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TCC II – Trabalho de Conclusão de Curso II Universidade Federal do Pampa Curso de Jornalismo

RELATÓRIO DE PROJETO EXPERIMENTAL

BEMVENIDOS: REVISTA INTERNACIONAL BILÍNGUE ESPECIALIZADA EM TURISMO CULTURAL

ANDERSON GREGÓRIO INFRAN COGO MARCELO ANDRADE DOS REIS TÂMELA MEDEIROS GRAFOLIN

ORIENTADOR: PROF. DR. GONZALO PRUDKIN

São Borja, 2 de dezembro de 2011


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RELATÓRIO DE PROJETO EXPERIMENTAL BEMVENIDOS: REVISTA INTERNACIONAL BILÍNGUE ESPECIALIZADA EM TURISMO CULTURAL Anderson Gregório Ifran Cogo Marcelo Andrade do Reis Tâmela Medeiros Grafolin Relatório de Projeto Experimental apresentado ao Curso de Comunicação Social – Jornalismo, da Universidade Federal do Pampa, como requisito para aprovação na Disciplina de TCC II, sob orientação do Prof. Dr. Gonzalo Prudkin, e avaliação dos seguintes docentes:

Prof. Dr. Gonzalo Prudkin Universidade Federal de Santa Maria Orientador Prof. Dr. Leandro Ramires Comasseto Universidade Federal do Pampa Profª MS. Joseline Pippi Universidade Federal do Pampa Profª. MS. Mara Ribeiro Universidade Federal do Pampa (Suplente)

São Borja, 2 de Dezembro de 2011


3 SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO.............................................................................................................4 2. O PODUTO EXPERIMENTAL .................................................................................5 2.1. LINGUAGEM, CONCEITO E ABORDAGEM EDITORIAL................................6 2.2. O PROJETO GRÁFICO...........................................................................................7 3. REFERENCIAL TEÓRICO.......................................................................................8 3.1. REVISTA, TEXTO E REPORTAGEM...................................................................8 3.2. INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS.......................................................9 3.3. TURISMO E JORNALISMO ESPECIALIZADO..................................................10 3.4. PRODUÇÃO GRÁFICA..........................................................................................11 4. RELATÓRIO DE ATIVIDADES DESENVOLVIDAS............................................12 4.1. ATIVIDADES E PERCEPÇÕES DO ACADÊMICO ANDERSON COGO..........13 4.1. ATIVIDADES E PERCEPÇÕES DO ACADÊMICO MARCELO REIS...............18 4.1. ATIVIDADES E PERCEPÇÕES DO ACADÊMICA TÂMELA GRAFOLIN.......21 5. PLANO DE NEGÓCIOS E ESTRATÉGIAS DE DIVULGAÇÃO.........................27 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................................27 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.............................................................................29 ANEXOS............................................................................................................31 ANEXO I............................................................................................................31


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Bemvenidos: Revista Internacional Bilíngue Especializada em turismo Cultural

Resumo Este trabalho descreve o projeto de uma revista impressa bilíngue, de cunho internacional e especializada em turismo, que abrange São Borja e Santo Tomé e localidades vizinhas. Realiza-se ainda a descrição e justificativa da metodologia aplicada na confecção da revista, os conceitos jornalísticos empregados, as características de seu projeto gráfico e editorial, além da descrição das atividades realizadas, e os resultados alcançados, sob a percepção de cada um dos membros do grupo. Palavras chave: revista bilíngue, jornalismo especializado, turismo, aproximação cultural

1. INTRODUÇÃO

A ideia de criar a revista Bem-venidos como o projeto experimental de conclusão de curso surgiu no segundo semestre do ano de 2010 quando, na disciplina de Agência de Notícias I, desenvolvemos um jornal bilíngue de circulação internacional. O jornal tinha como público alvo alunos de escolas públicas brasileiras e argentinas. Durante a produção das matérias para o jornal percebeu-se a necessidade de ampliar o fluxo comunicacional entre as cidades de fronteira, nesse caso, São Borja, Santo Tomé e cidades vizinhas ao município argentino. Este projeto experimental, que tem como tema o jornalismo especializado, com ênfase em turismo cultural entre cidades de fronteira, consiste na produção da revista impressa Bem-venidos, publicação bilíngue de circulação internacional, destinada aos moradores dessas duas cidades. O objetivo da publicação é servir de instrumento de fluxo de informação e intercâmbio cultural entre as cidades. A opção pelos municípios de São Borja e Santo Tomé para realização das atividades deu-se me função da facilidade de deslocamento e acesso, assim como pela ideia de ampliação do fluxo comunicacional, servindo ao propósito de se tornar uma nova alternativa de desenvolvimento social da Região. Ainda nesse sentido, Juliana Menezes (2010), propõe que o turismo cultural representa uma das mais amplas estratégias de desenvolvimento, já que há “preocupação em aliar planejamento econômico e de infra-estrutura à percepção da procura por bens culturais


5 e estilos de vida (...) buscando desenvolver a economia”. Portanto, a revista Bem-venidos poderá se tornar um meio de propulsão da cultura e do turismo da região na qual está inserida. Neste sentido, o objetivo do projeto experimental é produzir uma revista impressa bilíngue, de cunho internacional, especializada em turismo, voltada a moradores de São Borja, Santo Tomé, além de difundir informações de ordem turístico-cultural entre São Borja, Santo Tomé e cidades vizinhas argentinas, e ainda possibilitar aos acadêmicos a atividade prática e a pesquisa empírica do Jornalismo Especializado, com ênfase em turismo. Não obstante, o projeto possibilita elaboração de projeto gráfico e editorial para revista impressa especializada, e Identificar as contribuições do jornalismo especializado, e do formato revista impressa, para a difusão de informações de ordem turístico-cultural.

2. O PRODUTO EXPERIMENTAL

A revista, para atender homogeneamente ao seu público-alvo, estrutura-se nos dois idiomas. Textos em português para leitores brasileiros e em espanhol para argentinos. A intenção é oferecer aos usuários são-borjenses e argentinos informações, dicas, sugestões e orientações sobre viagens pelo país vizinho, explorando, sobretudo, questões culturais. Se o projeto está disposto a trabalhar nas carências comunicacionais das cidades o formato de revista é a melhor alternativa, pois em São Borja circulam apenas duas revistas e voltadas para área comercial e feminina, somente uma terceira revista, essa de circulação semestral, retrata a cultura do município. Porém, todas são de vendagem interna, ou seja, não circulam do outro lado da fronteira. Nesse sentido, a revista seria distribuída em pontos turísticos estratégicos das duas cidades, como hotéis, restaurantes e também órgãos públicos, como prefeitura e Câmara de Vereadores. Além disso, consideram-se os aspectos mercadológicos da região, a publicação de uma revista apresenta outras vantagens perante os outros veículos impressos como destaca Marília Scalzo (2004): “Ela é fácil de carregar, de guardar, de colocar numa estante e colecionar. Não suja as mãos, cabe na mochila (...).” E é justamente porque cabe em uma mochila, bolsa ou mala que é a forma ideal para que viajantes possam carregá-la e manuseá-la. A própria SCALZO (2004, p. 37) define que a revista tem uma relação maior com o seu leitor, é uma “publicação que depende muito da sintonia fina com seu público”. A revista ainda oferece outras comodidades, conforme apresentado por Gonzalo Prudkin (2004), o suporte impresso se assemelha ao livro, possui


6 mobilidade, é fácil de transportar e não requer nenhum outro dispositivo para ser utilizado, é ainda, de acordo com o Diccionario de la información, comunicación y periodismo (1981), “un instrumento de difusión capaz de llevar al público un mensaje”1.

2.1. LINGUAGEM, CONCEITO E ABORDAGEM EDITORIAL

A revista Bem-venidos estabelece como tipo predominante de texto aquele advindo das redações americanas que introduziram, em meados dos anos 1960, o chamado “new journalism”, Caracterizado por um estilo literal e autoral, tem um tom impressionista, descreve ou apresenta ao leitor as impressões do repórter sobre o tema. No entanto, mesmo o new journalism e sua “escrita literária”, devem ater-se à tríade clássica do texto jornalístico: clareza, coesão e concisão. Períodos curtos, palavras e explicações simples são essenciais para a boa compreensão do leitor. Como afirma ALI (2009, p. 246), o texto precisa ser “leve, rápido, livre de palavras cansativas, colocações desnecessárias e descrições extensas”. Esse tipo de texto leve, fácil de ser lido, apresenta outra vantagem: é menos extenso, e possibilita melhor utilização de fotografias e técnicas de layout, como a valorização da imagem e dos espaços em branco, que servem como ferramentas importantes de legibilidade. A linha de trabalho jornalístico da revista Bem-venidos é o Turismo Cultural. Sua missão é informar leitores brasileiros e argentinos, em sua língua natal, com texto simples e fotografias que primam pela informatividade aliada à beleza artística, sobre roteiros, festas populares, atrações turísticas e gastronômicas, curiosidades culturais e históricas específicas de cada região. Sua função é estabelecer, através de matérias variadas e interessantes, uma troca de informações de ordem cultural entre cidades do Brasil e da Argentina. A publicação trata dos mais variados temas relativos ao Turismo Cultural, sobrepondo-se história, religião, antropologia, gastronomia, festas populares, curiosidades, roteiros e destinos turísticos. Para a forma de apresentação desse conteúdo, foram determinadas as seguintes abordagens: Reportagem média: Texto de, no máximo, uma lauda, reproduzido em uma ou duas páginas, obrigatoriamente acompanhado de fotografia(s). Neste tipo de texto, há predominância de relatos breves e precisos, com número menor de fontes. Formato destinado a assuntos não generalistas. Ou seja, não é o formato para explicar a herança religiosa 1

“Um instrumento de difusão capaz de levar ao público uma mensagem”. (tradução nossa). MARTÍNEZ DE SOUSA, J.: Diccionario de la información, comunicación y periodismo. Ed. Paraninfo, Madrid, 1981, pág. 481.


7 deixada pelos jesuítas na região, mas é indicado para, por exemplo, contar a história de uma pequena catedral centenária. Grande Reportagem: A abordagem editorial mais nobre no Jornalismo impresso. Destinada à elaboração de uma espécie de ensaio sobre determinado tema. Este formato destina-se à produção editorial dos temas mais amplos e generalistas, que necessitam de um texto maior e, por consequencia, maior número de fotografias. Tamanho mínimo de três laudas, deve apresentar número mínimo de cinco fotografias, com conteúdo distribuído entre seis ou oito páginas. Fotorreportagem: Gênero difícil de ser concebido, pois trabalha na perspectiva da informação pela imagem. No entanto, proporciona ao leitor uma experiência sensorial diversificada. Deve ser construída para, no mínimo, duas páginas, com fotos que apresentem significativa “informação visual”. Devem ser acompanhadas por legendas de duas frases, no máximo, que sirvam como complementação dos elementos informativos não explícitos na imagem.

2.2. O PROJETO GRÁFICO

O projeto de Bem-venidos possui, na produção gráfica, a utilização de duas escolas de Design com conceitos semelhantes e complementares. Bauhaus e The Stijl. Essas escolas pautam suas características visuais baseando-se no conceito da forma pela função, com a criação do design na perspectiva de servir a um objetivo específico, não puramente estético. O design da publicação, a partir dos conceitos difundidos por essas escolas, tem bom uso de espaços em branco, conteúdo distribuído de forma harmônica em diagramas com predominância de fórmulas visuais retangulares e simétricas. A revista possui seus elementos gráficos distribuídos predominantemente em tons terrosos, ou seja, variações e mesclas de tonalidades de marrom, vermelho e laranja, que dão à publicação contrastes mais intensos, além de remeter as características geográficas da região de abrangência da publicação. No uso da fotografia, também se busca a utilização do contraste, através da combinação de tamanhos e pesos variados das imagens em relação ao texto. Sobre o uso das fontes, destaca-se a importância da utilização de número reduzido delas, condensando-se em dois tipos, sendo um com serifa para corpo de texto, e um sem serifa para cartolas, retrancas, títulos, subtítulos, legendas e olhos de página. A opção por


8 apenas um tipo de fonte para estes elementos é ideal, sendo a mesma fonte utilizada nos seus variados estilos (negrito, itálico, light, condensado etc), como propõe Ali (2009, p. 120) “(...) um pequeno número de tipos, usados com variações de tamanho e estilo, facilita a leitura e reforça a personalidade da revista”. A revista tem 44 páginas, incluindo capa e contracapa, nas medidas 25x35cm, e será impressa em cores. O papel utilizado será Couchê Brilho 115g para o miolo da revista, e 90g para capa e contracapa. Este tipo de papel é indicado para publicações especializadas e de tiragem reduzida, como é o caso de Bemvenidos. Desse número de páginas, propõem-se, inicialmente, duas reservadas à publicidade.

3. REFERENCIAL TEÓRICO 3.1. REVISTA, TEXTO E REPORTAGEM

Na construção conceitual da revista Bem-venidos foram utilizados os conceitos e técnicas de produção de revistas apontadas por Marília Scalzo, em Jornalismo de Revista (2004), e Fátima Ali, em A arte de editar revistas (2009). Essas autoras baseiam seus artigos sobre o tema na busca pela simplicidade, representada nesta breve definição de ALI para o conceito de Revista: (...) é um meio de comunicação com algumas vantagens sobre os outros: é portátil, fácil de usar e oferece uma grande quantidade de informação por um custo pequeno. Entra na nossa casa, amplia nosso conhecimento, nos ajuda a refletir sobre nós mesmos, e principalmente, nos dá referências para formarmos nossa opinião. (ALI, 2009, p.18)

Revistas são periódicos que podem ser definidas como “cualquier publicación periódica cuyo contenido se encuentra conformado con escritos sobre varias materias, o sobre una sola en especial2”. (PRUDKIN, 2004, p.10). Os conceitos de SCALZO (2004) apontam a periodicidade das revistas como algo que as destaca, pois interfere no trabalho do jornalista dando-lhe mais tempo para apuração dos fatos. As ideias de Scalzo sobre o “bom jornalismo de revista” nortearam o fazer jornalístico da Bem-venidos. Nesse Sentido, a autora 2

“Qualquer publicação periódica cujo conteúdo se encontra constituído de textos sobre vários assuntos, ou sobre um único em especial.” (tradução nossa). PRUDKIN, Gonzalo. Impacto de las NTIC en la prensa gráfica de la ciudad de Paraná. Entre Ríos, 2004, p. 10


9 aponta duas regras principais para se atingir esse objetivo: “Não escrever para si mesmo (...)” (SCALZO, 2004, p. 55) e o trabalho do jornalista de revista é prestar um serviço e não buscar somente o furo de reportagem. Na produção das reportagens da revista Bem-venidos, toma-se como referência os conceitos abordados por Mário Erbolato no livro Técnicas de Codificação em Jornalismo, que reúne uma sistematização de regras e orientações para a realização de uma apuração eficaz. Para definir e conceituar a linguagem que será utilizada, e o estilo de texto, o autor utilizado será Marcelo Bulhões através do livro Jornalismo e Literatura em Convergência. Neste livro, Bulhões sugere uma aproximação do texto jornalístico com o texto literal. Essa aproximação servirá de base para o estilo da escrita de Bem-venidos, uma escrita influenciada pelo chamado New Journalism3, fenômeno editorial surgido nos Estados Unidos na década de 1960.

3.2 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS

A definição dos instrumentos de coleta de dados para a produção da revista Bemvenidos deu-se a partir de observação direta e da entrevista. Observação direta, na definição de Mário Erbolato, é “a ida do jornalista ao local do acontecimento, para descrever o ambiente, as ações, e as pessoas (...)”. (ERBOLATO Apud BONFIM, 2008, p. 185). Dentro das caracterizações dos tipos de observação, optou-se pela observação não participante, onde há a pesquisa presencial do fato, mas sem participação ou interferência do repórter. Esta categoria de observação se aplicará em todos os locais que visitarmos, como forma de utilizar os sentidos na apuração jornalística. A observação direta, no entanto, não é suficiente para uma boa apuração dos fatos, como salienta Mario Erbolato em Técnicas de Codificação em Jornalismo: “O jornalista, porem, não pode se limitar a descrever o que viu, mas precisa essencialmente colher informações importantes, ouvindo pessoas importantes ou anônimas, pois todas elas, conforme a natureza do fato, tem elementos valiosíssimos para fornecer” (ERBOLATO, 2008, p. 156)

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O New Jounalism foi um estilo de escrita literária que surgiu nas redações dos Estados Unidos em meados da década de 1960. Seu estilo convergia entre o relato objetivo da notícia e a narrativa romanceada da literatura. O estilo tomou forma a partir da presença de escritores nas redações, que imprimiam essa escrita cadenciada ao tipo de jornalismo da época. Entre seus principais expoentes, destacam-se Tom Wolfe, Gay Talese e Truman Capote. BULHÕES, Marcelo M. Jornalismo e Literatura em Convergência. São Paulo: Ática, 2007.


10 A entrevista, portanto, é o instrumento que, aliado à observação, dará plenitude à obtenção de dados para a produção jornalística. Na definição de Beltrão, entrevista é “a técnica de obtenção de matéria de interesse jornalístico, por meio de perguntas a outrem”. (ERBOLATO Apud BELTRÃO, 2008, p.157) Na apuração, as entrevistas que serão realizadas pela equipe de Bem-venidos, classificam-se em dois tipos distintos, mas que se complementam no processo de apuração: entrevistas padronizadas e não padronizadas. As entrevistas padronizadas apresentam roteiro previamente estabelecido, com base em pesquisa sobre o tema ou assunto. Esse roteiro é eficaz no sentido de aportar ao repórter o controle da informação, ao mantê-lo focado no rumo da investigação, nas perguntas que, impreterivelmente, devem ser respondidas. Por outro lado, entrevistas não padronizadas, ou seja, aquelas que não exigem rigidez no roteiro, possibilitam ao repórter explorar o assunto mais amplamente, discutir de forma aberta sem se prender a convenções, o que facilita a obtenção de dados para a elaboração de um texto mais atraente, como explica Marília Scalzo, em Jornalismo de Revista: “(...) O texto de revista precisa de um tempero a mais. Diferente do leitor de jornal, o de revistas espera, além de receber a informação, recebê-la de forma prazerosa. Ele quer a informação correta, simples e clara – seja o exercício para o abdômen, a nota política, o roteiro de viagem -, mas quer também um texto que não seja seco, como um mero aperto de mão.” (SCALZO, 2004, p. 76)

3.3. TURISMO E JORNALISMO ESPECIALIZADO

O jornalismo especializado, na esfera das pesquisas em comunicação, apresenta-se como um campo de estudos relativamente novo. TAVARES (2009) afirma que: No interior dos estudos de Jornalismo, um tema ainda muito pouco debatido é o jornalismo especializado. Talvez não tanto pela sua presença nos estudos, mas pela “envergadura” que os mesmos possuem em termos teóricos e/ou epistemológicos quando se toma tal jornalismo como objeto. (...) pode-se dizer que o jornalismo especializado (como um tipo de jornalismo) está disseminado nos mais diversos produtos jornalísticos e, por isso, permeia as reflexões sobre o campo; mas, muitas vezes, sua presença se dá mais como lugar de emergência de objetos, do que um objeto ele mesmo. (TAVARES, 2009, p.115).

O Jornalismo especializado se configura de duas maneiras: na especialização pelo tema (política, esporte, cultura) ou pelo meio de difusão (rádio, TV, internet). Na revista Bem-venidos, à busca pela segmentação se caracteriza de acordo com o primeiro conceito. Os conceitos para jornalismo especializado ainda estão difusos, mas, de maneira simples, pode-se definir como a prática jornalística baseada na segmentação do público e no foco em


11 um único tema, aprofundado e apresentado seguindo as abordagens editoriais do jornalismo tradicional. O turismo é uma atividade difundida extensamente. Em faturamento anual, perde apenas para as indústrias bélica e petrolífera4. Trata-se de uma atividade ligada intrinsecamente à comunicação, pois o potencial turístico de uma região depende, além de suas características primárias, do fluxo de comunicação e das publicações que dão visibilidade a essas características. O processo de elaboração de Bem-venidos levará em conta, para fins de produção editorial, a definição de que a informação turística é o principal motivador e propulsor do turismo como atividade econômica e cultural, conforme explica Cristian Brandão (2004), em Jornalismo especializado em turismo: foco nas revistas Horizonte Geográfico, Os Caminhos da Terra, Próxima Viagem e Viagem e Turismo: Desde a Antiguidade, a comunicação sempre esteve presente nas viagens, porque sem informação de onde e como (excluem-se aqui os exploradores), os indivíduos não arriscariam a se deslocar durante meses sem um objetivo maior. (...) (BRANDÃO, 2004, p.4)

Neste sentido, pode-se afirmar que a principal relação entre comunicação e turismo é que a primeira sugere, orienta e informa sobre o potencial turístico de determinada localidade, e o segundo promove e executa viagens, roteiros e demais atividades turísticas.

3.4. PRODUÇÃO GRÁFICA

O projeto de Bem-venidos possui, na produção gráfica, a utilização de duas escolas de Design com conceitos semelhantes e complementares. Bauhaus5 e The Stijl.6 Essas 4

Segundo dados da Organização Mundial do Turismo (OMT), o faturamento anual do setor é, em média, de 4,5 trilhões de dólares. World Tourism Barometer, WTO v.3, n.1. Disponível em <www.world-tourism.org> Acesso em 26 jun. 2011. 5

O Bauhaus foi um centro de estudos que reuniu, em uma escola dedicada a testar novas concepções artísticas, as ideias acumuladas nas duas primeiras décadas do século XX. Foi uma das expressões do que é chamado de Modernismo no design e na arquitetura, sendo a primeira escola de design do mundo. Essa escola introduziu no design as formas básicas e bidimensionais, uso das cores primárias e tipografia simplificada. Entre seus principais expoentes, estão Paul Klee, Wassilly Kandinsky, Moholy-Nagy, Jojef Albers e Herbert Bayer. HULBURT, Alen. Layout: o design da página impressa. São Paulo, Mosaico, 1980, p.38 e 39. 6

O nome The Stijl literalmente significa “o estilo”. Também surgiu no século XX, na Holanda. Este estilo se caracteriza por dividir o espaço com precisão e rigor, conseguindo tensão e equilíbrio, alcançados com assimetria e uso criativo das formas básicas e das cores primárias, a exemplo de Bauhaus. Seus principais expoentes foram Piet Mondrian e Theo Van Doesburg. . HULBURT, Alen. Layout: o design da página impressa. São Paulo, Mosaico, 1980, p.34 e 35.


12 vanguardas do Design serão trabalhadas a partir do conhecimento apreendido em sala de aula, na disciplina Jornalismo Impresso. Essas escolas primam pela clareza e lisura do layout, assim como uso de formas geométricas e espaços em branco. Como principal obra norteadora do trabalho de diagramação, optou-se pelo livro produção gráfica: arte e técnica de mídia impressa, de Antonio Colaro (2007). Neste livro, Colaro apresenta técnicas, modelos e sugestões para construção de um layout limpo e clássico, como o buscado pela equipe de Bem-venidos.

4. RELATÓRIO DE ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

As atividades desse projeto experimental começaram em abril de 2011, quando foi definido o tema do projeto, que foi estruturado entre maio e junho, e foram definidas todas as estratégias e referenciais teóricos para a confecção da revista, tais como projeto editorial, número de páginas, projeto gráfico e pautas. O pré-projeto foi entregue no começo de julho, e deu-se recesso de férias. Em agosto, as atividades foram retomadas e as viagens para apuração começaram. Enquanto parte do grupo ia à Argentina para realizar apuração das matérias, outra parte realizava o mesmo processo em São Borja. O período de apuração durou dois meses, entre agosto e setembro. Após, iniciou-se o processo de revisão dos textos originais, realizadas em conjunto pelo professor orientador e pelo grupo. Em seguida, foi feita edição de imagens de todas as fotografias tiradas pelo grupo, em torno de 500, relativas a todas as pautas e estruturou-se um esboço do espelho da revista. Com textos e fotos editados, elaboraram-se os títulos, legendas, chamadas de capa e olhos de página. Todo esse material textual foi encaminhado para tradução. Por fim, a revista foi diagramada, teve uma cópia impressa em folha comum, a qual foi analisada e erros foram apontados, para serem corrigidos e enviada para impressão. A seguir, estas atividades estão detalhadas, sob a percepção de cada um dos membros do grupo, que apontam as dificuldades, os acertos e os desafios encontrados durante a produção de Bemvenidos.


13 4.1. ATIVIDADES E PERCEPÇÕES DO ACADÊMICO ANDERSON COGO

Após o primeiro contato com a professora Adriana Duval, que sugeriu a ideia inicial, formalizamos o foco do projeto e a indicação de orientador. Ficou definido que o produto jornalístico seria uma revista, e o professor Gonzalo Prudkin, o orientador. Prudkin que é argentino, na época desenvolvia projetos entre Brasil e Argentina com Adriana Duval, e assim foi considerado pelo grupo o perfil ideal para conduzir o trabalho. Com a definição do orientador, foram marcadas as primeiras reuniões para a formulação da base teórica do pré-projeto e a discussão de ideias. Na primeira orientação realizada no mês de maio na Unipampa, foram discutidas temáticas e potencialidades que seriam possíveis de atingir com este tipo de produto jornalístico em um mercado de região de Fronteira, como é o caso de São Borja. Anteriormente o projeto consistia apenas em contemplar a área do turismo, com o registro de viagens e destinos a partir da rodoviária da argentina Santo Tomé. Dentro desta linha de raciocínio, na primeira reunião ficou decidido que o projeto possuía condições de ampliar e enriquecer a sua abordagem editorial em relação a essas temáticas. No decorrer das reuniões, as ações foram colocadas em prática e a revista começou a ganhar o formato desejado. Na segunda orientação discutimos a ampliação de conteúdo e definimos que a revista seria bilíngüe, unificando o público brasileiro e argentino com assuntos de interesse geral dos dois países. A produção começava a ganhar o embasamento teórico ideal e assim projetar os fundamentos necessários para a produção prática na outra etapa do projeto. As reuniões com o professor Gonzalo seguiram durante os meses de maio e junho. A cada encontro era possível fundamentar a identidade teórica da revista, através da discussão e indicação de autores que trabalhavam com a área de turismo e abordavam assuntos referentes ao jornalismo especializado e a região de fronteira. O pré-projeto em seu modo de desenvolvimento até a etapa conclusiva teve a preocupação de fundamentar em ordem teórica a apresentação de seu objetivo, que foi o de estabelecer um canal de comunicação turístico-cultural em cidades de fronteira, considerando suas questões sociais, econômicas e culturais. No final do mês de julho, ocorreu a primeira reunião de pré-pauta com o orientador. O encontro foi considerado importante, pois foi possível discutir o conteúdo que realmente


14 era relevante de ser abordado e que implicaria diretamente com o objetivo proposto pelo projeto, o de estar ligado com a realidade local, tanto no interesse brasileiro quanto argentino. As pautas iniciais levantadas no encontro foram articuladas com a preocupação de valorizar o contexto histórico, cultural e o interesse público dos dois países. Partindo destes pressupostos, surgiram as primeiras idéias de reportagem, que quando projetadas pelo grupo, possuíam a intenção de aproximar as duas nações, através do jornalismo especializado em turismo. A reunião foi considerada importante para a equipe, pois deste encontro, foi possível traçar o roteiro inicial das matérias em São Borja, Santo Tomé e região da argentina. Neste momento já era possível ter uma noção exata sobre as intenções do conteúdo que seria abordado na Bemvenidos, e também projetar os desafios que a equipe teria com as viagens em regiões desconhecidas no país argentino. Com as pautas definidas, iniciava o primeiro contato na Argentina, para a apresentação do projeto e o agendamento de fontes para a construção das primeiras reportagens. No início do mês de agosto, agendamos a primeira visita. O destino era a prefeitura da cidade de Santo Tomé. Através de prévio agendamento, o grupo se dirigiu com o orientador para reunião com o vice-prefeito e a secretária de Turismo de Santo Tomé. Ao chegarmos à reunião, constatamos um dos primeiros desafios que a equipe teria: o idioma. O encontro foi positivo, nas tratativas, o orientador também argentino, auxiliou o grupo na transmissão das informações e repassou as intenções e objetivos que o projeto procurava atingir. No término do encontro, recebemos apoio e agendamos a realização das primeiras reportagens em solo argentino. Também recebemos apoio da prefeitura com o deslocamento pelos principais pontos de Santo Tomé. Como os locais eram desconhecidos, a prefeitura disponibilizou uma guia do setor de Turismo que auxiliou o grupo com as informações necessárias, A ação contribuiu plenamente com o desenvolvimento do trabalho, pois a equipe pode chegar com maior facilidade aos locais de agendamento das reportagens. Com as primeiras pautas agendadas na Argentina, o grupo se organizava para executar o trabalho também em São Borja. O colega Marcelo Reis ficou encarregado de cobrir a matéria “Terra de Museus”. Enquanto as pautas locais eram organizadas pelo grupo, uma próxima reunião definiria a primeira apuração de conteúdo na Argentina.


15 No dia 27 de agosto, o grupo realizou a primeira viagem de apuração de conteúdo no país argentino. Dois eventos ocorriam em Santo Tomé naquele dia. A data marcava o aniversário da refundação da cidade argentina, enquanto paralelamente no parque Rural de Santo Tomé era realizada exposição agropecuária. Dividimos as tarefas. Marcelo dos Reis ficou responsável pela cobertura da feira agropecuária enquanto a colega Tâmela Grafolin realizou apuração do aniversário da cidade. Minha função foi de registrar informações e fotos para a coluna primeira-impressão. Ao chegar no local, nos dividimos. A praça central de Santo Tomé estava cheia e procuramos iniciar o processo de apuração de conteúdo o mais rápido possível, para não perder detalhes sobre o que ia ocorrendo. As entrevistas e a obtenção de informação foram consideradas positivas, pois apesar da dificuldade do idioma e a agilidade que o momento requeria no modo de apurar, conseguimos captar e registrar dados e detalhes do evento. Vale ressaltar que não dispúnhamos de equipamento fotográfico profissional para captar imagens, e esta condição seria responsável por outro desafio no trabalho. Mas a expectativa foi superada com o empenho e lições teóricas de fotografia do grupo, foi possível cumprir o objetivo do registro de imagens nos dois eventos da Argentina. O resultado pode ser comprovado após a pré-edição das imagens que seriam utilizadas na publicação. Neste procedimento pode se perceber a preocupação com fatores de luz, estética e cores nas imagens produzidas, demonstrando que a técnica junto da teoria pode suprir a limitação tecnológica. Realizada a apuração das primeiras reportagens na Argentina, procuramos focar o trabalho também no conteúdo de São Borja. No início do mês de setembro, realizamos outra orientação onde foi possível fazer um balanço do primeiro trabalho na Argentina e direcionar a execução local. Em São Borja, fiquei responsável pela apuração da reportagem da Fenaoeste Internacional. Enquanto realizava o trabalho na cidade, Marcelo Reis e Tâmela Grafolin partiam para mais uma viagem à Argentina para executar reportagem do Clube dos Pescadores e do Centro Cultural de Santo Tomé. No dia 08 de setembro, realizei entrevista no Sindicato Rural de São Borja, com o vice-presidente da entidade, Pablo Silva. Na oportunidade foi possível obter dados e curiosidades importantes do evento que possui uma forte identidade com as potencialidades regionais, tanto econômicas quanto culturais. A indicação do evento para a cobertura na revista veio em um momento especial. Além de apresentar uma programação que traz benefícios turísticos e econômicos para São Borja, a


16 edição deste ano, foi a primeira que lançou a Fenaoeste de forma internacional, recebendo atrações artísticas e culturais da Argentina. Com o retorno dos colegas da Argentina, com a apuração do novo conteúdo, marcamos nova reunião com o orientador para realizar uma análise do material produzido e o que ainda havia de ser feito. Deste momento definimos as reportagens de São Borja que ainda faltavam e traçamos o planejamento das próximas duas viagens pela Argentina, desta vez, em um final de semana, quando não existem ônibus para Santo Tomé. Antes da próxima viagem, iniciei o trabalho de apuração da lenda de “Maria do Carmo” em São Borja. Apesar de se tratar de uma lenda conhecida na cidade e atrair devotos de várias regiões do Brasil e Mercosul, o trabalho exigiu um minucioso tempo de pesquisa e a busca de versões que realmente condiziam com a realidade da história. Utilizei como referência inicial o livro “Populário São-borjense” do escritor Aparício Silva Rillo, que contém uma importante pesquisa de documentos da possível época em que Maria do Carmo Fagundes viveu, e que contribuem para a estruturação da história. Para aprofundar a compreensão de Maria do Carmo sobre o imaginário popular busquei detalhes com a historiadora Jaqueline Cassafuz, que contribuiu com um relato da perpetuação da lenda e a peregrinação dos fiéis. Para a composição visual da matéria, buscamos imagens do jazigo da santa com elementos que conseguissem registrar todo o alvoroço que existe por trás da história. A melhor sistemática foram fotos com mensagens de devotos de várias regiões. Outra ideia original discutida e executada foi a de reproduzir uma caricatura de Maria do Carmo adaptada ao contexto da época. Contatamos uma ilustradora que desenvolveu a imagem com as informações que dispúnhamos sobre Maria do Carmo. No início de setembro realizei com o colega Marcelo Reis mais uma viagem a Argentina, para realizar apuração de reportagem sobre a gastronomia local. Como a data agendada ocorreu no domingo, não existem ônibus que saem do Brasil. Portanto na semana anterior agendamos com a Secretaria de Turismo de Santo Tomé uma recepção na aduana da Ponte Internacional São Borja - Santo Tomé. Nosso destino era o estabelecimento de Ricardo Lavalle, zona central de Santo Tomé, onde eram servidos alguns dos principais pratos da culinária argentina. Fomos guiados pela equipe de Turismo da prefeitura de Santo Tomé. Chegamos ao local por volta do meio dia, no momento em que eram servidos os clientes do restaurante.


17 Entrevistei o proprietário Ricardo Lavalle e seus funcionários, que repassaram informações e curiosidades sobre os pratos da culinária argentina que eram oferecidos. A partir dessas informações, foi possível complementar com maior exatidão a reportagem “Sabor da Estância”. O colega Marcelo Reis ficou responsável pelas imagens da reportagem. Após as entrevistas, o processo de degustação possibilitou analisar e descrever nossas impressões sobre o sabor da culinária argentina. Acreditamos que a reportagem cumpriu com seu objetivo, que era o de promover o turismo gastronômico do país, além de registrar seu contexto histórico. Em São Borja a colega Tâmela Grafolin executava a apuração de duas reportagens locais, uma referente à Semana Farroupilha e também a do Festival de Músicas de Carnaval. Junto do colega Marcelo Reis, partíamos para a última viagem na Argentina, a apuração da matéria na fazenda Las Marias, em Gobernador Virasoro distante 60 km de Santo Tomé. No dia 20 de setembro, conseguimos transporte com o colega de universidade Juliano Jaques, que nos conduziu de carro até o destino. Fiquei encarregado da apuração e Marcelo Reis das fotos. O objetivo da reportagem de Las Marias era registrar as potencialidades de produção do local, como a erva-mate e o chá, mas também mostrar o lado turístico e ecológico do empreendimento, que recebe diariamente visitantes de várias regiões da Argentina e Mercosul. Chegamos em Gobernador Virasoro pela parte da tarde, e fomos ao complexo Las Marias. Na medida em que circulávamos pelas dependências da fazenda, a equipe chegou à conclusão que teria que estender o espaço dedicado a reportagem, pela diversidade de atrativos que o empreendimento oferecia. Um passeio de ônibus conduzido por um guia local nos levou pelos principais setores do parque, onde foi possível registrar as informações. Em alguns momentos sentimos dificuldade com o idioma, pois o guia explicava de forma rápida as informações na medida em que o ônibus se deslocava. O que no momento não era compreendido, depois novamente foi respondido atenciosamente pela equipe de Las Marias. O auxilio dos guias turísticos contribuíram de forma significativa para a obtenção de todas as informações que necessitávamos. A reportagem superou a expectativa do grupo em termos de conteúdo e foi eleita para se tornar a matéria principal, com 6 páginas. O título “Las Marias conquista turistas” foi decidido, por ter ligação com a nossa primeira impressão de chegada no local.


18 Las Marias foi a última viagem internacional. Após a apuração em Gobernador Virasoro, o grupo se reuniu para avaliar todo o conteúdo produzido e iniciar o processo de diagramação. No período de duas semanas, os colegas Marcelo Reis e Tâmela Grafolin, encarregados da diagramação, finalizaram a tarefa. Com a revista diagramada, enviamos o material para o orientador Gonzalo avaliar. No dia 28 de outubro realizei orientação com o professor Gonzalo para realizarmos as correções e ajustes necessários na Bemvenidos. Algumas alterações foram sugeridas em relação ao conteúdo que estava em espanhol. Outras eram referentes a algumas legendas. Revisamos toda a revista, registrei as alterações e repassei ao colega Marcelo Reis.

4.2. ATIVIDADES E PERCEPÇÕES DO ACADÊMICO MARCELO REIS

Depois da definição do tema da publicação, em meados de abril, e da escolha do orientador, prof. Dr. Gonzalo Prudkin, começamos com as primeiras reuniões de orientação, nas quais foram definidos os assuntos que seriam abordados, assim como a especialização em turismo cultural, destacando-se temas como roteiros e destinos turísticos, festas populares, atrações gastronômicas, curiosidades e especificidades históricas e culturais de cada região. Para a produção do pré-projeto, buscamos autores que embasassem essa perspectiva do turismo, aliado à comunicação, como meio de ampliação do fluxo de informação e propulsão econômica para a região, com o incentivo a uma aproximação cultural dos das dos dois países. Definido o perfil da revista, foram divididas as pautas, e estudadas as abordagens. Nesse caso, o conceito de pauta reflete os modelos que aprendemos nas disciplinas de Jornalismo Impresso, em que se propõe um esboço do tema que será tratado, dá-se um enfoque e sugerem-se fontes. Como muitas das reportagens foram exploratórias, muitas das pautas ficavam semi abertas, ou seja, com alguns dados incompletos, devido à existência de variáveis durante a apuração e pesquisa exploratória. Nesse contexto, definimos um esboço do projeto editorial da revista, que seria bilíngue, teria layout com padrões clássicos, e cores predominantes em tons terrosos, como forma de garantir identidade visual e aproximação com a região na qual está inserida. Com a entrega do projeto, houve o recesso acadêmico, e logo após começaríamos a apuração.


19 O primeiro passo foi uma reunião com o vice-prefeito e a secretária de turismo de Santo Tomé. Nessa reunião, mediados pelo orientador, apresentamos o projeto e suas potencialidades, assim como pedimos apoio no sentido de orientação quanto à possibilidade de pautas. O resultado foi satisfatório e saímos da nossa primeira visita já com diversas sugestões de assuntos que poderiam ser abordados. Nossa primeira viagem de apuração ficou marcada para o dia 27 de agosto, data do aniversário de refundação de Santo Tomé. Voltando a São Borja, já com as pautas daqui também definidas, começamos a apuração. Minha primeira pauta era da reportagem “Terra de Museus”. Nela, o objetivo era fazer um apanhado geral de todas as instituições desse gênero que existem na cidade. Como eram apenas duas páginas destinadas a esse tema, o relato teve de ser breve, pois existem cinco museus – e casas de cultura similares. O maior desafio dessa reportagem foi enquadrála em um espaço editorial pequeno, e ainda definir o número de fotografias. Não obstante,as fotografias também seriam um problema, pois três dos cinco museus não permitem que seu acervo seja fotografado. A saída encontrada, tanto por questões de busca por clareza em um espaço editorial pequeno, quanto pela proibição de registros fotográficos, foi utilizar apenas uma foto, em tamanho grande, do museu dos Angueras. O próximo compromisso seria em Santo Tomé, durante a festa de refundação. Todos os membros do grupo compareceram. Tâmela ficou responsável por escrever a matéria sobre a festa e suas atrações, e Anderson por coletar material para a coluna primeira impressão. Minha responsabilidade era fotografar para essas duas reportagens, assim como produzir a reportagem sobre uma feira rural, que aconteceria durante a tarde. Para a produção de fotografia, não dispúnhamos de equipamento profissional, no entanto, aplicamos vários conceitos apreendidos nas aulas de fotojornalismo, tais como a busca pela melhor iluminação, a varia cão de ângulos, uso de contrastes e detalhes das pessoas e objetos fotografados. O cenário, cheio de cores e tomado por milhares de pessoas, possibilitou que se fizessem boas fotografias. Para a apuração dessa matéria, assim como as outras que realizei em solo argentino, o idioma era um dos empecilhos. No entanto, com nosso conhecimento básico do espanhol, aliado a gravação das entrevistas e a insistência para que as informações fossem repetidas, conseguimos apurar informações corretas. Nesse tempo, Anderson realizou também, em São Borja, a apuração da matéria “Fenaoeste Internacional. Após, seguimos em contato por telefone com a prefeitura e secretaria de turismo de Santo Tomé, e agendamos nossa segunda ida. Nesse dia, fomos Tâmela e eu. Ela ficou


20 responsável por apurar reportagem sobre o Centro Cultural de Santo Tomé, para o qual eu realizaria as fotos. Dessa vez, ao contrario da primeira, em que havíamos ido de carro com o orientador, tivemos que ir de ônibus, o que limitou nosso tempo de atuação para apenas seis horas diárias. Chegando lá, fomos recebidos por uma assistente da secretária de Turismo, que nos conduziu ao local da pauta. Mais tarde, era minha vez de realizar apuração, desta vez da reportagem “clube dos pescadores”, para a qual Tâmela faria as fotos. Nesse local conseguimos entrevistas e também uma visita exploratória, para que pudesse fazer o texto mais descritivo e impressionista, como foi proposto no pré-projeto. Também tive que negociar com uma das fontes, um oficial da Marinha Argentina, que não permitiria que a conversa fosse gravada. No entanto, expliquei-lhe que precisaria da gravação, pois não compreendo bem o idioma. Ele relutou, mas concordou ao fim. À tarde, minha missão era conseguir fotos e informações para a galeria de fotos da publicação. Para isso, fui acompanhado da secretária de turismo, que me passava todos os dados estatístico, históricos e culturais para a produção das legendas. Visitamos dois pontos turísticos de Santo Tomé, que renderam excelentes imagens. Enquanto isso, em São Borja, Anderson produzia a reportagem sobre Maria do Carmo. Continuamos mantendo contato com a secretária de turismo, e a abordamos sobre a possibilidade de pautas relacionadas à Gastronomia. Ela sugeriu-nos algumas ideias, mas optamos por um pequeno restaurante que serve pratos típicos aos domingos. Na semana seguinte, fui visitá-lo, junto ao colega Anderson, que seria o responsável pela reportagem. Eu fiquei incumbido de fazer as fotografias. Essa tarefa foi muito instigante, pois não tinha fotografado ainda em um local como esse. Era de aparência antiga, com panelas em fogo de chão, e muita fumaça pelo ar, além de ter as cores em tons terrosos, o que combinaria com a revista. Foi uma excelente experiência fotográfica. Já em São Borja, Tâmela produzia a reportagem sobre o festival de musicas do carnaval. O nosso último compromisso em solos argentinos ocorreu no dia vinte de setembro, quando fomo de carro à Fazenda Las Marias, em Gobernador Virasoro, a cerca de 60km de Santo Tomé. Nesse dia, a apuração da reportagem também ficou a cargo do Anderson, e novamente me responsabilizei pelas fotos. Em São Borja, Ta mela ficou responsável pela reportagem sobre o desfile farroupilha. Las Marias era um local extenso, com muito verde e também proporcionou fotografias interessantes. Nesse dia, ao final da jornada de apuração, o que se notava era o cansaço físico, um dos itens que não se leva em consideração quando se


21 fala em reportagens de longa distância. No entanto, ao participar ativamente dessa produção, notamos que em solo desconhecido, temos que multiplicar nossa capacidade jornalística, tanto para aproximação com as fontes quanto para conseguir interpretar suas informações, em virtude do idioma, e da cultura também diferente, dos hábitos sociais e culturais. Após finalizado o trabalho de apuração, partimos para a edição de textos, nesse processo, os colegas revisavam os textos uns dos outros, o que já vinha acontecendo ao longo da produção, ou seja, essa foi uma revisão final, para passar à tradução do orientador. O processo de produzir legendas, títulos, chamadas de capa, de sumário e subtítulos, também nos proporcionou bom aprendizado. Baseamo-nos em conceitos de Fátima Ali (2009) que enumerava aspectos e características desses tipos de texto, que são imprescindíveis para despertar a curiosidade do leitor sobre o texto. O último processo foi a diagramação, realizada por mim e pela Tâmela, nos moldes já propostos pelo nosso projeto gráfico, em estilo clássico, bauhausiano e com muitas fotografias e espaços em branco.

4.3 ATIVIDADES E PERCEPÇÕES DA ACADÊMICA TÂMELA GRAFOLIN

Depois das primeiras impressões e da ideia bruta, em abril de 2011, durante o sétimo semestre do curso de jornalismo, a professora Adriana Duval nos auxiliou no pré-projeto de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) criando, a partir de nossa ideia original, o produto que mais tarde se tornaria a revista Bemvenidos. No princípio, a revista possuía um conceito diferente do qual adotamos na fase final de sua produção. Ela não seria bilíngue e teria um ponto fixo de distribuição. Os primeiros encontros aconteceram ainda em maio de 2011. Nessas reuniões entre os colegas Marcelo Reis, Anderson Cogo e eu, definimos quem seria o nosso orientador durante a execução do projeto. Escolhemos o professor doutor Gonzalo Prudkin, pesquisador na área de comunicação na fronteira e que nasceu na Argentina. O professor, além dos fatores já mencionados, também realizou projetos em parceria com a professora Adriana na disciplina de “Comunicação, Fronteira e Identidade”, dessa forma, concluímos que ele poderia nos auxiliar bastante no projeto, tanto com o idioma quanto com o conteúdo da revista.


22 Com o orientador definido, partimos para a produção do pré-projeto da revista. Em nossa primeira reunião discutimos as potencialidades do produto, por ser um tipo de publicação inédita na fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina. O projeto foi sofrendo modificações desde o primeiro encontro do grupo. A ideia bruta, sugerida pela professora Adriana, foi sendo lapidada. Com o intuito de ampliar o fluxo de informações entre as cidades de fronteira - no caso, São Borja e Santo Tomé – partimos do conceito e da ideia de se fazer uma revista de turismo, mas com as discussões que tivemos em nossas reuniões iniciais decidimos que o conteúdo da revista poderia ser restringido de turismo para turismo cultural. A partir do segundo encontro houve a decisão de que a melhor maneira de atingir tanto o público da cidade brasileira quanto da argentina era utilizando os dois idiomas, ou seja, optamos em fazer uma revista bilíngue. Para a segunda reunião também já havíamos elaborado alguns modelos de capa, logotipo para a revista e um esboço da identidade visual, além da escolha do nome Bemvenidos. O nome foi sugerido por mim, como justificativa expliquei aos meus colegas e orientador que o nome era uma mescla dos dois idiomas na expressão utilizada na recepção de turistas em todos os lugares do planeta: bem-vindos. Nesse encontro recebemos do orientador as sugestões de leitura para o embasamento teórico do projeto. Estudamos livros que embasavam a escolha do veículo revista, de idioma bilíngue, turismo cultural, além de pesquisarmos sobre produtos semelhantes criados em outras regiões do país. Após a definição dos autores, partimos para a elaboração de nosso embasamento teórico. Já no pré-projeto buscamos justificar e explicar a escolha de cada item que fazia a composição da identidade visual da revista e de seu conteúdo. As reuniões seguintes à finalização do pré-projeto serviram para a definição das pautas. Os primeiros assuntos sugeridos foram os que envolviam a cidade de São Borja, por termos maior conhecimento da cidade. Nosso foco foi o de mostrar de forma realística os aspectos culturais e turísticos do município e como eles estão interligados. Nas pautas selecionadas aparecem também os potenciais de turismo na história da região. Logo nas nossas primeiras reuniões de pauta percebemos que teríamos certa dificuldade na seleção do conteúdo, pois as duas cidades possuem pontos turísticos, história local e eventos culturais bastante valorizados na região e que interessam ao público. Outro aspecto que foi decidido na reunião de pauta foram as editorias que a revista teria, número de páginas, colunas e como seriam distribuídas as matérias em quantidade por país.


23 Após selecionarmos as pautas que seriam apuradas no Brasil, agendamos uma reunião com o vice-prefeito e a secretária de turismo de Santo Tomé, na Argentina. Nosso orientador foi quem mediou o contato para o grupo, agendou a reunião e fez uma préapresentação do projeto para o governo de Santo Tomé. Chegando lá, nos deparamos com as primeiras dificuldades: o transporte de São Borja para Santo Tomé poderia dificultar na apuração das pautas, pois teríamos um curto período de tempo durante o dia para produzirmos as matérias, devido ao horário do ônibus que trafega entre as duas cidades. Outro empecilho que encontramos em nossa primeira visita à cidade foi justamente o idioma. Por mais que o português e o espanhol sejam línguas de origem latina, cada um possui espeficidades que podem atrapalhar a comunicação. Em nosso primeiro encontro com o governo de Santo Tomé surgiram as primeiras pautas a serem apuradas na Argentina. Fomos informados de festas tradicionais e museus que a cidade possuía. Agendamos também uma visita guiada com a secretária de turismo, que ocorreu algumas semanas depois. De volta à São Borja, marcamos uma nova reunião com o grupo onde foi decidido que pauta cada um deveria fazer. O colega Marcelo Reis ficou responsável por produzir a matéria “Terra de Museus”. Anderson Cogo apurou a matéria sobre a Fenaoeste, junto ao Sindicato Rural. Eu fiquei responsável por produzir a matéria sobre a comemoração do “20 de Setembro”. Na apuração da pauta encontrei algumas dificuldades em levantar as informações. Quando procurei o responsável pelo evento na Secretaria de Cultura de São Borja, fui informada de que a prefeitura não possuía muitas informações a respeito. Tive de procurar as entidades que desfilam no “20 de Setembro”, como CTGs e PTGs, para levantar alguns dados, mesmo assim, havia pouca informação exata. Para resolver esse problema, optei pela produção de um texto que mostrasse o lado emocional, o que representa essa data para os gaúchos. Na mesma semana, marcamos um encontro com o departamento de cultura da Secretaria de Cultura e Turismo de São Borja, no qual arrecadamos materiais que mais tarde foram utilizados nas produções de algumas pautas. No encontro, surgiram novas pautas repassadas pelo Departamento de Cultura. Dia 27 de agosto realizamos nossa primeira viagem para apuração das pautas em Santo Tomé. Nesse dia ocorreu a festa de comemoração aos mais de 100 anos de refundação da cidade. A data é tradicional em Santo Tomé e a celebração ocorre de modo parecido ao “7 de Setembro”, data da Independência do Brasil. Nesse dia, fiquei responsável por falar da


24 pequena feira de alimentos e brinquedos montada durante a comemoração da data. Além da celebração cívica organizada, como discursos e o desfile das escolas. Nesse mesmo dia visitamos a feira agropecuária de Santo Tomé. O colega Marcelo ficou responsável por cobrir o evento para a revista. Nesse dia de visitas, o colega Anderson fez apontamentos para escrever a coluna Primeira Impressão. Tanto a feira agropecuária quanto a praça onde foram realizadas as festividades de refundação da cidade estavam lotadas. Pessoas por todos os lados. O que se destacou, na minha opinião, foi a cuia de chimarrão que circulava pelas rodas de argentinos. Esse fato salientou como brasileiros e argentinos apresentam costumes semelhantes. Outra dificuldade que enfrentamos foi a falta de equipamento adequado para fazermos as fotografias. No que se refere às fotografias, conseguimos suprir a falta de equipamento utilizando técnicas aprendidas na universidade, como ângulos, iluminação e enquadramento. Para as entrevistas, no entanto, era imprescindível o uso do gravador, já que o idioma das fontes era o espanhol, o que garantiria a fidelidade da informação. Após as duas primeiras visitas ao país vizinho, o colega Anderson começou a apuração de sua pauta no Brasil, enquanto eu e Marcelo voltamos à Argentina para uma terceira visita. Na apuração de pautas na Argentina, fiquei responsável pela matéria sobre o Museu de Santo Tomé, onde visitei e conversei com o guia. Ele ainda se prontificou de me enviar mais material por e-mail, mas constatei que não seria necessário. Enquanto apurava para produzir o texto, o colega Marcelo ficou responsável por fazer as fotos do museu. Nesse dia, visitamos outros lugares da cidade com o auxílio da Secretária de Cultura. Fomos até o Clube de Pescadores da cidade onde o colega Marcelo ficou responsável pela apuração das informações e pela produção do texto, enquanto eu fiz as imagens para ilustrar a matéria. Também fizemos imagens de pontos turísticos de Santo Tomé para ilustrar a editoria Galeria de Fotos da revista. Aproveitamos a estadia para entramos em contato com a gráfica de Santo Tomé para conversarmos sobre valores de impressão da revista. Durante o dia que passamos conhecendo os pontos turísticos de Santo Tomé, aproveitamos para agendar uma visita ao restaurante que seria destaque na editoria de Culinária. Marcamos uma visita para a próxima semana para fazermos a matéria sobre os pratos típicos da culinária argentina. De volta à São Borja, com o material coletado na Argentina, marcamos uma nova reunião com o nosso orientador, para avaliarmos as matérias que já haviam sido produzidas.


25 Aproveitamos o encontro para discutirmos sobre pautas que deveriam ainda ser apuradas e outras que poderiam ficar de fora da revista. O professor aprovou os textos já produzidos e nos orientou na produção das pautas que faltavam. Após a reunião, decidimos que as próximas duas visitas que faltavam ser feitas à Argentina, ficariam sob responsabilidade dos colegas Anderson e Marcelo. Enquanto isso, fiquei responsável pela apuração e produção do texto sobre o festival de música que ocorre todos os anos no Cais do Porto, em São Borja. Para isso, contatei a Secretaria de Cultura e Turismo do Município. Como não poderia fazer as imagens do evento, que já havia acontecido no início do ano, entrei em contato com um de nossos colaboradores solicitando as imagens. No dia 20 de setembro, os colegas Marcelo e Anderson foram à Argentina para visitar a ervateira “Las Marias”. Dessa visita surgiu nossa matéria de capa da revista, já que a fazenda oferece passeios turísticos guiados para seus visitantes. Nesse dia, não pude ir com os colegas, mas os auxiliei nos gastos que teriam. Como permaneci em São Borja, procurei colaboradores para conseguir mais imagens sobre o desfile da semana Farroupilha. Enquanto os colegas produziam suas pautas sobre a cidade de Santo Tomé, passei a cuidar da documentação necessária para conseguirmos patrocínios ou vendermos páginas de publicidade na revista. O dinheiro arrecadado seria utilizado para pagarmos a impressão dos exemplares da revista. Nossa meta era distribuir quinhentas revistas e para isso precisaríamos vender seis páginas de publicidade. Para garantirmos aos futuros contribuidores de que o dinheiro seria utilizado em um trabalho de universidade, produzi um documento atestando que estávamos cursando jornalismo na Universidade Federal do Pampa e de que o dinheiro das contribuições seria utilizado na impressão do nosso projeto experimental de conclusão de curso. Esse documento foi assinado pelo coordenador do curso, professor Miro Bacin. Enfrentamos muitas dificuldades na arrecadação de dinheiro para impressão da revista. A prefeitura de Santo Tomé havia se disponibilizado em colaborar, mas não conseguimos manter contato com o vice-prefeito e nem com a secretária de cultura. No dia que nos encontramos trocamos e-mails, mas tivemos dificuldade em obter retorno dos emails que enviamos. Por esse motivo, resolvemos pagar com dinheiro próprio a impressão da revista e em função do tempo não tentamos mais contatar os colaboradores. No entanto, tivemos de reduzir o número de exemplares. Tentaremos imprimir um número considerável da revista após o período de avaliação do trabalho de conclusão de curso, pois é um projeto que despertou interesse tanto da prefeitura de São Borja quanto da prefeitura de Santo Tomé.


26 Após a finalização das matérias realizamos uma nova reunião com nosso orientador para revisão do material. Os textos escritos em português sobre São Borja foram encaminhados para o orientador fazer a tradução para o espanhol. As legendas da galeria de imagens também foram enviadas para tradução, pois possui legendas em português e espanhol. Nosso orientador falar espanhol facilitou bastante na qualidade do produto que desejamos, pois como gostaríamos de fazer uma revista bilíngue, se não fossem as traduções do professor Prudkin nós teríamos de pagar a um profissional para efetuar o trabalho. Durante a produção das pautas, o colega Marcelo fazia esboços de diagramações das matérias à medida que ficavam prontas. A cada texto que produzíamos enviávamos para ele com as imagens já selecionadas e com sugestões de olho e legenda. Isso facilitou o nosso trabalho de diagramação final, pois já possuíamos o design de páginas padrão. Depois da reunião com o orientador, onde revisamos os textos e enviamos para tradução, começamos o trabalho de edição de imagens para a revista. Selecionamos quais ilustrariam as matérias e quais iriam para a editoria de galeria de imagens. Nessa mesma semana, em outubro, realizamos a diagramação final da revista que ficou sob responsabilidade minha e do colega Marcelo. Nesse mesmo período, o colega Anderson entrou em contato com nosso orientador para iniciar a produção do relatório final. Como já havíamos definido as fontes e as cores da revista, não enfrentamos dificuldades em diagramar as matérias. Finalizamos o trabalho em uma semana. O colega Marcelo, por ser o responsável pelo layout da revista, diagramou a maior parte das matérias. Minha colaboração envolveu apenas seis páginas. Com o término da diagramação, passamos para a seleção da capa. O colega Marcelo fez três modelos para escolhermos o melhor. Com a capa selecionada, revisamos as páginas da revista para verificar alinhamentos, hifenização, qualidade das imagens, etc. Após nossa própria verificação, enviamos para o professor Prudkin fazer a avaliação final. O professor orientou que fizéssemos mais alguns ajustes e depois disso avisou que já poderíamos enviar para impressão. Com a finalização da revista, começamos a escrever o relatório. Nessa fase, nosso orientador nos enviou modelos para seguirmos, já que a Unipampa não possui um modelo próprio.


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5. PLANO DE NEGÓCIOS E ESTRATÉGIAS DE DIVULGAÇÃO

Inicialmente, optou-se por produzir uma revista de 48 páginas, com custo médio de impressão de 3 mil reais para quinhentos exemplares, segundo orçamento pré-estipulado. Dessa forma, seriam reservadas seis páginas para anúncios, sendo R$ 500 o custo de cada uma. No entanto, para a impressão inicial do produto e sua apresentação, optou-se por poucos exemplares, apenas para teste. Dessa forma, inviabiliza-se a busca por patrocinadores, devido à tiragem limitada, o que motivou que o produto desenvolvido nesse projeto tenha 44, e não 48 páginas, sendo duas de reserva técnica à publicidade. Como anunciantes em potencial, consideram-se empresas brasileiras e argentinas ligadas ao setor turístico, tais como restaurantes, hotéis, casas de câmbio, empresas de transporte, empresa aduaneira, estabelecimentos que trabalham com turismo, como a ervateira Las Marias, além de órgãos públicos interessados em difundir o turismo e a cultura, como prefeitura e Câmara de Vereadores. A periodicidade seria bimestral ou trimestral, dependendo da disponibilidade de recursos vindos dos anunciantes, já que vários temas e abordagens ainda podem ser explorados e ampliados, em vista à riqueza histórica e cultual dessa região de colonização missioneira. Como atividades futuras para divulgação da revista, o ideal seria estruturar lançamentos oficiais em São Borja e Santo Tomé, realizando coquetéis aliados a apresentação do produto e entrevista coletiva, de modo a difundi-lo amplamente e divulgar suas características

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS Depois de quase nove meses de trabalho, a elaboração do projeto, produção e pósprodução, a revista Bemvenidos mostrou-se contributiva tanto para nossa formação acadêmica, como um meio eficiente para colocar em prática os conceitos jornalísticos apreendidos na universidade, tais como fotografia, texto, apuração e diagramação, quanto para a comunidade, como forma de intercambio e aproximação cultural alicerçados em um produto de comunicação. Durante o processo, tivemos a oportunidade de ter uma atuação empírica e avaliar as metodologias e os processos que compõe o Jornalismo Especializado, nosso tema central de atuação, experimentar as dificuldades que compõem a apuração jornalística, aliado ao pouco


28 domínio do idioma espanhol, necessário para realizar as entrevistas. A diferença de idioma levou-nos a ter ainda mais preocupação quanto à fidelidade aos dados repassados pelas fontes, de forma a reproduzir a informação sem falhas. Não obstante, a confecção da revista oportunizou que tivéssemos experiências com o desenvolvimento de uma publicação bilíngue, a qual exige projeto gráfico e editorial diferenciado, de forma que a publicação não aparente estranheza aos olhos do leitor. No âmbito comunicacional, o projeto da revista se apresenta como uma alternativa viável de desenvolvimento para a região, sendo um instrumento de fluxo de informação especializada em turismo cultural, o que poderá estimular maior interesse, por parte dos moradores, em visitar e conhecer o pais vizinho. Portanto, a revista Bemvenidos pode se tornar um meio de propulsão econômica, e também da cultura e do turismo da região na qual está inserida.


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TAVARES, Frederico M. B. O jornalismo especializado e a especialização periodística. Estudos em Comunicação no5. 2009. Disponível em http://www.ec.ubi.pt/ec/05/pdf/06tavares-acontecimento.pdf. Acesso em 11 de junho de 2011.

TAVARES, Frederico M. B. O jornalismo especializado e a mediação de um ethos na sociedade

contemporânea.

Em

questão,

vol.

13.

2007.

Disponível

em

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WORLD TOURISM BAROMETER, WTO v.3, n.1. Disponível em <www.worldtourism.org> Acesso em 26 jun. 2011.


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ANEXOS ANEXO I: ORÇAMENTO DE IMPRESSÃO

Cachoeira do Sul, 06/06/2011 À Marcelo Reis At. Prezado cliente, Apresentamos nossa proposta orçamentária para a confecção do(s) serviço(s) conforme especificações abaixo : FAVOR CONFERIR ATENTAMENTE AS INFORMAÇÕES DO ORÇAMENTO COM A SUA SOLICITAÇÃO!

Itens solicitados do orçamento : 073145. 073145.01 200 Revistas Impressas - Impressos Capa/contra: 25x35.3cm, 4x4 cores em Couchê Brilho 230g. CTP. Miolo: 48 págs, 17.5x25cm, 4 cores em Couche Brilho 115g. CTP. Grampeado, Dobrado(Miolo), Verniz U.V Total=1 lado(s) (Capa/contra), Vinco(Capa/contra), Dobra(Capa/contra). Total: R$ 2.700,00

Unitário: 13,50

Pgto: A combinar

073145.02 500 Revistas Impressas - Impressos Idem item anterior Total: R$ 3.200,00

Unitário: 6,40

Pgto: A combinar

073145.03 1.000 Revistas Impressas - Impressos Idem item anterior Total: R$ 4.000,00

Unitário: 4,00

Pgto: A combinar

Validade da proposta : 15 dias Contato Comercial : Ricardo V.da Cunha - (51)99729614 Cliente fornece arte pronta para impressão Prova JPG- não impressa Entrega cortesia Sem comissão agência

Validade15 dias-Orçamento. perde sua valid. qdo houver qualquer alteração nas caract. do material acima orçado. Reservamos o direito de fornecer 5% a mais ou a menos da quantidade solicitada sem influir no custo. Na aprovação, solicitamos enviar uma ordem de compra ou autorização de acordo com a proposta, pois somente desta forma daremos início a produção. Pagamento à vista 2.5% desc.

Atenciosamente,

Autorizo a confecção do(s) item(ns) acima assinalado(s)

Grafica Jacui Ltda Marcelo Reis


TCC ANDERSON GREGORIO IFRAN COGO