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JORNAL LABORATÓRIO DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

Faculdades Integradas Teresa DʼÁvila

Ano 8 •• n°. 43 ••• maio de 2009

CENTENÁRIO DA FESTA DE SÃO BENEDITO REÚNE 70 MIL PESSOAS Confira detalhes da festa em Aparecida que reúne tradição, fé e cultura nesta edição do

De acordo com o Departamento de Turismo de Aparecida, a tradição teve grande crescimento nos últimos anos

Neste ano, a festa trouxe para a cidade um grande fluxo de turistas, 70 mil

A expectativa para os próximos anos é que número de participantes e organizadores atinja um número ainda maior maior na cidade • P.03

ÍNDICE PRÁTICO

CADERNO

FATEA EM PAUTA

Prêmio: aluno de Publicidade

e Propaganda da FATEA, Alexandre de Oliveira, é um dos vencedores do concurso FIB (Felicidade Interna Bruta) • P.04

FATEA, USP e Fundação Jacarehy criam projeto para resgate de cerâmicas do Sítio Arqueológico de Canas • P.04

Um recomeço: famílias tentam recomeçar suas vidas, após as enchentes que atingiram Guaratinguetá • P.05

Joselaine Costa

•P.06

Profissões: casadas com o

trabalho” mulheres que dedicam maior parte do seu tempo à carreira •P.07

Cultura: Festa de Nosso Senhor

Morto em Areias reúne fé, cultura e tradição •P.08

Arquivo do projeto

Saúde: cirurgia de redução de estômago tornou-se “moda” no Brasil, saiba os prós e os contras

CIDADANIA

Estima-se que, no Brasil, a cada dia, 165 crianças ou adolescentes sejam vítimas de abuso sexual, e a grande maioria acontece dentro de suas próprias casas • P.05

BATE-PAPO

Em sua passagem por Lorena, o sucesso do programa CQC, Oscar Filho, fala ao repórter Leonardo Souza, do [In]Formação sobre o humor na TV • P.02

VIVER BEM

Mais do que especiais, mães são fundamentais: elas desempenham diversas funções em casa, no trabalho e na sociedade

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Stela Gonçalves

Fernanda Ribeiro

Envie suas dicas para: jornal@fatea.br

Bruno Santos

O QUE VOCÊ QUER VER NO


“Entre Aspas”

P. 02 • >>> Entrevista

“Sempre fui o engraçadinho da turma”

Sucesso no stand-up e no programa CQC, Oscar Filho revela os segredos da carreira de humorista Leonardo Souza

Fernanda Ribeiro

D

ono de extrema “cara de pau” e facilidade invejável para transformar o cotidiano em piada, o ator Oscar Francisco de Moraes Júnior, ou apenas Oscar Filho, contrariou a vontade do pai e deixou para trás o ritmo pacato da cidade natal de Atibaia, SP, para seguir atrás dos seus sonhos. Apesar das dificuldades, o tiro foi certeiro. Hoje, o jovem comediante do interior faz parte de um dos programas de maior sucesso da TV brasileira, além de ser um dos nomes fortes da nova safra de humoristas do Brasil. Considerado uma das revelações do ‘Stand-up Comedy’, espetáculo de humor realizado apenas por um comediante, e repórter do CQC, Custe O Que Custar, Oscar revela que sempre foi o “engraçadinho” da turma, mas foge do rótulo de jornalista. “Não considero jornalismo o que faço. Sou apenas um ator no papel de repórter”. Em sua passagem por Lorena, no dia 17 de abril, para apresentação do espetáculo de humor, o humorista falou ao Jornal [In]Formação sobre as dificuldades do início da carreira e do estilo de comédia feito por ele no programa de TV e nos palcos por todo o país. [In]Formação: Depois de ficar conhecido nos palcos de teatro pelo Brasil com shows de comédia, como você foi parar na TV? Oscar Filho: Eu nasci em Atibaia e, contrariando a vontade do meu pai, resolvi ir pra São Paulo pra seguir a carreira de ator. Na capital, comecei a participar de peças engraçadas e, naturalmente, vi que tinha dom para fazer humor. Sempre fui o engraçadinho da turma. Por causa do ‘Stand-up’ um vídeo meu foi

Oscar Filho e o humor do cotidiano durante apresentação em Lorena parar na internet e o produtor do CQC da Argentina viu, gostou e me convidou pra fazer parte do programa. É uma coisa que eu nunca esperava. [In]Formação: Vocês ganharam em março o Troféu Imprensa na categoria melhor programa humorístico, vencendo o “Pânico Na TV”, dono dos troféus de 2004, 2005 e 2007. Afinal, o ‘CQC’ é um programa humorístico ou jornalístico? Oscar Filho: Posso ser considerado um repórter porque pergunto, mas não considero jornalismo o que faço. As perguntas são feitas por jornalistas e chegam pra mim já editadas, apenas faço a piada em cima delas. O trabalho que faço no ‘CQC’ é de um ator que representa um repórter. Nunca vou falar que sou jornalista, mas acredito na mistura. Hoje, o jornalismo com o humor é parte de um

processo de edição, na qual unimos duas coisas essenciais para gerar a informação. A tendência de se misturar as coisas é válida e eu gosto muito. O brasileiro tem uma capacidade de se transformar em humorista o tempo todo e, mesmo assim, ficamos muito tempo com o mesmo tipo de humor. Precisamos de outras formas de fazer o público rir, novos programas, novas linguagens na televisão. [In]Formação: Mesmo sendo um estilo importado da Argentina, o CQC inovou o estilo de entrevistas do jornalismo brasileiro. Do começo, em março de 2008, para cá, você percebeu uma mudança no comportamento das pessoas entrevistadas por vocês? Oscar Filho: Quando começamos, esse estilo de entrevista já era praticado e conhecido pelo Pânico. No começo

EDITORIAL

O jornal [In]Formação ganhou forma, conteúdo e cara nova. Esse ano, assumese de vez a proposta de unir conteúdo impresso e on-line, com o lançamento do [In]Formação On-line. O objetivo é a propagação dos conteúdos produzidos pelos alunos do curso de Comunicação Social da FATEA nas redes do universo digital. Nesta edição, trabalhou-se com maior ênfase os assuntos relacionados à cultura regional, à religiosidade e às tradições, na qual se deu destaque ou o ‘In Foco’, como costumam dizer os alunos, à tradicional festa de São Benedito de Aparecida, que este ano completou 100 anos. Também se dedicou um espaço à festa de Nosso Senhor Morto, que há quase um século atrai turistas e religiosos à cidade de Areias. É interessante observar e destacar a preocupação e o interesse dos alunos de jornalismo pelos temas regionais referentes aos costumes do povo, que com a mo-

dernização contemporânea, acabam se perdendo ao longo dos tempos. Interessante ainda, perceber que jovens, futuros jornalistas, empenham-se no resgate da história de seus antepassados, multiplicadas entre as gerações, tão marcadas pela influência religiosa do Vale do Paraíba. Seguem ainda, nesta edição, as iniciativas de revitalização e consolidação das tradições vale-paraibanas, como o projeto de reconstituição das cerâmicas indígenas em Canas ou mesmo o destaque às pequenas histórias de mães que se desdobram para dar aos seus filhos o amor que necessitam. A abordagem dos temas regionais faz do jornal laboratório um veículo diferenciado na grande massa comunicacional, em que alunos, professores, profissionais da área e comunidade se encontram sob uma só identidade, a de cidadãos. Jefferson de Moura, coordenador do curso de comunicação social da FATEA

ninguém sabia quem eles eram, mas com o tempo conquistaram o espaço e abriram as portas, tanto que, quando chegamos, as pessoas já estavam mais preparadas. A parte negativa foi que elas não sabiam que tipo de pergunta íamos fazer e nos relacionavam diretamente ao ‘Pânico’. Conforme o tempo foi passando, as pessoas conheceram o que é o ‘CQC’ e identificaram nosso estilo. Os entrevistados aprenderam a nos olhar de forma distinta e viram que o nosso objetivo, a princípio, não é humilhar ninguém. Confesso que quando entrevisto um político e ele fez alguma coisa, tento pegar no ponto fraco. Mas não vou chegar provocando ninguém de graça. [In]Formação: Qual o limite do humor no jornalismo? Existe algum cuidado para que a piada não passe dos limites? Oscar Filho: Nunca nos foi dado um limite, censura ou maneira para fazer as matérias. E acredito que a equipe toda já demonstrou ser consciente. Se um dia passarmos dos limites, o público não ficará com a gente. [In]Formação: Com relação ao seu show de humor, qual o segredo do processo de criação e seleção das piadas? Você se inspira em alguém? Oscar Filho: Tento ver nas entrelinhas das coisas ou nas simples situações do cotidiano o que faria uma pessoa rir. Assim como faz o comediante americano Bill Cosby, um dos atores que mais admiro nesse meio. Ele tem 70 anos, faz dois shows por noite, com duas horas e meia de duração cada, e as pessoas riem o tempo todo. Ele fala de coisas normais, mas que com sua experiência ficam incríveis. Bill Cosby é um dos caras em que me espelho.

EXPEDIENTE Jornal Laboratório do curso de Comunicação Social da FATEA Faculdades Integradas Teresa D Ávila ‒ FATEA Ano VIII ‒ n.°43 - Maio / 2009 Direção Geral: Prof.ª Dr.ª Irmã Olga de Sá Vice-direção: Prof.ª Ms. Irmã Raquel Retz Coordenação do curso de Comunicação Social: Prof. Ms. Jefferson de Moura Editora geral: Prof.ª Ms. Bianca de Freitas (MTB: 28876) Editor de fotografia: Prof. Ms. Luis Antonio Feliciano Editor de publicidade e propaganda: Prof. Ms. Marcus Augusto Projeto Gráfico: Agência Experimenta ‒ Agência Integrada de Comunicação Diagramação: Samantha Natielli Revisão: Prof.ª Dr.ª Irmã Olga de Sá Prof.ª Ms. Irmã Raquel Retz Prof.ª Ms. Neide Arruda

Equipe de Alunos 3°Jornalismo:

Alexandre Silva, Ariane Fonseca, Bruna de Paula, Bruna Jardim, Carla Moura, Carolina Areco, Carolina Giancola, Flávia Farias, Guilherme Colombo, Joselaine Costa, Leonardo Souza, Lívia Castro, Lívia Fernandes, Lucas Staut, Luiza Andrini, Mariana Nogueira, Samantha Natielli, Sara Mimoso, Soraia Alves, Stela Gonçalves, Talita Escobar, Thaís Nunes e Verônica Pessoti.

4°Publicidade e Propaganda:

Alana Paladini Larissa Gall de Carvalho

Faculdades Integradas Teresa Dʼ Ávila ‒ FATEA Av. Peixoto de Castro, 539 ‒ Vila Celeste • Lorena ‒ SP ‒ CEP: 12606-580 • Fone: (12) 2124-2888


[In]Foco

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100 ANOS DE FÉ E CULTURA Aparecida comemora o Centenário da Festa de São Benedito

Lívia Fernandes Joselaine Costa

Principais eventos da festa • Missa Conga: Missa celebrada por um padre negro seguindo a estrutura litúrgica da missa comum, em que os cantos e as leituras são feitos por membros das congadas.

Joselaine Costa

Em abril, foi comemorado em Aparecida o Centenário da Festa de São Benedito, que teve como tema: “100 anos de Fé, Devoção e Cultura”. A comemoração conta com diversas tradições, entre elas a congada, que este ano colocou a cidade em primeiro lugar no ranking de Encontro de Congadas e Moçambique do país. A festa que é destinada ao santo negro, filho de escravos, conhecido pelo seu principal milagre, o da multiplicação dos pães, teve início em 1909, com o surgimento da Irmandade de São Benedito. Era composta por 23 pessoas e inicialmente feita por doações em cofres distribuídos aos membros da Irmandade; hoje é sustentada por meio da vendagem de 2.000 carnês, fora as doações de grandes empresas e da comunidade”, comenta Antônio Siqueira Macedo, ex-rei e um dos organizadores. Os principais personagens do desenvolvimento da festa são o Rei e a Rainha. Sua escolha é feita no último dia das comemorações, sendo selecionado entre 9 casais indicados pelos atuais reis. Após receber a coroa, eles têm o prazo de um ano para organização. “Neste ano como diferencial no centenário, a preferência foi por escolher um casal negro, resgatando assim a tradição da Irmandade, que inicialmente só elegiam reis negros”, explica Antônio Macedo. São o Rei e a Rainha que escolhem as decorações e os integrantes das comissões da festividade, que hoje são, ao todo 34, administrando desde a parte jurídica à distribuição dos doces. As comissões englobam de 1000 a 1200 pessoas que são responsáveis por todos os eventos da festa. Este ano, em especial, ao abordar o

Aproximadamente 70 mil pessoas passaram pela Festa de São Benedito em Aparecida, que este ano completou 100 anos Centenário, as comissões fizeram um levantamento de todos os ex-reis e rainhas da festa e distribuíram uma faixa a todos em homenagem pela participação e organização nestes anos. “Este diferencial foi uma forma de demonstrar que houve um trabalho árduo nestes 100 anos para se chegar à festa de hoje, e que todos que passaram foram responsáveis”, explicam Maria Aparecida Sofia Lemes da Silva e Antônio José da Silva, atuais reis. Os doces que inicialmente eram caseiros, feitos na quantia de uma tonelada sendo distribuídos aos participantes, hoje chegam a 10 toneladas, assim como as imagens em miniatura distribuídas com os pães, que no ano

de 1964 foram contabilizadas em 3 mil, este ano foram ao todo 13 mil imagens distribuídas aos participantes. De acordo com o Departamento de Turismo de Aparecida, a tradição teve grande crescimento nos últimos anos. Neste ano, a festa trouxe para a cidade um grande fluxo de turistas, aproximadamente 70 mil pessoas, esgotando os 31 mil leitos de hotéis e pousada da cidade uma semana antes de iniciar as festividades. A expectativa para os próximos anos é que número de participantes e organizadores atinja um patamar ainda maior, concedendo não só maior reconhecimento ao santo como também o aumento do fluxo de turistas na cidade.

• Cavalaria: sua origem tem duas interpretações. A 1.ª afirma que a Cavalaria é uma variante das antigas cavalhadas, que simula as batalhas entre mouros e cristãos. A 2ª foi uma concessão, feita pelos senhores aos escravos, no dia da festa. • Moçambique: os membros vestem-se de calça e camisa brancas, a camisa dentro da calça, trazendo duas fitas de cores diferentes cruzadas no peito. Na cabeça, um casquete branco, bordado a mão. Nas mãos, os bastões, em vez de espada. Atados aos joelhos, os guizos ou paias. À frente o estandarte levado pela rainha. • Congada: é mais vistosa. Enfeita-se muito. Ela possui embaixada, um grupo de homens e mulheres que vai à frente e constitui sua parte dramática. Traz espadas nas mãos. Admite mulheres na dança. A dança dos moçambiqueiros, como a dos congueiros representa a luta entre os cristãos e os mouros pagãos. • Ritual do mastro: caracteriza o centro energético da festa. É o sentido concreto da verticalidade, unindo Terra e Céu, vivos e mortos, corpo e alma. Aquele que toca ou beija o mastro terá muitas graças. O mastro é enfeitado, e enterrado a frente da igreja.


Educação

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PROJETO INCENTIVA CULTURA REGIONAL

NA FATEA

FATEA, USP e Fundação Jacarehy criam projeto para resgate de cerâmicas do Sítio Arqueológico de Canas

Arquivo do Projeto

Samantha Natielli

Alunos da Escola Municipal de Canas reconstituem as peças de cerâmica As Faculdades Integradas Teresa D’Ávila (FATEA), a Escola de Engenharia de Lorena da Universidade de São Paulo (EEL-USP) e a Fundação Cultural de Jacarehy, juntas, têm o objetivo resgatar objetos de cerâmica encontrados no Sítio Arqueológico de Canas e divulgar a ciência e a tecnologia no Vale do Paraíba, por meio de um projeto de revitalização dessas peças. O projeto: Aplicabilidade da Engenharia de Materiais e Design em amostragem do acervo arqueológico do sítio “Caninhas” para divulgação da ciência e tecnologia à comunidade, por meio de Métodos de Educação Patrimonial é uma união interdisciplinar entre as áreas de Engenharia de Materiais, Desenho Industrial, Educação Artística, Jornalismo, História e Arqueologia. O intuito é incluir a formação de pessoas de diversos níveis de conhecimento (ensino fundamental, médio,

graduandos, pós-graduandos e técnicos especializados) para a integração da comunidade no meio cultural, divulgando a ciência e fortalecendo os valores culturais da região. O Sítio Arqueológico, conhecido como “Caninhas”, foi identificado no final de 2001 durante a abertura de ruas e valas para o sistema de água e esgoto que seria implantado no loteamento da CDHU em Canas. Neste período, foi confirmada a presença de um sítio arqueológico no local, pela Fundação Cultural de Jacarehy. Para o prof. dr. Rosinei Batista, coordenador de pesquisas da FATEA, uma das maiores dificuldades para se lançar pesquisas na área de arqueologia no Vale do Paraíba é a escassez de recursos: “Os maiores desafios são de tornar esse projeto viável sem um financiamento de pesquisa adequado. A importância desse tipo de pesquisa

é enriquecer culturalmente a região, com o desejo de tornar Canas um ponto turístico do Vale”, destaca. As instituições envolvidas possuem funções específicas dentro do projeto. A FATEA, por exemplo, é a responsável pela produção de réplicas dos objetos, baseados nas mesmas formas que as cerâmicas indígenas encontradas, por meio dos fragmentos escaneados em 3D, produzidos na faculdade. A engenharia de materiais é uma ferramenta importante na reconstituição das cerâmicas. “Por meio de análises físicas, químicas e mecânicas é possível saber a data de criação do objeto, o tipo de pintura utilizada, a temperatura em que foi feita e o tipo de argila. Deste modo, os arqueólogos realizam a tradução dos costumes e da cultura Tupiguarani”, explica a profª. drª. da USP, Simone Taguchi. O projeto também conta com a participação de alunos da Escola Municipal de Canas: “O objetivo é a divulgação da ciência à comunidade, de uma maneira informal, mas que permita a consciência para a preservação dos sítios arqueológicos, fazendo com que se reconheça uma identidade sóciocultural”, diz o prof. dr. Rosinei. Para ele, esse projeto não é simplesmente acadêmico, é também, uma maneira de fortalecer a cultura regional e sua economia: “Qualquer iniciativa para desenvolvimento sustentável desta região tão carente é, com certeza, um avanço considerável. Projetos de pesquisa científica com retorno à comunidade são sinônimos de cidadania e senso de responsabilidade social”.

ALUNO DA FATEA VENCE CONCURSO FIB

O aluno vencedor, Alexandre de Oliveira O aluno de Publicidade e Propaganda da FATEA, Alexandre de Oliveira, é um dos vencedores do concurso FIB (Felicidade Interna Bruta), e teve seu layout publicado no livro do projeto. Ele elaborou um layout com uma dica de felicidade: “Olhe para o futuro sem esquecer-se do passado”. Produziu desde a direção

de arte das imagens até o texto. O livro é uma iniciativa da Icatu Hartford, empresa do ramo de Seguros de Vida, Previdência, Capitalização e Administração de Recursos. No livro FIB, foram publicadas 100 dicas bem humoradas e ações práticas sobre como cuidar da mente e do corpo. A obra também falou sobre as finanças do mundo. O futuro publicitário também participou do concurso FUC (Festival Universitário de Comunicação), promovido pelo Clube de Criação do Vale do Paraíba (CCVP) que incentiva a criação publicitária de universidades de todo o país, e ficou na lista dos indicados ao prêmio em dezembro de 2008. Alexandre pretende participar de outros concursos: “O que me incentiva a participar é gerar minha imagem no mercado, me projetar e também projetar a faculdade”, concluiu Alexandre. Segundo o prof. do curso de Publi-

cidade e Propaganda, Marcus Augusto S. Siva, há um incentivo da Faculdade para os alunos participarem de concursos e ganharem prêmios. Apesar de serem participações individuais, o aluno tem o apoio de todo o corpo docente. “Nós acreditamos que não se faz um portfólio acadêmico sem prêmios. E este último advém dos esforços e de colocar a cara na vitrine’”, afirma o prof. Marcus.

Luiza Andrini

Luiza Andrini

Luiza Andrini

O layout que foi publicado no livro

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A FATEA realizou a exposição “Atrás da Linha” - Exposição Coletiva de Arte, entre os dias 13 e 25 de abril, envolvendo artistas de todo o Vale. A exposição aconteceu no Espaço de Exposição do Prédio Teresa de Jesus na própria faculdade, organizada pelo Centro Cultural Teresa DʼÁvila, com o apoio do Núcleo de Arte Contemporânea.

Acontece no dia 6 de maio, um dos eventos em comemoração aos dez anos do curso de Comunicação Social da FATEA, o “Comunicação em Destaque”. Organizado pelos alunos do 3.°ano de Rádio e TV, o evento irá premiar os alunos destaques da faculdade em 2008 e será realizado no Espaço Arte da FATEA, às 19:30h e é aberto ao público externo e interno. Pede-se que as pessoas vão vestidas com blusa branca, uma ação em prol da paz.

Com o objetivo de unir o universo dos veículos impressos e web, o jornal [In]Formação agora tem o seu próprio espaço na internet, o “[In] Formação On-line”. Acesse! http://informacaojor.blogspot.com

A FATEA lança o Curso de Extensão ARTETERAPIA. São 20 vagas, com carga horária de 32h/a em 4 sábados, das 8h30 às 16h30 na faculdade. Início em 25 de abril, R$140,00, ministrado pela professora Adriana dos Santos (psicóloga e arteterapeuta. Inscrições na Tesouraria da FATEA. Mais informações: (12) 3153-2888 ou pelo e-mail: deisecarelli@gmail.com

O 2.°Congresso Integrado do Conhecimento, na FATEA irá se realizar em setembro deste ano e terá como tema: “Valores, Sociedade e Mudança”. Espera-se que 2 mil pessoas participem de mais de 150 atividades durante três dias de congresso. Acesse: www.fatea.br/congresso2


Cidadania

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CRIANÇAS SÃO VÍTIMAS DE PEDOFILIA DENTRO DE CASA Todos os dias 165 crianças ou adolescentes são vítimas de abuso sexual

Talita Escobar

Talita Escobar

A cada nove minutos uma criança é abusada sexualmente no Brasil Um ato de pedofilia acontece, aproximadamente, a cada nove minutos no Brasil e, inclusive, pode estar acontecendo agora mesmo. Estima-se que em nosso país, a cada dia, 165 crianças ou adolescentes sejam vítimas de abuso sexual, e o que é pior, a grande maioria acontece dentro de suas próprias casas. E a maior dificuldade em se combater a violência sexual cometida com crianças ou adolescentes, é, justamente o silêncio. Normalmente, as vítimas de pedofilia demoram a falar sobre o caso ou, até mesmo, nunca o fazem. Os motivos são os mais variados: temem que seus familiares não acreditem na história, sentem vergonha do que acon-

teceu, têm medo do abusador ou se sentem culpadas pela violência que sofrem.“Por geralmente o pedófilo ser uma pessoa da casa, um parente próximo, como um pai ou um padrasto, é mais difícil haver denúncias”, alegou a conselheira do Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente de Guaratinguetá, Paula Coelho Marques. De acordo com o psicólogo e coordenador do Centro de Referência da Infância e Adolescência (CRIA), Antônio Augusto Júnior, para que a criança fale abertamente sobre o abuso, é necessário que sinta confiança no adulto. “Ela está com muito medo e precisa se sentir protegida e amparada, caso contrário essa vítima nunca terá coragem

para contar o que aconteceu”. O psicólogo ainda salienta que o mais importante é que essa vítima seja acreditada pelo adulto que a ouve. “O primeiro passo para que possamos interromper o abuso sexual é com o adulto acreditando na criança”, disse. O CRIA foi criado em Guaratinguetá em 1999, com o objetivo de desenvolver projetos de prevenção, pesquisa e intervenção sobre a questão da violência doméstica e sexual contra crianças e adolescentes. Em 2008, foram atendidos 116 casos, sendo que 40% eram de vítimas de violência sexual. “É um número significativo para uma cidade como Guará, mas isso não é um problema daqui, o abuso sexual é um crime que acontece em todos os municípios, etnias, classes sociais e religião”, disse o coordenador. Apesar da maioria dos casos de pedofilia acontecer dentro de casa, a popularização da internet ajudou a estimular a propaganda desse crime, ao facilitar a troca de material pornográfico infantil e ao aproximar os criminosos de suas vítimas, expostas em sites de relacionamento. De acordo com a SaferNet Brasil, ONG destinada a combater a pedofilia na internet, no Brasil, mais de 90% dos casos onde esse crime é exposto na web se dá por meio de sites de relacionamento, nos quais a troca de informações sobre o assunto é constante. Mas como podemos saber se a criança ou adolescente é vítima de uma violência sexual? Segundo o psicólogo Antônio, não há uma receita de bolo. “O que mães, responsáveis ou até mesmo

professores devem fazer é observar o comportamento da criança. Geralmente existe uma mudança de humor, ou a vítima se torna mais agressiva ou, ao contrário, mais introvertida. Além disso, pode apresentar também conhecimento sexual precoce, medo de dormir à noite, pesadelos frequentes e masturbação excessiva”, explicou. Por isso, mesmo que haja apenas uma suspeita sobre pedofilia, é necessário que se entre em contato com o Conselho Tutelar. “O Conselho tem a missão de zelar pelos direitos dos menores de idade, de protegê-los contra qualquer violência, por isso é importante que as pessoas denunciem casos de maus-tratos, negligência e abuso sexual”, informou Paula. Ao receber uma denúncia como essa, imediatamente o conselheiro se dirige à casa da suposta vítima e tenta obter mais informações com a mãe e com as crianças. Caso a suspeita se justifique, a família é levada para a Delegacia da Mulher para registrar um boletim de ocorrência, sendo que, depois, a criança ou adolescente passa por um exame para saber se realmente sofreu um abuso sexual. “Esse é o procedimento padrão. Caso o exame comprove a prática da violência, o agressor vai responder criminalmente pelo que fez e a criança será acompanhada por psicólogos”, explicou a conselheira. Embora a pedofilia deixe marcas profundas em sua vítima, quanto antes ela for percebida e denunciada, melhor será para a criança, que com um trabalho psicoterapêutico, poderá, aos poucos, recuperar a sua infância perdida.

O DESAFIO DE RECOMEÇAR Famílias tentam reconstruir sua vida após a enchente

Carla Moura nova casa tem sido insignificante, porque cada vez que ela procura a Promoção de Assistência Social, eles lhe dão respostas que a confundem mais. “Uma coisa é certa, eu continuo buscando esse apoio se não vier por parte das autoridades, será da minha força de vontade, porque eu tenho a certeza que vou reconstruir a minha vida”, afirma. O motorista, Francisco Eduardo da Conceição Silva, proprietário de uma casa no BNH em Guaratinguetá, residiu com sua mãe e irmão neste local por dez anos. Após passarem por diversas enchentes, resolveram deixar o imóvel que até a presente data se encontra desocupado, e alugaram uma casa por 250 reais, no Campinho. Ele conta que, em todo esse tempo morando no BNH, somente este ano ele presenciou a Defesa Civil no local oferecendo ajuda às vítimas.“Mesmo assim, não podemos

perder as esperanças, temos que ter força de vontade, e acreditar que podemos recomeçar para melhor”, diz. Segundo o secretário da Assistência Social de Guaratinguetá, Marco Antônio dos Santos, as soluções das vítimas das enchentes acontecem durante e depois. “No abrigo, as famílias recebem alimentação, roupas, colchões, materiais de necessidades pessoais, e quando retornam para suas casas continuam tendo a mesma assistência adquirida no abrigo, e também ganham um kit limpeza para desinfetar a casa devido a presença de bichos”, afirma. A secretaria de Promoção Social conta com o trabalho de 12 assistentes sociais que são os responsáveis pelo cadastramento das famílias atingidas pelas cheias. Os interessados em ajudar as vítimas das enchentes devem encaminhar

suas doações para o Fundo Municipal de Solidariedade situado à Rua Rangel Pestana, 101 - Centro.

Carla Moura

Nos últimos meses, Guaratinguetá passou por várias enchentes que não levaram apenas bens materiais dos moradores. Segundo a Defesa Civil de Guaratinguetá, que atualmente conta com a ajuda de 146 voluntários, cem famílias ficaram desabrigadas com a última enchente ocorrida em março. É o caso de Lucelya Reis, representante de vendas, que viveu oito anos no bairro Matias. Ela perdeu todos os seus bens, incluindo a sua casa própria na última enchente em março. Após um mês da tragédia, Lucelya tenta recomeçar a sua vida, já retornou ao trabalho e aos estudos, porém sua grande dificuldade está sendo conseguir uma nova moradia, ela está sendo acolhida por amigos e parentes, mudando a cada dois dias. Segundo Lucelya, a ajuda das autoridades da cidade para conseguir uma

Lucelya Reis, vítima das enchentes


Viver Bem

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CIRURGIA DE REDUÇÃO DE ESTÔMAGO É UMA DECISÃO DE PESO Os prós e os contras da cirurgia que se tornou moda

Lívia Castro O importante é sempre ter em mente que os resultados depois da cirurgia dependem muito da força de vontade dos pacientes, juntamente com uma dieta balanceada e exercícios físicos. Além disso, o segredo para o sucesso é sempre ter um acompanhamento médico e não substituir uma compulsão por outra.

Calcule seu IMC Lívia Castro

Quando a calça jeans não entra mais no corpo e o aumento de peso torna-se constante, é um sinal de que algo não vai muito bem. Buscando a solução para esse problema, a cirurgia de redução de estômago ou cirurgia bariátrica tornou-se “moda” nos consultórios do mundo inteiro. No Brasil, quando o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a realizar essa operação, em 2001, houve um aumento de 542%, chegando a 3195 no final de 2008, sendo que a fila de espera pode chegar a dois anos. Nosso país é vice-campeão na cirurgia bariátrica perdendo apenas para os Estados Unidos. Calcula-se que 70 milhões de brasileiros estão acima do peso e sofrem de obesidade mórbida, ou seja, possuem o Índice de Massa Corporal, IMC, acima de 40 kg/m² (calcule seu IMC na tabela). A cirurgia passou a ser uma das soluções para esse problema que é considerado uma doença grave, podendo levar à morte. É importante lembrar que a cirurgia só é recomendada em 3 casos: obesidade mórbida; IMC entre 35kg/m² e 40 kg/m² aliado a outros problemas de saúde e ganho excessivo de peso nos últimos anos, sem redução com outros tratamentos. A estudante G.P.O., 28 anos, fez a cirurgia em 2004. Pesava 98 quilos e 1,55 de altura, após a operação conseguiu reduzir seu peso para 55 quilos. “Eu recuperei minha auto-estima. Antes não queria ver

A aluna G.P.O. que trocou a calça 48 por uma 40 ninguém, não saía de casa e estava a ponto de morrer, hoje tenho uma vida social normal, freqüento academia e compro minhas roupas com prazer”, conta. A cirurgia de redução de estômago é classificada em dois tipos: a restritiva, quando se fecham partes do estômago diminuindo-o e a disabsortiva, quando o estômago é reduzido e parte do intestino delgado é desviado. “As grandes dificuldades da cirurgia bariátrica são as complicações no ato anestésico, que podem levar o paciente à morte, e o pós-operatório, quando o paciente tem que comer menos”, explica o cirurgião plástico dr. Dante Vi-

toriano Locateli. Além dos problemas citados pelo médico, o paciente pode ter: deficiência nutricional, problemas nos dentes, vômitos, aumento de chance de desenvolver pedra nos rins, além de problemas psicológicos como depressão, alcoolismo e fumo. A comerciante Maria Cecília Bebiano, 37 anos, sofreu depressão após a cirurgia; hoje recuperada, conta como foi contornar a situação e voltar a ser feliz. “Foi difícil mudar meus hábitos, cheguei a me arrepender da cirurgia, pois só podia ingerir líquidos, mas hoje já estou 100% recuperada e com 75 quilos a menos”, desabafa.

Peso ____________________ (Altura X Altura) Abaixo de 18,5 - Você está abaixo do peso ideal Entre 18,5 e 24,9 - Parabéns, você está em seu peso normal! Entre 25,0 e 29,9 - Você está acima de seu peso (sobrepeso) Entre 30,0 e 34,9 - Obesidade grau I

Entre 35,0 e 39,9 - Obesidade grau II 40,0 e acima - Obesidade grau III (Obesidade mórbida)

Mais que especiais, mães são fundamentais

Stela Gonçalves

Stela Gonçalves

Troca de olhares entre o pequeno Henry e sua mãe Gabriela Santos No dia 9 desse mês, é comemorado o dia das mães. A maternidade já seria o bastante, mas as mães desempenham diversos papéis. Mães que trabalham e que são donas-de- casa, mães que desempenham o papel de pai ou mães bem experientes que hoje contemplam os netos. A psicóloga Rosemeire Soares afirma que a maternidade é fundamental para gerar um laço de relacionamento. “O ser humano precisa se sentir acolhi-

do, e isso resulta na confiança e segurança necessária para a vida toda”, diz a psicóloga. Rose contou também, que caso a pessoa não tenha uma mãe presente, por exemplo, tende a eleger alguém para assumir esse papel, a fim de ter um modelo, o que pode acontecer até mesmo inconscientemente. É cada vez mais comum mães que assumem o papel de pai também, seja por uma separação, ou por opção

de ter uma “produção independente” como alguns denominam. Separada há cinco anos, Kátia Capucho, 45 anos, mãe de dois filhos procura exercer os dois papéis, o de mãe e pai. “Não é fácil, tanto do lado financeiro quanto emocional, eu faço o que eu posso. Tento dar aos meus filhos o melhor; mas, mãe sempre é um tanto ‘mole’ nas decisões, já o pai tem mais firmeza, e consegue impor respeito com mais eficácia”, conta. “Por mais que eu tente, acho que no fundo eles sentem a falta da imagem paterna, pois é aquela que passa segurança. Apesar disso, sinto-me realizada por saber que tenho parte no crescimento destes dois seres iluminados”. Numa situação como essa, a psicóloga alerta: “A imagem do pai, tanto quanto a da mãe, é importante, e uma não deve substituir a outra, e sim completá-la. Mas quando não é possível, o mais adequado é a mãe exercer bem a função de mãe, pois ao tentar ser pai também, corre o risco de não realizar bem nem uma função nem outra” disse Rosemeire, que também é mãe de dois filhos e completou “Se eu não fosse mãe, seria incompleta, mesmo bem sucedida

profissionalmente, a maternidade me fez uma pessoa de fato realizada”. Ser mãe não é algo fácil, sobretudo para mães jovens, que tiveram uma gravidez não planejada. Gabriela Santos, mãe aos 19 anos, conta que não tem tantas dificuldades, pois tem o apoio e a ajuda da mãe: “Ser mãe não é tão simples assim, apesar de ter um bebê saudável e bonzinho, é muita responsabilidade”, disse a jovem que, pela primeira vez, vai comemorar o dia das mães de forma diferente. “É bom ser mãe, sinto que vale a pena ao perceber o olhar de meu filho pra mim”, completou. A mãe moderna tem que sair para trabalhar, já que ficar em casa com os filhos, não é mais algo viável para muitas famílias. É o caso de Eliana Dias, funcionária de uma fábrica na região, que tem que deixar Daniel, de nove meses na creche. “Corta o coração de qualquer mãe deixar o filho com quem quer que seja, mas para o próprio bem dele preciso trabalhar, quero dar a ele o que não tive, mas aproveito muito o tempo que tenho com ele, prefiro qualidade de tempo e não quantidade”, afirma.


Em pauta

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CASADAS COM O TRABALHO

Em busca de realização pessoal e lugar no mercado, mulheres adiam o sonho de se casar para investir na carreira

Vestido branco, véu, grinalda, som de violino no ar e igreja lotada. Qual mulher nunca pensou no cenário perfeito para o dia do seu casamento? Neste mês de maio, período do ano considerado o mais propício para a união dos casais, muitas são as apaixonadas que investem na vida a dois e formalizam o compromisso. Mas há também aquelas que preferem adiar essa data. Empenhadas no crescimento pessoal e na carreira, hoje, grande parte das mulheres colocam esse sonho em segundo plano para conquistar independência. A analista de Tecnologia da Informação, Ana Renata Siqueira, de 25 anos, é um exemplo. Todos os dias, ela acorda às seis horas da manhã para prepararse para sua rotina: dez horas no trabalho, depois, mais quatro na faculdade. Nos finais de semana, ao invés de passear e descansar, a jovem cachoeirense passa o seu tempo lendo livros, estudando e participando de eventos na sua área de atuação. “Informática é 100% da minha vida, é a coisa que mais me dá satisfação e realização como pessoa”, destaca Ana, que acredita que, neste momento, não conseguiria se dedicar plenamente num relacionamento mais sério. “Não pretendo me casar agora porque acredito que eu não posso me dedicar ao meu trabalho e ao casamento. Ou você investe numa coisa ou em outra. Eu optei pela minha carreira”. As estatísticas comprovam que não é somente Ana Renata que pensa des-

Ariane Fonseca

Ariane Fonseca

A analista de TI, Ana Siqueira, dedica mais de 14 horas do dia ao trabalho ta forma. De acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a idade média das mulheres no casamento aumentou. Em 2006, ela era de 25,4 anos, já em 2007, considerando-se as uniões formais e não formais, este índice saltou para 27,2. Outro estudo da mesma instituição aponta que quase 57% das mulheres sem instrução estavam casadas ou viviam com um parceiro quando foi feito o levantamento. Quando se trata das com oito anos ou mais de estudo, esse percentual cai para 45%. Para o professor Doutor em Antropologia, Adílson Mello, esse novo cenário feminino é conseqüência da

modernidade. “O mundo moderno se organizou em torno da razão e isso trouxe uma série de transformações no convívio humano. Todas essas mudanças levaram a mulher a buscar um lugar no mercado, já que antes ela não podia fazer isso”. Mello acredita que elas não deixaram de lado o sonho de se casar, apenas estabeleceram prioridades por determinado tempo de suas vidas. “Conciliar uma nova organização cultural que faça com que ela relacione os atributos ligados a sua identidade, como o cuidado com os filhos, a casa, entre outros, a essa nova realidade do trabalho é complicado para certas

pessoas. Por isso, algumas preferem adiar essa decisão”. Ana Renata resolveu colocar em segundo plano o casamento porque já teve problemas em conciliar namoro com a rotina de trabalho. “Ele não entendia essa minha paixão pela profissão, queria as atenções todas para si. Se namorando ele exigiu de mim mais do que eu poderia dar, imagina num casamento?”, indagou a analista. O professor Doutor em Psicologia, André Ramos, explica que os fatores psicológicos que criaram essa nova mentalidade nas mulheres foram a possibilidade de autonomia e a liberdade. “Participando mais do mercado de trabalho, as mulheres se apropriaram dos valores que norteiam este ambiente, ou seja, da competitividade. Isto ocupou o espaço que ela tinha para se dedicar à família, repartir a sua atenção com trabalhos domésticos, entre outros”. Ramos aponta também que a luta pelo seu lugar é uma característica básica do ser humano, sendo assim, quando a mulher tem condição de lutar por essa independência, não abre mão tão facilmente. “Quando estão dentro de casa ou submetidas ao marido e à família, as mulheres não têm liberdade de escolha. O que vão decidir depende do que eles aceitem ou não. A possibilidade de perder a autonomia faz com que elas primeiro invistam no que lhes proporciona liberdade”, conclui.

CAMPEONATO DE KART AGITA A REGIÃO Lucas Staut A Copa Kart 13 HP’s 2009 tem agitado pelo menos um fim de semana por mês, no Kartódromo Internacional de Guaratinguetá. Trata-se de um campeonato de kart amador, com 12 etapas, sendo uma por mês. Os 24 pilotos inscritos ficam ansiosos pela chegada das corridas, que têm sido muito disputadas. Já foram realizadas quatro etapas e o vencedor, além do título anual e troféu, tem direito a um treino de meia hora de duração em um kart profissional. O campeonato é dividido em duas categorias, de acordo com o peso do piloto: acima de 80 quilos e até 80 quilos, que recebem os apelidos de “truck” (caminhão, em inglês) e “pena”, respectivamente. As corridas acontecem em horários variados, mas sempre aos domingos. A duração de cada prova é de 25 minutos, sem paradas, com uma média de uma volta por minuto. A entrada é franca. Para ganhar em emoção e competitividade, uma das regras do campeonato, é a inversão do grid de largada.

Ou seja, quem chega em primeiro, larga em último e quem chega em último larga em primeiro, na próxima corrida. “Tento aproveitar ao máximo os primeiros instantes da prova para fazer as ultrapassagens que preciso, pois depois a corrida ganha um certo ritmo e com isso, fica mais difícil”, diz Rodolfo Staut, 24 anos, vencedor da primeira, segunda e terceira etapas, na categoria acima de 80 quilos. O vencedor das segunda e terceira etapas, na categoria abaixo de 80 quilos, Bruno Moritz, 27 anos, afirma que o segredo é não esperar muito nem pensar muito antes de fazer. “Se você pensa antes de fazer, perde tempo. Não podemos perder tempo. É tudo muito rápido. Não dá tempo de nada. Você tem que fazer conforme pensa, ou seja, tem que fazer sem pensar. Acho que é por isso que falam que somos meio sem juízo.” Em dias de chuva, a preocupação com a segurança aumenta, mas as provas são realizadas da mesma maneira,

ganhando ainda mais em emoção, principalmente para as famílias dos pilotos. “Na categoria pena, participam meus dois filhos e meu marido. Imagine como eu fico, com o coração na mão. Tem provas que prefiro ficar em casa para sofrer menos. Não dá nem coragem de ir lá, até porque se eu torço pra um ou pra outro, vai acabar gerando ciumeira em casa depois”, diz Jane Moritz. O interesse pelo esporte vem crescendo a cada ano no Brasil. Na década

de 90, existiam em torno de 15 kartódromos no país e hoje são mais de 40. O administrador do Kartódromo Internacional de Guará, Alexandre Oliva, acredita que campeonatos como esse ajudam na divulgação do esporte automobilismo e do próprio kartódromo. “Estamos sempre tentando melhorar a estrutura tanto para pilotos, como para visitantes”. Para mais informações, o telefone do kartódromo de Guará é o (12) 3132-8000.


Regional

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Festa de Nosso Senhor Morto em Areias: fé, folclore e tradição Vivemos na era da globalização e das novas tecnologias, em que as pessoas não dedicam mais parte de seu tempo para histórias e tradições de seus antepassados. Porém, numa pequena cidade do Vale Histórico com apenas 3.826 habitantes, as tradições ainda permanecem vivas e são passadas de geração em geração. A Festa de Nosso Senhor Morto em Areias, que acontece todos os anos no dia 03 de maio é um exemplo. Realizada há quase um século por um grupo de festeiros, ela é esperada o ano todo, tanto pelos festeiros quanto por toda a população da cidade e municípios vizinhos como: Lorena, Santa Cabeça, Queluz, Cruzeiro e Resende no Rio de Janeiro e até por devotos de Belém do Pará. A festa é regida por uma curiosa história. Os mais antigos da cidade contam que, no alto do morro, vivia um senhor muito humilde, que andava todos os dias pelo bairro. Certo dia, ele desapareceu, então resolveram ir até o seu casebre para saber o que havia acontecido. Chegando lá ele não estava, no local havia apenas a imagem do Senhor Morto esculpida em madeira. A partir disto, alguns fazendeiros resolveram levantar uma igrejinha no local em homenagem à imagem encontrada e deram o nome de Bairro do Senhor Morto. Até hoje ninguém nunca soube o paradeiro daquele senhor. Diz à história que o santo ficava em sua capela no alto do morro e quan-

Flávia Farias

Flávia Farias

Igreja do Senhor Bom Jesus , local onde fica a imagem do Santo em Areias do ficava muito tempo sem chover, a população fazia uma procissão levando o santo de sua Capela até a Igreja Senhor Bom Jesus, e acontecia um milagre: chovia. Hoje, devido aos roubos ele permanece na Igreja Senhor Bom Jesus, perto da Igreja Matriz e só é levado para a Capela no dia da festa. Professora aposentada e festeira há 15 anos, Leda Maciel Sampaio, explica cada detalhe da festa. “Ela é dividida em várias etapas. No carnaval nos reunimos na cidade e dividimos as tare-

fas: cada festeiro fica responsável pela venda de rifas e arrecadação de prendas para o bingo que é realizado dois dias antes. Depois são confeccionadas manualmente, as flores de papel colorido para enfeitar dentro e fora da Igreja. Por fim, temos que arrumar o esquife do Senhor Morto e o mastro. Tudo é preparado um dia antes e levado bem cedo ao local da festa”, diz. Às seis horas da manhã, inicia a grande queima de fogos. A fé e a devoção pela imagem do Senhor Morto deita-

do no esquife (caixão) leva um grande número de pessoas desde crianças até idosos, a subirem o alto do morro por 3 km carregando o mastro e o santo, na caminhada de uma hora com destino à Igreja onde é celebrada, às 10 horas, a Missa Festiva. Após o término da missa, são servidos gratuitamente, cachorro-quente, pastel, biscoito, refrigerante, algodão doce, pipoca e os tradicionais doces cristalizados de abóbora, batata-doce e banana. Para o atual Pároco da Matriz Pe. Hudson Rabello, a Festa do Senhor Morto realizada pelos areienses, é uma mistura de devoção, tradição e folclore, pois ela não acontece em torno do calendário litúrgico da Igreja Católica. “O dia exato de celebrar a paixão e morte de Jesus Cristo é a sexta-feira santa, mas como é tradição do povo realizar no dia 03 de maio, ela sempre caí após a celebração da Páscoa”. Para o historiador e pesquisador de assuntos sobre o Vale do Paraíba Francisco Sodero Toledo, a tradicional Festa de Nosso Senhor Morto representa para o Vale Histórico, a manutenção da tradição religiosa e da expressão popular da nossa região.“Por ser passada de geração em geração pelos grupos familiares que viviam naquele local, a festa tornou-se uma marca da manifestação tradicional religiosa. Além de trazer à tona toda a fé, religiosidade e espiritualidade, a festa expressa também a cultura popular da cidade”.

CRUZEIRO NA ROTA DO TURISMO

Sara Alves

Sara Alves

Pico dos Marins e do Itaguaré, um dos mais altos da região Entre os pontos turísticos que Cruzeiro oferece, a trilha conhecida como a da Santa, é uma das preferidas dos aventureiros. O caminho é repleto de belas paisagens, desafios e lazer. Além disso, a vista que se pode ter no caminho é linda. No passeio, que se inícia ainda pela madrugada, às 5h, encontram-se belas cachoeiras, frutas silvestres e minas naturais. A cachoeira Três Quedas é a primeira ao longo do percurso. Recebe esse nome por ser formada por três quedas, de 10 a 20 metros

cada. Um pouco mais adiante, cerca de 2h, avista-se a cachoeira Véu das Noivas, de 45 a 50 metros de comprimento, formando um escorregador natural que se assemelha aos antigos véus usados pelas noivas. É ideal para os praticantes de Rapel. Dantra Barros é um aventureiro de Cruzeiro. Com 30 anos, já percorreu 30 vezes a trilha. Ele considera a cachoeira Véu das Noivas a mais bonita. Com experiência nesse tipo de turismo ele dá algumas dicas. * (Confira ao lado)

O caminho dura aproximadamente 12h, com paradas para lanchar, contemplar e desfrutar do local. Para aqueles que preferem acampar, os arredores das cachoeiras são um ótimo lugar. De bicicleta é impossível fazer essa trilha, devido a uma contínua subida. Outros atrativos que contribuem para que área seja um desafio para os visitantes são o Grande túnel e a Linha Seca, atualmente desativados. O túnel possui 900 metros de comprimento. A Linha Seca é um trecho onde existe somente a linha e, caso perca o equilíbrio, há o perigo de se machucar. Além das riquezas naturais, esse área possui grende destaque histórico. O Grande Túnel, citado acima, foi inaugurado em 1884, tendo como convidados para a primeira viagem de trem, Dom Pedro ll, Dona Teresa Cristina, a princesa Isabel e o Major Novaes, fundador de Cruzeiro. O local também foi palco da Revolução de 32. Ainda encontra-se no caminho, os esconderijos usados pelos soldados combatentes. Para o diretor de turismo da Cruzeiro, Kalled Penna Valle, não só as belezas naturais devem ter destaque, mas também o lado histórico da cidade deve ser explorado. A trilha da Santa na verdade é um

nome popular; o nome correto é Estrada Real. Na época do Brasil colônia, essa trilha serviu de caminho para os bandeirantes que saíam do Rio de Janeiro com destino a Minas Gerais. Por volta das 5h da tarde, o trecho que se inicia na rodovia SP-52 em Cruzeiro, tem o seu término no Km 25, divisa com a cidade de Passa Quatro (MG). No fim do trajeto encontra-se a imagem de Nossa Senhora da Aparecida e uma bela vista da região. Esse pode ter sido o motivo pelo qual a trilha pode ser conhecida popularmente como a da Santa. O lugar é de livre acesso e não oferece guia para acompanhar.

* Dicas de Dantra Barros: Ao sair de casa confira sua mochila, ela deve ter: alimentos leves como frutas e barras de cereais; água e energético; protetor solar; faca ou facão para alguma eventualidade, lanterna, bússola se for o caso e kit de primeiros socorros. Saia de casa vestido com roupas leves e tênis.

Jornal [in]Formação 3ª. edição 2009  

Jornal laboratório da Habilitação em Jornalismo do Curso de Comunicação Social, das Faculdades Integradas Teresa D'Ávila de Lorena, SP. Prod...

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