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Edição 63

no entanto

Jornal experimental do curso de jornalismo da Ufes, agosto - 2013

Rock na Ufes

Quando volta?


Editorial É com prazer que anunciamos aqui a segunda edição do No Entanto, produzida pela turma do quarto período de Jornalismo da Ufes.

Direitos do doente crônico . . . . . . . . . . . Pág. 03

Após publicar uma edição histórica a respeito das manifestações que vêm ocorrendo em todo o Brasil, nossa equipe continuou com o desafio de exercer o papel do jornalista dedicado, ético e objetivo – totalmente compromissado com o leitor. Com a novidade de se produzir um jornal, a turma teve, mais uma vez, a oportunidade de aprender e de colocar em prática os ensinamentos obtidos no curso.

‘Rock na Ufes’ vs proibição . . . . . . . . . . . Pág. 06

Entre as dificuldades enfrentadas durante a produção da edição #63, nós nos cobramos, a todo o momento, a responsabilidade de desempenhar nosso trabalho buscando realizar uma seleção criteriosa de fontes. Procuramos cumprir a obrigação de, além de informar, permitir que você, leitor, tome sua própria posição a respeito dos assuntos aqui tratados. Correndo contra o tempo, reunimos nesta edição temas interessantes e variados - desta vez com menor número de páginas, porém não menos importantes - a fim de informar, responder a alguns questionamentos e, principalmente, levantar reflexões. Deixamos em suas mãos o resultado de nosso trabalho e desejamos a você uma boa leitura.

Saudações,

Turma de Jornalismo 2011/2

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Sumário

No entanto, edição 63, agosto de 2013

Das ruas ao Ifes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Pág. 04

Mais oportunidades na Ufes . . . . . . . . . . Pág. 08 Centenário do Rio Branco . . . . . . . . . . . . Pág. 10

no entanto Jornal experimental do curso de Comunicação Social com habilitação em jornalismo. Produzido por alunos do 4º periodo. Ufes Av. Fernando Ferrari, 514, Goiabeiras | Vitória Gráfica Universitária Tiragem: 1.000 exemplares Professor Orientador: Victor Gentilli Foto de Capa: Luara Monteiro Edição: Cláudio Vervloet, Karen Pinheiro, Lívia Meneghel, Linneker Almeida, Lorena Pelissari, Talita Vieira Equipe: Amanda Meschi, André Sacramento, Andreza Xavier, Bruno Nunes, Caio Miranda, Cláudio Vervloet, Débora Sonegheti, Geovana Chrystêllo, Hércules Nascimento, Jacob Sangalli, Jessica Latif, Jhones Corbellari, Karen Pinheiro, Karolyne Mayra, Linneker Almeida, Lívia Meneghel, Lorena Pelissari, Milena Mangabeira, Nathália Munhão, Nelson Aloysio, Renan Chagas, Talita Vieira, Thiago Sobrinho, Wéverton Campos. Equipe Gráfica: Andreza Xavier, Débora Sonegheti, Jessica Latif, Milena Mangabeira, Nathália Munhão e Renan Chagas


Estatuto do Doente Crônico Política de saúde pública de qualidade é o que o cidadão portador de doença crônica merece, assim como todos no país Por Milena Mangabeira

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Constituição Brasileira assegura a todo cidadão o direito à vida. Porém, como uma das reivindicações em todas as manifestações sociais que estão ocorrendo no Brasil, a saúde pública não tem garantido ao povo um serviço de qualidade. Isso, em muitos casos, resulta na espera desumana em filas de hospitais. Em meio a manifestação histórica no Espírito Santo, com mais de 100 mil pessoas nas ruas, um grupo levantava sua bandeira, assim como muitas outras pessoas. O intuito desse grupo é tornar público a proposta do Estatuto do Doente Crônico. O projeto visa a implementação de Políticas Públicas voltadas para doenças crônicas graves e incuráveis. No Brasil, os cidadãos portadores de doenças desse grau, possuem direitos perante a lei, no entanto, a saúde pública é precária e necessita de atenção do governo. A saúde é direito de todos e dever do Estado (Art. 196 CF). Assim sendo, a implantação de programas de saúde para o cidadão é imprescindível e o Estatuto em questão aponta diversos pontos cruciais de assistência ao cidadão portador de doenças como câncer de mama, leucemia, entre outras. “A criação de uma Secretaria Nacional de Políticas Públicas para os Doentes Crônicos; criação de um sistema de informação transparente relativo aos custos terapêuticos e por grupo de patologia; acesso a medicamentos e terapias”. Estas são apenas algumas entre várias reivindicações que o Estatuto propõe. O Estatuto do Doente Crônico no Brasil é uma iniciativa de Karla Lemos, moradora de Vitória, que esteve presente na manifestação realizada no dia 20 de junho desse ano, na capital capixaba. Karla portava um abaixo-assinado com as propostas do projeto e angariava assinaturas para que pudesse enviá-las para o Congresso Nacional. Após presenciar em sua família três portadores de câncer e acompanhar os dolorosos tratamentos aos quais seus entes eram submetidos, viu nisso uma causa justa para se lutar em favor da humanização do tipo de tratamento por parte do governo, tanto para o portador da doença quanto para sua família. Por isso,

Karla promove pela internet um abaixo-assinado online para validação do Estatuto e enviá-lo para o Congresso Nacional. Mais informações sobre o Estatuto do Doente Crônico e o abaixo-assinado online estão disponíveis nos endereços eletrônicos www.facebook.com/EstatutoDoDoenteCronico e www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/10950.

Doenças com garantia de tratamento no país Está na Constituição Federal: “Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.” Em suma, todos os cidadãos que moram no Brasil, e que possuem qualquer doença, têm o direito de receber tratamento pelos órgãos de assistências médicas, garantidos pelo Governo. Porém, não é somente a Constituição Federal que assegura direitos aos portadores de doenças graves ou incuráveis. O Estatuto prevê a ampliação de tratamentos para outros tipos de doenças, assim como a legislação brasileira garante direitos especiais para os portadores das seguintes doenças: Moléstia profissional; Esclerose-múltipla; Tuberculose ativa; Hanseníase; Neoplasia maligna (câncer); Alienação mental; Cegueira; Paralisia irreversível e incapacitante; Cardiopatia grave; Doença de Parkinson; Espondilartrose anquilosante; Nefropatia grave; Estado avançado da doença de Paget (osteite deformante); Síndrome da deficiência imunológica adquirida (Aids); Fibrose cística (mucoviscidose).

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A história de um vencedor Foto: Geovana Chrystêllo

Emerson de Souza Honório, ex-morador de rua, hoje realiza o sonho de estudar em uma instituição federal

Emerson: exemplo de superação, perseverança e vitória

Por Geovana Chrystêllo

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om emoção nos olhos, o estudante Emerson de Souza Honório, 20 anos, relembra momentos de sua vida que jamais vai esquecer. Aos nove anos de idade uma fatalidade mudou completamente seu destino. Onze anos depois, conquistando através de seus próprios méritos uma vaga no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), o jovem se tornou um exemplo de motivação e superação. De uma vida confortável e feliz, encontrou-se sozinho e perdido no mundo após uma triste notícia: o falecimento de sua mãe, única pessoa com quem podia contar e formava uma família. Passou por casas - lares de Vila Velha -, mas, desiludido com a situação em que se encontrava, uma vez que presenciava várias crianças sendo adotadas exceto ele, decidiu traçar seu caminho nas ruas da Grande Vitória. Hoje, estudante do curso técnico de Segurança do Trabalho, Emerson pode ser considerado um grande vencedor. “Presenciei e vivi muitas coisas ruins. É

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uma experiência que não desejo a ninguém. Mas mesmo assim, foi através dela que hoje sou o que sou. Foi lá que aprendi e construí meus valores. Hoje sou uma pessoa sem preconceitos, disposto a estar sempre ajudando aos mais necessitados”, relata o jovem. A superação de Emerson envolveu também o enfrentamento de pressões de criminosos e traficantes. Ele mantinha-se afastado dos vícios através do contato com os livros e com a música. Passava a maior parte de seu tempo nas bibliotecas públicas do Estado, como a da Ufes. Aproveitava a oportunidade para ler livros de Filosofia de grandes autores, estando imerso em um mundo completamente diferente daquele que vivia. As lembranças de sua mãe também o motivavam a seguir o caminho da honestidade. Considerando-se muito tímido para viver de esmolas, Emerson tirava seu “ganha-pão” lavando e vigiando os carros dos frequentadores da praia de Camburi, em Vitória,


e adianta-se ao dizer: “os lucros obtidos eram todos Ufes, a mineira de Belo Horizonte realiza o sonho de destinados à minha higiene e alimentação. Priorizava cursar uma faculdade federal. isso”. Decidida a encontrar outros recursos para ajudar no sustento da família, ela viu nos lixos sua Apesar das lembranças ruins sobre o que viúnica alternativa. E foi em seu ambiente de “trabalho”, veu nessa fase da sua vida – como o fato de várias vezes ter sido acordado com pontapés - o estudante já na capital capixaba, que a catadora deparou-se com consegue extrair boas recordações. “Migrei para váos materiais necessários para a sua vitória. Em meio rios lugares, vivi muita coisa. A região Sudeste eu coa sucatas e papeis velhos, Ercília também achou diversos livros e um cartaz sobre um curso para jovens nheço quase toda, praticamente, a pé.” e adultos em escolas públicas. Foi a partir desse mo Além disso, ele afirma que cultivou muitas amizades, enquanto fazia das ruas capixabas sua momento, que a necessidade tornou-se uma oportunidaradia. “Muitos morreram e o restante, infelizmente, de para uma grande mudança. ainda se encontra nessa situação (de rua), mas sem Outro exemplo, é a história do ex-socioedupre que posso mantenho cando, Lucas Wilson Fernades. Após pascontato e ajudo densar algumas vezes por unidades tro das minhas consocioeducativas ainda na adodições”. lescência, hoje, aos 20 anos Presenciei e vivi muitas coisas ruins. É Em relação a o jovem atua como agente uma experiência que não desejo a ninguém, tudo que sofreu nas de apoio, disseminando paruas, considera como lavras de incentivo e sermas mesmo assim, foi através dela que pior a exclusão e a vindo de exemplo para os hoje sou o que sou. Foi lá que aprendi e negligência das pesadolescentes que um dia construí meus valores. Hoje sou uma pessoa soas. “Somos tratados cometeram os mesmos ercomo um nada, nem ros que ele. sem preconceitos, disposto a estar sempre todas as pessoas que Desde os 14 anos enajudando os mais necessitados estão ali são envolvivolvido no mundo do tráfiEmerson de Souza Honório das com coisas ruins. O co, foi na própria unidade olhar de superioridade das onde cumpria as medidas, pessoas é o que mais dói. Droatravés das atividades realizaga, todo mundo pode usar, não é só porque estamos das e da atenção que ganhava dos servidores, que o em situação de rua que somos drogados e vamos te asdesejo de mudar e tornar-se uma pessoa melhor foi saltar. Muitos estão ali porque se entregaram ao vício, aflorado. Atualmente, ao lado de outros membros da mas muitos estão ali também porque perderam tudo e equipe onde trabalha, desempenha papel fundamental não tiveram oportunidades. O que falta nas pessoas é na ressocialização de jovens infratores. o senso de igualdade, ninguém é melhor do que ninguém, todos são capazes”. Conheça o movimento Hoje, morando no Centro da cidade de Vitória, lugar que inclusive o acolheu por muitos anos, segue uma vida tranquila, sustentando-se com a ajuda Formado em 2005, na cidade de São de amigos e conhecidos. Paulo (SP), o Movimento Nacional da Popula Ele faz parte do Movimento Nacional de Pesção de Rua (MNPR) é constituído por homens soas de Rua, no qual mostra à população a realidade e mulheres em situação de rua ou trajetória das pessoas que se encontram na mesma situação que da rua, comprometidos com a luta por uma viveu por muito tempo, conscientizando os moradosociedade mais justa que garanta os direitos res de rua de seus direitos. No futuro pretende cure a dignidade humana para todos. Esses hosar psicologia para poder ajudar, de fato, aqueles que mens e mulheres se organizam e se mobilizam vivem em condições difíceis, principalmente os que para conquistar e fazer valer as políticas púalgum dia já fizeram parte de seu passado. blicas de direito à moradia, assistência social, acesso à saúde, trabalho, educação e direitos Outros casos humanos. A comissão do MNPR/ ES vem se orga A ex-catadora de materiais recicláveis, Ercília nizando desde 2010 e em outubro de 2011 gaStanciany, também pode ser considerada uma vennhou mais força na cidade. As reuniões junto cedora. Proibida de estudar ainda na infância, Ercília aos apoiadores acontecem semanalmente nas trocou os livros e cadernos pelas ferramentas da marquintas-feiras, às 14h. Mais informações, visite o cenaria de seu pai, o que a afastou por mais de 20 anos endereço: http://popruavitoria.blogspot.com.br das salas de aula. Hoje, estudando artes plásticas na No entanto, edição 63, agosto de 2013

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Foto: André Prando

Festas na Ufes Proibidas até quando? Conselho Universitário só vota regulamentação após representantes estudantis concluírem avaliações das propostas em debate Por Lorena Pelissari e Talita Vieira

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s festas que eram realizadas na Ufes, popularmente conhecidas como “Rock na Ufes”, vêm levantando discussões entre os “corredores” do ambiente acadêmico ao terem estampado páginas dos jornais mais populares do Espírito Santo, recentemente. Os últimos acontecimentos divulgados pela mídia local, como a comercialização de drogas, brigas, estupros, mortes, assaltos e homicídios, levaram a Reitoria a proibir a realização de festas e eventos dentro do campus central, localizado em Goiabeiras. O fato chamou a atenção não só dos alunos, mas também da população espírito-santense, para questões como a segurança dentro do campus e a regulamentação dos eventos, paralelamente ao direito de confraternização – que é defendido pelos alunos. A estudante de Publicidade e Propaganda Thais Stein, 20, informou que a regulamentação exigia do aluno o envio de um requerimento constando os dados de planejamento da festa e a assinatura de autorização do diretor de seu respectivo Centro à Prefeitura Universitária. Passando por tal etapa, o projeto do

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evento era debatido em reuniões na Prefeitura, onde se dava a aprovação ou não. Os motivos para a desaprovação envolviam características organizacionais, como o número de pessoas presentes, infraestrutura e segurança. Mesmo quando essa situação ocorria, muitas festas eram executadas por adoção de recursos próprios por parte dos organizadores. Como consequência, os vigilantes, muitas vezes, eram acionados para encerrá-las. Caso estivessem relacionadas ao nome de alguém, a pessoa corria o risco de ser processada. Segundo a Administração Central da Ufes – responsável por emitir informações e opiniões em nome do reitor Reinaldo Centoducatte –, os eventos foram suspensos após a realização de uma festa chamada “Evento Cultural de Confraternização de Estudantes da UFES”, coordenada por alunos do Centro Acadêmico de Matemática, realizado no dia 07 de setembro de 2012. Considerada estopim para a proibição, a confraternização suportou um público superior ao autorizado pela Prefeitura Universitária, além de


sitária desde janeiro deste ano: além do processo de melhoria da iluminação, serão instaladas 774 câmeras, 129 centrais de alarme, 37 cancelas eletrônicas e 30 módulos de rastreamento veicular, com funcionamento de 24 horas. Os alunos, em sua maioria, concordam com a opinião de Koerich Navarro, 25, estudante de Arquitetura: “A decisão de proibição foi extremamente radical. Acredito que o conhecimento em uma universidade não se dá só em salas de aula. A palavra ‘Universidade’ em si, já sugere a ideia de algo universal, e, portanto, defendo o direito de interação entre os estudantes, inclusive em confraternizações e festas. Além disso, elas proporcionam momentos de diversão e relaxamento aos alunos”. Koerich, ainda, acrescenta sugestões para o retorno das festas: “Existem locais dentro da Ufes que não são utilizados, mas que poderiam, como o espaço com campinho de areia, próximo aos prédios de Educação Física e também o espaço dos servidores”. Quanto à instalação das câmeras, o aluno também manifesta sua opinião, desta vez mais pessoal: “Tudo tem seus prós e contras, mas é preciso investir em segurança. Além da melhoria na iluminação, sou a favor da instalação das câmeras, pois, mesmo que invadam a privacidade das pessoas, o registro que elas fazem é algo bom a ser utilizado”, afirma Koerich.

Repercussão local Alguns acontecimentos sobre o tema de repercussão na mídia local: • Na madrugada do dia 11 de junho de 2011 duas jovens morreram atropeladas na Avenida Fernando Ferrari após saírem de um Rock na Ufes. O motorista se recusou a fazer o teste do bafômetro e foi levado ao Departamento de Polícia Judiciária (DPJ) de Vitória. Os corpos das meninas ficaram irreconhecíveis após as fraturas. • O último evento ocorreu no dia 17 de maio deste ano, como forma de protesto à proibição, sem autorização da Prefeitura Universitária. Nele, um menor, um pedreiro e um diretor de rede foram presos por porte e venda de drogas no local.

Fotos: Vinícius Binotte / Portal Iuuk

ter ocorrido o estupro de uma jovem de 19 anos, rendida por arma de fogo, mesmo após a vigilância local ter sido acionada. A Reitoria não se diz contrária à realização de festas nos campi da Universidade, mas alega que “não pode compactuar com infrações graves que foram flagradas nestes eventos, como violência ou tráfico de drogas”. A proibição deve continuar em vigor até que o Conselho Universitário (Consuni) aprove uma nova regulamentação para a realização das festas. Atualmente, propostas estão sendo avaliadas pelos representantes do segmento estudantil no Consuni, que estão acompanhando o processo. De acordo com o diretor da Prefeitura Universitária, Anival Luiz dos Santos, a localização do Campus de Goiabeiras é relevante para explicar a situação da segurança nas festas. “Ele está inserido entre bairros com altos índices de delitos e crimes, inclusive, próximos à Rua da Lama, em Jardim da Penha. Sendo assim, qualquer movimento festivo atrai toda a massa externa e o ambiente passa a ser fértil para todo o tipo de delito e crime. Além disso, não há como controlar a entrada de todo mundo, como de bandidos, traficantes e muitos menores”, pontua. Quanto ao histórico dos eventos, Anival conta que as festas na Ufes sempre ocorreram – não se sabe, exatamente, a data de sua origem. No entanto, com o aparecimento das redes sociais na Internet, houve uma popularização das confraternizações, atraindo um número cada vez maior de participantes, com público vasto e variado, consequentemente, exigindo maior segurança. A segurança existente na Universidade se resume à atuação dos vigilantes patrimoniais. Segundo a Reitoria, eles são treinados e realizam todo o monitoramento do campus de Goiabeiras, e quando necessário contam com o apoio das polícias Militar, Civil ou Federal. De acordo com os alunos, esse tipo de segurança não é visto com frequência no espaço universitário. O vigilante, Admilson da Silva, denuncia uma contradição entre fala e comportamento do público quanto ao baixo nível de segurança presente nas festas: “As pessoas dizem querer segurança, mas reagem de forma contraditória quando a vigilância existente entra em ação”, argumenta. A Reitoria informa, ainda, que investimentos estão sendo feitos em relação à comunidade univer-

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Ufes adere ao Sisu São 725 vagas nos campi da Ufes em Alegre e São Mateus Por Milena Mangabeira e Nathália Munhão

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istema de Seleção Unificada, Sisu. Este é o nome do programa que a Ufes, por intermédio do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), aderiu parcialmente em março deste ano para cursos nos campi de Alegre e São Mateus, referentes ao antigo Vestibular de Inverno. Desde 2010 o Sistema dá oportunidades a estudantes para o ingresso no ensino superior através do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem. São 54 instituições federais que participam da seleção por meio de um sistema informatizado, gerenciado pelo Ministério da Educação (MEC). As inscrições se encerraram no dia 14 de junho e a primeira chamada foi no dia 17 de junho. Já a segunda chamada aconteceu entre os dias cinco e nove de julho. Em todo o Brasil foram ofertadas pelo sistema 39.724 vagas em 1.179 cursos. A Ufes disponibilizou no Centro de Ciências Agrárias (CCA), em Alegre, 475 vagas distribuídas em oito cursos. Já no Centro Universitário do Norte do Espírito Santo (Ceunes), em São Mateus, 250 vagas oferecidas em cinco graduações. Ao todo, foram 725 vagas na Ufes. A Pró-reitoria de Graduação da Ufes (Prograd) disponibilizou em seu endereço eletrônico o edital de inscrição para aqueles que quisessem disputar uma vaga na universidade capixaba. Puderam se inscrever no Sisu, candidatos que obtiveram nota maior que zero na redação e que alcançaram a nota mínima adotada por cada curso, referente ao Enem 2012. É importante lembrar que todos os anos acontecem duas edições do Sistema de Seleção Unificada. No entanto, a Ufes participou dessa seleção pela primeira vez, apenas no

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segundo semestre letivo. O Sisu permite que candidatos de vários estados se inscrevam para concorrer a uma vaga em qualquer universidade do Brasil. Segundo o reitor da Ufes, Reinaldo Centoducatte, a adesão ao programa possibilita aos estudantes maior mobilidade e permite às universidades ampliar a integração com estudantes de todo o país. Para o professor de matemática Hélio Marchioni, o Enem possui, dentre suas qualidades, a possibilidade de estabelecer um parâmetro entre as redes de ensino do país, já que a prova acontece em nível nacional. O estudante agora pode se focar em questões específicas que são abordadas no exame. O professor ainda ressalta que, para o vestibular de inverno, a adoção do Enem como fase única, tornou o acesso do aluno à universidade mais rápido, pois o processo é realizado por meio da internet. Segundo dados de junho de 2013, até o último dia de inscrições, o sistema tinha registrado, pelo menos, 701.422 candidatos e 1.355.809 inscrições. Da quantidade de vagas oferecidas, segundo lei sancionada em 2012, 50% deverão ser destinadas para estudantes pelo sistema de cotas, o qual contempla alunos que fizeram todo o ensino médio em escolas públicas. Parte deste índice dever ser para alunos com renda familiar de até 1,5 salário mínimo. Há, ainda, um percentual para estudantes autodeclarados pretos, pardos e indígenas. O Sisu possui apenas uma etapa de inscrição e o candidato pode se inscrever em duas vagas, com a opção de concorrer pelo sistema de reserva de vaga ou pela concorrência geral. A seleção acontece por meio de nota de corte que cada instituição determina de acordo com o curso, sendo selecionado aquele que obtiver pontuação maior ou igual à exigida para aprovação no programa, por meio da nota alcançada no Enem do ano anterior. A classificação acontece automaticamente e, caso o candidato tenha nota para passar nas duas opções escolhidas, será chamado para a que estiver como primeira opção de curso. São realizadas duas chamadas consecutivas, com datas estabelecidas previamente, para matrícula. Caso o selecionado não a efetue, perderá instantaneamente a vaga, e a oportunidade passa ao próximo da lista de espera. É importante lembrar que a inclusão do


A adesão ao Sisu possibilita aos estudantes maior mobilidade e permite às universidades ampliar a integração com estudantes de todo País. Reinaldo Centoducatte Reitor

candidato nessa lista, só é possível se o mesmo acessar o seu boletim, na página do Sisu, e manifestar o interesse dentro do prazo especificado no cronograma. O direito à participação também é estendido àqueles que não alcançarem a aprovação imediata em alguma de suas opções de curso nas chamadas regulares, assim como os candidatos selecionados em sua segunda opção, independentemente de terem efetuado a matrícula. Porém, o interessado somente poderá concorrer à vaga pela lista de espera pela sua primeira opção, caso haja surgimento de vaga. Incentivo ao ensino superior: Prouni O Sistema de Seleção Unificado (Sisu) e o Programa Universidade Para Todos (Prouni) são programas do governo federal que visam a inclusão no ensino superior daqueles que participam do Exame

Nacional do Ensino Médio (Enem). O Sisu permite o ingresso nas Universidades públicas. Já o Prouni concede bolsas de estudos integrais e parciais em instituições privadas de ensino. Para concorrer às bolsas integrais do Prouni, o candidato deve comprovar renda bruta familiar per capita de até um salário mínimo e meio e para bolsas parciais (50%) a renda per capita pode ser de até três salários mínimos. Esse é um dos quesitos que diferencia o Sisu do Prouni, salvo que o primeiro conta apenas a nota do Enem. Qualquer candidato pode se inscrever para concorrer à vaga, tanto em um programa quanto no outro, porém, deve optar por apenas um para cursar, pois é vedado ao estudante estar utilizando uma bolsa do programa e, simultaneamente, estar matriculado em instituição de ensino superior pública e gratuita. Mais informações sobre o Prouni estão no endereço eletrônico www.siteprouni.mec.gov.br.

Confira os cursos que têm vagas ofertadas pelo Sisu na Ufes Em Alegre são: Ciências da Computação, Ciências Biológicas, Engenharia Industrial Madeireira, Farmácia, Física-Licenciatura, Matemática-Licenciatura, Química-Licenciatura e Sistemas de Informação. Em São Mateus: Ciência da Computação, Ciências Biológicas, Física-Licenciatura, Matemática-Licenciatura e Química-Licenciatura.

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100 anos do mais querido do Estado Em uma história de luta e glórias, o Rio Branco Atlético Clube comemora o seu centenário Por Caio Miranda e Bruno Nunes Espírito Santo, foi contra a vontade do próprio pai ao escolher o clube para torcer: “sou filho de ferroviário, e meu pai foi sócio-fundador da Desportiva Ferroviária, queria fazer a carteira de sócio para mim, mas pedi um tempo para olhar os outros times. Com meus 10 anos já gostava de futebol, e quando chegava no Estádio Governador Bley (antigo Estádio do Rio Branco, atual campo do Ifes), os adultos não deixavam as crianças pagarem ingressos, mas eu sempre tinha alguém que me dava uma colher de chá. E aí o coração ficou alvinegro.” Apesar da maioria das glórias e dos títulos (são 36 campeonatos estaduais, o maior campeão do Espírito Santo), não é só de torcedores que vivenciaram os melhores dias do clube que formam a imensa legião de apaixonados pelo esquadrão de Jucutuquara. O historiador Vinícius Muline, que nasceu em 1982, data do 33º título capixaba do capa preta, explica precisamente o sentimento de quem não teve a oportunidade de acompanhar as campanhas que fizeram do Rio Branco o clube mais bem sucedido da nossa

Foto: Reprodução

“Para onde for, lá também estarei. De corpo e alma sempre tocarei. Meu Rio Branco, lancei-me em seus braços. Você é culpado do amor que lhe dei.” O trecho do hino do Rio Branco reflete – assim como todo o resto do cântico – o sentimento de quem ama o clube. Fundado em 21 de junho de 1913, o mais querido do Estado completa o centenário em uma época de dificuldades, pois o time foi rebaixado para a segunda divisão do campeonato capixaba. No entanto, isso só reforça a importância e a fidelidade de quem sempre o acompanhou. O capa preta nasceu legitimamente nos braços do povo, do proletariado. Na época, meninos que não nasciam em berço de ouro viram à distância o surgimento do Victoria Foot-Ball Club (o atual Vitória), clube de elite fundado em 1912, mas também queriam praticar o esporte bretão. A história traz a simpatia para o lado alvinegro, que rapidamente virou paixão dos capixabas, a ponto de trazer discórdias familiares. Jairo Peçanha, 65 anos, repórter setorista do Rio Branco pela Rádio

Diante de mais de 50.000 torcedores, Rio Branco derrota o Vasco da Gama por 1 a 0 no Estádio Kléber Andrade, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro de 1986

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No entanto, edição 63, agosto de 2013


terra: “Ser riobranquense não é apenas torcer para o maior time do Espírito Santo, é, também, resistir ao holocausto futebolístico capixaba. Ser riobranquense é honrar as cores do meu clube e, igualmente, as cores e dizeres da nossa bandeira. O nível de envolvimento é bem maior, pois acompanho as partidas presencialmente. Uma paixão saudável e sem prazo de validade. Um valor imune a qualquer visibilidade. Nasci capixaba, morrerei riobranquense. Na verdade meu espírito alvinegro manter-se-á para a dita posteridade.” Uma data tão especial como essa não poderia passar em branco. No dia em que o Rio Branco completou 100 anos, a diretoria organizou uma singela festa no saudoso Governador Bley. Lá estiveram presentes membros da comissão técnica, representantes da crônica esportiva capixaba, atletas da nova geração do clube, além dos jogadores que fizeram parte da campanha do título de 2010, o ultimo estadual conquistado pela equipe alvinegra. Além disso, uma solenidade foi realizada na Câmara de Vereadores da cidade de Vitória, berço do Rio Branco. Ideia do vereador Luiz Paulo Amorim (PSB-ES), que também é vice-presidente licenciado do clube. O político, que veio de Alfredo Chaves para a capital com apenas 11 anos, relata que a paixão foi à primeira vista. Luiz, assim como Vinícius Muline e Jairo Peçanha, lamenta profundamente a situação atual vivida pelo Rio Branco. O vereador cobra uma política de crescimento do clube e de seus rivais, pois abrilhantaria mais o futebol capixaba. Jairo e Vinícius defendem maior apoio e participação da torcida capa preta, além da mídia esportiva local e a iniciativa privada. Mas mesmo com todas as dificuldades e limitações do nosso futebol, o clube mais querido do estado continua adquirindo novos torcedores, que são capturados pela sua história riquíssima de inclusão social, glórias e alegrias à imensa massa riobranquense. Pois como já dizia um trecho do hino do Rio Branco Atlético Clube, que surgiu com o nome “Juventude e Vigor”, “suas cores, sua bandeira, traduzem luta e certeza de que você é o maior, e pra mim não existe melhor.”

Títulos do Rio Branco Atlético Clube - Campeonato Capixaba – 1ª Divisão: 1918, 1919, 1921, 1924, 1929, 1930, 1934, 1935, 1936, 1937, 1938, 1939, 1941, 1942, 1945, 1946, 1947, 1949, 1951, 1957, 1958, 1959, 1962, 1963, 1966, 1968, 1969, 1970, 1971, 1973, 1975, 1978, 1982, 1983, 1985 e 2010. 2ª Divisão: 2005. - Outras Conquistas (Taças, Copas e Torneios) – Estatueta de Terracota em 1919, Taça Charitas e Taça Liga Esportiva Espíritosantense em 1921, Taça LSES em 1922, Taça Antônio Braconi em 1924, Taça Concordia 1925, Taça Oscar Barbosa em 1925, Taça Cláudio Daumas em 1930, Taça Redenção em 1931, Torneio Início em 1934, Troféu Bastos Padilha 1937, Taça Mascotte em 1937, Taça Alberto Silva em 1939, Taça Rio Branco em 1940, Taça Alfredo Sarlo em 1942, Troféu Comandante Corciul em 1943, Troféu Dr. Aristides Santos em 1946, Troféu João Carlos Vasconcelos em 1949, Torneio Quadrangular em 1951, Torneio Quadrangular em 1954, Taça Eficiência em 1957, Taça Imprensa em 1959, Vice Campeão Taça Brasil Sudeste em 1959, Taça José Leal em 1961, Taça Rubens Gomes em 1962, Vice Campeão Taça Brasil Sudeste em 1963, Vice Campeão Taça Brasil Sudeste em 1964, Troféu da Revolução 31 de Março em 1965, Torneio Triangular em 1965, Taça João Calmon 1968, Taça A Esportiva em 1968, Torneio Ministro Antônio Dias Leite em 1969, Taça 02 de Maio Bolívar de Abreu em 1969, Taça Cidade de Vitória em 1969, Troféu Arthur Del Caro Paiva em 1970, Taça Independência em 1972, Troféu Cidade de Vitória em 1972, Taça Amizade - CEUB em 1974, Troféu Setembrino Pelissari em 1975, Troféu ACEC em 1975, Taça 31 de Março em 1975, Taça Élcio Álvares em 1975, Troféu Governador do Estado em 1975, Troféu Sérgio Monteiro em 1975, Torneio de Verão em 1975, Troféu da Amizade em 1975, Troféu Clóvis Mendonça em 1975, Taça Mozart Di Giorggio em 1976, Torneio Incentivo em 1977, Torneio Incentivo em 1978, Taça Kléber Andrade em 1978, Troféu José Miguel Feu Rosa em 1981, Taça Cidade de Colatina em 1982, Taça Cidade de Ibiraçu e Taça Cidade de Vitória em 1983. Fonte: capapreta.com (site oficial do clube)


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