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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA CAMPUS SÃO BORJA COMUNICAÇÃO SOCIAL - HABILITAÇÃO JORNALISMO DISCIPLINA DE TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO II

CIBER SÃO BORJA

Autores: Greice Pinto Meireles Mariele Dornelles Campos

Projeto experimental apresentado como requisito à conclusão do curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), sob a orientação do Prof. Ms. Marco Bonito.

SÃO BORJA 2010


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GREICE PINTO MEIRELES MARIELE DORNELLES CAMPOS

CIBER SÃO BORJA

Projeto experimental apresentado ao curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, da Universidade Federal do Pampa, como requisito à obtenção do grau de bacharel em comunicação social. Área de concentração: Cibercultura

Trabalho de conclusão defendido e aprovado em: Banca examinadora:

______________________________________________________________________ ____ Prof. Me. Marco Bonito Orientador (Comunicação Social – Jornalismo) – (UNIPAMPA)

______________________________________________________________________ ____ Profª. Drª. Michele Negrini (Faculdade de Letras / Jornalismo: Reportagem e Redação Jornalística) – (UFPel)

______________________________________________________________________ ____ Profª. Drª. Adriana Duval (Comunicação Social – Jornalismo) – (UNIPAMPA)


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Dedico aos meus pais Mari Sabina Dornelles Campos e Alci Campos pelos esforços intermináveis e pelo apoio em todos os momentos de minha formação humana e profissional. Também a todos quem amo por serem guardiões do meu amor, durante os momentos de minha ausência da vida sentimental e social. Mariele Campos

Dedico aos meus pais, Jurema Pinto Meireles e Alquindar Gonçalves Meireles pelos seus incomparáveis esforços, suporte em todos os momentos ao longo da produção desse projeto, paciência pelas ausências nos momentos familiares e também por me dar afeto incondicional. Greice Meirles


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AGRADECIMENTOS A Deus que nos reservou a oportunidade de alcançarmos este, que é um objetivo de uma vida inteira e que, a cada dia revigoradas, podemos construir cada uma de suas etapas. Ao Professor Mestre Marco Bonito, por nos guiar na realização deste projeto e também por toda sua dedicação sem limites de hora e espaço. A todas as pessoas que se dispuseram a nos fornecer informações para a fundamentação desse trabalho. Ao colega Anderson Cogo, pelo empréstimo de seus equipamentos e mini laboratório amador para a produção dos vídeos e dos áudios. Aos docentes da Universidade Federal do Pampa, por , cotidianamente, nos tornar profissionais capacitadas e preparadas para os constantes desafios do jornalismo.


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“O ciberespaço não é o deserto do real, assim como não é o fim da comunicação ou do social.” André Lemos


6 RESUMO

O projeto experimental Ciber São Borja, é uma forma de mídia locativa1 na qual busca integrar o espaço físico, encontrado na cidade de São Borja através dos pontos turísticos, e o espaço virtual da internet, a partir de ferramentas de mapeamento. São Borja é uma cidade interiorana do Rio Grande do Sul que, possui poucos recursos e opções de busca na internet, para a parcela da sociedade que, nessa mídia, procura conhecer a cidade pelos mais diversos motivos. O Ciber São Borja foi projetado para possibilitar que a cidade tenha seus principais pontos turísticos mapeados, descritos e divulgados no ciberespaço através do conceito de cibercidades2, assim como iniciar uma nova forma de divulgar informações, através do mapeamento on-line.

Palavras chaves: São Borja; cibercidade; mídias locativas; geolocalização e QR Codes.

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São mídias tecnológicas que disponibilizam informações vinculadas a um determinado local.

Segundo André Lemos, cibercidade é a cidade na cibercultura, onde os novos processos técnicos, unidos as relações sociais se estabelecem no ciberespaço configurando-se como cibercidade.


7 ABSTRACT

The experimental project Ciber S達o Borja, is a way of locative media in which it seeks to integrate the physical space found in Sao Borja through the tourism sights, and the virtual space on the Internet, from mapping tools. S達o Borja is a within city of Rio Grande do Sul which has few resources and search options on the internet, for the portion of society that, in these media, looks for to know the city for several reasons. The Ciber S達o Borja was projected to enable that the city has its major tourist spots mapped, described and disclosed in cyberspace through the concept of cybercity, as well as starting a new way of disseminating information via the online mapping.

Keywords: S達o Borja; cybercity, locative media, geolocation and QR Codes.


8 SUMÁRIO

1.

INTRODUÇÃO ................................................................................................. 10

2. Justificativa............................................................................................................. 10 3. Objetivo .................................................................................................................. 12 4. Metodologia............................................................................................................ 13 5. Quadro Referencial Teórico .................................................................................... 14 5.1. Características do jornalismo digital ................................................................. 15 5.2. Cibercultura ..................................................................................................... 21 5.3. Cibercidade ...................................................................................................... 21 5.4. Mídias locativas ............................................................................................... 22 6. Apuração, produção do conteúdo e estrutura do produto.......................................... 23 6.1. Apuração.......................................................................................................... 23 6.2. Produção do conteúdo ...................................................................................... 24 6.3. Relato das visitas.............................................................................................. 25 6.4. Estrutura........................................................................................................... 28 7. Considerações Finais............................................................................................... 36 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................... 37 ANEXO – Placa no tamanho original.......................................................................... 41


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CIBER Sテグ BORJA

Blog: www.cibersaoborja.blogspot.com Flickr: www.flickr.com/photos/cibersaoborja/ YouTube: www.youtube.com/user/CiberSB Google Mapas: http://goo.gl/maps/BnHf


10 1. INTRODUÇÃO

O projeto experimental Ciber São Borja tem o intuito de apresentar a cidade de uma nova maneira, promovendo o conhecimento histórico, cultural e informacional utilizando a integração dos espaços físicos com as novas tecnologias da informação e da comunicação. Para isto, vale-se de placas informativas que contém QRcodes (Quick Response Codes)3 e possibilitam o acesso rápido, através de um endereço na internet, a conteúdos jornalísticos em texto, fotos e vídeos. O projeto pretende mapear a cidade a partir dos pontos turísticos e também de alguns de seus pontos de referência ampliando a experiência de consumo de informações e conhecimento por parte dos seus cidadãos.

2. Justificativa O ciberespaço é uma área que promete crescente desenvolvimento para os próximos anos, na pesquisa do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação, realizada em 2009, que aponta índices promissores nessa área, quanto ao acessa a internet no país, incluindo a Nova Geração (pesquisa com crianças de 5 a 9 anos), o uso de Rede Sociais e tecnologias móveis. Com isso a pesquisa aponta que o acesso a internet atingirá cada vez mais um público massivo. A sociedade da informação vem se adaptando a esse meio devido à necessidade do imediatismo trazido pela internet, onde

A disseminação e distribuição instantâneas de informação na forma de sinais eletrônicos na era digital se processa de maneira tão rápida que conseguiu fazer com que, pela primeira vez na história, uma mídia alcançasse patamar de audiência como jamais nenhuma tradicional atingiu. (BARBOSA. Suzana, 2001 p.02)

Nesse sentido, a internet serve como um suporte extremamente eficaz. A busca da informação que antes exigia um maior espaço de tempo, hoje é alcançada em poucos segundos. Assim, o ciberespaço, surge para trazer informação à distância de um clique do internauta. Basta, ele estar conectado à internet, em questão de instantes os 3

Código bidimensional em 2D que permite, ser decifrado a partir de celulares e smartphones, com leitores apropriados. Assim, todos os formatos de arquivos disponíveis na internet podem ser gerados, basta apontar o aparelho digital na direção do código com a câmera ligada e o código enviará o link direcionado na internet.


11 conteúdos baixarão na página, trazendo ao internauta o acesso às últimas notícias ou a qualquer outro assunto que estiver procurando, no país, no mundo e também no ambiente em que está inserido. Considerando que a internet possibilita que o indivíduo encontre informações de qualquer parte do mundo. A partir daí leva-se em conta que ele também precisa saber sobre o que acontece em sua volta, pois

“As culturas locais podem ser potencializadas pelo uso da internet ao invés de serem sucumbidas a ela, através da facilidade de produção e divulgação do conteúdo relacionado a temas próprios da região... Ao contrário de estimular a homogeneização, uma das possibilidades da internet é reforçar vínculos com o que é próprio da cidade e do estado” (BRIGNOL, Liliane. 2002, p.2 e 3).

Nesse sentido, pretendemos que São Borja, uma cidade do interior do Rio Grande do Sul com 61.433 mil habitantes4, tenha um pouco mais de visibilidade, pois possui um acervo histórico-cultural pouco explorado. No meio eletrônico, os conteúdos disponíveis nessa área, em sua maioria, estão relacionados a informações básicas sobre a localização do município, exposição de alguns pontos turísticos, breves descrições da história e cultura de São Borja e, também, a versão online de um dos três jornais impressos produzidos na cidade, mais um portal de notícias. Por São Borja apresentar um escasso material para acesso a informação jornalística e pesquisa na área de turismo e cultura, este projeto experimental é destinado a suprir essa falta de conteúdo na web. O ciberespaço foi o meio escolhido porque os conteúdos disponibilizados através dele alcançam, além dos habitantes de São Borja, todas as pessoas interessadas em saber informações sobre a cidade. A idéia inicial do projeto era a elaboração, construção, produção e atualização de um website jornalístico especializado em cultura e turismo sobre a cidade de São Borja. Houve a estruturação do conteúdo que o website teria. Na transição da primeira etapa do trabalho de conclusão de curso, para a segunda, aconteceu a substituição de orientador. O atual orientador, que pesquisa a área de cibercultura, sugeriu um novo foco ao projeto. Com isso, ampliamos a ideia inicial e adaptamos as condições tecnológicas para desenvolver um projeto que incentivasse novas interações sociais através dos espaços públicos. Mesmo com a mudança de foco, o tema continuou sendo turismo e cultura, 4

Resultados do Censo do IBGE 2010, disponíveis em: < http://www.ibge.gov.br/censo2010/dados_divulgados/index.php?uf=43> Acessado em: 21 de novembro.


12 pois é pretendido que o Ciber São Borja tenha seus principais pontos turísticos descritos e o meio escolhido possibilita com que o objetivo seja alcançado através da multimidialidade, que se caracteriza como sendo a: Convergência dos formatos das mídias tradicionais Imagem, texto e som) na narração do fato jornalístico. A convergência torna-se possível em função do processo de digitalização da informação e sua posterior circulação e/ou disponibilização em múltiplas plataformas e suportes, numa situação de agregação e complementaridade (MACHADO, Elias e PALACIOS, Marcos, 2003).

Sendo assim, a multimidialidade permite que haja maior contextualização das informações que se pretende transmitir, pois engloba os diversos formatos midiáticos. Buscando descrever os principais pontos turísticos através de ferramentas de mapeamento on-line, pesquisamos, conhecemos e testamos as principais ferramentas para tal recurso e optamos por usar o Google Maps5, pois concluímos que essa ferramenta é a interface que melhor possibilita o acesso mais simples ao conteúdo que disponibilizamos, o que vem ao encontro a proposta do projeto.

3. Objetivo O objetivo principal do nosso projeto é propor a São Borja uma nova maneira de disponibilizar informações, na qual integra o espaço físico e público ao ciberespaço. Neste processo, buscamos integrar o conceito de mídias locativas na qual nos torna possível produzir informações ligadas a São Borja e transmiti-las através de dispositivos móveis, os quais direcionam ao ciberespaço. Os objetivos específicos relacionados ao projeto caracterizam-se no processo geral de mapeamento e disponibilização de informações. O projeto dividiu-se na cobertura informacional dos pontos turísticos e alguns de referência em São Borja. No ciberespaço, junto ao mapeamento de cada ponto, foi anexada uma resenha jornalística, contendo informações adicionais e novas, conforme o tratamento jornalístico das informações obtidas através das fontes procuradas. Videoreportagens e fotos também compõem o mapeamento, pois servem para que o internauta consiga ter uma maior identificação com os lugares, além de conhecer mais os detalhes do ponto trabalhado. Para se conseguir o pretendido, nos apropriamos dos métodos de pesquisa e apuração, aplicadas no jornalismo, de modo a resgatar a história de cada ponto e a sua 5

http://maps.google.com.br/


13 significação para a cidade. Com esse processo foi viável criar um fluxo de informação na cidade de São Borja usando a geolocalização, como já é feito em outras regiões do Brasil e do mundo. No espaço físico e público, onde se localiza cada ponto turístico, serão afixadas placas informativas contendo os QR Codes (Quick Response Codes), como forma de se transmitir informações sobre o local, o ambiente ou o monumento.

4. Metodologia Para a realização do Ciber São Borja, nos utilizamos de um amparo teórico baseado em diversas bibliografias e estudos no ramo do ciberespaço, usamos teóricos como Pierre Lèvy, André Lemos, Susana Barbosa, Marcos Palacios, Liliane Brignol. O conteúdo foi produzido seguindo as etapas de seleção da informação, tratamento de dados, apuração, redação e finalização. Para compor o conjunto de informações, tanto escritas como audiovisuais, nos utilizamos do método histórico, conforme Marconi e Lakatos, “é importante pesquisar suas raízes para compreender sua natureza e função”, sendo assim, para mapear São Borja precisamos conhecer melhor a respeito do município e selecionar os pontos que o caracterizam, através de sua história, costumes e crenças, com o resgate de bibliografias referentes a São Borja como o livro “Populário Samborjense” escrito por Aparício Silva Rillo e Fernando Odônio e “São Borja através de sua janela”, elaborado pelo Colégio Sagrado Coração de Jesus, além de trabalhos já realizados no setor de turismo em São Borja, arquivos de acervo documental. Realizamos também visitas aos pontos e conversas com os responsáveis pelos locais e pessoas habilitadas a falar sobre o assunto procurado. Durante esse processo de apuração e produção usamos o método empírico, pois nos valemos da observação direta e percepção do objeto para trazer ao conteúdo, descritivas detalhadas sobre os pontos mapeados. Para viabilizar tecnicamente o projeto, fizemos uso de câmeras digitais semiprofissionais, câmeras fotográficas digitais, aparelhos celulares e um blackberry com leitor de QR Codes. As videoreportagens foram gravadas em um estúdio amador. Para a edição do material em áudio usamos Adobe Soundbooth CS5 e quanto às edições de


14 vídeos utilizamos o programa Windows Live Movie Maker, fazendo a finalização com ajustes de áudio e colocação de créditos no Abobe Premiere Pro CS5. Na fase de armazenamento e divulgação do conteúdo jornalístico, publicamos no

sistema

de

informação

Blogger

no

endereço

eletrônico:

www.cibersaoborja.blogspot.com, já as fotos foram disponibilizadas no seguinte endereço do Flickr: www.flickr.com/photos/cibersaoborja/. Os os vídeos foram publicados em um canal no YouTube: www.youtube.com/user/CiberSB. Todo o conteúdo foi reunido no mapa público no Google Mapas com o seguinte endereço: http://goo.gl/maps/BnHf. Por fim, entramos em contato com a Prefeitura Municipal de São Borja a fim de conseguirmos apoio relacionado à aplicação dos QR Codes. A afirmação do apoio se deu durante visitas contínuas ao setor de turismo. No primeiro momento apresentamos a proposta do projeto e explicamos sua função, assim como a importância que o Ciber São Borja adquire na divulgação dos pontos de São Borja na internet que consolida-se como um meio sem limites de tempo nem espaço, onde qualquer pessoa pode ter acesso. Outras visitas ainda foram feitas para conseguir dados complementares na elaboração dos conteúdos, mas, nesse quesito o apoio foi praticamente nulo, mas as visitas valeram para que a equipe da secretaria conhecesse um pouco melhor a funcionalidade do projeto. Nas últimas visitas firmamos então o apoio total na confecção das placas, quando levamos a relação das empresas capacitadas para que abrisse assim a licitação para a liberação da verba. Consideramos que parcerias, como essa, são importantes para a divulgação e popularização do projeto.

5. Quadro Referencial Teórico Para a execução do Ciber São Borja foi necessário um amparo teórico que serviu como fundamentador nos processos do fazer jornalístico, na confecção dos conteúdos e principalmente para nos apoiarmos nos conceitos tidos como base do projeto, relacionados ao jornalismo desenvolvido na internet, suas características, assim como a cultura emergente do meio, a cibercultura e alcançarmos os conceitos essenciais do projeto de cibercidades e mídias locativas. Para a realização do Ciber São Borja, tivemos que estudar o espaço virtual, ou ciberespaço, caracterizado por Pierre Lévy como “O espaço de intercomunicação


15 mundial de computadores e das memórias dos computadores” (LÉVY, 1994). A internet proporcionou ao jornalismo ganhar um novo campo de trabalho, o jornalismo realizado nesse meio possui diferentes denominações como jornalismo digital, jornalismo online, webjornalismo e ciberjornalismo, onde este último, conforme Bastos: O ciberjornalismo expande, pois, alguns limites do jornalismo dos media tradicionais. Mais do que a recolha de notícias, análise e reportagem, trata-se de aqui ir para além das notícias incluindo idéias, estórias e os diálogos através dos quais os leitores podem aprender uns com os outros (BASTOS, Helder. 2005, p. 8).

Nesse sentido, dentre os conceitos utilizados, neste projeto experimental

aderimos ao termo ciberjornalismo, pois é mais abrangente e envolve as variadas tecnologias que usam o ciberespaço para difundir informações através de diversas ferramentas, como chats, blogs e todos os textos criados para a web. 5.1. Características do jornalismo digital A transmissão das informações passa a ter características próprias do meio como, a multimidialidade, instanaeneidade, interatividade, customização de conteúdo, leitura não-linear, hipertextualidade e memória. Para identificação dessas características utilizamos a classificação e definição de Marcos Palacios e Elias Machado em Modelos de jornalismo digital.

Multimidialidade

A web é o único suporte que sustenta efetivamente a multimidialidade, ou seja, a agregação de todas as mídias (texto, som e imagens). A multimidialidade que permite complementar a informação a ser transmitida através da digitalização da informação. No projeto Ciber São Borja há a incorporação de texto, fotos e vídeo com as videoreportagens.

Leitura não-linear

A não-linearidade é uma característica da web que diz respeito à leitura das informações disponibilizadas na página, tanto texto, como sons e imagens, de forma aleatória, ou seja, não segue caminho pré-determinado, a chamada leitura clássica. Pinho (2003) salienta que na internet a presença do hipertexto permite que o usuário


16 percorra os olhos pela matéria procurando por dados que precisa, por isso a escrita na web deve ser em blocos, destacar palavras chaves e usar subtítulos, de forma que “a não-linearidade da informação na internet exige que o material mostrado na tela do monitor suscite no leitor a confiança de que encontrará no site a informação procurada”. (PINHO, 2003, p. 50). A esse tipo de percurso no qual o usuário faz conforme suas características individuais, descrevemos como leitura não-linear. A maneira de leitura, na qual o internauta pode navegar livremente na matéria sem perder a lógica, apenas coletando os dados de que necessita, pois o espaço não é limitado e o uso do hipertexto propõe um novo modelo de redação que dá a opção de percurso ao usuário, João Canavilhas (2006) denomina como pirâmide deitada, na qual é diferenciada da pirâmide invertida. Para esse novo modelo de pirâmide, o autor propõe quatro níveis de leitura: A Unidade Base corresponde as resposta as perguntas essenciais do lead: O quê? Quando? Quem? e Onde? O Nível de Explicação é para complementar a informação essencial trazendo as respostas do Por Quê? e ao Como? O Nível de Contextualização pode vir em formato de texto, vídeo áudio e infografia como um modo de fornecer mais informação sobre o assunto tratado. O Nível de Exploração leva a notícia até arquivo da publicação ou a arquivos externos para o aprofundamento do assunto. Conforme Canavilhas (2006, p. 7), “usar a técnica da pirâmide invertida na web é cercear o webjornalismo de uma das suas potencialidades mais interessantes: a adoção de uma arquitetura noticiosa aberta e de livre navegação”. No projeto essa característica pode ser evidenciada pela possibilidade dada ao internauta de navegar pelas páginas onde estão disponibilizados os conteúdos, de forma aleatória, já que eles se dispõem páginas separadas para cada ponto mapeado, assim como cada formato possui seu espaço apropriado.

Hipertextualidade

Hipertextualidade corresponde a ligações de textos através de links. Durante os níveis de leitura, a presença do hipertexto auxilia no trajeto de leitura do texto feito pelo usuário. O hipertexto defini-se como um conjunto de links como palavras, imagens, sons e endereços eletrônicos, nesse sentido, o hipertexto é interativo porque estes


17 recursos são disponibilizados e os usuários, no seu trajeto de leitura, escolhem por quais caminhos percorrer. Visando o caráter interativo do hipertexto, Primo classifica-o em três formatos:

a)

Hipertexto potencial: Aquele em que os caminhos associativos estão predeterminados pelo programador da página, sendo que ao usuário não é permitido realizar qualquer tipo de inclusão de novas associações, lhe restando apenas seguir as trilhas dispostas pelo programador. b) Hipertexto colagem: Permite uma atuação mais ativa do internauta, pos este só poderia executar modificações que já estariam previstas pelo autor da página. No hipertexto colagem é permitido ao internauta criar, no entanto não existe debate entre o usuário e programador quanto a esta criação. c) Hipertexto corporativo: Remete a questão da construção coletiva, pois o hipertexto é construído através de debate entre o autor e o usuário da página. Assim, a discussão contínua é responsável por modificar a trilha de associações à medida em que é construída, tanto por usuário quanto por programador. (PRIMO apud AQUINO, 2006, p. 7).

Hoje, a possibilidade de armazenamento de dados, na forma digital assume um papel importantíssimo na tarefa de preservação do conhecimento adquirido. Dentro desse panorama, o hipertexto acaba possibilitando, além do armazenamento digital, a interconexão entre informações, permitindo assim, cada vez mais, a produção de novos dados e contribuindo para a evolução da humanidade. (AQUINO, Maria Clara, 2006.) O Ciber São Borja utiliza-se bastante dessa característica para fazer ligações dos diferentes formatos de mídia que utilizamos para compor o produto final dos conteúdos, além usar para complementar o material, com o que foram produzidos por nós ou mais alguns de terceiros, devidamente selecionados.

Link

O link é o principal elemento do hipertexto, ele é capaz de estruturar uma narrativa multilinear (MIELNICZUK, 2003). Conforme Pinho, são endereços de páginas, ponteiros de hipertexto ou palavras-chave destacadas em um texto, que quando “clicadas”, nos levam para o assunto desejado, mesmo que esteja em outro arquivo ou servidor. Segundo a classificação de Ward (2006), os links podem ser internos e externos: Internos: São links que orientam a navegação do usuário pelo próprio site, como o homepage, reportagens especiais, reportagens similares, arquivo de áudio e do site.


18 Externos: São os links que levam os usuários a outros sites. Serve para que o usuário complemente sua busca, encontre um foco diferente ou até mesmo busque as fontes originais, a partir das quais foram consultadas. Os links “são desvios, conexões, adições, como uma forma de passeio pelo espaço cibernético, como um flâneur digital, o ciber-flâneur”. (LEMOS, André, 2004, p. 70). O projeto faz uso freqüente dos links através do hipertexto, característica acima citada.

Instanaeneidade

A instantaneidade permite com que a atualização no jornalismo da web se configure de forma rápida e ágil, juntamente com o acesso e a facilidade na disseminação do conteúdo.

A internet, com uma velocidade conseguida apenas pelo fax e pelo telefone, transmite as mensagens e os arquivos quase instantaneamente, seja respondendo a pauta enviada pelo jornalista via e-mail ou publicando uma notícia na World Wide Web para imediato conhecimento. Muito rápida e abrangente, a rede mundial permite transferir a mensagem, com som, com cor e movimento, para qualquer parte do mundo. (PINHO, J.B, 2003.)

A instantaneidade é uma das características mais evidentes do jornlaismo online, ainda que o rádio possua a mesma, na internet há a possibilidade de transmitir não só sons, mas texto e imagens rapidamente e pode estas alcançar um número maior de pessoas em locais diferentes e distantes no mundo. O Ciber São Borja tem a característica de acesso rápido as informações, assim como a fácil disseminação dela no meio online e também no meio físico.

Customização ou personalização do conteúdo

Na sociedade da informação, onde os indivíduos recebem muitas informações, a web permite com que ele selecione o que realmente lhe interessa, desta forma facilitando sua organização.

A customização do conteúdo consiste na opção oferecida ao usuário para configurar os produtos jornalísticos de acordo com seus interesses individuais. Há sítios noticiosos que permitem a pré-seleção dos assuntos, bem como a hierarquização e escolha de formato de apresentação visual (diagramação). Assim, quando o sítio é acessado,a página de abertura é


19 carregada na máquina do usuário, atendendo a padrões previamente estabelecidos, de sua preferência. (MACHADO, Elias e PALACIOS, Marcos, 2002.).

No Ciber São Borja a customização aparece nas opções de formatos oferecidas em vídeos, fotos, mapas, QR Code e textos, assim o leitor escolhe a maneira em que irá receber o conteúdo oferecido pelo projeto.

Interatividade

A interatividade propõe que se esteja tendo uma espécie de conversa com o internauta e não apenas lhe transmitindo informações específicas. Permite que ao receber a mensagem também possa participar da produção, composição e discussões que a envolva.

Interatividade é umas das características mais proeminentes que distingue os media online dos media tradicionais. A tecnologia da internet permite uma verdadeira comunicação bidirecional, utilizando o correio eletrônico e os fóruns de discussão como meios de interligação na comunicação de massas ou na comunicação interpessoal em pequena escala. (KOPPER apud BARBOSA, 2001).

Elizabete Barbosa (2001) completa salientando que a internet permite não só a comunicação, em tempo real, entre m jornalista e um leitor, como entre grupos de jornalistas e leitores. O projeto Ciber São Borja, disponibiliza espaço para comentários em todos os pontos, assim como os contatos de quem faz parte do projeto para que o internauta possa entrar em contato e enviar opiniões.

Memória

Os veículos de comunicação tradicionais estão passando por um processo de digitalização de seus conteúdos, anteriormente produzidos e estes, cada vez mais, estão sendo disponibilizados na web, pois a memória existente nesse meio consolida um espaço tendencialmente ilimitado para o arquivamento desse conteúdo.

A quebra dos limites físicos na web possibilita a utilização de um espaço praticamente ilimitado para a disponibilização de material noticioso, sob os mais variados formatos (multi)mediáticos, abre-se a possibilidade de disponibilização online de toda a informação


20 anteriormente produzida e armazenada, através da criação de arquivos digitais, com sistemas sofisticados de indexação e recuperação de informação. (...) Acrescenta-se o fato de que na web a memória torna-se coletiva, através do processo de hiperligação entre diversos nós que a compõem em. Desta maneira, o volume de informação anteriormente produzida e diretamente disponível a usuário e ao produtor da notícia cresce exponencialmente no jornalismo online, o que produz efeitos quanto a produção e recepção da informação jornalística. (MACHADO, Elias e PALACIOS, Marcos, 2003.)

Palácios (2003, p. 8), diz que a grande ruptura do jornalismo online em relação aos meios de comunicação tradicionais, esta justamente na caracterização de uma memória ilimitada e coletiva, na qual a quantidade de informação que pode ser produzida, restauradas, associada e posta à disposição do seu público alvo. Os serviços disponíveis gratuitamente na internet que escolhemos para publicar os conteúdos dos projeto Ciber São Borja, são ilimitados no que corresponde a publicação dos materiais.

Mobilidade

Essa característica surgiu recentemente no jornalismo desenvolvido na internet, por isso ainda não se encontra em bibliografias. Diz respeito ao acesso as informações ou a capacidade de produzi-la por meio dispositivos móveis com conexão a rede sem fio do lugar em que a informação se encontra ou de onde se estiver, e:

(...) a partir da sofisticação das tecnologias móveis digitais e as conexões sem fio, o jornalismo caminha para o uso intensivo desses dispositivos integrados à produção jornalística. Os repórteres cidadãos, ou seja, usuários que também se tornam produtores de notícias enviando fotos, vídeos e textos para publicação (Bruns, 2005; Brambilla, 2006) já vêm praticando isso há um tempo com o importante papel de relatar situações que fogem da cobertura da mídia. (SILVA, 2009)

Nesse sentido a mobilidade não se refere somente a praticidade e instantaneidade na produção e acesso ao material noticioso, mas também evidencia fatos relevantes que não tem espaço na grande mídia. Identificamos essa nova característica a partir do que vem sendo mais estudado dentro do jornalismo digital atual e se faz bem presente no desenvolvimento do nosso projeto, o Ciber São Borja, em que as informações de cada ponto podem ser acessadas por dispositivos móveis, esta característica nos possibilitou fazer a integração do espaço físico com o virtual.


21

5.2. Cibercultura Nesse estudo encontramos questões referente a cibercultura, os quais foram muitos válidos para que possamos projetar os receptores, os usos, e as maneiras de implantação para os conteúdos oferecidos. Pierre Lévy, em seu livro Cibercultura, descreve exatamente as características que a informação tem no espaço virtual, como sua capacidade infinita de armazenamento de dados, a hipertextualidade e a agregação das diversas mídias. Podemos ainda refletir sobre os experimentos coletivos trazidos pela mídia e as melhores maneiras para se explorar as capacidades do ciberespaço no ramo econômico, cultural e social Redes de comunicação, segundo ele (LÉVY, 1994) “a cibercultura expressa o surgimento de um novo universal, diferentes das formas universais que vieram antes dele, no sentido de que ele se constrói sobre a indeterminação de um sentido global qualquer.”

5.3. Cibercidade O conceito de cibercidade concebido por Lèvy, foi analisado o espaço destinados as cidade dentro do ciberespaço. Segundo Lèvy, a detenção de novas tecnologias de informação por determinada localidade, faz com esta tenha um grau de desenvolvimento a frente das localidades desprivilegiadas dessas tecnologias, mas que nesses locais, através de política voluntária dos cidadãos pode se explorar o potencial intelectual, cultura, técnico e social. Mas para isso não basta dominar as técnicas e sim, ter uma reformulação das mentalidades, “(...) o uso do ciberespaço não deriva automaticamente da presença de equipamentos materiais, mas exige igualmente uma profunda reforma das mentalidades, dos modos de organização e dos hábitos políticos” (LÈVY, 1999) No decorrer do livro, ele identificou processos de relação entre cidades e ciberespaço, apontando as qualidades de cada um, assim como fazendo uma análise critica dos mesmos. De acordo com Lévy, estes processos podem ser agrupados em quatro grandes categorias: Primeira, diz respeito às analogias entre sociedades territoriais e as virtuais, em que o espaço virtual destinados para as cidades físicas são uma construção semelhante ao encontrado no espaço físico.


22 Segunda, se trata da substituição ou troca das funções das cidades clássica pelos serviços e recursos técnicos do ciberespaço, assim, todos os processos e atividades reais e físicos desenvolvidos nas cidades, como relações de trabalho, passam a ser substituídos por processos virtuais. Terceira, é assimilação do ciberespaço a um equipamento urbano ou territorial clássico, a partir das novas tecnologias disponibilizadas, nessa categoria, o espaço urbano se utilizaria dos recursos do ciberespaço para desenvolver mais simples e rapidamente as atividades da vida física. E a última, refere-se a exploração dos diferentes tipos de articulação entre funcionamento urbano e as novas formas de inteligência coletiva que desenvolvem no ciberespaço. O espaço virtual, nesse sentido, seria o lugar promissor para ampliar o potencial de inteligência coletiva de determinada comunidade local. Nesta categoria, Lévy, considera a mais prospera e que mais contribuirá para o desenvolvimento das cidades físicas e suas comunidades. Assim, André Lemos, definiu que “cibercidade é a cidade na cibercultura” (LEMOS, 2004): As cidades sabemos, são artefatos que se desenvolvem sempre em relação às redes técnicas e sociais. Hoje, dentro desta perspectiva, temos a nossa disposição uma nova rede técnica (o ciberespaço) e uma nova rede social (as diversas formas de sociabilidade online), configurando as cibercidades contemporâneas (LEMOS, 2004).

Pois, mais do que um conceito cibercidade corresponde a inserção de tecnologias da informação e comunicação no meio urbano, as quais estão modificando os hábitos, vivências e modos de se relacionar da população das cidades. Já que entende-se por “ cibercidades as cidades nas quais a infraestrutura de telecomunicações e tecnologias digitais já é uma realidade” (LEMOS, 2004). Assim, o livro Cibercultura de Pierre Lèvy e o artigo Cibercidade: As cidades na cibercultura, de André Lemos serviu para compreendêssemos o papel da cidade física contemporânea no ciberespaço e os processos de interação que esses dois espaços possuem.

5.4. Mídias locativas Compreender o conceito de mídias locativas, que ainda é pouco conhecido e praticado no Brasil, principalmente nas formas de disponibilização de informações


23 através de mapeamento, foi muito importante para que pudéssemos aplicá-las e conhecê-las como sendo (...) dispositivos informacionais digitais cujo conteúdo da informação está diretamente ligado a uma localidade. Trata-se de processos de emissão e recepção de informação a partir de um determinado local. Isso implica uma relação entre lugares e dispositivos móveis digitais até então inédita. Esse conjunto de processos e tecnologias caracteriza-se por emissão de informação digital a partir de lugares/objetos (LEMOS, 2007).

Com isso entendemos que, os pontos turísticos e de referência que mapeamos teriam a capacidade de dialogar com dispositivos informacionais, no caso, celulares com leitores de QR Codes.

6. Apuração, produção do conteúdo e estrutura do produto Todo o processo de realização do Ciber São Borja foi dividido em etapas que passou pela estruturação e delimitação dos pontos a serem cobertos, coleta e tratamento das informações, edição e criação dos meios de propagação dos conteúdos, veiculação de toda a produção nos meios propostos e confecção e aplicação das placas contendo os QR Codes, afixadas no meio físico de cada ponto mapeado.

6.1. Apuração Na primeira etapa do projeto, fizemos a relação dos pontos que iríamos mapear na cidade de São Borja, visando aqueles que se destacam por diversos fatores como o valor histórico, cultural e também os que, informações sobre eles, fossem úteis de alguma forma à sociedade. Relacionamos então 29 pontos, os quais são: 1. Museu Getúlio Vargas; 2. Memorial João Goulart; 3. Museu Aparício Silva Rillo; 4. Museu Ergológico de Estância “Os Angüeras”, 5. Sítio Histórico Brigadeiro João Manuel; 6. Mausoléu Getúlio Vargas; 7. Cais do Porto; 8. Ponte de Integração;


24 9. Praça XV de Novembro; 10. Praça da Lagoa; 11. Praça Assis Brasil; 12. Parcão; 13. Estádio Vicente Goulart; 14. Igreja São Francisco de Borja; 15. Fonte São João Batista; 16. Fonte São Pedro; 17. Estátua São Francisco de Borja; 18. Cruz Missioneira de Lorena; 19. Monumento Tricentenário; 20. Cemitério Jardim da Paz; 21. Túmulo do Anjinho; 22. Túmulo Maria do Carmo; 23. Cemitério Paraguaio; 24. Aeroporto João Manoel; 25. Universidade Federal do Pampa (Unipampa); 26. Clube Comercial; 27. Clube Continente; 28. Clube Recreativo Samborjense e 29. Piquete de Tradições Gaúchas João Manoel.

6.2. Produção do conteúdo A segunda etapa, de produção foi coletar dados referentes a cada ponto para produzir as resenhas, álbum de fotos e videoreportagem. Separamos de três a quatro pontos por semana para realizar a produção, agrupando-os de acordo com a proximidade entre si, o que tornaria menos exaustivo nosso trabalho. Demos início a essa fase na terceira semana do mês de setembro. Fazíamos a visita ao local, conversávamos com o responsável, o que caracterizava a entrevista, que conforme o conceito de Cremilda Medina,é “(...) uma técnica de interação pessoal, de interpenetração informativa, quebrando assim isolamentos grupais, individuais e sociais; pode também servir à pluralização de vozes e à distribuição democrática da


25 informação.” (MEDINA, 2000, p. 08) além de ser uma “comunicação pessoal, realizada com o objetivo de informação” (MORIN apud ERBOLATO, 2004, p.157). Assim, esta técnica nos serviu para que tornássemos informações não conhecidas midiaticamente fossem compartilhadas. Nas conversas as fontes comentavam

os

informações que ainda estavam ocultas e que precisavam serem destacadas para terem seu registro e não se perderem no tempo. Nesta etapa também obtínhamos acesso a documentos e materiais que servissem de suporte para fazer o resgate histórico e significativo do lugar. Logo, capturávamos imagens para o álbum de fotos e videoreportagens. Essa foi à parte mais exaustiva da produção, pois em alguns lugares que íamos tínhamos que voltar várias vezes para poder obter as informações e dados, porque aqueles que os responsáveis tinham eram poucos ou quase inexistentes. A maior dificuldade na realização desse projeto concentrou-se nessa etapa e nesta situação, até mesmo foi motivo crucial para atrasos contínuos na agenda planejada para as semanas de produção. Quanto às imagens o único imprevisto se trata da parte técnica, pois utilizamos uma câmera digital amadora Fugi 10.0 megapixels e devido a falta do tripé algumas imagens ficaram desfocadas e tremidas, na claridade com tonalidade rosada. Refizemos algumas imagens com as câmeras digitais de vídeo semi-profissionais da marca Sony. As resenhas eram produzidas na mesma semana da apuração, a partir dos dados coletados e conversas com pessoas aptas a falar sobre o assunto. Os textos das notas cobertas foram elaborados à partir da produção das resenhas, buscando sintetizar a história e o local dos pontos além de oferecer informações adicionais das fornecidas na resenha. A gravação dos off’s das notas foram feitas em um estúdio amador do estudante de jornalismo Anderson Cogo e aconteceu em duas etapas de acordo com a cronologia das produção dos textos.

6.3. Relato das visitas Durante a fase de coleta de informações , dados e documentos passamos por diversas situações e ocasiões em que, o aprendizado durante a graduação nos ensinou a lidar, enfrentar e superar, até atingirmos o objetivo em que o Ciber São Borja propõe.


26 O aprendizado sobre a relação jornalista e fonte podemos viver, aplicar e aprimorar, pois usamos diretamente, em todos os períodos do nosso trabalho experimental, as técnicas de abordagem. Na maioria dos lugares fomos bem recebidos, as pessoas (fontes) desviavam as atividades de seu trabalho para nos atender. Abordávamos as fontes a fim de que elas nos apresentassem o lugar e nos explicasse o motivo em que determinado ponto, tornouse de turismo ou de referência, assim como todos os dados que precisávamos. Durante a conversa de explicação e aprimoramento das informações, procurávamos aprofundar o assunto, para que a fonte falasse de sua vivência no lugar e também nos revelasse novidades e projetos a serem realizados. Dessas conversas detalhadas é que conseguidos trazer informações adicionais das já encontradas no ciberespaço. O que mais dificultou o trabalho no processo de coleta de dados foi o fato de que, em determinados pontos, não havia um responsável ou alguém habilitado a falar sobre o assunto. Em determinadas ocasiões foi necessário voltar ao mesmo ponto duas ou até três vezes e este fato acarretou no atraso do cronograma planejado, fazendo com que o conteúdo a ser trabalhado acumulasse de forma significativamente. Mapeamos três pontos, onde a fonte oficial era a Igreja Católica, visitamos a secretaria três vezes e conseguimos informações apenas do templo da igreja. Para suprir essa falta procuramos historiadores da Universidade Federal da campanha, Urcamp, que pesquisam a história desses pontos. Conversamos previamente, mas não conseguimos disponibilidade de horário para uma entrevista, porém tivemos acesso a alguns materiais de suas pesquisas. O oferecimento de detalhamento mais aprofundado ficou por conta de nossa observação do lugar, no caso descrever o detalhamento, a cobertura do ponto ocorreu com o mínimo de interferência pessoal, onde caracterizamos como imparcialidade, a concepção na qual: “(...) está associada ao Jornalismo que surge em meados do século XIX, separando fatos e opiniões, e ao conceito de objetividade, surgido nos anos 20 e 30, nos Estados Unidos (TRAQUINA, 2004). A imparcialidade buscada no conteúdo aconteceu no intuito de descrever ao máximo a história do ponto e sua significação para a cidade, de maneira mais fiel possível, deixando de lado interferências pessoais. Em outros pontos a descrição foi obtida através de obras com mais de 20 anos, em que registram os principais pontos de turismo da época, como o “Populário


27 Samborjense” e São Borja através de sua Janela, encontrados na Biblioteca Municipal Getúlio Vargas. Nos valemos também da utilização de folders6 e flayes7 fornecido nos locais dos pontos e pela Secretaria do Turismo da Prefeitura Municipal de São Borja. No caso do Clube Recreativo Samborjense, não havia fontes aptas a falar, nem mesmo a diretoria do clube, assim foi nos indicado pela secretária o livro chamado “O Jubileu” publicado no cinqüentenário do clube, disponibilizado on-line pelo endereço eletrônico: http://www.eliteinparty.com/Parceiros/crs.html, no qual trazia o registro da trajetória do Recreativo. Assim como aconteceu com os historiadores, procuramos fontes extras, como o pesquisador da origem das ruas de São Borja, Nilton Falcão, no qual nos falou sobre o túmulo da Maria do Carmo e do Anjinho, Cemitério Paraguaio, Praça da Lagoa, entre outros, e nos indicou fontes para os próximos pontos previstos, através do cronograma, a serem levantados. Consultamos também a secretaria da Câmara Municipal de Vereadores, a fim de termos acesso a documentos que registrassem nome oficial e data de fundação de pontos como praças e monumentos. Encontramos apenas registro da Praça Marcírio Goulart Loureiro. O arquiteto da Prefeitura Municipal, Diego Bicca, também foi procurado, o objetivo principal era levantar e fundamentar as obras do Parcão e o significado de cada elemento do Mausoléu Getúlio Vargas projetado por Oscar Niemeyer. A secretaria de Turismo da Prefeitura de São Borja não forneceu nenhum tipo de informação relevante, apenas folders, com informações básicas e o link do site da Prefeitura no qual traz breves descrições sobre alguns pontos. Por outro lado a Secretaria apoiou financeiramente o Ciber São Borja, na confecção das placas contendo os QRCodes, de cada ponto. Consideramos assim, que esta foi a fase mais complicada, exaustiva e difícil do projeto, pois montamos o cronograma de visitação, conforme a proximidade dos pontos para que houvesse agilidade no processo. O período programado se estendeu além do esperado devido, muitas vezes não encontrarmos as fontes e também ter que agendar um outro horário para adquirir as informações.

6

Tipo de impresso publicitário.

7

Folhetos publicitários.


28

6.4. Estrutura O terceiro momento da produção do projeto foi a edição do material e o estudo sobre a melhor forma de veicular o conteúdo que produzíamos. Decidimos por: a) Google Maps: É um serviço gratuito na web fornecido pela empresa Google8, para pesquisa e visualização de mapas e imagens por meio de satélite da Terra, o mesmo utilizado no Google Earth9. Optamos pela utilização do Google Maps, por sua interface ser mais simples e dar a possibilidade de anexar no mesmo marcador textos, imagens e vídeos. Apesar de ter uma falha quanto a função hibrido, onde os nomes das ruas estão visivelmente desfocados das imagens próprias das ruas. Tentamos comunicar o problema a empresa, mas não conseguimos um contato eficaz. Procuramos e estudamos outros mecanismos de geolocalização disponíveis gratuitamente na internet, a fim de escolhermos um para utilizar no projeto, tais serviços podemos destacar o Wikimapia10, UMapper11, Scribble Maps12 e o Quikmaps13. O Wikimapia foi lançado em 2006 pelos russos, Alexandre Koriakine e Evgeniy Saveliev14, é um sistema de busca e mapeamento na internet que utiliza imagens de satélite do planeta Terra, baseadas no Google Maps, para identificar os locais mostrados, desde pequenas localidades até cidades inteiras. O sistema wiki15 é aplicado na forma de localização de lugares, pois qualquer pessoa tem a permissão de inserir um local no mapa ou sendo registrado até mesmo editar os locais já criados. É um dos mais fáceis serviços de mapeamento, com as ferramentas dispostas no canto superior esquerdo, dá opções para adicionar marcas, classificar o local, escolher o tipo de mapa,

8

Empresa multinacional que disponibiliza o maior sistema de busca gratuito na internet, através da capacidade de armazenamento e interligação de computadores e servidores a fim de compartilhar dados.

9

Programa de computador para a visualização em 3D do globo terrestre, com a possibilidade de aumentar a imagens até próximo de qualquer localidade. As imagens são atualizadas a cada 3 anos.

10

http://wikimapia.org/

11

http://www.umapper.com/

12

http://scribblemaps.com/

13

http://www.quikmaps.com/

14

Disponível em: <http://pt.wikilingue.com/es/WikiMapia> Acessado em: 22 de Nov, 2010.

15

Sistema colaborativo para edição de documentos, textos e informações.


29 adicionar o tipo de transporte e outras aplicações ainda não exploradas por nós. Não usaremos esse serviço por não ter a possibilidade de adicionar vídeos. O UMapper é a primeira aplicação de mapeamento online em Adobe Flash16 que torna mais simples a incorporação e distribuição do mapa em websites, blogs e redes sociais17. O visual do editor de criação do UMapper permite que os usuários de qualquer nível de habilidade possam adicionar pontos, desenhar formas e sobreposições interativas na criação de um mapa. Porém, por não conseguirmos identificar o código de São Borja para criar o mapa, além ser um serviço em idioma estrangeiro, pouco conhecido entre os usuários de internet que serão público alvo do novo trabalho, não o utilizaremos. O Scribble Maps é uma aplicação online baseada no Google Maps, que disponibiliza inúmeras ferramentas com possibilidades de exploração na criação de um mapa. Apesar o idioma ser inglês, é simples e fácil de utilizar. Permite que o usuário exporte os mapas criados para diversos formatos como JPEG; impressão direta pelo navegador; Facebook Maps; Google Maps; Google Earth (KML) e GPX (apenas linhas e pontos). A característica dessa aplicação é a possibilidade de desenhar sobre o mapa linhas de diversas formas, além de permitir adicionar ícones da variada galeria, inserir imagens através de hiperlinkagem e vídeos direto YouTube, ainda é possível formatar textos, cujo limite de caracteres na descrição do ponto marcado ultrapassa 58.250 caracteres com espaço. O Scribble Maps é uma aplicação muito interessante, com uma interface leve e moderna, seria completa caso tivesse os mapas em satélite e híbrido, o que nos impossibilitou usar essa aplicação no projeto. O Quikmaps é um serviço gratuito na internet que vai além de desenhar sobre o mapa, o site oferece uma variedade de ícones distintos que pode-se arrastar e soltar nos mapas de estrada ou via satélite, juntamente com rabiscos, linha de rastreamento (ótimo para dar instruções personalizadas, quando o Google não oferece tal utilidade), rótulos de texto e outras ferramentas. Ainda é possível desenhar e salvar um mapa no desktop ou website, porém registrar com apenas um nome de utilizador permite que se envie cópias prontas para editar em qualquer lugar.

16

É um software para exibir e criar animações em imagens e vídeos.

17

UMapper. Disponível em: <http://www.umapper.com/pages/about/> Acessado em: 22 de Nov, 2010.


30 b) Blogger18: É um serviço em espécie de website todo projetado em um formato simples para fácil acesso, que permite ao internauta publicar textos, fotos e vídeos, sem ser necessário dominar a linguagem HTML. Para utilizá-lo é preciso possuir uma conta Google, então, criar seu próprio blog. Criado em 1999, foi comprado pela empresa Google em 2004, ano em que houve a popularização dos blogs. Autores definem blogs segundo sua estrutura, função ou artefatos culturais. A Definição estrutural se consolida como “uma ferramenta de publicação que constituía um formato particular” que contém “textos organizados em ordem cronológica reversa, datados e organizados com freqüência”. (Herring, Kouper, Scheidt e Wright, 2004; Blood, 2002; Nardi, Schiano e Gumbrecht, 2004. Apud RECUERO, et al, 2009). De acordo, a definição funcional do blog acontece “a partir de sua função primária como meio de comunicação”, quando “é uma ferramenta de comunicação, que é utilizada como forma de publicar informações para uma audiência”. Já a definição como artefato cultural corresponde ao conteúdo que os usuários produzem, segundo as suas idéias e olhar subjetivo do que está ao seu redor. Escolhemos o Blogger por ser um prático, gratuito e simples. Precisávamos de um lugar no ciberespaço para publicar os textos mais enxutos da nossa produção, explicar mais sobre o projeto, indicar links e outros serviços que estamos utilizando como o Google Maps, o YouTube e o Flickr, também nele as pessoas podem comentar a respeito dos pontos e interagir conosco. As postagens no Blogger foram feitas, assim que estávamos com parte das resenhas prontas, postamos setes no mês de outubro em caráter experimental, apenas para termos uma idéia geral de como ficariam no blog, no mês de novembro postamos as restantes. Tentamos postar em ordem de classificação, postando de modo que no home primeiro ficassem os museus da cidade, seguidos por alguns lugares de referência como Biblioteca Municipal, Ponte de Integração, Cais do Porto e Mausoléu Getúlio Vargas, logo virem as praças da cidade e outros lugares de lazer, o estádio, então, locais de referência religiosa, os monumentos e por fim, os clubes e centros de tradições gaúchas de mais destaque. Para o conteúdo das resenhas estipulamos um padrão, deveria conter a localização, o que é o local, qual a utilidade, sua significação ao município, se tiver, e logo a disponibilidade de transporte público perto do lugar. As resenhas seriam postadas no blog acompanhadas de no mínimo três fotos, o vídeo-reportagem e a hiperlinkagem que direciona ao álbum de fotos do ponto. 18

www.blogger.com/


31 Quanto ao layout foi pensado em conjunto com nosso orientador, visando equilibrar os elementos em disposição na página. Utilizamos um background com a imagem em satélite dos pontos que demarcamos no Google Maps na cidade de São Borja, o cabeçalho do blog é sobreposição da imagem no plano de fundo com o nome e logo do projeto, o modelo de designer “Viagem” disponível nos serviços do Blogger e de mais ajustes fizemos de forma a deixar o blog o mais harmônico possível. c) Flickr19: É um site desenvolvido em 2004 (RECUERO, Raquel. 2009), que, através da criação de uma conta no mesmo, permite a publicação de fotos, com textos e legendas mais tags20 para melhor organização e classificação das imagens, pode-se ainda criar álbuns, também adicionar comentários nas fotografias publicadas. O site ainda dá opção de privacidade às imagens, podendo ser privadas, compartilhadas apenas com amigos e conexões ou publicas. Recentemente o site acrescentou a possibilidade de publicar vídeos. Por todas as suas funcionalidades, concluímos que o Flickr é a opção mais viável para publicarmos as fotos capturadas na produção do Ciber São Borja. Apesar de o site possuir um limite de 100 Mg de largura de banda por mês, o Flickr monitora a quantidade de bytes em circulação nos uploads e não o espaço ocupado, ou seja, mesmo que antes de completar um mês, se apague alguns arquivos para fazer novos uploads,

não será possível. Na primeira conta que criamos para o projeto

atingimos o limite com apenas quatro álbuns, devido a alta resolução das fotos, então, criamos uma nova conta e diminuímos as resoluções das imagens. O Flickr possui uma versão paga sem limites de uploads. Para o Flickr a princípio planejamos um padrão quanto à quantidade de imagens que seria entorno de 15 fotos por ponto, cada um dos pontos teria um álbum, mas no decorrer da produção percebemos que alguns pontos renderiam poucas fotos e outros atingiriam além do planejado, decidimos por no máximo de 25 em cada álbum, sendo que aos que não atingissem essa meta, publicaríamos apenas as imagens conseguirmos. d) YouTube21: É o maior site de compartilhamento de vídeos digitais gratuito na internet. Criado em 200522, o site funciona a partir do formato Adobe Flash. Cria-se uma conta no site e se obterá um canal, onde ficaram publicados os vídeos do usuário, 19

20

http://www.flickr.com/ Palavras-chaves

21

http://www.youtube.com/

22

Disponível em:< http://www.youtube.com/t/about> Acessado em: 22 de Nov, 2010.


32 estes podem ser acessados por qualquer pessoa no mundo, mas há opções para privacidade. O YouTube pode hospedar qualquer vídeo, desde que não seja protegido por copyright23. O conteúdo publicado no YouTube pode ser facilmente incorporado em blogs, websites, redes sociais e até em alguns serviços de mapeamento na internet, através da Interface de Programação de Aplicações (API). O site torna possível fazer comentários e ainda deixar os vídeos mais interativos, adicionando anotações, que criam uma espécie de balões com explicações na própria tela do vídeo, pode ser colocar legendas e fazer listas de reprodução para reproduzir automaticamente uma seqüencia de vídeos. O YouTube serve perfeitamente para nossa proposta, além de podermos incorporarmos o conteúdo postado no blog do projeto, podemos colocar diretamente na descrição dos pontos demarcados no Google Maps. e) Foursquare24: É um site de rede social baseada na geolocalização, com um software específico para dispositivos móveis, está conectado ao Twitter25 e ao Facebook26. Criado em 200827 a primeira versão do Foursquare, mas lançado em março de 2009, possui, atualmente cerca de 4,5 milhões de usuários em todo o mundo (INFO, 2010), sendo 60 % nos Estados Unidos (VEJA, 2010), no Brasil detém apenas 0,5 % de usuários, que concentram-se mais no estado de São Paulo, seguido pelo Rio de Janeiro e Porto Alegre. (PORTAL IG, 2010). Ele permite que os usuários desse mecanismo possam indicar os lugares onde estão, ao realizar “check-in” e assim ativar ou desativar a possibilidade de publicar para seus contatos no Twitter e Facebook, ao efetuar checkin o usuário ganha pontos, pois há as badges, são inúmeros bótons que funcionam como um ranking para o usuário e os amigos, eles correspondem a quantidade de atividades realizados pelo usuário no serviço, como por exemplo, se o usuário frequentou bastante determinado lugar ele ganha o Mayor, quanto mais acumular “títulos” mais no topo ficará sua posição no ranking, se consolidando como uma espécie de jogo. No Foursquare ainda pode-se sugerir dicas aos amigos e fazer uma lista de lugares que gostaria de visitar. O serviço permite que as pessoas compartilhem lugares com seus

23

Direitos autorais.

24

http://foursquare.com/

25

Rede social e microblog. (www.twitter.com)

26

Rede social (www.facebook.com)

27

Disponível em: < http://foursquare.com/about> Acessado em: 22 de Nov, 2010.


33 contatos e assim conheça outros habientes. De certa forma, o aplicativo pode estimula as pessoas a sairem explorar locais diferentes. Além desse caráter de entreterimento o Foursquare também é destinados as empresas, que podem monitorar através do aplicativo o que se está publicando a respeito da mesma e conhecer melhor seus clientes. Um exemplo, o Wall Street Journal realizou uma parceria com o Foursquare para a criação de prêmios especiais para os seus leitores nova-iorquino, como a coluna de gastronomia do jornal só estaria disponível para quem for em restaurantes resenhados pelo mesmo (ÉPOCA, 2010). Em relação a edição do material, os vídeos foram editados com o programa Windows Live Movie Maker, fazendo a finalização com ajustes de áudio e colocação de créditos no Abobe Premiere Pro CS5 . As resenhas não sofreram edições, apenas a seleção de quais os materiais e informações se adequariam melhor a proposta do Ciber São Borja. Para a edição de fotos utilizamos o programa Adobe Photoshop. Logo, partimos para a veiculação de toda a produção nos meios escolhidos e optados, conforme a descrição à cima. A última fase do projeto, foi concentrada na geração e aplicação dos QR Codes que na verdade, foi estudada e testada no início, mas apenas no momento final, após a produção de todo o conteúdo, passou a ser desenvolvida realmente O QR Code é uma tecnologia criada no Japão em 1994, e está virando tendência mundial com o crescimento de aparelhos móveis, como celulares, smartphones, iphones, PDAs e outros dispositivos portáteis, a empresa gaúcha Trevisan Tecnologia28, pioneira no desenvolvimento de aplicações móvel, calcula o número em 40 milhões de aparelhos no Brasil (INFO, 2009). Segundo Fernando Firmino da Silva, essa ascendência de tecnologias móveis “na cultura contemporânea tem desencadeado uma série de fenômenos e práticas de sociabilidade e de comunicação” (SILVA, Fernando. 2009). Os QR Codes permitem incluir 7 089 caracteres apenas numéricos, 4 296 caracteres alfanuméricos (letras e números), possui ainda uma tecnologia de correção de erros, fazendo a leitura do código até mesmo se o símbolo estiver sujo ou apagado, essa capacidade se dá através dos níveis L, M, Q e H, que detém 7%, 15 %, 25% e 30 % da capacidade, respectivamente. O QR Code funciona como uma ligação entre o impresso

28

http://www.trevisantecnologia.com.br/


34 e o digital. O único empecilho para a popularização da tecnologia é custo do serviço para acessar a web através dos dispositivos móveis. Os códigos do QR Code podem ser gerados a partir de websites gratuitos, neles tem as opções para a geração de URLs, textos, números de telefones e SMS, também de capacidade de correção de erros. Nós utilizamos o site especializado da Kaywa, <http://qrcode.kaywa.com/>. Geramos as URLs dos postes do blog do respectivo ponto que mapeamos, e a maior capacidade de correção de erros no nível XL. Cada ponto tem um código específico de QR Code, depois de gerado foi colocado em uma placa característica do projeto, onde tem instruções sobre o projeto e como decifrar o código QR Code. A leitura do código acontece quando se aponta o aparelho digital na direção do código com a câmera ligada, o código enviará o conteúdo, no caso do Ciber São Borja, o link direcionando na internet o poste do blog do ponto mapeado. O custo é apenas o do acesso à internet pela operadora do usuário do dispositivo eletrônico. O código será disponibilizado em placas de PVC29 branco do tamanho 15x21, que contém as instruções, explicações e logo do projeto. Sobre cada placa foi fixado um adesivo contendo o QRCode, distinguindo assim um ponto do outro. As placas foram fixadas nos respectivos pontos mapeados. Visualização da placa:

29

Um tipo de plástico não inteiramente originário do petróleo.


35

O modelo da placa em tamanho original segue-se no anexo, na página 41 deste trabalho, valor da aplicação foi de R$ 144,00, custando R$ 4,50 cada placa. Optamos por escolher as placas com o material em PVC, considerando que elas ficarão em local público e expostas a fatores naturais como chuva e sol. Para o apoio na confecção das placas se consolidar, o orçamento precisou passar por um processo de licitação, onde a empresa selecionada a produzir o material foi a Ponto Impresso, situada na Rua Presidente Vargas 1959, no centro da cidade. Devido ao processo de licitação e da impressão das placas, a aplicação delas nos espaços físicos ficou programado para ter início a partir do dia 7 de dezembro de 2010. Como o Ciber São Borja é o projeto inaugural do projeto de extensão chamado “Ciberpampas” da Universidade Federal do Pampa, levamos em conta que nas placas, nesse processo de implantação dessa nova forma de obtenção de informação, que a população atingida irá se deparar com algo novo e precisará de um período de adaptação. Então, junto a logomarca do projeto foi oferecido um texto explicativo que trouxe esclarecimento do objetivo do projeto e também do funcionamento do QR Code. Com o seguimento do projeto, espera-se que apenas a logomarca baste para que as pessoas saibam do que se trata. O Ciber São Borja é um projeto é baseado no Projeto Vila Brandão Existe, realizado em Salvador – Bahia, onde os QR Codes também foram utilizados.


36

7. Considerações Finais O Ciber São Borja nos permitiu colocar em prática os processos e as formas do fazer jornalístico adquiridos durante o período de graduação. Ao longo do projeto podemos obter conhecimentos sobre as novas pesquisas relacionadas na área do ciberespaço e também explorar as novas maneiras de obter e transmitir informações. Atingimos os nossos objetivos no que refere-se à apresentar a cidade de São Borja a integração entre o espaço físico e público com o ciberespaço, assim, como uma nova forma de transmitir informações, com o uso dos QR Codes, que é um serviço totalmente novo no Brasil, pois está em fase inicial, sendo aplicado em poucos locais.Também foi possível se utilizar dos diversos serviços de disponibilização e publicações de informações. Tecnicamente, no caso das videoreportagens, o material visual não ficou com a qualidade esperada devido aos aparatos amadores, contudo o conteúdo atingiu o objetivo que projeto se propunha. Os conceitos de cibercidade e mídias locativas, tem muito a serem explorados devido a criação das novas tecnologias da comunicação e da informação, conforme vão se incorporando novos aplicativos que torne possível a integração do espaço físico com o virtual, ocupado pelas cidades. A consolidação do projeto trouxe para São Borja sua integração no espaço virtual através de seus pontos de turismo e de referência, promovendo os aspectos culturais, sociais e intelectuais através das informações disponibilizadas. A partir do Ciber São Borja, pretendemos dar continuidade ao processo de mapeamento e discrição dos espaços físicos de São Borja e expandir a proposta do projeto, primeiramente, às cidades do pampa gaúcho, onde estão implantados os demais campus da Universidade Federal do Pampa. O primeiro passo, para a expansão pretendida se dará a partir da criação do projeto de extensão denominado “Ciberpampas”. O projeto Ciber São Borja também servirá como um elemento fundamental para o nosso ingresso na carreira profissional, nos capacitando a executar projetos com a mesma proposta ou ainda a aprimorando, com novos métodos que surgirão.


37

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Livros


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ANEXO â&#x20AC;&#x201C; Placa no tamanho original


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TCC Mariele Dornelles Campos