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JUNHO / JULHO DE 2017 - ANO 16 - Nº 98

Os mistérios do cérebro à luz da imagem diagnóstica

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m estudo americano mostra agora as bases cerebrais da compaixão, da angustia e, através da ressonância magnética (Ashar et. Al), define o papel da empatia como um mecanismo neuronal básico dos humanos. Sessenta e seis voluntários submeteram-se a exames de ressonância magnética funcional enquanto ouviam testemunhos reais de dramas humanos, alguns com final feliz, outros não, enquanto voluntários tiveram de avaliar como cada história os fez sentir. O trabalho traz a tona a grande diversidade de estudos, em todo o mundo, que procuram desvendar os mistérios do cérebro e definir todo o potencial dessa tecnologia que, a cada ano, agrega novos recursos e soluções para temas específicos da Medicina, com ênfase na Neurorradiologia, como as doenças degenerativas e psicopatias. A primeira coisa que comprovaram é que a empatia não se restringe a uma região determinada do cérebro – muitas interferem, e com funções bem diferentes. “O cérebro não é um sistema de módulos no qual há uma região encarregada da empatia. Trata-se de um processo distribuído”, diz o diretor do laboratório de Neurociência da Universidade do Colorado, em Boulder (EUA), e coautor do estudo, Tor Wager, em matéria publicada no jornal El Pais. Publicado originalmente na revista Neuron o artigo cientifico demonstra padrões cerebrais muito semelhantes quando empatizam com os protagonistas de cada história. Apesar de a emoção ser muito pessoal, o padrão de ativação é comum. De fato, puderam usar esses padrões como marcadores para prever como outro grupo de 200 pessoas, cujo cérebro não foi escaneado, avaliaria as mesmas histórias ouvidas pelo

Ferramenta digital reduz índice de biópsias desnecessárias

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m dos homenageados da JPR´2017, o Dr. Anthony Thomas Stavros concedeu, pela segunda vez, ao ID - Interação Diagnóstica sobre radiologia mamária e uma ferramenta digital, o Ikonopedia, que estava lançando em 2013, quando veio para o Congresso Brasileiro de Radiologia, em Curitiba. Destacou o papel dessa nova ferramenta, ainda em fase de implementação, sobre as nova tecnologias, que tem aprimorado o diagnóstico das doenças da mama e a evolução da radiologia mamária. O Dr. Stavros é professor da Universidade do Texas Health Science Center e membro de diversas entidades, como a Radiological Society of North Amercia (RSNA), o American College of Radiologya (ACR), e a Sociedade Europeia de Radiologia (ESR). Ele também é autor do livro Breast Imaging. Na foto, com a dra. Andrea Freitas, sua esposa, que ajudou na tradução. Matéria na pag. 6.

primeiro. Os pesquisadores acreditam que esses padrões podem, no futuro, ser úteis na detecção de transtornos como a psicopatia e demências. Nesta edição, pós JPR´2017, o futuro da Radiologia e do Diagnóstico por Imagem, mais uma vez, esteve presente em análises, em entrevistas e mostra que apesar de tudo, a condução dos processos tem que ter a figura do profissional, a presença do humano, pois, valores e códigos éticos não podem estar ausentes na relação médico-paciente. A palestra de abertura, do prof. Alfredo Buzzi, da Argentina, onde temas como relações humanas na prática diária foram enfatizados, dá a dimensão de todo este processo. Veja mais nas páginas 4, 5, 6 e outras.

SPR empossa nova diretoria e já inicia os trabalhos do “Feres Secaf”

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mpossada durante a JPR´2017, a nova diretoria (foto) tem como presidente, o dr. Carlos Homsi, medico radiologista, em substituição ao dr. Antonio Soares de Souza. Na pag. 4 apresentamos um balanço do que foi o evento, as homenagens prestadas a brasileiros e convidados estrangeiros, o que já é uma tradição. Um registro especial aos dois brasileiros, o presidente de honra, dr. Nelson M. Caserta e o patrono, dr. Cesar Araújo Neto, com uma grande história na especialidade. A próxima JPR´2018, será em parceria com a RSNA de 3 a 6 de maio. Sem tempo para cruzar os braços, a nova diretoria já está as voltas com o Curso de Atualização em Radiologia “Prof. Feres Secaf”, que será realizado de 28 a 30 de julho, no Maksoud Plaza Hotel. Inscrição se encerra no dia 14 de

julho, se ainda houver vagas. Informe-se: www.spr.org.br. Confira outros eventos nesta edição.

Congresso do CBR: temário definido De 12 a 14 de outubro, Curitiba sediará o Congresso Brasileiro de Radiologia, que será realizado no Centro de Eventos da Unimed, promovido pelo Colegio Brasileiro de Radiologia. A Comissão Científica, agora presidida pelo dr. Dante Escuissato, já definiu a programação que está disponibilizada no site da entidade: www.cbr.org.br. Grandes nomes da especialidade já foram confirmados para oferecer o que há de mais atual na especialidade, com espaço reservado para as novas gerações, como ocorreu em 2016. O primeiro prazo para inscrição com desconto encerra-se no dia 31 de julho.


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EDITORIAL Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

JPR´2017

Sob a ótica da humanização e dos valores éticos na prática médica, um evento a ser comemorado

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um feliz contraponto, a 47ª JPR conseguiu uma grande proeza, mostrar os principais conteúdos científicos, os maiores avanços tecnológicos e interagí-los com valores humanos, ética, na busca de melhor relação médico paciente. O grande número de convidados de diversos países, a parceria com a Sociedade Francesa de Radiologia, como sempre constituiu um ponto de atração, e permitiu grandes apresentações sob uma ótica mais humana, já que medicina europeia ainda traz esses traços na sua prática diária. O contato com o paciente foi valorizado, enfatizado, deste o primeiro minuto dos trabalhos, com a escolha da imagem que ilustrou toda a programação, e a presença do prof. Alfredo Buzzi, da Argentina, um humanista, historiador e radiologista enriqueceu o conteúdo e surpreendeu a muitos, pois, com sua grande competência colocou na pauta das discussões sobre essa temática, um pouco esquecida no Brasil. Os avanços da tecnologia também estiveram presentes no evento, com grandes conquistas para a Medicina moderna. Novos tomógrafos, novas ressonâncias, ultrassons que falam e até fazem exames sozinho, arquivamentos na nuvem, aplicativos que reduzem custos, que tiram empregos de muitos, softwares que reduzem radiação, enfim tanta informação que as páginas de um jornal seriam insuficientes. Alguns deles totalmente focados no conforto e na humanização. Mas, é gratificante constatar que ao longo desses 47 anos, o evento continua forte, é a principal vitrine para a especialidade no sentido dos negócios e no foco da produção cientifica, cujos trabalhos superam quaisquer expectativas e se comparam aos melhores. Temos casuísticas, temos bons estudantes e temos bons serviços, e essa soma só poderia apresentar bons resultados. Os avanços tecnológicos e muitos deles estão em nossas páginas nos surpreendem pelo grau de sofisticação. E, no momento em que se volta para a valorização da especialidade, desde o seu método de origem a Radiologia, que já não é tão convencional, pois tem CR DR e muito mais, os novos tomógrafos com quase 98% de redução dos índices de radiação, mamógrafos que conseguem ver quase tudo, chegamos as ressonâncias magnéticas que estão mudando os parâmetros na Neurologia, nas doenças degenerativas, abrindo frentes nunca pensadas. Um registro mais que especial, a diversidade de conteúdo, com a introdução de novos temas, como gestão, administração, investimentos, que definem o novo perfil

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do segmento e a necessidade de profissionalização. Tudo está mudando, a gestão não pode ficar estagnada. E o papel do evento, como avaliá-lo? A luz da nossa realidade, onde o dinheiro anda muito escasso, onde a crise política, jurídica e institucional parece não querer terminar, a expectativa gera outra grande questão: o que vai substitui-los, a venda pela internet, através dos representantes apenas? Eventos são vitrines, necessários e imprescindíveis. Quando se consegue falar

Sessão de posse da nova diretoria, que será presidida pelo dr. Carlos Homsi.

com um mínimo de 1.000 médicos e até 6.000, como a JPR, em apenas quatro dias. Essa logística pode estar superada, cabe a quem vende, sugerir alternativas. Ninguém desconhece, os eventos precisam apenas ser melhor aproveitados. Temos 12 meses para pensar: a próxima JPR, a de 2018, já está definida, será de 3 a 6 de maio, em parceria com a Radiological Society of North América. Mãos a obra.

Giovanni Cerri na Academia Nacional de Medicina

m 20 de junho, o professor Giovanni Guido ender esta jornada que se inicia hoje, e a todos os Acadêmicos presentes, pela generosa acolhida que recebi e pelas Cerri tomou posse como Membro Titular da inúmeras conversas agradáveis e enriquecedoras que me Academia Nacional de Medicina - ANM, no Rio proporcionaram ao longo destes últimos meses”, enfatizou de Janeiro, saudado pelo prof. Silvano Raia, o prof. Cerri, complementando sua fala com seu histórico que fez um relato de sua história de trabalho, pessoal e acadêmico. de pesquisa e de ensino, destacando sua produção científica, seu espírito empreendedor, fatores que balizaram Ao encerrar, Giovanni Cerri também agradeceu aos a sua escolha como membro da instituição. O acadêmico familiares e afirmou seu compromisso com a Academia vai ocupar a cadeira de Nº 83, da Secção de Ciências Aplicadas à Medicina, que tem como patrono Vital Brazil, o grande sanitarista e que, desde 1991, era ocupada pelo também radiologista, Luiz Felippe de Queirós Mattoso, que passou recentemente a Membro Emérito. A solenidade contou com a presença de amigos, familiares, convidados e autoridades, com destaque para o Governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin e sua esposa, Lu Alckmin. Também marcaram presença, entre outros, o prof. José Otavio Costa Auler, diretor da FMUSP, dr. Florentino Cardoso, presidente da AMB, dr. Paulo Chap Chap, diretor do Hospital Sírio Libanês, engº Antonio José Pereira, dra. Governador Geraldo Alckmin e a primeira dama Lu Alckmin; Francisco Sampaio, Presidente da ANM; Luciana Cerri e Giovanni Cerri; Arnaldo Hossepian, conselheiro Eloisa Bonfá, dr. Maria Cristina Chammas, do Conselho Nacional de Justiça. do Hospital das Clínicas da FMUSP. Ao cumprimentar o Presidente da Academia Nacional Nacional de Medicina, lembrando que “neste momento de Medicina, prof. Francisco Sampaio, lembrou do seu difícil em que vive o país, com milhões de desempregados, excelente trabalho na condução da Instituição ao longo de gravíssimos problemas sociais, críticas pertinentes à qualidade da assistência médica oferecida, uma Sociedade em seu mandato, que permitiu maior visibilidade à instituição confronto, valores éticos destroçados e futuro incerto, entro ao debater assuntos relevantes da Saúde Brasileira. “Quero na Academia Nacional de Medicina disposto a contribuir agradecer os Acadêmicos que me conduziram para esta para esta Casa com ideias e ações que possam ajudar a esta cerimônia, Luiz Felippe Mattoso, Pietro Novellino, Carlos gloriosa Instituição a continuar cumprindo sua missão por Giesta, Paulo Niemayer, Marcos Moraes e Jorge Alberto mais difícil que ela seja”. Costa e Silva pela amizade e pelo incentivo para empre-

Workplace, a rede social do CBR

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presidente do Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), Dr. Manoel Rocha e o diretor Dr. Rogério Caldana, anunciaram o lançamento no dia 06 de junho o lançamento do Workplace - uma ferramenta desenvolvida pelo Facebook com acesso restrito a convidados. A nova plataforma virtual para integração dos médicos que trabalham com Diagnóstico por Imagem, está acessível aos associados do Colégio, que receberam convite por email, para participarem dessa “rede social”, que vai permitir discussões de carácter educacional, científico e também de defesa profissional, de acordo com a política de uso recomendada pelo CBR, que será responsável pelo monitoramento do conteúdo, garantindo o uso adequado da plataforma. O objetivo de oferecer mais esse benefício aos associados é de reunir residentes, médicos radiologistas e professores em diferentes grupos de interesse, para que possam compartilhar conhecimentos e fazer novos contatos, ampliando, com isso, a capacidade de interação no meio radiológico. Com essa ferramenta, disponível em desktops, smartphones e tablets, a entidade mostra que está conectada às novas metodologias de ensino e de interação entre profissionais. Conheça a rede social do CBR acessando o site no endereço: https://cbr.org.br/home/ JUN / JUL 2017 nº 98

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BALANÇO JPR’2017 Por Valeria Pereira de Souza (SP)

Grandes homenagens e um conteúdo muito elogiado Com os olhos voltados para os novos desafios que a especialidade enfrenta, onde o acesso digital assume um papel cada vez mais importante, e o médico tem que se reinventar, a JPR´2017 marcou mais um êxito da Sociedade Paulista de Radiologia. Se os números de participantes são importantes, e ao longo destes 47 anos, o evento vem se mantendo como o principal mostra científica do Pais, um divisor de águas para atualização e para o mercado da imagem. Para os que atuam na área, o ano está apenas começando. Cada um com suas avaliações, com suas planilhas, e os que buscaram o conhecimento cientifico apenas, o saldo foi dos mais comemorados.

os nossos países, pois apenas 10% dos estugerações. É uma grande emoção.”. ideal e do bem. É minha 20ª participação na dantes brasileiros com formação no exterior Após as homenagens, assumiu a fala JPR e, entre muitos nomes, lembro dos drs. são acolhidos na Europa”, diz Drapé. o Presidente CBR, dr. Manoel de Souza Jorge Kawakama e Pedro Daltro. Para mim Na sequência, o público pode presRocha:” Quando andamos pela JPR, é integrar o grupo de radiologistas brasileiros tigiar ainda na abertura oficial, as tradinossa obrigação lembrar de todos que traespecialistas em tórax e tomo, e que hoje cionais homenagens balharam para a JPR, que é fruto de várias tem uma participação ealizada de 4 a 7 de maio, no àqueles que deram gerações, para que, hoje, alcançasse essa ativa multidisciplinar Transamérica Expo Center, a contribuições relevandimensão e esse alto nível, principalmente, das especialidades, proJornada Paulista de Radiolotes para consolidação movendo uma fecunneste momento em que a radiologia tem um gia contou com a parceria da da produção científica da especialidade; asdesafio a superar. Estou há 35 anos nessa Sociedade Francesa de Radiosistir duas aulas magno Brasil e exterior, é área, e já ouvi essa história várias vezes: logia, que abordou como tema principal: A nas, sendo a primeira: um orgulho, pois sou que a radiologia iria acabar. Mas a capaciRadiologia Francesa: as Relações Humanas dade de renovação da nossa especialidade, “Radiologia Francesa: grande admirador dessa e a Boa Prática Médica. transmite uma mensagem de otimismo As Relações Humanas sociedade. Tenho muita Foram 100 empresas expositoras e 27 para o futuro que está tão presente nesse e a Boa Prática Médigratidão por meu pai e cursos, realizados em 20 salas simultâneas ca”, com o Dr. Gérard evento. Aproveitem e aprimorem o seu avô, modelos de seres nos 40.000 m² ocupados no Transamérica Morvan, da Sociedade conhecimento para estarem capacitados e humanos que sigo até Expo Center. A programação científica Francesa de Radiolopreparados para prestar um bom serviço hoje. Como disse o dr. contou com 60 professores internacionais gia; e a segunda: “Ciênmédico a população e vencer os desafios Waldir Maymone: A e 600 nacionais, que abordaram diferentes cia e Caridade: A mis- Dr. Antonio Soares de Souza que virão, pois precisaremos ter força para medicina tem de ser núcleos em que o diagnóstico por imagem são do Médico”, com enfrentá-los”, enfatiza dr. Rocha. humana e não somente é presente, com palestras sobre cabeça Dr. Alfredo Buzzi, radiologista, ex-presiPara encerrar a solenidade de abertura, no automaticismo da técnica”, conclui. e pescoço; medicina interna; mama; tódente da Sociedade Argentina de Radioo Dr. Antonio Soares, presidente da SPR, Os Membros Honorários da SPR desrax; informática; enfermagem; pediatria; logia, escritor e estudioso do tema; acomte ano também se mostraram emocionados biênio 2015-2017, saudou a todos e disse: educação; oncologia; e medicina nuclear. panhar a sessão solene para posse da nova com a homenagem recebida. Dr. Alfredo “É com muita honra e satisfação que abrimos Dentre os seminários, destacaram-se: aplidiretoria e, durante o evento, prestigiarem o Buzzi, professor titular de Diagnóstico por essa JPR, maior evento da América Latina e cações clínicas da impressão 3D na veterilançamento inédito de seis obras científicas imagem da Universidade de Buenos Aires, um dos maiores do mundo. Mais de um ano nária; diagnóstico por imagem pré-natal na de renomados autores nacionais, que atuam ex-secretário da Sociedade Argentina de de trabalho, dedicação e comprometimento infecção congênita por Zika Vírus; doenças em instituições de referência e reconhecidas Radiologia, SAR, falou que “é com muita para trazer um conteúdo rico, facilitar a troca inflamatórias intestinais pediátricas; neuroino Brasil e exterior. gratidão que recebo essa honraria em recode ideias e temas importantes para nossa magem no abuso de substâncias; e métodos nhecimento a minha atuação nessa área”. especialidade”. Após falar sobre a positiva Homenagens para reduzir os efeitos adversos do rastreaO Dr. Anthony Thomas Stavros, uniestatística preliminar do evento, chamou a Este ano as indicações da SPR foram: mento do câncer de mama. O público-alvo versidade do Texas Health Sciences Center, atenção de todos para o tema principal que Presidente de Honra da JPR´2017 – abrangeu radiologistas, médicos de áreas membro da Sociedade leva a refletir sobre as Dr. Nelson Caserta, presidente do Clube correlatas, estudantes, biomédicos, técnicos Radiológica da Amérelações, a humanizaManoel de Abreu, que disse ser muito grato e tecnólogos, enfermeiros e veterinários, rica do Norte, RSNA, ção e o cuidado com por seu aprendizado e aos colegas que fez entre outros. do Colégio Americano o paciente. Segundo durante a sua trajetória Na abertura o de Radiologia, ACR, e Soares, o evento tem profissional, além de Dr. Renato Adam MenSociedade Européia de como base a realidade estar muito feliz e lisondonça, diretor científico Radiologia, ESR, falou e a qualidade científica, geado pela honraria reda SPR, fez uma saude forma descontraída e recebeu 752 trabalhos cebida e de poder partidação geral, agradee alegre ser “quase um - painéis e temas livres, lhar esse momento com ceu a participação de brasileiro, um paulista, dos quais 291 foram sesua família e amigos. todos e a parceria da lecionados para exposie preciso aprender a fa“Agradeço com muita SFR, que possibilitou lar melhor o português. ção. “O trabalho segue emoção, pois a SPR é o desenvolvimento de Estou muito agradecido no caminho certo, e um ambiente fraterno, um conteúdo voltado à com essa homenagem”. é muito bom contar de amizade e união. atualização científica, Dr. Gérard Morcom uma centena de Dr. César Araújo Neto, patrono da JPR’2017 Também é uma fonte às novas tecnologias van, ex-presidente da empresas parceiras que de ideias e de conhee recursos e aos traSFR, e membro da Academia Nacional tornam realidade e colaboram para o avancimento científico, que dicionais valores da ço do diagnóstico por imagem. Somamos Francesa de Cirurgia,e membro das Acaestimula o aprendizado Medicina. demias Nacionais Francesa de Cirurgia e mais de 6.000 membros na SPR, que hoje, Dr. Nelson M. G. Caserta, presidente de honra contínuo. A radiologia Em sua fala o de Medicina, revela que:”é com prazer que é a melhor opção em formação científica e é uma especialidade tão bonita que todas Dr. Jean Luc Drapé, vice-presidente e resrecebo essa homenagem, principalmente atualização em radiologia. Assim, crescemos as outras querem participar dela”, declara. ponsável pelas relações internacionais da porque colaborei para a união dessas duas e fortalecemos. Benvindos e ótima JPR”, O Patrono do Evento – Dr. César de SFR, destacou a importância dessa parceria sociedades, para que elas e os jovens profisfinalizou o discurso. Araújo Neto, de Salvador, em um discurso para a especialidade e para as sociedades sionais possam trabalhar juntos pela nossa Posse da nova Diretoria emocionado declarou ter ficado surpreso que compartilham a mesma cultura radioespecialidade.”. No dia 6 de maio, em sessão solene, o com a homenagem e, que com certeza, veio lógica focada no paciente. “Essa segunda O último membro indicado, o atual presidente da SPR, Dr. Antônio Soares da indicação dos amigos que ganhou ao lonedição das Jornadas Franco-Brasileira-LatiDr. Philippe Devred, chefe do Escritório de Souza, passou o cargo ao novo presidente, go da sua carreira. “Receber reconhecimento no-Americanas, após oito anos, representa de Assuntos Internacionais da SFR, afirmou Dr. Carlos Homsi e a nova diretoria da Sopelo trabalho e ensino de Radiologia é maior o nosso sólido relacionamento, além de nos ser “muito gratificante receber essa homenaciedade Paulista de Radiologia, que assume do qualquer riqueza. Sempre cumpri meus dar a oportunidade de preparar os jovens gem e poder continuar colaborando para o o mandato para o biênio 2017/2019. trabalhos e deveres e o cultivo contínuo do profissionais com a oferta de estágios entre fortalecimento da Radiologia junto as novas

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ANÁLISE Pesquisa da Redação e colaboradores

Radiologia do Futuro Mais do que outras especialidades médicas, a Radiologia é marcada pela inovação técnica e desenvolvimento contínuo. Neste contexto, observam-se várias tendências que irão mudar e desenvolver a Radiologia de forma crucial durante a próxima década. Através da utilização da tomografia computadorizada com menor tempo de aquisição de imagens, e também com o decréscimo da exposição à radiação, o diagnóstico por imagens terá um lugar ainda maior em importância, deslocando técnicas convencionais para posições secundárias. Além disso, aquisição de imagens hibridas, baseada em uma combinação de técnicas radiológicas e medicina nuclear (PET/CT e PET/RM), irá melhorar o diagnóstico em oncologia, permitindo individualização de imagem para marcadores específicos e técnicas de ressonância magnética funcional para um determinado tumor.

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Radiologia do futuro será fortemente influenciada por inovações na indústria de internet e software. Como consequência, a união da medicina e da tecnologia evolui rapidamente em beneficio do ser humano. A tecnologia está cada vez mais presente no universo da medicina, e atualmente inúmeras “startups” investem para revolucionar o mundo das imagens biomédicas. Essas empresas inovadoras querem elevar os resultados de exames de imagem para um ambiente tridimensional. A EchoPixel desenvolveu o software True3D Viewer para diagnóstico e planejamento cirúrgico, seu grande diferencial é que possibilita a visualização das imagens em forma de holograma. Atualmente são criadas reconstruções tridimensionais a partir de dados obtidos com equipamentos de tomografia computadorizada, ressonância magnética e ultrassom. Esse sistema é imperfeito e nem sempre representa com precisão o tecido ou órgão afetado. A holografia pode ajudar a corrigir essa distorção fornecendo uma imagem 3D mais completa de um órgão específico ou mesmo de um corpo inteiro. Os médicos poderão trabalhar as imagens, e manipulá-las de diversas formas. A EchoPixel prefere chamar a tecnologia de “imagem 3D” e não de holografia, enquanto outras empresas como a Zebra Imaging e RealView Imaging criam hologramas perfeitos.

Independentemente do termo adotado, os objetivos continuam os mesmos: oferecer aos médicos e pacientes a impressão real da dimensão física e da forma das estruturas anatômicas em exames de imagem. Os hologramas podem ser um grande trunfo para a identificação de alterações de órgãos muito complexos, como o coração ou cérebro, onde anomalias podem ser bem sutis e quase passarem despercebidas pelos exames atuais. Para o melhor conhecimento da atual situação desse mercado, são citadas algumas empresas que já trabalham no desenvolvimento de tecnologias holográficas para imagenologia biomédica: A EchoPixel e seu software, o t3D, converte imagens 2D em uma imagem com efeito estereoscópico 3D. Os cirurgiões e radiologistas podem seccionar a estrutura virtual criada pelo software em qualquer ângulo que desejarem, num número infinito de planos transversais, longitudinais, coronais, além de, por exemplo, rodar a imagem na posição mais adequada para simular a cirurgia. A Zebra Imaging desenvolve o ZScape, um bom exemplo de como a holografia pode compensar a escassez de cadáveres para alunos de medicina utilizarem em dissecações. Os hologramas – o ZScape possui um “design” próprio para ser visualizado em cima de uma mesa – permitem que os alunos “andem” em torno do corpo inteiramente projetado para vê-lo de todos os ângulos, deslocando-se através das camadas de pele, sis-

tema muscular, cardiovascular e esquelético. No final do ano passado, a Zebra Imaging fechou uma parceria com o Zygote Media Group, proprietário de uma das maiores coleções do mundo de modelos médicos e de anatomia 3D para instalar a sua tecnologia em diversas escolas médicas dos Estados Unidos. A empresa israelense RealView Imaging também cria hologramas verdadeiros. O RealView é capaz de digitalizar hologramas em tempo real e é direcionado quase que exclusivamente para auxiliar o planejamento médico durante cirurgias. Eles serão capazes de criar hologramas dos órgãos de pacientes na mesa cirúrgica, girar a imagem e manipulá-la com uma simples caneta. A NanoLive tem uma proposta diferente. Ela criou uma espécie de microscópio 3D que utiliza algoritmos holográficos para criar visualizações estereoscópicas detalhadas de células e micróbios. É possível a obtenção de imagens a partir de um “tablet”, ou outro dispositivo com display “touchscreen”, e manipulá-las de diversas formas. A NanoLive espera que seu aparelho possa ajudar pesquisadores, médicos e pacientes a conseguir uma melhor compreensão de como as doenças e distúrbios de nível microscópico se manifestam. Referências – Canaltech Corporate Matéria completa disponível no seu endereço eletrônico: https://canaltech.com.br/noticia/ciencia/hologramas-podem-ser-o-futuro-do-diagnostico-medico-por-imagem-38609/ Vale a pena visitar o endereço eletrônico das empresas citadas: http://www.echopixeltech.com/true-3d-viewer/ https://www.zebraimaging.com/ http://realviewimaging.com/ https://www.zygote.com/ http://realviewimaging.com/medical/ http://nanolive.ch/

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INOVAÇÃO Por Claudia Casanova e Lucila Villaça (SP)

Relatórios mais rápidos e redução das biópsias desnecessárias Pela segunda vez no Brasil para participar de eventos na área radiológica, o Dr. Anthony Thomas Stavros foi um dos homenageados da Jornada Paulista de Radiologia em 2017, e um dos convidados para ministrar aulas como o tema “Avaliação de Cistos Mamários: Como Evitar Erros na Interpretação”. Em 2013, o professor participou do Congresso Brasileiro de Radiologia, em Curitiba. Na oportunidade, ele falou ao ID - Interação Diagnóstica sobre radiologia mamária e uma ferramenta digital, o Ikonopedia, que estava lançando.

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urante a JPR 2017, Anthony Stavros falou sobre seu projeto, as novas tecnologias e a evolução da radiologia mamária, entre outros temas. O professor também demonstrou sua preocupação com a cobertura feita pela imprensa leiga sobre o papel da mamografia, na luta contra o câncer de mama, nos Estados Unidos. Atualmente o Dr. Stavros é professor da Universidade do Texas Health Science Center e membro de diversas entidades, como a Radiological Society of North Amercia (RSNA), o American College of Radiology (ACR), e a Sociedade Europeia de Radiologia (ESR). Ele também é autor do livro Breast Imaging. Em entrevista exclusiva para o ID Interação Diagnóstica, que contou com o apoio da Dra. Andrea Gonçalves de Freitas, o professor falou sobre a evolução da ferramenta Ikonopedia, que ele desenvolveu com outros pesquisadores para aprimorar a emissão de laudos de mamografia, ultrassom, intervenção e RMI.

Ikonopedia e as novas tecnologias Atualmente em uso em alguns grupos de medicina privada dos EUA, o Ikonopedia estabelece padrões de nomenclatura para identificar as lesões encontradas pelos médicos nos exames de imagens. Dessa forma, reduzem-se as divergências nos laudos, possibilitando diagnósticos mais certeiros e contribuindo também para a redução de

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biópsias desnecessárias. A implementação do programa, no entanto, ainda não está acontecendo na velocidade que o professor gostaria, pois demanda a contratação de mais programadores, de mais programas nos servidores, e consequentemente, tem um custo relativamente alto. De qualquer maneira, Stavros aposta no Ikonopedia como uma das grandes revoluções do diagnóstico por imagem num futuro bem próximo: “Os relatórios serão mais rápidos e intuitivos. Com a implementação de um banco de dados mundial, por exemplo, os médicos poderão comparar seus achados com de outros, e identificar lesões que foram classificadas como cânceres e na verdade não eram; e vice-versa. É um diagnóstico mais cercado de cuidados, e que ajuda a evitar biópsias desnecessárias: o que é bom para o paciente e diminui custos também”, explica. Outra questão abordada na entrevista com o professor foi a do ultrassom automatizado, que auxilia no rastreamento de lesões mamárias, sendo um excelente método complementar à mamografia, no caso de mulheres que têm mamas densas. “É uma ótima maneira de identificar lesões em pacientes assintomáticas. Se o radiologista observar alguma alteração, então chama a paciente para uma reconvocação e realiza o exame de ultrassom hand-held ”, explica.

Tomossíntese, a grande mudança Questionado sobre os avanços na precisão do diagnóstico mamário, o prof.

se identificar malignidade nos achados das Stavros afirmou que há muitos progressos mamas. “Há três subcategorias na categoria acontecendo nos últimos anos. Ele listou 4, e ainda não se tornou obrigatório usá-las. as tecnologias que mais têm ajudado nos Se os radiologistas usassem também essas diagnósticos: “Em primeiro lugar, a tomosclassificações, seria possível evitar ainda mais síntese, que foi a grande mudança nesta área. biópsias, pois a sub-categoria 4A nem sempre Em segundo lugar de importância, considero precisaria ter indicação a ressonância magnética para biópsia”, explica. de mama com protocolo Por último, Stavros abreviado. E em terceiro falou também sobre o o ultrassom automatizatratamento que a mído, embora eu quisesse que esse tipo de exame dia leiga americana dá estivesse em primeiro aos temas mamografia e lugar”, conta o professor rastreamento de câncer entre risos, “Apesar da de mama por imagem, tomossíntese ter sido o muitas vezes afirmando grande avanço, o ultrasque esses procedimentos não salvam vidas, com som ainda é necessário base em estudos feitos em muitas pacientes. com mamografias de Para alguns casos, apequalidade ruim, cuja leinas o ultrassom é capaz de fazer o diagnóstico”. tura foi feita por pessoas O professor co- Dr. Anthony Stavros falou sobre novas pouco treinadas e com viés na seleção de pamentou ainda sobre o ferramentas que agilizam os relatórios BI-RADS®, sistema de mamográficos cientes. “É preciso olhar padronização para análise das características para estudos feitos com embasamento e das lesões mamárias, que permite estimar pesquisas fundamentadas, como é o caso dos com mais precisão o risco de câncer. “O BItrabalhos do médico sueco Dr. Làszló Tabar. Os críticos publicam estatísticas falsas, que -RADS® é ótimo, vem fazendo decrescer a dizem por exemplo, que 20% dos cânceres variabilidade de diagnósticos, criou referêndesaparecem espontaneamente. Isso não é cias importantes, padronizou recomendações verdade: cânceres ficam ou crescem. Com a para biópsias. Os radiologistas passaram mamografia, por exemplo, as taxas de morte a falar uma língua mais homogênea”, diz por câncer de mama foram reduzidas em Stavros. Entretanto, o professor acha que há 40%. Portanto, considero essas críticas um aprimoramentos a serem feitos, no caso da desserviço”, finalizou. categoria 4, que é o nível no qual começa a


PONTO DE VISTA Por Beatriz Leme* (SP)

O cenário da tecnologia PET-CT no Brasil Amplamente utilizada em países como Dinamarca, Coreia, Israel e Estados Unidos, a tecnologia PET-CT (equipamento que reúne os recursos diagnósticos da Medicina Nuclear (PET) e da radiologia (CT) permitindo diagnósticos mais seguros), a despeito de sua grande importância no setor de saúde, tanto pública quanto suplementar, ainda é incipiente no Brasil.

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exame, que, além de ver alterações anatômicas, como nódulos, consegue medir alterações metabólicas nos tumores e verificar se está ativo ou inativo, foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2014, para pacientes com câncer de pulmão, câncer colorretal e linfomas de Hodgkin e não Hodgkin. No âmbito da saúde suplementar, que envolve a operação de planos e seguros privados de assistência médica à saúde, o rol de procedimentos incluiu diagnósticos de câncer de mama metastático, câncer de cabeça e pescoço, melanoma e câncer de esôfago. E sua remuneração pelo Ministério da Saúde, assim como todos os procedimentos realizados pelas operadoras de planos de saúde no país, é feita por uma tabela que contempla os serviços prestados à população, quase nunca corrigida pelos parâmetros inflacionários. Ciente de que este serviço é um importante instrumento de política pública, a Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN) elaborou, no ano passado, sete novos protocolos para indicações da tecnologia PET-CT na saúde suplementar. Porém, apenas três foram selecionados pela comissão da Agência Nacional de Saúde (ANS)– PET-CT para tumor neuroendócrino, neoplasia da tireoide, e, neurológico para localização de foco epitelogênico, os quais, após consulta pública, podem ser disponibilizados à população a partir de 2019. Nada disso, porém, será efetivo e/ou irá beneficiá-la, se não houver equilíbrio entre demanda e oferta, que devem ser fruto de uma regulação governamental baseada não só em estudos econômicos e métodos de ressarcimento, mas, sobretudo, na melhora do ritmo da difusão da tecnologia pelo país. Tarefa complexa, sem dúvida, já que envolve as adaptações ao desenvolvimento tecnológico e o meio social (necessidade do paciente e a demanda médica). Hoje, a distribuição dos serviços de PET-CT no Brasil é díspar. Onde há demanda, não há equipamento suficiente; e, inversamente, há pontos do país com equipamento ocioso. Há diferenças gigantescas entre o Sul e Sudeste e demais regiões brasileiras, com uma rede mínima de distribuição de radioisótopos (fundamentais para a realização de exames de PET-CT). Nesse processo, aliás, o médico é peça-chave, seja na solicitação do uso, no manejo e interpretação dos resultados, e também na influência da decisão de compra dentro dos estabelecimentos da saúde. Porém, um fator bastante inibidor ao crescimento da tecnologia PET-CT no Brasil são as enormes barreiras tributárias para a nacionalização do equipamento, cuja carga de impostos atinge quase 30%. Paralelamente, a sustentabilidade dos serviços pelas operadoras de saúde suplementar depende quase que exclusivamente da correta formulação do valor de reembolso, que inclui inúmeras variáveis que devem ser monitoradas assiduamente, de forma que o modelo possa se adequar à realidade financeira dos agentes do setor. Todas essas colocações passam pela formulação de uma política pública consistente e dinâmica. Às sociedades médicas, além

de auxílio na sua execução e monitoramento, cabe também um olhar crítico sobre sua atuação no mercado. Quais as novas tecnologias ou tendências em desenvolvimento com chance real de sucesso? Onde estão os gargalos? Quais áreas são de alto risco? O crescimento da utilização da tecnologia PET-CT no Brasil necessita de uma

urgente estratégia de crescimento, que envolva total integração entre Estado e iniciativa privada em um planejamento que vá além do papel. A adequação dos requisitos regulatórios, a redução da carga tributária, o incremento na oferta de profissionais treinados e especializados, o desenvolvimento

e transferência de tecnologia, a ampliação na disponibilidade de radiofármacos para aplicação e pesquisa e, sobretudo, um maior número de fornecedores para o setor, são pontos fundamentais para o fomento da tecnologia PET-CT no país. * Beatriz Leme é economista, consultora na área econômica e de mercado na Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear e executiva-chefe de Serviços de Diagnósticos por Imagem.

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ENTREVISTA Por Claudia Casanova (SP)

“Biomedicina e ciências humanas são sincréticas e não antagônicas. Precisamos de ambas” A afirmação é do Dr. Alfredo Buzzi, médico e historiador, um dos homenageados pela Sociadade Paulista de Radiologia e colaborador na definição do tema central do evento. Ele faz resgate dos valores, da ética e do papel do radiologista na estrutura da medicina moderna, com os desafios do conhecimento da tecnologia disponível, que está mudando o seu perfil e colocando a especialidade num novo patamar. Relações humanas, caridade, deram uma nova “cara” à JPR´2017.

T

udo começou a partir de uma análise sobre a obra “Ciência e Caridade” de Pablo Picasso, pintura que ilustrou os materiais da 47ª Jornada Paulista de Radiologia, por sugestão do Dr. Alfredo Buzzi, que na sessão e abertura discorreu sobre a missão do médico e medicina humanizada. O quadro pintado pelo artista espanhol em 1897 apresenta, segundo Buzzi, aspectos esquecidos da boa prática médica e que se traduzem em uma medicina simples, direta e com uma relação médico-paciente que não existe mais. É exatamente esse o ponto de reflexão que o médico radiologista e ex-presidente da Associação Argentina de Radiologia procura disseminar e discutir. Para ele, os avanços da medicina obviamente trouxeram boas notícias, mas, ao mesmo tempo, a tornaram muito burocrática e fragmentada, distanciando-a dos pacientes. Durante a aula, o médico ainda falou que ao não levarmos em consideração a complexidade do ser humano e suas relações, perdemos a oportunidade de expandir o olhar para aspectos que também são essenciais para a boa prática médica. Nesse aspecto, disse que a biomedicina e as ciências humanas devem ser vistas como sincréticas, e não antagônicas, e que ambas são necessárias. Estudioso do tema, Buzzi atualmente é Professor Titular da disciplina de Diagnóstico por Imagem na Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires e também Presidente da Sociedade Internacional de História da Radiologia. Para falar sobre a humanização da medicina, o jornal ID - Interação Diagnóstica conversou com o médico durante a JPR’2017. Veja abaixo detalhes de nossa entrevista. ID – Como analisa o papel da radiologia atual, muito focada na tecnologia, sem contato com o paciente? Dr. Buzzi – Talvez isso seja mais evidente na radiologia porque a especialidade se apoia muito na tecnologia, mas a medicina toda mudou, está mais técnica e burocrática. A medicina afastou-se do paciente e o fragmentou devido à grande quantidade de conhecimento que, ao mesmo tempo em que gera especialistas, faz com que um paciente seja visto exclusivamente pelo órgão doente. Embora esse movimento seja acompanhado de uma melhora na saúde pública, não devemos descuidar da humanização do paciente.

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ID – E como se dá esse olhar mais humanizado? Dr. Buzzi – Precisamos entender que, além de um corpo doente, o paciente é uma pessoa doente. A enfermidade altera seus planos e sua vida profissional e familiar. Esse impacto todo deve ser considerado, uma vez que pode ajudar a definir a cura. Por outro lado, é preciso ter em mente que a medicina muitas vezes não cura. Apesar disso, tem o importante papel de buscar alguma melhoria, o que pode ser apenas um conforto na etapa final do paciente. Nessas situações, ele não pode ser abandonado em uma cama, em um hospital. É preciso buscar alguma forma de estar acompanhado, pois é o que precisa. Isso tudo também é papel do médico, e não apenas a busca pela cura. ID – Como mudar a situação atual em que a medicina se encontra? Dr. Buzzi – O importante é a educação. Acredito que devemos mudar a forma que ensinamos a medicina, pois além da formação científica, o médico deve ter outras habilidades, deve saber comunicar, cooperar e integrar-se à família do paciente. Está acontecendo uma mudança no paradigma do ensino da medicina que tem um pouco a ver com o que estamos falando. Chama-se ensino da medicina por habilidades, e consiste primeiramente em responder qual é o papel do médico. Quando definirmos essa habilidade, que vai muito além do técnico ou científico, tratando da habilidade humana do médico, teremos de incluir essa atitude nos programas das faculdades de medicina e nos cursos de pós-graduação. ID – Hoje, uma das principais preocupações é com os custos do doente e da tecnologia. Há chances de mudar essa visão? Dr. Buzzi – Trata-se de outro grande desafio. A medicina tem melhorando e, assim, ficou mais cara. Isso é

inevitável. O que podemos evitar é o mau uso de recursos, o que também exige um trabalho de educação tanto para o radiologista quanto para os médicos que solicitam os exames. Para evitar exames diagnósticos desnecessários, diversas frentes precisam ser trabalhadas. As mais frequentes são a insistência de alguns pacientes que se sentem mais protegidos quando fazem mais exames, e também o que se conhece como a medicina defensiva – uma resposta do corpo médico frente ao aumento de processos por más práticas, o que faz com que muitos profissionais peçam exames a mais para se protegerem. ID – Os convênios estão começando a sentir os reflexos do excesso de exames desnecessários. Como vê esse tema com relação à América Latina? Dr. Buzzi – Hoje em dia, para o paciente, é cada vez mais difícil chegar ao médico sem ter que atravessar um sistema burocrático. Esse contexto além de encarecer a medicina, também acaba abarcando um excesso de pedidos de exames. É difícil acabar com esse problema porque é universal, não ocorre somente no Brasil ou na América Latina. Nos Estados Unidos, por exemplo, há médicos que admitem que 50% das tomografias computadorizadas são desnecessárias. É um problema complexo e, para resolvê-lo, um dos primeiros passos é reconhecer o problema, o que acredito que está sendo feito. Depois, insisto na educação como um sistema de mudança. ID – Como está a evolução da frente de integração que o senhor abriu entre a Sociedade Argentina de Radiologia e o Brasil? Dr. Buzzi – A radiologia na América Latina acrescentou muitíssimo nos últimos vinte anos e hoje em dia há profissionais que estão à altura da radiologia do primeiro mundo. Em 2012 assinamos um convênio acadêmico com a Sociedade Paulista de Radiologia, pelo qual intercambiamos professores nos congressos internacionais, trocamos informações, e trabalhamos em conjunto em uma série de cursos. Aprendemos uns com os outros e isso é uma excelente notícia. Esse mesmo tipo convênio existe com a Colômbia, Chile, México, Paraguai e Venezuela. Somos um grupo latino-americano que se encontra em todos os congressos, o que nos possibilita crescer juntos.


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Por Lizandra Magon de Almeida (SP)

REPORTAGEM

Humanização o grande foco da Toshiba Medical na JPR´2017 Com um grande portfólio de inovações para a saúde, entre eles a ressonância magnética Vantage Galan; o novo aparelho de RM 3T com abertura de 71 cm com aquisição de imagens clínicas com altíssima qualidade e um novo patamar de conforto para o paciente; uma nova tecnologia em CT, como o Aquilion One Genesis, único no mercado com um equilíbrio entre a baixa dose de radiação e uma imagem diagnóstica de qualidade; e por último a relevante e inovadora linha de sistemas de ultrassom, Aplio i-series, que introduziu conceitos muito particulares para as imagens adquiridas por esta tecnologia que irão ampliar as possibilidades do seu uso. A Toshiba Medical do Brasil marcou sua participação na JPR´2017 inserida na temática do evento: a valorização e a humanização da prática médica. Tecnologias que priorizam a segurança e o conforto do paciente.

O

evento marcou, também, pela primeira vez a presença da bandeira da Canon no estande da empresa, dentro do processo de aquisição que se concluirá em 2018. Em entrevista, o Presidente & CEO da Toshiba Medical Systems Corporation (TMSC), Sr.Toshio Takiguchi, acompanhando do Presidente &CEO da Toshiba Medical do Brasil (TMB), Sr. Flavio Martins, falou à imprensa sobre esta nova etapa na história da empresa. “Made for life” ou, em bom português, “Feito para a vida”. O slogan da Toshiba Medical – empresa japonesa que há mais de 100 anos atua no mercado de equipamentos médicos – é o grande recurso que a Canon acaba de adquirir com a conclusão do processo de compra da empresa. Este é o valor mais importante que podemos entregar aos nossos clientes de todo o mundo. Quando as negociações para a aquisição tiveram início, em dezembro de 2015, a Toshiba Corporation e a Toshiba Medical

“Nós trabalhamos sempre pensando no paciente”, enfatizou Toshio Takiguchi, vice presidente da Canon para a Divisão Médica, na foto ao lado de Flavio Martins, presidente e CEO da Toshiba Medical do Brasil na JPR´2017, que marcou ...

se voltado à adoção de princípios de humanização – e, segundo Sr. Takiguchi, esse conceito está totalmente alinhado com o slogan “Made for life”. “O surgimento de tecnologias de ponta muitas vezes deixa o paciente para trás, mas nós trabalhamos sempre pensando no conforto e no bem-estar do paciente. Por exemplo, somos pioneiros na redução da radiação dos equipamentos de tomografia computadorizada. Trabalhamos nisso há dez anos, criando detectores com áreas maiores e velocidades de aquisição mais rápidas. Isso também beneficia o médico e o técnico em radiologia. Nossas tecnologias são sempre centradas nas pessoas. ” O trabalho da Toshiba Medical, explica, se pauta em três vetores: valor clínico, valor operacional (eficiência) e valor financeiro para o cliente, ou seja, uma boa relação custo-benefício, além de baixo consumo de energia e menor espaço ocupado pelos equipamentos. Redução de ruído e menor tempo de exame também

... o lançamento da linha de equipamentos de ultrassom, cujas primeiras máquinas já estão sendo instaladas no Hospital Sirio Libanês e ...

... um workshop coordenado pelo dr. Cesar H. Nomura, diretor do Serviço de Imagem do InCor.

defenderam que a manutenção desse valor era a chave para que o negócio continuasse a prosperar. Focamos em transmitir essa mensagem ao comprador, e temos certeza de que a Canon considera e valoriza esse valor ao máximo. Isso significa que, mesmo que nosso nome mude para Canon Medical, o valor fundamental do negócio nunca mudará. A Canon manterá a cultura e o valor que sempre entregamos aos nossos clientes no mundo todo”, enfatiza o Sr. Toshio Takiguchi, um dos pilares na concretização do negócio. A mudança de nome, explica, deve ocorrer em 2018. ” O mercado brasileiro, segundo o CEO, é fundamental para a Toshiba Medical. “Se

que acredito para os próximos anos. É isso que precisamos fazer, aproveitar oportunidades de negócio”, completa. Serviço e pós-venda, garante, devem se manter os mesmos. E, em princípio, a fabricação de equipamentos de ultrassom, tomografia computadorizada e ressonância, que há dois anos vem sendo feita em Campinas, também deve continuar. “Enquanto pudermos nos ajustar à economia do Brasil, vamos continuar. E devemos trazer novas tecnologias para produção aqui também, conforme a segmentação do mercado. Tudo, claro, dentro da viabilidade econômica. ” Atualmente, toda a área médica tem

você olhar para as áreas geográficas do globo, temos empresas no Japão e na Europa, é claro, mas esses mercados estão estabilizados – são bem grandes, mas estabilizados –, e a situação competitiva permanece a mesma. Mas nos mercados do Brasil, do Oriente Médio ou do leste europeu, há oportunidades potenciais para o crescimento, para o futuro. Nesse sentido, vemos o mercado brasileiro como um dos mercados mais importantes para nós. Eu entendo que nos dois, três últimos anos, o mercado brasileiro, incluindo a economia, enfrentou alguns problemas. Mas sinto que, de alguma forma, está havendo uma recuperação, a economia começa a demonstrar sinais de recuperação – é nisso em

são preocupações constantes. Em atuação na Toshiba Medical há mais de 40 anos, Sr. Toshio Takiguchi tornou-se o vice-presidente da Canon para a divisão médica da empresa, que contava apenas com alguns equipamentos para a área de oftalmologia. No Brasil, a presidência hoje está a cargo do Sr. Flávio Martins, que também tem uma longa carreira na empresa. “É importante que nossos clientes saibam que toda mudança que está acontecendo será no sentido de ampliar e de melhorar ainda mais nossos processos internos. Em termos de valores e serviços, posso afirmar: se houver mudanças, serão para melhor”, explica o Sr. Flavio Martins. JUN / JUL 2017 nº 98

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ENTREVISTA Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

Neusoft se instala no Brasil com força total Presente na JPR 2017 , a empresa Neusoft Medical Systems apresentou o seu grande lançamento no evento: o CT Classic, de 16 canais, com preço muito competitivo, além de fornecer diretamente ao cliente a máquina instalada num processo nunca antes oferecido. O processo faz parte do estabelecimento da empresa no Brasil, quando pretenderá comercializar seus produtos por meio de representantes, desenvolvendo importação direta da China.

A

Neusoft tem uma linha completa produzida na China, e, com registro de ANVISA, comercializa tomografia computadorizada de 16 canais, de 64 canais, de 128 canais. Temos ainda ressonância magnética de campo aberto de 0,35 tesla e de 1,5 tesla fechada e ainda um PET CT com o único CT no mercado com 64 canais acoplado que é realmente fora da curva dos PET CTs. No mercado, normalmente estão sendo oferecidos equipamentos PET de 16 e de 32 canais acoplado. Podemos garantir que nós temos hoje um CT de 64 canais acoplado ao PET, não um PET acoplado ao CT, ou seja, temos um produto que atende muito bem o que mercado está demandando. Nas horas vagas do uso do PET, o cliente tem um bom tomógrafo para continuar tocando sua rotina e fazer exames de grande complexidade como em cardiologia, por exemplo”, destaca Alberto Mariotti, diretor de vendas da Neusoft. A assistência técnica - receio básico com produtos importados – também deixa de ser preocupação, segundo Mariotti, profissional com grande experiência na área da imagem. Ele enfatiza que a empresa se preparou e está equipada para dar toda segurança aos seus parceiros. “Temos hoje equipe de engenheiros brasileiros treinados na fábrica chinesa, com muita experiência no mercado. Estamos estabelecendo contratos com alguns dos nossos representantes que têm capa-

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cidade de suporte técnico em regiões distantes de São Paulo para que tenhamos menor tempo de atendimento possível e o menor off time. Além disso, temos estoques de peças no Brasil, sem necessidade de espera para exportação, ou seja, estamos bem preparados para servir nossos clientes”, destaca. Atualmente, a Neusoft tem 25 máquinas vendidas e instaladas no Brasil, a maioria delas no Nordeste, sendo as restantes em São Paulo e no Sul do país. Na Santa Casa de Porto Alegre está sendo instalada uma ressonância aberta, e o primeiro tomógrafo de 64 canais vendido no pais encontra-se em Blumenau. Segundo o diretor, a linha da Neusoft tem uma característica em equipamentos extraordinariamente seguros, Com planos ousados e uma nova política de assistência técnica, como enfatiza Alberto Mariotti, a Neusoft se preparou e em operacionalidade e fun- está se posicionando no mercado para enfrentar os grandes desafios. cionalidade com baixíssimo do na Califórnia, mas é fabricado na China. feio. Ainda temos o conceito de que os índice de quebra e com uma qualidade de Temos que quebrar esse paradigma de que grandes fabricantes são grandes porque imagem superior ou muito próxima a todas um produto chinês é um produto de pouca tem melhor qualidade. Na verdade, tem que se apresentam no mercado. confiabilidade e pouca durabilidade. Os qualidade semelhante às oriundas da “Não deixamos nada a dever a ninprodutos médicos fabricados na China Neusoft. Podemos dizer hoje que Made guém que está no mercado. É preciso hoje tem qualidade e são absolutamente in China significa boa qualidade, produto lembrar que hoje todas empresas fabricam capazes de competir no mercado mundial”, confiável. Prova disso é o celular mais venparte dos seus componentes na China ou conclui Mariotti. dido do mundo, da APPLE, que é desenhana Índia. A China deixou de ser o patinho


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Avaliação radiográfica das Osteocondroses

A

s osteocondroses são um grupo de doenças que, por definição, cursam com necrose asséptica isquêmica de núcleos de ossificação na infância e adolescência, podendo evoluir com crescimento anormal e deformidades ósseas. Embora possa acometer qualquer região óssea, este tipo de patologia é mais comum em algumas regiões, algumas delas conhecidas por seus epônimos. Sua etiologia ainda não foi totalmente esclarecida, mas aparentemente é multifatorial, sendo a causa mais provável a falha no suprimento sanguíneo da cartilagem de crescimento seguida por um distúrbio focal na ossificação endocondral. Fatores como estresse mecânico, trauma, crescimento rápido, conformação anatômica e desequilíbrio dietético poderiam modificar essa etapa inicial alterando a estrutura normal1. A doença costuma acometer mais indivíduos do sexo masculino e os sintomas como dor e disfunção articular geralmente aparecem por volta dos 10 aos 14 anos de idade, quando há maior suscetibilidade a traumas2. O diagnóstico precoce e o tratamento preciso são extremamente importantes para a prevenção de deformidades, dores e disfunções articulares. Neste contexto, a ressonância magnética ganha espaço para o diagnóstico precoce destas enfermidades, apresentando alta sensibilidade e especificidade, mesmo antes do surgimento de alterações radiográficas. O objetivo desse artigo é revisar os aspectos epidemiológicos, clínicos e os achados de imagem relevantes de algumas das osteocondroses em seus locais mais frequentes.

Doença de Legg Calvé Perthes É uma doença do quadril na infância associada à interrupção do suprimento sanguíneo para a cabeça femoral imatura levando à necrose óssea. Ocorre mais comumente em meninos com idade entre 2 e 14 anos, com pico de incidência entre 5 e 6 anos de idade. Apesar de a maioria ser unilateral, o envolvimento bilateral ocorre em 15% dos casos3. Apresentação clássica é de dor e alteração na marcha, sem história de trauma. O papel do estudo radiográfico compreende excluir outras doenças no quadril que apresentam quadro clínico semelhante à osteonecrose da cabeça femoral, confirmar o diagnóstico em pacientes suspeitos com alto risco, estagiar a doença para um tratamento adequado, monitorar o tratamento e detectar complicações. A radiografia simples dos quadris nas incidências anteroposterior (AP) e frog-leg lateral são realizadas inicialmente permitindo observar ambos os quadris e, eventualmente, detectar doença no lado assintomático. Embora a radiografia simples pode ser normal inicialmente, são sinais de positivos de doença uma cabeça femoral afetada menor que a contralateral e, em fases mais avançadas, colapso subcondral, irregularidade do platô epifisário, metáfise radiolucente, fragmentação da epífise, neoformação óssea (áreas escleróticas), alteração do formato da cabeça (forma de cogumelo) e deformidade (Figura 1). Os achados da ressonância irão variar com a fase. Inicialmente, durante a fase avascular, ocorre um distúrbio perfusional da cabeça do fêmur, com sinal baixo ou intermediário em T1 e restrição das moléculas de água à difusão. Durante a fase de reparação, o tecido necrótico vai sendo substituído por tecido de granulação, apresentando sinal heterogêneo em T1 ou T2/STIR. Por fim permanecem as alterações anatômicas decorrentes da destruição tecidual, com achatamento da articulação e irregularidades da cartilagem do quadril (Figura 2).

pé. A doença tem evolução benigna, em geral auto-limitada e com melhora espontânea. O estudo radiográfico pode sugerir o diagnóstico, com a radiografia mostrando um osso navicular plano, denso, esclerótico, irregular e fragmentado4 (Figura 3). Reservada para casos de dúvida diagnóstica, a ressonância magnética demonstra sinal hipointenso em T1 da medular óssea e, com a evolução da doença, as mesmas alterações estruturais observadas nas radiografias.

Doença de Sever Corresponde à necrose avascular do núcleo de ossificação secundária do calcâneo, acometendo crianças na faixa etária dos 8 aos 10 anos, sendo mais freqüente no sexo masculino. Clinicamente, manifesta-se por dor no calcâneo, desencadeada ou exacerbada por atividade física excessiva. Radiograficamente a osteocondrite do calcâneo exibe aspectos variados que vão desde alargamento da linha fisária à fragmentação e esclerose do núcleo de ossificação5,6 (Figura 4). A ressonância magnética é o melhor exame para a avaliação, demonstrando edema da medular óssea próxima à apófise calcânea posterior e próxima à inserção do tendão de Aquiles (Figura 5).

Figura 3. Radiografia simples do pé com osso navicular esquerdo apresentando achatamento e irregularidades e fragmentação do navicular.

Doença de Freiberg

Figura 1. Osteonecrose da cabeça femoral esquerda. Radiografia demonstra esclerose e irregularidade do núcleo de ossificação da cabeça femoral com fratura subcondral.

Figura 2. Ressonância magnética do quadril esquerdo com sequência ponderada em T2 com saturação de gordura evidenciando área de necrose na porção central do núcleo de ossificação da cabeça femoral, com impactação óssea adjacente.

Doença de Köhler É uma doença que acomete o osso navicular, mais comumente em pacientes do sexo masculino entre 5 e 10 anos de idade, com pico entre 5 e 6 anos. Clinicamente os pacientes apresentam dor, edema e possivelmente eritema na região medial do mediopé. O paciente pode caminhar posicionando a maior parte do seu peso na face lateral do

Corresponde à osteocondrose da cabeça dos metatarsos, sendo o segundo metatarso a sede mais frequente da doença, logo seguido pelo terceiro. O acometimento dos outros metatarsos é raro, podendo ser bilateral em até 10% dos casos. Incide na segunda década de vida, predominando no sexo feminino na proporção de 3:1. Clinicamente manifesta-se como dor difusa ao longo dos aspectos dorsal e plantar da articulação envolvida, acompanhada de edema local nos estágios iniciais. As alterações radiográficas, embora possam não estar presentes nos estágios iniciais, são características e mostram esclerose em crescente na cabeça metatársica que evolui para colapso e achatamento da superfície articular. Pode ocorrer a formação de osteófitos na região periférica à superfície articular colapsada e osteoartrose secundária da articulação atingida7 (Figuras 6A e 6B). Alterações da ressonância são, incialmente, sinal hipointenso em T1 na medular óssea subcondral do segundo metatarso, com edema adjacente, evoluindo para deformidades e colapso do osso subcondral (Figura 7).

Figura 4. Radiografias dos pés demonstrando hipertrofia óssea, leve esclerose e irregularidades dos contornos da apófise do calcâneo esquerdo (Doença de Sever).

Doença de Kienböck À necrose a vascular do osso semilunar se da o nome de doença de Kienböck. Apresenta distribuição etária variável de acordo com gênero, acometendo predominantemente o

Figura 5. Ressonância magnética do tornozelo demonstrando marcado hipossinal do núcleo de ossificação secundário do calcâneo em um paciente com doença de Sever.

CONTINUA


Avaliação radiográfica das Osteocondroses CONCLUSÃO X

Doença de Osgood-Schalatter

Figuras 6A e 6B. Doença de Frieberg. Radiografias demonstrando retificação com colapso subcondral da cabeça do segundo metatarso do pé direito.

Figura 7. Ressonância magnética do 2º metatarso com sequência sagital ponderada em T2 demonstrando impactação subcondral no aspecto dorsal da cabeça do 2º metatarso, com edema da medular óssea adjacente, compatível com doença de Frieberg.

punho dominante de homens jovens e os punhos dominante e não dominante de mulheres de media idade. A etiologia da necrose avascular do semilunar é multifatorial, porém existe associação com fatores que predispõe a um aumento da carga mecânica sobre o semilunar, dentre os quais destacam-se a variância ulnar negativa (presente em cerca de 75% dos pacientes) e o semilunar com formato retangular. Clinicamente, o paciente apresenta dor central e dorsal no carpo associada a limitação de movimento e perda de força, com piora progressiva, podendo evoluir para destruição articular se não tratado adequadamente. O primeiro achado à radiografia simples é a esclerose óssea com morfologia e relações anatômicas com as demais estruturas do carpo. Com a progressão da doença, o osso semilunar passa a apresentar deformidades, fragmentação e colapso (Figura 8). Assim como nas outras osteocondroses, a ressonância magnética irá demonstrar alterações mais precoces que a radiografia simples. A fase inicial da doença demonstra um padrão de edema, com hipossinal em T1 e hipersinal em T2 / STIR. Com a progressão da doença, podem se identificar algumas áreas de hipossinal em T2 de permeio, indicando áreas de esclerose. A avaliação das sequências pós-contraste é fundamental, confirmando a presença de necrose óssea, diferenciando uma necrose parcial, com realce heterogêneo, de uma necrose completa, ausência de realce (figura 9).

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Patologia que acomete a cartilagem da apófise de crescimento da tuberosidade anterior da tíbia, com osteocondroese desta tuberosidade devido ao esforço (tração) excessivo do tendão patelar. Predomina no sexo masculino dos 10 aos 15 anos de idade. Manifesta-se clinicamente com dor na tuberosidade anterior tibial exacerbando-se nas atividades físicas e à palpação, podendo haver edema local. O estudo radiográfico, principalmente a incidência em perfil do joelho, evidencia a fragmentação do núcleo de crescimento da tuberosidade tibial. Inicialmente pode haver apenas edema de partes moles (grau I). Em casos moderados pode-se constatar irregularidade e fragmentação da apófise (grau II). Nos casos mais graves pode-se observar um ossículo intratendinoso (grau III)9 (Figura 10). O exame de ressonância demonstra edema da medular óssea do núcleo de ossificação do tubérculo da tíbia, com inflamação infra patelar e das partes moles adjacentes e aumento do volume da bursa infra patelar (Figura 11).

Figura 10. Radiografia demonstrando irregularidade da tuberosidade anterior da tíbia com fragmento ósseo junto a porção distal do tendão patelar, compatível com Osgood-Schlatter.

Figura 11. Ressonância magnética do joelho com sequência sagital ponderada em T2 com saturação de gordura demonstrando uma tendinopatia do patelar e irregularidades ósseas na tuberosidade anterior da tíbia, com pequena ossificação de permeio e moderado edema da medular óssea subjacente.

Referências 1. Yamagiwa H. Bone and joint diseases in children. Etiology and pathogenesis of osteochondral lesions in children. Osteochondritis dissecans and osteochondrosis. Clin Calcium. 2010 Jun;20(6):849-58 2. Duthie RB, Houghton GR. Constitutional aspects of the osteochondroses. Clin Orthop Relat Res. 1981;(158):19–27). 3. Dillman JR, Hernandez RJ. MRI of Legg-Calvé-Perthes Disease. AJR 2009; 193:1394–1407 Figura 8. Radiografia simples demonstrando esclerose, fragmentação e colapso do osso semilunar numa doença de Kienböck.

4. Javad Parvizi, and Gregory K. Kim. Köhler Disease. High-Yield Orthopaedics 2010; Chapter 128, 265-265. 5. Prado Junior I, Nery CAS, Bruschini S. Ocorrência dos Padrões Radiológicos da Epifisite do Calcâneo em Crianças Assintomáticas. Rev Bras Ortop, vol 27, n 1-2. Jan/Fev. 1992. 6. Nery CAS, Prado Junior, I, Cho YJ, Oliveira AC, Pereira SRM. Osteocondrite de Sever: importância do radiodiagnóstico Acta ortop. bras;4(3):104-8, jul.-set. 1996 7. Cerrato RA. Freiberg’s disease. Foot Ankle Clin. 2011;16 (4): 647-58 8. YANAGUIZAWA, Matiko et al . Avaliação por imagem das lesões da placa de crescimento. Radiol Bras, São Paulo , v. 41, n. 3, June 2008 9. Stevens MA, El-khoury GY, Kathol MH et-al. Imaging features of avulsion injuries. Radiographics. 19 (3): 655-72

Autores Gilson Martins Cavalcante Karla Schoen Werner Weiss Kleina Figura 9. Ressonância magnética do punho em um paciente com doença de Kienböck, demonstrando hipossinal em T2 no osso semilunar, sem fragmentação ou colapso nesta fase da doença.

Paulo Victor Partezani Helito Médicos do Serviço de Radiologia e Diagnóstico por Imagem do Hospital Sirio Libanês


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Imagem no glioma de alto grau tratado com antiangiogênico

m 2009 o bevacizumab (Avastin), medicação antiangiogênica que atua inibindo o fator de crescimento endotelial (“vascular endothelial growth factor-VEGF”), foi aprovado para tratamento do glioblastoma (GBM) recorrente/ progressivo (1). O GBM recorrente com ADC mais alto é o que, em geral, mostra melhor resposta ao antiangiogênico, com maior sobrevida livre de doença em 6 meses (2). Nós, radiologistas, precisamos estar familiarizados com as alterações encontradas no exame de imagem induzidas pela medicação antiangiogênica:

1 - Importante redução ou desaparecimento do realce na lesão O bevacizumab “repara” a barreira hematoencefálica, de modo que a impregnação de contraste no tumor residual/recidivado pode desaparecer completamente, reduzindo o valor do estudo contrastado em monitorar a resposta terapêutica (3) (Fig.1). Acentuada redução do realce pode ocorrer 1 a 2 dias após iniciado o tratamento, simulando resposta terapêutica, caracterizando o que conhecemos na verdade como pseudoresposta (4-8). De acordo com os critérios de RANO, para ser considerada resposta verdadeira a ausência do realce deve persistir por pelo menos 4 semanas (8). Fig: 1: Fem.(AL), 48 anos- recidiva de GBM tratado com cirurgia, RT e QT. A,B: axial T1 com contraste mostra recidiva do GBM frontal direito. Após iniciado Avastin o realce desaparece (C,D: Ax T1 com contraste). Fig: 3: Mesma paciente da Fig1. Comparação de imagens de difusão pré Avastin (A-C) e depois de iniciado o tratamento com Avastin (D-F), documentando o surgimento de área de restrição a difusão periventricular frontal direita.

Fig: 4: Mesma paciente da Fig1. A área de restrição a difusão desenvolvida após iniciado tratamento com Avastin persiste inalterada nos exames de controle, confirmando sua natureza não tumoral. A-setembro/2010; B-outubro/2011; C-julho 2012; D-março 2015. Fig: 2: Mesma paciente da Fig.1. Surgimento de área de restrição a difusão (hipersinal na difusão- A e baixo sinal no mapa de coeficiente de difusão aparente-B) margeando o prolongamento frontal do ventrículo lateral direito em paciente em uso de antiangiogênico. Fig: 5: Mesma paciente da Fig1. Focos de sinal alto em T1 (A) são demonstrados junto a margem anterior do ventrículo lateral direito, em correspondência com a área de restrição a difusão vista na Fig.3E, indicando depósito de material paramagnético. Não há realce de contraste associado (B- ax T1 com contraste), não há aumento da permeabilidade capilar (C) ou aumento perfusional (D).

2 - Surgimento de áreas de restrição a difusão Um fenômeno interessante nos pacientes com glioma malígno tratado com bevacizumab é o aparecimento de lesões com restrição a difusão (sinal alto na difusão (DWI) e baixo no mapa de coeficiente de difusão aparente (ADC map) (Figs.2 e 3) que persistem por longos períodos de tempo (3, 9-11) (Fig.4). Nos pacientes com glioma tratado com bevacizumab, restrição a difusão pode ser um achado normal e um marcador de resposta terapêutica favorável, uma vez que nestes pacientes a sobrevida é maior (12). Áreas de restrição à difusão persistentes após o uso do bevacizumab em pacientes com gliomas malígnos não representam tumor, mas necrose isquêmica atípica (13,14). Em correspondência com estas áreas é comum notarmos focos de hipersinal em T1 relacionados a depósito de material paramagnético (Fig.5). Uma vez que o antiangiogênico repara a barreira hematoencefálica, não há realce de contraste nestas áreas, bem como aumento da permeabilidade capilar no estudo de permeabilidade (Fig.5C). Maiores reduções da permeabilidade capilar ocorrem nos pacientes com maior sobrevida global. A permeabilidade será maior na progressão tumoral do que na pseudoresposta (15). Redução perfusional irá acontecer com 1 a 2 meses do uso do antiangiogênico (16) (Fig.5D). Como o uso do antiangiogênico interfere com os resultados do estudo contrastado e

Fig: 6: Mesma paciente da Fig1. Axial FLAIR para acompanhamento da doença malígna mostra áreas de hipersinal junto ao ventrículo lateral direito, profundamente a cavidade ciríurgica, estáveis evolutivamente (A- junho de 2013; B-janeiro de 2014 e C- março de 2015).

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Imagem no glioma de alto grau tratado com antiangiogênico CONCLUSÃO X portanto do estudo de permeabilidade capilar, podendo também reduzir a perfusão da lesão, o acompanhamento da deonça malígna destes pacientes deve ser realizado considerando os achdos do FLAIR e T2. É importante observar se a doença permanece estável também nestas squências (Fig.6). Em alguns pacientes as áreas de restrição a difusão aumentam de tamanho nos exames seriados. Nestes, a sobrevida global é geralmente menor do que naqueles com lesão estável na difusão (11). Mesmo nos casos em que a área de restrição aumenta, o significado é o mesmo, ou seja, necrose. Embora possa haver um aumento transitório da área de restrição, ela estabilizará ou voltará a reduzir em exames seriados (Figs.7 e 8).

fenótipo não captante. Crescimento ou surgimento de novas de áreas de hipersinal em FLAIR e T2 pode ser a única pista de progressão tumoral num paciente em uso de Avastin (9) (Fig.9). É interessante notar que o grau de restrição a difusão é diferente nas áreas de necrose induzida pelo antiangiogênico (restrição severa) em comparação com as novas áreas de infiltração tumoral, onde a restrição é menos severa (Fig. 10).

Fig.10: Mesmo paciente da Fig.7. Notar a diferença no grau de restrição a difusão na área de necrose induzida pelo Avastin (A-DWI, B-ADC map), bem mais acentuada (ADC= 0.560) em comparação com a restrição na infiltração tumoral (menos severa- ADC = 0,927) (C-DWI; D-ADC map; E-ax T2).

3 - Progressão tumoral sem realce associado O uso de inibidores da angiogênese como o bevacizumab (Avastin) pode aumentar a possibilidade das células tumorais recrutarem novos vasos, resultando num padrão invasivo com Fig.7: Masc., 29 anos com glioma de alto grau recidivado após QT. A- ax T1 com contraste mostra nódulo tumoral captante (seta). B- ax DWI sem áreas de restrição. Iniciado tratamento com Avastin. C: ax T1 com c ontraste mostra desaparecimento do realce no nódulo tumoral. D-ax DWI e E-ADC map mostram surgimento de área de restrição a difusão periventricular frontal esquerda.

Conclusão O conhecimento das alterações induzidas pela medicação antiangiogênica usada no tratamento do glioma de alto grau recidivado é fundamental para interpretção adequada do exame de imagem no paciente oncológico.

Referências 1 2 3

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Fig.8: Mesmo paciente da Fig.7. A- Abril/2015: a lesão com restrição a difusão começa a aumentar de tamanho (em comparação com a Fig.7D) e o Avastin é interrompido. B: Nov 2015- a lesão continua a aumentar e o oncologista decide retornar com o Avastin. D- 5 meses depois a área de restrição começa a involuir,. Os achados atestam a natureza não tumoral da área de restrição a difusão induzida pelo Avastin.

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13

12

Fig.9: Mesmo paciente da Fig.7. Área mal definida de hipersinal em FLAIR é demonstrada junto ao leito cirúrgico (seta em A: ax FLAIR) sugerindo infiltração neoplásica a despeito da ausência do realce de contraste (B-ax com contraste) (paciente em uso de antiangiogênico). Nove meses mais tarde a infiltração tumoral progride (C-ax FLAIR) e agora sim, realce de contraste é demonstrado em virtude da interrupção do Avastin (D-ax com contraste).

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Posttreatment Evaluation of Central Nervous System Gliomas. Shiroishi M., Booker MT, Agarwal M et al. Magn Reson Imaging Clin N Am 21 ( 2013) 241-268. Radiology: Volume 252: Number 1- July 2009- Avastin Estudo de 82 GBM. S. Mong, B.M. Ellingson, P.L. Nghiemphu, et al.Persistent Diffusion-Restricted Lesions in Bevacizumab-Treated Malignant Gliomas Are Associated with Improved Survival Compared with Matched Controls AJNR Am J Neuroradiol 2011;32:1301– 06. Batchelor TT, A. Gregory Sorensen AG, Tomaso ED et al. AZD2171, a Pan-VEGF Receptor Tyrosine Kinase Inhibitor, Normalizes Tumor Vasculature and Alleviates Edema in Glioblastoma Patients. Cancer Cell 11:83-95; 2007; Vredenburgh JJ, Desjardins A., Herndon JE., et al. Bevacizumab Plus Irinotecan in Recurrent Glioblastoma Multforme J Clin Oncol 25: 4722-4729, 2007. Friedman HS, Prados MD, Wen PY, et al. Bevacizumab Alone and in Combination With Irinotecan in Recurrent Glioblastoma. J Clin Oncol 27:4733-4740, 2009. Kreisl TN., Kim L., Moore K et al. Phase II Trial of Single-Agent Bevacizumab Followed by Bevacizumab Plus Irinotecan at Tumor Progression in Recurrent Glioblastoma. J Clin Oncol 27:740-745, 2009. Wen PY., Macdonald DR, Reardon DA et al. Updated Response Assessment Criteria for High-Grade Gliomas: Response Assessment in Neuro-Oncology Working Group. J Clin Oncol 28:1963-1972, 2010. Gerstner ER1, Frosch MP, Batchelor TT. Diffusion magnetic resonance imaging detects pathologically confirmed, nonenhancing tumor progression in a patient with recurrent glioblastoma receiving bevacizumab. J Clin Oncol. 2010 Feb 20;28(6):e91-3. Jena, S. Taneja, A. Jha, N.K. Damesha, et al. Multiparametric Evaluation in Differentiating Glioma Recurrence from Treatment-Induced Necrosis Using Simultaneous 18F-FDG-PET/MRI: A Single-Institution Retrospective Study. AJNR 2012; 33 (9):1763-70. H.S. Nguyen, N. Milbach, S.L. Hurrell,et al. Progressing Bevacizumab-Induced Diffusion Restriction Is Associated with Coagulative Necrosis Surrounded by Viable Tumor and Decreased Overall Survival in Patients with Recurrent Glioblastoma. American Journal of Neuroradiology December 2016, 37 (12) 2201-2208. Murali Nagarajan et al. Rush University Medical Center. University of Michigan. Presented at the ASNR 2015. Mong S, Ellingson BM, Nghjemphu PL et al. Persistent diffusion-restricted lesions in bevacizumab-treated malignant gliomas are associated with improved survival compared with matched controls. AJNR Am J Neuroradiol. 2012 Oct;33(9):1763-70. Thomas LoStracco , et al. University of Rochester Medical Center. Presented at the ASNR 2015 Sorensen AG, Batchelor TT, Zhang WT,et al. A “vascular normalization index” as potential mechanistic biomarker to predict survival after a single dose of cediranib in recurrent glioblastoma patients. Cancer Res. 2009 Jul 1;69(13):5296-300. Essock-Burns E1, Lupo JM, Cha S, et al. Assessment of perfusion MRI-derived parameters in evaluating and predicting response to antiangiogenic therapy in patients with newly diagnosed glioblastoma. Neuro Oncol. 2011 Jan;13(1):119-31.

Autora Lara A Brandão Neurorradiologista Clínica Felippe Mattoso Grupo Fleury-RJ e Clínica IRM - Ressonância Magnética-RJ


Adamantinoma – relato de caso História clínica Paciente de 20 anos, do sexo feminino, que, deu entrada no ambulatório da ortopedia, com uma história de que, há 1 ano, após queda da própria altura, notou aparecimento de uma tumoração em região distal da perna esquerda, a qual apresentou crescimento lento e progressivo. Após cerca de 6 meses, a paciente notou uma outra lesão em tíbia proximal, também com o mesmo padrão de evolução. A conduta do clínico, na ocasião, foi prescrever analgesia e solicitar uma radiografia da perna esquerda, em AP e perfil (figuras 1 A e B).

Figuras 1A e 1B. Radiografias da perna esquerda em incidência anteroposterior (AP) e perfil, respectivamente. Estas imagens revelam lesões na tíbia esquerda, justacoticais, osteolíticas, entremeadas por área escleróticas, expansivas e multiloculadas.

Existem inúmeros métodos de imagem para se avaliar tumores ósseos. Entretanto, a radiografia permanece o método primário para investigação. A radiografia é o método mais barato para detecção e caracterização histológica de muitos tumores ósseos e de condições que podem simulá-los. Quando uma lesão não agressiva clássica é detectada na radiografia, estudos adicionais não são necessários, a não ser que uma intervenção cirúrgica seja contemplada e seja requerido maiores informações anatômicas. O American College of Radiology (ACR) dá uma nota 9 para a radiografia, em seu critério de adequação. Quando os achados radiográficos são indeterminados, ou a lesão é mais agressiva e considerada potencialmente maligna, como no nosso caso, métodos de imagem adicionais são frequentemente necessárias, dentre os quais podemos destacar ressonância magnética (RM) e a tomografia computadorizada (TC). Neste contexto, a ressonância magnética é o método de escolha por causa de sua melhor resolução anatômica e melhor sensibilidade. Estudos iniciais, comparando RM e TC, demonstraram que a RM é melhor para o estadiamento antes do tratamento 1-8. Entretanto, em estudos um pouco mais recentes, não encontraram nenhuma diferença entre TC e a RM para a avaliação da extensão dos tumores ósseos primários, sugerindo que ambos tem mesma acurácia para fins de estadiamento. É importante notar que estes estudos comparativos não são atuais e a evolução da tecnologia pode limitar a relevância desses estudos. Vale a pena ressaltar também que, na nossa prática, ainda consideramos a RM como método de escolha para o estadiamento (figuras 2A-C). O ACR dá um nota 9 para a RM com contraste; 8 para RM sem contraste; e 7 para com contraste.

Após a RM (figuras 2A-C), foi realizado a biópsia guiada por tomografia computadorizada, cujo estudo anatomopatológico revelou que a lesão era um adamantinoma de tíbia. Continuando com a etapa de estadiamento, foi realizado uma tomografia por emissão de pósitrons de varredura, também conhecido como PET scan (Figura 3). A PET scan tem sido usado com sucesso para detectar lesões metabolicamente ativas, recorrências metastáticas e para a avaliação pré-operatória. Entretanto, o papel do PET na abordagem de tumores ósseos ainda não foi estabelecido, recebendo uma nota 5 da ACR, em concordância as diretrizes oncológicas da National Comprehensive Cancer Network (NCCN) e da American Joint Commission on Cancer (AJCC).

Figura 3. PET CT Fusão revelando duas lesões expansivas na tíbia esquerda correspondendo à neoplasia primária e múltiplos nódulos pulmonares esparsos sugestivos de acometimento secundário pela neoplasia de base.

Na sequência, a paciente foi submetida a ressecção cirúrgica em bloco (figuras 4B e 4D). O estudo anatomopatológico das lesões, novamente, confirmou o diagnóstico de adamantinoma (Figuras 5A-C). Na imunohistoquímica, foi evidenciado um padrão epitelial, com citoqueratina ae-1/ae-3, p63 e citoqueratina 19 positivos.

Figura 4A Ressonância magnética T1 Gd pós contraste com gadolíneo. Figura 4B Peça macroscópica. Evidencia-se a correlação radiopatológica da lesão, localizada na tíbia distal, que acomente cortical e medular, com infiltração de partes moles.

Figuras 2 A-C. Ressonância magnética da perna esquerda. (A) T1, (B) T2/STIR e (C) T1 Gd - pós contraste com gadolíneo. As imagens demonstram uma lesão expansiva sólido-cística na diáfise média e região epimetadiafisária distal da tíbia com áreas liquefeitas de permeio e múltiplas septações espessas no seu interior. A mesma se estende à superfície articular tibiotalar, com acentuado acometimento intramedular. Há ainda componente de partes moles anterior que se projeta ao tecido subcutâneo e ventres musculares adjacentes do compartimento anterior, profundo e lateral, bem como parte do músculo solear. Além disso, observa-se invasão dos feixes vasculo-neurais tibial anterior e fibular. Identificou-se também uma outra lesão com características semelhantes na face anterior da metáfise proximal da tibia, também acomentendo a cortical e com pequena extensão medular local. Há ainda extensão da lesão para partes moles do subcutâneo, com pequena invasão do músculo tibial anterior junto à tibia.

Figura 4C Ressonância magnética T2 STIR. Figura 4D Peça macroscópica. Evidencia-se a correlação radiopatológica da lesão lesão proximal, com as mesmas características da lesão distal, descrita anteriormente.

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Adamantinoma – relato de caso CONCLUSÃO X

Discussão do caso A palavra Adamantinoma deriva do grego adamantinos, que, literalmente, significa “muito duro” 9. Descrito por Fischer R., em 1913, este tumor deve seu nome à analogia histológica com o ameloblastoma, que originalmente era denominado Adamantinoma mandibular. Adamantinoma é um tumor ósseo, maligno, primário, de baixo grau, e de histogênese desconhecida. No entanto, acredita-se atualmente que seja de origem epitelial, com base em estudos ultra-estruturais e imuno-histoquímica. É uma neoplasia rara, compreendem apenas 0,1-0,5% de todos os tumores ósseos primários 10. O tumor geralmente ocorre na segunda e na terceira década da vida, mas pode afetar pacientes de idades de 2 a 86. A maioria dos pacientes são do sexo masculino, com uma proporção de 1,3:1 11. O tumor possui uma predilecção marcante para os ossos longos (97 por cento dos casos), especialmente, para a tíbia (80 a 85 por cento dos casos), sendo esta a característica clínica mais marcante deste tipo de tumor. Em 10 a 15%, a lesão também é encontrada na fíbula ipsilateral 12. Outros ossos que estão envolvidos, em ordem decrescente de freqüência, incluem o úmero, a ulna, o fêmur, a fíbula, o rádio, as costelas, a coluna e, raramente, pequenos ossos da mão e do pé.

Conclusão

Figura 5A. Microscopia com coloração Hematoxilina/Eosina (HE). Evidencia-se que uma lesão tinha um compontente epitelial de aspecto basalóide, em meio a estroma fibroso.

Os sintomas iniciais da Adamantinoma são muitas vezes indolentes e inespecíficos. O início é insidioso e seu curso mostra um caráter lento, progressivo. Muitas vezes o paciente tolera sintomas durante muitos anos antes de procurar atendimento médico. Em geral, os pacientes apresentam uma história de trauma no local lesão. A maioria deles apresenta uma tumoração que pode ou não estar associado a dor. Radiograficamente, o Adamantinoma exibe lesões osteolíticas, entremeadas por áreas escleróticas, expansivas e multi-loculadas. Na RM, as lesões apresentam hiposinal em T1, hipersinal em T2, com realce intenso e homogeneo, sem padrão distribuição dinâmica. Ocasionalmente, níveis fluido-fluido podem ser vistos. O diagnóstico diferencial de Adamantinoma deve incluir osteofibrodisplasia (OFD) e displasia fibrosa. Distinguir OFD e displasia fibrosa de Adamantinoma pode ser difícil. No entanto, a localização na diáfise, o envolvimento do osso cortical anterior com extensão para a medula óssea, lesões nodulares simples ou múltiplos de um ou mais focos, e realce intenso e homogénea pode contribuir para o diagnóstico de Adamantinoma. Já a OFD está especificamente localizada no córtex sem envolvimento do canal medular.

Referências 1. Sundaram M, McLeod RA. MR imaging of tumor and tumorlike lesions of bone and soft tissue. AJR Am J Roentgenol. 1990;155(4):817-824. 2. Assoun J, Richardi G, Railhac JJ, et al. Osteoid osteoma: MR imaging versus CT. Radiology. 1994;191(1):217-223. 3. Zimmer WD, Berquist TH, McLeod RA, et al. Bone tumors: magnetic resonance imaging versus computed tomography. Radiology.1985;155(3):709-718. 4. Frank JA, Ling A, Patronas NJ, et al. Detection of malignant bone tumors: MR imaging vs scintigraphy. AJR Am J Roentgenol.1990;155(5):1043-1048. Figura 5B. Microscopia com coloração Hematoxilina/Eosina (HE). Observa-se destruição de uma trabecula óssea

5. Bloem JL, Taminiau AH, Eulderink F, Hermans J, Pauwels EK. Radiologic staging of primary bone sarcoma: MR imaging, scintigraphy, angiography, and CT correlated with pathologic examination. Radiology. 1988;169(3):805-810. 6. Hogeboom WR, Hoekstra HJ, Mooyaart EL, et al. MRI or CT in the preoperative diagnosis of bone tumours. Eur J Surg Oncol. 1992;18(1):67-72. 7. Panicek DM, Gatsonis C, Rosenthal DI, et al. CT and MR imaging in the local staging of primary malignant musculoskeletal neoplasms: Reportof the Radiology Diagnostic Oncology Group. Radiology. 1997;202(1):237-246 8. https://acsearch.acr.org/docs/69421/Narrative/ 9. Fisher B. Primary adamantinoma of the tibia. Z Pathol. 1913;12:422–441. 10. Mirra JM. Adamantinoma and fibrous dysplasia. In: Mirra JM, editor. Bone tumors. 1. Lea & Febiger, Philadelphia; 1989. pp. 1203–1231. 11. Moon NF, Mori H. Adamantinoma of the appendicular skeleton – updated. Clin Orthop.1986;204:215. 12. Keeney GL, Unni KK, Beabout JW, Pritchard DJ. Adamantinoma of long bones. A clinicopathologic study of 85 cases. Cancer. 1989;64:730. 13. Van der Woude HJ, Hazelbag HM, Bloem JL, Taminiau AH, Hogendoorn PC. MRI of adamantinoma of long bones in correlation with histopathology. Am J Roentgenol. 2004;183:1737–44.

Autor

Figura 5C. Microscopia com coloração Hematoxilina/Eosina (HE). Observa-se infiltração do tecido adiposo

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Mauro M. Hanaoka Medico radiologista do Departamento de Radiologia e Diagnóstico por Imagem do Hospital das Clínicas da FMUSP, em estágio no exterior. Apresentado originalmente em reunião geral de discussão de casos.


REVISÃO DE LITERATURA

Trial tomossíntese x US

E

studo ASTOUND - Rastreamento adjunto com tomografia ou ultrassom (US) em mulheres com mamas densas “mamografias-negativas”: Análise dos principais aspectos de um trial prospectivo comparativo*, correlacionados com casos de nosso Serviço.

Introdução

A mamografia é o exame de escolha para rastreamento do câncer de mama, pois comprovadamente reduz mortalidade. Porém, ela tem sensibilidade reduzida na detecção do câncer em mamas densas. Ao mesmo tempo, a densidade mamária também demonstrou ser um fator independente que aumenta o risco de desenvolver câncer de mama. Vários exames tem sido usados como complementares à mamografia em mamas densas. Após a decisão de alguns estados americanos de informar as pacientes que tem mamas densas sobre o risco aumentado de câncer de mama e necessidade de avaliação adicional, tornou-se necessário comprovar qual seria a melhor opção. Foi realizado então esse estudo multicêntrico na Itália, comparando qual o aumento na detecção dos casos de câncer de mama proporcionado pelo US ou pela tomossíntese como modalidade adjunta no rastreamento em mulheres com mamas densas negativas na mamografia.

Desenho do estudo Mulheres que fizeram mmg e decidiram participar de acordo c a densidade mamária

Densidades c e d

Densidade a e b

Não elegíveis para o estudo

Mamografia positiva

Mamografia negativa elegíveis para o estudo ASTOUND n: 3.295

Consentiram participar fazendo US e Tomossíntese: 3.231

Não aceitaram fazer Tomossíntese: 64

Já os 11 casos evidenciados só na ecografia (e não na tomossíntese) tratavam-se de nódulos/massas. Tomossíntese: 3.231

CASO 2: Assimetria na mama esquerda, que a tomossíntese revelou tratar-se de distorção arquitetural na junção dos quadrantes inferiores esquerdos e bem visível ao US. Fotos 3 e 4

US: 3.231

Todas pacientes elegíveis se submeteram aos dois exames, e a interpretação foi realizada por radiologistas independentes (quem interpretou a tomossíntese desconhecia o resultado do US e vice-versa). Os casos suspeitos tiveram confirmação por correlação histológica.

Resultados Número de cânceres detectados a cada 1000 exames, a taxa de falso-positivos inclusive em reconvocações e a taxa de aumento na detecção de câncer de mama, para cada uma das modalidades. Modalidade adjunta de Screening

US positivo

US negativo

total n (%)

Tomossíntese positivo

12

1

13 (54,2%)

Tomossíntese negativo

11

0

11 (45,8%)

O caso único identificado pela tomossíntese e não evidenciado na ecografia era uma distorção arquitetural. CASO 1: Mamas extremamente densas, com imagem sugestiva de distorção na junção dos quadrantes superiores, não identificada em radiografias complementares focadas e visível na tomossíntese. Fotos 1 e 2

CONTINUA JUN / JUL 2017 nº 98

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Trial tomossíntese x US CONCLUSÃO X

Exames de rastreamento classificados como ausência de câncer, inclusive rechamadas falso-positivas, confirmados por biópsia Modalidade adjunta

US positivo

US negativo

total n (%)

Tomossíntese positiva

8

14

22 (0.7)

Tomossíntese negativa

16

3.169

3.185 (99.3)

24 (0.7)

3.183 (99.3)

Total , n (%)

Entre 3,231 participantes com mamografia negativa (média de idade, 51 anos) com mamas densas, 24 canceres de mama adicionais foram detectados (23 invasivos): 13 pela tomossíntese (aumento na detecção de 4.0 por 1,000 examinadas; 95% IC, 1.8 a 6.2) x 23 pelo US (aumento de 7.1 por 1,000; 95% IC, 4.2 a 10.0), P = .006. Falso-positivos (para qualquer teste) não diferiu entre tomossíntese (FP = 53) e ultrassom (FP = 65), P = .26; Falso positivos (biopsia) também não diferiu entre tomossíntese (FP = 22) e ultrassom (FP = 24), P = .86.

Conclusão

Exames de rastreamento classificados como ausência de câncer de mama, inclusive de reconvocações falso-positivas no estudo ASTOUND Modalidade adjunta

US positivo

US negativo

total n (%)

Tomossíntese positiva

11

42

53 (1,7)

Tomossíntese negativa

54

3.100

3.154 (98,3)

65 (2,0)

3.142 (98,0)

Total n (%)

A análise desse trial demonstrou que o ultrassom tem uma melhor taxa de aumento de detecção de câncer de mama do que a tomossíntese em mamas densas negativas na mamografia, e uma taxa similar de falso positivos. Porém, para a aplicação de um rastreamento adjunto futuro poderia se considerar que a tomossíntese detecta mais de 50% dos canceres adicionais de mama nessas mulheres e poderia potencialmente ser a modalidade de rastreamento primária. Em nosso Serviço, as pacientes são encaminhadas para rastreamento em média a partir dos 40 anos e geralmente para realizar dupla modalidade: mamografia e ecografia mamária, o que encontra respaldo científico nesse trial. Quando encontramos alterações na mamografia como distorções e assimetrias, focal ou não, a paciente realiza então tomossíntese. Porém, futuramente, poderá ser usada no lugar da mamografia (com o benefício de melhor avaliar estruturas sobrepostas e também a possibilidade do uso de imagens sintetizadas substituindo a mamografia convencional) como opção de rastreamento inicial. *Journal of Clinical Oncology 10.1200/JCO.2015.65.8674

Revisão e discussão de artigo realizada por Renata Brutti Berni¹ e Radiá dos Santos². ¹ Médica da Mamorad/RS, especialista em Radiologia e Diagnóstico por imagem, membro titular do CBR; ² Diretora médica da Mamorad/RS, especialista em Radiologia e Mastologia, Doutora em Radiologia, membro da Comissão de Qualificação em mamografia do CBR e presidente da Comissão de Ultrassom da Sociedade Brasileira de Mastologia. As ilustrações são referentes a casos da clínica Mamorad/RS.

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ACONTECE

Com muitas inovações, FujiFilm mostra na JPR, o novo perfil da empresa Uma nova geração de PACS, um aparelho compacto para raios x, equipamentos de ultrassonografia portáteis e tecnologia digital para mamografia, foram algumas das novidades apresentadas pela FUJIFILM na JPR´2017, que mostram esse novo e diversificado perfil da empresa.

S

em esconder seu entusiasmo, Eduardo Tugas, diretor da FUJIFILM, destacou que a principal atração foi o Synapse 5, desenvolvido para solucionar os principais desafios que impactam o departamento de radiologia e TI. Com sua arquitetura avançada, esta nova solução possui como foco a velocidade, a menor utilização da banda larga, a segurança reforçada, o fluxo de trabalho aprimorado e a solução completa de gestão de imagens/dados. Outra novidade foi o Synapse VNA, que gerencia em um único visualizador todas as informações do paciente, imagens DICOM e não DICOM, integradas aos sistemas específicos de cada departamento. “Assim, os médicos conseguem acessar os resultados de todos os exames do paciente e podem compartilhar resultados e prontuários com profissionais de outras unidades hospitalares. Por operar em ambiente de nuvem, traz uma redução significativa de custos de hardware, e a migração das informações e a conexão entre os diversos departamentos agiliza e melhora os cuidados com os pacientes”, explica o diretor.

Radiologia Digital Atenta a realidade do mercado, a FUJIFILM apresentou o sistema de radiografia digital FDR NANO, tecnologia que combina redução de dose, possui um mini gerador projetado exclusivamente pela empresa, um tubo compacto incorporado em um mini carro móvel ultraleve, para leitos e point-of-care. Também conta com dois exclusivos softwares de processamento de imagem, para redução de ruído e para a aquisição de imagens sem grade antidifusora, proporcionando redução de até 50% da dose de radiação. “Por ser leve e fácil de manusear, com uma placa portátil que facilita o fluxo de trabalho, além de maximizar a

qualidade dos serviços radiológicos e reduzir as filas de espera nos hospitais, o FDR Nano traz, como um dos principais benefícios, redução da exposição à radiação, cuja detecção da exposição é feita automaticamente, dispensando qualquer conexão cabeada com o gerador dos raios x”, enfatiza Tugas.

Mamografia Digital Uma estação de trabalho para mamografia digital inteligente e compatível com todos os sistemas CR e DR disponíveis no mercado, que permite visualizar imagens mamográficas 2D e 3D, além de efetuar um pré-carregamento das imagens armazenadas na memória, otimizando o tempo de aná- Eduardo Tugas fala sobre os lançamentos da FujiFilm, agora com um portfolio de produtos que atende a várias faixas do mercado. lise e proporcionando um fluxo de trabalho ágil e eficiente, é outra aposta da FUJIFILM Ultrassonografia nessa nova fase da empresa no Brasil, apresentada no Mas, foi na linha de ultrassonografia, através da Fujifilm evento. SonoSite, que a empresa mostrou mais um leque de alter“Ainda nesse segmento, apresentamos o AMULET nativas para seus clientes. Recentemente obteve o cadastro Innovality, um mamógrafo digital de última geração para da ANVISA para dois equipamentos de alta performance, o exames rápidos e com baixas doses, imagens com alta ultrassom portátil SonoSite SII e o SonoSite Edge II, ambos definição, com tomossíntese mamária e resolução de 50 equipados com uma nova tecnologia patenteada que está mícrons. Atualmente, este equipamento é o único do disponível nos transdutores mais acionados nos ambienmercado com menor tamanho de pixel para detectores de tes Point-of-Care, que eleva o desempenho do transdutor, conversão direta e sistema de estereotaxia, que possibilita aumentando a penetração e a resolução de contraste. Na um diagnóstico precoce das células tumorais, fator que nossa avaliação, conclui Eduardo Tugas “foi muito positiva e a diversidade do nosso portfolio aponta para um futuro pode ser decisivo no tratamento contra o câncer”, destacou muito promissor”. Eduardo Tugas.

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LANÇAMENTOS

Soluções para TI, o grande foco da Agfa, na JPR´2017 Uma plataforma integrada de soluções para a saúde, orientada à produtividade e às novas tendências de engajamento e interação entre médico, paciente e instituição foi a “estrela” da Agfa, na JPR´2017.

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ocadas na otimização dos fluxos clínicos “No momento da consulta do paciente com o e administrativos de processos, que seu médico, estima-se que faltam 70% dos dados possibilitam a gestão integral da saúde para investigação do quadro clínico, sendo que a do paciente, estas soluções integram o maior parte vem de imagens, e com elas, é possíportfolio da empresa e, consolidam um vel obter mais informações do estado do paciente. novo conceito, intitulado Agfa It Suite. Nesse gargalo de tempo entre a ida a uma consulta Para falar sobre o assunto, e o retorno com os resultados a Agfa HealthCare, promoveu dos exames é que a tecnologia um encontro durante o evenEnterprise Imaging traz avanço to, com o palestrante Louis para a gestão da saúde”, afirma Lannum, especialista em EnDr. Louis Lannum. terprise Imaging e responsável A solução Engage Suite, pela implantação do sistema sistema inteligente e integrado na Cleveland Clinic, em Ohio que possibilita o compartilhanos Estados Unidos. O especiamento de informações, resultalista discursou sobre a solução dos, imagens e documentação integrada Enterprise Imaging, clínica a pacientes, médicos que é responsável pelo gerene instituição, também foi ouciamento e armazenamento de tro destaque nos eventos de todas as imagens da instituição, saúde, inovação e tecnologia. englobando não somente a O sistema permite o acesso radiologia, mas todos os dedas informações hospitalares partamentos do hospital como: como, por exemplo, a linha do dermatologia, oftalmologia, tempo do paciente e inclusão ortopedia, cardiologia, entre O palestrante Louis Lannum, especialista das informações de batimentos em Enterprise Imaging outras especialidades. cardíacos por todas as plataforA gestão integrada das imagens numa única mas, como celular, tablets, notebooks e desktops. solução permite a obtenção de uma visão mais abranO Engage Suite é prático, pois dispensa imgente do paciente, melhor organização das imagens pressões e CDs/DVDs na entrega de resultados e e uma melhor integração entre os departamentos permite o acesso às imagens por meio de qualquer do hospital. Uma tendência que já toma conta da visualizador PACS, download e upload de informaioria dos grandes hospitais nos Estados Unidos mações pelo paciente ao seu prontuário eletrônico, e, que agora, também está disponível no Brasil pela além de reduzir o custo e otimizar o tempo entre Agfa HealthCare. agendamento de exames e entrega de resultados.

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AGENDA

Curso Clínico-Radiológico das Patologias Musculoesqueléticas do Membro Superior

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Núcleo Especializado de Cirurgia da Mão e Microcirurgia Reconstrutiva e o Centro de Diagnóstico por Imagem do Hospital Sírio-Libanês realizam o Curso Clínico-Radiológico das Patologias Musculoesqueléticas do Membro Superior, nos dias 18 e 19 de agosto, no Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa, Rua Professor Daher Cutait, 69 - Bela Vista, São Paulo. Os métodos diagnósticos por imagem têm hoje papel muito importante na formulação do diagnóstico e do tratamento das patologias ortopédicas. Nesse contexto, é muito importante que a atuação médica tenha conhecimento do estágio atual do arsenal diagnóstico, podendo assim ter uma atitude mais assertiva na interpretação das imagens disponíveis. O curso visa estabelecer uma correlação entre os achados clínicos das patologias musculo-esqueléticas do membro superior com os exames de imagem disponíveis, ajudando ao médico que assiste ao paciente, a melhor tomada de decisões. O público-alvo são médicos e profissionais da sáude que queiram melhor interpretar os exames de imagem nas patologias Musculoesqueléticas.

Einstein realiza o IV Congresso de Diagnóstico por Imagem

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os dias 25 e 26 de agosto acontece o IV Congresso de Diagnóstico por Imagem do Hospital Israelita Albert Einstein vai abordar uma revisão nos temas mais importantes da radiologia e uma atualização nas mais diversas especialidades desta área. O Congresso oferecerá aulas práticas e teóricas, incluindo atividades hands on. Paralelamente ao Congresso também serão realizados o VIII Simpósio de Ressonância Magnética e o III Curso de Suporte à vida em Radiologia, que utilizará a metodologia de simulação realística e incluirá o uso de robôs. O congresso será no Auditório Moise Safra, na Av. Albert Einstein, 627, 1º andar, Bloco A, Estacionamento 1, Morumbi, São Paulo. Mais informações e inscrições no site www.einstein.br/eventos ou pelo telefone (11) 2151-1001/ opção 1.


LANÇAMENTOS Por Claudia Casanova (SP)

Com certificação da Anvisa, OsiriX já pode ser usado legalmente no país Visualizador DICOM e PACS, o software criado por um radiologista suíço em 2003 se transformou em uma ferramenta consagrada no mundo todo pela alta performance, interface intuitiva e valor acessível.

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onsiderado o visualizador DICOM forma muito mais prática. Há ainda outras mais usado no mundo, com pelo possibilidades. No caso da mama, por exemmenos trezentos mil usuários, o plo, a ferramenta também oferece ilustrações OsiriX agora conta com a certipara auxiliar na formulação do laudo, como ficação da Agência Nacional de se fosse um pequeno atlas”, explica Salete Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser usado de Rego, médica e também fundadora à frente maneira oficial no Brasil. da XirisA. A nova versão é representada pela XirisA, Com relação ao perfil de usuário, o médico empresa formada por médicos e programadores radiologista é um dos principais públicos do que se uniram para legalizar a ferramenta a parsoftware, uma vez que pode levar a estrutura tir da resolução que exigiu a homologação de de telelaudo para casa sem precisar de uma softwares de visualização de imagens médicas. grande contratação: basta comprar o programa Até então, o programa costumava ser usado e começar a trabalhar nele. no mercado brasileiro por meio de opções não “É um movimento novo, que cria uma homologadas pela Anvisa, com as certificações oportunidade de empreendedorismo para que americana e europeia, ou a reduzida versão lite, o radiologista possa personalizar os laudos da que não é recomendada para uso médico. maneira que achar melhor ou, então, de acorSegundo Ronaldo Maselli, médico e um do com que o médico solicitante desejar. Isso Dra. Salete Rego, médica e fundadora da XirisA, ao lado do do dr. Ronaldo Maselli, fala sobre dos sócios da representante, a certificação bra- sobre essa nova ferramenta, já registrada na ANVISA. cria oportunidades em um mercado estanque”, sileira se deu em 2015, mas devido a trâmites completa Maselli. O perfil completo da ferramenta – que também pode ser inerentes ao processo, a versão comercial do programa ficou Além desse usuários da categoria single, a interface utilizada como PACS – é o seu principal diferencial, que na pronta no ano passado. amigável e intuitiva do programa tem despertado o inteversão atual também oferece comunicação e armazenamento resse de algumas grandes empresas, que desejam manter Diferenciais na nuvem. suas estruturas de dados e tráfego de informações, mas que “O programa tem funcionalidades que permitem ao O OsiriX funciona exclusivamente na plataforma Apple pretendem usar a máscara do OsiriX como interface com o radiologista coordenar imagens e o texto do laudo de e sua licença única e vitalícia tem um custo bem acessível. médico.

Soluções integradas para otimizar processos, um dos destaques da Philips Para além de equipamentos de diagnóstico por imagem que entregam resultados confiáveis a custo mais acessíveis, durante sua participação na 47ª Jornada Paulista de Radiologia, a Philips do Brasil também destacou soluções de gestão que integram e otimizam processos, simplificando-os e tornando-os mais eficazes.

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ma das frentes exibidas foi o Tasy, solução completa e 100% integrada para a gestão de organizações de saúde públicas e privadas. Composta por mais de 50 módulos que se adequam às mais variadas realidades de negócio, trata-se de um sistema inovador e flexível, que permite combinar os produtos de acordo com as necessidades do cliente.

César Giannotti, gerente de EMR para a America Latina, falou sobre seus principais benefícios do Tasy: “Ao integrar as diferentes áreas da Instituição, independentemente do seu porte e da complexidade dos seus processos, essas soluções integradas otimizam processos e aumentam a produtividade, evitando o desperdício e o retrabalho. Além disso, possibilitam a melhoria da qualidade assistencial e da performance financeira”.

Outro destaque do estande da Philips na JPR 2017 foi a MultiMED, uma solução completa de Radiology Information System (RIS) e Laboratory Information System (LIS), a qual oferece uma integração total para otimizar o fluxo de atendimento, aumentar a produtividade e fazer toda a gestão do negócio. O Portal IntelliSpace também é um destaque como plataforma de visualização

avançada que suporta a análise, interpretação e apresentação de imagens para diferentes especialidades trabalhadas em uma empresa. Com uma interface fácil de usar e que facilita o acesso para uma variedade de aplicativos projetados para auxiliar técnicos, radiologista e especialistas, o portal padroniza a revisão e também ajuda a aumentar a produtividade e o cuidado com pacientes.

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ENTREVISTA Por Claudia Casanova (SP)

Carestream Health tem novo CEO no Brasil e grandes desafios no mercado radiológico No cargo desde o último mês de março, Irineu Monteiro tem como um de seus grandes desafios fazer com que os segmentos de healthcare IT e o de filmes e impressão caminhem juntos.

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om dez anos de uma atuação sólida e bemda evolução do healthcare IT, que nos últimos quatro -estruturada, a Carestream Health tem anos cresceu de maneira consistente e significativa na sede em Rochester, nos Estados Unidos, e Carestream, não queremos abrir mão do nosso business presença em 160 países. Seu portfólio dide impressão, que ainda vai demorar anos para que nossa companhia perca o interesse”. versificado de produtos e soluções transita Monteiro ainda reforça que, embora alguns anos entre os segmentos de filmes e impressoras para as atrás se acreditava que o filme áreas médica e dental, testes fosse desaparecer, esse processo não destrutivos, healthcare IT, não está acontecendo da forma e equipamentos de imagem como o mercado esperava. “À para diagnóstico. medida em que a área de saúNeste último, a empresa é uma das maiores fornecedoras de apresenta melhorias, mais de sistemas de radiologia diinformações são demandadas gital (DR) e computadorizada para que os médicos possam (CR) do mercado, conforme oferecer um diagnóstico preciinforma Irineu Monteiro, novo so. Isso requer mais imagens, CEO da divisão brasileira. que podem ser digitalizadas, Com uma história de 35 mas que também podem esanos na Kodak, e passagem tar em filmes. Em um país de pelas áreas de serviços, madimensões continentais como nufatura, vendas e marketing, o nosso, há diferenças signiMonteiro transferiu-se para a ficativas entre as regiões. A Carestream Health em 2013 digitalização vai chegar a tudo, com a missão de gerenciar a mas vai levar algum tempo”. área de serviços de imagens Sobre as caminhos de cresmédicas. Agora, entre seus cimento para a companhia, grandes desafios como Chief Monteiro fala sobre a aposta Executive Officer, está o de em soluções inovadoras, como Irineu Monteiro, novo CEO da Carestream trazer produtos inovadores os detectores e o raio-x digipara o Brasil, acompanhando as tendências do mertal, e também sobre a entrada de novos produtos de cado, mas sem esquecer-se do segmento de filmes e ultrassonografia e tomografia, que já foram lançados impressão. nos Estados Unidos e que devem chegar ao mercado “Estamos focados na área de tecnologia da inforbrasileiro em breve. “Esses dois vetores farão com que a Carestream mação porque ela é o futuro. O mercado será cada vez continue crescendo no Brasil e no mundo. E nós temos mais digital e, para otimizar processos e cortar custos e de estar preparados para acompanhar esse crescimento”, atividades que não agregam valor, empresas, hospitais conclui. e clínicas precisam investir em tecnologia. Mas apesar

Novidades em DRX e na automatização de processos com o quiosque de resultados

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m conversa com o jornal Interação Diagnóstica durante a 47ª Jornada Paulista de Radiologia, Irineu Monteiro falou também sobre novos produtos. Para começar, apresentou o raio-x móvel, equipamento que facilita o tratamento de pacientes que não podem ser removidos da UTI ou do quarto onde se encontram devido às suas condições clínicas. A novidade chega para reforçar ainda mais o segmento de DRX da Carestream, no qual a empresa é a líder de mercado, segundo Monteiro, sendo reconhecida pelos produtos de alta qualidade. Já na área de impressão, outra novidade apresentada foi o quiosque de resultados, que possibilita o autoatendimento dos pacientes, uma tendência cada vez mais forte no mercado. Por meio de uma máquina que lembra muito um caixa eletrônico de banco, a qual já tem o registro da Anvisa, o paciente poderá imprimir seu laudo médico, as imagens de diagnóstico ou, ainda, gravar essas informações num pendrive. Se preferir, ele poderá enviar o laudo para o médico por e-mail diretamente do quiosque. Monteiro finalizou a conversa conosco falando suas impressões sobre o autoatendimento: “Ficar na fila esperando atendimento para a impressão de um exame não agrega valor. Sem contar o desperdício de materiais, espaço físico e, muitas vezes, os custos com a destruição de exames que não foram retirados. É um custo para empresa e um desperdício de tempo para pacientes. A tendência de autoatendimento já tem grande penetração na Índia e na China e agora será testada no Brasil”.

Anote: Congresso da FLAUS 2017 nos dias 13,14 e 15 de Julho no InRad No período de 13 a 15 de julho, São Paulo sediará o XVIII Congresso Latino-americano de ultrassonografia - FLAUS. Esse conceituado evento científico da área de Ultrassonografia será realizado no Centro de eventos do InRad - Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. O evento contará com palestras de renomados profissionais nacionais e internacionais, e também com cursos Hands-on. Fazem parte da programação do evento a apresentação de métodos consagrados e inovações técnicas,que divulgará ao público participante resultados de pesquisas, além de fomentar a comunicação e o intercâmbio entre os profissionais, a troca de experiências e proporcionar oportunidade privilegiada de aperfeiçoamento e atualização. Nessa edição os participantes poderão optar por participação presencial e on line.

PROGRAMAÇÃO:

Dia 13 - Obstetricia, Fetal, Abdomen, Elastografia, Musculoesquelético, Vascular, Pediatría; Dia 14 - Obstetricia, Fetal, Contraste, Ginecología, Vascular, Simposio de Oftalmología; e Dia 15 - Mama, Vascular, Abdomen, Emergencias, Nefrourología, Pequeñas Partes, Fetal ( simposio de SIADTP).

Reserve as datas em sua agenda para que possa usufruir de toda a informação, atualização e relacionamento que o Congresso lhe oferecerá. Mais informações no site do evento: www.flaus-us.org/congresso. Atenção: inscrições com desconto até o dia 30 de junho.

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SERVIÇO

Por Lizandra M. Almeida e Luiz Carlos de Almeida (SP)

Bi-Rads, o protocolo que revolucionou o diagnóstico de mama

Solução digital identifica erro em exame de mamografia

o início da década de 1980, a situação do diagnóstico por imagem de mama era sofrível. O método ainda era novo e poucos médicos o dominavam. O resultado eram laudos incompletos, desorganizados, caóticos. “Ninguém conhecia muito bem o exame e o que ele podia detectar, então ninguém sabia o que procurar e como relatar isso”, explica a dra. Carol H. Lee, presidente do Comitê de Bi-Rads da Comissão de Imagem de Mama do American College of Radiology (ACR). Uma das referências no programa de Mamografia da JPR´2017, ela abriu um pequeno espaço para falar sobre esse protocolo hoje consagrado, onde o Brasil ocupa posição de destaque na implantação e na busca por resultados de qualidade. Em 1987, um grupo se reuniu para criar a primeira edição do Breast Imaging Reporting and Data System, que ficou conhecido como BI-Rads, um esforço mundial encabeçado pelo ACR que estabeleceu parâmetros para a análise de mamografias e exames de ultrassonografia de mama e para a padronização dos laudos. “Era preciso que Dra. Carol H. Lee todos enxergassem a mesma coisa nas imagens e relatassem de forma que o clínico pudesse entender”, explica a mamografista. O resultado foi tão bem sucedido que hoje o ACR já lançou iniciativas semelhantes para outros órgãos, como fígado (LI-Rads), próstata (PI-Rads), entre outros. Desde a primeira edição, publicada em 1992, já foram lançadas outras cinco, a última em 2013. A atualização, porém, é constante: a comissão do BI-Rads recebe por e-mail perguntas de médicos de todo o mundo e publica a cada seis meses uma lista das mais frequentes, a fim de orientar e atualizar constantemente os protocolos. O Brasil foi um dos países que desde o início aderiu aos princípios do BI-Rads e é considerado um dos mais avançados no estudo de mamografia atualmente. “É a primeira vez que estou no Brasil e pelo nível das aulas que assisti, vejo que os conceitos realmente foram muito bem absorvidos”, explicou a médica, que esteve na 47ª Jornada Paulista de Radiologia. Hoje ela atua no Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York. Em suas pesquisas, estão melhores técnicas de screening mamográfico e as novas tecnologias que permitem cada vez mais personalizar o diagnóstico do câncer.

Desde seu surgimento, em 1949, a mamografia passou por grandes evoluções tecnológicas e tem sido responsável pela importante redução nas taxas de mortalidade por câncer de mama, ao possibilitar diagnósticos cada vez mais precoces e tratamentos mais minimalistas e efetivos. Não por acaso, cresce o cuidado com a precisão das imagens geradas, que dependem muito da correta execução do procedimento.

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evantamento do Hospital do Câncer III, de mamografia. A solução, que é alocada em nuvem, usa parte do Instituto Nacional do Câncer algoritmos para avaliar, em tempo real, se o posiciona(INCA), mostra que mais de 60% dos mento da mama está correto. Caso não esteja, um alerta é exames de mamografia que chegam emitido ao técnico de radiologia que pode, então, fazer as à unidade apresentam alguma falha correções necessárias durante o exame evitando imagens que pode levar a uma interpretação imprecisa das com baixa qualidade e, consequentemente, danos aos imagens. Parte dessas falhas é decorrente do inadepacientes e às instituições. Um fator fundamental quado posicionamento para o sucesso desta solução da mama no aparelho é sua abordagem em diversas durante o procedimenfrentes, uma vez que trata, to. Como consequência, não somente do correto poa paciente precisa ser reconvocada para refasicionamento da paciente no momento do procedimento, zer o exame, o que gera como também da educação dos estresse e inseguranespecialistas e conhecimento ça na mulher; além de das pacientes. A cada exame, o prejuízos financeiros às técnico de radiologia responde instituições de saúde. a um breve questionário sobre O assunto já é preoos protocolos seguidos para cupação do Hospital do sua realização. A partir deles, Câncer de Barretos, que a instituição de saúde avalia tem desenvolvido um se há necessidade de prover intenso trabalho, com programa de qualidade Dra. Sylvia Priolli Sabino, do Hospital do Câncer de Barretos novos treinamentos à sua equipe. Já as pacientes têm à específico visando sanar disposição vídeos educativos sobre o procedimento e sobre falhas de interpretação e de posicionamento, tendo a importância de sua cooperação durante a mamografia. a frente a dra. Sylvia Priolli Sabino. Durante a JPR Fruto de um trabalho totalmente integrado e custoa GE Healthcare abriu espaço para falar do tema, e a especialista mostrou o estágio desse projeto. mizado, a solução digital trouxe ao Hospital do Câncer Tudo começou, quando o projeto foi apresende Barretos a oportunidade de atacar uma das variáveis que mais provoca erros de diagnósticos no exame de tado à GE Healthcare pelo Hospital do Câncer de mamografia. Reduzir os índices de falsos positivos e Barretos, a empresa desenvolveu, em parceria com a negativos por meio da correção de posicionamento é um instituição de saúde e também com o Centro Global importante desafio para o diagnóstico precoce do câncer de Pesquisas da GE no Brasil, um software para de mama no País. auxiliar o técnico em radiologia durante o exame

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DEBATE Por Rafael Bettega - Espanha

Comunidade científica avalia o uso do Gadolínio e evita alarmes desnecessários Estudos recentes levantaram dúvidas sobre o acúmulo do agente de contraste paramagnético no organismo. O tema foi um dos destaques do último Congresso Europeu de Radiologia e motivou os Colégios Americano e Brasileiro de Radiologia a solicitarem cautela diante de informações ainda inconclusivas.

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no cérebro”, conforme informou em um mbora o assunto tenha esfriacomunicado oficial. Os agentes em questão do, já que os benefícios – conssão: ácido gadobênico, gadodiamida, ácido tatam os médicos – ainda são gadopentético e gadoversetamida – aplicamaiores que as possíveis dúvidos de forma intravenosa. das, as noticias alertaram médiAs recomendações foram encaminhacos e empresas, conscientes que precisam ir das a outro órgão, o Comitê de Produtos a fundo na questão. O ID – Interação DiagMedicinais para Uso Humano (CHMP), nóstica atento aos acontecimentos, buscou que decidirá sobre a adoção de medidas maiores informações e, nesta edição, volta regulatórias. Enquanto isso, os fornecedoao assunto, como forma de contribuir para res desses agentes podem solicitar a revisão que o tema não seja esquecido. dos resultados ou apresentar evidências Estudos recentes sobre agentes de que contraponham a posição do PRAC. contraste à base de gadolínio, empregados O próprio comitê ressalna ressonância magnética, tou, porém, que os dados de têm gerado incertezas na seu estudo não são conclucomunidade da medicina sivos: “embora não tenham por imagem. No último Consido registrados sintomas ou gresso Europeu de Radiologia doenças associados ao ga(realizado no início de março dolínio no cérebro, o PRAC na Áustria), houve a preocuassume uma abordagem de pação de evitar o alarmismo precaução, observando que após a divulgação, também os dados sobre os efeitos de em março, dos resultados de longo prazo no cérebro são uma investigação do Comitê Dr. Val Runge, da Suiça limitados”. de Farmacovigilância e AvaO Colégio Brasileiro de Radiologia liação de Risco (PRAC) da Agência Euroemitiu, logo após o Congresso Europeu, peia de Medicamentos (EMA). uma nota oficial registrando uma posiEntre outras recomendações, o PRAC ção mais tranquilizadora, recomendando propôs a suspensão da comercialização atenção à questão, mas não sugerindo de alguns desses agentes, “em razão de nenhuma mudança de conduta (veja box evidências de que pequenas quantidades nesta página). do gadolínio neles contido se depositam

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Sociedade Americana de Neurorradiologia. Essa postura está de acordo com a do Rowley ponderou que outros metais crítiColégio Americano de Radiologia (ACR), cos para a fisiologia normal também são que foi ainda mais direto. “Após ampla encontrados em depósitos no corpo e resrevisão da posição do PRAC e de numeroso saltou que autópsias em animais e humanos material adicional, o Comitê de Medicamentos e Meios de Contraste não demonstraram, até hoje, do ACR discorda da recomennenhuma lesão de tecidos nos dação do PRAC”, anunciou a locais em que houve deposição entidade no início de abril. de gadolínio. “Nos níveis que O ACR argumenta: “emestamos observando, ele não bora a retenção intracraniana é tóxico e não há sintomas de gadolínio após a adminisassociados”. tração intravenosa de agentes Para o dr. Val Runge, do de contraste à base desse eleHospital Universitário de Bermento só tenha sido reportada na, na Suíça, também conferencista no evento, reiterou recentemente, sabe-se há mais Dr. Howard Rowley, dos que não há respostas fáceis de dez anos que alguns relatos Estados Unidos. para a controvérsia. “Como as instituições de gadolínio não são completamente estáveis in vivo. Felizmente, há fortes evidênreguladoras vão traçar os parâmetros para cias de que a quantidade depositada após determinar as restrições? Como será feita a uma dose única de agente de contraste é retirada dos agentes e em que prazo? Além muito pequena, detectável somente pela disso, seria possível aos fabricantes dos instrumentação mais sensível. Além disso, agentes não proibidos aumentarem a oferta embora o acúmulo aparente ser dependente para cobrir o déficit no mercado? A questão mais relevante é: os agentes devem ser da dose, não há evidências de toxicidade retirados do mercado ou apenas limitados? ou de efeitos neurológicos após mais de Esta é uma discussão para as autoridades 300 milhões de doses administradas em médicas em todo o mundo”. todo o mundo”. O debate no Congresso Europeu teve a participação de especialistas como o dr. Com conteúdo do ACR, CBR e do Howard Rowley, da Universidade de Wisinformativo do ECR) consin (Estados Unidos) e presidente da


PUBLICAÇÕES

Cresce e diversifica a produção editorial brasileira Realizada de 4 a 7 de maio, no Transamérica Expo Center, a Jornada Paulista de Radiologia, JPR, é a grande vitrine para apresentação e debates, para discussão de casos e espaço ideal para mostrar o que há de melhor em produção editorial.

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uma tradição da JPR o lançamento de publicações de elevada importância para o setor de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. Este ano os organizadores apresentaram ao público as obras nacionais que tem como objetivo a difusão, a atualização e o aprofundamento do conhecimento da especialidade. Nesta edição os títulos foram:

Tratado de Radiologia – Volumes 1, 2 e 3, editado pelos Drs. Giovanni Guido Cerri, Claudia da Costa Leite e Manoel de Souza Rocha, Editora Manole. O InRad HCFMUSP reuniu nesta obra composta por três volumes os mais diversos temas da especialidade, com uma abordagem conceitual e prática das importantes sub-especialidades da Radiologia como: Cabeça e pescoço, Gastrointestinal, Mama, Musculoesquelético, Neurorradiologia,

Tópicos Relevantes no Diagnóstico por Imagem – editado pelos Drs. Regina Lucia E. Gomes, Marcelo Funari, Edson Amaro Jr., Ronaldo Hueb Baroni e Miguel J. Francisco Neto, Editora Manole, o livro disponibiliza a experiência e o conhecimento gerado pela prática do corpo clínico diferenciado do Hospital Israelita Albert Einstein, como pesquisas na área e incorporação tecnológica, associados a certificações internacionais do departamento, com destaque para o American College Radiology, que tem permitido o reconhecimento de pacientes e médicos de todo o país. Cabeça e Pescoço – CBR, editado pelos Drs. Ademar José de Oliveira Paes Junior e Rainer G. Haetinger, Editora Elsevier. Com 22 capítulos ilustrados e mais de 2.500 figuras, desenhos e peças de anatomia e suas variações baseadas em TC e RM, a publicação também fornece documentações sobre diversas doenças que atacam essa região. Também traz capítulos dedicados a anatomia da face, pescoço e laringe, bem como, ilustrações de lesões congênitas.

Obstetrícia, Pediatria, Pulmões, coração e vasos, Ultrassonografia e Uroginecologia. Segundo os autores é um livro referência em radiologia e o primeiro no Brasil neste formato, com conteúdo abrangente, inclusive sobre doenças parasitárias, para consulta dos profissionais. Essa é uma obra que valoriza a literatura científica nacional e incentiva os autores a compartilharem suas experiências.

Medicina Nuclear – Princípios e Aplicações, editado pelos Drs. Fausto Hironaka, Carla Rachel Ono, Carlos Alberto Buchpiguel, Marcelo Tatit Sapienza e Marcos Santos, Editora Atheneu. Já na segunda edição, traz novos temas como o PIB (carbono 11), PET/ RM e Processamento de imagens digital. A publicação é uma referência para a nova fase da medicina nuclear que teve avanços significativos e, além de enriquecer a literatura científica nacional, contribui para a disseminação do conhecimento e experiências de seus autores ao relatarem os casos da prática hospitalar diária.

Tratado de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular – editado pelo Dr. Francisco César Carnevale, Editora Thieme Revinter; já é referência internacional, pois reúne especialistas renomados da RI mundial e de vários estados do Brasil. São 40 autores nacionais e 40 estrangeiros, reconhecidos como ícones da área que falam sobre a evolução das técnicas. A obra aborda temas como ablações; punções; biópsias percutâneas e radiologia vascular; quimio e radio; cirurgia endovascular; embolizações de aneurismas e stents, entre outros procedimentos minimamente invasivos. Um destaque é o capítulo dedicado a neurorradiologia, que é uma novidade na literatura nacional. Guia de Diagnóstico por Imagem – O passo a passo que todo médico deve saber, editado pelos Drs. Fernando Moreira, Lanamar Almeida e Almir Bitencourt, Editora Elsevier. Em formato didático, é basicamente voltado para o médico e estudante não radiologista, para que possam entender melhor os exames que solicitam para determinadas patologias.

É a primeira vez na história do evento que acontece o lançamento de seis obras inéditas, que além de contribuírem com o conhecimento e aprimoramento dos profissionais da área, enriquecem a literatura científica nacional.

Serviços, tecnologias e vendas: agilize seus contatos

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CURSOS

Novos temas na programação do InRad HCFMUSP

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Centro de Estudos Radiológicos “Rafael de Barros”, abre sua programação de cursos, do segundo semestre, que serão realizados no Centro de Treinamento do InRad, no dia 8 de julho com um Curso de Ultrassonografia Básica do Sistema Músculoesquelético e técnica de exames, que será ministrado pelo dr. Felipe Carneiro , que na sequência, coordena nos dias 21 e 22 um Curso de Ultrassonografia Urológica para não radiologistas. Na sequência, nos dias 21 e 22, será realizado um Curso de Ultrassonografia Urológica para não Radiologistas, pelo dr. Felipe Carneiro.

Ultrassonografia mamária De 28 a 30, será realizado o Curso de Ultrassonografia Mamária – BI Rads Intervenções, um novo tema integrado ao programa do CERB/InRad, neste ano de 2017, que será ministrado pelos drs. Nestor de Barros, Carlos Shimidzu, Erica Endo, Su Jim Kim Hsieh e Flavio S. Castro.

Ressonância de mama A equipe do CEDIM – Centro de Diagnóstico por imagem da Mama, do InRad, promoverá também, de 4 a 6 de agosto, o Curso de Ressonância Magnética de Mama, ministrado pelos drs. Nestor de Barros, Su Jim Kim Hsieh e Erica Endo.

Curso Hands on de RM de membros superiores É o tema de curso que será ministrado pelo dr. Marcelo Bordalo Rodrigues, de 4 a 6 de agosto, com uma programa dinâmica, no formato de “hands on”.

Radiologia Torácica Curso coordenado pelos drs. Marcio Valente Sawamura e dr. Ricardo Guerrini será realizado nos dias 11 e 12 de agosto, terá como foco a Radiologia Torácica e um temário muito atualizado, de grande interesse para os médicos que precisam se atualizar sobre o tema.

Hands on de TC e RM em Cabeça e Pescoço Ministrado pelas drs. Eloisa M.M. S Gebrim e dra. Regina Lucia E. Gomes, o curso de TC e RM de Cabeça e Pescoço, no formato de hands on, encerra a programação do mês de agosto, de 25 a 27, com temas de muita atualidade. Informe-se sobre toda a programação, o conteúdo dos cursos, valores. Horários pelo e-mail: centrodetreinamento. inrad@hc.fm.usp.br ou pelos tels. (11) 2661-8190 e 26617067. As inscrições somente pelo site: http://sympla.com. br/centrodetreinamentoinrad

Doenças degenerativas e Vasculares do SNC

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os dias 19 e 20 de agosto de 2017 será realizado no Rio de Janeiro, no Auditório do Hospital Samaritano, o Curso de Neuroimagem, ministrado pela dra. Lara A. Brandão, que abordará as Doenças Degenerativas e Vasculares do Sistema Nervoso Central. O temário terá como foco as mais variadas causas de demência - Demência de Alzheimer, demência com corpos de Lewy, demência vascular, degenerações corticais assimétricas e demências de rápida progressão (infecciosas, tóxico-metabólicas, tumorais, autoimunes...). Abordará, também, os distúrbios de movimento hipocinético como Parkinson idiopático e Parkinsonismo atípico, Parkinonimso vascular e heredodegenerativo, assim como os distúrbios de movimento hipercinético como mioclonias, balismo, distonias ... Outros transtornos de movimento como ataxias e piramidalismo serão discutidos, com exemplos práticos das várias causas. O domingo, dia 20, será dedicado a discussões sobre

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as isquemias, abordagem com ressonância convencional e imagem avançada, bem como as hemorragias do SNC e suas mais variadas causas. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas pelo email: neuroimagem@hotmail.com, com sra. Fabiana.

Neuroimagem em Pediatria

A programação de cursos ministrados pela dra. Lara Brandão terá sequência, em outubro, nos dias 21 e 22, com a realização do Curso sobre Neuroimagem em Pediatria. Temas como Anomalias congênitas do SNC (incluindo a última classificação das anomalias do desenvolvimento cortical), erros inatos do metabolismo e desordens mitocondriais, facomatoses, tumores da fossa posterior, supratentoriais, selares e da região pineal em pediatria, injúria hipóxico-isquêmica e seus diferentes padrões, bem como hidrocefalia e suas variadas causas, compõem o conteúdo. As inscrições para ambos os cursos podem ser feitas com a sra. Fabiana no e-mail: neuroimagem@hotmail.com.

Expediente Interação Diagnóstica é uma pu­bli­ca­ção de circulação nacional des­ti­na­da a médicos e demais profissio­nais que atu­am na área do diag­nóstico por imagem, espe­cia­ listas corre­lacionados, nas áreas de or­to­pe­dia, uro­logia, mastologia, gineco-obstetrícia. Conselho Editorial Sidney de Souza Almeida (In Memorian), Alice Brandão, André Scatigno Neto, Carlos A. Buchpiguel, Carlos Eduardo Rochite, Dolores Bustelo, Hilton Augusto Koch, , Lara Alexandre Brandão, Maria Cristina Chammas, Nelson Fortes Ferreira, Nelson M. G. Caserta, Rubens Schwartz, Omar Gemha Taha, Selma de Pace Bauab e Wilson Mathias Jr. Consultores informais para assuntos médicos. Sem responsabilidade editorial, trabalhista ou comercial. Jornalista responsável Luiz Carlos de Almeida - Mtb 9313 Redação Alice Klein (RS), Daniela Nahas (MG), Lizandra M. Almeida (SP), Claudia Casanova (SP), Milene Couras (RJ), Rafael Bettega (SP) e Valeria Souza (SP) Tradução: Fernando Effori de Mello Arte: Marca D’Água Fotos: André Santos, Cleber de Paula, Henrique Huber e Lucas Uebel Imagens da capa: Getty Images Administração/Comercial: Sabrina Silveira Impressão: Meltingcolor Periodicidade: Bimestral Tiragem: 12 mil exemplares impressos e 35 mil via e-mail Edição: ID Editorial Ltda. Av. Brigadeiro Luiz Antonio, 2050 - cj.108A São Paulo - 01318-002 - tel.: (11) 3285-1444 Registrado no INPI - Instituto Nacional da Pro­prie­dade Industrial. O Jornal ID - Interação Diagnóstica - não se responsabiliza pelo conteúdo das men­sagens publicitárias e os ar­tigos assinados são de inteira respon­sa­bi­lidade de seus respectivos autores. E-mail: id@interacaodiagnostica.com.br


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Jornal Interação Diagnóstica #98 Junho/Julho17  

Os mistérios do cérebro à luz da imagem diagnóstica.

Jornal Interação Diagnóstica #98 Junho/Julho17  

Os mistérios do cérebro à luz da imagem diagnóstica.