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ENTREVIST

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TALENTOS em Notícia...

Guarulhos, 08 de junho de 2017

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Décio de Camargo Pompêo Décio de Camargo Pompêo (76), filho caçula do ex-prefeito de Guarulhos na década de 60 Waldomiro Pompêo. Décio sempre foi carismático e visionário foi o único filho a seguir seu pai na carreira política. Durante muito tempo, desde os anos 60 participou ativamente da política guarulhense, carregando o estigma de embaixador guarulhense, maneira carinhosa como é chamado por amigos. Hoje, Décio um “arquivo vivo” nos relata em entrevista ao Jornal Independente, histórias desta grande cidade que explodiu ao longo do tempo.

Jornal Independente:- Logo pela manhã estamos tomando um delicioso café, num bate papo sem hora para acabar. Décio você nasceu em Guarulhos? Décio Pompêo:- Não, nasci em São Paulo no bairro do Brás. Em maio de 1953, meu pai veio pra Guarulhos com uma madeireira no polo industrial de Guarulhos no bairro Itapegica. Depois em 77 foi para o bairro Aracília na divisa de Arujá. JI:- E como foi a estadia de sua família, a cidade já despertava para o crescimento? DP:- Nesta época não tinha energia elétrica no Itapegica, me recordo que chegou em 1954, pela conquista de meu pai, ele já era um homem rico, visionário, buscava sempre trazer para o município o progresso, antes de ser político trouxe o corpo de bombeiros, fundou o Rotary Club, inaugurou o marco da cidade na Praça Getúlio Vargas, trazendo o poeta Guilherme de Almeida, influenciou na criação do hino a Guarulhos, pela professora Nicolina Bispo dos Santos, do Colégio Capistrano de Abreu, ele sempre estava à frente do progresso, entre outros benefícios. Costumo dizer que temos duas histórias, antes e depois da Rodovia Dutra, iniciada em 1951. Guarulhos tinha uns 30 mil habitantes, e todos se conheciam. JI:- A história nos apresenta um

grande prefeito Waldomiro Pompêo, seu pai, que por duas vezes governou esta cidade, em tempos de ditadura militar e grande desenvolvimento como foi? DP:- Em 1965 através dos grandes amigos o sr Muriô Sakamoto e João Pipoca, que levaram o nome de meu pai para convenção do partido como candidato a prefeito, num comício no Jardim Munhoz, recebem a notícia da instauração do AI-5 (ato institucional número 5) e as eleições foram canceladas, nomeando um interventor Mario Antonelli, como prefeito. JI:- Quando retomou as eleições? DP:- No ano seguinte em 66, meu pai sai candidato novamente, e obteve 90% da votação. Na época a câmara tinha 17 vereadores, 12 eram oposição e 05 a favor. Foi muito difícil governar, mesmo assim implantou o SAAE. Foi quando ele me chamou, e me convidou a ser candidato a vereador, dizendo ser eu o mais preparado entre meus irmãos. Em 69 deixou a prefeitura quando a cidade já tinha mais de 200 mil habitantes. Indicando Muriô Sakamoto como prefeito, mas quem ganhou foi Alfredo Nader. Minha primeira eleição foi em 68 como vereador, tive cinco mil votos, representava 10% do eleitorado municipal. JI:- Como foi sua experiência nesta primeira gestão? DP:- Nesta época vereador não ti-

nha salário, assessor, gabinete, eu fazia minha campanha num fusca, visitando os bairros. O momento mais importante da minha vida, foi quando como presidente da Câmara, empossei o meu pai reeleito prefeito pela segunda vez. JI:- Como foi o segundo mandato, qual foi sua atuação? DP:- Também já estava no meu segundo mandato como vereador, foram anos de glória, a população aumentava e as avenidas e bairros cresciam como as Avenidas:- Juscelino Kubitschek, Brigadeiro Faria Lima, Timóteo Penteado até a Fernão Dias, Otávio Braga, Anel Viário, todas obras de meu pai. O projeto da Airton Sena, rodovia dos trabalhadores nasceu no gabinete no final do mandato em 76, junto ao secretário de obras Abdul Aziz Miguel, que levou ao governador Paulo Maluf e ele concluiu a obra, nomeando Abdul diretor do Dersa. JI:- Sua carreira política foi de grande aprendizado, pois mantém até hoje bons relacionamentos? DP:- No final de seu último mandato meu pai me levou até o Bom Clima e me mostrou a área onde seria construído o centro administrativo, no Paço Municipal. A casa é a mesma até hoje, mas, só deu tempo para fazer a desapropriação. Construí um império de grandes amigos. JI:- Sua história de vida esteve atrelada a do seu pai por longos anos, foram grandes companheiros? DP:- Sim ele foi um homem rico que morreu pobre, faleceu em fevereiro de 1982, passei 20 anos para voltar à realidade sanando dívidas, também não mais participei da política como vereador, fui assessor no executivo e legislativo até a administração de Sebastião Almeida. JI:- Vamos falar do homem caris-

mático Décio Pompêo, casado, tem filhos? DP:- Fui um jovem político e atleta, jogava vôlei, a musica é meu alento, toco piano “de ouvido”. Fui casado com Neusa, que faleceu em 2010, tive dois filhos, Deborah e Decinho. Hoje minha companheira é Magali, que me traz felicidade. JI:- Como um homem politizado, como vê esta nova administração? DP:- Acredito que a chave de uma boa administração está em ter no quadro de cada setor administrativo sempre a frente um político e um técnico. Aplaudi a nomeação do Dr. Sergio Iglesias, competente. A falha está em não contemplar os ex-comissionados, pessoas que trabalharam, pais de família, gestantes, fazendo com que a sociedade assuma os problemas, como a igreja. É o direito do cidadão. É um desgaste sem necessidade. “É como dividir amendoim”. Guarulhos é uma cidade complexa, aqui entra de 20 a 30 mil pessoas por ano. JI:- Finalizando a entrevista qual a mensagem que deixa para os guarulhenses? DP:- Vou falar para os políticos de Guarulhos, gostaria muito de ver nossos deputados que temos hoje quatro na assembleia e dois na Câmara federal, os seis reunidos numa sala tratando dos interesses da cidade, trazendo verbas, brigando pelo que ela tem direito. Ao povo desta cidade, estamos num momento maravilhoso, coisas que jamais pensaríamos em ver, como um rico na cadeia, está acontecendo, estamos mexendo o omelete. Mas, quero ver ao final de tudo o dinheiro voltar aos cofres públicos, não só dos políticos, mas dos grandes empresários como a JBS. Em se falando de Guarulhos, devemos esperar, ter paciência com a atual administração, acredito que as intenções são as melhores.

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Independente 1208  

Cecap adere ao programa Lixo Zero

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