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Universidade Federal do Pampa

Lilian dos Santos Machado

Locutor Amigo: Uma análise do programa radiofônico Linha Aberta

Trabalho de Conclusão de Curso

São Borja 2010


LILIAN DOS SANTOS MACHADO

Locutor amigo: uma análise do programa radiofônico Linha Aberta

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, da Universidade Federal do Pampa como requisito para obtenção da graduação de Bacharel em Jornalismo Orientador: Me. Alexandre Rossato Augusti

São Borja 2010


LILIAN DOS SANTOS MACHADO LOCUTOR AMIGO: UMA ANÁLISE DO PROGRAMA RADIOFÔNICO LINHA ABERTA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, da Universidade Federal do Pampa como requisito para obtenção da graduação de Bacharel em Jornalismo Área de concentração: comunicação

Trabalho de conclusão de curso defendido e aprovado em Banca examinadora: ______________________________________________________ Profº Me. Alexandre Rossato Augusti Orientador Jornalismo – Unipampa ___________________________________________________ Profª Drª Michele Negrini Jornalismo – Unipampa ____________________________________________________ Profº. Me. Marco Antonio Bonito Publicidade e Propaganda – Unipampa


Dedico esse trabalho aos meus pais, alicerces da minha vida, maiores incentivadores, responsรกveis por tudo que sou e por tudo que conquistei.


AGRADECIMENTOS

Agradeço prioritariamente a Deus por sempre ter guiado os meus passos. Aos meus pais, grandes responsáveis pelas minhas conquistas. Aos meus irmãos que sempre torceram por mim, pelo carinho e compreensão. A todos os meus colegas que fizeram parte desta trajetória, contribuíram para as experiências que vivi e com isso tornaram esses quatro anos memoráveis. Agradeço especialmente aos companheiros inesquecíveis que sempre me ajudaram, estimularam e apoiaram quando precisei que são: Glaucia, que esteve comigo desde o início, sempre me apoiando e com quem aprendi muito. Rodrigo, companhia bem humorada para os vários dias de estudo e responsável por muitos momentos inesquecíveis. Everton, colega admirável com quem vivi várias experiências felizes e com quem tive a felicidade de consolidar uma amizade. Elisângela, que sempre me disse inúmeras palavras de apoio e que sempre depositou confiança em mim; o que, em muitos momentos, me incentivou a seguir adiante. Ao meu companheiro Diego, em quem sempre encontrei consolo e compreensão. Ao meu orientador, que me ajudou quando precisei de socorro. Obrigada, Alexandre, pela paciência, compreensão, confiança e ensinamentos que adquiri em cada conversa. A todas as pessoas que direta ou indiretamente colaboraram para realização deste trabalho.


Sumário Introdução......................................................................................................................9 1 A locução nos programas de entretenimento..........................................................11 1.1 Breve histórico da locução no rádio......................................................................11 1.2 estratégias de locução/apresentação/animação em programas de entretenimento no rádio........................................................................................................................15 2 A comunicação popular e os programas populares.................................................21 3 O suporte metodológico...........................................................................................27 4 Análise do programa radiofônico Linha Aberta........................................................30 4.1 Características do programa.................................................................................30 4.2 Mapeamento dos sentidos....................................................................................33 4.3 Público ouvido, participativo e valorizado.............................................................34 4.4 Locutor como amigo, íntimo do ouvinte................................................................34 4.5 Animação do programa.........................................................................................36 4.6 Programa popular..................................................................................................36 Considerações finais...................................................................................................39 Referências bibliográficas...........................................................................................42 Apêndices....................................................................................................................45 Apêndice A- entrevista................................................................................................45 Apêndice B- áudio da entrevista.................................................................................57 Apêndice C- fotos........................................................................................................58 Anexos.........................................................................................................................59 Anexos A - decupagem do programa.........................................................................59 Anexo B - áudio do programa.....................................................................................72


“O locutor de rádio escreve uma espécie de novela a cada edição [...] o microfone é sua pena e seu papel. Sua audiência e conhecimento

que

tem

dos

acontecimentos diários do mundo lhe oferecem os personagens, as cenas, o clima, [...] ele é o primeiro a usar o rádio como forma de ensaio ou romance destinados a registrar a consciência comum de um mundo totalmente novo, um mundo de universal participação humana em todos os acontecimentos, particulares ou coletivos.” McLuhan


Resumo A partir de um encanto particular pelo rádio e especialmente pela área da locução radiofônica, optou-se por um objeto de estudo que se limitasse a esse veículo. Devido a uma desconfiança pessoal de que os programas de maior audiência no rádio local são aqueles em que o locutor adquire status de amigo diante de seus ouvintes e que conquistam grande identificação do público, o qual se sente cativado, único, participativo e valorizado, objetivou-se pesquisar como funciona e se desenvolve essa relação. Dessa forma, o presente trabalho tem como objetivo verificar quais as características do programa radiofônico Linha Aberta, da rádio Cultura de São Borja 1260 kHz, que fazem com que esse programa seja visto como popular, já que esta é a visão que se tem do programa na cidade e que esta é também a posição defendida pelo locutor, bem como, definir as estratégias que o locutor utiliza para fazer com que o público se sinta ouvido, participativo, emocionado e, principalmente, o sinta como um amigo. Palavras-chave: locução, apresentação, popular, programas de variedades


Abstract

From a particular enchantment for the radio and especially for the area of the radiof么nica locution, it was opted to a study object that if limited to this vehicle. Had to a personal diffidence of that the programs of bigger hearing in the local radio are those where the speaker it ahead acquires status of friend of its listeners and that they conquer great identification of the public, which if feels captivated, only, participativo and valued, it was objectified to search as it functions and if it develops this relation. Of this form, present work has as objective to verify which characteristics of program radiof么nico Line Opened, of radio Culture of Is S茫o Borja 1260 kHz, that they make with that this program is seen as popular, since this is the vision that if has of the program in the city and that this is also the position defended for the speaker, as well as, to define the strategies that the speaker uses for making with that the public if feels ear, participativo, moved and, mainly, feels as a friend. Word-key: locution, presentation, popular, programs of varieties


Introdução

Ao longo de sua história, o rádio tornou-se parte integrante do cotidiano do povo brasileiro. Com o passar dos anos, transformou-se em um objeto acessível à maioria das pessoas e com isso, hoje, estima-se que chegue a 98% dos lares brasileiros. Presença constante em quase todos os lugares, atualmente configura-se como um meio importante de informação e entretenimento. Desde seu surgimento até os dias atuais, o rádio passou por diversas transformações e inovações tecnológicas, mas certamente uma peça importante nas mudanças desse veículo é a figura do locutor de rádio, que através de sua performance é capaz de prender a atenção do ouvinte, despertar o interesse, ganhar a confiança e, não raramente, a amizade de seu público. Esch (2001, p. 87) afirma que “apesar de toda a parafernália técnica a condução do comunicador continua a ser imprescindível para o estabelecimento de uma relação quente e vibrante entre o meio rádio e seus ouvintes”. Muitos locutores se tornam conhecidos pelos aspectos populares de seus programas e pela capacidade de mexer com a emoção dos ouvintes, características essas de grande importância no rádio. Segundo Oliveira (2003, p. 16) “o locutor começa a trabalhar a serviço dos sentidos e das emoções”. Ainda segundo a autora, “no rádio não existe relação mais interligada do que o locutor e o ouvinte”. Sendo assim, o locutor está sempre em evidência fazendo a ligação com o ouvinte, criando laços de interação com o público. Através do carisma que possuem, estes profissionais vêm construindo diariamente suas imagens públicas e seduzindo distintas audiências. Penetram no imaginário dos ouvintes e instituem laços de identificação e confiança conquistados, inicialmente, por meio de demonstrações de simpatia e cordialidade. Para tanto, conduzem estrategicamente seus programas em um clima de amizade e companheirismo que lhes garantem obter os “ingredientes mercadológicos” do sucesso do rádio contemporâneo: a intimidade, credibilidade e afetividade (ESCH,2001,p.88)


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No interior, essa relação de “amizade” entre locutor e ouvinte parece ainda mais forte. Muitas vezes, o “locutor amigo” é o motivo pelo qual as pessoas escutam uma emissora ao invés de outra. Por esse motivo, escolheu-se desenvolver esse trabalho analisando a atuação do comunicador radiofônico.

Para isso, utiliza-se

como amostra o programa Linha Aberta, da rádio Cultura AM 1260 kHz, de São Borja. O programa Linha aberta é um programa diário, com duração de três horas, iniciando às nove horas e se estendendo até o meio dia, de segunda a sexta-feira. O programa é líder de audiência na cidade e no interior do município. Para sua escolha foram observados os seguintes critérios: a) Localidade, por se tratar de um programa samborjense e, portanto, estar

no universo no qual o campus da Universidade se encontra; b) Notoriedade, por ser um programa de grande visibilidade na cidade e ser

compreendido como um programa popular pelos ouvintes e pelo seu locutor; c) A forma de atuação do locutor, por se tratar de um comunicador de grande

popularidade no rádio de São Borja; Os propósitos desse trabalho são verificar quais características fazem com que esse programa seja considerado popular, já que esta é a visão que se tem do programa na cidade, da mesma forma é a posição defendida pelo locutor; e definir as estratégias que o locutor utiliza para fazer com que o público se sinta ouvido, participativo, emocionado e, principalmente, o sinta como um amigo. O trabalho é composto por quatro capítulos, sendo que, no primeiro será oferecida uma abordagem maior à locução e apresentação, traçando um breve histórico da locução no rádio e o modo de locução empregado em programas de entretenimento. Já no segundo capítulo, será verificado o que torna um programa popular e quais as características da comunicação popular. O terceiro capítulo apresentará a metodologia utilizada para análise. No quarto e último capítulo, será realizada a análise do programa tomado como amostra. Por fim, serão apresentadas as considerações finais sobre a pesquisa, retomando brevemente alguns conceitos apresentados ao longo do trabalho.


1 A locução nos programas de entretenimento

1.1 Breve histórico da locução no rádio

“A comunicação é um processo natural, ligado a uma arte, a uma tecnologia, a um sistema e a uma ciência social. Ela ensina, vende, distrai, entusiasma, dá status, constrói mitos, destrói reputações, faz rir, faz chorar, reduz a solidão, etc.”. (LUCENA, apud CASTELLIANO, 2000, p. 35) Dentro do processo comunicacional humano, a voz tem grande importância. Através dela os indivíduos transmitem mensagens entre si, transportam informações não apenas verbais, mas também psicológicas e emocionais. No rádio, as informações precisam ser transmitidas de forma precisa, clara e agradável. Portanto, o locutor radiofônico torna-se a peça-chave para que os componentes informativos que se desejam transmitir cheguem até o ouvinte e sejam entendidos. A palavra locutor vem do latim locutore, que significa aquele que vos fala. Ortriwano (1985, p. 102) explica que, ao locutor cabe a leitura dos textos e que “muito de responsabilidade está em suas mãos - ou melhor, em sua voz, pois é através dela que a informação chega até o ouvinte. A leitura correta, a interpretação exata, é fundamental para que a mensagem não seja deturpada.” Deste mesmo modo, Castelliano (2000, p. 103) esclarece que o locutor de rádio “pode ser uma pessoa de bermuda e camiseta, o importante é a voz. Na rádio a voz vem acompanhada da boa dicção. A articulação do locutor tem que ser precisa”. Sendo assim, o locutor torna-se um importante instrumento na comunicação de rádio1. A primeira locução transmitida no rádio aconteceu em 1922, no dia 07 de setembro, durante a exposição comemorativa do centenário da independência, graças à instalação de uma retransmissora no Corcovado e de aparelhos de recepção instalados em Niterói, Petrópolis, São Paulo e no próprio Corcovado. Mas

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O timbre grave pode não ser uma exigência, mas mesmo essa característica da voz pode ser compreendida como indicativo de seriedade para algumas emissoras AM ou para o público.


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apenas um ano depois surge a primeira emissora de rádio brasileira, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, fundada por Roquete Pinto. Como não existiam escolas para formação de radialistas, os primeiros locutores de rádio foram os radioamadores, por já possuírem experiência com o microfone. Porém, nos primeiros anos do rádio, as emissoras de radiodifusão eram bastante limitadas. Algumas transmitiam somente uma hora por semana e a programação consistia em música erudita, conferências e palestras que não interessavam ao ouvinte2. Mas não era só a programação que não permitia a popularização do rádio, o custo era outro empecilho. Os aparelhos receptores eram importados e a população tinha dificuldade em adquiri-los. Só a partir da década de 30 o rádio começa a se popularizar, voltando-se para o lazer e o entretenimento. Surgem então os famosos locutores dos programas de auditório, as radionovelas, os programas de humor, etc. Assim, os horários de ocupação com emissões aumentaram, os operadores adquiriram o hábito de falar com os ouvintes e, mais tarde, de lerem informações e notícias que vinculavam nos jornais impressos. Atualmente, os programas radiofônicos são variados e procuram satisfazer a todo tipo de ouvinte. Os formatos de entretenimento mais importantes da história do rádio foram o radioteatro e a radionovela. Hoje em dia, grande parte dos formatos de entretenimento utilizada pelo rádio constitui-se de programas popularescos, que se dirigem fazendo referência à “amiga de casa”, prestam-lhes conselhos amorosos, dicas de culinária, astrologia, falam da vida particular de pessoas famosas, e muitos outros fatos e acontecimentos, alguns dramatizados ao microfone. A combinação de outros formatos permite ainda que, atualmente, o gênero do entretenimento atinja o ouvinte no caráter de informar e entreter e, assim, a presença do locutor torna-se cada vez mais importante, porque faz a ligação com o ouvinte. No princípio do rádio, os comunicadores eram conhecidos como Speakers, palavra de origem inglesa que significa orador, locutor. Segundo Esch (2001, p. 80), “um speaker precisava ter a voz forte, mas melodiosa, boa leitura e principalmente criatividade para estabelecer estilos de locução que os caracterizavam perante os ouvintes”.

Oliveira

(2003,

p.

90)

esclarece

ainda

que

“esses

primeiros

comunicadores possuíam muito pouca liberdade de ação quanto à maneira pela qual 2

Cf. César (1990).


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abordavam ou divulgavam fatos. Eram somente profissionais da voz e da estética sonora”. Conforme a autora, diferente dos primeiros anos do rádio, hoje em dia não é necessário ter “aquele vozeirão”, o importante é ser entendido e ganhar credibilidade e, mais do que falar, é preciso expressar um significado: De quem usa a voz ao microfone, as emissoras exigem hoje muito mais uma clareza expressiva do que vozeirão dos anos dourados do rádio, como explica o diretor da Escola de rádio, Ruy Jobim: o importante é a comunicação, e não tanto a voz. Para ser um bom locutor é preciso ter comunicação fácil, simples e imediata. Antigamente ou a pessoa nascia com a voz ou nada feito. (FERRARETO, 2001, p. 310)

Os speakers descobriam como “fazer” rádio e qual seria a melhor linguagem a ser empregada. Ao mesmo tempo em que o rádio evoluía, os speakers também se aprimoravam e passaram a ser conhecidos como “animadores de programas” e assim, o papel de apresentador ganha maior importância no cenário radiofônico. O contato com o ouvinte foi se reestruturando e novas exigências foram surgindo. No início do rádio não havia relação mais intensa entre o ouvinte e o animador, era inexistente um canal direto com o público em programas onde predominavam as apresentações musicais. Atualmente o comunicador, distante daquele speaker do passado, alterou sua relação com o ouvinte, estabelecendo laços de interação com o público e o contato mais direto com o ouvinte. Essa informação pode ser comprovada através de Esch (2001), quando o autor menciona que: O veículo tornou-se permeável à participação direta do ouvinte nos programas, permitindo-lhe opinar, reclamar ou apresentar solicitações; alterou seus conteúdos e incorporou como referência maior de sua ação as questões do cotidiano popular seja pelo telefone ou pessoalmente, no estúdio das emissoras, criou condições para favorecer o estabelecimento de uma relação interativa entre ouvinte e comunicador. (ESCH, 2001, p.83)

É através do desempenho do locutor que nasce um importante papel de credibilidade nas emissoras, pois, mesmo com todas as mudanças desde o início do rádio até os dias atuais, o ouvinte continua buscando no veículo. Mais do que música e informação, ele busca também a companhia dos comunicadores e a figura do locutor amigo: Seja através do microfone de última geração ou por intermédio da transmissão digital de impecável qualidade sonora, o que o meio continua oferecendo aos ouvintes é a possibilidade de que, ao sintonizarem suas estações preferidas, encontrem o calor humano, a simpatia, a atenção, a amizade, a companhia e a informação que procuram em profissionais que


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vivem no mesmo espaço urbano, conhecem os mesmos problemas e situações que enfrentam os seus ouvintes e, por isso, podem falar sobre diversas questões com “conhecimento de causa”. Boa parte se deve ao fato de existir comunicador radiofônico. Ao construir o elo entre a técnica e o ouvinte, proporciona a comunicação amiga e vibrante do rádio e promove, com seu carisma e personalidade, a construção de uma viva relação com o público na qual, podem estar presentes sentimentos de credibilidade, confiabilidade, intimidade e afetividade. (ESCH, 2001, p. 79)

Na atualidade, a grande diversidade de programação demanda que os comunicadores de rádio sejam, cada vez mais, criativos e flexíveis. As inovações de linguagem, juntamente com as inovações tecnológicas fizeram com que o locutor adquirisse a versatilidade exigida pelo veículo: O locutor radialista é um profissional que apresenta grande versatilidade em suas atividades como comunicador, uma vez que atua num mercado de trabalho amplo e variado. Sua atuação ocorre tanto dentro como fora da emissora de rádio, o que o leva a assumir diferentes papéis: ele apresenta programas, entrevista convidados, grava comerciais e vinhetas para a rádio, além de animar festas, eventos e atuar como mestre-de-cerimônias. Desta forma, é necessário que o locutor de rádio desenvolva grande flexibilidade em sua comunicação para acompanhar um mercado diversificado e exigente. (BORREGO, 2007, p.02)

Atentando para a importância da atuação daquele que vos fala – o locutor, e para a grande variedade de estilos e funções de locução, o decreto n 84.134, de 30 de outubro de 1978, anexo 13, determina a classificação dos locutores em: 1. Locutor anunciador - faz leituras de textos comerciais ou não nos intervalos da

programação,

informações

diversas

e

necessárias

à

conversação

da

programação. 2. Locutor apresentador animador - apresenta e anuncia programas de rádio ou televisão, realizando entrevistas e promovendo jogos, brincadeiras, competições e perguntas peculiares ao estúdio ou auditórios de rádio e televisão. 3. Locutor comentarista esportivo - comenta os eventos esportivos em rádio ou televisão, transmitindo as informações comerciais que lhe forem atribuídas. Participa de debates e mesas-redondas. 4. Locutor esportivo - narra e eventualmente comenta os eventos esportivos em rádio ou televisão, transmitindo as informações comerciais que lhe forem atribuídas. Participa de debates ou mesas-redondas 5. Locutor noticiarista de rádio - lê programas noticiosos de rádio, cujos textos são previamente preparados pelo setor de redação.

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Cf. http://www.imprensa.org.br/leis_prof_radialistas.html


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6. Locutor entrevistador - expõe e narra os fatos, realiza entrevistas pertinentes aos fatos narrados. Essa classificação torna um pouco mais clara as funções desenvolvidas pelos locutores e, desta forma, é possível perceber o quanto é diversa a forma de atuação dos comunicadores de rádio e o quanto o mercado de trabalho deste veículo é variado, pois existem profissionais especializados em várias modalidades de locução. No caso do locutor do programa que iremos analisar, no último capítulo deste trabalho, podemos afirmar que ele desenvolve as funções de: locutor anunciador, pois durante alguns intervalos lê textos comerciais, notícias e informações variadas, necessárias às tramas do programa; locutor apresentador animador,

porque

se

encarrega

da

apresentação

do

programa

e,

conseqüentemente, de todos os encargos da função.

1.2 Estratégias de locução/ apresentação/ animação em programas de

entretenimento no rádio

Um importante atributo do rádio é a capacidade de entreter. As pessoas ligam o rádio, não apenas para ouvir notícias ou ficar informadas dos fatos da atualidade, elas querem também o divertimento, a música, a companhia do “locutor amigo”. Assim o gênero do entretenimento ocupa um espaço importante no rádio. Trigo (2003, p. 30) esclarece que “o entretenimento surge nos Estados Unidos como uma atividade marginal e pouco nobre.”. Gabler comenta sobre as características do entretenimento nessa época: Eram gratificação e não edificação, transigência e não transcendência, reação e não contemplação, escape em vez de submissão às instruções morais [...] como reconhecem os próprios críticos, seu apelo parecia estar no fato de resistir, deliberadamente, às obrigações da arte. Um dos dogmas da cultura é de que a arte exigia esforço para ser apreciada, sobretudo esforço intelectual, mas o entretenimento não fazia nenhuma exigência a seu público. A arte arregimentava os sentidos, mas arregimentava-os a serviço da mente ou da alma; era trabalho árduo, recompensado pela experiência divina. Já o entretenimento, na medida a que chegava a arregimentar a mente, trabalhava apenas a serviço dos sentidos e das emoções; era a reação passiva recompensada pela diversão. Operando sobre as emoções e sobre as vísceras, sobre os centros da irracionalidade e irresponsabilidade, o entretenimento estava fora do alcance do intelecto. Como disse Goethe numa carta a Schiller, ainda em 1797, “o absurdo posto diante dos olhos/tem um direito mágico. Como ele algema os sentidos/a


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mente permanece vassala.” Antes que a palavra se tornasse sinônimo de “escandaloso”, era isso que os críticos queriam dizer quando chamavam o entretenimento de sensacional, um dos adjetivos na língua inglesa mais pejorativos do séc. XIX. O que se queria dizer era que o entretenimento provocava reações excitando o sistema nervoso, quase da mesma forma que as drogas. De fato, era o entretenimento, e não a religião, como queria Marx, o ópio do povo (GABLER, 1999, p. 23-24).

Segundo a visão de Gabler, o entreter é um divertimento ou distração. Em seu livro Vida, o filme, ele tenta definir o que muitos questionam ser o entretenimento: A etimologia entretenimento é latina e com toda certeza vem de inter (entre) e tener (ter). Em inglês, a evolução da palavra entertainment levou-a a significar tanto uma forma de servidão quanto o fornecimento de apoio ou sustento, a maneira de tratar alguém, uma forma de ocupar o tempo, receber ou aceitar algo, dar hospitalidade a uma pessoa, bem como a definição mais familiar: “aquilo que diverte com a distração ou recreação” e “um espetáculo público” ou mostra destinada a interessar ou divertir (GABLER, 1999, p. 25).

Trigo (2003, p. 32) explica que, “antes do entretenimento, uma produção cultural de massa, a cultura norte americana assim como a européia, era dominada pela aristocracia rica e refinada, quase toda ela formada por grandes proprietários de terras.” Essa aristocracia elitista diferenciava entretenimento de arte: Segundo os elitistas enquanto a arte trata cada espectador, ouvinte ou eleitor como um indivíduo, provocando uma resposta individual à obra, o entretenimento trata as suas platéias como massa. Com tudo isso, o entretenimento é mesmo divertido, fácil, sensacional, irracional, previsível e subversivo. É um espetáculo para as massas bem como afirmou Debord. 4 (TRIGO, 2003, p. 32)

Como se pode perceber, era comum que o termo entretenimento fosse usado pejorativamente, no entanto, ele se constituiu como parte importante da sociedade contemporânea, sempre presente no cotidiano das pessoas, passando por classes sociais, gerações, faixas etárias. Trigo (2003, p. 26) comenta que o rádio é um grande responsável pela transformação do entretenimento em tecnologia de ponta e destinado à massa. No rádio, dentro de um programa de entretenimento, existem diversas formas de atuação do comunicador. Essas maneiras de atuar são nominadas nesse trabalho como estratégias de locução, apresentação e animação. Dentre essas estratégias, podemos citar como exemplo, as brincadeiras, as músicas, os efeitos sonoros, os modos de utilização da voz, etc. Prado (1989, p. 36) esclarece que, “a linguagem radiofônica não é exclusivamente oral. A música, o ruído, o silêncio e os 4

Guy Ernest Debord é o escritor da conhecida obra, A sociedade do espetáculo, pesquisa desenvolvida por ele que está fundamentada nos trabalhos de Karl Marx.


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efeitos especiais são parte substancial da linguagem radiofônica, que perdem sua unidade conceitual ao fundirem-se no sistema de transmissão [...] este mesmo efeito se produz com a palavra falada”. Ortiz comenta que na hora de criar determinado ambiente sonoro, existem três elementos nos quais se baseia a montagem radiofônica. Segundo o autor, “música, efeitos e palavra, combinados de forma correta, são os elementos que contêm os códigos suficientes para que o receptor gere a imagem correta que se pretende transmitir.” (ORTIZ, 2005, p. 63). A música é uma conhecida característica do rádio e serve como pano de fundo, além de relaxar, causar nostalgia, entusiasmo ou até curiosidade. Como estratégia de locução, apresentação de programas, ela auxilia o comunicador na pontuação da narração, imprimindo um ritmo para a fala, além, é claro, de ajudar na caracterização do estilo do programa. Outra estratégia utilizada pelos comunicadores é o emprego do silêncio. Segundo Rodrigues (1990), “o silêncio pode comunicar de maneira tão forte como uma palavra proferida.” (RODRIGUES Apud SILVEIRA, 2003, p. 126). Através do embasamento da Análise do Discurso, Orlandi explana Em principio o silêncio não fala, ele significa. Se traduzirmos o silêncio em palavras há transferência, logo, deslizamento de sentidos, o que produz outros efeitos. Isto se deve ao fato de que mesmo se o silêncio não fala, enquanto forma significante, ele tem sua materialidade, sua forma material específica (ORLANDI, 2005, p. 128)

Assim, sendo o rádio um veículo apenas falado, a utilização do silêncio parece curiosa, no entanto ele pode ser utilizado para causar tensão, apreensão ou para ser um breve momento de reflexão para os ouvintes. Porém, é preciso tomar cuidado para que o silêncio não seja confundido com uma falha técnica. Os efeitos sonoros, por sua vez, “podem ser utilizados dependendo do tipo de montagem, de uma maneira descritiva, ilustrando o texto ou a situação de forma realista. Ou então de forma figurada, criando ambientes ou situações emocionais.” (ORTIZ, 2005, p. 63) As

brincadeiras

e

jogos

são

recursos

largamente

utilizados

pelos

apresentadores na animação dos programas. Todas essas estratégias trabalham em conjunto para proporcionar uma interação entre o comunicador e o ouvinte. O que pode ser ratificado através das palavras de Valle:


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Nas rádios AM, principalmente nos programas comandados por comunicadores populares, a locução, a música, o efeito e o silêncio trabalham em conjunto para proporcionar uma interação entre o locutor e o ouvinte. Pois, como o rádio trabalha, em um primeiro momento, com o estímulo sonoro, é necessária uma boa utilização desses recursos para que a comunicação seja realizada sem ruídos. (VALLE, 2007, p. 04)

Mesmo com tantas formas e estratégias de atuação do comunicador radiofônico, a utilização da voz, das mais variadas formas, ainda continua sendo o principal elemento sonoro da criação radiofônica, em torno do qual se articula o restante. Mcleish (2001, p. 19) salienta que “a voz é capaz de transmitir muito mais do que o discurso escrito. Ela tem inflexão e modulação, hesitação e pausa, uma variedade de ênfases e velocidade. A informação que um locutor transmite tem a ver com o estilo da apresentação tanto quanto com o conteúdo do que diz.” Nesse sentido, Prado destaca quatro variáveis de locução: a vocalização, a entonação, o ritmo e a atitude, explicando que cada um desses fatores influencia na eficácia da mensagem radiofônica. O ritmo por ser o responsável a passar o ouvinte de um estado para o outro, assim, “deve-se desenvolver uma combinação de ritmos, mais rápidos e mais lentos, que reproduza as variações que se efetuam na expressão oral, em função da fluidez das idéias” (PRADO, 1989, p. 24). A vocalização clara influencia na compreensão de um texto. A atitude dependerá da posição do ouvinte diante do tema e do programa, por isso deve ser tratada com cuidado, uma atitude muito seca ou muito alegre pode levar a uma reação negativa e prejudicar a eficácia da mensagem. E a entonação para o rádio, segundo Prado, deve descrever uma curva variável, como a que seria a expressão oral cotidiana, assim não se deve esgotar todo ar dos pulmões e sim ir o renovando constantemente nos lugares de expressão que, por sua entonação, deixem que a tomada de ar não represente um ruído no processo comunicativo. Do mesmo modo, Mcleish destaca alguns itens a serem considerados quando se constrói um texto para ser ouvido. Entre eles está a importância de tornar a abertura do programa interessante e informativa, de escrever para o ouvinte individualmente, visualizando-o para isso, de criar imagens, contar histórias e apelar para todos os sentidos, usar a linguagem coloquial, utilizar frases curtas, empregar a pontuação de modo a tornar a locução clara para o ouvinte, manter a simplicidade, sempre lembrando que a idéia é sempre expressar e não impressionar. Por isso,


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entre as diversas estratégias de locução, apresentação e animação, nos deteremos nas maneiras de utilização da voz. O rádio, como já se sabe, vai se adaptando a várias mudanças, tanto na área tecnológica, quanto na área social e entre as principais mudanças nas características radiofônicas, está a de um recurso e pressuposto fundamental para a eficiência da comunicação no rádio, a linguagem. A locução, a voz e seus modos de utilização, são imprescindíveis para o desenvolvimento do veículo e do vínculo de afetividade entre emissor e ouvinte, além, é claro, da conquista da credibilidade. A partir da diferenciação entre os modos de atuação dos locutores radiofônicos é possível identificar que o mercado de trabalho no âmbito das emissoras de rádio começa a se especializar para atrair cada vez mais e melhor o seu

público.

Surgem

inovadoras

potencialidades,

que

apontam

para

os

comunicadores novos significados para os papéis que exercem, “[...] a partir daí o locutor começa ter sua função cada vez mais exigida. O locutor passa a exercer um poder atrativo ou de entretenimento, capaz de chamar a atenção do público sem exigir-lhe um esforço excessivo de concentração.” (OLIVEIRA, 2003, p. 15). O locutor é a chave para a permanência de um programa no ar. O desempenho do locutor é capaz de fazer cada ouvinte se sentir único, participativo, cativado. A busca por uma linguagem amigável inclui o ouvinte no processo, fazendo-o sentir-se parte integrante do programa. O modo como as mensagens chegam até os receptores depende da habilidade vocal do locutor, que tem em mãos o poder de entreter, convencer e emocionar os ouvintes. Através das diversas formas de entretenimento, técnicas vocais e recursos de sonoplastia, o rádio transporta seu ouvinte a outro mundo, a partir daí, o comunicador começa a trabalhar a serviço dos sentidos e da emoção. Isso é afirmado também por Ortriwano (1985): O rádio envolve o ouvinte, fazendo-o participar por meio da criação de um diálogo mental com o emissor. Ao mesmo tempo desperta a imaginação através da emocionalidade das palavras e dos recursos de sonoplastia, permitindo que as mensagens tenham nuances individuais, de acordo com a expectativa de cada um (ORTRIWANO, 1985, p. 80)

Como o rádio não possui um recurso visual, as palavras precisam ser muito bem articuladas. Desse modo, o potencial vocal utilizado por cada comunicador é responsável pela identificação com o ouvinte. A dicção, o tom, o timbre da voz,


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acentuam determinado tipo de mensagem e sinais. É a partir da fidelização pela voz do locutor que ocorre a fidelização pelo conteúdo das mensagens transmitidas. Nota-se que, nas rádios AM, cada apresentador-animador utiliza o potencial vocal – esse potencial específico de cada comunicador se torna uma parte fundamental para a identificação com o ouvinte, pois este se identifica primeiro com aquela voz, e a partir de então é que vai se acostumando e se tornando fiel àquele comunicador. Em seguida à fidelidade pela voz, ocorre a fidelidade em relação ao conteúdo das mensagens transmitidas. Neste ponto, identificam-se dois tipos de conteúdo: conteúdo comunicacional informativo – relativo às informações transmitidas – com as quais podemos estabelecer algumas relações aos meios de comunicação de massa (sua história, estrutura e mudanças) e o conteúdo pessoal – relativo aos pontos de interação entre o locutor e ouvinte, situação que permite uma outra identificação, em uma esfera mais afetiva. (VALLE, 2007, p.04)

Nas rádios AM um dos seguimentos dominantes no gênero do entretenimento são os programas de variedades que, comandados por comunicadores populares, utilizam a linguagem do dia-a-dia, coloquial, próxima ao modo de falar dos ouvintes. Nesse tipo de programa, “o apresentador é quem regula o tom do programa de acordo com a maneira como ele aborda o ouvinte. Ele ou ela pode ser sociável e amigável, discretamente camarada, informal ou animadamente prático, ou então instruído e versado.” (MCLEISH, 2001, p. 142) A voz é o instrumento de trabalho do locutor e através dela muitos conseguem criar uma magia em volta de si. Os programas de variedades são conduzidos por comunicadores de grande popularidade, que além da locução, utilizam-se de recursos de sonoplastia para transmitir informações de modo claro. Tais programas deixam clara a importância do poder comunicativo desses profissionais para a consolidação do rádio nos segmentos mais populares da sociedade. A idéia conceitual que caracteriza os comunicadores de hoje, “renascidos das cinzas” com o fortalecimento e a gradual transformação dos programas de variedades a partir da década de 70, se fundamenta na proposta que passou a caracterizar, de maneira geral, sua atuação no rádio, principalmente na faixa de Amplitude Modulada e que consiste em promover uma aproximação, cada vez maior, do rádio com o seu público. (ESCH, 2001, p. 83)

Assim, através dos programas de variedades, e principalmente, do desempenho do locutor é que o rádio se firma nos segmentos populares. Vale lembrar que em grande parte, a performance do locutor faz com que ocorra a fidelização do público ao veículo, ao programa e a emissora, tornando-se a grande


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responsável pelo “contrato” fechado entre ouvinte, programa e emissora, pois o ouvinte se identifica primeiro com o locutor e só a partir daí dirige sua audiência.


2 A comunicação popular e os programas populares

Inicialmente, faz-se uma tentativa de conceituar popular numa perspectiva comunicacional. A comunicação popular não é algo novo e, por isso mesmo, existem inúmeras e diferentes definições e conceitos do que pode ser compreendido como comunicação popular. Vários autores tratam a respeito do tema. Peruzzo (2006) explica o que entende por comunicação popular: A comunicação popular representa uma forma alternativa de comunicação e tem sua origem nos movimentos populares dos anos de 1970 e 1980, no Brasil e na América Latina como um todo. Ela não se caracteriza como um tipo qualquer de mídia, mas como um processo de comunicação que emerge da ação dos grupos populares. Essa ação tem caráter mobilizador coletivo na figura dos movimentos e organizações populares, que perpassa e é perpassada por canais próprios de comunicação. (PERUZZO, 2006, p. 02)

Peruzzo (1998) segue alertando para o fato de que existem conotações diversas sobre o popular como: • O popular folclórico, que se caracteriza por abarcar o universo das manifestações culturais, tradicionais e genuínas do povo, presentes em manifestações folclóricas, festas, danças, ritos, crenças, costumes, objetos, etc. •

O popular massivo, que se manifesta em três dimensões: culturalista, constituindo-se

da

apropriação

e

incorporação

das

linguagens,

da

religiosidade e de outras características da cultura do povo pelos meios de comunicação de massa; popularesca, caracterizada pelos meios massivos e por certos programas de elevado poder de penetração, influência e aceitação; e de utilidade pública, na qual se encontram os programas massivos sintonizados com a problemática de bairro ou comunitárias, entendidos no geral como de utilidade pública, abrem espaço para as pessoas fazerem denúncias, pedirem esclarecimentos, ou externarem reivindicações quanto a questões que afetam interesses comuns a determinados grupos de pessoas. (Vale observar aqui que o programa que analisaremos adiante oscila entre


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as dimensões popularesca e de utilidade pública, do popular massivo). • E o popular alternativo, que advém do conceito dinâmico de povo. Situa-se no universo dos movimentos sociais populares num processo dinâmico de lutas por seus direitos. Para Friderichs (2002) a comunicação popular “é um espaço comum no qual o povo, entendido como totalidade, poderá se encontrar para discutir e expressar suas opiniões, idéias, valores e experiências, descobrindo soluções para seus problemas cotidianos e manifestando seus projetos.” (FRIDERICHS, 2002, p. 39). Com isso, podemos concluir que a comunicação popular se desenvolve com o povo, para o povo e a partir do povo. Historicamente o adjetivo popular denotou tratar-se de “comunicação do povo”, feita por ele e para ele, por meio de suas organizações e movimentos emancipatórios visando à transformação das estruturas opressivas e condições desumanas de sobrevivência. Talvez por esse motivo, grande parte dos estudos sobre comunicação popular parte do pressuposto de que povo são as classes subalternas, submissas tanto econômica quanto politicamente. No entanto, essa perspectiva se mostra restritiva e por isso, não dá conta da realidade atual. A sociedade brasileira, assim como muitas outras, encontra-se em constante movimento de mudança. Destarte, em um conceito atual, o povo é composto por classes subalternas, mas não somente por elas. Existem momentos em que a denominação povo engloba toda, ou quase toda, a nação5. A comunicação popular pode ser denominada de várias formas, como participativa, comunitária, alternativa, etc.; entretanto, atualmente, no Brasil o termo mais comum para denominar a comunicação popular é comunitária, pelo fato de que esse tipo de comunicação, por vezes, incorpora aspectos da comunicação popular em sua fase original. A comunicação comunitária como está se desenvolvendo na atualidade, pode ser entendida como: O canal de expressão de uma comunidade (independente do seu nível socioeconômico e território), por meio dos qual os próprios indivíduos possam manifestar seus interesses comuns e suas necessidades mais urgentes. De ser um instrumento de prestação de serviços e formação do cidadão, sempre com a preocupação de estar em sintonia com os temas da realidade local (DELIBERADOR; VIEIRA, 2005, p.8).

5

Cf. Peruzzo (1998)


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Portanto, a comunicação comunitária recorre a princípios da comunicação popular. A comunicação popular envolve os diversos segmentos sociais, portadores de culturas, valores, crenças, normas e manifestações artísticas diversas. Com isso, Peruzzo (1998, p. 22) enfatiza que “por comunicação popular pode-se compreender processos variados, porque ela envolve desde os pequenos meios de comunicação dirigida, até os de comunicação grupal e os de comunicação massiva.” Ressaltando os aspectos educativos desse tipo de processo de comunicação, Kaplún (1985) esclarece que as mensagens são produzidas “para que o povo tome consciência de sua realidade” ou “para suscitar uma reflexão”, ou ainda “para gerar uma discussão”. Os meios de comunicação, nessa perspectiva, são concebidos, pois, como “instrumentos para uma educação popular, como alimentadores de um processo educativo transformador”. Nesse sentido, Peruzzo (2006) destaca: Neste contexto, o caráter mais combativo das comunicações populares – no sentido político- ideológico, de contestação e projeto de sociedade – foi cedendo espaço a discursos e experiências mais realistas e plurais (no nível do tratamento da informação, abertura à negociação) e incorporando o lúdico, a cultura e o divertimento com mais desenvoltura, o que não significa dizer que a combatividade tenha desaparecido. Houve também a apropriação de novas tecnologias da comunicação e incorporação da noção do acesso à comunicação como direito humano. (PERUZZO, 2006, p. 06)

Quando executada nos meios de comunicação de massa, a comunicação popular aborda assuntos locais, ou específicos, e tende a despertar o interesse do público. Entre os meios de comunicação massiva, o rádio é certamente o mais popular. Friderichs (2002) destaca que: Todos os elementos presentes na linguagem e na prática radiofônica favorecem o caráter popular do rádio no sentido de democratizar a expressão do povo que compõe as comunidades regionais, ou seja, todos os sujeitos presentes no cenário social, e a respectiva valorização de seus padrões de vida, costumes, idéias, crenças e manifestações culturais. Entre esses elementos encontra-se a utilização da linguagem sonora. (FRIDERICHS, 2002, p. 46)

A autora ainda afirma que “a comunicação popular transitou por diversos caminhos, buscando contribuir para a transformação dos membros da sociedade em agentes conscientes de sua responsabilidade social e encontrou no rádio um abrigo adequado para desenvolver de forma eficaz seu trabalho.” (FRIDERICHS, 2002, p. 55). Muitos autores, como César, afirmam que a linguagem oral coloca o rádio em vantagem frente a outros veículos de comunicação de massa. Segundo o autor, o fato desse meio dispensar a leitura escrita para o entendimento da mensagem,


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proporciona as pessoas que não dominam a leitura conhecerem e compreenderem a mensagem apenas ouvindo-a. Portanto, aumenta o contingente de audiência, pois em outros veículos, como no caso dos jornais, aqueles que não dominam o alfabeto, não entenderão a mensagem; e no caso da televisão, mesmo sendo a compreensão possível, estará sujeita a ruídos, pois em algumas situações esse veículo utiliza a mensagem escrita, como por exemplo, nome e cargo de entrevistados. Sendo assim, podemos pensar que a popularidade do rádio deve-se muito a cultura oral, partindo do trabalho de narração, onde as palavras se transformam em sons e imagens, criando um texto pleno de significados6. Além da oralidade, existem outras características que fazem do rádio um veículo popular, como por exemplo, o baixo custo de aquisição dos aparelhos receptores o que faz com que poucas pessoas se sintam excluídas de receber suas mensagens. Portanto, “se o objetivo é difundir uma mensagem e permitir que o maior número de pessoas integrantes e atuantes no processo a recebam e possam refletir sobre ela, o rádio é o veículo de expressão que tem condições plenas de proporcionar isso democraticamente, o que significa que, aparentemente, por meio dele, muitos podem falar e muitos podem ouvir.” (FRIDERICHS, 2002, p. 55). Após o surgimento da TV, o rádio precisou buscar caminhos para se manter no mercado. Entre as mudanças que o rádio precisou adotar, o veículo teve de voltar-se para o local e o regional, valorizando a comunidade na qual se insere. Para isso, necessitou da colaboração das pessoas. A fim de garantir sua audiência, aprendeu a falar diretamente com elas e para elas. Posadas (1998, p. 58, tradução minha) acredita que “o rádio é quem sabe o meio que mais facilmente se encontra de seu público e isso, mal ou bem, o obriga a reconstruir cotidianamente sua relação com esse público a que se dirige”. Recorre-se ao rádio [...] quando se quer denunciar a omissão das autoridades diante dos problemas locais, enfim quando se sente que não é suficiente escutar e sim que é necessário dizer publicamente que se está presente como pessoa e que se está preocupado com o que está acontecendo [...] os discursos que circulam, os que escutamos e os que individualmente pronunciamos através dos meios representam toda possibilidade de ação e interação. (POSADAS, 1998, p. 57, tradução minha)

Assim, surge com essa interação um nicho onde a comunicação popular efetiva encontra espaço de ação. Por tudo isso, Friderichs (2002, p.52) realça: Por todos esses motivos, o rádio é o veículo que tem a capacidade de atingir e ser compreendido por um público muito diversificado. Os códigos 6

Ver mais sobre em: Mcleish (2001).


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utilizados são acessíveis a todos os grupos que compõe a audiência, trabalhando com um vocabulário coloquial que não exige um conhecimento especializado para a decodificação. É direto, persuasivo e, de forma coerente ou não sempre está em contato com a realidade local e seus sujeitos.

Quando se fala em programas populares de rádio, é muito comum encontrarmos os programas de variedades. Esse gênero classifica-se como um dos mais populares do rádio. Os programas de variedades e conseqüentemente os programas populares apresentam algumas características particulares, facilmente identificáveis.

Entre

essas,

encontram-se

músicas,

sensacionalismo,

assistencialismo, a participação do ouvinte e a utilização de comunicadores de grande empatia com o público. Ortiz (2005) acrescenta: “[...] seu elemento diferenciador por excelência é o apresentador, cuja personalidade e notoriedade o convertem em autêntico ponto de referência para a audiência. O apresentador juntamente com a grande variedade de seções e colaboradores que se distribuem regularmente ao longo do espaço são os aspectos fundamentais que definem o gênero de variedades.” (ORTIZ, 2005, p. 107)

Prado também comenta a respeito das características dos programas populares de variedades: Comunicadores de grande empatia com o público conversam com os ouvintes por telefone ou frente a frente no estúdio, praticam um assistencialismo de resultados, não raro, duvidosos e, de modo sensacionalista, exploram casos policiais e escândalos. Tudo entremeado por músicas e mensagens simples de otimismo. (PRADO, 1989, p. 62)

Assim, torna-se necessário observar e identificar as práticas populares no rádio, bem como, conhecer quando não o são. No rádio, os programas de entretenimento, ou de variedades, possuem grande notoriedade. São programas populares, mas isso não significa que desenvolvem uma comunicação popular. Friderichs explica: Esses programas estão voltados a atender aos interesses presumíveis dos ouvintes, e não precisam, necessariamente, transmitir notícias; podem abordar assuntos polêmicos, sanar dúvidas e prestar serviços de utilidade pública. [...] em primeira instância, parece que tal formato de programa atende aos objetivos da comunicação popular, mas é fundamental ressaltar que a prática dessa comunicação não está apenas em um programa, mesmo podendo ser observada através dele, mas, sim, na postura da emissora em conduzir a programação apresentada no veículo. Outro dado que deve ser somado a essa observação é que a essência dos programas de variedade comporta uma tendência popular, a qual, contudo, raramente acaba consolidada. Nos programas desse formato desenvolvidos em rádios comerciais, é perceptível o forte apelo emocional e sensacionalista empregado pelo locutor. Além disso, apenas os assuntos de maior repercussão ganham espaço nesse horário, principalmente se envolverem o suposto descaso das autoridades locais em relação às “vítimas” da


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audiência de estrutura urbana, em tom denuncista, ou se forem tragédias. (FRIDERICHS, 2002, p. 54-55)

Dessa forma, é possível verificar que os veículos comerciais várias vezes alegam estar realizando uma comunicação popular, quando na verdade não estão. Da forma como muitos veículos colocam até parece fácil fazer uma comunicação popular, basta permitir que as pessoas “coloquem a boca no trombone”, sem falar que para eles isso é muito vantajoso, pois dá audiência. Porém depois de conhecer os objetivos e as características dessa comunicação é possível afirmar que um programa radiofônico de comunicação popular é aquele que se caracteriza como “um espaço comum de discussão e manifestação dos diversos segmentos sociais, um território onde as diferenças culturais se inter-relacionam e se completam, possibilitando uma melhora significativa na qualidade de vida do povo; um espaço onde todos aprendam não de forma didática, mas de modo informal, uns com os outros.” (FRIDERICHS, 2002, p. 60) Portanto, comunicação popular, antes de qualquer coisa, está ligada ao universo cultural do povo, às imprecisões e aos conflitos que ele contém. Ela é um elemento responsável pelos seus valores, crenças, idéias, costumes e a cultura que produz. Deste modo, se um programa se propõe a fazer uma comunicação popular, deve entender que essa comunicação ultrapassa a abertura do microfone para os ouvintes e até as características popularescas, deve, sobretudo, compartilhar do cotidiano da população, indo até o ouvinte e não apenas esperando as reclamações ou denúncias. Com isso, é preciso destacar que o programa Linha Aberta não faz uma comunicação popular da maneira como deveria ser compreendida. Apresenta elementos

que

fazem

remissão

ao

popular,

mas

por

não

corresponder

completamente às características que compõem a comunicação popular, não é possível afirmar que ele pratica esse modelo de comunicação.


3 O suporte metodológico

Como apoio metodológico para este trabalho, optou-se por utilizar alguns mecanismos da Análise do Discurso (AD) de linha francesa. O principal mecanismo a ser considerado é a paráfrase. A escolha da AD como suporte metodológico devese ao fato de acreditar que essa metodologia, através da paráfrase e do mapeamento de sentidos, pode responder de maneira coerente os objetivos da pesquisa. Nos anos 60, a Análise do Discurso, assume uma nova tendência lingüística que leva em consideração, na reflexão sobre linguagem e interdisciplinaridade, o sujeito e seu contexto histórico-social, sua realidade. A AD surge a partir de três regiões do conhecimento: psicanálise, lingüística e marxismo. E é a partir da junção desses três campos, que a AD implementa um novo objeto de estudo, o discurso. Orlandi (1999, p. 15) explica que “na Análise do Discurso, procura- se compreender a língua fazendo sentido, enquanto trabalho simbólico, parte do trabalho social geral, constitutivo do homem e da sua história”. Sendo assim, a AD é muito utilizada para analisar os mais variados textos veiculados pelas diversas mídias. Para a AD, o discurso é uma prática, uma ação do sujeito sobre o mundo. Desta forma, existem várias interpretações sobre o que é discurso e seu conceito varia de autor para autor. De acordo com Maingueneau, (2008, p. 15) o discurso é “uma dispersão de textos cujo modo de inscrição histórica permite definir como um espaço de regularidades enunciativas”. Foucault afirma que discurso “é o espaço em que saber e poder se articulam, pois quem fala, fala de algum lugar, a partir de um direito reconhecido institucionalmente. Esse discurso, que passa por verdadeiro, que veicula saber (o saber institucional) é gerador de poder” (FOUCAULT, apud TAVARES, 1998, p. 57). Orlandi (1999, p. 15), por sua vez, define discurso como: “a palavra discurso, etimologicamente, tem em si a idéia de curso, de percurso, de correr por, de movimento. [...] Com o estudo do discurso, observa-se o homem falando”. E Pêcheux acrescenta que “todo processo discursivo se inscreve numa relação ideológica de classes.” (PÊCHEUX, apud TAVARES, 1998, p. 57).


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Com essas contribuições, podemos entender que o discurso é sempre uma relação entre sujeitos. Fernandes explica que: Na Análise do Discurso, para compreendermos a noção de sujeito, devemos considerar, logo de início, que não se trata de indivíduos compreendidos como seres que têm uma existência particular no mundo; isto é, sujeito, na perspectiva em discussão, não é um ser humano individualizado [...] um sujeito discursivo deve ser considerado sempre como um ser social, apreendido em um espaço coletivo (FERNANDES, 2005, p. 33).

Isso significa que o discurso é uma construção não individual, que reflete uma visão de mundo determinada por seus autores e pela sociedade em que vivem, pois este só pode ser analisado considerando seu contexto histórico. Foucault explica, ainda, que o que define de fato o sujeito é o lugar de onde ele fala. O autor esclarece que “não importa quem fala, mas o que ele diz não é dito de qualquer lugar.” (FOUCAULT, 2005, p. 139). Esse lugar é um espaço de representação social (ex: médico, pai, professor, motorista etc.) Pêcheux (apud MARIANI,1999) define discurso também como efeito de sentido entre interlocutores. O sentido é definido por Orlandi como: Uma relação determinada do sujeito, que é afetada pela língua, com a história. Ele é determinado pelas posições ideológicas que estão em questão de acordo com o processo sócio-histórico em que as palavras são produzidas. E as palavras mudam de sentido em função das posições daqueles que as empregam. É a interpretação que realiza a relação do sujeito com a língua, com a história, com os sentidos. (ORLANDI, apud AUGUSTI, 2005, p. 65-66).

Orlandi observa que para ter sentido o discurso precisa já ter sentido, “isto é, o sujeito se inscreve (e inscreve o seu dizer) em uma formação discursiva que se relaciona com outras formações discursivas” (ORLANDI apud TAVARES, 1998, p. 68). Conclui-se com isso, que a Análise do Discurso procura uma prática discursiva e não apenas o discurso em si. Além disso, Maingueneau esclarece que o discurso só adquire sentido no interior do universo de outros discursos. Ou seja, “para interpretar qualquer enunciado, é necessário relacioná-lo a muitos outros enunciados que são comentados, parodiados, citados, etc.” (MAINGUENAU, 2008, p. 55) Na Análise do Discurso existem dois processos que articulam o discurso; a paráfrase e a polissemia. A paráfrase pode ser entendida como o ato de dizer o mesmo de várias formas diferentes, enquanto a polissemia pode ser compreendida como o aparecimento de sentidos diferentes no discurso. Leite explica esses dois processos:


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Na paráfrase são produzidas diferentes formulações de um mesmo dizer. É o primado do mesmo. Na polissemia, há uma ruptura com um dizer estabilizado, sedimentado pela memória social; provocando um deslocamento de sentido (s) e instaurando o diferente, cuja primazia se acentua. (LEITE, apud AUGUSTI, 2005, p. 67)

A noção de paráfrase é um pressuposto teórico essencial, já que iremos identificar as marcas discursivas presentes no programa radiofônico Linha Aberta e apontar como essas marcas constroem um efeito de reiteração ou paráfrase ao longo do programa.


4 Análise do programa radiofônico Linha Aberta

4.1 Características do programa

O programa Linha Aberta é exibido diariamente de segunda a sexta-feira, das nove horas ao meio dia, pela rádio Cultura AM 1260 kHz da cidade de São Borja. Estando no ar há mais de trinta anos, comporta vários segmentos como prestação de serviços, notícias e entretenimento, tendo ainda como uma de suas principais características, o assistencialismo. Além disso, o programa também promove a diversão de muitos ouvintes durante a manhã. Na classificação de Emilio Prado (1989), pode ser considerado um programa de variedades no formato comunitário. A vinheta de abertura já destaca um programa de enorme audiência na cidade (vinheta: A partir de agora aqui na Rádio Cultura de São Borja... mais um programa líder de audiência, Linha Aberta! Linha Aberta!). Da mesma forma, outra vinheta de abertura demonstra que o apresentador é destaque do programa (vinheta: Linha Aberta! Apresentação Eugênio Dutra! Eugênio Dutra!). Isso porque o radialista e vereador Eugênio Dutra é bastante popular e muito bem visto pelos ouvintes de rádio na cidade. Locutor experiente, Eugênio atua na rádio desde sua fundação, foi criador do programa e está à frente de sua apresentação de maneira mais efetiva há cerca de 10 anos. O apresentador faz questão de parecer íntimo do público, pergunta aos ouvintes que ligam onde moram, faz referência a muitos ouvintes que conhece, defende que há uma relação de amizade entre locutor e ouvinte, além de ser extremamente simpático. Ao receber pessoas no estúdio, pelo telefone, ou mesmo lendo as cartas que lhe são enviadas todos os dias, ele procura demonstrar muita atenção com todos. O apresentador transmite constantemente a hora e a temperatura, a programação musical é variada quanto aos ritmos, mas se constitui em sua maioria de músicas antigas que contribuem para o entretenimento dos ouvintes que, muitas


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vezes, ligam pedindo-as. Além de música, o programa também serve como transmissor de informações, curiosidades, etc., mas o que torna esse programa tão popular, segundo seu apresentador (entrevista em apêndices) é a participação do público. Ainda segundo Eugênio Dutra, o principal objetivo do programa é justamente a interação com o ouvinte. O apresentador classifica o programa como sendo de comunicação popular: Ele, ele é um programa direcionado a uma classe popular, ele... ele, interage muito com a comunidade, com o ouvinte. Ele é também um, um porta voz de todos os seguimentos da comunidade. É onde o povo pode se expressar pode falar, pode elogiar, pode desabafar, pode pedir. (informação verbal)7

E afirma com muita convicção que as práticas assistencialistas do programa são ótimas, valendo-se da justificativa de que, “Se o poder público não faz, alguém tem que fazer” (informação verbal) 8. O programa atende a casos individuais e a ajuda é feita através de doações. Grande parte dessas doações são recolhidas através da Associação Filantrópica Corações Solidários, que além de recolher, distribui as doações às pessoas que solicitam. Composta atualmente por cerca de 12 pessoas, a associação conta com profissionais voluntários que desenvolvem um trabalho de visita às comunidades nos bairros e prestação de serviços gratuitos como corte de cabelo. Eugênio Dutra defende o assistencialismo, mas o assistencialismo com restrições, somente para pessoas que comprovadamente precisem, bem como para resolver problemas imediatos que o governo não resolve. Assim, o assistencialismo, encarado sob o ponto de vista de Eugênio Dutra, pode apresentar algumas vantagens, como ajudar pessoas que não apresentam outras possibilidades de resolução de seus problemas, senão pedir, mas que se esforçam por aquilo que precisam, pois, como o apresentador esclarece, são realizadas visitas para checar se de fato a pessoa precisa e não está se aproveitando da boa vontade dos outros. No programa, além do assistencialismo, existem outras questões que se configuram como assistência, como por exemplo, quando pessoas procuram por empregos. Desta forma, sob os critérios do programa, no qual se tenta conseguir emprego para as pessoas e onde elas são incentivadas a trabalhar, o 7 8

Informação fornecida por Eugênio Dutra na entrevista em apêndices Informação fornecida por Eugênio Dutra na entrevista em apêndices


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assistencialismo pode ser visto de forma menos negativa, ficando claro que isso não é o ideal, porque o poder público deve se responsabilizar pelas questões que lhe cabem. Até porque o assistencialismo não é capaz de resolver as causas da pobreza, configurando-se apenas como uma ajuda imediata. O programa é ouvido na área urbana e rural do município e a publicidade é muito evidenciada. O programa possui, atualmente, em torno de 15 empresas patrocinadoras; um bom número, segundo o locutor, que atribui o alto número de patrocinadores à elevada audiência do programa. Além dos anúncios comerciais previamente gravados, o locutor também utiliza o artifício do chapéu (que ocorre quando o apresentador usa sua voz para anunciar produtos) para fazer publicidade de alguns produtos que seu programa anuncia, como por exemplo, o medicamento Dorfin. Um dos momentos mais marcantes do programa Linha Aberta é a sua abertura, quando o locutor transmite uma mensagem de otimismo e auto-estima diária aos seus ouvintes no início da programação. O simples fato de falar algumas palavras de carinho, faz com que a mensagem penetre na vida cotidiana das pessoas, ou seja, faça parte de suas rotinas. O radialista conta que, no início, não sabia da repercussão de suas mensagens, mas hoje reconhece que o público percebe o impacto ocasionado por suas palavras. Essas mensagens, muitas vezes são permeadas pelo discurso religioso. O apresentador é evangélico e segundo ele, isso o ajuda a desenvolver as mensagens de abertura. Esse discurso pode ser visto como explicitamente persuasivo. O próprio locutor admite ter grande influência na opinião e conseqüentemente, no comportamento de seus ouvintes, ressaltando ainda que tem o poder de um microfone em suas mãos. Segundo Citelli (2001, p. 67), “é bom lembrar que persuadir não é sinônimo imediato de coerção ou mentira. Pode ser apenas a representação do desejo de se prescrever a adoção de alguns comportamentos, cujos resultados finais apresentem saldos socialmente positivos.” Por tudo isso, conclui-se que se pode atribuir ao desempenho do locutorapresentador a eficácia e, com isso, a elevada audiência do programa. Tendo o seu público como geral, de todas as classes sociais, consegue articular muito bem sua linguagem e desenvolver todos os fatores de eficácia da mensagem radiofônica, como a vocalização clara, a entonação correta, o ritmo, a clareza e a atitude 9. E por 9

Cf. Prado (1989)


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se expressar sempre amigavelmente, faz seu ouvinte sentir-se valorizado, único, participativo.

4.2 Mapeamento dos sentidos

Quanto ao corpus da pesquisa, analisou-se o programa do dia 09 de maio de 2010, por tratar-se de um programa relativamente recente e que apresenta o formato utilizado na maior parte das edições do Linha Aberta.10 Sabemos que o movimento de reiteração de determinados sentidos, característico da paráfrase, é o que, no final, permite-nos atingir os objetivos da pesquisa e concluir quais são as principais estratégias de locução e apresentação utilizadas pelo radialista, bem como, as principais características que fazem remissão ao popular no programa. Portanto, a partir desse programa, atentando-se para o mecanismo da paráfrase, analisaram-se através do mapeamento de sentidos as estratégias de locução e apresentação utilizadas pelo radialista, e as características que tornam o programa atrativo ao público e, conseqüentemente, entendido como popular pelos seus ouvintes. Sobre o método de análise, destaca-se que: as marcas discursivas, que surgem em forma de expressões ou trechos - que remetem às estratégias de locução/ apresentação - e as características populares do programa, aparecem em negrito. Assim, a seguir, transcreve-se a análise desse programa, feita a partir das seqüências discursivas destacadas da decupagem. Salienta-se que as seqüências discursivas aqui apresentadas são aquelas que foram julgadas mais relevantes do ponto de vista da análise pretendida. Ou seja, apresentam de forma mais enfática os sentidos mapeados. Destaca-se também que algumas palavras ou expressões trazem sentidos que remetem a mais de uma estratégia mapeada. Optou-se por apresentar a seqüência que contém tal palavra ou expressão em uma determinada estratégia e não em outra, na medida em que se julgou certo sentido como mais marcante que outro.

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Optou-se por analisar um único programa já que tal amostra se mostrou suficiente para responder aos objetivos da pesquisa e porque se entende que a estrutura dos programas apresenta um formato que não sofre muitas alterações de uma edição para outra.


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Acreditou-se ser possível, durante a análise do programa, destacar os sentidos que fazem remissão aos seguintes pontos, (que têm correspondência direta com as expectativas de análise do trabalho): público ouvido, participativo e valorizado; locutor como amigo, íntimo do ouvinte; animação do programa; programa popular. 4.3 Público ouvido, participativo e valorizado

Essas estratégias desempenhadas pelo locutor fazem com que seu público sinta-se escutado, participante do programa, valorizado pelo seu comunicador. A partir dessas estratégias, o locutor tenta demonstrar que a companhia de seus ouvintes é importante para ele e para o programa e que aquele espaço é feito para ele (ouvinte) interagir, desabafar, ser ouvido. -9 horas mais 20 minutos. Nós estamos apresentados, a partir de agora o telefone está a sua disposição pra você interagir com a gente! Por isso que o programa chama-se Linha Aberta! Porque está sempre com a linha aberta pra você. - Bom dia meus amigos motoristas de ônibus, caminhões, táxis, veículos particulares. Motoristas! Bom dia, bom dia! - Cobradores bom dia, bom dia, bom dia, bom dia! - Motoristas de táxi! Alô você meu caro caminhoneiro que está aí no Centro Integrado de Fronteira, na Ponte Internacional da Integração, hum... A primeira ponte unificada do mundo, aqui em São Borja. Bom dia pra você ai no Centro Unificado de Fronteira, gendarmeria, o pessoal todo ali! - Muito obrigado pela sua sintonia, pela participação, pela companhia. Desejo um bom fim de semana a todos, convido-os para que no próximo, na próxima segunda, nove da manhã, novo encontro aqui viu! - Fiquem com Deus, beijo pra to do mundo! Até segunda!

4.4 Locutor como amigo, íntimo do ouvinte

Entre muitas coisas, o locutor tem o poder de entreter, convencer, emocionar. A partir dessas estratégias, o locutor constrói no ouvinte uma imagem de amigo e companheiro. Através de uma linguagem amigável, pretende fazer com que cada ouvinte perceba-se como incluído no processo, parte integrante do programa. Que cada pessoa tenha a sensação de que o locutor é um amigo que chega à sua casa todas as manhãs para lhe divertir, informar, emocionar.


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Através da linguagem do dia a dia, coloquial, próxima do modo de falar dos ouvintes, o apresentador faz referências aos ouvintes que conhece; mesmo aos que não conhece, tenta parecer íntimo. Sempre muito simpático, atencioso, vai reiterando essa imagem de intimidade com seu público.

- Bom dia, bom dia amigos, bom dia amigas, bom dia campo interior do município e bom dia cidade bairros e vilas, bom dia pra você que está na internet. - Estamos trazendo, como acontece diariamente de segunda a sexta, neste horário, o nosso abraço. Um abraço amigo, um abraço fraterno, um abraço leal pra você! - O desejo não só de uma sexta-feira cheia de felicidade, mas de um final de semana com harmonia, com paz, com amor e acima de tudo, com felicidade, com saúde que é aquilo que a gente mais quer, não é? - Aquilo que a gente quer pra gente, aquilo que eu quero pra mim, de coração eu desejo pra você! Ouviu? - Então faça a boa ação, chega no final de semana abrace o seu amigo, seu vizinho, cumprimente, sorria, seja alegra, transforme o dia! Mude o dia! Acenda a luz do amor, da prosperidade, do companheirismo. E quando eu falo em companheirismo, eu falo pra você viu minha amiga! Você minha amiga, às vezes deixa, deixa, de ser companheira porque ta brava, porque esse, porque aquele outro. Companheira! Tem uma música, do Mário Barbará se não me engano, se der tempo a gente vai rodar hoje. E pra você também viu meu amigo! Companheiro! Que tipo de companheiro você é? “Cê” é companheiro pra todos os momentos, pra todas as horas? Ou é um companheiro só na hora boa, né? Então? - Vamos trazendo o nosso abraço aos aniversariantes do dia de hoje! Então, vamos trazendo a nossa homenagem, não é! A todas aquelas pessoas que hoje estão felizes por estarem, como eu sempre digo, pagando aquela prestação da vida - Quero manda um bom dia pro meu amigo, o banana. Bom dia banana! Tá tudo tranqüilo aí? Tudo beleza? - Nós temos aqui a música com o... com a Núbia Lafaiete, daqui a poquinho! É a sugestão do colega, do amigo Silvino Eli viu! - Alô meu caro amigo Silvino, enfermeiro, meu produtor das músicas de ontem! Silvino -Eli, Núbia Lafaiete, “Seria tão diferente”...


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- Ô vovô! Bom dia vovô! Bom dia! Frio? Há! Vai chegar a época do senhor usa aquela toquinha, né meu vovô? Daquela, daquele bonezinho que o senhor usa! É! Aquela meia de lã. Onde está vovô, vovó, aquela meia grossa de lã que a senhora guardou, o senhor guardou do ano passado? Vamo lá busca! Vamo busca o sol, a cadeirinha pra bota no oitão! Bom dia vovô, bom dia titia, bom dia titio, bom dia, bom dia, bom dia!

4.5 Animação do programa As estratégias de animação do programa correspondem às marcas discursivas em que o radialista aborda uma postura mais engraçada e extrovertida. Não fazem parte da estrutura do programa brincadeiras, jogos, efeitos especiais, que são elementos característicos da animação. No entanto, esse mesmo resultado pode ser produzido com a palavra falada. Assim, são encontradas marcas discursivas próprias que remetem a um momento mais leve, de descontração e bom humor.

- Aqui na Zero Hora, página de esporte ó: “O lobo mordeu... Pelotas elimina o Grêmio. favoritismo encarado fez mal ao Grêmio. Com uma apatia que lembrou suas primeiras partidas no gauchão o time viu desmoronar ontem na derrota por dois a um para o Pelotas, uma invencibilidade de 51 jogos a pior conseqüência, no entanto, foi a queda nas quartas de final da taça Fábio Koff. Mailson marcou o gol do grêmio, mas o time não jogou bem na etapa final e foi surpreendido pelo Pelotas com dois gols de pênaltis.” - Então, dançou o Grêmio, já não é mais o... não tem chance de ganhar o segundo turno né! Heim? Tá aqui ó: “O lobo mordeu”! Tá aqui na Zero Hora. - Não tô tocando flauta, tô só lendo a manchete, a manchetinha aqui... 51 jogos de invencibilidade. Deu! Começa tudo de novo agora. Acabou! Terminou! - Nós temos aqui a música com o... com a Núbia Lafaiete, daqui a poquinho! É a sugestão do colega, do amigo Silvino Eli viu! - Às 10 e meia, agora é 10 e vinte; daqui a pouquinho Núbia Lafaiete, “Seria tão diferente” o nome da música. - Essa música é velha, velha, velha, viu gente! Velha! Núbia Lafaiete, “Seria tão diferente”. - Hiii! Vamo recorda! - Atenção vovô, atenção vovó! Daqui a pouco Núbia Lafaiete! - Eu usava fraldinha quando essa moça tava cantando já! É velha essa música! Depois eu vô pega o CD pra vê que ano é.

4.6 Programa popular Através das marcas discursivas destacadas aqui, podemos compreender os elementos que remetem ao popular e fazem com que o programa seja compreendido como tal pelos ouvintes e, até mesmo, pelo locutor. Entre esses


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elementos estão: músicas, assistencialismo, a participação do ouvinte e a utilização de comunicadores de grande empatia com o público.

-Estamos chegando com mais uma edição do seu programa popular de todas as manhãs: Linha Aberta! - Vamos trazendo o nosso abraço aos aniversariantes do dia de hoje! Então, vamos trazendo a nossa homenagem, não é! A todas aquelas pessoas que hoje estão felizes por estarem, como eu sempre digo, pagando aquela prestação da vida - Como se fala no ditado gauchesco popular, “colhendo mais uma fruta” hum..., “no jardim da existência”. Assim que o gaúcho fala! - Algumas pessoas desejam o insucesso de outras, mas a grande maioria querem é a felicidade do outro. - Então é por isso que eu falo pra você assim: estenda a mão! Hum... levante, ajude! Porque tem gente que não cai só na, na parte física, aquela que o corpo cai. Não, não é só isso que eu estou dizendo, não é só o corpo cair, a pessoa tá caída no chão, não. Tem gente que cai moralmente! “Cê” entende o que eu tô dizendo? Moralmente! - Então é preciso a gente sabe, sabe reconhecer, não criticar viu gente! A crítica é de pessoa pobre, a crítica é de pessoa fraca, quem critica as pessoas é fraca de espírito, é pobre espiritualmente! “cê” tem que ajuda é ergue as pessoas, “cê” tem que se coloca no lugar da pessoa que precisa de alguém, que precisa de uma mão estendida, se coloca sempre no lugar. Eu digo sempre aqui pra vocês que é bom se coloca no lugar do outro porque aí sabe da necessidade. Ah! Se alguém me estendesse a mão, né! - Então faça a boa ação, chega no final de semana abrace o seu amigo, seu vizinho, cumprimente, sorria, seja alegra, transforme o dia! Mude o dia! Acenda a luz do amor, da prosperidade, do companheirismo. - Estou precisando novamente de uma cadeira de rodas. Pode ser emprestada, 30 dias, 60 dias, para uma pessoa do interior do município, lá de Nhuporã é... que precisa temporariamente de uma cadeira de rodas viu! - Eu não tenho lá na associação viu! Quando, eu sempre tenho lá uma de reserva na Associação Filantrópica Coração Solidário, mas agora já observei lá, não tem. - Então é por 30 dias; se você quer me ajudar, manda pra mim aqui, me telefone, é pra uma pessoa lá de Nhuporã que está precisando viu! Dessa cadeira de roda tá gente? Vamo fazê a boa ação! Pode me empresta depois eu devolvo sem problema nenhum. A gente empresta depois devolve tá? Pode me ligar que eu mando buscar, do um jeito; pra nós encaminha lá pro pessoal. - Porque estamos sempre com a linha aberta pra você. Sabe pra que? Pra nós “fazê” um contrato, eu e você! E a Carmem Silva tá cantando “Contrato Fechado” que é pra fecha tudo viu! Sexta - feira! Vamos ouvir Carmem Silva - Bom, diz aqui na cartinha, vô lê um pedaço aqui ó: -É... “venho por meio desta, contar minha história. Me chamo Ângela, meu marido Horácio, somos naturais de Viamão, viemos para São Borja tentar uma vida nova, meu marido trabalha com obras, eu tenho profissão de costureira e cozinheira mas no momento estou desempregada. Aqui conseguimos alugar uma casa, mas nos falta os móveis, praticamente todos, não temos nada, viemos na cara e na coragem. Primeiro meu marido veio e conseguiu emprego, logo em seguida eu vim. Agora viemos ao senhor pois somos seus ouvintes sabemos que o senhor pode nos ajudar. Desde já agradecemos o que for possível o senhor nos arrumar. Se me conseguir uma máquina de costurar, posso trabalhar em casa ou em um emprego qualquer, pois quero ajudar meu marido, só que no momento estou sem documentos, então se possível um emprego de autônoma. Desde já agradeço a atenção e tenha um bom dia.” - É... “moro na Paraná, bairro Itacherê”.


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- O nome dela é? Ângela, bom... vieram da, vieram lá de ... de... Viamão pra cá, ele arrumou emprego, tá trabalhando, mas não tem nada pra botar dentro da casa. Arrumaram uma casa. - Vou dá uma olhada aí viu! Na sua casa, vou falar com a senhora, esse final de semana eu passo por aí ou mando alguém aí pra ver o que que realmente a senhora precisa, e se precisa né! - Porque se não precisa, não adianta, não dô! - Então esse final de semana eu vô ou alguém vai aí fala com a senhora tá! LOCUTOR CONVERSA COM OUVINTE L- Linha aberta para o ouvinte, bom dia! L- Alô bom dia! O – Oi! L- Quem tá falando? O – Aqui novamente a Vilma L- Dona Vilma! Fala Vilma O- Eu...eu acho que eu tenho aqui o que tavam pedindo agora pouco, eu tenho um roperinho, uma pentiaderinha antiga... L- Ai na, na Souza Docca? O- Aham. Não é muito bom, mas dá pra reforma L- Mas como, mas assim, bota um prego aqui, bota um prego ali, não é dona Vilma?! O- Aham. Eu já tive bem pior do que eu tenho aqui... hoje eu tô... L- É. então, é verdade. a gente, a gente tem que... às vezes a gente tem coisa pior, teve coisa pior do que tem agora né! Então tem que reconhecer O- Sim. Hoje eu tenho melhor e gosto também de colaborar

A análise demonstra a importância do movimento de reiteração de sentidos na definição das principais estratégias utilizadas pelo locutor e dos elementos que remetem ao popular, fazendo com que ele seja entendido como tal por seus ouvintes, mesmo que não o seja efetivamente, segundo os conceitos da comunicação popular. É como se a paráfrase representasse o caminho utilizado pelo radialista na apresentação do programa. A marcante presença no corpus dessas estratégias e desses elementos remetentes ao popular revela o poder da reiteração que o programa exerce, especialmente em relação a esses ítens.


Considerações finais

O rádio, como sabemos, vai se transformando e se adaptando a cada mudança, tanto na área tecnológica, como na área social. Assim, em seu constante processo de adaptação à realidade social, apropriou-se de outras características, além das já conhecidas como agilidade, mobilidade, instantaneidade. Essas outras características dizem respeito também aos trabalhos de utilidade pública, auxílio à comunidade, prestação de serviços etc.. Mas, principalmente, a um recurso fundamental para a eficiência da comunicação, que é o aprimoramento da linguagem radiofônica. A voz (locução) é parte integrante e imprescindível para o desenvolvimento não só de um vínculo afetivo entre emissor e ouvinte, como também de conquista de credibilidade. Assim, o aprimoramento da linguagem radiofônica aparece como elemento essencial para a eficiência da comunicação do meio. O rádio é um veículo que utiliza um único suporte comunicativo, o som. Desta forma, o veículo fundamenta sua capacidade de comunicar em alguns fatores, que são os responsáveis pela eficácia da mensagem transmitida. Entre esses fatores, está a linguagem da música, do silêncio, mas principalmente, a linguagem falada, que é determinada (assim como os demais fatores) de acordo com o formato de cada programa. O rádio, como meio de comunicação de massa, possui também a função de entreter. Nesse contexto, são muitos os programas encarregados de desempenhar essa função, entre eles os programas de variedades, que situam a performance do locutor no eixo do entretenimento. Esse entretenimento que motiva o ouvinte e o faz ouvir aquela rádio, naquele horário, passa pela participação do locutor, pois o material produzido por ele é essencial para prender a atenção do ouvinte. Esses programas também são, geralmente, os que mais recebem investimentos publicitários. Assim sendo, a forma de atuação do apresentador contribui para a busca da audiência, fidelização do ouvinte e faturamento da emissora. No programa de variedades, que foi o objeto da pesquisa, é possível verificar essas características. Linha aberta tem em sua programação um espaço muito


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grande de publicidade, do qual, atualmente, participam 15 empresas patrocinadoras e várias outras que não são patrocinadoras, mas também têm sua publicidade inserida no programa. Outra característica de destaque é a forma de atuação do locutor, que emprega várias estratégias de locução, apresentação e animação para tornar o programa atrativo ao seu público. Entre elas, a importância de tornar a abertura do programa interessante, de falar para cada ouvinte individualmente, visualizando-o para isso, de criar imagens, contar histórias e apelar para todos os sentidos, usar a linguagem coloquial, utilizar frases curtas, empregar a pontuação de modo a tornar a locução clara para o ouvinte, manter a simplicidade e tornar-se “amigo” do ouvinte. Assim, a partir desta pesquisa foi possível identificar no programa Linha Aberta, que o apresentador apropria-se dessas estratégias durante a programação, utilizando uma linguagem coloquial, colocando-se a todo momento como um amigo, sempre mantendo a simplicidade, contando histórias, apelando para todos os sentidos, emocionando, fazendo o ouvinte sentir-se valorizado, participativo, trabalhando sempre com uma interação entre locutor e ouvinte, o que constitui uma das principais características do programa. Através da pesquisa, observou-se também que esse mesmo programa traz elementos da comunicação popular, sendo que o próprio nome do programa (Linha Aberta) remete à idéia de um programa popular, o que faz com que ele seja percebido como tal pelo seu público e também pelo seu apresentador. No entanto, quando recorremos aos estudos sobre comunicação popular, percebemos que ele não atende a todas as características da comunicação popular. Quando os programas se propõem a fazer uma comunicação para o popular, a relação que se estabelece é que a produção dos conteúdos e a forma como são emitidas as informações baseiam-se em fatos do cotidiano e da cultura dos ouvintes. Um programa popular precisa ser um espaço comum de discussão e manifestação dos diversos segmentos sociais, um território onde as diferenças culturais se interrelacionam e se completam, possibilitando uma melhora significativa na qualidade de vida do povo; um espaço onde todos aprendam não de forma didática, mas de modo informal, uns com os outros. Dessa forma, o programa não pode, ainda, ser descrito como efetivamente de comunicação popular.


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Observou-se a presença marcante da paráfrase, identificada pelas marcas discursivas verificadas na decupagem do programa Linha Aberta, que indicam as estratégias utilizadas pelo radialista e os elementos que fazem remissão ao popular. Nossa pesquisa nos aproximou, também, da conclusão de que o radialista, na maior parte das vezes, lança mão de inúmeros recursos para conseguir manter seu público e, sempre que possível, ampliar a abrangência de suas palavras. E que a forma de atuação do comunicador, com suas variações estratégicas nos efeitos distribuídos entre músicas e diálogo, sensibiliza o ouvinte por remetê-lo à condição de singularidade, fazendo-o sentir-se ouvinte especial, único, que pode participar ao vivo da programação que, aliada aos elementos populares, compõe algumas das características responsáveis pela visibilidade do programa na cidade.


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Apêndices APÊNDICE A- entrevista

Entrevista com o apresentador do programa linha aberta, Eugênio Dutra. Dia 10/06/2010

Na sua visão, qual é o principal objetivo do programa? Ah, O principal objetivo é, é colocar a comunidade é... como produtora, coadjuvante de um contexto todo. É... eu entendo que a era, aquela era de que o locutor de rádio é, tinha uma voz bonita, aveludada, e que lia uma notícia bem bonita e que dava a hora certa, que, que falava o nome da música e tal, isso acabou. Eu entendo que hoje é... o povo que tá ouvindo ele, ele se acha importante quando ele participa, quando ele denuncia né. Então a meta principal dele, a base do programa eu acho que é botar o microfone na casa de cada um, é interagir com a comunidade, é, é, valorizar o ouvinte. Ele deixa de ser só uma pessoa que liga o rádio, mas ele também participa daquela programação e isso aí não tinha aqui viu, em São Borja se você presta bem atenção você vai ver que, que essa interação não existia aqui até dez anos pra atrás. As pessoas nem cumprimentavam, eu não tô aqui falando mal de ninguém, mas alguns colegas nem aniversário liam, lia, registravam o aniversário de uma pessoa porque era muito fechado. Então eu achei que eu tinha que abrir as portas da rádio e só não abro mais porque não posso deixar o pessoal entrar lá, porque se desse pra deixar entrar e falar, eu faria isso também. Então, é uma maneira assim ó, diferente de fazer rádio, eu acho que tu coloca não só a camada humilde e pobre, os seguimentos da comunidade. Hoje por exemplo, o programa de hoje, recebeu o Rodrigo Bauer tá, pro lançamento de um CD seu, cultura né. Amanhã sexta-feira vai estar o, o Miguel Bicca. Então ele, ele se torna hipervariado, ele vai dum falecimento, a hora certa, a temperatura, da notícia, da cultura, da música, é... da...da...da... do pedido. A pessoa pede uma fraldinha pede um colchãozinho, a pessoa lá dá um fogão.


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Dessa forma o senhor classifica o programa como sendo uma comunicação popular? Social e popular. Social e popular, eu não me vejo apresentando o programa de uma outra maneira, eu não me vejo lendo, há, eu não me vejo! Sendo... Entrevistando alguém sabe? Embora eu seja jornalista, tenha na minha carteira é... locutorapresentador, mas eu acho que a Rádio Cultura, não só eu, acho que a Rádio Cultura presta um serviço assistencial muito grande pra São Borja através desse programa. O senhor considera o programa assistencialista então? É, comunitário e que tem o seu lado assistencial, embora não saia do locutor apresentador nem da Empresa São-borjense de Comunicações, a Rádio Cultura, o assistencialismo, ela serve de intermediário para que isso aconteça. Nós precisamos de um pacotinho de fralda lá na Promorar, alguém que está próximo a Promorar ou aqui no Centro tem pra oferecer, então a Rádio Cultura, o programa Linha Aberta faz essas descobertas. Então, as práticas assistencialistas do programa seriam boas na sua opinião? Eu acho que seriam ótimas. Ótimas! Veja assim, um programa como esse não é, isso não é obra minha é, Porto Alegre o Zambiasi fez isso, faz há muito tempo e ele também eu quero crer que faz da sua profissão, algo bom para o povo. Eu tenho visto gente aí nesses meus anos de rádio, nos últimos dez anos que moram em, como eu digo, em cima de panos, isso é uma coisa incrível. Por quê? Porque quem esta aqui não sabe disso, mas eu sei. Então eu peço pra quem tem, pra dar praquela que não tem então eu conheço gente, vi gente que, digo sempre isso lá, que eu vi cozinhando numa latinha de cera pela panela, tem gente que tem panela guardada lá mais de ano que não usa, aquela pessoa pode dá pra aquela outra. Então a rádio e o programa faz isso.


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Ok. E como é que são as doações do programa, todas elas são entregues? A pessoa vai na rádio buscar? Como é que funciona? É, assim ó: a gente tem um cuidado muito grande viu, nós temos uma associação filantrópica em São Borja, que auxilia o programa, são colaboradores, são pessoas dispostas a fazer também o assistencialismo sem cobrar nada. Então nós recebemos o pedido, a pessoa tá precisando de um armário, mora lá, rua tal, número tal, a gente vai ver a real situação dela, se ela tá precisando desse armário, se se comprovar que ela precisa desse bem, desse armário, nós vamos buscar esse armário. Se nós temos pronto, já entregamos. Se nós não temos, nós vamos fazer uma campanha para tentar encontrar esse armário. Já aconteceu o fato de nós chegar com, com a doação e sentir que não precisa daquela doação e nós não queremos isso. Nós temos, voltando ao lado assistencial pra ti ter uma idéia, a associação e o programa têm mais de cinqüenta cadeiras de rodas espalhadas pela cidade, quando desocupa uma por um motivo ou outro, ou que a pessoa não tá usando mais, ou que vai deixar de usar, nos devolve e nós passamos pra outra pessoa. Se você me disser: mas isso aí quem tinha que fazer não seria você, não seria o seu programa, não seria a associação filantrópica. Eu concordaria contigo, é o órgão assistencial do município, mas como esse órgão assistencial do município não está fazendo, não pode fazer, a gente... alguém tem que fazer e nós estamos fazendo. Tá. Mas na grande maioria as doações elas são entregues então, as pessoas não vão até a rádio buscar? Não, é... pequenas doações a gente chama lá pra, pra ir buscar, pra conhecer a pessoa, pra ver, pra conversar com a pessoa né, pequenas doações eu tô falando. Agora doações grandes que eu tenho que pegar num bairro da cidade e deixar no outro, se ela já não tem condições de pagar uma passagem de ônibus como é que ela vai ter condições de pagar um frete pra pegar lá um armário, um fogão, uma coisa assim. Então a gente faz isso.


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Sim. E a associação filantrópica ela surgiu a partir do programa? Ela surgiu a partir do programa. Chegou um determinado ponto que alguma coisa tinha que ser feita para que nós pudéssemos dar sustentação a isso porque eu como uma pessoa só não teria condições de fazer isso. Então aí surgiu a idéia junto com alguns amigos, colaboradores, de criarmos uma associação filantrópica e como tem tanta gente em São Borja boa, de bom coração e eu digo sempre que São Borja tem muitos defeitos, seja na área econômica, na área de emprego, essas coisas todas aí, falta de indústria, mas São Borja têm uma coisa positiva que é o coração humano. São Borja é uma cidade de gente muito boa. Então esses colaboradores são as pessoas que movem toda a estrutura. E o senhor costuma visitar, ir nas casas, em que situações que o senhor mesmo iria? Eu na verdade tenho pouco tempo pra isso né. Mas sempre que possível eu vou, agora mesmo antes de você chegar tinha uma menina, uma moça aqui que escreveu uma cartinha solicitando um tênis e uma calça jeans pra um irmão de dez anos, pra ir na escola. Como eu não podia fazer isso hoje, eu pedi para que ela nos procurasse e foi encaminhada pra associação, mas já tomei nota do endereço dela para fazer uma visita ou eu, ou alguém da associação pra saber qual é a real necessidade dela para que nós possamos, quem sabe, ajudar mais. Então nós temos esse cuidado de visitar, de conhecer e saber quem realmente precisa pra que a gente possa fazer aquela doação boa, porque a gente sabe que têm pessoas que às vezes pegam a doação e dão um outro rumo, e a gente tem esse cuidado, porque se a gente ganha de bom coração, a gente quer dar de bom coração mas que aquela pessoa que receba também receba boa de bem né, e não com outras intenções. E hoje, mais ou menos quantas pessoas compõe a associação? Hoje deve ter em torno de 15 pessoas. De 12 a 15 pessoas entre mulheres, homens, jovens inclusive estão voltados também pra isso, nos procuram pra colocar seu nome a disposição: olha se precisar de mim você me procura! Quando é?

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você quer fazer lá algum trabalho me procura! Pra você ter uma idéia, nós temos um grupo de voluntários de seis profissionais da cidade que cortam cabelos. Veja só, pode parecer tão pequeno isso não é; cortar cabelo! Mas nós temos um grupo de seis profissionais da, da associação que tão visitando bairros, vilas, associações de moradores colocando a disposição o serviço pra chegar lá no domingo de manhã de nove ao meio dia, interagir com a comunidade, não é, e fazer esse, esse trabalho que hoje pode custar dois, três reais, mas têm uma família que têm dois, três filhos, que já envolve dez ou quinze reais já passa a ser uma despesa. E nós fizemos isso, a associação faz isso, os colaboradores fazem isso, os voluntários fazem isso é por isso que eu volto a dizer que São Borja é uma cidade boa de coração, que tem gente pra fazer isso. Tu imagina deixar a tua casa domingo de manhã, depois de trabalhar uma semana toda, pra ir cortar cabelo de graça, ou pra ir lá fazer, dar uma roupa de graça, pra conhecer um pessoa. São gentes boas, e nós temos isso. E como é que o senhor classifica o público do programa? O público ouvinte do programa? Ah! Eu tenho ele como um geral, fica muito difícil assim, dizer assim classe a, b e c, acho que todas elas. Acho que todas elas. Quem sabe alguns consultórios, quem sabe algumas empresas que necessariamente precisam no seu estabelecimento comercial de uma música mais gostosa, de uma comunicação mais suave, quem sabe. Mas eu hoje estou satisfeito, queria dizer isso pra você. Eu tô satisfeito porque os resultados de algumas pesquisas populares que foram feitos, a nível de empresas, que as empresas gostam muito de saber onde é que vão aplicar o seu dinheiro, qual é o, qual é o, a mídia que vão investir e tal. E eu graças a Deus é...tô...tô...tá...tá bem, eu acho que eu tô com todos os seguimentos porque ninguém vai tá investindo comigo se não vai ter retorno, não é? Todas as classes. Você não me escuta? Eu escuto! Então, viu veja só, temos uma universitária que me escuta também.


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E, quanto aos patrocinadores do programa, o que é que mantêm o programa são só os patrocinadores? É, aí funciona da seguinte maneira ó, aí funciona a nível de empresa, nós temos uma agência de publicidade que chama-se Estúdio Produções e Publicidade, essa agência é antiga também na cidade, aqui ela presta não só esse serviço de rádio como outros seguimentos publicitários. Essa agência cuida da parte de publicidade, que a gente chama de patrocinadores, as empresas patrocinam o horário, elas, elas investem durante aquele programa, no caso das nove ao meio dia, e essas empresas são o que sustentam o programa, nos dão condições de tocar o programa e que essas coisas todas aí. Mas a parte comercial, aí eu falo de empresa, nós temos também uma caixinha, que hoje é computador, que são empresas que não são patrocinadoras, mas que tem sua publicidade inserida no programa através de textos comerciais de trinta segundos. É assim, se tu ligar o rádio, tu vai ver publicidade dessa maneira, quando eu entro no ar, eu entro, eu entro lendo patrocínios do programa, que hoje eu tenho quinze empresas, por exemplo, um bom número, ótimo número! Graças a Deus; e são elas que sustentam e nos dão esse apoio todo. E o senhor saberia me dizer qual é o maior patrocinador do seu programa hoje? Não, são cotas né. Tudo é cotas, cada um desses quinze que eu te falei patrocinam a mesma cota, que não vem ao caso valores, mas patrocinam a mesma cota cada um igualdade, então não tem diferença de um, não tem diferença da loja MH pra, pra Total, é a mesma coisa. Quem são as pessoas que pedem doação no seu programa são somente ouvintes do programa? São. Geralmente são ouvintes. Geralmente ouvintes. Mas não é só pedido, veja só eu, a semana que passou, recebi uma correspondência e não foi a única, muitas outras pra trás, de pessoas que queriam conhecer pessoas. É... recebi também quinze dias atrás, no Orkut uma, uma pessoa lá que disse que há dez anos atrás eu


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consegui ler uma cartinha dela e que arrumei um namorado pra ela e que é o esposo dela até hoje, então se eu for te dizer assim, o que que é o programa eu não vou saber, porque ele é tão, tem um conteúdo tão vasto, tão extenso, que acontece de tudo, é um grande balaio aquilo ali entendeu? Joga lá pra dentro que a gente vê qual é que vai ser o resultado, mas todos os, eu acho que todo mundo tem um tempinho pra dar uma escutada. E dentro de todo o programa o que que o senhor mais gosta? Eu gosto é quando eu consigo as coisas que eu peço. É... e quando consigo as coisas, pode ser ela mais humilde, medicamento, pode ser qualquer coisa é... com um custo baixo, não interessa. Mas quando eu consigo eu me realizo e quando eu não consigo, eu te confesso que eu tenho uma frustração. Então pra mim o termômetro do programa ele é bom quando encerro ele, dizendo: bom, fiz alguma coisa, cumprimos a obrigação! O senhor é religioso? Eu sou evangélico. E isso lhe ajuda? Muito, tu sabe que eu tenho uma, eu tenho uma abertura de programa que... pra mim é uma coisa assim muito grande eu não esperava que essa abertura de programa fosse tão importante hoje. E eu não sabia também que tem tanta gente que às vezes precisa de uma palavra, um empurrão, pessoas que às vezes na manhã, com uma série de problemas que existe por aí estão se entregando, desanimadas, sem forças e eu comecei na abertura do programa a dizer coisas, de...de...de incentivo, levanta a cabeça! Vamos em frente! Olha, não desanima! Né. E Deus tem me dado essa, esse presente de ter me colocado sempre boas palavras, que tenham, que tenham resultado. Toda hora eu tô encontrando gente que diz: Eugênio, deixo de fazer alguma coisa pra te ouvir tua abertura, tu abre depois eu vou fazer. Então que que é isso? Isso não é profissionalismo, porque também não sou tão bom profissional assim, tenho alguns cursos apenas aí. Isso aí


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é...é...é... a confiança da comunidade, crédito, a credibilidade porque se eu não tivesse essa confiança do ouvinte ele não ia me dá bola, é que ele acredita no que eu digo. Então eu acho que isso é muito importante. O senhor atribui a essa abertura do seu programa também muito da audiência do programa? Ah! Acho. Acredito. E o que mais que o senhor acha assim que torna o seu programa tão popular? É...é... essa interação. É interagir com as pessoas. A pessoa fala, ela, ela tem valor, ela te diz, ela reclama do bueiro lá da casa, ela mesmo fala, ela elogia, ela pede pra cumprimentar o colega. Eu acho que é essa abertura sabe, o programa não é mais de estúdio, eu tô aqui no estúdio, ali tá o operador vamos trabalhar aqui, não. Portas abertas o telefone tá aqui, tá. E hoje ainda com essa, com essa, essa evolução que tem a, a... o mundo, a gente está sendo ouvido, eu tenho ouvinte cidadão de São Borja que mora em Buenos Aires, eu tenho ouvinte em Santa Catarina, no Paraná, as pessoas me ligam: tô ouvindo aqui você! Então veja só a importância que é né, as pessoas receberem lá um pedacinho da cidade deles na casa deles, então é muito grande, muito grande, um contexto enorme que a gente pode ficar aí conversando toda tarde. São só três horas, que eu não tenho muito tempo também de fazer isso, mas a gente na medida do possível produz e apresenta. Existe uma média de quantos telefonemas, ou cartas, ou até mesmo os bilhetinhos que o programa recebe por dia? Bom, tá convidada pra ir amanhã lá. Pra você vê gente entrando com os mais diversos assuntos né. Eu não vou falar em problema. Telefone tocando, celular, telefone fixo, pessoas reclamando, correspondência chegando, isso tu vai ver amanhã pra você testemunhar.


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O senhor atribui a sua eleição a vereador ao programa? Eu acho que têm muito a ver viu. Eu acho que o rádio, o jornal, o rádio principalmente e a televisão têm um, têm um papel fundamental disso, porque você está lá presente a toda hora, você está presente, se torna conhecido demais dia a dia, todo dia e aí vem todos, vem... posso falar pra você alguns políticos aí que hoje, que de uns tempos, passaram através da mídia, da imprensa. Facilita. Eu acho que facilita, mas também tem aquela, aquilo que eu falei antes pra ti, se você não tem credibilidade, confiança, não adianta você tá o dia inteiro numa rádio, porque as pessoas ali sabem quem é você, conhecem você, então é melhor você fazer meia hora, mas ter confiança, credibilidade das pessoas do que fazer isso. Dá pra você olhar dos dois, em dois ângulos, é preciso você convencer, é preciso que a comunidade, ou eleitores como tu tá dizendo, sejam convencidos e no outro lado não adianta, já temos exemplos aqui, vários exemplos em São Borja, de colegas que tentaram e não conseguiram. Tem, então é assim. Mas eu, eu...pra responder acho que sim, eu acho que ajuda. Existe algum tipo de mudança da sua atitude em relação ao programa antes de ser vereador e depois de ser vereador? Não. Não. A comunidade me conhece, sempre eu fui assim, sempre fui assim. E...confesso que a seis meses antes das eleições ou sete meses eu não pensava em ser vereador, eu vinha fazendo a mesma coisa e não mudei. E continuo fazendo, quem sabe melhor até agora. Não é por que, algumas pessoas acreditam que, como agora, pelo fato de ser vereador, deve-se assim ter um pouco mais de cautela, sabe? Pra abordar certos assuntos É, eu procuro sempre separar viu, eu digo que eu tenho que ter essa cautela de saber qual é a minha profissão e, e saber qual é o meu momento político, porque aqui na política são quatro anos eu não sei se eu vou continuar na política, agora como profissional eu sei que eu vou continuar. Então eu não posso envolver uma


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coisa na outra e sim saber distinguir e eu tô procurando fazer isso, acho que tô conseguindo, não é fácil, mas a gente vai tentar. Eu gostaria que o senhor me falasse um pouco mais a respeito dessa relação locutor ouvinte sabe? Por que muitas vezes, eu percebo conversando agora pra fazer esse trabalho com ouvintes do programa que eles têm uma relação de amizade mesmo, Que é o locutor amigo que vem todo dia, entra na casa, e conversa com eles. Eu gostaria que o senhor me falasse um pouco mais a respeito dessa relação. É, pois é. Isso é muito gratificante viu, você sabe que eu sou um e ouvintes são dez, vinte, trinta mil, que eu não sei que quantia é, então, uma pessoa pra trinta mil a diferença é enorme. Trinta mil conhece um, mas esse um não conhece trinta mil. E então às vezes eu vô na rua aí sou cumprimentado: Eugênio como é que vai? E eu: bem; Como vai o senhor? Como vai a senhora? Mas eu não conheço a pessoa, mas ela me conhece. Então, às vezes a situação se torna um pouco difícil, mas é gratificante. Você nem sabe, é...é...difícil até expressar o que isso significa de bom e de você ter amizade, de você ser reconhecido, de você ser útil, das pessoas sorrirem pra você, alegre, cumprimentar. É uma coisa que eu digo sempre assim, às vezes, às vezes, salários, dinheiro, não é tão importante quanto isso. Existe, alguma pesquisa de audiência que eu possa me basear por que a gente tá sempre falando que o programa é líder de audiência, mas não tem uma pesquisa de audiência pra comprovar. Será que a rádio tem? Assim ó, é... eu recebi ontem uma ligação, e devo receber hoje novamente essa ligação, que eu não pude dar um retorno pra pessoa, uma empresa de Santo Ângelo, ela é...trata de audição, componentes auditivos, essas coisas todas assim. Ele me ligou ontem à tardinha pra saber se tinha espaço, como é que funcionava o meu programa aquela coisa toda, e eu perguntei pra ele: mas oh....oh senhor, que que tá levando o senhor a me ligar? Porque o seu ramo, eu dizia, o seu ramo é um ramo diferente, seu ramo não é secos e molhados, o senhor não vende confecção, o senhor não muda o texto a toda hora, o senhor não tem promoção a todo dia, porque que o senhor liga pra mim? Tem tantos outros lugares não é? Porque o meu


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é mais popular, e vou acabar falando esse texto, vai acabar me contratando. E ele disse: olha foi uma pesquisa feita aí, nós temos loja em Uruguaiana, Santo Ângelo, Passo Fundo e tal e a gente fez uma pesquisa e o seu programa foi indicado. O que diferencia o programa de quarta feira dos demais? Porque quarta-feira é aquele dia que você, que você pode solicitar providências, com os órgãos competentes né. Olha, a Santa Inês tá atrasando no horário lá e eu pego o ônibus às sete da manhã, tem passado sete e quinze! Ele não tem acesso a ir lá na Santa Inês, os caras não vão nem receber ele lá e se receberem essa denúncia? Olha não fui atendido na loja lá tem um atendimento diferente! Olha a Corsan deixou um buraco aqui na, na rua, tá vazando água aqui na rua! Se eles vão lá na Corsan vão receber eles, vão anotar a reclamação mas não vão dá bola. Agora, se for no programa do Eugênio que disseram isso, todo mundo ouve, responsabiliza mais os órgãos e eles vão tomar providências. Então é nesse sentido assim que quarta-feira, quarta-feira é o dia de dizer: olha que bom, que bom que as coisas tão acontecendo, quero cumprimentar o atendimento que foi prestado lá na empresa da Santa Inês, quero né... Ou dizer que não, é isso aí, é dar mais essa oportunidade pro povo. Qual a sua opinião em relação à imprensa e aos veículos de comunicação? Qual a importância deles pra sociedade? Olha, eu acho, quando eu era mais jovem diziam que a imprensa era o terceiro poder, quarto poder. Executivo, legislativo e judiciário, quarto poder, imprensa é o quarto poder. Passou pra terceiro, passou pra segundo, acho hoje que é fundamental o papel da imprensa. Em qualquer cidade do país, fundamental. É...hoje nós estamos, agora mesmo, vai vir o mundial aí, quem é que não vai assistir? A imprensa vai proporcionar tudo isso, antigamente não tinha tanta coisa, em setenta pra mim assistir a Copa do Mundo eu tinha que ir no vizinho que tinha uma televisão preto e branco lá, então essas coisas tão mudando muito, então a imprensa tá evoluindo, ela, ela tá...e aumentando sua responsabilidade de fiscalização, de informação, não é. Então eu vejo que a imprensa hoje, o rádio principalmente é um grande companheiro de todas as pessoas, esteja onde você


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estiver, no meio do mato ou dentro da cidade você tem um companheiro, a imprensa tá com você, o rádio tá com você, o jornalismo tá com você né. E...e... acho que vai continuar por muito tempo assim, a televisão não conseguiu ainda matar o rádio, que é um papel importante da televisão, então sem a imprensa nós estaríamos cegos, nós não saberíamos nada, as coisas não iam acontecendo e a imprensa hoje é um, é um... é principal, é o principal papel, depois que a imprensa age, e você tem visto isso como acadêmica, depois que a imprensa age, aí vai agir o Judiciário, aí vai agir a Promotoria Pública, aí vem já a polícia né. Depois, ultimamente. Então passou de quarto quem sabe até mesmo pro primeiro.


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APÊNDICE B- áudio da entrevista Este CD contém o áudio da entrevista com o apresentador do programa Linha Aberta, Eugênio Dutra.


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APÊNDICE C- fotos

Locutor recebendo convidado do programa

Apresentador no estúdio da rádio cultura AM

Eugênio Dutra, apresentador do programa

Locutor recebendo ouvintes no estúdio


ANEXO ANEXO A - Decupagem do programa Decupagem do programa Linha Aberta. Programa de 09 de maio de 2010, sexta-feira VINHETAS DE ABERTURA- (COM MÚSICA ANIMADA) Cultura... vem aí mais um programa líder de audiência, Linha Aberta! A partir de agora aqui na Rádio Cultura de São Borja... mais um programa líder de audiência , Linha Aberta! Linha Aberta! Linha aberta! Música, curiosidades, informações, horóscopo e a participação do ouvinte pelo telefone! Linha Aberta! Apresentação Eugênio Dutra! Eugênio Dutra! A maior audiência da cidade! TOCA INSERÇÃO SONORA CARACTERÍSTICA EM BACKGROUND (BG) LOCUTOR INFORMA A HORA E DÁ BOM DIA AOS OUVINTES - 9 horas mais 8 minutinhos, nove e oito. - Bom dia, bom dia amigos, bom dia amigas, bom dia campo interior do município e bom dia cidade bairros e vilas, bom dia pra você que está na internet. -Estamos chegando com mais uma edição do seu programa popular de todas as manhãs: Linha Aberta! VINHETA- A maior audiência da cidade! LOCUTOR INFORMA A DATA, A TEMPERATURA E INICIA O PROGRAMA COM UMA MENSAGEM DE AUTO-ESTIMA - Hoje é dia 09 de abril é uma sexta-feira. Aqui no centro da cidade de São Borja, na rua Riachuelo, 928, neste momento os modelos todos estão apontando para uma temperatura de 19 graus e 5 décimos, 19.5 uma temperatura de outono no Rio Grande do Sul, no Brasil. - Estamos trazendo, como acontece diariamente de segunda a sexta, neste horário, o nosso abraço. Um abraço amigo, um abraço fraterno, um abraço leal pra você


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- O desejo não só de uma sexta-feira cheia de felicidade, mas de um final de semana com harmonia, com paz, com amor e acima de tudo, com felicidade, com saúde que é aquilo que a gente mais quer, não é? - Aquilo que a gente quer pra gente, aquilo que eu quero pra mim, de coração eu desejo pra você! Ouviu? -Porque tem um ditado: existem pessoas que querem o mal dos outros, isso é comum. Todo mundo sabe disso, não é? - Algumas pessoas desejam o insucesso de outras, mas a grande maioria querem é a felicidade do outro. - Um amigo meu uma vez falou, falou uma frase muito interessante, ele disse: - olha Eugênio é preciso levantar todos aqueles que estiverem caído no seu caminho! Ele disse:- você tem que levantar quem tá caído, você deve levantar quem tá caído! Daí o outro amigo perguntou: - mas e por quê? Porque que eu tenho que levantar todos que estão caído? Aí o meu amigo falou: olha, você tem que levantar porque você às vezes não sabe onde põe os pés e você pode tropeçar naqueles que estão caído. E é verdade, né! Tem sentido a frase dele, tem sentido. - Então é por isso que eu falo pra você assim: estenda a mão! Hum... levante, ajude! Porque tem gente que não cai só na, na parte física, aquela que o corpo cai. Não, não é só isso que eu estou dizendo, não é só o corpo cair, a pessoa ta caída no chão, não. Tem gente que cai moralmente! “cê” entende o que eu tô dizendo? Moralmente! - Então é preciso a gente sabe, sabe reconhecer, não criticar viu gente! A crítica é de pessoa pobre, a crítica é de pessoa fraca, quem critica as pessoas é fraca de espírito, é pobre espiritualmente! “cê” tem que ajuda é ergue as pessoas, “cê” tem que se coloca no lugar da pessoa que precisa de alguém, que precisa de uma mão estendida, se coloca sempre no lugar. Eu digo sempre aqui pra vocês que é bom se coloca no lugar do outro porque aí sabe da necessidade. Ah! Se alguém me estendesse a mão, né! - Como diz aquele outro ditado: a pimenta como é que é? É boa no olho do outro, é assim! - Então faça a boa ação, chega no final de semana abrace o seu amigo, seu vizinho, cumprimente, sorria, seja alegra, transforme o dia! mude o dia! acenda a luz do amor, da prosperidade, do companheirismo. E quando eu falo em companheirismo, eu falo pra você viu minha amiga! Você minha amiga, às vezes deixa, deixa, de ser


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companheira porque ta brava, porque esse, porque aquele outro. Companheira! Tem uma música, do Mário Barbará de não me engano, se der tempo a gente vai rodar hoje. E pra você também viu meu amigo! Companheiro! Que tipo de companheiro você é? “Cê” é companheiro pra todos os momentos, pra todas as horas? Ou é um companheiro só na hora boa, né? Então? O LOCUTOR COMEÇA A DAR BOM DIA- (COM A MÚSICA “BOM DIA”, DA DUPLA SERTANEJA CHITÃOZINHO E XORORÓ DE FUNDO) - Bom dia São Borja! - Eu começo a falar muito aqui não é? E vocês acabam não gostando. - Bom dia, bom dia, bom dia, bom dia, bom dia! - Ô vovô! Bom dia vovô! Bom dia! Frio? Há! Vai chegar a época do senhor usa aquela toquinha, né meu vovô?

Daquela, daquele bonezinho que o senhor usa! É!

Aquela meia de lã. Onde está vovô, vovó, aquela meia grossa de lã que a senhora guardou, o senhor guardou do ano passado? Vamo lá busca! Vamo busca o sol, a caderinha pra bota no oitão! Bom dia vovô, bom dia titia, bom dia titio, bom dia, bom dia, bom dia! - Bom dia meus amigos motoristas de ônibus, caminhões, táxis, veículos particulares. Motoristas! Bom dia, bom dia! - Cobradores bom dia, bom dia, bom dia, bom dia! - Motoristas de táxi! Alô você meu caro caminhoneiro que está aí no Centro Integrado de Fronteira, na Ponte Internacional da Integração, hum... a primeira ponte unificada do mundo, aqui em São Borja. Bom dia pra você ai no Centro Unificado de Fronteira, gendarmeria, o pessoal todo ali! - Santo Tomé tá me ouvindo também, bom dia Santo Tomé, bom dia! - Bom dia advogado, bom dia! Bom dia médico, bom dia! Enfermeira, agente de saúde, bom dia, bom dia! Bom dia soldado, bom dia! Bom dia militar, bom dia! Bom dia pessoal da Brigada Militar, da Polícia Civil, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, que nos dão aquela segurança não é? Bom dia! - Bom dia São Borja! VINHETA- Bom dia, é um prazer estar em sua companhia! LOCUTOR

INFORMA

A

HORA

(09:16)

E

FAZ

PUBLICIDADE

DOS

PATROCINADORES DO PROGRAMA (Lojas Americana, Pé no Chão Calçados e Confecções, Rede Vivo, Fibrosin, Fruteira Serrana, Loja Grazziotin, Organizações


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MH, Gaucha Materiais de Construção, Lojas Pompéia, MB Loja e MB Farmácia, Total Casa e Conforto, Lojas Benoit) LOCUTOR INFORMA A HORA E DIZ QUE A LINHA ESTÁ ABERTA

PARA

LIGAÇÕES -9 horas mais 20 minutos. Nós estamos apresentados, a partir de agora o telefone está a sua disposição pra você interagir com a gente! Por isso que o programa chama-se Linha Aberta! Porque está sempre com a linha aberta pra você. Sabe pra que? Pra nós “fazê” um contrato, eu e você! E a Carmem Silva tá cantando “Contrato Fechado” que é pra fecha tudo viu! Sexta - feira! Vamos ouvir Carmem Silva TOCA MÚSICA “CONTRATO FECHADO”, DA CANTORA CARMEM SILVA INTERVALO COMERCIAL VINHETA- Bom dia, é um prazer estar em sua companhia! LOCUTOR INFORMA A HORA, FAZ PUBLICIDADE DAS LOJAS AMERICANA E DÁ INÍCIO AO “HORÓSCOPO DO DIA” - Agora são 9 e 29, 9 horas, 29 minutinhos, a hora certa das Lojas Americana... - Ariano, ariana: evite atitudes radicais na área do coração, viu Áries! Problemas pendentes poderão vir à tona, encare as mudanças com otimismo. A cor é azul pra você de Áries! - Touro 21 de abril a 20 de maio. Taurino, taurina: controle as emoções para evitar dissabores, poderá ter boas novas na vida afetiva se souber administrar o dia. Cor creme, touro! - Gêmeos e câncer, daqui a pouco no nosso “Horóscopo do dia”! LOCUTOR FAZ PUBLICIDADE DOS PATROCINADORES (Pé no Chão, Rede Vivo, Dorfim, Fruteira Serrana, Loja Grazziotin e Organizações MH) LOCUTOR CHAMA O INTERVALO COMERCIAL - Um pequeno intervalo, vamos com as notícias e eu já volto com a seqüência do programa de hoje INTERVALO COMERCIAL VINHETA- Bom dia, é um prazer estar em sua companhia! TOCA INSERÇÃO SONORA CARACTERÍSTICA EM BACKGROUND (BG) LOCUTOR INFORMA A HORA, FAZ PUBLICIDADE DAS LOJAS AMERICANA E CONTINUA COM O “HORÓSCOPO DO DIA” - 9 horas mais 42 minutinhos, 9 e 42! É a hora certa das lojas americana pra você...


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- Atenção você de gêmeos, 21 de maio a 20 de junho: o romance está protegido, amparado, mas poderá exigir algum esforço pessoal de você. Cuidado com a tendência de impor suas vontades, seus desejos aos outros, viu! Vá com calma! A cor é amarelo, gêmeos. - Câncer! Canceriano, canceriana: no final de semana, principalmente a noite, boas informações e a sua simpatia, poderá agradar; agora vá com calma! Seus desejos mais íntimos poderão sofrer interferências tá bom câncer? - Leão e virgem em seguida no programa LOCUTOR FAZ PUBLICIDADE DOS PATROCINADORES (Gaúcha Materiais de Construção, Lojas Pompéia, MB Loja e MB Farmácia, Total Casa e Conforto, Lojas Benoit) LOCUTOR DÁ ALGUNS AVISOS DE UTILIDADE PÚBLICA LOCUTOR INFORMA A HORA (9:41) E A TEMPERATURA (22°) E SEGUE COM OS AVISOS DE UTILIDADE PÚBLICA LOCUTOR INTRODUZ A MÚSICA - Vamos trazendo música na sua manhã! Hoje é sexta não é! Bom dia! TOCA MÚSICA SERTANEJA INTERVALO COMERCIAL VINHETA- Bom dia, é um prazer estar em sua companhia! LOCUTOR INFORMA A HORA (9:56), A TEMPERATURA (23°) E FAZ PUBLICIDADE DOS PATROCINADORES (Lojas Americana, Pé no Chão Calçados e Confecções, Rede Vivo, Fibrosin, Fruteira Serrana, Loja Grazziotin, Organizações MH) LOCUTOR PEDE UMA CADEIRA DE RODAS - Estou precisando novamente de uma cadeira de rodas. Pode ser emprestada, 30 dias, 60 dias, para uma pessoa do interior do município, lá de Nhuporã é... que precisa temporariamente de uma cadeira de rodas viu! - Eu não tenho lá na associação viu! Quando, eu sempre tenho lá uma de reserva na Associação Filantrópica Coração Solidário, mas agora já observei lá, não tem. - Então é por 30 dias; se você quer me ajudar, manda pra mim aqui, me telefone, é pra uma pessoa lá de Nhuporã que está precisando viu! Dessa cadeira de roda tá gente? Vamo fazê a boa ação! Pode me empresta depois eu devolvo sem problema nenhum. A gente empresta depois devolve tá? Pode me ligar que eu mando buscar, dô um jeito; pra nós encaminha lá pro pessoal.


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LOCUTOR CHAMA O INTERVALO COMERCIAL INTERVALO COMERCIAL VINHETA- Bom dia, é um prazer estar em sua companhia! TOCA INSERÇÃO SONORA CARACTERÍSTICA EM BG LOCUTOR INFORMA A HORA (10:09), A TEMPERATURA (23°) E FAZ PUBLICIDADE DOS PATROCINADORES (Lojas Americana, Gaucha Materiais de Construção, MB Loja e MB Farmácia, Total Casa e Conforto, Lojas Benoit) LOCUTOR CHAMA O PALNTÃO POLICIAL - O Belmonte tá chegando né? Vamos então trazer o Belmonte com todas as ocorrências policiais registradas em São Borja MÚSICA COM SONS DE SIRENES POLICIAIS VINHETA- Plantão policial! - Plantão policial é com o repórter prato fino, Eduardo Belmonte. Bom dia Belmonte! - Bom dia Eugênio. Plantão praticamente tranqüilo em nossa cidade nas últimas 24 horas REPÓRTER LÊ OS BOLETINS DE OCORRÊNCIA REGISTRADOS NA POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL, GUARNIÇÃO DE BOMBEIROS E DELEGACIA DE POLICIA DURANTE O DIA VINHETA- informações da área policial num oferecimento de Arroz Prato Fino. Existe arroz e existe Prato Fino! MÚSICA COM SONS DE SIRENE VINHETA- Plantão policial! INTERVALO COMERCIAL VINHETA- Bom dia, é um prazer estar em sua companhia! TOCA INSERÇÃO SONORA CARACTERÍSTICA EM BG LOCUTOR INFORMA A HORA, FAZ PUBLICIDADE DAS LOJAS AMERICANAS E SEGUE COM O “HORÓSCOPO DO DIA” - 10 horas 17 minutinhos, 10 e 17 a hora certa das Lojas Americana - Alô leão! Leonino, leonina: tudo indica que você vai querer privacidade no final de semana, adapte-se! A dois o clima também é de renovação viu! Que bom! Cor branca leão! - Virgem virginiano, virginiana: bom final de semana para declarar o seu amor a quem você quer bem. Vá em frente! Hoje o dia é ideal para trocar idéias e agir com os colegas. Cor laranja, pra você de virgem.


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- Libra e escorpião daqui a pouco no nosso “horóscopo do dia”! Locutor faz publicidade dos patrocinadores (Pé no Chão Calçados e Confecções, Rede Vivo, Fibrosin, Fruteira Serrana, Loja Grazziotin, Organizações MH) - Nós temos aqui a música com o... com a Núbia Lafaiete, daqui a poquinho! É a sugestão do colega, do amigo Silvino Eli viu! - Às 10 e meia, agora é 10 e vinte; daqui a poquinho Núbia Lafaiete, “Seria tão diferente” o nome da música. - Essa música é velha, velha, velha, viu gente! Velha! Núbia Lafaiete, “Seria tão diferente”. - Hiii! Vamo recorda! - Atenção vovô, atenção vovó! Daqui a pouco Núbia Lafaiete! - Eu usava fraldinha quando essa moça tava cantando já! É velha essa música! Depois eu vô pega o CD pra vê que ano é. - Nubia Lafaiete. Ela tá bonita no...no...no... não é CD é no LP, disco de vinil ainda. É velha a música viu! Daqui a poquinho. LOCUTOR FALA QUE UM RAPAZ SE OFERECE PARA TRABALHAR E LOGO EM SEGUIDA LÊ A CARTA DE UMA OUVINTE - “Bom dia caro senhor Eugênio, venho por meio desta contar minha história”... - Deixa eu ver o que que é isso aqui. Hã! Tá bom... - Uma outra cartinha aqui... “Prezado Eugênio, venho através do seu programa” - É... “dizer que, fazer uma ocorrência. Ontem por volta das três e meia da tarde foi furtado uma bicicleta amarela de meu filho, ela estava dentro do pátio da escola, ele está inconformado com a perda da bicicleta, só que eu como mãe acho uma...” - Ahãm...hum... “uma falta de cuidado da escola.” - Hum... bom, ela tá dizendo aqui na cartinha, vamo vê o que mais aqui, que não quer é...é... tá, tá...hum..hum..hum... hum... certo! Tá! - Bom, essa senhora tá dando conta através dessa carta aqui viu gente! Que ontem a tarde foi furtada uma bicicleta de seu filho de dentro do pátio de uma escola, de uma escola, aqui tá o nome da escola, tem... aqui ela coloca tudo, que foi visto a pessoa pegando, tem gente que sabe, ela registrou ocorrência... tá! - Bom, mas o...eu vô pega essa cartinha dela, apenas pra...pra... pra... pra chama atenção exatamente né! Principalmente das direções das escolas, eu sei que a direção da escola não tem que ta cuidando a bicicleta, carro, etc... eu sei que não.


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- Bom, hoje em dia as pessoa tão, colocando muito essas câmeras de televisão não é! nas escolas, nas empresas, nas escolas, nas repartições, pra filmar todo o pátio, filmar o movimento dos alunos, aí já capta também o roubo. - Não que seja uma sugestão minha nem tô sugerindo isso, mas tô dizendo que tá acontecendo isso no Brasil, nas escolas. - A direção das escolas tá colocando essas câmeras que filma o pátio emfim... da escola, a entrada, a saída de alunos, portão, a porta né! - Então tô, tô dizendo isso aqui porque veja bem, um aluno vai de bicicleta para a escola chega lá ainda tem a bicicleta furtada, também realmente aí é um problema! - Mas como a direção não tem que tá cuidando também a bicicleta, veículo do aluno, a direção não tem que tá cuidando isso também né! - Tem que administra a escola e uma forma de adiministra é, quem sabe, fecha o portão, coloca guarda... essa, essa câmera que filma, essas coisas todas. - Mas tá feito o registro! Ela fez ocorrência e tal, eu acho que não vem ao caso divulga aqui o nome da escola? Heim? - Não, eu tô falando num sentido geral todas as escolas tá! Eu tenho certeza que a diretora, a direção de alguma escola que tá deixando de cuidar essa parte de entrada e saída, portão, quem é que tá dentro da escola, se não é aluno, começa, vai começa a cuidar a partir de agora tá gente! -Vamo bota o Silvino Eli aí ou não? Vamo bota o Silvino Eli! - Alô meu Caro amigo Silvino, enfermeiro, meu produtor das músicas de ontem! Silvino Eli, Núbia Lafaiete, “Seria tão diferente”... TOCA A MÚSICA “SERIA TÃO DIFERENTE” DA CANTORA NUBIA LAFAIETE INTERVALO COMERCIAL VINHETA- Bom dia, é um prazer estar em sua companhia! LOCUTOR INFORMA A HORA, A TEMPERATURA, FAZ PUBLICIDADE DAS LOJAS AMERICANA E SEGUE COM O “HORÓSCOPO DO DIA” - 10 horas e 42 minutinhos, 10 e 42. Daqui a pouco tem os aniversariantes do dia não é! - Temperatura: nós começamos com 19.5 “tamo” com 26°. -Hora certa e temperatura de Lojas Americanas... - Libriano, libriana: procure fazer coisas que tragam prazer ao seu dia. Com quem você ama tenha cautela, crises de ciúme podem pintar. Cor branca, libra.


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- Escorpião, escorpiana: na paixão o astral é de grande satisfação viu! No amor pra você curtir e na lua está realçando o lado mais misterioso, mais místico do seu signo. Vá em frente escorpião! - Sagitário e capricórnio daqui a pouco no nosso “horóscopo do dia”! LOCUTOR FAZ PUBLICIDADE DOS PATROCINADORES DO PROGRAMA (Gaúcha Materiais de Construção, MB Loja e MB Farmácia, Total Casa e Conforto, Lojas Benoit) LOCUTOR LÊ NOTÍCIAS DO JORNAL ZERO HORA SOBRE O CLIMA NO ESTADO E SOBRE ESPORTE E APROVEITA PARA TOCAR FLAUTA NOS GREMISTAS POR MOTIVA DA DERROTA DO GRÊMIO - Você sabe que aqui na central de meteorologia da Zero Hora a previsão do tempo pra hoje e pro final de semana ela é tranqüilizadora, vamos assim dizer, viu gente! Fala aqui ó: “sol, em grande parte do estado, sol em grande parte do estado. Uma forte massa de ar seco, de origem polar sob o sul garante mais um dia de sol com temperaturas um pouco mais amenas. Apenas no litoral, o vento úmido provocado por uma área de baixa pressão no mar deixa o céu com um pouco mais de nuvem e chuva fraca ao longo do dia.” - Isso lá no mar viu! “Durante o fim de semana, a mudança na direção do vento favorece a ligeira elevação das temperaturas, por exemplo, para hoje, a temperatura é de 12 a 27” - Nós estamos com 25.5, estamos dentro da previsão. Então vamos ter aí um fim de semana, conforme a previsão, boa! Boa! - Quero manda um bom dia pro meu amigo, o banana. Bom dia banana! Tá tudo tranqüilo aí? Tudo beleza? - Aqui na Zero Hora, página de esporte ó: “O lobo mordeu... Pelotas elimina o Grêmio. favoritismo encarado fez mal ao Grêmio. Com uma apatia que lembrou suas primeiras partidas no gauchão o time viu desmoronar ontem na derrota por dois a um para o Pelotas, uma invencibilidade de 51 jogos a pior conseqüência, no entanto, foi a queda nas quartas de final da taça Fábio Koff. Mailson marcou o gol do grêmio, mas o time não jogou bem na etapa final e foi surpreendido pelo Pelotas com dois gols de pênaltis.” - Então, dançou o Grêmio, já não é mais o... não tem chance de ganhar o segundo turno né! Heim? Ta aqui ó: “O lobo mordeu”! tá aqui na Zero Hora.


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- Não tô tocando flauta, tô só lendo a manchete, a manchetinha aqui... 51 jogos de invencibilidade. Deu! Começa tudo de novo agora. Acabou! Terminou! - 25.5 a temperatura. vamo trazê a “Companheira” com o Pedro Ortaça, música bonita na manhã. Olha aqui, “companheira”! Bom dia! TOCA A MÚSICA “COMPANHEIRA” DE PEDRO ORTAÇA INTERVALO COMERCIAL VINHETA- Bom dia, é um prazer estar em sua companhia! TOCA INSERÇÃO SONORA CARACTERISTICA EM BG LOCUTOR INFORMA A HORA (10:54) , A TEMPERATURA (26.5°) E FAZ PUBLICIDADE DAS LOJAS AMERICANA LOCUTOR DÁ AVISO DE UTILIDADE PÚBLICA LOCUTOR FAZ PUBLICIDADE DOS PATROCINADORES DO PROGRAMA (Pé no Chão, Rede Vivo, Dorfim, Fruteira Serrana) LOCUTOR CONVERSA COM OUVINTE L- Linha aberta para o ouvinte, bom dia! L- Alô bom dia! O – Oi! L- Quem tá falando? O – Aqui novamente a Vilma L- Dona Vilma! Fala Vilma O- Eu...eu acho que eu tenho aqui o que tavam pedindo agora pouco, eu tenho um roperinho, uma pentiaderinha antiga... L- Ai na, na Souza Docca? O- Aham. Não é muito bom, mas dá pra reforma L- Mas como, mas assim, bota um prego aqui, bota um prego ali, não é dona Vilma?! O- Aham. Eu já tive bem pior do que eu tenho aqui... hoje eu tô... L- É. então, é verdade. a gente, a gente tem que... às vezes a gente tem coisa pior, teve coisa pior do que tem agora né! Então tem que reconhecer O- Sim. Hoje eu tenho melhor e gosto também de colaborar. L- Tá. É Souza Docca? O- Eu quero que o senhor ofereça pros meus amigos, os meus famílias, o... a música amigo. L- Amigo? O- É.


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L- Tá então... quem é que canta amigo, é o Roberto Carlos ou não? Heim moço? O- Ai! O Erasmo acho que é. L- Tá, mas eu vejo aqui. Se der tempo eu rodo O – Tá bom, “brigado”! L- Tá. Tchau! Tchau! LOCUTOR FAZ PUBLICIDADE DOS PATROCINADORES DO PROGRAMA (Grazziotin e Organizações MH) LOCUTOR SEGUE COM O “HORÓSCOPO DO DIA” E CHAMA O INTERVALO COMERCIAL - Nós estamos nos encaminhando pra um pequeno intervalo. Vem aí notícia na hora certa e depois os aniversariantes do dia. - Eu vô “trazê” mais dois signos aqui, antes das notícias - Sagitário! Sagitariano, sagitariana: procure se recolher um pouco mais. Aposte no bom humor, alegria, isso vai deixar você e as pessoas felizes. A cor é vinho pra você de sagitário. - Capricórnio: Procure conter suas reações seja, não seja radical. Procure se afastar um pouco de discussões no final de semana. Cor marrom viu! Pra você de capricórnio. - Pequeno intervalo, já voltamos com a seqüência do programa de hoje INTERVALO COMERCIAL VINHETA: Rádio cultura! Aqui tem mais vida no ar! Tem mais vida no ar! Bom dia, é um prazer estar em sua companhia! TOCA INSERÇÃO SONORA EM BG LOCUTOR INFORMA A TEMPERATURA (26°), A HORA (11:3,5) E FAZ PUBLICIDADE DAS LOJAS AMERICANA AVISOS DE UTILIDADE PÚBLICA LOCUTOR COMEÇA COM AS “HOMENAGENS” AOS ANIVERSARIANTES DO DIA - Vamos trazendo o nosso abraço aos aniversariantes do dia de hoje! Então, vamos trazendo a nossa homenagem, não é! A todas aquelas pessoas que hoje estão felizes por estarem, como eu sempre digo, pagando aquela prestação da vida - Como se fala no ditado gauchesco popular, “colhendo mais uma fruta” hum..., “no jardim da existência”. Assim que o gaúcho fala! Segue com os aniversariantes do dia... TOCA MÚSICA SERTANEJA


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INTERVALO COMERCIAL VINHETA: Bom dia, é um prazer estar em sua companhia! TOCA INSERÇÃO SONORA EM BG LOCUTOR INFORMA A TEMPERATURA (26.5°), A HORA (11:18) E FAZ PUBLICIDADE DAS LOJAS AMERICANA SEGUE COM OS ANIVERSARIANTES DO DIA LOCUTOR FAZ PUBLICIDADE DAS LOJAS GRAZZIOTIN E INTRODUZ O TELEFONEMA DA GERENTE DA LOJA - Falando em presente né! Aniversário né! - O presente certo você tem também lá na Grazziotin, principalmente pra sua casa. - Por quê? Por que a Grazziotin tem a temporada agora, cama, mesa e banho. - Nêmora bom dia! - Bom dia! Segue telefonema da gerente fazendo propaganda da loja... LOCUTOR FAZ PUBLICIDADE DOS PATROCINADORES DO PROGRAMA (GAÚCHA, MB LOJA, MB FARMÁCIA, TOTAL CASA E CONFORTO) LOCUTOR INFORMA A HORA (11:23,5) TOCA MÚSICA PAGODE ROMÂNTICO VINHETA: No oeste do Rio Grande do Sul a comunicação para uma região de audiência, rádio cultura 1.260 kHz. A emissora da comunidade. A emissora da comunidade. VINHETA: Arroz Imenbuy Excelence, Cooperativa Imenbuy, e a previsão do tempo... PREVISÃO DO TEMPO DA COOPERATIVA IMENBUY - É com você Belmonte! NOTÍCIAS DO DIA COM O REPÓRTER PRATO FINO, EDUARDO BELMONTE - Este Eduardo Belmonte trazendo a informação através da nossa reportagem LOCUTOR

CHAMA

O

RADIALISTA

QUE

TRAZ

AS

MANCHETES

DO

RADIOJORNAL APRESENTADO ÀS 12h30min - Agora vamos abrindo a linha a até o departamento de radiojornalismo - Professor Auberi Cogo, bom dia! - Estamos com um pequeno problema de contato com o departamento de jornalismo, de onde o professoar Auberi Cogo estará trazendo as manchetes, não é! Que serão notícia no grande jornal das 12:30.


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- Professoar Auberi Cogo, bom dia! ENTRA AUBERI COGO COM AS MANCHETES DO RÁDIOJORNAL QUE VAI AO AR ÀS 12h30min VINHETA: Bom dia, é um prazer estar em sua companhia! LOCUTOR INFORMA A HORA (11:38), FAZ PUBLICIDADE DAS LOJAS AMERICANA E SEGUE COM O “HORÓSCOPO DO DIA” LOCUTOR SEGUE COM OS ANIVERSARIANTES DO DIA LOCUTOR INFORMA A HORA (11:40) TOCA MÚSICA ROMÂNTICA LOCUTOR INFORMA A TEMPERATURA (27°), A HORA (11:44) E FAZ PUBLICIDADE DOS PATROCINADORES DO PROGRAMA (Lojas Americana, Pé no Chão Calçados e Confecções, Rede Vivo, Dorfim, Fruteira Serrana, Lojas Grazziotin, Organizações MH, Gaúcha Materiais de Construção, Lojas Pompéia, MB loja, MB farmácia, Total Casa e Conforto, Benoit) LOCUTOR FINALIZA O PROGRAMA - Muito obrigado pela sua sintonia, pela participação, pela companhia. Desejo um bom fim de semana a todos, convido-os para que no próximo, na próxima segunda, nove da manhã, novo encontro aqui viu! - Fiquem com Deus, beijo pra todo mundo! Até segunda! TOCA INSERÇÃO SONORA CARACTERÍSTICA EM BG


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ANEXO B- áudio do programa Este CD contém o áudio do programa do dia 09/05/2010

TCC: Lilian dos Santos Machado  

Título: "Locutor Amigo: Uma análise do programa radiofônico Linha Aberta"

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