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DEZEMBRO 2018 / JANEIRO 2019 - ANO 17 - Nº 107

Conquistas e avanços da Radiologia, centrados no paciente “

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amos abraçar a IA, em vez de temê-la. Precisamos nos comprometer novamente com o modelo de radiologia centrado no paciente. Precisamos desenvolver os padrões éticos e médico legais necessários para proteger os dados, assim como os algoritmos de machine learning”. A mensagem, em nossa ultima edição de 2018 e a primeira de 2019 é da dra.Vijay M. Rao, presidente da RSNA, em sua palestra de abertura, do evento, em Chicago. O seu pensamento sintetiza parcela do nosso conteúdo, da mobilização que se desenvolve em quase todos os Países e, principalmente, nas empresas da área

Dra. Vijay M. Rao, da RSNA

da imagem, em torno do tema. Os temores, a medida que o conhecimento se aprofunda, estão se desfazendo e o domínio dos seus benefícios,

Com intensa atuação em Recife, onde trabalha na Universidade de Pernambuco, o dr. Pedro Pires está a frente de projetos de grande repercussão, pelo seu papel social. No episódio do surto de Zika Virus e Chikunkunha, liderou trabalhos juntamente com pesquisadores do Estado e deu importante contribuição na área da imagem. Nesta edição nos brinda com entrevista, sobre trabalho de pesquisa, onde Dr. Pedro Pires, Recife apresenta uma nova proposta de “Pirâmide de Prioridades” a partir da realidade brasileira, para o Ultrassom no primeiro trimeste. Confira na pag. 10.

Instituições focadas na qualidade Caderno Application, que reúne no centro do ID, artigos e relatos de casos é resultado de um intenso trabalho junto a instituições publicas e privadas, que além de sua rotina de atendimento, abrem espaço para formação de novos médicos, com serviços de residência médica de qualidade. A cada edição publicamos artigos dessas instituições parceiras, alternando os temas, por ordem de chegada. É gratificante constatar que, pouco a pouco, novos serviços vem acreditando nesse nosso projeto e, ao lado de instituições consagradas, como o InRad HCFMUSP, ICESP, InCor SP, Hospital Sírio Libanês, Hospital Albert Einstein, Grupo Fleury. Vemos agora a chegada de novas equipes, como a do Hospital Lefort. Confiram, uma pequena mostra do que se produz de bom neste país.

Dr. Emerson Gasparetto, Dasa

estão se intensificando. As grandes instituições, como a Dasa, que criou seu braço DasaInova e acaba de formalizar parceria com a Universidade de Har-

Radiologia Oncológica: a força das instituições

Ultrassom do primeiro trimeste: prioridades

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Dr. Mayo-Smith, de Harvard

vard, já estão inseridas nesse processo. Em entrevista, o dr. Emerson Gasparetto, vice presidente médico da Dasa, falou sobre o tema e mostra um pouco dos investimentos feitos, o dr. William Mayo-Smith, também de Harvard, em entrevista realizada no InRad HCFMUSP, fala sobre a educação das novas gerações, o que nos leva a tentar colaborar, trazendo mais luzes para as discussões. O grande desafio diante de tanta tecnologia, da necessidade cada vez maior de atualização, é trabalhar o ensino de qualidade, motivar as novas gerações, e, repetindo a dra. Rao, valorizar o “modelo de radiologia centrado do paciente”. Confiram; pags. 4, 5, 6 e 8.

Palestrantes, debatedores e organizadores do Simpósio de Radiologia Oncológica

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m comemoração aos 10 anos do ICESP – Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, realizou-se no InRad HCFMUSP, um Simpósio de Radiologia Oncológica, com a participação de representastes de três dos principais centros de tratamento do câncer: o próprio ICESP, o Hospital de Amor – Unidade Barretos e o ACCamargo Cancer Center. Temas de grande atualidade mobilizaram mais de 100 especialistas em Radiologia Oncológica, coordenados pelos drs. Marcio Taveira Garcia e Regis Otaviano França Bezerra, do ICESP< com a participação dos drs. Rubens Chojniak, do ACCmargo, dra. Karina Nascimento Borges Junqueira Neto, entre outros. Na oportunidade, os profs. Giovanni Guido Cerri, Manoel de Souza Rocha e Marcos Roberto de Menezes foram homenageados.

Canon Medical Systems fabrica seu milésimo equipamento de ultrassom no Brasil

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Canon Medical Systems do Brasil atingiu em novembro de 2018, a marca do seu milésimo sistema de ultrassom produzido no Brasil. A fábrica localizada em Campinas, interior de São Paulo (a cem quilômetros da capital), é uma das quatro fábricas da Canon Medical no mundo e produz modelos de ressonância magnética, tomografia computadorizada e ecógrafo. Esclarece Rodrigo C. Rodrigues, diretor da Fábrica, que, “por meio de incentivos fiscais oriundos da Lei de Informática (Lei nº 8.248/1991) e consequente possibilidade de oferta de produtos nacionais financiados pelo BNDES (FINAME), a produção local tem se mostrado bastante atrativa ao

mercado, com demandas crescentes que contribuíram para a produção nacional das mil unidades”. “Adicionalmente, parte da receita obtida pela venda dos produtos nacionais é direcionada a Pesquisa e Desenvolvimento, como contrapartida aos incentivos recebidos, permitindo maiores investimentos direcionados ao desenvolvimento de produtos e soluções inovadoras pela companhia. E, finalizando, destaca que, a fábrica planeja ainda incrementar em 2019 o seu portfólio de produtos produzidos no Brasil, bem como aumentar o valor de sua capacidade instalada como estratégia para a América Latina”. Leia mais sobre o que acontece nas demais empresas no Caderno de Serviços.


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EDITORIAL Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

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Reflexões sobre avanços, inovações e a nossa realidade

o momento em que encerramos mais um ano, no aguardo de tempos melhores, mas sem tanta certeza, e trabalhando na área há 40 anos tendo como parâmetros valores e a ênfase da qualidade -, vale a pena fazermos algumas reflexões sobre o momento em que vivemos e sobre a saúde em nosso País, como um todo. Na política, um novo governo assumirá em 01 de janeiro, com propostas e promessas de um Brasil mais sério e menos corrupto. Com tanto caminho rodado, nos resta, mais uma vez, confiar na esperança. A área de Diagnóstico por Imagem e a Medicina, por sua vez, vivem momentos de perplexidade diante das tecnologias e de muitas expectativas. Contudo, ao mesmo tempo, o empobrecimento da população, o desemprego e a crise que vivemos trouxeram novos componentes para enredos que teimam em nos assustar. A internet é o principal deles, um buraco negro em que as redes sociais levantam e destroem perfis com a mesma facilidade, trazem à tona temores muitas vezes injustificáveis e, diante desses ingredientes, produzir cultura, levar informação qualificada e contribuir para o desenvolvimento científico e para a atualização transforma-se em um desafio sem limites. Chegamos ao 18º ano de existência do ID Interação Diagnóstica, um período representativo dentro dos 40 anos que estamos comemorando nesse 2018 na área de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. Assistimos e vivemos os tempos dos filmes de raio-X como balizadores da economia médica, norteando tabelas e custos dos procedimentos; acompanhamos as OTNS/BTNS; as oscilações da correção monetária, do dólar e, enfim, chegamos à era da Inteligência Artificial. Por trás desse novo recurso tecnológico, um dos principais assuntos do último RSNA, a IA chega para aglutinar milhares ou centenas de milhares de informações, um passo que pode (e deve) definir os novos rumos do Diagnóstico por Imagem, com promessas de resultados mais precisos e maior eficiência, tirando uma grande sobrecarga do olho humano. Porém, a IA traz consigo também grandes desafios que hoje passam pelas cabeças de nossas lideranças como custos, gestão, eficiência,

produtividade e, claro, qual será o papel do médico neste futuro. Como conciliar as diferenças regionais, a remuneração dos procedimentos e os entraves da nossa economia nos próximos tempos diante de nossa realidade? E para os que trabalham na formação e no ensino médico, como preparar as novas gerações para tantas conquistas tecnológicas? A Inteligência Artificial está aí. É um caminho sem volta e cada profissional deverá se adequar a essas mudanças, enfrentando as diferenças e a realidade do dia a dia. Os mais fortes já estão nesse caminho, à frente do desenvolvimento e da pesquisa de projetos e programas inovadores, para que seus resultados não sejam prejudicados. E nós, que trabalhamos com a informação, buscamos nos adequar a esses novos tempos. Devemos correr atrás da agilidade da mídia digital, sem jamais abrir mão da qualidade, procurando mostrar o que se faz de melhor no País e, ainda assim, ressaltando a importância da leitura e do conhecimento. Em países com tamanha diversidade como o Brasil, o convencional, assim como a Radiologia, tem que conviver com as inovações. O filme de raio-X ainda é uma realidade para muitos. A rotina ainda está muito presa ao convencional, aos custos e ao que é possível. Convênios estão abrindo mão do retorno do paciente em nome da “redução de custos”, essa expressão mágica que assombra gestores, empresários e o próprio Governo. A IA tentará ajudar nessa equação e hoje já entra para selecionar os resultados normais, adequando-se a sua equipe de profissionais, tentando racionalizar ao máximo os procedimentos para que a conta não estoure. Por todas estas considerações, jogadas nessa informalidade de um editorial, trazemos temas para uma reflexão. A tônica, no entanto, é que a Medicina e o Diagnóstico por Imagem trabalhem com o paciente, que é o final da linha. As áreas lidam com vidas e estas têm que ser bem avaliadas. Esse é o compromisso, motivo pelo qual a qualidade e a atualização não podem ser subestimadas; esse é o compromisso maior dos que trabalham com a saúde da população. Que 2019 seja o ano da redenção.

Conselhos para quem quer publicar na revista Radiology e na RadioGraphics

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ssim como para os médicos e para os que trabalham na área da informação médica, o Congresso da RSNA (Radiology Society of North America) é a oportunidade de conhecer o que se faz de melhor. A grandeza do evento e a qualidade da organização e dos organizadores são referências para quem quer fazer algo melhor. Ao longo destes 18 anos temos nos beneficiados desse conteúdo, com o apoio imprescindível da equipe de imprensa da instituição e de amigos que nos auxiliam na busca por esse conteúdo, quando não podemos ir até Chicago. Esse cuidado com a informação está presente em tudo que fazem. No temário, no encontro com a imprensa, e nas reuniões que promovem para discutir temas dos mais diversos perfis. Nesse ano de 2018, os editores do RSNA Journal, da Revista Radiology e da RadioGrapics, abriram um espaço na agenda para oferecer conselhos para os autores que pretendem encaminhar seus artigos nas publicações. Por extensão, o tema é de nosso interesse também. De acordo com David A. Bluemke, MD, PhD e editor da Radiology, que esteve em São Paulo neste ano e que fora entrevistado em nossa edição 106, e Jeffrey S. Klein, MD e editor da RadioGraphics, as submissões precisam cumprir a missão das publicações e obedecer as diretrizes estabelecidas para autores. Porém, é possível adotar algumas táticas que podem ajudar um artigo a brilhar. No caso da Radiology, que apresenta mais de 300 páginas de pesquisas clínicas

Dr. David Bluemk, da Radiology

Dr. Jeffrey S. Klein, da RadioGraphics

revisadas por pares tanto no on-line quanto no impresso, apenas 10% das submissões são aceitas. Assim, o aceite de um artigo tem início com a seleção do tema certo, isto é, se aborda questões em voga e se oferece novos conhecimentos em uma área relevante para os leitores. Outro ponto crucial para garantir uma publicação está na revisão de literatura, que deve ser extensa e criteriosa. O resumo também é parte importante nesse processo, pois deve apontar claramente qual é o objetivo do estudo, os métodos aplicados e os resultados, em um texto curto e de fácil entendimento. A conclusão, por sua vez, deve fazer sentido e remeter ao propósito do paper, assim como o título precisa ser conciso e cativante. Segundo Bluemke, evitar o uso de palavras da moda ou de expressões como “nunca estudado antes” ou “o primeiro estudo” também é uma boa

tática. Contudo, o editor ressalta que, embora um artigo preencha todos os critérios e receba ótima revisão os pares, ele pode não ser publicado, pois o Conselho Editorial de Radiologia deve priorizar o espaço limitado da revista. Em 2019, Bluemke adianta que a Radiology estará à procura de mais imagens, artigos mais curtos e formas alternativas de contar histórias, inclusive através de podcasts. Já para a RadioGraphics, Klein ressalta que, mesmo que a revista considere envios não solicitados, mais de 90% dos artigos publicados são convidados à submissão com base em exibições educacionais da Reunião Anual da RSNA. O conselho editorial da publicação identifica temas relevantes com antecedência e revisa cartazes e painéis de subespecialidades durante a reunião. Nesse ano, 19 painéis de subespecialidade e 1.950 exibições foram revisados por mais de 400 membros do painel antes de estender os convites para apresentação à revista. Sobre as características da revista, os artigos da RadioGraphics incluem objetivos de aprendizado e uma atividade para leitores como um questionário com perguntas de múltipla escolha. Dessa forma, uma das grandes qualidades (e problemáticas) dos trabalhos submetidos é a redação de boas perguntas. A forte organização e contexto que mostram a necessidade de um artigo em particular também podem ajudar um autor a ser notado. Para o próximo ano, Klein disse que a RadioGraphics planeja adicionar uma seção com artigos breves, destacando atualizações importantes e novas informações sobre artigos publicados anteriormente. DEZ 2018 / JAN 2019 nº 107

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O BIMESTRE Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

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ão Paulo – Radiologia Oncológica na pauta das discussões – Reunindo três das principais instituições especializadas na área de oncologia, o ICESP (que está comemorando 10 anos), o AC Camargo Cancer Center e o Hospital de Amor – Barretos, o InRad-HCFMUSP, sediou Seminário de Radiologia Oncológica, para discutir os desafios e os principais avanços dessa área de atuação. Promovido em comemoração aos 10 anos do ICESP (Instituto do Câncer de São Paulo Octavio Frias de Oliveira), o evento foi coordenado pelos drs. Marcio T. Garcia e Regis França Bezerra, reuniu especialistas de diversas instituições para debater as melhores práticas radiológicas aos desafios futuros, os principais avanços de imagem no diagnóstico do câncer e apontou perspectivas e expectativas para os próximos anos. Num formato dinâmico, o evento promoveu sessão interativa de caso e enfocou assuntos da ordem do dia, como Tomografia Computorizada de Baixa Dose a Inteligência Artificial e o Futuro da Radiologia. Na abertura, o Dr. Márcio Ricardo Taveira Garcia (ICESP/INRAD) destacou a dedicação de todos os profissionais que passaram pelo ICESP e o transformaram em uma grande referência no setor ao longo dessa última década: “o ICESP só se tornou o que é hoje com o apoio de todos que aqui passaram, professores, residentes, assistentes, membros da comunidade radiológica e oncológica”. O evento também laureou três profissionais ligados à história do ICESP: Prof. Giovanni Guido Cerri, Dr. Marcos Roberto de Menezes e Dr. Manoel Rocha, que hoje ocupa o cargo de presidente do CBR (Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem). Ao receber sua placa comemorativa, o prof. Giovanni Cerri ressaltou o prazer de ter feito parte da criação do ICESP, da sua trajetória e sua importância para a área. “Esse Seminário,

inclusive, é uma oportunidade única para que possamos trocar experiências com outras instituições e possamos todos crescer juntos e ganhar conhecimento. Estou muito orgulhoso”, disse. Já Dr. Marcos Menezes lembrou o grupo excepcional que passou pelo instituto: “só estamos aqui por conta de todos que se dedicaram e deixaram sua marca. O Prof. Giovanni foi uma grande inspiração para todos nós, nos ensinando a pensar diferente”. Por fim, Dr. Manoel Rocha se mostrou muito surpreso pela homenagem. “Como presidente do CBR, só tenho a agradecer os esforços do ICESP e todo seu papel na educação e na geração de conhecimento para nossos residentes”, afirmou. Falaram, também, a dra. Ana Karina Nascimento Borges Junqueira Netto, do Hospital de Barretos e o dr. Rubens Chojniak, enfatizando a importância do encontro.

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ibeirão Preto – Mais de 400 médicos no evento da FATESA. Reunindo especialistas dos principais centros de referência em ultrassonografia do País e da América Latina, a FATESA – Faculdade de Tecnologia em Saúde promoveu, em novembro, sua Jornada Internacional de Ultrassonografia. Os trabalhos foram abertos pelo prof. Francisco Mauad Filho, idealizador do evento que teve um caráter multidisciplinar, reunindo também técnicos e tecnólogos em radiologia, veterinários e profissionais de estética. Coube ao prof. Clovis Simão Trad, referência na especialidade, com uma história na formação de profissionais da área, na Faculdade de Medicina da USP – Ribeirão Preto, fazer a palestra inaugural. Ele fez um detalhado histórico da descoberta dos raios x, dos movimentos que antecederam o anúncio dessa revolucionária tecnologia, feito por Wilhein Konrad Roentgen. acontecimento, com detalhes e datas, poucas vezes apresentados – para quem é da área. Nomes de grande expressão marcaram presença no evento e, num balanço do acontecimento, o prof. Mauad Filho, idealizador da Jornada Internacional de Ultrassonografia enfatizou:“ Realizamos um congresso do mais alto nível cientifico com a participação de palestrantes de renome nacional e internacional da Ultrassonografia, grandes especialistas da América Latina, com o objetivo de promover uma troca de conhecimentos específicos e o que há de mais inovador na área de imagem, e nas respectivas áreas propostas pelo congresso”. Ao longo de sua história, a JIU – em sua 10ª edição – recepcionou mais de 460 palestrantes, sempre promovendo a difusão do conhecimento e informação.

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ão Paulo – Estudo mostra a percepção do brasileiro em relação à saúde – Pesquisa inédita, dividida em duas etapas: a primeira aponta comportamentos da população quanto aos hábitos e às atitudes e, a segunda, traz informações valiosas sobre a realização de exames de diagnóstico por imagem e os cuidados relativos à prevenção de doenças foi elaborada pela Dasa em parceria com o Instituto Ipsos e apresentada à imprensa. Para deixar o conteúdo ainda mais completo, foram apresentados dados robustos de fontes como Ministério da Saúde, Organização Mundial da Saúde (OMS) e o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) –, além de estatísticas próprias de exames de diagnóstico realizados nos mais de 700 laboratórios da instituição, espalhados pelo País, em ato que contou com a presença

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do dr. Romeu Cortes Domingues, presidente do Conselho da Dasa e do dr. Emerson Gasparetto,vice presidente da área médica. A pesquisa foi realizada com 1.200 entrevistas pessoais e domiciliares em 72 municípios em todo o País. A amostragem é proporcional à população brasileira que vive em áreas urbanas, considerando gênero, faixas etárias, grau de instrução e atividade econômica descrita pelos dados oficiais do IBGE. No caso das estatísticas apresentadas pela Dasa, os exames foram realizados entre janeiro de 2017 e agosto de 2018 e foram separados por faixa etária, gênero, estado de residência, tipo de serviço e unidade Dasa utilizada. Vale ressaltar que o público Dasa é constituído principalmente por pessoas que utilizam o plano de saúde (24% da população, segundo a ANS – Agência Nacional da Saúde) para pagar os serviços.


RSNA’2018

O Radiologista no centro das decisões Utilização de Inteligência Artificial e machine learning na rotina das instituições médicas está mudando os rumos do diagnóstico por imagem, com reflexos diretos no trabalho do médico e contribuem para que a radiologia esteja no epicentro do atendimento ao paciente

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mbora muitos ainda não conheçam os limites desses avanços com a chegada dessas tecnologias, a adoção de tecnologias como IA (Inteligência Artificial) e machine learning é uma realidade, e permitirá que o radiologista concentre-se no atendimento ao paciente. Essa foi a mensagem que a presidente da RSNA, Dra. Vijay M. Rao deixou na abertura do evento de 2018, em novembro último, em Chicago. “A utilização desses recursos é essencial para que os radiologistas se concentrem no paciente e em todas as etapas da cadeia médica,”enfatizou. “Acredito mais do que nunca que a IA tem o potencial de melhorar nossa profissão e transformar a prática radiológica em todo o mundo.

RSNA prevê que os radiologistas assumirão uma posição de liderança no cuidado total com as imagens, sendo mais do que apenas leitores de exames. No futuro, por exemplo, os algoritmos de IA poderão auxiliar na triagem das imagens, dando suporte a decisões e priorizando casos para os radiologistas. Em suas projeções, dra. Rao prevê que “o relatório de imagens do futuro

seja composto por respostas baseadas em imagens que unem parâmetros moleculares, terapêuticos e fisiológicos de cada paciente, possibilitando que os radiologistas tenham mais tempo para as atividades não interpretativas como o cuidado contínuo do paciente”. Enfatizou, também, “vamos abraçar a IA, em vez de temê-la. Precisamos nos comprometer novamente com o modelo de radiologia centrado

no paciente. Precisamos desenvolver os padrões éticos e médico legais necessários para proteger os dados, assim como os algoritmos de machine learning. É importante também ressaltar que precisaremos formar novas parcerias intersetoriais com colegas de outras especialidades”, concluiu a presidente. (Matéria produzida a partir de informações da Assessoria de Imprensa da RSNA - novembro 2018)

Dra. Vijay M. Rao, atual presidente da RSNA, que será sucedida pela dra. Valerie Jackson.

Isso permitirá que os radiologistas dediquem mais tempo a iniciativas que beneficiarão pacientes e médicos”, afirmou Dra. Vijay Rao. Enfatizou também a presidente da RSNA, que os profissionais devem se preparar para os avanços na área da imagem digital e para a explosão geral de dados disponíveis hoje na medicina. E, essas mudanças começam por uma reformulação das salas de laudos de exames para que sejam criados verdadeiros centros de dados diagnósticos digitais, onde as equipes clínicas poderão se reunir e tomar decisões sobre casos específicos, ou até realizar encontros virtuais para discussões de laudos. Esses centros de dados servirão para armazenamento de todas as descobertas de imagens atuais e anteriores, juntamente com análises clínicas, biópsias e dados-chave do histórico do paciente. “Dessa forma, a criação dessa central pode levar a um diagnóstico que poderia passar despercebido caso alguém considerasse apenas o atual exame de imagem”, disse. Nesse sentido, a presidente do DEZ 2018 / JAN 2019 nº 107

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ENTREVISTA Por Angela Miguel (SP)

A educação da nova geração de radiologistas é o desafio “A radiologia deve abraçar as novas tecnologias não só para aprimorar resultados e diagnósticos, mas também para apoiar a educação da nova geração de profissionais que já nasceu na era digital”.

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ntecedendo a realização do Congresso da RSNA, em passagem pelo Brasil, onde participou de evento no InRad HCFMUSP, William Mayo-Smith, Professor da Harvard Medical School e vice chair de Radiologia do Brigham & Women’s Hospital, falou com exclusividade ao Jornal ID – Interação Diagnóstica a respeito de mudanças na maneira de ensinar a nova geração de profissionais composta pelos nativos digitais, sobre a utilização da Inteligência Artificial (IA) e machine learning no diagnóstico e na educação radiológica e ainda sobre sua função como grande conector de pessoas. Formado na Cornell University Medical College em 1984, Mayo-Smith utilizou do bom-humor para ressaltar que gosta de quebrar regras e, com isso, busca novas estratégias de ensino da Radiologia no país. Há quatro anos no Brigham & Women’s Hospital, o médico mostrou que as mudanças realizadas no sistema educacional local possibilitam que o estudante dedique mais tempo à pesquisa e à área especializada favorita após passar por todas as subespecialidades existentes nos Estados Unidos. Os professores também têm usado diversas ferramentas digitais para acompanhar o

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ritmo de aprendizado da nova geração, uma prática incentivada por Mayo-Smith. “Temos atualmente 40 radiologistas residentes em Brigham e grande parte pertence à geração dos nativos digitais. Eles aprendem de forma diferente, não leem livros, aprendem tudo pelo smartphone. Temos que aprender a trabalhar com eles para pensarmos o futuro, as antigas didáticas não funcionam mais, é preciso pensar e testar novas maneiras, muito mais interativas, para encantar e engajar os estudantes”, afirmou. Mayo-Smith esteve no país para participar do Seminário de Radiologia Oncológica, promovido pelo ICESP (Instituto do Câncer de São Paulo Octavio Frias de Oliveira) e que comemorou os dez anos do instituto. Confira a seguir a entrevista exclusiva com William Mayo-Smith. ID – Em um momento de sua palestra, o senhor falou sobre como é preciso saber adaptar didáticas ou apresentar novas maneiras de educar a nova geração de radiologistas. Como professor, como é educar esses futuros profissionais? William Mayo-Smith: É bacana, mas um grande desafio. Quando eu estudava, quando estava no hospital, era testado

de duas formas: quanta informação conseguia reter no cérebro e a minha capacidade de interpretar imagens. Hoje, a informação está toda armazenada no

Dr. William Mayo-Smith, de Harvard Medical School, durante o evento de Radiologia Oncológica, em São Paulo.

smartphone. Então, memorizar informações é menos importante porque você acessa as respostas rapidamente por um aparelho nas mãos. Para gerações anteriores, adaptar a um novo estilo de ensino em que não é necessário memorizar tudo provoca uma diferença filosófica.

Eles não usam mais livros! Esqueça o tradicional. Por isso, estou interessado em entender como eles aprendem, pois é diferente! A nova geração é inteligente e capaz de aprender por diversas mídias e maneiras. Não tenho a resposta ainda, mas acredito que devemos ter a mente aberta e utilizar todas as tecnologias que estão ao nosso alcance para nos auxiliar nesse entendimento. ID – Vocês já utilizam ferramentas digitais para engajar a nova geração nos estudos? William Mayo-Smith: Sim, há uma série de softwares e aplicativos até gratuitos que podem ajudar o ensino na sala de aula. Eu posso mostrar um caso na sala e todos podem imediatamente enviar respostas pelo smartphone, então a interação é constante. Há programas e ferramentas cada vez mais sofisticados que nos ajudam a entender como é o raciocínio dos alunos, como podemos estar mais próximos deles, como promover a interação o tempo todo entre professores, residentes, trainees. É um grande desafio para todos, até mesmo para os que estão na liderança ou para aqueles que mergulham no caminho educacional, e essas ferramentas são testadas e recebemos os CONTINUA


ENTREVISTA

A educação da nova geração de radiologistas é o desafio CONCLUSÃO X

feedbacks para que estejamos sempre à frente das transformações. Todas essas técnicas são fundamentais para que possamos lecionar e liderar os millennials. Os livros são ótimos, mas também precisamos usar as novas tecnologias para impulsionar o conhecimento. ID – Uma questão que se relaciona com a sua resposta é a frase que disse mais cedo: “gosto de quebrar regras!” Como essa sua postura pode ajudar ao ensinar a nova geração? William Mayo-Smith: Eu amo quebrar as regras! (risos) E acho que a ideia de pensar diferente, de um modo não convencional, talvez, me ajude a encarar essa geração. Os millennials pensam diferente, estudam diferente, se relacionam diferente. E como podemos dizer que está errado? É como eles se reconhecem no mundo e como vivem, e é preciso reconhecer que eles são um grupo extremamente inteligente e inspirador. Portanto, quebrar as regras também faz parte desse desafio, um desafio que não acredito ser somente da Radiologia ou da Medicina, mas vemos esse movimento no Direito, na Administração e em todas as outras áreas. Por isso que, além de quebrar regras, tenho a mente aberta, e acho que essa é uma característica importante para que possamos nos aproximar desses jovens. ID – Tendo em vista essa geração, de que forma você e seus colegas incentivam o lado acadêmico dos estudantes, a pesquisa para que possamos

nos preparar para o futuro? William Mayo-Smith: Costumo dizer que funciono como um conector, é isso que eu faço. Em Brigham, estou constantemente buscando conectar pessoas a oportunidades. Em Boston, contamos com uma estrutura muito semelhante a de vocês aqui na FMUSP e gostaria de ressaltar que é importante ver como o

formados. E costumo emendar dizendo que eu introduzo as pessoas e saio do caminho! Todas as vezes que volto, algo interessante está acontecendo. Acredito que a questão da pesquisa funciona da mesma forma, queremos incentivar a pesquisa, o conhecimento. E vivemos uma época em que todos estão experimentando! Exemplo dessa experimenta-

O evento reuniu especialistas de três das principais instituições da área oncológica: ICESP – Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, Hospital de Amor – Unidade Barretos e ACCamargo Cancer Center.

Brasil está empenhado em se debruçar sobre as novas tecnologias e novas maneiras de ensino. Mas eu entendo minha posição como alguém que pode conhecer muitas pessoas, muitos profissionais e ligá-los a outras pessoas que pensam da mesma maneira, que pesquisem e tenham um interesse pelo mesmo tema. Meus colegas e eu facilitamos conexões para todos, de alunos a profissionais

ção é nosso Nuclear Medicine Pathway, criado há três anos e que somente em 2018 recebemos alguém interessado em participar. Então, a ideia é formarmos um ambiente propício para o conhecimento e fazer com que as pessoas se conectem. ID – Nesse sentido, o que podemos esperar do futuro e das tecnologias como IA e machine learning? William Mayo-Smith: Vejo a IA e

machine learning como os movimentos mais interessantes para a Radiologia atualmente. Há aqueles que acreditam que ambas nos substituirão, mas não vejo isso possível. Acho que ambas as tecnologias poderão oferecer oportunidades para que possamos melhorar o cuidado com o paciente, uma vez que as máquinas poderão realizar procedimentos e processos que tomam muito tempo dos radiologistas como contagens e medições – inclusive, trabalhos considerados por muitos bastante entediantes. Não só IA e machine learning, mas também o pensamento criativo poderá nos levar mais longe e permitirá que possamos nos dedicar mais ao diagnóstico assertivo e ao tratamento do paciente. Também é importante ressaltar que como a Radiologia já é digital, devemos assumir a posição de liderança no uso dessas tecnologias. Em nossa instituição, pesquisas em IA e machine learning são lideradas pela equipe de Radiologia. Então, temos total possibilidade de liderar essas pesquisas e essas inovações. Além delas, temos que ressaltar ainda os dados genéticos que estão sendo trabalhados recentemente, e imagino que no futuro devemos trabalhar com análise genética, análise de imagens e dados laboratoriais. Para isso, claro, IA e machine learning serão essenciais para integrar todos esses dados e apresentar o que realmente pode fazer a diferença no dia a dia do radiologista. O futuro está aqui e ele é muito excitante!

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ENTREVISTA Por Luiz Carlos de Almeida e Angela Miguel (SP)

Dasa celebra parceria com Harvard para estudos em Inteligência Artificial Companhia investe na troca de tecnologias e conhecimento para desenvolver ferramentas e soluções para revolucionar o setor da saúde

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iente das transformações no Brasil e diagnóstica digitalizada, com volumes de até 250 no mundo no setor de saúde, a Dasa milhões de exames realizados por ano, e também tem promovido mudanças estratégicas porque as ferramentas que desenvolvemos em para se reposicionar conjunto podem ser aplicadas em no mercado e liderar um cenário muito amplo. Como so“Eles nos escolheram as inovações digitais no país. Após mos uma das maiores operações de o lançamento no ano passado da porque somos radiologia no mundo, podemos, por GeneOne, laboratório de genômica exemplo, rodar um piloto de uma uma das poucas voltado para medicina personalizaferramenta de IA em um espectro empresas no mundo da, a companhia firmou uma parceenorme”, justifica. que tem toda a ria inédita com a Harvard Medical cadeia diagnóstica Não se inova sozinho School para desenvolver, compardigitalizada, com A iniciativa que conecta Dasa a tilhar e incorporar tecnologias de Harvard e ao CCDS não é a única volumes de até 250 Inteligência Artificial à medicina para promover a inovação na organidiagnóstica. milhões de exames zação. Desde 2017, a empresa ajudou O acordo com Harvard surgiu realizados por ano, a criar o Cubo, um ecossistema de a partir da criação do DasAInova, e também porque fomento ao empreendedorismo, no o laboratório da empresa focado as ferramentas que qual a Dasa reúne startups ligadas a em inovação e em IA (Inteligência desenvolvemos em promover transformações no sistema Artificial) e que é composto por conjunto podem ser de saúde. O vice-presidente médico, médicos, engenheiros, matemáticos Dr. Emerson Gasparetto, ressalta e cientistas de dados. A iniciativa aplicadas em um que o modelo utilizado é o mesmo faz com que a Dasa realize projetos cenário muito amplo” de empresas como Amazon, Spotify e incentive a inovação junto a grane Google, de maneira a incentivar a des empresas do setor de medicina disrupção constante. diagnóstica como Philips, Siemens, Canon e GE, Outro pilar importante para o reposicionamento a startups de saúde e a universidades que lideram da companhia é a gestão inteligente dos dados. Uma disrupções e pesquisas no ramo. Segundo o vicevez que o médico trabalha com uma quantidade -presidente médico da Dasa, Dr. Emerson Gaspamuito grande de informações, a ideia é trabalhar retto, Harvard é líder em pesquisas em IA e foi com ferramentas de big data e machine learning responsável pela criação do Center For Clinical para fazer diferentes análises de Data Sciente (CCDS). dados. “Temos uma estrutura com “O CCDS é um grande desenvol“Atualmente, a cerca de 50 pessoas voltada para a vedor de IA e big data que Harvard companhia tem análise dos dados que geramos diacriou junto com o Massachusets riamente. Só em 2018, por exemplo, desenvolvido um General Hospital e com o Brigham atendemos uma população de 700 and Women’s Hospital. Eles contraalgoritmo que faz mil pré-diabéticos, e essa informataram os melhores nomes em IA do uma triagem nos ção vai para laudos e relatórios, mas mundo e hoje um grande sonho de exames, separando acredito que a gente tem um papel quem trabalha nesse setor é entregar os casos normais dos mais relevante, podemos ajudar as seus algoritmos para o CCDS para complexos. Ainda pessoas, cuidar da saúde das pessoque eles sejam validados e, assim, em criação e com as, então é fundamental apoiarmos tenham o selo do centro”, conta o médico para um diagnóstico mais Gasparetto. acurácia acima de ágil e assertivo”, opina Gasparetto. Devido ao convênio firmado com 90%, o algoritmo Atualmente, a companhia tem Harvard, a Dasa possui profissionais será essencial para desenvolvido um algoritmo que faz de seu time que trabalham presenque casos mais sérios uma triagem nos exames, separando cialmente no CCDS e também à dissejam analisados os casos normais dos complexos. tância com a equipe de profissionais e revisados por Ainda em criação e com acurácia norte-americanos. Regularmente, acima de 90%, o algoritmo será esmédicos seniores, equipes de Harvard também visitam sencial para que casos mais sérios o Brasil para o desenvolvimento enquanto os sejam analisados e revisados por de soluções. Segundo Gasparetto, mais simples são médicos seniores, enquanto os mais a Dasa é a única representante da encaminhados aos simples são encaminhados aos mais América Latina a participar ativamais jovens” jovens. “Com isso, ganhamos em mente do CCDS. Os outros parceiros qualidade e em eficiência. Estamos do centro são a GE, pela distribuição fazendo testes com ressonâncias de cérebro e com de produtos, e a NVIDIA, responsável pelo proexames de próstata”, emenda. cessamento dos computadores de ponta que são utilizados no local. Aprimoramento do time “Eles nos escolheram porque somos uma das Presente em 13 estados com mais de 700 unipoucas empresas no mundo que tem toda a cadeia

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dades e composta por um time de mais de 2 mil médicos, a Dasa tem o grande desafio de aprimorar o conhecimento de seu grupo clínico constantemente. Para isso, criou o Núcleo de Assessoria Médica (NAM), ação em que os principais líderes das especialidades atuam de forma centralizada no apoio ao médico interno e externo. Sediados em São Paulo e no Rio de Janeiro, esses líderes realizam a revisão de laudos mais complexos e estão conectados a todo o tempo para auxiliar seus pares pelo Brasil. A partir de um sistema integrado, o médico que tem dúvidas pode se conectar por meio de um botão e discutir casos com líderes para que o paciente seja

Dr. Emerson Gasparetto, vice presidente médico da Dasa.

atendido da melhor maneira. Há ainda uma central em que os médicos acessam laudos e esclarecem possíveis questões em tempo real. “Temos diversos indicadores de qualidade e o ganho com o NAM foi incrível, esse sistema é um dos pontos fortes do nosso time e permitiu que a gente esteja mais próximo de toda a nossa equipe espalhada pelo país”, arremata.

Incentivo à pesquisa De forma a manter seu grupo médico atualizado e na ponta das pesquisas em medicina, a Dasa incentiva a publicação de artigos em publicações internacionais, em especial durante o RSNA. Em 2018, foram apresentados 74 trabalhos por médicos da organização; em 2017, esse número foi de 55. “A Dasa acredita que ter um trabalho aceito no RSNA é um reconhecimento importante e a empresa investe para que todos participem e apresentem seus trabalhos. Essa geração de conhecimento está no DNA de nosso time e da nossa empresa”, conclui Gasparetto.


ENTREVISTA

Grupo de estudo de abdome agora conta com apoio do CBR Um dos grupos de interesse especial da Rede Universitária de Telemedicina (RUTE), o SIG (Special Interest Group) de Radiologia do Abdome, agora conta com o apoio do CBR. Em entrevista ao ID, o Dr. Giuseppe D’Ippolito, um dos idealizadores e coordenador do projeto fala sobre essa iniciativa conjunta de diversos grupos de estudos das principais instituições de ensino do país.

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endo como objetivo discutir casos clínicos instigantes, de difícil diagnostico, o SIG Special Special Interest Group da Radiologia do Abdome tem como modelo a participação, a livre discussão, num clima de informalidade que proporciona maior interação, sem as costumeiras inibições. O dr. Giuseppe D´Ippolito, que também é professor da Escola Paulista de Medicina, atua na área de ensino do Grupo Fleury, tem uma extensa atuação nesse segmento e fala sobre o assunto, com muito otimismo, pois, “as sessões de telemedicina do SIG tem sido uma esplendida oportunidade de intercambio de conhecimento”. Recentemente, o assunto foi abordado em um circuito fechado para os associados, no bate papo promovido pelo Colégio Brasileiro de Radiologia. Confira a segui a integra da matéria: ID – O que é o SIG da Radiologia do Abdome? Dr. Giuseppe D’Ippolito – O SIG -Special Interest Group da Radiologia do Abdome, é um grupo de estudo interinstitucional, incluindo as áreas de estudo do trato gastrointestinal e urogenital. Foi criado em 2009, por um grupo de radiologistas que trabalham em instituições públicas de ensino de vários estados brasileiros. Atualmente, é coordenado por mim e pelo dr. Carlos Matsumoto, do Departamento de Diagnóstico por Imagem da EPM-UNIFESP, e agora, contamos com o apoio do Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR). Este é um dos 50 Grupos de Interesse Especial da Rede Universitária de Telemedicina (RUTE), que contempla diversas especialidades e subespecialidades, entre elas, o Diagnóstico por Imagem. A RUTE é um projeto do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, criado em 2006, que congrega 78 núcleos de Telemedicina e Telessaúde e 150 Hospitais Universitários e de Ensino. ID – O que motivou a criação desse grupo de estudos específicos? Dr. Giuseppe D’Ippolito – O objetivo do grupo é discutir casos clínicos instigantes, ou seja de difícil diagnóstico, trocar experiências, estimular o debate, procurar consensos, aprimorar protocolos clínicos e procedimentos diagnósticos nessa área especifica, além de ser uma ótima oportunidade de ampliar sua rede de colegas. A participação dos residentes e pós-graduandos é muito estimulada, e cada instituição é representada pelos seus líderes nos respectivos campos de atuação. Também contamos com a participação da UERJ, FMRP-USP, UFMG, UFTM, UFPE, IMIP, UNICAMP, UNB e do Hospital do Câncer de Barretos. Desde o início, os participantes

entenderam que o objetivo das sessões seria promover o intercâmbio de informações e experiências entre os profissionais, estimular a participação de residentes e pós-graduandos e possibilitar o acesso à informação por via remota a um amplo número de radiologistas, tendo como foco o diagnóstico por imagem do abdome. ID – Como o grupo se organiza para deliberação do projeto e discussão dos casos? Dr. Giuseppe D’Ippolito – As nossas reuniões acontecem todas as primeiras quartas-feiras do mês, das 12:00 às 13:00h, por videoconferência, utilizando o sistema do Colégio Brasileiro de Radiologia, que vai oferecer a infraestrutura para a conexão. Em setembro deste ano, a reunião foi coordenada pelo grupo da Universidade da Califórnia, em San Francisco (UCSF), que demonstrou interesse em integrar regularmente o grupo. Inicialmente decidiu-se por um formato de sessão bastante informal, que perdura até hoje, e que procura estimular a ampla participação e simular as discussões de casos práticas como ocorrem no dia a dia da atividade profissional. Neste sentido, estabeleceu-se um sistema de rodízio bastante flexível e ajustado à disponibilidade de cada grupo; uma instituição por sessão é responsável pelo envio de casos clínicos que serão discutidos pelos demais. Estas reuniões de discussão de casos clínicos são intercaladas com discussões de consenso e estabelecimento de algoritmos de manejo diagnóstico, como já ocorreu para os chamados “incidentalomas”. Neste sentido, foram abordados os “incidentalomas” hepáticos, pancreáticos, renais e adrenais, propondo-se adequações aos algoritmos diagnósticos propostos pelo Colégio Americano de Radiologia (ACR) e que refletissem de alguma maneira as nossas realidades e peculiaridades. A experiência tem sido muita interessante e recompensadora, uma vez que permite uma reflexão sobre a disponibilidade de recursos diagnósticos nas nossas instituições, carências, forças e fraquezas, bem como demonstrar que é possível uma utilização mais racional destes recursos do que a proposta pelo ACR ou por outros consensos. ID – Como são encaminhados os casos? Dr. Giuseppe D´Ippolito – Os casos clínicos são encaminhados com uma semana de antecedência para a coordenação do SIG do Abdome, que os disponibiliza em rede para todos os integrantes do SIG, através de um Google Group (https://sites.google.com/site/sigabdome/), criado especificamente para este fim. Assim, todos tem a oportunidade de se familiarizar

com os principais aspectos radiológicos e formular suas hipóteses diagnósticas que são discutidas ao vivo no dia da telesessão e complementadas pela instituição responsável pela apresentação do caso. Ao final de cada caso clínico é apresentado um breve resumo da doença, seus diagnósticos diferenciais e possíveis condutas terapêuticas bem como algoritmos de abordagem diagnóstica, quando pertinentes. Os casos são inseridos na

Dr. Giuseppe D’Ippolito, um dos responsáveis pelo SIG, juntamente com o dr. Carlos Matsumoto

página do grupo de maneira permanente para que possam ser acessados sempre que necessário, por qualquer membro cadastrado. O cadastro é bastante simples, aberto e sem restrições. ID – Como será a participação do CBR nesse projeto? Dr. Giuseppe D’Ippolito – À partir deste ano o SIG da Radiologia do Abdome recebe o importante apoio do CBR que vai nos disponibilizar a sua infraestrutura e suporte para ampliar o alcance do grupo. No final deste ano as sessões poderão ser acompanhadas por qualquer radiologista através do próprio site do CBR, via celular ou computador pessoal em tempo real, ou posteriormente, uma vez que os encontros são gravados e armazenados no Workplace do CBR. Para acompanhar a reunião mensal do SIG Radiologia do Abdome ao vivo, basta usar o link https:// meet60723860.adobeconnect.com/sig/ (entrar como convidado), lembrando que para acessar a webconferência no mobile é necessário a instalação do aplicativo do Adobe Connect. ID – Quantos casos foram apresentados desde o início do projeto? Dr. Giuseppe D’Ippolito – Até o momento já apresentamos mais de 200 casos que refletem de algum modo as dificuldades diagnósticas enfrentadas pelos diversos profissionais envolvidos no atendimento e tratamento dos pacientes atendidos nas nossas instituições. É

importante observar que todos os casos são preparados e apresentados pelos residentes dos programas participantes sob a orientação dos preceptores e docentes que se envolvem diretamente na apresentação e discussão, sempre procurando um viés didático e pedagógico, ressaltando-se os aspectos propedêuticos. Planejamos nas próximas reuniões abordar outros temas controversos e/ou de interesse comum, tais como o controle da radiação em exames tomográficos, uso de exames radiológicos em pacientes gestantes, protocolos de prevenção de efeitos adversos aos meios contrastes promovendo assim a segurança do pacientes, entre outros, procurando estabelecer consensos de especialistas para cada uma das questões apresentadas. ID – Esse modelo informal tem trazido o resultado desejado? Dr. Giuseppe D’Ippolito – Sim. É importante observar que o modelo informal de reunião que temos implementado, estimula a participação e livre discussão evitando naturais inibições que poderiam decorrer de um ambiente mais acadêmico. Por outro lado, mantemos um foco na qualidade e exatidão das informações divulgadas nas sessões, procurando baseá-las em fontes fidedignas e referências bibliográficas idôneas. Também acreditamos que é desejável não somente expandir o grupo de estudo, tornando-o mais representativo das diversas práticas radiológicas do nosso País, mas também ampliar a integração com profissionais de outras áreas correlatas, como urologistas, gastroenterologistas clínicos e cirúrgicos e oncologistas. A troca de experiências e informações enriquece sobremaneira o conteúdo das nossas sessões. Neste sentido, temos tido a oportunidade de contar com convidados de outras especialidades fato que comprovou a pertinência deste modelo de contribuição interdisciplinar. ID – Qual a contribuição do SIG de Radiologia do Abdome para a especialidade? Dr. Giuseppe D’Ippolito – As sessões de telemedicina do SIG de Radiologia do Abdome tem sido uma esplêndida oportunidade de intercâmbio de conhecimento que tem contribuído para o crescimento científico e profissional de todos os participantes, além de permitir uma ampla rede de contatos extremamente rica e frutífera. Finalizando, o SIG do Abdome convida todas as Instituições de Ensino e os radiologistas de todo o País, interessados em Radiologia Abdominal, a participar do nosso grupo e compartilhar o seu conhecimento e as suas experiências. Conheça sobre o nosso trabalho no endereço: (https://sites.google.com/site/sigabdome). DEZ 2018 / JAN 2019 nº 107

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INOVAÇÃO

“Pirâmide de Prioridades” da realidade brasileira (o ultrassom de primeiro trimestre) A avaliação da translucência nucal (TN) e outros marcadores para desordens cromossômicas no exame do primeiro trimestre da gravidez é extremamente valorizado no Brasil, enquanto a avaliação do comprimento crânio-nádega (CCN) e a morfologia precoce não recebem a mesma atenção.

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discussão sobre esse tema tem recebido especial atenção nos congressos na área de gineco-obstetrícia e de diagnóstico por imagem, motivo pelo qual os especialistas, Pedro Pires, professor adjunto da UPE e Edward Araujo Junior da UNIFESP, desenvolveram trabalho científico, publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (2018; 40:650–651), com uma proposta mais atualizada sobre o assunto e mostra a validade da experiência brasileira, ao apresentar uma nova Pirâmide de Prioridades. Os autores enfatizam que a contribuição desses marcadores para os cuidados de rotina no pré-natal são muito importante. É inegável a contribuição da “pirâmide” invertida de cuidados proposto por Nicolaides que, ao longo dos anos, tem sido valiosa na assistência pré-natal, demonstrando a importância da avaliação desses parâmetros no ultrassom no primeiro trimestre da gravidez. Em paralelo à pirâmide proposta por Nicolaides, os médicos apresentam um alerta denominado “pirâmide de prioridades” com uma maior atenção das prioridades, no exame do primeiro trimestre. Estabelecem os autores que essa “ nova “pirâmide” chama a atenção para os principais resultados perinatais e para a prioridade de cada avaliação de acordo com o impacto perinatal de cada parâmetro. A prematuridade é um dos os principais problemas de saúde perinatal e a mais importante causa de morbidade e mortalidade neonatal. As situações de maior impacto adverso nos resultados perinatais, particularmente em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, incluem prematuridade (12%), pré-eclâmpsia (7%), insuficiência placentária e/ou restrição do crescimento fetal (5%), malformações congênitas (3%), gravidez gemelar (1%) e distúrbios cromossômicos (0,3 a 0,9%). O nascimento prematuro, a insuficiência placentária e as anomalias fetais são responsáveis por 90% das mortes perinatais, apontam as estatísticas. Além dos resultados perinatais adversos, a pré-eclâmpsia é a principal causa de mortalidade materna nos países em desenvolvimento e a terceira causa de mortalidade materna nos Estados Unidos da América (20%). Os médicos consideram que a prematuridade está também associada à insuficiência placentária, que por sua vez está associada à restrição do crescimento fetal, o que torna o desafio de prevenir e rastrear essas condições ainda maiores. A preva-

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lência e o impacto perinatal da prematuridade e da restrição do obstétricos adequados, manejo da prematuridade e identificação crescimento fetal são muito maiores do que os dos distúrbios de anormalidades no crescimento fetal. A sobrevalorização da cromossômicos (<1%), que, diferentemente da pré-eclâmpsia e TN no Brasil indica que sua solicitação e avaliação de rotina da prematuridade, são considerados não suscetíveis à prevenção são desafiadoras em várias instituições públicas, já que muitos médicos que realizam exames de ultrassonografia não têm e profilaxia. Essas complicações obstétricas são tão comuns hoje treinamento específico para essa medida, e muitas mulheres quanto 40 anos atrás, e isso destaca os desafios no uso de métodos de triagem apropriados e a implementação de estratégias grávidas perdem a oportunidade de medir o CCN para avaliar apropriadas para reduzir sua prevalência. idade gestacional”, lembram os autores. A avaliação da Translucencia nucal (TN) e de outros A importância da avaliação do Doppler das artérias uterinas no primeiro trimarcadores para desordens cromossômicas, estimulada por mestre também deve centros europeus com diferentes situações econômicas e ser enfatizada porque de saúde pública, não é realizada por muitos ultrassonografistas no Brasil, como também o cálculo de risco supera em muito o recomendado pela Fetal Medicine Foundation, na impacto da medida da maioria das vezes não é realizado. Além disso, TN, dada a prevalência de pré-eclâmpsia a avaliação da TN exige uma longa curva de e a possibilidade de aprendizado, destacam os autores. profilaxia com o uso Pedro Pires menciona receber frequentemente solicitações de exames do de aspirina, que se primeiro trimestre solicitando somente mostrou eficaz quando a TN, como se essa avaliação fosse introduzida antes de o parâmetro mais importante a 16 semanas de gestação em ensaios clíniser avaliado nesse período. cos randomizados. Assim, é imperativo chamar a Portanto, os esatenção das sociedades médicas para o a medida do pecialistas sugerem CCN como o parâmetro que as instituições mais importante do públicas retirem a exame do primeiro solicitação de mensuração da TN dos trimestre. “Além exames do primeiro de fornecer in- Fig. 1 New pyramid of priorities for the first trimester scan in Brazil. formações pretrimestre, especialcisas sobre a idade gestacional, com uma margem de erro de 3 mente na rede pública. A demanda reprimida para exames de a 5 dias, o CCN apresenta rápida curva de aprendizado, sendo primeiro trimestre devido à inclusão da solicitação de medição uma mensuração rápida, reprodutível e o único parâmetro com do NT pode, portanto, ser reduzida. Em relação ao relatório de impacto significativo nos resultados perinatais. Além disso, de ultrassonografia, sugerem que a referência a TN seja mantida 10 semanas a 13 semanas e seis dias, a ultrassonografia com no laudo; no entanto, sua medição deve ser opcional e depende medida de CCN para a avaliação precisa da idade gestacional da habilitação do examinador. tem um nível de evidência A.”, destacam os autores. No link abaixo confira a publicação original: “Assim, inegavelmente, todo o raciocínio e conduta obstéhttps://www.febrasgo.org.br/media/k2/attachments/ trica dependem da estimativa precisa da idade gestacional para RBGOZ40Z10_final.pdf permitir a monitorização segura do crescimento fetal, cuidados


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Síndromes compressivas vasculares abdominais: achados de imagem Introdução Estruturas vasculares abdominais podem comprimir ou ser comprimidas por estruturas adjacentes. Tais compressões podem ser encontradas incidentalmente ou se apresentarem como síndromes clínicas típicas. A Tomografia Computadorizada (TC) é o método de escolha para avaliação destas síndromes por apresentar boa resolução espacial e de contraste entre os tecidos, ter potencial de reconstrução multiplanar (MPR), por ser um método minimamente invasivo (em contrapartida à angiografia convencional) e estar amplamente disponível. A ultrassonografia (US) também tem seu papel, com a vantagem de não haver exposição à radiação e ser capaz de proporcionar uma avaliação em tempo real das repercussões hemodinâmicas. Entretanto, a ultrassonografia é extremamente dependente da experiência do examinador e sua avaliação pode ser limitada em pacientes obesos. Por último, a Ressonância Magnética (RM) pode ser empregada em substituição à TC em pacientes alérgicos a meio de contraste iodado e com insuficiência renal crônica. Esta revisão visa abordar as principais síndromes compressivas vasculares abdominais, ilustrando-as através dos achados de imagens de casos da nossa instituição.

Manifesta-se clinicamente por rápida perda de peso, plenitude pós-prandial, náuseas e vômitos3. Radiografias contrastadas evidenciam distensão gástrica e duodenal proximal, com compressão vertical bem definida, ondas antiperistálticas, retardo do esvaziamento gástrico e redução dessas alterações com a variação de decúbito. A TC de abdome é o exame de escolha por permitir avaliação simultânea da anatomia vascular, da compressão duodenal e demonstra dilatação do estômago e duodeno até a emergência da AMS (Fig. 2). O ângulo aortomesentérico encontra-se reduzido nesta síndrome (menor que 18°), bem como a distância aortomesentérica (menor que 10mm) (Fig. 3). A fase angiográfica tardia avalia a vascularização arterial e a parede intestinal.

Síndrome do ligamento arqueado mediano (Síndrome de Dunbar) O ligamento arqueado mediano é um arco fibroso que conecta as cruras diafragmáticas e forma a margem anterior do hiato aórtico. Quando espessado, este ligamento pode determinar compressão sobre o tronco celíaco e causar isquemia mesentérica em alguns indivíduos. Os pacientes são, em geral, assintomáticos. A manifestação clínica mais frequente é a dor abdominal intermitente na região epigástrica, geralmente relacionada a alimentação, o que pode levar a perda de peso. Em exames de TC, uma espessura deste ligamento maior do que 4mm pode ser considerada patológica1. Outros achados que devem estar presentes incluem estreitamento focal do segmento proximal do tronco celíaco, que assume aspecto em gancho (Fig. 1), dilatação pós-estenótica e circulação colateral arterial ao longo da arcada pancreatoduodenal, onde pode haver formação de pequenos aneurismas saculares. Exames de TC e RM direcionados para este diagnóstico são realizados nas fases inspiratória e expiratória devido à relação do ligamento com o diafragma. A US com Doppler também pode ser empregada para diagnóstico ao encontrar uma velocidade de pico sistólico maior do que 200 cm/s no tronco celíaco2.

Figura 2: TC Axial (A e B) e Sagital (C) evidenciando compressão da terceira porção duodenal pela artéria mesentérica superior.

Síndrome de Nutcracker A síndrome de Nutcracker consiste em um conjunto de alterações clínicas causadas pela compressão da veia renal esquerda entre a artéria mesentérica superior e a aorta. Esta compressão ocorre quando o ângulo entre a origem da artéria mesentérica superior e a aorta e/ou a distância entre estas estruturas estão reduzidos (Fig. 4). Sua apresentação é

Figura 1: Imagens sagitais de TC mostrando estenose focal e aspecto em gancho do tronco celíaco, determinados por compressão exercida pelo ligamento arqueado mediano (A), podendo também ser caracterizada dilatação pós-estenótica (B).

Síndrome da artéria mesentérica superior (Síndrome de Wilkie) A síndrome da artéria mesentérica superior (AMS), também conhecida como síndrome de Wilkie, define-se pela compressão da terceira porção duodenal entre a AMS e a aorta3. Pode ser causada por redução do coxim gorduroso retroperitoneal, após perda ponderal acentuada, e situações que promovem angulação da AMS como hiperlordose da coluna, ligamento de Treitz curto, origem inferior da AMS, cirurgias abdominais prévias e redução do peristaltismo duodenal (na esclerodermia e neuropatias).

Figura 3: TC Sagital mostrando ângulo aortomesentérico e distância aortomesentérica normais em (A e B) e patologicamente reduzidos em (C e D).

CONTINUA


Síndromes compressivas vasculares abdominais: achados de imagem CONCLUSÃO X

variável, podendo ser assintomática ou cursar com dor abdominal, proteinúria e hematúria ortostáticas, varicocele ou síndrome da veia ovariana e varizes pieloureterais5. A venografia retrógrada com medida de gradiente pressórico entre a veia renal esquerda e a veia cava inferior é o estudo padrão-ouro para o diagnóstico6. Os exames de TC e RM são a primeira escolha e demonstram estreitamento da veia renal com aumento do diâmetro antes da compressão, além de alterações do ângulo aortomesentérico e distância aortomesentérica semelhantes ao da síndrome da artéria mesentérica superior (Fig. 3). A ultrassonografia com Doppler possui grande utilidade no diagnóstico por evidenciar as características hemodinâmicas de fluxo. Nessa modalidade, realiza-se o cálculo das razões entre os diâmetros da veia renal e entre os picos de velocidade sistólica no local de compressão e na região hilar dilatada, sendo um valor superior a 5,0 diagnóstico para a síndrome8.

assimétrico e progressivo de membro inferior esquerdo, dor, varizes e trombose venosa deste lado. Cronicamente, os pacientes tendem a desenvolver manifestações de insuficiência venosa, tais como dermatite, eczema e úlceras cutâneas9. Não há consenso sobre os sinais radiológicos específicos desta síndrome. Entretanto, os indicativos de compressão da veia ilíaca comum pela artéria como redução do diâmetro na sua origem, veias colaterais tortuosas pélvicas, perineais e na raiz da coxa e trombose sugerem o diagnóstico (Fig. 5)10. A venografia, apesar de ser o estudo padrão, é invasivo e apresenta limitação para visualizar veias centrais. A ultrassonografia com Doppler é o método inicialmente mais utilizado pela resolução anatômica e ampla disponibilidade. Já a TC, além de não invasiva, é capaz de avaliar veias centrais e, consequentemente, a compressão em si e de realizar o diagnóstico diferencial com massas pélvicas compressivas11 .Conclusão Compressões vasculares abdominais são achados incomuns em exames de imagem e podem passar despercebidas. Mesmo quando estes achados são identificados, não obrigatoriamente causam repercussões clínicas, devendo ser avaliados criteriosamente para se evitar intervenções terapêuticas desnecessárias. O tratamento cirúrgico geralmente é indicado quando há falha do tratamento conservador.

Referências 1. Eliahou R, Sosna J, Bloom AI. Between a rock and a hard place: clinical and imaging features of vascular compression syndromes. RadioGraphics 2012; 32:E33–E49. 2. Scholbach T. Celiac artery compression syndrome in children, adolescents, and young adults: clinical and color duplex sonographic features in a series of 59 cases. J Ultrasound Med 2006; 25:299–305. 3. Lamba R. et al. Multidetector CT of Vascular Compression Syndromes in the Abdomen and Pelvis. RadioGraphics 2014; 34:93-115. Figura 4: TC evidenciando veia renal esquerda comprimida pela artéria mesentérica superior sobre a aorta (A e C) determinando varizes pélvicas (B).

Na ocorrência da variação anatômica da veia renal retroaórtica (cerca de 4% da população), pode haver compressão da veia renal esquerda pela aorta sobre a coluna vertebral, sendo então denominada Síndrome de Nutcracker Posterior.

Síndrome de May-Thurner ou Cockett Caracterizada pela compressão da veia ilíaca comum esquerda pela artéria ilíaca comum direita, a Síndrome de May-Thurner ou Cockett usualmente se manifesta como edema

4. Merrett ND, Wilson RB, Cosman P, Biankin AV. Superior mesenteric artery syndrome: diagnosis and treatment strategies. J Gastrointest Surg 2009;13(2):287–292. 5. de Schepper A. Nutcracker phenomenon of the renal vein and venous pathology of the left kidney. J Belge Radiol 1972;55:507–11. 6. Kim KW, Cho JY, Kim SH, et al. Diagnostic value of computed tomographic findings of nutcracker syndrome: correlation with renal venography and renocaval pressure gradients. Eur J Radiol 2011; 80:648–654. 7. Kim SH, Cho SW, Kim HD, et al. Nutcracker syndrome: diagnosis with Doppler US. Radiology 1996;198:93–7. 8. Stewart BH, Reiman G. Left renal venous hypertension “nutcracker” syndrome. Managed by direct renocaval reimplantation. Urology 1982;20:365-9. 9. Oguzkurt L, Tercan F, Pourbagher MA, Kizilkilic O, Turkoz R, Boyvat F. Computed tomography findings in 10 cases of iliac vein compression (May-Thurner) syndrome. Eur J Radiol 2005; 55:421–425. 10. Cil BE, Akpinar E, Karcaaltincaba M, Akinci D. Case 76: May-Thurner syndrome. Radiology 2004; 233:361–365. 11. Grunwald MR, Goldberg MJ, Hofmann LV. Endovascular management of May-Thurner syndrome. AJR 2004; 183:1523–1524.

Autores

Figura 5: A: Compressão da veia ilíaca comum esquerda pela artéria ilíaca comum direita. B: Sinais de trombose crônica da veia ilíaca externa esquerda, caracterizada por redução do seu calibre (seta branca) em comparação com a veia ilíaca externa direita (seta amarela). C: Circulação colateral pélvica proeminente decorrente da compressão, caracterizando a síndrome de May-Thurner-Cockett.

Camila Vilela de Oliveira Gabriela Ribeiro Camerin Davi dos Santos Romão Thiago Dieb Ristum Vieira Médicos do Serviço de Radiologia e Diagnóstico por Imagem do Hospital Sírio Libanês

O ID publica artigos de revisão, de atualização e relatos de casos. Envie para o endereço: www.interacaodiagnóstica.com.br 2

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Dissecção da artéria vertebral em pacientes jovens Introdução: A dissecção das artérias vertebrais é uma doença relativamente rara, com incidência de cinco casos por cem mil habitantes até quarenta e cinco anos de idade. Na maior parte das vezes, a dissecção ocorre no endotélio com ruptura da íntima e desenvolvimento de um falso lúmen. O sangue adentra entre a camada íntima e a média, coagulando-se rapidamente, determinando diferentes graus de estenose/oclusão ou desenvolvendo pseudoaneurismas. A distribuição mais usual é nas porções extracranianas da artéria vertebral, no segmento V2 (30%) e V3 (34%). A dissecção da artéria vertebral é responsável por uma das causas mais frequentes de acidente vascular encefálico em pacientes jovens. Os principais fatores de risco descritos na literatura são: quiropraxia cervical, trauma cranioencefálico, infecção das vias aéreas superiores, tabagismo, fatores genéticos e doenças vasculares. A clínica varia desde assintomática até sintomas sistêmicos como vertigem, cefaléia, cervicalgia e sintomas relacionados a eventos isquêmicos, como parestesias. O diagnóstico é confirmado pelo exame de angiografia, porém exames de imagem são métodos auxiliares de grande importância na avaliação destes pacientes.

Figura 1

Figura 2

Aspectos de imagem: A dissecção da artéria vertebral pode ser avaliadas por diferentes métodos de imagem como Tomografia Computadorizada, Ressonância Magnética e Angiografia digital, cada qual com seus achados e limitações. O objetivo deste trabalho é descrever os principais achados de imagem nos pacientes jovens com dissecção da artéria vertebral. A Tomografia Computadorizada e a AngioTomografia Computadorizada são, em geral, os primeiros exames a serem solicitados na suspeita de dissecção arterial. Permitem avaliar o calibre, o trajeto dos vasos e tem a vantagem de detectar o hematoma mural na fase aguda e, por conseguinte, avaliar o grau de estenose do vaso. O hematoma agudo é caracterizado por uma área de maior densidade em relação às camadas adjacentes. Outros achados incluem a visualização do trombo (Figura 1), afilamento luminal (Figura 2) e por vezes a identificação do duplo-lúmen com o flap intimal (Figura 3). A Ressonância Magnética e a AngioRessonância Magnética tem em conjunto alta sensibilidade e especificidade na avaliação e diagnóstico das dissecções. Nelas é possível avaliar o lúmen da artéria, identificando-se áreas de afilamento luminal, assim como repercussões encefálicas da dissecção e o próprio hematoma intramural na sua fase subaguda. No exame de Ressonância Magnética, o hematoma intramural subagudo se apresenta com hipersinal em T1 e T2, com aspecto de crescente nas sequências de supressão do sinal de gordura (Figura 4), podendo-se observar também a perda do fluxo caracterizada pelo flow void (Figura 5) e o duplo-lúmen (Figura 6). A angiografia digital é considerada o método de imagem padrão-ouro (gold standard) e possibilita a visualização do trombo (Figura 7), do flap intimal e do duplo lúmen, assim como alterações luminais (Figura 8) e de trajeto dos vasos arteriais.

Figura 3

Figura 5

Figura 4

Figura 6

Conclusão: A apresentação clínica da dissecção da artéria vertebral em pacientes jovens e de meia idade é variável. Protocolos institucionais e de exame bem estabelecidos, aliados a experiência do médico radiologista, otimizam o diagnóstico precoce e o prognóstico do paciente.

Referências Bibliográficas 1. Shin JH, Suh DC, Choi CG, Leei HK (2000) Vertebral artery dissection: spectrum of imaging findings with emphasis on angiography and correlation with clinical presentation. Radiographics 20:1687–1696. 2. Rodallec MH, Marteau V, Gerber S, Desmottes L, Zins M. Craniocervical arterial dissection: spectrum of imaging findings and differential diagnosis. RadioGraphics 2008;28(6):1711–1728. 3. Herr RD, Call G, Banks D. Vertebral artery dissection from neck flexion during paroxysmal coughing. Ann Emerg Med 1992; 21:88–91. 4. Rovenzale JM, Sarikaya B, Hacein-Bey L, et al. Causes of misinterpretation of cross-sectional imaging studies for dissection of the craniocervical arteries. American Journal of Roentgenology. 2011;196:45–52. 5. Park KW, Park JS, Hwang SC, Im SB, Shin WH, et al. (2008) Vertebral artery dissection: natural history, clinical features and therapeutic considerations. J Korean Neurosurg Soc 44: 109–115.

Figura 7

Figura 8

Autores Thais Yumi Kotsubo, Luana Amadori Flessak, Nicoli Tamie Yoshimi, Laura Travitzki Grillo, Renato Antonio Sernik, Antonio Sergio Zafred Marcelino, Claudia Moraes Kormann, Bruno Casola Olivetti, Renata Aparecida de Souza Marretto Médicos do Serviço de Radiologia e Diagnóstico por Imagem – Hospital Leforte Liberdade - SP

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Condrodisplasia punctata Relato de caso e revisão de literatura Introdução A Condrodisplasia Punctata (CDP) pertence a um grupo heterogêneo de displasias ósseas caracterizado por calcificações puntiformes em cartilagens (principalmente epifisárias), freqüentemente associadas a outras manifestações, tais como encurtamento dos membros, catarata, ictiose, alopécia, alterações do sistema nervoso central e deficiências mental e do crescimento1-4. A família da CDP inclui as formas: autossômica dominante (doença de Conradi-Hünnermann), autossômica recessiva (rizomélica), as ligadas ao X recessivo (CDPX1) e dominante (CDPX2 ou Conradi-Hünermann-Happle). Na década de 90 foram descritas ainda duas formas mais leves, a tíbia-metacarpo e a braquitelefalângica3,5. Os pacientes com condrodisplasia punctata rizomélica (CDPR) apresentam freqüentemente fácies com micrognatia, hipoplasia malar, ponte nasal achatada e ponta bulbosa, aparentando uma face achatada1. Ao contrário das demais formas de condrodisplasia punctata, a rizomélica tem prognóstico ruim, com infecções respiratórias de repetição e óbito nos dois primeiros anos de vida1,3. A CDPR é uma doença de peroxissomos, estruturas presentes em todas as células do organismo, o que explica a grande variedade de manifestações clínicas presentes na síndrome6. Atualmente, o diagnóstico da CDP é realizado por meio de análise clínica, concomitante a achados bioquímicos e radiológicos. Nosso objetivo é relatar um caso de CDP rizomélica, diagnosticada por critérios clínicos e radiológicos, além de uma breve revisão da literatura com as manifestações clínico-radiológicas e laboratoriais.

Relato do Caso RN de dois dias de vida, sexo masculino, branco, pais não consanguíneos, parto cesárea, 37 semanas, 3.520 gr., Apgar 9/9. Mãe de 34 anos, G1P1, com diabetes gestacional, controlada por dieta. Nega abuso de drogas ou álcool ou exposição ao warfarim (causas teratogênicas conhecidas de epífises puntiformes). Ultrassom morfológico indicou onfalocele com resolução espontânea. Relato de polidrâmnio na ultima semana de gestação. RN evolui com cianose e ictericia antes de 24 horas de vida. Clinicamente, apresentava alterações cutâneas como pele frouxa e escamosa (ictiose), encurtamento de membros em

Figura 1. A-B-C

flexão permanente e espasticidade presentes, micrognatia, base nasal achatada e bossa serossanguínea com craneotabes posterior. A ausculta cardiopulmonar revelou discretas crepitações bibasais. Abdome sem alterações. Exames laboratoriais de rotina normais e pesquisa de infecções congênitas negativas. Ecocardiograma indicou canal arterial pérvio, comunicação interatrial e hipertensão pulmonar com persistência do padrão fetal. Estudo radiográfico: a) micrognatia (Figura 1A); b) espinha nasal achatada (Figura 1A); c) múltiplos pontos de calcificações na topografia das epífises dos ossos longos (Figura 1B e 1C); d) articulações de joelho e cotovelo dispostos em flexão; e) calcificações puntiformes nas junções costovertebrais e regiões pediculares dos corpos vertebrais e sacro (Figura 2A e2B); f) fenda coronal e sagital nos corpos de algumas vértebras torácicas e lombares. g) encurtamento proximal simétrico e bilateral dos ossos dos membros inferiores e superiores (padrão rizomélico) (Figura 3A e 3B). A paciente recebeu alta hospitalar com diagnóstico clínico-radiológico de CDP e foram fornecidas informações e orientações aos pais sobre o caso.

Discussão As displasias ósseas se caracterizam por alterações no crescimento e desenvolvimento cartilagíneo, ósseo e do remodelamento destes, principalmente as formas autossômicas dominante (doença de Conradi-Hünnermann) e recessiva (rizomélica). Atualmente, o diagnóstico de CDP é feito por meio das características clínicas compatíveis com a síndrome, associadas a achados bioquímicos que incluem dosagens séricas do ácido fitânico e pesquisa de síntese de plasmalogênio em cultura de fibroblastos. O estudo cromossômico denota mutação no gene PEX7, sendo 50% delas no alelo L292ter4. Nenhum destes testes, bioquímico ou genético, foi realizado no caso em análise. As principais características descritas na literatura são micromelia rizomélica (encurtamento proximal dos membros) simétrica e acentuada; calcificações puntiformes e alterações da ossificação em metáfises e epífises de ossos longos; calcificações puntiformes e fissuras coronais em vértebras de coluna torácica e lombar; microcefalia e atraso de crescimento, retardo psicomotor, espasticidade e óbito precoce4,6. Outras características têm sido descritas com freqüência variável, entre elas ictiose, catarata, dificuldade de sucção e deglutição, alopécia, deficiência auditiva e visual, convulsões, hipoplasia dos nervos ópticos, cifoescoliose e espinha bífida1,4. Os pacientes comumente apresentam fácies com micrognatia, hipoplasia malar, ponte nasal achatada e ponta bulbosa, aparentando uma face achatada. O diagnóstico diferencial inclui as outras causas de CDP, síndrome de Keutel, síndrome de Zellweger, síndrome de SmithLemn-Opitz, adrenoleucodistrofia neonatal, lúpus neonatal, trissomia do 21 ou 18, síndrome alcoólica fetal, infecções congênitas e uso materno de fenitoína ou dicumarínicos durante a gestação3 Pacientes com diagnóstico de CDP rizomélica devem ser acompanhados ambulatorialmente, pois apesar de inexistência de tratamento específico atualmente, muitas das manifestações clínicas podem não estar presentes no momento do diagnóstico. Outras tendem a desaparecer com a idade, como as calcificações puntiformes, sem deixar deformidades ósseas5.

Referências Bibliográficas 1. Wardinsky TD, Pagon RA, Powell BR, et al. Rhizomelic chondrodysplasia punctata and survival beyond one year: a review of the literature and five case reports. Clin Genet 1990;38:84–93. 2. Labrunie E, Pereira LF, Guimarães RR. Displasia epifisária punctata – relato de caso. Radiol Bras 1999;23:161–164. 3. Kumada S, Hayashi M, Kenmochi J, et al. Lethal form of chondrodysplasia punctata with normal plasmalogen and cholesterol biosynthesis. Am J Med Genet 2001;98:250–255. 4. Pascolat G, Zindeluk JL, Abraão KC, Rodrigues FM, Guedes CIM. Condrodisplasia puntiforme forma rizomélica – relato de caso. J Pediatr 2003; 79:189–192. Figura 2. A-B

5. Ikegawa S, Ohashi H, Ogata T, Honda A, Tsukahara M, Kubo T, et al. Novel and recurrent EBP mutations in X-linked dominant chondrodysplasia punctata. Am J Med Genet 2001;94:300-5. 6. Spranger JW, Opitz JM, Bidder U. Heterogeneity of chondrodysplasia punctata [abstract]. Humangenetik 1971;11:190-212.

Autores Adriano Fleury de Farias Soares Médico radiologista do Grupo Fleury

Figura 3. A-B

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Daniel Chrispim Médicos radiologistas – Diagnóstico por Imagem Grupo Fleury


DEZEMBRO 2018 / JANEIRO 2019 - ANO 17 - Nº 107

Inovações e desafios no caminho da Carestream no mercado brasileiro

Por Angela Miguel (SP)

Com operações em 150 países e mais de 600 patentes para geração de imagens, a Carestream apresenta seu novo presidente, chairman e CEO, David Westgate. Em visita ao Brasil, o executivo ressaltou a eficiência da equipe brasileira para enfrentar as particularidades e os desafios do mercado brasileiro e falou sobre as inovações e soluções em TI que fazem parte da história atual da empresa

F

ornecedora global de serviços e nessas áreas em que operamos hoje e, finalpara a América Latina, Miguel Nieto, a região mente, encontrar oportunidades de crescimento soluções para diagnóstico por imaé uma das mais interessantes quanto ao crescigem médica e dental, a Carestremento para a corporação, tanto para os produtos fora das áreas tradicionais”, explica Westgate. am possui desde julho um novo tradicionais quanto para as tecnologias mais Para alcançar esses objetivos, o executivo presidente, chairman e CEO, que sofisticadas: “encontramos na América Latina lembra que a cultura da empresa é fundamental, apoiada por três fatores: a satisfação do visitou recentemente o Brasil para conhecer a oportunidades em segmentos variados, como consumidor, a inovação contínua e a excelência estrutura da empresa no País e os principais na área odontológica ou nos ensaios não destrutivos. Estamos cientes do esforço brasileiro operacional. Segundo Westgate, a Carestream clientes da companhia. David Westgate atuou em recuperar sua economia nos últimos anos sempre operou como uma corporação centraanteriormente como CEO da Jason Industries e a Carestream acredita que o Inc. e veio ao Brasil para conhecer time local está preparado para a bem-sucedida equipe que conduz os negócios da Carestream e capitalizar as futuras oportunidades e oferecer produtos e entender as necessidades e complexidades do mercado nacional. serviços ainda melhores”. Em entrevista ao Jornal ID – A visão de Nieto é corroborada pelo Country Business Interação Diagnóstica, Westgate Manager no Brasil, Irineu Monfalou sobre as perspectivas para teiro, uma vez que o portfólio da a empresa ao lado do recém-nomeado CFO da Carestream, Scott companhia apresenta uma série Rosa, do presidente da companhia de complementariedades. “Sabemos que o filme continuará para a América Latina, Miguel sendo um importante insumo Nieto e do Country Business no mercado de diagnóstico Manager local, Irineu Monteiro. por imagens, por vários anos De início, o presidente destacou a e temos inclusive novidades força do time brasileiro nos resultados positivos dos últimos anos e Com perspectivas e projetos de inovação,David Westgate, presidente e chairman da nesta linha de produtos para Carestream, destacou a atuação da equipe brasileira. o foco da companhia em voltar sua o próximo ano, mas também lizada, mas somente por meio da proximidade atenção para as necessidades e requerimentos atuamos fortemente na área médica digital”, e do conhecimento amplo e profundo das dos clientes, de forma a entregar soluções e projetou Monteiro. regiões e das particularidades dos mercados serviços personalizados. Inovações no caminho é que será possível aproveitar e abraçar novas “Começamos a visitar as regiões onde a Westgate e seu time executivo estão prontos oportunidades - caso do nosso país. “O Brasil Carestream tem presença para identificarmos as para liderar inovações que promovam reais mué um local desafiador para fazer negócio e nós necessidades e as oportunidades de negócios, danças na vida de pacientes, clientes e players temos grande satisfação de contar com um e nesse sentido, nossa equipe brasileira é a da indústria. Tanto o presidente quanto o CFO time que consegue navegar por esses desagrande responsável pelo nosso sucesso local. Scott Rosa reforçam que promover soluções fios e encontrar oportunidades importantes Precisamos olhar de fora para dentro. Entendo mais ágeis, eficientes e economicamente viáveis e válidas para a companhia e para nossos que a Carestream possui três grandes missões: é uma das grandes inspirações para todos os clientes”, disse. identificar como podemos crescer nos segmenfuncionários da companhia por todo o muntos que já atuamos, sermos mais competitivos De acordo com o presidente da Carestream

T

do. “Nossa busca agora é não só diversificar e complementar nosso portfólio, mas também aumentar nossa performance financeira”, afirmou Rosa. Uma das maneiras de buscar essas inovações está no investimento da Inteligência Artificial. Westgate esclareceu que a IA é encarada como uma facilitadora para melhores condições de imagens para radiologia e, consequentemente, para a prática médica. “A IA pode ajudar na velocidade do diagnóstico, especialmente em relação à quantidade de exames que temos. Basicamente, a IA pode fazer com que o radiologista empenhe 80% a menos do seu tempo na análise dos exames. Outro ponto inovador importante para a Carestream é sua área de soluções em TI para saúde. A companhia possui tecnologias para otimizar o fluxo de trabalho em locais, especialidades e plataformas diversas, com destaque para a Carestream Vue, plataforma de TI que simplifica a geração de laudos RIS+ PACS+ em radiologia, cardiologia e mamografia. Westgate confessa que esse tem sido um novo setor para ele, e que a maneira de se trabalhar com os clientes também se dá de forma ímpar. “Quando falamos em soluções em TI, entregamos produtos e serviços através de contratos de vários anos de duração, e que nos conecta fortemente com nossos clientes. Eles confiam que a Carestream apresenta a melhor solução para executar seu fluxo de trabalho e de informações, o que exige uma enorme responsabilidade de nossa parte no monitoramento e no processamento de performance destas soluções. É um modelo de negócio único e tem sido excitante criar novas e duradouras parcerias com nossos clientes, de maneira a superar suas expectativas”, finaliza ele.

Tomógrafo de última geração no IGESP

radicional instituição de São Paulo, o Hospital IGESP anunciou a aquisição de um moderno aparelho de tomografia computadorizado para seu Centro de Diagnóstico por Imagem, modelo Aquilion PRIME™, produzido pela Canon Medical Systems do Brasil. De acordo com o CEO do Grupo Trasmontano, detentora da marca, Dr. Júlio Cesar de Machado Lobato, a aquisição de um tomógrafo de última geração só reforça o compromisso que o hospital tem em oferecer o que há de melhor em tecnologia de primeiro mundo para os pacientes. O novo equipamento faz tomografias de corpo inteiro e conta com a mesa de paciente com capacidade para 300kg. Ele também é equipado com novos recursos e funções que capturam imagens mais precisas e com qualidade excepcionais e índices de radiação bem baixos.

Para receber o novo tomógrafo, o Hospital IGESP construiu uma sala de exames com conceito humanizado, produzida para trazer um pouco mais de conforto e bem-estar aos pacientes. A sala ainda conta com câmeras de monitoramento que auxiliarão os profissionais no gerenciamento da sala durante o exame, captando qualquer tipo de expressão do paciente. Para o Dr. Luis Augusto Sonoda, médico radiologista e Coordenador do Centro de Diagnóstico por Imagem do Hospital IGESP, diversas especialidades serão beneficiadas com a chegada do tomógrafo que além de permitir menor uso de contraste, oferece imagens de altíssima resolução, auxiliando no diagnóstico mais preciso especialmente para as áreas de ortopedia, cardiologia e vascular.

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RESULTADOS Por Luiz Carlos de Almeida e Angela Miguel (SP)

Foco no cliente impulsiona negócios da Saevo Com resultados que superaram suas expectativas, a Saevo chega ao final de 2018, com resultados expressivos e a consolidação da sua linha de equipamentos de ultrassonografia.

A

avaliação foi feita pelo via cerca de 330KM de São Paulo, dentro em produtos além de parcerias tecnológicas que ce-presidente executivo da uma moderna estrutura fabril da Alliage, a contribuem com as melhores soluções para Alliage S/A, Caetano Barros holding detentora das marcas Dabi Atlante, seus produtos. Para Biagi, o apoio ao desenvolvimento de fornecedores tecnológicos no Biagi, durante a Jornada InterSaevo, D700 e Pross, e hoje está presente nacional de Ultrassonografia, Brasil é um tema muito caro e que persiste com seus produtos e serviços em mais de em Ribeirão Preto, onde a empresa apresenno DNA da Saevo. “Fizemos esse mesmo 150 países. tou seus produtos. Há dez anos atuando na caminho com a área odontológica e podemos Ao focar na área de ultrassonografia, de área de diagnóstico por imagem, a Alliage dizer que hoje 100% do que é feito e comeracordo com Caetano Biagi, nos últimos três cializado no Brasil e no mundo pela nossa vem se consolidando com seus produtos e anos esta área dobrou três vezes de tamanho. empresa é de tecnologia brademonstrando todo seu potencial. Na linha médica, inisileira. É um caminho natural ciou com os equipamentos de que tudo aquilo que agregue ultrassom em 2015 utilizando valor seja produzido no Brasil, a marca Figlabs e este ano, o que diferencia nosso produto por questões estratégicas, sob os aspectos de qualidade e migrou os produtos da marca de eficiência. Nós acreditamos Figlabs para a marca Saevo. na inteligência do brasileiro”, Uma empresa genuinamenressalta. te brasileira, nasceu com o O executivo afirma que desafio de evoluir nessa área quando são comparados os tecnológica com produtos que valores pagos a máquinas atendam às expectativas da estrangeiras no Brasil e nos Saúde no Brasil e na América Estados Unidos, a área médica brasileira paga mais caro. Latina. Atualmente, é uma “Isso faz um estrago na área de das principais montadoras saúde, pois o custo do exame é de equipamentos de ultrassom Caetano Barros Biagi e Thiago de Almeida, nas novas instalações da Saevo, em Ribeirão Preto. um percentual da depreciação no país. “A empresa celebra do equipamento, e quando ele sai pelo do“O crescimento dos negócios é importante, o crescimento dos negócios e os resultados conquistados a partir do foco total bro do preço ou 50% mais caro, isso natumas isso é consequência, está longe de ser ralmente faz com que o exame fique menos no atendimento das necessidades de seus o nosso único objetivo. Nós vendemos um disponível ou mais caro”, conclui. consumidores e parceiros médicos, ou seja, equipamento para que o profissional faça Sobre o futuro, Biagi ressalta que a a total satisfação de seus clientes”, registra uso dele na sua clínica ou no seu negócio empresa jamais pode se acomodar com o Caetano Biagi, com otimismo e confiança. hospitalar e queremos que esse propósito sucesso e deve seguir buscando excelência A empresa tem sua história ligada ao seja cumprido do início ao fim. Para todas no atendimento e na satisfação dos clientes. tradicional grupo fabricante de equipamenas máquinas vendidas, a Saevo direciona tos odontológicos, o Grupo Gnatus/Dabi “Nosso time adora ser desafiado e acredito seus esforços para as necessidades de seus Atlante, cujo DNA é reconhecido internaque o grande diferencial da Saevo é atender clientes”, afirma. cionalmente pela qualidade e eficiência. os consumidores e a medicina brasileira com A Saevo conta com uma estrutura fabril com mais de 800 colaboradores, sendo Com essa origem, os produtos da Saevo o respeito e o carinho que merecem”, conclui 10% dedicados para a engenharia de novos são fabricados na cidade de Ribeirão Preto, o executivo.

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Quiosques de autoatedimento para agilizar a entrega de exames

P

ara aumentar a produtividade da equipe e reduzir as despesas, permitindo que os pacientes recebam suas imagens médicas de ressonância magnética (RM) e tomografia computadorizada (TC), a CURA Imagem e Diagnóstico Brasil, instalou dois Quiosques de Autoatendimento MyVue Center em seu centro de imagens. “Esses quiosques de autoatendimento permitirão que o centro de imagem aumente a produtividade e intensifique a satisfação dos pacientes, o que torna esse produto muito atrativo para ambos: as instalações de imagens e seus pacientes,” diz Irineu Monteiro, Gerente de negócios do país para o Brasil, complementando que “o centro de imagem também poderá readaptar a área do escritório usada anteriormente para imprimir as imagens, o que pode aumentar ainda mais a produtividade do centro. A equipe do centro de imagem imprimia imagens para cada exame, o que é muito trabalhoso. Muitos pacientes retornam ao centro depois do exame para receber as imagens e os relatórios de radiologia. Os quiosques permitirão que os pacientes obtenham as imagens médicas e que recebam o relatório de radiologia por meio do portal do paciente usando um dispositivo digital, como notebook ou PC, em uma data posterior. As imagens médicas serão produzidas na película de imagem médica a laser CARESTREAM DRYVIEW de alta qualidade.


REGISTRO

Monitores multiparâmetros para ressonância magnética chegam ao Brasil Konimagem formaliza nova parceria e apresenta linha de equipamentos para monitoramento de sinais vitais em pacientes durante exames na sala de ressonância magnética.

C

iente da necessidade do acomO Tesla M3 é um sistema de monitorapanhamento dos sinais vitais mento wireless com menu intuitivo e tela dos pacientes durante o exame com touch screen de 15 polegadas, onde de ressonância magnética, a podem ser exibidas simultaneamente até Konimagem traz para Brasil os seis formas de ondas e quatro campos de monitores Tesla M3 e Tesla Duo, fabricados parâmetros numéricos. Com sensores de pela empresa alemã MIPM (Mammendorfer Sp02 e ECG, o equipamento tem até oito Institut Für Physik und Medizin). Os aparehoras de memória de tendência e possilhos foram desenvolvidos para atender à nebilita a transferência dos dados para USB, cessidade junto aos exames de ressonância impressora ou para a rede do hospital. magnética para o monitoramento completo Operado da sala de controle, o Tesla M3 é equipado dos sinais vitais assegurando maior segurança para médicos e pacientes. com interface de disparo “Os equipamentos foram desenvolvidos especialmente para o ambiente da ressonância magnética e também em situações onde o paciente necessite da sedação para realização do exame. Com crianças, por exemplo, é normal que elas sejam sedadas para o exame, e os monitores são ideais para o acompanhamento de seus sinais vitais pela equipe médica. A MIPM é especializada nesse segmento e desenvolve produtos diferenciados para atender a essas demandas”, explica Alfredo Fonseca, responsável pelas áreas de Contraste e Monitores Tesla Duo Tesla M3 de Ressonância Magnética da Konimagem. cardíaco e monitoramento de temperatura Únicos no mercado, os equipamentos corporal (superfície e intra-corpórea). foram desenvolvidos com o apoio de usuários da área médica, explica o executivo. “Além disso, seu filtro de artefato

digital assegura leituras confiáveis mesmo durante sequências de intensa digitalização gradiente. O produto também possui sensor de oximetria de pulso com três adaptadores diferentes nos tamanhos grande, pediátrico e pediátrico pequeno. Nesse sentido, os adaptadores de dedo ajudam no posicionamento do sensor mais facilmente e garante o monitoramento confiável de Sp02”, enfatiza. Alfredo Fonseca, responsável pelas áreas de Contraste e Monitores de Enquanto o Ressonância Magnética da Konimagem. “Tesla M3 é indicado para locais que trabalham casos integrada, interface USB, seis intervalos de maior complexidade, o Tesla Duo de NIBP, controle remoto infravermelho compreende a rotina de clínicas e para operação da sala de controle, alarmes centros médicos, de qualquer porte. óticos e sonoros e acesso cardíaco opcional, Com sensor sem fio e combinando ideal para serviços de menor porte, lembra o monitoramento da saturação do Fonseca. oxigênio arterial e o medidor não “Ambos os monitores possuem todos invasivo de pressão sanguínea em os registros da Anvisa e serão comercialiuma unidade compacta, o profiszados a partir de janeiro de 2019 no país. sional tem mais flexibilidade para Atendemos todo o estado de São Paulo posicionar o paciente. Disponível inclusive mantendo nossa Equipe treinada em três configurações diferentes para a assistência técnica desses equipa(apenas Sp02; apenas NIBP; e Sp02 mentos”, reforça Fonseca, ressaltando que e NIBP combinados), o Tesla Duo é opeambos os produtos são compatíveis com os rado por meio de tela touch screen de diversos equipamentos de RM existentes 7 polegadas e possui memória de tendência no mercado”.

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MERCADO

Imagem Plus prepara expansão para 2019

O futuro da saúde na previsão dos economistas

Preparando-se para mais um salto na sua história, com mais de 15 anos no mercado, a Imagem Plus chegará a 2019, dobrando o seu espaço físico, em Porto Alegre, agregando uma nova área ao seu portfólio, que já inclui a tecnologia Samsung em ultrassonografia e toda linha de produtos da Carestream Health, dos raios x aos produtos digitais.

O

timista, apoiado nos resultados obtinossos clientes se surpreendem pela estrutura que dos pela empresa, que atua nos estaa gente tem, e que hoje, está se tornando pequena. dos do Rio Grande do Sul, Paraná e Nós já estamos nos preparando para uma nova Santa Catarina, Celso Paixão, diretor aquisição, e estamos precisando de um espaço de da Imagem Plus acredita – ao lado do 1800 metros quadrados de área, aproximadamente. seu parceiro Augusto Dias – “que tudo isso é fruto Estamos em tratativas, e acredito que em 2019, já de muito trabalho, iniciado há 20 anos quando estaremos em novo local. O objetivo é transformar ele se mudou para o Sul”. Inie agregar a nossa empresa cialmente atendeu a Pyramid/ novos parceiros, já que a gente Hologic, incorporando em seimporta também, o Hostess, guida os serviços da Samsung, densitometria óssea e, também, os monitores da Gusa. e, posteriormente, a Carestream Health. De acordo com o Os planos incluem, também, diretor grandes investimentos a importação de outros produtos, dentro da nossa linha foram feitos ao longo desse de atuação”, analisa o diretor. período. Atualmente tem uma Apesar de toda crise, sede em Porto Alegre com 700 Celso Paixão avalia que a metros quadrados de área e Imagem Plus está colhendo os 27 funcionários atendendo frutos dessa linha de trabalho, os três Estados do Sul, com copiando um modelo de “emos produtos que importam, e presa multinacional, internamais a distribuição da Carestream e Samsung. mente, investindo muito para Com 11 anos de existênganhar a confiança do médico, cia, a Imagem Plus tem gran“trazendo-o para dentro da Celso Paixão, da Imagem Plus des desafios, mas, tem muito a empresa, para se sentir mais comemorar, enfatiza Paixão, “o desafio hoje é você seguro com quem está lidando”. conseguir conter os custos, diretos e indiretos, que Expansão, rumo a Odontologia são muito grandes, mas a visibilidade de negócio que nós temos hoje é muito grande. Trabalhamos Como resultado de todo este esforço, Celso com o produtos de qualidade e produtos que fazem Paixão destaca: “nós tivemos recentemente um a diferença e dão uma estabilidade ao mercado. convite para agregar a linha odontológica da CaCom isso, conseguimos crescer e nos posicionar restream, que está nos surpreendendo”. Estamos como empresa de médio porte”. profissionalizando a Imagem Plus, para em 2019, Atualmente, a Imagem Plus, tem todos os tentar crescer mais um pouco, em novo local, com departamentos pertinentes à venda, licitação, alguns produtos. Entre eles, um já está em concomercial e assistência técnica aos produtos que versação e, “acredito – pois sempre crescemos na trabalha. “Isso nos deixa muito satisfeitos, pois, os crise – que em 2019, vamos ter novidades”.

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Ricardo Amorim, economista, e Renato Garcia Carvalho, deram o tom da reunião que tratou do tema “O Futuro da Saúde” “O fundo do poço ficou para trás. Hoje já há uma expectativa mais otimista, com previsões de aceleração da nossa economia.. Porém, se quisermos cuidar da Saúde e de todo o resto, precisaremos resolver o problema do déficit da previdência, que será o primeiro e grande teste do novo Governo”. A afirmação foi feita ontem pelo economista Ricardo Amorim, durante o Encontro Anual da ABIMED (Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde). Amorim, que apresentou a palestra “O Futuro da Saúde”, se disse otimista em relação ao crescimento de investimentos e empregos no próximo ano, o que tende a impactar positivamente o financiamento da saúde, hoje prejudicado pela situação precária dos estados e municípios e pela perda de usuários de planos de saúde. Destacou que a aceleração da economia deve promover também um fortalecimento das regiões e que indústrias e gestores terão a oportunidade e o desafio de levar saúde a esses locais. As novas tecnologias 4.0, de menor custo, contribuirão, segundo ele, para esse processo, ampliando o acesso e ajudando a equacionar o aumento da demanda, intensificado pelo envelhecimento da população. “Nunca houve uma transformação tecnológica tão intensa e significativa, mas a falta de inovação no Brasil ainda é um grande desafio que precisa ser enfrentado”, destacou. O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), William Dib, apresentou no encontro as perspectivas da área regulatória para o próximo ano. Assinalou o esforço da agência para se modernizar, principalmente em relação aos sistemas de informação, a desburocratização e a necessidade de agilizar a concessão de autorização para funcionamento de novas empresas. “Estamos buscando nos modernizar também em relação aos padrões internacionais, para que os produtos brasileiros possam ter maior inserção no mercado global”, afirmou. Ao apresentar os planos da ABIMED para 2019, Renato Garcia Carvalho, presidente do Conselho de Administração, apontou a priorização da área de ética e compliance. “O Brasil consolidou neste ano um processo de moralização que está tomando conta da sociedade. Como dirigentes de uma associação que representa a maior parte do setor, é nosso papel trabalhar para aprimorar essa questão”, observou. Carvalho disse que a composição do novo Conselho, majoritariamente de CEOs, demonstra a importância dada à entidade e os esforços para atender às demandas dos associados. Destacou ainda a necessidade de reorientação da associação neste momento em que há uma expectativa positiva de crescimento e no qual deve-se gerar um ciclo positivo e benéfico para todos.


REGISTRO

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TECNOLOGIA

Biópsias histológicas guiadas por Tomossíntese em mesa prona: o maior avanço em mais de 20 anos A biópsia cirúrgica após marcação radiológica com guias metálicas e / ou corantes foi a maneira mais utilizada para investigar lesões suspeitas de malignidade, não palpáveis, detectadas pela mamografia durante muitos anos¹.

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m 1990, o Dr. Steve Parker publicou sua experiência inicial com biópsias histológicas com orientação estereotáxica². Foram feitas 103 biópsias, as primeiras 30 foram realizadas com um computador que foi adicionado ao mamógrafo (add-on), na era da mamografia analógica. A paciente estava sentada, vendo o procedimento, o espaço para o radiologista executar o procedimento entre a cabeça da paciente e da mama era bem reduzido e depois de cada exposição mamográfica, tinha-se que revelar as radiografias (pelo menos 3 minutos), de modo que era grande a possibilidade da paciente se mover (comprometendo a precisão e a certeza de obter o material) ou mesmo uma reação vagal nada insignificante. Isto levou a 73 biópsias seguintes que foram realizadas em um equipamento dedicado unicamente a biópsias da mama, constituído por uma mesa de prona (a paciente fica deitada na posição em decúbito ventral), a mama passa através de uma abertura ampla na mesa e a biopsia é realizada na parte debaixo da mesa, onde o equipamento de mamografia está localizado, não podendo ser visualizado pela paciente deitada, então as possibilidades de movimento e reação vagal são muito menores. Uma pistola automática com um sistema de mola e agulhas de 18G foi utilizada para coletar o material histológico nas primeiras 65 biópsias, o mesmo calibre utilizado para fazer as biópsias da próstata, mas nos casos em que a mama continha mais gordura, o material não foi satisfatório para os patologistas. As 9 biópsias seguintes foram realizadas com agulhas 16G que, não eram adequadas e as últimas 29 foram coleta-

Enquanto muitas das lesões suspeitas detectadas pela tomossíntese e não visíveis na mamografia 2D, são visíveis pelo ultrassom e podem ser biopsiada usando esse método, existem lesões que só são visíveis através da tomossíntese. Dada à falta de um equipamento adequado para realizar biópsias guiadas por tomossíntese, quando o método chegou ao mercado, soluções diferentes foram adotadas13-17. A introdução da mamografia digital direta levou a um aumento significativo na detecção de microcalcificações18, muitas delas difíceis de identificar em equipamentos de estereotaxia de tecnologia mais antiga. A primeira solução para esses problemas veio em 2013, quando Hologic introduziu o Affirm®, um sistema de biópsia guiada por tomossíntese que se encaixa ao mamógrafo (sistema add-on). O método foi muito bem recebido, provando ser preciso e seguro. E graças ao detector de alta resolução, um campo maior de exibição de imagem maior que os de 5x5 cm usuais e a sua capacidade de realizar imagens por tomossíntese, a detecção de lesões

são certamente as qualidades mais importantes e valiosas do equipamento, as quais geram outros benefícios como a redução do tempo necessário para realizar as biópsias e maior certeza e segurança na identificação das lesões. As complicações causadas pelo procedimento de biópsia, são raras, exceto as relacionadas com sangramento, inalteradas face ao equipamento anterior. A capacidade de biopsiar lesões através de imagens geradas por tomossíntese vai muito além de ser um método imperativo para lesões somente detectadas por tomossíntese, além disso essa tecnologia traz dois grandes benefícios, que não existiam com a tecnologia anterior: 1- Simplificação e maior precisão para localizar a lesão num único ponto no espaço (com maior precisão do que por estereotaxia, a qual havia a necessidade de selecionar dois pontos idênticos da lesão no espaço). 2- Menor dose de radiação: Em cada incidência mamográfica a dose de radiação (direta) é de 1,6 mGy, em estereotaxia (duas incidências são necessárias) a dose total é de 3,2 mGy e a dose de uma aquisição tomossíntese é 1.8mGy. Por conseguinte, toda vez que é substituímos a biópsia estereotaxica pela biopsia guiada por tomossíntese (calcular a localização da lesão, pré-disparador, pós-gatilho e o final da coleta de amostras, será utilizada uma dose de radiação 1,4 mGy inferior), ou seja 44 % de redução se comparada com a biópsia estereotaxica. Em qualquer caso, o sistema tem as duas opções

das com agulhas 14G, ficando os patologistas satisfeitos com o material obtido. No ano seguinte, o mesmo Dr. Steve Parker, publicou sua série de biópsias em 102 pacientes, seguindo uma técnica padronizada: Mesa Prona de biópsia Estereotaxica, agulha de 14G pistola automática e longa excursão (23 milímetros), com excelentes resultados³. Alguns anos mais tarde surgiram biópsias por sistema à vácuo, inicialmente realizadas com agulhas 14G e depois com 11G, demonstrando benefícios e consagraram-se como o método ideal para lesões vinculadas principalmente à microcalcificações, por apresentar menos subestimações e falso negativos4. A análise mostrou que inúmeras biópsias por punção são precisas (sensibilidade ≥ 97%)5 e seguras (complicações ≤1.5%), com melhor estética e custos mais baixos do que em biópsias cirúrgicas. Foi também demonstrado que, quando a biópsia por agulha (punção) foi realizada inicialmente, houve um maior percentual de terapêutica ao mesmo tempo, do que quando se realizou a biópsia cirúrgica inicialmente6 e a indicação de estudo do nódulo sentinela como o método usual para a investigação axilar em pacientes com câncer de mama e axila clinicamente negativas7, consolidaram o método de biópsias por punção histológica guiadas por imagem como a primeira indicação de biópsia em lesões mamárias suspeitas8. A tecnologia digital, com um campo parcial 5x5 cm, surgiu em 1993 e chegou antes para as mesas de biópsia pronas do que para os equipamentos de mamografia. A mamografia de campo total digital (FFDM) foi aprovada em 2000, mas não teve impacto significativo até 2005, quando o estudo DMIST9 foi publicado, após o qual houve uma migração rápida para mamografia de campo total digital (conversão digital direta ou indireta de acordo com cada país). A plataforma digital foi fundamental para o desenvolvimento da tomossíntese, a qual foi aprovada em 2011. A tomossíntese demonstrou o aumento da detecção de carcinomas, cerca de 40% e a diminuição na reconvocação de pacientes de aproximadamente 15%, em comparação com a mamografia digital10-12 2D.

se tornou mais rápida do que com os equipamentos antigos19, 20. Três anos mais tarde, foi introduzida a mesa de biópsia com tomossíntese para guiar o procedimento. Nas palavras das mais altas autoridades da Hologic: “O lançamento da mesa de biópsia Affirm Prone® é o avanço mais significativo nessa tecnologia desde que lançamos a primeira mesa de biópsia a mais de 20 anos atrás” 21. No mês de maio 2017 recebemos as duas primeiras mesas de biópsia pronas com tomossíntese instaladas na América Latina, fora os EUA e Canadá. Quero compartilhar com você nossa experiência com esses equipamentos nos primeiros dez meses de uso (02/05/17 a 28/02/18), nos quais já realizamos 2.808 biópsias. Os conceitos que se relacionam a seguir, surgem a partir de pontos de vista dos seis médicos que realizam biópsias diariamente em CERIM (Buenos Aires), consultados através de uma pesquisa anônima. O equipamento trouxe mais conforto a paciente, com colchonetes mais grossos e mais confortáveis, maior abertura para o posicionamento da mama, facilitando o encaixe do braço, quando necessário, contando também com um apoio de braço para estas ocasiões. Algumas pacientes continuam a se queixar de desconforto no pescoço porque a posição é a mesma. O console tem alterações substanciais, com melhorias importantes como não ser mais necessário calcular o ponto “0” antes de iniciar cada procedimento. Simplesmente depois de determinar a localização da lesão em um único ponto no espaço, através da tomossíntese, o sistema mostra as coordenadas X , Y e Z da lesão e basta selecionar qual o tipo de agulha será usado para a biópsia em uma lista de todos os tipos de agulhas que são usadas regularmente, para que o computador indique automaticamente em um gráfico a posição que a agulha terá dentro da mama, a sua relação com a lesão, o compressor e o detector, alertando com cores em amarelo e vermelho quando a distância é inadequada (imagem). A facilidade em detectar lesões é creditada ao amplo campo de visão com compressores de acrílico transparente e imagens de ótima definição graças ao detector de alta resolução, estas

(tomossíntese e estereotaxia) sendo algumas variantes muito utilizadas por alguns operadores. Ex: calcular a localização da lesão com tomossíntese e verificar a relação entre a agulha e a lesão (pré-tiro) por estereotaxia. Além disso, a tomossíntese nos permite identificar com rapidez e precisão, calcificações de dependência dérmica e, em alguns casos, estruturas vasculares que estão perto da lesão ou no trajeto da agulha, entre a pele e a lesão, permitindo modificar a nossa abordagem à lesão e evitar sangramentos. Por fim, o equipamento apresenta a possibilidade de acesso lateral, muito útil em mamas muito finas ao realizar a compressão, onde a biópsia não é possível de outra maneira. O sistema funciona muito bem e dispensa cálculos sofisticados, o equipamento faz seu recálculo automaticamente e nos informa onde entrar, bem como as coordenadas conhecidas da lesão. Em suma, a nova mesa de biópsia prona com tomossíntese surge como uma necessidade para realizar biópsias em lesões que somente são visíveis por este método, mas claramente representa um grande salto frente a identificação de lesões, com melhorias significativas na realização da mesma, nas reduções do tempo necessário para cada procedimento e a dose de radiação, além de maior conforto para a paciente. Além da alternativa de um acesso lateral quando a mama é de pequena espessura e não permite um acesso convencional. O maior conforto para a paciente e o operador em relação ao equipamento que é adicionado à mamografia (add-on), com menos chance de a paciente se mover ou apresentar uma reação vagal, torna a nova mesa de biópsia prona o padrão-ouro (gold standard) para realização de biópsias guiadas por estereotaxia e / ou . tomossíntese.

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* Esta entrevista expressa a a opinião de um usuário especialista no procedimento de biópsia através produto Affirm Prone®. Para obter informações adicionais e detalhes técnicos sobre o produto, entre em contato com o representante autorizado da Hologic em seu país.


ACONTECE

JPR´2019 celebrará relações internacionais

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om mais de 60 nomes confirmados, ligados a 19 entidades internacionais, a Sociedade Paulista de Radiologia abre as inscrições da 49ª JPR, para seus associados, e dá o pontapé inicial para o evento, que será realizado de 2 a 5 de maio de 2019, no Transamerica Expo Center. Celebrando as Relações Internacionais é o tema central do evento, e o seu foco será realmente a confraternização entre estas instituições, numa troca de informações muito ampla e atualizada. Da RSNA, ERS, FLAUS e CIR, entidades representativas da especialidade como um todo, às Sociedades Regionais dos principais países, os participantes poderão ter uma convivência muito próxima com as mais diversas realidades e a experiência de cada um. O amplo temário, em fase de elaboração pela Comissão Cientifica da SPR, que reúne nomes de grande expressão, como Renato Adam Mendonça, Antonio Rocha e Tufik Bauab Jr., entre outros, entra na sua fase final, com propostas interessantes e atualizadas. Além dos temas científicos, os principais desafios da especialidade, como Inteligência Artificial e Machine Learnig, Educação e Introdução à Pesquisa e Profissionalismo terão um amplo espaço no evento. Os associados da SPR devem ficar atentos aos prazos para inscrição, já que gozam de benefícios, e os demais interessados também, pois os espaços muitas vezes são limitados. Informe-se www.jpr2019.org.br

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Dolores Bustelo, nova presidente no Paraná

Sociedade de Radiologia e Diagnostico por Imagem do Paraná acaba de eleger sua nova presidente, que exercerá seu mandato no período 2019-2020. O nome escolhido foi da dra. Dolores Del Carmen Tanus Bustelo, radiologista pediátrica, com uma historia de trabalho junto a entidade e ao Colégio Brasileiro de Radiologia, em várias gestões. A dra. Dolores Bustelo sucede ao dr. Oscar Adolfo Fonsar, que permanece como presidente do Conselho Consultivo. Sua escolha é um reconhecimento a esse trabalho, onde atuou

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intensamente em reuniões do Clube do Interior, no Congresso Brasileiro de Radiologia e outras

Pernambuco elege Paulo Andrade

omo já é uma tradição na Sociedade de Radiologia de Pernambuco, o Dia do Radiologista (8 de novembro) marca a eleição de sua nova diretoria, a cada dois anos. E não foi diferente neste ano de 2018, quando foi eleito o dr. Paulo Roberto Fernandes Vieira de Andrade para suceder à dra. Maria de Fatima Vasco Aragão. Presente em diversas diretorias, desde a gestão dr. Antonio Aguiar, o dr. Paulo Andrade vem – como enfatizou ao jornal ID, no Rio de Janeiro – para dar continuidade e aprimorar iniciativas de interesse dos médicos no Estado, seja na promoção de eventos, na defesa dos interesses da classe, aspectos destacados das gestões que o antecederam. Fazem parte da nova diretoria, também, vice-presidente: Fernando

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iniciativas que colocam a entidade como um das mais ativas do Pais. Participarão da nova diretoria, os drs. Lucas Eduardo F. Calafiori, vice; Dra. Andréa Cristina Trippia e dr. Renato Maroja, secretários; dr. Marcelo Barbosa e dra. Linei Augusta Urban, tesoureiros: dra. Maria Helena Louveira, diretora cultural; dr. Heraldo de O. Mello Neto, diretor cientifico; dra. Jamylle Geraldo Miller, diretora de divulgação; dra; Simony Elisa Zerbato, presidente do Clube do Interior; Comissão residente do ano. Drs. Nelson Martins Schiavinatto e dr. Wagner Peiti Miller.

Viana Gurgel; diretor científico: Alessandra Cíntia Mertens Brainer de Queiroz Lima; diretor de Ensino e Aperfeiçoamento: Ana Rita Marinho Ribeiro de Carvalho;1º Secretário: Gustavo Simões de Miranda Soares; 2º Secretário: Claudia Borges Fontan Câmara; 1º Tesoureiro: Marcos Vinícius Borges Miranda Filho; 2º Tesoureiro: Ivone Martins Caseca; siretor de Defesa Profissional: Álvaro Augusto Cavalcanti Madeira Campos; diretor de Publicação: Américo Alves da Mota Júnior; iretor de Relacionamento Nacional/ Internacional: Maria de Fátima Viana Vasco Aragão (Novo cargo inserido na Diretoria) Em sua nova sede, a cerimonia de posse foi marcada com a presença de ex-presidente, como Antonio Aguiar, Luiz Carlos Ferrer Carneiro, Silvio Cavalcanti e Maria e Fatima Aragão, além de outras personalidades.

Nova edição do Imagine em março

ANOTE

om temas das áreas de oncologia, musculoesquelético, trauma e cardiovascular, de 14 a 16 de março, o InRad sediará o XVII Congresso de Radiologia e Diagnóstico por Imagem do HCFMUSP – Imagine 2019. A edição conta com uma programação científica de excelência em aulas presenciais e on-line, além de mais de 100 horas de conteúdo. As mesas de discussão abordarão temas de interesse de médicos, residentes e profissionais da saúde das nas áreas de Oncologia, Trauma, Musculoesquelético, USG Gineco-Obstétrica, USG Geral, Neuroradiologia, Tórax, Cardiovascular, Pediatria, Interna-Gastrointestinal, entre outras. Na organização do evento estão o Prof. Dr. Giovanni Cerri, Dra. Maria Cristina Chammas, Dra. Claudia da Costa Leite e Dra. Eloisa Maria Mello Gebrim. Dentre os destaques da programação estão as sessões interativas do módulo Oncologia e a discussão do uso da Inteligência Artificial na Radiologia. Informe-se: Imagine.2019.com.br

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LANÇAMENTO

Novo atlas traz mais de mil imagens da mama Realizada pelos médicos Elvira Ferreira Marques e Almir Bitencourt, obra explora os principais achados de imagem e estruturação do laudo para auxiliar o aprendizado, avaliação e identificação do câncer de mama

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iante da necessidade cada vez maior do treinamentos e estudaram muito acerca dos exames geradiagnóstico precoce do câncer de mama, os dos”, recorda. médicos Elvira Ferreira Marques e Almir A importância do diagnóstico precoce também norteou Bitencourt , do ACCamargo Cancer Center, os autores para a produção do livro, uma vez que os equiacabam de lançar o “Atlas de Diagnóstico por pamentos e os exames são fundamentais para que o câncer Imagem da Mama” (Elsevier Editora). O livro apresenta seja identificado antes mesmo de ser palpável pela mulher. mais de mil imagens e descreve os principais achados desse Segundo Dra. Elvira, como a doença é a mais frequente nas tipo de câncer, aborda aspectos técnicos, estruturação do mulheres e mais temerosa, pois ainda apresenta alto grau laudo e correlaciona diferentes métodos de imagem para de mortalidade, o diagnóstico precoce é essencial e contou o aprendizado, a avaliação muito com a melhoria dos e a identificação da doença. equipamentos e dos profisDe acordo com a Dra. sionais, mais bem treinaElvira Ferreira Marques, dos e mais conscientes até diretora do Serviço de Mado que se deve fazer. “Isso resulta em uma sobrevimografia do Hospital A.C. Camargo, a ideia do atlas da muito mais adequada, surgiu porque muitas vezes longa e melhor qualidade a imagem pode ser mais de vida para mulheres que esclarecedora do que inforvêm a ter câncer de mama”, reflete. mações descritas em formaNesse sentido, o cuito texto: “às vezes, diante de um caso difícil, ter um dado extremo dos radiolivro do tipo atlas com imalogistas com uma mamogens nos ajuda a raciocinar grafia é primordial para sobre o diagnóstico mais as pacientes. A Dra. Elvira facilmente do que se inter- Dra. Elvira Ferreira Marques e dr. Almir Bitencourt, do ACCamargo lembra, também, que com Cancer Center a correria atual e até mesmo pretarmos os textos”. da necessidade das mulheres trabalharem em mais de um Participante ativa da trajetória da qualidade da mamolugar e executar diversas funções em seu dia a dia pode grafia no Brasil, a médica lembra que a principal mudança retardar e mesmo dificultar o acesso à identificação precoce ocorrida no país nos últimos 20 anos diz respeito à instalação da doença. Para isso, segundo ela, é preciso que radiologisde equipamentos de excelência. “A mudança na qualidade dos equipamentos foi fundamental para o diagnóstico tas e médicos estejam bem cientes de sua responsabilidade precoce efetivamente, pois você consegue ver lesões muito no momento do exame e do laudo. “Há ainda um outro iniciais e outros aspectos às vezes indiretos até da lesão da problema com pacientes de serviços isolados que podem mama. Claro que devemos atrelar essa evolução em termos fazer mamografias às vezes de qualidade inferior e que não de maquinário à evolução dos médicos que buscaram mais possibilitam o diagnóstico precoce”, finaliza.

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EXPEDIENTE Interação Diagnóstica é uma pu­bli­ca­ção de circulação nacional des­ti­n a­d a a médicos e demais profissio­n ais que atu­am na área do diag­nóstico por imagem, espe­cia­ listas corre­lacionados, nas áreas de or­to­pe­dia, uro­logia, mastologia, gineco-obstetrícia. Fundado em Abril de 2001 Conselho Editorial Sidney de Souza Almeida (In Memorian), Alice Brandão, André Scatigno Neto, Augusto Antunes, Bruno Aragão Rocha, Carlos A. Buchpiguel, Carlos Eduardo Rochite, Dolores Bustelo, Hilton Augusto Koch, Lara Alexandre Brandão, Marcio Taveira Garcia, Maria Cristina Chammas, Nelson Fortes Ferreira, Nelson M. G. Caserta, Regis França Bezerra, Rubens Schwartz, Omar Gemha Taha, Selma de Pace Bauab e Wilson Mathias Jr. Consultores informais para assuntos médicos. Sem responsabilidade editorial, trabalhista ou comercial. Jornalista responsável Luiz Carlos de Almeida - Mtb 9313 Redação Alice Klein (RS), Daniela Nahas (MG), Cecilia Dionizio (SP), Lizandra M. Almeida (SP), Claudia Casanova (SP), Valeria Souza (SP), Lucila Villaça (SP), Angela Miguel (SP) Tradução: Fernando Effori de Mello Arte: Marca D’Água Fotos: André Santos, Cleber de Paula, Henrique Huber, Lucas Uebel e Agnaldo Dias Imagens da capa: Getty Images Administração/Comercial: Sabrina Silveira Impressão: Meltingcolor Periodicidade: Bimestral Tiragem: 12 mil exemplares impressos e 35 mil via e-mail Edição: ID Editorial Ltda. Av. Brigadeiro Luiz Antonio, 2050 - cj.108A São Paulo - 01318-002 - tel.: (11) 3285-1444 Registrado no INPI - Instituto Nacional da Pro­prie­dade Industrial. O Jornal ID - Interação Diagnóstica - não se responsabiliza pelo conteúdo das men­sagens publicitárias e os ar­tigos assinados são de inteira respon­sa­bi­lidade de seus respectivos autores. E-mail: id@interacaodiagnostica.com.br


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Edição 107#Dezembro/Janeiro 2019  

Jornal Interação Diagnóstica - edição 107

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