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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO II

RELATÓRIO DE PROJETO EXPERIMENTAL Produto: Livro-reportagem Diário de Bicicleta – Pedaladas Jornalísticas e Narrativas do Cotidiano.

Acadêmico: Elder Nunes Corrêa Junior Orientadora: Profª. Drª. Adriana Duval

São Borja 2011


ELDER NUNES CORRÊA JUNIOR

RELATÓRIO DE PROJETO EXPERIMENTAL Produto: Livro-reportagem Diário de Bicicleta – Pedaladas Jornalísticas e Narrativas do Cotidiano .

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Comunicação Social/Jornalismo, pela Universidade Federal do Pampa – Unipampa São Borja.

Orientadora: Profª Drª. Adriana Duval

São Borja 2011


ELDER NUNES CORRÊA JUNIOR

RELATÓRIO DE PROJETO EXPERIMENTAL Produto: Livro-reportagem Diário de Bicicleta – Pedaladas Jornalísticas e narrativas do Cotidiano.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Comunicação Social/Jornalismo, pela Universidade Federal do Pampa – Unipampa São Borja.

Trabalho Final de Graduação defendido em ___/___/___

Banca examinadora: _______________________________________________________________ Profª Drª. Adriana Duval Orientadora (Unipampa) _____________________________________________________________ Prof Me. Marco Antônio Bonito Avaliador (Unipampa)

______________________________________________________________ Prof Dr. Marcelo Rocha Avaliador (Unipampa)


AGRADECIMENTOS

Aos professores, em especial à orientadora deste trabalho, Adriana Duval. Aos meus pais e minha irmã, por me apoiarem em todas as circunstâncias. À Dyuli Soares, que acompanhou toda essa jornada ao meu lado. Aos amigos e familiares, em especial ao amigo e primo Felipe Severo, que impulsionou essa ideia. Aos colegas, que caminharam junto comigo e ajudaram no meu aprendizado. Aos entrevistados, que abriram as portas de suas histórias, de suas vidas.


“Quem pedala, anda reto por linhas tortas�. (Do autor)


RESUMO

Diário de Bicicleta é um livro-reportagem que apresenta quinze textos realizados em agosto de 2011 e classificados em três temas: lugares, pessoas e profissões. O trabalho foi executado a partir de flagrantes do cotidiano, captados pelo autor, em suas pedaladas de bicicleta pelas ruas de São Borja. No estilo da reportagem-crônica, acompanhado por imagens, o livro revela o universo de sensações e sentimentos do autor ao se deparar com personagens, lugares e fatos que nem sempre são vistos a olho nu. Palavras-chave: Reportagem-crônica; Jornalismo e cidade; Cotidiano e memória.


SUMÁRIO

1. TÍTULO................................................................................................................8 2. TEMA...................................................................................................................8 3. DELIMITAÇÃO DO TEMA..............................................................................8 4. PROBLEMA DE PESQUISA.............................................................................8 5. OBJETIVOS.........................................................................................................8 5.1 OBJETIVOS GERAIS........................................................................................8 5.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS.............................................................................8

6. O QUE INSPIRA E JUSTIFICA O ESTUDO .................................................8 7. TRILHAS TEÓRICAS......................................................................................11 8. ESCOLHAS E PERCURSOS METODOLÓGICOS.....................................18 9. CAMINHOS POSSÍVEIS, ROTAS DESEJÁVEIS........................................21 10. REFERÊNCIAS.................................................................................................22 10.1 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS...........................................................23 10.2 REFERÊNCIAS DA WEB..............................................................................24 10.3 ENTREVISTAS................................................................................................24

11. ANEXOS.............................................................................................................25


1. TÍTULO Diário de Bicicleta – Pedaladas Jornalísticas e Narrativas do Cotidiano. 2. TEMA Jornalismo Humanizador. 3. DELIMITAÇÃO DO TEMA Flagrantes do cotidiano São-borjense. 4. PROBLEMA DE PEQUISA Como se pode ler a cidade, numa perspectiva do “flagrante”, do acaso, pelo jornalismo humanizador? 5. OBJETIVOS 5.1 Objetivos gerais Experimentar a exposição às ruas, no intuito de captar flagrantes do cotidiano. 5.2 Objetivos específicos Exercitar a observação guiada pelo olhar descondicionado, para identificar possíveis abordagens jornalísticas. Entrevistar os personagens nas ruas e associar o conteúdo de sua fala às observações apreendidas, de modo a enxergar o personagem em suas circunstâncias. Produzir reportagem perfil, de cunho humanizador, que revele os sujeitos a partir de seu passado e presente, do que diz, pensa e deseja. 6. O QUE INSPIRA E JUSTIFICA O ESTUDO O jornalismo humanizador, ou qualquer que seja o nome que podemos conferir à prática jornalística inspirada por modelos alternativos à fórmula “lead-pirâmide 8


invertida”, é sinalizador de caminhos que se acentuam na atualidade, até mesmo nas mídias tradicionais. Zero Hora, um dos jornais de maior circulação no Estado, investiu, já há algum tempo, em reportagens com perfil humanístico, texto literário, assinadas por nomes conhecidos, como Fabrício Carpinejar e Cláudia Laitano. Até mesmo na editoria de esportes, David Coimbra e Diogo Olivier adotam um tipo de texto que vai ao encontro dessa “quebra de gelo”, dessa busca por inserir na narrativa elementos outros que não apenas as respostas às perguntas clássicas do lead. O leitor tem sede de novidades. Mais que isso, o leitor espera, do jornalista, em meio à multiplicidade da oferta, diante das diversas possibilidades de se obter informações, que ele apresente algo que realmente se destaque. No meio de tudo-muitoigual, a abordagem corriqueira, sob um viés sensível, faz a diferença. Lições como esta, são aprendidas no Curso de Jornalismo, em disciplinas como Agência de Notícias, que tivemos com a professora Adriana Duval e em outras com o professor Marco Bonito. Saímos pelas ruas, sentimos os cheiros, os barulhos, as texturas de percursos inéditos. Nada disso fica alheio à experiência de vivenciar e compreender o que pode ser, enfim, o jornalista comprometido, realmente, com a sociedade. Foi a partir disso, e também com experiências incríveis, como participar de uma iniciativa da RBS, “Primeira Pauta”, como finalista de uma competição de reportagens, que surgiu a ideia desse Projeto Experimental. Permanecem na memória as horas passadas em um degrau frio das escadarias do campus, à espera de uma possibilidade de abordagem da professora Adriana, que participava como integrante de banca avaliadora de um concurso. Não havia como interrompê-la naquele momento. De repente, ela saiu da sala, e fizemos a abordagem: queríamos contar com ela para a construção de um livro, para o TCC. De imediato, ela respondeu que considerava mais apropriado a realização de uma reportagem em profundidade. Topamos. Contudo, no fundo, nunca desistimos de investir numa obra densa, composta por uma porção de textos. Um sonho que, no caminhar da orientação do TCC, acabou virando realidade. O Diário de Bicicleta, livro de reportagens, é uma proposta que busca mostrar os personagens a partir de suas revelações. Pode servir de incentivo para as novas gerações 9


de jornalistas que ainda não tiveram contato com esse exercício. Atesta que sempre há algo a ser contado sobre alguém, algum lugar ou alguma coisa. Mesmo que, diante do olhar condicionado e preso a pautas prontas, alguns jornalistas não consigam enxergar nada de interessante por ali. Colocar em prática esse trabalho é, de certa forma, provocar reflexões acerca dos critérios de noticiabilidade, considerados um padrão jornalístico. Lembramos bem dos mais de vinte, categorizados por Mário Erbolato (2007), autor referência no assunto. Com essa proposta de trabalho, vivenciamos a convicção de que nem sempre podemos enquadrar as pautas a esses critérios, que regem o que tem potencial para virar notícia; muitas vezes, algo totalmente fora desses parâmetros tem condições de render uma boa história. Basta que se saiba descobri-la e contá-la, em um texto instigante, dinâmico e interessante. Esse estilo pode ser uma alternativa, principalmente para as produções no jornalismo impresso, em face à concorrência com as chamadas novas mídias, ou a convergência midiática. Oferecer ao leitor um convite a um percurso de leitura fora do comum é algo que tem, em si, o potencial de chamar a atenção. As histórias contadas aqui poderiam ter sido captadas em qualquer data, mas certamente não seriam as mesmas histórias. Apesar disso, são perenes, não estão rotuladas com uma data de vencimento, pelo contrário. Pelas entrelinhas, existem muitas outras histórias que ficaram silenciadas. Cada ponto final poderia ser trocado por reticências, pois a história nunca acaba. Se perguntarem o porquê de termos feito a escolha por esse trajeto acadêmico no TCC, algumas das respostas são: porque descobrimos o quanto o Jornalismo pode ser fascinante. Porque sempre há fórmulas para se buscar um pouco mais de liberdade de estilo e conteúdo, mesmo nas grandes mídias. Porque a sociedade precisa de espaços de fuga dos formatos tradicionais, como campos alternativos, que suscitam reflexões, comentários, e sensações do tipo “eu poderia ser o próximo personagem”. Parte dessa inspiração também foi motivada pelo que a orientadora deste trabalho, e o Coordenador do Curso de Jornalismo, empreendem, semanalmente, no jornal Folha de São Borja. Suas crônicas do cotidiano da cidade servem de referência a um tipo de 10


jornalismo e a uma formação acadêmica que vai ao encontro do aqui materializado. Esses textos mostram que, sim, é possível encontrar boas histórias a cada esquina; sim, é possível dar visibilidade ao que viveu um personagem esquecido no canto de uma rua. Na essência de cada pessoa, de cada lugar, pode estar o embrião de um “ era uma vez...” que tem semelhanças com os contos, com seus dramas, suas conquistas; no fundo, ultrapassa as histórias ficcionais: mostra que toda vida é feita de medos e anseios, de encontros e despedidas, se assemelhando ao que conhecemos a partir dos livros. Dessa forma, toda reportagem-crônica acaba virando, em suma, uma viagem. Um percurso físico e sentimental por ruas, casas, pessoas. Por mais parecidas que sejam, jamais serão iguais. O convite ao leitor para que conheça as particularidades das histórias comuns é promovido por um tipo de abordagem, aqui exercitado, que aproxima o texto de um relato diário, como aqueles registros clássicos, dos desbravadores às adolescentes apaixonadas, feitos sobre o papel: os diários. Diário de Bicicleta carrega, em si, uma tentativa de irreverência, de inovação, como se buscássemos rotas alternativas para o encontro com a cidade. Para além das notícias formais, feitas com base em releases oficiais, para além das ocorrências policiais, está o jornalismo dos pés sujos, das intempéries, da rua, enfim. Como chegamos a isso? Na sequência, apresentamos algumas proposições teóricas que nos subsidiaram a adentrar esses percursos. 7. TRILHAS TEÓRICAS De bicicleta, desbravamos a cidade. Em cada ponto, lições oriundas do contato, do exercício dos sentidos. A cidade se constitui de pessoas, e essas pessoas vivem suas próprias histórias, que, construídas dia a dia, vêm a fazer parte, ou se constituem, na história da cidade. Ela não acontece apenas nos palanques, nos labirintos da prefeitura ou nas bancadas dos vereadores. Talvez as bancadas dos vereadores até sejam um dos locais onde se contam muitas histórias. Pessoas vão até lá para contar o problema de sua rua, que é seu problema também. Porque a pessoa, a rua e todos os problemas são um só, se olhados sob uma perspectiva humanizadora. É disso que trata o presente trabalho: cidade, jornalismo e humanização. Tem, em sua essência, o espírito das ruas, no ato da reportagem, na revelação dos sujeitos e de suas vidas. 11


Cremilda Medina (2003), ao abordar a inserção do cidadão no discurso jornalístico, entende que: (...) as formas como se expressam significados do presente no noticiário quase sempre ocultam a cena cotidiana e anônima da gente miúda – cidadãos, subcidadãos e deserdados (...). O discurso cientificista da objetividade e da busca da verdade serve de frágil escudo para defender práticas jornalísticas reducionistas. (MEDINA, 2003, p. 92)

Na perspectiva de um jornalismo comprometido com a comunidade, a autora acrescenta que é necessário adotar uma postura de inclusão e sensibilidade: Para que o cotidiano se presentifique é preciso romper com as rotinas industriais da produção da notícia. É preciso superar a superficialidade das situações sociais e o predomínio dos protagonistas oficiais. (MEDINA, 2003, p. 93)

Todo o tempo, algo acontece. Em toda a parte. No entanto, não é tudo que chega ao conhecimento do público. As notícias acabam indo por uma direção escolhida pela empresa jornalística, baseada em critérios, ideologias, e até mesmo no espaço para a impressão. Na formação e no exercício do Jornalismo, conhecemos os “critérios de noticiabilidade”, ou “critérios de valor-notícia”, que regem o olhar do jornalista sobre a cidade, os sujeitos e os fatos. Erbolato (2007) exemplifica como podemos perceber a questão do potencial de noticiabilidade: (...) Algo banal pode de um momento para o outro ser notícia. Um mendigo é visto todos os dias na escadaria da igreja, mal vestido e sujo, a pedir esmolas e ninguém se importa com ele. Mas, se for preso e a polícia descobrir que ele possui milhões de cruzeiros em contas bancárias, logo será notícia. (ERBOLATO, 2007, p. 54)

Conhecer e entender esses critérios tem sua importância, sobretudo quando se produz para grandes veículos, com audiências de perfis já bem constituídos, comercialmente comprometidos. Todavia, podemos problematizar essas “bússulas” da pauta, a partir do que o próprio Erbolato nos apresenta (caso do mendigo). O autor discorre, ainda, sobre o que identifica esses critérios norteadores da produção jornalística, sintetizando-os em mais de vinte possibilidades: objetividade, proximidade, marco geográfico, impacto, proeminência, aventura e conflito, consequências, humor, raridade, progresso, sexo e idade, interesse pessoal, interesse humano, importância, 12


rivalidade, utilidade, política editorial do jornal, oportunidade, dinheiro, expectativa ou suspense, originalidade, culto de heróis, descobertas e invenções, repercussão e por último, confidências. Ressalta-se, contudo, que nem sempre uma notícia é regida por apenas um critério; um fato, ao ser noticiado, pode ser julgado interessante de ser veiculado devido a apresentar um ou mais critérios. Um exemplo estaria na narrativa sobre uma família que reside em um ônibus, tendoo transformado em moradia, em São Borja. Esta pauta foi trabalhada em sala de aula e transformada em grande reportagem, semestres atrás. Em um primeiro momento, notamos a questão do impacto, assim podendo ser lido por qualquer pessoa. Logo vemos outras questões a despertarem a atenção, como o interesse humano, já que facilmente as pessoas irão se comover ou até se colocarem no lugar dessa família, ao tomarem conhecimento da história. E, por aí, podemos ir listando outros critérios, ao observar o fato e suas circunstâncias em profundidade. Com isso, queremos esclarecer que a existência de critérios tem seu propósito na seleção do que tem potencial ou não para ser noticiado, segundo o entendimento genérico. Contudo, muitas vezes a seleção de um fato está ligada a mais de um critério. Portanto, isso não deve ser tomado como algo rígido, no qual tenhamos que “nos enquadrar”. Cada vez mais, na mídia atual, existem espaços para novas proposições, para novas leituras sobre os fatos e a sociedade, o que acarreta em seleções alternativas, muitas vezes causando surpresa ou se destacando em meio ao que é mais corriqueiro. Para entendermos melhor a relação entre produção, critérios de noticiabilidade e viés humanizador, voltemos ao mendigo: mesmo sem o componente do dinheiro, esse personagem seria merecedor de estar nos jornais? Provavelmente não. Na perspectiva da produção comercial em geral, mimeticamente reproduzindo pautas, condicionando o olhar segundo uma padronização previsível, o mendigo vira notícia quando é encontrado pela polícia com uma grande quantia de dinheiro. Um dos grandes nomes do jornalismo, Ricardo Kotscho, aborda essa questão ao falar sobre seu exercício profissional. Certa vez, ao cobrir um fato político, resolveu 13


fazer diferente dos colegas, e recorrer a fontes externas ao evento, pois a pauta havia “caído” e ele não queria publicar a mesma matéria que sairia em outros jornais: (…) Comecei a entrevistar quem estava do lado de fora do palácio – muitos nem sabiam da presença do ilustre visitante – e, entre eles, um pipoqueiro. Virei repórter de side, ou seja, das histórias paralelas, menos importantes. (…) Anos mais tarde, um professor doutor em New Journalism me rotularia de repórter das “matérias humanas”. (KOTCSHO IN DANTAS, 2004, p. 191)

Não se tem, ainda, um referencial teórico específico sobre jornalismo humanizador. Mas alguns profissionais, e algumas pesquisas recentes, apontam para uma direção que sinaliza novos rumos: da pauta à redação. Eliane Brum, hoje repórter especial da Revista Época, em São Paulo, trabalha segundo técnicas que desenvolveu, ainda no Rio Grande do Sul (em Zero Hora), de perceber as histórias de anônimos, os causos pequenos, que acabam virando grandes reportagens: “Contar os dramas anônimos como épicos que são, como se cada Zé fosse um Ulisses, não por favor ou exercício da escrita, mas porque cada Zé é um Ulisses. E cada pequena vida é uma Odisséia.”(BRUM, 2008, p. 187). Falar sobre a cidade, sobre seus tipos e ações corriqueiras, pode representar uma produção jornalística “menor”, menos intensa, menos digna de manchetes garrafais, na opinião de algumas pessoas. Mas não é assim que jornalistas renomados, como Marcelo Rech e Caco Barcelos percebem, acerca do que Eliane Brum produz. Segundo Rech (2006): A ideia estava ancorada na convicção de que tudo – até uma gota d’água- pode virar uma grande reportagem na mão de um grande repórter. A questão era achar alguém com os sentidos à flor da pele para dar forma a um misto de crônica, reportagem e coluna. (RECH IN BRUM, 2006, p.13)

Nesse olhar sensível sobre o cotidiano, Eliane detecta mais que histórias pontuais: descobre que não existem fórmulas, mas posturas, de uma reportagem humanizadora. Nesse sentido, estimula jovens profissionais à busca de uma atuação mais comprometida com a cidade, com a memória, com a história, com um jornalismo liberto de preconceitos. Brum (2008) prega um exercício de reportagem dinâmico e

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comprometido com o presente e o futuro, que forneça ao leitor possibilidades de leitura do mundo: Eu acredito na reportagem como documento da história contemporânea, como vida contada, como testemunho. Exerço o jornalismo sentindo em cada vertebra o peso da responsabilidade de registrar a história do presente, a história acontecendo. Por isso exerço com rigor, em busca da precisão e com respeito à palavra exata. Mas também com certeza de que a realidade é complexa e composta não apenas de palavras. É feita de texturas, cheiros, nuances e silêncios. Na apuração de minhas matérias, busco dar ao leitor o máximo dessa riqueza do real, para que ele possa estar onde eu estive e fazer suas próprias escolhas. (BRUM, 2008, p. 14)

A vida está exposta nas ruas, nos atos banalizados pela repetição do cotidiano de pessoas anônimas de um bairro esquecido, na vida privada de pessoas que temos contato todo o dia, mas nem sabemos seu nome. Traçar perfis dessa gente, atentos a toda a circunstância que a rodeia, naquilo que o personagem nos deixa escapar pelo olhar que desvia o assunto para as entrelinhas é valorizar o trabalho de reportagem de rua, pois estando unidos, entrevistador e entrevistados por uma linha telefônica ou endereços de e-mail, a reportagem não tem o mesmo gosto. Só pisando no mesmo terreno, entrando na casa, na vida do entrevistado, se desarmando do “afastamento com a fonte” e sabendo mais ouvir e observar que perguntar é que se pode fazer um jornalismo de cunho humanizador. Reportagens executadas no ambiente isolado das redações, longe das intempéries do clima, dos engarrafamentos, da imprevisibilidade, feitas com a medição eletrônica, devem ser vistas com cautela. É o que expressa Köning (2008): Na década de 1980, chegou a constar em manual jornalístico a recomendação daninha: se fosse possível colecionar informações por telefone, que se dispensasse o contato pessoal. Como se o trololó telefônico – ou, mais tarde, a letra fria do e-mail – substituísse o testemunho ocular e a conversa tête-à-tête.(...) O surrado lugar-comum renovou-se com vigor: lugar de repórter é na rua.”(KÖNING, 2008, p. 7-8)

Pensar na composição de um perfil, por mais que se personifique a história, é também narrar sobre seu entorno – familiares, vizinhos, moradores de seu bairro, de sua cidade. Retratar o cotidiano dos anônimos é refazer, por histórias paralelas, a memória 15


do lugar. Aquilo que faz cada um levantar todos os dias é o que temos de mais puro na composição de um município. O olhar guiado pelo repórter é também guiado pelo olhar dos personagens, por aquilo que ele quer mostrar: Viver a cidade é viver a dinâmica da realidade cotidiana, é estar inserido no fluxo da vida diária com tudo o que esse fluxo propõe. É como estar aberto não só ao conhecido, ao que é familiar, mas, sobretudo, estar disponível ao olhar do estranho. (REYS, 2005, p. 19)

Por isso, o presente trabalho caminha na direção de uma proposta de reportagem humanizadora, marcada pelo que, ainda no século XIX, Charles Baudelaire descrevia como o “flanêur”, o sujeito disponível para o novo, sem condicionamentos, sem rumo, apenas captando com os sentidos, permitindo-se flanar, descobrir, viver, apreender os flagrantes do cotidiano, em seus percursos: Segundo o poeta e crítico do século XIX, Charles Baudelaire, o termo flâneur pode ser caracterizado como um observador que percorre a cidade em busca de experiências a fim de compreender a modernidade e os fenômenos relacionados à urbanização. Sua integração existe de forma onipresente e invisível ao meio, e além de permear os brutais contrastes culturais e geográficos, possibilita a intersecção exata entre o subconsciente individual e coletivo. Uma experimentação sensorial instigadora da busca do desconhecido, que transcende limites e reinventa outros olhares. (POD CULTURA, 2010)

Esse tipo de proposta, quanto à postura do repórter, nasceu, no Brasil, com a figura de João do Rio. Esse era o pseudônimo de João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto, um dos primeiros a misturar reportagem e crônica no jornalismo brasileiro, no início do século XX, para retratar a cidade: No Brasil, o jornalista carioca João do Rio (1881-1921) foi quem mais personificou a figura do "flâneur" --aquele que perambula por prazer-- no início do século passado, em suas reportagenscrônicas. (…) João, que foca a realidade do Rio em seus textos, é uma referência por conta da prática da "flânerie" que, ao se perder na cidade, acaba descobrindo a própria. (…) O carioca foi precursor da chamada reportagem-crônica, um gênero que esbanja originalidade. Ele explorava cada canto obscuro e pouco observado com o olhar novo que o cronista imprime ao que retrata. (BOL NOTÍCIAS, 2010)

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Em termos de história e conceituação do Jornalismo, identifica-se algo que se aproxima do tipo de exercício aqui proposto e posto em análise. O que também podemos chamar de “New Journalism”, ou Novo Jornalismo, estilo de reportagem difundida na imprensa dos Estados Unidos no início da década de 1960, por, dentre outros, Tom Wolfe. Além de possibilitar a presença do repórter no texto, se caracteriza por somar técnicas literárias utilizadas em textos ficcionais às técnicas de apuração e produção de reportagem jornalística. Wolf (2005) comenta sobre o que é mais importante para o Novo Jornalismo: a composição da cena ou os dados? Quando se passa da reportagem de um jornal para essa forma nova de jornalismo, como eu e muitos outros fizemos, descobrese que a unidade de reportagem básica não é mais os dados, a peça de informação, mas a cena, uma vez que a maior parte das estratégias sofisticadas depende de cenas. (...) fazer reportagens nunca se torna mais fácil porque você já fez muitas. O problema inicial é sempre abordar gente desconhecida, penetrar em sua vida de algum modo, fazer perguntas que você não tem nenhum direito natural de esperar que sejam respondidas, pedir para ver coisas que não são para você ver, e assim por diante. (Wolfe, 2005, p. 82-83)

Na atualidade, mesmo diante da objetividade demandada pelas mídias, sobretudo a partir da convergência, do abastecimento, em tempo real, dos consumidores, através dos sites, grandes empresas jornalísticas adotam esse tipo de produção como uma linha de trabalho. Como, por exemplo, a Zero Hora, citada anteriormente. Essa tendência também é observada em cidades do interior, como São Borja, através da coluna semanal “Crônicas da Cidade”, assinada por Adriana Duval, na Folha de São Borja. Conforme consta no texto de estreia da coluna: Não basta enxergar. A cidade está revelada para quem a quer ver. (...) De pequenas histórias é feito o cotidiano, na pulsação da vida, aos bocadinhos, pelos lugares onde passamos. A fisionomia urbana se constitui da fisionomia humana de seus tipos e de seus singelos feitos. (...) Lanço o desafio da descoberta de cenas corriqueiras, de figuras do povo, de relatos que nascem a partir do descondicionamento do olhar. As ruas têm alma. (DUVAL, 2010)

O direcionamento dos veículos a essa forma de fazer atende ao que a comunidade espera de seus profissionais. Alguém que, ao menos, saiba escutar e enxergar as individualidades de cada um, como com uma lupa. Nem o jornal, nem o jornalista 17


podem ter o poder de separar quem é importante, quem são as celebridades. Na vida real, todo sujeito é parte da informação, faz parte de sua história e é importante em suas circunstâncias. De que maneira descobrimos isso? É o que compartilhamos a seguir. 8. ESCOLHAS E PERCURSOS METODOLÓGICOS Para a produção do Diário de Bicicleta foram utilizadas técnicas do jornalismo humanizador, orientadas pela professora Adriana Duval. As primeiras delas dizem respeito a se colocar disponível ao encontro das histórias. A meta inicial era construir pautas a partir de recortes do cotidiano flagrados durante 31 dias ininterruptos, nos quais sairíamos às vias são-borjense de bicicleta, com uma câmera fotográfica, um bloco de anotações e caneta. Descontruindo os moldes tradicionais de produção jornalística, não havia pauta estabelecida, roteiro ou trajeto definidos. Cada esquina em que mudamos de direção foi apenas uma decisão instintiva. Constatamos que cada quadra conta sua própria história, tem vida. Como repórter, tivemos o objetivo de observar, avaliar o que esconde uma boa história, um personagem marcante ou mesmo uma notícia que está “caindo de madura”, mas que para outros veículos sequer valeria cinco ou seis linhas. Diante disso, estacionamos a bicicleta e ali mesmo, onde quer que estivéssemos, vamos nos tornando parte do cenário, entrando no cotidiano das fontes, fazendo as entrevistas sob a forma de um diálogo, mais ouvindo do que perguntando. Observando o que deixam de falar, sentindo o cheiro de notícia no que se reservava ao particular, à vida privada. Metodologicamente, a ideia preliminar seria realizar uma reportagem por dia, durante os 31 dias de agosto deste ano. Nesse processo estariam envolvidas todas as etapas de coleta de informações, através de entrevistas, para que pudessem ser apreendidas as revelações e, sobretudo, a técnica de observação: Na observação não participante, o pesquisador toma contato com a comunidade, grupo ou realidade estudada, mas sem integrar-se a ela: permanece de fora. (…) Presencia o fato, mas não participa 18


dele; não se deixa envolver pelas situações; faz mais o papel do espectador. Isso, porém, não quer dizer que a observação não seja consciente, dirigida, ordenada por um fim determinado. O procedimento tem caráter sistemático. (…) Alguns autores dão a designação de observação passiva, sendo pesquisador apenas um elemento a mais. (MARCONI e LAKATOS, 2008, p. 76)

Ao retornarmos para casa, ao fim da jornada sobre rodas, procedíamos à redação da reportagem do dia, adotando um estilo autoral, em primeira pessoa, como as produções de diário, no qual estão presentes características como intimidade e bastidores de produção. Partindo do mesmo local, no centro da cidade, percorremos as ruas de São Borja, transitando pelo centro, bairros, periferia e até interior da cidade, até encontrarmos uma pauta que chamasse a atenção pelo curioso, pelo humano, pelo inusitado. Por fim, restava realizar a entrevista e observação. Na sequência, retornávamos ao local de partida, para materializar em escrito o que vivenciamos durante o trajeto. A redação foi realizada logo na chegada, para garantir a memória do que foi observado e sentido. Embora a redação das reportagens tenha sido feita no final, ao fim do dia, os textos colocam o leitor no tempo presente da reportagem, para que ele sinta como se as ações estivessem acontecendo no momento. Isso é possível porque as informações são extraídas do bloco de anotações, registradas no momento em que aconteceram. As fotos eram armazenadas diariamente. Ao todo, foram quase mil fotografias, buscando o melhor ângulo, o momento emocionante, a melhor luz possível em cada situação. Como as reportagens tratam de entrevistas-perfis, geralmente buscávamos ter, pelo menos, uma imagem em primeiro plano com a função “macro” ativada, para revelar os detalhes. Porém, não são todas as reportagens que estão acompanhadas por fotos com esse enquadramento. Como não havia pautas pré-selecionadas, o caminho era guiado instintivamente. Às vezes parávamos na rua e conversávamos com alguém, já o imaginando como possível entrevistado. Como algumas pessoas preferem contar as histórias alheias, não foram raras as indicações que apontaram caminhos, sugerindo pautas. Muitas vezes deixamo19


nos guiar pelo faro de repórter dos transeuntes, que elegiam seus próprios heróis das ruas. Chegando ao local, dificilmente sabíamos o que ou quem encontraríamos. Para os ainda aspirantes a jornalista, um dos pontos cruciais da entrevista é a apresentação, a abordagem. Para isso não há fórmula perfeita, tanto que por algumas vezes sequer conseguimos atenção do possível candidato por mais de dois minutos, Até hoje ficamos imaginando as histórias que eles poderiam ter contado. Olhar para alguém que não se conhece e ver nesta pessoa uma figura em potencial não é fácil. É preciso confessar que foi tentador sair de casa imaginando uma pauta e me indo para onde, supostamente, a encontraríamos. Por sorte não a encontramos. Foi no dia em que conhecemos o Humberto, que na época passava o tempo na praça central e a noite no Albergue Municipal. Se encontrássemos o que havia sido pautado em mente, possivelmente teríamos deixado de conhecer uma parte de São Borja que era desconhecida para nós. Passado o primeiro instante de apresentações e acomodações nos lugares oferecidos para o descanso, vem a parte do encaminhamento das perguntas. Para o trabalho não haviam questões pré-estabelecidas, apenas nome, sobrenome, idade e profissão. Mas mesmo para ouvir o silêncio é preciso iniciar a conversa. A pergunta que mais fazia os personagens falar era “De que cidade é natural?”, principalmente quando não eram oriundos de São Borja. Se precisássemos escolher uma pergunta para colocar em um manual, seria essa. Ela abre o caminho do pensamento e da memória, que em um flash recorda emoções e vivências. A proposta original, de um mês corrido, se mostrou pouco apropriada. Instituiria uma pressão tão acentuada, para as saídas a campo de cada dia, evitando sobreposição de abordagens, que acabaria por tensionar o trabalho. Outro argumento adotado para uma mudança de planos foi a necessidade de uma profundidade maior nas reportagens, demandando uma dedicação mais intensa ao texto. Consideramos que, dentro dessa ideia, o ideal seria trabalhar com quinze textos. Para o livro, os textos foram categorizados em Lugares, Pessoas e Profissões. Essa divisão serviu para apresentar ao leitor possibilidades da identificação de talvez novos 20


critérios ou aspectos norteadores ao trabalho de reportagem de cunho humanizador. Também ajudou a distribuir as matérias nas páginas, de forma equilibrada, e a promover uma reflexão sobre o que foi feito, percebendo-se os diferentes aspectos que chamaram a atenção nas saídas a campo. Em suma, nessa abordagem qualitativa, tivemos o momento da ideia, do projeto (TCC I), da execução (início do processo do TCC II), entendida como exercício de realização das reportagens, da redação, da edição de texto e imagem, da diagramação e da finalização. A seguir, considerações sobre esses passos, os pressupostos iniciais e as perspectivas futuras. 9. CAMINHOS POSSÍVEIS, ROTAS DESEJÁVEIS Uma das primeiras conclusões que este trabalho promoveu foi perceber o Jornalismo como um campo fértil a novas ideias. Dizem que o mercado é restrito e, de fato, é pouco desenvolvido no Estado, e ainda apresenta modelos tradicionais, sem grandes chances de experimentações. Por outro lado, há nomes e experiências, atualmente, que levam a pensar no quanto o leitor deseja novas escolhas, novas linguagens, ou velhas-novas, se pensarmos que ninguém “inventa a roda” - apenas a reinventa com novas técnicas e materiais. Fazer um percurso sem rota definida, flanando pelas ruas de São Borja, sentindo o vento sobre os cabelos, os pneus ganhando distâncias, tudo isso foi uma experiência bem diferente. Já havíamos feito algo parecido, para o blog Repórter de Bicicleta, que acabou virando o personagem do próprio autor deste trabalho. Mas, para o TCC, havia um desafio mais acentuado, uma responsabilidade mais firmada, em suma, uma espécie de missão e um certo medo, diante do que poderia aparecer nas saídas a campo. Um dos momentos mais cruciais do trabalho foi delimitar numericamente as reportagens-crônicas. O desejo era de produzir incessantemente. O fato de acertarmos em quinze acabou por permitir um maior direcionamento à redação, realmente. A

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escolha das pautas, a definição de categorias e a distribuição entre as mesmas também foi um passo importante durante a confecção deste projeto experimental. Houve assuntos que ficaram de fora. Tanto pautas já executadas e redigidas, quanto pautas apenas executadas. Corroboram para aquela afirmação de que nunca dizemos tudo o que sabemos; há sempre algo que fica para nós, no íntimo, na lembrança, no bloco de notas. O processo de edição jornalística passa por isso: excluir, incluir, omitir, priorizar, hierarquizar, destacar. Por fim, as histórias escolhidas, em um olhar agora, mais distanciado do que no período de sua realização, nos mostram diferentes lições de vida. Para cada uma delas, uma experiência distinta. Nem sempre se consegue obter informações com uma mesma pergunta. Às vezes, é preciso começar por outros questionamentos, ou até mesmo deixar de perguntar e apenas ficar observando, escutando. Isto é, não há ou não deve haver o que se chama de “fórmulas”, no sentido de regras fechadas ou que induzem o jornalista a fazer de uma forma ou de outra. O bom de momentos como este, de confecção de TCC, é que podemos “ir para a chuva, nos molhar e constatar como estávamos e como ficamos depois”. Não passamos por isso sem marcas. Esticamos os aprendizados das disciplinas em cada saída em busca de histórias. Questionamentos pressupostos, tanto de professores quanto de autores de livros, testamos novos jeitos de estar em relação com a fonte e, por fim, sempre o papel em branco... A página vazia, à espera das primeiras linhas, que se encadeiam com uma porção de outras, até construir um sentido conforme desejado. De tudo, fica a certeza de que pouco sabemos, de que pouco conhecemos; de que as ruas são dinâmicas, vida pura, cheia de histórias sobre as calçadas, os paralelepípedos, as casas e prédios. Fica a convicção de que é preciso sair pelas ruas, sentir cheiro de gente, farejar histórias, ouvir narrativas de cotidianos simples, porém, carregados de emoção e esperança. Um dos personagens que passou por nós foi um estrangeiro vendedor de espanador, carregado destes, como uma cauda de pavão. Cheio de penas, o uruguaio parou para a conversa, falou sobre si, mas não permitiu foto nem menção do nome. Teve receio. Foi 22


a primeira pauta, frustrada, mas incrível, pela história que aquele senhor carregava. Ficou restrita a um diálogo de calçada. O que aprendemos com isso? Dentre os aprendizados está o de que cada dia é um desafio diferente, e de que nem todos estão disponíveis para compartilhar suas chagas e vitórias. Mas o importante é estarmos disponíveis para descobri-las, ouvi-las atentamente, e narrá-las fielmente. Essa é nossa missão. Esperamos que, nos textos do livro, tenhamos conseguido reportar isso nas entrelinhas de cada crônica. 10. REFERÊNCIAS 10.1 Referências bibliográficas BRUM, Eliane. A vida que ninguém vê. Porto Alegre: Arquipélago Editorial, 2006. ___ O olho da rua: uma repórter em busca da literatura da vida real. São Paulo: Globo, 2008. DANTAS, Audálio. Repórteres. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2004. DIMENSTEIN, Gilberto e KOTSCHO, Ricardo. A aventura da reportagem. São Paulo: Summus, 1990. DUVAL, Adriana. “A reportagem desnuda I”. São Borja: Folha de São Borja 13/10/11, Caderno IN, p. 06 ___ “A reportagem desnuda II”. São Borja: Folha de São Borja 24/10/11, Caderno IN, p. 06 ___ “A reportagem desnuda III”. São Borja: Folha de São Borja 17/11/11, Caderno IN, p. 06 ___ “Desfile, palco e platéia”. São Borja: Folha de São Borja 14/09/11, Caderno IN, p. 06

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___ “Para ver, é preciso querer”. São Borja: Folha de São Borja 23/09/10, Caderno IN, p. 06. ERBOLATO, Mario. Técnicas de codificação em jornalismo. São Paulo: Editora Afiliada, ano 2007. KÖNING, Mauri. Narrativas de um correspondente de rua. Curitiba: Pós-Escrito, 2008. LAKATOS, Eva Maria e MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos da Metodologia Científica. São Paulo: Atlas, 2008. MEDINA, Cremilda. A arte de tecer o presente: Narrativa e cotidiano. São Paulo: Summus, 2003. REYS, Paulo. Quando a rua vira corpo. São Leopoldo: Editora Unisinos, 2005. 10.2 Referências da web http://noticias.bol.uol.com.br/entretenimento/2010/12/10/observador-do-

submundo-

carioca-joao-do-rio-ganha-biografia-definitiva.jhtm; acessado em 05 de julho de 2011. http://www.podcultura.com.br/a-mostra-o-flaneur-da-babilonia-e-composta-por-16fotos-preto-e-branco.105.1643 ; acessado em 05 de julho de 2011.

10.2 Entrevistas ANDRADE, Clóvis. Entrevista ao autor dia 04/08/11. BIASUS, Achiles. Entrevista ao autor dia 17/08/11. CARDOSO, Ester Lopes. Entrevista ao autor dia 15/08/11. CARLOS, Natanael. Entrevista ao autor dia 20/08/11. CRUZ, Cecília. Entrevista ao autor dia 20/08/11. FAGUNDES, Edson Saraiva. Entrevista ao autor dia 08/08/11. 24


FELDBERG, Frederico. Entrevista ao autor dia 05/08/11. FLORES, Helena Augusta Xavier. Entrevista ao autor dia 11/08/11. GOMES, Airton. Entrevista ao autor dia 01/08/11. MACHADO, Silvio Machado. Entrevista ao autor dia 05/08/11. MACIEL, Veroni. Entrevista ao autor dia 14/08/11. NUNES, Tânia. Entrevista ao autor dia 19/08/11. PEREZ, Humberto. Entrevista ao autor dia 03/08/11. RIBEIRO, Lair Santos. Entrevista ao autor dia 09/08/11. SANTOS, Moisés Batista. Entrevista ao autor dia 25/08/11. SILVA, Guiomar Oliveira. Entrevista ao autor dia 16/08/11. SILVA, Luis Antônio. Entrevista ao autor dia 13/08/11. SILVA, Theomar Guedes. Entrevista ao autor dia 16/08/11. TASCA, José Claudio Maciel. Entrevista ao autor dia 03/08/11. 11. ANEXOS

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TCC ELDER CORREA  

Título: Livro-reportagem Diário de Bicicleta – Pedaladas Jornalísticas e Narrativas do Cotidiano

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