poder de falar na televisão o que muitos deles – telespectadores – desejam que aconteça com a criminosa. Entretanto, o apresentador não critica ou tenta tomar o lugar da justiça o tempo todo. Em casos onde a polícia consegue desvendar crimes e prender os criminosos, Mota distribui elogios ao trabalho realizado pelos policiais, como podemos perceber nas SDs 31, 50 e 217.


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5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Reconhecemos que existe uma enorme complexidade no discurso telejornalístico. Os elementos empregados na sua composição podem gerar diferentes interpretações. O que é entendido de uma forma por um telespectador pode ser compreendido de maneira diferente por outro. Como já foi destacado, o discurso utilizado em programas de cunho sensacional é baseado em uma linguagem coloquial, repleto de expressões populares, gírias e, algumas vezes, até mesmo de palavrões. Para chamar atenção para os fatos, os apresentadores e repórteres deste tipo de programa costumam construir seus discursos baseados no forte apelo ao emocional, tentando sensibilizar e envolver os telespectadores. Além da emoção, outra característica vital do telejornalismo sensacional é a repetição, não só de assuntos, mas também de expressões e palavras. Analisar os discursos utilizados em programas televisivos denota descobrir elementos que, muitas vezes, não são percebidos pelos telespectadores. Quem trabalha com a análise do discurso tem a incumbência de encontrar os elementos que não estão evidentes nas entrelinhas dos textos. Nossos esforços, nesse estudo, foram fixados na busca pelos principais sentidos estabelecidos sobre o sensacionalismo e a espetacularização no telejornalismo, com foco no programa Balanço Geral. Ao realizar este trabalho, estudamos três edições do telejornal Balanço Geral, que foram ao ar no período de 17 a 19 de maio de 2010. Com o propósito de analisar o discurso do apresentador Alexandre Mota. Ancoramo-nos em três eixos: 1- maniqueísmo: o bem x o mal; 2 - espetacularização e sensacionalismo; e 3 - apresentador x justiça. Com a análise do discurso do apresentador do BG, a partir o primeiro eixo “maniqueísmo: o bem x o mal”, constatamos que durante o período analisado, Mota expressa forte tendência ao maniqueísmo. O apresentador é completamente parcial na descrição dos bandidos e das vítimas. Não há uma complexificação na composição dos personagens das reportagens. Para ele, as vítimas normalmente são pessoas de boa índole, e os criminosos sempre são descritos como indivíduos completamente maus. Ao analisarmos o discurso de Alexandre Mota sob a perspectiva do segundo eixo, “espetacularização e sensacionalismo”, enfatizamos que Mota tenta sensibilizar e emocionar o público, narrando com riqueza de detalhes tudo o que acontece com os personagens das reportagens. Com o intuito de prender a atenção do telespectador, ele torna espetacular


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qualquer fato. Os fatos são demonstrados de forma exagerada. Salientamos ainda a constante utilização de expressões e gírias populares por parte de Mota. Os comentários de Mota dão sempre um tom “picante” aos acontecimentos. Destacamos, na análise do terceiro eixo, “apresentador x justiça”, que o Balanço Geral, no discurso do seu apresentador, coloca-se como uma extensão da justiça, se disponibilizando a dar prosseguimento às investigações em caso de falha da polícia. Em muitos dos fatos exibidos, Mota se porta como um juiz, capaz de julgar e condenar os envolvidos. Contudo, ele também reconhece a capacidade e o trabalho realizado pela polícia, quando esta cumpre com suas funções. Assim, conforme o estudo do corpus, podemos assegurar que o discurso do apresentador do Balanço Geral é construindo com base em elementos sensacionalistas e espetaculares. Podemos inclusive classificar o apresentador como sendo o próprio espetáculo. O sensacional e o espetacular ocupam um grande espaço no telejornal, o que contribui para a diminuição da credibilidade jornalística. Exageradas doses de emoção, excessivas repetições, bem como a exploração constante de assuntos de interesse de uma pequena parcela da população, demonstram que o programa está muito mais voltado em chamar a atenção do público do que em trazer informações pertinentes para o seu cotidiano. A partir do discurso de Alexandre Mota, verificou-se que praticamente todos as manifestações realizadas pelo apresentador se dão forma opinativa, sempre proferindo julgamentos sobre os fatos e sobre as pessoas. A postura do apresentador de se portar como um juiz, ou mesmo de tentar tomar o lugar da justiça proporciona que ele seja percebido pelo público alvo do programa – a população das classes C,D e E – como um justiceiro, como uma pessoa que realmente se preocupa com os problemas dos menos favorecidos economicamente. O BG, em alguns casos, pode ser comparado a programas de auditório, pois além da voz exaltada, da movimentação e gestual exagerado por parte do apresentador, também há a distribuição de prêmios para os telespectadores que adivinharem o nome da celebridade que se esconde atrás de quadradinhos dispostos na tela, e das propagandas dos patrocinadores do programa realizadas pelo próprio Alexandre Mota. É válido retomarmos a discussão sobre a utilização de expressões e gírias populares no discurso do Balanço Geral. Mota costuma fazer uso dessas expressões em praticamente todo o programa. Exemplo disso está no caso de um vereador e de seu filho que agridem o porteiro do prédio. O apresentador do programa caracteriza os personagens e detalha os acontecimentos através de expressões popularescas.


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Ao refletirmos sobre a construção do discurso de Alexandre Mota – claramente ancorado em elementos sensacionais – podemos constatar que ao comentar as notícias veiculadas, o apresentador deixa de lado duas perspectivas importantes para o jornalismo: a objetividade10 e a imparcialidade. Percebemos claramente na cobertura dos acontecimentos noticiados no Balanço Geral que ocorre falta de pluralidade de fontes e de versões dos fatos. E o apresentador manifesta suas opiniões sobre os temas noticiados durante todo o programa. Após observação detalhada dos elementos que constituem o discurso de Alexandre Mota, enfatizamos a importância de se levar em conta o papel social do jornalismo e de se observar princípios, como a objetividade e a imparcialidade. Quando um telejornal trabalha exageradamente com o sensacional e com o espetacular, pode acabar perdendo a credibilidade diante do público. A retomada da utilização dos manuais de redação no telejornalismo pode ser uma alternativa possível para a (re) construção de um jornalismo mais sério, com mais credibilidade.

10

“Objetividade no jornalismo contemporâneo implica em pluralidade de observação e de relato. O que se desdobra em pluralidade de fontes, de canais e de núcleos receptores. Em síntese: corresponde a assegurar que os acontecimentos sejam captados e reproduzidos sob diferentes ângulos, gerando distintas versões, honestamente registradas pelos seus protagonistas privilegiados – os jornalistas profissionais” (MELO, 2006, p. 49).


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