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JORNAL LABORATÓRIO DO 3° ANO DE JORNALISMO

Faculdades integradas Teresa d’Ávila

Ano 7 •• n. 40 ••• outubro de 2008

RICARDO KOTSChO: 40 ANOS DE JORNALISMO Kotscho fala com exclusividade ao

“ O jornalismo tem influência em todas as áreas, pois nós contamos o que está acontecendo”.

ÍNDICE PRÁTICO

Thiago

“O jornalista está sempre a serviço dos outros. na maioria das profissões você está a serviço de você mesmo, do seu salário e do seu bem estar. É claro que o jornalista precisa de salário e de bem estar, mas acho que o jornalista tem que ter em mente que ele presta serviço para os outros assim como os padres”. P.02

DOAÇÃO DE MEDULA, DOAÇÃO DE AMOR Conseguir um doador compatível pode ser uma busca injusta para o paciente de leucemia.

CADERNO nova lei dos estagiários: direitos coimo 13° . salário e férias são parte do projeto• P.03 Eles gastam mais do que ganham: jovens de até 30 anos são as maiores vítimas dos créditos• P.03

Elisângela Cavalheiro

• • •

Luta sem tréguas: a ansiedade; o estresse e o medo de ganhar vários “quilos” a mais.• P.06 Ruth Guimarães: a Cachoeirense membro da academia Paulista de Letras•P.07 Curso Talentos na Cozinha: desde o simples feijão até os pratos mais sofisticados•P.07

É MUxUAnGO!

Quinta edição de feira de artesanato gera intercâmbio entre artesãos e alunos da Fatea. P.05

“O desconhecimento sobre a doação de medula óssea e a falta de informação é o principal problema”. • P.06

são 30 anos de incentivo às pesquisas científicas

“Nós precisamos, nestes tempos, de amigos fortes de Deus”. (SantaTeresa)

P.05

P.08

Cláudio Pastro

Banco de imagens da FaTEa

Quem pode doar? Onde é realizada? Corro algum risco durante a doação? Quanto tempo demora?

REVISTA ÂnGULO

O QUE VOCÊ QUER VER nO

Envie suas dicas para: jornalaboratorio@gmail.com

“Está caindo a circulação dos jornais. a audiência dos telejornais também vem caindo, eu acho que saturou”.


“Entre Aspas”

P. 02 • >>> Entrevista

“O jornalismo tem influência em todas as áreas, pois nós contamos o que está acontecendo”, afirma o jornalista Ricardo Kotscho

Com 40 anos de carreira, o ex-assessor de imprensa de Lula, fala sobre os desafios da profissão Filipe Chicarino realidade, mas já está na hora de fazer uns filmes com histórias felizes, pois no Brasil não tem só desgraça. A verdade é que existe um processo de transformação muito forte no Brasil, principalmente na área social. [in] - O senhor falou de noticias ruins, desgraças e tragédias. Acredita que é esse tipo

os que ilustram a realidade social do país. Quais os caminhos que o senhor acredita que o Brasil deve trilhar para que seja mudada essa realidade? Kotscho – Já está mudando. A realidade social do Brasil, que sempre foi dramática, é hoje diferente. Acho que o país vive seu melhor momento. O cinema, como o jornalismo, tem mesmo que mostrar a verdadeira

de noticia que atrai o leitor? Kotscho - Eu acho que não. Está caindo a circulação dos jornais. A audiência dos telejornais também vem caindo, eu acho que saturou. Houve um momento em que exageraram sempre para esse lado negativo. Eu percebo, durante as minhas viagens, que já não existe mais aquele hábito de todo mundo a noite assistir

Thiago

Q

uarenta anos de profissão. Um dos mais importantes jornalistas do Brasil. Foi repórter de diversos veículos como: Jornal do Brasil, Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo, Época IstoÉ, TV Globo e SBT . Foi assessor de imprensa do presidente Luis Inácio Lula da Silva nos dois primeiros anos de governo. Vencedor de 4 prêmios Esso de Reportagem, o mais importante do jornalismo brasileiro. Escreveu diversos livros, entre eles “A Prática da Reportagem” que há 20 anos é usado nos principais cursos de jornalismo em todo o país. [in] - Na sua coluna do IG, o senhor disse que o diretor de cinema Walter Salles comentou que o senhor era o responsável pela história do filme premiado no festival de Cannes “Linha de Passe”. Como foi isso? Ricardo Kotscho – Em 2001, fiz uma reportagem na Folha de S. Paulo sobre um menino de 12 anos que roubou um ônibus e andou muitos quilômetros pelas ruas de São Paulo até a policia o pegar. Walter Salles leu a matéria e achou que aquilo dava um filme. Ele me ligou, na época, e agora eu tinha até esquecido. Recentemente me mandaram um convite para a pré-estréia. E ele disse a todos que estavam lá que eu era o responsável pelo filme. Isso me deixa muito feliz, pois já aconteceu outras vezes de algumas reporta-

gens que eu fiz inspirarem filmes e peças de teatro. Acho que isso é muito importante, pois o jornalismo é uma coisa que acaba no dia seguinte, quando o jornal vai para o lixo, agora as boas reportagens acabam ficando por meio dessas obras. [in] - Os filmes brasileiros que têm recebido boas críticas no exterior são

EDITORIAL

Expediente

Julio Oliveira

A

doação de órgãos no Brasil ainda é um tabu para a maior parte da população, mesmo com a insistência das emissoras de televisão que incluem em suas programações quadros que identificam o calvário dos doentes para conseguirem uma sobrevida. Há poucas semanas, Cruzeiro e outras cidades do Vale do Paraíba foram mobilizadas para conseguir um doador de medula para um garotinho que sofre de uma doença degenerativa. Nesse tipo de caso, o doador não precisa sofrer uma intervenção cirúrgica. Mesmo assim, em geral, os doadores são poucos. Mas uma campanha nos meios de comunicação conseguiu

um grande número de voluntários. Já nos casos em que é necessária a retirada de órgãos, a situação se complica ainda mais, pois depende de inúmeros fatores, desde a compatibilidade de genes à dor das famílias que perdem seus entes queridos, que é o fator mais delicado e que deve ser mais bem trabalhado. Coloquemo-nos na posição dos pais de uma jovem que perdeu a vida por conta da violência como aconteceu com a menina Eloá, de Santo André. O que pensar e como decidir num momento de profunda dor? Os pais dela são prova de que Deus existe e do verdadeiro sentido de solidariedade e do amor humano.

ao telejornal. As pessoas estão assistindo outras coisas ou nem estão assistindo mais televisão. Eu acho que isso precisava ser repensado. [in] – Em seu ponto de vista, o jornalismo está implicado diretamente com o nível de educação do país? Kotscho – O jornalismo tem influência em todas as áreas, pois nós contamos o que está acontecendo. Eu não saberia te responder se ele está implicado diretamente na educação, mas eu acho que a internet, que é uma revolução na comunicação humana, contribui com a educação. Hoje temos mais de 40 milhões de brasileiros conectados à rede e, portanto, com acesso a mais informações. E isso é a grande mudança que está acontecendo em nosso meio. [in] - No seu livro “A prática da reportagem” você diz que o jornalismo é uma opção de vida. O que o jornalismo têm de diferente de outras profissões? Kotscho – Eu acho o jornalismo muito parecido com o sacerdócio. Eu estudei em colégio de padre e o meu teste vocacional deu que eu tinha vocação para o sacerdócio. O jornalista está sempre a serviço dos outros. Na maioria das profissões, você está a serviço de você mesmo, do seu salário e do seu bem estar. É claro que o jornalista precisa de salário e de bem estar, mas acho que o jornalista tem que ter em mente que ele presta serviço para os outros, assim como os padres.

Jornal Laboratório 3°ano de Jornalismo Faculdades Integradas Teresa D’ Ávila – FATEA

Ano VII – n°40 - Outubro / 2008

Equipe de Alunos:

Direção Geral: Prof.ª Dr.ª Olga de Sá Coordenação Geral e Edição: Prof.ª Ms. Bianca de Freitas (MTB: 28876) Projeto Gráfico: Agência Experimenta – Agência Integrada de Comunicação Diagramação: Samantha Natielli Editoração: Prof.ª Ms. Bianca de Freitas

Carlos Alberto, Eduardo Góis, Elaine Santos, Elisangela Cavalheiro, Endrigo de Oliveira, Estefânia Oliveira, Filipe Chicarino, Gabriel Fini, Gabriel Theodoro, Graziela Staut, Hugo Barbeta, Josafá Moraes, Josiane Bittencourt, Julio Oliveira, Karina Pontarolo, Lauren Moraes, Liliane Pimentel, Luana Corrêa, Lucas Caponto, Marcela Rocha, Maurício Moura, Maurício Rebouças, Meire Moreira, Melisa Lemes, Michelly Ribeiro, Natália Moreira, Oswaldo Corneti, Paulo Diniz, Paulo Henrique de Jesus, Pedro Hummel, Tamiris Correa, Vanessa Guimarães.

Faculdades Integradas Teresa D’ Ávila – FATEA Av. Peixoto de Castro, 539 – Vila Celeste • Lorena – SP – CEP: 12606-580 • Fone: (12) 2124-2888


Enfoque

>>> • P. 03

NOVIDADES PARA ESTAGIÁRIOS Nova lei que esperou quase 10 meses para ser sancionada traz igualdade para estagiários

Luana Corrêa

Luana Corrêa

Em 25 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aprovou a nova lei para os estagiários nº Lei n.º 11.788. Sua publicação no diário oficial aconteceu no dia seguinte. Essa lei busca trazer para o estagiário direitos semelhantes ao de um funcionário normal. As mudanças serão muitas, como o direito a férias de 30 dias remuneradas e a bolsa auxilio obrigatória. A lei que regia os direitos dos estagiários era de 1977. Seus ar-

tigos já defasados não continham a obrigatoriedade de um salário ou seguro de vida ao estagiário. A nova lei corrige pontos que foram esquecidos. Em texto disponibilizado pela assessoria de comunicação do CIEE (Centro de Integração Empresa Escola), Luiz Gonzaga Bertelli presidente da entidade, faz sua avaliação. “A nova Lei de Estágio não é perfeita, mas acerta ao manter o caráter educacional do

estágio e ao preservar a isenção de encargos trabalhistas e previdenciários para essa valiosa modalidade de formação profissional do jovem”. Com a lei entrando em vigor, os estagiários ganharam direitos como: bolsa auxilio obrigatória, férias remuneradas após um ano de trabalho, estágio de no máximo 6 horas, 13º salário, estágios para alunos do ensino Superior, Médio, Médio Técnico, Educação Especial e dos anos finais do Fundamental, vale-refeição, vale-transporte e máximo dois anos de estágio. “Esses benefícios vão incentivar o trabalho e aprendizado do estagiário, que atua como qualquer outro funcionário”, disse Glaziele Mary da Silva Pereira, estagiária da prefeitura de Guaratinguetá. Segundo Bertelli, a obrigatoriedade de 30 horas semanais dá aos estagiários, horas vagas para estudar. “Isso deixará mais tempo livre para que o estagiário cumpra suas obrigações escolares e também possa realizar algumas atividades extracurriculares, como um curso de idiomas, indispensável à sua futura carreira”. Outra novidade desta lei é para profissionais liberais como engenheiros, dentistas, advogados que poderão contratar estagiário mesmo sendo autônomos. “Agora vou poder dar oportunidade a jovens que que-

rem conhecer e aprender, mesmo antes de estarem na faculdade”, afirma Cláudio Nunes, dono de um escritório de advocacia em Guaratinguetá. A maioria das inovações já vinha sendo recomendada pelo CIEE e acatada pelas empresas e órgãos públicos parceiros. É o caso, por exemplo, da bolsa-auxílio, que só passará a ser obrigatória quando a lei entrar em vigor, mas que há muito vem sendo concedida pela totalidade das empresas. Para os que contratam estagiários, é importante saber que uma das clausulas da lei deixa claro que, no caso do descumprimento das novas normas, poderá caracterizar vínculo empregatício, com a conseqüente perda das isenções trabalhistas e previ-

denciárias concedidas como incentivo ao estágio. E mais, em caso de reincidência, a organização ficará impedida de contratar novos estagiários pelo período de dois anos.

Mais informações

Para esclarecer dúvidas de estudantes, empresas e instituições de ensino, cadastrados ou não em seu banco de dados, ligar para o CIEE: 0800-771-2433. As principais novidades e a íntegra da lei estão disponíveis no site www.in.gov.br/imprensa.

ELES GASTAM MAIS DO QUE GANHAM Jovens de até 30 anos são as maiores vítimas do crédito Eduardo Góis salidade pelo estágio na rádio e, para pagar o restante, trabalho na assessoria. Mesmo assim, ainda não ganho o necessário para honrar todas as despesas”, afirma. Caso parecido foi o do estudante de Direito, Jeferson Santos. No caso dele, o problema não foi o compromisso com a faculdade e sim com os cartões de crédito. O banco em que era cliente ofereceu dois ótimos cartões de crédito com limites a perder de vista, senha para sacar dinheiro extra no caixa eletrônico, e ainda um belo cheque especial. A conseqüência de tantos serviços prestados pelo banco e usufruídos por Jeferson, foi ter seu nome estampado no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e no Serasa. “Eu perdi o controle, não tinha dinheiro pra pagar e, quando eu conseguia, pagava somente a parcela mínima”, diz Jeferson. Em entrevista ao site da Facul-

dade Universia, o psicoterapeuta do Departamento de Psicologia da PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica de Campinas) Hipólito Carretoni Filho, disse que este comportamento de consumo não se reflete apenas nas compras, mas no modo como os jovens encaram a vida hoje. Muitas vezes atraídos por circunstâncias que agradam a curto prazo. Soares e Jeferson fazem parte de um grupo cada vez mais comum na família brasileira contemporânea. São os jovens endividados. Além de adiar a saída de casa, esses que na maioria são estudantes, não conseguem ajudar nas despesas familiares, nem tampouco pagar as próprias contas. Pior: gastam mais do que devem e acumulam dívidas. Muitos estão simplesmente falidos e entraram na lista negra das entidades de proteção ao crédito. O terapeuta financeiro e economista,

Reinaldo Domingos, explica que para conseguir pagar todas as dívidas e manter-se em dia com as contas é necessário fazer um planejamento. “Para conseguir realizar os sonhos, o jovem ou qualquer pessoa tem que estar sadio financeiramente.Traçar planos, metas e objetivos é o primeiro passo”, ressalta Domingos. De acordo com o economista comprar à vista e fugir dos cartões de crédito é sempre a melhor opção.

Eduardo Góis

Depois de algumas tentativas, o jovem Pablo Soares, de 21 anos, conseguiu entrar para faculdade de Rádio e TV e está cursando o segundo ano. É a realização de um sonho que se completa a cada dia. Mas nem tudo são flores. O jovem faz parte dos 39%, da fatia dos jovens entre 21 e 30 anos, no universo dos inadimplentes, que cresce de forma assustadora.Arcar com as despesas dos estudos e outras compras não é tarefa fácil. Segundo a empresa Telecheque, 10% dos devedores têm até 20 anos Para conseguir se sustentar na faculdade, Soares tem que fazer uma jornada dupla de trabalho, em uma rádio da cidade e na assessoria de imprensa da prefeitura. Mesmo assim, ainda não é o suficiente. “Não é fácil, tenho uma carga horária pesada. Hoje eu tenho 50% de desconto na men-

Boletos enchem as gavetas dos jovens


Educação

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CURSO TALENTOS NA COZINhA ATRAI ESTUDANTES DE DIVERSAS IDADES Curso ensina a cozinhar desde o feijão básico até pratos mais elaborados regionais e internacionais

Meire Moreira

Meire Moreira

O professor Anderson Rodrigues e o aluno .Marcos Xavier em uma das aulas

Se para você cozinha é igual painel de comando de uma nave interestelar, ou seja, você não faz idéia do que serve para fazer o que e como, a Fatea dá uma forcinha. O curso Talentos na Cozinha, coordenado pelo professor Hércio Miranda, e ministrado pelos professores Anderson Rodrigues e Carolina Madruga teve início em agosto e surgiu como

PrÊMiOs

Banco de imagens da FaTEa

José Antonio dos Santos Junior foi um dos finalistas no concurso Prêmio Abre Design & Embalagem. Orientado pelo professor Marcos Vinícius, disciplina Produção Gráfica da FATEA, desenvolveu uma embalagem para feijoada. O tema era “Novas propostas de utilização para embalagens LongaVida (Tetra Pak)”.

divulgação Pernambucanas

Lucas José Montenegro Rodrigues, também aluno do curso de Design, é vencedor regional do Concurso Casas Pernambucanas 2008. O tema era Desenvolver uma pintura estilizada para veículo pick-up Dia dos Pais.

uma proposta de ser um curso rápido, em um dia da semana, mas a procura foi tão grande que ele foi dividido em duas turmas. E continua atraindo alunos de diversas idades e formação profissional. Ele atende desde quem não sabe fritar um ovo até quem procura no curso uma qualificação profissional. Os alunos têm aulas práticas

e teóricas sobre higiene e conservação de alimentos, reaproveitamento de sobras, cozinha regional e internacional, montagem de cardápios e administração da cozinha, entre outras. O curso está dividido em duas turmas de 25 alunos com aulas as terças e quintas, das 19h às 22h. Marcos Xavier é um dos alunos que chegou atraído pela possibilidade de crescer no ramo. Ele trabalha com massas e frango assado nos finais de semana em sua casa e quer abrir seu próprio negócio. O curso ensina desde o básico feijão com arroz bem feitinho e da maneira correta, conhecendo a manipulação de alimentos, com higiene e sem desperdício, até pratos elaborados da cozinha regional e internacional. Os interessados podem fazer sua matrícula na Tesouraria da Fatea de segunda à sexta das 8h às 21h e aos sábados das 8h às 11h. O valor do investimento é de 150 reais divididos em três parcelas.

aLUnOs da FaTEa ParTiCiPaM dO MUTirÃO dE Cidadania dO CaMPO Colaboração: Bruna Jardim Alunos da FATEA estiveram presentes no 1° Mutirão da Cidadania no Campo realizado no dia 28 de setembro em Piquete, pelo Sindicato Rural de Lorena e Piquete, em convênio com o SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural-Administração Regional do Estado de São Paulo). Numa demonstração de cidadania, todos se tornaram responsáveis pela comunidade a que pertencem. Instituições e 120 voluntários ofereceram aos 624 visitantes ações como: fornecimento de certidões, aferição de pressão arterial, teste de glicemia, prevenção e educação das doenças sexualmente transmissíveis, oficina de artesanato, contadores de histórias, entre outras. Houve também momentos de entretenimento na área de cultura, esporte e apresentações de adestramento de animais. Para a aluna do curso de Pedagogia Gleicy Kelly Silva, participar deste evento foi uma oportunidade de estar próxima de uma outra realidade diferente. “Senti, no final do dia, a certeza de ter colaborado com a for-

mação educacional de algumas crianças, pois, por meio principalmente da contação de história, em que se trabalha com valores e culturas, pude perceber em vários olhinhos uma viagem para um mundo imaginário”. O Mutirão de Cidadania realizado em Piquete fez parte da comemoração do dia da Responsabilidade Social do Ensino Superior Particular – promovido pela Associação Brasileira de Mantenedora do Ensino Superior - ABMES. Para a professora e coordenadora do Núcleo de Extensão Universitária da FATEA, Rosana Montemor, o evento contribuiu também para a FATEA comemorar o Dia Nacional da Responsabilidade Social, uma oportunidade na construção de uma democracia participativa para gerar no aluno o capital humano intelectual humanista. Segundo o presidente do Sindicato Rural, José Fernando de Paiva, o mutirão alcançou seu objetivo de mostrar aos homens do campo a importância da sua cultura e também despertar o interesse por seus direitos e deveres básicos para que possam exercer sua cidadania.

NA FATEA

D

Em 15 de setembro, a biblioteca da FaTEa promoveu o lançamento da exposição fotográfica do aluno do 2° . ano de Jornalismo, rodolfo Magalhães: “a Leitura do Olhar”. Uma exposição com um enfoque diferenciado sobre os livros, usuários e o espaço da biblioteca.

aconteceu no dia 25 de setembro o lançamento do livro “Expressividade, estilo e gesto vocal”, da professora izabel viola durante o Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, em Campos do Jordão. O livro aborda os fundamentos da expressividade e das pesquisas atuais.

nos dias 26 e 27 de setembro, foi realizado o iX Fórum ambiental no Espaço arte Teresa d’Ávila da FaTEa. O tema foi “responsabilidade individual pelo meio ambiente ‒ você é parte integrante”.

Portadores do Mal de alzheimer se reunem no início de cada mês na FaTEa em Lorena para trocar experiências vividas pelos pacientes. nos encontros as pessoas aprendem a ouvir outras opiniões e experiência, tentando adaptá-las para o ambiente de cada casa. O endereço é avenida dr. Peixoto de Castro, 539 vila Celeste. Telefone (12) 2124-2888.


Educação

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MUXUANGO PROMOVE O ARTESANATO REGIONAL

Quinta edição da feira de artesanato gera intercâmbio entre artesãos e alunos da Fatea. Oswaldo Corneti volver projetos tanto gráficos como de produtos. “O contato com os artesãos pode nos ajudar na inspiração de muitas coisas”, finalizou. Além dos estandes dos artesãos, houve ainda um específico dos alunos do 3° ano do curso de desenho industrial, que por meio da venda de produtos diversos, levantaram fundos para o DIF (Design Industrial Fashion), que acontece no dia 5 de novembro deste ano. Gabriel Theodoro Soares

Uma das barracas de artesanato expostas na feira da conheceram um pouco mais a tos foram expostos. Aprendemos o respeito da produção dos artesãos melhor jeito de montar um estande, locais”, explicou o professor Fábio. para torná-lo atrativo para os visiOs alunos do primeiro ano de DI, tantes e confortável para o artesão Jhonatan Oliveira e Reinaldo César, que ficaria ali”, disse Jhonatan. A também estudante do primeiro foram os responsáveis pelo estande que trazia as obras feitas em argila, ano de DI, Laura Ribeiro, acha que pelos artesãos Eula Toledo e Rob- o intercâmbio que aconteceu na son Alexsander. “O que achamos feira entre alunos e artesãos, promais positivo, foi a montagem do voca um impacto positivo para os espaço e a maneira como os produ- estudantes que pretendem desen-

Banco de imagens da FATEA

Já em sua quinta edição, a feira Muxuango, que aconteceu nos dias 23 e 24 de setembro, no pátio coberto da FATEA, pôde ser acompanhada tanto pelo público da instituição quanto pelos moradores locais. Muxuango é uma palavra que surgiu no meio rural fluminense, usada pelo homem do campo para denominar o ´caipira´. Coordenados pelo professor Fábio Corniani, alunos do 1º ano do curso de Desenho Industrial, do 2° ano de Jornalismo e do 3° ano de Publicidade e Propaganda da FATEA, realizaram atividades distintas e relacionadas com suas disciplinas, para a realização do evento. A cada grupo de alunos coube uma função específica. Os alunos de Desenho Industrial ficaram responsáveis pela seleção dos artesãos, pelo transporte dos objetos e de seu traslado. Os alunos de Jornalismo ficaram responsáveis pela cobertura do evento. Aos alunos do curso de Publicidade e Propaganda coube o trabalho de divulgação do evento. “Ao mesmo tempo em que os alunos desempenharam as funções ligadas às áreas didáticas de seus respectivos cursos, eles puderam interagir entre si e ain-

30 anos de revista ÂNGULO

A revista surgiu em 1978 para fortalecer as pesquisas de Iniciação Científica Com o objetivo de fortalecer a iniciação científica na FATEA, em 1978, surge a revista Ângulo, cujo nome significa “ângulo de 180º aberto a todas as opiniões”. O veículo comemora, em outubro, 30 anos de existência com o lançamento de uma edição especial Machado de Assis. O lançamento aconteceu em São Paulo, em 25 de outubro, na Rato de Livraria Revistaria. A Ângulo divulga trabalhos desenvolvidos por professores e alunos, recebendo também contribuições de profissionais de outras faculdades do país e do exterior, como da França e dos Estados Unidos. Segundo a editora e redatora da revista, Sônia Siqueira, o material é bastante reconhecido nesse meio pela sua qualidade. “Lembro-me de quando fizemos um especial sobre o

Mazzaropi e, com isso, notei que a partir da publicação, ele passou a ser estudado mais seriamente pelas universidades. Recebemos também muitas contribuições dos estudiosos”, afirma. A princípio, a revista era voltada aos únicos cursos que a instituição possuía: Educação Artística e Economia Doméstica e Biblioteconomia. Hoje, a revista abrange todas as áreas dos 17 cursos que a faculdade atende. Ela é trimestral, com 48 páginas, tiragem de mil exemplares e nunca recebeu contribuições de patrocinadores ou verbas governamentais. Além da versão impressa, possui uma digital, abrindo mais o leque de opções para o leitor, em: www.fatea.br/angulo A próxima edição vai sair em dezembro, com um especial sobre Guimarães Rosa, também com lançamento em São Paulo.

Michelly Ribeiro

Michelly Ribeiro

Alguns exemplares da revista Ãngulo


Viver Bem

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NÚMERO DE DOADORES DE MEDULA ÓSSEA É INSUFICIENTE

As dificuldades de um paciente que sofre de leucemia em encontrar um doador compatível Elisangela Cavalheiro ta, que alcançou muitos cadastrados. Recentemente, um evento em Cruzeiro, em 6 de setembro, conseguiu cerca de 3400 novos doadores de medula óssea. Considerada um sucesso, a campanha pretende ajudar um menino de nove anos que sofre da doença. O procedimento da doação é fácil e não há riscos para quem doa (veja boxe). Para a hematologista, além do número, está por detrás o objetivo maior, que é ajudar alguém e a conscientização.

Elisangela Cavalheiro

Conseguir um doador compatível pode ser uma busca injusta para o paciente de leucemia. Para cada paciente que não conseguiu encontrar um doador na família - entre 60% e 70% - uma das alternativas é procurar um doador voluntário que esteja no Registro Nacional do Redome (Registro de Doadores de Medula Óssea). A probabilidade de encontrar uma medula compatível varia de uma para dez mil a uma para um milhão, dependendo da herança genética.

Voluntária doando sangue para pacientes com leucemia Vivenciando este drama diariamente com pacientes e familiares e conhecendo a dificuldade para achar um doador compatível, a dra. Carmem Vergueiro, hematologista da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, constatou que a busca pela compatibilidade era quase nula ao acessar o Registro Nacional que na época contava apenas 12 mil doadores voluntários cadastrados. Por isso, em 2002, ela idealizou e fundou uma organização civil no sentido de ampliar os registros. A partir disso, fundou a Ameo (Associação da Medula Óssea do Estado de São Paulo) e iniciou um trabalho pioneiro no Brasil. Unindo forças com hemocentros de outros estados brasileiros, a associação conseguiu chegar na marca dos 710 mil cadastros. Mas a meta ainda está longe de ser alcançada. A Ameo também realiza campanhas para recrutar doadores voluntários em várias cidades do estado. Aqui, no do Vale do Paraíba, já foram contempladas as cidades de Taubaté, que teve duas campanhas, e Cachoeira Paulis-

A médica ressalta que a formação que acontece nestas campanhas é importante para que as pessoas sejam esclarecidas quanto à doação de medula óssea, que é confundida com a medula espinhal. “O desconhecimento sobre a doação de medula óssea e a falta de informação é o principal problema”. A assistente social Fátima Guedes da Aspal, de Taubaté (Associação de Pais e Amigos dos Doentes com Leucemia) partilha da mesma opinião. “Observamos que as pessoas têm medo de fazer a doação e pensam até se mais tarde alguém da família for precisar como irão fazer. Eles vêm com muitas dúvidas até nós”. A assistente afirma a necessidade de conscientização da população. A Aspal de Taubaté auxilia pacientes do Vale do Paraíba, Serra da Mantiqueira, Litoral Norte e Sul de Minas, que realizam o tratamento nos hospitais da região. Oferece terapia em grupo para pacientes e familiares e acompanhamento e informação quanto à medicação que não é fornecida pelo Estado.

Como é a doação? O procedimento para doação começa com a coleta de uma amostra de sangue que é levada para um laboratório para a realização de exames. Depois os dados genéticos do doador são incluídos no Registro Nacional. Esses dados são disponibilizados para médicos de todo o Brasil. Quando é constatada compatibilidade, o doador se dirige a um centro de transplantes mais próximo, onde realiza mais exames e depois é encaminhado para a doação. A doação pode ser de duas formas: por punção de uma veia periférica para filtração das células-mãe ou puncionando a medula diretamente da cavidade do osso. O primeiro procedimento dura cerca de quatro horas e o segundo quarenta minutos. Em nenhum dos casos há riscos para o doador. O Brasil utiliza também o banco de doadores do EUA que tem milhões de doadores cadastrados, mas a herança genética do brasileiro é muito miscigenada, então, a possibilidade é maior no banco brasileiro.

Onde doar?

Recentemente, o Hospital Pio XII de São José dos Campos passou a ser um posto permanente para receber amostras de doadores voluntários. Antes era preciso ir até a capital. Para doar o sangue não é preciso estar em jejum. As coletas são recebidas de segunda a sextafeira das 6h às 17h e aos sábados das 7h às 12h, no Pronto Atendimento do hospital. Informações pelo telefone (12) 3928-3300. Outros contatos: Ameo São Paulo (11) 3333-4424 e Aspal Taubaté (12) 2125-4600.

“O desconhecimento sobre a doação de medula óssea e a falta de informação são o principal problema”.

Luta sem tréguas Lucas Caponto Depois das semanas iniciais, vêm os piores adversários na luta contra o cigarro:aansiedade,oestresse, dificuldadede concentração, irritabilidade e o medo de ganhar vários “quilos” a mais. Tudo, claro acompanhado de um desejo absurdo de voltar a aspirar a doce fumaça. Os primeiros dias ou semanas que seguem ao abandono do vício trazem consigo esses e outros sintomas provocados pela abstinência da nicotina. Considerada um “estimulante leve” e também com ação no relaxamento muscular, sua ausência é um impacto e, principalmente, para quem lida com situações constantes de depressão e estresse. Quem nunca fumou pode até soar como “frescura”, mas quem já tentou largar ou largou o cigarro sabe muito bem do que se trata. “Eu parei de fumar umas cinco ou seis vezes, mas nunca consegui passar mais de quatro dias sem cigarro. É só ter um aborrecimento maior ou uma cervejinha” relata Luís Cláudio Oliveira, 23 anos, universitário, fazendo uma alusão justamente a dois comportamentos que todos os especialistas recomendam distância aos ex-fumantes. O universitário foi aconselhado por seu médico a parar de fumar há cerca de oito meses e ainda não conseguiu levar a cabo. Tentou primeiro na raça, segundo com adesivos de nicotina e há um mês com um novo antidepressivo que vem ajudando muitas pessoas na luta contra o vício. Muita gente que tem a intenção de parar de fumar enfrenta ainda outro grande dilema, o medo de engordar. O que existe comprovado cientificamente é que a nicotina tem de fato ação na inibição do apetite, mas nada entretanto que uma boa dieta não consiga controlar. O grande problema, segundo os especialistas e todos os ex-fumantes, é deixar de fumar e manter a boca fechada ao mesmo tempo. Há algumas medidas que podem ajudar a perder o vício sem engordar, como: evitar tomar café e bebidas alcoólicas, beber muita água, iniciar alguma atividade física, entre outras.


Cultura

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cachoeirense se torna membro da academia paulista de letras A escritora e folclorista Ruth Guimarães foi eleita quase que por unanimidade, e dos 34 votos possíveis recebeu 30 Maurício Moura

“Meus livros têm uma qualidade que nem todos têm, que é ser original”. Para mim é um acréscimo, um prestígio.” comenta a escritora. A escritora fará parte da histó-

“Eu sou caipira, quando estou falando de literatura. Quando estou falando de cultura popular, estou falando de mim”. Maurício Moura

No dia 18 de setembro, a escritora e folclorista de Cachoeira Paulista, Ruth Guimarães, se tornou membro da Academia Paulista de Letras. Indicada pela terceira vez para ocupar um lugar na Academia, a escritora de 88 anos foi eleita com 30 votos dos 34 possíveis. Ruth ocupará a cadeira nº 22 da academia e, juntando-se ao escritor e professor Gabriel Chalita, passa a ser a segunda representante do Vale do Paraíba na Academia. A cachoeirense recebeu com orgulho a nova indicação e disse que é um reconhecimento por seu trabalho feito. “É a 3ª indicação e vou competir e trabalhar para entrar bem. Eu sabia que entraria porque tenho trabalho suficiente para isso.

Ruth Guimarães foi eleita com 30 votos, dos 34 votos possíveis ria de um vasto grupo de personalidades que já passaram pela academia, como Monteiro Lobato, Plínio Salgado, Raimundo de Menezes e Guilherme de Almeida Ruth que teve seus primeiros versos publicados em jornais da região aos 10 anos de idade, hoje já conta com mais de 40 publicações. Seu segundo livro “Filhos do medo”, pesquisa folclórica sobre o diabo e suas manifestações na imaginação do homem do vale paraibano, rendeu-lhe um verbete

na “Enciclopédia Française de La Plêiade”, conseguindo assim ser a única escritora latino-americana a receber tal reconhecimento. Segundo a escritora, a grande qualidade de seus livros é a originalidade. “Meus livros têm uma qualidade que nem todos têm que é ser original. Eu falo de coisas que os outros não falaram ainda, porque estou mais dentro do ambiente. Eu escrevo a respeito do que sei, e isso é muito importante para um escritor”, enfatiza Ruth Guimarães.

“A influência pela escrita popular é uma paixão que se deu pela vida”, explicou a folclorista. “Eu sou caipira, quando estou falando de literatura. Quando estou falando de cultura popular, estou falando de mim. Eu estou bem inserida neste contexto popular do vale do Paraíba, tanto que a minha pesquisa é toda do Vale, dos caipiras aqui do Vale”, concluiu. Com um acervo de 4 mil livros em sua casa, em Cachoeira Paulista, a escritora também comentou a enxurrada de livros estrangeiros no Brasil e a preferência da maioria dos jovens por eles. “É a vaidade do ignorante, o caipira urbano quer parecer que é muito civilizado”, enfatizou.

Centenário Machado de Assis: “Tu dirás que é a Morte: eu direi que é a vida” Josafá de Jesus Moraes “Duas vezes por semana eu vou à Academia Brasileira de Letras (ABL) e passo próximo ao busto de Machado Assis e leio a famosa frase dele: ‘a glória que fica, eleva, honra e consola’. Não há uma visita minha à Academia que eu discretamente não pare e diga, ´como vai o senhor?´”, conta a escritora, Nélida Piñon. Instituído pelo Ministério da Cultura como “Ano Nacional Machado de Assis”, 2008 marca o centenário da morte do maior escritor brasileiro e fundador da ABL. Joaquim Maria de Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, no Rio de Janeiro. Machadinho, como era conhecido, estreou na literatura, em 1855, com quinze anos, com a publicação, na revista Marmota Fluminense, do poema “Ela”. A profundidade de seus escri-

tos aliada à elegância peculiar do uso das palavras, o fizeram memorável no desenvolvimento da língua portuguesa. Muitos de seus personagens foram além da obra, como é o caso de Capitu, do romance Dom Casmurro, e da sátira de Brás Cubas em Memórias Póstumas de Brás Cubas, personagens que até hoje inspiram filmes e novelas, muito embora a relação passe despercebida pelas pessoas. “Comemorar Machado de Assis é despertar a sutilidade crítica, a audácia velada de quem aborda temas importantes com a leveza de quem conta um fato corriqueiro”, afirma a professora e coordenadora de Letras, Stela Maris. “Machado foi um crítico da sociedade fútil, dos discursos vazios. Seu narrador é sagaz e está em permanente diálogo com o leitor. Seu humor brinca com associações de idéias que são desenhadas na

imaginação de quem lê. Não explicita, mas insinua despertando o atento leitor. Suas crônicas, de grande consonância social, eram construídas numa simbiose de jornalismo e literatura. O que mais impressiona é a presentatividade dos conceitos que ele apresenta, principalmente nas crônicas. É como se estivesse escrevendo em nossos dias”, completa. Ao estudante, num primeiro instante, a leitura machadiana pode soar arcaica, mas ao adentrar, o principiante será fascinado pela ironia e astúcia, necessárias ao antenado profissional dos nossos dias. Olhar a sociedade como ele o fez, traz à tona o pensamento crítico de quem quer enxergar a realidade através dos verdadeiros entremeios, de quem busca marcar história num país com questões sociais e humanas tão discrepantes. Se Machado de

Assis existiu, o Brasil é possível. “Eu acho Machado de Assis o milagre do Brasil – ele não cursou universidade, foi autodidata, era tartamudo... a história dele renova minha esperança no Brasil”, afirma Nélida Pinõn.

Machado de Assis


Especial

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FESTA DE SANTA TERESA FORTALECE CLIMA DE ESPIRITUALIDADE NA FATEA Mauricio Matos

que quando a gente morrer, Deus vai abrir um livro e nos mostrar a vida que vivemos e, depois, a vida que Ele gostaria que nós tivéssemos vivido”, conta a estudante de jornalismo, Rosemary Aparecida. Na Cantina d´Arte, mais de 500 visitantes passaram para apreciar uma exposição com 17 fotografias e 22 cartazes biográficos sobre Santa Teresa. O acervo foi escaneado de livros sobre a vida da santa e de arquivos pessoais de quem esteve na cidade natal da homenageada, em Ávila, na Espanha. Alunos e professores de todos os cursos da entidade se envolveram como responsáveis pela organização das missas e doaram alimentos para serem distribuídos às famílias carentes de Lorena. Presidente da missa no 4º dia da novena, padre Luiz Aparecido Tegami disse que a oração em ambientes universitários serve para contrapor uma vida “racionalista demais”. “Santa Teresa mostra que é preciso mais mística, menos barulho para encontrar Deus dentro si”.

Meire Moreira

Um clima de espiritualidade tomou a FATEA entre os dias 6 e 15 de outubro. Missas, trechos de filme biográfico, exposição de fotos, mensagens nos corredores e um show musical solenizaram a novena de Santa Teresa D’Ávila. Tanta festa teve o objetivo de tornar mais conhecida a patrona da faculdade e inspiradora do trabalho das Irmãs salesianas. “As pessoas podem ver em Santa Teresa que santidade não é sair do mundo. Ela ensina uma certa determinação em mudar da vida medíocre para uma vida melhor”, comenta a diretora geral da faculdade, Prof. Dra. Ir. Olga de Sá. O show com a cantora católica Ziza Fernandes lotou o teatro da faculdade, na sexta-feira, dia 10. Além de cantar músicas de seus CD’s, a artista testemunhou experiências de superação, perdão e oração. E ainda resgatou canções da MPB, como “Maria, Maria”, de Milton Nascimento. Não faltou quem se emocionasse. “O que mais me marcou, foi quando ela disse

Alimentos para famílias carentes são colocados diante do altar

“Em tempos de tristeza e de inquietação, não abandones nem as boas obras de oração, nem a penitência a que estás habituada. Antes, intensifica-as. E verás com que prontidão o Senhor te sustentará” (Santa Teresa D’Ávila)

Santa Teresa Santa Teresa nasceu em Ávila, na Espanha, no ano de 1515. A educação que os pais deram a ela e ao irmão Roderico, foi a mais sólida possível. Acostumada desde pequena à leitura de bons livros, o espírito da menina não conhecia maior encanto que o da vida dos santos mártires. Trinta e dois mosteiros (17 femininos e 15 masculinos) foram por ela fundados e outros tantos reformados. Em sua biografia há partes que dão testemunho da intensidade da sua vida interior. O que diz sobre os quatro degraus da oração, isto é, sobre o recolhimento, a quietação, a união e o arrebatamento, é realmente aquilo que a oração da sua festa chama “pábulo da celeste doutrina”. Graças extraordinárias a acompanhavam constantemente como fossem: comunicações diretas divinas, visões, presença visível de Cristo. Esta obra sobre-humana não teria tido o resultado brilhante que teve, se não fosse a execução da vontade divina e se Teresa não tivesse sido toda de Deus, possuidora das mais excelentes e sólidas virtudes, dotada de grande inteligência e senhora de pro-

fundos conhecimentos teológicos. Santa Teresa teve o dom de ler nas consciências e predizer coisas futuras, não lhe faltou a cruz dos sofrimentos físicos e morais. No seio das maiores provações, nas ocasiões em que lhe parecia ter sido abandonada pelo céu e pela terra, era imperturbável sua paciência e conformidade com a vontade de Deus. Oito anos antes de deixar este mundo, foi-lhe revelada a hora da morte. Sentindo esta se aproximar, dirigiu uma fervorosa ordem a todos os conventos de sua fundação ao ou reforma. Com muita devoção recebeu os santos Sacramentos, e constantemente rezava jaculatórias sobre esta: “Meu Senhor, chegou afinal a hora desejada, que traz a felicidade de ver-vos eternamente.“ – Sou uma filha de Vossa Igreja. Como filha de Igreja Católica, quero morrer.” - Senhor, não me rejeiteis a Vossa face. Um coração contrito e humilhado não haveis de desprezar”. Santa Teresa morreu em 1582, na idade de 67 anos. Logo após sua morte, o corpo da Santa exalava um perfume deliciosíssimo. Até o presente dia se conserva intacto.


Jornal [in]Formação 4ª. edição 2008