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O Blog do Primeira Edição foi feito para que os alunos do 2º ano do curso de Jornalismo do IMES Catanduva - Instituto Municipal de Ensino Superior pudessem unir a teoria com a prática em suas aulas de Laboratório de Texto ministradas pelo Professor Fernando Moreno da Silva.

É atualizado semanalmente com textos diversos e leves. Nosso endereço eletrônico é: www.fafica.br/blogprimeiraedicao

e como veem resolvemos nos informatizar, então se quiserem podem nos seguir pelo Twitter, nosso nick é @Primeira_Edicao.

O Primeira Edição é um Jornal-Laboratório produzido pelos alunos do 2º ano do curso de Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva (IMES - Catanduva). Diretora: Profa. Dra. Cibelle Rocha Abdo Secretária geral: Profa. Maria Lúcia Miranda Chiliga Coordenação do Curso: Prof. Dennis Henrique Vicário Olivio

Professor Responsável: Fernando Moreno da Silva (Mtb 42214-SP) Redação: Andréa Alves, Florence Manoel, Isabeli Baruffaldi, Nágila Câmara Designer e Diagramação: Andréa Alves


Por Florence Manoel ________________________________________________________________________________________

Um Flerte com A Arte “Longa é a arte, tão breve a vida” (Tom Jobim) A arte e a questão social

Karl Marx

Karl Marx acreditava que o sistema capitalista havia afastado a religião da vida das pessoas, deixando um vazio que consome e que faz consumir; e, que esse vazio deveria ser preenchido pelo contato com as artes e a filosofia. De acordo com o filósofo alemão Theodor Adorno, a arte só pode ser considerada autêntica se for liberta e libertadora. Liberta da dominação dos interesses da chamada Indústria Cultural, ou seja, dos imperativos que regem a comercialização do material artístico. E libertadora, por promover a emancipação do sujeito mediante a crítica social.

Em seus ensaios, Adorno não se limita á reflexão estética, ele defende a arte como conhecimento. O discurso estético está interligado à Teoria Crítica e á denúncia da alienação e manipulação das consciências através da cultura do entretenimento que é fruto da sociedade capitalista. Para o ator Betto Marx, a arte é um instrumento de sensibilização: “A meu ver o seu maior emprego hoje é a construção de seres mais sensíveis e menos massificados. Quem consome arte consome um estilo de vida que tem brechas de fuga do cotidiano”. A respeito da importância da arte na sociedade, o músico e artista plástico Enzo Belíssimo afirma “é o que torna a gente ser humano. Alguma coisa diferente de um macaco ou simplesmente de uma proteína que comeu outra e evoluiu”.

A psiquiatra abominava os métodos de tratamento da época, como o eletro choque, a lobotomia e as excessivas doses de psicotrópicos. Em maio de 1946 fundou a Seção de Terapêutica Ocupacional, no antigo Centro Psiquiátrico Nacional do Rio de Janeiro, atual Instituto Municipal Nise da Silveira. Os doentes mentais, que até então realizavam trabalhos de limpeza e manutenção como terapia ocupacional, passaram a ter a disposição ateliês de pintura e modelagem. Ela procurava obter um auto-retrato interno dos pacientes portadores de esquizofrenia e compreender suas criações através do estudo da mitologia. O trabalho da Dra. Nise teve tanta utilidade que, em 1952 deu origem ao Museu de Imagens do Inconsciente, atualmente com um acervo de mais de 350 mil obras.

A arte da loucura A Dra. Nise da Silveira revolucionou as formas de tratamento dos portadores de doenças mentais no Brasil, estimulando a criatividade em seus pacientes.

Nise da Silveira

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A Criação e O Criador “Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse sempre a novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias” (Clarice Lispector)

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As dificuldades profissionais e pessoais que afligem os artistas são a principio, as mesmas enfrentadas por outros homens: Questões milenares de caráter emocional, sexual e social; assim como a necessidade de adaptar-se á modernidade cega e sobreviver a ela. Em muitos casos, há uma ênfase nas dificuldades profissionais, devido á falta de incentivo e reconhecimento; e a dicotomia que é viver a arte e viver da arte. No entanto, o instigante universo interior do artista abriga emoções que parecem ser ampliadas por uma lente grande-angular. As impressões e expressões são fatores determinantes para a sobrevivência do indivíduo como artista e do artista como ser humano. Obviamente, a entrega total que garante essa amplitude, exige devoção e esforço na apreensão da técnica; porém, o artista está longe de ser um mero técnico que se pode construir e substituir, o artista é a arte que pulsa uma força vital divina e profana. É justamente divindade o que o entrevistado Enzo Belíssimo diz buscar na arte: um jeito de ver diferente, além do ser. A criação de outros conceitos e de universos, até então inexistentes ou, ao menos desabitados. E, criando, o homem é um deus. Já o músico Felipe Ferreira busca aprimorar seus conhecimentos e conceitos sobre a vida, busca a satisfação pessoal: a sagrada arte de ser feliz.


Primeira Edição: O que busca na arte? Betto Marx: A resposta é simplória e até egoísta. Eu busco ser feliz! Só isso. Não tenho aquele texto pronto de querer mudar o mundo ou levar felicidade às pessoas. Qualquer bom profissional pode contribuir pra felicidade dos outros. Um médico cuidadoso, um professor dedicado, um lixeiro que se preocupa em recolher todo o lixo pro seu conforto. Eu busco o que me tocou logo cedo. Sou um ser humano e sou ator. Sou um homem/ator. Em mim é uma coisa só e não poderia ser outra coisa. Não é questão de escolha. É como opção sexual. Não se escolher ser artista. Escolhe-se desempenhar a profissão. Eu busco ser feliz... e se puder levar felicidade às pessoas através da minha realização fica ainda melhor.

Primeira Edição: Ao longo da história, a arte teve vários papéis. Qual é a relevância da arte hoje na sociedade? Betto Marx: A arte é um instrumento pra sensibilização. Socialização, educação e até mesmo um instrumento político. A meu ver o seu maior emprego hoje é na construção de seres mais sensíveis e menos massificados. Quem consome arte consome um estilo de vida que tem brechas de fuga do cotidiano. Transformar a arte em cotidiano é privilégio de poucos. Primeira Edição: Como a arte desenvolve o artista?

Betto Marx: A arte é como combustível. Pro artista ela é motivo de vida. Funciona como sua forma de se inserir no mundo e colocar aos outros seus pensamentos e sentimentos. O artista tem necessidade de expressão como todo o ser humano e utiliza seu trabalho como ponte pra que sua expressão chegue a mais e mais pessoas. A arte desenvolve o artista como desenvolve qualquer homem. O transforma em alguém capaz de se comunicar e comunicar o que vê dentro de si. A deixa mais aberto ao mundo e o conecta de formas diversas com tudo o que possa tocar e sensibilizar.

Primeira Edição: Quais são as dificuldades enfrentadas na sua área? Betto Marx: A arte realmente é pouco valorizada no Brasil. Isso é inegável. Mas tive sorte. Trabalho desde os 18 anos de forma ininterrupta e estável. Creio que a maior dificuldade encontrada na arte não é viver dela. É conseguir conciliar o que acreditamos ser arte com o capitalismo que temos que enfrentar. Pra se viver de arte é necessário encarála como um produto e isso na maioria das vezes não é fácil. Viver de arte é corromper um pouco dos nossos ideais como artistas. Betto Marx Primeira Edição 05


Essa sociedade, produto da revolução tecnológica e dos processos políticos que redesenharam as relações mundiais, já está gerando um novo tipo de desigualdade, ligada ao uso das tecnologias de comunicação que hoje mediam o acesso ao conhecimento e aos bens culturais.

manifestações da linguagem A importância da arte na educação utilizada por diversos grupos “Compreender o sentido é reconhecer, aprender a partilhar a cultura que envolve as diversas áreas do conhecimento. Um conjunto de conceitos, posturas, condutas, valores, enfoques, estilos de trabalho. Deve-se possibilitar á criança e ao adolescente compreender as diferentes linguagens das artes visuais, dança, teatro e música. Usar como meio de organização da realidade, construindo significados centrados nas dimensões de expressão, de informação e de argumentação. Esse processo exige que o aluno analise, interprete e utilize recursos expressivos da linguagem, relacionando textos com seus contextos, confrontando opiniões e pontos de vista e respeitando as diferentes 06 Primeira Edição

sociais em suas esferas da socialização.

A sociedade do século XXI é cada vez mais caracterizada pelo uso intensivo do conhecimento, seja para trabalhar,conviver, exercer a cidadania ou para cuidar do ambiente em que se vive.

Tanto a exclusão pela falta de acesso a bens, quanto a exclusão pela falta de acesso ao conhecimento são indesejáveis. A qualidade do convívio, assim como dos conhecimentos e das competências da vida escolar, será fator determinante para a participação do indivíduo em seu próprio grupo social; e para que tome parte de processos de crítica e renovação.”


Efeito Tsunami Por Andréa Alves

As Pessoas e Seus Egos “...é que Narciso acha feio tudo o que não é espelho...” (Caetano Veloso - Sampa) Incrível a necessidade que as pessoas têm em comunicar-se com seus próprios egos... travam verdadeiros monólogos com elas mesmas... mesmo que em volta haja uma multidão... disposta a dialogar... As pessoas e seus egos... os egos e as pessoas... um monólogo infindável... Insistem ainda que haja uma plateia ao redor... chegam a fazer questão... mas apenas pelo prazer de ignorá-la... apenas para que possam exaltar o próprio ego... que de tão grande... nem cabe em si... As pessoas e seus egos... os egos e as pessoas... um espetáculo desnecessário... Incontáveis são as vezes que perdemos o tempo... tentando inutilmente interagir com os grandes egos e com as pequenas pessoas que os acompanham... em vão... tempo perdido apenas... As pessoas e seus egos... os egos e as pessoas... um vai e vem de palavras sem sentido... Incompreensível e desprezível... pessoas com egos grandes e almas pequenas... mesmo sabendo que não vale a pena... contradizendo o poeta... As pessoas e seus egos... os egos e as pessoas... e todo o egoísmo que os acompanha... Insignificantes tornam-se até os amigos... pois o ego é egoísta... e não compartilha a pessoa que o pertence... simplesmente desdém quem o tem... As pessoas e seus egos... os egos e as pessoas... e o triste fim que logo vem! Primeira Edição

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Por Nágila Câmara

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Por onde elas me levarem Produto brasileiro faz 30 anos, cresce em meio à crise e é tendência para o verão

Que mulher nunca usou ou nunca ouviu falar em Melissa? As sandálias de plástico que comemoram três décadas no mercado tornaram-se alvo da cobiça de muitas mulheres no Brasil e no mundo. A marca é tida como um acessório de luxo pop e está presente nos mais importantes eventos de moda e lojas vanguardistas, principalmente em Milão, Londres, Paris, Tóquio e nos Estados Unidos. O produto brasileiro já chegou a mais de 80 países, exportando 20 milhões de pares; ao todo, a Melissa fabricou mais de 60 milhões e criou mais de 500 modelos durante a sua longa trajetória.

Caminhos percorridos A linha produzida pela Grendene, que até então fabricava embalagens para garrafões de vinho, teve como seu primeiro modelo a Melissa Aranha, lançada em 1979. Os irmãos Pedro e Alexandre Grendene buscaram inspiração nas sandálias usadas por pescadores da Riviera Francesa. E funcionou. Nos primeiros dez meses de 1980 a Aranha vendeu mais de cinco milhões de pares entre a numeração adulta e a infantil. 08 Primeira Edição

Uma curiosidade: esse modelo leva 26 segundos para ficar pronto na fábrica. Também em 1979, nasceu o merchandising na televisão brasileira. Nos pés de Sônia Braga, na novela Dancin’ Days, Melissa aparece como primeiro grande exemplo. As exportações começaram em 1982. Dois anos depois, os famosos estilistas Thierry Mugler, Jacqueline Jacobson (da marca Dorothée Bis), Elisabeth De Seneville e Jean Paul Gaultier (que volta a desenhar uma Melissa, lançada em outubro deste ano) assinaram alguns modelos, dando início a uma série de outras futuras associações com nomes conhecidos internacionalmente. Em 1986, foi a vez das Melissinhas ganharem espaço. A sandália criada para crianças vinha sempre acompanhada de um acessório, uma pochete.


a parceria com nomes conceituados, as inovações, a sustentabilidade, enfim, são inúmeros os motivos pelos quais a marca tanto seduz e consequentemente, por essas razões, dribla a crise global e cresce no mercado externo, favorecendo a economia do país.

“Cheirinho de Melissa”

Após um período de oscilações nas vendas, a Grendene adotou uma nova estratégia: a Melissa deveria deixar de ser um produto divertido (associação ao humor ocorrida quando o personagem Zé Bonitinho participou de uma campanha, em 1981) e infantil (a marca para crianças ganhou mais destaque que a original) para se tornar um ícone fashion. A reestruturação da marca começou em 1998 e aos poucos foi reconquistando consumidoras antigas e conquistando novas adeptas. Patrocinando pela primeira vez a edição de verão do São Paulo Fashion Week, em 2002, e inaugurando a “Galeria Melissa”, loja conceito da marca na Oscar Freire, rua do comércio de luxo de São Paulo, em 2005, Melissa reassume o posto de destaque na moda, dita tendências e mostra que a tentativa de reconstrução deu certo, tornando-se referência não só para o público feminino, mas também para pesquisadores de marketing. E hoje, certamente, Melissa

é um objeto de desejo de diversas mulheres.

A fórmula que a Grendene não divulga, é uma mistura de chiclete com jujubas e pirulito e todas as sandálias possuem esse mesmo cheiro.

Pisando por aí

O plástico

As Melisseiras, assim chamadas as compradoras de Melissa, não são consideradas simples consumidoras, a maioria delas é realmente fã da marca e, algumas nem usam outro tipo de calçado. O “cheirinho de Melissa”, a praticidade do plástico, a variedade de modelos e cores,

No início, o plástico utilizado era o PVC. Após anos de aprendizado e aperfeiçoamento na área, foi adotado o Melflex, um termomoldável flexível, resistente, mais confortável e suave ao toque. Além de reciclável diversas vezes, o produto não é tóxico.

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Modelos e Cores

A Sustentabilidade A política sustentável baseia-se em gastar pouca energia na fabricação, aumentar a vida útil do produto e tornar possível a sua reutilização. Melissa é totalmente reciclável, por isso, ganhou o apoio dos ambientalistas. E por não usar couro na produção, conquistou também os defensores dos direitos dos animais. Um exemplo: no início do ano, foram criadas em parceria com os irmãos Campana uma bolsa e a sapatilha Corallo, inspiradas em uma poltrona produzida pelos designers. Ambas são feitas com fios de PVC moldados à mão e colaboram com uma ONG, que lucra 1% a cada venda.

A matéria-prima favorece as diversificações de modelos e de cores. Os modelos variam entre chinelos, sandálias, sapatilhas, botas, tênis e em diferentes estilos de cortes ou moldagem. Recentemente, foram lançados modelos “flocados”, com cobertura aveludada. A cartela de cores é enorme e se altera de acordo com tendências para as estações do ano.

A Parceria Como citado, a parceria com nomes conceituados começou em 1982. Alguns dos associados ou que já se associaram à Melissa são: Jean Paul Gaultier, Thierry Mugler, Patrick Cox, Romero Britto, J. Maskrey, Alexandre Herchcovitch, irmãos Campana, Judy Blame, Karim Rashid, Vivienne Westwood e Zaha Hadid. A marca também faz associações com personagens como Betty Boop, Hello Kitty, Pequeno Príncipe, e na coleção atual, a Barbie e seus 50 anos estão sendo homenageados.

As Inovações Em comemoração aos seus 30 anos, Melissa lança um perfume e a revista Plastic Dreams. A fragrância foi criada pela casa internacional Givaudan, conhecida por sucesso como Angel, Armani Code for Him, J’Adore, L’Air du Temps, Opium e Prada Infusion d’Iris. O frasco foi desenvolvido pelo designer sueco Wilhelm Liden. A revista traz informações de moda e fala sobre a marca. A primeira edição lançada trazia a coleção Afromania e a top Agyness Deyn na capa. Em setembro foi lançada a segunda edição que tem como capa a top Kate Moss e traz a coleção Love Pirates. 10 Primeira Edição

Ponto Negativo Algumas mulheres reclamam que o plástico machuca o pé, esquenta e causa odores.

Moda Uma das tendências para o verão é o calçado de plástico, e a Melissa, como objeto de desejo, será uma das grandes beneficiadas.


Boomerang Por Florence Manoel

O Amante Patológico “Amar é ultrapassarmo-nos.” (Oscar Wilde) Aquele era um sobrado abandonado. Eu diria que quase isso, já que as paredes umedecidas, emboloradas e apodrecidas pela tristeza de séculos eram frequentemente perturbadas pelos olhos vidrados de jovens drogados ou doentes por pele e afeto. Ela chegou de camisola e salto alto, descabelada e cheia de olheiras, ainda embriagada - fruto da noite anterior. Tão linda e caótica que poderia colocar países em guerra. Devastar o mundo. Fumava e tremia, chorando copiosamente pela perda de mais um pouco de juventude. Pelo vácuo no peito. Pelo espírito acorrentado - e constantemente torturado – no frescor medíocre da carcaça humana. Pela fina linha de ouro, quase imperceptível, que a distinguia e isolava do resto do mundo – e a separava da própria sanidade. Francisco contemplava em estado de veneração aquele rosto de criança violada pelos mil monstros da infância. Podridão das podridões! Poderia jurar que ouvia música – e que era encantamento. Estava assim desde que a conhecera, afundado em um abismo emocional que batizou de “Paraíso da Dor”. Queria tocar sua face, mas teve medo de que esse desvario pretensioso se transformasse em beijos violentos, pervertendo assim a atmosfera mística que a envolvia, corrompendo o momento e o verbo e roubando as poucas cores que carregava nos olhos. Deu um giro em torno de si e percebeu que uma estranha espécie de demônio invadia-lhe o corpo. Um amante patológico. Ditador das emoções. Primeira Edição

Tirou as sandálias dela, sem perguntar de onde tinha vindo. De repente suas excentricidades já não o comoviam. O que importava era tê-la ali, mesmo que morta ou vazia de sentimentos para que ela se inclinasse sobre seu espírito em chamas e lhe concedesse um pouco de sua solidão, balbuciando coisas doentias demais, suplicantes demais. Apaixonantes para sempre. Só que aquele dia, ela pensou em esvaziar tudo para encher de novo. Em trocar a água suja do raso balde da existência. Esticou todo o rosto para dizer bem claramente que no dia seguinte não estaria mais ali. Na verdade já não estava há tempos! E não, não lamentaria o destino. Seu coração não seria dilatado. E a sombra dele não a perseguiria. Muito pelo contrario: a mente deslizaria febril e imaculada para lugares que não combinavam com a frieza vazia daquele homem que ela estranhamente parecia desconhecer: que assassinara impunemente todo seu amor com os braços curtos, incapazes de alcançar o infinito daquela alma esvoaçante e dançar com ela pelos corredores cintilantes de vertigens mágicas. Daquele homem que lhe despertava as vontades mais ostensivas e dolorosas. O avesso do abraço e da canção. Francisco não suportou a ideia e não fingiu suportar. Agiu como todo homem fraco e assassino: agarrou sua amada pelo pescoço, fez mil juras de amor, gritou chorando – e chorou gritando – e, finalmente, atirou-a pela janela, saindo correndo em seguida, com os olhos infinitamente fundos, culposos e incrédulos. 06 Primeira Edição 11


Os Piratas do Rock, é um filme divertido, colorido e com uma trilha sonora de altíssima qualidade, principalmente aos adoradores do bom e velho rock’n roll. O filme passa em 1966, quando a BBC, a maior rádio da Inglaterra tocava apenas 2 horas de rock semanais. Alguns amigos DJs se unem e montam uma rádio pirata dentro de um navio pesqueiro, que fica ancorado em alto mar. Eles tocam rock por 24 horas e começam a ser ouvidos por 25 milhões de pessoas, mais da metade da população Britânica. Romance, comédia, rock, cenas inusitadas e tudo mais que pode transformar essa película em algo divertido e que valha a penaser assistido. (por Andréa Alves) O filme baseado em um divertidíssimo Best-seller é muito interessante e prende o telespectador. Conta a história da jornalista Andy Sachs (Hathaway) que vê sua vida mudar completamente quando consegue o emprego que milhares de jovens morreriam para ter: trabalhar como assistente de Miranda Priestly, uma tirana editora de moda da revista Runway. Uma das características marcantes de Miranda é a exigência. Ela pede a Andy que arranje o novo livro do Harry Potter para suas filhas. É aí que Andy surpreende a chefe, conseguindo o exemplar. Então, Miranda a convida para ser sua assistente na Semana de Moda de Paris. Vivendo totalmente em função de sua chefe, Andy vê sua vida pessoal esquecida. (por Isabeli Baruffaldi)

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Vencedor do Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano passado, o filme retrata a rotina do professor de francês François Marin (François Bégaudeau) e dos seus alunos que tem entre treze e quinze anos. O filme que é baseado no livro homônimo de François Bégaudeau expõe a crítica e chocante realidade enfrentada diariamente por um professor dentro do cotidiano de uma sala de aula. Os diálogos foram improvisados pelos próprios atores sem um roteiro em mãos e a linguagem utilizada é um dos elementos essenciais para a máxima expressão da realidade na obra. (por Florence Manoel) O filme que conta a fonte de inspiração do criador de Peter Pan, James Matthew Barrie, é tão doce e encantador quanto a história em que culminou. Os assuntos são tratados com leveza e, por essa razão, mexem com a imaginação do espectador. A maneira com que James (Johnny Deep) conduz o menino Peter a sonhar novamente é mágica. O desfecho comove o público e, possivelmente, arranca-lhes lágrimas. Um pouco da história: James é um renomado escritor de peças teatrais. Como sua última criação não havia agradado ao público, ele leva seu cão Porthos para passear no parque, onde conhece uma família de quatro meninos e sua mãe. Logo, James encontra neles a inspiração de que precisava para escrever sua nova peça, Peter Pan. (por Nágila Câmara)


Tudo o que você não soube, é um relato comovente e dramático de uma mulher que teve a adolescência interrompida por um ato monstruoso e impensado. Mas quem no fundo, depois de conhecer sua intimidade conseguiria condená-la? Hoje, a única coisa que a preocupa é relatar ao pai, moribundo, como foram os últimos anos de sua vida e que “ela não foi uma babaca, mas sim uma doidona”. Fernanda Young relata os fatos com tamanho realismo que em certos momentos ficamos na dúvida se criadora e criatura não são realmente as mesmas pessoas e se ao invés de uma obra de ficção, não seria esse um livro biográfico. Descubra se você também poderia ser essa personagem. (por Andréa Alves)

Crazy Cock é um dos livros autobiográficos de Henry Miller, que começou a ser escrito em 1927, mas só foi redescoberto em 1988 por Mary V. Dearborn, biógrafa do escritor. O romance tem como foco os conflitos do aspirante a escritor Tony Bring, que passa a fazer parte de um peculiar triangulo amoroso quando sua ca, recém saída de um sanatório, mulher leva uma artista plástica para viver com eles. Os três personagens são figuras desequilibradas e com tendências suicidas. Henry Miller foi um romancista brilhante e extremamente inovador, e Crazy Cock é um de seus primeiros livros. Apesar de ser anterior ao estilo abstrato e caótico adotado por Miller, a obra possui importante valor histórico além de uma narrativa altamente instigante. (por Florence Manoel)

No livro, Esmeralda havia acabado de conseguir um emprego numa floricultura, quando foi seqüestrada por ser confundida com a filha de um milionário e, levada à uma igreja abandonada. A pergunta que fazia a si mesma era: quem poderia salvá-la? Antes disso, a jovem ficou amiga de seu Arruda, motorista da família rica, que quase a atropelou. Ela cumprimentava-o todos os dias quando ele levava as crianças à escola. Este, por azar, também foi seqüestrado. Na igreja abandonada, ela sofre várias agressões e descobre que um rapaz, cujo apelido é Bicho-Preto, a vigia. O suspense e a tensão tomam conta da história, e a jovem fica à espera de um resgate que jamais será pago. É um livro emocionante e vale a pena ler! (por Isabeli Baruffaldi)

O livro conta a história de Liesel Meminger, uma “roubadora” de livros que vivia na Alemanha no período de Hitler e da Segunda Guerra Mundial. A mãe de Liesel, vendo a sua família ameaçada, vê como saída entregar a menina e o filho Werner para adoção. O menino não resistiu a viagem e morreu no caminho de Molching. Durante o enterro, a garota rouba o seu primeiro livro: Manual do Coveiro. Em Molching, ela vai morar com os Hubermann, na rua Himmel, e conhece Rudy Steiner, seu companheiro de aventuras. O mais interessante do livro é quem o narra: a Morte. A maneira como ela descreve os acontecimentos e o modo como os vê, prende o leitor. Concordando com as palavras estampadas na capa, “Quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler.” (por Nágila Câmara)

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Por Isabeli Baruffaldi

Diversão na Profissão Pagodeiros S/A trilha seus caminhos em busca de sucesso

Eles são jovens e conhecidos em Catanduva e região por tocar o melhor do samba e do pagode. O grupo Pagodeiros S/A foi formado há um 1 ano e 10 meses. Em janeiro deste ano, a formação nova ficou com seis integrantes: Caio, Tiago, Edinho, Fedo, Gui e Gabriela. O produtor do grupo, Eduardo Zerbinatti acha diferente a presença de uma mulher em um grupo de pagode. “É muito bom ter uma presença feminina no grupo, dá um ar diferente dos pagodes que estamos acostumados ver, além de atrair mais público por onde passamos”, comenta o produtor. Eles começaram a tocar por amor, afinal, fora dos palcos cada um dos integrantes trabalha numa área completamente diferente, mas fazem o melhor de si para levar a alegria ao público, mesmo com a correria do dia-a-dia, eles não descartam a possibilidade de se tornarem conhecidos nacionalmente. “Fazemos música por amor, gostamos de tocar samba e 14 Primeira Edição

pagode e queremos nos tornar conhecidos nacionalmente”, diz Eduardo. Com pouco tempo de carreira, o grupo tem várias histórias engraçadas para contar. “Uma vez uma fã foi no show que fizemos na cidade de Bebedouro, e se perdeu no caminho, mesmo assim não desistiu de chegar ao show do S/A”, conta

o produtor, sorrindo ao lembrar-se do fato. E não foram só os fãs que marcaram a trajetória do grupo com histórias engraçadas, alguns integrantes também costumam pagar algum mico no palco, o mais engraçado e talvez inesquecível para o grupo foi em um show que fizeram em Itajobi. “Nesse show, tinha uma música com coreografia, ai chamamos o Caio para ensinar a galera. Mas

a dança dele foi tão engraçada que ninguém no palco aguentou e começou a rir e não parou mais. O resto do show todo mundo ficava rindo, lembrando do mico que ele pagou”, conta o produtor. O grupo participou este ano, pela primeira vez, da FECIC (Feira Comercial e Industrial de Catanduva) onde aproveitou para gravar o primeiro DVD, intitulado de Pagodeiros S/A – Toda Pra Mim, nome também de uma das músicas de trabalho do grupo. O público poderá conferir também, músicas como ‘Valeu’, ‘Desengano’, ‘Faz um Milagre em Mim’, entre muitas outras. O lançamento oficial do DVD será no dia 12 de dezembro, no Palestra, em Rio Preto, onde participarão de um show marcante, junto com o grupo Exaltasamba. Após a gravação e o lançamento do DVD, o grupo já planeja gravar no começo do ano que vem o primeiro CD, com músicas inéditas.


Pagodeiros S/A Caio

Fernando

Guilherme

Apelido: Tarso Estado civil: Solteiro Hobby: Tocar Time do coração: Corinthians Música: O amor venceu Frase: Eu te amo e sempre vou te amar Comida: Lanche Perfume: 212mem Cor preferida: Preto Lugar preferido: Natureza Uma viagem: Ao mundo a fora Cantor preferido: Seu Jorge Cantora preferida: Perlla

Apelido: Fedo Estado civil: Solteiro Hobby: Futebol Time do coração: Corinthians Música: Megastar Frase: Enquanto não encontro a pessoa certa me divirto om as erradas Comida: Feijoada Perfume: Doce Cabana Cor preferida: Preto Lugar preferido: Minha casa Uma viagem: Fortaleza Cantor preferido: Belo Cantora preferida: Ana Carolina

Apelido: Gui Estado civil: Solteiro Hobby: Violão Time do coração: Palmeiras Música: Recomeçar do zero Belo Frase: Eterno e aprendiz Comida: Lasanha Perfume: Hombre Cor preferida: Branco Lugar preferido: Palco Uma viagem: Praia Cantor preferido: Belo Cantora preferida: Alcione

Eder

Gabriela Apelido: Edinho Estado civil: Namorando Hobby: Samba de roda Time do coração: São Paulo Música: Todas de samba Frase: Que Deus abençoe a todos Comida: Feijoada Perfume: Spirit Vip Cor preferida: Verde Lugar preferido: Casa de samba Uma viagem: Rio de Janeiro Cantor preferido: Belo Cantora preferida: Negra Lee

Apelido: Gabi Estado civil: Solteira Hobby: Musica Time do coração: Palmeiras Música: Agenda Frase: Ninguém é perfeito Comida: Pizza Cor preferida: Vermelho Lugar preferido: Meu quarto Uma viagem: Praia Cantor preferido: Tiaguinho Cantora preferida: Alcione

Tiago Apelido: Tiaguinho Estado civil: Solteiro Hobby: Grupo Time do coração: São Paulo Música: É nós de novo Frase: Viemos esperando dias melhores Comida: Feijoada Perfume: Azzaro Onyx Cor preferida: Preto Lugar preferido: Casa de show Uma viagem: Praia Cantor preferido: Tiaguinho Cantora preferida: Beth Carvalho

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Dedo de Moça Por Nágila Câmara

Particularmente íntimo Ela estava lá. Sim, ela estava lá! Nunca estivera tão segura de si como estava naquele momento. Ali, parada como uma estátua num jardim, talvez aquele fosse o seu jardim particular, o seu próprio eu dando sinais de que ainda estava vivo, que ainda havia alguma esperança. E mesmo assim ela tentava encontrá-lo, tentava de todas as maneiras encontrar aquele que lhe prometeu a vida, aquele que lhe prometeu o impossível, aquele que ela nunca encontrou. Louca? Não, ela não estava louca... Apenas buscava desesperadamente e assustadoramente numa mistura contraditória de encantamentos naturais... tudo era tão sedutor, tão alucinante, que chegava a ser perturbador. O que ela buscava? Nem ela mesma sabia, e, acho que jamais saberia.

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Nela tudo era confuso, tudo era noite sem estrelas, nem lua. Ela queria muito ver o sol, desejava imensamente o seu pequeno raio de sol, ela clamava pelo seu brilho e pelo seu misterioso poder de serená-la. Para alguns a noite tem esse poder, mas para ela não, a sua vida era incrivelmente parecida com uma noite cheia de névoas e toda obscuridade inimaginável; as noites silenciosas não mais faziam parte daquele seu universo íntimo. Era o sol que iluminava o seu caminho na procura daquele que a esquecera. Perdido no mundo ou perdido no espaço, não importava, ele somente tinha que aparecer, mostrar-se para ela em sua plenitude e, principalmente, em sua complexidade. Um mero mortal imortalizado, apenas e exclusivamente para ela. A única certeza, o único suplício era ficar ali, somente ali, estática, naquela noite sem fim, esperando ele chegar, aquele que nunca chegaria.


Por Andréa Alves

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Big Brother Brasil Dê uma espiadinha e descubra alguns segredos que você não viu na TV

Big Brother no Brasil

O reality show Big Brother Brasil caminha para sua 10ª edição e ainda continua sendo o programa de maior audiência na televisão brasileira. Quando o primeiro programa foi ao ar no dia 29 de janeiro de 2002, as pessoas pararam em frente as suas TVs para verem o que era aquilo, quem eram aqueles malucos, que ficariam trancados por 64 dias em uma casa com xx câmeras, vigiados 24 horas por dia e observados por todo o Brasil. Passada a euforia inicial, os telespectadores começaram a tomar partido pelos participantes, cada pessoa tinha o seu preferido, os critérios eram os mais diversos, uns achavam que determinado participante era merecedor por ser mais “pobrinho”, outros achavam que o merecedor era o mais engraçado, outros a gostosona da casa e por aí iam os palpites. O felizardo foi Kleber “Bambam”, o dançarino de origem humilde, que era satirizado pelos outros participantes por ter o sotaque caipira e uma inocente ingenuidade, até hoje posta em dúvida. Bambam saiu da casa no dia 2 de abril, sendo aclamado como um verdadeiro herói. Um helicóptero o esperava, onde acompanhado por André Marques iria direto aos estúdios do Programa do Jô para a sua primeira entrevista, de muitas que viriam, como o primeiro ganhador do BBB.

Na 2ª edição, venceu novamente um rapaz do interior, provando que o Brasil se rendia à simplicidade e ao carisma do ‘caipira’. Rodrigo Leonel, o Cowboy, sagrou-se o campeão, graças também a Nossa Senhora Aparecida, mas não por se tratar de um milagre, mas sim pelo fato de o moço ter declarado sua árdua devoção à Santa mais popular do Brasil. Eis que chega o BBB 3, e a visão dos ‘juízes’ começa a mudar. André Dhomini é descaradamente o tipo safado; quando entrou na casa, mantinha um longo namoro, mas isso não o impediu de flertar com uma das participantes, com a qual manteve um relacionamento dentro da casa e que teve continuidade quando saiu, já como o campeão desta edição. E para a surpresa de todos, na quarta edição, a vencedora foi uma mulher, Gecilda, ou simplesmente Cida, que havia entrado na casa por um sorteio de uma revista, que na época era vendida para que qualquer pessoa tivesse a chance de entrar na casa mais vigiada do país. Nessa edição, volta os critérios anteriores ao Dhomini, e ganha a participante que segundo os telespectadores precisava mais do dinheiro. O professor Jean Willys foi o vencedor do quinto programa, sendo o primeiro a ganhar o prêmio de 1 milhão de reais. Intelectual, devoto de Primeira Edição 17


São Jorge e assumidamente homossexual, o que segundo alguns foi um dos fatores de sua vitória, já que a comunidade gay mobilizou-se para mantê-lo na casa e provavelmente para fazer dele o grande vencedor. Como no BBB 4, a 6ª edição teve uma mulher como vencedora, Mara, assim como Cida era de origem humilde e entrou na casa por pura sorte. A baiana é considerada a vencedora mais bem sucedida, entre todas as edições, em termos financeiros. Ela investiu boa parte de seu milhão em imóveis e em diversos setores ligados ao comércio, no interior da Bahia, onde vive até hoje. Depois de oscilações, o vencedor da 7ª edição é um homem de classe média alta, viajado, culto, bonito e declaradamente sem-vergonha. Diego Alemão manteve um triângulo amoroso dentro da casa, chamou para a briga quem o desafiava e declarava para quem quisesse ouvir que estava lá apenas para se divertir. Esse paulista de Osasco venceu, talvez, a edição mais quente entre todas. Começava, então uma nova tendência, nada de ‘pobrinhos’ e coitadinhos, o Big Brother é um jogo e a partir daí venceria o melhor jogador. Rafinha conquistou as adolescentes e se manteve longe de confusões, sendo essa sua tática para chegar à final. Ele jogou de um jeito mais discreto, de temperamento calmo, foi ‘comendo pelas bordas’ e abocanhou o prêmio do BBB 8. A nona edição começou com muitas novidades, já mostrando qual seria o clima dessa vez. Em princípio, os participantes foram separados em dois lados, o A e o B, o que já fez com 18 Primeira Edição

que se formassem as tais ‘panelas’ que acontecem em todas as edições. Dois sexagenários participaram do programa, dois casais passaram uma semana em uma casa de vidro em um shopping, sendo que apenas um casal foi escolhido, por voto popular, para participar do BBB e bem no meio do programa mais um casal entrou na casa, o que provocou um certo furor. Além do surgimento do apavorante quarto branco. Max Porto, declaradamente jogador, desde o primeiro dia era apontado como o vencedor. Entre idas e vindas de vários paredões, ele sagrou-se campeão por uma pequena porcentagem da segunda colocada: Priscila Pires. As inscrições para a décima edição já estão abertas e se especula que a décima primeira, quando o programa completará 10 anos, será recheada de grandes surpresas; uma delas é a possibilidade da casa ser composta de ex-participantes de edições anteriores. Ao melhor estilo Pedro Bial, que tal agora dar ‘aquela espiadinha’ em toda a matéria?

Big Brother no Mundo Segundo a empresa Endemol, a criadora do Big Brother, hoje são 42 países que fazem a sua versão do programa. Em 2002, quando o Brasil fez sua primeira edição, eram apenas 19 países. A grande inspiração do nome Big Brother – Grande Irmão - vem do livro “1984”, escrito pelo inglês George Orwel, onde todos os moradores de uma cidade são monitorados por câmeras. O programa foi criado em 1999, na Holanda, e foi ao ar no dia 16 de setembro no canal Veronica, onde bateu índices de audiência assustadores. Desde então, o programa virou sinônimo de sucesso, fama instantânea e entretenimento por todo o mundo.

Inscrições As inscrições podem ser feitas pelos correios ou pela internet, a forma mais popular atualmente. Inscreva-se no site: www.globo.com/bbb, informando todos os seus dados, como nome completo, idade, CPF, etc. Assim que o cadastro for preenchido, você terá acesso as perguntas que devem ser respondidas de forma direta, criativa e inteligente, é a partir delas que começará a seleção. No site 8p, deverá colocar um vídeo, conforme as especificações do regulamento. Poderá colocar fotos e interagir com os outros candidatos. O prazo termina dia 31 de outubro. “Segue teu sonho e seja feliz”, como diria Ralf Krause.


O cowboy do BBB

Rodrigo soube como administrar seu prêmio, mas isso não quer dizer que esteja com a vida mansa. O Cowboy apresenta um programa na TV local, faz participações em eventos e viaja constantemente ao estado de Goiás, onde mantém uma f azenda. Mesmo na estrada, Leonel fez questão de arrumar um tempo pra dar essa a entrevista, provando mais uma vez, que nunca deixa os amigos na mão, mesmo sendo o famoso Cowboy do Big Brother Brasil. Qual a dica para ganhar o BBB? Você tem que ser você mesmo e evitar ficar se metendo em briguinhas lá dentro. O resto é o povo quem decide.

No melhor estilo “caipira pirapora”, Rodrigo Fraga Leonel conquistou a segunda edição do reality show Big Brother Brasil. Sua frase “Firma daí, que eu firmo daqui.” foi uma de suas marcas registradas na casa mais vigiada do país. Em junho de 2002, o Cowboy, como ficou conhecido, entrava pela porta do BBB com o pé direito, usava uma camisa xadrez azul, calça jeans, botas, fivela prateada e um chapéu com a imagem de Nossa Senhora Aparecida em seu interior. Foi assim que começou a saga de Rodrigo no programa, alguns familiares apostavam que ele não passaria da primeira semana, mas contrariando todas as previsões chegou à final e faturou o prêmio de 500 mil reais. Não há um lugar que ele passe, onde não seja reconhecido até hoje. Isso sem citar a imensa popularidade que, esse moço de Ribeirão Preto, tem entre os apaixonados por rodeio. Ele não consegue dar um passo sem que seja parado, na Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, onde frequenta desde antes da fama, é assediado principalmente atrás dos bretes, seu lugar preferido em todo o parque.

Nas edições depois da sua já colocaram mais dois ‘cowboys’, mas todas as vezes que é citado ‘O Cowboy’ do BBB, é você quem é lembrado. A que você atribui esse fato? Acho que é porque eu fui o primeiro a aparecer de chapéu e bota no programa. Está sendo cogitado que na 11ª edição haverá a participação de alguns ex-BBB. Você toparia participar novamente do programa? Nem estava sabendo disso. Mas é melhor esperar pra ver. Quem sabe...

Esse caipira sangue bom, vive cercado de amigos e não dispensa uma boa prosa, ainda mais se for acompanhada de um churrasco e muita diversão. Primeira Edição 19


Espalhado e misturado, assim é Zulu Marcelo Santos Martins Gomes, conhecido pelos amigos e fãs apenas por Zulu, aos 29 anos, no alto de seu 1,77m (“isso mesmo, 1,77 na TV parecia muito mais alto”… diz Zulu) e 88 kg esse carioca de Niterói é puro sorriso e simpatia. Contrariando a imagem já batida de que lutador tem pinta de Bad Boy, ele faz amigos por toda parte, dono de um humor peculiar atormenta todos que o cercam, mas mesmo assim não há que não goste dessa figura. Depois de ficar conhecido nacionalmente pela participação do reality show Big Brother Brasil 4, Zulu chama a atenção em qualquer lugar por onde passa, sendo assediado constantemente por fãs de todas as idades. Membro titular da Seleção Brasileira de Luta Olímpica desde 2000, ele viu no programa a oportunidade que faltava para tentar o sonho olímpico.

“Ser atleta é um estilo de vida, saber perder, se preparar pra vencer e acima de tudo respeitar seus adversários.”

Muitos o criticaram quando abandonou a faculdade de Engenharia de Telecomunicações, que cursava na Universidade Federal Fluminense, para ingressar, talvez na mais louca das aventuras de sua vida, participar do Big Brother, mas o que poucos sabiam era que seu verdadeiro sonho não era a fama e muito menos tentar a vida como artista, o que Zulu sonhava, na verdade, era divulgar o seu esporte e conseguir patrocínio para os Jogos Olímpicos de 2008. E quando tudo parecia estar se normalizando, ele decide então largar sua casa, seus amigos e toda a estabilidade que possuía para correr atrás de outro sonho, no ano de 2006 mudou-se para Curitiba, a convite do seu grande amigo Buba para treinar MMA – Mixed Marcial Arts, em uma das mais bem conceituadas academias do país.

“Participar do BBB é uma experiência incrível de vida. convivência, disputa, fama, dinheiro, tudo misturado numa só casa!” 20 Primeira Edição

Zulu adotou a capital paranaense, como seu novo lar, mas sempre que pode voa para Niterói onde mata a saudade da família e dos muitos amigos que ainda tem por lá, a maioria deles, conquistados ainda na infância. Dono de bom humor e otimismo impressionantes, Zulu nasceu de bem com a vida. Mesmo quando ‘a parada tá sinistra’ – como diria ele mesmo, não há o que o derrube. Estar ao seu lado é certeza de boas vibrações e infinitas gargalhadas. Disciplinado, persistente, valente, guerreiro e extremamente cara de pau, esses são alguns dos adjetivos que podem defini-lo. Quando perguntado se era mulherengo, lembrando a ele o fato de ter dado em cima de todas as mulheres da casa quando estava confinado, ele simplesmente cai na gargalhada e diz que ali era muito mais brincadeira do que dar em cima. Marcelo Zulu é muito mais do que um ex BBB, é o melhor atleta do Brasil na sua categoria e boa praça do começo ao fim.


Quando perguntada se ser uma ex-BBB a incomoda, ela dispara: “Serei sempre grata por ser ex-BBB. Posso provar que sou capaz de qualquer coisa com caráter e perseverança. Preconceito já era. Todo mundo pode tudo. E eu posso me tornar uma grande apresentadora, ser exBBB faz parte do meu currículo e do meu passado, o Brasil me conheceu lá.” Ela não tem papas na língua e fala o que dá vontade.

Jaque Khury, a musa

“As pessoas que estão na TV querem ser queridas pelo público, isso é normal. Mas no BBB tem um milhão em jogo, e as pessoas podem sim alterar a personalidade para ganharem, é um jogo!”

“Refletindo sobre a vida, percebi que poucas pessoas têm o privilégio de perceber a dádiva que receberam de Deus: a sua própria Vida. Feliz de quem vive com o que tem, sendo feliz com o que é! Aproveite a vida, pois ela é uma só!

Jaqueline Khury, ou Jaque, foi considerada a musa do BBB 8. Ela afirma que um dos motivos que a levou a participar do reality, foi a possibilidade de ter mais trabalhos como modelo. Atualmente apresenta um programa de games na RedeTV, “Vou investir onde eu tiver oportunidade”, diz Jaque. É atriz há 8 anos, mas se queixa de nunca ter tido a chance de atuar, “tive a chance de me mostrar como apresentadora e estou amando, quero aprender cada vez mais e seguir com um programa maior, com mais variedades”, comenta.

“Amizade de BBB é como amizade de colégio, só dura enquanto temos aula, ou no caso, enquanto estamos no programa. Depois cada um segue sua vida, mas tenho contato com muitos.”

Sou Jaque Khury, com muito orgulho.... De quem sou, De onde vim, Do que já fiz, De quem me criou LOVE & PEACE Only God can judge me “

Uma de suas grandes paixões, é o Corinthians. Todas as vezes que pode acompanha os jogos do Timão. Jaque Khury, é considerada uma das musas do seu time do coração. Mas além do futebol, ela também destaca a escola de samba Gaviões da Fiel. “O carnaval é ótimo porque o sambódromo parece um estádio quando a Gaviões desfila. Unir samba e futebol de primeira... só o Corinthians”, ressalta a corinthiana. Primeira Edição 21


o que o intimide com facilidade, é adepto de esportes radicais e ligeiramente viciado em adrenalina. Está em um momento, em que descansar é um verbo inexistente em sua vida. Todos os dias sua agenda está lotada, mas não reclama, diz estar se divertindo e fazendo contatos profissionais importantes. E certamente, em breve, ele poderá confirmar que nem sempre o vencedor do BBB é o que mais se destaca depois que sai da casa.

Dica de Vídeo

Your name is Ralf Paulistano, 33 anos, empresário, piloto, participante do BBB 9, corinthiano roxo e taurino autêntico, Ralf Krause Reis Machado, é a grande prova, de que existe sim vida inteligente, e diga-se de passagem, muito inteligente no Big Brother Brasil. Simpatia, bom humor e lealdade são suas características mais marcantes. Porém, não o tirem do sério, defende suas opiniões e seus amigos com unhas e dentes, mas sempre com argumentos coesos e de forma pacífica, o que é comum aos praticantes da milenar arte do yoga. Se define como um híbrido de católico, espírita e budista. Ele foi um dos grandes estrategistas do BBB 9, declarando a quem quisesse ouvir que não estava ali a passeio. Seu vídeo de inscrição para o programa, continua sendo um sucesso de popularidade no site Youtube. A abertura, com o in22 Primeira Edição

sistente, “my name is Ralf”, além de hilário, produz um efeito de mensagem subliminar. Ralf é um homem focado, nada o desvia de seus objetivos, talvez seja essa uma qualidade adquirida na época em que era militar, é um visionário, busca sempre novos desafios, não há

Segundo Ralf, o candidato tem que fazer um vídeo curto, em que consiga se vender em poucas palavras. “Pense como se fosse um comercial de TV, em que você tem que vender um produto em 30s ou 1 min. Eles querem ver a sua desenvoltura, a sua expressão corporal e verbal. Relaxa, seja você mesmo e faça alguma coisa bacana e que possa empolgar a banca examinadora do BBB.”


This is Ralf

________________________________________________________________________________________ Durante um ano você serviu o exército. Essa esolha foi sua? Com 15 anos decidi que não iria me livrar do exército. Então eu procurei saber onde seria mais interessante, onde eu iria aprender mais dentro das forças armadas. E aí alguns amigos mais velhos me indicaram o caminho do CPOR – Centro de Preparação de Oficiais da Reserva. É uma maneira de durante o período obrigatório você poder se formar em Tenente do Exército que nada mais é que a formação de um gerente militar. Ao completar 18 anos eu me alistei e pra minha surpresa fui dispensado por excesso de contingente. A única maneira de eu fazer o exército era me voluntariando. Decidi então me voluntariar, entrei no CPOR, lá dentro escolhi armas de cavalaria, me apaixonei pela atividade e pela quantidade de conhecimento que eu estava adquirindo. Dediquei-me fisicamente e intelectualmente e no final me consagrei com uma medalha do Prêmio Corrêa Lima, pelo primeiro colocado do curso de cavalaria de 95, recebendo minha medalha do general de divisão dentro do ginásio do Ibirapuera. Foi o primeiro momento em que tive orgulho de mim mesmo, o primeiro que tive orgulho de mim como homem. Passado o susto do seu princípio de enfarte, foi que você decidiu se inscrever no programa? Esse foi um dos motivos na verdade que me impulsionou a querer buscar outros caminhos na vida. Eu me sustento desde os meus 20 anos de idade, então não poderia me dar ao luxo de parar de trabalhar pra fazer uma escola de atores ou qualquer outra coisa sem estar ganhando dinheiro para me manter. Precisava de algo que movimentasse minha vida em pouco tempo e que me abrisse um novo caminho. Vi no Big Brother essa possibilidade. Gostava do programa e me sentia tranquilo pra em quaisquer situações dentro da casa eu deixaria uma boa imagem. Depois de 6 anos de terapia, alguns anos de budismo e yoga eu acho que me conheço suficientemente bem para saber que mesmo em estado de embriagues e monitorado 24 horas por dia eu seria o mesmo Ralf de sempre.

Por que na final do BBB, quando fizeram edição dos melhores momentos de todos os participantes, não houve uma edição sua, um vídeo seu? Assim como ninguém entende que todos os sites de pesquisa diziam que eu permaneceria na casa e, mesmo quando o Bial disse que as votações estavam encerradas e os sites ainda mantinham essa preferência, eu saí com 64% dos votos. E mesmo na edição final colocando Mirla, Alexandre e Michelle como moscas mortas e se eles foram moscas eu que não fui editado sou o que? Coisas que não dão pra entender... Por que nessa edição vocês não usavam óculos de sol? Todos nós levamos os óculos , mas na última hora fomos proibidos de usá-los. Para que as expressões não fossem maquiadas e os telespectadores pudessem ver os nossos olhos. Sucesso e fama caminham juntos? Você pode ser famoso fazendo coisas ruins, vemos quantos políticos e criminosos ficam famosos fazendo coisa errada eles estão bem longe do sucesso. Mas se você junto com o sucesso consegue ter fama você consegue transmitir para um número muito maior de pessoas alguma coisa de bom que você faz e algum exemplo bom que você pode dar.

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Existe, sim, vida inteligente no Big Brother Brasil Quando falamos do reality show Big Brother Brasil, logo vem à mente, homens e mulheres com o corpo esculpido e com a cabeça vazia, Caímos no velho ditado, “por fora bela viola, por dentro pão bolorento”. Porém, engana-se quem pensa dessa forma. O programa é sim um show de narcisismo, mas também é um jogo onde a inteligência é o seu principal aliado. Não seria um preconceito afirmar que uma pessoa não possa ser bonita e inteligente ao mesmo tempo? Se inteligência não é o forte do programa, como se explica a vitória de André Dhomini, Diego Alemão e Max Porto? Participantes como o Dr. Rogério Padovan, Dr. Marcelo Arantes e Ralf Krause, se não fossem inteligentes, como montariam verdadeiras táticas de guerrilha, já que foram dentro da casa, reconhecidamente grandes estrategistas? O Big Brother nada mais é do que um War televisivo, onde os participantes recrutam aliados, montam estratégias para eliminarem os inimigos e vão ganhando território, que nesse caso são os telespectadores, cada um deles pode ser considerado como um país conquistado. Se formos preconceituosos ao ponto de acharmos que uma pessoa que possui beleza não pode ser inteligente, podemos então, até imaginar que se nos fosse possível teríamos que optar entre beleza e inteligência, 24 Primeira Edição

isso quer dizer que cada um de nós teríamos que admitir que somos feios ou somos burros. Contraditório, não acha? Então, em um anúncio de emprego, quando se lê no jornal que, além de um bom currículo, precisa-se também de boa aparência, toda a população seria inapta de preencher qualquer vaga. Quando um participante do programa mostra-se inteligente e declara que sua maior estratégia para vencer o reality é usar a inteligência, já é visto com outros olhos pelos mesmos telespectadores, que acusam ser o Big Brother um show de exibicionismo. Analisando o caso de participantes como Dr. Rogério Padovan (BBB 5), Dr. Marcelo Arantes (BBB 7) e Ralf Krause (BBB 9), notamos nitidamente que, quando se mostraram estrategistas e líderes natos, foram imediatamente colocados no paredão pelos participantes que se sentiam ameaçados e em seguida foram excluídos da casa pelas pessoas que consideram ser este um programa de futilidades. Vai entender!

Em contraponto, temos as vitórias de André Dhomini (BBB 3), Diego Alemão (BBB 7) e Max Porto (BBB 9), que foram inteligentes o suficiente para não demonstrarem tanta inteligência no começo do jogo. Fizeram-se de injustiçados e perseguidos, já que o trio citado bateu recordes de paredão em suas edições, sendo que apenas nos últimos instantes é que deixaram transparecer que tudo era um jogo, um jogo de carisma, um jogo de estratégias bem definidas e bem sucedidas. Como podemos dizer que são desprovidos de inteligência depois de literalmente “levarem no bico” todo um país? Isso é para poucos, meus caros! Temos de aceitar que os fatos falam por si e, apesar de haver vários critérios para a escolha dos participantes do Big Brother, é certo que muitos são escolhidos sim pela beleza, afinal, ninguém quer ver gente feia na TV, mas muitos outros são escolhidos também, além da beleza, pela inteligência, que é o principal fator que os fazem ser notados pelo grande público.

Diego Alemão “O prego que se destaca é o que leva mais marteladas”


Aos olhos de quem não vê

com algum deles, temos a liberdade de chamálos pelos apelidos, de dar conselhos e de achar que eles realmente são nossos ‘grandes irmãos’. Essa é a magia, essa é a química, a proximidade, a veracidade dos fatos, tudo o que eles têm, nós também temos, tudo o que acontece dentro da casa, pode acontecer dentro de qualquer outra casa, inclusive dentro da nossa, caso tivéssemos tantas pessoas convivendo conosco, ainda mais sendo elas de regiões diferentes, com culturas diferentes.

O Big Brother Brasil é um dos programas televisivos que mais gera polêmica. Muitos dos considerados intelectuais acham ser este, um show de aberrações. Mas o Big Brother, nada mais é do que um programa de entretenimento, onde pessoas comuns, como qualquer um de nós, têm a coragem de se expor para todo um país, mostrando suas fraquezas, suas dores, seus sonhos e todos os defeitos e qualidades que qualquer um pode ter.

Vamos parar de pré-conceitos e de preconceitos e simplesmente vamos nos divertir com o reality show mais popular do mundo e com todos os participantes que fazem loucuras para realizarem o sonho de serem vistos por todos nós. Agora, basta esperarmos o próximo programa, para dar ‘aquela espiadinha’...

Talvez seja esse o segredo do grande sucesso que é o BBB, em todas as edições, sempre tem aquele participante ao qual nos identificamos, ao qual achamos que poderíamos estar no lugar dele, sempre aquele pelo qual nos apaixonamos e sentimos ódio. Cada um deles tornam-se tão próximos, fazem tanto parte de nossas vidas, nesses quase 3 meses de confinamento, que quando nos deparamos Primeira Edição 25


Blá Blá Blá Por Isabeli Baruffaldi

Amor Interrompido Manhã de primavera, a pequena cidade acorda cheia de flores e as três amigas correm para pegar o ônibus para ir à escola. Débora na noite anterior tinha brigado com o namorado, que havia chegado em sua casa soltando fumaças, mais uma vez sem motivos. Há meses Débora vinha estranhando o comportamento de Vitor, jovem aparentemente com 20 anos, moreno, alto, olhos verdes e sempre preocupado com a aparência, pois não perdia um dia na academia. Débora por sua vez era meninona, estava no último ano do ensino médio e ainda não sabia o que ia fazer depois. Morena dos cabelos cacheados, tão cacheados que até o pente enroscava, baixa e magra, muito magra. No começo Vitor era mais divertido, romântico, sempre surpreendia Débora com buquê de rosas vermelhas – o que deixava suas amigas morrendo de inveja -, ele era mais companheiro e sempre fazia as vontades da namorada. No caminho à escola, Débora começa a contar as amigas o acontecido. Rafaela por sua vez, nem espera a amiga terminar e já indaga: - Já falei pra você largar. Se ele está fazendo tudo isso é porque não quer mais e também não tem coragem de te deixar, está esperando você colocar um ponto final no namoro– fala a amiga para Débora. Rafaela sempre foi assim, desde o começo não gostava de Vitor, achava ele chato demais, porém muito lindo para a amiga. Ela tem gênio forte, até demais, é patricinha, gosta de ver as pessoas aos seus pés, fazendo suas vontades. Loira do cabelo escorrido e de franjinha na testa, olhos azuis, magra e alta, até parece uma boneca. Rafaela fala o que vem a cabeça e quando não gosta de uma pessoa, não gosta e ponto final. ¬- Mas como eu vou largar dele, se já estamos juntos há anos e pensávamos até em casar? – fala Débora. 26 Primeira Edição

- Como vai largar dele? Largando Débora! Pára de ser tonta, ele não quer mais você, já deve estar em outra. Afinal já faz tempo que você reclama das brigas sem motivos – reponde Rafaela. Manuela por sua vez, é contrária a afirmação de Rafaela. Como ela é toda meiga e não vê maldade em nada, acha que Vitor está fazendo isso porque está com algum problema. - Calma! – diz Manu à amiga que já está aos prantos com as palavras de Rafaela. - Namoro é assim mesmo. O que está acontecendo é fase. Namoros, casamentos são assim mesmo! Eu sempre ouço minha mãe dizer isso, quando briga com meu pai. Não há motivos para ficar assim – fala Manuela. O ônibus chega à escola e as três amigas descem. No intervalo a discussão continua. Débora não consegue falar nada, só chora. Manuela tenta acalmá-la dando conselhos a amiga. Já Rafaela continua pondo mais lenha na fogueira, pois acha que o namoro acabou. Só que ambas as partes estão sem coragem de falar o ‘chega’ final. Na saída Débora e Manuela esperavam o ônibus na frente da escola e se perguntavam cadê Rafaela, que por um instante que as amigas pararam para ir ao banheiro, Rafaela deu no pé, sem dizer aonde iria. Débora ao olhar do outro lado da praça, que havia em frente à escola, avistou a amiga, dentro de um carro preto, quase igual de Vitor, espera ai, mas era o carro de Vitor! E foi ai que descobriu o porquê da amiga querer o fim do namoro dos dois. Rafaela era quem tinha provocado o fim do amor que o casal sentia um pelo outro, e acabado com a vida da amiga, que morreria por Vitor.


“Mais do que máquinas, precisamos de humanidade!” Charlie Chaplin


Primeira Edição - setembro 2009  

Revista-Laboratório produzida pelas alunas do 2º ano de jornalismo do IMES Catanduva.

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