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DEZEMBRO 2020 / JANEIRO 2021 - ANO 19 - Nº 119

RSNA 2020: números confirmam o sucesso dessa edição

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Sociedade Radiológica da América do Norte (RSNA) realizou de 29/11 a 05/12, em Chicago, a sua 106ª Assembleia Científica e Reunião Anual, um dos maiores eventos de radiologia e diagnóstico por imagem do mundo. No formato totalmente virtual, por motivo da pandemia do Covid-19, o evento foi um verdadeiro sucesso, com mais de 29.339 participantes de 133 países. Mais de 3.400 participaram da sessão de abertura. Foram 1.048 professores convidados; mais de 35 apresentadores e 476 apresentadores ao vivo para perguntas e respostas e 1.600 apresentações em vídeo de ciência e educação enviadas e 74 sessões para a Covid-19. Ao contrário do que se imaginava houve um aumento em relação ao ano passado. Os casos do dia, que somaram 20.855 envios, tiveram um acréscimo de 12% e 20% no número de usuários de pôster digital, respectivamente, como nos informa a Assessoria de Comunicações da RSNA, que já disponibilizou o conteúdo para o ID Interação Diagnóstica.

Premiação

Inteligência Artificial na análise de imagens radiológicas

Profa. Claudia Costa Leite comemora o êxito do projeto, que beneficia mais de 20 mil pacientes.

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projeto RadVid-19: Diagnóstico de Covid-19 através da análise de imagens radiológicas utilizando algoritmos de inteligência artificial, do Instituto de Radiologia do HCFMUSP (InRad), recebeu o Prêmio Abril & Dasa, na categoria Inovação em Medicina Diagnóstica, que contempla estudos e demais projetos, de impacto clínico e/ou acadêmico, nos campos das análises clínicas, patologia, radiologia e diagnóstico por imagens. Representando a instituição e uma das líderes do projeto, a profa. Claudia da Costa Leite, do Departamento de Radiologia da FMUSP, recebeu a láurea e enfatizou a importância dessa premiação, e de toda a equipe com a participação do Projeto Inova HC. Mais de 24 mil pacientes foram beneficiados com essa iniciativa inovadora, realçando mais uma vez o papel da instituição e de todo o Complexo HC FMUSP na luta contra o “Covid 19”. Veja matéria na pág. 3.

O RSNA nunca mais será o mesmo

Essa transição no formato da reunião foi um grande desafio para os organizadores que recebem todos os anos um grande contingente de pessoas de todo o mundo, como mostra a foto de um dos eventos presenciais anteriores. Em todos os segmentos foram oferecidas ferramentas de rede - de chats ao vivo a vídeoconferência - para ajudar os participantes a se conectar com os palestrantes, com a sua rede de relacionamentos e com os 235 expositores de novas maneiras. Neste evento virtual, assim como na reunião anual, foi possível conhecer as novidades e inovações da área nos estandes virtuais dos parceiros da indústria. O evento oficial acabou, mas é possível ter acesso sob demanda à Exposição Virtual e mais de 350 sessões de educação e ciências até 30 de abril de 2021. Basta atualizar o pacote de inscrição, que também pode dar créditos CME. A data para o próximo encontro da RSNA já está marcada: 28 de novembro a 02 de dezembro de 2021.

Ensino pós pandemia: desafios

necessidade é a mãe da inovação. O que será do aprendizado para tantos médicos ávidos por informação e aprendizado? O questionamento é feito pelo dr. Ronaldo H. Baroni, coordenador de Ensino e Supervisor de Residência em Radiologia e Diagnóstico por Imagem do Hospital Israelita Albert Einstein, em artigo na pág. 5, onde se posiciona sobre os rumos dos programas de ensino para médicos no pós pandemia. Procuramos ouvir outros especialistas da área, de regiões distintas, com suas realidades, e apenas uma certeza: o ensino presencial não será o mesmo. Entidades, como o RSNA, Sociedade Paulista de Radiologia e Colégio Brasileiro de Radiologia, além de outras, o objetivo é como aprimorar e obter melhor resultado em seus próximos eventos. O ID ouviu também Francisco Mauad Neto, gestor de uma das principais escolas do País, a FATESA, sediada em Ribeirão Preto, e agora com um braço em São Paulo. Para ele, “na área da saúde, a metodologia que combina aprendizado online com o presencial (ensino hibrido) já se incorporou como realidade. Os profissionais, forçados a se acostumarem com as telas, perceberam nesta modelagem vários benefícios: informações instantâneas, a redução de custos de hospedagens, traslados, alimentação e a maior de todas as vantagens, que é aprender no seu tempo e no local geográfico que quiser. Para o futuro, vários novos sistemas de ensino via internet estão sendo desenvolvidos. Para 2021, os efeitos já foram sentidos: a SPR anuncia a transferência da 51ª Jornada Paulista de Radiologia (JPR 2021) para os dias 22 a 25 de setembro, de quarta-feira a sábado, no Transamérica Expo Center, em São Paulo. Págs. 3, 5, 6 8.

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Dr. Ronaldo H. Baroni,

Dr. Francisco Mauad Neto

Confira Veja no Application temas de grande atualidade, produzidos pelas equipes dp Hospital Sírio Libanês, Hospital Albert Einstein, Instituto de Radiologia HCFMUSP e Instituto do Câncer do Estado de São Paulo. No Recife, o Hospital Português sai na frente e instala uma inovadora sala híbrida para procedimentos intervencionistas, tendo a frente o dr. Carlos Abath, diretor da Angiorad, que adquiriu o equipamento 4DCT, da Canon. O primeiro da América Latina.

O novo CEO da GE Healthcare, no Brasil, Rafael Palombini, concedeu entrevista ao ID e fala de seus planos para o próximo ano. Confira também entrevista de Armando Lopes, diretor geral da Siemens. Mas, tem muito mais. Confira matéria com a principal executiva da Philips, para a América Latina, Fabia Tetteroo-Bueno.


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Editorial Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

mu ,ecocerp megairT ocsir ed set

amanhã”. Por um lado, os aspectos políticos dessa pandemia, que nada acrescentam, e as possibilidades concretas de uma vacina eficiente e de um plano de imunização viável, afloram a todo momento, gerando mais dúvidas e questionamentos do que certezas. Para nós, que trabalhamos com conteúdo, com informação científica e com ações que colaboram para a valorização do ensino e da atualização médica, essa nova realidade dificulta qualquer planejamento de curto ou médio prazo. Abrimos comemorações dos nossos 20 anos, com uma edição que nos orgulha muito; temas muito atuais, análises concretas da nossa realidade, e uma produção científica de muita qualidade, com trabalhos dos principais centros de referência no País. A vida continua, mas, temos certeza, não será mais a mesma. A Telemedicina já está mudando os parâmetros do, até então insubstituível, relacionamento médico-paciente; a inteligência artificial acenando com grandes modificações na relação médico-diagnóstico e, por fim, os efeitos desse vírus que se refletem no próprio ensino, em todos os níveis, terão consequência na formação do médico.

Como será o Ensino Médico no pós-pandemia?

Se o ensino médico, até então já vinha enfrentando problemas graves na formação, refletindo diretamente na qualidade dos profissionais lançados no mercado, como será nessa nova era, em que o digital, o home office, e todas as demais denominações dadas ao processo estão mudando todos os currículos? Nesta edição temos uma pequena mostra de opiniões, obtidas com profissionais

caminho para pacien-

o momento em que nos preparamos para mais um final de ano, cercado de expectativas, com o fantasma do “Covid-19” assombrando o nosso cotidiano, repleto de dúvidas, discussões e atitudes que só contribuem para complicar a rotina das pessoas, seja nas empresas, nas residências e em toda estrutura de saúde e ensino, fica difícil definir o “como será

de regiões e realidades diversas, procurando mostrar um pouco mais do futuro que nos espera. Ninguém desconhece ou pode ignorar a força do digital, a riqueza do seu conteúdo e das metodologias disponíveis. Não adianta desesperar e o momento é de muita reflexão. Alinhados com as principais instituições da área, a Radiological Society of North America, que acaba de realizar o maior evento do mundo, o Congresso da RSNA no formato digital, e da SPR e CBR, que até já definiram seus eventos em formato híbrido, estaremos em estado de observação. O Brasil com sua gigantesca e tumultuada realidade, abriga inúmeras realidades. Em algumas delas conseguiremos nos enquadrar, levando conteúdo da nossa produção científica e cultural, pois, como enfatiza o RSNA News – “ninguém permanece intocado – pessoal ou profissionalmente – pela pandemia do Covid-19 que está varrendo o globo. Os médicos, médicos-residentes e bolsistas de radiologia tiveram seus planos revertidos enquanto se ajustavam às mudanças de funções e às novas rotinas que os colocavam na linha de frente do Covid-19.” Nenhum de nós possui “bola de cristal” para prever o que acontecerá. As empresas, que são o alicerce tecnológico do nosso segmento, estão concentradas e esperançosas de que esta onda passará. Todas estão se ajustando a nova realidade. O futuro está na criação de condições para que o mercado se ajuste, o ensino se aprimore, a formação seja valorizada e o olhar sobre o paciente não seja alterado. Chegar aos 20 anos com uma publicação científica é quase uma ousadia. Não podemos deixar passar em branco. Sem festas, mas, com muito critério e responsabilidade. Que o ano de 2021 seja a porta de abertura para um tempo mais sensato e mais equilibrado. O resto, o brasileiro sabe fazer. Boas festas, um Ano Novo de alegrias, sem prescindir das máscaras, do álcool gel e sem aglomerações, já será uma boa conduta! Já será uma boa conduta.

Triagem precoce, um tes de risco

-neicap arap ohnimac

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Das incertezas, reunir forças para mudanças: ID 20 anos

Inovação

Por Valeria de Souza (SP)

Projeto do InRad é um dos vencedores do Prêmio Abril & Dasa de Inovação Médica 2020 - Edição Especial Covid-19 O prêmio que destaca trabalhos nos campos científico, clínico, tecnológico e assistencial, neste ano de pandemia, foi voltado a pesquisas, campanhas e demais iniciativas brasileiras contra a Covid-19.

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este ano atípico marcado desenvolvimento dessa plataforma de Inteligência Artificial que ajuda a diagnosticar por uma nova doença – o pacientes com COVID-19 mais rapidamente, novo coronavírus, que assolou o mundo, o Prêmio na qual somamos mais de 24.000 pacientes Abril & Dasa de Inovação beneficiados pela nossa iniciativa”, agradece a dra. Claudia Leite, professora do departamenMédica, direcionou o seu to de radiologia da FMUSP. foco para pesquisas e demais iniciativas A plataforma criada por cientistas da voltadas ao combate ao coronavírus, em reconhecimento do esforço dos brasileiros que Universidade de São Paulo (USP), pioneira na se dedicaram a deter esse vírus em todas as América Latina, teve origem em um objetivo frentes possíveis do universo da saúde com tão ambicioso quanto urgente: não apenas o objetivo único de salvar vidas. ajudar a detectar o coronavírus, mas prever O projeto Rados casos em que ele Vid-19: Diagnóstico pode provocar mais de Covid-19 através danos. “Víamos pacientes chegarem com da análise de imagens o pulmão compromeradiológicas utilizando algoritmos de intido, com insuficiência teligência artificial, do respiratória, mas com Instituto de Radiologia resultado negativo no do HCFMUSP (InRad), teste para Covid-19 recebeu o Prêmio Abril ou mesmo sem ter feito exame por falta de & Dasa de Inovação kits”, relata a radioloMédica (Edição Especial Covid-19), na cagista Claudia da Costa tegoria Inovação em Leite. Medicina Diagnóstica, A solução da que contempla estudos equipe foi criar uma e demais projetos, de base de dados de toA láurea foi recebida pela profa. Claudia da mografias de tórax, impacto clínico e/ou Costa Leite, uma das lideranças do projeto. disponibilizando acesacadêmico, nos campos das análises clínicas, patologia, radiologia so a médicos de todo o Brasil, e usar algoritmos treinados para fazer as análises. “De um e diagnóstico por imagens. hospital de campanha no Pará, por exemplo, O reconhecimento é pela iniciativa da o médico enviava a imagem e recebia o relaformação de um banco de imagens de radiografias e tomografias da Covid-19, analisadas tório”, conta a médica. pela nova plataforma de inteligência artificial Batizada de RadVid19, a plataforma - uma ação entre a radiologia e a tecnologia realiza em poucos minutos uma varredura contra o novo coronavírus. “É uma honra em milhares de imagens e, por comparação, receber esse prêmio e em nome de todos indica se as alterações de determinado paciente são compatíveis com quadros da infecção. que fazem parte deste projeto, eu agradeço “O pulmão afetado tem áreas com o aspecto pelo empenho e dedicação para a criação e

de vidro fosco e apresenta lesões específicas, mais periféricas”, explica Claudia. O algoritmo determina ainda qual porcentagem do órgão foi lesada, sinalizando a necessidade de internação ou tratamento mais intensivo. Em dezembro, entram em ação mais quatro algoritmos, estes desenvolvidos por startups brasileiras – dois deles são capazes de analisar também raios x, aumentando a abrangência do RadVid19. Esses diferenciais na plataforma devolvem dois tipos de resultados: um deles sobre a probabilidade de ser Covid e outro sobre a área de comprometimento pulmonar. O prêmio, na sua terceira edição, tem um júri técnico e científico único para avaliar os trabalhos submetidos às cinco categorias: Inovação em Prevenção, Inovação em Medicina Diagnóstica, Inovação em Genética, Inovação

em Tratamento e Inovação em Medicina Social. Nas outras quatros categorias os vencedores foram: Inovação em Prevenção – IACOV-BR: Inteligência Artificial para Covid-19 no Brasil; Inovação em Genética – OmniLAMP: diagnóstico molecular em qualquer lugar; Inovação em Tratamento – Cicloergômetro Vida Inteligente e a transformação digital da reabilitação e Inovação em Medicina Social - Telemedicina SAS Brasil e cabine de teleatendimento com desinfecção automática para comunidades carentes durante a pandemia do novo coronavírus. A cerimônia virtual para anúncio dos vencedores aconteceu no dia 09 de dezembro, e foi acompanhada por um público de aproximadamente 600 pessoas, e teve como mestre de cerimônias Diogo Sponchiato, editor da revista Saúde/Veja.

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Bimestre Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

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orto Alegre – Nova chefia no Serviço de Radiologia do Moinho de Ventos – Com grande experiência em Radiologia Abdominal e Imagem em Oncologia, a dra. Alice Schuch acaba de assumir a chefia do Serviço de Radiologia do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Médica Radiologista, titular do Colégio de Radiologia, formada pela Universidade Federal do Rio Grande Sul e residência no Hospital Mãe de Deus, a dra. Alice tem também especialização em Imagem em Oncologia no Hospital AC Camargo em São Paulo. Desde 2013, trabalha nos Núcleos de Radiologia Abdominal e PET/CT do Hospital Moinhos de Vento, a partir de Janeiro de 2017 foi nomeada coordenadora da Radiologia Abdominal, e a partir de novembro assumiu a chefia do Serviço de Radiologia. Destaca, a médica, que o “Serviço de Radiologia é pioneiro em Elastografia por Ressonância magnética no Sul do País, e o tema Avaliação Multiparamétrica do Fígado (Avaliação de Gordura, Ferro e Fibrose) tem sido frequente em suas aulas. Outra área em que atua muito é em Próstata - na Avaliação Multiparamétrica da Próstata por RM e na avaliação por PET/CT com Ga68-PSMA. E, como o serviço também tem grande volume de exames oncológicos, tem se dedicado a Avaliação do “Corpo Inteiro” por RM e PET/CT.

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ão Paulo – Renato Mendonça assume a presidência da ISR – Acaba de ser empossado na presidência da Sociedade Internacional de Radiologia (ISR), o dr. Renato Adam Mendonça, ocasião em que foram anunciados os novos membros de sua diretoria, em ato realizado em uma reunião virtual. Com expressiva atuação na Radiologia brasileira e desfrutando de alto conceito na especialidade a nível mundial, a chegada do dr. Renato Mendonça à Sociedade Internacional de Radiologia é uma consequência natural e um reconhecimento ao seu trabalho. Sempre a frente da Comissão Científica da Sociedade Paulista de Radiologia, o Renato Mendonça foi e continua sendo figura proeminente na relação da especialidade, com as entidades internacionais, na formatação de conteúdo científico e na valorização da especialidade. Como presidente-eleito da entidade, Dr. Renato Adam Mendonça, que também é Diretor de Representação Institucional da SPR, foi empossado em ato presidido pelo Dr. Lluís Donoso, de Barcelona, e terá como membros de sua diretoria: Presidente: Dr. Renato Adam Mendonça; Presidente-eleito: Dr. Bibb Allen; Secretário Geral: Dr. Boris Brkljacic; Tesoureiro: Dr. Sudhir Vinayak. Os membros continentais, que darão suporte a instituição no próximo biênio serão: Colégio Americano de Radiologia (EUA): Dr. Howard Fleishon; Sociedade Africana de Radiologia, Dr. Tarek El Dias; Sociedade Europeia de Radiologia, Dr. Adrian Brady, Sociedade Ásia Oceânica de Radiologia: Dr. Dinesh Varma, Colégio Interamericano de Radiologia: Dra. Beatriz González Ulloa, Sociedade Radiológica da América do Norte: Dr. Umar Mahmood Em cerimônia virtual, realizada em 19 de novembro, o ex-presidente Lluiz Donoso agradeceu a todos pelo apoio recebido em sua gestão, “ pelo suporte incrível!”, e transferiu o comando ao dr. Renato Mendonça.

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Profa. Anne Osborn

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ecife – Membros honorários da SRPE – A última Jornada Pernambucana de Radiologia, realizada no mês de outubro, sob a presidência do dr.Paulo de Andrade,como é uma tradição, marcou o acontecimento – além do excelente conteúdo científico, encabeçado pela dra.Adonis Manzella – com homenagens ao dr. Antonio Carlos Matteoni de Athayde, ex-presidente do CBR e presidente da FLAUS, e para a Anne Osborn, dos Estados Unidos. Um reconhecimento, portanto, a atuação desses dois especialistas em beneficio da entidade que, ao longo de sua história, tem se caracterizado por intensa atuação no ensino e na atualização médica. Da nossa parte, uma referência especial à profa. Anne Osborn, que ao longo das últimas duas décadas, teve presença marcante em eventos brasileiros, nunca se furtando de colaborar e trazer seus inquestionáveis conhecimentos e disponibilizá-los para os brasileiros.

hicago – RSNA 2020 elege novos presidentes – Durante a reunião virtual de 01 de dezembro de 2020, a A Sociedade Radiológica da América do Norte (RSNA), deu as boas-vindas à nova liderança da organização empossando sua nova presidente, a dra. Mary C. Mahoney, MD, professora de radiologia da University of Cincinnati College of Medicine. Como é de praxe, um novo presidente eleito é anunciado para ser empossado em 2022: o dr. Bruce G. Haffty, MD, vice-reitor associado de programas de câncer da Rutgers em Nova Jersey, para seu conselho de diretores. A presidente Mary Mahoney é Dra. Mary C. Mahoney, MD Dr. Bruce G. Haffty, MD professora de radiologia e lotada na ca“Tenho a honra de fazer parte de uma organização deira de Benjamin Felson na Universidade de Cincinnati. que apóia ativamente as mulheres na radiologia e traEla também é chefe de serviços de imagem na UC Health balha para promover a diversidade e a inclusão em sua em Cincinnati. Seu envolvimento anterior com a RSNA liderança, em seus comitês e em sua programação”, disse inclui cargos como presidente de sessão científica, preMahoney em um comunicado, ressaltando ainda que sidente do Comitê de Relações Públicas da Fundação de “devemos garantir que nossos líderes acadêmicos e da Pesquisa e Educação e presidente do Comitê de Direção sociedade reflitam a comunidade diversa que represende Radiologia Centrada no Paciente. Ao assumir a função tamos e nos esforçamos para fornecer uma comunidade de presidente, ela planeja concentrar seus esforços no igualitária e inclusiva que atenda às necessidades de atendimento centrado no paciente e na promoção da todos os nossos membros.” diversidade, qualidade e inclusão na radiologia.

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Dr. Antonio Carlos Matteoni de Athayde

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ão Paulo – Reconhecimento a médico do HCOR – O Dr. Carlos Eduardo Rochitte, coordenador do grupo de ressonância magnética e tomografia computadorizada cardiovascular do do HCOr, foi considerado um dos cientistas mais influentes do mundo pela revista científica PLOS Biology. Atuante em diversas áreas da saúde, Rochitte está entre os nomes de destaque de 2020. O reconhe cimento é apenas um detalhe na história desse especialista, que nos honra como membro do Conselho Editorial, mas, especialmente por seu papel de professor de imagem cardiovascular, com intensa atuação na formação de novos especialistas no Instituto do Coração em São Paulo, e, nas entidades representativas, onde hoje ocupa o cargo de presidente do Departamento de Imagem Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia.


Materia de Capa Por Dr. Ronaldo H. Baroni (SP)

O ensino em imagem nos tempos de pandemia A necessidade é a mãe da inovação. A frase de Platão, tão lembrada nos últimos tempos no stricto sensu do que se entende por inovação em imagem (inteligência artificial, aprendizado de máquina, diagnóstico assistido por computador, etc.), pode ser empregada atualmente em um contexto muito menos óbvio, mas certamente não menos importante. arço de 2020. Início das atividades de residência e pós-graduação em centenas de serviços de imagem Brasil afora. Euforia e ansiedade dos alunos, expectativa dos assistentes, uma programação de aulas, estágios e atividades programadas por responsáveis de ensino com base em anos de experiência, tradição e histórico de sucesso. E eis que, em menos de 30 dias, tudo muda. Pandemia, lockdown, impossibilidade de atividades didáticas presenciais, ausência de exames e pacientes (salvo aqueles com suspeita ou diagnóstico de COVID)... e agora? O que será do aprendizado para tantos médicos ávidos por informação e aprendizado? Como aprender com base apenas em livros e artigos, sem a fundamental experiência prática, sem o “pulo do gato” que só aquele assistente mito, oráculo ou guru poderia ensinar? Perdeu-se o “caso do ano”, aquele “diagnóstico que só se faz uma vez na vida”, o “tumor com menos de 10 casos descritos na literatura”. Estaria a oportunidade de aprendizado desperdiçada para sempre? Pois bem, voltemos a Platão. Pois nesse cenário sombrio vimos a neces-

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sidade de inovar. E, convenhamos, o brasileiro é bom em adaptar-se e criar formas de superar as adversidades (com ou sem o famoso jeitinho). Não temos casos novos? Usemos o arquivo de filmes ou imagens digitais do PACS! Aulas e reuniões presenciais estão proibidas? Viva o santo Zoom! Precisamos ficar em isolamento? Façamos workshops e simulados em grupo do conforto do lar! Já que o assunto é ensino, essa pandemia nos ensinou que a vontade de aprender é muito maior que as dificuldades físicas, emocionais ou logísticas que se impuseram. Mais ainda, a força motriz do ensino foi tão grande que derrubou barreiras que por décadas isolaram os centros acadêmicos e radiológicos num modelo autocentrado. Foram várias ações individuais e coletivas de compartilhar aulas gratuitas na internet, promover desafios radiológicos e dicas práticas nas redes sociais ou mesmo liberar o acesso online a cursos continuados para todos que tivessem vontade e interesse de aprender! Que esse sentimento de colaboração e pluralismo se mantenha ao final desta pandemia. Falemos agora dos congressos médi-

cos. Vários deles cancelados, outros adaptafutura por tempo indeterminado. dos às pressas para o formato on-line, com Neste momento em que se discute prejuízos financeiros se estamos ou não e científicos para as na “segunda onda” sociedades e os indida COVID, tomemos víduos. Seria um ano um tempo para refletir sobre o quanto perdido? pudemos aprender Não! A necessidade foi mais uma e ensinar ao longo vez a mãe da inodesta pandemia. Se vação. Não teremos o formato preponderante no futuro será exposição comercial, oportunidades presencial, on-line de negócios, neou híbrido, o tempo tworking e convívio dirá. social nos congresMas é possível sos? Pois aproveiteafirmar, sem medo mos a oportunidade de errar, que o ensino das transmissões on- Dr. Ronaldo Hueb Baroni em imagem apren-line para “trazer” deu muito neste ano um contingente enorme de palestrantes e de 2020. congressistas internacionais, possibilitando Que 2021 nos reserve novos (e bem uma troca de experiências única e impenmais suaves) desafios! sável nos tempos da exclusiva participação NOTA DA REDAÇÃO presencial. O Dr. Ronaldo Hueb Baroni – coordenaCursos restritos a um público limitado dor de Ensino em Imagem e Supervisor pela capacidade da sala agora puderam ser do Programa de Residência em Radioassistidos simultaneamente por centenas logia e Diagnóstico por Imagem do ou milhares de pessoas e ficarem armaHospital Israelita Albert Einstein zenados e disponíveis para visualização

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Matéria de Capa Por Angela Miguel e Luiz Carlos de Almeida (SP)

O virtual chegou para ficar, mas, a força do presencial não pode ser subestimada Ainda que os índices de ocorrência da Covid-19 continuem oscilando no Brasil, com oscilações que preocupam e esfriam um pouco o nosso otimismo, já que o panorama parece incerto, assistimos ao surgimento de novas ondas da doença em alguns países da Europa e seguimos com os cuidados de isolamento e de higiene, de forma a proteger familiares, amigos e toda a sociedade, consequentemente. Contudo, uma das questões postas no momento é: como será o ensino no pós-pandemia? O que podemos esperar do retorno do ensino presencial ou de mudanças no ensino digital?

Dr. Nelson Caserta, da Campinas

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Dr. Marcos Duarte, de Petrolina

á opiniões e preferências pessoais em jogo, além de fatores como qualidade, eficiência operacional e custos, que influenciam e podem até mesmo ditar os rumos dessa atividade no país. Porém, especialmente no campo da medicina diagnóstica que, mais uma vez, provou seu valor durante a crise da Covid-19, o ensino não pode ser esquecido. De forma a projetar o que nos aguarda nos próximos meses, o jornal Interação Diagnóstica ID ouviu profissionais de diversas regiões do país sobre o tema: Dr. Nelson Caserta, professor associado do Departamento de Radiologia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, Dra. Suely Fazio Ferraciolli, neurorradiologista e médica assistente do Instituto da Criança e do InRad-HCFMUSP, Dr. Marcos Duarte, gerente de ensino e pesquisador da Universidade Federal do Vale do São Francisco, e Dr. Pedro Pires, professor adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Pernambuco e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Fetal. Por eles, tem-se uma visão da diversidade do País. Um ponto é unânime para os entrevistados: embora os eventos on-line elaborados durante o período pandêmico se aperfeiçoaram e têm funcionado como ótimas opções de aprendizado e conhecimento, eles não substituirão por completo os eventos presenciais no longo prazo. Para o Dr. Nelson Caserta, as instituições tradicionais e os profissionais que encaram o ensino com seriedade compreenderam rapidamente a transformação exigida pelo momento e souberam preparar conteúdos de qualidade. “O ensino virtual não é isoladamente a resposta para as exigências do aprendizado e nem a experiência pode ser transmitida apenas por algumas horas em frente a um monitor. Todos sabemos que há muita dificuldade em reter uma audiência com material gravado. A solução está no meio. O ensino virtual não substituirá tudo e nem os eventos presenciais desaparecerão. Devemos extrair de cada, o que há de melhor. São instrumentos importantes para ganharmos conhecimento e também para interagirmos dentro de nossa atividade”, afirma o professor da Unicamp. Ainda segundo os entrevistados, os eventos presen-

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Dr. Pedro Pires, de Recife

ciais são importantes não só pelo ensino em si, mas são também por serem ocasiões para o networking e para o fortalecimento de vínculos. “Tenho, portanto, a convicção que os eventos presenciais mudarão, adicionando os avanços da tecnologia, mas não deixarão de oferecer aqueles momentos que tornam o homem criativo, social e ansioso por viver sensações que isolado nunca conseguirá tolerar”, opina Caserta. O Dr. Pedro Pires ressalta que o modelo de ensino ideal após o período pandêmico seria a união do presencial e do remoto: “as atividades de ensino que exigem atuação prática devem ser mescladas com a participação presencial. Mas entendo que um modelo possível contemple aulas gravadas ou ao vivo, dando sempre espaço para discussão on-line com os palestrantes após cada atividade, além da inclusão de aulas de demonstração prática on-line nos eventos, que ajudam a suprir a prática presencial”.

Jogo de cintura digital Outro ponto citado durante as entrevistas foi a rapidez na adaptação do corpo de ensino ao ambiente virtual. “Nos surpreende como a comunidade de professores e palestrantes, mesmo os que não estavam tão familiarizados com os eventos on-line, se adaptaram a este cenário. A recepção por parte dos alunos e congressistas também tem sido muito boa em virtude do conteúdo de alto nível, praticidade, flexibilidade de horários, possibilidade de gravação de conteúdo (quando autorizado), interação com os professores etc”, afirma o Dr. Marcos Duarte. Embora destaque a ferramenta Zoom pela facilidade de interface entre palestrantes e alunos, o Dr. Pedro Pires pondera que “deve haver prioridade de tempo destinada a discussão no chat entre os inscritos e os palestrantes”, pois somente assim os conhecimentos trazidos à tona podem realmente ser aprofundados e discutidos em conjunto, uma das bases fundamentais de todo aprendizado. Essa perspectiva também foi trazida pelo Dr. Nelson Caserta, em que ressaltou que, ainda no início, o mercado foi inundado por assuntos de qualidade discutível, forçando com que todos fizessem escolhas criteriosas. “No início foram ações improvisadas que gradativamente

Dra. Suely Fazio Ferraciolli, de São Paulo

foram ganhando experiência e surgindo em grande número. Hoje há um número imenso de atividades on-line que são oferecidas continuamente, exigindo que façamos escolhas. Essa é uma situação nova que todos devemos nos acostumar, ou seja, separar o que de fato precisamos e tem valor significativo”, opina.

Fim das barreiras geográficas Para a Dra. Suely Ferraciolli, a possibilidade de acompanhar webinars de neurorradiologia de diversas sociedades internacionais e campanhas nacionais semelhantes foi um dos pontos altos desse período, possibilitando maior acesso a palestras com professores renomados e conteúdos de alta qualidade. “Outro aspecto importante é que algumas dessas palestras continuaram disponíveis em plataformas on-line, permitindo que você possa reassistir o conteúdo, se necessário. Além disso, vários congressos também ficaram disponíveis no modelo sob demanda por diversos meses após o término do evento, o que facilita muito, caso você não consiga períodos livres para acompanhá-lo em tempo real”, destaca. Entre as plataformas mais utilizadas pela neurorradiologista seguir com sua atualização estão Coursera, Udacity e Udemy, que contam com cursos de universidades reconhecidas internacionalmente, professores didáticos e provas condizentes com os conteúdos dispostos. Segundo ela, ao final do curso, o aluno possui acesso a um diploma compartilhável. “Vejo como características positivas das plataformas de ensino virtual a facilidade de manuseio, interatividade, intuitividade, baixo custo, possibilidade de gravação do conteúdo para visualizá-lo posteriormente, compartilhamento deste conteúdo e acesso a câmera e áudio”, aponta o Dr. Marcos Duarte. “Entendo que o ensino remoto chegou para ficar, uma vez que reduz custos e aglomerações, o que ainda é desejável, e amplia a possibilidade de atingirmos públicos que, eventualmente, teriam dificuldade de viajar para determinado lugar em virtude de uma agenda atribulada ou de vivermos em um país de dimensões continentais, cujos deslocamentos podem levar muitas horas”, complementa o gerente de ensino e pesquisador da Universidade Federal do Vale do São Francisco.


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Entrevista Por Luiz Carlos de Almeida e Valéria de Souza (SP)

Dasa investe em educação médica continuada Projeto iniciado em 2019, com a marca DASA Educa, ganhou força em 2020 e se prepara para um novo salto em 2021, como uma importante ferramenta de disseminação de conteúdo para médicos e profissionais de saúde. Para isso, acaba de ser promovida a gerente médica, a dra. Fernanda Garozzo Velloni, a frente desse projeto, desde o início, em maio de 2019.

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om cursos, lives e webinars, mobilizando a Todas as aulas e reuniões são compartilhadas e disponibilizadas em uma plataforma digital interna, de acesso irrestrito equipe médica da instituição e convidados, o aos nossos profissionais. DASA Educa cumpriu importante papel nestes Já, na atuação externa, procuramos compartilhar o nosso tempos de pandemia, como enfatiza em entrevista concedida ao ID – Interação Diagnóstica, conhecimento com o setor de saúde através de webinars; a dra. Fernanda Velloni. sessões multidisciplinares interativas; artigos e revistas científicas; publicações em redes sociais; vídeos e podcasts. Para ID – O que é o Projeto Dasa.educa? isso, contamos hoje com diversos canais digitais que facilitam Fernanda Velloni – Esse projeto é uma iniciativa da área a comunicação com o nosso público por médica da DASA que surgiu em maio meio do website, que contém as nossas de 2019, com objetivo de reestruturar a principais informações; a nossa progranossa educação médica. Primeiramente, mação semanal; perfis no LinkedIn, Insidentificamos as iniciativas de educação tagram/Facebook; um canal do Youtube que já estavam em andamento em nossas e episódios de podcasts. Esses últimos diversas regionais, distribuídas por todo disponibilizados em diferentes plataforo território nacional e, assim, entendemos as nossas principais necessidades e mas (Spotify, Itunes, Google entre outras). limitações. A partir daí definimos nossos ID - Como a pandemia impulsionou esse projeto? objetivos, apresentamos o projeto para as Fernanda Velloni – Desde o início demais áreas da empresa, e estabelecemos da pandemia da Covid-19, em março parcerias internas e externas. deste ano, entendemos que poderíamos ID - Qual o papel do Dasa.educa? mitigar o impacto do isolamento social Fernanda Velloni – O Dasa.educa é e promover o engajamento dos nossos o pilar de educação médica da Dasa, que médicos e dos demais profissionais da hoje atua em duas grandes frentes: uma saúde através da geração e disseminafrente interna, voltada à capacitação e Dra. Fernanda Garozzo Velloni, da ção de conhecimento. Desde então já treinamento dos nossos médicos; e uma promovemos mais de 150 aulas virtuais frente externa, direcionada para relaciona- Dasa.educa mento e comunicação da Dasa com o setor de saúde. gratuitas e de fácil acesso, assistidas por 28.000 médicos e Na nossa frente de atuação interna promovemos aulas, quase 10.000 profissionais de saúde. Abordamos assuntos cursos teórico-práticos e reuniões semanais das nossas equirelevantes em relação à Covid-19, temas técnicos específicos pes. Contamos ainda com programas de residência médica relacionados à medicina diagnóstica e também temas mais e fellows nas nossas diferentes especialidades (Radiologia abrangentes sobre o setor de saúde em geral. e Diagnóstico por Imagem, Ultrassonografia, Patologia e Diante desse crescimento e relevância, o projeto passou a Inovação). Assim, através dessas atividades visamos manter contar com uma equipe cada vez maior e robusta, composta a atualização dos médicos; promover a interação das equipes por médicos e por profissionais de outras áreas que contribuem com diferentes expertises. A partir de agora assumo a médicas de todas as regionais; desenvolver habilidades de gerência médica da Dasa.educa, que é o pilar educacional da ensino e ao mesmo tempo capacitar e reter jovens talentos.

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instituição, sob a liderança dos Drs. Gustavo Pinto e Leonardo Vedolin, superintendente e vice-presidente médicos da Dasa, respectivamente. ID – Como a sra. vê uma instituição privada, como a Dasa, investir em educação médica e atualização profissional, adotando um formato tão abrangente? Fernanda Velloni – A Dasa, é líder em medicina diagnóstica, e entende que produzir e compartilhar conhecimento faz parte da sua missão de ser um agente transformador da saúde brasileira. Assim, acreditamos que investir na capacitação profissional é fundamental para fortalecer a excelência médica, que por sua vez é essencial para o cuidado dos nossos pacientes. ID - Quais os planos para o ano de 2021? Fernanda Velloni – Para o próximo ano, contaremos com o portal de ensino digital, que será capaz de hospedar todo o conteúdo gerado, de uma forma estruturada e inovadora, para que seja disponibilizado ao público médico em múltiplos formatos e com diferentes técnicas de aprendizagem. Também, vamos aumentar a interação com as demais verticais do nosso ecossistema (a vertical hospitalar - Rede Ímpar; e a vertical de atenção primária - GSC), promovendo ações de ensino que tragam um olhar mais amplo e completo sobre a abordagem das doenças; o manejo dos pacientes e demais assuntos relacionados ao setor de saúde como um todo. E, por fim, visamos estabelecer cada vez mais parcerias com diferentes players dos mercados de saúde e educação, de modo que nos complementem e aumentem ainda mais o nosso escopo de atuação. A dra. Fernanda Garozzo Velloni é médica formada pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), onde também cursou a residência médica em Radiologia e Diagnóstico por Imagem. Com especialização em Radiologia do Abdome na Universidade de São Paulo (USP), fez Research Fellow na Universidade da Carolina do Norte (UNC, EUA) e MBA executivo no INSPER. Antes de assumir a Dasa.educa foi coordenadora do Grupo de Radiologia do Abdome na Dasa entre 2017 e 2020.


DEZEMBRO 2020 / JANEIRO 2021 - ANO 19 - Nº 119

Mapeamento vascular: o potencial da ultrassonografia de alta frequência no planejamento de microcirurgias Introdução

A Ultrassonografia de alta frequência (USAF) destaca-se atualmente como um exame de imagem não invasivo de grande potencial para avaliação de estruturas superficiais, sendo aplicada em diversos estudos, especialmente dermatológicos. Essa terminologia foi definida para ultrassonografias realizadas com transdutores de frequências iguais ou superiores a 15 MHz. As altas frequências implicam em menor comprimento de onda e consequentemente melhor avaliação superficial, com otimização da resolução das imagens, chegando a 100 µm de resolução axial e até 200 µm de resolução lateral (1;2). Aliando-se a alta frequência com tecnologias de pós processamento, nos últimos anos, houve o aprimoramento da técnica, ampliando-se a capacidade de avaliação detalhada das camadas da pele em toda sua espessura e sua adoção para diversas finalidades tais como diferenciar lesões cutâneas, avaliar e guiar procedimentos, assim como auxiliar no planejamento pré-operatório de retalhos na microcirurgia reconstrutiva, proporcionando o mapeamento vascular das áreas doadora e receptora.

Outra técnica amplamente adotada é a angiotomografia do segmento estudado, considerado o padrão ouro. A análise fornece detalhes do calibre, trajeto dos vasos e sua relação com as estruturas anatômicas adjacentes. Porém, há exposição à radiação e uso de contrastes, além de não prover estudo vascular dinâmico. Por último, a ultrassonografia de alta frequência com Doppler representa uma alternativa promissora aos demais métodos, pois não utiliza meios de contraste ou radiação, além de possibilitar a detecção de sinais de aterosclerose e disfunção endotelial nos vasos do sítio avaliado. Outra vantagem é o fornecimento de dados anatômicos e hemodinâmicos a respeito da vasculatura das áreas doadora e receptora, detectando inclusive perfurantes capilares, de calibre não evidenciado pelos demais transdutores. Os principais fatores limitantes são a exigência de treinamento específico e dependência de curva de aprendizado (4;5;6)

Retalhos microcirúrgicos:

Os retalhos microcirúrgicos são considerados um dos pilares da cirurgia plástica reconstrutiva. Tratam-se de segmentos de tecido de composição variável (cutânea, óssea, muscular, cartilaginosa ou mista) supridos por um pedículo vascular de origem conhecida. Estes são obtidos a partir de um leito doador e transferidos para um sítio receptor que apresente defeito secundário. Dentre os diversos tipos de retalhos, destaca-se o perfurante, caracterizado pela obtenção de tecidos superficiais à fáscia profunda, poupando a musculatura. Suas principais vantagens incluem preservação da função muscular, programação da espessura do retalho, melhor integração no leito receptor e versatilidade, permitindo que a área doadora seja universal (3). A busca por retalhos de menor espessura tem se intensificado na atualidade e o ultrassom de alta frequência apresenta-se como uma excelente ferramenta no planejamento cirúrgico.

Planejamento pré-cirúrgico e os métodos de imagem:

Diversos métodos de imagem já foram utilizados para mapear os leitos doador e receptor dos retalhos. Um dos mais difundidos é o uso do Doppler com transdutor em caneta, vantajoso por sua portabilidade e não utilização de meios de contraste ou exposição à radiação. Contudo, pesquisas evidenciaram discordância de 40% entre a posição dos vasos na avaliação pré e intraoperatória, achados secundários à não detecção pelo aparelho de trajetos vasculares oblíquos e ao limite de 20 mm de profundidade do feixe (restringe biotipo do paciente). Outra desvantagem seria o não fornecimento de informações sobre o diâmetro e fluxo vascular.

Figura 3 – Foto do membro inferior referente à figura 2, com ponto de emergência (seta amarela) e hot zone (elipse preta) demarcada.

Técnica de mapeamento vascular pela ultrassonografia de alta frequência:

A técnica de mapeamento vascular se inicia pela escolha do probe adequado, devendo-se atentar para o biotipo do paciente, que pode requerer transdutores de frequência não tão elevada. Ajustar parâmetros do aparelho, como em todas as modalidades da ultrassonografia, também é fundamental. A profundidade deve estar ajustada de forma que a fáscia ocupe o centro da tela e a frequência de repetição de pulsos (PRF) seja sensível a ponto de captar microvasculatura, em torno de 0,5-20 Hz. Se pequenos vasos perfurantes ainda assim não forem visíveis, o Power Doppler pode ser útil para sensibilizar a técnica. A partir dos ajustes iniciais, pode-se dar início ao exame, que exige do operador conhecimento da anatomia da pele ao ultrassom (Figura 1). Para detectar microvasos, o alvo primário é encontrar o ponto de emergência, do qual os ramos superficiais perfurantes da artéria de interesse surgem e atravessam a fáscia profunda (Figura 2). O ponto referido deve ocupar o centro do probe e ser marcado na pele antes da retirada do transdutor (Figura 3). Previamente à cirurgia, ao redor do ponto estabelecido, uma zona com raio de 1 a 3 centímetros é demarcada, a hot zone, que circunscreve uma região que necessita de abordagem meticulosa (Figura 4). Além de seus limites, a dissecção pode ser mais direta e rápida.

Figura 1 –Anatomia cutânea à ultrassonografia de alta frequência.

Figura 2 – Doppler ultrassonográfico obtido com transdutor 24 MHz demonstrando o ponto de emergência do ramo perfurante oblíquo da artéria circunflexa femoral lateral.

Figura 4 – Foto do intraoperatório referente às figuras 2 e 3, demonstrando retalho cutâneo de espessura total, com correspondência anatômica do pedículo vascular. CONTINUA


Mapeamento vascular: o potencial da ultrassonografia de alta frequência no planejamento de microcirurgias

Figura 5 – Foto de paciente masculino de 44 anos, portador de sarcoma de baixo grau no dorso do pé direito.

Figura 8 – Foto do sítio doador referente ao paciente da figura 5, com demarcação externa do ponto de emergência e da hot zone.

Figura 6 – Doppler ultrassonográfico obtido com transdutor 24 MHz caracteriza a lesão altamente vascularizada, referente ao caso da figura 5. Figura 9 – Foto do sítio receptor em pós-operatório, de resultado satisfatório.

Conclusão:

Diversas modalidades de imagem são adotadas para avaliar as áreas doadora e receptora de retalhos microcirúrgicos. Dentre elas, a ultrassonografia de alta frequência destaca-se como uma técnica nova e promissora no mapeamento vascular desses sítios e programação dos retalhos.

Figura 7 – Doppler ultrassonográfico ilustra ponto de emergência do ramo perfurante da artéria circunflexa femoral lateral, na região do sítio doador.

Caso clínico:

Paciente masculino, de 44 anos, com lesão expansiva em dorso do pé (Figura 5), biopsiada e com diagnóstico de Sarcoma de Baixo Grau. Submetido ao Ultrassom Doppler de Alta Frequência, caracterizando-se massa sólida hipoecogênica, algo heterogênea e circunscrita, altamente vascularizada (Figura 6). Durante mapeamento vascular evidenciou-se ponto de emergência do ramo perfurante da artéria circunflexa femoral lateral, na região do sítio doador (Figura 7), permitindo-se demarcação externa do ponto de emergência e da hot zone no sítio doador na coxa do paciente (Figura 8). Houve ótima correlação intraoperatória, diminuindo-se a área a ser ressecada e o tempo cirúrgico, com satisfatório resultado pós-operatório (Figura 9).

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1.

Alexander H, Miller DL. Determining skin thickness with pulsed ultra sound. J Invest Dermatol. 1979;72(1):179.

2.

Polańska A, Dańczak-Pazdrowska A, Jałowska M, Żaba R, Adamski Z. Current applications of high-frequency ultrasonography in dermatology. Postepy Dermatol Alergol. 2017;34(6):535-42.

3.

Kim JT, Kim SW. Perforator Flap versus Conventional Flap. J Korean Med Sci. 2015;30(5):514-22.

4.

Dorfman D, Pu LL. The value of color duplex imaging for planning and performing a free anterolateral thigh perforator flap. Ann Plast Surg. 2014;72 Suppl 1:S6-8.

5.

Visconti G, Salgarello M. Free-style Capillary Perforator-Based Island Flaps for Reconstruction of Skin Cancer Defects of the Face, Body, and Extremities. Ann Plast Surg. 2018;81(2):192-7.

6.

Narushima M, Yamasoba T, Iida T, Matsumoto Y, Yamamoto T, Yoshimatsu H, et al. Pure Skin Perforator Flaps: The Anatomical Vascularity of the Superthin Flap. Plast Reconstr Surg. 2018;142(3):351e-60e.

Autores Ligia Braga Lopes Couceiro Samya Saraiva Alves

Orientadores Antônio Sérgio Zafred Marcelino Luciana C. Zattar Médicos Radiologistas – Serviço de Radiologia e Diagnóstico por Imagem - Hospital Sirio Libanês


Crioablação percutânea de nódulos renais: indicações, detalhes técnicos, resultados e complicações Introdução As terapias ablativas constituem estratégias de tratamento menos invasivo que vêm ganhando, marcadamente na última década, maior notoriedade no combate a tumores renais de baixo grau (T1a). Dentre as diferentes opções disponíveis no contexto das terapias ablativas aplicadas às lesões renais, essa revisão destaca a crioablação percutânea de nódulos renais, visando elencar indicações, detalhes técnicos e possíveis complicações observadas, bem como discorrer sobre os resultados disponíveis na nossa experiência e também aqueles da literatura médica.

Indicações Com a crescente detecção incidental de pequenos tumores renais por métodos de imagem como a tomografia computadorizada (TC), bem como Ultrassonografia e Ressonância Magnética, têm aumentado, cada vez mais, o interesse e a indicação de tratamento com estratégias poupadoras de néfrons, a fim de obter melhora na qualidade e expectativa de vida dos pacientes. (3) Estudos evidenciam que quase 50% dos cânceres renais são diagnosticados de forma incidental. De modo bastante animador, em cerca de 70 a 80 % dos casos, os nódulos são diagnosticados antes do surgimento de sintomas ou de metástases evidentes em exames de estadiamento. (5) Atualmente as técnicas ablativas foram contempladas nas diretrizes da ASCO (American Society of Clinical Oncology) como opção de tratamento para pacientes com carcinomas de células renais (CCR) de baixo grau (T1a), desde que, o tumor possa ser radicalmente tratado na terapêutica ablativa. (5) Dentre as técnicas ablativas aplicáveis aos cânceres renais, destaca-se a crioablação percutânea guiada por imagem, frequentemente tomografia combinada à ultrassonografia, indicada no contexto para tratamento de tumores renais de baixo grau (T1a). Inicialmente, no início da aplicação de terapias ablativas, incluída nesta seara a crioablação de nódulos renais, realizavam-se tais opções naqueles pacientes primariamente não candidatos ideais à nefrectomia parcial, devido a uma variedade de fatores, como idade avançada, comorbidades, obesidade, rim solitário, síndromes de CCR hereditário e recorrência local pós-cirurgia. Passado este primeiro momento,e observando-se os excelentes resultados em casuísticas cada vez maiores, somados às características de menor invasividade, tempo mais curto de procedimento, alta precoce e recuperação mais rápida no pós-ablação, bem como a preservação da função renal, muitas associações médicas de referência no mundo elencam terapias ablativas selecionadas, como é o caso da crioablação renal, em nódulos de até 3,0 cm sem metástases como opções efetivas e que podem ser oferecidas aos pacientes, não apenas aqueles com restrições cirúrgicas. (3,4)

Resultados

Estudos descritos na literatura já demonstraram, alguns com enormes casuísticas, a segurança e a eficácia da criablação percutânea no tratamento de tumores renais T1a. Foram reportadas, igualmente, taxas de sobrevida livre de doença neoplásica semelhantes àquelas da nefrectomia parcial. (5) No que tange à comparação entre técnicas de radiofreqüência e crioablação, especificamente no contexto das lesões renais, outros estudos mostram que o tratamento com crioablação apresentou taxas de progressão tumoral menores quando comparados com outras técnicas ablativas como a radiofreqüência, especialmente em lesões não periféricas, onde os resultados são muito parecidos. (5) Com relação às taxas de complicação, a maioria dos estudos não apresentou significância estatística em comparação com outras técnicas ablativas descritas. Além disso, a crioablação apresentou menor perfil de complicações e menor tempo de internação quando comparada com a nefrectomia parcial. (2, 5) Outros dados retrospectivos e de coorte sugerem que a crioablação pode ser uma indicação segura no tratamento de tumores também T1b, apresentando taxas de sobrevida livre de recidiva local e sobrevida livre de metástases semelhantes a nefrectomia parcial. Em contrapartida, outros estudos mostram taxas de mortalidade maiores para crioablação no cenário T1b. Face a tais achados, o perfil de eleição para a crioablação é o de nódulos T1a, com até 2,0 cm, sendo que, para estas lesões tumorais, os resultados são comparáveis aos da nefrectomia parcial. (2, 5, 6) Em publicação de nosso grupo, com autoria de Azevedo A.P.A., Rahal Jr.A., Falsarella P.M., Caserta-Lemos G., Claros O.R., Queiroz M.R.G., Gobbo-Garcia R., no European Journal of Radiology, em 2018 (https://doi.org/10.1016/j.ejrad.2018.01.001) reportamos a então experiência de 5 anos com crioablação em nódulos renais. Neste trabalho, 91,9% dos nódulos tratados eram únicos, com dimensões médias de 1,6 cm. A maioria dos nódulos era de localização exofítica, 61,9%. Hidrodissecção e pieloperfusão retrógrada foram aplicadas na maioria dos casos. Dentre todas as variáveis analisadas, a proximidade do nódulos com o sistema coletor fora o único fator significativo associado a maior taxa de complicações.

Detalhes técnicos Várias considerações anatômicas e fisiológicas peculiares dos rins devem ser consideradas para que a crioablação percutânea seja eficaz e segura. São os fatores mais importantes: A) Localização anatômica do rim: Se tópico ou pélvico, com ou sem vício rotacional, em ferradura, ou quaisquer variantes anatômicas. B) Localização tumoral: Exofítico ou parcialmente exofítico, peri-piélico, proximidade do tumor renal com estruturas vulneráveis próximas, como os ureteres, as alças intestinais e as glândulas adrenais.

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C) Dimensões da lesão e número de lesões: São consideradas ideais lesões com até cerca de 3,0 cm, não sendo esta variável, todavia, absoluta. Todavia, sabidamente, tanto maiores serão as chances de excelente resposta terapêutica quanto menores as dimensões do nódulo elencado (3). Na técnica da crioablação percutânea renal, uma bola de gelo no final de uma sonda criogênica é criada, promovendo ciclos de congelamento e descongelamento que destroem as membranas celulares e organelas citoplasmáticas. A formação intracelular de cristais de gelo causa lesão microvascular e isquemia, além de lesão da membrana celular e ruptura celular hipotônica, levando à morte celular. Estudos mostraram que temperaturas de -40° a -50 ° C são necessárias para induzir a morte celular completa. O princípio que norteia o efeito crioterápico é o Efeito Joule-Thompson (1, 2). O tumor renal deve ser facilmente individualizado na modalidade de imagem escolhida. A TC tem vantagens sobre o ultrassom, principalmente por fornecer imagens claras das estruturas / órgãos adjacentes. Todavia, na fase inicial do procedimento, qual seja, aquela em que posicionamos o probe ou probes de crioablação, a ultrassonografia é ferramenta de inestimável valia (2). Além disso, a visualização perfeita das alterações físicas causadas pelo congelamento através das técnicas de imagem, é uma das grandes vantagens da crioablação percutânea. (5) O número e o tipo de sondas utilizadas vai variar com o tamanho e localização do tumor e são distribuídas visando obter uma margem de pelo menos 0,5 – 1,0 cm. (3, 4). Para proteção térmica das estruturas adjacentes, utiliza-se, frequentemente, a técnica de hidrodissecção com meio de contraste iodado associado a solução glicosada 5%, visando principalmente a proteção de alças intestinais e segmentos do ureter que estejam à < 1 cm da lesão alvo, e a pieloferfusão retrógrada para proteção da pelve renal e segmentos do ureter que estejam também à < 1 cm do alvo. (4). Para tanto, em casos de lesões peri-piélicas, frequentemente precede o procedimento de crioablação a passagem de um catéter “Duplo-J” no sistema coletor ipsilateral ao(s) nódulo(s) abordado(s).

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E

D

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Figura 02: (A) - (F): Homem, 83 anos, com doença renal policística e nefrectomia parcial anterior, apresentando nova lesão suspeita, de 4,3 cm, no pólo inferior direito, exofítico, próximo ao cólon ascendente. Três crioprobes foram posicionados na lesão, biópsia e hidrodissecção foram realizadas antes dos ciclos de crioablação. O procedimento levou 138 minutos e não houve complicações. O resultado patológico foi de carcinoma de células claras. O paciente foi seguido por 1870 dias (5,1 anos) por ressonância magnética que não mostrou recidiva da doença. CONTINUA

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Crioablação percutânea de nódulos renais: indicações, detalhes técnicos, resultados e complicações (A) (TC axial pós-contraste): nódulo sólido de 4,3 cm no pólo inferior do rim direito (seta). Observe os cistos simples no rim contralateral (pontas de seta). (B) (TC coronal oblíqua pós-contraste): Nódulo sólido de 4,3 cm no pólo inferior do rim direito (seta). Observe os cistos simples no rim contralateral (pontas de seta). (C) (US): posicionamento guiado por imagem de um dos crioprobos (setas longas) no nódulo renal (setas curtas). (D) (TC axial oblíqua sem contraste): O paciente foi posicionado em decúbito anterolateral esquerdo e o acesso percutâneo foi realizado. Observe os dois crioprobes (setas), a agulha de Turner de 18 Ga (ponta da seta) e a hidrodissecção (asterisco) deslocando anteriormente o cólon direito. (E) (TC axial oblíqua sem contraste): Observe a formação de bola de gelo (setas curtas) envolvendo o nódulo renal em suas margens. (F) (RM oblíqua coronal pós-contraste): sem hipervascularidade residual na zona de ablação (setas) cerca de cinco anos após o procedimento de AC. Apud: “Image-guided percutaneous renal cryoablation: Five years experience, results and follow-up”. European Journal of Radiology. Vol 100, March 2018, pp. 14-22.

CONCLUSÃO X

baixo grau, estudos demonstram que não parece haver diferenças clínicas relevantes entre a nefrectomia parcial e técnicas ablativas como a crioablação percutânea. A escolha do tratamento deve envolver a tomada de decisão compartilhada (6).

Bibliografia 1. ZHONG, J. et al. Renal ablation: current management strategies and Controversies. Chinese clinical oncology. Hong Kong, Dec. 2019. 2. KAWABATA, T. et al. Post-ablation syndrome after Percutaneous Cryoablation of small renal tumors: A prospective study of incidence, Severity, duration, and effect on lifestyle. European journal of Radiology. Stuttgart, Jan. 2020. 3. VENKATESAN, A. M. et al. Percutaneous Ablation in the Kidney. Radiology. Illinois, Nov. 2011; 261(2):375-91. 4. AZEVEDO, A. A. P. et al. Image-guided Percutaneous Renal Cryoablation: Five years experience, results and follow-up. European journal of Radiology. Stuttgart, Mar. 2018; 100:14-22. 5. NOURI-NEUVILLE, M. et al. Percutaneous image-guided renal ablations: Current evidences for long-term oncologic efficacy. Presse Med. Paris, Jul – Aug. 2019; 48(2):233-243. 6. ANDREWS, J. R. et al. Oncologic Outcomes Following Partial Nephrectomy And Percutaneous Ablation for cT1 Renal Masses. European urology. Basel, Aug. 2019; 76(2):244-251.

Complicações

Os benefícios e riscos na indicação da crioablação percutânea renal, assim como de qualquer método ablativo, devem ser cuidadosamente pensados, planejados e discutidos com o paciente, bem como com a equipe multidisplinar envolvida no caso. Sabe-se que a presença de comorbidades médicas, tumores maiores que 3,0 cm e localização central/endofítica da massa renal parecem estar associados a maiores taxas de complicações (5). Dentre os fatores de risco listados nos estudos, destaca-se o número de agulhas, biópsia intra-procedimento, hidrodissecção, pieloperfusão retrógrada, e tempo total do procedimento sendo este fator mais associado a complicações sistêmicas (4, 5).

Autores Paula Fernandes Wagner Hutterer Antonio Rahal Junior Priscila Mina Falsarella Juliano Ribeiro De Andrade Miguel Jose Francisco Neto Marcos Roberto Gomes De Queiroz Rodrigo Gobbo Garcia Médicos Radiologistas do Serviço de Radiologia e Diagnostico por Imagem Hospital Albert Einstein

Figura 1: R.E.N.A.L score para caracterização de nódulos renais. Utilizado por muitos serviços no mundo para avaliar nódulos pré-tratamento ablativo.

O escore de nefrometria da R.E.N.A.L (Figura 01) é utilizado por muitos serviços a fim de quantificar a anatomia das massas renais, determinar sua complexidade, objetivar a tomada de decisão do tratamento e previnir possíveis complicações (4). As complicações classificadas como leves são as mais relatadas nos pacientes que realizam a crioablação, sendo as mais comuns: dor, náuseas, mal-estar e hematúria. Disfunção renal aguda e formação de coágulos no sistema coletor e bexiga, são complicações com maior grau de gravidade e que também podem ocorrer no decorrer no procedimento, porém apresentando menor incidência nos estudos avaliados. Um estudo recente descreve uma síndrome pós-ablação, definida como a ocorrência de pelo menos um sintoma entre febre, náusea, vômito e mal-estar dentro de 21 dias após a crioablação (2). Acredita-se que tais sintomas sejam consequência de uma resposta inflamatória ao tecido necrótico, com produção associada de citocinas. No entanto, deve-se ressaltar que existem fatores intrínsecos ao procedimento como a anestesia geral e até mesmo o estresse associado a hospitalização que podem ser potenciais fatores de confusão nesse contexto, sendo necessário outros estudos para determinar uma relevância clínica nesse contexto (2, 5).

Conclusão

O crescente interesse por técnicas menos invasivas no tratamento dos nódulos renais de baixo grau, torna relevante o conhecimento acerca das técnicas ablativas para sua melhor indicação na atualidade. A crioablação percutânea tem se mostrado uma alternativa segura e com boa eficácia em comparação com outros métodos ablativos. No contexto de pacientes com tumores renais de

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Pneumonite de hipersensibilidade: atualização diagnóstica para o radiologista Introdução

Em agosto de 2020 foi publicado uma nova diretriz sobre o diagnóstico de pneumonite por hipersensibilidade (PH) em adultos, um esforço conjunto da American Thoracic Society (ATS), Japanese Respiratory Society (JRS) e a Associacón Latinoamericana del Tórax (ALAT). O texto a seguir baseia-se nesta diretriz e em artigos recentes sobre o assunto, com o intuito de atualizar os radiologistas sobre o tema. A PH é uma doença inflamatória e eventualmente fibrótica que afeta o parênquima pulmonar e as pequenas vias aéreas. É resultado de uma reação imunomediada provocada pela inalação de antígenos em indivíduos suscetíveis. Ressalta-se, porém, que em um número significativo de pacientes a exposição e o antígeno causal pode não ser identificado, o que dificulta o diagnóstico da doença. Historicamente a PH foi classificada como aguda, subaguda ou crônica. No entanto, essas categorias não são facilmente diferenciáveis e esta classificação tem sido utilizada de forma variável em muitos estudos. Como a presença de fibrose radiográfica ou histopatológica é o principal determinante do prognóstico clínico, recentemente há uma tendência de categorizar a PH como fibrótica ou não fibrótica, dada a maior utilidade clínica desta estratificação. Em pacientes com características mistas, a categorização é determinada pela predominância dos achados. Essa nova abordagem é mais objetiva, apresenta melhor correlação com o curso clínico da doença e é a mais recomendada atualmente.

Manifestações clínicas

A PH é uma doença com apresentações e evoluções clínicas heterogêneas. Os sintomas e sinais comuns incluem dispneia, tosse e estertores inspiratórios. Com menos frequência, podem ocorrer sintomas constitucionais, como perda de peso, sintomas semelhantes aos da gripe (calafrios, febre baixa e mal-estar), aperto no peito e respiração ofegante. O início pode ser agudo (dias a semanas) ou também pode ser insidioso (meses a anos); os episódios podem ser recorrentes. Embora uma apresentação aguda seja mais consistente com a PH não fibrótica e a apresentação insidiosa seja mais consistente com a PH fibrótica, a duração dos sintomas nem sempre tem relação com o status da fibrose. A prevalência de PH é maior entre indivíduos com 65 anos ou mais.

Tomografia computadorizada de tórax

O exame mais recomendado para a avaliação de casos suspeitos de PH é a tomografia computadorizada de tórax (TC). O protocolo de aquisição sugerido é o seguinte: • Exame sem contraste endovenoso, • Aquisição volumétrica em inspiração máxima, • Aquisição volumétrica ou axial com cortes espaçados em expiração, • Opcional: aquisição em decúbito ventral, • Reconstrução das imagens com cortes finos (≤1,5 mm) e filtro de alta frequência espacial (alta resolução).

Achados na TC de tórax

As descrições a seguir têm como objetivo fornecer um resumo dos achados na TC que são 1) altamente sugestivos de PH, categorizado como "PH típica"; 2) relatados com menos frequência, mas compatíveis com PH, ao qual nos referimos como “compatível com PH”; ou 3 ) "indeterminado para a PH" quando os achados da TC não são sugestivos nem compatíveis com PH.

PH não fibrótica

O padrão de PH típica (Tabela 1) depende da identificação de achados na TC com uma distribuição difusa, que incluem opacidades em vidro fosco (VF) e atenuação em mosaico e pelo menos algum outro achado sugestivo de doença das pequenas vias aéreas, como nódulos centrolobulares mal definidos (<5 mm) nas imagens inspiratórias e aprisionamento aéreo nas imagens expiratórias (figuras 1 e 2). Na PH não fibrótica, a atenuação em mosaico usualmente representa a coexistência de lóbulos pulmonares afetados por pneumonite (com atenuação aumentada) intercalados com lóbulos de atenuação normal ou ligeiramente diminuída (devido à obstrução bronquiolar e aprisionamento aéreo). Esses padrões parenquimatosos geralmente são bilaterais e simétricos, com distribuição difusa, tanto no plano axial quanto no craniocaudal. Embora uma combinação de alterações parenquimatosas e de doença das pequenas vias aéreas seja altamente sugestiva de PH não fibrótica, o aprisionamento aéreo isolado é outro padrão que pode ser observado na doença. Três características adicionais também são descritas na PH não fibrótica: VF sutil e uniforme difuso (figura 3), consolidação do espaço aéreo e cistos pulmonares. Cada uma dessas características é inespecífica, mas pode ser compatível com a PH não fibrótica no contexto clínico apropriado.

O ID publica artigos de revisão, de atualização e relatos de casos. Envie para o endereço: www.interacaodiagnóstica.com.br

Tabela 1. Achados de imagem da PH não fibrótica Padrão na TC

Típico para PH

Compatível com PH

Indeterminado para PH

Descrição

Requer a presença de alteração parenquimatosa e sinais de doença das pequenas vias aéreas, ambas com distribuição difusa

Padrões não específicos, mas que podem ser observados na PH

Padrão indeterminado para PH

Achados radiológicos

Alterações parenquimatosas: VF e atenuação em mosaico Doença das pequenas vias aéreas: nódulos centrolobulares mal definidos e aprisionamento aéreo Distribuição: difusa

VF uniforme e sutil, consolidações, cistos pulmonares Distribuição: difusa ou predomínio nos lobos inferiores ou peribroncovascular

Outras alterações, não descritas no padrão típico ou compatível com PH

PH fibrótica

A coexistência de sinais de fibrose pulmonar e de obstrução bronquiolar são altamente sugestivos de PH fibrótica. A fibrose pulmonar na PH se manifesta com mais frequência como opacidades reticulares com distorção arquitetural do pulmão, às vezes com espessamento septal, que pode ser visto isoladamente ou associadas a bronquiectasias de tração em áreas de vidro fosco. Faveolamento pode estar presente. A fibrose pulmonar costuma ser mais grave nos campos médios ou inferiores do pulmão ou igualmente distribuída nos campos pulmonares. Nas imagens axiais, geralmente não há predominância central ou periférica da fibrose pulmonar (figura 4). A obstrução bronquiolar pode ser observada da mesma forma que na PH não fibrótica com nódulos centrolobulares mal definidos e atenuação em mosaico. Também pode ser observado um padrão de três densidades pulmonares diferentes (figura 5): opacidades em vidro fosco, lóbulos de atenuação e vascularização diminuídas e pulmão de aparência normal, achado altamente específico para a PH fibrótica (sinal do terrine ou "head cheese sign"). Em um estudo recente, a presença de cinco ou mais lóbulos com atenuação em mosaico em cada lobo pulmonar, presente em três ou mais lobos foi capaz de diferenciar a PH da fibrose pulmonar idiopática. Porém, como o aprisionamento aéreo é um achado inespecífico que reflete alterações das pequenas vias aéreas, ele também pode ser encontrado em outras doenças pulmonares intersticiais. Algumas variantes na distribuição da fibrose são compatíveis com a PH fibrótica, embora menos frequentes. Estas incluem fibrose com uma distribuição periférica (subpleural) ou central (peribronovascular), bem como doença predominante basal. Embora fibrose com predomínio nos campos superiores tenha sido descrito como uma característica da PH fibrótica, apenas uma pequena proporção de pacientes (<10%) apresenta esta distribuição da doença. A PH fibrótica também pode apresentar padrões atípicos na TC; esses padrões devem ser classificados como indeterminados para PH fibrótica. Eles incluem os padrões de pneumonia intersticial usual (PIU), pneumonia intersticial inespecífica fibrótica (PNIE) e pneumonia em organização. Como em outras intersticiopatias, a PH também pode apresentar um padrão tomográfico verdadeiramente indeterminado. Tabela 2. Achados da imagem da PH fibrótica Padrão na TC

Típico para PH

Compatível com PH

Indeterminado para PH

Descrição

Requer a presença de fibrose pulmonar e sinais de doença das pequenas vias aéreas

Padrão e/ou distribuição de fibrose diferentes do típico. Requer sinais de doença das pequenas vias aéreas

Padrão indeterminado para PH

Achados radiológicos

Sinais de fibrose pulmonar: opacidades reticulares e lineares com distorção arquitetural, bronquiectasias de tração e faveolamento podem estar presentes Distribuição da fibrose: difusa ou predomínio nos campos médios ou relativo menor comprometimento dos campos inferiores Sinais de doença das pequenas vias aéreas: nódulos centrolobulares mal definidos, atenuação em mosaico, aprisionamento aéreo, padrão de três densidades

Padrão de pneumonia intersticial usual (PIU), VF extenso com sinais de fibrose Distribuição peribroncovascular ou subpleural; predomínio em campos superiores Sinais de doença das pequenas vias aéreas: nódulos centrolobulares mal definidos, atenuação em mosaico, aprisionamento aéreo, padrão de três densidades

Padrões não acompanhados de sinais de doenças das vias aeres: padrões PIU, provável PIU e indeterminado para PIU (segundo guideline de diagnóstico de fibrose pulmonar idiopática de 2018), padrão de pneumonia intersticial não específica fibrosante, padrão de pneumonia em organização, padrão verdadeiramente indeterminado CONTINUA

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Pneumonite de hipersensibilidade: atualização diagnóstica para o radiologista CONCLUSÃO X

Broncoscopia, lavado broncoalveolar e biópsia

Em muitos casos pode ser necessário prosseguir a investigação através da realização de broncoscopia com lavado broncoalveolar (LBA) e eventualmente biópsia pulmonar transbrônquica. Se essa informação, acompanhada do padrão de imagem tomográfica, for insuficiente para fazer um diagnóstico definitivo, pode ser necessário uma biópsia pulmonar a céu aberto.

Critérios de diagnóstico

Dada a multiplicidade de características possíveis, a PH fibrótica deve ser considerada no diagnóstico diferencial para todos os pacientes com doença pulmonar intersticial fibrótica. Além disso, em até 50% dos casos, a exposição ao antígeno pode não ser identificada. Por essas razões, uma abordagem multidisciplinar é importante no diagnóstico de PH, particularmente da forma fibrótica. Os critérios de diagnóstico publicados nesta diretriz enfatizam a importância de três domínios principais: 1 ) identificação da exposição; 2 ) padrão de imagem e 3) linfocitose no lavado broncoalveolar ou achados histopatológicos. A PH pode ser diagnosticada com alta probabilidade em pacientes nos quais uma exposição foi identificada, que possuem um padrão típico na TC e apresentam linfocitose no lavado broncoalveolar; esses pacientes não requerem exames adicionais. Pacientes com qualquer outra combinação de histórico de exposição, padrão de TC e resultados de LBA devem ser submetidos a uma discussão multidisciplinar que inclua no mínimo um pnemologista, um radiologista e um patologista familiarizados com experiência em doença pulmonar intersticial. Algoritmo para diagnóstico de PH incorporando padrão de imagem, presença de exposição, linfocitose no lavado broncoalveolar (LBA) e achados histológicos. Adaptado de Am J Respir Crit Care Med Vol 202, Iss 3, ppe36-e69, Aug 1 2020.

Figura 3: PH não fibrótica. Padrão tomográfico compatível com PH não fibrótica notando-se tênues opacidades em vidro fosco difusas pelos pulmões.

Paciente com doença intersticial diagnosticada em exames de imagem

Investigar exposições e realizar TC de tórax Figura 4: PH fibrótica. Padrão tomográfico típico para PH fibrótica demonstrando opacidades reticulares e em vidro, espessamento de septos inter e intralobulares e bronquiectasias. A doença apresenta distribuição difusa.

Lavado broncoalveolar +biópsia transbrônquica

Outras combinações de exposição, TC e LBA

Exposição identificada E padrão típico na TC E LBA com linfocitose

Reunião multidisciplinar Considerar biópsia Alta confiança para o diagnóstico de PH

Figura 5: Padrão das três densidades. Padrão típico para PH, notando-se opacidades em vidro fosco, áreas de pulmão preservado e áreas de aprisionamento aéreo.

Referências Bibliográficas

Figura 1: PH não fibrótica. Padrão tomográfico típico para PH demostrando opacidades centrolobulares em vidro fosco difusas e atenuação em mosaico do parênquima pulmonar.

A

B

1.

Raghu G, Remy-Jardin M, Ryerson CJ et al. Diagnosis of Hypersensitivity Pneumonitis in Adults. An official ATS/JRS/ALAT Clinical Practice Guideline. Am J Respir Crit Care Med Vol 202, Iss 3, ppe36-e69, Aug 1 2020.

2.

Salisbury ML, Gu T, Murray S, Gross BH, Chughtai A, Sayyouh M, et al. Hypersensitivity pneumonitis: radiologic phenotypes are associated with distinct survival time and pulmonary function trajectory. Chest 2019;155:699–711

3.

Morisset J, Johannson KA, Jones KD, Wolters PJ, Collard HR, Walsh SLF, et al.; HP Delphi Collaborators. Identification of diagnostic criteria for chronic hypersensitivity pneumonitis: an international modified Delphi survey. Am J Respir Crit Care Med 2018;197: 1036–1044

4.

Vasakova M, Morell F, Walsh S, Leslie K, Raghu G. Hypersensitivity pneumonitis: perspectives in diagnosis and management. Am J Respir Crit Care Med 2017;196:680–689.

5.

Chung JH, Montner SM, Adegunsoye A, Oldham JM, Husain AN, Vij R, et al. CT findings associated with survival in chronic hypersensitivity pneumonitis. Eur Radiol 2017;27: 5127–5135.

Autores José Vitor Rassi Garcia Fellow de radiologia cardiotorácica do HCFMUSP.

Marcio Sawamura Figura 2: PH não fibrótica. Padrão de atenuação em mosaico do parênquima pulmonar na inspiração (A), que se acentua na expiração, compatível com aprisionamento aéreo (B).

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Coordenador do grupo de radiologia torácica do InRad – HCFMUSP.


Infecções Fúngicas no Sistema Musculoesquelético Introdução

Em pacientes imunocomprometidos, há uma maior incidência de infecções fúngicas oportunistas, o que contribui com maior morbimortalidade, particularmente naqueles em tratamento de doenças hematológicas, como portadores de leucemia aguda. No sistema músculo esquelético, essas infecções podem acometer ossos, articulações, músculos, ligamentos, tendões e outras estruturas de partes moles superficiais e profunda. A gravidade dessas infecções depende diretamente do estado imunológico do hospedeiro, da presença de eventuais corpos estranhos (p.e., em ferimentos penetrantes) e da agressividade do agente etiológico.

Epidemiologia

Pacientes imunocomprometidos tem maior risco de infecção fúngica, inclusive do tipo invasiva. O acometimento fúngico do sistema musculoesquelético é incomum, mas artrite séptica e osteomielite fúngicas com origem hematogênica são cada vez mais relatadas, especialmente em pacientes com imunodeficiências adquiridas, história de abuso de drogas ou viagens para regiões endêmicas. Os agentes etiológicos mais encontrados são o Aspergillus spp, seguido por Candida spp. Quanto à incidência da candidemia, um estudo sobre a sua epidemiologia na América latina demonstrou que cerca de 44,2% dos episódios ocorrem em crianças e 36,2% em adultos entre 19 e 60 anos, sendo o antecedente oncológico o maior fator de risco. As espécies de cândida mais comuns na América Latina são Candida albicans (37.6%), seguida por C. parapsilosis (26.5%) e C. tropicalis (17.6%). Apesar dos avanços nos métodos profiláticos e terapêuticos, a taxa de mortalidade para candidemia na América Latina permanece na faixa de 30-40%.

Patogenia

As infecções fúngicas assemelham-se às bacterianas no que diz respeito a sua fisiopatologia, podendo se apresentar com acometimento local ou como parte de uma infecção sistêmica. Os locais mais acometidos são a corrente sanguínea (fungemia), pulmões, seios da face e sistema nervoso central. A principal via de disseminação é a hematogênica, seguida de inoculação direta e disseminação por contiguidade. No caso de inoculação direta, ocorre principalmente no trauma e em procedimentos cirúrgicos, principalmente para próteses ortopédicas, que é a causa mais frequente de inoculação fúngica em imunocompetentes.

Manifestações Clínicas e Laboratoriais

As manifestações clínicas das infecções fúngicas musculoesqueléticas comumente se apresentam como um quadro subagudo e necessitam de alta suspeição para diagnóstico. Como a forma de disseminação é frequentemente hematogênica, é comum o acometimento ósseo ou articular em localizações não contíguas. Os sintomas iniciam com dor localizada, especialmente na osteomielite, por vezes sem sintomas constitucionais. Quando acompanhada de artrite fúngica, há redução da amplitude de movimento, hiperemia e derrame articular, notadamente acompanhados de febre, leucocitose ou leucopenia. O desenvolvimento de abscessos de partes moles costuma se apresentar já numa fase crônica da infecção e a clínica se sobrepõe à osteomielite e artrite fúngica, com dor, inchaço e hiperemia local, associados a prostração e febre. Rotineiramente, a análise do líquido sinovial pode ter achados semelhantes a uma artrite inflamatória não infecciosa, inclusive com cultura negativa, com exceção da artrite por Candida, que pode ter fluído francamente purulento, com glicose reduzida ou normal e predomínio de neutrófilos. Muitas vezes, procedimentos diagnósticos invasivos como biópsia muscular, óssea ou de sinóvia são necessários para fechar o diagnóstico. A hemocultura pode ser negativa em 30-50% dos pacientes com infecção disseminada, além do que a detecção microbiológica e histológica de infecções por fungos pode exigir meios de cultura especializados, muitas vezes não amplamente disponíveis na rotina clínica diária. Uma outra alternativa diagnóstica inclui a utilização de ensaios sorológicos, como a β-(1,3)-D glucana e a galactomanana. A reação em cadeia da polimerase (PCR) pode identificar o agente fúngico específico causador da infecção.

Fig. 1. Imagem de RM das pernas no plano axial pesada em T2 com saturação de gordura evidencia múltiplas lesões nodulares distribuídas difusamente pela musculatura das pernas, sugestivas de pequenos abcessos.

Fig. 2. Imagem de RM das pernas no plano axial pesada em T1, adquiridas após a injeção endovenosa de gadolínio, evidencia múltiplas lesões nodulares com realce anelar (centro necrótico / liquefeito) distribuídas difusamente pela musculatura das pernas, sugestivas de pequenos abcessos. Fig. 3. Imagem de RM das pernas no plano coronal pesada em T1, adquiridas após a injeção endovenosa de gadolínio, evidencia múltiplas lesões nodulares com realce anelar (centro necrótico / liquefeito) distribuídas difusamente pela musculatura das pernas, sugestivas de pequenos abcessos.

Fig. 4. Imagem de RM das pernas no plano coronal pesada em T1, adquiridas após a injeção endovenosa de gadolínio, evidencia múltiplas lesões nodulares com realce anelar (centro necrótico / liquefeito) distribuídas difusamente pela musculatura das pernas, sugestivas de pequenos abcessos.

Fig. 5. Imagem de PET-CT evidencia múltiplos focos hipercaptantes distribuídos difusamente pela musculatura de todo o corpo, predominando nos membros inferiores, correspondendo aos pequenos abcessos observados à RM, além de esplenomegalia. CONTINUA

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Infecções Fúngicas no Sistema Musculoesquelético CONCLUSÃO X

Diagnóstico por Imagem

Devido à sua raridade e apresentação geralmente subaguda, o aspecto mais importante para o diagnóstico dessas infecções é que o radiologista tenha conhecimento de suas características de imagem para que considere essa possibilidade, principalmente em pacientes imunocomprometidos. A Ressonância Magnética (RM) com contraste é a modalidade de imagem de escolha para avaliar pacientes com suspeita de infecções fúngicas de partes moles, ósseas e articulares, sendo que, o papel desse método de imagem não se limita ao diagnóstico e análise da extensão do acometimento da doença, mas também envolve a avaliação da resposta terapêutica e de possíveis complicações, como a infecção disseminada, entidade não tão incomum nos pacientes imunocomprometidos. No que se trata de imunocomprometidos, por mais que a etiologia bacteriana seja a principal, as fúngicas devem sempre ser lembradas, mesmo que os aspectos por imagem sejam inespecíficos e de difícil diferenciação com infecções por outras etiologias. No caso da micose profunda, pode-se observar aumento volumétrico, edema e realce intersticiais da musculatura envolvida, podendo formar abscessos.

Diagnósticos diferenciais

Os achados de imagem de osteomielite bacteriana, artrite piogênica e piomiosite (bacteriana) se assemelham às infecções de natureza fúngica, todavia enquanto estas tendem a ter uma evolução subaguda/ indolente, as piogênicas tendem a ter um curso mais rápido. Em geral, o isolamento do patógeno acaba sendo necessário para o diagnóstico diferencial. Especificamente para a micose profunda afetando planos musculares, pode-se considerar também outros diferenciais como sarcoidose, miosite viral, mionecrose diabética, miopatia actínica, miopatias induzidas por drogas, dentre outras.

Tratamento

A abordagem terapêutica depende de alguns fatores tais como o tipo do fungo presente, o estado imunológico do hospedeiro, a presença ou não de corpos estranhos e se a infecção é localizada ou disseminada. O tratamento se baseia em terapias antifúngicas sistêmicas prolongadas e desbridamento cirúrgico de áreas necróticas, o qual se faz imperativo principalmente quando há corpo estranho, pois a terapêutica medicamentosa exclusiva pode não apresentar resultados satisfatórios nestes casos. A recuperação da imunidade destes pacientes também é importante e faz parte do manejo clínico. A profilaxia pode ser indicada para pacientes imunossuprimidos ou com corpo estranho para evitar a recorrência / recidiva.

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Conclusão

É importante que o radiologista esteja familiarizado com os aspectos de imagem de infecções fúngicas para que as considere em seus diagnósticos diferenciais, sobretudo em pacientes imunocomprometidos, posto o aumento de morbimortalidade que este conjunto de patologias impõe e os achados de imagem que se sobrepõe a outras condições.

Referências Bibliográficas -

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PAGANO, Livio; CAIRA, Morena; CANDONI, Anna; et al. The epidemiology of fungal infections in patients with hematologic malignancies: The SEIFEM-2004 study. Haematologica, v. 91, n. 8, p. 1068–1075, 2006.

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EULATE, LA. Infections of the musculoskeletal system: Radiologic Findings. European Congress of Radiology. 2012; Poster Number: C-0460.

Autores Virginio Rubin Netto¹ Régis Otaviano França Bezerra¹ Fabiana Ottoni Batista² Rogério Nastri Filho² Flávia da Nóbrega Jannini² 1 Médico radiologista do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP). 2 Médico residente de Radiologia Oncológica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP).


DEZEMBRO 2020 / JANEIRO 2021 - ANO 19 - Nº 119

Reportagem

Por Angela Miguel (SP)

Siemens Healthineers mantém-se forte com soluções remotas e aplicações para Covid-19 Após um 2020 desafiador, empresa faz balanço positivo sobre seu papel na jornada do diagnóstico do novo coronavírus na população brasileira e celebra uso próspero de ferramentas e soluções digitais e remotas durante a pandemia. nância magnética em diversas localidades. e pode ser realizada em apenas 3 minutos”, róximo do fim, 2020 foi um resultados com a tecnologia Integri-sen“Colocamos essa solução para rodar pondera Paulo Pontes. ano atípico que colocou o se™, uma série abrangente de verificações no Hospital das Clínicas para cuidar da RM Atualmente, cerca de 200 mil pacientes setor de saúde no centro funcionais automatizadas e projetadas para 7 Tesla e dos tomógrafos, o que garantiu o por hora recebem algum tipo de tratamento de uma tempestade sem fornecer resultados de testes precisos no controle do contágio e um nível de proteção ou diagnóstico por meio dos equipamentos e precedentes. No momento POC, e está integrado com o ecossistema muito maior para toda a equipe hospitalar”, soluções da Siemens Healthineers, segundo em que o mundo enfrenta uma segunda de cuidados de saúde remotos da Siemens conta Lopes. “O que nos leva a uma outra dados da empresa, que acabam por impaconda da Covid-19, a Siemens Healthineers Healthineers. tar em mais de 70% das decisões médicas situação que também foi modificada. Quando no Brasil segue investindo esforços no auMétodos de imagem seguem críticas em todo o mundo. Como legado da instalamos um novo equipamento, o último xílio ao atendimento médico remoto e ao como diferenciais crise sanitária em que o planeta se encontra rito a ser feito é que um especialista Siemens desenvolvimento de tecnologias nas áreas Na luta contra a Covid-19, segundo Paue, especialmente, levando em conta o cenário programa todos os protocolos junto com de radiologia e análises laboratoriais para lo Pontes, diretor da área de ultrassonografia brasileiro, o diretor de ultrassom da compao cliente, o que toma alguns dias. Sempre que todos saiam, mais uma vez, mais fortes para a América Latina, a Siemens Healthinenhia acredita que o ultrassom prova, mais tivemos condições de realizar essa aplicação dessa batalha. Em paralelo, esse novo ciclo ers descobriu que, às vezes, é mais importante uma vez, ser uma solução indispensável chamada Smart Simulator remotamente, mas que termina, também foi símbolo da resiliolhar para dentro do que para fora - e assim, para qualquer centro ou clínica de saúde havia muita resistência. Com a pandemia, ência de toda a organização e de como o foco os métodos de imagem mostraram, mais no país. voltamos a oferecer a solução, dissolvendo no paciente é um dos grandes objetivos da uma vez, sua força na medicina. “Ainda “Como a ultrassonografia pulmonar os encontros em uma marca multinacional. que a tomografia seja considerada padrão requer um transdutor específico que as maior janela de temDe acordo com ouro para a identificação das características po, e foi uma alternamáquinas de entrada mais simples já posArmando Lopes, die detalhamento das lesões provocadas pela tiva bastante elogiada suem, acho que para além do diagnóstico retor geral da Siemens Covid-19 nos pulmões, a ultrassonografia pelos clientes”, emendo paciente com Covid-19, esse método de Healthineers no Brapulmonar tem exercido impacto fundamental da o diretor. imagem fica como padrão para muitos locais sil, a empresa tem orno monitoramento dos pacientes, especialDa mesma mae emergências mais afastados, pois é possível gulho de poder ajudar mente aqueles acamados. Por ser um equipaneira, a solução Smart realizar uma grande gama de exames com em quase todo a jormento móvel e portátil, você pode realizá-lo Collaboration posele e ajudar na identificação e tratamento de nada de diagnóstico à beira do leito, diminuindo o contato entre sibilita, por meio de uma série de enfermidades que acometem os do novo coronavírus, as pessoas e a transmissibilidade da doença, realidade aumentada, brasileiros”, finaliza Pontes. além de monitorasem falar na avaliação em tempo real do que atendimentos remento, garantindo Próximos passos médico”, aponta. motos sejam feitos, que os pacientes posComo a Covid-19 pode afetar não apenas como atualização de Para 2021, Armando Lopes ressalta sam ser atendidos na o pulmão, o ultrassom com doppler também software, engenharia que a Siemens Healthineers espera que hora certa. “Com a tem auxiliado na visualização de outros órclínica, compartilhaos ensinamentos da pandemia sejam pandemia, conseguigãos, sendo uma metodologia de imagem que mento de casos e viassimilados por toda a cadeia de saúde mos fornecer soluções não necessita de instalação física específica sualização e controle brasileira e que algumas das soluções repara diversos estágios para realização ou radiação ionizante. Em de ação do cliente no motas sejam mantidas, uma vez que elas da doença, seja com um país tão desigual como o Brasil, em que Armando Lopes, diretor geral da Siemens. equipamento em temse mostraram eficientes, interessantes em os testes de sorologia, as condições dos centros de saúde são muito po real, tudo direto termos financeiros e auxiliaram na producom os testes de PCR e díspares, as identificações feitas por meio do na base instalada dentro do cliente, sem a tividade das equipes. ferramentas de point of care, além de exames ultrassom significam grandes diferenciais necessidade da presença física. Já a ferramenta Ao mesmo tempo, a empresa prepara-se radiológicos e plataformas de monitoramento para o cuidado dos pacientes. Monitoramento Amigo permite que pacientes para um novo momento, a concretização da de quarentena para que os pacientes pudes“É claro que todo método de imagem sejam acompanhados via celular ou website aquisição da empresa de oncologia Varian. sem ser acompanhados à distância pelos tem seus prós e contras. Com o ultrassom, para os casos de suspeita de Covid-19, casos “Estamos aguardando a aprovação dos shaclínicos. Alguns dos serviços foram desenvolvocê tem o custo-benefício mais em conta, de confirmação de Covid-19, mas que não reholders para o primeiro semestre do ano vidos, outros foram expandidos, o que fica é porém, sua aplicação exige treinamento e necessitam de hospitalização, e casos de calendário de 2021, e essa aquisição será muiaprendizado é buscarmos entender, após uma conhecimento e imagem grande, além de alta hospitalar pós-Covid e que seguem em to importante para a experiência do paciente crise tão triste, quais transformações foram levar cerca de 10 a 15 minutos. Contudo, pode tratamento domiciliar. oncológico. A Varian é líder na radioterapia possíveis, quais modelos foram testados e ser feito com o paciente sedado, internado ou Em termos de point of care, a Siemens oncológica e usa inteligência artificial, machifuncionaram e o que poderemos manter como com ventilação mecânica, por exemplo. Já a trouxe ao Brasil o RAPIDPoint 500e, que ne learning e análise de dados para suportar legado positivo do momento remoto para o tomografia, embora seja um exame mais caro realiza análise rápida de gasometria em a decisão de tratamentos mais adequados aos pós-pandemia”, afirma. e que exige toda uma infraestrutura física e pacientes com dificuldades respiratórias. pacientes com câncer, então, estamos bem De fato, muitas das soluções e ferrade equipe, garante imagens mais específicas O equipamento aumenta a confiança nos otimistas”, conclui o diretor geral. mentas virtuais que a Siemens Healthineers colocou em funcionamento nos últimos meses já estavam no radar da companhia e foram aceleradas para proporcionar mais segurança para pacientes e profissionais da linha de frente dos serviços de saúde. Em Com os números de infectados pelo novo coronavírus voltando a subir nos estados brasileiros, a Siemens Healthineers lançou dois um cenário mais amplo, a aplicabilidade ensaios para testes sorológicos no país. O COV2T detecta anticorpos totais contra o SARS-CoV-2, incluindo IgM e IgG, pela metodologia de de muitas dessas soluções digitais auxiliou quimioluminescência com éster de acridina, e apresentou 99,8% de especificidade e 100% de sensibilidade, após 14 dias do PCR-RT positivo. que os clientes da companhia ganhassem Já o ensaio COV2G, primeiro teste sorológico para Covid-19 a obter autorização de uso emergencial pelo FDA, faz detecção semi-quantitativa escalabilidade. Com o Virtual Operations mensurando os níveis de anticorpos IgG e apresenta 100% de sensibilidade e 99,9% de especificidade. Os anticorpos IgG são aqueles que Center (VOC), por exemplo, um profissional persistem e são considerados a base para a resposta imune a longo prazo de uma pessoa que foi infectada pelo vírus. é capaz de controlar remotamente múltiplos equipamentos de tomografia e/ou resso-

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Testes para Covid-19

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Registro Da Redação

Pesquisa da Philips busca entender percepção de profissionais de saúde Realizada em 15 países, incluindo o Brasil a “Future Health Index 2020” mostrou seu relatório final, onde conclui que os jovens profissionais brasileiros acreditam que podem mudar as instituições de saúde, possivelmente a partir da adoção das tecnologias digitais. dedicação a seus pacientes, suas carreiras e são motivados s dados de seu relatório anual Future Health pelo desejo de ajudar os demais. Contudo, as burocracias do Index 2020 (FHI) - uma plataforma que ajuda dia a dia, que os afastam de suas funções principais e o pouco a determinar quão preparados estão os países investimento em novas tecnologias, são alguns dos fatores para enfrentar os desafios globais de saúde e apontados que poderiam aprimorar a cadeia de saúde como criar sistemas nacionais sustentáveis e adequados, foram divulgados recentemente. E, como enfatiza a um todo” explica Tetteroo-Bueno (foto). empresa, este é o primeiro ano em Por isso, a Philips vem investindo que o relatório esteve focado nas em soluções que serão capazes de percepções do grupo que vai compor transformar a prestação dos serviços, a maior parte da força de trabalho do melhorar o atendimento ao paciente, setor de saúde nos próximos 20 anos, proporcionar satisfação no trabalho os profissionais com menos de 40 e promover o atendimento baseado anos. Para isso, foram entrevistadas em valor. mais de 3 mil pessoas em 15 países, Conclusões, que incluindo o Brasil. No momento em que o mundo apontam caminhos vive esta grave crise do “CoronaLacunas de conhecimento, vírus”, o assunto ganha especial dados e competências projeção e mostra uma visão e uma perspectiva interessante em termos Mesmo tendo passado por anos de de futuro. O ID Interação Diagnóstiformação, em média seis anos, além de ca, atento a essa nova realidade que especializações e treinamentos, a própode advir da pandemia, utiliza o xima geração de profissionais de saúde material distribuído pela Philips. no Brasil apontou algumas lacunas “A transformação que buscano que diz respeito a competências, mos, que vai além das novas tecnoconhecimentos e dados não clínicos. logias, está de certa forma atrelada à Em particular, as principais comessa próxima geração de profissionais petências não clínicas apontadas por Fábia Tetteroo-Bueno, CEO LatAm da Philips de saúde que procuram por inovação esses jovens profissionais de saúde e novos conceitos no mercado. Mas são as tarefas administrativas (50%) para que essa mudança realmente aconteça, é preciso come gerenciamento do estresse / pressão inerentes ao dia a dia preendê-los e entender suas necessidades, a fim de mitigar os (34%). “S. gaps que existem e gerar bons resultados no futuro do setor de Outros dois pontos também mencionados são as lacunas saúde”, afirma Fábia Tetteroo-Bueno, CEO LatAm da Philips. de conhecimento e de dados. A maioria dos profissionais de Este ano, a pesquisa investigou três frentes: as lacunas no saúde brasileiros tem pouco ou nenhum conhecimento sobre treinamento e educação em saúde; a tecnologia para ajudar a atendimento baseado em valor (72%), conceito relacionado transformar o setor e a criação de um ambiente ideal de trabaao reembolso com base no tratamento do paciente e não no lho em saúde. “Os jovens profissionais brasileiros demonstram volume de exames ou procedimentos executados. 84% dos

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profissionais brasileiros afirmam que as instituições de saúde onde trabalham utilizam medidas baseadas em volume. Um ponto positivo do documento, para o nosso País, é que “ entre os 15 países pesquisados, os jovens profissionais brasileiros estão entre os mais propensos a utilizarem os dados digitais dos pacientes, de maneira correta, para influenciar os resultados de diagnóstico, tratamento e atendimento (40%).“ A tecnologia para ajudar a transformar a saúde Quando se trata de conectividade, os profissionais de saúde mais jovens entendem que essas tecnologias melhoram sua própria experiência de trabalho e de seus pacientes. 87% acreditam que essas soluções são ferramentas importantes para obter melhores resultados para os pacientes e 79% afirmam que o uso das tecnologias digitais pode reduzir os níveis de estresse, além de permitir que eles dediquem mais tempo aos seus pacientes (71%). Criar um ambiente de trabalho ideal A pesquisa também aponta que a proporção de médicos/ pacientes no Brasil é baixa, colocando-os como os profissionais mais ocupados em todos os países pesquisados, com um média de 2,1 médicos por cada 1.000 pessoas, segundo dados levantados pela KPMG em 2017. “Esses profissionais sofrem um alto nível de estresse, porém, consideram as tecnologias digitais como uma solução para aliviar esse problema - 79% esperam que a adoção destas soluções reduza o stress relacionado ao trabalho” comenta a executiva. No entanto, apesar dessas adversidades, mais da metade dos jovens profissionais de saúde brasileiros (60%) se sentem capazes de promover mudanças na forma como as instituições de saúde são administradas. Com esses dados, é possível perceber uma clara demanda por um ambiente de trabalho saudável, que promova a colaboração e ofereça agilidade a esses jovens médicos, já que o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal (89%) e a cultura (89%) são os principais fatores levados em conta ao escolher onde trabalhar, conclui Fabia.


Entrevista Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

Bracco inova em tempos de pandemia Mesmo diante dos desafios trazidos em 2020, a Bracco continua a desenvolver grandes projetos e mantém seu foco no Brasil. gerente de marketing estratégico, Luciana Medeiros, conta ao jornal ID Interação Diagnóstica, como a empresa, além de trazer novos produtos, também acelerou suas iniciativas de inovação e focou em como prestar um serviço de excelência e manter seus clientes engajados, mesmo à distância. ID – Como a Bracco enfrentou o período mais crítico da pandemia e se reinventou para dar continuidade as suas atividades? Luciana Medeiros – A quarentena e o distanciamento social acabaram sendo propulsores para implementação de novos projetos na Bracco do Brasil, que aceleraram a nossa transformação digital e incluíram novos treinamentos internos com o objetivo de preparar e qualificar nosso time para o atendimento remoto aos nossos clientes. O carro chefe dessa transformação é o Conexão Bracco, uma plataforma única de engajamento dos nossos clientes, com conteúdos técnicos e educacionais em diagnóstico por imagem, além de cursos com certificação digital de participação. Através do Conexão

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Bracco, conseguimos dar um passo à frente na transformação digital da empresa, fornecendo acesso à conteúdos de alta qualidade que vão desde boas práticas até eficiência operacional. Também criamos um Centro de Demonstração com nossas injetoras e soluções para possibilitar a realização de treinamentos remotos, dando todo suporte necessário para nossos clientes mesmo à distância. Essa iniciativa permitiu não só que todos os nossos clientes fossem atendidos de forma rápida e eficiente durante a fase mais crítica da pandemia, mas também se provou uma alternativa de atendimento que está sendo muito bem recebida por nossos clientes. ID – Mesmo com o distanciamento social, entre outras dificuldades geradas pela pandemia, a empresa não abriu mão do lançamento de novos produtos. Como foi essa experiência? Luciana Medeiros – Muito satisfatória, pois superar esses desafios com soluções inovadoras, permitiu que a nossa agenda de novos produtos fosse cumprida. Assim, para marcar uma nova era na Ressonância Magnética, a Bracco lançou no Brasil o MultiHance,

o diagnóstico com a fase hepatobiliar. no formato remoto e digital, através dos quais MultiHance, é uma inovação para o buscamos transmitir todas as vantagens e segmento dos exames benefícios do produto, de alta complexidade, de forma segura. ajudando radiologistas O MultiHance chega ao mercado brasileiro e centros de diagnóstico sendo o produto de mais oncológicos no cuidado alta relaxatividade comdo diagnóstico com seus parado a todos os meios pacientes. de contraste extraceluOs desafios tralares à base de gadozidos pela pandemia línio disponíveis, com não nos impediram de excelência diagnóstica comemorar. Em 2020, comprovada por divera Bracco completou 10 sos estudos publicados anos de operação direta e a experiência de uso na no Brasil e para marcar Europa e Estados Uniessa data importante, dos ao longo de quase desenvolvemos uma duas décadas. Ele é um campanha digital com meio de contraste que conteúdos culturais de possui características e altíssimo nível, desenLuciana Medeiros, gerente de marketing volvidos pelo nosso benefícios únicos, como braço institucional, a Fondazione Bracco. a mais alta relaxatividade, que possibilita aumentar a acurácia diagnóstica nos exames de Foram quatro semanas de campanha em alta complexidade como exames oncológicos que nossos clientes puderam desfrutar com e as RMs de fígado. Neste último, a vantagem exclusividade de óperas, concertos e exposições de arte. é uma fase arterial mais efetiva, completando

Konimagem e Ziehm Imaging: parceria em arcos cirúrgicos “A Ziehm Imaging Brasil, tinha uma grande necessidade em dar mais qualidade nos seus processos comerciais e em seus serviços de pós-venda, por outo lado, a Konimagem tinha o desejo de contar com a mais renomada fabricante de Arcos Cirúrgicos do mundo em seu portfólio. Com esse cenário, desde Julho de 2020, celebrou-se esta importante parceria entre Konimagem e Ziehm para o Estado de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. ediada em Nuremberg, Alemanha, com uma história de mais de 45 anos, a Ziehm Imaging é focada na produção e aperfeiçoamento tecnológico de Arcos Cirúrgicos. Hoje, a empresa se consolidou com uma importante liderança no setor, e possui atualmente 65% do Market Share do continente europeu. Com mais de 200 equipamentos instalados nos principais centros de referência, a empresa está presente no Brasil desde 2009, com grande expertise em qualidade de imagem e fluxo clínico otimizado, além da liderança em tecnologia e inovação.

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Jefferson Neves, gerente de contas

“A Ziehm criou o primeiro Arco com gerador monobloco de alta frequência em 1983 e o primeiro Flat-Panel com tecnologia CMOS em Arcos Cirúrgicos no ano de 2016, além de outras grandes inovações ao longo de sua trajetória”, esclarece Jefferson Neves, gerente de Grandes Contas- Centro Cirúrgico, responsável pela área dentro da Konimagem. E, hoje, além de um portfólio amplo e arrojado em arcos cirúrgicos, também conta com a linha OrthoScan de Mini Arcos Cirúrgicos, com soluções inovadoras de imagens ortopédicas de extremidade”. Formalizada essa parceria, prossegue Jefferson Neves, e com o status de Representante e Distri-

buidora Oficial da Ziehm Imaging nos estados de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a Konimagem, em poucos meses de atuação, já acumula grandes projetos em renomadas instituições hospitalares, e muito desse sucesso se deve à sua expertise no setor de diagnóstico por imagem, por sua ampla atuação comercial e sua grande excelência no pós venda.” “A Konimagem – visando atender com agilidade todo este mercado -- criou uma unidade de negócios exclusiva para as linhas de Arcos Cirúrgicos, onde conta com profissionais especializados em Importações e Logística, Demonstrações e Laboratórios,

Comercial, Marketing, Assistência Técnica e Treinamento”, enfatiza o executivo. Destaca-se nos Arcos Cirúrgicos os seguintes diferenciais: Object Detected Dose Control – ODDC: que detecta objetos, movimentos e reduz automaticamente as doses de Raios-X; Active Cooling: permite o uso prolongado de fluoroscopia em procedimento complexos e mantém o gerador na temperatura ideal garantindo a ininterrupção do uso durante procedimentos longos e a Smart Vascular: Programa DAS dedicado para tronco e extremidades, DAS/ RSA executados pelo simples uso do pedal, Roadmapping (RSA) utilizado através de apenas uma imagem DAS e etc.

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Entrevista Por Luiz Carlos de Almeida (SP) Colaborou Daniela Bottino

Desafios reforçam atuação da GE em meio a crise “A pandemia nos obrigou a trabalhar de uma maneira diferente e mostrou que a telemedicina não será algo passageiro. Com ela, teremos possivelmente novos sensores sendo desenvolvidos em breve para que os médicos façam mais pelos pacientes sem que eles precisem realizar qualquer deslocamento. Algumas soluções vestíveis como relógios, pulseiras e peitorais já salvam vidas nos dias hoje e, a capacidade de monitoramento deve aumentar exponencialmente nos próximos anos.” ara Rafael Palombini, presidente e CEO da GE Healthcare para América Latina, desde março de 2020, e com uma história de 10 anos na empresa, isso resume uma visão atual das tendências para o mundo, pós-pandemia e analisa todo o trabalho desenvolvido pela empresa neste período. Falando ao ID Interação Diagnóstica, o executivo mostra aspectos que foram atacados e que o grande público desconhece. ID - Interação Diagnóstica – Quais os primeiros desafios em assumir no meio da crise? Rafael Palombini – Esta pandemia sem precedentes em nossa história recente trouxe uma série de aprendizados. Começando pelo duro ensinamento para todos nós de que por mais que você se prepara, não é possível controlar tudo. O início da pandemia, justamente nos meus primeiros momentos na nova posição, foi o período de maior ansiedade e tensão global. Minha maior preocupação foi mostrar como nós enquanto empresa seguiríamos fazendo o que nossos clientes esperam de nós, justamente quando mais necessitam, sem que isso acarretasse qualquer prejuízo a saúde das nossas equipes. Realizamos chamadas diárias entre a equipe médica e os funcionários para prover a informação mais atualizada a cada instante e ajudar a tranquilizar a todos. Rapidamente conseguimos contornar a tensão inicial e continuar a fazer nossas entregas, instalações e reparos, possibilitando aos nossos clientes salvar inúmeras vidas. ID – A GE é uma das mais importantes fabricantes de equipamentos médicos do mundo. Houve um real aumento de demanda no Brasil, principalmente por respiradores e como enfrentaram esse aumento de demanda? Rafael Palombini – Somos uma das maiores fabricantes de equipamentos médicos do mundo e a detentora da maior base instalada. Não houve aumento de demanda por equipamentos de uma maneira geral, houve sim uma explosão na demanda por ventiladores mecânicos e monitores. Em um segundo momento, após a validação das agências reguladoras, as máquinas de anestesia puderam ser utilizar como ventiladores e registramos aumento significativo de demanda. O nosso sistema de produção é global, então foram feitas uma série de ações para garantir atendimento a todas as regiões, priorizando os equipamentos para COVID. Após um curto período ajustando toda a cadeia no mundo, conseguimos suprir a demanda. Todas as fábricas da GE, em qualquer do lugar, receberam os mais rigorosos protocolos de segurança e higiene para continuar operando, uma vez que o tipo do nosso trabalho é vital. Neste sentido, a pandemia não nos impactou. ID – Como vocês lidaram com todas as questões de segurança? Houve tempo para cursos, treinamentos? Qual foi seu papel nesse momento? Rafael Palombini – A Saúde e a Segurança de nossos funcionários e de suas famílias é e sempre será uma prioridade. Toda a liderança esteve muito próxima do nosso time de campo, foi estabelecido um Comitê de Saúde e Segurança para estruturar ações que permitissem o trabalho sem interrupções, garantir que tivéssemos os EPIs necessários e realizar treinamentos para disseminar os procedimentos corretos para evitar a contaminação. Enquanto líder, meu papel foi ter certeza de que estávamos fazendo tudo ao nosso alcance para que cada funcionário pudesse realizar seu trabalho sem nenhum impacto negativo em sua saúde. Criamos uma newsletter interna para contar a toda organização na América Latina como o trabalho de nossas heroínas e heróis estava fazendo a diferença na luta contra o COVID e diariamente contávamos estas histórias de superação. Pouco tempo depois de iniciarmos, estes conteúdos acabaram se tornando algo motivador para nossos times, reforçando nosso propósito enquanto empresa. ID – Quais as principais mudanças a área de saúde que você acha que vieram para ficar? A telemedicina é uma delas? Rafael Palombini – Apesar da pandemia, o desafio para a Saúde não mudou. Acredito que continua sendo a busca por mais produtividade para todos os atores da cadeia no País, visando

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EXPEDIENTE

à radiação, redução de volume de contraste injetado no paciente assegurar o crescimento e sustentabilidade do setor. Essa é uma e redução de anestesia utilizada no procedimento. Além disso, a necessidade urgente para possibilitar a melhora da qualidade experiência do paciente também melhora no pós-operatório, uma de vida de uma maneira geral. Neste sentido, a tecnologia desempenha papel fundamental e caminhando em linha com as vez que o tempo de recuperação é muito menor. Foi desenvolvido necessidades do mercado e pacientes. no Brasil e está ajudando médicos no mundo todo a realizarem A pandemia nos obrigou a trabalhar de uma maneira difeo procedimento. rente e mostrou que a telemedicina não será algo passageiro. Com Também temos um software que avisa médicos em tempo ela, teremos possivelmente novos sensores sendo desenvolvidos real se o posicionamento da paciente durante a realização de uma para que os médicos façam mais pelos pacientes sem que eles premamografia está correto, se valendo de um complexo algoritmo cisem realizar qualquer deslocamento. Algumas soluções como em nuvem, evitando a necessidade de convocar a paciente para relógios, pulseiras e peitorais já salvam vidas nos dias hoje e a refazer o exame e eliminando os falsos positivos e negativos. Acredito que cada vez mais teremos soluções como essas incorporadas capacidade de monitoramento deve aumentar exponencialmente de maneira nativa nos equipamentos, nos próximos anos. trazendo um diagnóstico e tratamento ID – Quais foram as principais mais precisos para os pacientes. inovações e as tecnologias que a pandemia acabou trazendo para o setor ID – Você acredita que essas inovações vieram mesmo para ficar? Acha de saúde? que a pandemia criou um caminho sem Rafael Palombini – Essa ambição volta para a medicina, com inovações constante é ser uma empresa parceira e mudanças definitivas? do progresso em clínicas, hospitais e Rafael Palombini – Não sou o único instituições de saúde em toda a América Latina, utilizando toda a expertise que deve falar isso, mas nada será mais combinada com todas as possibilidades como antes. Em nosso caso, havíamos tecnológicas. O COVID-19 trouxe a necestomado a decisão de ampliar nossas casidade imediata por novos espaços para pacidades para atendimento digital dos o tratamento de pacientes. Construir, reclientes há alguns anos e isso se mostrou formar ou adaptar espaços é uma grande fundamental para conseguirmos realizar dificuldade diante das impossibilidades tudo que queríamos durante a pandemia. impostas pela quarentena. Contamos com uma ferramenta chamada Rafael Palombini, presidente e CEO da GE Foi aí que trouxemos uma solução Service Center, onde já conectamos 80% Healthcare para América Latina pioneira para o mercado brasileiro, cusda nossa base instalada de 189 mil equitomizando um contêiner para operar com um tomógrafo e sala pamentos na América Latina. Este ano, devemos superar pela de laudo. Já existiam soluções semelhantes montadas em um primeira vez a marca de 100 mil casos fechados via Service Center, caminhão, porém o custo do total inviabiliza a adoção rápida sendo que em 30% dos casos já resolvemos o problema do cliente neste momento, justamente pelas pressões e incertezas finande maneira 100% remota. ceiras relacionadas ao COVID-19. Ao surgirmos com o CT in a Digitalização e inteligência artificial são irreversíveis que Box, como chamamos a solução, trouxemos uma possibilidade estão transformando a maneira como o setor da Saúde funciona. economicamente viável de alto valor tecnológico. Acreditamos O desafio da GE Healthcare é utilizar todo o poder destas tendências com o objetivo claro de melhorar tudo que fazemos para que este tenha sido o segredo por trás da rápida adoção, que foi os nossos clientes. incorporada nos Hospitais de Campanha. ID – E qual o futuro que você enxerga para o setor de A solução demanda apenas espaço para acomodar o contêiner, uma vez que conseguimos incluir em seu interior a sala saúde? Mais humanização, mais robotização, mais on-line e de exame e a sala de apoio para a realização do exame, onde um menos presencial? profissional acompanha tudo. O laudo pode ser feito no local ou Rafael Palombini – Vou parecer um pouco repetitivo, mas de maneira remota, pois o tomógrafo dispõe desta funcionalidaacredito que o futuro da Saúde passa pela busca por mais prode. A qualidade da imagem obtida a partir do exame com nosso dutividade para todos os atores da cadeia no País, ao mesmo tomógrafo Revolution ACT ajuda de forma decisiva a eliminar tempo em que seja assegurado o crescimento e sustentabilidade dúvidas quanto ao diagnóstico dos pacientes. Ao acoplarmos essa do setor. Essa necessidade é urgente para possibilitar a melhora máquina em um contêiner em um momento onde é fundamental da qualidade de vida, tratamentos precisos sem demandar exames desnecessários, redução no ciclo do paciente e avanços de evitar contato, incorporamos um sistema que auxilia na descontaminação do espaço, a partir de tecnologia de radiação ultravioleta, uma maneira geral. Neste sentido, o modelo de sucesso não está garantido que o equipamento não fique parado. definido e certamente contemplará a combinação de humanização, robotização, digital, inteligência artificial, parcerias e muita Além disso, concordo contigo em relação ao avanço da Inteligência Artificial na Saúde. Estamos conversando em novembro, vontade de prosperar. Além disso, a tecnologia dos equipamentos mês onde buscamos conscientizar à sociedade, especialmente médicos desempenha papel fundamental e caminha em linha com os homens, a respeito de doenças masculinas, com ênfase na as necessidades do mercado e dos pacientes. prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de próstata. Os ID – Quais são as apostas da GE para os próximos anos? procedimentos realizados em regiões como a próstata apresentam Rafael Palombini – O futuro da GE Healthcare é fantástico, um grau de dificuldade alto, por serem muito vascularizados. trabalhando em parceria e trazendo dessa forma mais sustentabilidade ao setor de saúde. Sempre com o ultimate focus no paciente Esse é o principal fator que torna a embolização um procedimento e continuamente apoiando nossos clientes em toda sua jornada. A desafiador para os médicos. GE Healthcare participará cada vez mais ativamente na conjunção A partir da parceria com o Dr. Francisco Carnevale (profissional brasileiro criador do método PAE), desenvolvemos o Embo de uma missão do sucesso do setor de saúde de uma forma mais ASSIST. Trata-se de um software que cria uma visualização 3D humanizada “ombro a ombro” e ao mesmo tempo maximizando dos vasos permitindo em tempo real que o médico navegue até todo o impacto das conquistas com digital e analytics. O foco é e o vaso correto, possibilitando a realização da embolização de será na melhoria da saúde das pessoas nos momentos que mais forma mais segura e eficiente ao paciente. Esta solução traz signiimportam através de uma medicina de precisão cada vez mais ficativa redução de tempo de procedimento, tempo de exposição preditiva e eficaz.

Interação Diagnóstica é uma pu­bli­ca­ção de circulação nacional des­ti­na­da a médicos e demais profissio­nais que atu­am na área do diag­nóstico por imagem, espe­cialistas corre­lacionados, nas áreas de or­to­pe­dia, uro­logia, mastologia, gineco-obstetrícia.

Fundado em Abril de 2001 Conselho Editorial Sidney de Souza Almeida (In Memorian), Alice Brandão, André Scatigno Neto, Augusto Antunes, Bruno Aragão Rocha, Carlos A. Buchpiguel, Carlos Eduardo Rochite, Dolores Bustelo, Hilton Augusto Koch, Lara Alexandre Brandão, Marcio Taveira Garcia, Maria Cristina Chammas, Nelson Fortes Ferreira, Nelson M. G. Caserta, Regis França Bezerra, Rubens Schwartz, Omar Gemha Taha, Selma de Pace Bauab e Wilson Mathias Jr. Consultores informais para assuntos médicos. Sem responsabilidade editorial, trabalhista ou comercial.

Jornalista responsável Luiz Carlos de Almeida - Mtb 9313 Redação Lizandra M. Almeida (SP), Claudia Casanova (SP), Valeria Souza (SP) e Angela Miguel (SP) Tradução: Fernando Effori de Mello Arte: Marca D’Água Fotos: André Santos e Evelyn Pereira Imagens da capa: Getty Images

Administração/Comercial: Ivonete Braga Impressão: Formato Editorial Periodicidade: Bimestral Tiragem: 12 mil exemplares impressos e 35 mil via e-mail Edição: ID Editorial Ltda. Av. Brigadeiro Luiz Antonio, 2050 - cj.108A São Paulo - 01318-002 - tel.: (11) 3285-1444 Registrado no INPI - Instituto Nacional da Pro­prie­dade Industrial.

O Jornal ID - Interação Diagnóstica - não se responsabiliza pelo conteúdo das men­sagens publicitárias e os ar­tigos assinados são de inteira respon­sa­bi­lidade de seus respectivos autores. E-mail: id@interacaodiagnostica.com.br

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Entrevista Por Angela Miguel (SP)

Recife dá primeiro passo para a nova era do intervencionismo Com liderança do Dr. Carlos Abath, Real Hospital Português de Beneficência, adquire equipamento que possibilita procedimentos endovasculares e percutâneos em sala híbrida. É o primeiro da América do Sul e inicia uma nova fase, colocando a instituição na linha de frente da Radiologia Intervencionista. ssa nova fase chega ao Hospital Português do equipe realize os procedimentos juntos, possa intercambiar as Recife, como é conhecido, graças ao Alphenix imagens e tenha uma noção mais ampla do paciente, além de 4DCT, equipamento produzido pela Canon Meser mais segura para todos. Temos, então, um único local com dical Systems, e que, inaugura um novo conceito todo um time preparado para todas as etapas dos procedimentos”, afirma. de sala híbrida ao possibilitar em um mesmo O conceito de sala híbrida do equipamento permite o traambiente intervenções endovasculares e percutâneas, agilizando tamento de patologias complexas sem a intervenção cirúrgica procedimentos com maior segurança para o paciente. como embolizações endovasculares, quimioembolizações, ablaCaracterizada por procedimentos minimamente invasivos ções por microondas, crioblações, e eletroporações irreversíveis, orientados por métodos de imagem e realizados com agulhas terapia de radiação seletiva interna, vertebroplastia, biópsias, e cateteres, a radiologia intervencionista no Brasil está prestes, e intervenções percutâneas com o uso dessa tecnologia, músculo-esqueléticas. Isso a entrar em uma nova era, resulta num menor tempo de como enfatiza o Dr. Carlos internação para o paciente, Abath, sócio-fundador e reduzindo assim os riscos de diretor da Angiorad, expresidente da Sociedade complicações pós-cirúrgico. Brasileira de Radiologia Segundo Carlos Abath, Intervencionista e Cirurgia o Alphenix 4DCT já está Endovascular (Sobrice) e instalado no Real Hospital chefe médico do serviço de Português de Beneficência, Radiologia Intervencionisonde conta com 11 staffs, oito ta da instituição. residentes e a equipe atende De acordo com o Dr. todo tipo de procedimentos Carlos Abath, em entreem radiologia intervenciovista para o ID – Interação nista: “já realizamos alguns Diagnóstica, antes da cheprocedimentos, mas ainda gada deste aparelho, o priestamos estabelecendo proCom a chegada da nova tecnologia, o Alphenix 4DCT, a equipe do dr. Carlos Abath, meiro da América do Sul, tocolos, fluxos e indicações da Angiorad no Hospital Português, do Recife, reforça seu pioneirismo no Brasil. a equipe intervencionista ideais, afinal essa é a primeira máquina em nosso país e é a primeira vez que temos essas duas dividia-se entre a sala de hemodinâmica e o departamento de tecnologias avançadas acopladas em um mesmo ambiente físico, radiologia diagnóstica para utilizar a angiografia e a tomografia portanto, acredito que vamos iniciar uma nova era na radiologia computadorizada – situação que exigia questões de agendamento, produtividade e até mesmo risco para o paciente, uma vez intervencionista”. que, no caso de alguma ruptura de vaso na sala de diagnóstico, Formação e nova geração o traslado até o centro de hemodinâmica podia levar até 45 minutos, segundo estudos recentes.. Mentor de grande parte dos intervencionistas do Brasil, Dr. “É preciso lidar com perda de tempo, perda de recurso, o Abath conta que é possível notar diferenças não só no ensino da paciente passava por duas cirurgias, duas anestesias, era muito especialidade em si, mas também na maneira com que a nova mais complexo. Agora, essa máquina foi destinada à intervenção geração encara a medicina e a absorção de conhecimento. Para ele, e consegue alternar angiografia e tomografia, permitindo que a o profissional atual tem acesso a um número maior de técnicas e

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a um campo mais amplo para escolha de carreira, fazendo com que seja um profissional mais versátil. Por outro lado, o estudante possui ao alcance do toque do celular uma lista enorme de fontes de conhecimento, o que pode desnorteá-los e levá-los a um conhecimento mais superficial e rápido. “No passado, era preciso respeitar todo um processo para chegar aos artigos, solicitar para bibliotecas centrais, aguardar a chegada, havia uma relação diferente com o conhecimento. Mas não acho que há espaço para o saudosismo, é uma questão de adaptação e evolução da sociedade. Outro ponto é que nós fomos pioneiros e precisávamos, durante muito tempo, provar o valor da especialidade, demonstrando pouquíssimas falhas e extrema precisão. Hoje, acho que o nível de cobrança relaxou, se traduzindo numa atitude mais tolerante com as falhas e os maus resultados, um patamar um pouco aquém do desejável”, opina Abath.

Futuro ligado à inovação

Por ser uma especialidade que torna visível o que é invisível, conforme Dr. Abath, a radiologia intervencionista está profundamente relacionada à tecnologia e a inovações, e depende da evolução para seguir como modalidade imprescindível na medicina. Para ele, está em curso uma segunda era da radiologia intervencionista, caracterizada pela multiplicidade de exames de imagem com o objetivo de aprimorar o tratamento de casos médicos - portanto, visando sempre o bem-estar e a saúde do paciente. Nesse sentido, a inteligência artificial exerce papel de grande repercussão, seja como ferramenta para seleção e análise de exames, seja para a melhoria da prática. “Temos cirurgias intervencionistas sendo gravadas, e a IA pode nos ensinar em que momento erramos ou podemos fazer diferente da próxima vez, de forma a melhorar o processo ou a recuperação do paciente. Outra aplicação é a cirurgia robótica, em que você faz procedimentos a distância e evita a exposição do médico à radiação. Mas ainda é preciso separar o que é realidade da ficção”, avalia. Contudo, Dr. Carlos Abath não vê com tanto entusiasmo a introdução da IA na sociedade do ponto de vista filosófico, pois, uma vez que é feita por meio de alimentação de dados, o aprendizado da máquina pode virar m dogma e difícil de ser contestado.

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Entrevista Por Valeria de Souza (SP)

SOBRICE elege diretoria para 2021-2022

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Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (SOBRICE), elegeu por aclamação a nova diretoria que cuidará dos interesses dos associados no biênio 2021-2022. A eleição aconteceu durante o 23° Congresso da entidade, realizado de 29 a 31 de outubro de 2020, em formato virtual, por motivo da pandemia do novo coronavirus. Empossada neste mês de dezembro, a nova diretoria já realizou prova para concessão de título de especialista, e já definiu a realização do próximo Congresso da SOBRICE que será em formato hibrido. A partir de 2021, a diretoria da SOBRICE terá uma nova configuração, presidida pelo dr Joaquim Mauricio da Motta Leal Filho, que sucede ao dr. Marcos Roberto de Menezes, do InRad HCFMUSP, cuja gestão merece um registro especial, pela realização de diversas ações sociais de benemerência. Com cinco diretorias de especialidades,

perfazendo um total de 13 membros em sua composição, a nova diretoria faz parte de todo um trabalho de valorização da especialidade, ao longo dos últimos anos. As mudanças introduzidas constituem mais um passo nessa evolução. A respeito dessa mudança, o presidente eleito, Joaquim Maurício da Motta Leal Filho, fala que “nos últimos anos a diretoria da SOBRICE tem trabalhado sobrecarregada com o aumento de demandas por parte dos associados e da sociedade civil. Espera-se, desta forma, que esta sociedade atenda as demandas crescentes dos associados e da sociedade com maior eficiência e em menor espaço de tempo”, complementando que a “especialidade Radiologia Intervencionista vem crescendo e ganhando importância ano após ano. A medicina intervencionista, com procedimentos minimamente invasivos seguros e cada vez mais eficazes, é o futuro próximo da medicina”, enfatiza. De acordo com o presidente eleito os desa-

fios para o biênio 2021-22 serão enormes, sobretudo porque ainda estamos vivendo tempos de pandemia com todas as incertezas que por si só ela nos traz. “Desejamos retornar a fazer o nosso congresso anual de forma presencial, pois esse evento sempre foi uma referência para o encontro de amigos intervencionistas com entusiasmadas discussões de casos”, destaca. O congresso, já com data reservada, será realizado de 14 a 16 de outubro de 2021, em São Paulo (save the date). “Também, concentraremos esforços nas codificações de novos procedimentos de Radiologia Intervencionista, na área de inovação e manteremos as nossas campanhas solidárias”, confirma Joaquim Maurício Filho. Segundo a diretoria essa nova realidade pandêmica os obrigou a procurar novos meios para divulgação e difusão de conhecimento. Assim, a SOBRICE criou os Webinares Solidários, que proporcionaram, ao mesmo tempo, promoção e difusão de conhecimento e arrecadação de cestas básicas para atender a população atingida direta

Edison de Barros e Silva

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Radiologia brasileira perdeu mais um grande médico: o dr. Edison de Barros e Silva, de Pernambuco, com uma história de trabalho e grande contribuição à especialidade, não só na vida associativa, como na formação e especialização de profissionais. Pediatra de formação, e ao fazer sua pós graduação em São Paulo, na Faculdade de Medicina da USP, se sentiu atraído pela “Radiologia”, influenciado pelo dr. Fernando Chammas, no então Serviço de Radiologia do Hospital das Clinicas, dirigido pelo prof. Paulo de Almeida Toledo. “Tirar tantas informações de um simples exame para mim se tratava de mágica”, dizia o professor Edison, em texto preparado por ele, para contar sua própria história. Ao longo dessa trajetória de encantamento, tornou-se médico assistente efetivo do Departamento de Radiologia da FMUSP, como enfatiza, e pode conviver com vários profes-

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sores membros da instituição, como Alvaro Eduardo de Almeida Magalhães,. José Apparício de Melo, Murilo Leite Chaves, Walter Bonfim Pontes, Mário D’Avila, Affonso Vitule Filho, José Carlos Lins, Cláudia Bender Lamego, Antonio Cavalcanti, Paulo Wierman, Giovanni Guido Cerri, Manoel Rocha, que sedimentaram as bases daquele serviço. Edison de Barros e Silva cumpriu seu período em São Paulo e voltou para sua terra, onde teve intensa atuação na Sociedade de Radiologia de Pernambuco, passando or vários cargos e elegendo-se presidente, momento em que pude conhecê-lo e estritar nossos laços de amizade, pelo meu trabalho no Colégio Brasileiro de Radiologia. Ao lado de grandes nomes da especialidade no Estado, como Boris Berenstein, Norma Maranhão, Luiz Carlos Ferrer, Paulo Borba e Adonis Manzella, deu importante contribuição na valorização cientifica da entidade e na formação de novas gerações. Gratidão, serenidade e um sorriso largo eram algumas das características marcantes de Dr. Edison Barros e Silva. Permaneceu em São Paulo por 10 anos trabalhando na Benefi-

ou indiretamente pela pandemia. “Pretendemos manter e aperfeiçoar este programa, e aproveitamos para desejar a todos um excelente final de ano, e que o biênio 2021-2022 seja do Radiologista Intervencionista!”, diz o novo presidente.

Homenagem Póstuma Por Luiz Carlos de Almeida (SP) cência Portuguesa, Hospital Infantil Darcy Vargas, Hospital Infantil Cândido Fontoura. Retornou a Recife para seguir sua trajetória no Hospital Agamenon Magalhães, Hospital da Restauração, Hospital das Clínicas da UFPE e algumas clínicas privadas. Nos últimos anos foi médico e preceptor da residência de radiologista do IMIP. Fez mestrado na Universidade Federal de Pernambuco e foi presidente da Sociedade de Radiologia de Pernambuco (1999-2001) da qual participou como membro da diretoria durante muitos anos exercendo diversos cargos. Contribuiu para a formação de várias gerações de radiologistas de Pernambuco como preceptor no HC-UFPE, HR e por último no IMIP. Participou do Curso de Educação Continuada da SRPE por muitos anos até 2019. Era um homem apaixonado pela radiologia, pela música, pela família e os amigos. Era querido pelos colegas de profissão e admirado por todos os residentes e por aqueles que tiveram o privilegio de conhece-lo. Sua trajetória marcou a formação de grande parte dos radiologistas de Pernambuco. A Sociedade de Radiologia de Pernambuco distribuiu nota pelo falecimento, o ID Interação Diagnóstica se solidariza com os amigos e familiares.


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